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FLUXO DE CAIXA DIÁRIO, uma ferramenta de apoio à tomada de decisão e imprescindível no gerenciamento das micro-empresas e empresas de pequeno porte. Samora Leal Guedes1

Resumo O Fluxo de Caixa Diário mostra-se como uma ferramenta de fundamental importância no planejamento e no controle financeiro. O fluxo de caixa é o propulsor financeiro da empresa. O presente estudo apresenta como objetivos gerais e específicos: determinar os rumos a serem seguidos pelos gestores e pelas empresas. O objetivo geral deste trabalho é demonstrar a aplicabilidade do fluxo de caixa diário realizado e previsto, como ferramenta de auxilio às tomadas de decisões de melhoria do processo de gestão dos recursos. Para os gestores de empresas a implementação do Fluxo de Caixa fica mais sacrificante, pois, destas empresas, a maioria não dispõe de sistemas integrados de informações. Cabe então ao profissional contábil a missão de fazer a integração entre o gestor e a informação de maneira eficaz. Após análise vários conceitos de diferentes autores é perceptível a importância do Fluxo de Caixa Diário. De fato trata-se de uma ferramenta bastante útil, e até indispensável, no processo de gestão da liquidez da empresa. Palavras–chave: Fluxo de Caixa, Gestores, ERP, Gestão da Liquidez. DAILY CASH FLOW, an tool of support to make a decision and indispensable in management of the micro-companies and smallscale companies.

Abstract The Daily Cash Flow is shown as a tool of fundamental importance in planning and financial control. Cash flow is the engine of the financial company. This study shows how general and specific goals: to determine the directions to be followed by managers and firms. The aim of this paper is to demonstrate the applicability of the daily cash flow and projected as a tool to aid the decision making process for improving the management of resources. For managers of companies to implement the cash flow is more sacrificial, because these companies most do not have integrated information systems. It is then up to the task of accounting professional to do the integration between the manager and the information effectively. After examining various concepts of different authors is noticeable the importance of Cash Flow Daily. In fact it is a very useful tool, and even indispensable in the process of managing the company's liquidity. Key words: Cash Flow, managers, ERP, management of the liquidity.

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Bacharelando do Curso de Ciências Contábeis pela Fainor no ano de 2010; Email: samoraguedes@gmail.com . Professor Orientador: Carlos Alberto Góes de Carvalho M. Sc. Professor de TCC: M.Sc. Carlos Fernando Faria Leite Trabalho desenvolvido na graduação em Ciências Contábeis


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1. INTRODUÇÃO No decorrer deste artigo, será apresentado um breve histórico, como também alguns conceitos sobre fluxo de caixa diário. Será demonstrada a necessidade de informações das empresas e de seus gestores em seus processos de decisórios e gerenciamentos dos negócios. Diante do exposto, será discutido qual será o papel da contabilidade com a utilização desta ferramenta, sua forma de atuação e posicionamento em relação aos impactos que poderão surgir no ambiente empresarial. Em um ano o País perde cerca de 1,2% do Produto Interno Bruto - PIB, R$15,6 bilhões, só com o fechamento das micro-empresas e empresas de pequeno porte no estado de São Paulo, este número é conseqüência do encerramento das atividades de 78 mil empresas, a eliminação de 335 mil a 530 mil postos de trabalhos, no prejuízo de R$1,6 bilhão na poupança pessoal (capital investido) e da perda de R$14,0 bilhões de faturamento anual; e de cada grupo de dez empresas, cinco não conseguem completar três anos de sobrevivência, causando assim enormes prejuízos para os funcionários, proprietários e conseqüentemente para a sociedade em que está inserida; dados extraídos de uma pesquisa efetuada pelo Sebrae de São Paulo em dezembro de 2003. Para que uma empresa possa ter seus lucros administrados de maneira eficaz, é indispensável que ela tenha algumas ferramentas de controle financeiro. O gestor precisa de informações contábeis confiáveis e tempestivas para ajudá-lo em seu processo de gestão. Neste sentido o Fluxo de Caixa Diário torna-se de fundamental importância no planejamento e no controle financeiro, a liquidez (DOLABELLA, 2002). Queji (2002) afirma que como instrumento de gestão, tem sido pouco explorado no meio empresarial, em especial pelas micro-empresas e empresas de pequeno porte. Como exemplo: Por que não utilizarmos o seu valor informativo em forma de demonstração financeira contábil, visando atender às necessidades dos usuários internos e externos? Além disso, o Fluxo de Caixa tem sido elaborado, na maioria das vezes, pela área financeira que utiliza dados existentes na contabilidade. Sendo que, o contador poderia utilizar-se das informações de que a contabilidade já dispõe, e com agilidade e segurança, elaborar o fluxo de caixa da


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empresa, colocando à disposição da administração mais um importante instrumento de tomada de decisão. Partindo da premissa de que todos os membros e departamentos estão envolvidos com os processos e com as atividades da empresa, de maneira a resguardar e maximizar os recursos desta, o fluxo de caixa diário pode ajudá-los e apoiá-los em seus processos decisórios de forma que possam atingir resultados significativos para entidade (DOLABELLA, 2002). Com a implementação do fluxo de caixa diário teria a empresa um melhor gerenciamento de sua liquidez, com o propósito de manter o equilíbrio financeiro, reduzir despesas e uma melhor aplicação dos recursos excedentes? O objetivo geral deste trabalho é demonstrar a aplicabilidade do fluxo de caixa diário realizado e previsto, como ferramenta de auxilio às tomadas de decisões e de melhoria do processo de gestão dos recursos; espera-se que deste modo, as empresas tenham maiores benefícios com os resultados oriundos destas decisões, tornado-as mais sólidas, competitivas e com maior capacidade de crescimento. Para tal, será necessário o cumprimento dos objetivos específicos de entender o papel do fluxo de caixa financeiro diário realizado e previsto; mostrar que a contabilidade é capaz de adentrar às empresas de forma eficaz por conta de ser detentora de informações essenciais para tomada de decisões. As empresas, em especial as micro-empresas e empresas de pequeno porte, têm necessidades de um gerenciamento financeiro mais atual e maior controle dos recursos da organização, para que busque sempre a melhoria de desempenho; o fluxo de caixa apresenta-se como uma das ferramentas mais completas para auxiliar o processo de gestão; o fluxo de caixa é de fundamental importância no planejamento e no controle financeiro, como instrumento imprescindível na gestão empresarial. A metodologia utilizada uma pesquisa bibliográfica, uma vez que tem o objetivo de gerar conhecimento para aplicação prática do ponto de vista da natureza e apresenta-se, do ponto de vista de seus objetivos, como uma pesquisa exploratória.


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2. FLUXO DE CAIXA DIÁRIO O Fluxo de Caixa Diário é de fundamental importância no planejamento e no controle financeiro, como instrumento imprescindível na gestão empresarial. Quando um empresário anota, em uma folha de papel avulsa, o que ele recebeu a vista, pagou com cheque ou com dinheiro, ele está neste momento elaborando o fluxo de caixa realizado no dia de sua empresa, porém o saldo positivo que é encontrado nem sempre é lucro, podendo ser o capital. Denomina-se por fluxo de caixa ao conjunto de ingressos e desembolsos de numerário ao longo de um período projetado. O fluxo de caixa consiste na representação dinâmica da situação financeira de uma empresa, considerando todas as fontes de recursos e todas as aplicações em itens do ativo. De forma mais sintética pode-se conceituar: é o instrumento de programação financeira, que corresponde às estimativas de entradas e as saídas de caixa em um certo período de tempo (ZDANOWICZ, 1986, p. 40).

Estas informações agrupadas de forma sistemática e contínua trazem uma melhor visão do ambiente financeiro da empresa, também acrescentando as informações de vendas a prazo e das obrigações futuras, sendo que se as obrigações estiverem além das vendas a receber, terá este gestor a noção de que o saldo positivo encontrado no dia não deve ser gasto ou re-investido. Pois as obrigações são líquidas e certas, e as duplicatas a receber dependem de variáveis externas, como por exemplo: o risco de crédito, para sua realização. O caixa de uma empresa gera lucro à medida que sua disponibilidade para aplicação permite o recebimento de juros. Da mesma forma, a ausência de caixa impacta o resultado à medida que se paga os encargos cobrados pelos recursos de terceiros, tornando o resultado menor [...] (FREZATTI, 1997, p. 28).

As informações contábeis geradas por uma empresa dão suporte nas decisões de negócios, em tempo real e de maneira hábil. O fluxo de caixa deve ser diário e estas informações têm de estar disponíveis aos usuários também diariamente, onde conforme os fatos vão ocorrendo os mesmos vão para analise dos interessados. 2.1 Objetivos do Fluxo de Caixa O fluxo de caixa é o “volante” financeiro da empresa e mostra quanto, quando e como aplicar, para o longo, curto ou curtíssimo prazo, os recursos excedentes da empresa.


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O principal objetivo do fluxo de caixa é dar uma visão das atividades desenvolvidas, bem como as operações financeiras que são realizadas diariamente, no grupo do ativo circulante, dentro das disponibilidades, e que representam o grau de liquidez da empresa (ZDANOWICZ, 1986, p. 41).

Por isso o fluxo de caixa tem como um de seus objetivos: de determinar os rumos a serem seguidos pelos gestores e pelas empresas. E determinado assim os rumos a serem seguidos, quando bem elaborado e bem analisado, conduz o gestor e conseqüentemente a empresa ao caminho dos lucros e crescimento. Um dos principais objetivos do fluxo de caixa é otimizar a aplicação de recursos próprios e de terceiros nas atividades mais rentáveis pela empresa. Acresce-se que, numa conjuntura econômica, como a brasileira, nenhuma empresa pode se dar ao luxo de deixar seus recursos ociosos (ZDANOWICZ, 1986, p. 41).

O fluxo de caixa é uma analise aprofundada da origem e da aplicação do dinheiro, de uma determinada organização, que transitou pela mesma durante determinado período de tempo, objetivando também a avaliação de alternativas de investimento e controle das decisões que serão tomadas, contudo tem que haver um reflexo monetário. Exemplos claros dos objetivos do fluxo de caixa são: facilitar análise e cálculo na seleção das linhas de crédito a obter; detectar antecipadamente as carências de recursos; planejar desembolsos evitando acúmulo de compromissos vultosos em época de pouco encaixe; quantificar os recursos próprios disponíveis para investimentos; intercambiar os diversos departamentos com área financeira; usar eficientemente/eficazmente recursos disponíveis; financiar necessidades sazonais ou cíclicas da empresa; prover recursos para expansões (planta, operacional, etc.); manter determinado nível de caixa em função do capital de giro; auxiliar na análise dos valores a receber e estoques, para verificar sua conveniência; aplicar os excedentes de caixa; programar convenientemente empréstimos ou financiamentos; projetar plano efetivo de resgate de débitos; e integrar os controles financeiros da

empresa. 2.2

Instrumento de Gerenciamento e tomada de decisão Como já foi relatado na introdução a respeito de que O Fluxo de Caixa Diário

é de fundamental importância no planejamento e no controle financeiro, como instrumento imprescindível na gestão empresarial. Um instrumento gerencial é aquele que permite apoiar o processo decisório da organização, de maneira que ela esteja orientada para os resultados pretendidos. Considerar o fluxo de caixa de uma organização um


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instrumento gerencial não significa que ela vá prescindir da contabilidade e dos relatórios gerenciais por ela gerados. Ao contrário, com o fortalecimento dos relatórios gerenciais gerados pela contabilidade se pretende aliar à potencialidade do fluxo de caixa para melhor gerenciar suas decisões. (FREZATTI, 1997:28).

E como instrumento de gerenciamento empresarial, não tem sido utilizado e pouco explorado no meio empresarial das micro-empresas e empresas de pequeno porte, justamente as empresas que mais necessitam de um controle financeiro diário. Volta-se a salientar que o Fluxo de Caixa tem sido elaborado, na maioria das vezes pela área financeira que utiliza dados existentes nas micro e pequenas empresas. Sendo que, o contador poderia utilizar-se das informações de que a contabilidade já dispõe, e com agilidade e segurança, elaborar o fluxo de caixa da empresa, colocando à disposição da administração mais um importante instrumento de tomada de decisão. Para analisar o fluxo de caixa de uma empresa é preciso saber distinguir uma simples gestão de caixa de uma boa gestão de caixa. Em ambas deve ocorrer o esperado equilíbrio entre as entradas e as saídas de caixa [...] O fluxo de caixa de uma empresa não depende exclusivamente do administrador financeiro, pois decorre de múltiplas decisões (de diferentes áreas). (MATARAZZO, 1998, p. 315).

A gestão financeira responsável é uma das ferramentas mais importantes para garantir o sucesso de uma empresa. O objetivo de qualquer empresa é ter lucro. E, para que isso aconteça, o empresário tem de dar muita atenção a tudo o que acontece com o caixa da sua empresa. Antes de tudo, o empreendedor tem de saber produzir alguma coisa e, também, estudar como esse produto pode lhe trazer dividendos. Na seqüência, deve medir custos e estabelecer um preço que seja acessível aos seus clientes e que também lhe proporcione um lucro razoável (CURADO, 2006).

Implementando essa política, é muito importante seguir de perto o fluxo de caixa da empresa. A grande maioria de empresários opta por contratar um contador externo para fazer esse serviço. Ainda segundo Curado (2006), é de suma importância que haja um acompanhamento de caixa diário, feito pelo próprio proprietário ou por um funcionário designado para cumprir essa função. Baseando-se nessa projeção, a análise do fluxo de caixa irá permitir ao empresário:  Avaliar a capacidade da empresa;


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 Gerar recursos para suprir o aumento das necessidades de capital de giro geradas pelo nível de atividades; e  Remunerar os proprietários da empresa, efetuar pagamento de impostos e reembolsar fundos oriundos de terceiros. Com base nesses dados, pode-se ter um indicativo não somente sobre o valor dos financiamentos que a empresa necessitará para desenvolver as suas atividades, mas também quando e como ele será utilizado. Uma boa análise do fluxo de caixa diário irá permitir uma projeção mais clara sobre a vida econômica da empresa que pode ser realizada mensalmente. Os relatórios provenientes do sistema contábil são os principais instrumentos de gestão empresarial, tendo como objetivo fornecer informações relevantes para que cada usuário possa tomar suas decisões com segurança. No entanto, com a crescente complexidade das organizações informações

clássicas

da

contabilidade,

empresariais, somente com as ou

seja,

Balanço

Patrimonial

e

Demonstração de Resultado do Exercício - DRE, dificilmente o gestor terá conhecimento imediato e oportuno da verdadeira liquidez da sua empresa. Não basta a empresa apresentar lucro contábil. É preciso que a equação “Ativo Circulante vs. Passivo Circulante” esteja compatível com sua necessidade de capital de giro. Isto faz com que o gestor se utilize de todos os instrumentos disponíveis que, juntamente com os demais demonstrativos contábeis, ajude-o a interpretar a realidade financeira da empresa, conhecendo e coibindo eventos estranhos que possam afetar o seu desempenho financeiro. Assim, o fluxo de caixa apresenta-se como uma ferramenta de aferição e interpretação das variações dos saldos do Disponível da empresa. É o produto final da integração do Contas a Receber com o Contas a Pagar, de tal forma que, quando se comparam as contas recebidas com as contas pagas tem-se o fluxo de caixa realizado, e quando se comparam as contas a receber com as contas a pagar, temse o fluxo de caixa projetado. (Sá, 1998:03) O fluxo de caixa é um retrato fiel da composição da situação financeira da empresa. É imediato e pode ser atualizado diariamente, proporcionando ao gestor uma radiografia permanente das entradas e saídas de recursos financeiros da empresa. O fluxo de caixa evidencia tanto o passado como o futuro, o que permite


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projetar, dia a dia, a evolução do disponível, de forma que se possam tomar com a devida antecedência, as medidas cabíveis para enfrentar a escassez ou o excesso de recursos. Figura 1 Contas a Receber

Contas a Pagar

Fluxo de Caixa

Caixa

Bancos

Aplicações

O fluxo de caixa é o produto final da integração das Contas a Receber com Contas a Pagar. Fonte: (Sá, 1998:10)

Por outro lado é importante ressaltar que o fluxo de caixa também apresenta suas limitações. Uma delas é a incapacidade de fornecer informações precisas sobre o lucro e sobre os custos dos produtos da empresa. Isto porque as apurações e demonstrações são realizadas pelo regime de caixa e não pelo regime de competência. Todavia, pode-se afirmar que o fluxo de caixa é um instrumento de controle e análise financeira que juntamente com as demais demonstrações contábeis torna-se efetivamente um instrumento de apoio à tomada de decisões de caráter financeiro. Além de permitir avaliar a configuração do desenvolvimento da política de captação e aplicação de recursos, o acompanhamento entre o fluxo projetado e o efetivamente realizado, permite identificar as variações ocorridas e as causas dessas variações. Para a preparação do fluxo de caixa diário, a empresa precisa montar uma rede de informações organizadas que possibilitem a visualização das contas a receber, contas a pagar e de todos os desembolsos geradores dos custos fixos. 2.3

Relatórios e estrutura do Fluxo de Caixa O Fluxo de Caixa é composto por três grupos, sendo cada um deles referente

a um tipo de atividade:


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 Atividades Operacionais – onde são explicadas pelas receitas e gastos decorrentes da industrialização, comercialização ou prestação de serviços da empresa. Estas atividades têm ligação com o capital circulante líquido da empresa;  Atividades de Investimento – que são os gastos efetuados no Realizável a Longo Prazo ou no Ativo Permanente, bem como as entradas por venda de ativos imobilizados;  Atividades de Financiamentos –são os recursos obtidos do Exigível a Longo Prazo e do Patrimônio Líquido. Devem ser incluídos aqui os empréstimos e financiamentos de curto prazo. As saídas correspondem à amortização destas dívidas e os valores pagos aos acionistas a título de dividendos, distribuição de lucros. É relevante observar que soma dos três grupos, deve ser exatamente igual, a variação ocorrida no período, do grupo disponibilidades. 2.3.1 Fluxos de Caixa Realizado e Previsto A finalidade do fluxo de caixa realizado é mostrar como se comportaram as entradas e as saídas de recursos financeiros da empresa em determinado período. O estudo cuidadoso do fluxo de caixa realizado, além de propiciar análise de tendência, serve de base para o planejamento do fluxo projetado. Outro aspecto que deve ser considerado é a comparabilidade que existe entre os fluxos de caixa realizado e o projetado. Isto possibilita identificar os motivos das variações ocorridas, se ocorreram por falha de projeções ou por falhas de gestão. A análise das variações ocorridas no fluxo de caixa permite identificar as causas de eventuais divergências de valores; funciona como feedback, gerando informações para o processo decisório e para o planejamento financeiro futuro. O objetivo principal do fluxo de caixa projetado é informar como se comportará o fluxo de entradas e saídas de recursos financeiros em determinado período, podendo ser projetado a curto ou a longo prazo. A curto prazo busca-se identificar os excessos de caixa ou a escassez de recursos dentro do período projetado, para que através dessas informações se possa traçar uma adequada política financeira. A longo prazo, o fluxo de caixa projetado, além de identificar os possíveis excessos ou escassez de recursos, visa também obter outras informações importantes, tais como:


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 Verificar a capacidade da empresa de gerar os recursos necessários para custear suas operações;  Determinar o capital em giro no período;  Determinar o Índice de Eficiência Financeira da empresa. (IEF = capital em giro / capital de giro da empresa);  Determinar o grau de dependência de capitais de terceiros da empresa; etc. Quando se projeta a longo prazo, o que se conhece são apenas projeção das operações de ingressos e/ou desembolsos de recursos financeiros, ficando o fluxo de caixa projetado a longo prazo exposto a eventos estranhos ao conhecimento primário por parte da empresa, podendo comprometer as previsões consideradas. Diante da abertura de mercado e da internacionalização de capitais, os investidores e financiadores de capitais buscam a cada dia mecanismos que permitam uma análise mais segura da situação financeira da empresa em que pretendam investir. As informações obtidas através das demonstrações contábeis clássicas não são suficientes para que os analistas de mercado avaliem os riscos e a capacidade de retorno do investimento que a empresa oferece. Segundo Yoshitake e Hoji (1997, p.149) os analistas de balanços com visão moderna dão mais importância ao fluxo de caixa: Não é muito importante saber se uma empresa teve lucro ou prejuízo em determinado exercício, pois o resultado pode ter sido maquilado por algum artifício contábil permitido pela lei e, portanto, sem conhecer o fluxo de caixa, não se pode saber que capacidade a empresa tem em gerar receita.

Seguindo esse raciocínio, pode-se concluir que lucro não é sinônimo de caixa. De forma que a empresa pode apresentar lucro em suas demonstrações contábeis, no entanto, estar com dificuldade de geração de caixa. Ainda segundo os autores acima: “É sempre bom lembrar que as empresas quebram não por falta de lucro e sim por falta de caixa.” Cabe, porém, ressaltar, que as empresas também não sobrevivem sem lucros, pois sem remunerar o capital investido, a tendência é que as atividades operacionais consumam todo o capital de giro disponível e as levem ao processo de falência. Nos Estados Unidos, o Financial Accounting Standards Board – FASB (Comitê de Normas de Contabilidade Financeira), através do pronunciamento FASB


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95 de novembro de 1987, passou a exigir a apresentação da demonstração do fluxo de caixa, em substituição à DOAR, por entender que essa demonstração facilita o entendimento por parte do usuário externo. De acordo com o FASB a demonstração do fluxo de caixa tem a finalidade de fornecer informações sobre os recebimentos e pagamentos da empresa em um determinado período, que utilizadas em conjunto com as informações das outras demonstrações contábeis, possibilitarão aos investidores, credores, acionistas e outros interessados conhecerem aspectos importantes da forma de condução do negócio e avaliarem a capacidade da empresa de geração de caixa futuro. Atualmente outra ferramenta que tem proporcionado e facilitado os pronunciamentos contábeis internacionais é o International Accounting Standards Board – IASB (Organização internacional sem fins lucrativos) que tem demonstrado a vontade de transformar progressivamente os pronunciamentos contábeis anteriores em novos padrões internacionais de reporte financeiro, respondendo as expectativas crescentes dos usuários da informação financeira (analistas, investidores, instituições etc. No Brasil, as Normas Brasileiras de Contabilidade – NBC – baixadas pelo Conselho Federal de Contabilidade onde são compostas por conjuntos de demonstrações, que deveriam ser chamados de demonstrativos e também versa sobre conceitos, conteúdos, estrutura e nomenclaturas das demonstrações contábeis. A NBC, para fins de auxilio, exige entre algumas demonstrações o Balanço Patrimonial, a demonstração do resultado (Antigo Lucros e Perdas), demonstração de lucros ou prejuízos acumulados, a demonstração das mutações das origens e aplicação de recursos, demonstração do valor adicionado, demonstração do fluxo de caixa e notas explicativas. Além desses aspectos, as informações sobre as demonstrações financeiras, em especial o fluxo de caixa, poderão identificar a necessidade de financiamento a curto e em longo prazo. 2.3.2 Ciclo operacional e não operacional. A principal base estrutural do fluxo de caixa é a definição clara e objetiva do ciclo operacional e ciclo não operacional, com esta definição a entidade busca separar técnica e financeiramente dentre todas as suas operações aquelas que estão totalmente ligadas às atividades, as que estão pouco ligadas e as que não trazem ligação nenhuma.


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Iudícibus, Martins e Gelbcke (2002) comentam que as operações que estão totalmente ligadas às atividades e as que não trazem ligação nenhuma, estas são mais fáceis e rapidamente definidas dentro do ciclo, as primeiras entrarão no ciclo operacional e as ultimas no ciclo não operacional; porém, é preciso tomar muito cuidado com as operações que estão pouco ligadas às atividades da entidade, estas devem ser definidas de forma objetiva e clara para que não deixe dúvidas quanto a sua classificação, tanto para os setores de classificação e de entradas de dados como também para o setor que confecciona e para o que analisa e decide. Faz-se necessário que todas as pessoas envolvidas neste processo tenham com clareza as definições deste ciclo e que sejam freqüentemente treinadas e habilitadas para tal responsabilidade. Pois, a classificação inadequada de uma conta ou uma grupo de contas pode levar a gestão a tomar decisões errôneas, causando assim de pequenos transtornos a prejuízos irreparáveis, já que as informações não foram expressas de maneira correta para que tivesse uma boa análise. Conforme Queji, (2002 apud Assaf Neto e Silva, 1997); afirmam que o fluxo de caixa não deve ser preocupação exclusiva da área financeira, mas sim de todos os setores da empresa. 2.4 Estrutura do plano de contas do fluxo de caixa e vantagens da utilização. O plano de contas do fluxo de caixa tem sua estrutura livre podendo ser confeccionado sem qualquer relação com a contabilidade (balancete) ou com a área financeira (fluxo de caixa); já que podem aparecer códigos novos e serem desativados outros em uso, isto tanto no plano de fluxo como no plano de contas contábil. Geralmente o que tem visto é a utilização do plano de fluxo estruturado de acordo com a estrutura a contábil e seguindo também a visão financeira na qual se deseja obter nos relatórios do fluxo de caixa. Se esta estruturação estiver interligada como mencionado, o usuário do plano poderá ter pouquíssimas dificuldades, ou quase nenhuma, no momento da classificação dos lançamentos, que é o berço do fluxo de caixa. Queji (2002, p.34 tese) fala que “Do ponto de vista das informações, o ideal seria a empresa manter seu fluxo de caixa diário de tesouraria e integrar com as informações advindas do Fluxo de Caixa Contábil”.


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O fluxo de caixa se subdivide em: Fluxo das operações: que representa as atividades decorrentes da exploração do objeto social da empresa seja com o recebimento da venda de mercadorias ou de prestação de serviços. Ajuda a avaliar como a empresa está controlando seu capital de giro. Fluxo dos financiamentos: refere-se a empréstimos e financiamentos captados pela empresa. Serve para verificar se a mesma está alongo prazo tomando mais dinheiro emprestado do que pagando suas dividas; e fluxo dos investimentos: ligado às aquisições do ativo imobilizado. Indicam se a empresa investiu e em que investiu. A demonstração de fluxo de caixa propicia aos analistas financeiros uma fonte segura para melhor elaborar seus planejamentos financeiros, como também serve a outros usuários a forma com que a empresa gerou o caixa, ou até mesmo como utilizou os recursos e valores equivalentes ao caixa. Muitas empresas vão à falência por não possuir um fluxo de caixa estruturado e com a falta de um bom planejamento. Geralmente não sabem quando a mesma talvez necessite de um empréstimo e em que valor, tomando consciência do mesmo somente quando o caixa encontra-se no vermelho. O fluxo de caixa serve para demonstrar através de números porque houve alteração em determinado período. Essas informações são utilizadas para avaliar a liquidez e flexibilidade financeira da empresa. Também pode auxiliar no planejamento de um orçamento de negócios visando resultados futuros. O caixa de uma empresa apresenta indícios de lucro na medida em que suas disponibilidades para aplicações permitem o recebimento de juros. A depreciação e a amortização são fatores que influenciam no lucro, porem não movimentam entrada ou saída de recursos. Ao analisarmos todos os objetivos do fluxo de caixa, podemos identificar algumas vantagens que a implementação desta ferramenta gerencial traz para a vida financeira e econômica da empresa. Dentre as inúmeras vantagens decorrentes da utilização do Fluxo de Caixa, segundo Zdanowicz (1986, p. 41) destacam-se: “visão integrada do caixa, acompanhamento de competitividade e desempenho, equilíbrio financeiro de caixa e visão dos principais fornecedores.” A observação com relação ao caixa passa a ser visualizada por todos os membros da entidade, que a ela tenham acesso, de modo que cada um possa contribuir para se buscar a boa gestão da liquidez, através do acompanhamento, controle e aumento de entradas e ou redução de saídas. Para Zdanowicz (1986;


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p.41) uma das vantagens do fluxo de caixa é proporcionar o intercâmbio dos diversos departamentos da empresa com a área financeira. Ao se projetar um Fluxo de Caixa, alguns parâmetros de desempenho devem ser definidos. Por exemplo, quanto a entidade deseja vender no período, essa projeção está modesta ou agressiva para o momento tomando por base a situação que encontra o mercado. Se a entidade precisa de promoções e propagandas para que a venda seja satisfatória e equiparada à projeção agressiva efetuada. Com esses indicadores de desempenho a entidade norteia-se quanto aos seus objetivos e metas a serem alcançadas. O fluxo de caixa tem a vantagem de: providenciar recursos para atender aos projetos de implantação, expansão, modernização ou relocalização industrial e ou comercial; analisar a conveniência de serem comprometidos os recursos pela empresa e participar e integrar todas as atividades da empresa, facilitando assim os controles financeiros. (ZDANOWICZ, 1986, p. 41).

A análise do equilíbrio financeiro de caixa permite à empresa conhecer seu ponto de equilíbrio com relação ao caixa, ou seja, determinar qual o volume de capital mínimo necessário, para que a empresa possa arcar com suas despesas do dia-a-dia. Este procedimento evita situações prejudiciais à empresa como a falta de caixa, o que pode gerar dívidas com empréstimos e o excesso de caixa, situação esta referente a uma reserva muito alta de capital no caixa e que poderia ser reaplicada em outros investimentos (custo de capital). O fluxo de caixa constitui-se em instrumento essencial para que a empresa possa ter agilidade e segurança em suas atividades financeiras. Logo, o fluxo de caixa deverá refletir com precisão a situação econômica da empresa em termos financeiros futuro. (ZDANOWICZ, 1986; p.15).

Permite também que a empresa possa conhecer quais são seus principais fornecedores; tanto em relação ao desembolso mensal como em relação aos seus produtos mais significativos. Com isso, é possível se traçar uma linha de relacionamento que vai deste um simples contato telefônico a contrato de parceria registrado em cartório, no intuito de solucionar possíveis falta de liquidez da entidade cobrando juros mais acessíveis e até mesmo negociações com juros zero. Dentre outras situações de controle que pode ocorrer, citaremos o fato de a empresa estar com uma boa liquidez (acima do esperado para o período), pode-se negociar antecipação de pagamentos que se consigam taxas mais atraentes que as


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praticadas no mercado financeiro. Ainda segundo Zdanowicz (1986; p.41); outra vantagem do fluxo de caixa é estudar um programa saudável de empréstimos e financiamentos. 3. CONTROLE INTERNO Toda empresa, por menor que seja, tem um sistema de controle interno; um computador processa todos os dados, armazena trilhões dados e faz cópias de segurança; seja em um caderno, anotando-se tudo que é comprado, vendido, trocado e ou devolvido. Pode-se ver que é a partir destes controles que o gestor parte para gerenciar o negócio, e caso esteja utilizado esta informações de maneira sistematizada terá condições de elaborar relatórios e as demonstrações que poderão auxiliá-lo em seu processo decisório. O controle interno não é, necessariamente, um complexo sistema de rotinas e procedimentos burocráticos. A arte e a sensibilidade do administrador residem exatamente na capacidade de implantar sistemas de controle que apresentem uma relação custo-benefício favorável e suportável pela empresa. Portanto, para que o controle seja bem sucedido é preciso, a priori, um bom sistema de informação a fim de identificar o que realmente deve ser realizado na entidade e qual a melhor decisão a ser tomada. O AICPA, American Institute of Certified Public Accountants, por meio do Relatório Especial da Comissão de Procedimentos de Auditoria, define: O Controle Interno compreende o plano de organização e o conjunto coordenado dos métodos e medidas, adotados pela empresa, para proteger seu patrimônio, Verificar a exatidão e a fidedignidade de seus dados contábeis, promover a eficiência operacional e encorajar a adesão à política traçada pela administração (ATTIE, 2000, p.110).

Dentro de uma organização, é necessário que se façam e se cumpram normas e procedimentos para tornar a administração mais versátil. Estimulando estes, far-se-á com que seus empregados tornem-se mais responsáveis, evitando e desestimulando os mesmos de tornarem-se desonestos ou negligentes. Segundo os autores Boynton,W.C.; Johnson,R.N.; Kell,W.G., (2002, p.113) temos a seguinte definição:


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Controles

Internos:

são

um

processo

operado

pelo

conselho

de

administração, pela administração e outras pessoas, desenhado para fornecer segurança razoável quanto à consecução de objetivos nas seguintes categorias:  Confiabilidade de informações financeiras;  Obediência (compliance) às leis e regulamentos aplicáveis;  Eficácia e eficiência de operações. Diante desses conceitos, pode-se afirmar que o controle interno envolve todas as atividades e rotinas, de natureza contábil e administrativa, com o intuito de organizar a empresa de tal forma que seus colaboradores compreendam, respeitem e façam cumprir as políticas traçadas pela administração; os ativos tenham sua integridade protegida; e por fim que, todas as operações da empresa sejam adequadamente registradas nos registros contábeis e fidedignamente retratadas pelas demonstrações financeiras. 3.1 Sistema de Controle Interno – Enterprise Resources Planning (ERP) O termo ERP serve tanto para as grandes companhias como para as pequenas empresas, já que cada uma delas tem, a seu modo, o seu sistema integrado de gestão dos recursos. O fato é que o ERP que as pequenas empresas utilizam estão dentro dos escritórios de contabilidade, e longe deste sistema e das informações por ele geradas fica o gestor perdido em seu gerenciamento e sem uma ferramenta que possa auxiliá-lo em suas tomadas de decisão. Trata-se de um sistema composto por vários módulos integrados entre si e com a contabilidade, a partir de uma base de dados única e não redundante, que tem como função atender às necessidades de informação para apoio à tomada de decisão (COSTA, 2001).

Os sistemas ERP podem também ser definidos como sistemas de informação integrados, adquiridos na forma de pacotes de softwares comerciais, com a finalidade de dar suporte à maioria das operações de uma empresa (suprimentos, manufatura,

manutenção,

administração

financeira,

contabilidade,

recursos

humanos, entre outros). Cabe então ao profissional contábil a missão de fazer a integração entre o gestor e a informação, trazendo-lhe relatórios, demonstrações e análises da empresa, do mercado e do meio-ambiente, de forma tempestiva e segura; para que o mesmo se sinta apoiado em suas decisões, certo de que está sendo bem auxiliado


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e que tem do seu lado um profissional que agrega valor, principalmente nos momentos em que é mais exigido. Além da mudança cultural, a Contabilidade necessitava de uma mudança nos meios como era executada, precisava cada vez mais operacionalizar as suas atividades, e para isso, o contador precisava estar atualizado com as ferramentas tecnológicas existentes no mercado. Uma delas é o ERP conhecido também, segundo Costa, (2003), (apud Colangelo Filho; 2001), como Sistemas Integrados de Gestão ou Sistemas Empresariais Integrados, considerando como um software aplicativo que permite às empresas, compartilhar dados e uniformizar processos de negócios, bem como, produzir e utilizar informações em tempo real. (COSTA 2003, apud Corrêa; 2001).

A solução ERP visa integrar as informações dentro de uma empresa, tendo como função principal criar um único fluxo de informação. Para isso, é fundamental integrar as informações em um banco de dados único para toda a organização, ao contrário do que acontece na maioria dos sistemas que possuem um banco de dados para cada aplicação. Com isso, consistência e veracidade de dados aumentam e, conseqüentemente a fidedignidade do fluxo de informações e das informações propriamente ditas. Um projeto de tecnologia da informação para implantação de um sistema integrado de gestão baseado em ERP só terá resultado positivo se a empresa tiver definidas suas metas de mercado, souber antes onde quer chegar, qual é a estratégia a seguir e qual a tecnologia necessária. Uma vez definidas as necessidades e metas, o passo seguinte é a integração e o controle de informações operacionais da empresa. Apesar de ter uma estrutura básica, o ERP será customizado para fornecer as informações desejadas pela empresa e ajudá-la a atingir objetivos futuros. Por isso o ERP deve visto como uma ferramenta não só para as grandes, como para médias empresas e encarado como investimento e não como custo. É a tecnologia possibilitando a redução de custos pela automação do processo e pela agilidade. 3.1.1 Ciclo de Vida de Sistemas ERP O ciclo de vida representa as diversas etapas pelas quais passam um projeto de desenvolvimento e utilização de sistemas de informação. Os modelos tradicionais de desenvolvimento são análise de viabilidade; análise de sistemas, incluindo análise de requisitos; projeto de sistemas e implementação.


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Segundo Souza & Zwicker (2000), o ciclo de vida de pacotes comerciais deve ser considerado de maneira diferente dos tradicionais, pois não se trata efetivamente de desenvolvimento, mas sim de aquisição e adaptação de um sistema comercial desenvolvido para atender diversas empresas. Neste caso, as funções e características

de

diversos

produtos

disponíveis

no

mercado

devem ser

apresentados aos usuários para que se possa verificar a adequação destes produtos aos requisitos das empresas.


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4. CONSIDERAÇÕES FINAIS O Fluxo de Caixa tem como objetivo apoiar o processo decisório e servir de ferramenta de gestão financeira empresarial. O Profissional Contábil tem, além da missão de acabar com o extinguir o pensamento que o Contador é o “mal necessário” e só serve para calcular os impostos do governo; de estar sempre atualizado profissional e tecnologicamente para oferecer aos seus clientes, os gestores e as empresas, conhecimentos e ferramentas que possa ajudá-los a gerir seus empreendimentos de forma segura e no caminho do crescimento. Ficou caracterizado que o gerenciamento de um negócio empresarial suportado pela adoção do fluxo de caixa diário torna mais ágil, mais segura e mais eficiente a ação daqueles que estão diretamente ligados à área financeira e facilita o entendimento das pessoas que não fazem parte desta área, mas que, de uma forma ou de outra, precisam das informações da situação financeira empresarial, uma vez que os seus objetivos são os de informar precisamente a saúde da empresa de uma forma eficiente e eficaz. Com a observação de alguns eixos das demonstrações, pode-se conseguir melhoramentos significativos para as micro e pequenas empresas. Também não precisa de muito aparelhamento para que se trabalhe de forma positiva e satisfatória, mas é necessário investimento em profissionais capacitados, habilitados e credenciados, para que a existência de uma cultura de planejamento possa gerar resultados positivos, tranqüilidade e lucro para a empresa, funcionários e empresários. Com relação ao objetivo geral deste trabalho concluímos que o Fluxo de Caixa Diário representa, de fato, uma ferramenta útil no processo de gerenciamento da liquidez da empresa. E é “o volante financeiro da empresa”, aquele que irá ajudar o gestor a conduzir a empresa para a trilha da boa liquidez, e conseqüentemente na redução de despesas, almejando os lucros, que o pilar do crescimento e da continuidade das empresas no mercado. Dentre as recomendações para trabalhos finais que o tema abrange, citaremos três para reflexão dos próximos acadêmicos que optarem pela matéria:


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Uma Pesquisa de campo para identificar num determinado universo, quantas empresas utilizam o Fluxo de Caixa Diário, o grau de satisfação com a ferramenta. Outra recomendação seria um estudo prático onde um grupo de acadêmicos selecionaria um grupo de empresas que não utilizam a ferramenta e implementariam esta ferramenta nestas empresas, então fariam um acompanhamento do desempenho antes e após a utilização do fluxo de caixa diário. E por fim pode-se fazer uma pesquisa com uma comparação entre o fluxo de caixa diário e a demonstração do fluxo de caixa pelo método indireto, identificando possível índice e análises que venham a enriquecer a utilização das ferramentas: fluxo de caixa diário e a DFC para as empresas.


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5. REFERÊNCIAS

ATTIE, William. Auditoria: Conceitos e Aplicações. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2000. BOYNTON, W.C.; JOHNSON, R.N.; KELL W.G. Auditoria. 7ª ed. São Paulo: Atlas, 2002. BRAGA, Roberto; MARQUES, José Augusto Vieira da Costa. Avaliação da Liquidez das Empresas Através da Demonstração de Fluxos de Caixa. Revista Contabilidade & Finanças. Fipecafi-FEA-USP artigo. v.14, n.25, p.6 Jan/Abr/2001. BRIGHAM, Eugene F; HOUSTON, Joel F. Fundamentos da Moderna Administração Financeira. tradução de Mª. Imilda da Costa e Silva. Ed. Campus, 6ª ed. 1999. 713p. COLANGELO FILHO, Lúcio. Implantação de sistemas ERP (Enterprise Resources Planning): um enfoque de longo prazo. São Paulo: Atlas, 2001. 177p. CORRÊA, Henrique L; GIANESI, Irineu G. N; CAON, Mauro. Planejamento, programação e controle da produção: MRP II/ERP: conceitos, uso e implantação. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2001. 449 p. DOLABELLA, Mauricio Melo. Demonstração do Fluxo de Caixa: Um Modelo Contábil para a Gestão Financeira. In: 2º. Seminário de Contabilidade da USP, 2., 2002, São Paulo. Anais... Disponível em <http://www.eac.fea.usp.br/congressousp/seminario2/>. Acesso em: 13 out. 2010. FALCINI, Primo. Avaliação Econômica de Empresas – Técnica e Prática. Atlas, 2ª edição. 1995. 205p. FILHO, Ademar Campos. Fluxo de Caixa em Moeda Forte. Atlas, 2ª edição. 1993. 142p. FREZATTI, Fábio. Gestão do Fluxo de Caixa Diário, como dispor de um instrumento fundamental para o gerenciamento do negócio. Atlas, 1ª edição. 1997. 124p. IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens; Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. Fipecafi-FEA-USP Atlas, 5ª edição. 2000. 508p. KUME, Ricardo; SEIDEL, André, Contabilização das Variações da Necessidade de Capital de Giro. Revista Contabilidade & Finanças. Fipecafi-FEA-USP artigo. v.14, n.25, p.6 Jan/Abr/2001.


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QUEJI, Livio Marcel; Modelo de Fluxo de Caixa Prospectado para Pequenas Empresas Comerciais à Luz de seu Ciclo de Vida. Florianópolis, 2002. 158 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia da Produção) Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, 2002. SÁ, Carlos Alexandre de. Gerenciamento do fluxo de caixa. Apostila, São Paulo: Top Eventos, 1998. SILVA, Edna Lucia da, MENEZES, Estera Muszkat. Metodologia de Pesquisa e Elaboração de Dissertação. UFSC/PPGEP/LED, 3ª ed. rev. atual. 2001. 121p. SOUZA, C.A e Zwicker, R., (2000), Artigo: “Ciclo de Vida de Sistemas ERP”. Caderno de Pesquisa em Administração, São Paulo, V.1, No 11. ZDANOWICZ, José Eduardo. Fluxo de Caixa. Ed. Sagra Luzzatto, 8ª edição. 2000.

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