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FACULDADE INDEPENDENTE DO NORDESTE CURSO DE ADMINISTRAÇÃO

WILTON JONATHAN MOURA CARNEIRO

PERFIL EMPREENDEDOR: UM ESTUDO DE CASO NO CENTRO DE ABASTECIMENTO MUNICIPAL (CEASA) DE VITÓRIA DA CONQUISTA

VITÓRIA DA CONQUISTA/BA 2011 1


WILTON JONATHAN MOURA CARNEIRO

PERFIL EMPREENDEDOR: UM ESTUDO DE CASO NO CENTRO DE ABASTECIMENTO MUNICIPAL (CEASA) DE VITÓRIA DA CONQUISTA

Projeto apresentado a Faculdade Independente do Nordeste em cumprimento às exigências acadêmicas parciais da disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação em Administração orientado pelos Professores Márcio Céo e Luciana Araújo Reis. Professores: Márcio Céo e Luciana Araújo Reis (Orientadores)

VITÓRIA DA CONQUISTA/BA 2011 2


RESUMO Esse estudo teve como objetivo analisar o perfil empreendedor dos empresários do Centro de Abastecimento Municipal de Vitória da Conquista (CEASA), cuja principal atividade é a venda de biscoitos caseiros, à luz das teorias comportamentalistas e econômicas com base no modelo desenvolvido por Dornelas (2008) que utiliza da atribuição de características, correlacionadas à ação-comportamento do individuo para se verificar quais dessas características são realmente encontradas nos mesmos. Os principais resultados da pesquisa mostraram que os empresários abordados se enquadram, em grande maioria, nas definições propostas para perfilar empreendedores a partir dos pressupostos teóricos contemplados nas teorias econômica e comportamentalista. A pesquisa também mostra a importância de um setor que existe há muito tempo e que é pouco explorado, uma vez que, são encontrados pouquíssimos estudos referentes a essa população que movimentam tanto a economia quanto a cultura gastronômica da cidade de Vitória da Conquista. Palavras

chave:

empreendedorismo,

Caracterização,

Ação-comportamento,

Inovação ABSTRACT

this study was to analyze the profile entrepreneur of entrepreneurs in the Municipal supply center of Vitória da Conquista (CEASA), whose main activity is the sale of biscuits, in the light of economic theories behavioralists and based on the model developed by Dornelas (2008) which uses assigning characteristics correlate to action-behavior of the individual to verify which of these features are actually found in them. The main results of the survey showed that entrepreneurs raised fall in great majority, in the proposed definitions for profiling entrepreneurs from theoretical assumptions considered in economic theories and offered. The survey also shows the importance of a sector that has existed for a long time and that is little explored, since very few studies are found for this population that move both the economy and the gastronomic culture of the city of Vitória da Conquista. KEYWORDS: entrepreneurship, Characterization, Action-behavior, innovation

3


INTRODUÇÃO 1.1 SITUANDO O EMPREENDEDORISMO

O trabalho humano de milhares de anos, de forma cumulativa, não surpreendentemente, chegou a um estagio super desenvolvido; um mundo de coisas que há 100 anos seriam inimagináveis, e que hoje fazem parte do cotidiano das pessoas e são vistas com normalidade por quase todos. Os agentes que transformam o espaço e a sociedade em que vivem são há muito analisados por diversas correntes de estudo. Cabe ao estudo do empreendedorismo, entre outras coisas, identificar e compreender o perfil empreendedor desses agentes. Dornelas (2008, p. 22) diz ser a melhor definição para empreendedorismo: o envolvimento de pessoas e processos que, em conjunto, levem à transformação de idéias em oportunidades, e que a perfeita implementação dessas oportunidades resulte na criação de negócios de sucesso. Diversos autores, com o passar dos anos, tentaram de sua forma conceituar o empreendedorismo, o que permite a esse estudo diversas abordagens distintas e com algumas peculiaridades. As abordagens mais frequentemente encontradas são a econômica e a comportamentalista, sendo seus precursores; o economista Joseph A. Schumpeter e o psicólogo David McClelland, respectivamente. Shumpeter (1997, p. 97) descrevia o empreendedor como o agente do processo de destruição criativa, sendo ele o propulsor fundamental que aciona e mantêm em marcha o motor capitalista, constantemente criando novos produtos, 4


novos métodos de produção, novos mercados e, implacavelmente, sobrepondo-se aos antigos métodos menos eficientes e mais caros. A abordagem Schumpeteriana, na descrição do perfil empreendedor, concebe a idéia do empresário inovador, descrevendo-o como importante agente de criação de novos negócios, e que também é agente conciliador de outros dois fatores cruciais para o desenvolvimento econômico: o credito bancário e as inovações tecnológicas. Alem disso, é na teoria econômica que pela primeira vez se separa competências para gestão de características empreendedoras de um individuo. Filion (1991) ao afirmar que: o individuo assumi um papel empreendedor enquanto continuar a conceber, desenvolver e realizar as visões que formam a teia em torno da qual as atividades do negócio são organizadas; corrobora das idéias schumpeterianas que afirmam que alguém só é empreendedor quando efetivamente leva a cabo novas combinações. E perde esse caráter assim que tiver montado seu negocio, quando dedicar-se somente a dirigi-lo. Derivada da psicologia, a teoria comportamentalista também tem grande importância no estudo sobre empreendedorismo. Esse estudo busca entender o individuo empreendedor partindo de alguns pré-supostos definidos por David McClelland entre as décadas de 70 e 80, princípios esses adotados por Filion (1999, p. 05-28) para discutir tal corrente de estudo. Suas pesquisas constataram principalmente que os indivíduos buscam referências de outros para nortearem seu comportamento. E que a sociedade é dividida em dois grupos: os que enfrentam desafios e riscos; e outros, equivalente a imensa maioria, que não se dispõe a correr riscos e que provavelmente não são e nem serão empreendedores.

5


Utilizando a abordagem comportamentalista, Filion (1999, p. 05-28) elenca duas importantes categorias empresariais. A primeira, que ele vem a chamar de empreendedores involuntários é composta principalmente por pessoas demitidas de fabricas fechadas ou reestruturadas, e que não conseguiram adentrar novamente ao mercado de trabalho e, por esse motivo, foram forçadas a criar seus próprios negócios. A segunda, chamada de empreendedores voluntários, são aqueles que por vontade própria decidem abrir suas empresas. Essas pessoas são motivadas principalmente pela vontade de aumentar seus lucros, sair da rotina, sendo seus próprios patrões, aproveitando oportunidades. Segundo Gomes (2006, p.37) a teoria comportamentalista deixa algumas variáveis extremamente importantes de lado. Afirma que as pessoas mudam de acordo com as circunstancias, e que, aquilo que motiva o individuo em uma época pode não mover outro individuo exposto a outro contexto. Essa afirmação leva a um grande problema para a composição do perfil empreendedor, a mensuração da amostragem. Tendo em vista que indivíduos de épocas

e

cenários

diferentes

apresentam

características

peculiares

às

circunstancias em que vivem, e presumindo que, no momento da realização de uma pesquisa serão encontradas diferentes gerações em um mesmo ambiente, cria-se uma grande dificuldade em adequar, ou saber qual é o perfil empreendedor vigente e ótimo para tal cenário.

1.2 DEFININDO CARACTERISTICAS DO EMPREENDEDOR O fato de varias disciplinas estudarem o campo do empreendedorismo faz com que haja algumas ramificações teóricas para a definição de perfis 6


empreendedores, assim, para que seja possível perfilar empreendedores faz-se necessário que algumas características sejam elencadas de acordo com a abordagem escolhida para a pesquisa, uma vez que, não é possível traçar perfis sem que algumas referências anteriores sejam usadas como parâmetro para a análise. Para Dornelas (2008,p. 33) as perguntas do lado esquerdo da tabela a seguir são

ações/comportamentos

inerentes

ao

empreendedor,

à

luz

da

teoria

comportamentalista, e podem ser utilizadas para mensurar o perfil desses de acordo com as características comportamentais elencadas do lado direito da tabela. Quadro 1: Características comportamentais Ação/Comportamento È disposto a sacrifícios para atingir

Características

Comprometimento e determinação

metas? Procura ter conhecimento profundo do

Obsessão pelas oportunidades

necessidade dos clientes? Corre riscos calculados ( analisa tudo

Tolerância ao risco e incerteza

antes de agir)? Não tem medo de falhar?

Autoconfiança e Habilidade de adaptação

É ciente de suas fraquezas e forças? É paciente e sabe ouvir?

Motivação e superação Liderança

Fonte: Dornelas (2008) Usando do mesmo método, porém à luz da teoria econômica schumpeteriana que prioriza a inovação como atitude empreendedora, é possível elencar outras 7


Ações/Comportamentos do empreendedor e vinculá-las às suas principais características, com o intuito de descobrir quais dessas são mais comuns a determinado empresário: Quadro 2: Características shumpeterianas Ação/Comportamento

Características

Acha importante inovar sempre?

Pensamento inovador

Busca constantemente informações

Gestão da inovação

que melhore o produto e/ou serviço? Prefere se dedicar à concepção de

Orientação para a inovação

novas idéias a gerenciar o negócio? Busca novas maneiras de gerenciar o

Gestão da inovação

negócio? Caso necessário busca linhas de

Conciliador do credito e o

credito visando melhorias no negócio?

desenvolvimento de técnicas

Fonte: Dornelas (2008) Mesmo que essas características não demonstrem com certeza se a pessoa conseguirá ter êxito ou não ao empreender a depender das vaiáveis externas ao seu comportamento que aqui não foram contempladas, para Dolabela (1999) é certo que o conhecimento do tema permite ajudar os possíveis empreendedores a se conhecerem

melhor,

para

que

esses

possam

desenvolver

melhor

suas

competências.

8


1.3 O CENTRO DE ABASTECIMENTO MUNICIPAL E O RAMO DE BISCOITOS CASEIROS A Central de Abastecimento de Vitória da Conquista caracteriza-se como feira livre composta de barracas de lona, madeira e de alvenaria. Em essas barracas é possível encontrar diversas variedades de frutas produzidas em todo território baiano, bem como verduras e legumes que possam ser cultivados na estação, especiarias e também uma grande variedade de biscoitos caseiros tradicionais da cidade de Vitória da Conquista. A cidade conhecida pela produção de café, que teve mais destaque na década de 80, é também considerada uma referencia no estado pela produção de biscoitos caseiros, e um grande aliado na comercialização desses produtos são os empresários do CEASA. A presidente da Associação Comercial e Industrial do município, Geruzia Ferraz, salienta que: apesar da não existência de uma pesquisa completa sobre a comercialização de biscoitos caseiros na cidade, dados levantados por estudantes da Faculdade de Tecnologia e Ciência dão conta que o setor é relativamente abrangente, e que essa indústria gera 1,8 mil empregos, mostrando-se de grande importância para a economia da cidade. Segundo

a

mesma,

apesar

da

falta

de

associativismo

formal,

o

relacionamento dos comerciantes é de parceria. Afirma que esses sempre estão em rodas, discutem preços, consideram os concorrentes próximos amigos e conhecem as vantagens de participarem de um aglomerado de empresas que juntas tornam-se referencia na mente do consumidor como principal local de vendas de biscoitos caseiros na cidade. 9


Uma vez mostrando-se tão importante para a cidade, faz-se necessário que cada vez mais, estudantes de diferentes áreas da pesquisa realizem seus estudos em localidades como o CEASA, contribuindo para o desenvolvimento sócioeconômico do município e, também, colaborando na descrição desses cenários frente às propostas acadêmicas, modificando conceitos e idéias erronias em relação à realidade desse lugar e das pessoas que fazem parte dele.

METODOLOGIA O objetivo da pesquisa foi identificar e analisar o perfil dos empreendedores do CEASA, que têm como principal atividade a venda de biscoitos caseiros produzidos em Vitória da Conquista, à luz das teorias Schumpeteriana e comportamentalista. Para tanto, o estudo se classificou, quanto aos fins, como uma pesquisa exploratório-descritiva e, quanto aos meios, como um estudo quantitativo ou survey, cuja característica é a interrogação direta de pessoas cujo comportamento se deseja conhecer (COLLIS E HUSSEY, 2005). Para Gil (2008), “[...] os estudos exploratórios têm como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e idéias, tendo em vista a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores”. Tal método se torna eficiente para essa pesquisa devido ao pioneirismo da mesma. A pesquisa teve como unidade de investigação empresas do Centro de Abastecimento Municipal (CEASA) cuja principal atividade é a venda de biscoitos caseiros. A unidade de observação foram os empresários donos das empresas. Devido a não existência de pesquisas anteriores que mostrem a quantidade de empreendimentos que comercializam biscoitos caseiros no CEASA, para a 10


realização da pesquisa foram elencados 40 empreendimentos de forma acidental e por acessibilidade. O instrumento adotado para a coleta de dados foi o questionário autoadministrado (Anexo). Este foi composto por 12 perguntas, em sua maioria de caráter fechado, sendo disponibilizadas opções de respostas aos indagados. O questionário desenvolvido tinha dois blocos de perguntas sendo o primeiro relacionado a questões sócio-demográficas e dados genéricos das empresas e dos empresários, como tempo de atuação no mercado, faturamento médio bruto anual, quantidade de funcionários, motivo que levou a abrir o negócio, principais dificuldades de empreender; o segundo grupo de perguntas relacionava-se, estritamente, às ações/comportamento que compunham os perfis dos entrevistados, conforme os pressupostos teórico-conceituais do modelo de Dornelas (2008) e Schumpeter (1997). Foi dado tratamento descritivo para ambos os blocos do questionário.

RESULTADO O questionário auto-aplicável foi submetido a quarenta donos de empresas varejistas situadas no Centro de Abastecimento Municipal (CEASA), cuja atividade principal é a venda de biscoitos caseiros produzidos na cidade de Vitória da Conquista. Observou-se que 70% dos empresários respondentes do questionário são mulheres. Quanto a idade, a maioria, cerca de 75% têm entre 36 e 45 anos e são donos de seus negócios a mais de 10 anos. O faturamento anual bruto de suas empresas não passa de R$ 62.000,00; nenhuma empresa tem funcionários, sendo 11


todas geridas e operacionalizadas pelos próprios donos. Assim, todas as entidades pesquisadas foram enquadradas como micro-empresas, seja pelo faturamento anual, conforme a Lei Federal nº 9.317 de 05 de dezembro de 1996 que conceitua microempresa a pessoa jurídica que tenha auferido, no ano calendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 120.000,00, ou em razão do número de empregados, conforme estabelece o SEBRAE (2002) que classifica como micro-empresa aquela que detém até 09 empregados contratados. Quando perguntados se já haviam utilizado apoio governamental para fomentar o desenvolvimento de suas empresas, 85% responderam que não, justificando que não tinham informações, não tinham necessidade ou coragem de se endividar. No que diz respeito às maiores dificuldades encontrada para ser empreendedor, 45% diz ser a dificuldade na obtenção de credito, e 40%, a falta de apoio governamental. Assim, fazendo um cruzamento de tais números, percebe-se uma disfunção na comunicação das informações, e nas praticas política, entre os órgãos de desenvolvimento governamentais e esses empresários. Outra dificuldade consiste na falta de tempo para realizar outras atividades fora da empresa, 80% afirmam trabalhar mais de 12 horas por dia. Por isso, segundo eles, nenhum fez cursos ligados ao desenvolvimento de sua empresa, de suas aptidões ou competências, no ano de 2010. Dos entrevistados, 60% afirmam ter aberto sua empresa devida a uma oportunidade encontrada, 15% para complementar a renda familiar, 15% por motivo da sucessão familiar e 10% por desejo de se tornar independente. Sendo que, antes

12


de se tornarem empresários a maioria, 55% eram estudantes, e 20% trabalhavam em empregos formais. DISCUSSÃO Em tempos onde ainda é notória a diferença de tratamento entre os gêneros masculino e feminino, e que o espaço publico ainda contrasta com o doméstico, criando relações desiguais entre mulheres e homens. A primeira parte do questionário dessa pesquisa, relacionado às informações sócio-demográficas mostra que mulheres de meia idade contribuem para a difusão da cultura e da gastronomia Conquistense, movimentando quantias relevantes por meio da comercialização de biscoitos caseiros no Centro de Abastecimento Municipal de Vitoria da Conquista (CEASA). São pessoas que constituem micro-empresas, muitas dessas com mais de 20 anos de atuação no mercado, e que vêm resistindo a intempéries econômicas e se adaptando a novos cenários e novas exigências de clientes, mostrando que esses empreendimentos são viáveis e geridos de forma a garantir a sua sobrevivência. São empresários que segundo a pesquisa, em sua grande maioria, não temem falhar e julgam saber seus pontos fracos e fortes, ou seja, que conhecem o seu potencial e suas habilidades, mas que promovem poucas inovações relevantes para seus negócios devido, muitas vezes, segundo esses, ao grande tempo que gastam gerenciando-os, 80% afirmam trabalhar mais de 12 horas por dia em funções correlacionadas à operacionalização do negócio. Sobrevivem ao tempo, mas não aumentam as dimensões de seus empreendimentos, uma vez que continuam sendo micro-empresas sem funcionários mesmo que a grande maioria tenha mais de dez anos de atuação. 13


Para Schumpeter (1997, p.84) tal revelação (referente ao tempo e esforços gastos na gestão cotidiana do negócio) já seria ponto determinante para não perfilar, em tal momento, muitos desses empresários como exímios empreendedores, mas somente como gestores, uma vez que, em sua teoria, alguém só é considerado empresário quando efetivamente leva a cabo novas combinações. E perde esse caráter assim que tiver montado seu negocio, quando dedicar-se somente a dirigi-lo. Os entrevistados têm como característica das suas ações, em sua grande maioria, o habito de não traçarem metas (talvez pessoais, mas não para suas empresas), nem em curto, médio ou longo prazo. Isso mostra que esses empresários estão totalmente adaptados ao gerenciamento dos acontecimentos rotineiros em detrimento do planejamento estratégico. Para Degen (1989) a vontade de aprender e criar novas idéias são fundamentais ao empreendedor. Contudo, a pesquisa revela que: de todos os entrevistados, nenhum deles procurou participar de cursos que melhorassem os seus desempenhos ou que estimulassem suas aptidões frente a seus negócios. Novamente, as ocupações nas tarefas cotidianas surgem em detrimento das ações empreendedoras para o empresário do CEASA. Outra variável importante detectada na pesquisa é que grande maioria dos entrevistados viram uma oportunidade no mercado e se instalaram, assim, segundo Filion (1999, p. 05-28) podem ser considerados empreendedores voluntários, ou seja, aqueles que por vontade própria resolvem empreender, e não devida a alguma necessidade especifica. Não é intuito principal de esse trabalho avaliar quão definitiva é a participação governamental para estimular o desenvolvimento do potencial dos empresários de 14


micro-empresa. Mas mesmo assim, mostrou-se notória a falta de políticas que venham intervir visando melhorias para esse publico, uma vez que, da amostra entrevistada, somente seis tiveram apoio governamental para fomentar o desenvolvimento de suas empresas; e, são consideradas principais dificuldades em empreender a falta de apoio governamental e a dificuldade em obtenção de financiamento. A teoria schumpeteriana mostra que o empresário inovador é o propulsor do desenvolvimento econômico e que cabe a esse fazer inovações que venham mudar a realidade comercial em que vive. De acordo com Schumpeter (1982) a inovação pode ser de dois tipos: a radical e a incremental. Por inovação radical, entende-se como o desenvolvimento e introdução de um novo produto, processo ou forma de organização da produção completamente nova. Quanto à inovação incremental, refere-se à introdução de qualquer tipo de melhoria em um produto, processo ou organização da produção dentro de uma empresa, sem alteração na estrutura industrial. Uma vez que os empresários estudados em essa pesquisa, em sua grande maioria, não são os produtores, e sim, comerciantes em varejo do produto, esperase que esses não realizem inovações radicais quanto à concepção do seu produto. Espera-se que procurem ter conhecimento profundo das necessidades dos clientes e do mercado, para que com isso, possam sempre aproveitar novas oportunidades modificando suas estruturas, e inovando para melhor satisfazer seus anseios e os dos seus clientes, corroborando assim com a definição de empreendedor do setor secundário elaborado por Dornelas (2008).

15


Na segunda parte do questionário foram feitas perguntas estritamente relacionadas à ação/comportamento dos empresários do Centro de Abastecimento Municipal (CEASA) de Vitória da Conquista, elaboradas a partir de dos pressupostos conceituais dos perfis empreendedores descritos por Dornelas (2008, p. 33) e Schumpeter (1997). Primeiramente foram elencadas seis afirmativas relacionadas à ação/comportamento

adotado

por

aqueles

empresários

à

luz

da

teoria

comportamental. . Estas afirmativas foram submetidas a uma escala de cinco níveis através da qual os respondentes deveriam expor a sua opinião. Para cada nível de resposta foi atribuído um peso numérico, conforme a seguir: discordo fortemente (1), discordo (2), indiferente (3), concordo (4) e concordo fortemente (5). Para demonstrar de maneira mais objetiva os resultados, calculou-se a média das respostas obtidas em cada afirmativa proposta, considerando-se o peso de cada nível da escala adotada. O pior resultado comportamental encontrado, ou seja, aquele que não corresponde

às

características

de

um

empreendedor

é

relacionado

ao

comprometimento e determinação, onde a grande maioria dos entrevistados mostrou-se indisposto a se sacrificarem para atingir metas. Nas questões relacionadas às obsessões por oportunidades, tolerâncias ao risco e motivação foram encontradas os melhores resultados. Segundo o modelo de Dornelas (2008), em tais características os entrevistados correspondem ao nível esperado para que um individuo seja empreendedor, podendo com isso se diferenciar no mundo dos negócios. . Este panorama corrobora as percepções sugeridas pelos resultados discutidos anteriormente, conforme apresenta a tabela, a seguir.

16


Quadro 3: Resultado da pesquisa das características comportamentais Discordo Fortemente (1) É disposto a sacrifício para atingir metas Procura ter conhecimento profundo das necessidades dos clientes Corre ricos calculados (analisa tudo antes de agir) Não tem medo de falhar É ciente de suas fraquezas e forças É paciente e sabe ouvir

Discordo (2)

Indiferente (3)

Concordo (4)

Concordo Fortemente (5)

Média

8

-

1,6

26

6

-

-

3

3

21

13

4,1

2

-

4

13

21

4,3

6

4

4

4

22

3,8

-

4

5

9

22

4,2

-

-

5

5

30

4,6

Fonte: Dornelas (2008) Posteriormente, o questionário apresentou mais cinco afirmativas, elencadas sob os mesmos critérios explicitados anteriormente, entretanto, dando foco maior a questões relacionadas à inovação. O intuito era de se conhecer quais características, à luz da teoria Schumpeteriana, eram encontradas mais fortemente em esses empresários. O publico estudado mostrou-se, segundo o método, orientado para a inovação. A maioria dos entrevistados acha muito importante inovar e buscam fazer essas inovações, também procuram novas maneiras de melhor gerenciar o seu negócio com freqüência. Entretanto, apresentam características não muito satisfatórias quanto ao tempo que dispensam no gerenciamento dos negócios

17


em detrimento da concepção de novas idéias, e na busca de créditos bancários visando ampliação dos mesmos, conforme a tabela a seguir:

Quadro 4: resultado da pesquisa das características schumpeterianas

Acha importante inovar sempre Busca constantemente informações para melhorar meu produto Prefere se dedicar na concepção de novas idéias, a gerenciar meu negócio Busca novas e melhores maneiras de gerenciar seu negócio Caso necessário, busca linhas de credito visando melhorar seu negócio

Discordo fortemente (1)

Discordo (2)

Indiferente (3)

Concordo (4)

Concordo fortemente (5)

Média

-

-

-

2

38

4,9

-

8

4

17

11

3,9

-

10

19

3

8

3,2

-

4

2

4

30

4,5

8

8

-

1

23

3,6

Fonte: Dornelas (2008) Comparada com a primeira tabela, que corresponde às características comportamentais, o resultado das segunda tabela mostrou-se menos satisfatório, ou seja, voltando ao referencial, os empresários estudados são mais facilmente caracterizados de acordo com a teoria comportamentalista do que pela teoria econômica. Mas apesar disso, o modelo utilizado mostra que independentemente da

18


abordagem que se deseje utilizar, os empresários estudados podem ser contemplados e perfilados enquanto empreendedores.

CONSIDERAÇÕES FINAIS O caso estudado é, por certo, um exemplo de que, por menores que sejam os empreendimentos eles podem ser de grande importância econômica. E que, por mais distante que pareçam se encontrar em relação aos fundamentos teóricos, quando pesquisados, os empresários donos dessas empresas se enquadram muito bem em características que compõem o perfil empreendedor independentemente à luz de qual teoria esta sendo abordada a analise dos casos. Corroborando com a teoria comportamentalista, os empresários se mostraram como: bons lideres, motivados, que conseguem administrar os riscos, criativos, autoconfiantes e que sabem aproveitar oportunidades. À luz da teoria econômica, dentro das suas possibilidades os empresários mostram-se inovadores incrementais, uma vez que, buscam frequentemente melhorar sua gestão e produtos. E poucos podem ser considerados empresários inovadores já que se mostraram, em grande maioria, incapazes de gerenciar o credito bancário visando desenvolver novas e melhores maneiras de tocar o seu negócio. Uma característica comportamental muito importante, segundo Dornelas (2008) não foi contemplada pela maioria dos entrevistados; a capacidade de se sacrificar para atingir metas. Segundo o mesmo, a ausência dessa característica mostra falta de comprometimento e dedicação. Entretanto, também foi possível perceber que existe comprometimento com tarefas corriqueiras, o que realmente não é contemplado pelos entrevistados é a consciência da importância de traçar 19


objetivos e metas de curto mĂŠdio e longo prazo, para que com isso possam gerenciar os seus objetivos.

20


REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS COLLIS, J., HUSSEY, R. Pesquisa em Administração: um guia prático para alunos de graduação e pós graduação. Porto Alegre: Bookman, 2005. DEGEN, R. J. O empreendedor: fundamentos da iniciativa empresarial. São Paulo: Makron Books, 1989. Cap.1. DOLABELA, F. Oficina do empreendedor. São Paulo: Cultura Editora Associados, 1999. Cap. 1-4. DORNELAS, J. C. A. Empreendedorismo: transformando idéias em negócios. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. Cap. 1. FILION, L. J. O planejamento do seu sistema de aprendizagem empresarial: identifique uma visão e avalie o seu sistema de relações. RAE. São Paulo, v. 31, n. 3, jul./set. 1991. FILION, L. J. Empreendedorismo: empreendedores e proprietários-gerentes de pequenos negócios. RAUSP, São Paulo, v. 3, n. 2, abr/jun. 1999ª GIL, A. C. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 6 ed. São Paulo: Atlas, 2008. GOMES, A. F. Mulheres Empreendedoras. Vitória da Conquista: UESB, 2006. SCHUMPETER, J. A. A Teoria do Desenvolvimento Econômico. São Paulo: Abril, 1982. ( Coleção Os Economistas) SEBRAE – DF. Classificação das Micro e Pequenas Empresas. Brasília: SebraeDF, 2002. 60 p.

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ANEXO QUESTIONÁRIO ESTRUTURADO PARA COLETA DE DADOS 1. Sexo ( ) Masculino ( ) Feminino 2. Idade ( ) menos de 20 anos ( ) de 20 a 25 anos ( ) de 26 a 30 anos ( ) de 36 a 40 anos 41 a 45 anos ( ) de 46 a 50 anos ( ) mais de 50 anos

( ) de

3. Há quanto tempo você possui seu atual negócio? ( ) menos de 3 anos ( ) de 4 a 10 anos ( ) de 12 a 20 anos ( ) de 21 a 30 anos ( ) mais de 30 anos 4. Qual é o seu faturamento médio bruto anual? ( ) Menos de 36.000,00

( ) de 36.000,00 a 62.000,00 ( ) de 62.000,00 a 100.000,00

( ) de 100.000,00 a 150.000,00 ( ) mais de 150.000,00 5. Qual o número de funcionários vinculados ao seu negócio? ( ) menos de 5 ( ) de 5 a 10 ( ) de 10 a 15 ( ) de 15 a 20 ( ) mais de 20 6. Você utiliza ou já utilizou apoio governamental para o fomento da sua empresa (financiamentos, capital de giro, empréstimos, etc.)? ( ) Sim ( ) Não, por quê? 7. Antes de iniciar o negócio, você? ( ) Tinha um emprego formal ( ) Ocupava algum cargo de gerência ( ) Estudante ( ) Trabalhava informalmente 8. O que motivou a abrir o negócio? ( ) Hobby ( ) Dificuldade financeira ( ) Complemento da renda familiar ( ) Oportunidade encontrada ( ) Realização pessoal ( ) Desejo de independência ( ) por sugestão de terceiros ( ) Comercializar o produto de fabricava

22


( ) Outros

9. Em sua opinião, quais as dificuldades mais comuns para um empreendedor? ( ) obtenção de financiamento ( ) Falta de tempo ( ) Falta de acesso a informações ( ) Conciliação do trabalho com a família ( ) Falta de apoio governamental ( )Outros

10. Quantos cursos ligados ao seu negócio você fez (no ano de 2010), por iniciativa própria? ( ) Nenhum ( ) 1 ( ) 2 ( ) 3 ( ) 4 ( ) mais de 5 11. Quanto ao comportamento empreendedor:

Discordo

Discordo

Indiferente

Concordo

Concordo

Fortemente

(2)

(3)

(4)

Fortemente

(1)

(5)

É disposto a sacrifício para atingir metas Procura ter conhecimento profundo das necessidades dos clientes Corre ricos calculados (analisa tudo antes de agir) Não tem medo de falhar É ciente de suas fraquezas e forças É paciente e sabe ouvir

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12. Quanto às inovações:

Discordo fortemente

Concordo fortemente Discordo

Indiferente

Concordo

(2)

(3)

(4)

(1) Acha importante sempre

(5)

inovar

Busca constantemente informações para melhorar meu produto Prefere se dedicar na concepção de novas idéias, a gerenciar meu negócio Discute e põe em pratica as idéias que são inovadoras Caso necessário, busca financiamentos ou empréstimos visando à melhoria do meu negócio

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A00039