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Poemas de N贸s

Poemas de N贸s

2010/2011 2


Poemas de Nós

Ficha Técnica

Título: Poemas de Nós

Editor: Escola Secundária Padre Benjamim Salgado

Autores: Alunos da Escola Secundária Padre Benjamim Salgado

Coordenação: Equipa Educativa da BE/CRE - “A Casa de Camilo”

Capa: Prof.Susana Nogueira

Ilustração: Profs. Patrícia Pereira e Susana Nogueira (Coordenação) Alunos do 8º e 10º anos

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Poemas de Nós

Prefácio No sentir de cada pessoa há sempre um poeta que sente, que sofre, que quer transmitir as suas emoções, que procura e se procura. Em geral faltam-lhes palavras ou não as sabe usar como gostaria. Muitas vezes, receia desnudar-se, pensando que podem ver no que diz ou no que escreve uma fraqueza que não deseja revelar; outras vezes, tem medo de corar quando os que o cercam vêm projecções do que é, sente ou pensa. Cada povo tem a sua própria cultura, adquirida nas tradições, nos princípios, nos costumes e nos modos de ser. Mas por ser relacional e intersubjectiva, a cultura é, como o povo, constantemente actualizada, aperfeiçoada pela cultura de elite. Uma das expressões da cultura encontra-se na literatura. É esta que melhor expressa a sua riqueza, mas também as suas complexidade e diversidade. A poesia apresenta-se como uma manifestação cultural que presentifica a realidade humana, a vida, os seus valores, necessidades e conflitos. Arte e linguagem, a literatura apresenta funções ligadas ao espírito estético e ao sentido e momento sócio-histórico, verdadeiras manifestações de uma cultura, de um povo. Naturalmente, nem tudo o que se publica com intenções estéticas possui um verdadeiro carácter literário e a perfeição das artes gramatical e linguística. Mas o que pode desmerecer esteticamente é, frequentemente, merecedor de atenção a nível sociológico e cultural. Penso que a poesia não se confina, longe disso, ao objecto que é o poema. Parece-me razoável pensar que a poesia funda a arte, ao mesmo tempo que será também o que toda a arte visa; e, não raro, podemos definir muitas formas de vida sem arte como poesia: a impressão de um olhar ou de um gesto que se descobre. Também aqui, e decerto particularmente aqui, se preserva a poesia como início de sentido. Como uma esfera da sua pregnância. Mas é sobretudo desta vontade de poesia que respiram todos aqueles que aqui deixaram a sua marca, o seu olhar, o seu gesto, o seu sentido, que, assim como todo o ser humano em geral, no esplendor e nos momentos menos bons da sua condição, não recusaram a aventura de o ser. É talvez essa lição que esta singela mas marcante antologia poética nos pode, caso tivermos sensibilidade e predisposição suficiente para a reclamarmos como tal, querer começar por recordar. É de facto meritória a vontade de dar sentido ao que se vê, olha, cheira, saboreia e sente através de palavras com forças e significados diferentes! Podemos assistir a reflexos da própria arte literária quer na tarefa – difícil, dolorosa, secreta e solitária – na sua construção, quer na busca 4


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da perfeição estética. Esta é uma colectânea de poesia de jovens que se revela agradável, interessante e que nos presenteia com mais uma prova da capacidade de comunicação dos nossos alunos, quer pelos traços das palavras deixadas quer pelos traços das imagens marcadas ao longo destes anos. Nestas composições há toda uma energia de jovens que buscam a concretização de ideais diversos ou se sentem deprimidos por não assistirem à sua desmaterialização. Muitos destes poemas dão conta de uma energia amorosa, com todos os poderes inimagináveis que o amor tem. Há espanto e medo; sente-se a alegria e a frustração; observa-se a sensação de posse e da ausência; verifica-se a vontade da experiência e o reconhecimento da vulnerabilidade e da fragilidade. Esta antologia poética é prova que o jovem está sempre a procurar o encanto e a viver no sobressalto do que acontece. Aceita os desafios e as brincadeiras, gosta das alegrias, da diversão e das festas; sem pensar muito nas consequências arrisca na busca do impossível e do distante; abre-se, continuamente à novidade, embora aceite o imutável; interroga-se sobre o verdadeiro sentido da vida. O jovem ama e (en)canta a vida mas reconhece também que a desilusão, o sofrimento são experiências que podem, ao mesmo tempo, ser vivenciadas. Esta colectânea traduz comportamentos e estados de espírito que marcaram outros quer dentro da escola quer fora dela e deve, sem dúvida, constituir um incentivo para todos os que aspiram a dar forma e corpo à poesia que vai no seu espírito. É um contributo para a formação de pessoas cada vez mais sensíveis ao palpitar da beleza pelas palavras e também uma marca de que é importante o estímulo para que jovens como estes possam revelar a sua subjectividade individual e pessoal desta forma tão mágica! É com muito orgulho que a esta escola apoia estes jovens que tantas alegrias a todos oferecem. Todos quanto deixaram aqui sua marca, através da arte da palavra, da arte da imagem e aos que apoiam e colaboram nos “bastidores” a dar vida à criatividade destes jovens, cito pais e encarregados de educação e professores ao longo destes anos, revelaram-se grandes poetas da vida, onde o mais difícil não é escrever muito: é dizer tudo, escrevendo pouco, é deixar que o sentimento que sobra ao coração saia pela mão de uma forma firme mas sensível e delicada ao longo do tempo. Parabéns poetas...da vida desta escola!

O Director, Dr. José Alfredo Mendes

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Poemas de Nós

«A poesia é um apelo à criação e, em primeiro lugar, à criação da própria pessoa» Georges Jean

Poemas de Nós é uma pequena amostra do muito que se faz na Escola Secundária Padre Benjamim Salgado. É o talento dos nossos jovens, a veia poética daqueles que por cá passaram e daqueles que por cá passam. Poemas de Nós é, sem pretensiosismo e na sua simplicidade, uma justa e merecida homenagem a todos eles. Serve ainda, para mostrar à comunidade o real valor dos nossos jovens, tantas vezes maltratados, incompreendidos e que tanto têm para nos dar! Poemas de Nós é o nosso muito obrigado! Sem eles, o nosso trabalho não faria sentido. Sem eles, sem a sua poesia, o mundo seria sério, grave; triste e soturno! Com Poemas de Nós também agradecemos a todos aqueles que, em cerca de vinte e cinco anos, seduziram os alunos para a magia da poesia. A todos eles, o nosso muito obrigado. Poemas de Nós será, talvez, o grito de alma, a voz dos nossos alunos que, ao longo da existência desta Escola, têm vindo a ganhar notoriedade, em concursos que ultrapassaram estas paredes. A todos, por tudo o que nos têm dado, bem hajam!

A Equipa da BE “A Casa de Camilo”

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AMOR AMOR

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Poemas de Nós

Visões

Como o vento que teima em soprar Também o meu coração teima em amar. Teimam e sem eu querer Apenas me fazem sofrer. E como a chuva teima em cair Também o meu amor teima em sair. Na alma me refugio, À procura de encontrar, Alguém que me possa amar. Então volto a olhar A chuva e o vento Que teimam em ficar.

Tânia Fernandes e Sandra Costa, 12º F - 2000

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José Machado, 10º G - 2006 9


Poemas de Nós

Eras Tu

Eras tu quem eu queria Era amor o que eu sentia Era contigo que eu sonhava Era em ti que eu pensava Ao teu lado era petiz Assim me sentia feliz A nossa amizade Passou a ser intimidade Agora! Não te consigo esquecer E não consigo entender A tua forma de me enfrentar Era a ti que eu queria Era contigo que eu sorria Era em ti que pensava E às vezes também chorava.

Ana Helena, 12ºI - 2005

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Poemas de Nós

Não Posso Adiar o Coração Não posso adiar o amor Para o outro século Não posso Ainda que o grito sufoque Na garganta Ainda que o ódio estale E crepite e arda Sol montanhas cinzentas

Não, não posso adiar este abraço Que é uma arma de dois gumes Amor e ódio

Não posso adiar Ainda que a noite pese Séculos sobre costas E a aurora indecisa demore, Não posso adiar Para outro século Minha vida Nem o meu amor Nem o meu grito de Libertação Não posso adiar o coração.

Liliana Cardoso da Silva, 9ºC – 1999/2000 Menção honrosa no Concurso “Uma Aventura… Literária 2000”

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Poemas de Nós

Um dia olhei-te nos olhos, Vi-te como realmente eras. Senti por ti algo Que nunca havia sentido tão intensamente. Derrubaste o meu orgulho, Apoderou-se de mim Uma vontade forte de amar, De fazer felizes os outros. Um dia olhei-te de novo nos olhos, Tal como na primeira vez, Desviaste o olhar para Aquela que hoje é tua. Não mais vi a luz do sol, Não mais vi a Primavera Trazida por ti naquele dia tão especial. Senti o Inverno, forte como nunca ninguém viu. As nuvens choram por mim. A neve gelada gerada por ti Apaga agora o fogo desta minha paixão obsessiva por ti. Não quero olhar-te mais, Não quero amar-te mais, Quero apenas esquecer este sentimento e morrer. Aos teus olhos morrer.

Rosa Maria Lopes Ribeiro – 12ºB – 1999/2000 Menção honrosa no Concurso “Uma Aventura… Literária 2000”

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No Final Gostava de ter-te por perto Ouvir a tua respiração a meu lado. A solidão está a invadir a minha vida Não sei se devo aguentar ou gritar a dor Mas há qualquer coisa que me diz Que estou melhor sozinha... No entanto não acredito nisso, A minha alma está tão fria Os meus braços estão vazios Ninguém para abraçar ou sentir! Espero a noite mais uma vez E procuro coisas que não consigo ver, Finjo estar bem assim Acreditar que consigo viver sem ti, Mas o tempo prova o contrário! Porque semeaste esta dor? Quando pensas abdicar do teu tempo? Onde está o amor que procuras? Não vês que está em mim? Ainda ouço a tua voz... Nunca mais ouvirei esse som...

Andreia Pimenta, 12º F – 2002/2003 Menção honrosa no Concurso “Uma Aventura… Literária 2003”

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Este Inverno vou passá-lo assim, Sem ti. Já me habituei ao teu abandono, Sei viver só, com muito custo Aprendi a caminhar de mãos dadas com a solidão, E esta é para mim a única amiga nesta viagem que é a vida. Oiço o corvo Canta para mim. É tenebroso o seu som, e No entanto atrai-me A minha vida esvai-se por entre os meus dedos Ele chama e eu não resisto. Quero partir com ele, Quero deixar a mão da solidão E partir com ele para a escuridão. Deixo também o teu olhar gélido, Não mais me atrai. Sinto aberta ainda a ferida que me provocaste, Esses teus olhos de tempestade Cobriram a primavera do meu coração.

Rosa Maria Lopes Ribeiro, 12ºB – 1999/2000 2º prémio no Concurso “Amor…” da ESPBS – Dia dos Namorados

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Paula Oliveira, 8潞E - 2006

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Poemas de Nós

Não Sei... Hoje digo “Adeus” A esse amor sem saída, Aos olhos azuis que eram teus E nos quais me sentia perdida. Sou livre... Finalmente me soltei! Durante uns tempos mantive A esperança de que amei! Não sei... Se um dia irei perceber O porquê de aplicar a lei Só no que nos apetecer... Devia era ter parado Antes de chegar a esta situação. Agora o namoro está acabado E despedaçado está o meu coração. Minha alma chora, Meu coração grita de dor Assim como a flora, Também morre o amor! Acabou... Resta o sofrimento. E depois de tudo o que se falou... ... Até de casamento! Que loucura a dos jovens enamorados! Tanto amam como odeiam... Ao princípio são muito dados Mas logo depois se chateiam! A vida é mesmo assim... Cheia de altos e baixos! Pelo menos para mim, Que vivo de encantos e desencantos. “És maluca” – é o que me dizem... E com razão! Pior diziam se abrissem A porta do meu coração... Nele escondo tudo Quantos segredos tem que guardar! Quem será o sortudo Que a sua chave irá encontrar? Não sei... Ninguém o sabe. Mas esperarei... O futuro a Deus cabe!

Joana Pinto, 12ºH – 2002/2003 Menção honrosa no Concurso “Uma Aventura… Literária 2003” 16


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Já Não me Amas...

Nas noites frias chamo por ti, Mas tu não vens! Não sei o porquê de não vires, Não sei porque não dás notícias. Será que já não gostas de mim? Será que eu já não sou aquela que queres a teu lado? Será isso, e não me queres dizer? Espera... talvez seja outra coisa, Talvez tu não possas falar-me. Talvez alguma força desconhecida te tenha aprisionado, Não te deixando vir ao meu encontro! É impossível não ser essa a resposta à minha questão. Eu não acredito, Eu não quero acreditar, e, Não posso acreditar que tu... Simplesmente, Deixaste de me amar!

Rosália Gonçalves, 12º H – 2002/2003 Menção honrosa no Concurso “Uma Aventura… Literária 2003”

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Poemas de Nós

Amor Um dia uma flor desabrochou num estéril jardim, Linda, fresca, sonhadora!

E a flor brilhava ao sol, seu companheiro E contava-lhe todos os seus segredos. A brisa era o seu carteiro e as suas cartas Eram as partículas do seu pólen.

Que lindas cartas de amor a flor escrevia!...

Certa manhã a flor acordou e sentiu-se velha. As suas pétalas amareladas, gastas, caíam como lágrimas. Então, a flor, ao longo do dia, foi reparando no seu triste fado: Crescer, viver, amar e morrer. “Que vida cruel”, pensava ela! “Porque terei que morrer se tenho em mim a força que move o mundo? Porque terá essa força que morrer incessantemente?” E com este pensamento a flor adormeceu. Adormeceu, para nunca mais acordar...

Ricardo Fonseca, 12ºF - 2005

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AMOR, a Coisa Mais Linda do Mundo!

Amor é neve num dia de Verão É um rio que corre para o mar É a vida numa canção É um segredo ao luar.

É o som da Primavera É um sorriso da aurora É um adeus à fantasia É a poesia naquela hora.

É ser fiel à escuridão É querer cantar à luz do dia É gritar para o céu essa paixão É mostrar aos homens a nossa alegria.

Só um sentimento puro e profundo Nos faz viver com seriedade Amor, a coisa mais linda do mundo.

Claúdia Sofia Machado Rodrigues, 9º L – 1994

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Meu Coração Meu coração tão pequeno, Onde cabe tanta dor Está pensativo e sereno, Com tanto sofrimento e dor.

Meu coração sonhador Porque estás a sofrer? Ele responde: é o amor, Que não me deixa viver.

Ana Pereira, 11º E – 2002/2003 1º prémio concurso literário “Amor …” ESPBS – Dia dos Namorados 2003

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Joana Correia, 8潞 E - 2006

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Princípio de Tudo ou Nada Este mar que nos divide, Este princípio de tudo ou nada. O mar é que decide, De ti manter-me afastada.

Este princípio de tudo ou nada, Nada vale para mim, Como posso de ti afastada, Conseguir viver assim?

Paixão Vertiginosa Esta paixão vertiginosa, Sobe, sobe sem parar Vai como um balão, é perigosa, E a queda pode matar.

Matar-me de amores, Talvez por quem não merece. No final sofrer as dores, De que meu coração sempre padece.

Ana Pereira, 11ºF - 2001/02

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Ivo Almeida, 10潞 G - 2006

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Vais recordar-te de mim! Mesmo que queiras esquecer-me, Sempre estarei junto a ti Por muitos anos que vivas, Vais recordar-te... Do meu sorriso, do meu rosto, Da minha maneira de ser, Do meu mundo, das minhas coisas. Vais recordar-te de mim! Porque tenho sido para ti; Cada minuto, cada instante Muito mais que uma boa amiga, Uma boa amante, Companheira tenho sido sempre, Inseparável de ti. Vais recordar-te de mim! Da loucura da minha paixão, Da doçura do meu amor, Da ternura da minha voz E dos meus beijos. Beijos que jamais Encontrarás outros iguais. Vais recordar-te de mim! Quando estiveres em outros braços, Quando te falarem de amor E quando beijares outros lábios Vais recordar-te de mim!

Isabel Couto, 12º A – 2002/2003 1º prémio concurso literário “Amor …” ESPBS – Dia dos Namorados 2003

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Amor Quando uma leve brisa Tocar nos teus lábios Não te assustes. É o meu pensamento Que te beija em silêncio. A hora passa… A noite escurece… O dia clareia… Mas um verdadeiro amor… Esse permanece e, nunca se esquece. Amo-te muito. O amor que sinto por ti É anónimo. É anónimo porque… Não sei de quem é.

Rui Paulo Ramos, 7ºB – 2004 3º lugar concurso literário de Língua Portuguesa da ESPBS – 2004

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Amor Amor é chama incandescente, Que arde mas não consome, Engana mas não mente! Amor é para quem está disposto a amar... Amor é pra compartilhar.

É sentir o perfume sem a flor, É sentir a luz sem sol, É sentir amparo na dor! Sentir cada momento de forma especial, Ver que tudo nos sorri, nada é banal.

Amor é pensar com o coração, Sentir de forma diferente, Dar largas à imaginação...! É uma droga de vício puro! Derrete até o coração mais duro.

É dar tudo em troca de nada, Estar preso em liberdade, Ter anseio, desejo, saudade! Olhar como quem beija! Beijar como quem ama...!

Hélder Guimarães - 2001/2002 1º prémio do Concurso Literário “O Amor” promovido pelo Departamento de Língua Portuguesa

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Alice Marinho, 8潞 A - 2006

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EU

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Tão Diferente Seria tão diferente… Se os nossos sonhos não terminassem Tão de repente. Seria tão diferente… Se os bons momentos da vida Durassem eternamente. Seria tão diferente… Se de quem a gente gosta, Gostasse um pouco da gente. Seria tão diferente… Se quando chorássemos, Fosse só de contente. Seria tão diferente… Se quem amamos, Sentisse o que a gente sente. Mas, é tudo tão diferente! Os sonhos que a gente gosta Terminam tão de repente! A gente que a gente gosta Nem sempre gosta da gente! E das vezes que a gente chora, poucas vezes são de contente! E a quem a gente ama Não sente o mesmo que a gente! Mas…nós podemos fazer a vida E o mundo diferente!!! Tem é de começar, dentro da gente!!!

Verónica Machado, 10º I – 2004

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O Frio O frio que invade Este corpo quente Com alma descontente Gélida, trémula… O frio que quebra o coração, Que sem amor trabalha, Que sem amor falha, Que vive em vão O frio que arrepia Os poros da pele jovem Que cansada de viver Procura a razão De existir, de ser… Este frio, quente gélido Que sem dó nem piedade Procura acordar, A vida que cá existe Teima em ficar no frio do corpo enregelado Que habita em mim E assim, Aquecer o Inverno do ser, Quem sem saber, Vive para morrer.

Tânia Fernandes, 12ºF - 2000/01

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carlos, 10潞 G - 2006

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Sensações Este terror que me aperta, Que me sufoca… Esta dor persistente, Profunda, paciente… Esta transparência, espelhada Pelo negro de meus olhos… Grito sem voz, Sangro sem feridas Procuro e não encontro, Vivo neste desalento, Morro neste descontentamento. Luto e não vejo O que me atormenta, A agonia em que vivo, A solidão que me alimenta… Procuro e não encontro. Luto e não vejo. E vou vivendo neste pranto, Escondendo o que sinto, Mas vou mentindo, E no espelho em que me miro, além da imagem alcanço.

Tânia Fernandes, 12º F – 2000/2001

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Helena Pinheiro, 8潞 A - 2006

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Hoje, olhei-me ao espelho E senti um arrepio Em todo o meu corpo, Sinto que não estou bem comigo própria, Tenho medo de amar, Tenho medo de me magoar, Entreguei-me vezes sem conta Em relações sem sentido, Todas elas, Deixaram-me marcas E feridas profundas Dentro do meu coração, Não sei se algum dia Elas cicatrizarão, Tenho medo, muito medo, De me entregar novamente, Se te fiz sonhar com nós os dois, Desculpa, mil vezes Te peço desculpa, Quem sabe se um dia Os nossos caminhos Se voltam a cruzar. Sim, quem sabe Se em outra hora E em outro local, Posso vir a amar-te, A entregar-me completamente, Só te peço, um grande favor, Pensa em ti, e sempre em ti, Nunca tomes uma decisão A pensar em mim. Isabel Couto, 11º A - 2001/2002 Menção honrosa no concurso “Uma Aventura… Literária 2002

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Ser um Bom Aluno Ser bom aluno Não é ser igual, É ter um lema, É seguir um ideal!

Sempre a estudar, Sem nunca desistir Olhar o céu Como meta a atingir!

Eu não vou falhar Vou cumprir o meu dever, E como bom estudante Isto não vou esquecer;

De olhos fechados Não quero ficar Não vou estar à espera A ver o tempo passar.

Quero aprender Sempre mais e melhor Para ser na vida Alguém com valor.

Ângela Vaz e Sara Machado, 12º F - 2005

1º prémio no concurso “Uma Aventura… Literária 2005”

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Quem Sou? Quem sou? Sou o sol Sem brilho. Sou a espiga Sem milho. Sou um campo Sem flor. Alguém sem amor! Mas quem sou eu afinal? A noite fria, Coração sem alegria, Sou o céu cinzento, Noite triste, De alguém a quem mentiste. Mas tudo mudará Pois um dia Irei recomeçar a Crescer, sorrir, sonhar, Viver, confiar, acreditar E amar. Quem sou? Alguém que amou, Morreu e ressuscitou. E como o tempo cura Posso voltar a ser feliz!!

Isabel Ferreira, 11º E – 2005 2º prémio no concurso literário ESPBS

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Ana Castro, 8潞 E - 2006

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Vou caminhando pela praia, Deserta e silenciosa... Apenas escuto o batalhar Das ondas nas rochas... Olho no horizonte, Aquela linha imaginária Que nos oculta a beleza Escondida além do mar. Sento-me na areia, Olho as estrelas! Descubro Cassiopeia, Vénus e Andrómeda Estou triste e tão sozinha!... Não tenho mais as tuas carícias, Os teus lábios molhados Cheios do fogo da paixão! Como pudeste ser tão cruel E tão vazio de sentimentos? Eu entreguei-te o meu coração E tu apunhalaste-o... Ofereci-te o meu amor e carinho Tu aceitaste-o, usaste-o E depois deitaste-o fora, Como se fosse algo impuro. Se depois de tanto amor, Tu consegues destruí-lo Com uma simples palavra Ou um simples gesto, Para que existe a palavra amor? Existirá só para me fazer sofrer???... Isabel Couto, 12º A – 2002/2003 Menção honrosa no concurso “Uma Aventura… Literária 2003 38


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Tiago Mendes, 10潞 G - 2006

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Acho que Cresci... Quando é que me lembrei de acordar? Estava tão bem adormecida. Era uma criança... sonhava... Agora sou “grande” e estou perdida.

Quando me perguntaram Pela última vez que sorri Comecei a reflectir E a ver o mundo não é aqui.

Queria poder voltar atrás, Corrigir meus erros que me envergonham Mas não sou capaz...

E tento... Mas é vão esse desejo Pois tudo o que anseio É sonho, é devaneio... E jamais pode voltar a acontecer.

Queria tornar a poder ser livre, Voltar a ser criança, Tornar a aprender, Estar em segurança, Ter um ombro onde me apoiar, Saber sempre que alguém está comigo, Mas não sei, Porque já cresci...

Dalila Fernandes, 11º F - 2005/2006

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Poemas de Nós

Esquecida Tornei-me passado de ti. Tornei-me passado de tudo. Friamente me tornei lápide. Tornei-me memória! Sou nem mais que uma sombra, Nem menos que uma história. Sou um pedaço do teu mundo. Talvez uma perda! Talvez uma vitória! Sou meramente um borrão na tua tela, No meio de tantos traços pintados. Tornei-me marca do teu caminho. Marca do teu destino. Agora sombra do teu passado. Sou em ti marcas de outra vida. Complementos da tua história. Sou meramente um borrão de tinta, Na tela da tua vida, Marcas da tua memória.

Dalila Fernandes, 11º F - 2005/2006 2º prémio no Concurso Literário 2007 - promovido pelo Departamento de Língua Portuguesa

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POESIA

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Poema é... Poema é... A solidão permanente O abraço terno desejado A lágrima de uma criança Que vê o mundo um alvo falhado Poema com linhas Da vida e da morte Para uns o azar para outros a sorte É o despejar de sentimentos O alívio profundo Um espelho mágico Que reflecte o meu mundo E poemas??? São palavras escritas Influência do nosso conhecimento Palavras baseadas na nossa vida Que vão correndo pelas veias do nosso pensamento Poema é a marca do sorriso O calor da tristeza A sensação perdida no papel Sentimentos que o coração não despreza Poema é algo que sai com naturalidade Água que escorre na mente Que vai sem controlo e com vontade É uma surpresa Forma de expressar Sentimentos, surpresas Reflectindo o nosso olhar É um silêncio interrompido Pela voz calada. Um suspiro escondido Uma tela inacabada. Ana Helena, 12ºI - 2005 43


Poemas de Nós

Papel Os meus sentidos, O meu passaporte, A minha voz, É o papel... Papel onde escrevo, leio e desenho; O remédio para este mundo horrível! Através do papel, lendo nele, Voo para outro mundo mais bonito; Através do papel, desenhando nele, Liberto o meu mundo, Através do papel, escrevendo nele Cito factos para tirar conclusões... É a minha salvação, PAPEL!!!!

Alice Marinho, 7ºB – 2005 2ª Menção Honrosa Concurso de Poesia 2005 – ESPBS

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Tiago Oliveira, 10潞G - 2006

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Sophia Seu nome era Sophia Nome Comum Nome sem graça Mas sua pessoa era única Amava o melhor da vida Não, não era luxo! Era o mar, as flores... Toda a natureza! Adorava as crianças Adorava rir Adorava brincar Sophia foi criança Foi esposa Foi mãe Foi a nossa poetisa!

Ana Vieira, 9ºB – 2005 Poema seleccionado para a acção de formação sobre Bibliotecas Escolares

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Poemas de Nós

Ser Poeta Ser poeta É encarar a eternidade, Como o momento que passa. É ter uma relação necessária com o mundo, Fazer a poesia nascer do mais belo sentimento humano. É dum poema, Fazer uma revolução possível e necessária contra a literatura. É a transformação, Da essência para a existência, É olhar a poesia, Como uma forma de viver intensa, Talvez como o amor, Ou a morte. É transformar um poema, Num simples bailado de palavras. Ser poeta, É por fim , Reconhecer, que nenhum verso, É capaz de vencer a morte!

Luís Fernandes, 12º J - 2006/2007 1º prémio no Concurso Literário , promovido pelo Departamento de Língua Portuguesa da ESPBS

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GUERRA E PAZ

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Paz Guerra, guerra e guerra Palavra que é pequena Mas que tem um efeito terrível. Destrói, faz sofrer,... Mas ninguém é capaz de a vencer. Ninguém... Ninguém sabe dizer: “Vamos acabar com isto!” “Isto não nos leva a nada.” Só sabem colaborar, E querem vencer Custe o que custar.... Não pensam que, Existe uma outra palavra. Uma palavra, Mais pequena ainda Mas com muito mais valor. Palavra que traz Carinho, Alegria e Amor. Essa palavra é: PAZ!

Sónia e Carla, 12º G

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Venceu a Liberdade Santa Cruz: este triste, bárbaro episódio Abriu os olhos ao mundo, até então, Alegre e profundamente adormecido. As opiniões são unânimes, total indignação!

Timor, foi-te assim dado a escolher, Nesse momento de raríssima bondade, Liberdade ou mentira? Viver ou morrer? Demonstraste-nos, com coragem, a tua vontade. Eis que surge a pura vingança: Dili a arder, Acto maldoso, terrível, selvagem Dos cobardes demoníacos com mau perder. E os infelizes timorenses?! Não reagem!?

Não reajas Timor, humilha-te, vais-te submeter... Quem se exalta agora, será humilhado, E no final, por fim, acabaremos por vencer, Pois quem se humilha, será depois, exaltado!

Eurico Lemos de Oliveira 12º B – 1999-2000 Menção honrosa no concurso “Uma Aventura… Literária 2000”

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Susana Carvalho, 8潞 A - 2006

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A Paz e a Guerra O Mundo todo em conflitos… Já não há como explicar! Tanto sangue e tanta guerra, Já me está a enervar… A guerra é muito má Prefiro paz e alegria! Dar amor e dar carinho Às pessoas dia-a-dia! A paz traz alegria A guerra só traz tristeza A guerra é muito má A paz é uma beleza!... A guerra é catastrófica Só se vê sangue a escorrer As pessoas muito berram, Por ver outras a morrer. A paz é Santa harmonia! Só pombas a voar… Amor e muita beleza, É o que se pode dar! A guerra traz violência, A paz traz saudade, A guerra é inocente, A paz é uma verdade! Acabar com toda a guerra, E fazer a paz subir Quero olhar para as pessoas e vê-las todas sorrir. Cristiano Mendes, 8º F - 2005/2006 3º prémio Concurso Poesia 2006 – ESPBS 52


Poemas de Nós

Timor até ao Fim… Chorando cantemos A tristeza de um povo Que um dia viveu, noutro sofreu, Noutro lutou pela liberdade Que há-de nascer de novo. Unidos salvemos A alma que se esvai Sempre com a vontade de ajudar Timor, Timor Lorosae! E em nós guardemos A esperança que sempre há-de haver Em busca daqueles, Que por Timor morreram, Para Timor viver! E a cabeça erguemos Para que na hora da verdade Estejamos com Timor Sonhando com o dia da hora final Onde com grande alegria e amizade Choraremos a eterna saudade! E finalmente a dor acabará Quando estivermos com Timor, até ao fim…

Helena Fernandes,11ºH - 2000

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Poemas de Nós

O Mundo Não sentes!? Guerra, Guerra e mais Guerra Neste buraco sem fundo Que é o nosso mundo

Crianças a sofrer Pessoas a morrer Viste o que a guerra faz Precisamos é de Paz

De quem será a culpa? Será minha, será tua Ninguém sabe, pois para mim Todos contribuímos para um mundo assim!

Tatiana Silva, 11º E – 2005 3º prémio Concurso Poesia – ESPBS

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Poemas de Nós

Álvaro Pereira, 10ºG - 2006

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Poemas de Nós

Holocausto Foram pessoas como eu Como tu, como nós e como vós. Foram pessoas inteligentes Com estudos! Mas tão ignorantes, Tão desumanas, Sem coração, Sem amor-próprio. Eles fizeram de tudo Conseguiram destruir Um país, um povo Eles dominaram tudo E nós deixámos Que eles matassem Os nossos pais, os nossos avós, A nossa família. Quem cometeu mais erros? Eles por matarem e desrespeitarem, Ou nós, por deixarmos? Tudo isto aconteceu. Quem foram os culpados? Porquê, porque deixámos nós Isto acontecer?

Ana Vieira, 9ºB - 2005 1ª menção honrosa no Concurso Poesia – ESPBS

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Poemas de N贸s

Nicole, 10潞G - 2006

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Poemas de Nós

Violência Quando abrimos os jornais, Quando vemos televisão, Só se ouve e vê violência, Até dá apetite de gritar: Parem! Por favor mais não! Será que o homem não pensa Que a vida é tão bonita Para ser desperdiçada Na construção desmedida De tanta arma maldita! Morrem tantos inocentes! Outros, talvez não... Mas será que ao matá-los Resolvemos os problemas E lhe damos uma lição? Não, isso é engano Que nem é bom pensar Pois não há melhor lição Do que apenas sorrir, Viver feliz e perdoar!

Aida Azevedo, 9º D - 2006/2007 2º prémio no Concurso Literário, promovido pelo Departamento de Língua Portuguesa da ESPBS

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Poemas de N贸s

NATUREZA

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Poemas de Nós

Praia, Areia, Mar Salgado Praia, areia, mar salgado, Menina que corre para o mar Seu coração enganado, Vai voltar-se a apaixonar. Praia, areia, mar salgado, Céu, lua, estrelas cintilantes Pobre coração apaixonado, Entre horizontes distantes.

Ana Pereira – 11ºF – 2001/2002 1º prémio no Concurso Uma Aventura… Literária 2002.

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Poemas de Nós

A Floresta e Eu De muito pequenina te conheço, Lembras-te de brincarmos ao crescer? Tu ganhavas-me sempre… E mais baixa fiquei eu, Mas é assim que tem de ser! De muito amedrontada te conheço. Lembras-te das geadas e dos frios? Eu ganhava-te sempre… Porque fugia para casa e aconchegava os arrepios. De muito pequenina te conheço. E se algum dia me esquecer de ti É de mim que eu me esqueço.

Ana Cristina e Agata, 7º A – 1999/20

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Poemas de Nós

A Água O Padre Benjamim Salgado Deu o nome à nossa escola Eu dei voz a estes versos Que transporto na sacola Feitos de temas diversos Com a água sempre à frente P’ra dar de beber à gente! Fui para a beira do rio E vejo a água a correr Vai regar grandes cearas Para as fazer crescer. A água faz verdes os campos, Faz os jardins florir Com todos estes encantos Põe o mundo a sorrir! Nas ruas há fontanários, Nas escolas chafarizes Temos os rios e mares Para sermos mais felizes. A água é fonte de vida, Sem ela não há viver É meia batalha perdida Se deixarmos de a ter. Se a água me faltar Eu não consigo viver Basta uma gota cair E eu ganho a vida a valer. Ter água na nossa mesa P’ra nossa sede matar A água dos nossos olhos Faz muita gente chorar. A água tem um destino Que não sei imaginar Mata a sede ao pequenino E faz o mundo girar. Tem cuidado com a água Que também pode matar É um bem tão precioso Se a soubermos usar.

Nuno João, 7ºE – 1999/2000 62


Poemas de Nós

Primavera Primavera florida Que tanto nos dá prazer, Com tantas flores coloridas Tão bonitas de se ver.

Campos verdejantes Com sementes a crescer, Tendo cores cintilantes Que nos fazem viver.

Quando as andorinhas Põem os seus ovinhos Não nas suas casinhas Mas sim nos outros ninhos.

Quando chega a Primavera É tempo de alegria, É o que toda a gente espera, É o amor e fantasia.

Helena Marisa, Ricardo Joaquim, Teresa Raquel e Nuno Filipe, 8º M - 1993/94

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Poemas de Nós

A Floresta Temos que preservar a Natureza porque ela é…. mesmo uma beleza.! Da floresta devemos cuidar se nela queremos viver, protegendo-a, podemos ajudá-la a crescer! A floresta é muito fixe, muito fixe para a malta, para podermos respirar é que ela nos faz falta. Por tudo isto: Que a paz verde da floresta Vença sempre O silêncio negro das cinzas.

Ana Cristina e Ágata, 7º A – 2002/2003

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Poemas de Nós

Cristina Araújo, 8ºE - 2006

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Poemas de Nós

Sol de Inverno Amanhece de branco, Qual noiva em dia De casamento!... É Inverno. Pássaros teimosos Cantam alegremente, O sol brilha medroso Num céu límpido E cristalino. Será Inverno??? Sinto que é... Sinto o frio na alma, O frio de não te ter, O frio da tua perda, O frio da dor, O frio da tua partida... O frio de ser eu sem ti... Palavras??? Somente a tristeza do...

Sol de Inverno!

Maria Santana, 7º D 1º prémio no Concurso Literário 2007 - promovido pelo Departamento de Língua Portuguesa

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Poemas de N贸s

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Poemas de Nós

Uma Criança A noite já cai, escura e fria, acaba mais um dia O sol adormece, tudo desaparece. Na noite brumosa entre nuvens, Aparece a lua a brilhar. Ilumina a cidade. Clareada pelo luar, anda pelas ruas, Descalça e sozinha, Aquela criancinha! Não tem onde ficar, adormece a uma esquina Embrulhada em jornais e sempre sozinha! Quem passa por ela, finge não a ver, Ninguém quer saber… E porquê? Porque o mundo só vê… Aquilo que quer ver!

Marta Agra, 10ºH Publicado no Jornal Ponto de Encontro-Dez.1999

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Poemas de Nós

Natal Tudo começou quando o anjo apareceu a Maria e lhe disse: “Tu vais ser mãe”, ela não o compreendia. Isabel, sua prima foi mãe, oh! Que milagre de luz com isto Maria acreditou e disse: “seja eu a mãe de Jesus”. Hoje é dia de Natal, dia de muita alegria, nasceu Deus imortal, filho da Virgem Maria. Jesus nasceu, é dia de Natal, celebremos teu nascimento, oh! rei imortal. Foi a 25 de Dezembro, após uma longa caminhada, que Maria deu à luz aquela criança abençoada. Caminhada percorrida, do Egipto até Belém, em cima de uma jumentinha, sem ajuda de ninguém. Nasceu numa manjedoura, o filho da Virgem Maria, ora aquece, ora arrefece, o boi vento e a mula fria. Foi uma estrela, uma estrela de imensa luz, aquela que indicou aos pastores o caminho a Jesus. Jesus, filho de Maria; Maria, esposa de José; José, pai de Jesus; família de Nazaré.

1º Prémio de poesia do escalão sénior, Concurso da ESPBS

Emília Meira, 11º F - 1994 69


Poemas de Nós

Natal Natal...Natal! Quem és tu, Misterioso Natal Que nos acolhes?

És dia de receber E de dar, Para quem Gosta de amar.

És razão Para a família Se juntar, Como na Bíblia.

Para mim, És um dia De felicidade E alegria!

André Pinto, 8ºB 1º Prémio de poesia do escalão júnior. Concurso da ESPBS - 1994

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Poemas de Nós

Um Amigo Inesquecível Tu foste, és e serás um amigo inesquecível! Alguém que a todos nós ensinou Tudo o que a vida tem de incrível. Em ti o mundo desabou Preso no teu frágil corpo Que em tudo te abandonou.

Neste jogo difícil que é a vida, Encontraste forças para lutar, Essa força que em nós estava perdida E que em ti fomos encontrar. A coragem avistamos No imenso brilho do teu olhar.

Num grito silencioso Denunciaste a tua mensagem, Num suspiro tremoroso Finalizaste a tua viagem. Por nós Delfim serás sempre recordado E na nossa alma ficarás gravado.

Dedicado ao Delfim Alexandre Da sua turma: 10º D O Delfim faleceu no ano lectivo 2001/2002

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Poemas de Nós

Maria da Fonte em Poesia

Maria Luísa Balaio Pessoa muito importante Como descontente estava Seus planos levou avante.

Homens zangados e maus Para lá viajaram E para suas defesas Fouces e varapaus levaram.

Grande guerra houve Muito encarniçada e desastrosa Mas foi com isto Que Maria da Fonte saiu vitoriosa.

Criança abandonada Por alguém que não a quis Como alguém a recolheu Maria da Fonte ficou feliz.

Font’ Arcada Seus sinos tocaram a rebate Reunidos no cruzeiro Esperavam pelo combate.

Póvoa de Lanhoso Font’ Arcada precisamente Foi lá que nasceu Este nome vitoriosamente.

Maria da Fonte Deu nome à revolução Do seu nome versões correm As verdadeiras quais serão?

Maria da Fonte Salvadora de Lanhoso. Jamais será esquecido Seu nome vitorioso.

Viva a Rainha, Abaixo os Cabrais! Com Maria da Fonte Isto não se passou mais. 1846, rebentou a revolução Em Póvoa de Lanhoso se diz Mas não custou nada Chegou a todo o país.

Hugo Filipe Machado da Silva, 9º F - 1995/1996 Menção honrosa no Concurso Literário Maria da Fonte promovido pela Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso.

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Poemas de N贸s

Bruno, 10潞G - 2006

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Poemas de Nós

À Noite... Divagando É noite... Céu estrelado, o dia acabado... Música? Notas, melodia, Duas lágrimas, um suspiro, Sentimento e poesia... Em mim não tem lugar o sono, A mim o sonho não pertence... Apenas divago e escrevo O que o pensamento no silêncio vence! A música é cada vez mais calma Mas eu, com a caneta frenética, escrevo É o que me vai na alma... Que desassossego! As palavras saem, duas com três, Ideias confusas... como uma primeira vez! É noite... Chega devagar a escuridão, Depressa a precede a melancolia, Vem de mão dada com a evasão, Perseguindo-a, não desiste a sombra fugidia! Porém minha alma acalma

Liliana Peixoto, 12º B – 1999/2000 3º prémio no Concurso Uma Aventura… Literária 2000

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Poemas de Nós

Haverá Sempre o Ódio Haverá sempre ódio Haverá sempre a ironia, Haverá sempre o ruído Haverá sempre a sintonia Haverá sempre o amor Haverá sempre as mentes do ofício, Haverá sempre razões de choro E momentos de sacrifício! Nunca existirá o sonho Nunca existirá a sorte, Nunca existirá a vida Nunca existirá a morte! Nunca existirá a recompensa Nunca existirá o paraíso, Nunca existirá outro alguém Mesmo quando é preciso!

Nunca existirá o sempre. Ninguém precisa de alguém, Todos serão sempre nenhuns E o perto parece sempre muito além! Parece contraditório o que é muito claro, Pois na vida espera-se a morte! Choro quando rio, porque O fraco é sempre o meu forte!!

Paula Ferreira, 12º F - 2002/2003 Menção honrosa no Concurso Uma Aventura… Literária 2003

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Poemas de Nós

Velha Amiga Sentei-me E senti o frio do granito milenar percorrer as minhas mãos. No horizonte, Onde em tempos pensavam que começava o abismo, O sol não exita em desaparecer. Sombras surgem de todos os lados… Todo o dia esperei este momento Para que quando chegasses Te pudesse contar todos os meus segredos. Lentamente vais-te revelando, Sinto a tua chegada e contudo não te sinto, Vejo-te e contudo nada vejo, Sei agora que estás comigo. Sabes tudo o quanto sofri. No silêncio, Contaste todas as minhas lágrimas. No silêncio, Ouviste todos os meus murmúrios, Todos os meus gritos. Viste-me sorrir quando, em tempos remotos, amei… Conheces todas as minhas fraquezas, Sabes perfeitamente onde errei. Nunca me desanimaste, Pelo contrário, fizeste-me pensar de novo em tudo o que fiz. Tornaste-te numa amiga e confidente, Tornaste-te na sepultura dos meus segredos, Dos meus crimes e dos meus medos, Onde gravei num epitáfio: In pace requiescant! Não falas Mas sei que me ouves. Noutros tempos temi-te Mas agora confortas-me. Vive para sempre, Minha Velha Amiga Escuridão. António Soares, 12ºH – 2005/2006

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Poemas de Nós

Corvo Negro Adormecida na cama de palha, Ouço a noite, inspiração minha, E sinto as asas baterem-me na face molhada, De um corvo negro, companheiro de toda a vida. Deita-se ao meu lado, este amigo, negra brisa E ao estilo de uma música de embalar Conta-me histórias de belas adormecidas E dos príncipes que vêm para as salvar. Conta-as vezes sem conta, Até que os meus ouvidos, já cansados de escutar, Levam-me para outro mundo, só para que as possa vislumbrar.

Mas quando a manhã acorda E o sol ordena os seus súbditos ao dia-a-dia voltar, Ele parte, lá para fora, E os meus olhos queimam da luz que entra para me consolar Porque eu sei que só à noite o voltarei a encontrar.

O dia passou Mais alguém nasceu, mais um jogo que se perdeu. Mas finalmente a noite chegou, E com ela, o meu corvo negro, Que me conta um outro enredo, Deste vez com bruxas e frutos envenenados, Com enlaces muito mal contados E um fim que já não consegui ouvir. Simplesmente porque adormeci Com um corvo negro ao pé de mim. E foi mais uma noite feliz!

Daniela Sousa, 11º A - 2006/2007 Concurso organizado pelo Departamento de Língua Portuguesa

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Poemas de Nós

Persistência da Síndroma Pós-Traumática Cardiovascular Utópica O mapa é aquilo que a cabeça desenha Quando estamos imóveis mas em movimento. E estamos unidos. E é bonito... Será esta a minha perdição? Ficar para sempre à deriva num mar de pessoas? Não, eu recuso-me. Recuso-me a não encontrar o tesouro perdido. Não o encontrarei apenas na nossa estrada, nem no meu esboço, Nem sequer nas vidas mentirosas! Mas não sei onde ele se encontra, Pois só o vejo quando fecho os olhos, Quando a luz se manifesta no vácuo. E tu tocas-me... Mas eu sei que não é real, Nada é real para mim, Nem mesmo a minha realidade. Tantos rostos, tantos corpos, tantas ilusões. Falsas tentações!... Porque insistes em tocar-me quando não tens a noção disso? Toca-me antes aqui e agora, para sempre, Antes que me deite, perca a alma e me esfrie o corpo. Não...continuas a tocar-me no outro mundo. E é feio...

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Poemas de Nós

Num mundo de sonho, sem tu saberes Vivemos os dois vidas que mentem. Tocamo-nos sem sequer te aperceberes E então pedes...pedes para ninguém ver. O que fazemos é só nosso, Ainda que seja ao contrário. Estamos unidos. É bonito. Vamos os dois pela estrada fora. Penso que será a estrada da utopia, Pois não tens noção das nossas leis, Nem das leis que ditam a luz. Mas eu sinto-o mesmo que não saibas! Sinto a tua leve brisa no meu rosto, Ainda que não me toques. Estamos unidos É bonito. Pedes e digo-te: ninguém verá! O nosso tesouro perdido não tem ouro, Nem referência, nem localização.

Ricardo Fonseca, 12ºE

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Poemas de N贸s

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Poema de Nós - Antologia Poética  

Livro de poemas

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