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1 CONTABILIDADE DE CUSTOS: UMA FERRAMENTA PARA A GESTÃO DOS CUSTOS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA E ESGOTAMENTO SANITÁRIO - UM ESTUDO DE CASO NA EMBASA VITÓRIA DA CONQUISTA. Nádia Correia Silva

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RESUMO Para auxiliar a tomada de decisões no âmbito da gestão dos recursos hídricos, a avaliação dos custos e benefícios em projetos de aproveitamento tem sido cada vez mais necessária. O presente trabalho objetiva analisar o custo de captação, tratamento e distribuição de água potável fornecida pela Empresa Baiana de Água e Saneamento - EMBASA - município de Vitória da Conquista - Ba, abrangendo tanto a produção quanto a distribuição de água e tratamento de esgoto considerando as abordagens financeira e econômica. Nesse contexto, apresenta um estudo de caso quali-quantitativo baseando-se no cálculo do custo da água. Chegando a conclusão que em uma estação de tratamento de água - ETA valoriza o seu produto, mas, também a encarece, pois se trata de produtos ou elementos os quais são utilizados em grandes quantidades e de custo alto, tendo em vista a necessidade de mensurar os mesmos, uma vez que os resultados desta pesquisa demonstram somente os custos das atividades da EMBASA. PALAVRAS CHAVES: Abastecimento de água. Contabilidade Esgotamento sanitário. Recursos hídricos. Tratamento.

de

custos.

ABSTRACT To assist decision-making under the management of water resources, the assessment of costs and benefits in projects of exploitation has been increasingly required. The present study aims to analyze the cost of collection, treatment and distribution of drinking water provided by Bahian Company of water and sanitationFOUNDS CARIMBO SOLIDÁRIO-municipality of Vitória da Conquista-Ba, covering both production and distribution of water and sewage treatment considering the financial and economic approaches. In this context, presents a case study qualiquantitative based on calculation of the cost of water. Reaching the conclusion that in a water treatment plant value your product, but also expensive, because it is products or elements which are used in large quantities and high cost, in view of the need

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Graduanda do 8º Semestre do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Independente do Nordeste – FAINOR. E-mail: nadia.silva@embasa.ba.gov.br. Professor Orientador: Abmael da Cruz Farias. Profº Co-orientador da disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso – TCC: Carlos Fernando F. Leite.


2 tomeasure the same, since the results of this survey show only the costs of the activities of THE BASE. KEY WORDS: Water supply. Cost accounting. Sewerage. Water resources. Treatment. 1 INTRODUÇÃO A contabilidade é a ciência social que estuda o patrimônio e suas mutações e tem como objeto o patrimônio e como objetivo fornecer informações estruturadas de natureza econômica, financeira, social e gerencial para suporte ao controle e planejamento, a informação e a tomada de decisão. A contabilidade deve ser vista como um instrumento indispensável para a gestão das organizações, pois ela exerce um papel central e decisivo na tomada de decisão. Contabilidade de Custos é a parte da ciência contábil que se dedica ao estudo racional dos gastos feitos para se obter um bem de venda ou de consumo. A Empresa Baiana de Águas e Saneamento - EMBASA é uma sociedade de economia mista, de capital autorizado, e como tal, pessoa jurídica de direito privado, do qual, o Governo do estado da Bahia é o acionista majoritário, responsável pelos serviços de distribuição de água e esgotamento sanitário no Estado. O tema “Contabilidade de custos: Uma ferramenta para a gestão dos custos de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário: Um estudo de caso na Embasa - Vitória da Conquista“ foi escolhido pela vontade de aprofundar a temática, pois a mesma tem um importante papel no desenvolvimento das organizações, uma vez que ela é responsável por auxiliar com informações o processo de tomada de decisão de seus clientes, seja interno ou externo. Desta forma, este trabalho respondeu a seguinte problemática: Qual o custo de captação, tratamento e distribuição de água potável fornecida à população na estação de tratamento de água - ETA? O Objetivo geral deste trabalho é analisar o custo de captação, tratamento e distribuição de água potável fornecida pela Embasa para a população de Vitória da Conquista - BA tem como objetivos específicos: apresentar os elementos de custo


3 que compõem o sistema de captação, tratamento e distribuição da água; relacionar o custo de água e suas tarifas cobradas; e, por fim, apresentar os custos dos produtos envolvidos no seu tratamento e distribuição da água. Tem-se por hipóteses: que produzir água potável tem um custo. Requer investimento de grandes cifras para construir estações de tratamento e comprar os insumos necessários para purificá-la e são vários os elementos (físicos, químicos e microbiológicos) que compõem o sistema de captação, tratamento e distribuição da água o que eleva o seu custo. Esse artigo se justifica pela necessidade de demonstrar que a água é onerosa, e o mundo atual já sofre com a escassez da água em vários países, onde a taxa cobrada pelo serviço de tratamento e abastecimento chega em até 58% do seu preço normal. Por isso se torna necessário esse estudo para que a população e também a EMBASA tome conhecimento da importância de uma maior valorização da água, e saibam as conseqüências da escassez e do custo do uso não responsável. Seria importante que as companhias detentoras de concessão de fornecimento de água tratada e do tratamento de esgoto, tivessem alinhados, processos de esclarecimento ao público usuário destes serviços. Este seria um passo importante para conseguir minimizar as perdas e consequentemente, aumentar o nível de proteção ambiental dos recursos utilizados. A necessidade deste estudo surge a partir do momento que se cria a consciência da responsabilidade desempenhada pela contabilidade dentro da sociedade, mesmo porque, a finalidade da contabilidade não é apenas gerar informações para o fisco, mas também gerar informações à sociedade dos recursos aplicados, daí, a contabilidade mostrará através dos cálculos de custeio por absorção o custo da água tratada e que muitos a desperdiçam, assim o projeto servirá como alerta para que as pessoas saibam o real custo da água e assim a valorizem mais. Realizou esta pesquisa, como forma de compreensão pessoal sobre os gastos do sistema, além de possibilitar a apresentação dos resultados


4 satisfatórios para todos os interessados em custos referentes a serviços de grande importância para a população. A Metodologia utilizada foi à pesquisa bibliográfica, exploratória, quantitativa e descritiva restrita ao custo da água potável, fornecida pela EMBASA, aos consumidores de Vitória da Conquista - Ba. Por fim, o artigo está estruturado em cinco capítulos: Introdução, Contabilidade de custos abordando conteúdo sobre os gastos para produção da água potável, Recursos hídricos do Brasil, Desenvolvimento do estudo e Método, e Análise e Discussão dos resultados. 2 CONTABILIDADE DE CUSTOS E OS GASTOS PARA PRODUÇÃO DA ÁGUA POTÁVEL A Contabilidade tem como objetivo auxiliar o processo de gestão das empresas, fornecendo informações sobre a evolução de seu patrimônio. E ainda a contabilidade de custos é o ramo da contabilidade, que além de ser um diferencial de competitividade entre as empresas, desempenha um papel relevante na identificação da estrutura de custos da empresa, e de controle das operações e de tomada de decisões, bem como tornar possível a alocação mais criteriosamente possível dos custos de produção aos produtos. A Contabilidade de Custos pode ser definida como conjunto de registros específicos, baseado na escrituração contábil e apoiada por elementos de suporte, como planilhas, cálculos e controles, utilizados para identificar, mensurar e informar os custos das vendas de produtos, mercadorias e serviços (EMBASA, 2010). Ela fornece as informações detalhadas sobre os custos que a gestão precisa planejar e controlar, acerca das operações da empresa, fornece ainda informações que permitem a gerência alocar recursos para as áreas mais eficientes e rentáveis da produção. Identificar e quantificar as atividades que compõem o processo de produção na organização é função da contabilidade de custos.


5 Algumas empresas existem para a produção de bens, outras, de serviços. E para a obtenção desses objetivos, uma série de procedimentos e métodos são adotados no dia-a-dia dessas empresas, reunindo recursos produtivos como capital, materiais diversos, recursos humanos e outros. Assim, determinadas variações patrimoniais ocorrem durante o processo de produção, conduzindo à transformação de determinados ativos em outros ativos agregando valor e atingindo seu processo final quando da venda do produto ou de serviços. A contabilidade de custos então direciona-se em mensurar de maneira eficaz as variações patrimoniais, independentes da sua natureza ou razões de sua ocorrência, que acontecem no seu ciclo operacional interno e externo. Por isso, uma eficiente aplicação da contabilidade de custos fica vinculado ao perfeito entendimento da ocorrência e do domínio sobre as variações patrimoniais que ocorrem no processo produtivo das empresas, atentando para o fato de que esse domínio deve acontecer em relação aos valores econômicos, mas, sobretudo nos aspectos físicos, visando à perfeita e correta alocação dos custos aos seus causadores. Cabe à contabilidade de custos, estabelecer os critérios e as técnicas que permitam identificar, mensurar e conseqüentemente incorporar os agregados de valores, que são em última análise os portadores finais de custos, eliminando os custos desnecessários, e, sobretudo fornecendo informações de forma tempestiva, para a tomada de decisão. O elemento essencial da Contabilidade de Custos é o próprio custo e custas. E ele se define como sendo tudo o que se investe para conseguir um produto, um serviço ou uma utilidade. É também, as aplicações para mover a atividade, sejam direta ou indiretamente, feitas na produção de bens de vendas. É o valor dado aos fatores de produção consumidos por uma firma para produzir ou distribuir produtos ou serviços, ou ambos. Os custos relacionam-se com a fabricação dos produtos, sendo normalmente divididos, em matéria-prima, mão-de-obra direta e custos indiretos de fabricação (EMBASA, 2010).


6 Destaca-se, no caso específico da Estação de Tratamento de Água - ETA, que o custo de aquisição de insumos, utilizado no processo de tratamento da água (no caso, os produtos químicos), sofrem acentuada variação ao longo do ano em função da variação das quantidades aplicadas, o que, por sua vez, também é função da qualidade da água bruta do manancial, que não sofre a ação de programas de preservação, notadamente no chamado “período úmido” durante os primeiros meses de cada ano (EMBASA, 2010). 2.1 Gastos, Investimentos, Despesas e Custos Terminologias mais utilizadas na contabilidade de custos para direcionar os gastos da empresa. 2.1.1 Gastos Para Martins (2006, p. 24), define o gasto como: [...] Compra de um produto ou serviço qualquer, que gera sacrifício financeiro para a entidade (desembolso), sacrifício esse representado por entrega ou promessa de entrega de ativos (normalmente dinheiro).

Neste caso, a compreensão que se define, é que os gastos generalizam um ou qualquer esforço que a empresa adquire e que resulta num produto ou serviço. O gasto pode ser um investimento, custo ou despesa. 2.1.2 Investimentos Wernke (2004, p. 11), define os investimentos como: [...] Gastos que irão beneficiar a empresa em períodos futuros. Enquadramse nessa categoria, por exemplo, as aquisições de ativos, como estoques e máquinas. Nesses casos, por ocasião da compra, a empresa desembolsa recursos, visando a um retorno futuro sob a forma de produtos fabricados.

Diante do exposto, qualquer imobilizado e matéria-prima adquirida serão classificadas como investimentos feitos pela Embasa na região de Vitória da Conquista, até mesmo os maquinários fabris, exceto o valor de seu desgaste com o passar do tempo, que neste caso será custos.


7 2.1.3 Despesas Neste sentido, Padoveze (2009, p. 314), descreve que [...] “ Despesas são os gastos necessários para vender e enviar os produtos. De modo geral, são os gastos ligados às áreas administrativas e comerciais. O custo dos produtos, quando vendidos, transforma-se em custo das mercadorias vendidas - CMV ou custo do produto vendido - CPV”. Logo, as despesas estão relacionadas com todos os gastos a partir da inserção dos produtos e/ou serviços no mercado, ou seja, despesa, para a Contabilidade, é o gasto necessário para a obtenção de receita. As Despesas são

gastos que não se identificam com o processo de transformação ou produção dos bens e produtos. 2.1.4 Custos Martins (2006, p. 25) textualiza custo como: [...] Gasto relativo a bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços.

Assim, um gasto pode transformar-se em investimento para custo ou despesa ou diretamente custo ou despesas. Os custos correspondem aos gastos relativos a bens ou serviços utilizados na produção de outros bens ou serviços, estando associados aos produtos ou serviços produzidos pela entidade, tais custos são consumidos pelos estoques. Como exemplos de custos podem ser citados os gastos com

matérias-primas,

embalagens,

mão-de-obra

fabril,

aluguéis,

salários,

depreciação das máquinas, dos móveis e das ferramentas utilizadas no processo produtivo. 2.1.5 Classificação de custos Quanto à formação ou natureza, os dois tipos de comportamento dos custos são encontrados na maioria dos sistemas de custos – os variáveis e os fixos.


8 Para Horngren, Foster e Datar (1997, p. 21) corrobora pois segundo os autores: [...] Um custo variável é um custo que se altera em montante em proporção às alterações num direcionador de custo. Um custo fixo é um custo que não se altera em montante apesar de alterações num direcionador de custos. Um direcionador de custos, também chamado de determinante de custo, é qualquer fator que afeta os custos totais. Isto significa dizer que uma mudança no direcionador de custo implicará uma alteração dos custos totais de um objeto de custo.

Os custos variáveis são os custos que, em bases unitárias possuem um valor que não se altera com alterações nas quantidades produzidas, porém, cujos valores totais variam em relação direta com a variação das quantidades produzidas. Os produtivos variáveis são a energia elétrica, pessoal, produtos químicos e manutenção. Todos eles são elementos necessários e impreencidíveis para que se haja realmente um bom tratamento e uma boa distribuição da água potável (EMBASA, 2010). Os custos fixos são os custos que, embora tenham um valor total que não se altera com a variação da quantidade de bens ou serviços produzidos, seu valor unitário se altera de forma inversamente proporcional à alteração da quantidade produzida, ou seja, o custo fixo total não se altera com a variação da quantidade produzida. Os fatores produtivos fixos nas estações de tratamento são: as Estações de Recalque, Reservatórios, Tubulações, Laboratórios, Máquinas e Bombas (EMBASA, 2010). Em se tratando da Estação de Tratamento de Água - ETA, os custos para a produção da água tratada são vários, desde a captação da água bruta no manancial até a distribuição da água tratada ao consumidor final (EMBASA, 2010). E como o custo esta relacionado a tudo que agrega valor ao produto ou ao serviço, a água potável tratada na Estação de Vitória da Conquista, contém uma série de itens que são aplicados ou investidos em seu processo de tratamento, a fim de produzir um produto de boa qualidade e apto para o consumo.


9 Os custos da produção da ETA se dividem em três partes: a) o custo de produção ou de fabricação, b) o custo operacional e o c) custo de aquisição de insumos somado às demais despesas necessárias para o funcionamento. No custo de fabricação do produto da água, contabiliza-se a aquisição de insumos e mais os custos operacionais. 3. RECURSOS HIDRÍCOS DO BRASIL 3.1 A Importância da Água A água é um elemento crítico e valioso para a vida humana. Compõe de 60 a 70% do nosso peso corporal, regula a nossa temperatura interna e é inevitável para todas as funções orgânicas, sem falar das outras funções essenciais que a água oferece como o seu consumo nas áreas domestica públicas, industriais, comerciais, agropecuárias e tantas outras. Além disso, é considerada solvente universal e é uma das poucas substancias que se encontra nos três estados físicos: sólido, liquido e gasoso (DE FREITAS, 2008). A água é fundamental para a sobrevivência da humanidade, influenciando também no desenvolvimento da economia e na geração de empregos, atingindo de forma mais direta a indústria, agricultura e os setores de energia e navegação. A boa qualidade da água está diretamente relacionada a uma vida saudável e à produção de riquezas de um país em desenvolvimento. A água também desempenha uma função importante nas atividades realizadas no dia-a-dia das pessoas, tanto para a preparação de alimentos, como para cuidados higiênicos diários. Para tanto, esta água precisa ser potável, e possuir qualidades especiais: ser límpida e incolor, ser inodora e insípida não contendo impurezas nem substâncias tóxicas (DE FREITAS, 2008). 3.2 Água: Direito por Lei a todo Cidadão O princípio da continuidade, também chamado de Principio da Permanência, consiste na proibição da interrupção total do desempenho de atividades do serviço


10 públicas prestadas à população e seus usuários. E como exemplo de serviço público de “caráter obrigatório” temos o serviço de distribuição de água tratada e esgoto. Em caso de consumo coletivo, a regra é fornecer a comunidade um sistema de abastecimento de água tratada, que pressupõe a existência das seguintes unidades: captação de água bruta (in natura), adução, tratamento, reservação e distribuição (TUCCI, 2004). O cidadão, conforme os termos da Portaria nº. 518/2004 tem o direito de receber, em sua casa, água devidamente tratada, como também o acesso ao saneamento básico. A utilização da água potável implica respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Neste sentido, Tucci (2004, p. 851) comenta: Em caso de consumo coletivo, a regra é fornecer a comunidade um sistema de abastecimento de água tratada, que pressupõe a existência das seguintes unidades: captação de água bruta (in natura), adução, tratamento, reservação e distribuição.

A lei nº 11.445, de 6 de Janeiro de 2007, estabelece diretrizes nacionais para o saneamento e altera algumas leis ja vigentes, como a de nº 6.766 de 19 de dezembro e a de nº 8.036 de 11 de maio de 1990, onde diz no art. 3º do cap. 1, a: [...] Abastecimento de água potável: constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações necessárias ao abastecimento público de água potável, desde sua captação até as ligaçoes prediais e respectivos instrumentos de medição.

Para organizar e prestar os serviços de captação, tratamento e distribuição da água potável em uma região, a Constituição Federal em seu art. 30, estabelece a competencia ao município, onde o mesmo deve operar diretamente os serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário ou conceder os serviços para terceiros, mas se espera, nesse caso, que o governo municipal exerça um acompanhamento da concessão e exija do concessionário um serviço adequado aos interesses de sua população.


11 O abastecimento de água potável: constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações necessárias ao abastecimento público de água potável, desde sua captação até as ligaçoes prediais e respectivos instrumentos de medição (TUCCI, 2004). 3.3 Água Tratada: Benefícios O contato do indivíduo com a água justifica e explica a facilidade com que parasitas macro ou microscópicos atingem o homem e nele se desenvolvem, quando outros fatores coadjuvantes são favoráveis à sua sobrevida, desenvolvimento ou multiplicação (DE FREITAS, 2008). Por outro lado, o homem está exposto a contaminastes de origem química que, com certa facilidade, podem ocorrer na água natural. Estima-se que cerca de 4 bilhões de metros cúbicos de contaminastes, provenientes principalmente de efluentes industriais, compostos químicos de uso agrícola, efluentes domésticos e outros, atinjam o solo a cada ano e, conseqüentemente, a água. Sendo assim, a qualidade da água para consumo humano e uma questão extremamente importante e além do que e considerada pela Organização Mundial da Saúde - OMS um dos principais assuntos de saúde pública, uma vez que a água de má qualidade gera altos índices de doenças infecciosas. Em virtude desses fatos, o abastecimento de água potável requer um conjunto de esforços e cuidados, que vão desde a qualidade do manancial, o tipo de tratamento utilizado e a forma de distribuição da água tratada para a população. E possível notar que vários fatores podem influenciar na qualidade da água distribuída a população, como por exemplo, a escassez da água gerada muitas vezes pela má qualidade da água disponível, sobretudo nas grandes cidades onde a poluição compromete os mananciais e acarreta inúmeros problemas (DE FREITAS, 2008). 3.4 A Empresa EMBASA e os seus Serviços de Abastecimento A EMBASA, como já citado anteriormente, é uma empresa cidadã de tratamento de água e esgoto e de responsabilidade social, que já traz no seu


12 propósito, uma nobre missão, cuidar de um produto vital a comunidade e ao bem estar social: a água, fonte de vida e saúde. Um sistema de abastecimento de água é composto por uma série de unidades operacionais que funcionam em conjunto para dotar uma região de abastecimento de água potável. E na EMBASA não poderia ser diferente. O seu sistema de Abastecimento tem como objetivo promover o acesso à água de boa qualidade para consumo humano a todo Estado da Bahia e as suas estações de tratamento executam automaticamente os processos de oxidação química, aeração, coagulação, floculação, decantação e filtração. Estes processos eliminam metais, cor, odor, coliformes, matéria orgânica, sólidos suspensos, sólidos dissolvidos, microorganismos patogênicos e outras substâncias que possam comprometer a qualidade da água tratada, garantindo os padrões de potabilidade ou de emissão de efluentes em corpos receptores, tal como expõe Tucci (2004, p. 851) acrescenta que [...] “foram estabelecidos padrões de qualidade de água para usos como abastecimento público e industrial, preservação de vida aquática, irrigação, recreação, agricultura, navegação e paisagismo”. O Processo de abastecimento da EMBASA no município de Vitória da Conquista, é composto por um conjunto de obras, instalações e serviços destinados a prover a toda a comunidade água potável, para fins domésticos, serviços públicos, consumo industrial, entre outros. E é caracterizada pela retirada da água da natureza, adequação de sua qualidade, transporte até os aglomerados humanos apta para consumo e fornecimento à população em quantidade compatível com suas necessidades (EMBASA, 2010). O custo por todo o serviço oferecido é apresentado em planilhas que facilitam a visualização em percentuais onde se concentram os maiores gastos, servindo como parâmetro para decisões entre custo-benefício de um determinado dispêndio. Também, as planilhas de custos, proporcionam análises de reajustes de tarifas e taxas dos serviços prestados e tentam mostrar da melhor forma possível os valores justos e reais cobrados aos consumidores, de acordo com a realidade local.


13 Com as planilhas de custos, há o acompanhamento e análise de todas as informações relacionadas a receita e despesas de todos os setores, estabelecendo um planejamento financeiro com objetivo de racionalizar os gastos, otimizar os serviços, e consequentemente aumentar a produtividade dos serviços prestados, usando os recursos públicos de uma forma racional e eficiente (EMBASA, 2010). As fases da etapa de Tratamento na sede de abastecimento em Vitória da Conquista ocorrem da seguinte forma, como mostra a figura 1 abaixo:

Figura 1: Etapas do Processo de Tratamento da Água. Fonte: EMBASA, 2010.

A água, em estado bruto, é retirada do manancial ou barragem e conduzida até a Estação de Tratamento de Água – ETA, passando por uma série de processos que vão removendo as suas impurezas, de forma a assegurar a qualidade da água que chega até as edificações. Os rios onde a Embasa capta água bruta vem do município de Barra do Choça e são dois: rio Água Fria e rio dos Monos. Os custos que compõem o preço cobrado na tarifa de água estão diretamente ligados a informações das áreas operacionais e administrativas e envolvem despesas com produtos químicos, funcionários, manutenção de equipamentos elétricos, energia elétrica, serviços de terceiros, controle de qualidade e administração direta. Para chegar às residências e estabelecimentos, a água passa por várias vias sob a pavimentação das ruas da cidade. Essas canalizações são chamadas redes


14 de distribuição. Para que uma rede de distribuição possa funcionar perfeitamente. É necessário haver pressão satisfatória em todos os seus pontos. Onde existe menor pressão, instalam-se bombas, chamadas boosters, cujo objetivo e bombear a água para locais mais altos. A ligação domiciliar é uma instalação que une a rede de distribuição a rede interna de cada residência, loja ou indústria, fazendo a água chegar as torneiras. Para controlar, medir e registrar a quantidade de água consumida em cada imóvel instala-se um hidrômetro junto à ligação, capaz de medir todo o consumo real do imóvel em um determinado mês, faturando assim o valor mensal a ser pago baseado nos dados registrados pelo hidrômetro. 3.5 Tarifas e Ligações A Tarifa da água tratada varia em função do tipo de consumidor. Existem três categorias de consumidores: •

Públicos;

Doméstico (Ligação no quintal ou ligação domiciliário);

Geral (Comércio, Industrial).

A cobrança dos consumos é volumétrica para todas as categorias. E a taxa mínima cobrada é de 10 m3. Para todos os consumidores há também cobrança de outras taxas, devidas pela prestação de diversos serviços. As tarifas referentes aos serviços de abastecimento de água são apresentadas na tabela abaixo:


15 Tabela 1 - Tabela de Tarifa Residencial Medida Faixas de Consumos Até 10 m3 11 - 15 m3 16 - 20 m3 21 - 25 m3 26 - 30 m3 31 - 40 m3 41 - 50 m3 > 50 m3

Residencial Popular (1.1) e Filantrópica (1.4) R$ 5,70 p/ mês R$ 1,85 p/ m3 R$ 2,02 p/ m3 R$ 2,15 p/ m3 R$ 2,20 p/ m3 R$ 2,30 p/ m3 R$ 2,39 p/ m3 R$ 2,78 p/ m3

Residencial (1.2) Residencial (1.3) Residencial Social (1.7) R$ 11,20 p/mês R$ 2,87 p/m3 R$ 3,10 p/m3 R$ 3,33 p/m3 R$ 3,40 p/m3 R$ 3,56 p/m3 R$ 3,70 p/m3 R$ 4,30 p/m3

R$11,20 p/mês R$ 2,87 p/m3 R$ 3,10 p/m3 R$ 3,33 p/m3 R$ 3,40 p/m3 R$ 3,56 p/m3 R$ 3,70 p/m3 R$ 4,30 p/m3

R$ 5,70 p/ mês R$ 2,49 p/m3 R$ 2,70 p/ m3 R$ 2,88 p/m3 R$ 2,96 p/m3 R$ 3,09 p/m3 R$ 3,21 p/m3 R$ 3,73 p/m3

Fonte: EMBASA, 2010.

Na tabela 1 são apresentadas as faixas de consumos com suas respectivas tarifas. As tarifas são cobradas gradualmente, favorecendo a população de baixa renda e consumidores com menor gasto, ou seja, até 10 m3/mês. Passando dessa faixa (de 10m3) é acrescentado os valores correspondentes a cada faixa, na tabela de tarifa residencial. As tarifas de água tratada permitem a recuperação dos custos associados ao serviço de abastecimento de água prestado (custos de operação e de investimento, e também, influenciam os consumidores a utilizarem água racionalmente, otimizando a utilização dos recursos hídricos). As tarifas de água são fixadas de forma reflete o desejado balanço entre valor econômico e justiça social. A tarifa é diferenciada entre escalões e entre consumidores e, é também progressiva de forma a estabelecer um sistema de subsídios cruzados que permitam aos consumidores de baixa renda de ter acesso ao serviço (EMBASA, 2010). 4. DESENVOLVIMENTO DO ESTUDO E MÉTODO A Metodologia utilizada foi à pesquisa bibliográfica, exploratória, quantitativa e descritiva restrita ao custo da água potável, fornecida pela EMBASA, aos consumidores de Vitória da Conquista – Ba. Apoiado na definição de Gil (2006) percebe-se a importância desse método no fato de permitir ao investigador a


16 cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente, tal como expõe [...] “As pesquisas têm como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e idéias, tendo em vista, a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses”. Além desse procedimento, a pesquisa ainda contou com vários outros instrumentos, como é o caso da observação sistemática, análises dos relatórios e dados, visitas a Estação de Tratamento de Água - ETA, como também da pesquisa documental, na coleta de dados. A pesquisa foi de janeiro a novembro de 2010. Este capítulo ocupa-se dos procedimentos metodológicos aplicados à presente investigação. Para oportunizar uma abordagem didática da metodologia empregada neste trabalho, será apresentada a delimitação metodológica desta pesquisa, iniciando pela sua caracterização. Esta fase caracteriza-se pela aplicação da capacidade de aprofundamento subjetivo no processo a fim de procurar extender as soluções encontradas para outros problemas semelhantes. E, como o maior objetivo do projeto é apresentar os custos do sistema de abastecimento de água, foi levantado através do estudo de caso baseando-se no cálculo dos custos, também observa o resultado do centro de custos através do sistema, os gastos dos diversos serviços e setores, como também através de planilhas de custos, apresentar o controle de despesas da estação de Tratamento de Vitória da Conquista e analisar a receita arrecadada em relação ao montante gasto com a operacionalização dos serviços. Deseje-se aqui, universalizar os resultados e demonstra-los com a clareza necessária ao bom entendimento do caso. 5. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS 5.1 Os custos da Estação de Tratamento de Vitória da Conquista O sistema de água potável é um conjunto de estruturas, equipamentos e instrumentos destinados a produzir água de consumo humano a fim de entregá-la


17 aos usuários em quantidade e qualidade adequadas, tendo um serviço contínuo a um custo razoável. Os sistemas de abastecimento de água geralmente contêm os seguintes componentes: obras de captação, estação de tratamento, redes de distribuição e conexões domiciliares. A Estação de Tratamento de Água - ETA atende toda a população de Vitória da Conquista. São mais de 240.000 ligações de água em toda a cidade. E para que o serviço de tratamento e abastecimento seja de boa qualidade, ininterrupto e dentro das normas das agências reguladoras, são necessário elementos que agregam valor à água e que são imprescindíveis em seu tratamento e distribuição. São os custos de todos os produtos químicos, ou seja, sulfato de alumínio líquido, cal hidratada, dicloro, polímero, flúor e cloro gasoso; também são apresentados os custos mensais dos funcionários, manutenção das máquinas, energia elétrica e serviços de terceiros da Estação de Tratamento de Vitória da Conquista – ETA. A seguir veremos cada uma delas e observaremos por mês seus custos. CUSTO EM R$ SULFATO DE ALUMÍNIO LÍQUIDO

SULFATO ALUMÍNIO LÍQUIDO 45.000

41.931

41.892

42.964

18. 000, 00

42.914

16.340,22

40.000

16. 000, 00

35.112

35.000

14.662,20 15.037,40 15.019,90 14.610,96

14.675,85

34.915

13.848,12 13.916,89

14. 000, 00

30.929

31.220

30.000

28.026

29.590

13.116,17

30.156

12.289,20 12. 000, 00

25.000

10. 000, 00

20.000

8. 000, 00

15.000

6. 000, 00

10.000

4. 000, 00

5.000

2. 000, 00

0

10.825,15

0, 00

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

Jan

Fev

M ar

A br

M ai

Jun

J ul

A go

S et

Out

Nov

Dez

Figura 1: Consumo do produto químico Sulfato Alumínio

Figura 2: Custo mensal do Sulfato de Alumínio

Fonte: Elaborada pela autora, 2010.

Fonte: Elaborada pela autora, 2010.

Na figura 1 acima é demonstrado mensalmente a quantidade do produto químico Sulfato de Alumínio Líquido em quilos usado na Estação de Tratamento de Vitória da Conquista – ETA. O sulfato de alumínio líquido é um coagulante, que é adicionado na entrada da água bruta na estação para o processo de floculação, ou


18 seja, ele agrega a parte mais sólida das impurezas da água. É um dos componente químicos mais utilizados nas Estações de Tratamento, para a retirada de impurezas da água. Se percebe um maior aumento desse produto, nos meses quente de verão como é o caso do mês de Março/10. Nesse período quente a população utiliza mais água e consequentemente exige da Estação de Tratamento um maior aumento do volume de água a ser tratado e distribuindo em face à demanda. Por isso, o consumo de alguns produtos químicos utilizados na água também sofrem aumento nos períodos mais quente do ano, por se tratarem de materiais utilizados no tratamento da água potável, a fim de torná-la própria para o consumo. Na figura 2 é apresentado o custo mensal, em valores, do sulfato de alumínio. O Sulfato é um dos produtos químicos mais utilizados na ETA e é o 2º mais caro em termos de custo: 1.000kg custa R$ 1.562,69, e o seu custo mensal sempre é superior a 20.000kg. Tanto ele quanto o cloro gasoso são produtos essenciais e inevitáveis em qualquer estação de tratamento, em virtude da função que cada um possui. Por isso são produtos que encaressem o produto final: água. No mês de agosto/10 o custo foi maior R$ 16.340,22, em virtude do maior consumo de sulfato utilizado pela ETA. Já no mês de abril, e os meses a seguir, se percebe uma diminuição, devido ao início do inverno onde a água é utilizada em menor escala. As vantagens do sulfato de alumínio é a boa dosagem do material não deixa nenhum tipo de resíduo, tem custo menor por tonelada e facilita o processo de tratamento (EMBASA, 2010). CUSTO EM R$ CAL HIDRATADA

CAL HIDRATADA 4.000,00

13.000 12.000

12.000

12.400

3.500,00

3.480,00

3.596,00

10.720

11.000

3.108,80 9.840

10.000

9.520

9.840

9.920

9.280

9.000

9.600

3.000,00

9.800

2.853,60

2.760,80

2.691,20

2.500,00

8.320

2.768,78

2.791,29

Ago

Set

2.846,30 2.701,25

2.341,08

8.000

2.000,00

7.000 6.000

1.500,00

5.000 4.000

1.000,00

3.000

500,00

2.000 1.000

0,00

0

Jan Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Out

Dez

Figura 3: Consumo do produto químico Cal Hidratada Fonte: Elaborada pela autora, 2010.

Figura 4: Custo mensal da Cal Hidratada Fonte: Elaborada pela autora, 2010.

Nov

Dez


19 Na figura 3 acima é o produto químico Cal Hidratada, é utilizada após o processo de filtração, sendo praticamente uma das ultimas ações como tratamento da água. A cal é utilizada para a correção do pH da água e para uma melhor neutralização adequada à proteção da tubulação da rede. O custo mensal da cal, apresentada na figura 3 acima, é relativa ao volume captado de água nos mananciais e também aos produtos químicos adicionados anteriormente. Para cada 1.000.000m3 é utilizado 7.775kg de cal hidratada. Observa-se na figura 4 o custo mensal da cal hidratada. Os valores também acompanham a quantidade que foi utilizada no semestre. O quilo da cal hidratada custa R$ 700,00, isso porque ela é negociada em grande quantidade reduzindo o valor, mas para pequenas quantidades o custo é bem maior. A

cal

hidratada

proporciona

eficiente

remoção

da

turbidez

e,

conseqüentemente, dos sólidos em suspensão na água, podendo ser considerada boa alternativa para o tratamento dessa, visando sua recirculação ou disposição final, principalmente por ser um coagulante de fácil aquisição e baixo custo (EMBASA, 2010).

DICLORO 1.000 910

900

913

920

CUSTO EM R$ DICLORO

950

5.500,00 5.000,00

800

4.895,80

4.911,94

4.949,60

5.018,60

Ago

Set

Out

Nov

4.500,00

700

4.000,00 600

3.500,00

521

500

3.000,00

400

2.500,00

300

2.000,00

200

1.500,00

100

1.000,00

2.802,98

500,00

0

0,00 Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Figura 5: Consumo do produto químico Dicloro

Figura 6: Custo mensal do Dicloro

Fonte: Elaborada pela autora, 2010.

Fonte: Elaborada pela autora, 2010.

Dez

Na figura 5 é o Dicloro, ou cloro, é utilizado na Estação de Tratamento de Água - ETA no processo de desinfecção da água. A água, após a etapa de filtração parece ser potável, apenas sob o aspecto organoléptico, mas para maior proteção


20 contra o risco de contaminações, é feito o processo de desinfecção que é feita através do cloro sob diversas formas, seja ele líquido ou gasoso. Se percebe na figura 5, um aumento de cloro nos meses de março em diante. Isso acontece devido a um período maior de chuvas, as quais normalmente carregam consigo impurezas e microorganismos exigindo maiores procedimentos para o tratamento. A figura 6 acima apresenta em valores o custo do dicloro mês a mês, lembrando que há um índice maior nos meses chuvosos a partir do mês de maio/10. O custo para cada 1000kg de dicloro é em média R$ 1.432,12. E em um volume captado de 1.358.247m3

a capacidade de 706kg de dicloro é suficiente para

alcançar resultados segundo os padrões de potabilidade exigidos pelos órgãos fiscalizadores. POLÍMERO

CUSTO EM R$ POLÍMERO

180 2.000,00

162

160

153

1.750,00 140

1.754,46 1.656,99

1.500,00

120

1.250,00

100

1.000,00

76

80

68

823,08 56

60

52

750,00

54

40

40

500,00

20

763,44 606,48

563,16

Set

Out

619,15

433,20

250,00

0

0,00 Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Figura 7: Consumo do produto químico Polímero Fonte: Elaborada pela autora, 2010.

Dez

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Nov

Dez

Figura 8: Custo mensal do Polímero Fonte: Elaborada pela autora, 2010

Na Figura 7 é apresentada os polímeros são utilizados na ETA, para atrair e absorver partículas de sólidos suspensos e para facilitar sua remoção de água. As moléculas de polímero ativado possuem uma infinidade de atrair sólidos suspensos de carga oposta. São coagulantes que auxiliam a transformar as impurezas da água que se encontram em suspensão final em estado coloidal. Nos meses abril a junho/10 o polímero foi utilizado em menor escala, pois através de exames e testes laboratoriais realizados nas amostras de água captada (ainda em tratamento). Observa-se na figura 8 o custo mensal do polímero. Nos meses abril/10 a junho/10 houve custos com o polímero de R$ 00,00 respectivamente, e o motivo dos


21 baixos consumos nesses meses foi comentado logo abaixo da figura 9. Já no mês de fevereiro/10 houve um custo maior por se tratar também do maior volume captado do manancial frente a uma maior demanda da população. CUSTO EM R$ FLÚOR

FLÚOR 2.000

6.000,00 1.826

1.820

5.500,00

1.715

1.750 1.570

1.535

1.500

5.000,00

1.600

1.562 1.466

1.440

4.867,00

4.758,50

4.842,20 4.464,00

4.500,00

1.389

3.884,30

4.000,00

1.253

1.250

5.660,60

3.675,25 3.141,64

3.000,00

1.000

3.826,62

3.428,80

3.500,00

2.976,63

2.500,00

750

2.000,00 1.500,00

500

1.000,00

250

500,00 0,00

0 Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Figura 9: Consumo do produto químico Flúor Fonte: Elaborada pela autora, 2010.

Out

Nov

Dez

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

Figura 10: Custo mensal do Flúor Fonte: Elaborada pela autora, 2010.

Na figura 9 é apresentada o Flúor é um produto químico utilizado na ETA com o objetivo de proporcionar uma medida segura e econômica de auxiliar na prevenção da cárie, principalmente a cárie infantil. Ele é utilizado sob a forma de Ácido Fluossilícico e as dosagens na água seguem as normas convencionais dos padrões de potabilidade. A adição do flúor é a última etapa do processo de tratamento da água. A prevenção torna-se efetiva devido ao efeito tópico do flúor, que ocorre no momento da sua ingestão e que após o seu metabolismo retorna à cavidade bucal através do fluído crevicular e saliva. Observa-se na figura 10 o custo mensal do flúor. O custo do flúor na Estação de Tratamento de Água - ETA é de baixo custo e o seu efeito ocorre de forma independente da vontade da população. Para cada 1.000kg de flúor o custo é de R$ 2.500,00, sendo que o flúor é muito econômico, pois para cada 1kg (do flúor) sobre 2.000m3 de água já é o suficiente para realizar o tratamento fluordificante ao consumidor final. A adição de flúor à água de beber continua sendo a medida de maior alcance populacional, bem como a melhor forma de garantir uma igualdade


22 social em termos de saúde odontológica. Trata-se de uma medida eficaz, segura, de baixo custo relativo para os cofres públicos e de fácil aplicação.

CUSTO EM R$ CLORO GASOSO

CLORO GASOSO 9.000 8.100

50.000,00

8.400

8.000

45.000,00 7.200

7.000

6.975 6.675

6.525

45.192,00 38.736,00

6.412

35.911,50 5.850

6.000

5.625

37.525,50 35.104,50

35.000,00

5.720

34.496,56 31.473,00

30.000,00

5.063

5.000

43.578,00

40.000,00

32.526,00 30.262,50

27.238,94

25.000,00 4.000

20.000,00

3.000

15.000,00

2.000

10.000,00

1.000

5.000,00 0,00

0 Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

Figura 11: Consumo do produto químico Cloro Gasoso Fonte: Elaborada pela autora, 2010.

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Figura 12: Custo mensal do Cloro Gasoso Fonte: Elaborada pela autora, 2010.

Na figura 11 é demonstrada adição de cloro é mantido ao longo de todo processo de tratamento da água, ou seja, no início meio e fim. A pós-cloração tem a finalidade de proteger a água contra possíveis contaminações no sistema de distribuição. E é adicionado tanto o cloro líquido quanto o gasoso. A ação do cloro gasoso como desinfetante é eficaz atuando de forma precisa sobre as bactérias e outros microorganismos. O cloro gasoso é imprescindível na ETA, mas seu custo é alto (cada 1.000kg de cloro gasoso é, em média, R$ 4.570,00), encarecendo assim o processo de tratamento da água. É um dos produtos que não pode ser economizado nas ETA's, pois além de ter uma função impar no tratamento, também é regido por normas e padrões de potabilidade, os quais podem deixar de serem atendidos. O custo também é alto, por ser um produto usado na Estação de Tratamento de Água - ETA em grandes quantidades, a partir de 22.000kg, e por não ter junto aos fornecedores uma política de descontos ou melhores condições de pagamento frente aos enormes pedidos. Percebemos na figura 12 os valores em reais do cloro gasoso de janeiro/10 a junho/08. No mês 03/10 há um consumo maior devido ao período das chuvas de março, que trazem consigo um maior número de impurezas e microorganismos, fazendo com que haja, consequentemente, uma utilização maior do cloro gasoso.

Nov

Dez


23 CUSTO COM MANUTENÇÃO DAS MÁQUINAS

CUSTO COM FUNCIONÁRIOS DA ETA 34.650,00 34.650,00 34.650,00 34.650,00 34.650,00 34.650,00 34.650,00 34.650,00

35.000,00 32.500,00 30.000,00

6.893,00

7.000,00 6.500,00 6.000,00

28.500,00 28.500,00 28.500,00 28.500,00

27.500,00

5.500,00

25.000,00

5.000,00

22.500,00 20.000,00

4.500,00 4.000,00

17.500,00

3.500,00

15.000,00 12.500,00

3.000,00 2.500,00

10.000,00

2.000,00

7.500,00

1.500,00

5.000,00 2.500,00

1.000,00 500,00

5.563,00

4.265,00 3.890,00

3.685,00

3.587,00

0,00

0,00 Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

Figura 13: Custo mensal com funcionário da Estação Fonte: Elaborada pela autora, 2010.

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

Figura 14: Custo mensal com manut. de máquinas Fonte: Elaborada pela autora, 2010.

Na figura 13, após analisarmos os produtos químicos adicionados à água tratada, apresentaremos também outro custo que a ETA possui que é o custo com os funcionários. A Estação de Tratamento de Água - ETA possui um total de 10 operadores de estação com escalas ininterruptas de um para o outro, ou seja, a estação é monitorada 24 horas por dia. E além desses 10 operadores a ETA possuem 2 colaboradores centrais: um é o líder do processo de tratamento e o outro é o coordenador da ETA. O salário desses dois últimos é diferenciado por conta do nível que exercem como também do trabalho específico. O salário dos operadores da estação é de R$ 2.100,00, enquanto que para os líderes de processo é em média R$ 3.000,00. Na figura 13 acima é demonstrada custo mensal de todos os funcionários, e nota-se que houve um aumento a partir do mês de maio/10 por conta de 20% de aumento concedido aos funcionários nesse período. Percebemos na figura 14 a estação também conta com o trabalho de várias máquinas, desde máquinas de captação da água bruta nos mananciais até máquinas de bombeamento da água já tratada para redes coletoras. Existe na Estação de Tratamento - ETA um total de sete máquinas chamadas conjunto motobomba. São máquinas que captam água e as bombeiam em grande volume para o tratamento ou para as redes distribuidoras da cidade. Algumas delas operam ininterruptamente, e outras operam ocasionalmente quando existe um problema com uma da outras máquinas ou uma demanda maior pelo serviço por parte da população.


24 Existem também outras máquinas espalhadas em pontos da cidade (12 máquinas), como, por exemplo, nos bairros do Alto Maron, Cruzeiro e Zona Média. Nesses pontos existem grandes reservatórios com bombas que captam água e distribuem às redes dessa região e dos bairros vizinhos. O custo pela manutenção dessas moto-bombas é elevado, mas em compensação não são todos os meses que apresentam problemas ou necessitem de reparos. Em alguns meses do ano essas máquinas apenas necessitam de óleo ou limpeza. Na figura 14 acima é apresentado alguns meses em que houve custos com as máquinas, e nos meses de fevereiro e maio/10 não apresentou nenhum tipo de manutenção nem nas máquinas próprias da ETA e nem nas outras espalhadas pela cidade. CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA EM R$

CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA EM KWH 2.000.000

140.000,00 1.791.375

1.750.000

1.663.154

1.701.748

1.624.482 1.629.883

1.666.791 1.637.375

130.000,00 120.000,00

1.581.615

119.289,83

115.903,11

130.133,51

115.992,91

111.266,25

110.000,00

1.460.885

1.500.000

133.655,74

129.615,33 116.584,46

100.287,87 99.199,50 101.263,16

100.000,00 1.250.000

90.000,00 80.000,00

1.005.286

1.000.000

70.000,00 60.000,00 50.000,00

738.875

750.000

40.000,00

500.000

30.000,00 20.000,00 10.000,00

250.000 0

0,00 Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

Figura 15: Consumo mensal em kWh de energia elétrica Fonte: Elaborado pela autora, 2010.

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

Figura 16: Consumo de energia elétrica em valores Fonte: Elaborado pela autora, 2010.

Percebe-se na figura 15 tanto que as estações de tratamento são dependentes da energia elétrica que quando há um reajuste, que por sinal é sempre nos meses de maio, a Embasa também reajusta sua tarifa de água no mês seguinte. Também, percebemos tanto essa dependência que quando falta energia nas estações de tratamento, as redes de distribuição de água ficam prejudicas e automaticamente a população sente com a falta de água. Na Estação de Tratamento - ETA como o custo da energia elétrica varia ao longo do dia, existe um planejamento do funcionamento das bombas para que não sejam ligadas nos horários em que a energia elétrica é mais cara.


25 A Coelba disponibiliza um sistema diretamente e exclusivamente para a ETA. Se trata de um acordo feito pelas duas empresas (Coelba e Embasa) em que há um condutor de energia somente usado para a Estação, pois o consumo na ETA é alto e se a rede de distribuição de energia fosse compartilhada com as da cidade de Vitória da Conquista comprometeria tanto o funcionamento da ETA quanto a da cidade. A figura 16 acima demonstra em valores o custo da energia elétrica para cada mês desde janeiro/10 a novembro/10. Também é visível na figura 16 que no mês de janeiro/10 houve uma redução no custo da energia elétrica (R$ 116.584,46), por conta de 3 dias em que houve falta de energia por um problema na rede exclusiva da Coelba para a Embasa. Também, no final do mês de janeiro/10, havia ocorrido um problema com uma das máquinas que bombeia água da ETA à rede de distribuição da cidade, levando alguns dias para ser substituída. VOLUME CAPTADO EM m3

VOLUME TRATADO EM m3

1.600.000

1.600.000 1.468.301

1.400.000

1.426.035

1.367.489 1.291.156 1.274.353 1.297.411

1.238.302 1.229.387 1.261.501

1.400.000

1.272.307 1.257.854

1.200.000

1.200.000

1.068.836

1.195.220

1.245.073

1.324.839

1.279.031 1.218.693

1.203.117 1.151.008

1.194.240 1.083.568

1.054.384

1.000.000

1.000.000

800.000

800.000

600.000

600.000

400.000

400.000

200.000

200.000

0

0 Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Figura 17: Volume Captado em m3 Fonte: Elaborado pela autora, 2010

Ago

Set

Out

Nov

Dez

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

Figura 18: Volume disponibilizado em m3 Fonte: Elaborado pela autora, 2010

Diante do resultado apresentado na figura 17, sobre o volume captado em m3 se percebe que os volumes retirados dos mananciais é sempre em grandes quantidades devido ao porte da cidade de Vitória da Conquista, como também a demanda que a população exige. Alguns custos da captação, do tratamento e da distribuição da água, como os produtos químicos, a energia elétrica e os custos da manutenção das máquinas, dependem exclusivamente do volume captado dos mananciais. Os produtos químicos são adicionados em determinados volumes de água captada e tratada, e a energia elétrica é consumida de acordo com o


26 funcionamento das bombas/máquinas, por isso quanto maior o volume captado maior o consumo de energia elétrica. A figura 18 acima demonstra o volume disponibilizado se trata do volume que foi captado, tratado e pronto para ser distribuído ou disponibilizado. É aquele volume em que a população irá receber através das redes de distribuição de água. 6. CONCLUSÃO A água é muito mais do que uma simples necessidade humana básica. É um elemento essencial e insubstituível para assegurar a continuação da vida. A água está intrinsecamente unida aos direitos fundamentais do homem, como o direito à vida, à alimentação e à saúde. O acesso à água potável é um direito humano fundamental a todos. Muitas pessoas não valorizam a água, e muito menos a água tratada, e acham que ela é um bem ilimitado e que não será um dia escasso. Também não valorizam o tratamento da água nas estações próprias e muito menos tem interesse de saber o processo que um bem tão vital e precioso passa para se tornar potável. Também, muitas pessoas acham que, a água que sai de suas torneiras domésticas vem diretamente dos rios e que as empresas que prestam serviços de abastecimento lucram bastante com este serviço, já que não tem nenhum trabalho e custo em distribuir água à cidade. A contabilidade de custos representa um instrumento de grande importância para a gestão dos custos de Abastecimento de água e Esgotamento Sanitário – EMBASA, pois produz relatórios eficazes e eficientes para a tomada de decisões. O presente trabalho então teve o objetivo de apresentar os elementos que compõem a planilha de custos de uma estação de tratamento - ETA, em especial a de Vitória da Conquista. E através de uma análise de cada um dos elementos foi possível perceber que os custos se iniciam desde a captação dos rios e se intensifica no tratamento e na distribuição da água tratada.


27 Os custos em uma estação de tratamento valorizam o seu produto que é a água. Mas, também a encarece, pois se trata de produtos ou elementos os quais são utilizados em grandes quantidades e na maioria deles o custo também é alto. Isto é comprovado uma vez que realizado a média de gasto apenas no mês de novembro de 2010 chega a R$1.662.967,72 e as receitas correspondentes é 26.316.168,18 apenas na estação de tratamento. Todavia, os dados apresentados neste trabalho, poderão auxiliar a comunidade como também a sociedade acadêmica, a adquirir conhecimento sobre o processo de abastecimento da água tratada, seus custos e a real necessidade que se tem em valorizá-la como também economizá-la, já que se trata de um assunto pouco conhecido, de difícil acessibilidade, além de pouca existência de material didático sobre o tema em questão. Enfim, percebe-se, desde o inicio da elaboração até a presente conclusão deste trabalho, que é necessário que as estações de tratamento trabalhem com uma gestão eficaz e que elaborem metas de custos razoáveis de captação, tratamento e distribuição da água, que permitam à população ter este serviço e que estes custos cubra os variados gastos operacionais e de manutenção. Também sugere-se com este artigo, fomentar pesquisa acerca da contabilidade de custos, objetivando melhorias contínuas nas organizações, despertando nos graduandos o interesse por este instrumento na gestão dos custos de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário, tendo em vista a necessidade de mensurar os mesmos, uma vez que os resultados desta pesquisa demonstram somente os custos das atividades da EMBASA.


28 7. REFERÊNCIAS BRUNI, Adriano Leal; SONIA, Maria da Silva Gomes. Controladoria Empresarial. Conceitos, ferramentas e desafios. Salvador: EDUFBA, 2010. BEUREN, Ilse Maria. Como elaborar trabalhos monográficos em contabilidade. São Paulo: Atlas, 2000. DE FREITAS, Fabiana Leiko Mikuni; PASSADOR, João Luiz. Adoção de Sistemas de Qualidade na produção e distribuição de água potável: a experiência da Companhia de Saneamento do Paraná – SANEPAR. Disponível em: <http://www.fgvsp.br/iberoamerican/Papers/0413_Artigo>. Acesso em 01 de out. de 2010. EMBASA. Site institucional. Disponível em <www.embasa.ba.gov.br>. Acesso em 01 de out. de 2010. GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2006. HORNGREN, Charles T.; FOSTER, George; DATAR, Srikant M. Contabilidade de custos. 9. ed. Rio de Janeiro, 1997. MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2006. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 1995. PADOVEZE, Clóvis Luís. Contabilidade Gerencial. Um enfoque em sistema de informação contábil. 6ª. ed. São Paulo: Atlas, 2009. ROESCH, S. M. Projeto de Estagio e de Pesquisa em Administração: guia para estágios, trabalhos de conclusão, dissertações e estudos de caso. São Paulo: Atlas, 1999. TUCCI, Carlos E. M. e SIVEIRA, André L. L. da. Hidrologia: ciência e aplicação. 3ª ed. Porto Alegre: Editora da UFRGS/ABRH, 2004. WERNKE, Rodney. Gestão de custos: Uma abordagem prática. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2004.


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