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FACULDADE INDEPENDENTE DO NORDESTE – FAINOR CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO

MILLENA SOUSA LISBOA

ESPAÇO DE ACOLHIMENTO E BEM-ESTAR ANIMAL

VITÓRIA DA CONQUISTA-BA, JUNHO DE 2017


MILLENA SOUSA LISBOA ESPAÇO DE ACOLHIMENTO E BEM-ESTAR ANIMAL

Projeto Apresentado à Faculdade Independente do Nordeste – FAINOR, para obtenção do título de Arquiteto e Urbanista. Professor Orientador: Leonardo Dourado

VITÓRIA DA CONQUISTA-BA, JUNHO DE 2017


L769e

Lisboa, Millena Sousa Espaço de acolhimento e bem-estar animal ./ Millena Sousa Lisboa._ _ Vitória da Conquista, 2017. 64.f.il Memorial (Graduação Arquitetura e Urbanismo) Faculdade Independente do Nordeste - FAINOR Orientador (a): Prof. Leonardo de Oliveira C. Dourado 1. Animais abandonados. 2. Acolhimento e bem-estar. 3. Arquitetura. 4. Saúde pública. 5. Vitória da Conquista - BA . I Título. CDD: 720


MILLENA SOUSA LISBOA ESPAÇO DE ACOLHIMENTO E BEM-ESTAR ANIMAL

Projeto Apresentado à Faculdade Independente do Nordeste – FAINOR, para obtenção do título de Arquiteto e Urbanista. Professor Orientador: Leonardo Dourado

Aprovado em ___/___/______

Banca examinadora:

_____________________________________________________ Nome do 1º Componente: orientador do Trabalho Faculdade Independente do Nordeste

_____________________________________________________ Nome do 2º componente Faculdade Independente do Nordeste

_____________________________________________________ Nome do 3º componente Faculdade Independente do Nordeste

VITÓRIA DA CONQUISTA-BA, JUNHO DE 2017


"Todos os seres vivos buscam a felicidade; direcione sua compaixĂŁo para todos." (Mahavamsa)


AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus pela capacidade e sabedoria concedida para desenvolver este trabalho e superar as dificuldades. A minha família e amigos pelo apoio em todos os momentos, principalmente pelas palavras de conforto e a paciência nas horas de tensão e ansiedade, agradeço aqueles que me ajudaram direta e indiretamente a alcançar os objetivos e chegar até aqui. Ao meu orientador pelo suporte, as correções e o incentivo em todas as etapas.


RESUMO

Este trabalho aborda a proposta de implantação de um Espaço de Acolhimento e Bem-estar que atenda as necessidades gerais dos animais domésticos abandonados, cuidando-os, abrigando-os e motivando a sociedade à adoção dos mesmos, principalmente pela ausência de um espaço destinado ao cuidado e abrigo do animal abandonado no Município de Vitória da Conquista (BA), visando apresentar a organização e estrutura de um espaço de acolhimento e cuidado animal, compreendendo o espaço físico, aplicar soluções arquitetônicas sustentáveis tornando o ambiente prático, eficiente e confortável. Promover o lazer, saúde e a dignidade animal, diminuir a quantidade de animais nas ruas, propiciar o tratamento de enfermidades, além de inserir o animal na vida social, por meio de ações e incentivo à adoção, como também sanar problemas de saúde pública. Para elaboração do trabalho foi realizado levantamento bibliográfico, documental e direto.

Palavras-Chave: Animais abandonados. Acolhimento e bem-estar. Arquitetura. Saúde Publica. Vitória da Conquista-BA.


ABSTRACT

This term paper addresses the proposal to establish a shelter and welfare area that addresses the general needs of abandoned domestic animals, taking care of them, sheltering them and motivating society to adopt them, mainly due to the absence of a space for care and shelter of abandoned animal in the city of Vitรณria da Conquista (BA), aiming to present the organization and structure of a space of animal care, including the physical space, apply sustainable architectural solutions making the environment practical, efficient and comfortable. To promote leisure, health and animal dignity, to reduce the amount of animals on the streets, to promote the treatment of diseases, besides inserting the animal in social life, through actions and incentive to adoption, as well as to solve public health problems. For the preparation of the work, a bibliographical, documentary and direct survey was carried out.

Keywords: Abandoned animals. Welcoming and well-being. Architecture. Public health. Vitoria da Conquista-BA.


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 11 2 EXPLORAÇÃO TEÓRICA DO TEMA ............................................................................... 13 2.1 Princípios da Convivência Homem x Animal ................................................................ 13 2.1.1 Evolução histórica do processo de domesticação .................................................... 13 2.2 Abandono Animal ........................................................................................................... 14 2.2.1 Evolução histórica do processo de domesticação .................................................... 14 2.3 Saúde Pública .................................................................................................................. 16 2.3.1 Zoonoses................................................................................................................... 16 2.4 Benefícios da relação entre humanos e animais ............................................................. 17 2.5 Importância da adoção responsável ................................................................................ 17 2.6 Leis e normas sobre a causa animal ................................................................................ 18 2.6.1 Declaração universal dos direitos dos animais ......................................................... 19 2.6.2 Regulamentação para o funcionamento de espaços que abrigam animais ............... 19 2.7 Terceiro Setor ................................................................................................................. 20 2.7.1 ONG’s ...................................................................................................................... 20 2.8 Estudo da percepção e comportamento dos cães e gatos para o desenvolvimento de espaços adequados as suas necessidades .............................................................................. 21 2.8.1 Estudo da percepção e comportamento dos cães e gatos ......................................... 21 2.8.2 Espaço arquitetônico a partir da necessidade básica dos animais ............................ 24 2.8.3 Definição dos espaços que acolhem animais domésticos de ruas ............................ 24 2.8.4 Definição dos tipos de abrigos ................................................................................. 25 2.9 Projetos Referenciais ...................................................................................................... 26 2.9.1 Animal Refuge Centre .............................................................................................. 26 2.9.2 Birmingham Dogs Home ......................................................................................... 29 2.9.3 Centro Veterinário Pet Care ..................................................................................... 30 2.9.4 Hospital Veterinário HPET ...................................................................................... 31 3 METODOLOGIA .................................................................................................................. 33 3.1 Análise do levantamento direto ...................................................................................... 33 4 APRESENTAÇÃO DA ÁREA ............................................................................................. 34 4.1 Vitória da Conquista ....................................................................................................... 34 4.2 Características da área..................................................................................................... 35 4.3 Terreno ............................................................................................................................ 37


5 DEFINIÇÃO DO PARTIDO E CONCEITO ........................................................................ 41 6 PROGRAMA E FLUXOGRAMA ........................................................................................ 43 7 PROPOSTA/PROJETO ........................................................................................................ 46 7.1 Estrutura e Organização .............................................................................................. 46 7.2 Soluções Sustentáveis ................................................................................................. 47 7.3 Viabilidade Econômica do Empreendimento .............................................................. 49 7.4 Memorial de Cálculo dos Reservatórios ..................................................................... 51 7.5 Plantas da Edificação .................................................................................................. 52 8 CONCLUSÃO ....................................................................................................................... 56 REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 57 APÊNDICE A – FORMULÁRIO ELETRÔNICO .................................................................. 62 ANEXOS .................................................................................................................................. 64


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1 INTRODUÇÃO

Este Trabalho de Conclusão de Curso tem por finalidade discutir a importância que a arquitetura possui perante a vida dos animais, através da elaboração de um projeto arquitetônico que promova o acolhimento e bem-estar dos cães e gatos. Existe, nos dias atuais, um grande número de animais abandonados, fragilizados e em condições de maus tratos nas ruas, suscetíveis a adquirir doenças e infecções, tornando a população geral exposta ao risco de contrair estas doenças e essa é uma problemática presente não apenas no Brasil, mas no mundo, sendo assim, este projeto defende a contribuição da arquitetura para melhoria da causa do abandono animal na atual conjuntura em que se encontra, juntamente com o apoio da população e das políticas públicas para discursão do tema, tornando a proposta eficiente. Cada vez mais os bichos de estimação ganham espaço. De acordo com os dados abordados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2013), o número de cães e gatos residentes em famílias superou o número de crianças, sendo que a cada 100 famílias no Brasil, 44 criam cachorros e apenas 36 possuem crianças. No entanto, grandes motivos gerados pelo abandono se dão por decisões precipitadas, modismos, influência da mídia, colocando os animais como objetos de comercialização, deixando de considerar as responsabilidades que os guardiões devem ter perante seus animais de estimação. (SOUZA, 2012) Na cidade de Vitória da Conquista/Bahia, há muito tempo a população de animais de rua cresce cada vez mais de maneira descontrolada, o setor público consequentemente não se mobiliza para melhoria, deixando os animais sem cuidados e abandonados pelas ruas. Além da falta de um ambiente adequado para estes animais, é também a única cidade do Brasil, com mais de 300 mil habitantes, (conforme dados da população estimada IBGE de 2016, chegando a aproximadamente 346 mil), que não dispõe de um Centro de Controle de Zoonoses, que auxiliaria contra as doenças as quais esses animais estão expostos. Em muitos casos é necessário o apoio de ONG’s e pessoas voluntárias para realizar estes serviços de cuidados e proteção, ainda assim sendo impossível atingir a grande quantidade de animais abandonados que alcança mais de 5.000 mil cães e gatos. A proposta de implantação do Espaço de Acolhimento e Bem-estar Animal no Município de Vitória da Conquista é um desafio, cuja arquitetura pretende contribuir através de


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um projeto que atenderá às necessidades básicas dos animais domésticos abandonados, visando buscar soluções quanto à questão social dos mesmos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, dados referentes a 2014, existe cerca de 30 milhões de animais abandonados no Brasil. Destes, 20 milhões são cachorros, enquanto 10 milhões são gatos. Após um longo período na história no qual os animais ficaram marginalizados em relação as civilizações humanas, foi em 1978, que a UNESCO reconheceu os direitos dos animais através da Declaração Universal dos Direitos dos Animais (SANTANA, OLIVEIRA, 2006). Segundo a Wold Society for the Protetion of Animal - WSPA, animais domésticos são muito comuns em todos os países do mundo, e em muitos deles são valorizados pelo efeito positivo à saúde física e mental de seus guardiões humanos. Os cuidados adequados com os animais são fatores cada vez mais éticos discutidos na sociedade. O Centro de Acolhimento é relevante principalmente pelo cuidado da saúde animal, pelo seu bem-estar e consequentemente a importância da saúde humana. O Espaço de Acolhimento resgatará os cães e gatos de rua abandonados e em estado de necessidade, recuperando-os com cuidados médicos através de tratamentos como banho, tosa e eliminação de pulgas e carrapatos, vacinas, vermífugos, entre outros cuidados. Em seguida, castrar e disponibiliza-los para adoção, o que poderá ser incentivado através de ações sociais. Caso não haja adoção, será mantido no referido espaço, garantindo sua assistência. Essa instituição pretende também incentivar atividades de sensibilização e informação junto a escolas e universidades, assim também como atender e socorrer animais atropelados, vítimas de maus tratos, oferecendo uma vida digna e saudável. Sendo assim, a implantação do Espaço de Acolhimento e Bem-estar Animal será de suma importância, pois, este projeto visa implantar no Brasil um modelo de arquitetura voltada as questões animais, como projetos já existentes no exterior, levando assim a uma valorização deste tipo de empreendimento.


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2 EXPLORAÇÃO TEÓRICA DO TEMA

2.1 Princípios da Convivência Homem x Animal

2.1.1 Evolução histórica do processo de domesticação Para o desenvolvimento deste projeto de Espaço de Acolhimento e Bem-estar Animal é essencial entender como os animais passaram a fazer parte da vida humana e posteriormente entender o papel dos cães e gatos no âmbito familiar. De acordo Mazoyer e Roudart (2008), no período neolítico, pré-histórico, (10.000 a. C. a 5000 a.C.) as sociedades de predadores se transformavam em sociedades de agricultores, isso lhe permitia viver em um local fixo, agrupadas em vilarejos. Neste período os primeiros agricultores já sabiam reconhecer e preservar as linhagens de plantas e animais que lhes traziam vantagens evidentes. Em antigos sítios arqueológicos foram encontrados animais domésticos enterrados em posição de destaque ao lado de seus donos, este fato datado há mais de 12 mil anos antes de Cristo (Berzins, 2000). Desde os primórdios, o Homem já possuía alguma relação com o mundo animal. Estes sempre foram integrantes do meio que os rodeava, portanto, umas das primeiras representações artísticas são da fauna existente, que foram pinturas realizadas no período paleolítico, sendo as mais comuns as gravadas em pedra (gravuras rupestres), ou também aquelas pintadas no interior de grutas e abrigos, onde esses pigmentos eram retirados de plantas e minerais. Acredita-se que a primeira espécie a ser domesticada foram os cães, onde inicialmente se deu como uma relação de sobrevivência, portanto, cães ajudavam na caça e proteção e os gatos na eliminação de pragas, estes animais eram considerados prestadores de serviço. Os ancestrais da maioria dos animais que foram domesticados viviam em grupos ou bandos, o que facilitou o processo de domesticação, uma vez que tendo abrigo e comida estes animais se adaptavam ao confinamento (DRISCOLL et al.,2014 apud SILVEIRA, 2015). Em escrituras religiosas antigas da Igreja Católica foram abordadas a relação entre o homem e o animal, como São Francisco de Assis e São Crisóstomo que defendia o respeito e a boa relação para com os animais, assim também como São Tomás de Aquino que considerava atos de criminalidade contra animais como crueldade. Hoje em dia, o caráter utilitário da utilização de cães e gatos como prestadores de serviço não é mais predominante, estes animas passaram a se relacionar de forma mais afetiva com o


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homem e essa convivência se torna cada vez mais importante trazendo grandes benefícios, principalmente para melhoria psicológica e emocional das pessoas, reduzindo o stress, como também melhorando a afinidade entre os membros de uma família.

O certo é que o afeto remodelou, ao longo dos séculos, os laços que nos ligam a cães e gatos. E continua a remodela-los. É o que revelam pesquisas de comportamento ao mostrar que, mais até do que amigos, os bichos de estimação são hoje vistos como filhos ou irmãos em boa parte dos lares que os acolhem. Na Europa e nos Estados Unidos, o percentual de donos que consideram seus bichos como familiares já chega a 30% (MARTHE, 2009 apud PULCINI, 2016, p12).

2.2 Abandono Animal

2.2.1 Evolução histórica do processo de domesticação

O abandono de animais domésticos é um problema que afeta cada vez mais os grandes centros urbanos ao redor do mundo. O número de habitantes no planeta é de 7,2 bilhões de pessoas comparando com os 500 milhões de cães abandonados que existem, tem-se um resultado de que entre 14 pessoas no mundo há 1 cão vivendo nas ruas (MARTINS, 2015, p. 47). Segundo uma pesquisa da revista veterinária "Journal of Applied Animal Welfare Science", realizada nos EUA em 12 abrigos, envolvendo 1.984 cães e 1.286 gatos, apresenta os principais motivos ao qual o dono abandona seu cão ou gato.

Tabela 01: Dados sobre motivo do abandono nos EUA.

Cães

Gatos

20,0%: Destrutivo dentro de casa

37,7%: Suja a casa 16,9%: Agressivo com as pessoas 14,6% Destrutivo dentro de casa 11,4%: Destrutivo fora de casa 9,0%: Morde 8,0%: Não se adapta com outros animais 6,9%: Não amistoso 6,9%: Requer muita atenção 4,6%: Eutanásia por motivos de comportamento 4,6%: Ativo demais

18,5%: Suja a casa 12,6%: Destrutivo fora de casa 12,1%: Agressivo com as pessoas 11,6%: Tem o vício de fugir de casa 11,4%: Ativo demais 10,9%: Requer muita atenção 10,7%: Late ou uiva muito


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9,7%: Morde 9,0%: Desobediente

Fonte: Revista veterinária "Journal of Applied Animal Welfare Science".

No Brasil, o guardião responsável pelo animal ao abandona-lo constitui crime ambiental, pois este abstém de exercer a guarda responsável pelo mesmo, infringindo os artigos 225º da Constituição Federal e 32º da Lei de Crimes Ambientais, violando a dignidade do animal. Desde que os animais foram domesticados, o ser humano tornou-se responsável por promover suas necessidades, controlar sua população e zelar pela sua saúde e bem-estar (ARAMBULO; et al, 1972; JOCHLE, 1991 apud GARCIA 2016). O desconhecimento por parte das pessoas em relação ao que representa o animal é muito comum, pois ao adquirir um animal de estimação e através da convivência, desenvolve-se um vínculo afetivo onde deve-se estar preparado para permanecer com ele em todas as fases de sua vida. Muitas vezes a impulsividade acaba gerando um dos problemas do abandono, pois muitas pessoas acabam comprando os animais ou adotando-os por impulso, assim também tornando o animal um objeto de comercialização. Outro fator gerador do abandono é a reprodução indiscriminada de animais, onde até mesmo os guardiões são responsáveis por esta ação. Além disso, ainda existe uma grande resistência em relação a castração e os benefícios que esta técnica pode trazer aos animais, acreditando-se que o animal pode sofrer, ter alterações de comportamento, engordar, entre outros fatores, sendo estes alguns mitos comuns que precisam ser eliminados, pois a castração é um ato de responsabilidade, prevenindo possíveis doenças, como também contribuindo para reduzir a quantidade de ninhadas indesejadas e beneficiando a saúde do animal. São muitos os motivos pelo qual se dá o abandono de animais, por estas causas é imprescindível alertar e sensibilizar a população sobre os deveres da guarda responsável e políticas governamentais que compreendam a castração como uma forma de controle populacional de animais e também como diminuição de zoonoses (PULCINI, 2016).


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2.3 Saúde Pública Segundo Ujvari (2008), quando se iniciou o processo de domesticação de animais, os homens ficaram mais propensos a serem atingidos por vírus que antes ficavam apenas nos animais. O Sarampo é um tipo de epidemia que começou na Ásia e que foi proveniente de um vírus residente no gado pois o aumento populacional desencadeado pela agricultura provocou o surgimento de várias epidemias entre os humanos. Além dessa disseminação de doenças, a domesticação dos animais e a aproximação do homem gerou uma série de consequências negativas, como a irresponsabilidade do abandono e maus tratos, através disso ocorrendo a disseminação de animais nas ruas e a proliferação incontrolada, além da exposição desses animais a doenças, afetando também a população.

2.3.1 Zoonoses

É visto que atualmente a grande população de animais nas ruas tem se tornado um problema causando sérios riscos e transtornos aos habitantes. Tem sido cada vez mais comuns uma série de doenças transmitidas pelos animais frente a falta de cuidado e o abandono ao qual foram submetidos, pode-se destacar algumas das principais como, Raiva (cão, gato, primatas e cavalo), a transmissão ocorre pela mordida do animal doente, onde o vírus encontra-se presente na saliva, Larva Migrans cutânea ou Bicho Geográfico (cão), a transmissão é pelo contato com areia contaminada com fezes de cães, Lepstospirose (cão), causada por bactéria presente na urina dos ratos que contamina a água de enchente, o cão que estiver em contato com a urina de ratos se contamina e pode transmitir ao homem, Sarna (cão e gato), produz coceira incessante e causa feridas, esta pode ser contraída no contato direto com a pele. Além de outras doenças como, a Leishmaniose, Toxoplasmose, Ancilostomíase, Dermatomicose, Esporotricose e proliferação de parasitas. Existem outros problemas comuns, como agressões, acidentes de transito, poluição por dejetos, entre outras perturbações (GOUVÊA, 2015, p. 26).


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2.4 Benefícios da relação entre humanos e animais

Os animais de estimação podem desempenhar um ótimo papel na vida das pessoas além de dar carinho, acalmar, divertir e fazer companhia, pois ajudam nas perdas pessoais e também na recuperação de doenças. De acordo o veterinário Rafael Pires de Camargo, de São Paulo, "Hoje em dia as pessoas se isolam mais e tentam suprir a solidão com animais de companhia. Eles dão bem menos trabalho do que os seres humanos e são muito mais compreensivos". Além dessa relação afetiva, atualmente os animais também beneficiam os humanos de forma terapêutica através da Terapia Assistida por Animais (TAA), que é uma prática realizada por profissionais de saúde, com o objetivo de promover o desenvolvimento físico, psíquico, cognitivo e social dos pacientes, onde o corpo é capaz de produzir e liberar endorfina, um hormônio presente no corpo, e através disso, resultando numa sensação de bem-estar, assim também como diversos fatores importantes para a recuperação do paciente. Além disso, os animais de estimação também são capazes de estimular a aproximação entre pessoas, ajuda a combater à depressão, incentivo à prática de atividades físicas, elevação da autoestima, diminui a solidão, entre outros aspectos. 2.5 Importância da adoção responsável Segundo a medica veterinária Silvia Schultz, escolher um cão ou gato não é tão simples, embora muitos pensam que sim. É comum as pessoas escolherem o animal observando a beleza e aspectos físicos, esquecendo assim das particularidades existentes em cada raça. Existem alguns fatores que muitas vezes não são levados em consideração como predisposições a doenças degenerativas, temperamento agitado, comportamentos destrutivos, crescimento maior do que o esperado, necessidade de interação e socialização, adaptabilidade com outros animais, fatores que acabam gerando desmotivação por parte do guardião e possivelmente o abandono do animal. (SCHULTZ, 2009) A adoção é uma forma de adquirir um animal de estimação sem que haja necessidade de compra-lo, além de uma ótima opção pois contribui para uma vida digna e alegre num âmbito familiar. Animais adotados costumam ser gratos por já terem passado por diversas situações desagradáveis nas ruas, a adoção também contribui no combate a comercialização inadequada de animais e através da adoção é possível contribuir para a diminuição do problema do abandono.


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É necessário cuidar e tratar de forma adequada o animal de estimação, cumprindo as leis e direitos dos animais, respeitando seu espaço e dedicando atenção quanto as necessidades que este possui, pois, adotar significa responsabilidade, companheirismo e dedicação ao animal durante sua vida. 2.6 Leis e normas sobre a causa animal

Segundo Gomes (2010) a sociedade contemporânea concedeu ao ser humano o direito da vida digna, hoje não se admite a escravidão humana, torturas e crimes contra a humanidade. Aos animais, ainda não se aplicam o mesmo valor, no entanto, deveriam ser vistos da mesma forma, pois merecem o direito a dignidade, considerando a capacidade de sentir dor e o sentimento de afetividade que também possuem para com os humanos. Existem leis que se referem a proteção e o tratamento animal que são fundamentais para elaboração do Espaço de Acolhimento e Bem-estar, são elas de cunho mundial, federal, estadual e municipal. O poder público em muitas cidades do Brasil ainda deixa a desejar quanto a exigência do cumprimento de forma regular dessas leis, tornando que a responsabilidade seja de cada cidadão, no entanto, ainda existem muitas barreiras culturais e dificuldades que necessitam ser enfrentadas. Em 1934, Getúlio Vargas promulgou o decreto federal nº 24.645, que estabelece medidas de proteção aos animais, listando atividades que seriam consideradas práticas de maus tratos aos animais, já em 1941, a pratica de maus tratos foi inserida na Lei de Contravenções Penais. Em 1981 a lei federal nº 6.938, estabeleceu a Política Nacional de Meio Ambiente, passando-se a considerar o animal abandonado como recurso ambiental, constituindo parte do patrimônio público, no entanto, apenas em 1998, a lei federal nº 9.605, intitulada de Lei dos Crimes Ambientais regulamentou de forma mais detalhada os crimes desta natureza e suas respectivas penalidades (BRASIL, 1934; BRASIL, 1941; BRASIL, 1988 apud GARCIA, 2016). Existe também a Lei de Posse Responsável que estabelece a disciplina legal para a propriedade, a posse, o transporte e a guarda responsável de cães, Lei n° 121, de 1999.


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2.6.1 Declaração universal dos direitos dos animais

A Declaração Universal dos Direitos Animais foi proclamada pela UNESCO em 27 de janeiro de 1978, na Bélgica, que visa criar parâmetros jurídicos para os países membros da Organização das Nações Unidas, sobre os direitos animais. Os artigos desta lei tratam de forma resumida sobre estes aspectos: Todos os animais têm o mesmo direito à vida; todos os animais têm direito ao respeito e à proteção do homem; nenhum animal deve ser maltratado; todos os animais selvagens têm o direito de viver livres no seu habitat; o animal que o homem escolher para companheiro não deve ser nunca ser abandonado; nenhum animal deve ser usado em experiências que lhe causem dor; todo ato que põe em risco a vida de um animal é um crime contra a vida; a poluição e a destruição do meio ambiente são considerados crimes contra os animais; os diretos dos animais devem ser defendidos por lei; o homem deve ser educado desde a infância para observar, respeitar e compreender os animais.

2.6.2 Regulamentação para o funcionamento de espaços que abrigam animais

Existe leis e normas destinadas ao funcionamento adequado de espaços veterinários, sendo estas de cunho federal, estadual e municipal, portanto, é de extrema importância o uso dessas normas para elaboração do Espaço de Acolhimento e Bem-estar Animal. As normas específicas para ambientes veterinários, são: Ministério da Saúde e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Lei nº 6437 DE 20/08/77 - “Configura infrações à legislação sanitária federal, estabelece as sanções respectivas, e dá outras providências”, Medida Provisória nº 2190 de 23/08/01 - “Altera dispositivos da Lei Federal nº 6437/77 que configura infrações a legislação Sanitária e estabelece as sanções”, Resolução RDC nº 33 de 25 de fevereiro de 2003 - “Dispõe sobre o Regulamento Técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde”). Ministério do Meio Ambiente (Resolução nº 5 / CONAMA, de 05/08/93 “Define procedimentos mínimos para o gerenciamento de resíduos sólidos oriundos de serviços de saúde”; Resolução nº 283 / CONAMA de 12/07/01 - “Dispõe sobre o tratamento e a destinação final dos resíduos dos serviços de saúde”). Conselho Federal de Medicina Veterinária (Resolução nº 1015 de 09/11/12 – “Conceitua e estabelece condições para o funcionamento de estabelecimentos Médicos Veterinários, e dá outras providências”.)


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O Município de Vitória da Conquista apresenta a Lei N.° 1.481/2007 - Código de Ordenamento do Uso e da Ocupação do Solo e de Obras e Edificações, que será seguida para realização do projeto arquitetônico. 2.7 Terceiro Setor

A sociedade civil é dividida em três setores, primeiro, segundo e terceiro. O primeiro é formado pelo Governo, o segundo pelas empresas privadas e o terceiro se trata das organizações sem fins lucrativos, este terceiro contribui na realização de ações solidarias, alcançando um lugar na sociedade que o Estado não pôde chegar (PULCINI, 2016). Fazem parte do terceiro setor, as ONG’s (Organizações Não Governamentais, que, portanto, é composto por cidadãos voluntários através de iniciativas privadas e por incentivos do Governo. É comum o número de movimentos em relação as causas dos animais por ONG’s no Brasil. A WSPA, Sociedade Mundial de Proteção Animal, é uma federação que reúne milhares de ONG’s pelo mundo e no Brasil conta com 103 ONG’s promovendo campanhas educativas. A mais antiga associação civil do Brasil, localizada em São Paulo, é a UIPA (União Internacional Protetora dos Animais), responsável pelo movimento de proteção animal no século XIX. 2.7.1 ONG’s

Em Vitória da Conquista, existe a AMA (Associação Amiga dos Animais) que cuida de animais vítimas de acidente, abandono e maus tratos, existente a mais de 15 anos, é uma entidade sem fins lucrativos cuidadora dos animais de rua que é mantida por doações. Outras instituições também exercem um trabalho social na cidade, como o Hospital Veterinário CLIV, existente a 34 anos, que desenvolve um trabalho social com animais de rua, atendendo gratuitamente vários animais vítimas de maus-tratos e atropelamentos. Além dessas instituições, Vitória da Conquista também possui diversos protetores de animais independentes, que resgatam e cuidam de animais em situação de abandono e maustratos, mas que assim como a AMA, necessitam de doações para se manter. A cidade ainda não possui um Centro de Zoonoses, a implantação dos CCZ’s são de responsabilidade da vigilância sanitária dos municípios. No entanto, segundo informações obtidas pela Revista Gambiarra (2015), a prefeitura de Vitória da Conquista afirma que o projeto arquitetônico para a construção do Centro Municipal de Zoonoses já foi elaborado e que


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o processo para concessão da Licença Ambiental está em andamento e que como medida provisória, a Prefeitura mantém um convênio com a AMA, além de disponibilizar um curral para abrigar os animais de maior porte que estão em vias públicas e estradas entorno do município. O trabalho de apreensão é realizado por fiscais de posturas que fazem vistorias ou são acionados pela população. 2.8 Estudo da percepção e comportamento dos cães e gatos para o desenvolvimento de espaços adequados as suas necessidades

É de extrema importância conhecer a percepção e comportamento dos animais para elaboração de um projeto arquitetônico que atenda as necessidades que estes possuem, da mesma forma que é preciso conhecer os humanos para elaboração de ambientes compatíveis as suas necessidades. A WSPA BRASIL, recomenda que a elaboração de ambientes para animais atenda não só o fornecimento de higiene, alimentos e cuidados veterinários, pois os animais são seres inteligentes capazes de possuir sensações, experiências emocionais, se comunicar e perceber o que acontece ao seu redor.

2.8.1 Estudo da percepção e comportamento dos cães e gatos

Algumas características presentes nos cães e gatos se divergem completamente do ser humano e para projetar um espaço de acolhimento eficaz, torna-se necessário identificar alguns destes aspectos. A visão dos cães e gatos é um dos primeiros aspectos a serem considerados diferentes do ser humanos. Segundo uma matéria elaborada por Gozoni (2013), os olhos das pessoas e dos cães contêm células especiais, denominadas de “cones”, que tem a função de capturar e reagir à luz, ou seja, de ver as cores, no entanto os cães têm menos cones que os humanos e por isso não enxergam cores com tanta intensidade, já a visão colorida, entretanto, não está apenas na existência dos cones, mas em sua variedade, pois cada tipo de cone reage a uma onda de luz diferente. Os humanos possuem três tipos de cones denominadas visão tricromática, a pessoa deixa de enxergar as variedades de cores quando um desses cones se ausenta, passando enxergar em tons diferentes como é o caso do daltonismo, já os cães, possuem apenas dois tipos de cones e por isso sua visão é dicromática.


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Outra diferença é que os cães e gatos enxergam mais imagens por segundo do que o homem, os seres humanos conseguem enxergar 24 imagens por segundo, já os cães 70 a 80 imagens, enquanto os gatos 100 imagens, além disso possui uma pigmentação especial capaz de ajudarem a enxergar no escuro, esta pigmentação reflete e amplia a luz em até 130 vezes, através da dilatação da pupila, no entanto, não possuem um orientação baseada a visão, são animais míopes e não conseguem ver objetos a uma distância menor que 20 a 40 centímetros da visão (SILVEIRA, 2015).

Fig 01: Diferença entre a visão dos cães e humanos.

Fonte: Disponível em <http://www.farejadordecaes.com.br/2013/12/quais-as-cores-que-oscaes-enxergam/> Acesso em 8 de dez. de 2016.

A audição dos cães e gatos também são superiores ao ser humano, sendo este o principal meio de orientação deles, segundo Castro e Versignassi (2012 apud SILVEIRA, 2015) o ser humano ouve a frequência entre 20 a 20 mil Hertz (Hz), o cão ouve até 45 mil Hz e os gatos até 60 mil Hz.

Fig 02: Frequência de som escutada por homens, cães e gatos.

Fonte: Colchiea, 2015 (Adaptação Silveira, 2015)

O olfato é um dos sentidos mais importantes dos cães e gatos, o cão possuindo entre 300 milhões de células olfativas e os gatos entre 200 milhões. De acordo Silveira (2015) o olfato


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ajuda os animais encontrar comida, perceber ameaças e encontrar parceiros sexuais, assim também como utilização destes sentidos para se distinguirem, pois não possuem a capacidade de se identificar por imagem e por este motivo tem o habito de urinar, marcando território sendo a urina a forma de apropriar-se do espaço. O Tato, também é um dos sentidos aguçados no cães e gatos, neste, as células responsáveis pelo tato se encontram nos pelos, são perceptíveis a qualquer toque, além disso, o tato auxilia a sentir cheiros, os bigodes funcionam como antenas orientando sobre o espaço. O paladar não é tão aguçado quanto dos humanos, pois eles possuem menos papilas gustativas, conseguem sentir o gosto, no entanto tem preferências diferentes, pois alguns alimentos que os humanos consomem podem ser prejudiciais a saúde dos pets. É importante observar a linguagem corporal dos animais pois utilizam o corpo para se comunicar com seus cuidadores e no ambiente onde vivem. Segundo Silveira (2015), o movimento da cauda nos cães representa curiosidade ou interesse em algo, os movimentos suaves indicam tranquilidade, já nos gatos a cauda arrepiada significa irritação, no entanto quando constantemente levantada indica tranquilidade. Tanto para cães como gato, a calda encolhida representa medo e timidez. Ainda de acordo Silveira (2015), outra característica a se destacar é a vocalização, os latidos estridentes demonstram empolgação, já latidos mais baixos significa nervosismo, eles rosnam quando querem que alguém se afaste e uivam quando querem encontrar alguém. Já o miado do gato é único para cada um, normalmente miam para chamar atenção, o ato de ronronar quer dizer que estão felizes, já rosnar ou gritar significa um comportamento agressivo. Portanto, a partir dessas características pode-se projetar espaços de acordo a necessidade desses animais, sendo capaz estimulá-los ou inibi-los, identificando a maneira como vivenciam o espaço e a relação com o ser humano, identificando características que estes possuem, procurando adequar estes ambientes conforme as diferenças destes animais. Cães quando confinados tendem a ficar mais irritados e nervosos sentindo a necessidade de ambientes livres onde possam se exercitar, já os gatos em determinados momentos gostam de locais onde podem se isolar, assim também como tentem a querer explorar, procurando locais elevados para que seja um ponto de observação.


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2.8.2 Espaço arquitetônico a partir da necessidade básica dos animais Foi desenvolvido um documento pela WSPA – World Society for the Protection of Animals, sobre políticas para abrigos de cães e gatos, com o objetivo de promover uma qualidade de vida para os animais em abrigos, reunindo informações sobre funcionamento, organização, admissão de animais, quantidade de animais, limpeza e higiene, instalações, conforto, para que estes ambientes sejam planejados de forma adequada promovendo o cuidado e benefício aos animais. Neste documento constam 5 conceitos fundamentais para atender as necessidades básica dos animais são eles: Fisiológicas e sensoriais: estabelece que os animais tenham uma alimentação correta e adequada, além de atividade que promovem estimulo sensorial. Físicas e ambientais: espaço apropriado para definir suas áreas de atividade, como dormir, se abrigar e se esconder ou isolar, para higienização e alimentação, garantindo que estes espaços tenham condições adequadas de temperatura, umidade, ventilação, iluminação. Comportamentais: refere-se a um ambiente apropriado e que o animal possa ter companhia de outros de sua própria espécie, garantindo atividades e a oportunidade de escolha. Sociais: Possibilitar a integração entre os animais assim também como respeitar a organização hierárquica dos mesmos. Psicológicas e cognitivas: promovendo atividades que estimulem o animal, prevenindo o tédio e a frustração, assim também como o medo, ansiedade, tristeza, angústia, estresse, proporcionando condições e tratamento que evitem sofrimento mental. Através dessas recomendações e entendimento sobre a necessidade e a forma de convivência dos animais, é possível elaborar um espaço arquitetônico compatível, sem que estes aspectos sejam ignorados, principalmente as necessidades cognitivas e sensoriais tornando o ambiente agradável e prazeroso para os mesmos. 2.8.3 Definição dos espaços que acolhem animais domésticos de ruas

De acordo o Portal da Educação (2013), os espaços que são construídos exclusivamente para o abrigo de determinados animais que foram abandonados são chamados de zoocômicos. Pode ser um espaço aberto por pessoas solidárias, órgãos governamentais ou instituições privadas.


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2.8.4 Definição dos tipos de abrigos

Existem alguns tipos de abrigos destinados a abrigar animais de rua, são os mais comuns, os Centros de Controle de Zoonose, Abrigos e lares temporários e os CM – Canil Municipal. Os Centros de Controle de Zoonoses (CCZ) são unidades de saúde pública que têm o objetivo de prevenir e controlar as zoonoses, doenças transmitidas pelos animais, desenvolvendo sistemas de vigilância sanitária, vigilância epidemiológica e vigilância ambiental em saúde. Tem a funções de controlar a populações de animais domésticos e animais sinantrópicos. No entanto, estes estabelecimentos não possuem a função de abrigar, recolher animais e promover doações, mas por falta de um órgão especifico, acabam desempenhando esta função (SILVEIRA, 2015). Abrigos portas-abertas são aqueles que aceitam todos os animais doados, sem uma lista de espera ou horário marcado e após um período, eles dispõem os animais para doação. Os santuários de animais são abrigos que promovem o cuidado do animal até durante o resto de suas vidas, não necessariamente buscam um destino para eles ou disponibilizam para a doação. As Organizações de Resgate não são em si abrigos, geralmente não recebem financiamento do governo, vivem de doações e não possuem um local fixo. Os animais recolhidos, são levados até casas de voluntários que são como lar temporários para estes animais. Em algumas cidades, ainda existem os Canis Municipais, que visam recolher os animais apenas para controle populacional de cães e gatos, serve para cidades onde a população seja menor do que 15 mil pessoas. Através da análise destes estabelecimentos, o projeto do Espaço de Acolhimento e Bemestar Animal irá proporcionar e adequar ao Município de Vitória da Conquista a proposta um projeto capaz de sanar os problemas causados pelos animais nas ruas e principalmente promover uma qualidade de vida para estes animais, promovendo o recolhimento destes animais nas ruas, abrigando, cuidado e realizando o tratamento de doenças, disponibilizando os animais para adoção, além de incentivar o contato da população com estes animais.


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2.9 Projetos Referenciais

2.9.1 Animal Refuge Centre O Animal Shelter Amsterdam (DOA), está localizado na Holanda, sendo o maior abrigo do país. A DOA visa dar abrigo e realojar cães e gatos desabrigados. Todos os anos cerca de 2.000 mil cães e gatos passam pelo abrigo. Seu período de construção se dá entre 2006 e 2007 e o custo do projeto chega a 4,1 milhões de euros. O edifício é todo voltado para o interior a fim de reduzir os níveis de ruído excessivo dos latidos para os vizinhos. Já no segundo pavimento do edifício acomoda os gatis, agindo como uma área de abafamento do som ao exterior O lugar oferece abrigo para 180 cães e 480 gatos, também abriga uma loja, uma clínica veterinária, salas de ensino, cozinhas, escritórios, espaços técnicos, salas de armazenamento e um apartamento de zelador de 115m2. Em relação ao projeto, o corredor de serviço e o canil convergem criando um edifício de fita longa e fina, dentro deste, os arquitetos criaram grandes espaços de jogos para os animais. Sendo assim, este projeto de cunho internacional é essencial para a elaboração do Espaço de Acolhimento e Bem-estar, foge dos padrões arquitetônicos, trazendo grandes inovações, um espaço humanizado e com estrutura elevada para o cuidado e a moradia dos animais, destacando-se sua estrutura, funcionalidade e capacidade de atender uma grande demanda, além do conforto, acústica e uma arquitetura arrojada, agregando também um modelo de arquitetura sustentável.

Figura 03 e 04: Maquete eletrônica da implantação e Fachada Frontal.

Fonte:

Disponível

em

<http://www.archdaily.com/2156/animal-refuge-centre-arons-en-

gelauff-architecten.> Acesso em 8 de dez. de 2016.


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Figura 05: Planta térreo da edificação.

Fonte: Disponível em <http://www.archdaily.com/2156/animal-refuge-centre-arons-en-gelauffarchitecten.> Acesso em 8 de dez. de 2016.

Figura 06: Planta do pavimento superior da edificação.

Fonte: Disponível em <http://www.archdaily.com/2156/animal-refuge-centre-arons-en-gelauffarchitecten.> Acesso em 8 de dez. de 2016.


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Figura 07: Corte esquemático do canil e gatil

Fonte: Disponível em < http://www.archdaily.com/2156/animal-refuge-centre-arons-en-gelauffarchitecten.> Acesso em 8 de dez. de 2016.

Figura 08: Maquete física (ampliação da área de canil e gatil).

Fonte:

Disponível

em

<http://www.archdaily.com/2156/animal-refuge-centre-arons-en-

gelauff-architecten.> Acesso em 8 de dez. de 2016.


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2.9.2 Birmingham Dogs Home

O projeto está localizado em Birmingham na Inglaterra, elaborado pela empresa Associated Architects, o empreendimento possui o objetivo de recolher os animais abandonados e transferi-los para novos donos. O local do projeto é uma área semi-rural, no entanto, foi escolhida por possuir um bom acesso e ligações de transportes, além da possibilidade de deixar os animais mais livres, podendo proporcionar atividades ao ar livre para estes. O edifício é de apenas um andar, de modo que o verde se mesclasse com a paisagem do local, trazendo esse aspecto de ocultação visual por conta da floresta existente. Foi desenvolvida uma análise detalhada para que o projeto estivesse completamente voltado para a paisagem, ecologia e padrões locais de construção vernacular, com o objetivo de demonstrar sensibilidade à paisagem. Além disso a instalação propõe fornecer 128 canis. Este projeto é de caráter relevante para o Espaço de Acolhimento e Bem-estar, pois agrega através do seu modelo, a utilização de formas arquitetônicas sustentáveis e ecológicas para o projeto de Acolhimento e Bem-estar, assim também como os de canis através da disposição das baias em 45 graus, tornando os detalhes de angulação uma opção a seguir em função dos benefícios que essa organização pode trazer no ambiente de abrigo, sendo capaz de bloquear a visão direta dos cães e consequentemente evitar os ruídos de reação em cadeia.

Figura 09 e 10: Canis e Telhado Verde.

Fonte: Disponível em <http://www.associatedarchitects.co.uk/projects/community/birmingham-dogs-home/> Acesso em 8 de dez. de 2016


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Figura 11: Implantação.

Fonte: Disponível em <http://www.associatedarchitects.co.uk/projects/community/birmingham-dogs-home/> Acesso em 8 de dez. de 2016 2.9.3 Centro Veterinário Pet Care O Pet Care, localizado em São Paulo, é um Centro Veterinário que atende desde 1990, possui uma infraestrutura e equipamentos avançados e atuam em diversas especialidades, além de apresentar vários recursos de saúde para a Medicina Veterinária. Algumas das especialidades são: Acupuntura; Anestesia; Cardiologia; Cirurgia; Dermatologia; Endocrinologia; Fisioterapia; Gastroenterologia; Hemodiálise; Medicina Felina; Nefrologia e Urologia; Neurologia; Nutrição Clínica; Odontologia; Oftalmologia; Oncologia; Ortopedia; Reprodução e Tratamento com Células-Tronco. O corpo clínico é constituído por mais de 80 veterinários e especialistas, o Hospital atende 24 horas, possui internamento intensivo e foi considerado o melhor Hospital Veterinário


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de São Paulo em 2009/2010 pela revista Época. O Pet Care conta com quatro centros veterinários, são as unidades Pacaembu, Morumbi, Ibirapuera e Tatuapé, incluindo, ainda, serviços de banho/tosa e um pet shop. O Centro Veterinário Pet Care contribui para elaboração do Espaço de acolhimento e bem-estar animal através das diversas funções veterinárias que oferece, sendo capaz de atender a situações que requerem especialidades e uso de equipamentos avançados, além de possuir espaços projetados exclusivamente para estes usos, principalmente em relação as áreas de atendimento médico e cirúrgicas.

Figura 12 e 13: Fachada do Morumbi e Recepção do Ibirapuera.

Fonte:

Disponivel

em

<http://sampaulodelapraca.com/wp-content/uploads/2016/03/Mix-

1.png.> Acesso em 8 de dez. de 2016. 2.9.4 Hospital Veterinário HPET

O Hospital Veterinário HPET, localizado em Salvador na Bahia, conta com ambientes climatizados e equipamentos modernos. O corpo de veterinários é composto por profissionais especializados. Segundo informações disponibilizadas no site, o Hospital possui um centro veterinário e centro cirúrgico com equipamentos modernos. Algumas cirurgias são eletivas e com agendamento prévio, outras, de caráter emergencial que demandam intervenção rápida. Conta com Fisioterapia Veterinária que é uma especialidade da Medicina Veterinária, indicada nas enfermidades ortopédicas e neurológicas, bem como no controle da obesidade, na manutenção do condicionamento físico e na qualidade de vida dos pets mais idosos. Além disso, o Hospital possui internamento regular e com acompanhante. Exames de laboratório, raio x e ultrassom com doppler garantem um diagnóstico rápido e preciso.


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Este hospital veterinário contribui de forma benéfica para o Espaço de Acolhimento e bem-estar através dos espaços que foram projetados para atender as especialidades veterinárias, além de outras funcionalidades presentes no empreendimento, como pet shop e espaço de fisioterapia integrados, proporcionando maior funcionalidade, assim também, como a utilização de equipamentos tecnológicos tornando o projeto moderno e preparado para atender o público animal.

Figura 14 e 15: Sala de procedimento cirúrgico e sala de fisioterapia.

Fonte: Disponível em <http://www.hpethospital.com.br/hospital/.> Acesso em 8 de dez. de 2016


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3 METODOLOGIA Foi realizado um levantamento bibliográfico através da análise de dados estatísticos e pesquisas sobre as causas que abordam a atual situação dos animais em relação ao tratamento, abandono, reprodução, maus tratos e o impacto na saúde pública, além da leitura de artigos, teses, dissertações de mestrado e doutorado, bibliografias, legislação sobre os direitos dos animais e funcionamento de abrigos segundo normas municipais, estaduais e nacionais, lei de posse responsável. Em relação a situação dos animais na cidade de Vitória da Conquista, foi realizado um levantamento documental direto com o intuito de recolher informações necessárias para elaboração do projeto, realizando visitas em Ong’s, Clinicas Veterinárias da cidade, afim de obter informações sobre as necessidades básicas dos animais e dados sobre as doenças com potencial zoonósico. Levantamento bibliográfico relacionado a abrigos e centros de animais domésticos pelo mundo, visto que no Brasil ainda não existe um projeto desse porte, com intuito de elaborar um programa baseando-se nas áreas mínimas, estruturas e nas soluções arquitetônicas. Levantamento direto com base no formulário eletrônico elaborado através da ferramenta online Google Formulários, desenvolvido para coletar informações sobre a opinião dos moradores de Vitória da Conquista em relação a implantação de um Espaço de Acolhimento e Bem-estar Animal, além de pesquisas embasadas na coleta de depoimentos de profissionais veterinários, através de visitas em clínicas e hospitais onde atuam, que contribuiu para a consolidação de uma referência metodológica compatível aos tipos de tratamentos que estes animais devem ter e os cuidados relacionados a saúde pública.

3.1 Análise do levantamento direto . De acordo informações recolhidas através do formulário eletrônico online (APÊNDICE A), sendo assim coletadas 107 respostas através desta, percebe-se a relevância de um espaço municipal destinado ao abrigo e proteção do animal abandonado, possibilitando também o uso comercial, onde as pessoas possam levar os seus cães ou gatos para realizar atendimento médico, entre outras atividades diversas, de forma que a arrecadação dos valores seja revertida para manutenção e funcionamento do espaço.


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4 APRESENTAÇÃO DA ÁREA

4.1 Vitória da Conquista Vitória da Conquista é um município brasileiro do estado da Bahia. Conforme o IBGE, 2016, a população total é de 346.069 habitantes. Com altitude de 923 metros. As vias de acesso são: BR-116, BA-262, BA-263 e BA-265 e está aproximadamente há 509 km da capital da Bahia (Salvador). Segundo informações do site da Prefeitura Municipal, o Arraial da Conquista foi fundado em 1783 pelo sertanista português João Gonçalves da Costa, com a missão de conquistar as terras ao oeste da costa da Bahia. A origem do núcleo populacional está relacionada à busca de ouro, à introdução da atividade pecuária e ao próprio interesse da metrópole portuguesa em criar um aglomerado urbano entre a região litorânea e o interior do Sertão. O município possui um comércio diversificado, contando com grande número de empresas além de um shopping center, o Conquista Sul e futuramente o Shopping Boulevard, que será inaugurado em breve. Além disso, a cidade é grande produtora e exportadora de café e, atualmente, a construção civil tem sido destacada na economia da cidade. Vitória da Conquista possui um clima subúmido a seco e o bioma caracterizado por caatinga, além do relevo considerado planalto. Entre os vários bairros que compõem a cidade de Vitória da Conquista, destacam-se o Centro, Candeias, Recreio, Urbis de I a VI, Santa Cecília, Alto Maron, Brasil,Itamarati, Guarani, Sumaré, Patagônia, Kadija, Ibirapuera, Morada do Pássaros de I a III, Senhorinha Cairo, Miro Cairo, Heriqueta Prates, Bruno Bacelar, Inocoop I e II, Alegria, Morada Real, Alto da Colina, Remanso, Recanto das Águas, Conveima, Vila América, Ipanema, Santa Helena, Santa Cruz, Jurema, Bela Vista, Jardim Guanabara, Jardim Valéria, Cruzeiro, Panorama, Morada do Bem Querer, Vila Serrana de I a IV, São Vicente, Alvorada, N. Sra. Aparecida, Urbis I, II, III, IV, V e VI Cidade Maravilhosa e vários outros. São mais de 70 bairros além de loteamentos recentes.


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Figura 21: Mapa da Bahia com localização do município de Vitória da Conquista em destaque.

Fonte: Disponível em <https://www.google.com.br/maps/place/Bahia> Acesso em 23 de abril de 2017.

4.2 Características da área O terreno proposto para o Espaço de Acolhimento e Bem-estar está localizado na esquina entre a av. Juracy Magalhães e o Anel de Contorno Rodoviário, com área total de 17.120m². De acordo o Código de Uso e Ocupação do Solo e de Obras e Edificações de Vitória da Conquista, o terreno pertence à zona de uso: corredor de usos diversificados nível I e tem os seguintes usos permitidos: CA, CV, S - até nível regional, ID - até o de nível local, R, E, e IN (institucional). O cálculo da população deverá considerar 1 pessoa/9m² de área útil. (Ver anexo 01, Mapa de Legislação).


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Figura 22: Mapa de Vitória da Conquista com localização do terreno.

Fonte: Disponível em <https://www.google.com.br/maps/@-14.8930305,-40.8450876,14.26z> Acesso em 23 de abril de 2017.

Ainda segundo o Código de Uso e Ocupação, o empreendimento será classificado como: S - 9, serviços de produtos agropecuários e extrativos: S - 9.19, hospedagem, embelezamento e serviços veterinários de animais de pequeno porte; caráter regional; ruído: alto; resíduo sólido: médio; efluentes líquidos: alto; emissões atmosféricas: alto. Polo gerador de tráfego: porte = qualquer; estacionamento e/ou garagem = objeto de estudo particularizado. CV - 2, comércio varejista de produtos agropecuários e extrativos: CV - 2.11, produtos para uso veterinário; CVC: regional: atividades e empreendimentos em área construída acima de 1.000m². Ruído: não se aplica; resíduo sólido: médio; efluentes líquidos: médio; emissões atmosféricas: médio. Porte: acima de 500m², 1 vaga a cada 50m² de área construída ou fração; carga e descarga: 1 vaga para cada 3000m². S - 2, serviços de saúde, saneamento e assistência social: S - 2.8, outros serviços de saúde não classificados; caráter regional. S – 2.5, cremação e sepultamento; caráter regional; ruído: não se aplica; resíduo solido: alto; efluentes líquidos: não se aplica; emissões atmosféricas: médio.


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4.3 Terreno

Figura 22: Localização do terreno.

Fonte: Elaborado pela autora, 2017.

O terreno apresenta um desnível pouco representativo, totalizando 1 metro em sua extensão, localizado entre as cotas 889 m e 890 m. A análise baseou-se em dados dos softwares Google Earth e Daftlog. De acordo o estudo heliotérmico realizado, a direção predominante dos ventos é leste, com observância significativa de ventos na faixa de 45 a 135 º, em relação ao norte, ou seja, nordeste a sudeste. As chuvas predominantes são oriundas da região sul. (Ver anexo 02, Mapa Heliotermico)


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Figura 23: Estudo Heliotérmico.

Fonte: Elaborado pela autora, 2017.

A região é predominantemente residencial, o estudo apresenta várias áreas de vazio urbano, poucas edificações de múltiplo uso e comércio de pequeno porte, exceto o supermercado Assaí Atacadista. Nesta região encontram-se locadas diversas edificações institucionais, principalmente educacionais e religiosas: escolas municipais e igrejas. Há ainda o Kartódromo, sendo este pertencente a uma área municipal. (Ver anexo 03, Mapa de Uso dos Solos) Figura 24: Uso dos Solos.

Fonte: Elaborado pela autora, 2017.


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A ocupação nas imediações da área é predominantemente de edificações residenciais contendo até 2 pavimentos, existe também uma grande área de vazios urbanos. O terreno está situado em uma área de expansão preferencial, sendo uma das vias de acesso principal de Vitória da Conquista, a Av. Juracy Magalhães. O entorno imediato do terreno é composto pelo bairro Urbis VI, nesta área também prevalecem as edificações com gabarito de 1 a 2 pavimentos. (Ver anexo 04, Mapa de Massa Edificada) A área escolhida possui uma variedade de serviços e atividades básicas como: escolas, bares, restaurantes, academia, mercados/padarias, farmácias, posto de saúde, entre outros. Observa-se que nesta área não é oferecido nenhum serviço relacionado a animais, como pet shop ou clínica veterinária, desta forma, tornando viável a construção do empreendimento e fornecendo apoio a região e bairros adjacentes. (Ver anexo 05, Mapa de Excepcionalidades) O entorno do terreno é composto por lotes vazios, no entanto, vizinho ao bairro Urbis VI, sendo este predominantemente residencial, onde a maioria das residências estão em estado regular. (Ver anexo 06, Mapa de Estado de Conservação) Percebe-se a falta de vegetação no entorno, predominância de vegetação seca ou com capim, principalmente no terreno proposto, desta forma, o projeto contemplará ações de replantio de espécies nativas da região e áreas verdes para o Espaço de Acolhimento e Bemestar Animal. (Ver anexo 07, Mapa de Vegetação)


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Figura 25: Vegetação.

Fonte: Elaborado pela autora, 2017.

A área a ser analisada está localizada em frente a av. Anel viário de contorno, esta área possui um fluxo intenso de veiculos se tratando de uma via arterial, portanto, o acesso ao terreno se dará através da rua c, localizada ao lado leste do terreno, evitando adição de tráfego na av. Principal (Anel de Contorno). (Ver anexo 08, Mapa do Sistema Viário)

Figura 26: Vias e fluxo.

Fonte: Elaborado pela autora, 2017.


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5 DEFINIÇÃO DO PARTIDO E CONCEITO O Espaço de Acolhimento e Bem-estar Animal, trata-se de um local destinado ao cuidado e abrigo de animais abandonados com intuito de proporcionar um ambiente acolhedor, funcional, sensorial e divertido. O objetivo não é limitar o animal a um espaço enclausurado, mas sim, oferecer uma melhor qualidade de vida, inserindo atividades e funções através do projeto arquitetônico que possibilite sua interação com a natureza e outros animais, além de espaços sensoriais e equipamentos onde estes possam exercer atividades físicas, desenvolver habilidades e principalmente ter uma vida saudável. O projeto contempla grandes espaços ao ar livre, sendo assim, promove uma maior interação entre o animal, o homem e a natureza, além de ambientes confortáveis com a otimização da ventilação e iluminação natural. O partido arquitetônico se dá através de linhas retas e módulos de apenas um pavimento que estão implantados ao longo do terreno, com intuito de promover a horizontalidade. O terreno apresenta 1 metro de desnível, sendo assim, para que fosse melhor aproveitado, foi realizado um corte e aterro, elevando o estacionamento a 1 metro de altura. O projeto contemplará ações de replantio de espécies nativas da região, criando um “cinturão verde” ao redor do terreno para que um melhor conforto térmico ocorra, promovendo também a sustentabilidade, preservação de espécies e a integração do espaço com a natureza. O Canil e Gatil são dois módulos separados, as baias dos canis estão dispostas na diagonal, para que não haja grande contato visual entre os cães diminuindo assim os ruídos de reação em cadeia. Os dois módulos possuem vista para o exterior com paisagem permeável, como se a vegetação fizesse parte da edificação, além de possibilitar maior iluminação natural. A paisagem permeável tem o objetivo de fornecer não só harmonia e contato com a natureza, mas também oferecer conforto térmico. Os módulos interligados entre as passarelas promovem a conexão entre os ambientes, estão dispostos separadamente de forma que haja um contato proposital com o lado externo da edificação.

Figura 27: Volumetria inicial do projeto.


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Fonte: Elaborado pela autora, 2017.

Para os boxes do canil, configurou-se a medida de 4,20 m x 1,80 m, sendo esta uma medida ideal para abrigar cĂŁes de mĂŠdio e grande porte.

Figura 28: Esquema do boxe do canil.

Fonte: Elaborado pela autora, 2017.


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6 PROGRAMA E FLUXOGRAMA

O programa de necessidades foi desenvolvido com base na cartilha para Projetos Físicos de Unidades de Controle de Zoonoses e Fatores Biológicos de Risco, da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) e no Decreto nº 40.400, de 24 de outubro de 1995, que aprova Norma Técnica Especial relativa à instalação de estabelecimentos veterinários. Tabela 02: Programa de necessidades e pré-dimensionamento.

SETOR

AMBIENTES

PORTAL

RECEPÇÃO E HALL DE ESPERA PETSHOP/FARMÁCIA SECRETARIA ALMOXARIFADO SALA DE ATENDIMENTO (DENUNCIAS E ADMINISTRAÇÃO) SALA PARA TÉCNICOS ESPAÇO DE DESCANÇO (FUNCIONÁRIOS) SALAS DE AULA AUDITÓRIO CONSULTÓRIO SALA DE CURATIVOS SALA DE FISIOTERAPIA LABORATÓRIO SALA DE EXAME RADIOGRAFIAS SALA DE VACINAÇÃO SALA DE NECROPSIA DEPÓSITO DE MEDICAMENTOS SALA DE CIRURGIA ANTE CAMARA SALA DE ESTERILIZAÇÃO SALA DE EUTANÁSIA SALA DE COLETA SALA PARA RECUPERAÇÃO SALA DE CONSULTA SALA DE ISOLAMENTO SALA PARA BANHO SALA PARA TOSA SALA PARA SECAGEM E PENTEADO DEPÓSITO DE MATERIAIS E RAÇÃO BAIAS INDIVIDUAIS PARA ADOÇÃO BAIAS INDIVIDUAIS PARA OBSERVAÇÃO BAIAS COLETIVAS BAIAS INDIVIDUAIS PARA OBSERVAÇÃO (GAIOLAS) BAIAS COLETIVAS P/ ADOÇÃO VESTIÁRIOS PARA FUNCIONARIOS

ADMINIST.

EDUCACIONAL ÁREA MÉDICA

ÁREA CIRURGICA

BANHO E TOSA

CANIL

GATIL

SERVIÇO

QUANT.

01 01 01 01 02

ÁREA UNIT (m²) 18 30 16 12 25

ÁREA TOTAL (m²) 18 30 16 12 50

03 01

6 25

18 25

02 01 03 01 01 01 02 01 01 01 01 02 01 01 01 01 01 01 01 02 02 01 01 70 24

50 200 15 10 20 16 15 20 16 18 10 20 4 10 15 6 20 15 15 10 10 10 12 7,5 7,5

100 200 45 10 20 16 30 20 16 18 10 40 4 10 15 6 20 15 15 20 20 10 12 750 750

9 50

15 4

450 100

50 01

10 9

500 9


44

CONVIVÊNCIA

OPERAÇÃO DE CAMPO

SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO

CREMATÓRIO

SANITÁRIOS PARA O PÚBLICO REFEITÓRIO COZINHA COMPARTIMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS LAVANDERIA DEPÓSITO MAT. DE LIMPEZA ÁREA DE SERVIÇO CASA DE LIXO ÁREA DE LAZER, CORRIDA E RECREAÇÃO PARA CÃES E GATOS PÁTIO PARA EVENTOS ESPAÇO DE ADESTRAMENTO AO AR LIVRE DEPÓSITOS DE INSETICIDAS DEPÓSITOS DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS SALA DE DESCARTE (MATERIAIS USADOS) SALA DE PREPARO E LIMPEZA DE EQUIPAMENTOS DEPÓSITO MATERIAL DE LIMPEZA E LAVANDERIA VESTIÁRIOS (FEM. E MASC.) SALA DE APOIO PARA OPERADORES DEPÓSITO PARA MANUTENÇÃO DE VIATURAS ÁREA E RAMPA DE LAVAGEM CASA DE MÁQUINAS RECEPÇÃO SECRETARIA/SALA DE DOCUMENTAÇÃO SALA DE ADMINISTRAÇÃO SALA DE CREMAÇÃO PERSONALIZADA SALA DE CREMAÇÃO SIMPLES CAMERA FRIA COPA FUNCIONÁRIOS SANITÁRIO FEM/MASC.

02 01 01 01

9 40

18 40

6

6

01 01 01 01 01

20 4 8 6 500

20 4 8 6 500

01 01

200 500

200 500

03 01

31 10

93 10

01

10

10

01

25

25

01

10

10

01 01 01

9 15 10

9 15 10

01 01 01 01

10 7 18 16

10 7 18 16

01 01

25 30

25 30

01 01 01 02

20 30 6 9

20 30 6 18

Fonte: Disponivel em <http://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1950-1959/decreto-4040021-novembro-1956-342457-publicacaooriginal-1-pe.html.> <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/funasa/diretrizes_zoonoses.pdf.> Acesso em 23 de abril de 2017.


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Figura 28: Fluxograma.

Fonte: Elaborado pela autora, 2017.


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7 PROPOSTA/PROJETO

O espaço físico do Centro de Acolhimento e Bem-estar visa encontrar soluções arquitetônicas capazes de suprir diversas necessidades diante do contexto de abandono em Vitória da Conquista (BA), viabilizando mudanças através de um local apropriado para atendimento, tratamento, cuidado e moradia temporária para os animais de rua. Poderá não ser uma solução definitiva para o abandono, pois é uma mudança que depende de diversos fatores, mas pretende possibilitar meios para que estas mudanças ocorram, através de medidas emergenciais e a partir disso implantar ações para resolução desses problemas. Deverá abrigar os animais de forma temporária, não resgatando cães e gatos das ruas apenas para tornar o espaço um local de depósito para estes, mas sim, um ambiente de acolhimento aberto ao público para que através das ações propostas, novos vínculos entre as pessoas e animais sejam criados. Segundo a WSPA BRASIL – World Society for the Protection of Animals (2015), os abrigos devem ter o objetivo principal de buscar a adoção dos animais, portanto, é necessário pensar em estratégias que promovam a participação da população a partir das atividades realizadas no abrigo e consequentemente encaminhar um cão ou gato após sua reabilitação a uma pessoa ou família, onde a partir das orientações recebidas de posse e responsabilidades sobre o animal, sejam destinados a um lar, evitando assim que ocorram novos abandonos. 7.1 Estrutura e Organização

Para que o Espaço de Acolhimento e Bem-estar Animal funcione como uma alternativa eficaz, foi necessário um estudo conforme as necessidades existentes no Município, visto também a inexistência de um Centro de Controle de Zoonoses, a partir de então, tem-se a necessidade de compor uma estrutura eficiente para atender a população de cães e gatos. A estrutura implantada é composta de um alojamento, espaço destinado ao abrigo dos animais, este local será de permanência até que o animal seja adotado, logo, um espaço com área médica e cirúrgica, para que os animais doentes resgatados sejam diagnosticados e tratados, estes espaços poderão ser utilizados pela comunidade, animais domiciliados na cidade, no entanto, com objetivo de arrecadação de renda para a manutenção do abrigo e o tratamento dos animais abandonados, foi implantado também um setor de prestação de serviços aos animais, como o Pet Shop que comercializa artigos para animais, também aberto a comunidade


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com intuito de valorizar o espaço e incentivar a aproximação das pessoas com os animais do abrigo, além destes espaços, há uma área de lazer destinada aos animais e a interação entre eles, onde também poderá ocorrer eventos para realização de adoção, atividades, entre outros, um setor educacional com salas de aula, auditório para palestras e um setor administrativo que deve suprir e coordenar as atividades e funções do Espaço de Acolhimento e Bem-estar. Para o funcionamento do Espaço de Acolhimento e Bem-estar, foram adotadas as medidas citadas sobre o espaço arquitetônico a partir da necessidade dos animais, assim também como as leis municipais, estaduais e federais estabelecidas para regulamentação deste tipo de empreendimento.

7.2 Soluções Sustentáveis

De acordo Delnero (2014) as cidades são as grandes responsáveis pelo consumo de materiais, água e energia, sendo necessário pensar nas futuras gerações, pois muitos impactos negativos são gerados pelo setor da construção civil, sendo 40% do consumo mundial de energia e 16% da água utilizada no mundo. Conforme dados do World watch Institute, as construções de edifícios consomem 40% de pedras e areia utilizados no mundo por ano, além de ser responsável por 25% da extração de madeira anualmente. Por este fator, eis a importância que a sustentabilidade tem de assumir frente a este cenário. Em relação a questão ambiental, tornou-se necessário adequar a arquitetura as exigências estabelecidas pois diversos países já criaram critérios de avaliação para construções sustentáveis, fatores que cada vez mais tem conquistado o mercado. Para adequar o projeto a um modelo de arquitetura sustentável foram adotadas algumas medidas como promover o melhor aproveitamento das condições naturais locais, integrar o projeto ao ambiente natural, grandes espaços verdes ao ar livre, além de minimizar impactos no entorno, promover uma boa qualidade ambiental interna e externa, através da utilização dos recursos naturais, adaptando estas funções às necessidades dos usuários, visando também a redução do consumo energético e do consumo de água, dispor de forma correta os resíduos sólidos, inserindo inovações tecnológicas sustentáveis; O Espaço de Acolhimento e Bem-estar, pretende através das soluções sustentáveis implantadas do projeto, diminuir os impactos causados pela construção civil, dimensionando ambientes e adequando materiais que possam desempenhar o mínimo de impacto possível, e


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que atendam as necessidades dos usuários, inserindo no projeto materiais que se adequem a proposta como, madeiras certificadas, telhas ecológicas, equipamentos sanitários que ofereçam baixo consumo e materiais pré-moldados que reduzam desperdícios no canteiro de obras. Para os boxes e gaiolas do canil e gatil, optou-se pelo uso de Concreto PVC, que se trata de um sistema constituído por painéis de PVC ocos encaixados verticalmente. Logo após serem montados, os perfis são preenchidos com concreto, os painéis já possuem acabamento final, podendo também receber pintura, revestimentos texturizados e cerâmicos.

(AMORIM,

2012) O sistema traz diversos benefícios, optou-se por este devido a resistência a ação de fungos, bactérias, insetos e roedores, resistência a intempéries, resistência a maioria dos reagentes químicos, bom isolante térmico, elétrico e acústico, sólido e resistente a choques, impermeável a gases e líquidos, longo ciclo de vida, superior a 100 anos, não propaga chamas, é auto extinguível, versátil e ambientalmente correto, reciclável e reciclado, assim também reduzindo 97% do desperdício na obra . (AMORIM, 2012)

Figura 29: Sistema em concreto PVC.

Fonte: Disponível em < https://issuu.com/rodrigocarriti/docs/apostila_nova> Acesso em 23 de abril de 2017.

O sistema construtivo Concreto PVC é regulamentado pela NBR 15.575/2013, que descreve as incumbências dos projetistas, do incorporador, do construtor e dos usuários;


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requisitos mínimos de qualidade de material; prazos de vida útil; prazos de garantia; condições de manutenção e métodos de ensaio. Os painéis são fabricados na indústria e fazem parte de um sistema modular de encaixe macho e fêmea, no qual as paredes são estruturadas a partir de perfis vazados de PVC aglutinados entre si, caracterizando uma obra mais ágil, limpa. Outra importante solução sustentável é o uso de telhas termoacústicas, de acordo com Lopes (2016) sua estrutura é desenvolvida por duas chapas de aço galvanizado, aço inox, alumínio ou galvalume e preenchida por materiais isolantes – poliestireno, poliuretano e a lã de rocha, vidro ou PET -. O autor acrescenta fatores que fazem das telhas termoacústicas uma excelente opção sustentável, sendo algum deles: os materiais serem todos recicláveis, sua resistência, alta durabilidade e a garantia de montagens mais limpas.

7.3 Viabilidade Econômica do Empreendimento

Mais do que companheiros fiéis, os pets são hoje vistos e tratados como verdadeiros integrantes das famílias. Essa relação cada vez mais próxima e humanizada movimenta o mercado de negócios especializados, que se diversifica em relação a produtos e serviços e se torna mais rentável e profissionalizado. (ASSIS, 2016) Mais de 50 milhões de cães e 22 milhões de gatos de estimação. Esses números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ajudam a entender o sucesso de um dos negócios que mais crescem no Brasil: o mercado pet. Com faturamento previsto de 19,2 bilhões de reais e expansão de quase 7% em relação ao ano passado, o setor resiste à crise. (EXAME, 2017) Mesmo com valores salgados, um pacote de 10 quilos pode custar 180 reais, não há estagnação nem queda nesse segmento. Só neste ano, a Royal Canin, uma das maiores fabricantes de alimentos especiais do mundo, lançou sete produtos, 70% deles rações medicamentosas, como uma linha especial para combater a obesidade de cães e gatos. Para 2017, há mais oito lançamentos programados. Cães de pequeno porte e gatos – cuja população cresce duas vezes mais rapidamente do que a de cachorros – estão entre as principais apostas da empresa. (EXAME, 2017) Dessa forma, o empreendimento pretende atrair a população com a implantação do Pet Shop, a partir da venda de alimentos para animas, produtos farmacêuticos, acessórios, entre


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outros, visando conquistar o mercado pet no Município de Vitória da Conquista, assim também como atrair clientes para os serviços prestados, como banho/tosa e assistência médica. De acordo informações do site Exame, 2017, donos de cães gastam, em média, 300 reais por mês; já os de gatos desembolsam 120 reais, em média. Metade dos donos de cães diz ter relação de pai e filho com o animal, o que explica o alto investimento em saúde animal. Sete em cada dez cães ficam dentro de casa e 43% dos tutores os deixam dormir na cama. 70% dos veterinários percebem que os tutores estão mais atentos aos avanços da medicina veterinária e à saúde de seus pets. O Pet Food é o principal segmento da indústria nacional em faturamento, respondendo a 67,6% do total. Em seguida vem o Pet Serv (serviços), com 16,4%; Pet Care (equipamentos, acessórios, produtos de higiene e beleza animal), com 8,2% e Pet Vet (medicamentos veterinários), com 7,8% do faturamento total do mercado. Mesmo enfrentando turbulências, o Brasil ainda é um dos principais países do mercado pet mundial situando-se em terceiro lugar, e representando 5,3% de um total de US$ 102,2 bilhões. (ABINPET, 2016) Para o funcionamento do Espaço de Acolhimento Animal, propõe-se a Parceria PúblicoPrivada, mantendo o ordenamento e a conservação do empreendimento. A globalização, o capitalismo e a crescente demanda social aumentam, consideravelmente, as necessidades da sociedade por serviços públicos que, em sua maioria, não são devidamente prestados pela Administração Pública. Assim, o legislativo introduziu a Lei nº 11.079/2004 no âmbito federal possibilitando a criação das Parcerias Público-Privadas (PPPs), gerando grande repercussão e significativa mudança no Direito Público devido a interação do capital privado na Administração Pública Brasileira, para execução de serviços públicos. (RABELO, 2011) É possível que o Espaço de Acolhimento produza receita em quantidade suficiente para financiar a sua manutenção através da Concessão Patrocinada, onde o serviço é prestado diretamente ao público, com cobrança tarifária que, complementada por contraprestação pecuniária do ente público, compõe a receita do parceiro privado. Os recursos viriam do Pet Shop, Farmácia, Crematório, Assistência Médica, Banho/Tosa e eventos, de forma que toda a arrecadação fique vinculada ao empreendimento.


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7.4 Memorial de Cálculo dos Reservatórios

Para a quantidade de litros utilizada no empreendimento foi considerada a NBR 5626, que aborda os critérios para o projeto de instalações prediais de água fria. O tipo de construção foi ambulatório, com consumo médio de 25 litros/dia por pessoa. E conforme o Condigo de Uso e Ocupação do Solo do Município de Vitória da Conquista para o empreendimento deve ser considerado 9 m² por pessoa. Área construída de 4.723,86m² / 9 = 524, 87. Aproximadamente 525 pessoas p/ uso do empreendimento. 525 Pessoas x 25 Litros = 13.125L x 3 dias úteis = 39.375 Litros

Para o RTI (Reserva Técnica de Incêndio) = 0,25 x 39.375 L = 9.843,75 Litros Para o Reservatório Superior = 0,40 x 39.375 L = 15.750 L Para o Reservatórios Inferior = 0,60 x 39.375 L = 23.625 L Para o cálculo de reservatório de captação de águas pluviais foi considerada a precipitação média anual de 712 mm em Vitória da Conquista e área de captação no empreendimento de 3990 m². Desta forma o cálculo será: V: 0,05 x 712 x 4000 = 142,000 L


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7.5 Plantas da Edificação

Figura 30: Planta de Situação e Topografia do Espaço de Acolhimento.

Fonte: Elaborado pela autora.

Figura 31: Planta da Edificação do Espaço de Acolhimento.

Fonte: Elaborado pela autora.


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Figura 32: Fluxo de funcionĂĄrios e visitantes.

Fonte: Elaborado pela autora.

Figura 33: Fluxo de resĂ­duos.

Fonte: Elaborado pela autora.


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Figura 34: Ampliação da seção 01.

Fonte: Elaborado pela autora.

Figura 35: Ampliação da seção 02.

Fonte: Elaborado pela autora.


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Figura 36: Ampliação da seção 03.

Fonte: Elaborado pela autora.

Figura 37: Ampliação da seção 04.

Fonte: Elaborado pela autora.


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8 CONCLUSÃO O Espaço de Acolhimento visa suprir a necessidade um local adequado para o abrigo de cães e gatos abandonados no Município de Vitória da Conquista, melhorando a qualidade de vida dos mesmos, cuidando da saúde animal e seu bem-estar, assim também como evitar problemas na saúde pública. Além da conscientização ambiental, o Empreendimento também pretende conscientizar a população da importância em cuidar dos animais visto que também são seres merecedores de respeito. O local implantado traz visibilidade e boa localização, além de estar consideravelmente próximo de áreas periféricas onde a população de animais na rua é crescente. Espera-se que o projeto atenda os objetivos propostos cumprindo o papel da arquitetura, suprindo a necessidade de um local adequado para os animais abandonados, de forma que possuam conforto, segurança e seja um lar temporário digno, assim como estimular a integração, onde haja um contato e proximidade maior entre pessoas e animais, tornado o Espaço um local para toda comunidade.


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REFERÊNCIAS

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APÊNDICE A – FORMULÁRIO ELETRÔNICO

Fonte: Elaborado pela autora, 2017.

Fonte: Elaborado pela autora, 2017.

Fonte: Elaborado pela autora, 2017.


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Fonte: Elaborado pela autora, 2017.

Fonte: Elaborado pela autora, 2017.


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ANEXOS

Lisboa, Millena Sousa  

Monografia FAINOR

Lisboa, Millena Sousa  

Monografia FAINOR

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