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FACULDADE INDEPENDENTE DO NORDESTE CURSO DE DIREITO GILBERLÍDIO SANTOS PASSOS

LIXO E SUSTENTABILIDADE: UM ESTUDO DE CASO SOBRE OS CATADORES DE UMA COOPERATIVA DE MATERIAIS RECICLAVEIS EM VITORIA DA CONQUISTA.

Vitória da Conquista – BA 2011


FACULDADE INDEPENDENTE DO NORDESTE CURSO DE DIREITO GILBERLÍDIO SANTOS PASSOS

LIXO E SUSTENTABILIDADE: UM ESTUDO DE CASO SOBRE OS CATADORES DE UMA COOPERATIVA DE MATERIAIS RECICLAVEIS EM VITORIA DA CONQUISTA.

Monografia apresentada à Faculdade Independente do Nordeste, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Direito. Orientadora: Profª. Esp. Kathiuscia Gil Santos

Vitória da Conquista - BA 2011


GILBERLÍDIO SANTOS PASSOS

LIXO E SUSTENTABILIDADE: UM ESTUDO DE CASO SOBRE OS CATADORES DE UMA COOPERATIVA DE MATERIAIS RECICLAVEIS EM VITORIA DA CONQUISTA.

Monografia apresentada à Faculdade Independente do Nordeste, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Direito. Orientadora: Profª. Esp. Kathiuscia Gil Santos

Vitória da Conquista, 01 de junho de 2011.

____________________________________________________________

Profª. Esp. Kathiuscia Gil Santos –(Orientadora) Faculdade Independente do Nordeste

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Prof. MSc. Benedito Mamédio Torres Martins Faculdade Independente do Nordeste ____________________________________________________________

Prof. Esp. Gésner Lopes Ferraz Silva Faculdade Independente do Nordeste


AGRADECIMENTOS

A Deus por ter me iluminado durante todos os momentos dessa pesquisa, A minha família pela compreensão durante os momentos mais difíceis, Aos colegas pelo apoio e incentivo, Aos professores pelo conhecimento construído, A minha orientadora, a professora Kathiuscia Gil Santos, por possibilitar meu ingresso no mundo da pesquisa cientifica.


“Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência”. (Karl Marx)


LIXO E SUSTENTABILIDADE: UM ESTUDO DE CASO SOBRE OS CATADORES DE UMA COOPERATIVA DE MATERIAIS RECICLAVEIS EM VITORIA DA CONQUISTA.

Autor: Gilberlídio Santos Passos. Orientadora: Profª. Kathiuscia Santos.

Gil

RESUMO

A coleta seletiva e o processo de reciclagem representam uma das principais estratégias de sustentabilidade, no que diz respeito à preservação ambiental, a redução da exploração de matéria prima, assim como na geração de emprego e melhorias na qualidade de vida da população. Dentro dessa perspectiva, a presente pesquisa investigou, num caso específico, como as políticas econômicas de uma cooperativa de reciclagem conquistense estão sendo articuladas com uma consciência de “desenvolvimento sustentável” e em que medida os catadores, partícipes do quadro de funcionários dessa empresa, disseminam a importância de tais práticas ecologicamente aprovadas. Nesse sentido, a relevância científica deste trabalho consistiu em verificar quais as contribuições socioeconômicas e avanços na legislação trabalhista referente aos catadores de materiais recicláveis antes e após a inserção da Cooperativa de catadores Recicla Conquista, haja vista que outrora estes trabalhadores realizavam suas atividades nos “lixões” expostos a diversos riscos e em condições precárias de trabalho. A pesquisa foi realizada na Cooperativa de Catadores Recicla Conquista que está situada em um galpão na BA 262, estrada Vitória da Conquista a Anagé. A área de amostragem foi escolhida devido a sua importância sócio-ambiental. Os instrumentos aplicados para coleta de dados serão entrevistas semi-estruturadas com o objetivo de verificar as contribuições da cooperativa para os catadores e para o município. Foram entrevistados quarenta e dois cooperados da empresa de reciclagem “Recicla Conquista”. O número de entrevistados corresponde à amostragem de 50% do total de catadores vinculados à cooperativa. A presente pesquisa fomentou a identificação do perfil dos catadores de materiais recicláveis da Cooperativa Recicla Conquista, situada na cidade de Vitória da Conquista-BA, assim como os aspectos socioeconômicos e as relações trabalhistas que estes indivíduos possuem com a cooperativa, bem como a análise situacional desses indivíduos antes e depois da referida associação.

PLAVRAS CHAVE: Reciclagem, relações trabalhistas, Recicla Conquista.


LISTA DE TABELAS E FIGURAS

Figura 1: Idade dos catadores de materiais recicláveis. ............................... 19 Figura 2: Estado civil dos catadores de materiais recicláveis ....................... 20 Figura 3: Grau de instrução dos catadores de materiais recicláveis. ........... 20 Figura 4: Sexo dos catadores de materiais recicláveis. ................................ 21 Figura 5: Quantidade de pessoas nas famílias dos catadores de materiais recicláveis. .................................................................................... 21 Figura 6: Renda familiar dos catadores de materiais recicláveis. ................. 22 Figura 7: Percentual dos catadores que recorrem a fontes alternativas de renda. ..................................................................................................... 23 Figura 8: Motivos de associação dos catadores à cooperativa Recicla Conquista ......................................................................................... 23 Figura 9: Percentual dos catadores em relação a sua função na cooperativa ............................................................................................. 24 Figura 10: Jornada de trabalho dos catadores de materiais recicláveis ....... 25 Figura 11: Tempo de trabalho dos catadores de materiais recicláveis ......... 25 Figura 12: Quanto à capacitação dos catadores de matérias recicláveis ..... 26 Figura 13: Quanto à saúde dos catadores antes e depois da cooperativa ... 27 Figura 14: Equipamentos de proteção individual utilizados pelos catadores de materiais recicláveis. ..................................................... 27 Figura 15: Equipamentos de proteção individual utilizados pelos catadores de materiais recicláveis ...................................................... 28


SUMÁRIO

1INTRODUÇÃO ........................................................................................... 04 2 REFERENCIAL TEÓRICO ........................................................................ 07 2.1 Um breve histórico da produção do lixo.................................................. 07 2.2 Reciclagem: uma possível solução para o descarte do lixo ................... 09 2.3 O lixo como fonte de renda..................................................................... 10 2.3.1 Os catadores de resíduos sólidos de Vitória da Conquista ................. 12 2.4 Recicla Conquista: Uma empresa engajada numa política de sustentabilidade ......................................................................................... 14 2.5 As relações de trabalho entre catadores e cooperativas e empresas de reciclagem. .............................................................................................. 15 3 PRESSUPOSTOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS .................................. 18 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES .............................................................. 19 4.1 Perfil dos catadores de materiais recicláveis da cooperativa Recicla Conquista ..................................................................................................... 19 4.2 Aspectos socioeconômicos dos catadores de materiais recicláveis da cooperativa Recicla Conquista............................................... 22 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................... 29 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................... 31 APÊNDICE ................................................................................................... 35 Apêndice A .................................................................................................. 36


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INTRODUÇÃO

O contínuo processo de urbanização e industrialização trouxe para nossa sociedade inúmeras conquistas relacionadas aos avanços tecnológicos e a geração de novos produtos nunca vistos anteriormente. Entretanto, intrínseco a este progresso, evidenciou-se uma demasiada produção e acúmulo de resíduos, que podem ser justificados na prática do consumo exacerbado e na despreocupação com o destino final do lixo. Esta realidade tem representado um grande desafio socioambiental para os governos e para toda população, visto que a problemática do descarte do lixo interfere diretamente no equilíbrio ambiental, na saúde humana e até mesmo nas questões econômicas. A coleta seletiva e o processo de reciclagem representam uma das principais estratégias de sustentabilidade, no que diz respeito à preservação ambiental, a redução da exploração de matéria prima, assim como na geração de emprego e melhorias na qualidade de vida da população. Os catadores de materiais recicláveis são os principais agentes na execução desta atividade. Estes garantem sua renda e o sustento familiar através do “lixo”, transformando o que é considerado pela sociedade como “inútil” em algo “rentável e produtivo”. No

entanto,

as

condições

laborais

vivenciadas

pela

maioria

destes

trabalhadores são demasiadamente degradantes — muitos trabalham diretamente nos lixões, sem equipamentos de proteção, enfrentando longos períodos de trabalho, sem qualquer tipo de legalização que os ampararem. Todavia, há algumas décadas o cenário socioeconômico tem-se modificado de forma relevante, assim como as iniciativas para promover diversas melhorias nas condições de trabalho desses profissionais. Desde a década de 80 em nosso país, inúmeras experiências têm sido constatadas no âmbito da reciclagem, a exemplo da formação de organizações, cooperativas, associações de catadores, entre outros (DIAS, 2006). Esse setor, que outrora era considerado com uma atividade humilhante e vista de forma preconceituosa, representa atualmente uma atividade econômica


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promissora, visto que necessita de investimentos relativamente reduzidos e, além disso, representa uma alternativa para as questões de ordem ambiental. Dentro dessa perspectiva, a presente pesquisa investigou, num caso específico, como as políticas econômicas de uma cooperativa de reciclagem conquistense estão sendo articuladas com uma consciência de “desenvolvimento sustentável” e em que medida os catadores, partícipes do quadro de funcionários dessa empresa, disseminam a importância de tais práticas ecologicamente aprovadas. Ademais, foi feita uma busca referente ao histórico das legislações específicas dessa categoria, a fim de entender como a parceria com setores empresariais fomentaram melhores condições de trabalho para esses indivíduos. As ferramentas de pesquisa para realização de tal empreendimento estão também focadas na análise da renda per capita desses trabalhadores, nas condições da rotina de trabalho e os riscos subjacentes a esta, visando sempre estabelecer uma descrição desses fatores sob duas perspectivas: como eles eram estruturados antes e após a inserção formal dos catadores no mercado. A partir do progressivo desenvolvimento socioeconômico, e, portanto demográfico, associado à intensa exploração dos recursos naturais, tem-se produzido em nossa sociedade cada vez mais uma grande quantidade de resíduos sólidos comumente denominados como “lixo”. O homem, desde o seu surgimento, sempre produziu lixo, mas foi a partir do século XVIII, com o início da industrialização, período marcado pela inserção de máquinas e pela produção em grande escala, que se intensificou o acúmulo de resíduos sólidos. Atualmente, é produzido em todo planeta milhões de toneladas de lixo. Esta realidade é proporcional à situação econômica do país e aos avanços tecnológicos, ou seja, quanto mais desenvolvido, mais lixo o país produz (RIBEIRO E BESEN, 2007). Segundo Tanuri (2009), este problema vem decorrente do alto crescimento demográfico e consumo desenfreado, que são características marcantes do sistema capitalista. A temática “sustentabilidade” tem sido o foco das grandes discussões sociais. Com o advento de pesquisas dentro do âmbito da Ecologia, do Desenvolvimento Sustentável, as discussões em torno do destino do lixo foram encaminhadas para um tom mais sério, já que lixo passou a ser vinculado ao risco do bem-estar social e,


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de forma aparentemente contraditória, a uma possível fonte de renda para as empresas interessadas na área. De acordo com Lopes (2009) o processo de reciclagem surgiu através de iniciativas individuais, como alternativa econômica para as classes sociais menos favorecidas, para as quais o lixo representava uma fonte de renda complementar ou mesmo como único meio para sobrevivência. Ainda hoje, diversas famílias obtêm seu sustento através desta atividade que, realizada a partir de ações individuais e pouco organizadas, podem oferecer inúmeros riscos à saúde do trabalhador, como o risco de contaminação por falta de equipamentos de proteção, exposição a situações danosas, entre outros. Entretanto, o processo de reciclagem tem ido além de uma “medida alternativa” para aqueles indivíduos que foram excluídos do mercado de trabalho formal. As diversas iniciativas de cooperativismo tornaram esta atividade muito mais rentável, além dos diversos benefícios que são proporcionados ao meio ambiente. Segundo o IBGE (2001), a partir da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, são coletados diariamente no Brasil 125.281 mil toneladas de resíduos e a cada mil brasileiros, um é catador de materiais recicláveis. Ainda segundo a pesquisa, existem catadores individuais e também diversos grupos formando associações, cooperativas ou ONGs relacionadas à reciclagem. Esses dados demonstram o quanto este setor tem se expandido em todo país como uma atividade promissora no que diz respeito à oferta de trabalho e para aqueles que ainda se encontram na informalidade. Nesse sentido, a relevância científica deste trabalho consiste em verificar quais as contribuições socioeconômicas e avanços na legislação trabalhista referente aos catadores de materiais recicláveis antes e após a inserção da Cooperativa de catadores Recicla Conquista, haja vista que outrora estes trabalhadores realizavam suas atividades nos “lixões” expostos a diversos riscos e em condições precárias de trabalho. Ampliando os benefícios dessa proposta de pesquisa, pode-se afirmar que provando a importância do trabalho desses indivíduos uma consciência voltada para o desenvolvimento sustentável terá repercussão dentro da sociedade conquistense e, assim, iniciativas empresariais e cooperativistas fundamentadas em práticas ecológicas se tornarão recorrentes e não ocasionais.


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2 REFERENCIAL TEÓRICO

O levantamento da bibliográfica dentro da presente pesquisa foi estruturado, num primeiro momento, na construção de um breve histórico da produção do lixo nas sociedades humanas desde a pré-história até os dias atuais. Em seguida, objetivou-se discutir sobre formas seguras e ecologicamente corretas para o descarte e reaproveitamento do “lixo” através da reciclagem. Nesse sentido, a pesquisa também foi encaminha para a retratação do lixo como possível fonte de renda e compreensão da função dos catadores como necessária nesse processo. Posteriormente, foram levantados dados referentes a empresa de reciclagem recicla conquista e os benefícios trazidos aos catadores através da associação com a referida empresa. E, por fim, foram investigados os avanços e os percalços nas relações de trabalho dos catadores num recorte espaço-temporal.

2.1 Um breve histórico da produção do lixo

O homem sempre produziu lixo desde os primórdios de sua existência. Segundo Gonçalves (1997), o “lixo” é definido como qualquer material que não tenha mais utilidade ou qualquer funcionalidade. Já Branco (1983), define este como “restos das atividades humanas, consideradas pelos geradores como inúteis, indesejáveis ou descartáveis.” A produção de resíduos sólidos é inerente aos processos básicos de sobrevivência humana, visto que os resíduos produzidos são oriundos da contínua utilização dos mais variados recursos naturais. Desde a pré-história já se acumulavam detritos orgânicos provenientes da caça, da pesca, da colheita, que eram depositados no solo, pelos povos préhistóricos, e com o passar do tempo estes entravam em um processo natural de decomposição, no qual os nutrientes retornavam ao ambiente servindo de matéria prima aos diversos ciclos ambientais. É importante lembrar que a maioria dos povos pré-históricos eram nômades, ou seja, não se fixavam em uma região por muito tempo e deixavam os resíduos produzidos por onde passavam.


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Noutro contexto, na idade média, o lixo representou um desafiante problema de saúde pública, pois a população fazia o descarte dos materiais indesejáveis de forma aleatória e insalubre pelas ruas das cidades européias, sem qualquer preocupação ambiental, ocasionando epidemias, surgimento de diversas doenças e mortes para as comunidades. Durante a Revolução Industrial, intensificou-se o acúmulo de resíduos sólidos, devido a uma produção exacerbada de produtos industrializados e a expansão do processo de urbanização, que ocasionou o êxodo do homem do campo para os grandes centros urbanos a propósito de melhores condições de vida e trabalho. Esse período foi amplamente marcado pelo surgimento dos grandes centros industriais e a descoberta de novas tecnologias como as primeiras máquinas, que aceleravam todo o processo de fabricação, outrora realizado de forma artesanal e individual. No entanto, a preocupação com a poluição ambiental, conseqüência da liberação de gases poluentes pelas indústrias, do descarte do lixo e dos riscos oferecidos ao meio ambiente pelos mesmos, era quase inexistente. Foi durante este período que surgiram os primeiros “lixões”, geralmente lugares distantes das cidades e do convívio social, onde os materiais indesejáveis eram jogados e acumulados sem qualquer tratamento. De acordo Teixeira e Bidone (1999), o lixão é um mero acondicionamento do lixo a céu aberto, sem métodos sanitários de proteção ao ambiente, possibilitando o pleno acesso de seres vivos transmissores de inúmeras doenças. Com o desenvolvimento e a expansão das grandes cidades, os lixões começaram a fazer parte da paisagem urbana, tornando-se um grande problema desafiante para os governos e para toda a população. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) são produzidos atualmente, em todo planeta, 730 milhões de toneladas de lixo por ano e no Brasil 150.000 toneladas diariamente. De acordo com Fadini e Fadini (2001), cada habitante norte americano produz cerca de 700 kg de lixo por ano e no Brasil chega a uma média de 180 kg por habitante nas cidades mais populosas. Esses dados tornam-se cada vez mais motivo de preocupação para a os governos e para toda sociedade. Entretanto as discussões voltadas às temáticas ambientais como “o descarte adequado do lixo” só tomou maiores proporções no final do século XX, com a redução de espaços para depositá-lo, com a


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contaminação dos solos, das águas, do ar e também a partir da possibilidade de reutilização e rentabilidade dos materiais considerados como “lixo”.

2.2 Reciclagem: uma possível solução para o descarte do lixo

Como já discutido anteriormente, o lixo, desde tempos remotos da história da humanidade até os dias atuais, representou um problema para a manutenção ou promoção do bem-estar social. Entretanto, esse fato, até a primeira metade do século XX, ainda não abrigava, por si só, estímulos plausíveis para que o lixo fosse pensado como matriz de algum produto. Mas eis que, de repente, numa epifânica explosão de consciência do século XXI, o lixo tornou-se alvo de grandes empresas e objetivo de grandes projetos. De modo ingênuo, podem pensar os desavisados que tal perspectiva advém simplesmente de uma evolução na consciência das pessoas em relação a temas como: conservação, desenvolvimento sustentável etc. Ao contrário disso, Leal et. al. (2002, p. 143) afirmam que a reciclagem é regida pela lógica societal do capital, ou seja, “[...] como possibilidade de recuperação lucrativa dos resíduos sólidos para o circuito de consumo das mercadorias [...]”. Todavia, não é de se negar que os ambientalistas e o planeta ganharam muito com essa política de reciclagem, embora o objetivo central da utilização produtiva do lixo não venha ser justificado pela preocupação com o desenvolvimento equilibrado, mesmo que este seja nos tempos atuais uma questão urgente. Em outras palavras: ainda que possua objetivos escusos, a reciclagem tem servido para salvar. Para citar um caso específico da relevância da reciclagem, o Panorama de Resíduos Sólidos no Brasil divulgou que em 2006 foram reciclados 94,4% do montante das latas de alumínio comercializadas, que quase metade da produção de papel retorna para ser reutilizada, entre outros índices. De acordo com Nani (2000) o processo de reciclagem prevê inevitavelmente a redução no consumo de energia, o que traz como conseqüência uma diminuição no uso dos recursos naturais que não podem ser renovados.


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Ademais, ela também está presente na otimização dos processos de saneamento dos grandes centros urbanos, pois diminui o acúmulo de lixo nas áreas de descarte e reduz o lixo nas ruas, provendo, assim, a raridade da ocorrência de enchentes, contaminações etc. Para Waldman (ano, p. 5):

Menos papel e menos plástico na rua, mais lata e mais vidro nas recicladoras é fazer retroceder a poluição, ampliar a vida média doa aterros, impedir enchentes, cercear a proliferação de insetos, poupar água e energia, conservar os recursos naturais, garantir renda para os catadores e diminuir o impacto da coleta de lixo nos orçamentos municipais.

No âmbito da construção civil, a reciclagem pode funcionar como atenuadora de custos, pois reaproveita os detritos sólidos em novas construções; e como força que promove a sustentabilidade, uma vez que fomenta a não inserção dos detritos em ambientes naturais, preservando, assim, estes locais. Exemplos dessa política de recilcagem no Brasil podem ser verificados na afirmação de Cirelli et. al. (ano, p.5), quando dizem que:

A reciclagem de pavimento asfáltico, introduzida no mercado paulistano no início da década de 90 é hoje uma realidade nas grandes cidades brasileiras, viabilizando a reciclagem tanto do asfalto quanto dos agregados do concreto asfáltico.

Vê-se, portanto, que comparado com os séculos anteriores, quando o lixo era descartado a céu aberto pelas cidades, contaminando a água, os alimentos, a reciclagem representa, contemporaneamente, um grande passo na caminhada de salvação do mundo e para melhores condições de vida.

2.3 O lixo como fonte de renda

Com o aumento da produção de mercadorias depois das grandes revoluções industriais, foi-se necessário a criação de alternativas eficazes para a manipulação do lixo e, sendo as organizações sociais das várias nações do mundo fundamentadas no modelo capitalista, tais alternativas tiveram que ser também fundamentadas numa proposta de retorno lucrativo.


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Essa concepção de lixo como possível gerador de renda passou a vigorar a partir do final do século XX e início do século XXI, quando, segundo Rimoli e Rylo (2003, p. 150), “[as] mudanças no estilo de vida e a regulamentação de proteção ambiental cada vez mais exigente [...] [ensejavam] oportunidades de negócio para novos empreendedores, como a reciclagem de produtos”. Segundo os autores, a reciclagem do lixo tinha vantagens sobre outros tipos de negócio por apresentar a peculiar característica da propaganda gratuita, ou seja, em tempos em que o politicamente correto e a busca pela sustentabilidade tornavam-se moda e ganhavam força, o lixo rentável encaixava-se como uma proposta econômica verde, floreada de elogios pela mídia ambientalista. De acordo com a Gazeta mercantil (2000) a atividade de reciclagem tinha/tem a aprovação da sociedade, já que proporcionava/proporciona o aumento nos índices de emprego e melhores condições econômicas para o mercado, além de ser um indicativo de conservação ambiental para o país que possui tal prática ativa. A título de melhor visualização desse quadro promissor que se configura dentro do âmbito do lixo rentável, Calderoni (1999) afirma que no Brasil os índices de faturamento dentro da reciclagem de resíduos sólidos alcançam cerca de 1,2 bilhões ao ano e que essa taxa tende a crescer com os investimentos governamentais e privados na área. Para somar outro fator positivo nas vantagens do negócio da reciclagem, pode-se também argumentar o fato de que, na maioria dos processos, a relação de custo-benefício é estruturada sempre em baixos custos e grandes lucros. Spinacé e Paoli (2005, p. 65), sobre a tecnologia de reciclagem de polímetros, afirmam

que

os

materiais

termoplásticos

(tipos

de

plástico)

possuem

descomplicados processos de moldagem, haja vista sua baixa densidade e, nesse sentido, têm grande resistência, “[...] baixo custo [e] apresentam uma larga faixa de aplicações”. Por fim, pode-se dizer que “lixo” passou, com a evolução tecnológica e a inovação do mercado, para um estágio de importância nunca antes visto. Não é, porém, o objetivo dessa afirmação dizer que o “lixo” encontra-se plenamente inserido numa cadeia produtiva de lucros e benefícios ambientais; a finalidade dessa afirmação é visualizar que o “lixo” não pode ser considerado em nossa época como um material descartável ou desprezível.


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2.3.1 Os catadores de resíduos sólidos

Por muito tempo o lixo foi considerado para maior parte da sociedade como algo “irrelevante”, “sem valor econômico” devido aos conceitos que a população traz sobre o mesmo. No entanto, para as classes sociais menos favorecidas, o lixo sempre representou uma possibilidade de sobrevivência ou uma alternativa para complementar a renda familiar. As iniciativas de rentabilidade a partir de materiais encontrados no lixo tiveram origem a partir de ações individuais e em pequenas proporções, nas quais indivíduos excluídos do mercado de trabalho encontram nos lixões materiais que poderiam servir de matéria-prima para novos produtos e até mesmo utilizá-los para outras finalidades. Os catadores de materiais recicláveis que trabalham por iniciativa própria normalmente enfrentam condições precárias, devido à exposição a materiais tóxicos, a ausência de equipamentos de proteção individual, os longos períodos de trabalho, os riscos de contaminação, entre outros. Além disso, esses catadores possuem uma baixa auto-estima, decorrente do preconceito sofrido na sociedade. Segundo Cançado et. al. (2008), existem aproximadamente quinhentos mil indivíduos que atuam como catadores de materiais recicláveis no Brasil, sendo que quarenta mil trabalham diretamente nos lixões em condições inadequadas. De acordo com Miura (2004), o aumento do número de indivíduos que recorrem à atividade de catadores é um reflexo do aumento do índice de desemprego, ou seja, aqueles indivíduos que não conseguem adentrar o mercado de trabalho ou por falta de capacitação ou mesmo por fatores como, idade avançada, condição social, encontra neste setor uma alternativa imediata para garantir a sobrevivência. Entretanto, esta realidade tem se modificado devido ao surgimento de diversas cooperativas de catadores de materiais recicláveis, propondo melhorias para o setor e para a qualidade de vida desses trabalhadores. As primeiras iniciativas no Brasil ocorreram durante a década de 80, quando catadores começaram a se organizar em cooperativas e associações em busca do reconhecimento desta atividade como uma profissão legalizada (MAGERA, 2003). Como resultado dessas iniciativas ocorreu o 1º Congresso de materiais recicláveis


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em 2001, fortalecendo o movimento e garantindo alguns direitos básicos como o reconhecimento da profissão. Segundo Almeida (2007), a reciclagem é um setor em expansão que permite a inserção dos trabalhadores informais no mercado formal proporcionando maior desenvolvimento para a economia e avanços sociais como a redução do índice de desemprego e aumento da renda familiar. A cooperativa funciona como uma espécie de economia solidária que segundo Singer (2000), traz uma forma de organização econômica no qual são distribuídos os meios de produção e os lucros obtidos entre os próprios cooperados. Esse tipo de organização permite a geração de trabalho e renda, além de estimular a produção entre esses trabalhadores. De acordo com Singer (2002):

A solidariedade na economia só pode se realizar se ela for organizada igualitariamente pelos que se associam para produzir, comerciar, consumir ou poupar. Porém, ela só funciona se existirem mecanismos de redistribuição solidária de renda (SINGER, 2002 p. 910).

É importante ressaltar que a economia solidária, como são organizadas as cooperativas de catadores, estimula a valorização da mão-de-obra, o respeito mútuo e o desenvolvimento de princípios éticos e solidários entre os cooperados (TANURI, 2009). Além disso, a cooperativa de catadores proporciona aos mesmos noções básicas e fundamentais de preservação ambiental e desenvolvimento sustentável. Entretanto, segundo Magera (2003), a realidade vivenciada por diversas cooperativas e cooperados ainda está distante do que prevê os fundamentos da economia solidária, pois de acordo com a autora, a rotina desses trabalhadores, mesmo vinculados a cooperativas é extremamente exaustiva, enfrentando até mesmo dez horas diárias de trabalho e muitas vezes recebem um valor irrisório como pagamento. De acordo com Carmo (2005) outro aspecto que interfere diretamente na expansão do setor é sem dúvida a baixa escolaridade dos catadores, consistindo num grande obstáculo para que seus cooperados venham alcançar cargos que exijam maiores níveis de escolaridade e consequentemente remunerações mais altas.


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Retomando o conceito de economia solidária, expresso por Singer (2002), se não houver mecanismos de redistribuição solidária de renda entre os catadores e medidas que realmente proporcione melhorias na qualidade de vida desses trabalhadores, a atividade de catação continuará sendo realizada apenas como um mecanismo de sobrevivência para esses indivíduos.

2.4 Cooperativa de catadores Recicla Conquista: Uma empresa engajada numa política de sustentabilidade

A cidade de Vitória da Conquista, apesar de estar passando por um grande desenvolvimento socioeconômico, ainda apresenta índices de desemprego bastante expressivos (ALMEIDA, 2007). Provavelmente, devido a esta situação diversos indivíduos procuram os materiais recicláveis como uma opção de sobrevivência e garantia de renda. A cidade possui uma cooperativa, (Cooperativa de catadores Recicla Conquista), que foi fundada no município em vinte e quatro de novembro de dois mil e quatro e formou-se a partir da iniciativa de catadores que já trabalhavam no setor há muitos anos e tinham o desejo de implantar uma organização que pudesse suprir todas as necessidades para a execução desta atividade (SANTOS, 2008). Essa cooperativa tem como objetivo propor aos catadores do município condições mais adequadas de trabalho, além de uma melhoria na renda desses indivíduos, proporcionando benefícios a diversas famílias oriundas desses trabalhadores. Além disso, proporcionar a cidade um maior desenvolvimento econômico e sustentável, incentivando a população ao desenvolvimento de práticas mais sustentáveis (SANTOS, 2008). A cooperativa Recicla Conquista está situada em um galpão na BA 262, estrada Vitória da Conquista a Anagé, possui diversos equipamentos de coleta e triagem dos materiais, entre estes, dois caminhões, prensas, instrumentos de armazenamento entre outros. Ainda segundo o autor, a empresa também assegura a seus cooperados materiais de equipamentos de proteção individual como: luvas, botas, capacetes, roupas apropriadas, máscaras, entre outros, que provavelmente estes indivíduos não tinham acesso quando trabalhavam nos lixões por iniciativa individual.


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O recicla Conquista recebe o apoio de Organizações não governamentais como a PANGEA (centro de estudos socioambientais), fornecendo apoio aos cooperados e a própria cooperativa através de donativos, ajuda de custo, entre outros. A empresa em parceria com a prefeitura atua na cidade através dos “ecopontos”, ou seja, são pontos de coleta nos quais a comunidade pode separar os materiais recicláveis e deixá-los nestes pontos de coleta para serem recolhidos pelos caminhões da cooperativa. No entanto, as contribuições da população nesse sentido ainda são relativamente pequenas se comparados com a quantidade de habitantes e de lixo produzido no município.

2.5 As relações de trabalho entre catadores e cooperativas e empresas de reciclagem

Os processos que envolvem a estruturação das relações de trabalho nas sociedades fundadas no modelo capitalista saltam do nível econômico e tragam para seu eixo valorativo as problemáticas sociais construídas ao longo dos conflitos existentes na história das coletividades. Não deve, pois, ser considerada aleatória a recorrente identificação de determinados tipos de trabalhos com certos tipos de indivíduos trabalhadores. Em outras palavras, e ratificando o que foi dito anteriormente, o trabalho não é apenas escolhido, mas também escolhe — ao mesmo tempo em que transforma— seus indivíduos. Sobre esse processo de transformação, que envolve as escolhas dos indivíduos e as características de seus trabalhos, Marx (1978, p.148) afirma, em O Capital, que:

Antes de tudo, o trabalho é um processo entre o homem e a Natureza, um processo em que o homem por sua própria ação, media, regula e controla o seu metabolismo com a Natureza [...] A atuar por meio desse movimento sobre a Natureza externa a ele, e ao modificá-la, ele modifica a sua própria natureza.


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Esse raciocínio leva a conclusão de que o trabalho está em redes interdiscursivas mais complexas que envolvem a sociedade como um todo. Dentro dessa perspectiva, nota-se que o indivíduo torna-se representativo em seu meio através da interação e sendo o trabalho o modo de interação por excelência do homem para a construção de suas instituições sócio-culturais, o trabalho ergue-se como norteador da sociedade e de novas formas de comunicação nesta. Vale ressaltar que essa lógica tem papel preponderante dentro das sociedades estabelecidas por relações de trabalho assalariadas, nas quais a vida do homem é regida por contratos. Daí surge o problema da exclusão social através do trabalho, pois os indivíduos que praticam suas atividades laborais de modo independente do sistema são, de certa forma, privados dos direitos previstos nas práticas de trabalho formais. Mattoso (1999) argumenta que essa exclusão pode ser verificada, em primeira instância, quando os indivíduos não possuem assídua contribuição tributária (ou nenhuma contribuição) com a Previdência Social, uma vez que essa omissão acarreta a perda do direito de aposentadoria. Mas a exclusão também ultrapassa os trâmites legislativos e infiltra-se nas relações da pessoa marginalizada com seu grupo. Exemplo disso e foco da discussão da presente pesquisa é o caso dos catadores de lixo, pois estes são estigmatizados através da seguinte associação que é implícita em nossa sociedade — o homem é menor e desprezível, porque trabalha com o que é torpe e desprezível: o lixo. E Isso justifica as péssimas condições de vida desses trabalhadores, as arriscadas situações, nas quais se encontram etc. Dentro desse tema, Magera (2003) afirma que, no Brasil, os catadores de lixo chegam a trabalhar mais de doze horas diárias sem horário de almoço, que carregam toneladas de lixo mensalmente, andando vários quilômetros a cada dia de sofrimento, que recebem baixíssimas remunerações ou até bebidas alcoólicas como forma de pagamento e entres outras formas de exploração. Ainda segundo Magera (2003), os catadores só começaram a formar cooperativas a partir da tardia década de 1980 e que só em 2001 foi realizado o primeiro movimento de nacional de catadores que, nas ruas e nos órgãos governamentais, exigia seus direitos, culminando, em 2002, na inserção dessa categoria na CBO (Classificação Brasileira de Ocupações).


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De acordo Tanuri (2011) em 2003, foi estabelecido “o Comitê de Inclusão Social dos Catadores de Lixo”, que visava a construção de projetos para a otimização das condições de trabalho desses indivíduos, bem como o investimento em projetos que fossem embasados em reciclagem. Todavia, podemos observar, dentro do que já foi discutido anteriormente, que o meio legislativo não é uma forma plena de dissolver os grandes preconceitos há anos edificados na sociedade. Migueles (2004) coloca que é preciso ser desenvolvida uma política de conscientização que vincule o trabalho dos catadores a aspectos mais positivos, como: conservação do meio ambiente, atividade laboral formal e necessária para a coletividade etc. Para tanto, o autor argumenta que as cooperativas constituem um grande passo (e não único) para a implementação desse ideal, visto que inserem os catadores de lixo nos processos de negociação de seus produtos, tornando-os parte da empresa de reciclagem e não apenas meros acessórios dela.


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3 PRESSUPOSTOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS

Este trabalho será realizado através de uma análise qualitativa. Segundo Malhota (2006), a pesquisa qualitativa proporciona uma maior compreensão do contexto do problema. Essa pesquisa é classificada como qualitativa exploratória que, de acordo com Triviños (1987), destaca como importante instrumento para analisar as variáveis ambientais, comportamentais e sociais em cada indivíduo. Ainda segundo este autor, é essencial conhecer as características culturais e sociais dos participantes da pesquisa, pois a partir delas pode-se entender o significado dos aspectos do meio, levando a considerações mais importantes. Trata-se de um estudo de caso, que constitui uma modalidade amplamente utilizada em pesquisas sociais. De acordo com Gil (1994), o estudo de caso representa um estudo mais profundo de um objeto de pesquisa, promovendo um amplo e detalhado conhecimento do mesmo. A pesquisa foi realizada na Cooperativa de Catadores Recicla Conquista que está situada em um galpão na BA 262, estrada Vitória da Conquista a Anagé (SANTOS, 2008). A área de amostragem foi escolhida devido a sua importância sócio-ambiental. Os instrumentos aplicados para coleta de dados serão entrevistas semiestruturadas com o objetivo de verificar as contribuições da cooperativa para os catadores e para o município. De acordo com Gil (1994), este tipo de entrevista é muito flexível e só se distingue de uma simples conversação pelo fato de ter como objetivo a coleta de dados. As entrevistas serão também realizadas com os coordenadores da Cooperativa. Os dados coletados serão agrupados e categorizados e as categorias serão definidas após a coleta dos dados, possibilitando o fornecimento de respostas ao problema proposto para a investigação. Será realizada posteriormente a análise e a interpretação dos dados que, segundo Gil (1994), tem como objetivo a procura do sentido mais amplo das respostas mediante sua ligação a outros conhecimentos anteriormente obtidos.


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4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.1 Perfil dos catadores de materiais recicláveis da cooperativa Recicla Conquista

Foram entrevistados quarenta e dois cooperados da empresa de reciclagem “Recicla Conquista”. O número de entrevistados corresponde à amostragem de 50% do total de catadores vinculados à cooperativa. Para uma melhor visualização e discussão dos resultados, foram criadas duas categorias, nas quais são abordadas respostas às questões relacionadas ao perfil, aos aspectos socioeconômicos e às condições de trabalho dos cooperadores. Através dos dados da Figura 1, pode-se construir um perfil dos indivíduos que atuam no setor no qual foi realizada a pesquisa: a maioria dos indivíduos dessa cooperativa são jovens e adultos com idade entre dezenove e vinte e cinco anos, que, provavelmente, por falta de oportunidades no mercado de trabalho, recorreram a este setor. A pequena quantidade de indivíduos com mais de quarenta e cinco anos pode estar relacionada às exigências físicas previstas nesta prática laboral.

Figura 1: Idade dos catadores de materiais recicláveis. Fonte: pesquisa de campo, 2011.

Ao se investigar sobre o estado civil desses indivíduos, como se vê abaixo na Figura 2, percebe-se que eles, em sua maioria, estão solteiros (as), o que confirma o


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arquétipo de pessoas mais jovens, como foi mencionado na discussão do gráfico “Idade”.

Figura 2: Estado civil dos catadores de materiais recicláveis. Fonte: pesquisa de campo, 2011.

No momento da pesquisa referente aos dados que tratam sobre o nível de escolaridade dos indivíduos que trabalhavam na cooperativa “Recicla Conquista” — (Figura 3) —, foi obtido o resultado de que menos de 5% desses trabalhadores alcançam grau de instrução de ensino médio completo; a maioria deles ou são analfabetos, ou somente têm o ensino fundamental incompleto.

Figura 3: Grau de instrução dos catadores de materiais recicláveis. Fonte: pesquisa de campo, 2011.


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Essa realidade confirma o que já foi discutido na fundamentação teórica a respeito do fato de que a baixa escolaridade é um traço presente nessa categoria e que esse fato talvez é um dos motivos marcantes para a impossibilidade de esses profissionais ascenderem na empresa, já que eles possuem perfis (na modalidade educação formal) inadequados para ocupação de cargos de mais prestígio e de maior remuneração. Em relação ao sexo dos catadores, os dados da pesquisa revelaram que o percentual de homens e de mulheres que trabalham na cooperativa é praticamente o mesmo, isso revela o aumento de mulheres no mercado de trabalho e consequentemente a representatividade das mulheres como provedoras do lar, uma tendência que pode ser vista amplamente nas famílias brasileiras (Figura 4).

Figura 4: Sexo dos catadores de materiais recicláveis. Fonte: pesquisa de campo, 2011.

Através dos resultados também se pode constatar que as famílias dos catadores da cooperativa “Recicla Conquista” são bastante numerosas (Fig.5).

Figura 5: Quantidade de pessoas nas famílias dos catadores de materiais recicláveis. Fonte: pesquisa de campo, 2011.


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Esse dado é preponderante para a compreensão da necessidade de complementação de renda que esses indivíduos realizam para a plena sustentabilidade de seus núcleos familiares

4.2 Aspectos socioeconômicos dos catadores de materiais recicláveis da cooperativa Recicla Conquista

Partindo duma análise socioeconômica dos catadores de materiais recicláveis da cooperativa em questão, vê-se, apesar dos problemas financeiros vivenciados por esses indivíduos, que ao se considerar o ganho deles, quando trabalhavam por iniciativa individual, os dados evidenciam (Figura 6) que houve uma melhoria em sua renda.

Figura 6: Renda familiar dos catadores de materiais recicláveis. Fonte: pesquisa de campo, 2011.

Retomando o que foi discutido por Singer (2002), pode-se constatar a elevação nas condições financeiras desses trabalhadores, haja vista a melhor distribuição dos lucros obtidos entre todos os cooperados. Isso não significa que tal melhora seja o cume dos avanços dentro da realidade dessa categoria, uma vez que eles ainda recorrem a formas alternativas de trabalho, como foi comprovado na quantificação dos resultados que mais da metade desses indivíduos atuam em outras atividades laborais (Figura 7).


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Figura 7: Percentual dos catadores que recorrem a fontes alternativas de renda. Fonte: pesquisa de campo, 2011.

A necessidade de complemento da renda familiar pode ser observada também quando perguntado aos trabalhadores se estes estavam na cooperativa por opção pessoal ou por falta de emprego. Os resultados comprovaram que mais da metade desses trabalhadores recorreram ao setor por falta de oportunidades no mercado de trabalho. Esse cenário é extremamente preocupante, pois a atividade de catação e reciclagem ainda é percebida pelos trabalhadores e pela sociedade como última opção de trabalho, não sendo valorizado como uma carreira profissional com todos os direitos previstos na legislação vigente (Figura 8).

Figura 8: Motivos de associação dos catadores à cooperativa Recicla Conquista. Fonte: pesquisa de campo, 2011


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Foi analisada também a função de cada catador na cooperativa em questão. Evidenciou-se que a maior parte dos trabalhadores atua na coleta seletiva dos materiais, o que demonstra que a atividade de reciclagem depende inicialmente da função exercida neste setor, que consiste em coletar do lixo nos “ecopontos” e transportar até o galpão através dos caminhões da cooperativa. Além deste setor pode-se verificar que há uma porcentagem menor (20%) que trabalha no aterro sanitário, local onde são depositados os materiais orgânicos e não recicláveis para uma sofrer o processo adequado de decomposição.

Figura 9: Percentual dos catadores em relação a sua função na cooperativa. Fonte: pesquisa de campo, 2011.

E finalmente 5% dos trabalhadores atuam na triagem dos materiais, separando-os por tipo de produto e 5% na prensagem através de máquinas apropriadas. Posteriormente este material prensado é vendido a outras empresas onde servirá de matéria-prima para fabricação de outros produtos. É importante salientar que estes trabalhadores exercem funções que apresentam diversos riscos a saúde e a integridade física no que diz respeito aos riscos na utilização de maquinário para prensagem, a exposição a diversos riscos ambientais que ainda serão tratados nos tópicos a seguir. Outro aspecto analisado na rotina desses trabalhadores consiste na jornada de trabalho. De acordo com a pesquisa realizada esses indivíduos trabalham entre 6 e 8 horas diárias. Essa carga horária se encontra dentro do previsto pela legislação trabalhista em vigor (Figura 10).


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Figura 10: Jornada de trabalho dos catadores de materiais recicláveis. Fonte: pesquisa de campo, 2011.

Ao se analisar o tempo de serviço dos catadores de materiais recicláveis foi verificado que a maior parte deles está trabalhando na cooperativa em questão por mais de cinco anos ou entre um e cinco anos (Figura 11). Esse dado traz à tona um dos benefícios que a associação de catadores trouxe para essa categoria: a promoção da estabilidade profissional.

Figura 11: Tempo de trabalho dos catadores de materiais recicláveis. Fonte: pesquisa de campo, 2011.

Além da vantagem de estabilidade profissional, foi também constatado que os catadores de materiais recicláveis passaram, através da associação com a


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cooperativa, ter capacitação e procedimentos técnicos quando expostos às diversas situações de risco existentes nessa prática, ou seja, modos otimizados (modos que asseguram a integridade dos indivíduos) para a realização de suas atividades (Figura 12). Essa realidade não era, porém, normal antes de esses indivíduos ingressarem numa associação. Segundo Lopes (2009), os catadores, antes da cooperativa, não possuíam nenhum critério de coleta, noções de contaminação, uso de roupas apropriadas para o trabalho etc.

Figura 12: Quanto à capacitação dos catadores de matérias recicláveis. Fonte: pesquisa de campo, 2011

Aliada à melhora dos procedimentos técnicos do trabalho dos catadores podese citar também a redução nos índices de doenças provocadas por interação com os materiais recicláveis. Isso demonstra que a cooperativa é significativa como regularizadora das práticas de trabalho e conseqüente promoção de qualidade de vida. No caso de Vitória da Conquista, os dados da pesquisa revelam que a não ocorrência de doenças aumentou em 10% e a existência de doenças advindas do trabalho reduziram em 5% por cento, como se vê na Figura 13, abaixo:


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Figura 13: Quanto à saúde dos catadores antes e depois da cooperativa. Fonte: pesquisa de campo, 2011.

Ainda sobre o uso de equipamentos de proteção individual, os resultados da presente pesquisa (Figura 14), revelaram que todos os indivíduos entrevistados utilizam algum tipo de equipamento de segurança e proteção para execução do trabalho.

Figura 14: Equipamentos de proteção individual utilizados pelos catadores de materiais recicláveis. Fonte: pesquisa de campo, 2011.

Os equipamentos de proteção individual que os catadores mais utilizam são: luvas, fardamentos, botas, máscaras e capacetes. Percebe-se que os equipamentos necessários de proteção individual estão sendo garantidos a estes trabalhadores através da própria cooperativa (Figura 15).


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É importante salientar que a atividade de reciclagem oferece riscos significativos a segurança e saúde do catador. A exposição intensa aos raios ultravioletas durante a catação, a exposição a materiais infamáveis e tóxicos que podem existem no lixo, o risco de acidentes de trabalho ao manusear as prensas, e os próprios materiais coletados, entre outros.

Figura 15: Equipamentos de proteção individual utilizados pelos catadores de materiais recicláveis. Fonte: pesquisa de campo, 2011.


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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente pesquisa fomentou a identificação do perfil dos catadores de materiais recicláveis da Cooperativa Recicla Conquista, situada na cidade de Vitória da Conquista-BA, assim como os aspectos socioeconômicos e as relações trabalhistas que estes indivíduos possuem com a cooperativa, bem como a análise situacional desses indivíduos antes da referida associação. Através dos resultados apresentados, percebe-se que existe um vínculo muito significativo e peculiar entre a cooperativa e seus cooperados. O trabalho em cooperativa proporcionou aos seus cooperados oportunidades e condições de trabalho jamais garantidos outrora. Os aspectos positivos que podem ser destacados são principalmente a melhoria da renda desses trabalhadores, as condições de trabalho, o uso de equipamentos de proteção individual etc. Os aspectos negativos detectados pela pesquisa consistem na permanência desses indivíduos em situação de baixa escolaridade e o pouco ou nenhum investimento na formação intelectual dos catadores por parte da cooperativa, o que os leva a não ascensão profissional dentro da sua categoria. Entretanto, esses fatores negativos não ofuscam a mais importante conquista desses trabalhadores que é a regulamentação da atividade de catação como profissão assegurada dentro das prescrições estabelecidas através da legislação trabalhista brasileira vigente. Vale ressaltar que somente a legislação por si só não é suficiente para que estes trabalhadores tenham uma boa qualidade de vida e condições de trabalho dignas, faz-se, portanto, necessária a fiscalização através dos órgãos devidos e as denúncias ao poder público por parte dos trabalhadores (e da população), quando ocorrerem situações nas quais os direitos desses indivíduos não forem plenamente cumpridos. Por fim, vê-se a necessidade da interação da sociedade como um todo em reconhecer essa categoria profissional como constituinte imprescindível nas relações de trabalho contemporâneas, haja vista a urgente luta de preservação do planeta através da alternativa de solução que é o processo de reciclagem. Nesse ponto, a presente pesquisa ocupa função de divulgadora dessa consciência e de


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uma proposta crítica frente às problemáticas do destino do lixo e da valorização dos catadores de materiais recicláveis.


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6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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TRIVIÑOS, A.N.S. Introdução à Pesquisa em Ciências Sociais: a pesquisa qualitativa em Educação. São Paulo: Atlas, 1987.


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ApĂŞndices


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APÊNDICE A:

QUESTIONÁRIO

DADOS PESSOAIS 1) IDADE: ( ) ATÉ 18 ANOS ( ) DE 19 A 25 ANOS ( ) DE 25 A 45 ANOS ( ) ACIMA DE 45 ANOS

2) ESTADO CIVIL: ( ) SOLTEIRO (A) ( ) CASADO (A) ( ) VIÚVO (A) ( ) SEPARADO (A) 3) GRAU DE INSTRUÇÃO: ( ) ANALFABETO ( ) ALFABETIZADO ( ) ENSINO FUNDAMENTAL INCOMPLETO ( ) ENSINO FUNDAMENTAL COMPLETO ( ) ENSINO MÉDIO INCOMPLETO ( ) ENSINO MÉDIO COMPLETO

4) SEXO: ( ) FEMININO ( ) MASCULINO 5) QUANTIDADE DE PESSOAS NA FAMÍLIA: ( ) APENAS 01 PESSOA ( ) DE 02 A 03 PESSOAS ( ) DE 03 A 05 PESSOAS ( ) ACIMA DE 05 PESSOAS 6 RENDA DA FAMILIAR:


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( ) MENOS DE 1 SALÁRIO MÍNIMO ( ) ENTRE 1 E 2 SALÁRIOS ( ) ENTRE 3 E 5 SALÁRIOS ( ) ACIMA DE 5 SALÁRIOS DADOS SOCIOECONÔMICOS

8) POSSUI FONTE DE RENDA ALTERNATIVA? ( ) SIM ( ) NÃO

9) QUAL O MOTIVO DE ASSOCIAÇÃO COM A COOPERATIVA? ( ) OPÇÃO ( ) DESEMPREGO 10) POSSUI QUANTO TEMPO DE TRABALHO NA COOPERATIVA? ( ( ( (

) ATÉ 01 MÊS ) DE 01 MÊS A 01 ANO ) DE 01 ANO A 05 ANOS ) MAIS DE 5 ANOS

11) EM QUAL SETOR VOCÊ TRABALHA? ( ( ( (

) COLETA SELETIVA ) ATERRO SANITÁRIO ) PRENSAGEM ) TRIAGEM

12) TRABALHA QUANTAS HORAS DIÁRIAS? ( ) 05 HORAS ( ) 06 HORAS ( ) 08 HORAS


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13) HOUVE ALGUM TREINAMENTO PARA INICIAR SUAS ATIVIDADES NA COOPERATIVA? ( ) SIM ( ) NÃO 14) QUAL AFREQÜÊNCIA DOS PROBLEMAS DE SAÚDE ANTES DE TRABALHAR NA COOPERATIVA? ( ) NÃO TINHA PROBLEMAS ( ) POUCO FREQUENTEMENTE ( ) MUITO FREQUENTEMENTE 15) QUAL AFREQÜÊNCIA DOS PROBLEMAS DE SAÚDE DEPOIS DE SUA ENTRADA NA COOPERATIVA? ( ) NÃO TEM PROBLEMAS ( ) POUCO FREQÜENTEMENTE ( ) MUITO FREQÜENTEMENTE 16) SÃO FORNECIDOS EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO? ( ) SIM ( ) NÃO 17) QUAIS SÃO OS EQUIPAMENTOS? ( ) LUVA, FARDAMENTO E BOTA ( ) MÁSCARA, BOTA, LUVA E FARDAMENTO ( ) SOMENTE O CAPACETE

M0869  

Monografia FAINOR

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