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FACULDADE INDEPENDENTE DO NORDESTE – FAINOR ADMINISTRAÇÃO EM AGROINDUSTRIA SÉRGIO FARIAS BALEEIRO

FATORES DETERMINANTES NA COMERCIALIZAÇÃO DO NELORE ELITE EM VITÓRIA DA CONQUISTA – BA.

Vitória da Conquista 2006


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SÉRGIO FARIAS BALEEIRO

FATORES DETERMINANTES NA COMERCIALIZAÇÃO DO NELORE EM VITÓRIA DA CONQUISTA – BA.

Monografia apresentada como exigência para obtenção do Título de Bacharel em Administração em Agroindústria á Banca Examinadora da Faculdade Independente do Nordeste – FAINOR Orientador: Prof. José Cândido Oliveira Silva

Vitória da Conquista 2006


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SÉRGIO FARIAS BALEEIRO

FATORES DETERMINANTES NA COMERCIALIZAÇÃO DO NELORE EM VITÓRIA DA CONQUISTA – BA.

Monografia apresentada como requisito parcial para obtenção do título de Graduado, no Curso de Administração em Agroindústria da Faculdade Independente do Nordeste, através de comissão formada pelos professores:

Profa.

___________________________________________________ Prof.

Prof.

Vitória da Conquista 2006


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Dedico este trabalho monogrรกfico a todas as pessoas que me ajudaram nessa caminhada. Principalmente a Maria Lacerda farias Baleeiro.


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Agradeço A Deus pela capacidade que me deu. Aos meus pais e irmãos, por contribuírem, para o sucesso de minha vida.


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“Quem há entre vós que tema a Jeová, e ouça a voz do teu servo quando andar em trevas, e não tiver luz nenhuma, confia no Senhor e firme sobre o seu Deus”. Isaias 50: 10


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RESUMO Esta monografia tem como objetivo diagnosticar os fatores determinantes para comercialização do nelore elite em Vitória da Conquista. Trabalha a hipótese de que o melhoramento genético é fator determinante para a melhoria do rebanho de nelore elite na região. O rebanho bovino do Brasil é o segundo maior do mundo, sendo que 80% desses animais têm sangue zebuíno, a origem do rebanho brasileiro é indiana, mas com o melhoramento genético tem se mostrado forte no mercado. A metodologia utilizada teve como base a pesquisa exploratória com estudo de caso diante da necessidade de comercializar os animais pelos pecuaristas a realidade da atividade. Utilizou-se como instrumento a coleta de dados com questionários estruturados aplicados aos pecuaristas. A pesquisa foi analisada a partir de referencial teórico de vários autores, que evidencia a existência da necessidade de se ter um diferencial para elevar a vantagem do pecuarista sobre seus concorrentes. O presente estudo revela que o melhoramento genético é fator relevante para que os produtores se mantenham atuantes. Verificou-se que os pecuaristas são conscientes da necessidade de se ter um diferencial para potencializar as vendas e comercio de animais para a melhoria da economia local. Os resultados obtidos com a pesquisa proporcionaram um maior conhecimento sobre a necessidade de um planejamento estratégico e a utilização de um programa de marketing para fomentar a atividade na região.

Palavras – chave: comercialização – rebanho bovino – produção.


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ABSTRACT

This monograph has as objective to diagnose the decisive factors for commercialization of the nelore elite in Vit贸ria da Conquista. It works the hypothesis that the genetic improvement is decisive factor for the improvement of the flock of nelore elite in the area. The bovine flock of Brazil is the second largest of the world, and 80% of those animals have blood zebu, the origin of the Brazilian flock of India, but with the genetic improvement it has been showing strong in the market. The used methodology had as base the exploratory research with case study due to the need of marketing the animals for the creators the reality of the company. It was used as instruments the collection of data with structured questionnaires applied the creators. The research was analyzed starting from several authors', that it evidences theoretical references that existence of the need of having a difference to elevate the creator's advantage on its competitors. The present study reveals that the genetic improvement is important factor so that the producers it maintains acting. It was verified that the creators are conscious of the need of having a difference to improve the sales and I trade of animals for the improvement of the local economy. The results obtained with the research provided a larger knowledge about the need of a strategic planning and the use of a marketing program to foment the activity in the area.

Key-words: commercialization - bovine flock - production.


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LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 – Percentual de pecuaristas por sexo Fonte: Pesquisa de campo / 2006

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Gráfico 2 - Percentual de pecuaristas por faixa etária Fonte: Pesquisa de campo / 2006

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Gráfico 3 – Percentual de pecuaristas por nível de escolaridade Fonte: Pesquisa de campo / 2006

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Gráfico 4- Percentual de pecuaristas por tempo de trabalho Fonte: Pesquisa de campo / 2006

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Gráfico 5 – Percentual de pecuaristas quanto a quantidade de animais Fonte: Pesquisa de campo / 2006

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Gráfico 6 – Percentual de pecuaristas quanto ao método utilizado para a reprodução 40 de animais Fonte: Pesquisa de campo / 2006 Gráfico 7 – Percentual de pecuaristas quanto ao local que as matrizes são adquiridas 41 Fonte: Pesquisa de campo / 2006 Gráfico 8 - Percentual de pecuaristas quanto a fonte de recursos Fonte: Pesquisa de campo / 2006

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Gráfico 9 – Percentual de pecuaristas quanto a disponibilidade de investimentos 43 Fonte: Pesquisa de campo / 2006 Gráfico 10 – Percentual de pecuaristas quanto a opinião sobre mercado de Vitória da 44 Conquista Fonte: Pesquisa de campo / 2006 Gráfico 11 - Percentual de pecuaristas quanto aos canais de distribuição Fonte: Pesquisa de campo / 2006

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Gráfico 12 – Percentual de pecuaristas com relação a opinião do valor de venda do 46 produto Fonte: Pesquisa de campo / 2006 Gráfico 13 – Percentual de pecuaristas com relação ao diferencial existente Fonte: Pesquisa de campo / 2006

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Gráfico 14 – Percentual de pecuaristas quanto as perspectivas de mercado

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Fonte: Pesquisa de campo / 2006 Gráfico 15 – Percentual de pecuaristas com relação a existência de estratégias de 49 marketing Fonte: Pesquisa de campo/ 2006


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SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO........................................................................................................ 11 1.1 Apresentação do tema.......................................................................................... 12 1.2 Justificativa............................................................................................................ 12 1.3 Delimitação do problema...................................................................................... 12 1.4 Problema................................................................................................................. 13 1.5 Objetivo geral......................................................................................................... 13 1.5.1 Objetivos Específicos.......................................................................................... 13 1.6 Hipóteses................................................................................................................. 13 1.6.1 Variáveis ............................................................................................................. 14 1.7. Relevância do tema.............................................................................................. 14 1.8 Estrutura do trabalho monográfico..................................................................... 14 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA............................................................................. 16 2.1 Origem do rebanho bovino da raça Zebu no Brasil........................................... 16 2.2 Planejamento estratégico....................................................................................... 18 2.3 Vantagem competitiva x Estratégia competitiva.................................................21 2.4 Importância do marketing para as empresas do agronegócio........................... 22 2.5 Cadeia produtiva de gado de corte no Brasil...................................................... 25 2.6 Congresso internacional de boi de capim............................................................ 27 2.7 Vantagens da Inseminação artificial.................................................................... 28 2.8 Investimentos necessários para fazer Inseminação artificial............................ 29 3 METODOLOGIA..................................................................................................... 32 3.1 Estratégias metodológicas..................................................................................... 32 3.2 Instrumentos utilizados como planos de amostragem....................................... 32 3.3 Instrumentos de analise de campo ...................................................................... 32 4. ANALISE E DISCUSSÃO....................................................................................... 34 4.1 Resultado dos questionários aplicados................................................................ 35 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS / SUGESTÕES.......................................................... 50 5.1 Considerações finais............................................................................................. 50 5.2 Sugestões................................................................................................................. 51 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................................................................... 53 APENDICE – A........................................................................................................... 56 ANEXO........................................................................................................................ 58


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1 INTRODUÇÃO O relacionamento do homem com os animais é uma relação que remota aos primórdios da humanidade. Durante séculos o touro foi utilizado como instrumento de trabalho e transporte, como também cultuado por reis e povo em diversos pontos do planeta. Considerado um animal forte entre os romanos seu sangue chegou a ser utilizado em batismo de crianças para absorver sua virilidade. Esse relacionamento dual vem até os dias atuais, no Brasil a mídia freqüentemente tem mostrado que a pecuária é representada em 65% por bovinos, 87% é formado pelo gado de corte, 13% gado de leite, mas 80% do rebanho bovino no Brasil têm sangue da raça zebu nas veias. (TOLEDO 2003, p. 46) Os bovinos da raça Zebu que se encontram no Brasil tiveram sua origem nos pastos indianos. Ao chegar no Brasil o Zebu se adaptou rapidamente e desenvolveu características desejadas pelos produtores para produção de produtos de qualidade. Ultimamente o Brasil tem se mostrado um grande exportador de carne e tem desempenhado com eficiência o controle das doenças, esse fator tem melhorado muito a produção, ampliando significativamente o plantel bovino e maximizando o consumo e a exportação de gado. Os acontecimentos referentes ao “mal da vaca louca” despertaram no consumidor uma necessidade de ingerir produtos de qualidade, mais que isso, o consumidor também tem se preocupado com o manejo, o trato dispensado aos animais. Pensando em agradar aos consumidores, oferecendo-lhes um produto de qualidade, os pecuaristas vêm investindo maciçamente em melhoramento genético para melhorar o plantel. Durante anos o Brasil ficou sem importar material genético da Índia, esse fato poderia causar o aparentamento dos animais no Brasil, mas recentemente barreiras foram quebradas e novas importações puderam ser feitas. O consumidor exigente se preocupa com a qualidade, o produtor exigente preocupa-se também com este requisito sendo que a obtenção desse fator no produto querendo obter um diferencial competitivo para se manter no mercado globalizado. A satisfação do cliente é o principal objetivo que deve ser atingido pelas empresas, respeitando ainda os princípios éticos e morais que norteiam a atividade empresarial em qualquer segmento do mercado. Assim a empresa precisa satisfazer suas necessidades e superar suas expectativas para permanecer com a fidelidade de seus clientes a longo prazo ou toda a vida útil da empresa ou do cliente.


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1.1 Apresentação do tema

O tema teve como foco a comercialização do nelore de elite na cidade de Vitória da Conquista –BA.

1.2 Justificativa

O consumidor atualmente tem sido cortejado pelas empresas para que seus produtos e marcas sejam aceitos, isso ocorre devido a globalização que transformou o mundo em uma aldeia, trazendo para o consumidor uma grande variedade de produtos e marcas de diversos níveis de qualidade, tornando o consumidor cada dia mais exigente. Dessa forma ter um produto de qualidade, ainda não é o bastante se faz necessário dinamizar a comercialização através de vários canais como a utilização do marketing. O presente trabalho se justifica, pois o mercado de bovino em especial da raça nelore tem se mostrado como uma raça capacitada para se desenvolver em todo o território nacional e pode ser melhorada geneticamente como vem sendo feito no Brasil e em outros países. Com processo sugerido no desenvolvimento desse trabalho e outros é possível que a raça nelore de elite venha a ser um diferencial na agropecuária da região sudoeste da Bahia, em especial na cidade de Vitória da Conquista – BA. Para que as empresas possam estar conectadas com o que o mercado oferece, para inovar e criar seu diferencial, planejando seu desempenho com segurança e desenvolver a comunicação efetiva com clientes, funcionários e colaboradores, e melhorar o rebanho geneticamente Este trabalho, portanto é oportuno por oferecer informações que podem ser utilizadas com segurança para a realização de trabalhos futuros, ou até mesmo pelos pecuaristas para maximizar sua produção e ganhar vantagem competitiva no mercado em que atua.

1.3 Delimitação do problema

Quais são as atitudes que podem maximizar a comercialização do nelore de elite na cidade de Vitória da Conquista - BA?


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1.4 Problema

Quais os fatores que podem determinar o aumento das vendas de nelore na região de Vitória da Conquista – BA?

1.5 Objetivo geral •

Diagnosticar quais são os fatores que podem maximizar a comercialização do nelore de elite na cidade de Vitória da Conquista – BA.

1.5.1

Objetivos Específicos

Verificar a origem da raça nelore

Diagnosticar a influencia do melhoramento genético para o mercado bovino de nelore.

Verificar quais as razões que levaram a raça de nelore a está presente em todo o território Brasileiro.

1.6 Hipóteses

H1- O melhoramento genético influência de forma positiva na comercialização do Nelore Elite.

H2 – A raça Nelore está presente em todo o território brasileiro.

H3 – A cidade de Vitória da Conquista tem potencial para o desenvolvimento de um plantel de Nelore Elite com capacidade para comercialização em escala nacional.


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1.6.1 Variáveis

1.4.1.1Varáveis da hipótese 1 Melhoramento genético Comercialização

1.4.2 variáveis da hipótese 2 Raça Nelore Território brasileiro

1.4.3 variáveis da hipótese 3 Potencial de comercialização Plantel

1.7 Relevância do tema

As empresas contemporâneas vêm enfrentando a globalização, este processo que gera concorrência acirrada também pelo fato de que o consumidor atualmente tem a sua disposição uma variedade grande de produtos, marcas e serviços. Para ser eficiente atualmente a empresa precisa estar conectada com o que o mercado está oferecendo para elaborar o seu diferencial. O tema teve como foco a comercialização do nelore de elite na cidade de Vitória da Conquista. A cidade tem potencial para o desenvolvimento de um plantel de elite que pode ser comercializado para diversos produtores do Brasil e do mundo.

1.8 Estrutura do trabalho monográfico

O presente trabalho contará com cinco capítulos, sendo que a introdução, faz uma apresentação geral sobre o trabalho, relatando seus objetivos para o desenvolvimento do trabalho monográfico.


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O capítulo 2 relata o referencial teórico onde são abordadas as formas que a genética e outros recursos podem contribuir para maximizar essa atividade, bem como da importância de se ter um diferencial e sua relevância para se obter uma vantagem competitiva. O capítulo 3 trata da forma como foram encontrados os dados para a realização do trabalho. O capítulo 4 revela as análises e resultados dos dados coletados. Os dados foram obtidos através de questionários aplicados em empresas agropecuárias, localizadas na cidade de Vitória da Conquista – BA; As considerações finais estão presentes no capítulo 5 no qual constam a avaliação dos resultados da pesquisa e as sugestões de melhorias para um melhor desempenho empresarial.


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2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O rebanho bovino no Brasil é um dos maiores e melhores do mundo, esse fator é senso comum, mas fatores de risco, também podem comprometer a qualidade do rebanho. O Brasil por ser o maior produtor de carne e maior exportador, tende a atender consumidores das mais diversas partes do mundo e com os diferentes níveis de exigências, cada vez maior devido a grande oferta de produtos no mercado internacional e a barreiras impostas por estes para a comercialização de carne.

2.1 Origem do rebanho bovino da raça Zebu no Brasil O Brasil é o maior exportador de carne bovina do mundo, além de ser de fato importantíssimo e histórico para o país, esse fator tem ainda uma conotação mais vigorosa por ser um fator determinante de superávit na balança comercial, além da geração de emprego e renda, entre outros benefícios. Esse fato se deve a vários aspectos e pontos que estão diretamente ligados a cadeia produtiva e comercial do nelore elite ou de seleção.

Os Zebus compõem cerca de 80% do plantel nacional, estimado em 170 milhões de cabeças – O maior rebanho comercial do planeta, ou seja são compostos principalmente por zebuínos os 35,5 milhões de animais abatidos, os sete milhões de toneladas de carne produzidas no país e um milhão de toneladas de carcaças exportadas no ano passado. Pode-se inferir que o valor bruto da produção de carne de raça de origem indiana, dentro das fazendas representou mais de 16 bilhões de reais em 2002. (TOLEDO 2005, p.43)

O setor privado ao longo de décadas vem investindo largamente em pesquisas de laboratório, suplementos alimentares, manejo de animais em pastagens e melhoramento genético do rebanho comercial (animais destinados ao abate para o consumo), esse melhoramento se deu através do ganho genético, ou seja, transferência de genes superiores por meio dos animais de seleção, que gera características comerciais altamente vantajosa e lucrativa para esse rebanho comercial. As características são: rusticidade quanto a doenças e parasitas, adaptação aos trópicos brasileiros, precocidade sexual, precocidade no ganho de peso e por conseqüência no tempo de abate, fertilidade, aumento do volume de carne no posterior. A busca pela melhoria e seleção desses animais teve seu inicio por volta de 100 anos atrás, sendo intensificada na década de 60, quando em 1963 dá-se a última importação da Índia, os animais eram trazidos de navios e após um período de quarentena na Ilha Fernando


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de Noronha os proprietários obtinham liberação do governo para entrarem no continente. Concentrou principalmente na Bahia, Uberaba (MG) e em São Paulo. Toledo (2005, p.43) O processo de aprimoramento genético, com o uso de técnicas laboratoriais (transferência de embriões e fecundação in vitro) intensificou significativamente a multiplicação do Nelore Elite, sendo mais empregado e popularizado no Sul de Minas Gerais e São Paulo. Na Bahia a popularização e o acesso a tais ferramentas deram principalmente no final da década de 90, o que comprometeu sobremaneira a entrada e o ingresso de outros criadores ou selecionadores nesse setor da pecuária, especificamente em cidades como Vitória da Conquista, onde esse nicho de mercado encontra-se de forma embrionária e deficiente, fatores que contribuíram para tal situação apontam para a ausência de baixas taxas de juros e cultura econômica voltada para o Nelore de seleção. A ABCZ 1 já deu o primeiro passo, criando um núcleo de exportação para fomentar o envio de animais vivos e material genético das raças de origem indiana, denominado Brazilian Cattle Genetics. A intenção é passar a comercializar anualmente 300 mil doses de sêmen, 20 mil embriões e 35 mil animais vivos. Até 2007, a ABCZ espera arrecadar com essas operações o equivalente a 200 milhões de dólares. (TOLEDO 2003, p.28)

A participação desse setor agropecuário na economia do Brasil é, altamente rentável e lucrativo, pois o país exporta 2,5 milhões de toneladas de carne o que lhe rende cerca de 3,5 bilhões de dólares, contribuindo para equilibrar o saldo da balança comercial, ou seja, diminuindo o déficit orçamentário e distribuindo renda em todos os níveis da cadeia produtiva.Toledo (2003, p. 43). O boi Zebu chegou ao Brasil trazido da Índia e se adaptou a condição climática de forma adequada e satisfatória, os animais eram importados da Índia até a década de 60 quando houve a última importação de animais daquele país. Os animais eram trazidos de navio, e após um período de quarentena na Ilha de Fernando de Noronha, os proprietários obtinham a permissão do governo para entrarem no continente.

Em 1913 o porto de Salvador recebe um casal de bovinos vindo da costa ocidental Indiana, em 1878 Manuel Lemgruber inicia importação de animais para formação de sua linhagem. Em 1921 Surgi a peste bovina na Índia, com suspensão das importações, em 1934 Fundação da Sociedade Rural do Triângulo Mineiro que após uma década viraria A. B.C.Z. Em 1957 Nasce Cabury, principal formador da raça nelore mocha. Em 1963 Desembarca no porto de Santos mais de 300 zebuínos da Índia nascidos na quarentena, e m 2005 após mais de quarenta anos, o Brasil volta a ter acesso a material genético da Índia. (TOLEDO 2003, p.43) 1

ABCZ, Associação Brasileira de Criadores de Zebu.


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A grande maioria desses animais concentrava-se principalmente na Bahia, no triângulo mineiro e em São Paulo essas regiões até hoje conservam um patrimônio genético considerável. As centrais de coletas estão centradas principalmente em Uberaba e São Paulo. O governo brasileiro tem se mostrado interessado em melhorar o plantel do Brasil, uma prova disso, é que o Ministério da Agricultura juntamente com o governo federal, estão retirando barreiras impostas para a importação de animais proveniente da Índia. Planeja-se com isso continuar o processo de melhoramento genético, evitando o risco do rebanho nacional ficar excessivamente aparentado.

2.2 Planejamento Estratégico na empresa

Para se obter os serviços necessários, responder a demanda e satisfazer as exigências do mercado se faz necessário um planejamento e o controle, os quais são objetivos precisos em instituições empresariais ou não empresariais, uma vez que toda e qualquer atividade precisa instituir metas para serem alcançadas. O planejamento estratégico, ou a formulação da estratégia competitiva é, portanto, essencial para a empresa, pois esta dificilmente poderá criar condições, simultaneamente, para responder a todas as demandas (necessidades), de todos os possíveis segmentos de mercado. Dificilmente, também, poderá instantaneamente mudar drasticamente as condições de atendimento ou “pular” de um segmento de mercado para outro. Assim, o planejamento estratégico propicia que a empresa identifique em que direção predominante pretende mover-se, orientando as competências (que vai acumulando e adquirindo) para as oportunidades que surgem no mercado de criar valor para seus clientes atuais e potenciais. A longo prazo, segundo Prahalad e Hamel (1998), a competitividade resulta da capacidade de formar competências que propiciam produtos e serviços que não podem ser antecipados As organizações precisam de inovação e de informação constante das mudanças que ocorrem nas competências que lhe dizem respeito. Com o objetivo de conquistar vantagens competitivas, as organizações devem preparar ambiente que permita orientação para uma aprendizagem continuada, dessa forma é preciso uma postura pró-ativa orientada para novas expectativas que surgem para atender as necessidades de um futuro próximo.


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Com a competição crescente no mercado a inovação é um diferencial que deve ser levado em consideração pelas organizações atualmente, e o ambiente deve ser propicio as relações interpessoais, com uma diversidade cultural que proporcione a tolerância, e os profissionais devem vestir a camisa da organização com compromisso para que essas posam cumprir sua missão perante a sociedade. As empresas capitalistas têm por objetivo o lucro, e para tanto, precisam de uma missão, e a eficácia da administração de um empreendimento é, sem dúvida, o mais importante elemento responsável pelo sucesso á longo prazo. O planejamento tem como objetivo controlar o futuro da empresa seja esse a curto ou á longo prazo, e sobre tudo que se refere a organização, seja sobre as relações entre a empresa e seu ambiente. Para Welsch, (1983), o planejamento e controle de resultados, justificam-se somente na medida em que facilita o desempenho do processo administrativo, o planejamento e controle têm finalidade estritamente interno. O planejamento empresarial é uma ferramenta poderosa e insubstituível no mundo dos negócios, principalmente a partir da década de 90, quando teve início o processo de globalização, e as empresas tiveram que se adaptar as novas tendências mercadológicas. A cada dia se faz mais necessário, o planejamento nas instituições, pois com a globalização as mudanças passaram a ter maior velocidade, e as incertezas passaram a ganhar mais espaço no mercado. Entretanto, as mudanças ocorridas nos últimos anos conduzem as organizações a um contexto social mais aberto, internacional e dinâmico em que a concorrência se intensifica e a mudança é permanente e acelerada o que, de forma inevitável, trouxe profundas implicações sobre os sistemas de controle gerencial. Para Otley (1994), as principais mudanças ambientais foram: o aumento da incerteza; o porte das organizações; concentração e alianças; e o declínio da manufatura. A rapidez com que as mudanças têm ocorrido trouxe como conseqüência para as empresas, dentre outras, uma crescente dificuldade em prever o futuro. O cerne de qualquer sistema de controle consiste de um modelo preditivo, o qual é usado para avaliar os efeitos potenciais de alternativas de ação; qualquer redução na capacidade de prever as conseqüências de mudanças, reduz a capacidade da organização controlar seu destino futuro. (OTLEY 1994, p. 291),

Toda empresa tem uma missão que pode ser relativamente específica ou ampla, dessa forma sua longevidade pode ser menor ou maior, os objetivos a longo prazo podem auxiliar no monitoramento da missão da empresa á longo prazo.


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A missão tem algumas variáveis importantes a tratar no processo de planejamento que deve responder á questões como: quem é seu cliente? em que mercado atua? E qual beneficio auferido aos acionistas? A missão põe o foco basicamente sobre o que se espera da organização.

O processo de controle requer a obtenção de informação que possibilite a formulação de diretrizes e a mensuração do resultado nos mesmos moldes. Esta informação pode fazer referência à evolução do contexto social global, à evolução do setor e à evolução da própria organização. De posse da informação relevante, coletada e selecionada pelo sistema de informações, é possível a tomada de decisões – tentar antecipar o que pode acontecer - e a avaliação do comportamento de cada responsável – análise do que efetivamente ocorreu. (GOMES E AMAT 1999, p. 36).

Uma empresa deve definir no ano anterior os objetivos que tem de alcançar, ou o produto e até mesmo a quantidade de produto que será lançada no mercado no ano seguinte, por essa razão é que cresce dentro da organização a importância sobre o controle e planejamento dentro da empresa, mas para tanto se faz necessário também, entre outras obter o máximo de informações possíveis para obter resultados favoráveis na tomada de decisão. No mundo competitivo de hoje, o sucesso das indústrias não depende apenas de preços baixos, produtos de qualidade e entregas pontuais. Esses atributos - que eram vantagens há uma década - agora são apenas requisitos para sua empresa permanecer no jogo. As regras desse jogo estão em constante mudança. As indústrias enfrentam a crescente globalização, competitividade mais acirrada do que nunca e clientes cuja demanda reflete sua própria visão e expectativa a respeito do mercado global. Enfrentar a concorrência significa mudar a forma de efetuar transações comerciais. É necessário preservar a lealdade do cliente, atrair novos consumidores, manter os produtos atualizados e com ciclos de vida cada vez menores e direcionar os gastos dentro de sua organização e fora com os fornecedores. As organizações estão integrando tecnologias e adotando métodos de e-business para obterem vantagens no mercado, aprimorando os serviços oferecidos ao cliente, melhorando e mantendo a qualidade dos produtos e otimizando o cálculo de custos. Elas também se mantêm competitivas recriando os processos de negócios, mudando a cultura empresarial e alavancando a tecnologia para desenvolver e realinhar soluções integradas, todas ações visam buscar uma vantagem competitiva. O processo de melhoramento genético é um dos requisitos utilizados como estratégia para ter um diferencial. Dentro do segmento do Nelore Elite, percebe-se com nitidez e clareza a existência de estratégias empresariais que buscam a eficiência e eficácia do negócio, diz


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respeito a especialização em determinada área desse mercado. O selecionador pode especializar-se em comercializar matrizes ou doadoras já provadas, touros para estações de monta natural, novilhas, bezerros, prenhezes sexadas de macho ou fêmea além de sêmen de reprodutores em centrais de coleta. Trata-se, portanto de um segmento do agronegócio em franca expansão, e que vem se desenvolvendo em todo o país. Em Vitória da Conquista esse processo encontra-se em processo de consolidação visando atender a própria região, mas carece de investimentos que sejam capazes de tornar o município um referencial nesse setor, além disso, é muito importante a persistência e solidez no criatório desses animais, pois torna-se indispensável uma eficiente campanha de marketing, para que a empresa consolide sua marca no mercado, hoje considerado altamente competitivo.

2.3 Vantagem competitiva x estratégia competitiva

Estratégia competitiva é o conjunto de planos, políticas, programas e ações desenvolvidos por uma empresa ou unidade de negócios para ampliar ou manter, de modo sustentável, suas vantagens competitivas frente aos concorrentes. Para Ohmae (1983, p. 38), “ Sem competidores não haveria necessidade de estratégia, pois o único propósito do planejamento estratégico é tornar a empresa apta a ganhar, tão eficientemente quanto possível, uma vantagem sustentável sobre seus concorrentes.”. Para Poter (1985. p,1), “A estratégia competitiva visa estabelecer uma posição lucrativa e sustentável contra as forças que determinam a competição industrial.” O nível de competitividade alcançado pela empresa ou unidade de negócios depende de fatores sistêmicos, estruturais ou empresariais, segundo Coutinho e Ferraz (1994. p,26), relacionados, respectivamente, às condições macroeconômicas, político-institucionais, regulatórias, infra-estruturais e sociais do país onde a empresa está instalada, às características do mercado, da concorrência e da configuração da indústria ou setor econômico em que a empresa atua e à capacidade gerencial e operacional da própria empresa. Segundo Montgomery e Poter (1998), o desafio enfrentado pela gerência consiste em escolher ou criar um contexto ambiental em que as competências e recursos da empresa possam produzir vantagens competitivas.


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Quanto aos fatores estruturais relacionados à competitividade das empresas, Poter (1985. p. 4) indica que cinco forças determinam a dinâmica da competição em uma indústria: a entrada de novos concorrentes, a ameaça de substitutos, o poder de barganha dos clientes, o poder de barganha dos fornecedores e a rivalidade entre os concorrentes atuais. “A pressão coletiva destas cinco forças determina a habilidade das firmas em uma indústria de ganhar, em média, taxas de retorno sobre o investimento em excesso ao custo de capital. A pressão das cinco forças varia de indústria para indústria e pode se modificar quando a indústria evolui”. A vantagem competitiva não pode ser compreendida observando-se a empresa como um todo. Ela tem sua origem nas inúmeras atividades distintas que uma empresa executa no projeto, na produção, no marketing, na entrega e no suporte de seu produto. Cada uma dessas atividades pode contribuir para a posição de custos relativos de uma empresa, além de criar uma diferenciação. (POTER 1980. p. 31)

Toda empresa é uma reunião de atividades que são executadas para projetar, produzir, comercializar, entregar e sustentar o produto, estas atividades podem ser representadas, fazendo -se uso de uma cadeia de valores. O comportamento de uma atividade de valor não pode se compreendido com o exame apenas da atividade, pois os elos criam uma oportunidade para redução de custo total das atividades ligadas. São inúmeros os elos entre atividades de valor na cadeia de valores. Alguns elos mais comuns são aqueles entre atividades diretas e indiretas

(operação e

manutenção), garantia da qualidade e outras atividades (inspeção e serviço pós -venda), atividades que devem ser coordenadas de logística e operações e entre atividades que são formas alternativas para obtenção de resultados (publicidade e vendas diretas). O setor agropecuário tem expressão significativa na economia do Brasil, pois é um setor altamente rentável e lucrativo. O Brasil exporta por ano 2,5 milhões de toneladas de carne, o que lhe rende cerca de 3,5 bilhões de dólares, contribuindo de forma significativa para a economia. (TOLEDO, P. 43).

2.4 A importância do Marketing para as empresas do agronegócio

Atualmente os clientes de um modo geral têm se tornado ainda mais exigentes e para atender as suas expectativas as empresas de um modo geral vem se aprimorando para satisfazê-los, pois eles são a razão de sua existência e o cliente satisfeito traz benefícios para a empresa.


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Atrair clientes não tem sido uma tarefa fácil, uma vez que eles têm a sua disposição uma grande variedade de escolha, preços, marcas e fornecedores, dessa forma se faz necessário está atento para o que o cliente espera da organização para poder atendê-los melhor. A estratégia do marketing de relacionamento é criar, manter e aprimorar fortes relacionamentos com os clientes e outros interessados. Além de elaborar estratégias para atrair novos clientes e criar transações com eles, as empresas empenham-se em reter os clientes exigentes e construir com eles relacionamentos lucrativos e duradouros. O marketing é visto agora como a ciência e a arte de descobrir, reter e cultivar clientes lucrativos. (KOTLER & ARMSTRONG 2003, p. 477).

Para atender os clientes correspondendo as suas expectativas é recomendável desenvolver um levantamento das necessidades de treinamento das pessoas que os atende para que executem suas tarefas com eficiência e eficácia. Assim é preciso que seja feito um treinamento para atender a determinado fim sem que para isso acarrete algum ônus para a empresa. Mas para isso é preciso está atento para que o treinamento se necessário seja feito de forma direcionada. No segmento do agronegócio o marketing vem desenvolvendo um papel importante, pois o consumidor exigente, se dispõe a pagar mais por um produto que ofereça a qualidade que ele espera de um produto para consumir. No Brasil assim como em diversas partes do mundo o consumo de produtos de qualidade é grande, e a procura por carne de grife tem apontado um novo segmento de mercado que desponta com grandes chances de crescimento. A carne fornecida com rígidos padrões de qualidade e garantia de origem é um dos principais projetos de grandes churrascarias do Brasil. O consumidor depois da doença da vaca louca chegou a conclusão que carne saudável e de qualidade é a carne do “boi verde” aquele que se alimenta apenas de proteína vegetal e capim. A produção em sistema de pastejo ainda confere á carne brasileira um dos menores custos de produção. Para Cabrino diretor responsável pelo restaurante Montana grill espress em Campinas interior de São Paulo. “O ganho que se consegue com o nelore não é conseguido apenas com a genética. A sanidade e alimentação são fundamentais”. Dessa forma o manejo adequado de animais, com menos sofrimentos e maior qualidade de vida enquanto vivos é uma estratégia de marketing que vem atraindo consumidores que gostam de consumir o produto, mas não querem associar o prazer de se alimentar bem com o animal em sofrimento. (CABRINO apud GALINARE. 2005, P.14)


24

Sabendo das novas exigências do consumidor que cada dia se encontram mais conscientes e exigentes, a empresa tem investido em marketing do bem estar e do relacionamento direto com o cliente, mostrando a origem do produto que oferece, e como o animal é tratado durante a vida. O nelore se destaca nesse mercado por vários fatores como: maior funcionalidade, habilidade materna e precocidade da raça. Durante muito tempo se sabia que o marketing era somente uma forma de venda e propaganda de produtos, porém esse conceito já se encontra ultrapassado, uma vez que, o foco central hoje do mercado é a satisfação do cliente em primeiro lugar. De acordo com Kotler & Armstrong. (2004, p.3) Marketing é um processo administrativo e social pelo qual indivíduos e grupos obtém o que necessitam e desejam, por meio da criação, oferta e troca de produtos e valor com os outros. Partindo do novo conceito de marketing fica claro que a função do marketing é lidar com os clientes, comunicar e proporcionar a esses a satisfação que almejam.

O marketing tem a função de satisfazer o cliente, atrair novos clientes, manter os clientes atuais e proporciona-los a satisfação de todas as suas necessidades e desejos. O bom marketing é essencial para o sucesso de toda organização seja ela de grande ou pequeno porte, com ou sem fins lucrativos (KOTLER & ARMSTRONG. 2003, p.03)

Para uma empresa se tornar um sucesso no mercado atual ela deve conquistar novos clientes de seus concorrentes e mantê-los através da entrega de valores, e para tanto se faz necessário que a empresa planeje um mix de marketing que pode ser definido como um conjunto de ferramentas e táticas que a empresa utiliza para produzir a resposta que deseja do mercado. No caso da agropecuária agregar valor, investir em melhoramento genético, investir no tratamento humanitário aos animais, bem como repassar para o consumidor suas formas de tratar o produto e oferecer um produto de qualidade ao consumidor pode ser utilizado como uma estratégia de Marketing que pode dinamizar o consumo e melhorar a comercialização do nelore elite em diversas regiões do país onde tem potencial como a cidade de Vitória da Conquista – BA.


25

2.5 Cadeia produtiva de gado de corte do Brasil

A importação de produtos agroindustriais no Brasil foi responsável por mudanças significativas no setor alimentício. O advento do código do consumidor foi outro fator que tornou as empresas do agronegócio em um novo nível de competição. A compreensão do funcionamento e coordenação das diferentes cadeias produtivas do setor agroalimentar é objeto de estudo em várias partes do mundo atualmente, e a partir do processo de globalização. (Schrader, 1998; Ziggers, 1997). A descrição da estrutura da cadeia produtiva, a partir da origem dos fluxos físicos, a análise de mudanças em seu funcionamento e as implicações sobre o desempenho do sistema, são de grande relevância na busca da sua otimização. No Brasil, apesar da sua importância relativa, a cadeia produtiva de carne bovina (CPB) é pouco coordenada, com desempenho incompatível com as condições de demanda interna e externa. É fato que, o país possui o segundo maior rebanho bovino do mundo, e o agronegócio da carne bovina responde por 47% da produção doméstica de carnes e 3% do Produto Interno Bruto Brasileiro (Anualpec 98, 1998; Bliska e Gonçalves, 1998). De acordo com (WIAZOWSKI, 1999, p. 38).

Não obstante, a CPB comparando-se com o setor avícola aparece de forma que desfavoravelmente com a avicultura empresarial, que se desenvolveu recentemente no país, de forma planejada, localizando-se proximamente das regiões produtoras de grãos e organizando-se verticalmente na forma de parcerias contratuais entre o produtor rural e a agroindústria, aumentando a oferta interna e conquistando posição de destaque nas exportações e no complexo agroindustrial brasileiro.

Outro entrave encontrado pela CPB está na inexistência de padrões de demanda bem definidos, em termos de atributos como o interesse, opinião e comportamento, em relação à qualidade do produto (Cesar et al., 1996), o que leva a problemas de adequação da oferta às preferências do consumidor. Na busca de uma maior eficiência na coordenação da CPB, sistemas de incentivo, visando estimular a produção de novilho precoce (NP - novilho precoce é o animal abatido com até 30 meses de idade e 210 Kg/PV macho ou 180 Kg/PV fêmea, entre outras características zootécnicas) e a formação de alianças estão em implementação em alguns estados da federação.


26

Deve-se quebrar o círculo vicioso no qual "o produtor não investe por não ter retorno, enquanto o consumidor não paga por não saber o que está comprando; o varejo não diferencia o produto por não saber o que recebe do frigorífico que, por sua vez, não remunera o produtor por não avaliar a qualidade das carcaças; e fechado o círculo, sem remuneração diferenciada, os produtores não são estimulados" (EMBRAPA 2 1999, p. 36)

Dessa forma, percebe-se a necessidade de uma maior eficiência de coordenação vertical (CV) da CPB, buscando mecanismos que garantam a rastreabilidade dos produtos e assegurem seu fornecimento nas quantidades e qualidades requeridas pelo consumidor (Favaret Filho, 1998 e Gonçalves, 1998). Segundo Peterson e Wysocki (1997), os mecanismos de CV dividem-se em cinco categorias que são: a) relações spot de mercado; b) relações contratuais; c) alianças estratégicas; d) cooperação formal e; f) integração vertical. Para Peterson e Wysocki (1997) o mecanismo de coordenação adotado varia de um extremo ao outro deste contínuo, em função dos interesses de um indivíduo ou grupo, das características de curto ou longo prazo das relações, do comportamento oportunístico ou divisão de benefícios, da disponibilidade de informações, da flexibilidade x estabilidade e da independência x interdependência. Como afirmado anteriormente, no Brasil a integração via contratos contribuiu para a melhoria da eficiência econômica e competitiva da cadeia de aves. Para a CPB as soluções apontam para a coordenação na forma de alianças estratégicas, referidas também como alianças mercadológicas (Silva e Batalha, 1999). Estas resultam no compromisso dos segmentos de produção (pecuarista), abate/processamento (frigorífico) e distribuição de carne (supermercados, açougues e casas de carne), em ofertar uma carne bovina de qualidade superior (Pires, 1998). Alguns resultados dessa coordenação mostram ganhos de 1% a 6% sobre o valor da arroba para os produtores. A indústria, por sua vez, recebe animais com elevado rendimento industrial, reduzindo custos de produção e os consumidores recebem um produto de melhor qualidade, agregando maior confiabilidade a CPB (Almeida, 1999). Formas de implantação de alianças mercadológicas na CPB são preconizadas no "Programa Nacional da Carne de Qualidade - Novilho Precoce" e no "Programa EMBRAPA de Carne de Qualidade". Entraves a esses tipos de programa encontram-se basicamente na falta de um parâmetro de qualidade que oriente o mercado, o que faz com que a idade do animal não tenha a devida importância; na falta de informação sobre o NP nos segmentos de produção e comercialização; no incentivo fiscal ao NP, que tem estimulado somente a 2

Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias


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produção, não favorecendo o abate e desestimulando os frigoríficos a participarem do programa; e no fato dos frigoríficos credenciados estarem sujeitos a fiscalização mais rigorosa (Bliska et al., 1998). Segundo Lazzarini et al, (1996), os obstáculos ao rápido crescimento da CPB, não se encontram no consumo, produção ou distribuição e sim na desarticulação e falhas de coordenação do setor. Estas observações são corroboradas nos resultados do estudo coordenado por Silva e Batalha (1999). Assim, torna-se relevante modelar a estrutura do agronegócio da carne bovina como forma de se estudar os benefícios potenciais dos mecanismos alternativos de coordenação, principalmente as alianças mercadológicas, na forma dos programas de NP.

2.6 Congresso internacional do boi de capim

No estado Bahia foi realizado evento sobre o boi de capim no período de 07 a 12 de março de 2006. Neste evento foram abordados temas sobre a pecuária brasileira. O Brasil é um dos maiores produtores de carne do mundo, assim como de grãos. De acordo com o Ministro da Agricultura 3 “A função do governo é criar regras para garantir preço, mercado garantindo assim renda e produção para o produtor e não comprar, vender e estocar.” Nos últimos anos o Brasil vem enfrentando uma séria crise aonde os preços vêm despencando e os custos continuam subindo. As exportações vem crescendo de forma sistemática apesar das dificuldades. Para o pecuarista Sebastião Costa Guedes “A maior demanda por carnes aumenta a movimentação de animais, seus produtos e subprodutos” ainda segundo ele o vírus da aftosa no Brasil se distribui mais lentamente devido ao fator vacinação. Afirma ainda que a América do Sul é onde se encontra o maior rebanho bovino do mundo, mas é também quem sofre constantemente com barreiras para a comercialização de seus produtos. Para o Dr. Walter 4 “Os aspectos da sanidade animal no mundo e sua influencia no comercio internacional são os maiores depois do processo de globalização”. O consumo de carne no mundo tem estimativa de até 2010 ter um aumento de aproximadamente 280 bilhões de toneladas de carne, a de carne bovina será de 8 milhões de toneladas.

3 4

Dr.Roberto Rodrigues Ministro da agricultura Pecuária e Abastecimento do Brasil. Doutor medicina veterinária – FAO.


28

Neste congresso foi relatado ainda que o Brasil é o detentor do segundo maior rebanho bovino do mundo perdendo apenas para a Índia, O Brasil é ainda o detentor de maior rebanho comercial, e o primeiro fornecedor de carne bovina, as pastagens brasileiras são as mais produtivas de que as de outros países que comercializam carne bovina. Este fator é possível devido ao fato de que o Brasil possui 30 classes de solos diferentes e diversas condições climáticas o que favorece a produção bovina. A finalidade principal desse congresso vem a ser as informações sobre o rebanho bovino no Brasil, bem como as estimativas de mercado e as possibilidades de melhorias no rebanho brasileiro, com suas peculiaridades e dificuldades frente a um mercado globalizado, as exigências do consumidor internacional e ainda a padronização de produtos para a exportação e qualidade.

2.7As vantagens da inseminação artificial A utilização de recursos e tecnologias que viabiliza a comercialização do nelore no Brasil tem ganhado muito espaço entre os produtores, muitos são os fatores que tem levado os produtores a recorrer as mais variadas tecnologias no setor, entre elas a de maior destaque tem sido a inseminação artificial, pois ela permite muitas vantagens desde a melhoria do rebanho como o preço em investimentos relativamente baixos com relação ao nível de segurança e garantia que o método oferece como: •

O melhoramento genético do rebanho em menor tempo e a um baixo custo, através da utilização de sêmen de reprodutores provados, geneticamente superiores para a produção de leite e carne.

O controle de doenças - pela monta natural, freqüentemente o touro pode transmitir algumas doenças às vacas e vice-versa. o que pelo processo da inseminação artificial não ocorre.

Permite ao criador cruzar suas fêmeas zebuínas com touros de raças européias e viceversa, através da utilização de sêmen desses touros. Sabemos que em muitas regiões touros europeus dificilmente se adaptam ao sistema de monta natural.

Além disso, é fácil entender que muitos acidentes poderiam ocorrer durante a cobertura de uma vaca por um touro pesado.


29

Touros com problemas adquiridos e impossibilitados de efetuarem a monta, em razão de idade avançada, afecções nos cascos, fraturas, aderência de pênis, artroses, etc, poderão ser utilizados na inseminação artificial.

Evita acidentes com pessoal, os quais ocorrem comumente quando se trabalha com animais de temperamento agressivo.

Aumenta o número de descendentes de um reprodutor. Sabe-se que um touro cobre a cada ano, a campo, cerca de 30 vacas. Em regime de monta controlada pode servir a um máximo de 100 fêmeas, a cada ano. Isso significa que considerando ser de 10 anos a vida reprodutiva de um touro, teremos um total de 300 a 1000 filhos por animal, durante sua vida.

Seguro genético - o sêmen desde que industrializado adequadamente e conservado em ótimas condições, não apresenta prazo de validade. Assim, podemos manter a viabilidade reprodutiva do reprodutor por um prazo muito superior ao seu tempo de vida.

Aumenta o número de descendentes de um reprodutor - quando consideramos um doador de sêmen, necessariamente a quantidade de filhos gerados é muitas vezes maior do que se considerarmos um reprodutor que atua em monta natural. Por exemplo, se um reprodutor produzir 500 doses por dia, ele terá feito em um único dia de trabalho, mais filhos do que um reprodutor faria em uma vida inteira de monta natural. A correção de deficiências no rebanho - através do acasalamento genético podemos corrigir várias deficiências do rebanho ao mesmo tempo, com a utilização de diversos touros em um mesmo trabalho de Inseminação Artificial. Desta forma, estaríamos

atuando

sobre

as

características

individuais

de

cada

matriz.

2.8 Investimento necessário para fazer Inseminação Artificial

Aproveitando o exemplo e as informações para o caso da monta natural, considerando a relação de 1 touro para cada 25 fêmeas, seria necessário termos 40 reprodutores para cobrir estas 1.000 fêmeas. Como no mercado, touros provados positivos com DEP's custam, em


30

média, R$ 2.000,00, ser necessário um investimento de R$ 80.000,00 para apenas adquirir os touros, desconsiderando a probabilidade de acidentes e comprometimento no manejo da propriedade.

Veja o exemplo: Número de fêmeas - 1.000 Material Necessário - botijão criogênico para armazenamento do sêmen, aplicador, nitrogênio líquido, bainha, luva, termômetro, pinça, sêmen a R$ 15,00 a dose e 1 inseminador do Insemina Fácil - Programa de Inseminação Artificial (disponibilizado pela Lagoa da Serra). Custo - R$ 24.000,00

Veja os resultados: Uso de touros provados com DEP, ao ano, de + 10 kg Produção a mais por animal: 10 kg 800 filhos - 8.000 kg Em @ - 533,3 @ Rendimento de carcaça 52% - 277,3 @ Valor da @ R$ 60,00 Ganho - R$ 16.640,00

Diminuição da idade de abate - 2 meses Custo cabeça/mês - R$ 10,00 Ganho (economia) por cabeça - R$ 20,00 800 filhos - R$ 16.000,00 (sem contar a precocidade sexual e a fertilidade aumentadas)

Relação Custo/Beneficio da Inseminação Artificial: Custos - R$ 24.000,00 Ganho peso/abate - R$ 16.640,00

Ganho idade/abate - R$ 16.000,00


31

Custo/Beneficio Inseminação Artificial - R$ 8.640,00 (http://www.lagoa.com.br/main_texto.asp?idTexto=6) De acordo com as informações cedidas pela empresa através do site acima mencionado fica claro que o uso da inseminação artificial é uma alternativa segura e viável para

facilitar

e

garantir

a

comercialização

do

nelore

para

seus

produtores.


32

3 METODOLOGIA O estudo foi realizado através de um diagnóstico detalhado e minucioso elaborado para a disciplina de Estágio III do Curso de Administração da Faculdade Independente do Nordeste – FAINOR, em que foram observados vários aspectos e vários dados foram coletados e apurados, através de questionários, entrevistas com produtores e comerciantes da raça nelore de elite.

3.1 Estratégias metodológicas O processo metodológico utilizado foi a pesquisa exploratória, proporcionando a investigação a respeito da qualidade e porte dos animais comercializados na cidade de Vitória da Conquista e região sudoeste da Bahia. A revisão bibliográfica reuniu informações para que o estudo ocorresse proporcionando uma vasta projeção da pesquisa, e também facilitando o processo de análise do trabalho.

3.2 Instrumentos utilizados com o plano de amostragem O instrumento de pesquisa utilizado tem como objetivo investigar quais são fatores que podem proporcionar a maximização da comercialização da raça nelore de elite na cidade de Vitória da Conquista – BA. E como esse fator interfere na qualidade do produto e do serviço na empresa. O questionário está constituído de 15 perguntas, sendo elaboradas questões com uma única resposta de múltipla escolha.

3.3 Trabalho de campo e análise No trabalho de campo foram utilizados questionários aplicados aos pecuaristas, em um total de 10, que corresponde a 80% do total de criadores de nelore elite, no intuito de avaliara influência de um diferencial na qualidade como vantagem competitiva para a comercialização do nelore de elite no município. O estudo de caso é um dos vários modos de realizar uma pesquisa sólida, onde o mesmo foi escolhido por se mostrar mais adequado para a efetivação do alcance da estratégia de investigação que permite conhecer e analisar na íntegra certos detalhes que necessitam ser examinados e elaborados.


33

A pesquisa foi realizada com diversos pecuaristas com o intuito de verificar o que um diferencial baseado na qualidade pode oferecer como vantagem competitiva para a sua empresa.


34

4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Com o presente trabalho pode-se observar que os questionários tiveram importância relevante para o desenvolvimento dessa pesquisa. Contou-se com a colaboração de diversos pecuaristas da cidade de Vitória da Conquista - BA. Os questionários têm por objetivo recolher informações para o desenvolvimento do caso, analisando a importância da atividade agropecuária, bem como as melhorias do rebanho bovino e sua origem no Brasil.


35

4.1 Resultado dos questionários aplicados

Gráfico 1 – Percentual de pecuaristas por sexo

1 Sexo Masculino Feminino

% 90 10

100 90

90

Porcentagem

80 70 60 50 40 30 20 10

10 0 Masculino

Feminino

Fonte: Pesquisa de campo 2006

O gráfico mostra uma realidade que já era previsível, a de que a grande maioria dos pecuaristas é do sexo masculino em 90%. Enquanto que apenas 10% é do sexo feminino. Demonstrando que a atividade pecuária na cidade é predominantemente masculina.


36

Gráfico 2 - Percentual de pecuaristas por faixa etária

Faixa etária Até 25 anos De 26 a 36 De37 a 57 Mais de 58

% 10 20 60 10

70 60 60

Porcentagem

50 40 30 20 20 10

10

10 0 Até 25 anos

De 26 a 36

De37 a 57

Mais de 58

Fonte: Pesquisa de campo 2006

A faixa etária dos pecuaristas é em sua maioria pessoas com idade entre 37 e 57 anos, com uma porcentagem de 60%, com mais de 50 anos com porcentagem de 10%, uma nova leva de pessoas jovens que vem se interessando pela atividade é visível nesse gráfico, com um total de 20% entre os pecuaristas e apenas 10% dos pecuaristas se encontra na faixa etária de 25 anos de idade.


37

Gráfico 3 - Percentual de pecuaristas por nível de escolaridade

Escolaridade

% 20

1º grau completo

60

2º grau completo

20

30 completo

70 60 60

Porcentagem

50 40 30 20

20

20 10 0 1º grau completo

2º grau completo

30 completo

Fonte: Pesquisa de campo 2006

O gráfico acima mostra uma realidade interessante, pois uma porcentagem de 20% dos pecuaristas possui nível superior, enquanto que 60%, a grande maioria tem apenas o segundo grau ainda incompleto, restando apenas 20% com o primeiro grau completo.


38

Gráfico 4 - Percentual de pecuaristas por tempo de trabalho

Tempo de trabalho com seleção de nelore elite Mais de 5 anos Mais de 10 anos Menos de 5 anos Menos de 10 anos

% 50 20 15 15

60 50

Porcentagem

50 40 30 20 20

15

15

Menos de 5 anos

Menos de 10 anos

10 0 Mais de 5 anos Mais de 10 anos

Fonte: Pesquisa de campo 2006

O tempo de atuação na atividade pecuário é relativamente grande, pois 50%, mais precisamente a metade dos pecuaristas estão neste ramo de atividade por mais de cinco anos, enquanto que 20% estão atuando a mais de 10 anos, 15% a menos de cinco anos e 15% a menos de dez anos. Estes dados mostram claramente que a atividade já faz parte do ramo de negócios da região por um tempo considerável, mas que somente nos últimos anos vem ganhando impulso.


39

GrĂĄfico 5 - Percentual de pecuaristas quanto a quantidade de animais

Quantidade de animais existente na propriedade Mais de 500 Mais de 200 Menos de 200 Menos de 500

% 60 10 20 10

70 60

Porcentagem

60 50 40 30 20 20 10

10 10 0 Mais de 500 animais

Mais de 200 animais

Menos de 200 animais

Menos de 500 animais

Fonte: Pesquisa de campo 2006

O rebanho bovino na regiĂŁo ĂŠ de um tamanho considerĂĄvel, pois 60% dos entrevistados afirmaram possuir mais de 500 animais em suas propriedades, enquanto que 10% afirmaram ter menos de 200, outros 10% afirmaram ter menos de 500 e apenas 20% afirmaram ter menos de 200 animais.


40

Gráfico 6 - Percentual de pecuaristas quanto ao método utilizado para a reprodução de animais

Métodos utilizados para a reprodução de animais Fertilização in vitro Inseminação artificial Transferências de embriões Monta natural

% 20 60 10 10

70 60

Porcentagem

60 50 40 30 20 20 10

10

Transferência de embriões

Monta natural

10 0 Fertilização in vitro

Inseminação artificial

Fonte: Pesquisa de campo 2006

Quando questionados sobre a forma de reprodução do rebanho bovino, os produtores afirmaram que: 60% deles costuma fazer inseminação artificial, apenas 20% afirmaram que fazem fertilização in vitro, 10% fazem transferências de embriões e outros 10% afirmaram que fazem mesmo é a monta natural. Com estes dados fica claro que a utilização das novas tecnologias para ampliar o rebanho e garantir a qualidade do mesmo tem sido um fator primordial, para os pecuaristas em questão.


41

Gráfico 7 - Percentual de pecuaristas quanto ao local que as matrizes são adquiridas

Local onde as matrizes são adquiridas Leilões Criadores particulares

90

% 80 20

80

80

Porcentagem

70 60 50 40 30

20

20 10 0 Leilões

Criadores particulares

Fonte: Pesquisa de campo 2006

Uma vez questionados sobre a aquisição das matrizes, os produtores afirmaram que as matrizes dos seus rebanhos são adquiridas em sua maioria de 80% em leilões e apenas 20% são adquiridas com criadores particulares. Esses resultados são de importância relevante, pois mostram a importância dos leilões para a compra e venda de animais de qualidade, esses leilões geralmente são realizados em feiras e eventos pecuários em geral.


42

Gráfico 8 - Percentual de pecuaristas quanto a fonte de recursos

Fontes de recursos para financiar a atividade Recursos próprios Empréstimos em bancos Outros

90

% 80 10 10

80

80 Porcentagem

70 60 50 40 30 20

10

10

Empréstimos bancários

Outros

10 0 Recursos próprios

Fonte: Pesquisa de campo 2006

Com relação aos recursos para financiar a atividade pecuária pelos produtores da região afirmaram que são recursos próprios com um total de 80% dos pecuaristas, 10% dos entrevistados afirmaram que são feitos empréstimos bancários e 10% afirmaram que são outras as fontes para financiar as atividades. Assim se percebe que os recursos próprios são as principais fontes de que os pecuaristas utilizam para dar andamento as suas atividades.


43

Gráfico 9 - Percentual de pecuaristas quanto a disponibilidade de investimentos

Disponibilidade de linhas de crédito para investimentos nesse % segmento Sim 80 Não 10 desconheço 10

90

80

80

Porcentagem

70 60 50 40 30 20

10

10

Não

desconheço

10 0 Sim

Fonte: Pesquisa de campo 2006

Quanto ao conhecimento da disponibilidade de linhas de créditos, a grande maioria de 80% dos entrevistados afirmaram ter conhecimento de sua existência, embora como o gráfico anterior mostrou são poucos os pecuaristas que fazem uso de linhas de crédito para incrementar sua produção. Do total dos entrevistados 10% afirmaram desconhecer e outros 10% afirmaram nunca ter se quer ouvido falar.


44

Gráfico 10 - Percentual de pecuaristas quanto a sua opinião sobre o mercado de vitória da Conquista

Existe mercado em Vitória da Conquista e região sudoeste apto a % absorver esse tipo de produto Sim 40 Absorve apenas parte da produção 60

70 60 60 Porcentagem

50 40 40 30 20 10 0 Sim

Absorve apenas parte da produção

Fonte: Pesquisa de campo 2006

Com relação ao mercado em Vitória da Conquista 60% dos entrevistados afirmaram que a cidade e região têm condições apenas de absorver parte da produção total, mas 40% afirmaram que existe sim mercado potencial para absorver a produção da região. Com os resultados obtidos fica evidente a necessidade de melhorar o nível de comercialização dos animais na região.


45

Gráfico 11 Percentual de pecuaristas quanto aos canais de distribuição

Canais utilizados para a comercialização da produção Exposições Leilões Venda direta

% 20 70 10

80 70 70

Porcentagem

60 50 40 30 20 20 10 10 0 Exposições

Leilões

Venda direta

Fonte: Pesquisa de campo 2006

Uma vez questionados sobre os canais utilizados para comercialização da produção a grande maioria afirmou que utilizam leilões em 70% é o canal mais utilizado, enquanto que 20% utilizam as exposições pelo Brasil e apenas 10% afirmaram ser a venda direta a outros produtores. A importância dos leilões tem se mostrado relevante para os pecuaristas em geral.


46

Gráfico 12 - Percentual de pecuaristas com relação a opinião do valor de venda do produto

Valor de venda considerável pelo produtor Regular Bom Insatisfeito

% 30 50 20

60 50

Porcentagem

50 40 30 30 20 20 10 0 Regular

Bom

Insatisfatório

Fonte: Pesquisa de campo 2006

Os produtores consideram os preços de valor de venda em sua maioria de 50% bom, enquanto que 30% consideram regular e apenas 20% afirmaram que os preços praticados não são satisfatórios. Nesse caso os produtores mostram que o panorama da atividade pode ser considerado bom do ponto de vista deles com relação aos preços.


47

Gráfico 13 - Percentual de pecuaristas com relação ao diferencial existente

Existência de um diferencial com relação aos produtos no % mercado Não 30 Sim 70 Total 100

80 70 70 Porcentagem

60 50 40 30 30 20 10 0 Sim

Não

Fonte: Pesquisa de campo 2006

Os produtores foram questionados sobre a existência de um diferencial em seus produtos. O público foi enfático afirmando em um total de 70% que existe um diferencial para a comercialização dos produtos por eles fornecidos. Enquanto que 30% afirmaram não saberem da existência de um diferencial para a comercialização de seus produtos. Dessa forma, o diferencial tem sido fundamental para a melhoria da comercialização do Nelore Elite, pois de acordo com Poter (1980) ter um diferencial implica em ter uma vantagem competitiva, pois ser diferenciando dos demais produtores abre uma vantagem que pode ser primordial para elevar as vendas de uma empresa.


48

Gráfico 14 - Percentual de pecuaristas quanto as perspectivas de mercado

Perspectiva de mercado para o futuro Ótima Boa Ruim Péssima

% 20 60 10 10

70 60 60 Porcentagem

50 40 30 20 20 10

10

Ruim

Péssima

10 0 Ótima

Boa

Fonte: Pesquisa de campo 2006

Com relação as perspectivas de mercado para os próximos anos 60% dos entrevistados afirmaram que são boas, 20% afirmaram que as expectativas são ótimas, 10% afirmaram ser ruim e outros 10% afirmaram ser péssimas. No contexto geral os produtores se encontram otimistas, pois afirmaram que as expectativas são boas, de acordo com o que vem acontecendo no cenário comercial nacional e internacional. De acordo com Toledo (2005) a popularização do Nelore na Bahia se deu nos anos 90, esse fato pode justificar a presença marcante do animal nos rebanhos baianos.


49

Gráfico 15 - Percentual de pecuaristas com relação a existência de estratégias de marketing

Existência de uma estratégia de marketing sobre o produto Sim Não

90

% 80 20

80

80

Porcentagem

70 60 50 40 30

20

20 10 0 Sim

Não

Fonte: Pesquisa de campo 2006

Quando questionados se existe uma estratégia de marketing sobre o produto, a maioria de 80% dos produtores afirmaram que existe sim uma estratégia de marketing para viabilizar a comercialização dos animais, e apenas 20% afirmaram não existir essa estratégia ou não sentirem que existe uma. De acordo com Kotler & Armstrong (2003) é preciso atender as expectativas do cliente e a estratégia de marketing neste contexto é criar, aprimorar, e manter um forte relacionamento com os clientes e outros interessados para só então desenvolver uma estratégia que atenda a todos os requisitos esperados pelo cliente. Assim a estratégia de marketing que os pecuaristas afirmaram ter faz a diferença na comercialização do Nelore Elite.


50

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS / SUGESTÕES

Neste capítulo são abordadas as conclusões a que se chegou com os resultados da pesquisa realizada junto aos criadores de nelore elite em Vitória da Conquista, com o intuito de diagnosticar fatores determinantes na comercialização do nelore elite na cidade.

5.1 Considerações finais

Com os dados obtidos tabulados e analisados observou-se os seguintes resultados da pesquisa: existe uma estratégia de marketing para a realização de vendas de animais, e ainda que os leilões e feiras são os principais canais para a venda e comercialização do nelore elite pelos criadores. Foi constatado ainda que o rebanho bovino no Brasil é de importância relevante para a economia e que a atividade tem muito ainda para crescer na região de Vitória da Conquista – BA. A hipótese 1 afirma que o melhoramento genético influência de forma positiva na comercialização do Nelore Elite. Esta hipótese foi confirmada, pois os pecuaristas entrevistados afirmaram que existe um programa de melhoramento genético, incluindo tratos como Inseminação artificial e aluguel de barrigas além de fertilização in vitro. O trabalho também levantou a hipótese 2 de que a raça Nelore está presente em todo o território brasileiro. Essa também foi confirmada devido ao fato de que o Zebu trazido da Índia foi o diferencial e está presente em 80% do rebanho bovino do Brasil. Com relação a hipótese 3 que afirma que a cidade de Vitória da Conquista tem potencial para o desenvolvimento de um plantel de Nelore Elite com capacidade para comercialização em escala nacional. Foi confirmada também através dos resultados dos questionários aplicados aos pecuaristas da região. Dessa forma, a implantação de uma estratégia competitiva tem feito a diferença para aprimorar a comercialização do nelore Elite em Vitória da Conquista – BA. Um fator relevante é que os pecuaristas brasileiros são os que mais produzem animais de corte e exportam carne para diversos países do mundo, esse fato ocorre principalmente pelo fato do Brasil ter uma diversidade de solos e clima relativamente grande.


51

Nesse contexto os produtores de nelore elite da região de Vitória da Conquista – BA têm se mostrado otimistas com relação ao mercado de animais desse porte, os meios para comercializar os nelores de elite são geralmente os leilões e feiras agropecuárias. O melhoramento genético freqüentemente vem sendo utilizado para a melhoria do rebanho, e a monta natural foi praticamente eliminada, para reproduzir animais de qualidade e com segurança a transferência de embriões e a inseminação artificial são os meios freqüentemente utilizados pelos produtores para obtenção de animais de qualidade superior. Foi constatado também nessa pesquisa que o melhoramento genético tem sido um relevante diferencial na qualidade dos animais comercializados. Um dado não menos relevante é que o perfil dos produtores de nelore elite na cidade é formado por pessoas em sua maioria que realizam outras atividades, e que a criação dos animais não tem sido a principal fonte de renda desses criadores. Foi constatado ainda que a grande maioria desses produtores estão nessa atividade a mais de cinco anos e menos de dez anos, mostrando que criar animais desse porte tem sido uma alternativa bem sucedida. Ter um animal com histórico genético superior é garantia ao produtor de rendimentos maximizados, esses fatores são temas de seminários e congressos para melhoria do rebanho ao passo que esse venha a atender as necessidades dos clientes que a cada dia tem se tornado ainda mais exigente.

5.2 Sugestões

Como pode ser diagnosticado nessa pesquisa, o criador vem investindo em tecnologia para criar um diferencial entre seus animais visando a maximização do retorno financeiro, fator que pode ser constatado em leilões e feiras em todo o país, mas que pode ainda ser melhorado com uma campanha de marketing mais elaborada, pois com a utilização de um mix de marketing os produtores poderão alcançar seus objetivos com eficiência e eficácia. Portanto o uso de tecnologia vem sendo uma forma sistemática de melhoria do rebanho, mas esse fato ainda não chegou ao conhecimento do público em geral. Esse fator seria interessante ser levado em consideração, uma vez que a grande maioria dos produtores é formada por pessoas que possuem outras atividades comerciais, e a utilização do marketing seria uma forma de chegar mais perto de quem se deseja, uma diferencial ou até mesmo uma vantagem competitiva para os pecuaristas da região.


52

De acordo com levantamento informal foi constatado que muitos dos produtores possuem outra atividade profissional, ou seja para chegar até esses profissionais de outras áreas que se interessam pela produção do Nelore Elite, a utilização de uma estratégia de marketing mais abrangente poderia ser uma atitude de chegar a um número maior de pessoas e ampliar os meios de comercialização do Nelore Elite ba região .


53

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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56

APÊNDICES - A Sr.(a) colaborador (a),preencha por gentileza o questionário abaixo,o qual será utilizado para o desenvolvimento de uma monografia de conclusão de curso (Administração Agroindustrial), na FAINOR - Faculdade Independente do Nordeste com o objetivo de coletar dados junto aos Produtores e pecuarista da cidade de Vitória da Conquista – BA. Para avaliar os fatores determinantes da comercialização do gado nelore elite na cidade e região.

1 Dados de identificação a) sexo: Masc ( )

Fem ( )

d) Idade: Até 25 anos ( ) Entre 26 a 36 ( ) Entre 37 a578 ( ) maior de 58 anos( ) e) Nível de escolaridade ( ) 10 grau completo

( ) 10 grau incompleto ( ) superior completo

( ) 20 grau completo

( ) 20 grau incompleto ( ) superior incompleto

2

A quanto tempo trabalha como pecuarista?

Mais de 5 anos ( ) Menos de cinco anos ( ) mais de dez anos ( ) menos de 10 anos( ) 3

Quantos animais existem em sua fazenda?

Mais de 500 ( ) menos de 500 ( ) mais de 200 ( ) menos de 200 ( ) 4 Quais os métodos mais utilizados para a reprodução dos animais? Fertilização in vitro ( )

inseminação artificial ( )

transferências de embriões ( ) monta

natural ( ) 5 Como é feita a aquisição de matrizes? Leilões ( ) criadores particular ( ) 6 Quais são as fontes dos recursos para financiar a atividade? Recursos próprios( ) empréstimos bancários ( ) outros ( ) 7 Existe disponibilidade de crédito para investimento? Sim ( ) não ( ) 8 Quais são os canais para a comercialização do produto? Leilões ( ) exposições ( ) venda direta ( ) 9 Com relação ao valor do produto você considera: Regular ( ) bom ( ) insatisfatório ( ) 10 Existe um diferencial para a comercialização do produto? Sim ( ) não(

)


57

11Quais as expectativas para o futuro da comercialização? Ótima ( ) boa ( ) ruim ( ) péssima ( ) 12Existe uma estratégia de marketing sobre o produto? Sim ( ) não ( )


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ANEXOS


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Figura 1 - Ex- ministro Pratini de Morais e Sérgio Baleeiro Fonte:Congresso Internacional Boi de Capim, em março de 2006

Figura 2 – Secretario de Agricultura da Bahia e Sérgio Baleeiro Fonte: Congresso Internacional Boi de Capim, em março de 2006


60

Figura 3 – Orestes Prata Presidente da ABCZ e Sérgio Baleeiro Fonte: Congresso Internacional Boi de Capim, em março de 2006

Figura 4 - Recinto de Leilões


61

Figura 5 Sérgio Baleeiro e Roberto Rodrigues Ministro da Agricultura Fonte: Congresso Internacional Boi de Capim, em março de 2006

Figura 6 – Pecuarista Absolon Lacerda Sérgio Baleeiro e João Andrade (Joãozito da Faz. Trindade) Fonte: Congresso Internacional Boi de Capim, em março de 2006.


62

Figura 7 Exemplar de animal campe達o

Figura 8 Exemplar de Nelore Elite


63

Figura 9 Exemplar de Nelore Elite Novilho precoce

Figura 10 Exemplar de Nelore Elite Novilho Precoce


64


M0279  

FATORES DETERMINANTES NA COMERCIALIZAÇÃO DO NELORE ELITE EM VITÓRIA DA CONQUISTA – BA. Vitória da Conquista 2006 1 SÉRGIO FARIAS BALEEIRO Mo...

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