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FAIN FAINOR - FACULDADE INDEPENDENTE DO NORDESTE CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS ALMIR PEREIRA DOS SANTOS

FINANÇAS PESSOAIS NA VISÃO DOS CONTADORES DE VITÓRIA DA CONQUISTA

VITÓRIA DA CONQUISTA – BA. MAIO / 2006


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ALMIR PEREIRA DOS SANTOS

Finanças Pessoais na visão dos contadores de Vitória da Conquista Monografia apresentada ao Curso de Ciências Contábeis da Faculdade Independente do Nordeste – FAINOR, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Ciências Contábeis. Orientador: Prof. Sc. Edvaldo Gama Filho

VITÓRIA DA CONQUISTA – BAHIA MAIO - 2006


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FAIN FOLHA DE APROVAÇÃO DE MONOGRAFIA DO CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS

ALMIR PEREIRA DOS SANTOS

FINANÇAS PESSOAIS NA VISÃO DOS CONTADORES DE VITÓRIA DA CONQUISTA

Monografia submetida à banca examinadora designada pela Coordenação do Curso de Ciências Contábeis da Faculdade Independente do Nordeste – FAINOR, como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Ciências Contábeis. Aprovado em ____ / ____ / ____

BANCA EXAMINADORA Nome: ________________________________________________________________ Assinatura: _____________________________________________________________ Nome:_________________________________________________________________ Assinatura: _____________________________________________________________ Nome: ________________________________________________________________ Assinatura: _____________________________________________________________


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Dedico este trabalho a minha mãe, Lindaura Santos, e ao meu pai, Euclides Pereira, pelo carinho e o incentivo que sempre me reservaram. Também, a minha esposa Mara Ítala C. Peixoto, pelos dias que cheguei em casa cansado e chateado e ela soube me acolher em seus braços carinhosamente, onde recuperei as energias e a determinação para tornar realidade os meus sonhos. Por último, os meus filhos, João Luiz e Mariana, que são a minha inspiração de vida. Antes que ele me cobre, dedico também a Rodrigo Glass por fazer com que eu entendesse a importância de ser Pai.


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AGRADECIMENTOS

Ninguém vive sem referências, sem um modelo para se espelhar e projetar o que deverá ser o amanhã. Por isso, quero agradecer ao Historiador, Prof. Dr. José Raimundo Fontes, os ensinamentos e a paciência em compreender as minhas limitações, porém sem deixar de apresentar com uma humildade sincera, o caminho que devo seguir para compreensão do mundo real. Nesses anos de Academia reconheço pessoas que fizeram diferença na minha formação, tanto do ponto de vista do conteúdo, como na forma que conduz a sua vida profissional e pessoal. Os mestres Paulo Pires, Luciano Dória, Márcia Mineiro, Alexandro Campanha, Carlos Góis, Edvaldo Gama, entre outros importantes nas suas características individuais, foram e serão sempre protagonistas do saber contábil. Quero agradecer pelo envolvimento direto neste trabalho o Professor Paulo Pires, que forneceu com sua tese de Mestrado os alicerces para uma fundamentação coerente à pesquisa científica, sem, no entanto, deixar de lembrar o quão foi importante as suas palavras e reflexões quando o procurei. De forma especial, quero agradecer ao Prof. Edvaldo Gama, que como orientador soube indicar o rumo e a definição do foco, sob os quais está pautado o nosso trabalho. Quero destacar também a forma atenciosa e prestativa com que o Prof. Dr. Antônio Lopes de Sá recebeu o meu e-mail e encaminhou as apostilas esclarecedoras sobre a teoria da prosperidade. Sem a confiança de que uma energia positiva e onipresente dirige os nossos passos, todos os caminhos seriam longos e as barreiras intransponíveis, por isso agradeço a Deus sempre pelo dom da vida.


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“Seja você empregado, autônomo, empresário ou investidor, a sua vida gira em torno de um balanço, uma demonstração de rendas e um fluxo de caixa; você pode ignorá-los, mas eles não ignoram você”. Profº José Pio Martins


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RESUMO

Este trabalho apresenta o contador como o profissional que pode assessorar e desenvolver atividades que visem o processo de educação financeira; postula que os princípios e técnicas contábeis são as ferramentas necessárias para se planejar, organizar e controlar as finanças pessoais. Para tanto, busca mostrar que existe uma lacuna na formação do contador à medida que, durante a realização do seu curso, não lhes ensinam como lidar com o seu próprio dinheiro; por isso, sua não habilitação para o serviço de assessoria à contabilidade doméstica. Para demonstrar essa realidade, busca, através de questionário aplicado aos contadores de Vitória da Conquista, Bahia, comprovar esta hipótese, definindo o perfil e a sua relação com as finanças pessoais. O trabalho conclui identificando a existência de um mercado para o especialista em finanças pessoais e apresentando que a sua organização e controle tem importância econômica e social. Palavra-chave: Finanças pessoais, Contabilidade doméstica, Educação financeira, organizar, planejar e controlar.


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ABSTRACT This objective work to present the accountant as the professional who can assist and develop activities that the process of financial education aims at, to affirm that the countable principles and techniques are the tools necessary to plan, to organize and to control the personal finances. For in such a way, it searchs to show that a gap in the formation of the accountant exists when in the college they do not teach to them as to deal with its proper money, therefore, its not qualification for the assessor ship service the domestic accounting. To severer search through questionnaire applied to the accountants of Vit贸ria da Conquista, Bahia, to prove this hypothesis, defining the profile and its relation with the personal finances. This work will be concluded identifying the existence of a market for the specialist in personal finances and presenting that its organization and has controlled has economic and social importance. Word-key: Personal finances, domestic Accounting, financial Education, to organize, to plan and to control.


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SUMÁRIO RESUMO

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ABSTRACT

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LISTA DE TABELAS

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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

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1. INTRODUÇÃO

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1.1 Objetivos

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1.2 Hipóteses

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1.3 Metodologia

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1.3 Justificativa

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2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

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2.1 Conceituação

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2.2 Teoria da Prosperidade

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2.3 Planejamento e controle das Finanças Pessoais

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2.4 Os princípios e técnicas contábeis aplicadas nas Finanças Pessoais

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2.5 Educação Financeira

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3. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS OBTIDOS NA PESQUISA

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3.1 Método utilizado na pesquisa e apresentação dos dados

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3.2 Apresentação dos dados

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3.3 Análise e discussão dos resultados sob a ótica das hipóteses

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3.4 Mercado para o exercício da contabilidade patrimonial doméstica e finanças pessoais

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

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BIBLIOGRAFIA

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ANEXOS

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Balanço Patrimonial Tabela 2 – Demonstrativo de Resultado do Exercício (empresa) Tabela 3 – Demonstrativo de Resultado do Exercício (família) Tabela 4 – Demonstrativo de Fluxo de Caixa (empresa) Tabela 5 – Fluxo de caixa (orçamento familiar) Tabela 6 – Estado Civil Tabela 7 – Graduação Tabela 8 – Faixa de Rendimentos Tabela 9 – Controle Formal do Patrimônio Tabela 10 – Visão Profissional Sobre Finanças Pessoais Tabela 11 – Sobre Técnicas Contábeis usadas nas finanças pessoais


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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS BP – Balanço Patrimonial DRE – Demonstrativo de Resultado do Exercício DFC – Demonstrativo do Fluxo de Caixa CRC – Conselho Regional de Contabilidade


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1. INTRODUÇÃO Na Faculdade se ensina, corretamente, a contabilidade voltada para as empresas. Os novos contadores são formados para atender o mundo dos negócios. No entanto, uma questão fica sem resposta, considerando o fluxograma do curso: como o contador que tem a “função de agregar, classificar, processar, ajustar e editar informações” (IUDÍCIBUS e outros, 1981, p.32), lida com o seu próprio dinheiro? A resposta remeteu ao um tema que não foi estudado: finanças pessoais.. A proposta de estudo sobre o tema finanças pessoais tem como motivação inicial a exigência de elaboração e apresentação de uma monografia para conclusão do curso de Ciências Contábeis, enquanto rito de passagem de acadêmico para graduado, ao mesmo tempo que procurou-se preencher essa lacuna no conteúdo do curso. Esse trabalho se propõe a analisar as Finanças Pessoais na visão dos contadores de Vitória da Conquista, buscando saber se estes estão habilitados para assessorar os seus clientes na organização, planejamento e controle de suas finanças pessoais. O que de imediato levantou duas questões fundamentais: os princípios e técnicas contábeis podem ser aplicados às finanças pessoais? e, qual a visão dos contadores quanto ao tema, para si e como atividade profissional? O Capítulo I procura fundamentar essas questões pela teoria da prosperidade de Lopes de Sá, que possibilita traçar um paralelo das condições necessárias para que aconteça o crescimento da massa patrimonial aos objetivos, determinado por qualquer pessoa quando organiza, planeja e controla as suas finanças pessoais. Tem-se, também, em outros autores, a confirmação da utilização dos princípios e técnicas contábeis nas finanças pessoais, constituindo-se como contabilidade patrimonial doméstica. O Capítulo II, se constituindo a parte mais importante do trabalho, apresenta a fundamentação teórica que dá a sustentação da pesquisa, além de orientar a discussão da segunda questão, citada no parágrafo anterior. Também é feita uma abordagem sobre o planejamento, aspecto fundamental da organização da contabilidade patrimonial doméstica, no que estabelece as regras do seu funcionamento, seus limites, controles e potencialidades. Ainda, um estudo dos princípios e técnicas contábeis voltados para a aplicação sistemática da organização e controle das finanças pessoais. Por último, se dá um


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destaque todo especial, devido a sua importância e premência de se desenvolver um processo sistemático, sobre Educação Financeira. No Capítulo III têm-se os dados da pesquisa, onde são analisados e discutidos para verificação das hipóteses levantadas. Com dados de uma amostra, orientada por uma metodologia científica, foi possível, além de consubstanciar o perfil do profissional pesquisado, qualificar os resultados inferindo para o universo pesquisado. Enfim, esse trabalho busca trazer para os espaços da academia um assunto que deveria ter lugar garantido em todos os cursos da Faculdade. São muitos os profissionais que saem especialistas em muitos dos ramos do conhecimento, porém, poucos são os que sabem gerir os seus recursos pessoais. É por isso que se acredita no contador como um profissional fundamental no processo de assessoramento, e por que não, educador de como se administrar as finanças pessoais. 1.1 Objetivos Geral Estudar as finanças pessoais a partir dos princípios e técnicas contábeis aplicadas nas empresas.

Específicos - Identificar o contador como profissional capaz de funcionar como consultor e assessor no processo de organização, planejamento e controle das finanças pessoais. - Analisar a estrutura dos escritórios de contabilidade de Vitória da Conquista para oferecer assessoria e educação financeira; 1.2 Hipótese a) Os contadores de Vitória da Conquista não estão habilitados para assessorar os seus clientes nas finanças pessoais. b) Os contadores de Vitória da Conquista não relacionam as técnicas usadas na contabilidade das empresas com as que são necessárias para a organização e controle das finanças pessoais.


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1.3 Metodologia No sentido de desenvolver um trabalho de pesquisa que obedecesse rigorosamente às exigências cientificas, foram adotadas as técnicas da estatística para delimitar o problema e apurar as informações necessárias. Gil, citado por Pires, quando trata de delimitação de um problema no sentido de definir com clareza qual o raio de ação e horizonte possível da pesquisa, afirma que: O problema deve ser delimitado a uma dimensão viável. Frequentemente o problema é formulado de maneira tão ampla que se torna impraticável chegar a uma solução satisfatória. Nem todos os aspectos do problema podem ser pesquisados simultaneamente. Torna-se necessário, portanto, reduzir a tarefa a um aspecto que possa ser tratado em um único estudo, ou dividido em subquestões que possam ser tratadas em estudos separados. (PIRES, 2002, p. 22).

Por isso, foi dedicado um item do Capítulo III à apresentação do método e recursos utilizados para se obter as informações necessárias à pesquisa. 1.4 Justificativa O curso de Ciências Contábeis oferece a oportunidade de se caminhar sobre os conhecimentos que tratam do patrimônio e suas movimentações. Muitas são as questões que emergem do estudo, desde a formação da riqueza, suas mutações durante o ciclo econômico, até a apuração do seu resultado. Deve-se perguntar se as informações geradas pela contabilidade são fundamentais para o processo de tomada de decisão; se são imprescindíveis à gestão eficaz as informações oriundas da contabilidade. Acreditamos que o gerenciamento das finanças pessoais é o elemento determinante para tornar os indivíduos independentes, cooperativos e construtores de novos espaços econômicos e sociais. Nesse sentido, esta pesquisa tem como justificativa inicial consolidar a consciência de que num mercado tão complexo e globalizado, no qual o emprego formal vai ficando escasso, e que as condições estruturais, naturais e construídas dão sinais de exaustão, onde as soluções políticas e econômicas não são protagonizadas por todos e sim por uma casta do capitalismo hegemônico, não resta alternativa do que reconstruir hábitos, estabelecer controles e priorizar o planejamento dos parcos recursos existentes. Quando se adentra no conhecimento do patrimônio, buscando separar as suas pequenas partes, o que é chamado de contas, para em seu âmago decifrar o funcionamento dos seus meios e funções, compreendendo os seus sistemas, que leva ao objetivo


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estabelecido ou não, tem-se a certeza que é o profissional da contabilidade que corrige as anomalias e fortalece as artérias que faz acontecer à riqueza. Condição da “prosperidade”. Pensar na riqueza, na prosperidade, leva indubitavelmente ao homem. Força mental e física que roda o mecanismo formador das condições necessárias para gerar o crescimento dos recursos empreendidos. Mas, surge daí uma questão que deve ser estudada, e já o é, que é como o indivíduo se relaciona com as suas finanças pessoais. Essa relação indica impactos de como ele irá se comportar no exercício de sua profissão, pois, aí se tem o resultado do processo que o antecedeu. Em uma organização, empresa, o profissional é chamado a todo o momento para tomar decisões, essas são atos contínuos de como ele se relacionou e direcionou as suas finanças pessoais. Esta observação considera a visão holística como fator primordial na sistematização dos dados obtidos e a informação consolidada para a tomada de decisão. Por isso, a importância de uma boa educação financeira. Sem ela, qualquer pessoa, terá dificuldade para entender como se cria e mantém um patrimônio pessoal. Bem como, o seu desdobramento na extensão da atividade profissional. Assim, este trabalho procura ganhar validade científica, quando busca na literatura especializada, atestar a aplicação das técnicas e princípios da contabilidade das empresas nas finanças pessoais e apresentar seu alto grau de utilidade ao destacar o tema no cotidiano das pessoas. Também, ao colocar no centro o contador e conferir sua visão quanto à organização, planejamento e controle da contabilidade patrimonial doméstica ou finanças pessoais.


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2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 Conceituação Ao buscar na literatura a conceituação que pudesse situar o entendimento do objeto estudado, precisou-se a definição do foco para que o mesmo pudesse orientar qual das ciências ou ramo melhor contemplava o objetivo do trabalho desenvolvido. Como está no centro deste o contador e todo o seu conhecimento teórico e prático aplicado nas empresas, procurou-se o ponto comum que identificava as duas situações: o mundo das empresas e as finanças pessoais. Como bem define Lopes de Sá (2002, p. 46) “contabilidade é a ciência que estuda os fenômenos patrimoniais, preocupando-se com realidades, evidências e comportamentos dos mesmos, em relação à eficácia funcional das células sociais”. Também, em Pires¹ quando o mesmo cita D’Áuria ao explicar o que é a contabilidade patrimonial doméstica como ramo das ciências contábeis: A contabilidade, por suas funções de cooperação administrativa, de vigilância sobre os elementos patrimoniais e sobre as operações – controle – de registro cronológico e sistemático da atividade do conjunto patrimonial, de informação constante e periódica a respeito do estado de riqueza e dos resultados de gestão – levantamento e balanço, e de consulta, quanto aos atos de decisão e de execução e quanto às proporções entre os elementos e resultados – análise – a contabilidade é guia seguro da administração e tutelar dos interesses econômicos da família (PIRES, 2002, p. 52).

Como pode ser observado tem-se em comum nas duas questões levantadas, o patrimônio. Nas duas situações está garantido o espaço da contabilidade como ferramenta essencial para a sua organização, planejamento e controle. E aí mais uma vez Pires acrescenta ao citar Cei, pontuando que é função da contabilidade doméstica auxiliar o gestor nas modificações do patrimônio pessoal: Criar um sistema de informações que evidencie estas modificações e apresente o patrimônio pessoal, com a finalidade de auxiliar o gestor patrimonial no seu planejamento estratégico e operacional é função da Contabilidade. Infelizmente, não só no Brasil, mas a nível mundial, nas últimas décadas poucos pesquisadores têm se dedicado ao estudo deste tema, sendo que maiores esforços são concentrados na avaliação de patrimônio de empresas (PIRES, 2002, p. 52).


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Mas, aqui é preciso deixar uma tendência importante e significativa ao tratar de Finanças Pessoais, que é o entendimento do aspecto gerencial. Não se pode pensar estaticamente o processo das receitas, despesas e mesmo todo o seu processo de demonstrações com um puro objetivo de organização e controle. Como nas empresas, é necessário também, planejamento estratégico e toda uma capacidade administrativa para fazer acontecer a prosperidade. O que está evidenciado ao dizer que “a prosperidade exige um crescimento permanente e eficaz, logo, um progresso funcional duradouro da massa patrimonial” (LOPES DE SÁ, 2002, p. 278). Portanto, acrescido da necessidade do aspecto gerencial eficiente e eficaz para atender as mudanças estruturais da economia global, entende-se que é o conceito da Contabilidade doméstica como “ramo das Ciências Contábeis que se aplica diretamente sobre o patrimônio das pessoas, das unidades domésticas, auxiliando-as com informações sobre despesas, receitas, obrigações, direitos e aplicações em bens em geral” PIRES, (Dissertação de Mestrado, 2002, p. 52), o mais adequado e completo para o tema ora em estudo. 2.2 Teoria da Prosperidade “Aquele que se enamora da prática, sem a ciência, é como um navegante que entra no navio sem timão ou sem bússola, que jamais tem a certeza de onde vai. Sempre a prática deve ser edificada sobre a boa teoria.” Leonardo da Vinci

Na Faculdade estuda-se a contabilidade relacionada ao mundo das empresas. Nada mais correto. Porém, a própria situação de quem estuda em uma Instituição particular leva a indagação sobre as origens e o controle dos recursos que garantem todos os custos envolvidos durante os quatro anos de duração do curso e mais a manutenção do estudante. Assim, surge a necessidade de organizar, planejar e controlar as finanças pessoais a partir dos conhecimentos contábeis aplicados nas empresas. Já que, como foi visto anteriormente na conceituação, é a contabilidade o ramo da ciência que atende e se qualifica para atender essa necessidade do patrimônio das pessoas. Ao buscar a literatura que trata do assunto, encontrou-se muitos títulos abordando o tema no campo da auto-ajuda. Porém, foi apreendido na academia que, além da realidade empírica é necessário se ter uma teoria que dê sustentação ao enunciado de concepção,


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desenvolvimento e conclusão do objeto estudado. Só assim se constitui conhecimento sistemático e com resultado definido. Assim, num paralelo do mundo das empresas com as finanças pessoais, chegou-se a teoria criada pelo Professor Antônio Lopes de Sá, que possibilita a fundamentação do objetivo perseguido por qualquer pessoa ou empresa, quando organiza, planeja e controla os recursos financeiros e patrimoniais: a prosperidade. Prosperidade das células sociais é o estado favorável de permanente eficácia das funções patrimoniais no qual resultados crescentes são agregados ao patrimônio, determinando uma expansão ou elasticidade aumentativa, esta também constante (LOPES DE SÁ, 2002, p. 277).

Ao buscar a organização, o planejamento e o controle das finanças pessoais, tem-se como escopo o atendimento das necessidades básicas do ser humano, acrescentado de todos os elementos provenientes da construção do bem estar social e psicológico, nato ou induzido. Isso possibilita fazer uma ligação da prosperidade das células sociais, que se utiliza das funções dos meios patrimoniais para sua expansão constante, harmonizada por uma visão holística quanto as de natureza essencial, dimensional e ambiental. Lopes de Sá (2002, p. 282) adiciona para que se perceba a finalidade precípua da prosperidade: “A questão não está apenas em aumentar o capital, mas, sim, em ampliar a utilidade da riqueza”. Um aumento patrimonial que não advenha da interação perfeita dos sistemas, não implicará numa efetiva elasticidade funcional eficaz, portanto, impedirá a ocorrência da prosperidade. Ficando claro que não é simplesmente o aumento da renda da pessoa que a coloca como próspera, mas, sim, a forma como ela administra o seu dinheiro, capital, fazendo com que ele trabalhe por esta. Por isso, diz Lopes de Sá: A causa da maior prosperidade da célula social é a interação perfeita entre os denominados sistemas básicos e que são os de liquidez (capacidade de pagar), resultabilidade (capacidade de lucrar), estabilidade (capacidade de manter equilíbrio) e economicidade (capacidade de vitalidade). E adicionalmente reforçam os complementares (Produtividade e invulnerabilidade) sendo a elasticidade quase sempre uma decorrência (LOPES DE SÁ, 2002, p. 281).

Identificado à causa maior da prosperidade, demonstrada e comprovada através dos teoremas aplicados por Lopes de Sá, traz a necessidade de se verificar os efeitos produzidos nas finanças pessoais os pressupostos dessa teoria. Antes, chama a atenção Lopes de Sá (2002, p. 294), isso expressado em teorema, que “a qualidade da prosperidade depende das interações perfeitas dos sistemas de funções patrimoniais das células sociais”, ou das finanças pessoais (acréscimo feito pelo autor). O


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que desde o início é ressaltado, é a responsabilidade de eficácia dos sistemas referindo-se a capacidade de produzir efeitos, entre os quais: Liquidez: regularidade circulatória dos meios de pagamentos compatível com as necessidades de pagamentos. Resultabilidade: resultados compatíveis com o aumento permanente da massa patrimonial e cumprimento dos objetivos fundamentais da célula social. Economicidade: garantia de sobrevivência e de vitalidade dos empreendimentos. Estabilidade: adequação dimensional para o equilíbrio dos meios patrimoniais em face das origens que os geram. Produtividade: proteção contra a perda de funcionalidade dos meios patrimoniais pela manutenção da eficiência. Invulnerabilidade: proteção plena ou abrangente contra os riscos. Elasticidade: dimensionalidade adequada a uma funcionalidade plena dos meios patrimoniais em função própria e de seus (LOPES DE SÁ, 2002, p. 295).

Entre todos os sistemas apresentados, isso para se averiguar como será o seu comportamento nas finanças pessoais, três merecem destaque, devido à influência que recebe da gestão e do ambiente externo: Liquidez, resultabilidade e invulnerabilidade. Quando se fala em liquidez, imediatamente se vincula a entrada de recursos, receita. Em um ambiente de economia globalizada, onde a competitividade e a busca de diferenciais para garantir espaço de mercado são bastante acentuadas, a liquidez como entrada de recursos compatíveis com a necessidade de pagamentos coloca para as finanças pessoais esses dois links: receita como origem dos meios de pagamento e a necessidade de sua constância, bem como, o aumento de seu volume e poder de compra. Daí, considerar fundamental o controle das despesas, impondo os limites orçamentários, perseguindo um superávit que gerará os meios patrimoniais geradores de receitas constantes. O sistema da resultabilidade coloca para as finanças pessoais o desafio da poupança e práticas de investimentos. Situações que produzirá fontes de receitas, consequentemente, o aumento do volume disponível de recursos, com poder de compra geradora de novos excedentes. Ex. compra à vista com excelentes descontos. Outro que vale ressaltar, também relacionando com as mudanças constantes do ambiente externo, é a invulnerabilidade. Exercer controle rigoroso das finanças pessoais, colocando em estado de invulnerabilidade o patrimônio pessoal, não só, fortalece um dos sistemas complementares da prosperidade, como consolida e qualifica uma gestão eficaz. “A eficácia não depende apenas do quantitativo patrimonial, mas, especialmente, da sua qualidade funcional dos meios patrimoniais e dos fatores circunstanciais ditados pelo entorno da riqueza” (LOPES DE SÁ, 2002, P. 299).


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Essa teoria além de construir um discernimento concreto de como se tem o crescimento patrimonial e como este se dá, trata a questão da prosperidade dentro de uma visão holística que enseja a conscientização de um relacionamento harmônico e suficiente para o atendimento das demandas individuais e sociais. “Cada vez mais aceleradamente os interesses ambientais passam a ser o objeto de estudo da ciência da Contabilidade e neles se inserem os fatores humanos e ecológicos, como inequívocos recursos, agentes transformadores e agregáveis” (LOPES DE SÁ, 2002, p. 309). No momento em que se cria ou mesmo se utiliza de uma teoria para entender um determinado fenômeno, é razoável questionar a sua utilidade. Como não poderia deixar de ser, o Professor Antônio Lopes de Sá, atestou ser proveitosa sua teoria quando lhe atribui o “mérito de oferecer razões para a produção de modelos de comportamento eficaz, visando ao acréscimo constante da massa patrimonial”, e na constatação dos sinais evidentes, sem retrocessos, das necessidades crescentes impostas pela nova realidade mundial. A atualidade sinaliza para um grande esforço no sentido do crescimento dos recursos patrimoniais, como forma de sobrevivências nos mercados, e a política, quer particular, quer pública que não compreender essa realidade, achar-se-á fora da realidade deste tempo atual. (LOPES DE SÁ, 2002, P. 310).

Ao procurar abastecer-se da teoria da prosperidade no sentido de organizar o pensamento com o objetivo de responder as questões que emerge do tema, foi construído um caminho, sem desviar do foco definido, que levasse a constatação que é da contabilidade as ferramentas adequadas para a organização, planejamento e controle das finanças pessoais. Assim, ao se verificar o problema, auditando sua origem e elementos constitutivos, foram encontrados pontos comuns dos conhecimentos contábeis aplicados nas empresas, com os que são adequados e fundamentais para a gestão eficiente e eficaz das finanças pessoais. A primeira constatação está nos objetivos estratégicos: crescimento da massa patrimonial em harmonia com suas relações endógenas e exógenas. Constatado as suas confluências, caminhou para o entendimento de como se dá o crescimento e quais são os elementos necessários para possibilitar esse fenômeno, observando enfaticamente, como ressalta Lopes de Sá, a interação perfeita, motivo pelo qual acontece a prosperidade. Também, identificando e destacando os efeitos dos sistemas das funções patrimoniais.


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Elucidando a ligação perfeita, isso gerado e provado teoricamente, de como os sistemas de funções patrimoniais coincide e se aplicam as finanças pessoais, foi destacado três: liquidez, resultabilidade e invulnerabilidade. Ao apresentar uma visão holística do processo e demonstrada a utilidade de sua aplicação se asseverou como teoria fundamental para a análise e discussão do tema ora pesquisado. 2.3 Planejamento e controle das Finanças Pessoais Segundo Atkison e outros citado por Pires os orçamentos domésticos como ferramentas do planejamento: Orçamento familiar é uma ferramenta de planejamento, mas também serve como controle no comportamento dos membros familiares, fixando limites em relação ao que pode ser gasto dentro de cada categoria de orçamento. Sem um orçamento, as famílias não têm como saber quanto e onde o dinheiro está sendo gasto. Tal situação pode conduzir uma família, facilmente, a um divida inesperada e a dificuldades financeiras severas. (PIRES, 2002, p. 53).

Pires cita Sanvicente e Santos, que dizem em relação ao planejamento: Planejar é estabelecer com antecedência as ações a serem executadas, estimar os recursos a serem empregados e definir as correspondentes atribuições de responsabilidades em relação a um período futuro determinado, para que sejam alcançados satisfatoriamente os objetivos porventura fixados para uma empresa e suas diversas unidades. (PIRES, 2002, p. 54).

É sabido que, para se elaborar um orçamento é necessário envolver suposições, previsões e estimativas das probabilidades. Entendido o orçamento como peça fundamental no planejamento do orçamento familiar, o que aqui o autor trabalha com o conceito de finanças pessoais, ressalta-se que é imprescindível se acrescentar nesse processo, além dos projetos futuros, as regras de funcionamento dos sistemas operacionais e administrativos. Ex: as contas serão pagas cinco dias após a entrada das receitas. Por isso, é necessário, para que não ajam atrasos, sejam combinadas as datas de pagamentos. Ao falar de finanças pessoais não se exclui o indivíduo do seu núcleo familiar, mesmo podendo ser tomadas decisões isoladamente, porém, recomenda-se como correto no planejamento é que sejam criados os espaços comuns para que todos os envolvidos possam, não só contribuir com as receitas, mas, e principalmente, nas despesas compreender o significado de cada uma exercendo controle.


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É o planejamento o momento de se anteverem os cenários futuros, funcionando esses como motivadores já que se imagina o por vir, por isso, se consolida como balizador de todas as decisões e garantia de equilíbrio. Situação que nas finanças pessoais denominam-se todas aquelas pessoas que tem comprometido 30% da sua renda mensal, o que o possibilita dizer “dispõe livremente de 70% de seu ganho, tem condições de garantir sua manutenção familiar e até fazer alguma poupança” (BRITO, 2002, p. 22). Pires¹ chama atenção de algo que corrobora para o entendimento da importância e conseqüência natural do processo de planejamento: Se a entidade familiar está bem planejada, é provável que os frutos desse planejamento sejam colhidos mais abundantemente que naqueles núcleos que não se preocuparam com previsões e provisões futuras.

2.4 Os princípios e técnicas da contabilidade aplicadas nas Finanças Pessoais Como este trabalho tem seu ponto de partida nos princípios e técnicas da contabilidade aplicada às empresas, mas que, no entanto acredita-se ser adequada para a organização, planejamento e controle das finanças pessoais, principalmente, por elas guardarem em comum o patrimônio, objeto indiscutível das ciências contábeis. No manual de contabilidade da FIPECAF, encontram-se duas assertivas dos objetivos da contabilidade que assegura, de forma consistente, sua importância para a gestão eficaz das empresas, evidentemente, também, para as finanças pessoais. A contabilidade é, objetivamente, um sistema de informação e avaliação destinado a prover seus usuários com demonstrações e análises de natureza econômica, financeira, física e de produtividade, com relação à entidade objeto de contabilização. O objetivo principal da contabilidade, portanto, é o de permitir, a cada grupo principal de usuários, a avaliação da situação econômica e financeira da entidade, num sentido estático, bem como fazer inferências sobre suas tendências futuras (FIPECAF, 2000, p. 42 e 43).

Sendo a contabilidade esse instrumento tão imprescindível ao mundo complexo das empresas, entende-se que os seus princípios, olhados a partir da condição econômica e financeira, da pessoa e família, também, estabelecem o norte da eficiência e eficácia das finanças pessoais. É válido destacar, aqui, a importância dos Princípios Fundamentais da Contabilidade determinando o rumo a seguir, funcionando como bússola, no caminho da verdade contábil. Assim, diz FIPECAF (2000, p. 46):


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Os Princípios Fundamentais da Contabilidade representam o núcleo central da própria Contabilidade, na sua condição de ciência social, sendo a elas inerentes. Os princípios constituem sempre as vigas mestras de uma ciência, revestindo-se dos atributos de universalidade e veracidade.

Desta forma, têm-se os seguintes princípios: Da entidade; Continuidade; Oportunidade; Registro pelo valor original; Atualização monetária, Competência e da Prudência. Para este trabalho três devem ser melhor estudado, pois, trás em si elementos que influenciam diretamente na organização e controle das finanças pessoais: Entidade, Continuidade e Prudência. O princípio da Entidade: “reconhece o patrimônio como objeto da contabilidade e afirma autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes..., não se confunde com aqueles dos seus sócios” (FIPECAF. 2000, p. 70). É interessante apresentar como este princípio se aplica nas finanças pessoais. Ora, se ele reconhece o patrimônio como objeto da contabilidade, tem-se aí um traço comum. Ao entender as finanças pessoais como atividade passiva de organização e controle, papel da contabilidade, que seu objetivo visa à constituição ou manutenção de um patrimônio, confirma-se a sua total identificação levando, consequentemente, a conclusão que a contabilidade doméstica precisa ter uma visão de empresa/entidade. Outro ponto, extremamente importante, e que mostra a real necessidade de se considerar os pressupostos contábeis como essenciais, também, nas finanças pessoais, é não confundir o patrimônio da atividade profissional com o seu particular, pessoal. É notório a confusão que fazem os pequenos comerciantes, trabalhadores autônomos etc., dos seus patrimônios, empresa, recursos necessários à atividade profissional, com os da pessoa física. O principio da Continuidade: “afirma que o patrimônio da Entidade, na sua composição qualitativa e quantitativa, depende das condições em que provavelmente se desenvolverão as operações da Entidade (FIPECAF. 2000, p. 71)”. Veja uma pessoa que esteja de aviso prévio em seu emprego, terá que promover uma mudança radical nas suas despesas e investimentos. Pois, a receita que se mantinha de forma contínua, mês a mês, deixará de existir até um novo emprego. Isso mostra como a


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observância dos princípios, também nas finanças pessoais, contribui para classificações e avaliações corretas das mutações patrimoniais. O princípio da Prudência: “determina adoção do menor valor para componentes do ativo e do maior para os do passivo, sempre que se apresentem alternativas igualmente válidas para a quantificação das mutações patrimoniais que alterem o Patrimônio líquido (FIPECAF. 2000, p. 77)”. Uma diretriz essencial para quem está fazendo o orçamento doméstico é atribuir, em situação de igualdade, o valor maior para as despesas, fato que evitará surpresas na execução do mesmo. O mais enfatizado nos títulos que trata das finanças pessoais é como se gasta os recursos. A poupança tem origem nas despesas e não nas receitas. Encontra-se em Pires (2002, p.46), “que para realizar suas atividades a contabilidade utiliza técnicas que se classificam nas seguintes categorias”: Escrituração; Relatórios Contábeis; Auditoria e Análise de Balanço. Temos as seguintes definições para essas categorias contábeis: Escrituração: procedimento através do qual a contabilidade classifica os fatos contábeis (obrigatoriamente devem conter expressão monetária). Relatórios contábeis: são demonstrações que de forma sintética representam a riqueza patrimonial, agrupando os valores de natureza idêntica possibilitando ao usuário da informação contábil dimensionar se o conjunto patrimonial está em boa ou má situação. Balanço Patrimonial: no balanço, as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem, e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da companhia. Auditoria: tem como objetivo examinar a escrita e os relatórios..., se os procedimentos cometidos pela administração estão em conformidade com os princípios da contabilidade. Analise de Balanço: tem como finalidade proceder à avaliação de como o patrimônio está se comportando em relação aos seus desempenhos históricos internos, e qual a evolução de sua estrutura quando confrontado com outras equivalentes.

Todas as técnicas que são utilizadas na contabilidade das empresas podem e deveriam ser usadas nas finanças pessoais. Porém, dentro de um processo de educação financeira e com o intuito de popularizar ferramentas contábeis que melhor se adequa e simplifica o processo de organização e controle, duas das técnicas apresentadas serão aqui destacadas e exemplificadas. Os relatórios contábeis são: 1. Balanço Patrimonial – B.P., 2. Demonstrativo do Resultado do Exercício – D.R.E., 3. Demonstrativo das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL, 4. Demonstrativo das Origens e Aplicações de Recursos – DOAR, 5.


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Demonstrativo do Fluxo de Caixa e as 6. Notas Explicativas. Para este estudo dos relatórios enumerados três devem ser aprofundado, 1, 2 e 5. O Balanço Patrimonial – B.P., como está em Pires: A função deste relatório é revelar o conjunto de Bens, Direitos e Obrigações da entidade. Os Bens e os Direitos são classificados como elementos positivos do patrimônio e as Obrigações, negativos. Os Bens e os Direitos são agrupados no Ativo e as Obrigações no Passivo. Ativo: representa o conjunto de Bens e Direitos (tangíveis e intangíveis) onde os recursos são aplicados, e dos quais se esperam benefícios presentes e/ou futuros. Passivo: se constitui em exigibilidades assumidas por uma pessoa física ou jurídica decorrente de dívidas, proveniente de aquisição de bens e/ou serviços, tributos e contribuições, financiamentos e despesas a prazo, vinculados ou não às suas atividades (PIRES, 2002, p. 48).

Tabela 1 – BP - Balanço Patrimonial ATIVO CIRCULANTE Disponível Caixa Bancos Aplicação Financeira Despesas Antecipadas Seguros a Apropriar Alugueis a Apropriar Juros a Apropriar

PASSIVO CIRCULANTE Fornecedores Contas a Pagar CSL a Recolher IR a Recolher Salários a Pagar 13º a Pagar Férias a Pagar Exigível a Longo Prazo Financiamentos

ATIVO PERMANENTE Investimentos Imobilizado PATRIMÔNIO FAMILIAR Imóveis Urbanos Patrimônio social Imóveis Rurais Sobras ou Veículos Equipamentos TOTAL R$ TOTAL R$ Fonte: Modelo simplificado de BP apresentado por Pires (op. Cit.).

Definições citadas por Pires: ATIVO – representa o conjunto de Bens e Direitos (tangíveis e intangíveis) onde os recursos são aplicados, e dos quais se esperam benefícios presentes e/ou futuros. PASSIVO – se constitui em exigibilidades assumidas por uma pessoa física ou jurídica decorrente de dívidas, provenientes de aquisição de bens e/ou serviços, tributos e contribuições, financiamentos e despesas aprazo, vinculados ou não às suas atividades (PIRES, 2002, p. 48).

DRE – Demonstrativo do Resultado do Exercício, como está em Pires: Tem como finalidade apresentar o conjunto de Receitas e Despesas realizadas por uma entidade durante um determinado período (um dia, um mês, um trimestre, um ano) determinando se a entidade teve lucro ou prejuízo durante o período


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levantado. Sua estrutura está definida no artigo 187 da Lei das Sociedades Anônimas (PIRES, 2002, p. 48).

Tabela 2 – Modelo Simplificado do Demonstrativo do Resultado do Exercício - DRE Vendas ...................................................................................................................R$ (-) Deduções das Vendas........................................................................................ (-) Devoluções e Abatimentos................................................................................ (-) Impostos Incidentes s/vendas............................................................................ (-) CMV.................................................................................................................. (=) Lucro Bruto...................................................................................................... (-) Despesas Operacionais...................................................................................... (-) Depreciações...................................................................................................... (-) Despesas de seguros.......................................................................................... (-) Variações Monetárias de Longo Prazo............................................................. (+) Ganho na Equivalência patrimonial................................................................. (=) Lucro operacional............................................................................................. (-) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ..................................................... (-) Provisão para o Imposto de Renda................................................................... (=) Lucro líquido................................................................................................... Fonte: Modelo simplificado de DRE apresentado por Pires (op. Cit.). .

DRE de uma família apresentado por Martins (2004, p. 61) com renda bruta anual de R$68.000,00. Tabela 3 – Demonstração do Resultado do Exercício ITENS Ganhos Brutos (-) Tributos sobre ganhos Receita líquida Despesa Total Obrigatórias fixas Obrigatórias variáveis Não-obrigatórias fixas Não-obrigatórias variáveis Superávit Antes das Dívidas (-) Despesas com pagamento de passivo Resultado Líquido Final Fonte: Modelo simplificado de DRE apresentado por Pires (op. Cit.).

VALOR R$ 68.000,00 (13.600,00) 54.400,00 51.400,00 12.250,00 25.280,00 8.280,00 5.050,00 3.000,00 (4.200,00) 1.200,00

Obs.: OF - Obrigações Fixas - Aluguel, IPTU, IPVA, condomínio... (Não podem ser eliminada e nem reduzir). OV – Obrigações variáveis - Alimentação, vestuário, higiene, limpeza, energia, água, telefone, escola, remédios, combustíveis, manutenção carro... (Não podem ser eliminada, mas pode ser reduzida) NOF – Não-Obrigatórias Fixas - Empregada, plano de saúde, assinatura de jornal e revista, TV a cabo, taxa de clube, seguro de carro... (Podem eliminar, mas não pode reduzir) NOV – Não Obrigatórias Variáveis - Celular, produtos de beleza, viagens, cinema e teatro, discos, livros... (Podem ser eliminadas e podem ser reduzidas).


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Conforme Yoshitake e Hoji, citado por Pires (2002, p. 50) “a Demonstração do Fluxo de Caixa pelo método direto demonstra efetivamente as movimentações de recursos financeiros ocorridas no período”. Tabela 4 – Modelo simplificado do Demonstrativo do Fluxo de Caixa (Empresa) 1. Ingressos de Recursos a. – Derivados das Operações Recebimento de Clientes (-) Pagamento a Fornecedores (-) Pagamento de Despesas (exceto Depreciações e Seguro) (-) Pagamento de Despesas Antecipadas b. – Dos Sócios Integralização de Capital c. – De Terceiros Empréstimos de Longo Prazo Total dos Ingressos 2. Destinação dos Recursos Depósitos Judiciais Compra de Investimentos Compra de Imobilizados 3. Variação disponível (1-2) 4. Saldo Anterior do Disponível 5. Saldo Atual do Disponível Fonte: Modelo simplificado de DFC apresentado por Pires (op. Cit.).

Martins diz sobre Demonstrativo de fluxo de caixa e apresenta um modelo de orçamento familiar, em forma de um fluxo de caixa para o ano todo: A sugestão é que a família faça um orçamento do seu fluxo de caixa para período de um ano inteiro. A razão é que não há regularidade no fluxo de entrada de dinheiro nem fluxo de saída. Para os assalariados, o orçamento familiar é reforçado nos meses de novembro e dezembro, quando entram as parcelas relativas ao décimo terceiro. Já as despesas se comportam de maneira bem irregular (MARTINS, 2004, p. 65 e 66).

Tabela 5 – Fluxo de Caixa Fluxo do caixa CONTAS Salário, férias e 13º (-) Impostos Rendimentos líquidos DESPESAS TOTAIS Obrigatórias fixas - OF Aluguel Condomínio Ônibus IPTU IPVA

Valores em Reais Jan-Fev 10.000 2.000 8.000

Mar-Abr 10.000 2.000 8.000

Mai-Jun 10.000 2.000 8.000

Jul-Ago 10.000 2.000 8.000

Set-Out 10.000 2.000 8.000

Nov-Dez

18.000 3.600 13.400

68.000 13.600 54.400

Total

8.630 2.100 1.000 600 300 100 100

8.050 2.100 1.000 600 300 100 100

8.430 2.100 1.000 600 300 100 100

7.660 2.100 1.000 600 300 100 100

7.880 2.100 1.000 600 300 100 100

10.750 1.900 1.000 600 300

51.400 12.400 6.000 3.600 1.800 500 500


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Tabela 5 – Fluxo de Caixa (continuação) Fluxo do caixa

Valores em Reais

Obrigatórias Variáveis – OV Alimentação Vestuário Higiene e limpeza Energia Água Telefone Mensalidade Escolar Remédios Combustível Manutenção de carro

4.050

3.430

4.030

3.490

3.700

4.400

23.100

1.200 300 400 240 180 150 600 180 300 500

1.200 300 400 240 160 150 600 80 300

1.200 300 400 240 160 150 600 180 300 500

1.200 300 400 240 160 150 600 140 300

1.200 400 240 160 150 600 150 300 500

1.200 700 400 240 160 150 600 150 300 500

7.200 1.900 2400 1440 980 900 3600 880 1800 2000

Não-obrigatórias Fixas – NOF Empregada Plano de Saúde Seguro de Carro Seguro de Vida Mensalidade de Clube TV a cabo Assinatura de Jornais e Revistas

1500

1500

1500

1500

1500

1500

9000

600 300 200 120 100 100 80

600 300 200 120 100 100 80

600 300 200 120 100 100 80

600 300 200 120 100 100 80

600 300 200 120 100 100 80

600 300 200 120 100 100 80

3600 1800 1200 720 600 600 480

980

1020

800

570

580

2950

6900

140 200

180 200

200 200

150 100

130 100

200 200

1000 1000

100 40 100

100 400 100

100 100

100 20 100

200 50 100

200 50 300

800 200 800

400

400

200

100

2000

3100

(430)

340

120

3650

3000

100 600

100 600

100 600

100 600

600 3600

(1130)

(360)

(580)

2950

(1200)

Não-obrigatórias Variáveis - NOV Celular Livros e Material Escolar Discos e Presentes Cinema e Teatro Produtos e serviços de beleza Viagens

RESULTADO (630) (50) OPERACIONAL (-) Pagamento de juros 100 100 (-) Pagamento de 600 600 principal FLUXO DE CAIXA (1330) (750) LÍQUIDO Fonte: Modelo de FC apresentado por Pires (op. Cit.).

Das técnicas aqui apresentadas e pensadas do ponto de vista das finanças pessoais, uma deve ser observada como a alfabetização no processo da educação financeira: a Análise de Balanço. No entendimento de muitos educadores a alfabetização não se encerra quando o aluno aprende a identificar os códigos e sim quando esse adquire a capacidade de interpretar o que leu. Assim, também, é na contabilidade, ao encerrar um balanço


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patrimonial passa-se para a etapa da “avaliação, de como o patrimônio está se comportando em relação aos seus desempenhos históricos internos, e qual a evolução de sua estrutura quando confrontado com outras equivalentes e do mesmo segmento de mercado (PIRES. 2002, p. 51)”, momento em que se pratica a técnica contábil da análise de balanço. Acredita-se que é semelhante nas finanças pessoais, pois a leitura do balanço, com a compreensão de como ele está se comportando, cria-se as condições necessárias para a tomada de decisão quanto ao próximo período. 2.5 Educação Financeira Do trabalho aqui desenvolvido este é o item que merece maior atenção e aprofundamento. Pois, indubitavelmente, é a deficiência no processo educacional quanto à utilidade dada ao dinheiro pelos indivíduos, que se encontra no centro de todos os problemas financeiro enfrentado por milhões de pessoas. Claro que esta afirmação não isenta as políticas econômicas desenvolvidas pelos diversos governos como causa da pobreza e miséria instalada em muitas partes do mundo. Inclusive, é importante salientar, que muitas das políticas econômicas de caráter internacional, prevêem essa divisão encontrada na população mundial. Como se aplica às empresas a teoria da prosperidade identificando todos os seus sistemas para que esses em interação perfeita possam promover o crescimento da massa patrimonial, também, é no conhecimento do funcionamento do ciclo financeiro e no exercício do controle das finanças pessoais, que se tem a possibilidade de estabelecer os mecanismos para o seu aumento constante. Daí se tem na ferramenta do planejamento os elementos necessários que mediado pelos desejos e necessidades, individual e familiar, cria-se a peça orçamentária que fixa os limites dos gastos dentro de cada categoria da mesma, produzindo os sistemas e as funções patrimoniais, que numa gestão eficaz, determinará a prosperidade. Segundo Lopes de Sá (2000, p. 277). “... permanente eficácia das funções patrimoniais no qual resultados crescentes são agregados ao patrimônio, determinando uma expansão ou elasticidade aumentativa, esta constante”. Outro elemento que nas finanças pessoais se constitui fator determinante para a formação da massa patrimonial e consequentemente o seu crescimento, são os


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investimentos. Além do controle do fluxo de caixa, receita / despesa, onde se busca os recursos para formação do patrimônio, isso considerando uma pessoa ou família que adquire independência e autonomia financeira sem trazer nenhum acúmulo da sua raiz familiar, a escolha das áreas de investimentos contribui significativamente para seu estabelecimento quantitativo, qualitativo e o tempo para, por si só, produzir os excedentes que dará início ao seu ciclo de crescimento e retorno. Hoje, com a globalização da economia e a descoberta do micro crédito muitas foram as possibilidades criadas para investimentos. Além de áreas tradicionais como a poupança e imóveis, outras se tornaram mais acessíveis e atrativas para os pequenos capitais. A bolsa de valores, que com o advento da internet, se tornou muito mais aberta para pequenos investidores, escancarando um espaço fechado para especialistas numa área até para aprendizes mirins. Sem contar com as inúmeras corretoras que através da internet oferece processos educativos e informativos em tempo real dos negócios praticados nas bolsas do Brasil e do mundo. É possível com a renda per capta baixa como se tem no Brasil criar perspectivas na formação de riquezas patrimoniais, isso falando de assalariados, pequenos produtores rurais, pequenos comerciantes e industriais, trabalhadores do mercado informal entre outros? A resposta está na educação financeira. Se para as empresas não se prescinde o uso da ciência como instrumento necessário para garantir a sobrevivência nos mercados, cada vez mais competitivos e exigentes, não se pode conceber o analfabetismo financeiro. Está em Martins: A omissão da escola em relação a noções de comércio, de economia, de impostos e de finanças tem uma conseqüência perversa: a maioria das pessoas, quando adulta, continua ignorando esses assuntos e segue sem instrução financeira e sem habilidade para manejar dinheiro (MARTINS, 2004, p. 56-57).

Saber ler as demonstrações financeiras (Balanço, demonstração de renda e fluxo de caixa) como diz Martins: Há contadores que sabem ler as três demonstrações financeiras como os olhos, mas não com a mente; eles entendem os números, mas não entendem a história que os números contam. A incapacidade de ler e entender demonstrações financeiras é responsável por fracassos e por erros que podem ser fatais (MARTINS, 2004, p. 56-57). .


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Habilidades que podem mudar radicalmente a vida financeira dos profissionais que saem das faculdades como especialistas e são analfabetos em finanças, precisam adquirir obrigatoriedade nos currículos escolares para criar uma nova geração de pessoas capazes de gerir eficazmente as suas finanças pessoais.


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3. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS OBTIDOS NA PESQUISA 3.1 Método utilizado na pesquisa e apresentação dos dados Para realização deste trabalho foi realizada uma pesquisa que contou, inicialmente, com uma bibliografia com títulos de contabilidade geral, outros especificamente abordando o tema em foco e uma tese de mestrado que versa sobre um ramo da contabilidade doméstica, os quais deram suporte à fundamentação teórica. Também, foi utilizada a internet como fonte contributiva aos vários ângulos da abordagem do tema. Em seguida, foram aplicados questionários junto aos contadores com escritórios estabelecidos na cidade de Vitória da Conquista. A relação foi fornecida pelo CRC - Conselho Regional de Contabilidade, seção regional de Vitória da Conquista atualizada até 31 de maio de 2006. Seguindo o que foi definido no projeto, focando o problema e as hipóteses fundadas, buscou-se a identificação da população que seria pesquisada para que desta se extraísse a amostra capaz de possibilitar a generalização crível e que respondesse aos objetivos formulados. Assim de uma população de contadores e contabilistas no universo de 436 (quatrocentos e trinta seis) profissionais, sendo 277 (duzentos e setenta e sete) técnicos e 159 (cento e cinqüenta e nove) bacharéis, procurou-se uma delimitação que atendesse ao perfil de profissional pesquisado e a atuação notória junto ao mercado em potencial, a pessoa do empreendedor. Teve-se aí a exata população que defluiria os elementos evidenciadores do estudo em questão, os contabilistas com escritórios estabelecidos, que na lista do CRC consta 95 (noventa e cinco), sendo 77 (setenta e sete) com inscrição individual e 18 (dezoito) no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica – CNPJ. Portanto, o autor deste trabalho se apropriou desse conjunto e foi a campo aplicar o questionário, obtendo o retorno de 28 (vinte oito), o que apresenta uma amostra de aproximadamente 30% (trinta por cento) do total. Sendo este um estudo de caso com grupo delimitado e cuidadosamente identificado seu conjunto de relações corrobora o citado por Pires (2002, p. 23) quando assevera que “o estudo de caso quando bem fundamentado, leva o pesquisador a uma aproximação bastante desejável do conhecimento da realidade”.


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3.2 Apresentação dos dados Perfil sócio-econômico-cultural-profissional dos contadores com escritórios em Vitória da Conquista relacionado às finanças pessoais. Tabela 6 – Estado civil Estado civil

Número

Casado (a) Solteiro (a) Divorciado (a) Viúvo (a)

22 04 01 01

Total Fonte: Pesquisa Direta, 2006.

28

Tabela 7 - Graduação Graduação Bacharel Técnico

Número

Tempo de Bacharelado / Técnico 0 a 10 10 a 20 Acima de 20

09 19

05 03

04 07

09

Total 28 Fonte: Pesquisa Direta, 2006.

Tabela 8 – Faixa de rendimento Rendimento

Percentual

Até 5 Salários mínimos De 6 a 10 Salários mínimos De 11 a 20 Salários mínimos De 21 a 30 Salários mínimos Acima de 30 Salários mínimos Total Fonte: Pesquisa Direta, 2006.

07 10 06 03 02 28

Tabela 9 – Controle Formal do Patrimônio Questão Planeja as finanças pessoais Sabe dizer o percentual gasto com: alimentação, lazer e moradia. Tem planejado a aposentadoria Acha que é possível aplicar os princípios contábeis nas finanças pessoais. Utiliza algum princípio fundamental de contabilidade nas finanças pessoais Fonte: Pesquisa Direta, 2006.

Percentual % Sim Não 88 12 88 12 80 20 99 1 34 66


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Tabela 9 – Controle Formal do Patrimônio (continuação) Questão

Percentual % Sim Não

Acha que as informações da legislação fiscal e contábeis aplicadas às empresas podem ser usadas para orientar as finanças pessoais. Faz investimentos Conhece todas as formas de investimento existentes no mercado Acha que a forma em que controla as sua finanças pessoais é modelo pra outras pessoas. Entregaria suas finanças pessoais para um profissional estabelecido e registrado nos órgãos competentes? Fonte: Pesquisa Direta, 2006.

56 72 28 67

44 28 72 33

28

72

Tabela 10 – Visão profissional sobre as finanças pessoais dos clientes Questão Já foi solicitado por clientes para aconselhamento sobre investimentos pessoais? Já observou coma anda as finanças pessoais dos clientes? O assunto finanças pessoais lhe interessa? Tem muitos clientes que misturam as finanças pessoais com as da empresa? Estar habilitado para prestar assessoramento em finanças pessoais? Considera atividade para o contador desenvolver? Está habilitado para assessora cliente em negociação de dívidas, apontando as melhores alternativas e soluções? Sabe como funciona o mercado de ações, bolsa de valores, mercado imobiliário e financeiro? Existe mercado para especialista em finanças pessoais? Fonte: Pesquisa Direta, 2006.

Percentual % Sim Não 67 50 78

33 50 22

78 61 100

22 39 00

78

22

28 89

72 11

3.3 Análise e discussão dos resultados sob a ótica das hipóteses Na elaboração do questionário uma questão se colocou de forma determinante: as respostas obtidas representam à verdadeira condição pessoal e profissional do segmento pesquisado? Para que não houvesse dúvidas quanto à validade do trabalho, adotou-se a seguinte estratégia: dividir o questionário em duas partes, onde uma tratasse do perfil do pesquisado e a segunda checasse sua visão quanto ao tema trabalhado. Isso ofereceria a possibilidade de um cruzamento que detectasse as contradições, asseverando, assim, que o resultado fosse o mais próximo do seu perfil real e sua relação profissional com o tema. Algumas das questões colocadas no questionário e que não foram tabuladas no item anterior, serviram para se estabelecer um parâmetro de como o contador se relaciona com as suas finanças pessoais e qual a sua visão como profissional em relação ao tema.


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O Cruzamento das informações possibilitou a verificação confirmando a hipótese de que os contadores de Vitória da Conquista não estão habilitados para assessorar os seus clientes nas finanças pessoais. Dos respondentes 72% diz não entregar a um profissional qualificado e registrado nos órgãos competentes, a assessoria das suas finanças pessoais, entre esses estão os 100% dos bacharéis abordados. De forma contraditória 89 % afirmam haver mercado para o especialista dessa área. Ora, se existe mercado e os profissionais que se colocam em condição de atender a demanda por esse serviço, 78% disseram que estão habilitados, porém 72% não se assessorariam com um especialista, apresenta-se aí uma situação conflitante que coloca em questão a própria ética profissional. Ele presta o serviço, mas não se submeteria ao mesmo que oferece. Desta situação, deduz-se que: os profissionais da contabilidade de Vitória da Conquista não compreendem o funcionamento dessa atividade e sua pertença ao ramo da contabilidade ou estão totalmente desqualificados para prestar um serviço que, mesmo sendo de sua área profissional, não acreditam funcionar pra si próprio quando realizado por outro colega. Acreditar na eficácia do que se faz é o primeiro requisito de um bom profissional. Apurou-se que 65% dos respondentes já aconselharam alguns clientes sobre investimentos e 65% se sentem habilitados para prestar o serviço de assessoramento em finanças pessoais, porém, 72% não sabem como funciona o mercado de ações. Então, conhecem como funciona e como se estabelece a relação cliente/profissional, diz aconselhar clientes na área financeira e não conhece o mercado de investimentos. Está aí algo que não se concebe para um profissional da área contábil, não ter noções gerais de uma área tão essencial para o mundo das empresas. Acredita-se está aqui mais uma contradição que assevera a hipótese trabalhada. Outros dados importantes para análise: dos respondentes, 57% se colocam entre os que estão numa faixa de renda de 6 a 20 salários mínimos; 65% estão entre aqueles que têm o tempo de graduação superior entre 1 a 6 anos; 100% faz a Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física do cliente e 60% diz estarem numa situação financeira pessoal equilibrada. Bem, o que é possível defluir destas informações: que considerando a renda per capta da cidade de Vitória da Conquista, conforme IBGE, esses profissionais são pessoas que gozam de rendimentos de classe C, com possibilidades de estabelecer


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excedentes para investimentos; que os profissionais graduados nos últimos 10 anos têm obrigação de conhecer as mais modernas técnicas e ferramentas usadas na contabilidade e que já prestam serviços na área das finanças pessoais, como a DIRPF. Portanto, dever-se-ia ter profissionais com visão aberta para as possibilidades de atender todos os empreendedores na manutenção e ampliação patrimonial, quer sejam empresarial e pessoal, o que não se verifica quando 72% não contratariam o assessoramento de um especialista em finanças pessoais, sendo ele o maior conhecedor das necessidades e dos problemas que podem acontecer quando não se efetiva a organização e o controle. A segunda hipótese que se procura comprovar neste trabalho é que os contadores de Vitória da Conquista não relacionam as técnicas usadas na contabilidade das empresas com as que são necessárias para a organização e controle das finanças pessoais. A tabela 11 apresenta a seguinte realidade: 100% citaram os recursos que utilizam no controle de suas finanças; 88% afirmam que utiliza os princípios fundamentais da contabilidade e 59% que as informações da legislação fiscal e contábil aplicada às empresas podem ser usadas nas finanças pessoais. Porém, 77% não souberam citar qual ou quais princípios utilizam. Ora, quem utiliza não teria dificuldade de enumerar os que lhes servem como orientador e balizador na organização e controle das suas finanças pessoais. O que leva a deduzir que os respondentes podem ter conhecimento dos princípios, mas não fazem o relacionamento de uso concreto nestas. Tabela 11 - Sobre as técnicas contábeis usadas nas finanças pessoais Respostas Qual o recurso que você utiliza para fazer o controle das suas finanças? 1. Planilha eletrônica; 2. Livro Caixa; 3. Programas encontrados na internet; 4. Programa usado na contabilidade; 5. Outro; 6. Nenhum. É possível aplicar os princípios e técnicas contábeis na organização e controle das finanças pessoais? As informações da legislação fiscal e contábil aplicadas às empresas podem ser utilizadas nas finanças pessoais? No gerenciamento das suas finanças pessoais você utiliza alguns dos princípios fundamentais da contabilidade? Qual (is) - Quantos citaram Não responderam

Percentual % Sim Não 24 46 12 12 6 88

12

59

41

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Tabela 11 - Sobre as técnicas contábeis usadas nas finanças pessoais (continuação) Respostas Quais os demonstrativos contábeis podem ser adaptados às finanças pessoais? (Podendo citar mais de um) 1. BP............................................................................. 2. DRE ......................................................................... 3. DOAR....................................................................... 4. DMPL....................................................................... 5. DFC.......................................................................... Fonte: Pesquisa Direta, 2006.

Percentual % Sim Não Indicações 5 8 8 2 12

Perguntado se os seus escritórios possuíam as condições físicas e tecnológicas dos para atender, também, o seu cliente na organização, planejamento e controle das suas finanças pessoais, 53% responderam que não e 47% sim. Porém, ao serem perguntados quantos na cidade possuíam essas condições 71% diz não saber, nenhum e não respondeu. Como não saber, se para se manter no mercado é necessário conhecer os concorrentes? Também, como afirmar que o seu escritório tem todos os requisitos se não existe parâmetro na cidade, de acordo a sua resposta? Portanto, conclui-se que reforça a idéia de que os contadores de Vitória da Conquista não estão habilitados para assessorar os seus clientes nas finanças pessoais e que os mesmos, não relacionam as técnicas usadas na contabilidade das empresas com as que são necessárias para a organização e controle destas. 3.4 Mercado para o exercício da contabilidade patrimonial doméstica e finanças pessoais Ao iniciar este trabalho o autor tinha uma visão limitada do mercado para o exercício da contabilidade patrimonial doméstica, mas ao se aprofundar e dar curso a pesquisa muitas foram às possibilidades que se abriram. É interessante e ao mesmo tempo curioso, mas o seguimento que se revela primeiro para ser explorado é a dos contadores. Pois, um especialista poderia desenvolver cursos e sistemas que seriam utilizados nas contabilidades, visando que esses além de preparar o titular para organização e controle das suas próprias finanças se habilitaria para atender a sua clientela.


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Com a abertura do governo federal para o micro crédito, empréstimos consignados e a proliferação dos cartões de crédito facilitaram o acesso para muitas pessoas que se encontrava fora do mercado. No entanto, a falta de uma educação financeira colocou essas numa situação de endividamento. Não é a política de crédito que está errada e sim não se ter na escola uma disciplina que ensinasse o que é e como se lida com dinheiro. Outra possibilidade, diria a mais urgente, pois atenderia a três questões existentes no mercado, é a dos investimentos na agricultura familiar. A primeira questão diz respeito ao agricultor, é notório que com sua formação primária ou quase analfabeta ele tenha dificuldades na gestão desses recursos, mesmo com toda a sua cultura de seriedade e honestidade. A segunda está relacionada com os recursos que são disponibilizados para o setor que teria que voltar ao sistema financeiro para gerar o fluxo necessário, é bloqueado por um índice grande de inadimplência. A terceira é a sociedade que aguarda pelo aumento da produção, o que atenderia o abastecimento e a regulação dos preços. Portanto, um trabalho voltado para capacitar o pequeno agricultor na organização e controle das suas finanças, tanto do seu negócio como as pessoais, trariam benefícios econômicos e sociais. Também, são beneficiários dessa política, funcionários públicos e trabalhadores no mercado formal, que pelos números divulgados de pessoas inscritas nos órgãos de proteção de crédito afirma que se tem aí um mercado em potencial. Por último, não encerrando a lista, têm-se as empresas que podem oferecer aos seus funcionários a possibilidade da educação financeira, esta influenciará diretamente no seu desempenho profissional e no relacionamento interno entre os colegas. Tem o profissional da contabilidade, especializado em finanças pessoais, um mercado amplo para sua atuação, além de ter a sociedade à necessidade de educar os seus cidadãos para o enfrentamento dos seus problemas macro econômico.


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CONSIDERAÇÕES FINAIS O objetivo desse trabalho foi estudar as finanças pessoais a partir dos princípios e técnicas contábeis aplicadas nas empresas; identificar o contador como profissional capaz de funcionar como consultor e assessor no processo de organização, planejamento e controle das finanças pessoais e analisar a estrutura dos escritórios de contabilidade de Vitória da Conquista para oferecer assessoria e educação financeira. Com a fundamentação teórica se evidenciou, principalmente, ao dispor da teoria da prosperidade que permitiu uma visualização de como se dá o aumento da massa patrimonial, os seus sistemas e como acontece esse fenômeno numa interação perfeita. Também, verificar a utilidade dos princípios e técnicas contábeis, que foram pensados a partir das empresas, mas que com a atenção devida são adaptadas e na mesma eficiência e eficácia produz os resultados esperados. Ao lidar com os instrumentos dos contadores se confirmou que é este o profissional capaz de oferecer as ferramentas adequadas e as informações gerenciais exigidas na teoria do Professor Lopes de Sá, as quais fazem acontecer à prosperidade. As duas hipóteses que permearam desde o projeto este trabalho se confirmaram no momento em que se fez o confronto das respostas, colhidas junto aos contadores através de um questionário, onde os mesmos definiram seu perfil e sua visão profissional em relação às finanças pessoais. As contradições asseveraram que, como se tinha previsto, os contadores de Vitória da Conquista não estão habilitados para assessorar os seus clientes na organização e controle das suas finanças pessoais, como não fazem a relação dos princípios e técnicas contábeis como ferramentas adequadas para organização e controle dessas. Mesmo usando algumas, porém sem extrair dessas as informações necessárias para a gestão eficaz. Concluindo, tem este trabalho grande valor, tanto pelo que ele representa ao profissional da contabilidade ao reverberar sua capacidade de potencializar os mecanismos produtores das riquezas, como para aqueles que precisam ser despertados para a mudança de hábitos para fazer com que os poucos ou muitos recursos sejam mais bem trabalhados e possam crescer, em qualidade e quantidade, atendendo as expectativas do seu gestor.


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BIBLIOGRAFIA BELSKY, Gary. Proteja seu dinheiro de você mesmo. Tradução Marcelo A. Mendes. São Paulo: Futura, 2002. BRITO, M. J. Dividas, como negociar, como pagar, como evitar. São Paulo: DPL, 2002. CONTABILIDADE introdutória / equipe de professores da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP; coordenação Sérgio de Iudícibus. 9. ed. São Paulo: Atlas, 1998. EWALD, Luís Carlos. Sobrou dinheiro! Lições de economia doméstica. 5. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003. FIPECAFI. Manual de contabilidade das sociedades por ações: aplicáveis às demais sociedades. 5. ed. rev. e atual. São Paulo: Atlas, 2000. HELFELD, Mauro. Investimento: Como administrar melhor seu dinheiro. 2. ed. rev. e ampl. Editora Fundamento Educacional, 2004. HOJI, Masakazu. Administração financeira: uma abordagem prática: matemática financeira aplicada, estratégias financeiras, análise, planejamento e controle financeiro. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2004. KIYOSAKI, Robert T.; LECHTER, Sharon L. Pai rico, pai pobre: o que os ricos ensinam a seus filhos sobre dinheiro. Tradução de Maria José Cyhlar Monteiro. Rio de Janeiro: Campus, 2000. MARTINS, José Pio. Educação financeira ao alcance de todos: adquirindo conhecimento financeiro em linguagem simples. 1. ed. São Paulo: Editora Fundamentos Educacionais, 2004. PARSLOE, Eric.; WRIGTH, Raymond. O Orçamento. Tradução M. Lúcia Leite Rosa. São Paulo: Nobel, 2001. PIRES, Paulo Fernando de Oliveira. Um estudo sobre o comportamento de consumidor, a contabilidade e os orçamentos domésticos dos professores da Universidade do Sudoeste da Bahia – campus Vitória da Conquista. Dissertação (mestrado). Fundação Visconde de Cairu. Salvador: CEPPEV, 2002. SÁ, Antonio Lopes de. Teoria da contabilidade. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2002. SEGUNDO FILHO, José. Finanças pessoais: invista no seu futuro. Rio de Janeiro: Qualitymark Ed., 2003.


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http://www.multirho.com.br/campus/ http://www.financaspraticas.com.br/br/site/home/index.php http://www.plannerfinancas.com.br/apresentação.htm


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ANEXOS

FAIN

FAINOR – Faculdade Independente do Nordeste FORMULÁRIO DE PESQUISA

Graduando: Almir Pereira dos Santos Orientador: Profº Sc. Edvaldo Gama Filho Monografia: FINANÇAS PESSOAIS NA VISÃO DOS CONTADORES DE VITÓRIA DA CONQUISTA.

A pesquisa será realizada com os Bacharéis em Contabilidade de Vitória da Conquista, conforme cadastro do Conselho Regional de Contabilidade – CRC-BA. O formulário se constituirá de duas partes: 1 - trata do perfil do entrevistado, compreendendo sua relação com as finanças pessoais; 2 – a visão do profissional, Bacharel em contabilidade, referente às finanças pessoais dos seus clientes e a influência dessas na gestão de suas empresas. DADO

INFORMAÇÃO

Nome: Estado civil: Endereço Tempo de graduação: Especialização: Tempo de atividade: E-mail: Razão social: I Parte 1 Em que faixa de rendimentos mensais se situa a sua receita? ( ) até 5 Salários mínimos ( ) De 6 a 10 Salários mínimos ( ) De 11 a 20 Salários mínimos ( ) De 21 a 30 Salários mínimos ( ) Acima de 30 Salários mínimos. 2 Você planeja suas finanças pessoais? ( ) Sim ( ) Não 3 Qual o recurso que você utiliza para fazer o controle das suas finanças? ( ) Planilha eletrônica ( ) Livro caixa ( ) Programa oferecido na internet ( ) Programa usado na contabilidade ( ) Outro. Qual ______________________________________________ ( ) Nenhum


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Você saberia dizer qual o percentual que gasta com estes três itens: Alimentação __________% ____ Lazer ________________%____ Moradia______________%____ 4 As suas finanças pessoais se enquadram em qual status financeiro? ( ) Estável ( ) Equilibrada ( ) Comprometida ( ) Endividada ( ) Insolvente. 4 Você tem planejado sua aposentadoria? Qual o valor e a fonte de recursos? ( ) Sim ( ) Não Valor R$_________________ ( ) INSS ( ) Previdência privada ( ) INSS + Previdência privada ( ) Patrimônio pessoal ( ) Outro. __________ 5 Você acha que é possível aplicar os princípios e técnicas contábeis na organização e controle das finanças pessoais? ( ) Sim ( ) Não 6 Se a resposta anterior for positiva, qual dos demonstrativos contábeis pode ser adaptado às finanças pessoais? ( ) Balanço Patrimonial ( ) Demonstrativo do Resultado do Exercício ( ) Demonstrativo das Origens e Aplicações dos Recursos ( ) Demonstrativo das Mutações do Patrimônio ( ) Demonstrações dos Fluxos de Caixa 7 No gerenciamento das suas finanças pessoais você utiliza alguns dos princípios fundamentais da contabilidade? ( ) Sim ( ) Não ( ) Qual (is) ___________________________ 8 As informações da legislação fiscal e contábeis aplicadas as empresas podem ser usadas nas finanças pessoais? ( ) Sim ( ) Não 9 Você faz investimentos? a) ( ) Sim ( ) Não b) ( ) Regularmente ( ) Esporadicamente 10 Você conhece todas as formas de investimentos existentes no mercado? ( ) Sim ( ) Não 11 Quais desses ativos você optaria para investimento? ( ) Casa de praia ( ) Prédio comercial ( ) Iate ( ) Carro esportivo 12. A forma com você administra suas finanças pessoais podem ser considerada modelo pra outras pessoas? ( ) Sim ( ) Não


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II Parte 13 Algum dos seus clientes já veio se aconselhar com você sobre investimentos pessoais? ( ) Sim ( ) Não 14 Você já observou como anda as finanças pessoais dos seus clientes? ( ) Sim ( ) Não 15 É assunto que lhe interessa? ( ) Sim ( ) Não 16 Os clientes com problemas nas finanças pessoais são os considerados de melhor desempenho em suas atividades empresariais? Pois os mesmos se ocupam mais com as suas empresas? ( ) Sim ( ) Não 17 Você tem muitos clientes que misturam as finanças pessoais com as da empresa? ( ) Sim ( ) Não 18 Se o seu cliente lhe pedisse, hoje, para lhe apresentar uma proposta de assessoramento e educação financeira, você estaria habilitado para prestar o serviço? ( ) Sim ( ) Não 19 Isso pode ser considerado atividade que o contador pode desenvolver? ( ) Sim ( ) Não 20 Você está habilitado para assessorar um cliente na negociação de dívidas, apontando as melhores alternativas e soluções? ( ) Sim ( ) Não 21 Você sabe como funciona o mercado de ações, bolsa de valores, mercado imobiliário e financeiro? ( ) Sim ( ) Não 22 Quais os serviços que você presta, hoje, a pessoa física do seu cliente? ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ 23 Você tem feito pesquisa quanto ao grau satisfação do seu cliente com os seus serviços? ( ) Sim ( ) Não 24 Quais as técnicas e princípios que você usaria para prestar um serviço de assessoramento em finanças pessoais? ( ) Matemática ( ) Finanças ( ) Contábeis 25 O seu escritório tem as condições físicas e tecnológicas para atender, também, o seu cliente na organização, planejamento e controle das suas finanças pessoais?


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( ) Sim

( ) Não

26 Quantos escritórios e contadores em nossa cidade têm condições de atender as pessoas que se interessasse por esse serviço? ____________________________________ 27 Existe mercado para especialista em finanças pessoais? ( ) Sim ( ) Não 28 Você que tem a vida contábil e fiscal de muitas empresas em suas mãos, entregaria as suas finanças pessoais para um profissional estabelecido e registrado nos órgãos competentes? ( ) Sim ( ) Não

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Monografia Fainor

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