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FACULDADE INDEPENDENTE DO NORDESTE – FAINOR

CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS

ELAINE CRISTINA SILVA NOVAIS

CONTROLE INTERNO COMO FERRAMENTA DE GESTÃO EM EMPRESAS DE PEQUENO PORTE NO SETOR FINANCEIRO

VITÓRIA DA CONQUISTA – BA 2013


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ELAINE CRISTINA SILVA NOVAIS

CONTROLE INTERNO COMO FERRAMENTA DE GESTÃO EM EMPRESAS DE PEQUENO PORTE NO SETOR FINANCEIRO

Artigo científico para integralização do tema Controle Interno como ferramenta de gestão em empresas de pequeno porte no setor financeiro disciplina: TCC, apresentado para FAINOR Faculdade Independente do Nordeste, no Curso de Ciências Contábeis. Orientação: Prof. Romar Souza Barros

VITÓRIA DA CONQUISTA – BA 2013


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ELAINE CRISTINA SILVA NOVAIS

CONTROLE INTERNO COMO FERRAMENTA DE GESTÃO EM EMPRESAS DE PEQUENO PORTE NO SETOR FINANCEIRO

Aprovado em ___/___/____

BANCA EXAMINADORA / COMISSÃO AVALIADORA

_____________________________________________ Nome do 1º componente: Romar Souza Barros FAINOR

____________________________________________ Nome do 2° componente FAINOR

______________________________________________ Nome do 3° componente FAINOR


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CONTROLE INTERNO COMO FERRAMENTA DE GESTÃO EM EMPRESA DE PEQUENO PORTE NO SETOR FINANCEIRO

Elaine Cristina Silva Novais1 2 Luciana Reis

RESUMO O presente artigo aborda um tema de grande relevância, a importância do controle interno como ferramenta de gestão em empresas de pequeno? Com o acirramento do mercado e a agilidade em que as informações são geradas torna-se importante o aperfeiçoamento e gerenciamento dos processos. O sistema de controle interno é essencial para assegurar a fidedignidade e integridade dos registros, bem como fornecer relatórios contábeis, financeiros e operacionais eficientes para o suporte nas rotinas desenvolvidas diariamente e para a apropriada tomada de decisões. O objetivo deste artigo consiste em analisar como a gestão do controle interno pode contribuir para o avanço dos processos desenvolvidos em uma empresa de pequeno porte. Procurou-se demonstrar por meio de estudo sistematizado de pesquisa bibliográfica, a importância desse controle interno por meio de procedimentos que possibilitam a origem dessas informações necessárias para aprimorar e controlar a administração da empresa garantindo eficácia e eficiência operacional. Palavras-chave: Controle interno, gestão, empresa pequeno porte. ABSTRACT This article discusses a topic of great relevance, the importance of internal control as a management tool for small businesses. Due to the competitive market and agility in information generation, becomes important improvement and process management. The internal control system is essential to ensure the reliability and integrity of the records, as well as providing accounting, financial and operational support for efficient routines developed daily and for appropriate decision making. The purpose of this article is analyze how the management of internal control can contribute to the advancement of processes developed in a small company. Tried to demonstrate through systematic study of literature, the importance of internal control through procedures that enable create the information necessary to improve and control the management of the company ensuring operational effectiveness and efficiency. Keywords: Internal control, management, small business.

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Graduanda do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Independente do Nordeste – FAINOR, Vitória da Conquista, Bahia, Brasil., 2013. 2 Orientadora


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1 INTRODUÇÃO

O controle interno é uma ferramenta indispensável no meio empresarial para salvaguardar os ativos da empresa e assegurar que tenha um desempenho satisfatório. Esses controles trazem uma grande segurança para os administradores e até mesmo para os auditores internos da organização que tem como objetivo gerar informações claras e precisas para a tomada de decisões, além de minimizar erros, fraudes, falhas e conluio, etc. Diante da grande evolução do sistema de tecnologia da informação, vimos que a maior parte das empresas adéqua a essas tecnologias para facilitar cada fez mais o controle dos seus ativos, e diante desse contexto, não basta ter um bom sistema de controle interno sem ter pessoas treinadas e competentes para executálos ou terem pessoas competentes sem um sofisticado sistema de controle interno. Para Attie (2011, p. 191), A importância do controle interno fica patente a partir do momento em que se torna impossível conceber uma empresa que não disponha de controles que possam garantir a continuidade do fluxo de operações e informações proposto.

As Empresas respaldadas pelo controle interno - necessitam tomar decisões seguras, com base em informações que permitam avaliar, principalmente a capacidade produtiva dos empreendimentos. Considerando neste sentido o papel gestor na orientação das empresas, com a finalidade de fornecer informações sobre as mutações que ocorrem com o patrimônio das organizações. Entretanto, muitos autores consideram a Ciência Contábil como mero instrumento de informação, quando na verdade todas as áreas do conhecimento geram informações. Nesta perspectiva, o presente estudo tem por objetivo identificar como o controle interno funciona como ferramenta de gestão em empresas de pequeno porte. O artigo foi desenvolvido por meio de pesquisa bibliográfica. Segundo Silva (2003, p.43), pesquisa bibliográfica como o “estudo sistematizado desenvolvido com base em material publicado em livros, revistas, jornais, redes eletrônicas, isto é, material acessível ao público em geral”. Tendo notado a importância e a contribuição do controle interno para as empresas de pequeno porte, para se obter um bom


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processo de gestão é preciso um excelente gerenciamento das informações, caracterizando como uma pesquisa de caráter qualitativo com o foco voltado, identificar como o controle interno funciona como ferramenta de gestão em empresas de pequeno porte no setor financeiro.

2 CONTROLE INTERNO

2.1 CONCEITO

A palavra controle surgiu do francês controle, que sempre esteve ligada às finanças e consiste em averiguar se as atividades efetivas estão de acordo com as atividades e projetos originais. Para Stickney e Weil (2001, p. 27): O vocábulo controle tem origem no latim rotulum, que designava a relação dos contribuintes. Era a partir dessa lista que se contratava a operação do cobrador de impostos. Incorporando em definitivo pelos diversos idiomas, o vocábulo controle tem sentido amplo, podendo significar dominação (hierarquia\subordinação), direção (comando), limitação (proibição), vigilância (fiscalização continua), verificação (exame), registro (identificação).

O controle interno pode ser definido como um conjunto de processos desempenhados pela administração da empresa, que tem por objetivo a comparação de dados, a averiguação da eficácia dos sistemas implantados na empresa de forma a proteger o patrimônio de possíveis desvios ou fraudes, erros resguardando assim os interesses dos sócios, diretores e administradores, objetivando o alcance de metas. Para Oliveira (2005, p. 82) o controle interno é composto pelos planos de organização: E pela coordenação dos métodos e medidas implantados pela empresa para proteger seu patrimônio, seus recursos líquidos e operacionais, por meio de atividades de fiscalização e verificação da fidedignidade dos administradores e da exatidão dos processos de manipulação de dados contábeis, promovendo, desta forma, a eficiência operacional e a adesão às políticas e estratégicas traçadas pela alta gestão.

Controles internos são procedimentos operacionais usados para auxiliar a administração a garantir o alcance de seus objetivos. Esses controles permitem que os departamentos de uma organização operem dentro das normas legais e de


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acordo com o planejamento estratégico da entidade, são ferramentas gerenciais utilizadas pelos gestores e servirão como instrumentos de informações para as tomadas de decisões. Para Crepaldi (2012, p. 204), controles internos são “os procedimentos, métodos ou rotinas cujos objetivos são proteger os ativos, produzir dos dados contábeis confiantes e ajudar a administração na condução ordenada dos negócios da empresa”. Entende-se por controle interno todos os processos e rotinas, de natureza administrativa ou contábil, destinados a fazer com que na empresa os colaboradores respeitem as políticas traçadas pela administração, que os ativos tenham sua integridade protegida, e as operações sejam adequadamente registradas, em sua totalidade, nos registros contábeis e fidedignamente retratadas pelas demonstrações financeiras. Para entender o real objetivo de controle interno é necessário que seja feita a distinção entre planejamento e controle, o que permitirá examinar o processo de gestão como um ciclo de atividades, em que é controlado o que se executou de acordo com determinado plano, comparando também o desempenho real com o que foi planejado para identificar se o mesmo deve ser modificado de acordo com determinado plano. Attie (2009, p.189) faz à seguinte afirmação, “o controle interno compreende todos os meios planejados numa empresa para dirigir, restringir, governar e conferir suas várias atividades com o propósito de fazer cumprir seus objetivos”. 2.2 A IMPORTÂNCIA DO CONTROLE INTERNO O Controle interno tende a favorecer o processo de gestão nas empresas e uma dessas ajudas é a prevenção de fraudes, erros, irregularidades, mas não unicamente, pois é uma ferramenta de planejamento além de corrigir falhas também as previne, assegurando que os objetivos da empresa sejam alcançados. Para Attie (2009, p. 193), “o controle interno é parte integrante de cada segmento da organização e cada procedimento corresponde a uma parte do conjunto do controle interno”. Segundo Barros (2010, p.63) temos a seguinte definição:


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Controles internos é um processo operado pelo conselho de administração, pela administração e outras pessoas, desenhado para fornecer segurança razoável quanto à consecução de objetivos nas seguintes categorias: a) confiabilidade de informações financeiras; b) obediência (compliance) às leis e regulamentos aplicáveis; eficácia e eficiência de operações.

Diante desses conceitos, pode-se evidenciar que o controle interno envolve todas as rotinas e atividades, de natureza administrativa e contábil, com a intenção de preparar a empresa para que desde os colaboradores até a alta administração compreendam e respeitem as políticas traçadas; os bens e direitos estejam protegidos e por fim que todas as informações sejam eficientes com total fidedignidade nos registros contábeis.

2.3 OBJETIVOS

Para Almeida (2010, p. 65), os objetivos principais do Controle Interno são: proteger os bens e direitos das entidades; estimular a obediência às normas internas da organização; motivar os empregados à eficiência operacional; e conferir a qualidade e exatidão do fluxo de informações.

3 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DOS CONTROLES INTERNOS

Para Almeida (2010, p. 64) a administração da empresa é responsável pelo estabelecimento do sistema de controle interno, pela verificação se está sendo seguido pelos funcionários, e por sua modificação, no sentido de adaptá-los às novas circunstâncias.

3.1 RESPONSABILIDADE DOS FUNCIONÁRIOS

As atribuições dos funcionários devem ser claras e objetivas por escrito mediante o estabelecimento de manuais internos da empresa. Segundo Almeida (2010, p. 43) as razões para definirem as atribuições são: “assegurar que todos os procedimentos de controles sejam executados; detectar erros e irregularidades; e apurar as responsabilidades por eventuais omissões na realização das transações da empresa”.


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Para exercer as funções ou tarefas internas de controle como, por exemplo: Recebimento de numerários ou depósitos de numerários em banco e entre outras funções, os funcionários devem seguir os manuais e executá-los com muita responsabilidade e competência. Nesse contexto, Almeida enfatiza que: Para que os processos operacionais sejam executados de acordo com o pré-definido é necessário que os empregados e departamentos da organização, tenham suas atribuições claramente definidas e limitadas, de preferência por escrito, levantamento de fluxos e rotinas pertinentes a atividade, por meio de manuais internos. Com essas atribuições distribuídas claramente, é possível assegurar que todos os procedimentos de controle sejam executados, detectar possíveis erros e irregularidades, além de apurar as responsabilidades por eventuais omissões na realização das transações da organização (ALMEIDA, 2010, p. 43).

3.2 ROTINAS INTERNAS

Para Almeida (2010, p. 43) A empresa deve definir em suas normas todas as rotinas internas que compreendem: Formulários internos e externos, como, por exemplo: requisição de aquisição de material ou serviços; formulário de cotação de preços; mapa de licitação; ordem de compra; aviso de recebimento de material; mapa de controle de programação financeira; fichas de lançamento contábil; boletim de fundo fixo; carta de comunicação com os bancos; formulário de devolução de material; pedido de venda; adiantamento para viagem; relatório de prestação de contas de adiantamento para viagem; instruções para o preenchimento e destinações dos formulários internos e externos; evidências das execuções dos procedimentos internos de controle (assinaturas, carimbos etc.); procedimentos internos dos diversos setores da empresa, como por exemplo: compras no país e exterior; contas a pagar; programação financeira; caixa; controle de faturamento; créditos e cobranças; vendas; fiscal; almoxarifado; e controladoria.

3.3 ACESSO AOS ATIVOS

A empresa deve limitar o acesso dos funcionários aos seus ativos. O acesso pode ser de forma direta (fisicamente) ou indireta (por documentos que autorizam a sua movimentação). Segundo Almeida (2010, p.45), existem dois exemplos de acesso aos ativos da empresa: “manuseio de numerários recebido antes de ser depositado em conta corrente bancária; e custódia de ativos (dinheiro em caixa, cautelas de títulos, estoques, imobilizados etc.)”.


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Para controles físicos dos ativos podemos citar: local fechado para o caixa e a fábrica deve ser cercada e na saída os funcionários ou terceiros com embrulhos e carros devem ser revistados, (poderiam estar levando bens da empresa).

3.4 SEGREGAÇÃO DE FUNÇÕES

Segundo Barros (2010, p. 12) quando se define que os controles internos são executados por pessoas, “desmistifica-se o conceito de que em havendo métodos ou sistemas de procedimento de dados sofisticados consegue-se controle interno efetivo”. Entretanto, isso não é verdade, pois capturar e comunicar informações são ações importantes para os controles, mas acima de tudo, é o elemento humano que controla as atividades de uma organização. De acordo Crepaldi (2012, p. 428) a segregação de funções consiste em “estabelecer que uma mesma pessoa não pode ter acesso aos ativos e aos registros contábeis, em virtude de essas funções serem incompatíveis dentro do sistema de controle interno”.

3.5 CONFRONTO DOS ATIVOS COM OS REGISTROS

Cabe à empresa estabelecer procedimentos sobre os ativos para que os funcionários responsáveis possam periodicamente confrontar com os registros da contabilidade. O objetivo maior desses procedimentos é evitar fraudes e desfalques sobre os ativos da empresa. Almeida cita quatro exemplos desses confrontos, que são: Contagem de caixa e comparação com o saldo do razão geral; contagem física de títulos e comparação com o saldo da conta de investimentos da razão geral; conciliações bancárias (reconciliação, em determinadas database, do saldo da conta corrente bancária segundo razão da contabilidade, com o saldo pelo extrato enviado pelo banco); e inventários físicos dos bens do estoque e do ativo imobilizado, confrontam com os registros individuais e comparação do somatório dos saldos desses registros com o saldo da respectiva conta do razão geral (2010, p.54).

4 TIPOS DE CONTROLES: CONTÁBEIS E ADMINISTRATIVOS Conforme Crepaldi (2012, p. 423) o controle interno representa em “uma organização os procedimentos, métodos ou rotinas cujos objetivos são proteger os


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ativos, produzir os dados contábeis confiáveis e ajudar na condução ordenada dos negócios da empresa”. Desse modo, procedimentos implantados em uma organização podem ser classificados em contábeis e administrativos. Segundo Crepaldi (2012, p. 423) os controles contábeis compreendem o “plano de organização e todos os métodos e procedimentos utilizados para salvaguardar o patrimônio e a propriedade dos itens que o compõem”. Exemplo: 

Segregação de função: promove a independência entre as funções de

execução operacional e sua respectiva contabilização. 

Sistema de autorização: estabelece o controle das operações através de

métodos de aprovações, respeitando a relação entre a responsabilidade e risco envolvidos no procedimento. 

Sistema de registro: compreende a classificação dos dados dentro de uma

estrutura formal de contas, existência de um Plano de Contas que facilita o registro e preparação das demonstrações contábeis. Já os controles administrativos de acordo com a visão de Crepaldi (2012, p. 423) compreendem o “plano de organização e todos os métodos e procedimentos utilizados para proporcionar eficiência às operações, dar ênfase à política de negócios da empresa, bem como a seus registros financeiros”. Compreendidos por: 

Normas salutares, que observam práticas saudáveis aos interesses da

empresa no cumprimento dos deveres e funções; 

Pessoal qualificado, que esteja apto a desenvolver suas atividades bem

instruídas e supervisionadas por seus responsáveis. Ao planejar um sistema, devem-se observar os aspectos administrativos que impactam diretamente sobre os registros contábeis, a fim de controlá-los. Além da eficiência do sistema idealizado, devem prevalecer também os aspectos práticos e econômicos do projeto. Crepaldi (2012, p. 424) afirma que a forma prática de se fazer isso passa pela “definição dos procedimentos que promoverão o controle sobre as operações e atividades através de normas constantes em Manuais de Procedimentos”.


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5 SISTEMA DE CONTROLE INTERNO O termo sistema (do grego sietemiun) significa “combinar”, “formar um conjunto”. De acordo com Pottmeier (2010, p. 8) sistema é um “conjunto de elementos interdependentes, ou um todo organizado, ou partes que interagem formando um todo unitário e complexo. Como um resultante do enfoque sistêmico, o todo deve ser mais que a soma das partes”. Sistema do controle interno tem como principal objetivo identificação dos dados para priorizar a análise dos riscos nas áreas mais significativas a serem auditadas. Em função disso, a avaliação é utilizada para permitir ao auditor uma analise mais minuciosa do sistema para um melhor controle das práticas na organização, implicando no processo de diagnóstico e decisão. Segundo Alvim (2010, p. 52) a avaliação do sistema de controle interno compreende: Determinar os erros ou irregularidades que poderiam acontecer; verificar se o sistema atual de controles detectaria de imediato esses erros ou irregularidades; analisar as fraquezas ou falta de controle, que possibilitam a existência de erros ou irregularidades, a fim de determinar natureza, data e extensão dos procedimentos de auditoria; emitir relatório-comentário dando sugestões para o aprimoramento do sistema de controle interno da empresa.

Todo o processo de determinar, verificar, analisar, emitir é função do auditor e possibilita uma interpretação ampla dos procedimentos exercidos. Através da avaliação é possível identificar se o sistema é eficaz ou não, assim, obtendo os objetivos. Para Crepaldi (2012, p. 436) o interesse do auditor no controle interno é “analítico, objetivando determinar até onde seu programa de auditoria deve ser reduzido ou estendido, em virtude da eficiência dos controles usados pela empresa (expansão de exames)”. A avaliação dos controles internos tem como principal objetivo determinar a natureza, a profundidade e a extensão dos lançamentos finais no balanço para uma sugestão final para melhoria através dos relatórios específicos.


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6 CATEGORIAS DO CONTROLE INTERNO

De acordo Crepaldi (2012, p. 447) não existe uma terminologia universal para descrever as categorias de controles internos, entretanto pode-se classificá-los segundo suas finalidades, e neste caso seriam desdobrados em: controles organizacionais, inclusive segregação de funções; controles de sistema de informação; e controles de procedimentos.

6.1 CONTROLES ORGANIZACIONAIS

Esta categoria refere-se ao controle obtido por meio de delimitações de funções, e responsabilidades. As atividades e responsabilidades devem ser claras e previamente definidas. Para Almeida (2010, p. 46), a segregação de função consiste em “estabelecer que uma mesma pessoa não pode ter acesso aos registros contábeis, devido ao fato de essas funções serem incompatíveis dentro do sistema de controle interno”. Já Crepaldi (2012, p. 447), esta estrutura é um marco no qual se realizam as atividades de planejamento, execução e controle das operações da entidade e cuja eficácia dependerá de considerações tais como: 

Atribuição de responsabilidades e delegação de autoridade claramente

definidas; 

Segregação de funções incompatíveis para evitar que sejam controladas

por qualquer indivíduo ou departamento da organização; 

Fornecimento de recursos, inclusive pessoal competente, em quantidade

suficiente para o cumprimento das responsabilidades atribuídas; 

Existência de sistemas de medição e avaliação do desempenho.

6.2 CONTROLE DE SISTEMA DE INFORMAÇÃO

Crepaldi (2012, p. 447), afirma que os controles de sistema de informação referem-se ao controle obtido mediante a prestação de informações aos níveis adequados da administração. Ainda segundo o autor a direção executiva não pode estar presente para observar todas as operações nem inteirar-se de todas as decisões tomadas nos


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diferentes níveis da organização. O sistema de informação equivale aos “olhos e ouvidos” da administração, e uma das características que distinguem as empresas mais bem-sucedidas é, muitas vezes, a qualidade de informação de que dispõem os responsáveis pela tomada de decisão. Complementando, Silva descreve que: A utilização de um sistema de informação para o controle interno das operações desempenhadas dentro da sociedade empresária destina-se a fornecer elementos confiáveis de apoio à tomada de decisão, auxiliando diretores, gerentes e funcionários na organização, possibilitando a análise de problemas, sua visualização e soluções (SILVA, 2003, p.18).

6.3 CONTROLE DE PROCEDIMENTOS

Para Crepaldi (2012, p. 448), Controles de Procedimentos referem-se ao “controle obtido mediante a observação de políticas e procedimentos dentro da organização. O procedimento aplicado dentro das organizações tem a finalidade de alcançar a eficiência operacional e de atingirem metas empresariais”. São as seguintes características desejáveis nos controles de procedimento: 

Que sejam adequados à estrutura organizacional;

Que sejam bem definidos e documentados;

Que se mostrem fáceis de interpretar e aplicar.

Existem dois tipos de controles de procedimentos, são eles: 

Procedimentos do fluxo de documentação, que são incorporados no

sistema de processamento de transações. 

Procedimentos de controles independentes são estabelecidos pela

administração, independente das rotinas de processamento de transações.

7 CONTROLES INTERNOS NO SETOR FINANCEIRO O setor financeiro é responsável pelo patrimônio da empresa, cuja principal função é administrar o dinheiro da empresa, cogitar pagamentos e recebimentos, com o objetivo de controlar os gastos e receitas. Principalmente o controle das disponibilidades (caixa e bancos), contas a receber e contas a pagar interferem diretamente na continuidade da empresa. O controle das atividades financeiras de acordo com Pottmeier “possibilita observar antecipadamente as necessidades de caixa da empresa auxiliando na


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tomada de decisões, para que possíveis eventos de insolvência, como falta de capital de giro e até mesmo a falência, possam ser corrigidos ou evitados” (2010, p.21). Essas informações consistem em coletar dados, a fim de formar indicadores que permitam avaliar a organização mostrar a situação financeira e patrimonial da empresa, podendo ajudá-la em seu processo de gestão, nos aspectos financeiro, operacional, estratégico, de mercado e de desempenho econômico, com o objetivo de maximizar o patrimônio.

7.1 DISPONIBILIDADES (CAIXA E BANCOS)

Conforme Stickney e Weil (2001, p. 28) o fluxo de caixa é uma demonstração: Onde informa as atividades operacionais, de investimento e de financiamento para determinado período. Através desta demonstração possibilita aos gestores a uma análise quanto a origem e a aplicação do dinheiro que circulou nas contas caixa e banco em um determinado período, demonstrando as mudanças ocorridas, suas origens e aplicações.

Em uma organização, o caixa representa os recursos imediatamente disponíveis para pequenas despesas diárias e pagamentos não previstos. O banco compreende os saldos bancários em conta corrente, que a empresa disponibiliza para saques ou aplicações. Segundo Attie (2009, p. 298), são consideradas como disponibilidades: “o numerário em mãos, em trânsito e os saldos bancários que possam ser livremente utilizados; os cheques à vista em poder da entidade; as aplicações em título negociáveis com conversibilidade imediata; e as aplicações em ouro”. O controle das disponibilidades tende garantir que recursos financeiros estejam disponíveis para honrar os compromissos de curto prazo. Algumas medidas que servem para fortalecer esse controle podem ser utilizadas de forma quase padrão pelas diversas empresas. Nesse contexto Attie destaca as seguintes medidas:


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Segregação de funções entre a custódia de valores e a contabilização; sistema de autorização e aprovação para pagamento; conciliações bancárias periódicas e revisadas por pessoa independente a de sua preparação; utilização de fichas de razão individuais para as diversas contas do disponível; utilização de duas pessoas independentes para a assinatura de cheques; abertura de contas bancárias pela administração; sistema de fundo fixo para valores mantidos em mãos; cancelamento da documentação comprobatória após o pagamento; controle de pagamentos para evitar atrasos e consequentemente multas ou juros de mora; e controle diário dos recebimentos e acompanhamento entre o valor depositado e o efetivamente recebido (ATTIE, 2009, p.300).

O controle das contas caixas e bancos exigem métodos claros e adequados para corrigir irregularidades, abster-se de fraudes e dar transparências aos procedimentos desenvolvidos, evitando desperdícios e desfalques, proporcionando assim uma melhor utilização dos recursos de liquidez imediata. De acordo com Pottmeier (2010, p. 44) esses são os procedimentos: Conferência de valores; movimentação interna da empresa confrontada com a movimentação realizada pelas entidades financeiras; verificação nas contas bancárias dos recebimentos de clientes mediante depósitos; e exame de cheques de clientes e comprovantes de caixa, com o intuito de analisar se estão corretos.

O fluxo de caixa é um instrumento, no qual o gestor faz com que a empresa possa projetar sua capacidade financeira num período, controlando o prazo das compras, vendas e pagamentos de suas obrigações. Para a empresa ter liquidez e rentabilidade é importante um saldo de caixa apropriado para seu ciclo financeiro.

7.1.1 Contas a receber

As operações de vendas de mercadorias, produtos ou serviços a prazo, ou seja, para posterior recebimento geram para as empresas um direito, este é registrado no ativo como contas a receber, sendo baixada após o pagamento por parte do comprador. “As contas a receber referem-se aos direitos de que a entidade é titular, decorrente dos eventos econômicos de venda a prazo de mercadorias, produtos e serviços relativos o seu objeto social” (ATTIE, 2009, p. 318). É preciso seguir procedimentos de controles para acompanhamento do cumprimento pelos clientes, dos prazos de pagamentos concedidos. Tais procedimentos tendem a atenuar os riscos de prejuízos, porque permitem que


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providências imediatas que sejam tomadas com relação às contas em atraso, apresentam um importante instrumento de avaliação da função da área de cobrança da empresa. Para a empresa manter um bom controle das contas a receber precisa ter em boa forma de organização: 

Sistema de cadastro dos clientes, com todas as informações possíveis sobre nome completo, dados pessoais, endereço, e comerciais, etc.;

Um serviço de cobrança bem organizado;

Uma carteira de títulos bem organizada, constantemente vistoriada e combinação com os serviços de cobrança;

Prioridade por recebimentos via bancária.

7.1.2 Contas a pagar

Formam o contas a pagar todas as obrigações para com terceiros. Conforme Crepaldi (2012, p. 629) “as obrigações representam fontes de recursos e reivindicações de terceiros contra os ativos da empresa”. A origem do contas pagar se dá pela necessidade da empresa em adquirir algum bem ou serviço para a continuidade de suas atividades com pagamento futuro, estes são registrados no passivo. Os compromissos da empresa incluem normalmente os seguintes grupos: 

Fornecedores a pagar;

Empréstimos a pagar;

Impostos a pagar;

Salários a pagar e encargos sociais a recolher.

A boa administração desta conta segundo Pottmeier é relevante, tendo em vista que interfere nos numerários da empresa assim com as contas a receber. Logo: o controle adequado, de custos, gastos e tudo que gera uma obrigação a pagar, com normas internas, procedimentos para as compras, etc., pode contribuir para o bom desempenho e resultado da organização (POTTMEIER, 2010, p. 48).


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8 CONTROLE INTERNO NAS MPE’S As Micro e Pequenas Empresas (MPE’s) se constituem em uma importante solução de geração de trabalho e renda no Brasil e no mundo, diante da reformulação da economia global, onde se verifica, em função das mudanças tecnológicas e dos processos de trabalho, a crescente tendência de redução do número de empregos. Segundo pesquisa feita pelo SEBRAE (2011), no Brasil existem 6 milhões de micro e pequenas empresas que totalizam 99% dos negócios do país Porém, esse índice não ignora a grande mortalidade dessas empresas, pois para se manterem no mercado elas precisam se renovar constantemente. Conforme Resnik (2007), nos pequenos empreendimentos familiares, sucessores herdam as formas de trabalho e as praticam sem ao menos compreender seu significado e os reflexos nas variáveis ambientais, fruto das interações organizacionais. Essas empresas de pequeno porte possuem fragilidade em termos de organização de atividades e gestão, geralmente os responsáveis são os empresários e os proprietários, que muitas vezes não possuem treinamento e conhecimento suficiente para saber controlar, organizar e supervisionar as atividades desenvolvidas. Toda empresa está sujeita a correr riscos, atualmente à competitividade está voltada não só externamente mais também ameaças internas que influenciam na qualidade e na obtenção dos resultados através das atividades desenvolvidas. Com a implantação do controle interno em diversos setores das empresas, estas conseguem manter em suas operações a eficiência que levam a sustentação e crescimento, além de minimizar a possibilidade de erros e fraudes. De acordo com Iudícibus (2000, p.65) “recomenda-se que as empresas de pequeno porte analisem o ambiente externo para se identificar oportunidades e ameaças”. Depois, analisar o seu ambiente interno para se verificar os pontos fortes e pontos fracos. Diante dessa afirmação, estabelece como ferramenta a de analise do controle interno, que irá analisar internamente e reconhecer os pontos a serem melhorados em cada setor da empresa. Segundo Resnik (2007, p.32), as dez condições decisivas para sucesso e sobrevivência são:


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1. Ser objetivo 2. Manter tudo simples e focalizado 3. Proporcionar bens e serviços excelentes e distintivos que satisfaçam as necessidades e desejos de grupos seletos de clientes 4. Determinar como atingir e vender para seus clientes. 5. Criar, administrar e motivar uma equipe vencedora que faça o que você não pode fazer sozinho. 6. Manter os registros e controles contábeis que você precisa usar para compreender e administrar a empresa. 7. Nunca ficar sem disponibilidade de caixa. 8. Evitar as armadilhas do crescimento rápido. 9. Conhecer sua firma de trás para frente. 10. Planejar o futuro.

A empresa de médio e pequeno porte vem desenvolvendo um papel importante na economia social, pois, está reduzindo o problema da falta de emprego, e também como modelo flexível de ação empresarial, fortalecendo a economia do país. Essas empresas são origens de grandes empresas, de novas possibilidades aos empresários de realizar seus objetivos, de abrir seu próprio negócio. Com a nova visão das empresas e o uso de um controle interno, vem aumentando as chances dessas médias e pequenas empresas de enfrentar a concorrência quase desleal das grandes empresas e também concorrentes internacionais que cada vez se mantém fortalecidos na economia brasileira com preços atrativos e grande oferta. A globalização e a modificação dos mercados fazem com que as empresas ampliem sua atuação de forma mais global, onde os clientes se tornam mais exigentes e esperam que suas expectativas sejam atendidas com produtos e serviços voltados as suas necessidades com plena satisfação. A busca por posições estratégicas nas pequenas empresas, que superem a posição adotada pelas grandes corporações, é um grande desafio empresarial e ditará a direção futura dos negócios, seja para o sucesso, seja para o fracasso. Alvim (2010) identificou que a um fator crítico que interfere na sobrevivência das empresas é a gestão. “Ou essas organizações não utilizam as boas práticas de uma administração exitosa, ou elas desconhecem as ferramentas básicas de gestão de negócios” (p.45). Dessa forma a gestão vem para aperfeiçoar o funcionamento das organizações, através da tomada de decisões racionais e fundamentadas na busca e tratamento de dados e informações relevantes, que venham a contribuir para o


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desenvolvimento e satisfação dos interesses de todos inseridos nas organizações, colaboradores, proprietários e satisfazer a necessidade da sociedade em geral ou de um grupo em particular. Portanto a gestão no meio organizacional é de fundamental importância, pois ela é o pilar de sustentação, uma vez que é através dela que as empresas podem ser

gerenciadas,

administradas

e

organizadas,

de

forma

a

proporcionar

conhecimentos cada vez mais direcionados ao processo de desenvolvimento estratégico das organizações.

9 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em um cenário globalizado, as informações tempestivas e fidedignas se apresentam como diferencial competitivo no eminente mundo dos negócios. Diante dessa relação os gestores se mostram cada vez mais preocupados com a segurança dos processos operacionais, bem como com a qualidade da informação gerada. No decorrer desse artigo, foi mostrado o conceito de controle interno e seus objetivos, que deve oferecer dentre outras coisas, o fornecimento à empresa de base informativa confiável e tempestiva procedimentos que garantam a salvaguarda dos ativos, etc. Os controles internos permitem que os departamentos de uma organização operem dentro das normas legais de acordo com o planejamento estratégico da entidade. São ferramentas gerenciais utilizadas pelos gestores e servirão como instrumentos de informações para as tomadas de decisões. A administração é responsável pela implantação, do sistema de controle Interno. O planejamento e a execução do controle interno devem ser adaptados à realidade da empresa. Nesse contexto, entende-se que a importância do controle interno a partir do momento em que se verifica que é ele que pode garantir a continuidade do fluxo de operações com as quais convivem as empresas. A contabilidade dos resultados gerados por tal fluxo assume vital importância para os empresários que se utilizam dela para a tomada de decisão. Diante do exposto, pode-se afirmar que o sistema de controle interno é um excelente desempenho financeiro, contábil e operacional das organizações,


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garantindo aos gestores a integridade da informa巽達o que dever達o ser utilizadas para a tomada de decis達o. .


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REFERÊNCIAS

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Monografia FAINOR

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