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FACULDADE INDEPENDENTE DO NORDESTE ADMINISTRAÇÃO AGROINDUSTRIAL BEATRIZ GOMES MAGNUS SOARES

HIGIENE E SEGURANÇA DO TRABALHO: UMA PROPOSTA DE IMPLEMENTAÇÃO NA EMPRESA MARINI.

Vitória da Conquista - Ba Dezembro - 2005


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BEATRIZ GOMES MAGNUS SOARES

HIGIENE E SEGURANÇA DO TRABALHO: UMA PROPOSTA DE IMPLEMENTAÇÃO NA EMPRESA MARINI.

Monografia apresentada ao Curso de Administração Agroindustrial da Faculdade Independente do Nordeste, como requisito para obtenção do título de Bacharel em Administração. Orientador: Profª.: Ana Lúcia Pellegrini Pessoa dos Reis

Vitória da Conquista - Ba Dezembro - 2005


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BEATRIZ GOMES MAGNUS SOARES

HIGIENE E SEGURANÇA DO TRABALHO: UMA PROPOSTA DE IMPLEMENTAÇÃO NA EMPRESA MARINI.

Monografia aprovada como requisito parcial para obtenção do título de Graduado, no Curso de Administração Agroindustrial da Faculdade Independente do Nordeste, através de comissão formada pelos professores:

__________________________________________________ Profª. / Orientadora

_________________________________________________ Prof. / Coordenador

Vitória da Conquista - Ba Dezembro – 2005


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Aos meus pais Marinalva e Magnus,ao meu marido Igor e ao meu filho Guilherme.


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AGRADECIMENTOS

A Deus, por ter me concedido o potencial de concretizar mais uma conquista em minha vida. Agradeço a meus pais que tanto me ensinaram e continuam a fazê-lo, pela a amizade e confiança que depositaram em mim. Agradeço a Professora Ana Lúcia por suas observações, empenho e dedicação com que me orientou, tornando possível a realização desta conquista. A meu marido pelo apoio e companhia ao longo da caminhada. Agradeço a minhas colegas e amigas Kelle, Renata e Viviane pelo apoio, pelas contribuições e, principalmente, pela amizade, sem os quais a realização deste se tornaria mais árdua. E a todos os outros não citados, mas nem por isso menos importantes meu muito obrigada.


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RESUMO O avanço tecnológico tem levado as empresas a procurarem cada vez mais desenvolver a sua produção dentro de um processo altamente competitivo e de baixo custo. Atualmente, as metas de produção das empresas submetem os trabalhadores a condições de trabalho cada vez mais precárias, expondo-os a situações insalubres e perigosas. Percebe-se ainda que as condições de trabalho vêm se constituindo, nas últimas décadas, é um dos principais problemas do país, face à elevada ocorrência de acidentes e doenças do trabalho. Por isso é importante entender que a higiene e segurança do trabalho deve ser inserida de modo que as necessidades dos subordinados sejam atendidas com o propósito de conseguir melhor realização das funções dos mesmos, melhores condições de trabalho e conseqüentemente, menos prejuízo para a empresa. O objetivo desta pesquisa é identificar as ações adotadas com relação a higiene e segurança na empresa Marini que poderão servir de base para a implementação de um programa. Esta é uma pesquisa descritiva exploratória realizada na empresa Marini. Palavras-chave: Condições de trabalho; Higiene; Segurança; Acidentes de Trabalho; Gestão de Pessoas.


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ABSTRACT

The progress technological has been taking the companies they seek her/it more and more to develop your production inside highly of a process competitive and low cost. Nowadays, the goals of production of the companies submit the workers more and more to work conditions precarious, exposing them to unhealthy and dangerous situations. It is noticed although the work conditions are constituting if, in the last decades, it is one of the principal problems of the country, face to the high occurrence of accidents and diseases of the work. Therefore it is important to understand that the hygiene and safety of the work should be inserted so that the subordinates' needs are assisted with the purpose of getting better accomplishment of the functions of the same, better work conditions and consequently, less damage for the company. The objective of this research is to identify the actions adopted with relationship the hygiene and safety in the company Marini that can serve as base for the implantation of a program. This is an exploratory descriptive research accomplished in the company Marini. Word-key: Work conditions; Hygiene; Safety; Accidents of Work; Administration of People.


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LISTA DE FIGURAS

Gráfico 1 - Distribuição percentual dos funcionários quanto ao sexo.................. 39 Gráfico 2 -Distribuição percentual dos funcionários quanto a faixa etária........... 40 Gráfico 3 -Distribuição percentual dos funcionários quanto à escolaridade........ 40 Gráfico 4 -Distribuição percentual dos funcionários quanto à função que exerce.40 Gráfico 5 -Prevenção de riscos à saúde (riscos físicos, químicos e biológicos).. 41 Gráfico 6 -Condições ambientais de trabalho quanto à iluminação.................... 42 Gráfico 7 -Condições ambientais de trabalho quanto à temperatura.................. 43 Gráfico 8 -Condições ambientais de trabalho quanto à ruído............................. 44 Gráfico 9 -Distribuição de equipamentos de segurança individual...................... 45 Gráfico 10 -Plano para a prevenção de acidentes.............................................. 46 Gráfico 11 -Plano para a prevenção de incêndios.............................................. 47 Gráfico 12 -Plano para a prevenção de roubos.................................................. 48


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LISTA DE SIGLAS CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes CLT – Consolidação das Leis de Trabalho EPC – Equipamento de Segurança Coletiva EPI – Equipamento de Segurança Individual H&ST – Higiene e Segurança do Trabalho INSS – Instituto Nacional de Seguro Social NR – Norma Regulamentadora PPRA – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais RH – Recursos Humanos SESMT – Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho


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SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO...................................................................................................... 12 2 DELIMITAÇÃO DO OBJETO E HIPÓTESES...................................................... 14 2.1 Problema........................................................................................................ 14 2.2 Objetivos........................................................................................................ 14 2.2.1 Objetivo Geral........................................................................................ 14 2.2.2 Objetivos Específicos............................................................................. 14 3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA............................................................................ 15 3.1 Aspectos Conceituais de Higiene e Segurança do Trabalho................... 16 3.2 Fatores de Risco no Ambiente de Trabalho............................................... 18 3.2.1 Risco Físico............................................................................................ 19 3.2.2 Risco Químico........................................................................................ 20 3.2.3 Risco Biológico...................................................................................... 21 3.2.4 Risco Ergonômico.................................................................................. 21 3.3 Acidente de Trabalho.................................................................................... 22 3.3.1 Causas de acidente de trabalho............................................................ 25 3.3.1.1 Atos inseguros................................................................................ 26 3.3.1.2 Condição insegura.......................................................................... 27 3.4 Medidas de prevenção................................................................................. 27 3.4.1 Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA.......................... 28 3.4.2 Programa de Prevenção de Riscos Ambientais..................................... 28 3.4.3 Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho – SESMT................................................................................. 29 3.4.4 Equipamento de Proteção Coletiva – EPC.............................................. 29 3.4.5 Equipamento de Proteção Individual – EPI............................................. 30 3.4.6 Prevenção contra incêndios.................................................................... 30 3.4.7 Prevenção contra roubos........................................................................ 31


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4 ABORDAGEM E ESTRATÉGIAS METODOLÓGICAS....................................... 32 4.1 Abordagem .................................................................................................. 32 4.2 População.................................................................................................... 32 4.3 Técnicas e Procedimentos da Coleta de Dados....................................... 32 4.4 Análise dos Dados....................................................................................... 32 5 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS.................................................. 34 5.1 Caracterização da Empresa ........................................................................ 34 5.2 Caracterização dos Participantes............................................................... 39 5.3 A Higiene e Segurança do Trabalho na Empresa Marini.......................... 41 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................. 49 6.1 Limitações do Estudo................................................................................... 49 6.2 Recomendações........................................................................................... 50 7 REFERÊNCIAS.................................................................................................... 51 APÊNDICE.............................................................................................................. 52 APÊNDICE 1- Questionário................................................................................... 53


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1 INTRODUÇÃO Com o decorrer dos anos, o processo de trabalho, principalmente nas indústrias, tem sofrido mudanças muito grandes que acabaram por afetar sensivelmente o homem. São crescentes as descobertas e inovações que direta ou indiretamente agregaram perigos na relação homem–tarefa, o número de faltas ao trabalho causadas por doenças e acidentes no trabalho e os seus respectivos custos. A Implementação de um programa de Higiene e Segurança do Trabalho é importante, pois repercute diretamente sobre a continuidade da produção e sobre o moral dos empregados, atingindo não só a área de produção como também os escritórios e depósitos, porque também oferecem riscos cujas implicações afetam toda a empresa. É de muito valor para a empresa que ela implemente um programa de Higiene e Segurança no Trabalho, pois esta acaba tendo um bom retorno e os funcionários trabalham mais satisfeitos. A Higiene e Segurança do Trabalho faz com que a empresa se organize, aumentando a produtividade e a qualidade dos produtos, melhorando as relações humanas no trabalho. Isso faz parte do planejamento, organização, controle e execução do trabalho a serem administradas pelo corpo gerencial, que deve ser realizado

com a participação de todos os

trabalhadores, com o objetivo permanentemente de reduzir a possibilidade de acidentes, doenças e perdas. Higiene e Segurança no Trabalho são imprescindíveis quando o propósito é manter um ambiente de trabalho saudável e produtivo, portanto é de grande relevância em qualquer empresa. Muitas vezes as doenças e os acidentes de trabalho geram prejuízos tanto para o funcionário quanto para a empresa, o estado e a sociedade. Pois a importância de se realizar campanhas de segurança e de montar fortes programas de educação e treinamento para que os trabalhadores não cometam atos inseguros e também para que as organizações criem melhores condições de trabalho. Nesta perspectiva diz que a prevenção é o melhor caminho e é por isso que as empresas devem estar cada vez mais preocupadas com o bem-estar e segurança dos seus funcionários. O trabalho educativo dentro das empresas permite que haja cada vez mais trabalhadores e empresários conscientes da importância da Higiene e Segurança no Trabalho e espera-se com isso a diminuição ou até mesmo a


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eliminação dos acidentes causados no trabalho além de uma criação de um ambiente onde todos estarão satisfeitos, trazendo melhorias tanto para a organização quanto para os funcionários que nela trabalham. O presente trabalho apresenta o levantamento e análise realizada na empresa Marini, principalmente no Setor de Recursos Humanos, tendo seu principal foco direcionado para a Higiene e Segurança no Trabalho. Tem como objetivo a análise das ações praticadas pela empresa referente a este tema, identificando as oportunidades de melhoria, avaliando o grau de satisfação dos funcionários, conscientizando-os e propondo melhorias para futura implantação de um programa de Higiene e Segurança no Trabalho. A pesquisa se fundamenta por meio de documento institucionais semiestruturados, de entrevistas e questionários realizados com os gestores e funcionários da empresa e também observação direta onde foi verificado, principalmente, qual o grau de satisfação dos funcionários com relação às ações adotadas pela empresa referente a Higiene e Segurança no Trabalho. Inicialmente, foi abordado uma retrospectiva do tema e sobre a situação brasileira em relação à Higiene e Segurança do Trabalho seguida de seus aspectos conceituais. e uma breve descrição dos riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômico. Na seqüência, são apresentadas informações sobre acidentes de trabalho, suas causas e medidas de prevenção. Por fim, foram apresentados a caracterização da empresa e os resultados do grau de satisfação dos funcionários em relação as ações praticadas pela empresa quanto a Higiene e Segurança do Trabalho.


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2 DELIMITAÇÃO DO OBJETO E HIPÓTESE 2.1 Problema Que ações praticadas pela Marini são facilitadores para implantação de um programa de Higiene e Segurança do Trabalho?

2.2 Objetivos 2.2.1 Objetivo Geral Identificar as ações adotadas com relação à Higiene e Segurança do Trabalho na Marini que poderão servir de base para a implementação de um programa de H&ST na empresa.

2.2.2 Objetivos Específicos Descrever as ações adotadas pela empresa com relação a Higiene e Segurança do Trabalho; Avaliar o grau de satisfação dos funcionários com relação as ações adotadas pela empresa (quanto a prevenção de acidentes, prevenção de riscos químicos, físicos e biológicos, prevenção contra incêndios e roubos); Propor melhorias no processo de implantação.


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3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A globalização econômica é uma realidade. As condições dessa nova ordem determinam profundas mudanças na vida das populações e principalmente sobre o mundo do trabalho, com reflexos no próprio trabalho, níveis de emprego, meio ambiente, níveis de saúde das populações e dos trabalhadores em particular. Entretanto, as profundas mudanças observadas na organização dos processos de trabalho, visando o aumento da produtividade e redução dos custos geralmente não vêm acompanhadas de melhorias das condições de trabalho. No que se refere à saúde dos trabalhadores, é importante considerar a persistência de antigas formas de produção, e processos artesanais ou mecanizados convivendo com ultrapassadas relações de trabalho: trabalho escravo, trabalho infantil, diversas formas de parceria, trabalho informal etc. Estas antigas formas convivem também com novas tecnologias e empresas globalizadas cujas normas e padrões são inferiores aos das matrizes. A Revolução Industrial acabou com as oficinas que os artesãos mantinham em sua própria casa, trouxe como conseqüência a percepção de que a separação entre o trabalho e a casa é a mais importante divisão do trabalho. Com o advento da economia do conhecimento os empregados passam a querer trabalhar em lugares mais agradáveis (GIL, 2001). Assim, as empresas são desafiadas a investir no ambiente organizacional, tanto para atrair talentos quanto para melhorar a produtividade do trabalho. Mais do que isso, as empresas são desafiadas a implantar programas que envolvem o bem-estar do trabalhador. Do ponto de vista da Administração de Recursos Humanos, a saúde e a segurança dos empregados constituem uma das principais bases para a preservação da força de trabalho adequada. Chiavenato (2002) enfatiza que de modo genérico, higiene e segurança do trabalho constituem duas atividades intimamente relacionadas, no sentido de garantir condições pessoais e materiais de trabalho capazes de manter certo nível de saúde dos empregados. Mesmo diante deste contexto, o Brasil disputa atualmente a dianteira dos países com mais incidência em acidentes no trabalho. As empresas brasileiras, em sua grande maioria, pela baixa importância que dão à saúde e segurança do trabalho, não possuem sistemas de gestão de segurança compatíveis com a complexidade de seus métodos produtivos e, principalmente, com seu potencial de


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riscos. O que existe são programas estanques, dissociados das demais ações do sistema produtivo levando em conta apenas os riscos de trabalho, a legislação pertinente e o perfil da mão-de-obra, com pouca ou nenhuma participação das gerências operacionais e dos trabalhadores. A ausência de segurança nos ambientes de trabalho no Brasil gerou no ano de 2000 um custo de cerca de R$ 23,6 bilhões para o país, equivalente a 2,2% do PIB. Deste total, R$ 5,9 bilhões correspondem a gastos com benefícios acidentários, aposentadorias especiais e reabilitação profissional. O restante da despesa refere-se à assistência à saúde do acidentado, indenizações, retreinamento, reinserção no mercado de trabalho e horas de trabalho perdidas (FUNDACENTRO, 1980). Nos últimos 30 anos houve uma grande evolução dos acidentes fatais no Brasil, esta enorme desproporção reflete no tamanho da população que tem seu trabalho “precarizado” ou “informal”, particularmente importante para o custeio do Seguro contra Acidentes de Trabalho que, por conceito e prática histórica, está baseado na contribuição compulsória de um “empregador” – figura que tende a diminuir de importância neste mundo de crescentemente “precarizado” e “informalizado”, ou de “trabalho sem emprego”. O elevado número de acidentes, em alguns casos se dá

devido ao

desconhecimento ou a falta de um programa/plano de Higiene e Segurança do Trabalho.

3.1 Aspectos Conceituais de Higiene e Segurança do Trabalho A Higiene no Trabalho está relacionada com as condições ambientais de trabalho que asseguram a saúde física e mental e com as condições de bem-estar das pessoas. Do ponto de vista de saúde física, o local de trabalho constitui a área de ação da higiene do trabalho, envolvendo aspectos ligados à exposição do organismo humano a agentes externos como ruído, ar, temperatura, umidade, luminosidade e equipamentos de trabalho. Do ponto de vista de saúde mental, o ambiente de trabalho deve envolver condições psicológicas e sociológicas saudáveis e que atuem positivamente sobre o comportamento das pessoas, evitando impactos emocionais como o estresse.


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Segundo Chiavenato (2002, pg. 431 a 454): A Higiene do Trabalho refere -se ao conjunto de normas e procedimentos que visa à proteção da integridade física e mental do trabalhador, preservando-o dos riscos de saúde inerentes às tarefas do cargo e ao ambiente físico onde são executadas. Segurança do Trabalho é um conjunto de medidas técnicas, educacionais, médicas e psicológicas, empregadas para prevenir acidentes, quer eliminando as condições inseguras do ambiente, quer instruindo ou convencendo as pessoas da implantação de práticas preventivas.

Segurança no trabalho pode ser entendida como o conjunto de medidas que são adotadas visando minimizar os acidentes de trabalho ou pelas condições de trabalho, bem como proteger a integridade e a capacidade de trabalho do trabalhador. A segurança do trabalho focaliza a prevenção de acidentes, de roubos e de incêndios. Na prevenção de acidentes, o órgão de segurança é complementado pela CIPA, que cabe apontar os atos inseguros dos trabalhadores e as condições de insegurança. A prevenção de acidentes procura identificar as causas dos acidentes, a fim de removê-las e evitar que continuem provocando novos acidentes. A prevenção de roubos inclui esquemas de vigilância e de controles internos na empresa. A prevenção de incêndios parte do conceito de triângulo do fogo que permite classificar os tipos de incêndio e os métodos mais eficazes de prevenção e de combate a cada um deles. Já para Marras (2000, pg.199): Higiene e Segurança do Trabalho é a área que responde pela segurança industrial, pela higiene e medicina do trabalho relativamente aos empregados da empresa, atuando tanto na área de prevenção quanto na de correção, em estudos e ações constantes que envolvam acidentes no trabalho e a saúde do trabalhador. A área de Higiene e Segurança do Trabalho responde por uma função extremamente importante no conjunto de responsabilidades que à ARH: a de preservar a vida humana e possibilitar a continuidade do processo de produção com índices de produtividades adequados.

A Higiene e Segurança do Trabalho inclui diversas disciplinas como Introdução à Segurança, Higiene e Medicina no Trabalho, Proteção contra Incêndios, Comunicação e Treinamento, Normas Técnicas, etc. A Segurança no trabalho é definida por normas e leis. No Brasil a Legislação de Segurança do Trabalho compõe-se de Normas Regulamentadoras, outras leis complementares, como portarias e decretos e também as convenções internacionais da Organização Internacional do Trabalhador, ratificadas no Brasil.


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Segundo Redondo (1977, pg. 25): A Higiene e Segurança do Trabalho visam à manutenção do trabalhador no trabalho, através da preservação de sua integridade física; de outro lado, a conservação dos locais de trabalho em condições favoráveis, de ponto de vista de Higiene e Segurança, contribuirá para redução da taxa de absenteísmo e para a diminuição da renovação da mão – de – obra na empresa.

Do ponto de vista de Zocchio (2002, pg. 37): Segurança do trabalho é um conjunto de medidas e ações aplicadas para prevenir acidentes e doenças ocupacionais nas atividades das empresas ou estabelecimentos. Tais medidas e ações são de caráter técnico, educacional , médico, psicológico e motivacional, com o indispensável embasamento de medidas e decisões administrativas favoráveis.

Assim entre as finalidades da Higiene e Segurança no Trabalho, destacamse: •

Eliminação das causas das doenças profissionais;

Eliminação das causas de acidentes no trabalho;

Prevenção de acidentes, roubos, incêndios e de agravamento de doenças e de lesões;

Manutenção da saúde e segurança dos trabalhadores e aumento da produtividade por meio de controle do ambiente de trabalho.

Com um programa bem estruturado estes aspectos podem ser perfeitamente atingidos por intermédio das seguintes providências: •

Pela educação dos operários, chefes, gestores etc., indicando

os

perigos existentes e ensinando como evitá-los; •

Pela manutenção de constante estado de alerta contra os riscos existentes na fábrica; e pelos estudos e observações dos novos processos ou materiais a serem utilizados.

3.2 Fatores de Risco no Ambiente de Trabalho Os locais de trabalho, pela própria natureza da atividade

desenvolvida e

pelas características de organização, relações interpessoais, manipulação ou exposição a agentes físicos, químicos, biológicos, situações de deficiência ergonômica ou riscos de acidentes, podem comprometer a saúde e segurança do


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trabalhador em curto, médio e longo prazo, provocando lesões imediatas, doenças ou a morte, além de prejuízos de ordem legal e patrimonial para a empresa. É importante salientar que a presença de produtos ou agentes nocivos nos locais de trabalho não quer dizer que, obrigatoriamente, existe perigo para a saúde. Isso vai depender da combinação ou inter-relação de diversos fatores, como a concentração e a forma do contaminante no ambiente de trabalho, o nível de toxicidade e o tempo de exposição da pessoa. A preocupação com os riscos de trabalho vem fortalecendo as mudanças dos processos produtivos lesivos à saúde, criando políticas de prevenção que podem ser importante para a saúde do trabalhador. Risco é uma condição que apresenta potencial para causar danos. Esses danos podem ser entendidos como lesões a pessoas, quebras de equipamentos ou estruturas, perda de material em processos ou redução da capacidade de desempenho de uma função predeterminada (SESI, 2005). Os fatores de risco podem ser classificados como físicos, químicos, biológicos e ergonômicos (MINISTÉRIO DO TRABALHO, 2001)

3.2.1 Risco Físico Um ambiente saudável de trabalho deve envolver condições ambientais físicas que atuem positivamente sobre todos os orgãos dos sentidos humanos, como visão, audição, tato, olfato e paladar. Riscos físicos são representados por fatores ou agentes existentes no ambiente de trabalho que podem afetar a saúde dos trabalhadores, tais como ruídos, temperatura, vibrações, radiações, umidade, pressões anormais, ventilação e iluminação (CHIAVENATO, 2002). Neste estudo, serão abordados especificamente os riscos físicos identificados com maior freqüência na indústria de móveis hospitalares Marini, ou seja, ruídos e vibrações. Ruído é considerado um som ou barulho indesejável que incomoda e pode causar no ser humano alterações em todo o organismo, principalmente no aparelho auditivo (SESI, 2005).


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A exposição prolongada a níveis elevados de ruído produz, de certa forma, perda de audição, proporcional ao tempo de exposição. Em outros termos quanto maior o tempo de exposição ao ruído maior o grau de perda de audição. Outro fator que faz parte do risco físico é a vibração que neste caso ocorre devido à movimentação das partes rolantes das máquinas que estão em operação. Sua transmissão ao corpo humano ocorre através do contato direto com a máquina, atingindo partes do corpo como mãos e braços.

3.2.2 Risco Químico A higiene do trabalho considera como riscos químicos as substâncias compostas ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória nas formas de poeira, fumaça, névoa, neblina, gases ou vapores que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo organismo por via cutânea ou por ingestão. O Ministério do Trabalho (2001) ressalta que a principal via de entrada de produtos químicos no organismo é a inalação, pois a área pulmonar de contato é cem vezes maior que a pele exposta. Os riscos químicos sob forma sólida normalmente penetram no organismo através da via respiratória, pois geralmente se encontram em suspensão no ar na forma de partículas diminutas. Porém, não se deve desprezar a possibilidade de penetração no organismo através da via cutânea, como é o caso do inseticida fenol e de uma série de outros compostos fabricados na indústria sob a forma de pó e que apresentam alta solubilidade no suor da pele. Tais compostos, quando manuseados sem vestimentas adequadas de proteção, podem dar origem a intoxicações bastantes graves (FUNDACENTRO, 1980). No caso específico da Marini foi verificada a presença do pó vegetal, encontrado na madeira que é usada na fabricação de alguns móveis hospitalares, impermeabilizantes, como tinta, thiner e vernizes que caem na pele do trabalhador podendo causar lesões dermatológicas.


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3.2.3 Risco Biológico Riscos biológicos estão associados ao contato do homem com vírus, bactérias,

protozoários,

fungos,

parasitas,

bacilos

e

outras

espécies

de

microorganismos (SESI, 2005). O risco principal decorrente dos perigos biológicos é a infecção, que apresenta diferentes sintomas. Na Marini, em função do tipo de matéria-prima principal que é o ferro pode ocorrer, mesmo que raramente, deste estar enferrujado e se o trabalhador não estiver devidamente protegido poderá ser cortado podendo causar um tétano. Entre inúmeras doenças profissionais causadas pelos riscos biológicos, a FUNDACENTRO (1980) relaciona a tuberculose, a brucelose, o tétano, a malária, a febre tifóide, a febre amarela e outras. É evidente que essas doenças só podem ser consideradas profissionais quando causadas diretamente pelas condições de trabalho.

3.2.4 Risco Ergonômico Riscos ergonômicos são aqueles que interferem na relação harmônica entre trabalho e ser humano, podendo provocar danos à saúde do trabalhador por alterações

fisiológicas

no

organismo

e

estado

emocional,

como

também

comprometer a segurança no ambiente de trabalho e a produtividade da empresa. Esses riscos estão ligados à execução de tarefas, à organização e às relações de trabalho, ao esforço físico intenso, levantamento e transporte manual de peso, mobiliário inadequado, posturas incorretas, controle rígido de tempo para produtividade, imposição de ritmos excessivos, jornadas de trabalho prolongadas, monotonia, repetitividade e situações causadoras de estresse (SESI, 2005). Para a ergonomia, existem algumas decisões administrativas que auxiliam na melhoria da organização e do conteúdo do trabalho: •

aumentar o grau de liberdade para a realização da tarefa, reduzindo a fragmentação e a repetição;

permitir maior controle do trabalhador sobre o seu trabalho;

levar em conta que a capacidade produtiva de uma pessoa pode variar, e que essa capacidade é diferente entre um indivíduo e outro;


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estabelecer pausas, quando e onde cabíveis, durante a jornada de trabalho para relaxar, distensionar e permitir a livre movimentação, sem aumento do ritmo ou da carga de trabalho;

enriquecer o conteúdo do trabalho, nas tarefas e locais de atividade, para que a criatividade e a realização profissionais sejam objetivos comuns das empresas e dos trabalhadores;

o mobiliário dos locais de trabalho deve permitir posturas confortáveis, ser adequado às características físicas do trabalhador e à natureza das tarefas, e permitir liberdade de movimentos; e

ferramentas e instrumentos de trabalho devem ser adequados à tarefa e ao seu operador.

A falta de controle de riscos existentes na empresa é um fator que implica para o ocasionamento de acidentes de trabalho.

3.3 Acidente de Trabalho O Ministério da Previdência, na Lei 8.213, de 25 de julho de 1991, art. 19, diz que acidente de trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho. Segundo Carvalho (2004, pg. 314): Pode-se afirmar que o acidente, em termos de administração de RH, é um acontecimento não planejado e não controlado, onde a ação ou reação de um objeto, substância, radiação ou indivíduo, resulta num acidente pessoal ou na sua probabilidade.

Considera-se como acidente de trabalho a doença profissional e a doença do trabalho, sendo que doença profissional é aquela produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar determinada atividade, enquanto doença do trabalho é a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente (SESI, 2005). Equipara-se também ao acidente de trabalho:


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o acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa única, haja contribuído diretamente para a morte do segurado, para a redução ou perda da sua capacidade para o trabalho, ou produzido lesão que exija atenção médica para sua recuperação;

o acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho, em conseqüência de: ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou companheiro de trabalho; ofensa física intencional por motivo de disputa relacionada ao trabalho; ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiro ou de companheiro de trabalho; ato de pessoa privada do uso da razão; e desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos (quedas de raios) ou decorrentes de força maior (enchentes);

a doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício de sua atividade;

o acidente sofrido pelo segurado, ainda que fora do local e horário de trabalho: na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da empresa; na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar prejuízo ou proporcionar proveito; em viagem a serviço da empresa; no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela;

nos períodos destinados à refeição ou ao descanso, ou por ocasião da satisfação de outras necessidades fisiológicas, no local de trabalho ou durante este, o empregado é considerado no exercício do trabalho. Na verdade, todos os acidentes podem ser evitados se providências forem

adotadas com antecedência e de maneira compromissada e responsável. Estudos nacionais e internacionais informam que a maioria dos acidentes e doenças decorrentes do trabalho ocorre, principalmente, por: •

falta de planejamento e gestão gerencial compromissada com o assunto;

descumprimento da legislação;

desconhecimento dos riscos existentes no local de trabalho;

inexistência de orientação, ordem de serviço ou treinamento adequado;

falta de arrumação e limpeza;

inexistência de avisos, ou sinalização sonora ou visual sobre os riscos;

prática de improviso e pressa;

utilização de máquinas e equipamentos ultrapassados ou defeituosos;


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utilização de ferramentas gastas ou inadequadas;

iluminação deficiente ou inexistente;

utilização de escadas, rampas e acessos sem proteção coletiva adequada;

falta de boa ventilação ou exaustão de ar contaminado;

existência de radiação prejudicial à saúde;

utilização de instalações elétricas precárias ou defeituosas;

presença de ruídos, vibrações, calor ou frio excessivos; e

umidade excessiva ou deficitária. Este conceito legal demonstra que as medidas e as campanhas de prevenção

de acidentes não deve atender apenas nos limites físicos da empresa nem limitadas às horas do expediente, pois a empresa arca com as conseqüências de muitos acidentes ocorridos com seus empregados além de suas paredes e de seu horário de trabalho. Segundo o conceito social, o acidente de trabalho só é caracterizado pela lesão corporal, perturbação funcional ou morte de algum empregado; em outras palavras, quando houver vítima. A prevenção de acidentes do trabalho não pode restringir-se a esse conceito, pois o acidente, para fins preventivos, tem de ser encarado em toda extensão de causa e efeito. Todavia, o acidente que causa lesão ou distúrbio funcional em empregados é ainda o mais reconhecido e o mais bem identificado como acidente de trabalho. Após a execução das medidas de primeiros socorros e assistência ao acidentado, toda empresa deverá comunicar a acidente do trabalho à Previdência Social até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob pena de multa variável entre o limite mínimo e o limite do salário de contribuição, sucessivamente aumentada nas reincidências. Em caso de morte, é obrigatória a comunicação à autoridade policial (SESI, 2005). O acidente de trabalho deverá ser caracterizado administrativamente, por meio do setor de benefícios do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), que estabelecerá o nexo entre trabalho exercido e o acidente e tecnicamente, através da perícia médica do INSS, que estabelecerá o nexo de causa e efeito entre o acidente e a lesão (FUNDACENTRO,1980). O acidentado e seus dependentes têm direitos, independentemente de carência. O segurado tem direito ao auxílio-doença, auxílio-acidente o aposentadoria


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por invalidez e o dependente, à pensão por morte. O auxílio-acidente será concedido ao trabalhador após consolidação das lesões decorrentes da doença do trabalho que resultem em seqüela que impliquem a redução da capacidade laborativa, correspondendo a 50% do salário de contribuição do segurado, vigente no dia do diagnóstico da doença do trabalho ou da ocorrência do acidente do trabalho. A aposentadoria por invalidez será concedida se o trabalhador for considerado incapaz para o trabalho e insuscetível de reabilitação e corresponde a 100% de salário de cotribuição do segurado. As ações referentes a prestações por acidente de trabalho podem ser apreciadas na esfera administrativa (INSS) e na vida (Justiça dos Estados), e prescrevem em 5 (cinco) anos, contatos da data do acidente. Por sua vez, o trabalhador segurado que sofreu acidente de trabalho tem garantida, pelo prazo mínimo de 12 (doze) meses, a manutenção do seu contrato de trabalho na empresa, após a cessão do auxílio-doença acidentário (SESI, 2005). Convém observar que o pagamento pela previdência social das prestações por acidente de trabalho não exclui a responsabilidade civil da empresa ou de outrem. Da mesma forma, os responsáveis técnicos podem ser chamados a responder criminalmente pelo dano à integridade física do trabalhador. Os acidentes de trabalho revestem-se de grande importância por diversos fatores, que vão desde o grande número de pessoas expostas até a sua possível gravidade, resultando em incapacidade funcional temporária, permanente ou mesmo na morte do trabalhador. Os acidente de trabalho implicam altos custos sociais como a aposentadoria, às vezes, precoces; indenizações; anos de vida perdidos; perda de familiares, entre outros.

3.3.1 Causas de Acidentes do Trabalho Inúmeros fatores contribuem para a ocorrência de acidente e doenças nos locais de trabalho. Geralmente, adotam-se concepções simples e erradas para aquilo que causou os acidentes, buscando-se, desta forma, o consolo para os infortúnios por meio da alegação de que foi coisa do destino, má sorte, obra do acaso, castigo de Deus. Na verdade, todos os acidentes podem ser evitados se providências forem adotadas com antecedência e de maneira compromissada e responsável (SESI, 2005).


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De acordo com Zocchio (2002, pg. 124) atos inseguros e condições inseguras são os fatores que, combinados ou não, ocasionam os acidentes do trabalho. São as causas direta dos acidentes, pois têm relação causal direta com eles. Essas causas diretas não surgem por acaso nem aleatoriamente, são geradas por um ou mais antecedentes. Pelo exposto, conclui-se que prevenir acidentes do trabalho, em síntese, é corrigir condições inseguras existentes nos locais de trabalho, não permitir que outras sejam criadas e evitar que a pessoas pratiquem atos inseguros.

3.3.1.1 Atos Inseguros Segundo Marras (2002, pg. 211), ato inseguro é aquele provocado pelo trabalhador (um movimento errado, uma atitude impensada, irrefletida, deixar de usar o equipamento de segurança etc.), causando um acidente. É responsável por aproximadamente 90 por cento dos acidentes de trabalho. Os principais motivos que levam um trabalhador a cometer um ato insegura são: excesso de confiança, cansaço, preocupação, falta de experiência e inadaptação ao trabalho. Ato inseguro é a maneira como as pessoas se expõem ao perigo de acidentar-se de forma consciente – quando as pessoas sabem que estão se expondo ao perigo – inconsciente - quando as pessoas desconhecem o perigo a que se expôem – e circunstancial – quando as pessoas ou desconhecer o perigo, mas algo mais forte as leva à pratica da ação insegura, por exemplo, na tentativa de salvar alguém em situação perigosa. Zocchio (2002) indica que os atos inseguros mais conhecidos são comportamentos como ficar junto ou sob cargas suspensas; colocar parte do corpo em lugar perigoso; imprimir excesso de velocidade ou sobrecarga; lubrificar, ajustar e limpar máquinas em movimentos; usar roupas inadequadas ou acessórios desnecessários; manipulação insegura de produtos químicos; fumar ou usar chamas em lugares indevidos; tentativa de ganha tempo; excesso de auto-confiança e exibicionismo; não usar proteções individuais.


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3.3.1.2 Condição Insegura Condições inseguras são as falhas, defeitos, irregularidade técnicas, carência de dispositivos de segurança, que põem em risco a integridade física e/ou saúde das pessoas e a própria segurança das instalações e dos equipamentos (ZOCCHIO, 2002). Segundo Chiavenato (2002), a condição insegura é a condição física ou mecânica existente local, na máquina, no equipamento ou nas instalação (que poderia ter sido protegida ou corrigida) e que a ocorrência do acidente. Zocchio (2002), relata que as condições inseguras mais freqüentes, catalogadas pelos estudos da segurança do trabalho são o arranjo físico deficiente, máquinas, equipamentos e ferramentas inadequadas ou defeituosas, iluminação inadequada do posto de trabalho, instalações elétrica de forma irregulares, e/ou improvisada, falta de proteção coletiva e individual, passagens perigosas, falta ou falha de manutenção.

3.4 Medidas de Prevenção Prevenção de riscos é o que se faz ou se aplica para neutralizar a agressividade dos perigos peculiares ou inerentes às atividades humanas, com o objetivo de previnir acidentes ocupacionais (ZOCCHIO, 2002). Estudar, desenvolver e aplicar medidas para prevenir esses perigos e riscos é o papel preponderante da atividades preventivas de acidentes. Tudo o que se faz nessas atividades converge para um ponto comum: evitar que os perigos – cada um com suas características próprias – causem danos às pessoas e prejuízos à empresa. A Consolidação das Leis de Trabalho – CLT e as Normas Regulamentadoras – NR do ministério do Trabalho, (2001) orientam para importância da implantação do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho – SESMT. O Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA e a Comissão Interna de Prevenção de Acidente – CIPA constituem parte integrante de um conjunto mais amplo de iniciativas da empresa no campo da saúde dos trabalhadores. Estas normas, juntas e articuladas entre si, privilegiam o instrumental


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clínico-epidemiológico na abordagem da relação entre a saúde e o trabalho. Estes aspectos são complementados pelas medidas específicas de proteção ao trabalhador, que consistem em equipamentos de proteção coletiva e individual.

3.4.1 Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA Toda empresa privada ou pública e que tenha mais de 19 funcionários regidos pela CLT é obrigada a constituir uma CIPA com representantes dos trabalhadores e do empregador. As empresas que possuem menos de 19 fucionários também devem eleger um representante, que será responsável pelo cumprimento da NR-5. Entre outras funções, a CIPA tem o dever de observar e relatar as condições de riscos existentes; discutir os acidentes ocorridos, encaminhando ao SESMT e ao empregador o resultado da discussão e solicitar medidas preventivas; orientar os demais trabalhadores quanto à prevenção de acidentes; investigar as causas e circunstâncias dos acidentes e doenças ocupacionais; promover anualmente a SIPAT (Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho) e realizar inspeções de segurança.

3.4.2 Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA (NR – 9) Os empregadores e instituições devem, obrigatoriamente, elaborar e implementar o programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA, visando à preservação da saúde e integridade dos trabalhadores através da antecipação, reconhecimento, avaliação e conseqüente controle da ocorrência de riscos que existam ou venham a existir no ambiente de trabalho, tendo em consideração a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais. Tem como objetivo reduzir, controlar e/ou neutralizar, de forma gradativa e sistemática, os riscos existentes no ambiente de trabalho, além de estar em completa conformidade com a NR – 9, da portaria 3214/78 do Ministério de Trabalho (2003). Procura-se estudar o ambiente de trabalho junto com a descrição do processo operacional a fim de identificar as possíveis operações unitárias e os locais com potencial de exposição crítica. Estuda como os trabalhadores se relacionam com o


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processo industrial e com os agentes presentes neste processo, quais são as atividades executadas por essas pessoas, com qual freqüência e duração e conhecer, com detalhes, as características toxicológicas e as conseqüências de exposição, associada a cada um dos agentes presentes no ambiente de trabalho. O PPRA deverá ser avaliado anualmente com o objetivo de medir sua eficácia, observando se foram cumpridas todas as metas descritas no planejamento anual e se as medidas de controle adotadas realmente eliminaram, neutralizaram ou reduziram os riscos e/ou se houve o aparecimento de novos riscos no ambiente de trabalho.

3.4.3 Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho –SESMT (NR-4) Também o SESMT objetiva proteger a saúde e a integridade do trabalhador no local de trabalho. O SESMT é o formato pelo Médico do Trabalho, Engenheiro do Trabalho, Enfermeiro do Trabalho e Técnico do Trabalho. A NR – 4 da portaria 3.214/78 do Ministério do Trabalho (2003) estabelece a obrigatoriedade da existência da SESMT em todas as empresas privadas e públicas, órgãos públicos da administração direta e indireta e dos poderes Legislação e Judiciário que possuam empregados regidos pela Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT. Para que o funcionamento doas SESMT atinja seus objetivos, é necessário que a política de saúde do trabalhador seja bem definida e garantida pelo apoio da administração e pela conscientização de cada elemento da empresa em todos os níveis hierárquicos. O SESMT é dimensionado dependendo da quantidade de funcionários e grau de risco da empresa. O dimensionamento do SESMT é feito com empresas acima de 50 funcionários.

3.4.4 Equipamento de Proteção Coletiva – EPC Equipamento de Proteção Coletiva – EPC é toda medida ou dispositivo sinal, imagem, som, instrumento ou equipamento destinado à proteção de uma ou mais pessoas e deve ser priorizado em relação às medidas de Proteção Individual – EPI.


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A proteção coletiva apóia-se quase que exclusivamente na área de atuação do trabalhador e nas máquinas que ali funcionam. Caso as medidas coletivas alcancem os resultados esperados, o trabalhador exercerá suas atividades em ambiente agradável, seguro, sem repercussão para sua saúde e sem ter que utilizar equipamentos que geram desconforto e irritabilidade.

3.4.5 Equipamento de Proteção Individual – EPI (NR–6) Não havendo possibilidade de se tornar coletiva a proteção, o uso de proteção individual se faz obrigatório. Equipamento de Proteção Individual – EPI é todo dispositivo de uso individual, destinado à proteção de uma pessoa e deve ser fornecido gratuitamente, ser adequado aos riscos e estar em perfeito estado de conservação. Exemplo de EPI: luvas, óculos, protetor auricular, máscaras e outros.

3.4.6 Prevenção Contra Incêndios (NR-23) A

prevenção

e

o

combate

a

incêndio,

principalmente

quando

equipamentos e instalações valiosas a proteger, exigem um planejamento cuidadoso. Não apenas um conjunto de extintores adequado, dimensionamento do reservatório de água, sistema de detecção e alarme, como o treinamento do pessoal são pontos-chave. O fogo que provoca um incêndio é uma reação química do tipo oxidação exotérmica, ou seja, queima de oxigênio com liberação de calor. Para haver a reação devem estar presentes: combustíveis (sólido, líquido ou gasoso), comburente (geralmente o oxigênio da atmosfera) e catalizador (a temperatura). A Norma Regulamentadora – 23 estabelece os principais requisitos e exigências que as empresas e indústrias deverão atender para a proteção do incêndio: saídas, portas, escadas, rampas de acesso, portas contra fogo, extintores adequados para cada tipo de fogo; extintores sinalizados e desobstruídos; sistema de alarme em locais adequados; saídas suficientes para rápida retirada do pessoal; equipamento suficiente para combater o fogo em seu início; pessoas treinadas para


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a utilização correta dos equipamentos de combate ao fogo; atribuir tarefas de responsabilidades especiais aos empregados.

3.4.7 Prevenção Contra Roubos De modo geral, cada empresa tem seu serviço de vigilância com características próprias. Além disso, as medidas preventivas devem ser revistas com freqüência, para evitar a rotina que chega tornar os planos obsoletos. Um plano de prevenção de roubos geralmente inclui: controle de entrada e saída de pessoal; controle de entrada e saída de veículos; estacionamento fora da área da empresa; ronda pelos terrenos e interior da empresa; registros de máquinas, equipamentos e ferramentas e controles contábeis.


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4 ABORDAGEM E ESTRATÉGIAS METODOLÓGICAS 4.1 Abordagem A pesquisa realizada na empresa foi do tipo descritiva exploratória de natureza qualiquantitativa, para avaliar as ações praticadas pela organização em relação a Higiene e Segurança no Trabalho. O estudo foi desenvolvido em duas etapas: a primeira foi realizado um diagnóstico da organização e na segunda buscou-se identificar as ações adotadas com relação à Higiene e Segurança do Trabalho.

4.2 População A empresa Marini onde foi realizada a pesquisa tem 15 funcionários e considerando o número pequeno de trabalhadores optou-se pela inclusão de todos eles para a realização deste trabalho.

4.3 Técnicas e Procedimentos de Coleta de Dados A coleta de dados foi realizada em duas etapas. Na primeira etapa, foi realizado um diagnóstico para a análise da empresa como um todo, onde foi avaliada a estrutura da empresa e sua caracterização, por meio de observação e avaliação de documentos institucionais. A segunda etapa constituiu-se da aplicação de um questionário voltado para os funcionários, com o objetivo de identificar as ações adotadas com relação à Higiene e Segurança no Trabalho que poderão servir de base para a implementação de um programa na empresa.


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4.4 Análise de Dados Na primeira etapa os dados colhidos foram confrontados com a literatura para a realização do diagnóstico. Após o término da coleta de dados da 2° etapa, fez-se uma triagem dos questionários, em seguida os questionários foram codificados, tabulados e os dados foram dispostos em gráficos, possibilitando maior facilidade na verificação dos resultados. Após a análise dos dados procedeu-se a análise dos resultados e sua discussão.


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5 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Este capítulo tem como principal objetivo apresentar a empresa pesquisada e os principais resultados da pesquisa de campo.

5.1 Caracterização da Empresa O contexto escolhido para a realização da pesquisa foi uma indústria de móveis hospitalares, sediada em Vitória da Conquista. Fundada em 1989, a Marini iniciou suas atividades com a fabricação de Toldos. Quatro anos depois houve uma mudança contratual quando a Marini passou a atuar no ramo de indústria e comércio de toda linha de móveis hospitalares. Isso se deu devido aos sócios na época perceberem a necessidade dessa região ter uma empresa voltada para esse segmento, já que o ramo de toldos estava saturado. A empresa começou num galpão pequeno com apenas dois funcionários trabalhando e uma máquina. Atualmente, ela está situada num prédio de três andares com quinze funcionários que utilizam várias máquinas, algumas de alta tecnologia. Hoje essa empresa é a única na Bahia que atua na área de fabricação de móveis para hospitais, constituindo-se como fornecedor de toda a região Nordeste e Norte de Minas Gerais, tendo seus principais concorrentes situados no Sudeste do Brasil. O objetivo principal da empresa Marini é o de atingir a mais alta qualidade nos seus produtos de maneira a satisfazer cada vez mais os seus clientes e atuar também na fabricação de móveis escolares e para escritórios. Para o futuro, a Marini pretende entrar na área de mesas cirúrgicas elétricas, mecânicas e hidráulicas, devido a demanda do mercado que está cada vez mais exigente. •

Missão: produzir e comercializar móveis hospitalares para consumidores exigentes preocupados com a qualidade dos produtos e bem-estar.

Visão: conquistar o seu espaço no mercado a nível nacional. A empresa está dividida em oito setores: setor Administrativo/ Financeiro

composto de 01 Sócio-gerente e 01 funcionário, setor de Compra e Venda com 01 funcionário, setor de Estoque com 01 funcionário, setor de Embalagem onde 02 funcionários trabalham, setor de Estofamento com 01 funcionário, setor de


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Produção composto de 06 funcionários, setor de Acabamento com 01 funcionário, setor de Pintura com 01 funcionário. Cada setor tem suas atribuições que são: •

Administração/ Financeiro: Organiza a parte burocrática da empresa, administra as contas a pagar e a receber, paga os fornecedores, faz o balanço, renova o preço da tabela e supervisiona os outros setores.

Compra e Venda: Verifica no estoque quais mercadorias precisam ser adquiridas, vende os

produtos fazendo um bom atendimento aos clientes, atende aos clientes, envia os pedidos para o setor de produção, emite notas fiscais e realiza serviços gerais relacionados ao escritório. •

Embalagem: Verifica se as mercadorias estão com algum defeito de fabricação para então poder embalá-las.

Estofamento: Corta as espumas, costura as napas para fazer os estofados e colchões, corta os emborrachados e cola nas escadinhas.

Produção: Corta, dobra e solda os ferros, e por fim monta os produtos.

Acabamento: Lixa os produtos montados e envia para a pintura.

Pintura: Pinta os produtos. A administradora da empresa, na maioria das vezes, desempenha funções

próprias que são: organizar a parte burocrática da empresa, supervisionar os setores, comprar os materiais, negociar com os fornecedores, emitir ordens de pagamentos, etc. Em certas ocasiões ela acaba desempenhando o papel dos subordinados como por exemplo: fazer cotações, registrar pedidos, atender telefone, sendo isso uma situação atípica para que ela não fique sobrecarregada de funções. Os sócios da Marini são irmãos ocorrendo algumas vezes discussões devido a assuntos familiares que são levados para a empresa e também por haver uma


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intimidade maior, embora considerem que isto não afeta diretamente a empresa. A Marini é uma empresa familiar, ou seja, ela é administrada por membros da família. Empresa familiar é aquela em que há envolvimento dos membros da família em uma empresa em funcionamento. Um negócio também se distingue como empresa familiar quando passa de uma geração para outra (LONGENECKER, 1997). A empresa familiar compõe-se de uma família e uma empresa. Embora sejam instituições separadas, são levadas a uma condição de superposição nos negócios. As vantagens de ser uma empresa familiar são: rapidez e agilidade nas decisões, relações mais pessoais, liderança definitiva, poder de decisão e direção firme; embora uma das desvantagens é que a interseção dos elementos da família, gestão e propriedade é influenciada por fortes laços de ordem sentimental, fazendo com que algumas situações tomem proporções devastadoras. Na Marini o relacionamento entre patrão e empregado é aberto, podendo haver sugestões. Por ter funcionários que trabalham nessa empresa desde a sua abertura, o clima entre todos é familiar, até mesmo os funcionários recentemente contratados sentem-se muito bem recepcionados. O controle da empresa está nas mãos da administradora Marinalva Gomes que por sua vez nunca teve problema em relação

a esse fator. Sempre houve muito respeito de ambas as partes. A

empresária sempre soube desempenhar o seu papel e com o tempo vem aprimorando ainda mais. A área de RH sempre marcou presença mais como uma função voltada para as pessoas do que para os negócios, entretanto, a nova filosofia de RH deve ser centrada na análise da organização e não somente de indivíduos. O sistema de RH visa proporcionar à empresa um sentimento de responsabilidade face aos desafios e necessidades da sociedade, minimizando os impactos negativos por ventura existentes na manifestação desses mesmos desafios e necessidades. É de responsabilidade também da área de RH tornar-se um efetivo instrumento de integração organizacional. O sistema de RH visa manter num nível adequado seus procedimentos em função das necessidades efetivas de mão-de-obra plenamente treinada, consciente e responsável. As políticas de RH – cargos e salários, treinamento, avaliação, planejamento de carreira etc. - estão subordinadas à filosofia empresarial e devem ser dotadas da


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necessária flexibilidade, adaptando-se aos objetivos organizacionais (Carvalho, 2004, pg. 09). É na definição e implantação das políticas de RH que se visa, entre outros, os seguintes propósitos: •

Estabelecer programas e incentivos que objetivam a manutenção do funcionário na empresa por mais tempo, diminuindo consideravelmente os custos com administração de empregados;

Proporcionar maior e melhor flexibilização em matéria de recrutar, selecionar, treinar e avaliar o desempenho dos funcionários da empresa;

Adequar a administração de cargos e salários à dinâmica do mercado de trabalho.

A Marini é uma empresa que não possui a área de Recursos Humanos estruturada, portando se encontra ainda na fase contábil. Segundo Marras (2000, pg. 94): A fase contábil caracteriza–se pela preocupação existente com os custos da organização. Os trabalhadores são vistos sob enfoque contábil: compra-se mão-de-obra e as entradas e saídas provenientes dessa conta são registradas contabilmente.

Por outro lado, a empresa pratica ações que a faz ter características da fase tecnicista. De acordo Marras (2000): “ A fase tecnicista foi a que implantou no Brasil o modelo americano de gestão de pessoal e alavancou a função de RH ao status orgânico da gerência. Foi nessa fase que a área de RH passou a operacionalizar serviços como o de treinamento, higiene e segurança no trabalho, benefícios e outros”. Na Marini quem desempenha as funções ligadas a Recursos Humanos são os encarregados do setor administrativo que visa o bem-estar dos funcionários fazendo com que eles se sintam como parte da empresa, caminhando juntos para um só objetivo que é o crescimento da empresa. A maioria dos funcionários da Marini estão trabalhando nesta desde a sua fundação. Vale ressaltar que a empresa atua em um segmento diferenciado e não conta com disponibilidade de mão-de-obra especializada. Devido a este fator, quando a empresa necessita de um novo funcionário, geralmente ele é indicado


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pelos próprios funcionários ou são analisados alguns currículos que são deixados na empresa diariamente. Já a socialização organizacional ou o treinamento, realizado na Marini, é feito por outro funcionário da empresa, que passa as informações necessárias para realizar sua função e o novo funcionário fica em treinamento até se sentir apto a realizar suas atividades sozinho. Durante esse processo ele é acompanhado pelo chefe do setor do qual ele irá trabalhar. A empresa não dispõe de uma estrutura de cargos e salários. Os salários são definidos de acordo com a quantidade de trabalho a ser realizada e sua dificuldade. Segundo informações, os níveis salariais da Marini estão no mesmo patamar do mercado. Os salários são reajustados por ocasião das alterações do governo no salário mínimo ou quando um funcionário passa para um cargo maior. Além do salário a empresa fornece

comissão aos funcionários. Essa comissão é uma

porcentagem do faturamento mensal da empresa e também os prêmios oferecidos pela empresa aos funcionários são em espécie. O pagamento do salário é feito quinzenalmente. Na Marini também não há um processo formalizado e sistemático de avaliação de desempenho, embora os gestores estejam sempre observando o desempenho de cada pessoa no seu cargo, ou seja, o esforço individual dos funcionários. A empresa não possui um programa de H&ST estruturado, mas realiza várias ações relacionadas a esse tema, atuando tanto na área de prevenção quanto na de correção, através de estudos e ações constantes que envolvam acidentes no trabalho e a saúde do trabalhador que são: uma distribuição de equipamentos de segurança individual, extintores de incêndio para cada tipo de fogo, iluminação e ventilação adequada e limpeza no local de trabalho. Por ser uma indústria, com riscos específicos,

a Marini fornece equipamentos de segurança individual para

todos os funcionários e faz uma conscientização sobre os perigos que os trabalhadores estão expostos e a importância de usar os equipamentos de segurança. Também sabem da relevância de manter o local de trabalho limpo e adequado. No último ano não ocorreu nenhum acidente grave de trabalho, apenas pequenas lesões, decorrentes de atos inseguros, por isso a insistência da conscientização dos mesmos.


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As questões de saúde e segurança no trabalho são objetos de atenção contínua nos diversos segmentos industriais, pois as conseqüências apresentadas pelos acidentes e doenças do trabalho afetam tanto aos trabalhadores, a indústria, o governo e a sociedade como um todo. Estas ações, somadas as demais atividades desenvolvidas pela empresa, visam a melhoria da qualidade de vida, que começa no ambiente de trabalho e, extrapola o comportamento humano. Interfere no processo produtivo, na qualidade do produto e na produtividade.

5.2 Caracterização dos Participantes Observa-se que, na Marini, quanto ao sexo prevalece o masculino, 87,0% (gráfico 1). Isso acontece porque a maioria destes operam máquinas perigosas e serviço pesado, sendo priorizado homens na seleção de pessoas para executar a tarefa. Como pode ser visto no gráfico 2, a faixa etária dos funcionários é bem diversificada: 47,0% tem de 20 a 30 anos, 33,0% tem de 31 a 40 anos e a menor percentagem é de acima de 50 anos (20,0%). Verificando o gráfico 3, percebe-se que a maioria dos colaboradores (73,0%), tem apenas o 1° grau completo. 74,0% (gráfico 4) são operários, porque a parte de produção é o setor que requer maior mão-de-obra.

13% Masculino Feminino 87%

Gráfico 01 - Distribuição percentual dos funcionários quanto ao sexo Fonte: Dados da Pesquisa/2005


40

20% 47%

De 20 a 30 anos De 31 a 40 anos Acima de 40 anos

33%

Gráfico 02 – Distribuição percentual dos funcionários quanto à faixa etária Fonte: Dados da Pesquisa/2005

20%

7% 1° grau completo 2° grau compleo 73%

3° grau completo

Gráfico 03 – Distribuição percentual dos funcionários quanto à escolaridade Fonte: Dados da Pesquisa/2005

13% 13%

Escrituário Chefe de Setor

74%

Operário

Gráfico 04 – Distribuição percentual dos funcionários quanto à função que exerce Fonte: Dados da Pesquisa/2005


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5.3 Higiene e Segurança do Trabalho na Empresa Marini

7% 0% 7%

86%

1 – Muito Satisfeito 2 –Insatisfeito 3 – Indiferente 4 – Satisfeito 5 – Muito Satisfeito

Gráfico 5 - Prevenção de riscos à saúde (riscos químicos, físicos e biológicos) Fonte: Dados da Pesquisa/2005

A pesquisa mostrou que a grande maioria dos funcionários (86,0%) encontram-se satisfeitos com as ações da empresa relativos a prevenção de riscos a saúde (físicos, químicos e biológicos) e 7,0% estão muito insatisfeitos. No entanto, 7,0% dos entrevistados manifestaram-se indiferentes. Do ponto de vista de Zocchio (2002) “prevenção de riscos é o que se faz ou se aplica para neutralizar a agressividade dos perigos peculiares ou inerentes à atividade humanas, com o objetivo de prevenir acidentes ou doenças”. Verifica-se que a prevenção de riscos é importante porque os funcionários trabalham satisfeitos, visto que a empresa acaba tendo um bom retorno, não tendo prejuízos em relação a falta de cuidados inerentes a saúde dos funcionários, além de contribuir para a qualidade de vida do trabalhador.


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13%

0%

13% 13%

61%

1 – Muito Satisfeito 2 –Insatisfeito 3 – Indiferente 4 – Satisfeito 5 – Muito Satisfeito

Gráfico 6 - Condições ambientais de trabalho quanto à iluminação Fonte: Dados da pesquisa/2005

Ao investigar os trabalhadores em relação às condições ambientais

de

trabalho, especificamente quanto a iluminação, 61,0% estão satisfeitos e 13,0% muito satisfeitos. Entendem que para um bom desempenho de suas atividades é preciso que haja iluminação adequada para realização das suas tarefas, influenciado assim na qualidade do produto. Em contrapartida, 13,0% estão indiferentes. Avaliam que este aspecto não interfere na produtividade do trabalho. Porém, os insatisfeitos (13,0%) discordam e acham que a empresa poderia melhorar a iluminação no ambiente de trabalho. Sob o prisma de Chiavenato (2002) iluminação refere-se a quantidade de luminosidade que incide no local de trabalho do empregado. A má iluminação causa fadiga à vista, prejudica o sistema nervoso, concorre para a má qualidade do trabalho, e é responsável por razoável parcela de acidente.


43

20%

0%

27%

53%

1 – Muito Satisfeito 2 –Insatisfeito 3 – Indiferente 4 – Satisfeito 5 – Muito Satisfeito

Gráfico 7 - Condições ambientais quanto à temperatura Fonte: Dados da pesquisa/2005

Ao perguntar aos funcionários a respeito das condições ambientais de trabalho quanto à temperatura, 53,0% deles se mostraram insatisfeitos. Foi observado que a empresa dispõem de um espaço considerado não tão grande quanto deveria. Devido a isso o calor excessivo incomoda os funcionários. Ainda que apresente esta condição 20,0% estão satisfeitos e 27,0% se colocaram como indiferentes a este aspecto. Para Zocchio (2002) o calor causa inúmeros fatores desagradáveis no ambiente de trabalho. Para efeito de conforto pessoal, a temperatura incômoda pode ser atenuada, em muitos casos, até níveis compatíveis com a resistência humana. Visto isso conclui-se que a temperatura influencia no trabalho dos funcionários podendo prejudicar tanto eles quanto a empresa.


44

0% 33%

40%

27%

1 – Muito Satisfeito 2 –Insatisfeito 3 – Indiferente 4 – Satisfeito 5 – Muito Satisfeito

Gráfico 8 – Condições ambientais de trabalho quanto à ruído Fonte: Dados da pesquisa/2005

De acordo a pesquisa, os funcionários se mostraram bastante divididos, quando questionados sobre as condições ambientais de trabalho relativos à ruído, 40,0% destes estão satisfeitos, 33,0% insatisfeitos e 27,0% indiferentes. Ruído é considerado um som ou barulho indesejável que incomoda e pode causar no ser humano alterações em todo o organismo, principalmente no aparelho auditivo. A exposição prolongada a níveis elevados de ruído produz, de certa forma perda de audição, proporcional ao tempo de exposição (SESI, 2005). Na Marini foram encontrados diversos fatores que contribuem para a presença do ruído como a alta rotação dos motores, corte das peças, deslocamento das matérias-primas, como também o espaço pequeno da produção para o número de máquinas instaladas. Com base no SESI (2005) o ideal é que os funcionários estejam satisfeitos e se protejam utilizando EPIs e que não haja descuido na manutenção das máquinas, pois os maiores prejudicados são os trabalhadores.


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0% 47% 53%

1 – Muito Satisfeito 2 –Insatisfeito 3 – Indiferente 4 – Satisfeito 5 – Muito Satisfeito

Gráfico 9 – Distribuição de equipamento de segurança individual Fonte: Dados da pesquisa/2005

A respeito da distribuição de equipamento de proteção individual os resultados apontam indicadores positivos, já que 53,0% estão muito satisfeitos e 47,0% satisfeitos. O Serviço Social da Indústria – SESI (2005) diz que equipamento de proteção individual é todo dispositivo de uso individual destinado à proteção de uma pessoa. Zocchio (2002) ressalta que a função do EPI é neutralizar ou atenuar a ação do agente agressivo contra o corpo da pessoa que o usa. Sua distribuição deve ser gratuita, ser adequados aos riscos e estar em perfeito estado de conservação. Isso acontece na Marini, mas o mais importante é que os funcionários se conscientizem de utilizá-los, pois estão expostos ao perigo constantemente.


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20%

0%

20%

13% 47%

1 – Muito Satisfeito 2 –Insatisfeito 3 – Indiferente 4 – Satisfeito 5 – Muito Satisfeito

Gráfico 10 – Plano para prevenção de acidentes Fonte: Dados da pesquisa/2005

No que se refere ao plano para prevenção de acidentes os funcionários demonstraram estar bastante divididos: quase a metade dos trabalhadores (47,0%) estão satisfeitos e 20,0% muito satisfeitos. Em contrapartida 20,0% se mostraram insatisfeitos e 13,0% indiferentes. Chiavenato (1999) define acidente como ato imprevisto e perfeitamente evitável na maioria dos casos. A prevenção busca minimizar os acidentes. A pesquisa mostrou satisfação dos funcionários indicando que a empresa segue um plano de prevenção de acidentes ou pratica ações relacionadas a este item.


47

0%

60%

20%

20%

1 – Muito Satisfeito 2 –Insatisfeito 3 – Indiferente 4 – Satisfeito 5 – Muito Satisfeito

Gráfico 11 - Plano para prevenção de incêndios Fonte : Dados da pesquisa/2005

Os dados revelam que 60,0% dos entrevistados estão satisfeitos com as ações adotadas pela empresa quanto a prevenção de acidentes, 20,0% estão insatisfeitos e 20,0% indiferentes. A Norma Regulamentadora – 23 estabelece os principais requisitos e exigências que as empresas e indústrias deveram atender para a prevenção de incêndios: saídas, portas, escadas, rampas de acesso, extintores adequados a cada tipo de fogo, extintores sinalizadores e desobstruídos, sistema de alarme em locais adequados, pessoas treinadas para a utilização correta dos equipamentos de combate ao fogo, atribuir tarefas de responsabilidades especiais aos empregados. Foi observado que a empresa não dispõe de todos esses requisitos citados, mas os existentes estão deixando a maioria dos colaboradores satisfeitos, porém a existência de trabalhadores insatisfeitos demonstra que o plano de prevenção de acidentes da empresa deve ser melhorado, visto que nesta foi encontrada instalações inadequadas e líquidos inflamáveis.


48

7% 0%

20%

73%

1 – Muito Satisfeito 2 –Insatisfeito 3 – Indiferente 4 – Satisfeito 5 – Muito Satisfeito

Gráfico 12 – Plano para prevenção de roubos Fonte: Dados da pesquisa./2005

No que se refere ao plano de prevenção de roubos, a grande maioria dos funcionários, 73,0%, estão satisfeitos e 7,0% muito satisfeitos. Apenas 20,0% se mostraram indiferentes. Sobre o ponto de vista de Chiavenato (2000) “cada organização tem seu serviço de vigilância com características próprias. Um plano de prevenção de roubos, geralmente inclui controle de entradas e saídas de pessoal e veículos, registro de máquinas, equipamentos e ferramentas, controles contábeis, dentre outros. A Marini possui um plano próprio de prevenção de roubos, atendendo alguns desses itens, com o objetivo de proteger não só o seu patrimônio como também os seus colaboradores. Com base nesses resultados percebe-se que a Marini possui ações relacionadas com HS&T e conseqüentemente um ambiente favorável para implementar um programa de HS&T.


49

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este capítulo apresenta os comentários finais deste estudo, com base na fundamentação teórica desenvolvida no trabalho, em harmonia com os resultados apresentados. A Higiene e Segurança do Trabalho tem como objetivo a manutenção da saúde e segurança dos trabalhadores visando o bem-estar e aumento da produtividade por meio de controle do ambiente de trabalho. O foco principal dessa pesquisa foi mostrar que a partir da avaliação dos trabalhadores da Marini, o grau de satisfação dos funcionários com relação às ações adotadas pela empresa, quais são as ações e, partir daí, gerenciar essas informações. A abordagem de Higiene e Segurança do Trabalho é uma questão importante para a empresa pesquisada, que deve buscar conciliar interesses dos trabalhadores e da empresa. Entretanto, embora a empresa não disponibilize de uma estrutura de Recursos Humanos definida, a organização deve procurar desenvolver ações voltadas para este item. Através dos questionamentos feitos aos funcionários, constatou-se que a maioria destes estão satisfeitos com as ações adotadas pela empresa, porém grande número dos funcionários se mostraram indiferentes, ou seja, não tem uma opinião formada ou não tem conhecimento sobre o assunto. Mesmo a empresa desenvolvendo aspectos relacionados a H&ST, verifica-se que esta deixa a desejar em alguns aspectos. Conclui-se que é de suma importância a empresa fazer com que os funcionários se sintam seguros e se conscientizem dos perigos que correm.

6.1 Limitações do Estudo

Apesar do presente estudo permitir conhecer o grau de satisfação dos funcionários em relação às ações adotadas pela empresa quanto a H&ST, apresenta limites: • A falta de conhecimentos sobre o assunto dos funcionários sobre

aspectos relativos a H&ST.


50

• Não aprofundar em questões e não incluir outros aspectos relativos a

HS&T. • O tratamento estatístico realizado, focado apenas em distribuição

percentual.

6.2 Recomendações

A Higiene e Segurança do Trabalho é muito importante para acabar com os agentes perigosos e manter a integridade física e a saúde dos funcionários. Contudo, diante do trabalho realizado na Marini, recomenda-se que: •

Seja criado um setor específico de Recursos Humanos, para servir de apoio aos trabalhadores;

Realizar treinamento dos funcionários sobre H&ST, para que possam desenvolver comportamentos preventivos;

Proporcionar aos trabalhadores melhores condições de trabalho;

Desenvolver novos estudos para aprofundar em questões e incluir outros aspectos relativos a HS&T.

Essas melhorias devem ser implementadas em consonância a um programa de melhoria da Qualidade de Vida no Trabalho.


51

7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CARVALHO, Antônio Vieira; NASCIMENTO, Luiz Paulo. Administração de recursos humanos. São Paulo: Pioneira Thompson Learning, 2004. CHIAVENATO, Idalberto. Recursos humanos. Edição Compactada. 7º Edição. São Paulo: Atlas, 2002. CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro: Campus, 1999. FUNDACENTRO. Manual de assistência técnica à pequena empresa. 2° Edição. São Paulo, 1980. GIL, Antônio Carlos. Gestão de pessoas: enfoque nos papéis profissionais. São Paulo: Atlas, 2001. LONGENECKER, Justin G.; MOORE, Carlos W.; PETTY, J. William. Administração de Pequenas Empresas. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 1997. MARRAS, Jean Pierre. Administração de recursos de humanos: do operacional ao estratégico. 3º Edição. São Paulo: Atlas, 2000. MINISTÉRIO DO TRABALHO. Normas Reguladoras (NR) aprovadas pela portaria de n° 3.214, de 8 de junho de 1978. PIZZA, Fábio de Toledo. Informações básicas sobre saúde e segurança no trabalho. São Paulo: CIPA, 1997. REDONDO, Silas Fonseca. Manual de relações industriais. 2° Edição. São Paulo: Pioneira, 1977. SERRA NEGRA, Carlos Alberto. Manual de trabalhos monográficos de graduação, especialização, mestrado e doutorado. 2° Edição. São Paulo: Atlas, 2004. SESI. Dicas de prevenção e acidentes de trabalho: SESI-SEBRAE saúde e segurança do trabalho: micro e pequenas empresas. Brasília: SESI-DN, 2005. ZOCCHIO, Álvaro. Prática de prevenção de acidentes: ABC da segurança do trabalho. 7° Edição. São Paulo: Atlas, 2002.


52

APÊNDICE


53

QUESTIONÁRIO Este questionário tem a finalidade avaliar o grau de satisfação dos funcionários com relação às ações adotadas pela empresa Marini referente à Higiene e Segurança do Trabalho.

Dados de identificação: 1- Sexo: F ( ) M ( ) 2- Faixa etária: ( ) de 20 a 30 anos anos 3- Escolaridade: ( ) 1° grau completo ( ) 3° grau completo 4- Função que exerce: ( ) escriturário

( ) de 31 a 40 anos

(

) acima de 40

( ) 2° grau completo ( ) chefe de setor

( ) operário

Atribua apenas uma opção para cada pergunta ( ( ( ( (

1 2 3 4 5

) ) ) ) )

Muito insatisfeito Insatisfeito Indiferente Satisfeito Muito satisfeito

BLOCO 1 POSICIONAMENTO PESSOAL SOBRE HIGIENE NO TRABALHO Variável

Nível

1

Prevenção de riscos à saúde (riscos químicos, físicos e biológicos)

1

2

3 4 5

2

Condições ambientais de trabalho quanto a iluminação

1

2

3 4 5

3

Condições ambientais de trabalho quanto a temperatura

1

2

3 4 5

4

Condições ambientais de trabalho quanto a ruído

1

2

3 4 5


54

BLOCO 2 POSICIONAMENTO PESSOAL SOBRE SEGURANÇA NO TRABALHO

Variável

Nível

1

Distribuição de equipamentos de segurança individual

1

2

3 4 5

2

Plano para a prevenção de acidentes

1

2

3 4 5

3

Plano para a prevenção de incêndios

1

2

3 4 5

4

Plano para a prevenção de roubos

1

2

3 4 5


M0158  

BEATRIZ GOMES MAGNUS SOARES FACULDADE INDEPENDENTE DO NORDESTE ADMINISTRAÇÃO AGROINDUSTRIAL Vitória da Conquista - Ba Dezembro - 2005 BEATRI...

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