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FACULDADE INDEPENDENTE DO NORDESTE - FAINOR CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS

WALQUER MACHADO SILVEIRA

Os controles internos como ferramenta de auxilio na gestão financeira das microempresas

Vitória da Conquista – BA 2011


FACULDADE INDEPENDENTE DO NORDESTE - FAINOR CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS

WALQUER MACHADO SILVEIRA

Os controles internos como ferramenta de auxilio na gestão financeira das microempresas

Artigo científico apresentado como pré-requisito da disciplina TCC do Curso de Ciências Contábeis, 8º Semestre, da Faculdade Independente do Nordeste – FAINOR.

Área de Concentração: Contabilidade Gerencial. Orientador: Msc. Luciano Moura Costa Doria.

Vitória da Conquista – BA 2011


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Os controles internos como ferramenta de auxilio na gestão financeira das microempresas Walquer Machado Silveira¹ Luciano Moura Costa Doria

RESUMO O universo que está inserido as microempresas é bastante competitivo e globalizado, onde se faz necessário uma gestão financeira que apóie as suas ações com informações qualitativas geradas através de controles que possam auxiliar a tomada de decisões. Nesta perspectiva o tema escolhido aborda os controles internos como ferramenta de auxilio na gestão financeira das microempresas, avaliando as suas contribuições como ferramenta de auxílio na gestão financeira das micro empresas. A implantação de controles internos auxilia de forma efetiva na administração financeira das microempresas e se bem implantado pode contribuir para ações que resultaram no seu crescimento. É necessário estar atento quanto às limitações do controle interno, pois somente a sua implantação não garante o seu sucesso, sendo importante a análise de custo benefício e o uso da técnica de segregação de funções, com o intuito de tornar os controles eficazes quanto ao seu objetivo. A tesouraria é um departamento importante na gestão empresarial, pois é responsável pela guarda dos recursos financeiros como caixa, contas a receber e contas a pagar, mas principalmente o caixa por ser o ativo mais líquido de uma empresa, daí a importância de suar o controle do fluxo de caixa para tomar decisões a curto e a longo prazo. Diante do exposto entendemos a importância da ferramenta controle na administração financeira, com o objetivo de diminuir o alto índice de mortalidade de microempresas no Brasil. Palavras – chave:Controle interno. Gestão Financeira. Microempresa.

ABSTRACT The universe that is inserted the small businesses is quite competitive and globalized, where it is done necessary a financial administration that supports your actions with qualitative information generated through controls that can aid the electric outlet of decisions. In this perspective the chosen theme approaches the internal controls as tool of I aid in the financial administration of the small businesses, evaluating your contributions as tool of aid in the financial administration of the personal computer companies. The implantation of internal controls aids in an effective way in the financial administration of the small businesses and if well implanted it can contribute to actions that resulted in your growth. It is necessary to be attentive with relationship to the limitations of the internal control, because only your implantation doesn't guarantee your success, being important the analysis of cost benefit and the use of the technique of segregation of functions, with the intention of turning the effective controls with relationship to your objective. ¹ Graduando do VIII Sem. do Curso de Ciências Contábeis da Faculdade Independe do Nordeste – FAINOR, e-mail: kinhovca@hotmail.com: 2 Profº. Msc. Orientador: Luciano Moura Costa Dória.


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The treasury is an important department in the managerial administration, because it is responsible for the guard of the financial resources as box, bills to receive and you count to pay, but mainly the box for being the assets more liquid of a company, then the importance of sweating the control of the cash flow to make decisions the short and long term. Before the exposed we understood the importance of the tool it controls in the financial administration, with the objective of reducing the high mortality rate of small businesses in Brazil. Key Words: Internal control. Financial management. Microenterprise.

1. Introdução As organizações empresariais sejam elas de pequeno ou grande porte passaram por muitas mudanças na última década, devido a uma série de mudanças que aconteceram no mundo, essas mudanças são devidas a globalização dos mercados e a competividade que aumentou a expansão de empresas para diversas cidades e ao crescimento da tecnologia, que hoje está ao alcance de um número maior de pessoas, associada também a uma explosão de conhecimento que vem acontecendo em todas as faixas do mercado, o que torna as empresas mais dinâmicas e competitivas. Isto remete as pequenas empresas a se estudarem e analisarem o ambiente em que estão inseridas, analisando também todos os fatores ambientais que influenciam o seu negócio. Este estudo por sua vez implica em necessidade de se adequar há um modelo eficiente de gestão empresarial, dentro dessa busca pela gestão eficaz, aquela que efetivamente leva a organização há alcançar a sua missão, porém há necessidade de realizar ações que levaram a organização ao caminho da eficácia empresarial, e esse caminho é tomado por decisões feitas pelos gestores, que efetivamente terão que planejar, executar e controlar. O controle aparece na ponta do ciclo do processo de tomada de decisões, e é de vital importância para o cumprimento do planejamento, pois valida e sinaliza se o planejamento e o orçamento estão sendo realizados com eficiência. O controle é uma ferramenta que protege os ativos da empresa, pois é capaz de mensurar o que está acontecendo em cada área controlada. Nesse

tempo

de

muito

conhecimento

e

de

uma

explosão

de


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empreendedorismo no nosso país é inconcebível que alguma empresa seja ela micro ou grande, não pratique a adoção dos controles internos como ferramentas que possibilitem lhes informar como anda as suas finanças e o seu crescimento. Facilmente vemos empresas sendo substituídas por outras empresas no mercado, isso é fruto da má gestão financeira e do conhecimento que hoje está ao alcance de todos que o desejarem. Daí a importância do pequeno empresário de se preparar no sentido de realizar uma boa administração financeira do seu negócio, o que é impossível sem o auxílio da ferramenta e do sistema de informação e correção que se chama controle interno. Por analogia toda microempresa possui algum tipo de controle, que possibilita uma base para a tomada de decisões, porém resta verificar se estes controles são implantados de forma correta, e se são tipos de controle relevantes executados em tempo hábil, para que sua função seja tempestiva. O controle se não for feito no tempo certo se torna ineficaz, pois impossibilita o gestor de tomar decisões em tempo preciso quanto á correção e prevenção de futuras falhas e prejuízos. O controle deve ser objetivo, com informações relevantes, úteis e de qualidade, o que torna possível elaborar estudo e demonstrações que realmente sejam importantes e relevantes para a gestão financeira da empresa. O controle interno deve ser bem compreendido pelos colaboradores, pois precisam saber porquê as sua ações estão sendo controladas e qual o objetivo dos controles, servindo também como ferramenta de motivação e reconhecimento do bom desempenho dos colaboradores. Nesta perspectiva, este estudo tem por objetivos: 

Avaliar á adoção dos controles internos como ferramenta de auxilio na gestão financeira.

Avaliar as contribuições do controle interno como ferramenta de auxílio na gestão financeira.

O Brasil é um país que se destaca quando o assunto é empreendedorismo, sendo considerado o país com maior número de jovens empreendedores, porém é constatado que a maioria das microempresas que nascem desta veia de empreendedorismo que o brasileiro tem morre antes de completar três anos. Isso se deve ao fato de o micro empresário não conhecer ou não utilizar técnicas e controles que lhe auxiliem na administração financeira do seu pequeno


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negócio. Com a intenção de pesquisar e analisar os benefícios que um sistema de controles pode trazer a gestão financeira, é que esta sendo realizada esta pesquisa com o intuito de provar que a ferramenta do controle pode diminuir esta taxa de mortalidade precoce das microempresas brasileiras. Nesta perspectiva trata-se de um estudo de revisão bibliográfica, com abordagem qualitativa, por meio da leitura de artigos científicos e livros, com o objetivo de investigar os benefícios dos controles internos na administração financeira. De acordo com Lakatos( 2001, p. 43-44) a pesquisa bibliográfica trata-se de:

“levantamento de bibliografia já publicada em forma de livros, revistas, publicações avulsas em imprensa escrita, [documentos eletrônicos]. Sua finalidade é colocar o pesquisador em contato direto com tudo aquilo que foi escrito sobre determinado assunto, com o objetivo de permitir ao cientista o reforço paralelo na análise de suas pesquisas ou manipulação de suas informações.”

2. Revisão Literária

2 .1 Microempresa

Segundo dados do SEBRAE (2007), existe no Brasil cerca de 5,1 milhões de empresas, sendo 98% deste montante constituída de micro e pequenas empresas, que representam aproximadamente um faturamento de R$ 5,1 bilhões e maiores responsáveis pelas contratações que acontecem no comércio, indústria e prestadoras de serviços, cerca de 1,9 milhões de pessoas. As microempresas tem papel fundamental na alavancagem da economia brasileira, pois é responsável pela maior fatia de contratações de trabalhadores em todo país. De acordo o Art. 3º da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, as MPE se classificam pelo seu faturamento anual, sendo considerado Micro Empresa, a sociedade empresarial ou a sociedade civil que obtenha faturamento bruto anual de até R$ 240.0000,00. Já o SEBRAE caracteriza o porte da empresa pela quantidade


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de funcionários. Segundo o SEBRAE (2007):

“... Para efeitos de estudos e pesquisas, o SEBRAE utiliza o critério de classificação de porte segundo o número de empregados da empresa, sendo: 1) microempresas: na indústria e na construção civil – até 19 empregados: e no comércio e serviços – até 9 empregados; 2) pequena empresa: na indústria e na construção civil – 20 a 99 empregados; e no comércio e serviços – de 10 a 49 empregados”.

2.2. A Importância das Microempresas na economia brasileira É explícito o valor que as microempresas têm para a economia Brasileira, devido à alta participação que tem no montante das contratações realizadas no mercado de trabalho. Enquanto empresas de grande porte buscam formas de reduzir custos através da redução do número de funcionários, as microempresas cada vez mais se destacam contratando uma quantidade maior de funcionários e absorvendo os trabalhadores que são dispensados pelas grandes empresas.

2.3. Gestão Financeira É impossível administrar uma empresa sem pensar em finanças, o financeiro é um dos órgãos vitais do organismo empresarial, pois todos os fatos ocorridos dentro da empresa mais cedo ou mais tarde vão depender do seu departamento financeiro.Para Gitman (1997, p.04):

“... finanças é como a arte e a ciência de administrar fundos. Praticamente todos os indivíduos e organizações obtêm receitas ou levantam fundos, gastam ou investem. Finanças ocupa-se do processo, instituições, mercados e instrumentos envolvidos na transferência de fundos entre pessoas, empresas e governos”.

A Gestão Financeira é uma das áreas que compõe a gestão ou administração de uma empresa. Independentemente do porte da empresa ou do volume do seu faturamento, a empresa necessita que haja no seu cotidiano, métodos, princípios e ações que determinem a aplicabilidade da administração financeira na sua rotina empresarial.


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3.1 A Importância da Gestão Financeira

A administração financeira pode ser determinante para a continuidade da microempresa. Dados estatísticos do SEBRAE (2007) revelam o alto grau de mortalidade de microempresas no Brasil. Dois fatores se destacam entre as principais causas de falências precoces das microempresas brasileiras, são eles a ausência de Planejamento para a implantação do negócio empresarial e a ausência de conhecimentos sobre a administração financeira. A falta de conhecimento sobre administração financeira é um problema que atinge praticamente a maior parte da população brasileira, ensinamentos sobre o que é administração financeira e os seus benefícios, deveriam ser ministrados a partir do ensino médio, o que contribuiria muito para a formação dos futuros empreendedores brasileiros. Quando a micro empresa é constituída geralmente o gestor se preocupa com o recurso inicial para a implantação do novo negócio, se esquecendo em utilizar ferramentas importantes de controle para ativar a administração financeira como pilar para a continuidade e sucesso da micro empresa. Esta falta de prioridade na administração dos recursos, associada a falta de planejamento financeiro faz com quê o micro empresário seja frustrado em seu projeto empresarial, tornando vulnerável os seus talentos e habilidades como empreendedor . O micro empresário precisa entender que ele não pode escolher entre dar ou não importância a questões de controle financeiro, a partir do momento que ele constitui a empresa ele já deve usar os mecanismos de controle para obter informações eficazes para o planejamento e execução das tarefas rotineiras de um negócio empresarial, a fim de proteger os ativos da empresa e conseguir o alcançar os objetivos principais que são: lucratividade e rentabilidade. De acordo com Ramos (2011), da Fharos Assessoria Empresarial

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I essencial para lidar com emergências, ter capital de giro para investimentos, ou mesmo para gastos extras inevitáveis, como pagamento de décimo terceiro salário e festas de fim de ano, por exemplo. Esse erro


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pode ser evitado desde o planejamento financeiro prévio e também

A Gestão Financeira é como um pilar de sustentação que oferece suporte e apoio ao administrador durante o processo decisório da gestão empresarial. Os controles internos se implantados com sucesso, podem ser instrumentos auxiliadores para uma eficaz gestão dos recursos financeiros da empresa.

4. Controle O processo administrativo compreende entre as sua funções o planejamento a execução e o controle, sendo o controle o instrumento que irá assegurar que os objetivos da administração sejam efetivamente cumpridos. O controle interno é parte do processo de tomada de decisões e visa quantificar e salvaguardar todo o conjunto de metas e objetivos essenciais estabelecidos pela gestão. Através do controle interno é possível que a organização empresarial obtenha de forma mensurada e avaliada os resultados das suas atividades. Segundo Chiavenato (1997, p.273), a finalidade do controle é:

“... de assegurar que os resultados daquilo que foi planejado, organizado e dirigido se ajustem tanto quanto possível aos objetivos previamente estabelecidos. A essência do controle reside na verificação se a atividade controlada está ou não alcançando os objetivos ou resultados desejados. O controle consiste fundamentalmente em um processo que guia a atividade exercida para um fim previamente determinado”.

O controle interno tem a capacidade de regular as ações ocorridas dentro das organizações, ora pré-estabelecidas pela administração e é a forma eficaz de obter segurança quanto ao cumprimento de todas as rotinas e padrões definidos pela gestão.


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É como se o controle fosse um sistema de segurança, que em todo momento que ocorresse desvios de objetivos, ele alerta-se sobre as variações ocorridas nas metas a serem cumpridas tanto na organização quanto na execução de processos. O controle interno não visa o retardamento ou desaceleraç��o dos processos e rotinas, mas é uma justa ferramenta de motivação e mensuração do papel que cada colaborador tem dentro do sistema empresa. Os colaboradores terão por meio dos controles informações fidedignas quanto a sua participação no cumprimento das rotinas e processos do setor em que está atuando, para isso terá que se conhecer todos os métodos de realizar suas tarefas, ter conhecimento da meta estabelecida para sua função e entender como os controles podem levá-lo aos objetivos estabelecidos pela administração, trazendo satisfação tanto aos gestores quanto ao próprio colaborador, que de forma inteligente verá como o seu papel é importante na continuidade da empresa. Attie (1998, p.111), afirma que:

“... controle interno compreende o plano de organização e o conjunto coordenado dos métodos e medidas, adotados pela empresa, para proteger seu patrimônio, verificar a exatidão e a fidedignidade de seus dados contábeis, promover a eficiência operacional e encorajar a adesão á política traçada pela administração”.

A importância do controle interno está intrinsecamente caracterizada no perfil da organização que consegue obter eficiência e eficácia na sua missão como pessoa jurídica. O controle se torna tão indispensável quanto o assunto é excelência em gestão empresarial, que é impossível visualizar uma organização modelo que não tenha implantado um eficiente sistema de controle interno, por analogia é quase que impossível conceber uma empresa seja ela pequena ou média que não tenha nenhum tipo de controle, porém nem todas entendem a importância de ter os controles e que sejam objetivos e verdadeiros quanto á veracidade das informações ali contidas. As microempresas convivem diariamente com pequenas perdas que diminuem a sua capacidade de solvência. Estes prejuízos se devem ao fato de não terem controles sobre suas atividades operacionais e financeiras, levando á


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empresa a ter dispêndios desnecessários. Um eficaz sistema de controle deve ser focado nas principais atividades e com maior peso de relevância no objetivo de cumprir a missão da microempresa, ouseja o administrador deve incluir no processo de controle aquelas atividades ou departamentos que sejam cruciais para alcançar o resultado da empresa, além disso deve se envolver em todas os colaboradores da empresa. Segundo Migliavacca (2002, p.18), os controles internos, em seu sentido amplo, incluem os controles que podem ser caracterizados como administrativos ou contábeis. Controles administrativos estão diretamente ligados ao planejamento organizacional e o cumprimento de todas as rotinas e processos que resultam na execução das ações definidas na tomada de decisões da gestão. Enquanto que os controles contábeis tem em seu arcabouço o plano, os procedimentos e os registros financeiros que se referem à salvaguarda dos ativos da empresa e a autenticidade ou genuidade dos registros financeiros, a fim de gerar um excelente nível der confiança de que as transações contábeis sejam feitos de acordo a autorização da administração e que sejam elaborados em conformidade com os princípios contábeis. Somente controles contábeis que expressam a veracidade dos fatos ocorridos é que verdadeiramente servirão de fonte para a construção de relatórios financeiros úteis e relevantes para a tomada de decisões nas microempresas. Em seu livro “controles internos nas organizações”, Migliavacca (1997, p. 54) expõe que os controles devem ser úteis, práticos e econômicos.

4.1. A Importância dos Controles Internos Os controles internos são ferramentas imprescindíveis na salva guarda dos ativos, sendo assim cada vez que o controle evidencia sua eficiência através de mecanismos de prevenção e correção, fica mais explicito a necessidade de utilizálos na proteção dos ativos da microempresa, o controle também é um importante documento de prestação de contas, protegendo assim os colaboradores responsáveis por determinado setor. Os

controles

internos

implantados

de

maneira

adequada

e


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permanente,podem ser eficientes quando a inibição de desvios e roubos, protegendo o patrimônio das empresas. As micro empresas vivem em um universo empresarial onde o mercado como um todo é o seu concorrente, cada vez mas cresce o nível de competitividade no ambiente em que as micro empresas estão inseridas, criando um clima de disputa acirrada, onde a junção entre o conhecimento científico e as ações promovidas pela gestão, são determinantes para darem segurança e velocidade na tomada de decisões e consequentemente se obter eficácia empresarial. Para Migliavacca (1997,p.20):

“O controle interno é importante nas atividades da organização porque contribui para: 1) Salvaguardar os ativos; 2) O desenvolvimento de seus negócios e consequentemente; 3) o resultado de suas operações, adicionando valor á entidade.”

O controle interno é importante no processo de identificação de fatores que influenciam com impacto positivo ou com impacto negativo os negócios da microempresa, possibilitando assim analisar e avaliar como os fatores identificados como influenciadores nos negócios da empresa, podem afetar a lucratividade, as operações, os ativos e os passivos, determinando assim a continuidade da empresa. De acordo com Migliavacca (1997,p.21): “A estrutura de um sistema de controle interno que visa atender ás necessidades de gestão da administração deve prever. A identificação imediata dos fatores internos e externos que podem ter efeitos significativos sobre os negócios da empresa. A análise e avaliação de como esses fatores podem afetar as operações, lucratividade, ativas e passivas e o futuro da empresa.”

4.2. Limitações do Controle Interno Os controles devem ser práticos no sentido de serem apropriados ao tamanho da empresa, objetivos em relação ao que controlar e simples na sua adoção e aplicação. O custo benefício deve ser levado em conta, a fim de obter certeza que a criação de valor gerada pelo sistema de informações no qual estão inseridos os controles, serão maiores que o custo de implantação e operacionalização dos


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controles internos, principalmente nas micro empresas. A presença de um bom sistema de controle interno na empresa não a imuniza de eventuais fraudes ou prejuízos, sendo necessária a identificação e a correção de fatos ou rotinas que limitem a confiabilidade e veracidade dos controles internos. A segregação de funções consiste na limitação de poderes exercida pelo colaborador ou responsável pelo controle,ou seja o mesmo funcionário não pode ser responsável pela operação, execução e autorização ao mesmo tempo, há de ter uma separação entre as funções, o funcionário que operacionaliza uma determinada rotina não pode ser o mesmo que autoriza ou que audita a veracidade do controle ou do fato ocorrido.Segundo oIbracon, (1988,p.324), cita algumas limitações do controle interno:

a) “A exigência usualmente imposta pela administração de que um controle seja eficiente em relação a seu custo, ou seja, que o custo de um procedimento de controle não seja desproporcional em relação á perda potencial, resultante de fraude ou de erro.” b) “O fato de que a maior parte dos controles tende a ser direcionada para cobrir transações conhecidas e rotineiras e não as eventuais (transações fora do comum).” c) “O potencial de erro humano por desleixo, distração,falha de julgamento ou má interpretação de instruções.” d) “A possibilidade de se escapar a controles por meio de conluio, seja com terceiros ou com membros da organização.” e) “A possibilidade de que um funcionário responsável por determinado controle possa abusar de sua responsabilidade ( exemplo: um membro da administração poderia passar por cima de determinado controle).”

A tesouraria é o departamento responsável pela operacionalização dos controles financeiros, o administrador da tesouraria é o controlador dos recursos financeiros, sendo responsável em informar o proprietário de todas informações úteis sobre as finanças da empresa.


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5. Tesouraria A tesouraria é a área que controla a gestão financeira da empresa, sendo responsável pela administração e a guarda dos recursos financeiros. Sendo responsável pelo dinheiro em caixa, direitos a receber e pelos pagamentos da empresa, ou seja, é quem controla o fluxo de dinheiro na organização. A gestão financeira de uma microempresa requer muitos cuidados, pois um simples

descuido

pode

provocar

prejuízos

financeiros

que

impactarão

negativamente o caixa e outros ativos da empresa. As áreas que estão diretamente ligadas ao gestor financeiro e a tesouraria são: 

Financeiro: compreende a administração do fluxo de caixa da empresa,

tendo acesso e capacidade para autorizar todas as movimentações de recursos da empresa, autorizando compras, pagamentos e política de vendas. É responsável também pelas contas bancárias, conferência e conciliação bancaria de todo o movimento através de bancos. É diretamente ligado ao gestor ou proprietário pois as informações geradas a partir dos controles feitos pelo financeiro é que norteara efetivamente a decisões tomadas pela administração da empresa. 

Caixa: é responsável por todas as entradas em dinheiro, cheque e

vendas através de cartão de crédito, sejam elas resultado de vendas á vista, vendas á prazo ou recebimento de duplicatas. É responsável também pelo fundo fixo, que paga despesas pequenas decorrente de necessidades rápidas que ocorrem no dia a dia das empresas. 

Contas á receber : é responsável por todos os direitos á receber da

empresa, tendo um efetivo controle do fluxo de recebimentos e cobrança, além de promover ações que visem á cobrança de devedores em atraso. 

Contas á pagar : é responsável por todos os pagamentos da empresa,

sejam eles provenientes de compras á vista ou compras á prazo, é responsável também pelo controle dos gastos á fim de fornecer informações úteis ao departamento de compras para que não se ultrapasse os valores estimados no orçamento. Entre todas as áreas da gestão financeira que sejam possíveis aplicar o controle como forma de obter informações que seja úteis para a tomada de


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decisões, o fluxo de caixa é o controle talvez, mas estratégico e tático que a micro empresa possa se valer para manter sua saúde financeira. Podemos definir uma microempresa com boa perspectiva de continuidade a empresa que tem boa administração do seu caixa, empresas que consigam aliar a obtenção de lucro nos seus resultados e o efetivo controle do seu caixa, mantendo-o com equilíbrio positivo tende-se a permanecer em patamar de segurança. O céu empresarial como define Frezatti (1997) é quando a empresa consegue aliar a maximização do seu lucro sem comprometer negativamente o fluxo de dinheiro no caixa da empresa. Geralmente as microempresas quando entram na zona de perigo financeiro voltam a se preocupar com o caixa, isso é um remédio que vem com doses corretivas, porém o fluxo de caixa pode ser uma ferramenta de controle também preventivo capaz de fornecer ao micro empresário condições de administrar seu negócio sem levar sustos ou ter surpresas ruins de ordem financeiras. O fluxo de caixa pode proporcionar oportunidades estratégicas ao gestor da microempresa, tanto no curto prazo como no longo prazo, pois com base no controle de fluxo de caixa realizado pode-se projetar o fluxo de caixa futuro, que será muito útil e influenciara diretamente as decisões estratégicas da empresa. Um exemplo básico é que os gestores com base na disponibilidade de liquidez evidenciada no fluxo de caixa projetado, poderá apoiar a sua decisão em realizar novos investimentos com a certeza que não afetará negativamente os níveis de dinheiro no caixa da empresa, mantendo assim a realização dos compromissos e obrigações da empresa. O controle do fluxo de caixa também pode proporcionar oportunidades táticas, através da tomada de decisões de impacto imediato, com o objetivo de cumprir o planejamento já elaborado pela empresa. Um exemplo é a decisão de antecipar recebíveis em curto prazo e que podem manter o nível positivo do caixa e realizar os objetivos do planejamento. O micro empresário pode inserir o fluxo de caixa no seu menu de trabalho, tornando-o ferramenta indispensável para decidir em todas as áreas do seu negocio, pois todas as ações e fatos ocorridos em cada setor da empresa afetaram mais cedo ou mais tarde o caixa da empresa, sendo assim porque não decidir antes usando esta tremenda ferramenta de gestão financeira que é o fluxo de caixa.


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Considerações Finais Neste trabalho verificamos o conceito de controle interno e gestão financeira, suas importâncias e suas aplicabilidades na gestão financeira de micro empresas. Vimos à importância da microempresa na economia brasileira e também como é alto o seu grau de mortalidade, entendemos que uma das principais causas de falência das microempresas é a má gestão financeira caracterizada pela falta de controle interno e pelo fraco planejamento. O controle interno se torna importante para o micro empresário, assim possibilita a proteção dos seus ativos e o cumprimento dos seus objetivos, sem controle interno é impossível pensar em administrar financeiramente uma empresa. A boa gestão financeira pode assegurar à micro organização empresarial uma vida longa e um crescimento satisfatório, criando valor e segurança para a empresa. O fluxo de caixa é uma ferramenta de controle que pode oferecer alternativas para a decisão tanto com ação estratégica ou com ação tática. Enfim o controle se coloca como ferramenta imprescindível para alcançar a excelência empresarial, diminuindo os riscos de mortalidade das microempresas.

Referências

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CREPALDI, Silvio Aparecido. Contabilidade Gerencial: teoria e prática. São Paulo, Atlas, 1998. DRUCKER, Peter F. Prática da Administração de Empresas. São Paulo: Pioneira, 1998. ÉPOCA, REVISTA disponível em: http://epocanegocios.globo.com/Revista/Common/0,,EMI165991-16357,00CAPACITACAO%20FAZ%20TAXA%20DE%20MORTALIDADE%20DE%20PEQUE NAS%20EMPRESAS%20DIMINUIR%20APONTA%20PE.html – acessado em 06/11/2011. FREZATTI, Fábio. Gestão do Fluxo de Caixa Diário. São Paulo, Atlas, 1997. NAKAGAWA, Masayuki. Introdução à controladoria: conceitos, sistemas e PADOVEZE, Clóvis Luís. Contabilidade gerencial: um enfoque e sistemas de informação contábil. São Paulo: Atlas, 1997. MARCONI, M. de A.; LAKATOS, E.M. Metodologia do trabalho científico. 5.ed. rev. ampl. São Paulo: Atlas, 2001. p. 43-44. Ramos, Dora disponível em :http://www.administradores.com.br/informese/artigos/como-evitar-a-quebra-de-uma-pequena-empresa/54860/ acessado em 06/11/2011.


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