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FACULDADE INDEPENDENTE DO NORDESTE – FAINOR CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS

WANDSON DA SILVA SANTOS

O USO DO FLUXO DE CAIXA PARA A TOMADA DE DECISÕES NAS EMPRESAS

VITÓRIA DA CONQUISTA - BA 2011


FACULDADE INDEPENDENTE DO NORDESTE – FAINOR CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS

WANDSON DA SILVA SANTOS Discente da Faculdade Independente do Nordeste - FAINOR E-mail: Wandinho_dw@hotmail.com

O USO DO FLUXO DE CAIXA PARA A TOMADA DE DECISÕES NAS EMPRESAS

Artigo apresentado a banca examinadora, como avaliação final do Curso de Ciências Contábeis 8º semestre, da Faculdade Independente do Nordeste, no ano letivo 2011.2. Orientador: Prof. Msc. Luciano Moura Costa Doria

VITÓRIA DA CONQUISTA - BA 2011


O USO DO FLUXO DE CAIXA PARA A TOMADA DE DECISÕES NAS EMPRESAS 1

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Wandson da Silva Santos Msc. Luciano Moura Costa Doria

RESUMO: A maioria dos empreendedores no Brasil ainda toma decisões baseados em suas experiências ou intuições. Toda ação realizada por uma empresa independente de seu tamanho resume-se na entrada e saída de dinheiro, o que explica a importância do estudo dos fluxos de caixa. O presente artigo tem como objetivo geral conhecer o uso do fluxo de caixa, como ferramenta de auxílio nas decisões da área financeira nas empresas. A pesquisa foi fundamentada em informações bibliográficas com livros e publicações de vários autores que serviram de base para interpretação. O fluxo de caixa é abordado como ferramenta gerencial para qualquer tipo de empresa, grande ou pequena, pública ou privada, desde que sejam feitas as adaptações necessárias. Como demonstrativo contábil o fluxo de caixa é aplicado com a nova Lei 11.638/07 das sociedades anônimas, sendo obrigatório para empresas de grande porte. Esta demonstração contábil é estruturada em termos de atividades, operacionais, de investimento e financiamento, permitem mostrar, de forma direta ou mesmo indireta as mudanças que tiveram reflexo no caixa, suas origens e aplicações. Concluindo o fluxo de caixa aplicado de forma gerencial é capaz de dimensionar com maior segurança o capital de giro, o controle diário do fluxo de caixa diminui a margem de erro e permite acompanhar o desempenho financeiro em tempo de aplicar eventuais medidas corretivas. Existe maior necessidade de análise do fluxo de caixa em empresas de grande porte. Palavras-chave: Fluxo de caixa, desembolsos, ingressos, controle, planejamento.

ABSTRACT: The majority of entrepreneurs in Brazil still makes decisions based on their experiences or intuitions. Every action accomplished by an independent company of any size, is summarized in the ins of the money, what explains the importance of the study of cash flows. The present article has as general objective, to know the use of cash flow, as tool of aid in the decisions of the financial area in the companies. The research was based in bibliographical information with books and publications of several authors that were used as base for interpretation. The cash flow is approached as managing tool for any type of company, big or small, public or private, since the necessary adaptations are made. As demonstrative accounting the cash flow is applied with the new Law 11. 638/07 of the corporations, being obligatory for companies of great size This accounting demonstration is structured in terms of activities, operational, of investment and financing, they show, in a direct way or even insinuates the changes that had reflex in the, their origins and applications. Concluding the cash flow applied in a managing way is capable to dimension with larger security the capital, the daily control of the cash flow reduces the margin of error and it allows to accompany the financial acting in time of applying measured eventual correctives. Larger needs of analysis of cash flow exist in companies of great size. Keywords: Cash flow, payments, entrances, control, planning.


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O USO DO FLUXO DE CAIXA PARA A TOMADA DE DECISÕES NAS EMPRESAS

1. INTRODUÇÃO

Em todo o mundo, a gestão das entidades é um processo complexo e muito vasto, que necessita de uma adequada estrutura de informações e a contabilidade é sem dúvida fundamental neste processo. Utilizada como ciência social aplicada, ela estuda o patrimônio, informa aos usuários e fornecem ferramentas de auxílio à gestão. Especialistas afirmam que grande parte dos empreendedores no Brasil ainda tomam decisões baseados em suas próprias experiências ou intuições, desconsiderando as reais vantagens de um auxílio ao processo decisório de maior segurança fornecido em grande parte pela análise adequada do fluxo de caixa (SEBRAE, 2008). Segundo Garcia (2008, p.8) “[...] toda empresa, independente do seu tamanho, necessita de um controle de caixa”. Mais especificamente confirma Cavalcante (2006, p.3) “Toda ação realizada por uma empresa resume-se na entrada ou saída de dinheiro. E nesta dinâmica de ingressos e desembolsos que o fluxo de caixa mostra sua importância, pois nos ajuda a perceber bem antes quando e quanto irá faltar ou sobrar recurso”. Este artigo vem abordar o valor da utilização eficaz do fluxo de caixa das entidades, a viabilidade de seu implemento, como analisar relatórios financeiros de caixa e no campo contábil, por quais motivos a Lei 11.638/07 tornou obrigatória a demonstração do fluxo de caixa em lugar da antiga DOAR seguindo uma tendência dos países desenvolvidos. Assim, o trabalho buscará contribuir com abordagens para um melhor desempenho na aplicação dos fluxos de atividades operacionais, financeiras e de investimentos. O presente estudo serve para organizações de todos os tipos, desde que as adaptações sejam feitas conforme as necessidades demandadas. Utilizando-se de investigações teóricas aplicadas, esta pesquisa traz um resumo sobre trabalhos já


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realizados, e publicados em livros, artigos, periódicos e na internet sobre a temática abordada. Nesta perspectiva, este estudo tem por objetivos:

1.1 Objetivo geral Conhecer o uso do fluxo de caixa, como ferramenta de auxílio nas decisões da área financeira nas empresas. 1.2 Objetivos específicos Descrever o que é fluxo de caixa. Analisar por que a DFC (Demonstração dos Fluxos de Caixa) substituiu a DOAR (Demonstrações das Origens e Aplicações de Recursos) após a Lei 11.638. Verificar as contribuições do uso do fluxo de caixa como ferramenta gerencial na tomada de decisão das empresas. Verificar a importância da DFC como um dos demonstrativos contábeis obrigatórios.

1.3 Metodologia

A pesquisa é uma atividade voltada para a solução de problemas, por meio do emprego de processos científicos pode-se conhecer melhor o objeto de estudo. Este artigo tem um caráter bibliográfico. Segundo Diehl e Tatim (2004), a pesquisa bibliográfica contempla um custo relativamente baixo quando comparado com outras pesquisas, isto porque apenas exige o tempo do pesquisador e a riqueza nas informações coletadas nos documentos, não estabelecendo o contato com o sujeito da pesquisa. No entendimento de Gil (2002), a pesquisa fundamentada por meio de material já elaborado, tendo como sua maior vantagem uma cobertura mais ampla do que aquela que se faz por meio de pesquisa de dados, uma vez que permite ao investigador a oportunidade de estudar o que vários autores pensam e relatam sobre um mesmo assunto.


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Como fontes para realização deste estudo foram utilizados artigos, livros, periódicos, material científico da internet sobre a contabilidade e o fluxo de caixa. Diante de uma busca organizada dentre os vários autores de controle rígido nas observações, a exemplo de Zdanowicz, Marion e Padoveze, utilizando mais oportunamente

as

informações

teóricas,

que

servirão

de

base

para

as

considerações finais. Assim a bibliografia sobre o assunto serve para fundamentar a interpretação dos dados.

2. REFERENCIAL TEÓRICO:

2.1 A Contabilidade e o Fluxo de Caixa

Através das antigas civilizações (Fenícios) mesmo de forma rudimentar, a contabilidade já trazia a noção de como prover aos seus diversos usuários informações sobre o patrimônio. Utilizada e reconhecida atualmente como ciência pelas diversas organizações, pode auxiliar o processo de gestão das empresas, contribuindo não só com dados que permitam o planejamento e controle das atividades, mas que também forneçam elementos que dêem suporte às decisões do administrador. Segundo Padoveze (1997, p.76) “a contabilidade deve ser vista como um instrumento essencial para a gestão das organizações e não somente um meio para atender às exigências legais”. Ao se estudar os recursos de uma gestão financeira, observamos uma ferramenta muito útil, o fluxo de caixa. Para Zdanowicz (2000, p.33) o fluxo de caixa é o instrumento que permite demonstrar as operações financeiras que serão realizadas pela empresa, facilitando a análise e a decisão de comprometer os recursos financeiros, de relacionar o uso das linhas de créditos menos onerosas, de determinar o quanto a organização dispõe de capital próprio, bem como utilizar as disponibilidades da melhor forma possível. O termo fluxo de caixa é também denominado pela expressão inglesa cash flow, contudo outras denominações são também utilizadas, como: orçamento de


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caixa, fluxo de recursos financeiros, fluxo de capitais, fluxo monetário e movimento de caixa. Considerando os enfoques da Administração, Contabilidade e Economia, o fluxo de caixa pode apresentar características comuns, mas aspectos distintos, quanto à forma de elaboração, análise e interpretação. Seguindo uma tendência dos países desenvolvidos, como Estados Unidos, Alemanha e Canadá que utilizam o fluxo de caixa desde a década de oitenta fundamentados em pronunciamentos do Financial Accounting Standars Board (FASB), Comitê de Padrões de Contabilidade Financeira, evidenciando uma gestão empresarial responsável e profissional para o mundo. A partir de então, vários países passaram a exigir a publicação da DFC (demonstração de fluxo de caixa). Na concepção da legislação, o fluxo de caixa até meados do século XXI não era apresentado obrigatoriamente como peça contábil. O Brasil possui hoje um conjunto de demonstrações financeiras em processo de conformidade com as IRFS (International Financial Reporting Standards) um conjunto de pronunciamentos de contabilidade internacionais publicados e revisados pelo International Accounting Standards Board (IASB). Desde 1º de janeiro de 2008 a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) tornou-se obrigatória para todas as sociedades de capital aberto e sociedades com patrimônio liquido superior a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais), a partir do advento da Lei nº 11.638/07. De acordo com Marion (1998, p. 380), “a DFC indica a origem de todo o dinheiro que entrou no caixa, bem como a aplicação de todo o dinheiro que saiu do caixa em determinado período, e, ainda o resultado do Fluxo Financeiro”. Proporcionando uma visão mais operacional e financeira do fluxo de caixa. Groppelli e Nikbakht (2010, p.476) abordam que o fluxo de caixa é a “medida de liquidez de uma empresa, que consiste na renda líquida mais os dispêndios que não representam saída de caixa (como a depreciação).” Estudos do SEBRAE/2008, afirmam que entre as três principais razões de falências ou insucessos de empresas, uma delas é a falta de planejamento financeiro ou a ausência total de fluxo de caixa e a previsão de fluxo de caixa (projetar as receitas e as despesas da empresa). A figura abaixo explica de maneira simples o fluxo de caixa de entradas e saída de dinheiro.


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*Figura 01: Fluxos simples de ingressos e desembolsos das empresas

*Figura 01 estão representados os elementos que compõem o ciclo operacional de caixa demonstrando o fluxo dos principais ingressos diretos no caixa como vendas a vista, vendas de imobilizados, etc. bem como os principais desembolsos de caixa como pagamento de fornecedores, folha de pagamento e demais despesas Fonte: Zdanowicz, (2002)

Portanto, o fluxo de caixa pode ser considerado como uma ferramenta necessária e útil a qualquer empresa. De igual modo Frezatti (1997, p.27 e 280), explica que a geração de caixa é algo fundamental na organização, em seu estágio inicial, em seu desenvolvimento e mesmo no momento de sua extinção.


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Um péssimo fluxo de caixa gerencial pode ser entendido como falta de planejamento financeiro, o que reflete negativamente em todos os departamentos uma gestão mal feita, considerada uma das maiores causas de falência das pequenas e médias empresas que acabam perdendo o controle sobre seus gastos e ganhos, receitas e despesas, e por fim, fracassam diante do mercado e suas surpresas. Deste modo, o fluxo de caixa pode ser um instrumento essencial para a saúde financeira da empresa. O uso do fluxo de caixa pode ajudar aos usuários das Demonstrações Contábeis na análise da capacidade da entidade de gerar caixa e equivalentes de caixa, bem como suas necessidades diversas de usar esses fluxos de caixa.

2.2 A preparação de um Fluxo de Caixa

Para preparação de fluxo de caixa eficaz, é necessário um nível de conhecimento e a prévia preparação de estrutura de trabalho. De acordo a Zdanowicz (1995, p.35), a projeção do fluxo de caixa depende de vários fatores como o tipo de atividade econômica, o porte da empresa, o processo de produção e/ou comercialização, se é contínuo ou não, etc. O fluxo de caixa é um dos instrumentos mais hábeis de planejamento e de controle financeiro, o qual poderá ser elaborado de diferentes maneiras, conforme as estrutura e conveniências de cada instituição, com intento de permitir que se visualizem os ingressos de recursos e os respectivos desembolsos. Segundo o mesmo autor o período ideal para um aceitável planejamento de fluxo de caixa é no mínimo de três meses, (ZDANOWICZ 1995, p.12). O fluxo de caixa mensal deverá, posteriormente, transformar-se em semanal e este em diário. O modelo diário fornecerá a posição dos recursos em função dos ingressos e dos desembolsos de caixa, e constitui-se em poderoso instrumento de planejamento e de controle financeiro para a empresa. É possível elaborar o fluxo de caixa a partir das informações colhidas dos diversos departamentos, setores e seções da organização, obedecendo ao período de registro contábil, seja anual ou mensal de ingressos e de desembolsos, remetido ao departamento ou gerência financeira.


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De forma resumida o fluxo de caixa da empresa pode se representado da seguinte maneira:

*Figura 02: Diagrama de um fluxo de caixa

*Figura 02 demonstra como os caminhos dos controles financeiros básicos estão relacionados ao caixa que administra esses fluxos de dinheiro como controle dos estoques, controle de contas a pagar e contas a receber investimento em ativo fixo, etc. Fonte: Zdanowicz (2002, p.32)

Conforme

pesquisa

realizada

pela

especialista

em

Finanças

pela

Universidade Federal de Santa Maria, Geize Pivetta (2004) as seguintes informações ou estimativas, segundo os períodos de tempo, são úteis para a elaboração do fluxo de caixa: a) projeção de vendas, considerando devidamente as prováveis proporções entre as vendas com receitas à vista e a prazo da empresa; b) estimativa das compras e as respectivas condições oferecidas pelos fornecedores; c) levantamento das cobranças com os créditos a receber de clientes;


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d) apresentação da periodicidade do fluxo de caixa, de acordo com as necessidades, tamanho, organização da empresa e ramo de atividade; e) orçamento dos demais ingressos e desembolsos de caixa para o período. A figura abaixo demonstra os principais ingressos e desembolsos de caixa.

*Figura 03: Principais ingressos e desembolsos de caixa.

VENDAS À VISTA

CAPITAIS PRÓPRIOS

COBRANÇAS DE VENDAS A PRAZO

CAPITAIS DE TERCEIROS

CAIXA (DISPONÍVEL)

INVESTIMENTOS

ATIVO PERMANENTE MERCADO FINANCEIRO

AMORTIZAÇÕES

EMPRÉSTIMOS

FINANCIAMENTOS

OPERAÇÕES

CUSTOS OPERACIONAIS DESPESAS OPERACIONAIS

*Figura 03 demonstra a centralização do caixa na área financeira bem como sua importância na estrutura de capital da empresa. Sua capacidade ou incapacidade envolve diretamente a administração dos investimentos, amortizações e despesas e custos de operações.

Fonte: Zdanowicz (2002, p.39)

Os desembolsos de caixa podem ser classificados como regulares, periódicos e irregulares. Desembolsos regulares de caixa são aqueles que ocorrem por pagamentos de salários, fornecedores, despesas administrativas e de vendas.


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Desembolsos periódicos de caixa correspondem a pagamentos de juros a terceiros por operações financeiras, dividendos aos acionistas, retiradas feitas pelo proprietário, despesas tributárias, amortizações de empréstimos ou financiamentos e pagamentos de dívidas da empresa. Desembolsos irregulares podem ser por aquisição de itens do ativo imobilizado e outras despesas não esperadas pela empresa. Os dados deverão ser tanto inteligíveis como os mais corretos possíveis, de forma que os responsáveis pela produção destas informações estejam conscientes da exatidão, clareza e confiabilidade dos dados apresentados. As principais receitas são: vendas à vista, recebimento de vendas no prazo, acréscimo de capital social, vendas periódicas dos itens do Ativo Permanente, receita referente a aluguéis diversos e resgate de aplicações no mercado financeiro. As principais despesas são: custos para financiar o ciclo operacional da empresa (aluguel, mão-de-obra, matéria-prima, energia, telefone, água,...) amortizar os empréstimos e/ou financiamentos. Na elaboração do fluxo de caixa utiliza-se mapa auxiliar que são um tipo de relatório gráfico típico que permitem o registro dos resultados separadamente, eis alguns: mapa auxiliar de recebimento de vendas a prazo; de recebimento de vendas a prazo com atraso; de pagamentos das compras a prazo; planilha de recebimentos; planilha de projeção das compras, planilha de pagamentos, planilha de despesas administrativas. Conforme artigo publicado na Revista Eletrônica de Contabilidade da UFSM em fevereiro de 2005. As principais transações que afetam o caixa são:

a) Transações que aumentam o caixa (disponível) Integralização do capital pelos sócios ou acionistas; Empréstimos bancários e financeiros; Venda de itens do Ativo Permanente; Vendas à vista e recebimento de duplicatas a receber; Outras entradas, como: juros recebidos, dividendos recebidos, indenizações de seguros, etc. b) Transações que diminuem o caixa (disponível) Pagamento de dividendos aos acionistas;


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Pagamento de juros, correção monetária da dívida e amortização da dívida; Aquisição de itens do Ativo Permanente; Compras à vista e pagamento de fornecedores; Pagamento de despesa/custo, contas a pagar e outros. c) Transações que não afetam o caixa Depreciação, amortização e exaustão. São meras reduções de Ativo, sem afetar o caixa; Provisão para devedores duvidosos. Estimativa de prováveis perdas com clientes que não representa o desembolso; Acréscimo (ou diminuição) de itens de investimentos pelo método de equivalência patrimonial. Assim como correção monetária, poderá haverá aumentos ou diminuições em itens de investimentos sem significar que houve vendas ou novas aquisições. Considerando

contabilmente

a

importância

da

preparação

de

um

demonstrativo contábil relacionado diretamente ao caixa da empresa, o cumprimento de sua finalidade segundo Iudícibus, (2010, p.32) o modelo de DFC adotado deve atender os seguintes requisitos: 1. Evidenciar o efeito periódico das transações de caixa segregadas por atividades operacionais, atividades de investimento e atividades financiamento, nessa ordem. 2. Evidenciar separadamente, em notas explicativas que façam referencia à DFC, as transações de investimento e financiamento que afetam a posição patrimonial da empresa, mas não impactam diretamente os fluxos de caixa do período. 3. Conciliar o resultado líquido (lucro/prejuízo) com o caixa Líquido gerado ou consumido nas atividades operacionais.

Com a evolução dos softwares, é perfeitamente possível, que se faça uma integração perfeita da contabilidade com o departamento financeiro, permitindo assim, que as informações do Fluxo de caixa possam ser acessadas a qualquer momento. Thielsen (2000, p.31), afirma que a DFC “permite mostrar, de forma direta ou mesmo indireta, as mudanças que tiveram reflexo no caixa, suas origens e aplicações”.


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A análise do DFC para efeito de auxílio na tomada de decisão pode ser considerado um dos importantes papéis desempenhados pelo profissional contábil, a devida análise do DFC pode trazer índices através das técnicas contábeis que mensuram, por exemplo, a importância do capital de giro para os negócios da empresa; análise da formação do fluxo de caixa operacional; análise da destinação/cobertura do fluxo de caixa operacional, etc. Por outro lado, o Fluxo de caixa mensal, é tão importante quanto o diário, pois possibilita uma visão de conjunto, visto que se relaciona com os movimentos mensais das demais contas da empresa. Para a análise do fluxo de caixa, utiliza-se uma demonstração chamada Demonstração do Fluxo Líquido de Caixa, ferramenta utilizada para análise do desempenho financeiro. Através da Demonstração do Fluxo Líquido de Caixa, podese saber se a empresa foi auto-suficiente no financiamento de seu giro e qual a sua capacidade de expansão. Segundo Matarazzo (1999, p.43), “a partir do ciclo operacional e de caixa são construídos modelos de análise do capital de giro e do fluxo de caixa”. Quanto maior a empresa, maior é a necessidade de se controlar o fluxo de caixa, de modo que interpretar corretamente as alterações que possam estar causando perdas significativas é responsabilidade da administração. Considerando que as corporações podem perder milhões em pouco tempo. O gestor que conhece o fluxo de caixa de sua empresa é capaz avaliar o risco e a oportunidade espelhada no fluxo de caixa produzido. Desta forma pode-se de certo modo considerar como realizar um planejamento de fluxo de caixa depois de anunciada a possível falência da empresa, caso o empresário não queira mais investir na atividade por algum motivo, ele poderá utilizar o fluxo de caixa para saber quanto ainda pode ser recuperado ou amenizar de alguma forma seu fluxo de caixa negativo de operações.

2.3 A Lei 11.638/07 e a DFC

A obrigatoriedade de elaboração da Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) para as sociedades anônimas e de grande porte entrou em vigor em 1º. 01. 2008 pela Lei nº 11.638/07, art. 1º, a qual deu nova redação ao inciso IV do art. 176


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da Lei nº 6.404/76, substituindo a Demonstrações das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR). A Lei nº 11.638/07 também deu nova redação ao art. 188 da Lei nº 6.404/76, estabelecendo que a DFC deverá indicar, no mínimo, as alterações ocorridas, durante o exercício, no saldo de caixa e equivalentes de caixa, segregando-se essas alterações em, no mínimo, três fluxos, das operações, dos financiamentos e dos investimentos. Estão obrigadas a elaborar a DFC as companhias abertas (S/A), sociedade de economia mista, sociedade de comandita por ações, sociedade de grande porte (por exemplo, Ltda.) quando atender os limites da lei. Essa demonstração, como seu próprio nome indica, tem por objetivo apresentar de forma ordenada e sumária as informações relativas às operações incluindo também as operações de financiamento e investimento da empresa durante o exercício, e, evidentemente, alterações na posição financeira da empresa. Não será obrigada à elaboração e publicação do fluxo de caixa a “companhia fechada” com Patrimônio Líquido, na data do balanço, inferior a R$ 2.000.000,00 (Lei nº 6.404/76, art. 176, § 6º). Em pequenas empresas, por exemplo, apesar de não serem obrigadas a elaborar um fluxo de caixa por força de Lei, considerando a simplicidade de sua estrutura, que muitas vezes prescinde de áreas, departamentos e seções, a principal contribuição do fluxo de caixa é exatamente na compreensão dos efeitos das decisões tomadas, com relação as disponibilidades da empresa. O empreendedor, ao conceder prazo para pagamento ou descontos aos clientes, pode gerar a necessidade de captação de recursos para pagamento das obrigações e, consequentemente, implicar na incorrência de despesas financeiras. Deve ser considerado o custo da operação, ao calcular-se, por exemplo, os preços praticados para vendas a prazo. A contribuição do fluxo de caixa é, consideravelmente, fundamental no entendimento do funcionamento da própria empresa e das implicações das decisões tomadas. Além disso, segundo a pesquisadora da UFSM Geize Pivetta (2005, p.3) podemos citar outros aspectos da atividade que a manutenção de um fluxo de caixa pode ajudar a evidenciar e entender principalmente em pequenas empresas: Sazonalidade nas vendas; Existência de concentração de pagamentos/recebimentos;


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Necessidade e resultados das políticas de marketing e promoções; Estrutura de custos/despesas fixa; Necessidade da separação dos controles pessoais e da empresa; Necessidade de uma remuneração pelo trabalho do empreendedor; Implicação dos tributos; Melhor noção de passivos/obrigações.

A implantação do fluxo de caixa consiste em apropriar os valores fornecidos pelas várias áreas da empresa, segundo o regime de caixa, isto é, de acordo com os períodos que efetivamente deverão ocorrer os ingressos e os desembolsos de caixa.

2.4 Os métodos de Fluxo de Caixa Contábil

A estrutura da DFC pode ser elaborada e apresentada por dois métodos existentes: o Método Direto ou Indireto. Ambos possuem características comuns representadas pela divisão de três fluxos, operacional, investimento e financiamento. A diferença entre os dois métodos está somente na forma de apresentação dos fluxos das atividades operacionais. O fluxo das atividades de financiamentos e investimentos são apresentados da mesma maneira nos dois métodos. O método direto, chamado por Marion (2003, p.431) de “fluxo de caixa no sentido restrito” ou “verdadeiro fluxo de caixa”, mostra todas as entradas e saídas de caixa que efetivamente provocam a variação das disponibilidades do período. Argumenta que a sua elaboração é mais trabalhosa, pois exige controles específicos para a segregação das movimentações financeiras; porém em sua apresentação se torna mais compreenssível para os usuários externos, iniciando com os valores recebidos de clientes e pagos a fornecedores, permitindo a rápida geração de informaçoes. A consciliação com a DRE ocorre numa seção à parte denominada “Divulgações Adicionais”. O método indireto, chamado por Marion (2003, p. 431) de “fluxo de caixa no sentido amplo”, mostra as entradas e saídas de caixa com menos detalhamento do que o método direto. Por sua semelhança de estrutura com a DOAR (possibiltando maior automação em sua elaboração) e por sua capacidade de evidenciar variações nos prazos de pagamentos e recebimentos, este método, tem sido até agora o


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escolhido pela maioria das empresas (Iudícibus, Martins e Gelbcke, 2000, p. 356). Todavia, partindo do lucro líquido e baseando-se em diferenças de saldos e inclusão de itens que não afetaram as disponibilidades, entendem que sua apresentação acaba muitas vezes por confundir os usuários externos.

2.5 O demonstrativo Fluxo de Caixa e sua finalidade

A finalidade principal da DFC enquanto um demonstrativo contábil é explicar as diferentes razões da alteração do saldo de caixa entre dois balanços consecutivos. Depreende-se o motivo da DFC ser uma demonstração dinâmica, representando um “fluxo”, complementando as informações referentes ao caixa e equivalentes, que são apresentadas de maneira estatística no Balanço Patrimonial, apenas por seus saldos. Quando usada com dados informativos de outras demonstrações contábeis, atende aos seus objetivos específicos, auxiliando os chamados stakeholders a:

(a) avaliar a capacidade do negócio de gerar fluxos de caixa líquidos positivos; (b) avaliar a capacidade do empreendimento de cumprir suas obrigações, sua capacidade de pagar dividendos e suas necessidades de financiamento externo; (c) avaliar as razões para as diferenças entre o resultado líquido e os recebimentos e pagamentos de caixa associados; (d) avaliar os efeitos sobre a posição financeira do negócio de suas transações de financiamento e investimento de caixa e as que não afetam o caixa durante o período. (FAZ nº95, p.2)

Segundo texto explicativo da IOB 2008, para entender o suprimento de informações aos stakeholders, a DFC deve seguir determinados padrões, chamados neste texto de objetivos acessórios: a) Apresentar-se de forma estruturada em atividades operacionais, de investimento e financiamentos como forma de classificação das razões de alteração no caixa e equivalentes; b) Listar, como informações adicionais, as transações que possam causar efeitos no caixa em momentos subseqüentes, mas que não representam movimentação de caixa do período, ou seja, informações que alteram a


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posição financeira presente (estruturas de financiamento e investimento) e os fluxos de caixa futuros; e c) Conciliar o lucro líquido com o fluxo de caixa operacional, uma vez que os pagamentos operacionais em determinado período normalmente não coincidem com as despesas informadas na demonstração do resultado. Para chegar-se ao conceito de caixa e equivalentes, deve-se definir caixa em sentido restrito, que equivale ao dinheiro em tesouraria, na sede da empresa, para custear despesas de pequeno vulto e pronto pagamento. Segundo Zdanowicz (1995, p. 239) “Ao examinar o Balanço Patrimonial de uma empresa deve-se analisar tanto os bens e direitos como as obrigações para que em função das composições existentes tenha-se a idéia de melhor administrar o fluxo de caixa dentro dos parâmetros de maior eficiência, a saber: liquidez e rentabilidade.” Quanto maior for o disponível, melhor será a liquidez e maior será a capacidade da empresa de saldar as suas exigibilidades. Contudo deve-se estar atento até que ponto este grau de liquidez afeta o processo operacional, carente de recursos e, consequentemente, prejudicar a rentabilidade da empresa.

2.6 Tipos de Fluxo de Caixa

A implantação do fluxo de caixa consiste também em estruturar as estimativas de cada unidade monetária em dois grandes itens: o planejamento de ingressos e o planejamento dos desembolsos, que poderão ser subdivididos em fluxo operacional e fluxo extra-operacional. O fluxo de caixa operacional, composto de itens estritamente decorrentes da atividade fim da empresa e o fluxo de caixa extra-operacional, compreendem os ingressos e desembolsos não relacionados à atividade principal da empresa, tais como imobilizações, venda de itens do ativo, receitas financeiras, aluguéis, amortizações de empréstimos, etc. Quanto ao formato de divulgação contábil, desde 1999 a NPC nº 20, em seu § 1º difundiu que as Demonstrações do Fluxo de Caixa refletirão as transações de caixa oriundas de três principais atividades, são elas atividades operacionais, atividades de investimentos e atividades de financiamentos.


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As atividades operacionais estão relacionadas à manutenção das operações da empresa principalmente os recebimentos de clientes e os pagamentos a fornecedores; espelhando no caixa quase a totalidade dos resultados operacionais divulgados na DRE (conceito de inclusão). Normalmente geram mais caixa do que utilizam. As atividades de investimento representam a segunda seção da DFC e envolvem transações que alteram a estrutura de investimento da empresa e que afetam o caixa, independentemente do prazo de realização, como, por exemplo, os resgates das aplicações e os pagamentos por compras de ativos de longo prazo. Normalmente provocam redução do nível de caixa. As atividades de financiamento estão vinculadas á estrutura de capital da empresa e envolvem as modificações no passivo Exigível a longo prazo e no Patrimônio Líquido, que afetaram o caixa no período, excetuando-se as relacionadas às operações. Grande parte dessas atividades diz respeito à captação de recursos, sua remuneração e amortização. Normalmente, num primeiro momento, elevam o caixa, com tudo no longo prazo, a restituição dos recursos emprestados pode provar sua diminuição em fase de estabilidade. Nesse momento, é preciso que os financiamentos

tenham

sido

capazes

de

proporcionar

entradas

de

caixa

operacionais superiores ao custo do capital tomado.

2.7 As Dimensões do Fluxo de Caixa

O planejamento de um bom fluxo de caixa deve prever um eficiente controle que por sua vez está associado a sua dimensão, o período de sua abrangência que poderá ser de curto prazo ou longo prazo: Curto prazo realiza o controle detalhado de entradas e saídas de dinheiro durante o período projetado. Mesmo em curto prazo a entidade deve controlar o fluxo de caixa caso ocorra uma possível necessidade de crédito nesse período. Considerando o porte e volume de transações, o gestor financeiro também poderá projetar um fluxo de caixa por exercício social, semestre, trimestre, mês, semana ou dia, considerando a abrangência no máximo os doze meses do curto prazo. No longo prazo, realiza-se uma projeção resumida de todas as entradas geradas pelas vendas de bens e serviços e das saídas oriundas dos custos operacionais e de capital, incluindo os projetos de expansão, modernização,


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relocalização ou novas instalações da entidade. É importante que o gestor financeiro obtenha linhas de crédito mais adequadas ao negócio, considerando a menor taxa de juros possível. Este fluxo compreende, geralmente, de dois a cinco anos, dependendo do porte do investimento da empresa. O fluxo de caixa projetado, segundo Zdanowicz (2002, p.126) pode ser expresso de forma genérica pela seguinte equação:

SFC = SIC + I - D Onde: SFC = saldo final de caixa; SIC = saldo inicial de caixa; I = ingressos; D = desembolsos. Aplicando-se esta fórmula genérica o administrador inicialmente poderá perceber o excedente ou escassez de recursos financeiros no caixa. Caso haja excedentes financeiros deve-se estudar a destinação mais eficiente e vantajosa dos mesmos. Havendo falta de recursos compete ao administrador financeiro captar nas fontes menos onerosa do mercado.

2.8 As Contribuições do Fluxo de Caixa nas Empresas

Segundo a projeção mais recente do Fundo Monetário Internacional (FMI), nosso país alcançou a sexta maior economia do mundo em 2011, ou seja, o sexto maior produto interno bruto medido em dólares à taxa de câmbio corrente. Nos últimos anos, a economia brasileira ultrapassou em tamanho a canadense e a espanhola. Em 2010, quase empata com a Itália. Os resultados desta pesquisa demonstram que "O Brasil está ocupando a posição de países desenvolvidos e, com isso, cresce seu prestígio nas negociações internacionais", diz Ernesto Lozzardo, professor de economia da EAESP-FGV e autor do livro "Globalização - A Certeza Imprevisível das Nações". As empresas equilibradas financeiramente apresentam características semelhantes como tendência em aumentar o índice de rotação dos estoques, controle entre os prazos médios de recebimentos com os prazos de pagamentos,


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não há imobilizações excessivas de capital, provisão de vendas não permitindo a falta da mercadoria para atender a demanda, etc. Cada vez mais comuns entre as grandes e médias empresas brasileiras, as operações de fluxo de caixa envolvendo moeda estrangeira merecem uma atenção singular visto que o IASB, FASB e o CPC tem entendimentos convergentes quanto ao fluxo de caixa. Consideram os ganhos e perdas decorrentes da tradução para uma única moeda de fluxo de caixa em outras moedas não representam um fluxo físico de dinheiro, apesar de produzirem impacto nos saldos de caixa. Requerem que o efeito líquido dessas transações seja lançado em uma só linha após o grupo das atividades de financiamentos. O critério de conversão deve ser pelo câmbio do dia de cada transação ou por uma taxa média ponderada periódica que aproxime os dois resultados. Segundo o pensamento do Prof. Elcio da Rosa Lima (URCAMP, 2005), é errônea a opinião de que a implantação e a implementação do planejamento e do controle de caixa acabam onerando a empresa, pressupondo que será necessária uma verdadeira equipe para desempenhar estas funções. Considerando que a maior parte das informações já existe na empresa, porém, muitas das vezes estão dispersas, são estas informações que necessitam de alguém para coordená-las através de um bom esquema que permita a construção de um fluxo de caixa. O administrador financeiro deve indicar alguém qualificado de confiança que conheça profundamente as atividades operacionais e financeiras da empresa e do cenário econômico no qual ela está inserida, o profissional contábil é parte essencial na construção do fluxo de caixa, porém esta carteira pertence mais propriamente ao Setor Financeiro. No cenário econômico atual, onde convivemos com baixa inflação, estreita margem de lucro, grande competitividade e juros bancários altíssimos, planejar o fluxo de caixa é considerado vital para a saúde das empresas em geral. De acordo com Zdanowicz (1995, p.93) dentre as várias contribuições do uso do fluxo de caixa destacam-se: a) Controlar a atividade financeira, pois a noção de responsabilidade relaciona-se com todas as operações da empresa. O nível desejado de caixa fixado deve fazer frente às necessidades correntes da empresa, sem que haja preocupação de captar em fontes de longo prazo, que poderá representar alto custo financeiro.


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b) Controlar a atividade da empresa, em geral, quando as faltas antes relacionadas, não são apenas imputáveis as atividades financeiras, deve-se analisar todo o sistema operacional da empresa.

Segundo pesquisa sobre a inadimplência das empresas brasileiras, publicada em janeiro de 2011 no site SEBRAE, quanto à análise por porte, na comparação anual, a inadimplência das micro e pequenas empresas avançou 1,4%, nas médias houve crescimento de 5,5%. Nas grandes, houve recuo de 1,6%. Na avaliação dos especialistas da Serasa, o recuo em 2010 é derivado da normalização da oferta de crédito e pelo forte crescimento da atividade econômica e as empresas tiveram oportunidade de capitalizar mais no ano de 2009, possibilitando regularizar seu fluxo de caixa e assim empreender novos investimentos diante da menor capacidade ociosa, resultante do mercado doméstico aquecido. Segundo os pesquisadores todas as empresas lidam com as dificuldades e alterações na economia, porém as grandes empresas ao empregarem maiores esforços no controle de seus fluxos de caixa, considerando fatores macro e micro econômicos, obtêm resultados melhores que influenciam diretamente no grupo do disponível, este controle está diretamente relacionado ao fluxo de caixa. Por sua vez as pequenas e médias empresas não conseguem controlar devidamente a inadimplência com eficácia, trazendo uma necessidade de disponível, que possivelmente oneram em empréstimos não desejados.

3. CONCLUSÃO

De acordo com a visão dos autores pesquisados, pautados nas expectativas das empresas em obter sucesso, o fluxo de caixa aplicado de forma gerencial é um dos instrumentos mais eficazes a serviço das organizações, seja qual for o seu porte. É largamente utilizada como ferramenta para aferir a saúde financeira das empresas, pública ou privada, mediante as informações para divulgação financeira externa, a DFC deve ser estruturada em termos de atividades operacionais, de investimento e de financiamento, embora haja algumas exceções. Se os fluxos de caixa são otimizados, dimensiona-se com maior segurança o capital de giro.


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Ficou evidente que a velocidade e precisão das ferramentas obtidas a partir da informática têm facilitado bastante o planejamento e controle de um bom fluxo de caixa nas empresas, entretanto, o elemento humano é que define melhor a qualidade do trabalho final com um cônscio uso do fluxo de caixa. Grande parte das pequenas e médias empresas geralmente apresenta problemas com o Fluxo de Caixa o que pode aumentar os custos financeiros e consequentemente, absorver valores significativos da receita operacional. A teoria, conhecida e notória pela maioria dos administradores, e citada por Zdanowicz (2004, p.29) afirma que é necessário possuir dinheiro em caixa na hora certa para pagar suas contas na hora adequada, dispensando a necessidade de recorrer a empréstimos, que podem custar muito caro. A prática, porém, apresenta ciladas silenciosas que vão corroendo o fluxo normal dos negócios. Problemas administrativo-operacionais tais como atraso de recebimentos de clientes, prazos mais elásticos para não perder a clientela, descontos excessivos, dentre outros. De modo contrário, os prazos previstos de pagamentos dos compromissos anteriormente assumidos, por vezes não são condizentes com a realidade acima descrita. Uma seleção, um bom treinamento, comprometimento com a empresa, uma boa supervisão podem garantir que os resultados obtenham mais êxito e produza relatórios com informações mais confiáveis, validando o fluxo de caixa como ferramenta útil no processo decisório. Paralelamente

o

administrador

financeiro

deverá

acompanhar

o

desempenho dos planos, informando periodicamente aos seus responsáveis o realizado e quanto falta a realizar. Mensalmente os planos devem ser revistos e atualizados, ou em períodos mais curtos quando for necessário, o controle diário do fluxo de caixa diminui a margem de erro e permite acompanhar o desempenho financeiro da empresa em tempo de aplicar eventuais medidas corretivas. Pesquisas indicam que, numa conjuntura econômica como a brasileira, chegando possivelmente a sétima economia do mundo em 2011, nenhuma empresa pode permitir que seus recursos permaneçam ociosos. Nas grandes empresas, com uma situação financeira bem estruturada, é bastante comum, utilizarem dois ou mais fluxos de caixa; um em condições reais de recebimentos e de pagamentos e outro projetado para hipóteses razoavelmente pessimistas.


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As pequenas e médias empresas em sua maioria apresentam dificuldades no controle de seu fluxo de caixa, que trazem implicações relacionadas à captação de recursos mais dispendiosos e prejudiciais ao patrimônio das empresas. Considerando o desenvolvimento prático de um bom fluxo de caixa bem elaborado e monitorado, são evidentes as chances de exercer um controle no uso de recursos que resultem no êxito para organização. Muitas vezes o problema não é a escassez de recursos, mas sim, como eles estão sendo administrados. Conclui-se que a gestão do fluxo de caixa deve ser mais bem divulgada no meio empresarial como ferramenta de administração financeira que oferece retornos e vantagens consideráveis a empresa.

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