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FACULDADE INDEPENDENTE DO NORDESTE CURSO SUPERIOR EM DESIGN DE MODA

RAQUEL ALCÂNTARA BORGES

A MODA NO SÉCULO XX E SUA INFLUÊNCIA NA SILHUETA FEMININA

VITÓRIA DA CONQUISTA, BA 2017


RAQUEL ALCÂNTARA BORGES

A MODA NO SÉCULO XX E SUA INFLUÊNCIA NA SILHUETA FEMININA

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial à obtenção do grau de Tecnóloga Superior do Curso Superior de Design de Moda da Faculdade Independente do Nordeste de Vitória da Conquista – BA. Orientadora: Adriana Lopes Rodrigues Alves

VITÓRIA DA CONQUISTA, BA 2017


FOLHA DE APROVAÇÃO

RAQUEL ALCÂNTARA BORGES

A MODA NO SÉCULO XX E SUA INFLUÊNCIA NA SILHUETA FEMININA

Trabalho de Conclusão de Curso Superior de Design de Moda apresentado a Faculdade Independente do Nordeste – FAINOR, como requisito parcial para obtenção do título de Tecnóloga. Aprovado em ___/___/___

BANCA EXAMINADORA

______________________________________________________ Profª. M.Sc.. Adriana Lopes Rodrigues Alves Orientadora

______________________________________________________ Profª. Esp. Laís Vinhático Vieira. 2° Membro

______________________________________________________ Profª. M.Sc. Rogéria Maciel Meira 3° Membro


AGRADECIMENTOS

Primeiramente agradeço a Deus por proporcionar esta oportunidade, a minha família, em especial a minha mãe Monica Alcântara Borges por estar sempre ao meu incentivo e apoio. Agradeço também aos professores do curso, pela ajuda e incentivo ao transcorrer do curso, em especial a Adriana Lopes minha orientadora, pela paciência e dedicação, com grande sabedoria e competência me guiou nos momentos finais, a Rogéria Maciel, por toda a ajuda e compreensão, a Argemiro Ribeiro pelos puxões de orelha, ótimos conselhos e pela disposição e paciência. Aos meus colegas de classe, em especial Leticia, Laura, Saadia, Tainã por toda ajuda. Muito Obrigada!


RESUMO

Este estudo analisa a relação entre moda e corpo feminino, tendo como linha condutora a evolução da silhueta da mulher no século XX. Presume que a moda cria necessidades e desejos, sugerindo ao individuo mudanças e ajustes no corpo o tempo todo. Parte-se de uma discussão teórica entre o corpo e a silhueta feminina, confrontado os dois e discute ainda, sobre a evolução da mesma nas décadas de 10 a 90 do referido século. Acerca das estratégias metodológicas do estudo, fez-se uso de pesquisas bibliográficas exploratórias e de artigos científicos que tratam dos temas. Palavras-chave: Moda, Corpo, Silhueta Feminina.


SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 1 2. O CORPO E A MODA .......................................................................................................... 2 3. O ESPARTILHO E A PRIMEIRA SILHUETA FEMININA ............................................... 5 5. A EVOLUÇÃO SILHUETA FEMININA NO SÉCULO XX ............................................... 8 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................... 22 REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 23 APÊNDICES ............................................................................................................................ 25 Lista de Ilustrações ................................................................................................... 26


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1. INTRODUÇÃO

As pessoas são estimuladas a seguir padrões impostos pela sociedade. Tratando-se das mulheres, há algumas especificidades, uma delas são os mutáveis padrões relacionados à silhueta. Desse modo é interessante pensar o que satisfaz de fato a mulher, segundo a sua opinião e o que a sociedade impõe e oferta como aquilo que deve ser seguido.

Esta

polarização em diferentes épocas trouxe o debate para vários setores da sociedade, proporcionando assim as mudanças que de certa forma impactaram os padrões existentes. Na medida em que acontecem mudanças nos padrões de beleza com relação ao corpo feminino, a moda muda. No primeiro tópico analisaremos a importância do corpo e sua representatividade ao meio social, ocorrendo mudanças de ideias de padrões de beleza ao longo de cada período apresentado. “O corpo constrói manifestações textuais que se deixam apreender e significar por efeitos de sentido que produzem” (CASTILHO, 2009, p. 44). Por este viés, é importante salientar a importância desta pesquisa tanto para a moda como para a sociedade de modo geral. Uma vez que em diferentes épocas sempre houve um embate diante dos padrões que são rompidos e modificados, mas que não deixam de ser influenciáveis. Neste sentido, no segundo tópico analisaremos o estudo do uso do espartilho, evidenciando o mesmo não somente como uma peça de vestuário mais também como um meio influenciador, proporcionando ao longo do tempo mudanças e novas idealizações aos contextos sociais, e nos padrões relacionados a figura feminina. No contexto da moda são de suma importância as mudanças existentes na estrutura social ao longo da história; a silhueta feminina, por exemplo, passou por modificações no que se refere aos padrões de beleza. De modo geral, o tema central do terceiro tópico tem como foco essa parte do corpo da mulher que é de fato um importante objeto politizador na historiografia da moda no século XX. Em outras palavras, conforme os padrões de beleza relacionados à silhueta se modificam ao longo da história, os adereços se modificam na mesma proporção no mundo da moda. Desse modo, como afirma Castilho (2009), os efeitos produzidos em torno do significante corpo dão sentido às mudanças produzidas no mundo da moda. Sendo assim, os padrões voláteis da silhueta perfeita seguem as tendências. A relevância deste estudo justifica-se pela intenção de demonstrar como a moda influência os padrões de beleza em cada época e como a ditadura da beleza tem levado


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pessoas a utilizarem roupas, métodos e recursos perigosos que podem trazer graves danos a saúde.

2. O CORPO E A MODA O corpo humano ao longo da sua história vem desenvolvendo com transparência seus papéis sociais. Com o passar dos anos, as civilizações foram mudandosocioculturalmente, tendo o corpo como o transmissor dessas novas idealizações. Segundo Barbosa (2001), o conceito de corpo remete a questões ligadas a natureza e a cultura e por isso permite um leque vasto de posicionamentos teóricos, filosóficos e antropológicos. Para ele, o corpo não se revela apenas enquanto componente de elementos orgânicos, mas também enquanto fator social, psicológico, cultural, religioso. Por meio do corpo podem-se expressar os significados das relações sociais e uma parte da própria história do individuo. A identidade cultural de cada pessoa está inscrita em seu corpo e manifesta-se nas informações que emanam dele e que produzem sentido continuamente. “Antes de qualquer coisa, a existência é corporal” (LE BRETON, 2006, p.7). É importante salientar que as mudanças socioculturais relacionadas à percepção dos sujeitos para com o corpo e os padrões de beleza ao longo do tempo, ocorreram na mesma direção quando se trata da silhueta feminina. Na Grécia antiga o corpo era visto como objeto de admiração e glorificação O culto ao corpo era realizado de acordo com os padrões da época como saúde e beleza, porém o corpo não era o único a ser valorizado. O intelecto era considerado de grande valor para os indivíduos da época e a junção do corpo ideal e um intelecto brilhante eram juntos considerados as características de perfeição (BARBOSA, 2001, p.3). Os padrões e idealizações da civilização grega de certa forma influenciavam e definiam o status social dos indivíduos, transformado assim o culto ao corpo em um passaporte para a inclusão social. A valorização do culto ao corpo realizado pela civilização grega foi uma característica essencial. Com o cristianismo mudanças serão ocorridas com o corpo proporcionadas pelas novas idealizações sociais, trazendo novos valores e representações ao corpo.


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Saliente-se que, através desta forma idealizada de pensar e viver o corpo, se definem também formas de estar na sociedade e princípios filosóficos e sociais que assentam na visão como sentido primordial, no olhar, no espelho, como fundamentais para o funcionamento de uma sociedade (CUNHA, 2004, p.2).

Com base nestas considerações, é possível refletir sobre as vestimentas de cada geração, pois na medida em que a sociedade evolui numa perspectiva liberal ou conservadora, os padrões mudam ou são restabelecidos. Na “pós-modernidade líquida”, diz Bauman (2001),com padrões tão efêmeros, a moda tem ofertado opções diversas, para os mais variados tipos de públicos que por vezes apresentam gostos que se opõem em alguns sentidos e se admitem em outros. Atualmente, a moda vem padronizando o corpo também, no que se refereà silhueta principalmente. Uma mudança interessante em torno da silhueta feminina acontece no cristianismo. A exposição do corpo por trás das roupas passou de referência de beleza trouxe e saúde para objeto de pecado. O cristianismo e a teologia, por muito tempo, foram reticentes na interpretação,crítica e transformação das imagens ligadasao corpo (BARBOSA et al, 2011, p. 3). Segundo o autor, a Monarquia também teve grande influência na consolidação dos ideais do corpo, juntamente com a Igreja, considerava a vaidade relacionada ao corpo ligada ao mundo terreno, tornando pecado. A união da igreja e Monarquia trouxe maior rigidez dos valores morais e uma nova percepção de corpo. A preocupação com o corpo era proibida, começando-se a delinear claramente a concepção de separação de corpo e alma, prevalecendo à força da segunda sobre o primeiro. (ROSÁRIO, 2006 apud BARBOSA et al, 2011, p. 26).

No Renascimento, com avanço da ciência e a admiração do indivíduo pela razão, que se transformou na principal forma de conhecimento da época, surgem novasconcepções e idealizações de corpo. (PELEGRINI, 2006, p.4). Durante os séculos XVII e XVIII, os padrões de beleza se apropriam de novos recursos de embelezamento e o padrão que vigora é aquele que se utiliza de artifícios como perucas, perfumes, etiqueta social, maquiagem em excessos visuais, etc. Neste século, voltase a valorizar o conjunto da silhueta, o que se busca é um padrão de beleza individual e singular (BRAGA, 2005b, p. 52).


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No século XIX, o corpo curvilíneo e a cintura fina se tornaram os ideais de beleza. O século XX traz mudanças bruscas e em menor espaço de tempo. Em 1920, a silhueta se tornou geometrizada, reta. A moda se torna andrógena por alguns anos. A década de 1950 resgatou a feminilidade, marcando a cintura da mulher novamente (ARAUJO E LORATO, 2013). A pós-modernidade apresenta uma variedade de estilos e silhuetas e também, um novo homem, agoradependenteda cultura do corpo perfeito, caracterizado como um meio de se chegar ao sucesso e reconhecimento social; para isso no homem submete-se a procedimentos cirúrgicos e estéticos com o intuito de alcançar o status idealizado (BARBOSA, 2011). O corpo, com suas várias transformações ao longo do tempo, pautadas num ideal de beleza que atravessam gerações e civilizações, são as formas pelas quais os sujeitos se comunicam com o mundo. A transformação do corpo em algo que pode ser conhecido e mensurável é, também, sua transformação em algo que pode ser dominado. A dessacralização do corpo aponta para sua ambiguidade no interior da cultura ocidental: é importante enquanto fonte de experiência, mas, é, também, o corpo que se desvaloriza na medida em que se pode mexer nele e alterá-lo.(SILVA, 2001 apudARAUJO e LEORATO, 2013, p. 719).

Castilho (2009, p.43), diz ser o corpo o suporte da identidade do indivíduo, sua personificação no mundo; estrutura básica que estabelece as primeiras relações do ser com outras esferas.Ao se apropriar dos recursos de embelezamento e padrão de moda vigente, a mulher procura valorizar o seu corpo, utilizando os avanços da moda de cada período. A exemplo da silhueta espartilhada, que valoriza e evidencia a cintura feminina. No que diz respeito à moda, está acompanha as mudanças rápidas da pósmodernidade, que como se percebe, não possuem padrões sólidos. Desse modo, as tendências acompanham essas ligeiras mudanças na esfera social. É fato que existem oscilações em relação aos padrões de beleza e nesse sentido é interessante que a moda esteja atenta para ter condições de acompanhar o que os diversos públicos aleijam.


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3. O ESPARTILHO E A PRIMEIRA SILHUETA FEMININA

Noperíodo Renascentista do século XVI, omundo europeu passa de uma mentalidade feudalpara umaorganização de Estado Absolutista, a qual trouxe o desenvolvimento de áreas como política, economia, ciência e arte (CALANCA,2008). Na moda, segundo a autora, esse novo período vai influenciar de modo significativo o vestuário, tanto feminino como masculino. As roupas ganham novos cortes e tornaram-se cada vez mais justas nos corpos; em meio aos bordados e volumes, um corpete estruturado passa a ser peça fundamental no vestuário feminino, contendo rígidas barbatanas, o até então corpete passa a ser chamado de espartilho. De acordo com Köler (2006), esta nova peça transformou a maneira de vestir da mulher do final da Idade Média, pois com as novas regras de etiqueta, tanto sua postura dentro da sociedade como seu vestuário deveria transmitir este sistema rígido ora implantado. No século XIX, o espartilho torna-se uma peça praticamente extinguida da indumentária, pois durante o período de revolução que sucederam com o fim do reinado de Maria Antoniete e Luís XVI (França), o mundo europeu sofre grandes transformações no campo político e ideológico.A simplicidade da roupa foi característica marcante do período imperial, o que torna as roupas mais largas e fluidas (CALANCA,2008). Segundo o autor, ainda no século XIX,

aos poucos a cintura volta ao seu lugar e

consequentemente espartilhadas. A peça passa a ser indispensável no vestuário da mulher vitoriana , período em que a silhueta feminina possuía a cintura extremamente marcada pelo uso dos espartilhos. Estes por sua vez tornaram-se mais rigorosos, tornando a silhueta vespa padrão de beleza da época. A burguesia e a aristocracia da era Vitoriana, pelo menos, acreditavam que a roupa poderia ser lida tão facilmente quanto qualquer texto. Isto é pensava-se que a roupa refletia indicava a moralidade do seu ocupante. O espartilho era uma ferramenta essencial na precária busca e preservação da figura respeitável (CALANCA, 2008, p. 35-6).

Essa leitura feita em torno espartilho caracterizava a sua profunda importância para o status social da época; e apesar da cintura espartilhada ser a sensação entre as mulheres, em 1831 na Inglaterra intelectuais censuravam a moda e a estética, marcada por excessos, classificando-as como não saudável e deformadora (FERNANDES,2010, p.32). Os protestos parecem ter surtido o efeito esperado, pois, algumas mulheres do período deixavam de lado o uso da peça e de excessivos volumes que às impendiam de ter uma vida mais ativa. Porém


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essa onda de protestos durou pouco tempo, pois logo depois, no período Eduardiano ou Belle Époque na França, o espartilho volta a ser usado (FERNANDES,2010, p.33). Na virada do século XVIII para o XIX houve uma tentativa de participação política pelas mulheres revolucionarias que integravam o movimento sans-culotte. As lideres de associações que pretendiam projetar a mulher privada nas ações políticas eram jovens emancipadas de modos e gestos livres uma espécie de aventureiras e não donas de casa mães de família ou moças inocentes que cuidam dos irmãozinhos menores (XIMENES, 2004, p. 27 apud FERNANDES, 2010, p. 14).

A Era Vitoriana foi marcada pela valorização da família e a divisão dos papeis sociais para os dois sexos tendo a Rainha Vitoria como espelho de mulher feminina sendo uma boa esposa, uma verdadeira dona do lar demonstrando assim como as mulheres da época deveriam ser (FERNANDES,2010, p.33). Assim, a mesmase torna um modelo. Com a silhueta não foi diferente, e ainda que seja com a ajuda de recursos externos, a sociedade feminina foi influenciada. O espartilho tornou-se uma peça fundamental na época,na para a construção da beleza e sensualidade e para os valores morais que eram: Bordar em bastidor, tocar piano, cantar em saraus familiares, ser paciente com os pequenos, para garantir que será boa mãe educadora, deveriam ser verificados como predicados, para alcançar um bom partido. As boas maneiras junto a sua produção vestida que deveria ser exteriorizada, somavam pontos para que o homem quando em ocasiões sociais, fizesse seu marketing pessoal perante a sociedade (XIMENES, 2004, p.49).

Mesmo com a imposição de padrões sociais pelos burgueses,a classe operária nem sempre aderiu a essa moda aceitando somente o que para eles era viável tendo assim suas próprias divisões de tarefas e obrigações. Através dessa polarização é possível entender como foi gradativamente se dando o processo de transformação da silhueta, até então pautada nos ideais burgueses e no uso do espartilho. Se as burguesas eram vistas como "senhoras do lar” as operarias deveriam ser "boas donas de casa de qualidade praticas”. Embora ambas tivessem sua relevância ligada à família e a gestão cotidiana, a segunda se diferenciava por sua dedicação quase exclusiva aos trabalhos domésticos (PERROT, 1998, p. 189).

Vigarello (2006) explica que a curvatura era muito valorizada na estética feminina. A fragilidade da mulher era expressa nessas curvas que buscavam deixar clara a “linha área mais do que a linha de força” O que deixa evidente que segundo este paradigma, as mulheres eram e deveriam ter suas curvas valorizadas de acordo com os padrões. É importante salientar que tais curvas as tornavam frágeis simbólica e literalmente, já que a silhueta espartilhada causava danos à saúde das mulheres. Em relação ao vestuário, mesmo havendo divisão de classes, o espartilho era utilizado por todas, com o propósito de encobrir as imperfeições abdominais,proporcionar uma silhueta mais fina, amenizar os quadris simbolizando que a mulher possuía uma boa aparência


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segundo os padrões da época. Tanto a mulher trabalhadora quanto as mulheres burguesas faziam o uso do espartilho e em ambos os casos houve resistência e manipulação com relação à compulsão social da peça (SUMMERS,2001). Consequentemente a mulher vestida com elegância corava e desmaiava facilmente, sofria fraca e exausta apos qualquer esforço maior. Quando tiravam o espartilho suas costas doíam; e as vezes ,continuavam sem poder respirar adequadamente, pois suas costelas haviam sido comprimidas permanentemente (LURIE, 1997, p. 230).

Todo esse cenário em torno da silhueta e também do espartilho, proporcionam o entendimento de uma série de outras questões temporais e atemporais na esfera social. A mulher assim como todo e qualquer sujeito se preocupa muito com os padrões sociais de beleza. Desse modo, com relação à silhueta não é diferente. O espartilho foi ainda utilizado como objeto de auxílio ao controle do peso uma questão muito rígida para os padrões de beleza, onde a mulher com excesso de peso na região do abdômen não era muito valorizada, fazendo com que as mulheres apertassem cada vez mais o espartilho.Especialistas acreditavam que pelo fato das mulheres serem delicadas o espartilho era a peça mais recomendada. Sendo na maioria das vezes mais pesados do que a estrutura corporal pelo fato da sua estrutura e dos materiais que o compunha levando também em consideração os adereços utilizados (FERNANDES,2010, p.33). No final do século XIX a variedade de modelos de espartilho trouxe novas dimensões para o vestuário feminino.Com o inicio de século XX e seus acontecimentos como a industrialização, os movimentos feministas associados à melhoria da qualidade de vida deram chance para que as imposições do vestuário nos séculos passados (FERNANDES, 2010). A partir da história do espartilho, é possível perceber que o vestuário vai além de uma simples peça que resguarda o corpo trazendo significados repercutindo e influenciando em ideologias e conceitos sociais.Por décadas a mulher foi influenciada pela mentalidade machista, sendo designada como um ser frágil e delicado com pouca visibilidade intelectual, que por "natureza" eram inferiores aos homens tendo somente a capacidade de desenvolver os trabalhos domésticos. Vestuários como o espartilho, teve grande influência para a idealização dessa imagem da mulher,repercutindo no confinamento físico,moral e emocional trazendo também consequências à saúde.


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5. A EVOLUÇÃO SILHUETA FEMININA NO SÉCULO XX

O século XX trouxe mudanças significativas à indumentária, sendo uma delas, o encurtamento da duração do ciclo de renovação da moda. O que antes era mais ou menos secular; no século XIX passa ser em intervalos de vinte e cinco anos, alcançando agora intervalos, ainda mais curtos, de uma década aproximadamente. Poder-se-ia dizer que tais fenômenos se devem ao encurtamento do espaço tempo consequente dos mais variados tipos de inovações que diminuíram as fronteiras entre as civilizações (BAUMAN, 2001). Com isso, os padrões de beleza femininos, em cada década acabam por provocar alterações na silhueta. Na década de 1910, com a Primeira Guerra Mundial,as mulheres começaram a trabalhar fora do ambiente doméstico. Para tanto, necessitavam agora de roupas mais confortáveis, que permitissem maior mobilidade. O uso do espartilho dificultava esse processo. Assim mudanças na silhueta começam a ocorrer. Paul Poiret estilista francês do período foi um dos grandes responsáveis pela transformação da indumentária feminina da época, desenvolvendo uma vestimenta que proporcionava mais conforto e leveza aos movimentos (STEFANI, 2005, p.24). Um novo tipo de sutiã – leve, pequeno, desenhado para dividir os seios de uma maneira natural – surgiria em 1913. A primeira Guerra Mundial viria a decretar o fim do espartilho como roupa íntima cotidiana, com as mulheres sendo forçadas a ir às fábricas enquanto os homens estavam nos campos de batalha (GALILEU, 2005, p. 70).

Figura 1: Moda após a I Guerra Mundial

Fonte: Democracia Fashion


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Figura 2: Estilista Paul Poiret

Fonte: Vogue

Após a Primeira Guerra, nos anos 20, a silhueta adaptou-se a forma tubular, desaparecendo por completo a marcação da cintura. Diminuía-se o comprimento das saias, deixando assim os tornozelos à mostra.O sutiã “achatador” de seios era bastante valorizado e os cabelos agora são curtos e alisados, evidenciando assim uma moda mais andrógena. A estilista Coco Chanel foi uma figura de sucesso do período desenvolvendo elegância em suas criações. As peças de corte reto,colares de perolas foram bem aceitas pelas mulheres(AREIAS, 2010). A música e o cinema foram de grande relevância na época,inclusive para o campo da moda. Jazz, Charleston, foram ritmos de sucesso que junto com o glamour das melindrosas, trouxeram grandes mudanças para o período (MICHELON e SANTOS, 2006). Até meados dos anos 20, a bainha pairou em torno da panturrilha. Só na metade da década o comprimento das saias igualou-se ao das melindrosas (STEVENSON, 2012).


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Figura 3: Moda anos 20

Fonte: Sem Espartilhos

Figura 4: Estilista Coco Chanel

Fonte: Pins Daddy

A indumentária em 1930 foi marcada pelo glamour e elegância. A grande crise na bolsa de valores em 1929 repercutiu em mudanças na moda, revigorando a feminilidade. Neste cenário, a qualidade dos materiais e tecidos diminuiu, porém isso não foi empecilho para a elegância da moda da época. O decote nas costas dos vestidos longos foi um atributo importante do vestuário do período(LAGE, 2012).


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A silhueta da década de 30 acompanhou a elegância da época, sendo alta e esguia com quadris estreitos, tendo a cintura da roupa novamente recolocada em seu devido lugar (STEVENSON,2012).

Figura 5: Moda anos 30

Fonte: Armonie

A moda nos anos 40 se torna mais simples, em razão dos conflitos da Segunda Guerra Mundial. A indumentária feminina muda devido ao controle e escassez de matérias e tecidos. As mulheres agora precisavam retornar ao trabalho fabril pela falta de homens.O turbante reaparece agora como peça necessária para a segurança no trabalho(STEFANI,2005). Neste período, a silhueta é adaptada para dar maior mobilidade, ficando sem a marcação.Ombreiras foram inseridas num paletó retangular que era usado com saia abaixo dos

joelhos.

O

corte

tecido(STEVENSON,2012).

enviesado

ainda

era

utilizado

para

aproveitar

o


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Figura 6: Moda após a II Guerra Mundial

Fonte: Teus Vestidos

Figura 7: Turbante anos 40

Fonte: Mente Flutuante

A década de 50 apresenta o New Look – estilo lançado no final dos anos de 1940 que destacava a silhueta feminina. Com o término do controle dos tecidos, os vestidos


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desenvolvidos por Dior, criador dessa tendência, eram constituídos por vários metros de tecido. Nesta década valorizou-se a essência feminina com peças luxuosas(LAGE,2012). Os vestidos floridos criados por Dior foram de grande sucesso no período,após o longo tempo de trabalho nas fabricas as mulheres regressaram as tarefas domesticas utilizando assim uma vestimenta proporcionalmente feminina,com vestidos delicados e coloridos compostos por estampas floridas (STEVENSON,2012).

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A silhueta de 1950 surge ainda mais marcada, transparecendo jovialidade.O sutiã junto

ao espartilho foram peças bastante utilizadas para a valorização da cintura, com o intuito de deixá-la esguia (STEVENSON, 2012). Figura 8: New Look

Fonte: Pinterest

Figura 9: Mulher do lar anos 50

Fonte: Moda Histórica


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Figura 10: Vestido Floral anos 50

Fonte: The Nifty Fifties

Figura 11: Corset anos 50

Fonte: The Nifty Fifties


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A juventude é o centro das atenções dos anos 60 – período marcado pelas mudanças no meio social. Estes se tornaram o centro das atenções da época, sendo a maior parcela da população. Por conta do movimento denominado "Baby Boom", posterior à segunda guerra,controlando e influenciando o mercado da moda. A liberdade se tornou senso comum entre os jovens do período, eles eram contrários a toda e qualquer ideia de consumo da época. A partir disso a moda passou a ter variedades em sua composição, surgiram diferentes propostas de estilos e cada uma delas se encaixava nas ações da sociedade (LAGE,2012). Stevenson (2012) destaca a estilista Mary Quant como a figura mais marcante do período, já que esta foi a responsável pela criação do vestido-tubo e das minissaias – peças bastante utilizadas pelas jovens no inicio da década. As composições usadas pela primeira dama Jackie Kennedy, como os vestidos sem manga, tailleurs e chapéus pillbox,também foram utilizados como inspiração para os modelos da alta costura de Paris desenvolvidas por Oleg Cassini. A silhueta marcante da década de 60 foi caracterizada como "mulher-criança". Era composta por estatura baixa, pernas longas e corpos magros, representando assim uma androgenia infantil. As estampas psicodélicas com inspiração no op at e no pop arte com cores fortes da moda futurista desenvolvida por Andre Coureges trouxeram a artificialidade nas peças com matérias diferenciadas como o plástico ao acrílico – também foram importantes para a composição da moda de 1960(STEVENSON,2012).


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Figura 12: Moda anos 60

Fonte: That 60s Girl

Figura 13: Minissaia anos 60

Fonte: Pinterest


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Figura 14: Primeira dama Jeckie Kennedy

Fonte: Fashion Bubbles

Figura 15: ChapĂŠu Pillbox anos 60

Fonte: Pinterest


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Em 1970 a diversidade na moda torna difícil a padronização de um estilo. Assim como na década de 1960 os jovens continuaram a influenciar o mercado. Um estilo romântico e fantasioso surge composto por vestimentas com estampas florais com cores fortes e vibrantes. Nasce também o movimento hippie, com grande repercuto na indumentária do período – com calça boca de sino,saias longas, camisas,detalhes florais marcando o estilo. O Glam foi outro movimento que transformou a indumentária masculina– inspirado no rock, onde homens poderiam utilizar glitter, plumas, etc. A influência deste movimento ocorreu também na vestimenta feminina. Desse modo, as sandálias peep-toe metalizadas de plástico fizeram sucesso entre as mulheres da época. O disco, um estilo de dança de 1970, famoso nos clubes noturnos, influenciou a moda feminina ao uso de collants sintéticos com cores brilhantes, valorizando as curvas do corpo.

Figura 16: Movimento Hippie

Fonte: Mundodas Tribos


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Figura 17: Movimento Glam

Fonte: Uber 47

Figura 18: Sandália Peep-Toe anos 70

Fonte: Pinterest

Stefanni (2005) enfatiza que a moda de 1980 foi caracterizada pela diversidade de estilos. O desenvolvimento de "tribos" dentro da moda foi um fator essencial onde cada tribo tinha sua própria tendência e o culto ao corpo começa a desenvolver seu lugar no meio social, com a prática de dietas e exercícios, por exemplo. O desenvolvimento da indústria têxtiltambém foi um marco importante para o período que trouxeram influências ao mercado da moda.As composições da indumentária eram bastante diversificadas com peças de cores sóbrias ou vivas, com formas simples ou exageradas,ombreiras,cintura alta, moletom,vestidos


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com fenda. A composição do vestuário era designada com base nas tendências a que o individuo pertencia. A silhueta do período era moldada através dos tecidos utilizados. Nesse sentido, o uso do jeans valorizou a silhueta e a sensualidade estava relacionada aos corpos magros e esculturais proporcionados pelo início da geração saudável (STEFANNI, 2005).

Figura 19: Tribos urbanas anos 80

Fonte:www.portalarretado,wordpress.com.br

Figura 20: Anos 90

Fonte:www.mayramello.com


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Figura 21: Supermodelos anos 90

Fonte: www.semespartilhos.com.br

A moda do período de 1990 foi caracterizada pela variedade de tendências, desenvolvendo peças para cada estilo, incentivando a individualidade e reforçando a busca pela identidade. A cultura musical e a mídia televisiva foram grandes influenciadores da moda onde em primeira instância a indumentária era caracterizada por estilos mais despojados. A princesa Diana foi também um ícone de influencia na moda.A releitura das indumentárias das décadas passadas também foi uma forte tendência do período.As décadas mais utilizadas para a tendência retro foram 60 e 70 (LAGE, 2012).Inicia-se também a era das cirurgias plásticas com ênfase das próteses de silicone, e o corpo esbelto das supermodelos.O culto ao corpo ganhou ênfase neste período, onde ideais de estética e beleza eram silhuetas magras e esguias com pernas longas (ARAUJO e LEORATO,2013). O século XX concluiu-se com a diversidade na moda proporcionando a individualidade no estilo com diversas tendências, desenvolvendo uma moda democrática. O ideal de beleza contemporâneo buscava o corpo perfeito sendo ele esguio proporcionado pelas supermodelos representadas pela mídia e publicidade.


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6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Evidenciamos neste artigo que a moda ao longo do século XX proporcionou diversas transformações ao corpo da mulher aliados ao contexto histórico de cada período. Percebeu-se que desde o início do século, a silhueta marcada por espartilhos muito apertados, que causava danos a saúde feminina, dava lugar a roupas mais leves, que permitiam maior mobilidade, principalmente nos períodos de guerra. Nas primeiras décadas do século, ora se tinha cintura marcada pela própria roupa e tecido, ora uma silhueta fora do lugar. Verificou-se ainda, que a partir dos anos 50, a cintura volta para o lugar, o espartilho torna a fazer parte do guardaroupas feminino, porém , desta vez, menos apertado e utilizado como peça intima. Com base nestes estudos, foi possível compreender que a moda desde os primórdios já trazia transformações às idealizações de comportamento e estilo relacionadas ao contexto social vivenciado em cada período. O corpo é modelado pela roupa, não pelo modo de compressão e reestruturação física; mas, pelas tendências, que submetem o corpo a moldar-se da melhor forma para poder portar as roupas e mostrar esse corpo. No passado, apertava-se, ajustava-se, expandia-se o corpo através da roupa para obter e manter a silhueta desejada. Conclui-se assim, com ênfase na analise da indumentária e na evolução da silhueta de cada década do século XX, que as transformações socioculturais ocorridas, sofreram influências relacionadas à moda, aos padrões de beleza e a silhueta feminina.


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REFERÊNCIAS

ARAUJO, D. C.; LEORATO, D. Alterações da silhueta feminina: a influência da moda. Rev. Bras. Ciênc. Esporte, Florianópolis, v. 35, n. 3, p. 717-739, jul./set. 2013.

BARBOSA, M. R., MATOS, P. M., & COSTA, M. E. (2011). Um olhar sobre o corpo: o corpo ontem e hoje. Psicologia &Sociedade, 23(1), 24-34. 2001.

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

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APÊNDICES


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FIGURA 07: Turbante anos 40. Fonte: Mente Flutuante. Disponível em: <http://www.menteflutuante.com.br>. Acesso em 08 de mai. 2017.

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FIGURA 13: Minissaia anos 60. Pintrest. Disponível em: <http://www.pinterest.com.br>. Acesso em 20 de mai. 2017.

FIGURA 14: Primeira dama Jeckie Kennedy. Fonte: Fashion Bubbles. Disponível em: <http://www.fashionbubbles.com.br >. Acesso em 20 de mai. 2017.

FIGURA 15: Chapéu Pillbox anos 60. Fonte:Pinterest Disponível em: <http://www.pinterest.com.br>. Acesso em 18 de mai. 2017.

FIGURA 16: Movimento Hippie. Fonte: Mundo das Tribos.Disponível em: <http://www.mundodastribos.com.br>. Acesso em 15 de mai. 2017.

FIGURA 17: Movimento Glam. Fonte: Uber 47. Disponível em: <http://www.blog.uber47.com.br>. Acesso em 20 de mai. 2017.

FIGURA 18:Sandália Peep-Toe anos 70.Fonte: Pinterest Disponível em: <http://www.pinterest.com.br>. Acesso em 18 de mai. 2017.

FIGURA 19: Tribos urbanas anos 80. Fonte: Portal Arretado.Disponível em: <http://www.portalarretado,wordpress.com.br>. Acesso em 21 de mai. 2017.

FIGURA 20: Anos 90. Fonte: Mayra Mello. Disponível em: <http://www.mayramello.com>. Acesso em 21 de mai. 2017.

FIGURA 21: Supermodelos anos 90. Disponível em: <www.semespartilhos.com.br>. Acesso em 16 de mai. 2017.

BORGES, Raquel Alcântara  

Monografia fainor

BORGES, Raquel Alcântara  

Monografia fainor

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