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AIN N

Faculdade Independente do Nordeste Vitória da Conquista – BA.

FÁBIO PORTELA LAMARTINE

A IMPORTÂNCIA DO CUSTO NA FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA

VITÓRIA DA CONQUISTA – BA DEZEMBRO - 2006


FÁBIO PORTELA LAMARTINE

A IMPORTÂNCIA DO CUSTO NA FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA

Monografia apresentada ao curso de Ciências Contábeis da Faculdade Independente do Nordeste – FAINOR, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Ciências Contábeis. Orientador. Prof. Ms. Carlos A. Goes de Carvalho

VITÓRIA DA CONQUISTA – BA DEZEMBRO – 2006


AIN N

Faculdade Independente do Nordeste Vitória da Conquista – BA.

FOLHA DE APROVAÇÃO DE MONOGRAFIA DO CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS

FÁBIO PORTELA LAMARTINE

A IMPORTÂNCIA DO CUSTO NA FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA

Monografia do Curso de Ciências Contábeis da Faculdade Independente do Nordeste – FAINOR, como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Ciências Contábeis. Aprovado ____/____/_____

BANCA EXAMINADORA

Nome: Prof. Josenaldo de Souza Alves Assinatura: ___________________________________________

Nome: Prof. Assinatura: ____________________________________________

Nome: Prof. Assinatura: ____________________________________________


É com imensa satisfação que dedico este trabalho ao meu filho Rodrigo, a minha mãe Zilmar, a meus irmãos, tios, e a minha namorada Rose, pelo apoio e compreensão, possibilitando assim a minha conclusão do curso.


AGRADECIMENTOS

.... Se o sentido da vida está nas conquistas, estou neste momento brindando a vida! Saboreando uma bela conquista! Determinei um objetivo e caminhei ao seu encontro. Se foram muitas as dificuldades, grandiosas foram às conquistas. Hoje, percebo o mundo de uma forma diferente, sabendo que o conhecimento e a busca constante do saber é algo fascinante, sendo que o compartilhar conhecimentos e idéias representam um caminho para a construção de um mundo melhor. Contudo, sei que nada disso seria possível se algo tão grandioso não existisse, Deus! Pois a Ele devo a minha vida e as minhas conquistas. Obrigado Senhor. Obrigado também pelo meu filho que por Seu desejo divino fui presenteado. Filho, dedico a você esta vitória! Se estive ausente em alguns momentos, meu amor, foi para poder lhe dar algo de bom, um exemplo de que vale a pena lutar por um sonho e torná-lo realidade. Agradeço a meu pai, Fernando (in memoriam) que propiciou a minha existência, contribuindo para a formação do meu caráter e mostrando que devo ter humildade e vontade de lutar. Meu pai, sinto muito sua falta! Minha Mãe, muito obrigado por me trazer ao mundo! Essa é uma vitória da senhora também! A sua contribuição foi fundamental. Contigo aprendi a lutar sem temer as barreiras, pois, com sabedoria e muito amor, conseguistes conduzir a minha formação. Aos meus irmãos: Márcio, Keite e Galego, obrigado! Sei que torceram muito por mim. Agradeço aos meus avós e tios, que me acolheram, ajudaram e deram forças para seguir na busca deste sonho. A você meu amor! (Rose) meu muito obrigado pela compreensão nas ausências, você sonhou comigo também, a sua admiração me deu forças, te amo! Agradeço ao meu professor orientador, Carlos Goes, pelo apoio, atenção e contribuição para a realização deste trabalho. Agradeço a todos os colegas com os quais convivi por quatro anos, compartilhando idéias e realizações, em especial Joelma, que pela qual tenho uma amizade que transcende a academia. meu muito obrigado!


“Determine algo que pode e deve ser feito, e então achará o caminho para fazê-lo” Abranham Lincoln


RESUMO

O presente estudo tem como objetivo principal mostrar a importância do custo para formação do preço de venda. Para isso, buscou-se preliminarmente introduzir conhecimentos da Ciência Contábil, trazendo os seus conceitos e aplicações metodológicas no intuito de nortear o trabalho. Posteriormente focou-se a Contabilidade de Custo, verificando o seu nascimento, necessidade, importância e aplicação. Com essa revisão literária e com os instrumentos utilizados nesta pesquisa, percebeu-se a importância deste ramo – o custo –, como ferramenta crucial para as decisões de preços a serem praticados, sendo esta a base para formar o valor da venda de um produto, sabendo que fatores externos também refletem no mesmo. Com a pesquisa realizada, conclui-se que o administrador, diante da responsabilidade de decisão de preço, necessita da contabilidade para obter informações referentes ao seu produto, pois precisa saber do valor do seu custo para não incorrer em erros e buscar o retorno desejado pela empresa, cobrindo os seus gastos consumidos e alcançando o lucro.

PALAVRAS-CHAVE: Preço de Venda, Contabilidade de Custo, Decisões de Preços.


ABSTRACT

The present study it has as objective main to show the importance of the cost for formation of the price of sale. For this, one preliminarily searched to introduce knowledge of General Countable Science, bringing its concepts and methodology applications in intention to guide the work. Later it was focus Accounting of Cost, verifying its birth, necessity, importance and application. With this literary revision and the instruments used in this research, importance of this branch – the cost –, was perceived it, as cruciate tool for the decisions of prices to be practiced, being this the base to form the value of sale of a product, being known that external factors also reflect in this value. With the carried through research, it is concluded that the administrator, ahead the responsibility of price decision, needs the accounting to get referring information to its product, therefore needs to know of the value of its cost not to incur into errors and to search the return desired for the company, covering its expenses and reaching the profit.

WORD-KEY: Price of Sale, Accounting of Cost, Decisions of Prices.


SUMÁRIO

1.

INTRODUÇÃO .......................................................................................

10

1.1. 1.2. 1.3 1.4 1.4.1. 1.4.2.

Justificativas .............................................................................................. Problema .................................................................................................... Hipóteses ................................................................................................... Objetivo ..................................................................................................... Objetivo Geral ........................................................................................... Objetivos Específicos ................................................................................

11 11 12 12 12 12

2.

REFERENCIAL TEÓRICO ..................................................................

12

2.1. 2.2. 2.3. 2.4. 2.5. 2.5.1. 2.5.2. 2.5.3 2.6. 2.7. 2.8. 2.8.1. 2.8.2. 2.8.3. 2.9. 2.9.1. 2.9.2. 2.9.3. 2.10. 2.10.1. 2.10.2. 2.11. 2.12. 2.13. 2.14. 2.15. 2.15.1 2.15.2 2.15.3. 2.16. 2.16.1. 2.16.1.1. 2.16.2. 2.16.2.1.

Contabilidade ............................................................................................. Objetivos da Contabilidade ....................................................................... Objeto da Contabilidade ............................................................................ Patrimônio ................................................................................................. Bens, Direitos e obrigações ....................................................................... Bens ........................................................................................................... Direitos ...................................................................................................... Obrigações ................................................................................................. Usuários da Contabilidade ......................................................................... Campo de Aplicação da Contabilidade ..................................................... Gastos, Despesas e Custos ........................................................................ Gastos ........................................................................................................ Despesas .................................................................................................... Custos ........................................................................................................ Contabilidade de Custos ............................................................................ Conceito de Custos .................................................................................... Áreas de Aplicação do Custo .................................................................... A Importância do Custo ............................................................................ Custo Fixo e Custo Variável ..................................................................... Custo Fixo ................................................................................................. Custo Variável ........................................................................................... Custo Direto e Indireto .............................................................................. Ponto de Equilíbrio .................................................................................... Margem de Contribuição ........................................................................... Margem de Segurança ............................................................................... Decisões de Preço de Venda ..................................................................... Influencia do Cliente ................................................................................. Influencia da Concorrência ....................................................................... Influencia do Custo ................................................................................... Formação do Preço de Venda .................................................................... Custeio por Absorção ................................................................................ Elementos que Compõem o Custeio por Absorção ................................... Custeio Direto ............................................................................................ Elementos que Compõem o Custeio Direto ..............................................

12 15 15 15 17 17 18 18 19 19 20 20 20 21 21 22 23 24 25 25 27 27 28 30 31 32 32 33 34 34 36 36 37 38


3.

METODOLOGIA DA PESQUISA ........................................................ 39

3.1. 3.2. 3.3. 3.4. 3.5. 3.6. 3.7.

Estudo Descritivo ...................................................................................... Abordagem Quantitativa ........................................................................... Abordagem Qualitativa ............................................................................. Tipo de Pesquisa ........................................................................................ Levantamento de Dados ............................................................................ Ambiente da Pesquisa ............................................................................... Coleta de Dados – Entrevista ....................................................................

39 40 40 40 40 40 41

4.

RESULTADO APURADO .....................................................................

44

4.1.

Análise dos Resultados .............................................................................. 44

5.

CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................. 45 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................

47


1. INTRODUÇÃO

Constantemente a sociedade se depara com a notícia de que determinada empresa veio à falência, levando à reflexão sobre as razões que motivaram o seu fechamento. São muitos os motivos divulgados para justificar o fim da vida destas empresas, como, por exemplo, a falta de habilidade administrativa do empreendedor, a excessiva carga tributária ou até mesmo a falta de capital de giro são motivos mencionados. Contudo, apesar de muitas explicações, um dos grandes fatores que levam as empresas à falência e ao seu fechamento, está ligado à falta de conhecimentos e a aplicação das práticas e técnicas da Contabilidade, segundo pesquisa realizada pelo SEBRAE em 2003. O Conhecimento e a aplicação da ciência contábil, aliado as questões administrativas e econômicas, podem sustentar tais empresas no mercado. Desta forma, o profissional contábil – contador –, é uma pessoa de fundamental importância para uma empresa, haja vista que com a aplicação do seu conhecimento cientifico, poderá auxiliar o empresário, fornecendo informações, assim como relatórios, que serão de suma importância no processo de formação do preço de um determinado produto a ser vendido. O custo apresenta-se como um fator primordial para a saúde da empresa. Toda empresa tem como objetivo a maximização dos lucros, e, para que isso aconteça, a atividade por ela exercida necessita de um alinhamento, uma harmonia na formação de seu produto, na qual a estrutura do custo do produto a ser vendido deverá ser criteriosa a fim de que possa atingir os seus objetivos – o lucro. Uma boa análise dos gastos, com o conhecimento do que é despesa e o que é custo, agregando isso na formação do produto, vai possibilitar o controle do custo dentro da empresa, gerando capacidade na tomada de decisões pelos gestores, como também a formação do seu percentual de lucro, objetivando atingir a eficácia nos lucros. Sendo assim, percebemos que a contabilidade de custo é uma ferramenta indispensável dentro de um empreendimento. Partindo desta premissa, neste trabalho buscou-se evidenciar a importância desse ramo da contabilidade geral no processo de constituição do preço de venda de um produto.


1.1. Justificativas A contabilidade é uma ciência importantíssima no auxílio ao empresariado e administradores em geral, pois é capaz de gerar informações necessárias para que possa conhecer sua atividade comercial, tomar decisões, e, como não poderia deixar de ser, auxiliar na formação do preço de venda de seu produto. Embora pareça fácil se formar o preço de venda, para se obter sucesso nessa tarefa é necessário utilizar-se de técnicas contábeis para se chegar a este valor. A Contabilidade de custos sempre dará este apoio aos profissionais que lidam com esse elemento, pois primeiramente o custo de qualquer produto ou serviço precisa ser evidenciado, para que daí se forme o seu preço de venda. Percebe-se que o custo é um elemento que sempre traz algumas inquietações para empresários, gerentes, administradores e muitos outros que administram instituições ou empresas de quaisquer natureza. Desta forma, este estudo procura respostas a estas inquietações relacionadas ao custo na expectativa de proporcionar alguma contribuição teórica ou prática sobre o assunto. Pensando na grande importância da técnica contabilidade de custo, para o sucesso de um empreendimento, buscou-se neste trabalho, evidenciar as práticas contábeis necessárias para formação do custo de produto. Afinal, a saúde da empresa está diretamente relacionada com este importante item, o custo. Por fim, a relevância científica deste trabalho está no fato do mesmo estar embasado em pesquisas e pressupostos teóricos de cientistas que sempre contribuíram no auxílio de profissionais que lidam com a questão do custo e, por isso, certamente também proporcionará a sua ajuda a tais profissionais.

1.2. Problema As empresas buscam a todo instante conquistar os seus clientes. Para isso é necessário que seu produto seja aceito, que tenha um preço compatível e que supere a concorrência. Desta forma qual a importância do custo para que a empresa possa tomar a decisão do preço de venda a ser praticado, levando em consideração as influências que este preço pode receber?


1.3. Hipóteses H1 – O custo representa uma fatia substancial e de grande importância na formação do preço de venda; H2 – Para obter uma formação de custo ideal é necessário utilizar de métodos ou sistemas apropriados.

1.4. Objetivo

1.4.1. Objetivo Geral Este trabalho visa evidenciar por meio de pesquisas bibliográficas e coleta de dados, a contribuição que a ciência contábil pode dar, por meio da contabilidade de custo, para a formação do preço de venda de um produto mostrando, assim, a importância deste ramo da contabilidade geral.

1.4.2. Objetivos Específicos Verificar qual a relevância do custo na tomada de decisão; Conceituar dentro dos princípios contábeis o que são gasto, custo e despesa e o que são custo fixo e custo variável; Identificar os elementos que compõe o custo de um produto; Constatar a importância do custo para formar o preço de venda.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1. Contabilidade A contabilidade desde os primórdios tem recebido considerações diversas pelos seus doutrinadores. Mesmo sabendo de seu objeto e finalidade, alguns, como Neves (2000, p.1), a consideram como uma ciência, outros como instrumento, como afirma Marion (1998, p. 24). Sendo também que de acordo com Velter e Missagia (2005, p. 1), outrora, quando ainda não sedimentados os princípios que a regem, chamavam-na de


arte. Contudo, sabe-se que a contabilidade surgiu – a partir de conhecimentos –, para ordenar, organizar os dados patrimoniais, econômicos e financeiros de uma entidade. Sendo que, utilizando de suas premissas, terá como foco e campo de estudo o patrimônio das entidades. Os conceitos para a Contabilidade são vários. Os seus doutrinadores a apresentam de maneira que se pode entender que ela é uma ciência que reúne arte e técnica. De qualquer forma, percebe-se que a Contabilidade vem sendo usada desde os tempos mais remotos, visto a necessidade da sua utilização e aplicação em várias atividades de subsistência e comerciais como, por exemplo, a do pastor ao contar as suas ovelhas, que já utilizava a ciência contábil quando buscava mensurar o seu estoque. Segundo o conceito de Marion (1998, p. 24), contabilidade “é o instrumento que fornece o máximo de informações úteis para a tomada de decisões dentro e fora da empresa. Ela é muito antiga e sempre existiu para auxiliar as pessoas a tomarem decisões.” Neste primeiro conceito já é destacado a importância da contabilidade para o administrador, ajudando-o com informações necessárias para a execução de seus trabalhos. De acordo com Franco (1997, p.21):

Contabilidade é a ciência que estuda os fenômenos ocorridos no patrimônio das entidades, mediante o registro, a classificação, a fatos, com o fim de oferecer informações e orientação – necessárias à tomada de decisões - sobre a composição do patrimônio, suas variações e o resultado econômico decorrente da gestão da riqueza patrimonial.

Velter e Missagia (2005, p. 3) conceituam também a Contabilidade como, Ciência econômico-administrativa que utiliza metodologia própria para registrar, analisar e controlar os aspectos relativos ao patrimônio das entidades, com o objetivo de fornecer informações aos agentes interessados para subsidiar a tomada de decisões.

Desta forma, percebe-se que a contabilidade veio para, a partir da aplicação de sua própria metodologia, inserir seus conhecimentos no controle patrimonial das entidades. Buscando atender as necessidades das mesmas, efetuando registros, análises e controles para geração de informações. Sendo que ela vem ao longo do tempo auxiliando as pessoas em suas ações dentro das empresas.


Evidencia-se pois que à contabilidade é um instrumento que norteia os seus usuários dentro das empresas. Como disse Marion (1998, p. 24), “uma empresa sem boa contabilidade é como um barco, em alto-mar, sem bússola.” Sá (1993, p. 89) dá a sua contribuição dizendo que a contabilidade é a Ciência que estuda os fenômenos sob o aspecto do fim aziendal; é a ciência que tem por objetivo estudar o sistema da riqueza administrativa a fim de observar se ela atinge os fins propostos pelo sujeito aziendal. Salienta-se também a consideração de que a contabilidade é, segundo Franco (1997, p. 19), um conjunto de conhecimentos sistematizados, com princípios e normas próprias, ela é, na acepção ampla do conhecimento de ciência, uma das ciências econômicas e administrativas. Já o Primeiro Congresso Brasileiro de Contabilidade, realizado no Rio de Janeiro, em 1924, definiu o que se chama de conceito oficial de Contabilidade, (Velter e Missagia, 2005, p. 2): “A contabilidade é a ciência que estuda e pratica as funções de orientação, controle e registro relativos à administração econômica.” Acrescenta-se também que, de acordo com a Resolução de n. 774/94 do Conselho Federal de Contabilidade, a contabilidade deve ser entendida como ciência. Existem muitos conceitos e definições para Contabilidade, variando de acordo com o pensamento de seus doutrinadores. Percebe-se que a contabilidade é uma ciência, dotada de técnicas, voltada para registrar, classificar, demonstrar e analisar todos os fenômenos patrimoniais dentro das entidades. Preocupando-se em fornecer informações por meio de demonstrações, que venham evidenciar as variações patrimoniais1, com o intuito de passar aos seus administradores orientações necessárias à ação administrativa e tomada de decisões nas entidades em busca de seus objetivos específicos. Lembrando que a contabilidade não se limita em fornecer informações apenas aos seus administradores, ela presta informações também às pessoas interessadas na avaliação da entidade, mostrando a outros usuários a situação patrimonial dessas entidades.

1

Alteração do valor, de qualquer elemento do patrimônio, por alienação, aquisição, depreciação ou valorização, amortização, superveniência, insubsistência e efeitos da exaustão orçamentária, (MARION, 2001, p. 210).


2.2. Objetivos da Contabilidade

Fica claro que a Contabilidade tem como princípios fundamentais, tomando por base o conceito desta no Primeiro Congresso de Contabilidade realizado no Rio de Janeiro, citado anteriormente, funções de registrar, controlar e orientar, com o objetivo de evidenciar os fatos ocorridos na azienda. Para que aconteça o registro é necessário que os fatos sejam evidenciados por algum meio. O controle é uma função de grande importância, visto a necessidade de proteger os ativos2, tendo também como finalidade primordial acompanhar o que foi planejado, preocupando-se com a execução. Já a orientação acontecerá por meio de relatórios, demonstrando a situação da empresa, que servirão para verificar se o que foi planejado, o que foi executado, observando-se as metas que foram traçadas estão sendo atingidas com eficácia. Podem servir, portanto, de parâmetro para tomada de decisões. Desta forma, percebe-se que a Contabilidade, por meio de seus objetivos fundamentais, possibilita os registros e controles, objetivando fornecer aos diversos usuários, informações que venham possibilitar a avaliação da composição e variação patrimonial de uma entidade, mostrando a situação da empresa e dando subsídios para tomada de decisões dentro dela.

2.3. Objeto da Contabilidade O objeto da contabilidade é o patrimônio, local de aplicação das funções contábeis, classificando, registrando, analisando, interpretando e informando, por meio de suas demonstrações contábeis3, todos os fatos e fenômenos ocorridos, objetivando fins específicos dentro da entidade.

2.4. Patrimônio

O patrimônio se apresenta como um conjunto de bens, direitos e obrigações de uma empresa, sendo partes indispensáveis dela. Ressalta-se que a contabilidade tem 2

Todos os bens e direitos de posse, controle ou propriedade da empresa, mensuráveis monetariamente, que representam benefícios presentes ou futuros para a entidade. (MARION, 2001, p. 19).


como finalidade principal registrar a movimentação desse patrimônio. Franco (1997, p. 25) define patrimônio como “um conjunto de bens, direitos e obrigações vinculadas a uma pessoa ou a uma entidade. Podemos ainda defini-lo como conjunto de bens econômicos, ou conjunto de bens com fim específico”. De acordo com Neves (2000, p. 4), patrimônio “é um conjunto de bens, direitos e obrigações vinculado a uma pessoa física ou jurídica ou a uma entidade.” Já Velter e Missagia (2005 p. 19) dizem que é o conjunto de bens, direitos e obrigações vinculados a uma determinada entidade, com ou sem fins lucrativos, utilizados na consecução de seus objetivos. Ou seja, tem-se o patrimônio de uma entidade reunindo seus bens, direitos e obrigações, a partir de cada movimentação registrada na contabilidade, em virtude dos acontecimentos diários como, compra, venda, pagamentos e recebimentos, tem-se a variação desse patrimônio. As variações ou mutações do patrimônio4, são reflexos de ações sofridas por aspectos qualitativos ou quantitativos. Qualitativos referindo aos elementos do patrimônio, analisando de forma individualizada tais peças como: caixa, valores a receber, estoque de mercadorias. E de forma quantitativa, as expressões monetárias desses elementos, ou seja, o valor econômico de cada elemento e do seu conjunto. Dessa forma, há opiniões que são contrárias às afirmações anteriormente citadas a respeito do que seja patrimônio. Segundo Lopes de Sá (1993, p. 327),

Erroneamente tem sido definido como um conjunto de direitos e obrigações, o que não corresponde à realidade contábil. Esta definição é errada e não forma atualmente a cogitação dos grandes mestres, tendo sido combatida desde fins do século passado por Fábio Besta. O patrimônio é o objeto administrado que serve para propiciar à azienda a obtenção de seus fins.

A despeito das divergências nas definições, fica a certeza de que o patrimônio é o objeto da contabilidade, delimitando o campo de atuação desta ciência na busca dos objetivos da empresa.

3

Evidenciação resumida e ordenada de dados colhidos pela contabilidade. Objetiva relatar aos usuários da contabilidade os principais fatos registrados em determinado período, (MARION, 2001, p. 174). 4 Modificação que se verifica no patrimônio; o mesmo que mutação contábil, (SÁ 1993 p. 306).


2.5. Bens, Direitos e Obrigações

2.5.1. Bens Os bens são representados por tudo aquilo que é suscetível de avaliação econômica dentro de uma entidade, não levando em consideração, para registro na contabilidade, o valor econômico desse bem. Ou seja, seja ele expressivo ou não, será contabilizado. Segundo o conceito de Velter e Missagia (2005, p. 20), bens são coisas úteis, suscetíveis de avaliação econômica e que estejam à disposição de uma entidade para atingir sua finalidade. Sob o ponto de vista contábil, são elementos que compõem o patrimônio. Por avaliação econômica, devemos entender a menor fração da moeda de um país, no nosso caso, o centavo de real. Neves (2000, p. 4), traz sua definição para bem como sendo, “Tudo aquilo que pode ser avaliado economicamente e que satisfaça necessidades humanas.”. Percebe-se assim, que mesmo que o bem tenha um valor pequeno como por exemplo um centavo, este bem deve ser registrado na contabilidade. Assim também qualquer transação com valor expressivo deve estar na contabilidade devidamente registrado, pois será objeto de uma variação patrimonial da entidade, refletindo em suas demonstrações. Estes bens estão classificados como materiais, corpóreos ou tangíveis, por possuírem existência física, concretos, podem ser tocados. Como também bens imateriais, incorpóreos ou intangíveis, por possuírem características abstratas, não possuindo existência física, mas valor econômico. Do ponto de vista de Lopes de Sá (1983, p. 50), bem significa “o elemento de que dispõe uma empresa ou entidade para a obtenção de seus fins: é dito também: bem patrimonial ou bem contábil.” Sendo que Sá (1983, p. 50) acrescenta ainda que, Os bens são geralmente formados por materiais que contribuem direta ou indiretamente para a criação do redito ou a obtenção do fim aziendal. São também denominados Bens Aziendais. Tais bens, observados do ponto de vista da riqueza social, são denominados de Bens Econômicos; em seu mundo limitado à azienda, não tem a mesma acepção. São elementos formados desde os mais singulares objetos, como canetas, borrachas para tinta, papéis, vassouras etc., até aos mais complexos, como máquinas a explosão, veículos, prédios etc.


2.5.2. Direitos Entende-se como direito dentro da Contabilidade, os valores que a entidade tem a receber de terceiros em virtude de sua atividade ou não. Na linguagem técnica comercial, são os créditos da empresa perante aos seus clientes, ou até mesmo valores a recuperar de impostos e tributos perante o governo. Marion (1998, p. 32) afirma que, em contabilidade entende-se por Direito ou Direito a receber o poder de exigir alguma coisa. São valores a receber, títulos a receber, contas a receber etc. Já para Neves (2000, p. 5), direitos em contabilidade são “valores a serem recebidos de terceiros, por vendas a prazo ou valores de nossa propriedade que se encontram em posse de terceiros.”. Desta forma, o que se percebe de direito dentro da contabilidade, está ligado ao fato de ser o legítimo dono, ter a propriedade de algo que não lhe está disponível no momento, não tem a posse ou não está usando algo que lhe pertence.

2.5.3. Obrigações As obrigações dentro de um patrimônio contábil, são caracterizadas pelo fato de se ter algo em seu poder, ou seja, ter a posse, contudo não se tem a propriedade. O legítimo dono desse bem é um terceiro. Podem ser dívidas ou compromissos de qualquer espécie ou natureza assumidos perante terceiros, ou bens de terceiros que se encontram em posse de sua empresa. Velter e Missagia (2005, p. 23) assim definem obrigações: São valores a pagar em função de dívidas ou compromissos de qualquer natureza, assumidos perante terceiros, ou por bens de terceiros que se encontram em posse da entidade, sobre os quais esta possui uma responsabilidade, quer pela devolução (empréstimo), quer pela indenização ou pelo pagamento.

Com a definição de (Neves, 2000, p.5) temos que obrigações dentro da contabilidade, são dívidas ou compromissos de qualquer espécie ou natureza assumidos perante terceiros, ou bens de terceiros que se encontram em nossa posse (uso). Dessa forma, ao adquirir um bem a prazo a empresa adquire uma obrigação com terceiros, sendo que este passa a integrar ao patrimônio da empresa. Os registros na


contabilidade serão efetuados de forma que evidencie tal transação, ocasionando uma variação patrimonial. Complementando, acrescentamos a contribuição de Marion (1998, p.32) que diz que obrigações são dívidas com outras pessoas. Em contabilidade tais dívidas são denominadas obrigações exigíveis, isto é, compromissos que serão reclamados, exigidos: pagamento na data do vencimento. As obrigações dentro do patrimônio de uma empresa podem ser adquiridas: com fornecedores, com funcionários, com o governo, com as financeiras, com a Previdência Social e outros.

2.6. Usuários da Contabilidade Os usuários da contabilidade são todas as pessoas jurídicas e físicas que tenham interesse nas informações prestadas por ela, que queiram saber da situação patrimonial da entidade. Estes usuários podem ser internos: sócios, acionistas e administradores, ou externos: pessoas físicas, financeiras, o governo e outros. Desta forma, estes usuários terão acesso às informações contábeis a partir do vínculo que a entidade tenha com eles. Marion (1998, p. 25) de forma clara afirma que os usuários são as pessoas que se utilizam da contabilidade, que se interessam pela situação da empresa e buscam na contabilidade as suas respostas.

2.7. Campo de Aplicação da Contabilidade Como afirma Neves (200, p. 2) o campo de aplicação da contabilidade “são as aziendas” e, ainda segundo ele, elas representam:

a)

entidades econômico-administrativas, assim chamadas àquelas que, para atingirem seu objetivo, seja econômico ou social, utilizam bens patrimoniais e necessitam de um órgão administrativo, que pratica atos de natureza econômica necessários a seus fins”; ou. b) complexo de obrigações, bens materiais e direitos, representados em valores ou suscetíveis de apreciação econômica, constitutivos de um patrimônio, considerado juntamente com a pessoa natural ou jurídica que sobre ele tem poderes de administração e disponibilidade.”


Note-se que o campo de aplicação ou de atuação da contabilidade compreende todas as entidades que tenham um patrimônio a ser avaliado, ou seja, as aziendas, e que elas representam o sistema organizado que visa atingir um fim qualquer sob gestão do homem. Para melhor entendimento do que sejam aziendas, cite-se o comentário feito por Neves (2000, p. 2):

No conceito de aziendas se incluem, além das empresas, as entidades cujo objetivo não é obter lucros, mas simplesmente prestar serviços à comunidade, tais como as entidades de assistência social, os clubes desportivos, as fundações de caráter cultural, etc. Estas entidades também usam a contabilidade porque precisam controlar a evolução do seu patrimônio.

2.8. Gastos, Despesas e Custos

2.8.1. Gastos Os gastos representam o sacrifício financeiro realizado pela empresa para a obtenção de um produto ou serviço que é representado pela entrega de um ativo ou compra de um passivo. Só é considerado gasto no ato do reconhecimento contábil da dívida adquirida ou na diminuição dos ativos dados em troca. O gasto poderá se transformar em despesa, investimento ou custo, dependendo do seu fim e classificação contábil.

2.8.2. Despesas Para que a empresa possa gerir a sua atividade, ela precisa gerar gastos para que possa chegar aos seus objetivos, obter receita. Estes gastos podem ser identificados com a aquisição de insumos e serviços empregados na produção, titulados como custo, como também nas despesas, que se referem aos gastos operacionais não tendo um reflexo direto na composição do produto, resultando em uma variação patrimonial, com redução no resultado5 da empresa. Desta forma, as despesas são os gastos gerados para obter receitas em uma empresa, para que assim possa atingir os seus objetivos principais. 5

O mesmo que rédito; lucro ou perda; efeito da gestão sobre o patrimônio aziendal. (SÁ, 1993, p. 403).


Conceituando tal assunto, Marion e Iudícibus (2001, p. 70) afirmam que,

Em sentido restrito, representa a utilização ou consumo de bens e serviços no processo de produzir receitas. O que caracteriza a despesa é o fato de ela tratar de expirações de fatores de serviços, direta ou indiretamente relacionados com a produção ou a venda do produto (serviço) da entidade.

2.8.3. Custos Os custos representam, em sua essência, os gastos utilizando os fatores de produção, destinados a um bem ou serviço, podendo ser matéria prima, insumos, mãode-obra, serviços e outros. Segundo Franco (1997, p. 44) o custo “é o preço pelo qual se obtém um bem ou serviço.” O custo é de fundamental importância em qualquer entidade com ou sem fins lucrativos, pois dele depende para alcançar os fins a que se destina a empresa. Sendo assim, a entidade que busca minimizar os seus custos, estará obtendo melhores resultados econômicos para a empresa.

2.9. Contabilidade de Custo

O nascimento da contabilidade de custo está atrelado a Revolução Industrial. Tempo em que sua principal função era registrar os custos para que fosse possível avaliar os estoques, sendo que nesta época eram apenas computados os custos diretos: o valor do material consumido e o valor da mão-de-obra aplicada, proporcionando assim determinar de maneira mais eficiente os resultados e levantamento dos balanços (LEONE, 2001, p. 11). Assim como em toda ciência, a contabilidade de custos foi se desenvolvendo a partir das necessidades de sua aplicação, superando a fase do seu nascimento em que a preocupação dos contadores estava especificamente em registrar os custos diretos. Superada essa primeira fase, em que os profissionais deste ramo da contabilidade preocupavam-se somente com os custos diretos, esta ciência foi bastante


influenciada pelas I e II Guerras Mundiais, de acordo com Leone (2001, p.11) que afirma que: A partir da I Guerra Mundial, em face da intensificação da competição e ainda após a Depressão, verificou-se que as informações de contabilidade de custos, se organizadas adequadamente, poderiam servir como controle dos próprios custos e das operações. A contabilidade de custos ganhou corpo, atingindo sua identidade especifica, e começou a ser finalmente considerada instrumento de administração. Com a II Guerra Mundial desenvolvem-se modernas técnicas de administração, e novas concepções levaram à contabilidade de custos impulsos novos, aumentando sua área de influências. As informações de custos passaram a apoiar a administração em suas funções de planejamento e tomadas de decisões. A contabilidade de custos passou cada vez mais a responsabilizar-se pela análise e interpretação das informações quantitativas a fim de fornecer à administração instrumentos significativos e oportunos para a gerência da organização.

A importância das informações contábeis e de custos para que uma empresa seja bem sucedida já é reconhecida há muito tempo. No atual ambiente da economia essas informações são cada vez mais críticas, e as empresas estão dando cada vez mais atenção aos controles dos custos de seus produtos, buscando assim manter-se competitivas. A contabilidade fornece de maneira detalhada os dados sobre os custos, permitindo que seus gestores possam controlar as operações. A contabilidade de custo vem se desenvolvendo ao longo das últimas décadas, com o seu dinamismo e crescente evolução, vem suprindo o administrador com informações para tomada de decisões. O administrador atual necessita ter conhecimento do custo de seu produto. Estar atrelado às especulações financeiras, investimentos e prazo das suas negociações como forma de obter lucro, já não representa mais uma verdade absoluta. As empresas estão cada vez mais competitivas, e para serem bem sucedidas necessitam de boas políticas de preços. Para alcançar essas performances em suas estratégias de ação no mercado, requerem controle dos gastos na fase de produção daquilo que se pretende oferecer ao consumidor.

2.9.1. Conceito de Custo As decisões tomadas pelas empresas na mensuração dos seus preços de venda representam fator de grande importância para o seu crescimento. Com a grande


competitividade existente hoje, as empresas precisam adotar políticas de preços adequadas para se destacarem frente às demais. Entre os componentes do processo de formação do preço de venda, o custo representa uma parcela imprescindível e de grande importância. Ao conceituando a Contabilidade de custo os estudiosos relacionam a matéria com a aquisição e reposição dos recursos dentro do ciclo produtivo. Segue abaixo como Leone (2001, p.18) a conceitua: A contabilidade de custos pode ser conceituada como o ramo da função financeira que acumula, organiza, analisa e interpreta os custos dos produtos, dos estoques, dos componentes da organização, dos planos operacionais e das atividades de distribuição para determinar o lucro, para controlar as operações e para auxiliar o administrador no processo de tomada de decisões e de planejamento.

De acordo com Sá (1993, p. 93), contabilidade de custo é a parte da contabilidade que estuda os fenômenos dos custos, ou seja, dos investimentos feitos para que se consiga produzir ou adquirir um bem de venda ou um serviço. Percebe-se que o administrador não poderá exercer sua profissão com precisão e gerar alternativas em suas tomadas de decisões dentro da empresa, se não tiver um conhecimento das informações relacionadas ao seu produto. Da mesma forma, esta mesma companhia não poderá analisar e evidenciar tais informações, se não tiver um mecanismo que proporcione tais dados que é a contabilidade de custos. Desta forma, o profissional da área – o contador –, exerce uma função importantíssima dentro das empresas, sendo este dotado de responsabilidade ética, atrelado à competência e confiabilidade, tendo o papel de assessorar, fornecendo informações aos administradores para que busque os objetivos da empresa.

2.9.2. Áreas de Aplicação do Custo A contabilidade de custo não se limita apenas às indústrias, poderá ser aplicada em diversos ramos. Segundo Leone (2001, p.09): Importa também notar que durante muito tempo se pensou que a contabilidade de custo se referia apenas ao custeamento dos produtos e que servia somente às empresas industriais. Todavia, atualmente esse ramo da contabilidade é constituído de técnicas que podem ser aplicadas a muitas outras atividades, inclusive, e principalmente, aos serviços e ainda às empresas não-lucrativas.


Podemos acrescentar também o que Netto (2001, p.23) afirma: A aplicação da contabilidade de custos é vasta: ela pode produzir bons resultados mesmo nas empresas estritamente comerciais ou que prestem serviços, como, por exemplo, hospitais, lojas, serviços de utilidade pública, institutos educacionais, repartições públicas etc., levando-se em devida conta, é claro, as peculiaridades de cada organismo.

Desta forma, fica claro que onde houver qualquer atividade empresarial, com fins lucrativos ou não, lá estará a contabilidade de custo, dimensionando o conteúdo de tudo aquilo relacionado a esta atividade, sendo esta desempenhada pelo profissional capacitado. A idéia básica de custos, atualmente, é de que eles devem ser determinados tendo em vista o uso a que se destinam. A “diversidade de objetivos da contabilidade de custos torna difícil estabelecer um só tipo de custo de produção, que se adapte a todas as necessidades [...] cada utilização de custo requer, de fato, diferentes tipos de custos” (RONCHI, 1956, p. 92). “Por isso, a contabilidade de custos, quando acumula os custos e os organiza em informações relevantes, pretende atingir três objetivos principais: a determinação do lucro, o controle das operações e a tomada de decisões” (LEONE, 2001, p. 09). Percebe-se a importância do custo nas atividades das empresas, como um meio para a tomada de decisão e mensuração do valor a ser praticado, ou seja, uma alavanca para a atividade econômica desenvolvida pelo empreendimento.

2.9.3. A Importância do Custo As empresas devem sempre e da melhor forma possível, transferir para os seus produtos os valores de seus custos e, desta forma, a partir de sua composição incluir a margem de lucro6 para poder comercializá-lo. Estipulado o preço de venda não significa ainda que o preço a ser praticado será obrigatoriamente aquele. Muitas vezes, o empreendedor diante de fatores econômicos, comportamento do mercado, e até mesmo diante da concorrência, poderá alterar o seu preço de venda. Contudo, tal alteração implicará num impacto no resultado da empresa. Sabendo do real valor do custo do produto a ser oferecido ao consumidor, será acrescentado a este, o percentual de margem de lucro, que representa um fator de grande

6

Diferença entre receita e todas as despesas variáveis, Marion (2001, p. 126).


importância para a empresa, pois a estipulação deste percentual implicará na aceitação desde produto no mercado, além da qualidade do mesmo. À medida que se altera o percentual da margem de lucro, o resultado também será afetado, refletindo no valor do retorno que este produto está proporcionando. O limite da margem de lucro está no ponto de equilíbrio, isto é, se o produto for comercializado em uma quantidade inferior a este ponto, trará reflexos negativos em seu resultado, pois o ponto de equilíbrio representa o último estágio da formação do custo. Desta forma, é imprescindível conhecer a composição do custo, para que se possa saber até que ponto se poderá chegar numa tomada de decisão, em caso de uma eventual ação no mercado. O custo representa uma grande preocupação para o empresário, pois na formação do preço de venda de um produto, ele deve atender a diversas finalidades. De acordo com Leone (2001:10):

Na fixação do preço de venda de um produto devem ser computados todos os custos e, principalmente, num regime inflacionário, os custos de reposição. A recuperação dos custos através da venda servirá para cobrir os impostos, os juros, as despesas expansão, os dividendos e a reposição das matérias-primas e de outros fatores de produção necessários para o reinicio e a manutenção do ciclo operacional.

Com isso vemos que a contabilidade de custo representa um poderoso instrumento. Cabe ao contador gerar as informações necessárias para enviar ao administrador, ajudando-o a um eficiente desempenho de suas atividades.

2.10. Custo Fixo e Custo Variável

2.10.1. Custo Fixo

Os custos fixos representam os gastos realizados em uma mesma medida dentro de uma produção, sendo que independente da quantidade de itens a serem produzidos, não sofrerá alterações no seu valor, assim como a quantidade de materiais empregados. Como exemplo de custos fixos pode-se citar: aluguéis, seguros, salários mensais. Sendo que mesmo que um valor, como o do aluguel, sofra um reajuste, este não perderá a característica de custo fixo.


De acordo com Leone (2001, p. 35) custos fixos:

São aqueles que, dentro de determinada faixa (nível de atividade), não variam com o volume da produção. Exemplos de custos fixos: Salário da administração, salário dos supervisores, depreciação, seguros, alguns impostos, aluguéis e juros de empréstimos. Os custos fixos são variáveis por unidade. Isso porque, sendo fixos dentro de uma faixa de volume de atividade, quanto mais alta a produção, menores serão os custos fixos por unidade.

O custo fixo é aquele que, em determinado período e faixa de atividade chamada faixa relevante, não se altera em seu valor total, mas vai ficando cada vez menor em termos unitários com o aumento do volume de produção (MARION, 2001, p. 57). Percebe-se então que os custos fixos são precisos na determinação do ponto de equilíbrio, e do ponto crítico. E que de acordo com seu volume de itens produzidos, evidenciará a variação de lucro obtido. Desta forma percebe-se que se uma empresa produz 1.000 unidades de um produto, com custos fixos de R$ 10.000,00, terá um custo fixo unitário por produto de R$ 10,00. Caso ela aumente a sua produção para 2.000 unidades, ficando com o mesmo valor de R$ 10.000,00 de custos fixos, obterá um custo fixo por unidade de R$ 5,00. Ou seja, o valor fixo de R$ 100.000,00 foi diluído para 2 mil peças, diminuindo o gasto por unidade.

Tabela 1 – Custo unitário fixo por unidade _________________________________________________ _________________________________ Unidades Custo Custo Produzidas

Fixo

Unitário

1.000 $ 10.000 $ 10 2.000 $ 10.000 $5 _________________________________ _________________________________________________ Fonte: Adaptado de LEONE, 2001.


2.10.2. Custo Variável

Os custos variáveis oscilam de acordo com as quantidades produzidas, aumentando de acordo com o aumento da produção, apresentando uma relação direta com a quantidade produzida. Exemplificando: matéria-prima, embalagens. Como afirma Leone (2001, p. 35) custos variáveis, São os que variam proporcionalmente com as unidades produzidas ou com o volume de atividades desenvolvido pela empresa. Exemplo de custos variáveis: material direto, mão-de-obra direta, força e luz, combustíveis, comissões sobre vendas. Os custos variáveis são fixos por unidade de produção. Sendo variáveis e de acordo com a produção, quando esta aumenta produz um aumento proporcional nos custos variáveis unitários.

Ainda segundo Marion (2001, p. 59), custo variável é o “custo uniforme por unidade, mas que varia no total na proporção direta das variações da atividade total ou do volume de produção relacionado.” Conclui-se daí que o custo variável será evidenciado mediante o inicio da atividade de produção, indo a uma proporção do volume produzido. Sendo assim, se não houver quantidade produzida, o custo variável será nulo.

2.11. Custo Direto e Indireto

Uma questão muito importante em custos é saber quando eles têm um relacionamento direto ou indireto com um determinado objeto de custo. Segundo Horngren (1997, p.20) “custos diretos de um objeto de custo são os custos que estão relacionados a um determinado objeto de custo e que podem ser identificados com estes de maneira economicamente viável (custo efetivo).” Sendo assim, observando uma vassoura como objeto de custo, levando em consideração a madeira aplicada neste bem, tem-se um custo direto neste produto. Isso porque é facilmente identificada neste produto a madeira utilizada na sua fabricação. Marion (1993, p. 115) vai mais além com relação aos custos diretos dizendo que: “é o momento do custo representado apenas pelos valores da mão-de-obra e da matériaprima, ou seja, os elementos especiais ou diretos da produção; o mesmo que custo


Especial ou Custo Primário.” Desta forma, os custos diretos estão relacionados aos principais elementos da composição de um produto. Com relação aos custos indiretos, Horngren (1997, p.20) diz que, “custos indiretos de um objeto de custo são os custos que estão relacionados a um determinado objeto de custo mas não podem ser identificados com este de maneira economicamente viável (custo efetivo). Os custos indiretos são alocados ao objeto de custo por meio de um método de alocação de custo denominado rateio.” Neste caso, a energia utilizada na fábrica de vassouras é um custo indireto da vassoura, pois embora esteja sendo utilizado nesta fábrica, não será considerado como custo efetivo. Pois não será possível determinar a quantidade exata de energia utilizada na fabricação da vassoura. Levando a entender que os custos indiretos estão relacionados aos elementos que não estão fisicamente presentes no produto em fabricação, contudo cooperam para que este produto seja fabricado. Ainda segundo Horngren (1997, p.20) “a apropriação direta de custo é o processo de transferência dos custos diretos a um objeto de custo desejado. O rateio de custo é o processo de transferência dos custos indiretos a um objeto de custo desejado.” Constata-se, que os custos diretos são mais precisos que os rateios dos custos indiretos. Contudo os dois se relacionam na apropriação dos custos de um produto, pois os dois processos de custos englobam-se em um objeto de custo.

2.12. Ponto de Equilíbrio Ponto de equilíbrio ou ponto de ruptura, representa o ponto de intercessão em uma linha, mostrando o encontro, o equilíbrio dos custos de um produto e das suas despesas, com seu valor de venda. Este ponto pode ser definido como o momento em que a receita das vendas do produto é adequada para cobrir todos os custos de fabricação e despesas do mesmo, contudo não possibilitará a obtenção de lucro, pois a receita apenas equilibrou com o custo, não ultrapassando para geração de lucro. A equação no ponto de equilíbrio pode ser definido da seguinte forma:

RV (Receita de Vendas) = Custo + Despesas


De acordo com Vanderbeck (2003, p. 415), a análise do ponto de equilíbrio repousa na segregação dos custos de acordo com seu grau de variabilidade. Os agrupamentos estabelecidos são normalmente classificados como custos variáveis e fixos (ou não variáveis) e a equação do ponto de equilíbrio é reescrita da seguinte forma: RV (Receita de venda) = Custos fixos + custos variáveis

Marion (2001, p. 153), nos clareia seu entendimento afirmando que ponto de equilíbrio ou ponto de ruptura representa,

Volume em que as receitas totais igualam-se aos custos totais. Representa o ponto de encontro entre as retas de função da receita e da função do custo frequentemente. As duas funções não são lineares. O ponto de encontro entre as duas funções representa o “ponto de ruptura” (ou equilíbrio), a partir do qual a empresa aufere lucro e abaixo do qual incorre em prejuízos.

Para um melhor entendimento, o ponto de equilíbrio pode ser calculado em termos matemáticos buscando o volume de receita assim como a quantidade em unidades da seguinte forma: Total dos custos fixos Volume de receita no ponto de equilíbrio = -------------------------------------1 – (Total de custos variáveis/ total do volume de vendas) Total dos custos fixos Volume de vendas no ponto de equilíbrio = -------------------------------------(Unidades) (PV unitário – CV unitário) PV = Preço de venda CV = Custo Variável

A verificação do ponto de equilíbrio representa uma análise importantíssima para auxilio do gestor na tomada de decisões. Utilizando-se dessa análise constata-se que os custos variáveis irão variar de acordo com o volume de vendas, e que os custos fixos serão os mesmos independentemente do montante vendido. A gestão poderá tomar medidas com relação aos seus custos variáveis ou fixos, verificando a melhor adequação destes no intuito de atingir os seus objetivos.


2.13. Margem de Contribuição A margem de contribuição representa um dos instrumentos que o administrador utiliza para tomar decisões. Evidenciada pela diferença entre o preço de venda unitário do produto e seus custos e despesas variáveis, servirá para obter a renda líquida, mediante a dedução dos custos fixos. Desta forma, com a aplicação deste instrumento da contabilidade, margem de contribuição, o administrador poderá saber qual o desempenho de um produto, qual o retorno que este produto está oferecendo. Martins (2000, p. 195), que adota um conceito de margem de contribuição por unidade, diz que esta “é a diferença entre a Receita e o Custo Variável de cada produto; é o valor que cada unidade efetivamente traz à empresa de sobra entre sua receita e o custo que de fato provocou e lhe pode ser imputado sem erro”. Verifiquemos o seguinte exemplo: Tabela 1 – Margem de Contribuição por unidade _____________________________________________________________________ Custo direto Custo indireto Custo variável Preço de Margem de Variável Variável Total Venda Contribuição _____________________________________________________________________ Produto A $ 700 $ 80 $ 780 $ 1.550 $ 770/u Produto B $ 750 $ 90 $ 840 $ 1.700 $ 860/u _____________________________________________________________________ Fonte: MARTINS, 2000

Observando a tabela acima constata-se que com o produto (A) a margem de contribuição é de $ 770 e com o produto (B) $ 860. Sendo que estes valores não representam o lucro, visto que resta abater os custos fixos. Verificando ainda a tabela, nota-se que o produto (B) traz uma margem de contribuição maior por unidade. Portanto, se existe um produto que deva receber um incentivo em suas vendas, por ter uma contribuição maior, é o produto (B), possibilitando assim aumentar a margem de contribuição total do Mix de Produtos7. Segundo Padoveze (2000, p. 269) a margem de contribuição:

Representa o lucro variável. É a diferença entre o preço de venda unitário do produto e os custos e despesas variáveis por unidade de produto. Significa que em cada unidade vendida a empresa lucrará determinado valor. Multiplicado pelo total vendido, teremos a contribuição marginal total do produto para a empresa. 7

Combinação de produtos, soma, usualmente para venda. (MARION e IUDÍCIBUS, 2001, p. 133).


Acrescenta ainda Padoveze (2000, p. 270) que: Margem de contribuição é margem bruta obtida pela venda de um produto que excede seus custos variáveis unitários. Em outras palavras, a margem de contribuição é o mesmo que lucro variável unitário, ou seja, preço de venda unitário do produto deduzido dos custos e despesas variáveis necessários para produzir e vender o produto.

Sendo assim, com a aplicação da margem de contribuição pela contabilidade e, por conseguinte, o repasse dessa informação aos gestores, será possível avaliar o produto, assim como o seu desempenho, possibilitando dessa forma definir alternativas como estratégias de preços, decidir quanto a aumento ou diminuição uma linha de produção, alternativas para aumentar as vendas dos produtos etc.

2.14. Margem de Segurança A margem de segurança representa um importante indicador para o gestor. Com o cálculo dessa margem, evidenciada pelo volume de vendas que excede às vendas no ponto de equilíbrio, tem-se a possibilidade de mensurar a quantidade em que as vendas podem chegar antes de se ter prejuízo. Segundo o que Padoveze (2000, p. 287) afirma, margem de segurança pode ser definida como: o volume de vendas que excede às vendas calculadas no ponto de equilíbrio. O volume de vendas excedente para analisar a margem de segurança pode ser tanto o valor das vendas orçadas como o valor real das vendas. Desta forma, a margem de segurança representa um indicador, definindo o volume de vendas que o produto tenha que chegar para obter lucro. Vejamos a seguinte equação: Margem de Segurança (MS) = Vendas Reais/Orçadas (-) Vendas no Ponto de Equilíbrio Exemplo: MS = l.500.000 (-) 1.050.000 MS = 450.000 ___________________________________________ Fonte: Adaptado de Padoveze, 2000


No exemplo acima a margem de segurança foi de (450.000), pois as vendas realizadas de (1.500.000) superaram as vendas no ponto de equilíbrio (1.050.000). Em termos percentuais esta margem de contribuição poderá ser calculada da seguinte forma: Equação Percentual da MS = _MS em Valor Vendas totais Percentual da MS = __450.000 1.500.000 Percentual da MS = 30% _____________________________________________ Fonte: Adaptado de Padoveze, 2000

2.15. Decisões de Preço de Venda As decisões que os administradores tomam a respeito dos preços a serem praticados aos seus produtos, têm uma importância muito grande para a empresa no tocante ao alcance de seus objetivos. Em linhas gerais as decisões de preços influenciam nas receitas objetivando superar os custos no intuito de alcançar o que previamente foi estabelecido. Contudo, existem muitas preocupações que os administradores têm e que influenciam na importante tarefa de formação do preço de venda. Entre as influências que os preços sofrem em sua formação há três que se destacam pelo grau de importância: clientes, concorrência e custo. Estas necessidades estão em destaque visto a complexidade em atendê-las, como também a preocupação que existe num retorno negativo de uma dessas partes. Pois caso o produto seja rejeitado por não atender uma dessas necessidades, a empresa terá problemas, podendo comprometer os seus objetivos e ao resultado satisfatório tão esperado.

2.15.1. Influência do Cliente Atender as necessidades dos clientes e conquistá-lo com o seu produto é uma tarefa complexa para a empresa. O cliente dispõe de muitas formas para escolher um produto, o preço é uma delas.


Segundo Horngren (2000, p. 302), os administradores devem estar atentos aos seus clientes:

Os administradores devem sempre examinar as questões relativas ao preço pela ótica dos seus clientes. O aumento de preço pode fazer com que os clientes rejeitem o produto da empresa e prefiram o produto de um concorrente ou o substituam.

Ter a satisfação do cliente pode não ser uma tarefa fácil para a empresa, como vimos, o preço pode auxiliar nesta conquista. Sendo assim, cabe ao administrador ficar atento ao consumidor, praticando preços que sejam aceitos. A insatisfação do cliente pode levá-lo a adquirir produtos de seus concorrentes, o que não é bom para a empresa.

2.15.2. Influência da Concorrência

O comportamento e as ações da concorrência podem influenciar na formação do preço de venda, levando a empresa a analisar o seu preço numa relação com o da outra empresa, possibilitando a tomar decisões visando superá-la. A existência, ou não, da concorrência com relação a um produto pode gerar comportamentos diferenciados com relação às decisões dos preços a serem praticados. Segundo Horngren (2000, p. 302),

As reações dos concorrentes influenciam a formação dos preços. Num extremo, os preços e os produtos de um rival podem forçar uma empresa a reduzir seus preços, para ser competitiva; no outro, uma empresa, sem concorrência, numa dada situação pode estabelecer preços altos. Uma empresa com conhecimento da tecnologia, da capacidade instalada e das políticas operacionais dos concorrentes é igualmente capaz de fazer estimativa dos custos dos concorrentes, o que é uma informação valiosa para a fixação de preços competitivos.

Donde se conclui que a presença de uma concorrência pode levar a empresa a ficar atenta com a política de preços adotados pelo seu concorrente, assim como a sua não existência abre a possibilidade desta de praticar preços elevados, maximizando os seus lucros.


2.15.3. Influência dos Custos As empresas tomam decisões relacionadas aos preços de vendas a serem praticados no intuito de obter lucro, buscando superar os seus custos de fabricação. Em algumas atividades como a agricultura, devido a grande oferta de produtos, o mercado é que estabelece os preços a serem praticados, cabendo às empresas minimizarem os seus custos cada vez mais, para que não tenham prejuízo, pois uma grande oferta de produtos levaria à redução dos preços de venda. Contudo, em outros mercados o administrador estipula os seus preços, podendo sofrer influências externas que irão impactar em mudanças. Sendo assim, é necessário ter os seus custos minimizados e controlados, ou seja, enxutos, para que não tenha resultados desfavoráveis numa eventual mudança de valor. O administrador precisa ter as informações precisas relacionadas ao custo do produto, pois essa informação é essencial para que ele possa determinar o preço a ser praticado na venda. Desta forma o papel do contador é imprescindível, pois terá que apurar os custos de forma que reflita a exatidão do seu valor, gerando informações confiáveis que possibilitem tomadas de decisões na empresa. Com custos minimizados o administrador pode proporcionar preços de vendas baixos, dependendo dos objetivos da empresa. Desta forma, a decisão de preço terá como influências marcantes a posição de seus clientes no que se refere à avaliação e aceitação de seus produtos, da concorrência nas estratégias de mercado e preço, e dos custos em relação aos seus controles e otimizações. Sendo que estas informações deverão ser precisas para subsidiar o administrador nas suas ações.

2.16. Formação do Preço de Venda Ainda que a definição do preço de venda de um produto seja uma tarefa bastante difícil e complexa, visto os diversos fatores que influenciam tal tarefa – como concorrência, cliente, demanda e a economia –, sem dúvida alguma, o custo representa uma variável importante, pois a empresa não almeja obter prejuízo, e para que isso não aconteça faz-se necessário a aplicação desse ramo da ciência contábil, a contabilidade de custo. Pois assim poderá mensurar os gastos com seu produto, obtendo desta forma o custo do mesmo, no intuito de alcançar o lucro obtido por meio da superação dos gastos.


Os objetivos da empresa destacam-se como um fator predominante na formação do preço de venda. De acordo com Crepaldi (1998, p. 210):

Os objetivos pretendidos pela empresa constituem, provavelmente, o primeiro e o mais importante fator na estruturação do preço de venda de um produto, mercadoria ou serviço. Eles podem ser os mais variados, no que concerne à obtenção de retornos, pela venda dos mesmos, em determinados períodos de tempo. A conseqüência natural é a adoção de diferentes procedimentos com relação aos preços para o atendimento dos objetivos fixados. Sua fixação ocorre, normalmente, já no início do ciclo de vida desses bens e serviços.

Ainda no tocante aos objetivos Crepaldi (1998, p. 210) acrescenta: Quando o objetivo for, por exemplo, a conquista de parcela significativa de mercado e o estabelecimento de uma imagem forte, preços mais competitivos poderão ser utilizados com menores índices de resultado e uma expectativa de retorno num prazo mais longo. O contrário deve ocorrer, provavelmente, quando se tratar de bens com um ciclo de vida curto (produto de moda, por exemplo).

Contudo, consideração às influências que os preços recebem, seja em qualquer aspecto, como: objetivos da empresa, a preferência do consumidor, ou até mesmo a apresentação de um produto similar pela concorrência com um preço mais favorável, faz necessário algo que venha definir um valor inicial. Diante disso, de acordo com Padoveze (2000, p. 309), é necessário um cálculo sobre os custos, tendo em vista que, por meio dele, podemos pelo menos ter um parâmetro inicial ou padrão de referência para análises comparativas. Conclui-se então que o custo é crucial, dele se obtêm a informação preliminar para a formação do preço a ser praticado. Martins (2000, p. 236) destaca a contabilidade de custos na formação do preço de venda dizendo: é generalizada a idéia de que uma das finalidades da contabilidade de custos é o fornecimento do preço de venda. Percebe-se então a importância dessa ciência na decisão do preço de venda a ser praticado. Segundo Crepaldi (11998, p. 213), para se chegar ao custo de um produto,

O cálculo está fundamentado tradicionalmente em dois sistemas de custeio: o custeio por absorção e o custeio direto. Cada sistema apresenta estruturas específicas de apuração dos custos, com características próprias, conduzindo, em conseqüência, a valores diferentes. Independentemente, porém, do sistema utilizado, cabe enfatizar que ele constitui não o único, mas um dos componentes essenciais da gestão dos preços.


2.16.1. Custeio por Absorção O custeio8 por absorção, também conhecido por custeio pleno, consiste na apropriação de todos os custos, fixos ou variáveis, à produção do período. Os gastos não fabris são excluídos. De acordo com Crepaldi (1998, p. 83), é o método derivado da aplicação dos princípios fundamentais de contabilidade e é, no Brasil, adotado pela legislação comercial e pela legislação fiscal. A distinção principal no custeio por absorção situa-se entre custos e despesas. A separação é importante porque as despesas são jogadas imediatamente contra o resultado do período, enquanto somente os custos relativos aos produtos vendidos terão idêntico tratamento, (Crepaldi, 1998, p.83). Constata-se neste método que todos os custos são imputados ao produto fabricado. Desta forma, tanto os custos diretos como os indiretos serão atribuídos. Sendo que essa apropriação segue três passos, como define Crepaldi (1998, p. 84):

Custeio é um processo de três passos. Primeiro, é preciso separar os custos de produto dos custos do período. Segundo, os custos diretos de produção são atribuídos aos produtos específicos, enquanto que os custos indiretos são atribuídos a centros de custos. Terceiro, os custos indiretos distribuídos do centro aos produtos de acordo com seu uso. A soma de custos diretos e indiretos distribuídos forma o custo do produto.

Constata-se então neste método que, primeiro são separados os custos do produto dos custos do período, depois são reconhecidos os custos diretos, como matéria prima, mão-de-obra, depreciação etc. Logo em seguida são imputados os custos indiretos utilizando o critério de rateio, alcançando dessa forma o custo do produto.

2.16.1.1. Elementos que Compõem o Custo por Absorção Como se sabe, neste sistema de cálculo por absorção, todos os elementos de custos, sejam fixos ou variáveis fazem parte da composição do custo do produto, enquanto que as despesas que não estão envolvidas diretamente com a fabricação serão abatidas do resultado.

8

Forma de apropriação de custos. (MARTINS 2000, p. 215).


Diante disto, esta modalidade de custo será composta de material direto, mão-deobra direta e custo indireto de fabricação, sendo que cada componente do produto será inserido em sua devida etapa. O material direto (MD), são os materiais que se incorporam diretamente ao produto, são de fácil identificação como, por exemplo, matéria-prima, embalagem e materiais auxiliares como tinta, dentre outros. A mão-de-obra direta (MOD), representa os custos com o pessoal que trabalha diretamente na linha de produção. Caso exista um outro funcionário na produção, cuja função não esteja ligada diretamente ao produto, como por exemplo um supervisor de área, esta mão-de-obra é considerada indireta. Segundo Crepaldi (1998, p. 62), sempre que for possível medir a quantidade de mão-de-obra aplicada a determinado produto ela é mão-de-obra direta, caso contrário, havendo necessidade de rateio, é indireta. Os custos indiretos de fabricação (CIF), por esta razão, devem ser tratados com muito cuidado devido às dificuldades de medição em um produto. Estes necessitam de critérios de rateio para serem incorporados ao produto, como por exemplo, aluguel da área de produção, depreciação, salário de supervisores e outros. Conclui-se então que para se chegar ao custo de um produto baseado no custo por absorção, este custeio será composto dos seguintes elementos, conforme exemplo:

Tabela 2 – Exemplo de cálculo por Absorção _____________________________________ (+) Material direto $ 100 (+) Mão-de-obra direta $ 70 (+) Custo indireto de fabricação $ 80 (=) Custo total $ 250 _________________________________________ Fonte: Crepaldi, 1998

2.16.2. Custeio Direto O custeio direto ou custeio variável caracteriza-se pelo fato de considerar como custo do produto apenas os custos variáveis incorridos, deixando os custos fixos para serem embutidos na apuração do resultado, pelo fato de que os custos fixos existirão, mesmo que o produto tenha sido produzido ou não.


Padoveze (2000, p. 242) esclarece que: Apesar de normalmente ser chamado de custeio direto, a nomenclatura correta é custeio variável, porque esse método de custeio utiliza-se apenas dos custos e despesas que têm relação proporcional e direta com a quantidade de produtos. A nomenclatura custeio direto vem do fato de que a maioria dos custos variáveis são custos diretos, em quase todos os produtos. No custeio direto ou variável, os custos fixos indiretos não são alocados aos produtos e são tratados como despesas do período.

Deduz-se daí que o custeio direto possui uma relação direta com os gastos variáveis, oscilando proporcionalmente ao volume produzido, aumentando ou diminuindo na proporção das quantidades produzidas. Martins (2000, p. 215) dá o seu entendimento de custeio variável dizendo que é a: Apropriação de todos os custos variáveis, quer diretos quer indiretos, e não somente dos variáveis. (custeio direto pode dar a impressão de que só se apropriam os custos diretos, mas isso não é verdade; aliás, fica agora clara a distinção entre custo direto e custeio direto). Com base, portanto no custeio direto ou custeio variável, só são alocados aos produtos os custos variáveis, ficando os fixos separados e considerados como despesas do período, indo diretamente para o resultado; para os estoques só vão, como conseqüência, custos variáveis.

Percebe-se que neste método, custeio direto, absorve-se somente os custos diretos, enquanto os custos fixos são considerados custos do período, indo para o resultado diferenciando assim do custeio por absorção, em que apenas as despesas que não estão diretamente ligadas ao processo de produção vão para o resultado.

2.16.2.1. Elementos que Compõem o Custo Direto A formação do custo direto está ligado aos elementos que diretamente são apropriados ao produto, sem haver a necessidade de realizar rateios. Neste sistema os custos são assim tratados pela possibilidade de medir o consumo de cada material para fabricação do produto. De acordo com Crepaldi (1998, p. 59) custos diretos: São os que podem ser diretamente (sem rateio) apropriados aos produtos, bastando existir uma medida de consumo (quilos, horas de mão-de-obra ou de máquina, quantidade de força consumida etc.). Em geral, identifica-se com os produtos e variam proporcionalmente à quantidade produzida. São aqueles que podem ser apropriados diretamente aos produtos fabricados, porque há uma medida objetiva de seu consumo nesta fabricação.


Com essa característica, matéria-prima e mão-de-obra direta são exemplos clássicos deste sistema de custeio. Sendo que outros materiais como energia e depreciação poderão se enquadrar como custo direto, desde que seja possível a medição de seu consumo por unidade produzida.

3. METODOLOGIA DA PESQUISA Este trabalho teve como objetivo evidenciar a importância do custo, sendo que, para isso foi realizada uma revisão bibliográfica no intuito de melhor expor esse ramo da contabilidade. Enquadra-se na categoria de uma pesquisa bibliográfica pois, de acordo com Oliveira (2000, p. 119), esta tem como finalidade conhecer a contribuição que a ciência trouxe para a contabilidade de custo, trazendo o conhecimento, a opinião, o comentário e conceitos de estudiosos do gênero. Por se tratar de uma pesquisa monográfica, primeira experiência de relato cientifico, utilizou-se de procedimentos que levassem a evidenciar os conhecimentos dos autores estudados. Pois de acordo com Franca (2004, p.32):

Por ser uma primeira experiência de relato cientifico, a monografia constituise numa preparação para futuros trabalhos de investigação. Por essa razão sua estrutura assemelha-se à das dissertações e teses, podendo restringir-se aos elementos considerados essenciais: capa, folha de rosto, resumo, sumário, texto e referências. Deve estar relacionada ao curso, disciplina, estudo e ter a supervisão de um orientador professor.

Foram abordos neste capítulo os procedimentos metodológicos utilizados no trabalho, destacando o método da pesquisa, a técnica, o trabalho de campo, ambiente de pesquisa e resultados.

3.1. Estudo Descritivo

A pesquisa apresentada procura abranger a importância da contabilidade em aspectos gerais, focando a contabilidade de custo, procurando identificar os diferentes elementos e suas formas de aplicação.


3.2. Abordagem Quantitativa Com uma abordagem quantitativa, o trabalho foi desenvolvido procurando quantificar opiniões, assim como as técnicas utilizadas para contabilidade e mensurar os dados solicitados com a aplicação da ciência contábil.

3.3. Abordagem Qualitativa Com a abordagem qualitativa buscou-se verificar os efeitos dos fenômenos contábeis na aplicação da ciência contábil, em inter-relação com os aspectos quantitativos.

3.4. Tipo de Pesquisa Neste trabalho utilizou-se do método de pesquisa bibliográfica, procurando, dessa forma, contribuir cientificamente para elucidar a contabilidade, buscando evidenciar a importância da contabilidade de custo

3.5. Levantamento de Dados Foi utilizada como parâmetro para coleta de dados, a entrevista não estruturada, visto que as informações buscadas não são encontradas em registros ou documentos, são conhecimentos e opiniões a respeito da importância do custo.

3.6. Ambiente da Pesquisa A entrevista foi realiza com o Sr. Jeferson Ferreira de Souza, Ger. Adm. Financeiro da Norsa Refrigerantes Ltda. Contador, Pós-Graduando em Gestão Empresarial pela FGV. A Norsa Refrigerantes Ltda. é uma franqueada da The CocaCola Company que atinge praticamente todo o Nordeste, com Unidades nos Estados da Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, atuando no ramo de fabricação de bebidas.


3.7. Coleta de Dados - Entrevista Utilizado para coleta de dados, uma entrevista não estruturada, em que se buscou avaliar a importância da contabilidade de custo, assim como investigar a aplicabilidade desta ciência na Norsa Refrigerantes Ltda., como ferramenta de controle e utilização nas decisões de preços de venda, obtendo as informações abaixo. Esta entrevista foi conduzida seguindo os seguintes passos:

1. Buscou-se saber da graduação do entrevistado e sua experiência profissional dentro da empresa; 2. Relatamos o interesse em buscar informações nesta empresa, visto a sua grande participação no mercado e a procura de seus produtos pelos consumidores; 3. Relatou-se quais os fins desta entrevista, isto é, um estudo monográfico, assim como os principais pontos discorridos no estudo. 4. O entrevistado iniciou a sua entrevista.

Jeferson Ferreira de Souza, iniciou suas atividades na Norsa Refrigerantes Ltda em 1998, na matriz em Fortaleza-Ce, mais especificamente na Controladoria, onde permaneceu por 04 anos, atuando na área de Contabilidade Gerencial. Posteriormente participou do projeto de implantação do Sistema de Gestão Integrada SAP R/3, sendo responsável pelos Módulos Financeiros. Também foi integrante do projeto de upgrade deste sistema, atuando como sub-gerente, responsável pela integração de todos os módulos,

com

ênfase no

desenvolvimento

da

ferramenta

Material

Ledger

(implementação do cálculo de custos pelos métodos Standard/Padrão e Médio Móvel). Após 02 anos a frente da Ger. de Auditoria Interna, assumiu em 2006 a Ger. Adm. Financeira da regional II (tratamento de divisão por região da empresa), respondendo pelas filiais localizadas na Bahia.

A apuração dos custos de produção e venda na indústria de bebidas é um dos fatores mais importantes na definição do preço de venda. Porém existem outros fatores igualmente importantes que também influenciam sobremaneira a formação dos preços que serão lançados ao mercado.


Dentre estas influências externas podemos destacar:

A ação dos Concorrentes, a exemplo da definição dos preços praticados pelo mercado;

A influência dos diversos stackholderes (Fornecedores, Clientes, Governo, Concorrentes, Credores, etc);

A percepção pelos Clientes da qualidade, confiabilidade e preços justos dos produtos;

As variações nos mercados de comodities, mercado financeiro, etc.

Como para a maioria destes fatores a atuação das empresas é limitada, tendo que se adequar e reagir rapidamente às mudanças apresentadas, fica cada vez mais evidente a necessidade de se definir o preço ideal para a remuneração de seus produtos e serviços, utilizando-se de técnica apropriada. Desta maneira a nossa controladoria exerce um papel muito importante gerando informações e repassando-as. Na Norsa Refrigerantes Ltda., a apuração dos custos é tida como o elemento principal na formulação do preço de venda de seus produtos. Existe um cuidado muito grande na apuração dos custos de produção, que é realizado por uma área específica da Controladoria, sendo apurado totalmente pelo Sistema Integrado SAP R/3 (ERP). Na empresa utiliza-se o método de Custeio por Absorção, sendo necessário à adoção de critérios de rateio, para uma melhor alocação dos custos aos cerca de 250 itens existentes em seu portfólio. Temos também a preocupação com as despesas. Em nossa empresa, as nossas unidades (matriz e filiais) estão identificadas por divisões e estas com seus respectivos centros de custos para suas áreas, facilitando a alocação das despesas por setores e possibilitando o controle por seus gestores. Para esse controle, utilizamos a ferramenta de orçamento para cada período, buscando assim planejar os nossos gastos e investimentos, no intuito de minimizá-los de forma planejada, reduzindo as nossas despesas, diminuindo desta forma o impacto no resultado da empresa e possibilitando também realizar uma projeção de nosso crescimento.


Existem vários itens que influenciam diretamente os custos na Norsa, como a exposição à variação cambial de matérias-primas, principalmente açúcar, composto na maioria de nossos produtos, e a resina para a produção de embalagem PET. Para minimizar estes efeitos nos custos de produção e conseqüentemente no preço de venda, é realizado freqüentemente hedge (operações de mercado responsáveis para garantir os preços de determinado comodities) cambial e outras operações de derivativos financeiros, protegendo assim estes itens da exposição ao mercado. Outro fator importante é a forte sazonalidade das vendas de produtos acabados no mercado de bebidas, onde cerca de 1/3 das operações são realizadas no último trimestre do ano, o que favorece a distribuição dos custos fixos de produção. Na Norsa o preço final ao mercado é definido pela Área de Preços, levando em consideração, além do custo de produtos, o mark up (margem de lucro) desejado, o posicionamento de preços dos concorrentes, o market share (participação de mercado) desejado, os acordos comerciais firmados com os grandes clientes, etc.. Entende-se como preço ideal de venda aquele capaz de cobrir todos os custos, além de proporcionar o retorno desejado pelos administradores das empresas. Como líder do mercado e por vender produtos Premium, a Norsa normalmente mantém preços superiores aos de seus concorrentes, o que se justifica pelos custos mais elevados em virtude da qualidade de seus produtos e gastos com ações de marcado. Este diferencial é amplamente percebido por seus consumidores, o que é comprovado pelo consistente crescimento em seu market share, ano após ano. Por ser o mercado de bebidas extremamente competitivo, a definição correta dos preços de vendas é um fator determinante para o sucesso de qualquer empresa, pois as ações dos consumidores são muito sensíveis aos preços praticados. Percebe-se que na maioria das vezes a determinação do preço ideal para o mercado é definida seguindo a lei da oferta e procura, e este é um forte, um norteador para o nível ideal de preço estabelecido pelas empresas. Assim, a definição correta dos custos torna-se um elemento essencial na formação dos preços de venda aos consumidores, capaz de garantir os ganhos desejados pelas empresas e capazes de garantir sua continuidade.


4. RESULTADO APURADO

4.1. Análise dos Resultados Com a pesquisa, realizada por meio de uma entrevista não estruturada, em que o entrevistado buscou evidenciar o tratamento dado pela sua empresa no tocante a contabilidade de custo, relatando que existe um setor específico dentro da controladoria para a apuração dos custos de seus produtos, constatou-se a importância que esta empresa dá à questão dos custos, preocupando-se em utilizar a ciência contábil para evidenciar tais valores. Não sendo diferente para a questão de decisão de preço, que também é tratado por um setor específico. Constatou-se também a preocupação com os custos, buscando evidenciá-los da melhor forma, tendo em vista o mercado em que atua, com muita concorrência e fatores externos refletindo diretamente em sua atividade, necessitando de ações imediatas na busca de preços ideais. Percebemos que a controladoria é tratada com a importância devida, sendo ela responsável pelas informações que serão a base para as decisões de preços. Finalmente, considerando que a Norsa Refrigerantes Ltda., atua com uma linha de produtos líder de mercado, tais preocupações visam não perder este lugar.


5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Com este trabalho procurou-se mostrar a importância do custo para a formação do preço de venda. Para isso, utilizamos referências bibliográficas procurando elucidar a Contabilidade de Custo, suas variações e elementos, trazendo a reflexão para esta área da contabilidade geral, rica em ferramentas capazes de fornecer informações diversas e análises a respeito da formação do custo e sua composição, sabendo que este representa uma fatia importante para a formação do preço de venda. Para chegar a ele, sabemos que é necessário a aplicação de métodos e sistemas apropriados, o que confirmam as nossas hipóteses. Percebeu-se que a decisão de preço não pode ser feita de forma aleatória, faz-se necessário a busca de conhecimentos científicos para que possam ser aplicados de forma precisa e consciente, e para obter um resultado satisfatório, capaz de evidenciar o custo de forma harmônica, servindo de instrumento de decisão para o administrador formular o seu preço, no intuito de superar os seus gastos, na busca de seu objetivo, o lucro. A partir do presente trabalho, além da relevância do custo no tocante a formação do preço de venda, percebe-se também que existem definições clássicas dos gastos, que podem ser despesas ou custos, e que a má interpretação desses elementos na apuração dos custos, pode incorrer em erro do seu cálculo. Fica claro também que os custos podem diferenciar quanto a sua aplicação em fixos e variáveis, com alterações ou não a partir da quantidade produzida. Assim como os seus elementos, que devem ser classificados de forma que propicie a alocação dos mesmos separadamente, levando em consideração ao método de custo aplicado. Ressalta-se que este trabalho foi viabilizado buscando consistência na sua formatação à partir de referências bibliográficas que reuniu obras de pensadores de destaque

nas

áreas

estudadas,

esperando,

desta

forma,

contribuir

para

o

desenvolvimento delas. Concluem-se então, depois dos estudos, análises dos conceitos, métodos e variações da contabilidade de custo que a sua importância é fundamental para uma empresa. Que a sua contribuição é valiosa, pois as informações que pode prestar, servem de parâmetro nas decisões de seus administradores na busca formulação de seus preços, assim como na busca de alternativas em ações frente ao mercado. Confirmando tal importância, destacamos a entrevista realizada na Norsa Refrigerantes Ltda., concedida pelo Sr. Jéferson Ferreira, que veio abonar os questionamentos propostos,


mostrando a visão da empresa com relação ao custo, enfatizando que nela existem setores específicos às áreas de custo e preços, visto as suas importâncias. Por fim gostaríamos de chamar a atenção das empresas para o assunto em estudo, ou seja, que o custo deve ser tratado de forma responsável, utilizando da ciência contábil para evidenciá-lo, pois com isso se estará cuidando do objetivo principal para o qual foi criada, isto é, obter resultados positivos e ter continuidade.


4. BIBLIOGRAFIA

CREPALDI, Silvio Aparecido. Contabilidade Gerencial Teoria e Prática. 01.Ed. São Paulo: Atlas, 1998. CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia Cientifica. 05. Ed. São Paulo, 2002 FERREIRA, Genival; BARBOZA, Jovi. Como Formar o Preço de Venda. 02. Ed. Paraná: Projus, 2005. FRANCO, Hilário. Contabilidade Geral. 23. Ed. São Paulo: Atlas, 1997. FRANÇA, Júnia Lessa; VASCONCELLOS, Ana Cristina de. Manual para Normalização de Publicações Técnico-Científicas. 07. Ed. Belo Horizonte: UFMG, 2004 IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARION, José Carlos. Dicionário de Termos de Contabilidade. 01. Ed. São Paulo: Atlas, 2001. HORNGREN, Charles T.; FOSTER, George; DATAR, Srikant. Contabilidade de Custos. 09. Ed. Rio de Janeiro: LTC, 2000. LEONE, George Sebastião Gerra. Custos Um Enfoque Administrativo. 14. Ed. Rio de Janeiro: FVG, 2001. ______. Custos, Planejamento, Implantação e Controle. 03. Ed. São Paulo: Atlas, 2000. MARION, José Carlos. Contabilidade Básica. 06. Ed. São Paulo: Atlas, 1998. MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. 07. Ed. São Paulo: Atlas, 2000. NEVES, Silvério das. Contabilidade Básica. 08. Ed. São Paulo: Frase, 2000. OLIVEIRA, Silvio Luiz de. Tratado de Metodologia Cientifica. 02. Ed. São Paulo: Pioneira, 2000. PADOVEZE, Clóvis Luís. Contabilidade Gerencial. 03. Ed. São Paulo: Atlas 2000. SÁ, Antonio Lopes de; SÁ, Ana Maria Lopes de. Dicionário de Contabilidade. 08. Ed. São Paulo: Atlas, 1993. VANDERBECK, Edward J.; NAGY, Charles F. Contabilidade de Custos. 11. Ed. São Paulo: Pioneira Thomson, 2003. VELTER, Francisco; MISSAGIA, Luiz Roberto. Manual de Contabilidade. 04. Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.


L215i Lamartine, Fabio Portela.

A importância do custo na formação do preço de venda / Fabio Portela Lamartine – Vitória da Conquista: Fainor, 2006. 47 f. Monografia (Graduação em Ciências Contábeis) – Faculdade Independente do Nordeste Orientador: Prof. Carlos A. Góes de Carvalho. 1. Preço de venda 2. Contabilidade de custo 3. Decisão de preço. CDD: 658.15 Catalogação na fonte: Bibliotecária Sônia Iraína da Silva Roque CRB-5/1203


M0102  

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