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O Mundo do Emprego em São João da Madeira            

 

 

Área de Projecto 

         

 


Livro do    Projecto 

O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

                            Livro do Projecto “O Mundo do Emprego em São João da Madeira”  São João da Madeira, Maio de 2011  Escola: Escola Básica e Secundária Oliveira Júnior  Ano Lectivo: 2010/2011  Autores: Grupo constituído pelos seguintes alunos da turma D do 12.º ano:   Daniel Diaz (n.º 5);   Diogo Moreira (n.º 8);   Hélder Reis (n.º 11);   Ricardo Teixeira (n.º 20);   Ricardo Oliveira (n.º 21);   Rúben Sousa (n.º 22).  Disciplina: Área de Projecto  Professor: Henrique Silva  Apoio: Professora Bibliotecária Luísa Correia; Direcção do Agrupamento de Escolas  Oliveira Júnior    2   


Índice 

Livro do  Projecto 

 

Índice

 

Prefácio 

pág. 4 

Capítulo I – Introdução ao tema do projecto 

pág. 5 

Capítulo II – Inquérito à população sanjoanense empregada 

pág. 11 

Capítulo III – Características principais do emprego na cidade 

pág. 17 

Distribuição do emprego pelos sectores de actividade 

pág. 18 

Qualificação dos empregos na cidade 

pág. 24 

O problema do desemprego e do emprego precário 

pág. 29 

Migrações pendulares de e para SJM: causadas pelo emprego? 

pág. 34 

Capítulo IV – Casos de destaque no sector empresarial sanjoanense 

pág. 39 

Oliva 

pág. 40 

Creativesystems 

pág. 46 

Netos 

pág. 52 

Fepsa 

pág. 58 

Olmar 

pág. 63 

Viarco 

pág. 68 

Capítulo V – Instituições importantes para o mundo do emprego em SJM 

pág. 74 

Sanjotec 

pág. 75 

Centro de Formação Profissional da Indústria do Calçado 

pág. 81 

Capítulo VI – Perspectivas políticas acerca do emprego na cidade 

pág. 87 

Perspectiva da Câmara Municipal de SJM 

pág. 88 

Perspectiva dos partidos da oposição 

pág. 93 

Conclusão 

pág.100 

Bibliografia 

pág.101 

Anexos 

pág.102 

3   


Livro do    Projecto 

O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

Prefácio

 

O  nosso  projecto,  “O  Mundo  do  Emprego  em  São  João  da  Madeira”,  teve  como  objectivo  caracterizar  o  mercado  laboral  e  empresarial  da  cidade  onde  se  insere  a  Escola  Secundária  Oliveira  Júnior.  A  escolha  deste  tema  deveu‐se  ao  facto  de  nos  permitir  aumentar  o  nosso  conhecimento  acerca  das  áreas  profissionais  com  mais  oportunidades  e  empregabilidade  na  nossa  região  e,  por  outro  lado,  aplicar  os  conhecimentos  das  várias  disciplinas  leccionadas  ao  longo  do  ensino  secundário,  no  nosso curso de Ciências Socioeconómicas.  Na primeira fase do projecto (que correspondeu ao 1º e ao 2º períodos), optámos por  fazer o estudo deste tema através da elaboração dos nossos textos semanais, onde, a  partir de pesquisas, entrevistas e do nosso inquérito, abordámos as várias dimensões  do nosso tema/problema.  Optámos  por  criar  duas  versões  dos  nossos  textos  semanais.  Uma  delas,  a  mais  resumida,  foi  publicada  semanalmente  no  nosso  blogue,  em  http://emprego‐ sjm.blogspot.com/,  com  o  objectivo  de  divulgarmos  o  nosso  projecto  à  cidade  e  de  tornar possível a interacção com a comunidade local.  Já  a  segunda  versão  foi  feita  tendo  em  vista  a  criação,  na  segunda  fase  do  projecto  (que correspondeu ao terceiro período), deste livro, que constitui uma compilação de  todos  os  textos  feitos  ao  longo  da  1ª  fase  do  projecto.  Ao  juntarmos  todo  o  nosso  trabalho  de  pesquisa  e  investigação  neste  documento  e  ao  oferecê‐lo  às  bibliotecas  escolar e municipal, pretendemos dar o nosso humilde contributo para o fundo local,  tornando  esta  informação  acessível  a  todos  os  que,  no  futuro,  pretendam  procurar  dados sobre a economia e o emprego em São João da Madeira.  Esperamos  que  o  leitor  considere  a  informação  presente  neste  livro  relevante  e  que  aprecie este que é um dos produtos finais do trabalho de projecto do nosso grupo!   

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Cap. I ‐ Introdução 

Livro do  Projecto 

   

Capítulo I

                     

Introdução ao tema do projecto    

 

 

5   


O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

Livro do    Projecto 

A cidade de São João da Madeira situa‐se na região (NUT II) Norte, sub‐região (NUT  III) Entre Douro e Vouga. Pertence à Grande Área Metropolitana do Porto (GAMP) e  ao distrito de Aveiro. Tem 21 762 habitantes (estimativa para 2008).  É o menor município português em área (apenas 8,11 km²), que correspondem à área  da cidade, bem como da freguesia de S. João da Madeira. Tem, portanto, uma elevada  densidade  populacional,  que  é  de  2601,97  hab/km²  –  é  um  dos  nove  municípios  portugueses com densidade populacional superior a 2000 hab/km2.  Apesar  da  população  da  cidade  de  S.  João  da  Madeira  ser  de  21  762  habitantes,  a  população da sua área urbana é bem superior, aproximando‐se dos 50 000 habitantes,  pois o crescimento da cidade fez com que esta tivesse que crescer para além dos seus  míseros 8,11km2 de área, expandindo‐se para freguesias dos concelhos de Oliveira de  Azeméis  e  Santa  Maria  da  Feira,  como  Cucujães  (cuja  população  é  cerca  de  11  000  habitantes), Arrifana (cerca de 8000 habitantes), S. Roque (cerca de 5000 habitantes)  e Milheirós de Poiares (cerca de 4000 habitantes).  É a maior cidade do chamado “Eixo Urbano do Entre Douro e Vouga (EDV) ” – a zona  mais dinâmica do EDV, que corresponde ao contínuo urbano Santa Maria da Feira ‐ S.  João da Madeira ‐ Oliveira de Azeméis, onde as três cidades se complementam entre  si.  Quanto  aos  transportes,  a  nível  rodoviário  a  cidade  é  atravessada  pelo  IC2  (antiga  EN1).  Está  a  8km  da  A1  e  a  10km  da  ex‐SCUT  A29.  Brevemente  terá  uma  ligação  directa  ao  Porto  sempre  por  auto‐estrada,  com  a  construção  da  A32  (Carvalhos  –  Oliveira de Azeméis) e do ramal que a liga ao concelho de S. João da Madeira. A nível  ferroviário, é atravessada pela linha do Vouga.  Distâncias de S. João da Madeira para algumas cidades portuguesas:       

Santa Maria da Feira: 6,2 km  Oliveira de Azeméis: 8,6 km  Ovar: 14,5 km  Porto: 35 km  Aveiro: 48,5 km  Lisboa: 288 km 

Economia e emprego na cidade:  No  concelho  de  S.  João  da  Madeira,  o  emprego  distribui‐se  pelos  sectores  de  actividade  da  seguinte  forma  (dados  de  2005):  o  sector  primário  contribui  praticamente para 0% do emprego (pois todo o concelho corresponde a área urbana);  o  sector  secundário  contribui  para  62%  dos  empregos  da  cidade;  o  sector  terciário  emprega  38%  dos  que  trabalham  na  cidade.  A  taxa  de  desemprego  no  concelho,  6   


Cap. I ‐ Introdução 

Livro do  Projecto 

 

segundo  uma  notícia  do  jornal  SOL  de  7  de  Maio  de  2010,  é  de  10,2%,  estando  em  linha com a média nacional da taxa de desemprego.  O  sector  secundário,  que  é  muito  forte  na  cidade,  é  dominado  pelas  PME,  que  concentram  74%  do  emprego  do  concelho.  Está  organizado  em  quatro  zonas  industriais:  Travessas,  Orreiro,  Devesa  Velha  e  Oliva.  Existe  também  o  Centro  Empresarial  e  Tecnológico  (CET),  inaugurado  em  2008,  que  é  uma  incubadora  de  empresas com base tecnológica, nomeadamente empresas relacionadas com as áreas  da Robótica, Automação Industrial, Biotecnologia, Química, Design e Tecnologias da  Informação. Pertence à Sanjotec, uma entidade que resultou de uma parceria entre a  Câmara Municipal de S. João da Madeira, a Universidade de Aveiro e outras entidades.  Contudo,  a indústria  que  predomina  na  cidade  é  a  do  calçado.  São  João  da  Madeira  está  legalmente  registada,  no  Instituto  Nacional  da  Propriedade  Industrial,  como  “Capital  do  Calçado”.  Em  2008  existiam  na  cidade  68  fábricas  de  calçado,  que  corresponde  à  quinta  maior  concentração  destas  fábricas  no  país;  estamos  apenas  atrás,  respectivamente,  dos  concelhos  de  Felgueiras,  Oliveira  de  Azeméis,  Santa  Maria da Feira e Guimarães. S. J. Madeira é a sede do Centro Tecnológico do Calçado  (CTC) e do Centro de Formação Profissional da Indústria do Calçado (CFPIC), ambos  com filiais em Felgueiras.  E o que distingue as indústrias de calçado sanjoanenses das restantes? De acordo com  Vasco Eiriz, investigador da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho e  autor de um estudo sobre a indústria de calçado em Portugal, a indústria sanjoanense  é a mais antiga e, por isso, a mais vocacionada para o fabrico manual, sem recurso a  tecnologias.  Todavia,  produz  calçado  de  um  elevado  nível  de  qualidade,  que  se  destina aos segmentos de mercado superiores, pois o seu preço é alto. Desta forma,  as  fábricas  de  calçado  sanjoanenses  são  competitivas  e  complementares  com  as  do  resto  do  país,  e  têm  resistido  relativamente  bem  à  crise,  já  que  os  seus  produtos  destinam‐se, na sua maioria, aos mercados externos.  A indústria da chapelaria também é um prato forte em S. J. Madeira. A Fepsa é a única  empresa  em  Portugal  no  fabrico  dos  feltros  que  são  utilizados  para  a  produção  dos  tradicionais  chapéus  de  feltro;  cerca  de  20%  da  produção  mundial  de  feltro  é  feita  nesta  empresa.  Os  feltros  sanjoanenses  são  reconhecidos  mundialmente,  tendo  já  sido  utilizados  por  Johnny  Depp  num  dos  filmes  que  protagonizou.  Por  tudo  isto,  a  Fepsa  foi  reconhecida  pelo  IAPMEI,  em  2008,  como  uma  PME  Líder,  prémio  que  reconheceu esta empresa pelo contributo que dá à economia nacional.  Por  outro  lado,  o  Museu  da  Chapelaria  mostra‐nos  o  lado  histórico  do  fabrico  dos  chapéus  no  concelho.  Instalado  no  antigo  edifício  da  Empresa  Industrial  da  Chapelaria, que já foi uma das principais fábricas de chapéus na cidade, este museu é 

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Livro do    Projecto 

O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

único  na  Península  Ibérica  e  preserva  as  memórias  de  uma  indústria  que  muito  contribuiu para o progresso de S. João da Madeira. 

Figura 1 – O Museu da Chapelaria  É também de referir que localiza‐se nesta cidade a Viarco – Indústria de Lápis, Lda.,  que é a única fábrica de lápis que existe no nosso país, nos dias de hoje. Fundada em  1907,  em  Vila  do  Conde,  esta  empresa  centenária  transferiu‐se  entretanto  para  o  concelho.  É  mais  um  caso  de  uma  empresa  sanjoanense  que  contribui  para  o  dinamismo da economia da cidade e também do país.   Passemos ao sector terciário. Apesar de este concentrar apenas 38% dos empregos  existentes em S. J. Madeira (segundo dados de 2005; desde então esta percentagem  terá  certamente  aumentado  com  a  construção  do  C.  C.  Oitava  Avenida),  apresenta  um  grande  dinamismo:  é  o  maior  pólo  de  comércio  do  EDV,  tendo  uma  oferta  comercial que se complementa com a das cidades de Santa Maria da Feira e Oliveira  de Azeméis.  O centro histórico da cidade (Praça Luís Ribeiro e zona pedonal em redor) continua a  ser uma zona fortemente comercial, apesar de já não ter a força que teve outrora. A  avenida Renato Araújo tem‐se afirmado como a nova zona comercial da cidade, quer  na  zona  mais  central  onde  existe bastante  comércio  tradicional,  quer  na  zona  sul  da  avenida  onde  se  localiza  o  Centro  Comercial  Oitava  Avenida.  Este  centro,  que  8   

 


Cap. I ‐ Introdução 

Livro do  Projecto 

 

pertence  à  Sonae  Sierra,  foi  inaugurado  em  Setembro  de  2007.  Tem  133  lojas,  21  restaurantes, 5 salas de cinema e um hipermercado. É o maior da região do EDV.  Apesar do dinamismo económico da cidade, os salários auferidos pelos sanjoanenses  não  são  os  melhores.  Segundo  dados  do  Ministério  do  Trabalho  e  da  Solidariedade  Social (MTSS), que dizem respeito a 2008, o salário médio de um sanjoanense era de  865,60€.  Estes  valores  estavam  bem  abaixo  da  média  nacional,  que  então  era  de  1071,60€. Já região do EDV, este é o segundo valor mais baixo: no EDV o concelho de  Vale de Cambra era o que ganhava mais, com um salário médio de 931,50€; atrás de S.  João da Madeira apenas estava o concelho de Arouca, com um salário médio mensal  de  666,60€.  Este  é  um  dos  problemas  principais  do  emprego  na  cidade,  que  iremos  brevemente analisar com maior profundidade.  Qualidade de vida na cidade:  

Figura 2 – O parque do Rio Ul  Tendo em conta as características da cidade de São João da Madeira a vários níveis,  um  estudo  do  Instituto  de  Tecnologia  Comportamental  (INTEC),  em  parceria  com  o  jornal SOL, realizado entre Dezembro de 2009 e Março de 2010, distinguiu o concelho  sanjoanense como o melhor município para se viver, entre os 20 concelhos analisados  pelo estudo. Este é um resultado que muito orgulha todos os sanjoanenses.  

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Livro do    Projecto 

O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

Neste  estudo  foram  analisados  dez  domínios  respeitantes  qualidade  de  vida.  Este  concelho  liderou  nos  domínios  da  felicidade,  ensino/formação  e  acessibilidades/transportes.  Já  nos  restantes  domínios  o  concelho  posicionou‐se  no  top 10, com a excepção dos domínios diversidade/tolerância e urbanismo/habitação.  É  de  notar  que  no  domínio  da  economia/emprego  esta  cidade  posicionou‐se  no  5º  lugar do ranking, o que se deve ao dinamismo que os sectores secundário e terciário  dão  ao  emprego  na  cidade.  No  entanto,  os  baixos  salários  praticados  no  concelho  impedem uma posição mais cimeira no ranking.  Em suma, São João da Madeira é uma cidade com uma boa qualidade de vida e um  mercado  empresarial  competitivo.  No  entanto,  ainda  há  muito  por  onde  melhorar!  

10   

 


Cap. II – Inquérito à população sanjoanense empregada   

 

 

 

Livro do  Projecto 

Capítulo II

               

Inquérito à população sanjoanense empregada  

 

 

   

 

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O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

Livro do    Projecto 

Este  inquérito  foi  realizado  pelos  elementos  do  nosso  grupo  de  Área  de  Projecto,  entre 31 de Outubro e 4 de Novembro de 2010. Foi conduzido através da entrevista a  vários  elementos  da  população  empregada  (só  estes  foram  considerados  elegíveis  para  este  inquérito),  em  diversos  pontos  do  concelho  de  S.  João  da  Madeira.  A  amostra é distinta consoante a questão, variando entre 109 e 159 pessoas (isto deve‐ se  ao  facto  de  este  inquérito  ter  sido  dividido  em  três  partes,  para  que  não  fosse  maçador para os inquiridos).  O  objectivo  deste  inquérito  foi  a  obtenção  de  dados  estatísticos  actualizados  para  uma melhor análise ao tema do nosso projecto, já que não encontramos esses dados  na  nossa  pesquisa  feita  até  à  data.  Aqui  ficam,  portanto,  os  dados  recolhidos  e  algumas conclusões da nossa investigação.  Dados recolhidos no inquérito:  A  primeira  pergunta,  onde  questionámos  a  população  acerca  das  suas  habilitações  literárias,  foi  a  que  apresentou  os  dados  que  mais  nos  surpreenderam,  pois  não  esperávamos que estas fossem tão baixas como são:  

 

60,6% da população tem um nível de escolaridade igual ou inferior ao 3º Ciclo  do  Ensino  Básico  (9º  ano),  dos  quais  20,2%  dos  inquiridos  têm  apenas  o  1º  Ciclo, 23,9% afirmaram ter o 2º Ciclo e 16,5% responderam que têm o 3º Ciclo;  23,9% tem o Ensino Secundário concluído (12º ano);  Apenas 15,6% possuem um curso superior. 

Habilitações Literárias 1º Ciclo EB 2º Ciclo EB 3º Ciclo EB Ensino Secundário Ensino Superior 0

5

10

15

20

25

%

Figura 3 – As habilitações literárias da população empregada sanjoanense 

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Cap. II – Inquérito à população sanjoanense empregada 

Livro do  Projecto 

 

Contudo,  houve  um  dado  positivo  nesta  questão:  nenhum  dos  entrevistados  respondeu que era analfabeto. Mesmo assim, esta falta de instrução da população é o  factor  que  se  revelou  mais  preocupante  no  inquérito,  uma  vez  que  condiciona  a  criação de certos tipos de emprego na cidade. Como evitar que os salários sejam tão  inferiores à média nacional com estes níveis de qualificação da população? Será uma  questão a responder num dos próximos subtemas do projecto.  Passemos à situação laboral dos sanjoanenses. Os trabalhadores por conta de outrem  são os que predominam, com 87%; já os trabalhadores por conta própria são 13%. No  grupo  dos  trabalhadores  por  conta  de  outrem,  84,3%  encontram‐se  na  situação  de  efectivos,  15%  estão  contratados  a  termo  certo  e  apenas  uns  irrelevantes  0,8%  trabalham  a  recibos  verdes.  Isto  mostra  que  felizmente  o  problema  do  emprego  precário  ainda  não  é  muito  preocupante  na  nossa  cidade  e  que  a  maioria  dos  sanjoanenses terá, em princípio, o seu emprego seguro por vários anos.  Este  facto  foi  corroborado  quando  perguntámos  directamente  aos  entrevistados  se  pensam que têm o seu emprego seguro por vários anos: 2 3 afirmaram que sim, valor  que  corresponde  aproximadamente  ao  dos  que  responderam  estar  efectivos  no  seu  emprego.  Na  questão  seguinte  pretendíamos  saber  qual  o  concelho  onde  trabalhavam  os  entrevistados (que decerto corresponderão, na sua maioria, a habitantes no concelho  de São João da Madeira). São João da Madeira foi a resposta de 60,4% dos inquiridos;  Oliveira de Azeméis de 16,4%; Santa Maria da Feira de 15,1%. Apenas 8,2% afirmaram  trabalhar em concelhos que não o sanjoanense e os limítrofes. Tendo em conta estes  dados,  não  nos  pareceram  demasiadamente  intensas  as  migrações  pendulares  na  região. Este é outro factor a analisar em pormenor num dos subtemas que se seguem.  Questionámos também a população acerca do sector de actividade onde trabalham.  Como  seria  de  esperar  numa  cidade/região  bastante  urbana,  nenhum  dos  inquiridos  disse  trabalhar  no  sector  primário  (agricultura).  Mas  a  surpresa  veio  nos  sectores  secundário e terciário: o secundário (indústria e construção civil) emprega 33,9% dos  inquiridos  e  o  terciário  (comércio  e  serviços)  66,1%.  No  entanto,  na  introdução  que  fizemos  anteriormente  apresentámos  dados  de  2005  que  referiam  que  62%  dos  sanjoanenses  trabalhavam  no  sector  secundário  e  38%  no  terciário.  Esta  enigmática  inversão  nos  dados  relativos  aos  sectores  de  actividade  é  outro  dos  subtemas  que  iremos analisar em pormenor.  Quando  fomos  mais  ao  pormenor  e  perguntámos  o  ramo  de  actividade  da  empresa  dos inquiridos, surgiram dados interessantes: no grupo dos trabalhadores na indústria,  18,9%  trabalham  em  fábricas  de  calçado  e  16,2%  trabalham  na  indústria  têxtil;  no  grupo  das  empresas  do  sector  terciário,  36,1%  trabalham  em  estabelecimentos  comerciais e 63,9% em outras actividades deste sector.  13   


Livro do    Projecto 

O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

Na  questão  do  número  médio  de  horas  que  trabalha  por  semana,  uma  parte  significativa dos entrevistados, 49,3%, afirmou trabalhar de 38 a 43 horas semanais, o  que  está  em  linha  com  o  horário  normal  de  trabalho  das  40h  semanais.  Quanto  à  população que trabalha menos que o horário usual, os que trabalham menos que 32h  semanais  são  5,5%  e  os  que  trabalham  entre  32  e  37h  semanais  são  9,6%.  Mas  os  valores  relativos  à  população  que  trabalha  mais  do  que  o  habitual  já  não  são  tão  baixos:  35,6%  dos  inquiridos  trabalham  mais  do  que  43  horas  semanais,  sendo  que  8,2% dizem mesmo que trabalham mais do que 55h semanais. 

  Figura 4 – O número médio de horas de trabalho semanal dos trabalhadores  sanjoanenses   Torna‐se, portanto, evidente que muitos habitantes da região fazem frequentemente  horas extraordinárias na sua firma. Outros, para fazer face às despesas, têm mais do  que um emprego: 8,3% dos inquiridos afirmaram à nossa  investigação que tinham 2  ou mais empregos.  Uma das questões mais importantes do nosso inquérito foi a do  número de pessoas  que  trabalham  na  mesma  empresa  dos  entrevistados.  42,7%  dos  inquiridos  responderam que a empresa onde trabalham emprega menos de 10 pessoas, ou seja,  é uma microempresa. Já 52,2% dos inquiridos afirmaram que na empresa trabalham  de  10  a  250  pessoas,  situação  que  corresponde  às  PME  (pequenas  e  médias  empresas). Os trabalhadores de grandes empresas são uma minoria, pois são só 5% os  que responderam que a empresa tem mais de 250 trabalhadores. 

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Cap. II – Inquérito à população sanjoanense empregada 

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São,  portanto,  as  micro‐PMEs  que  dominam  nesta  região,  mais  do  que  no  resto  do  país  (considerando  todo  o  país,  as  PME  contém  aproximadamente  75%  do  emprego  nacional), o que torna a estrutura empresarial desta região bastante peculiar.  Pretendíamos  também  saber  se  os  horários  de  trabalho  dos  sanjoanenses  são  predominantemente  fixos  e  à  semana  ou  se  trabalhavam  por  turnos,  à  noite,  ao  sábado ou ao domingo. 11,6% dos inquiridos trabalham por turnos; 15,1% trabalham à  noite; 30,8% trabalham ao sábado e 17,1% ao domingo. Os horários de trabalho fixos  e  à  semana  são,  portanto,  a  maioria,  como  era  expectável.  No  entanto,  não  nos  deixou de surpreender o elevado número de pessoas que dizem trabalhar ao fim‐de‐ semana, o que estará relacionado com a terciarização da economia do concelho.  A  questão  que  se  seguiu  permitiu‐nos  averiguar  o  peso  do  Estado  no  emprego  da  cidade: 18,9% da população trabalha no sector público e 81,1% no sector privado.  Numa  economia  onde  cada  vez  mais  mudar  de  emprego  é  frequente,  interrogámos  também os sanjoanenses acerca do número de empregos que já tiveram durante a sua  vida. O maior valor relativo foi o dos que apenas tiveram um emprego, com 32,2%. Já  24,7% dos entrevistados responderam que tiveram dois empregos; 16,4% que tiveram  três  empregos;  11,6%  quatro  empregos  e  5,5%  cinco  empregos.  Os  restantes  9,6%  afirmaram  já  ter  tido  mais  do  que  cinco  empregos  na  sua  vida.  Concluímos  que  o  problema da instabilidade laboral não é muito grave no concelho, sendo necessários  esforços para que este não se agrave. 

Figura 5 – O número de empregos que os entrevistados já tiveram na sua vida  activa 

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O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

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Passando  à  parte  final  do  inquérito,  78,6%  dos  inquiridos  dizem  gostar  do  seu  emprego, 98,2% têm um bom ambiente de trabalho na sua empresa e 80,1% pensam  que a sua empresa não está em dificuldades financeiras neste momento. São factores  bastante  positivos  do  emprego  da  cidade/região,  que  nos  fazem  acreditar  que  o  mundo  empresarial  da  nossa  região  é,  apesar  de  tudo,  muito  sólido.  Esperemos,  então, que a recessão que se avizinha não tenha efeitos muito graves nesta zona do  país.  Conclusões finais da investigação:  Este  inquérito  revelou  que  o  mundo  do  emprego  em  São  João  da  Madeira  é  ainda  bastante  tradicional  e  tem  resistido  a  algumas  tendências  actuais  da  economia  nacional, devido:  • • • • •

Aos baixíssimos níveis de escolaridade da maioria da população;  Ao  predomínio  dos  trabalhadores  por  conta  de  outrem  na  situação  de  efectivos;  Ao  facto  da  maioria  dos  entrevistados  fazer  o  horário  normal  das  40h  semanais;  Ao  enorme  peso  das  micro,  pequenas  e  médias  empresas  no  total  do  emprego da cidade/região;  À  preponderância  dos  horários  de  trabalho  fixos  e  à  semana,  que  ainda  se  verifica. 

De entre estes factores, os quatro últimos são benéficos, devendo ser feitos esforços  para que se mantenham assim, uma vez que contribuem para o grande dinamismo do  mercado  laboral  da  cidade/região.  Só  o  primeiro  factor  é  preocupante,  sendo  que  o  principal desafio para o mercado laboral da cidade é tentar aumentar as habilitações  escolares e as qualificações profissionais da população.  É caso para dizermos aos responsáveis: “Mãos à obra”!   

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Cap. III – Características principais do emprego na cidade   

 

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Capítulo III  

                       

Características principais do emprego na cidade

      Tendo nós já feito, na introdução a este tema, uma abordagem inicial à estrutura  sectorial da actividade económica no concelho de São João da Madeira, vamos neste  texto pormenorizar essa abordagem, descrevendo e analisando a situação a que  assistimos nos dias de hoje, para cada um dos sectore   

 

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O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

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Distribuição do emprego pelos sectores de actividade

 

O sector primário:  Sendo São João da Madeira um concelho urbano, não é de estranhar que este sector  (onde se inserem actividades como a agricultura, a silvicultura, as pescas, a pecuária e  a caça) empregue 0% da população residente, segundo os dados recolhidos no nosso  inquérito.   No entanto, existem na cidade algumas explorações agrícolas de pequena dimensão e  bastante fragmentadas, cuja produção se destina maioritariamente ao autoconsumo.  Dadas  as  características  destas  explorações,  praticamente  todos  os  agricultores  do  concelho estão em pluriactividade e plurirrendimento (o cultivo dos campos é apenas  um  part‐time,  pois  estes  agricultores  têm  um  emprego  no  sector  secundário  ou  terciário). 

Figura 6 – Uma das áreas rurais da cidade (junto à Rua do Vale do Vouga)  A maioria dos campos agrícolas concentra‐se nas zonas mais periféricas do concelho,  nomeadamente em Casaldelo.   18   

 


Cap. III – Características principais do emprego na cidade 

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É  de  referir  também  a  relevância  da  Cooperativa  Agrícola  da  Feira  e  São  João  da  Madeira, que proporciona um importante apoio aos poucos agricultores do concelho.  O sector secundário:  Este  sector  (que  engloba  a  indústria  transformadora,  a  construção  e  a  produção  de  energia)  emprega  33,9%  dos  sanjoanenses  (dados  do  inquérito).  Caracteriza‐se  pelo  predomínio das PME, estando as indústrias organizadas em quatro zonas industriais.   O  peso  da  indústria  no  emprego  do  concelho  tem  diminuído  bastante,  devido  à  terciarização da economia: segundo um trabalho de investigação de Maria de Lurdes  Torres (docente do Isvouga), SJM e os restantes concelhos do EDV assistiram “a uma  redução da importância relativa da indústria transformadora na estrutura produtiva ao  nível das principais variáveis” e “a um reforço do peso relativo de algumas actividades  de  serviços,  designadamente  das  actividades  imobiliárias,  alugueres  e  serviços  prestados às empresas e da saúde e acção social”. Mesmo assim, a indústria continua  a  ser  fulcral  para  o  concelho,  pois  as  indústrias  transformadoras  contribuem  para  61,7% do volume de negócios em SJM.  Os ramos das indústrias do calçado e das indústrias têxteis destacam‐se na estrutura  industrial  da  cidade:  segundo  dados  do  nosso  inquérito,  18,9%  da  mão‐de‐obra  industrial do concelho trabalha no primeiro ramo e 16,2% no segundo.   Relativamente à indústria do calçado, que se destaca, a cidade de SJM é detentora da  marca “Capital do Calçado” e é a sede do Centro Tecnológico do Calçado – que apoia  as empresas��deste ramo a aumentarem a qualidade dos seus produtos, bem como a  inovação  tecnológica  nos  seus  processos  de  fabrico  –  e  do  Centro  de  Formação  Profissional da Industria do Calçado – que responde às carências das empresas deste  ramo em termos de formação profissional, qualificando a sua mão‐de‐obra. Contudo,  apesar  dos  esforços  destas  entidades,  a  inovação  tecnológica  e  a  formação  dos  trabalhadores  deste  ramo  ainda  são  muito  deficientes,  sendo  o  fabrico  de  calçado  predominantemente  manual  e  a  produtividade  deste  ramo  relativamente  baixa.  Mesmo assim, esta indústria consegue produzir calçado de elevada qualidade e valor  acrescentado, cuja produção é feita essencialmente para exportação (sendo notório o  crescimento  das  exportações  para  o  espaço  extracomunitário).  Logo,  é  a  procura  externa  que  tem  feito  com  que  as  empresas  deste  sector  mostrem  uma  grande  resistência às adversidades, continuando com grande força no concelho.   Mas  nem  só  de  sapatos  e  têxteis  se  faz  o  sector  secundário  do  concelho:  têm  emergido  novas  indústrias,  dos  ramos  da  metalúrgica,  borracha,  plásticos,  produtos  metálicos,  máquinas,  equipamentos,  entre  outros.  Estas  unidades  industriais  apresentam  uma  dimensão  e  produtividade  bastante  superior  às  das  indústrias  tradicionais, contribuindo para uma maior competitividade do concelho.  19   


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Figura 7 – A Molaflex, uma das indústrias presentes no concelho  São  também  de  referir,  pela  sua  importância  histórica,  as  indústrias  da  chapelaria  e  dos lápis: SJM tem a única fábrica de feltros para chapéus (Fepsa) e a única fábrica de  lápis  do  país  (Viarco).  A  indústria  da  chapelaria  tem  uma  grande  importância  na  história do concelho, pelo que é em SJM que se localiza o Museu da Chapelaria.  Pelo que já foi exposto por nós, é fácil concluir que, apesar da diversidade e força do  sector  secundário  neste  concelho,  este  sector  tem  como  grande  problema  actual  o  baixo  nível  de  investimento  em  inovação  tecnológica  e  em  Investigação  e  Desenvolvimento  (I&D),  o  que  se  deve  à  excessiva  concentração  da  indústria  em  sectores tradicionais e aos fracos níveis de escolaridade e de formação profissional da  mão‐de‐obra e dos empresários.  E  como  inverter  esta  situação?  Destacamos  duas  das  iniciativas  que  as  várias  entidades locais e regionais têm desenvolvido para a resolução deste problema:  

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Criação do Centro Empresarial e Tecnológico (CET) – Inaugurado em 2008, é  uma  incubadora  de  empresas  com  base  tecnológica.  Tem  como  missão  “Contribuir para a promoção e o aumento da produtividade e competitividade  do concelho e da região, através do apoio ao desenvolvimento e modernização  das  empresas  existentes  e  na  implementação  de  projectos  empresariais  inovadores, desempenhando um papel de agente facilitador e dinamizador na 

 


Cap. III – Características principais do emprego na cidade 

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aproximação  entre  o  tecido  empresarial  e  a  comunidade  científica”.  Este  projecto tem‐se revelado um sucesso, pois no edifício de CET estão instaladas  28  empresas  com  base  tecnológica  e  dois  núcleos  de  I&D  industrial,  onde  foram criados 120  postos de  trabalho,  dos quais 70%  pertencentes  a quadros  com  cursos  superiores.  Está  para  breve  a  construção  do  segundo  edifício  do  CET, estando já adjudicada a obra.  Projecto  Sanjonet:  rede  de  inovação  e  competitividade  –  Este  será  “um  sistema integrado de actores urbanos, promotor do desenvolvimento de uma  cidade  viva  e  empreendedora  ao  serviço  do  conhecimento  e  da  inovação  tecnológica”, integrando vários parceiros, que vão desde a autarquia às escolas  secundárias  das  cidades,  passando  pelas  associações  de  empresários.  Nas  acções  que  serão  desenvolvidas  por  esta  rede,  destacamos:  o  “Living  Lab  S.  João”,  que  impulsionará  o  desenvolvimento  de  indústrias  tecnológicas  em  sectores  como  o  automóvel,  o  do  calçado,  a  robótica,  o  design  e  as  nanotecnologias;  o  “INOVSHOECLUSTER”,  uma  entidade  que  dinamizará  a  inovação e o empreendedorismo no cluster do calçado existente na região; e a  “Academia  de  empreendedorismo  e  inovação”,  que  visa  a  promoção  da  qualificação  da  mão‐de‐obra  industrial  e  o  fomento  da  cultura  de  empreendedorismo junto das escolas secundárias. 

Esperemos, então, que estes projectos consigam inverter este problema, fortalecendo  a economia e o emprego no nosso concelho!  O sector terciário:  Este  sector  (o  sector  dos  serviços,  onde  se  incluem  actividades  como  o  comércio,  o  turismo,  os  transportes  e  as  actividades  financeiras)  emprega,  de  acordo  com  os  dados do nosso inquérito, 66,1% da população sanjoanense.  Em SJM, a actividade que se destaca neste sector é a do comércio: 36% das empresas  do  concelho  são  comerciais,  segundo  dados  do  INE.  Também  se  destacam  neste  sector as empresas imobiliárias (correspondem a 18% das empresas do concelho), as  empresas  de  alojamento  e  restauração  (6%  das  empresas),  as  de  educação  (5%  das  empresas) e as de saúde e acção social (5% das empresas).   Como referido previamente, tem‐se assistido, quer em SJM quer no restante EDV, a  um aumento do peso deste sector no emprego e na criação de riqueza. Esta dinâmica  deste sector de actividade no concelho deve‐se principalmente:  

Ao  potencial  geográfico  da  localização  de  SJM  –  esta  cidade  ocupa  uma  posição central no “Eixo Urbano do Entre Douro e Vouga (EDV) ”, situando‐se  entre os concelhos de Oliveira de Azeméis e Santa Maria da Feira. Isto faz com  que  seja  um  local  com  enorme  potencial  para  projectos  comerciais,  como  o  Centro Comercial 8ª Avenida. De facto, este centro, inaugurado em Setembro  21 

 


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de  2007  e  localizado  numa  das  principais  avenidas  da  cidade  (Av.  Dr.  Renato  Araújo),  serve  uma  população  de  mais  de  300  000  habitantes  numa  área  de  influência  de  20  minutos.  Com  133  lojas,  este  centro  foi  premiado  nos  "ICSC  (International  Council  of  Shopping  Centre)  Awards"  2009.  Contribuiu,  sem  dúvida, para o aumento da terciarização e do peso do comércio na economia  sanjoanense.  À existência de uma variada gama de serviços qualificados no concelho – O  facto de o concelho e a região concentrarem um grande número de indústrias  da  fileira  tradicional  do  calçado  levou  ao  surgimento  de  várias  empresas  prestadoras  de  serviços  relacionados  com  este  ramo  industrial.  Assim  sendo,  são  abundantes  na  cidade  não  só  os  serviços  destinados  ao  ramo  do  calçado  em  particular  (como  a  fotografia  publicitária,  o  CAD/CAM,  o  design/modelismo, o trading e a comercialização de máquinas para o calçado)  mas  também  os  serviços  relacionados  com  a  indústria  em  geral  (como  a  auditoria e a consultadoria na área da gestão e da organização). 

Figura 8 – O Continente, um dos maiores empregadores da cidade, no que aos  serviços diz respeito  SJM é, portanto, cada vez mais a cidade do comércio e dos serviços, que se destinam  não só ao próprio concelho mas também a todo o EDV e mesmo a concelhos que não 

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Cap. III – Características principais do emprego na cidade 

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pertencem  a  esta  sub‐região,  como  Ovar  e  Estarreja,  o  que  permite  compensar,  de  uma certa forma, o declínio do sector industrial na cidade.  Conclusão:  Esta cidade, que se insere numa sub‐região com bastante relevância económica para o  país, o EDV, que está patente no facto de absorver 8% do emprego da região Norte e  de ser a origem de cerca de 17 por cento das exportações desta região, tem todas as  condições  para  crescer e desenvolver  ainda  mais  o seu  sector  secundário  e  terciário.  Porém, isto só é possível se os empresários da cidade/região se mentalizarem que o  investimento em inovação tecnológica e I&D, bem como em capital humano (através  da qualificação escolar e profissional da mão‐de‐obra) é a única forma de aumentar a  produtividade das suas empresas e o valor acrescentado criado pelas mesmas. É esta  a missão dos nossos empresários, das entidades responsáveis e, no fundo, de cada um  dos sanjoanenses.   

 

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Qualificação dos empregos na cidade Neste  subtema  iremos  analisar  em  maior  detalhe  a  qualificação  dos  empregos  e  da  mão‐de‐obra de SJM e da região onde se insere, desde os problemas até às soluções.  Os problemas:  Como  já  referimos  em  momentos  anteriores,  a  população  activa  sanjoanense  caracteriza‐se  por  ter  baixos  níveis  de  escolaridade  e  de  qualificações,  o  que  comprovámos  aquando  da  realização  do  nosso  inquérito.  Recordemos,  então,  os  dados da questão relativa às habilitações literárias dos sanjoanenses:      

20,2% dos entrevistados completou o 1º Ciclo do Ensino Básico;  23,9% completou o 2º Ciclo;  16,5% possui o 9º ano de escolaridade;  23,9% fez o Ensino Secundário;  Apenas 15,6% possui um curso superior. 

E não se pense que este é o único problema do concelho ao nível das qualificações…  Segundo o Plano Estratégico do Desenvolvimento Local da Câmara Municipal de SJM,  também se verifica:   

 

A  falta  de  articulação  entre  “o  sistema  nacional  de  educação  e  formação  profissional” e as empresas;  A  desvalorização  do  “ensino  técnico,  profissional  e  tecnológico”  em  detrimento  de  “percursos  educativos  generalistas”,  bem  como  o  “défice  de  cursos profissionais na região”;  As  dificuldades  das  PME  em  “dispensar  colaboradores  para  a  frequência  de  acções de formação”;  As resistências à formação profissional, “quer por parte dos empresários quer  por parte dos trabalhadores e da população desempregada”; 

Todos estes factores fazem com que a mão‐de‐obra sanjoanense se caracterize pela  “obsolescência  dos  saberes  adquiridos”,  sendo  que  o  conceito  de  aprendizagem  ao  longo da vida tarda em ser posto em prática.  Todavia, convém referir que esta situação não é exclusiva do concelho de SJM nem do  EDV: infelizmente assiste‐se a estes problemas em toda a região Norte e, no fundo,  um pouco por todo o país. O concelho de SJM até está  melhor neste campo do que  muitos dos restantes concelhos do país, o que se reflecte no facto de o concelho ter  24   

 


Cap. III – Características principais do emprego na cidade 

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sido  considerado  o  melhor  concelho  do  país  no  domínio  do  ensino  e  formação,  de  entre os 20 municípios analisados no estudo “O Melhor Município para se Viver, feito  no  início  deste  ano  pelo  Instituto  de  Tecnologia  Comportamental  (INTEC),  em  parceria com o jornal SOL. Mesmo assim, face aos problemas apresentados, há muito  por onde melhorar!  

Figura 9 – Um emprego que não exige elevados níveis de qualificação  As soluções:  Felizmente muitas são as instituições e as iniciativas que contribuem para a inversão  desta  problemática  falta  de  qualificação  da  população  da  cidade/região.  Aqui  ficam  algumas delas:  Requalificação da Escola Básica e Secundária Oliveira Júnior e novas instalações  da Escola Secundária João da Silva Correia:  A nossa Oliveira Júnior está, desde o Verão de 2009, em obras de requalificação. No  final  das  obras,  aumentará  a  capacidade  da  escola,  que  passará  a  poder  albergar  65  turmas.  Mas  a  maior  evolução  será  no  campo  das  tecnologias:  todas  as  salas  terão  videoprojector e um terço delas vão estar equipadas com quadro interactivo. Depois  deste  investimento  de  12  milhões  de  euros,  esta  será  uma  escola  dedicada  principalmente à área científica, passando a dispor de dez laboratórios e três salas de  informática.  25   

 


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O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

Já  a  João  da  Silva  Correia  vai  ter  casa  totalmente  nova.  Será  transferida  já  no  fim  deste  ano  de  2010  das  actuais  instalações  em  Fundo  de  Vila  para  as  novas,  na  Mourisca.  Oferecerá  excelentes  condições  para  a  sua  comunidade  escolar:  22  gabinetes para professores, vários laboratórios, um pavilhão que poderá ser utilizado  por toda a comunidade…  São  dois  excelentes  projectos  que  farão  com  que  SJM  tenha  capacidade  para  aumentar  o  número  de  alunos  que  frequentam  as  suas  escolas,  qualificando  os  seus  jovens!  Centro  Tecnológico  do  Calçado  (CTC)  e  Centro  de  Formação  Profissional  da  Indústria do Calçado (CFPIC):  Como  referimos  no  subtema anterior, estas  instituições  respondem  especificamente  às necessidades de formação do ramo do calçado, tendo a difícil missão de qualificar  os trabalhadores deste sector tão tradicionalista!  O CTC tem um sector de formação que se orienta principalmente à mão‐de‐obra das  fábricas de calçado. Desenvolve formações em colaboração com empresas da região,  qualificando técnica e tecnologicamente os seus recursos humanos.  Já  o  CFPIC  faz  formações  não  só  destinadas  à  população  activa  mas  também  aos  jovens  estudantes,  dinamizando  cursos  com  equivalência  ao  9º  ano  (CEFs)  e  cursos  com  equivalência  ao  secundário  (cursos  profissionais),  pois  acolhe  um  Centro  Novas  Oportunidades.  A  grande  qualidade  da  formação  que  desenvolve  está  patente  no  facto de esta instituição ter conquistado, em 2005, cinco dos dez prémios principais no  concurso  internacional  de  design  de  calçado  “Sulle  Orme  del  Cuoio”,  realizado  em  Itália.  É  de  facto  notável  que  esta  escola  se  tenha  destacado  desta  forma  num  concurso  onde  participaram  oito  escolas  de  vários  países,  o  que  nos  mostra  que  o  sector do calçado na cidade pode vir a ter um grande futuro à sua espera, desde que  aposte na qualificação!  Crescimento dos cursos profissionais na cidade:  Em linha com o que se passa um pouco por todo o país, os estabelecimentos de ensino  sanjoanenses  oferecem  um  número  cada  vez  maior  de  cursos  profissionais  aos  seus  alunos.  Estes  são  cursos  de  dupla  certificação,  uma  vez  que  permitem  aos  alunos  fazerem  o  ensino  secundário  ao  mesmo  tempo  que  obtém  uma  qualificação  profissional  de  nível  3.  Assim  sendo,  estes  cursos  são  vantajosos,  já  que  “quando  terminamos  o  12º  ano  estamos  aptos  para  trabalhar  e  se  quisermos  prosseguir  estudos  também  o  podemos  fazer.  Eu  sou  exemplo  disso,  fui  para  um  curso  profissional  e  depois  fui  para  a  faculdade”  (Joaquim  Valente,  director  do  Centro  de  Educação Integral). 

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Cap. III – Características principais do emprego na cidade 

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A  oferta  formativa  das  escolas  ao  nível  destes  cursos  é  definida  pelas  escolas  da  cidade em parceria com a autarquia local e com empresas locais, tendo em vista que  cada  aluno  tenha  um  local  onde  possa  realizar  a  sua  Formação  em  Contexto  de  Trabalho e que cada curso tenha verdadeiramente saídas profissionais com emprego  na  região.  Em  consequência,  a  maior  parte  destes  cursos  têm  uma  ligação  muito  próxima com as áreas comercial, informática, electricidade, apoio à infância, cuidados  de beleza, administração, calçado, electrónica, contabilidade, gestão, design e saúde.  A nosso ver, esta é uma aposta muito positiva: permite evitar que os alunos que não  queiram  frequentar  o  ensino  superior  possam,  mesmo  assim,  ter  qualificações  suficientes para arranjar um emprego minimamente bem pago. É uma oportunidade  de fugir ao desemprego, que a geração anterior não teve!  Escola Superior Aveiro Norte (ESAN):  A  ESAN  é  a  única  instituição  superior  pública  na  região  norte  do  distrito  de  Aveiro.  Inaugurada  em  2004,  é  uma  escola  politécnica  vocacionada  para  sectores  de  actividade  económica  com  grande  importância  na  economia  regional:  moldes,  componentes  automóvel,  metalomecânica,  calçado,  cortiça,  etc.  Está  actualmente  instalada  provisoriamente  no  centro  da  cidade  de  Oliveira  de  Azeméis,  estando  em  curso as obras que darão origem às instalações definidas da ESAN.  Esta escola tem na sua oferta formativa uma licenciatura em Tecnologia e Design de  Produto.  No  entanto,  a  ESAN  especializou‐se  na  oferta  de  Cursos  de  Especialização  Tecnológica – cursos pós‐secundários não superiores que visam a aquisição do nível 4  de formação profissional. Estes funcionam não só na sede da escola mas também nos  concelhos de SJM, Estarreja, Ovar, Albergaria‐a‐Velha e Sever do Vouga.  É mais uma instituição que está a dar o seu contributo para a difícil tarefa de qualificar  a  população  desta  região.  Esperemos  que  com  as  novas  e  maiores  instalações,  a  inaugurar em 2011, aumente o número de cursos e, assim, a quantidade de licenciados  a sair desta instituição!  Centro Local de Aprendizagem (CLA) de SJM da Universidade Aberta (UAb):  Muitos não sabem mas “a UAb é uma instituição de ensino superior público e é a única  no  país  vocacionada  para  o  ensino  a  distância”  (Cátia  Lemos,  coordenadora  do  CLA  sanjoanense).  Funciona  em  regime  de  e‐learning  e  disponibiliza  licenciaturas  e  mestrados  a  todos  os  que  teriam  dificuldade  em  frequentar  uma  licenciatura  ou  um  mestrado da forma convencional e em horário laboral, isto é, está vocacionada para a  formação  dos  que  já  se  encontram  a  trabalhar,  promovendo  o  processo  de  aprendizagem ao longo da vida. 

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O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

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Este CLA está instalado na Sanjotec – Centro Empresarial e Tecnológico – e tem como  objectivo aproximar a UAb de toda a população do EDV, aumentando as qualificações  de toda esta região. Esperemos que o consiga fazer! 

Figura 10 – Instituto de Línguas, instituição que contribui para a qualificação dos  sanjoanenses  Em conclusão…  Face aos problemas que o concelho, a região e o país enfrentam, são indispensáveis  todas estas iniciativas das entidades responsáveis. No entanto, ainda está a faltar um  ponto que talvez seja o mais importante: a actuação na mudança das atitudes e das  mentalidades de grande parte da população em relação à formação profissional, pois  grande parte da população activa ainda pensa, como diz o povo, que “burro velho não  aprende línguas”. Não basta a existência de cursos e acções de formação, é também  necessário que a população se inscreva neles!  Esperemos  que  os  responsáveis  não  se  esqueçam  disto,  para  que  os  níveis  de  instrução  e  formação  da  população  aumentem.  Só  assim  será  possível  aumentar  a  produtividade dos trabalhadores, criar mais valor acrescentado nas nossas empresas  e,  assim,  inverter  o  facto  de  os  salários  desta  região  estarem  abaixo  da  média  nacional, aumentando ainda mais a qualidade de vida dos sanjoanenses!    28   

 

 


Cap. III – Características principais do emprego na cidade 

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O problema do desemprego e do emprego precário na cidade

 

Estes são dois problemas sociais que, infelizmente, estão muito presentes não só na  nossa cidade de SJM e na sub‐região do EDV mas também, de forma mais ou menos  intensa, em todo o país, consequência da crise económica que se verifica em Portugal  e no Mundo desde 2008. Analisemos, então, estes problemas no contexto regional,  começando pelo primeiro.  O desemprego:  Como já referimos na nossa introdução, a taxa de desemprego do concelho de SJM,  segundo  uma  notícia  do  jornal  SOL  de  7  de  Maio  de  2010  (em  que  os  dados  apresentados  são  relativos  a  2009),  é  de  10,2%.  Comparando  esta  taxa  com  a  dos  restantes concelhos do EDV, o desemprego em SJM é maior do que em Arouca (onde  a taxa de desemprego é de 6,7%), do que em Vale de Cambra (taxa de desemprego de  7,0%)  e  do  que  em  Oliveira  de  Azeméis  (taxa  de  desemprego  de  7,7%).  No  entanto,  SJM  está  melhor  que  o  concelho  de  Santa  Maria  da  Feira  (SMF)  em  termos  de  desemprego (pois SMF tem uma taxa de desemprego de 12,0%).  A região onde SJM se insere – a região Norte – tem uma taxa de desemprego de 11,9%  (dados de finais de 2009), bem acima da sanjoanense, sendo a região do país com a  maior taxa de desemprego. Quanto à taxa de desemprego média nacional, essa era,  no fim de 2009, de 10,4% (dados do Eurostat).   SJM  está,  portanto,  inserida  numa  sub‐região  em  que  o  desemprego  é  inferior  à  média da região Norte e à média nacional, o que espelha o dinamismo económico do  EDV  (que  poderia  ser  superior  se  não  se  sucedessem  as  falências  de  empresas  em  SMF). No entanto, tem um desemprego ligeiramente superior à média do EDV, pois a  crise também tem atingido bastante alguns ramos de actividade da cidade.  Um  dos  casos  mais  marcantes  de  empresas  sanjoanenses  atingidas  pela  crise  que  tiveram mesmo que fechar portas é a Oliva. A “Oliva 1925 – soluções de fundição, SA”  empregava  184  trabalhadores  antes  do  seu  encerramento  (mas  nos  seus  tempos  de  glória  chegou  a  empregar  muitíssimos  mais),  trabalhadores  que,  desde  Abril,  engrossam os números do desemprego no concelho e no país, depois do processo de  insolvência da empresa ter ditado o encerramento das suas portas.  29   


O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

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Figura 11 – Centro de Emprego de São João da Madeira  Este e muitos outros casos de falências e desemprego na cidade/região têm motivado  grandes filas no exterior do centro de emprego de SJM. Este é um cenário frequente  no período matinal que se deve ao facto de este centro de emprego ser o único a dar  resposta  a  uma  população  de  cerca  de  300  mil  habitantes,  dos  municípios  de  SJM,  Oliveira de Azeméis, SMF, Arouca, Vale de Cambra e Castelo de Paiva.   Apresentamos agora outros dados (de Fevereiro de 2009) relativos ao desemprego na  cidade:     

56,4% dos desempregados são mulheres;  28% estão inscritos no centro de emprego há menos de um ano;  A maioria (42,3%) tem idade compreendida entre os 35 e os 54 anos;  Quanto  às  habilitações  literárias,  27,8%  dos  desempregados  têm  o  1º  ciclo,  18,9% o 2º ciclo, 19,1% o 3º ciclo, 20,8% têm o ensino secundário e 8,4% têm  um  curso  superior.  Já  os  restantes  5%  dos  desempregados  nem  sequer  completaram o 1º ciclo de escolaridade;  92,9% dos sanjoanenses inscritos no centro de emprego estão à procura de um  novo emprego, enquanto que 7,1% procuram o primeiro emprego. 

Contudo,  convém  não  esquecer  que  todos  os  dados  do  desemprego  que  apresentamos até agora escondem certo tipo de situações, como as pessoas inscritas  30   

 


Cap. III – Características principais do emprego na cidade 

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em acções de formação profissional, as pessoas que desistiram de procurar emprego,  entre outras. Nestes casos, a população não é considerada como desempregada mas  sim como inactiva. SJM apresenta a quarta maior taxa de actividade do país (tem uma  taxa de 66,2%; apenas os concelhos de Albufeira, Vizela, Sintra e Guimarães têm uma  taxa de actividade superior) o que, para além de revelar que SJM é um concelho com  baixo índice de envelhecimento, mostra também que as situações que referimos têm  menos expressão nesta cidade do que no resto do país.  Em suma, SJM, apesar de todo o seu dinamismo económico de que temos dado conta,  tem registado, tal como todo o país, um aumento da sua taxa de desemprego. São,  mesmo  assim,  de  salientar  os  dados  positivos  quanto  à  taxa  de  actividade  do  concelho,  que  fazem  com  que  SJM  esteja  melhor  que  o  resto  do  país  em  termos  de  emprego!  O emprego precário:  Recordando  uma  vez  mais  o  inquérito  que  realizámos,  dentro  do  grupo  dos  trabalhadores por conta de outrem entrevistados, 84,3% encontram‐se na situação de  efectivos,  15%  estão  contratados  a  prazo  e  0,8%  trabalham  a  recibos  verdes.  A  isto  corresponde  uma  taxa  de  precariedade  de  15,7%  na  cidade/região  de  SJM.  Comparando  estes  dados  com  a  taxa  de  precariedade  nacional,  que  é  de  22%,  isto  mostra‐nos  que  o  problema  do  emprego  precário  está  em  SJM  mais  controlado  do  que  no  país  em  geral.  Contudo,  este  não  deixa  de  ser  um  problema  preocupante,  principalmente porque se tem agravado bastante nos últimos anos.  Este agravamento não deixa de ser compreensível em tempos de crise económica, em  que  o  clima  de  incerteza  quanto  ao  que  o  futuro  reserva  está  instalado  pelos  empresários.  Estes  quando  necessitam  de  contratar  trabalhadores,  optam,  prudentemente, por contratar a prazo ou mesmo, em certos casos, a recibos verdes,  com  o  objectivo  de  não  ficarem  “presos”  à  opção  que  fizeram  de  contratar  trabalhadores da mesma maneira que ficariam se efectivassem os trabalhadores.   Segundo  a  CGTP,  há  3  locais  que  se  destacam  no  concelho  por  terem  um  elevado  número de trabalhadores precários nos seus quadros: o centro comercial 8ª Avenida, a  Faurecia e a Trecar. Contudo, a Faurecia, em 2008, vinculou à empresa cerca de 30%  dos  seus  trabalhadores  precários  e  justifica  o  facto  de  ter  um  grande  número  de  trabalhadores a contrato pela forte variação do volume de encomendas que existe no  ramo  automóvel,  onde  a  empresa  se  insere.  De  facto,  os  contratos  a  prazo  foram  criados  para  este  tipo  de  situações  e  não  para  situações  em  que  os  trabalhadores  desempenhem  funções  permanentes,  pelo  que  é  nossa  opinião  de  que  não  tem  justificação  o  facto  das  lojas  do  centro  comercial  8ª  Avenida  recorrerem  tanto  ao  trabalho temporário, agravando o problema da precariedade na cidade. 

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O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

Figura 12 – A Adecco, uma das ETT presentes na cidade  Este  crescimento  da  precariedade  é  também  visível  no  aumento  das  inscrições  nas  empresas  de  trabalho  temporário  (ETT)  da  cidade.  A  delegação  da  Adecco  de  SJM  tinha em Abril de 2008 11 040 inscrições, das quais metade foram feitas entre Maio de  2007 e Abril de 2008. Mas as empresas também procuram cada vez mais os serviços  das  ETT,  face  às  razões  que  já  apresentámos,  o  que  faz  com  que  algumas  das  ETT  digam que “há emprego, há trabalho, as pessoas é que não querem”. Será uma parte  do problema do desemprego na cidade motivado pela inércia e preguiça de alguns dos  desempregados,  ou  pela  sua  excessiva  selectividade  no  emprego  que  pretendem?  Estas afirmações das ETT, mesmo tendo sido feitas antes da recessão de 2009, levam‐ nos a crer que sim.  Para  terminar,  realçamos  o  facto  de,  segundo  o  nosso  inquérito,  apenas  0,8%  dos  sanjoanenses trabalharem a recibos verdes. Tendo em conta que se estima que a nível  nacional a percentagem de trabalhadores que trabalha a recibos verdes seja de 10%, o  concelho  sanjoanense  está  muito  abaixo  da  média  nacional  a  este  nível,  o  que  é  de  louvar,  uma  vez  que  os  recibos  verdes  são  uma  forma  de  trabalho  com  um  nível  de  precariedade inaceitável. É mais um facto que mostra a competitividade das empresas  da cidade, que não necessitam de recorrer a este tipo de contratação, e que, por isso,  muito nos satisfaz.  Em conclusão…  No  concelho  de  SJM,  em  linha  com  o  que  se  sucede  um  pouco  por  todo  o  país,  o  desemprego  e  o  emprego  precário  são  um  grave  problema  social  que  afecta  grande  32   

 


Cap. III – Características principais do emprego na cidade 

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parte  das  famílias.  Todavia,  o  importante  é  não  desistir.  Não  desistirem  os  desempregados,  uma  vez  que  há  ramos  de  actividade  na  cidade  que  por  vezes  necessitam de contratar trabalhadores e não os encontram: o importante talvez será  ser menos selectivo na procura do emprego, pelo menos nestes tempos de crise. Não  desistirem  os  trabalhadores  precários,  desempenhando  exemplarmente  o  seu  trabalho para convencerem os seus patrões a efectivarem‐nos no final do contrato. E  não  desistirem  os  responsáveis  nacionais  e  locais  de  fazerem  tentativas  de  mitigar  estes problemas sociais, não obstante a tão necessária contenção orçamental!   

 

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Migrações pendulares de e para SJM: causadas pelo emprego? Neste  subtema  abordaremos  o  subtema  das  migrações  pendulares  de  todos  os  que  trabalham no concelho de SJM mas residem fora dele, ou vice‐versa.   Na nossa análise incidiremos principalmente nas migrações pendulares que têm como  destino  a  cidade  do  Porto.  Isto  deve‐se  à  sua  grande  importância  no  dia‐a‐dia  do  concelho  sanjoanense.  Esta  é  apenas  comparável  com  a  importância  das  migrações  para os concelhos vizinhos (Feira e Oliveira de Azeméis), que não vamos abordar, uma  vez que são de muito curta distância.  Causas das migrações pendulares para o Porto:   Para muitos dos sanjoanenses, a rotina diária das idas e voltas para o Porto começa na  entrada  para  a  universidade.  Isto  porque  a  Universidade  do  Porto  (UP)  é  a  maior  universidade  portuguesa:  tem  14  faculdades,  em  que  são  leccionados  701  cursos  (35  dos quais são licenciaturas e 18 mestrados integrados), estando actualmente inscritos  na  UP  30  898  estudantes.  E  existem  ainda  mais  instituições  do  ensino  superior  no  Porto:  o  Instituto  Politécnico  do  Porto,  pólos  da  Universidade  Católica  e  Lusófona,  entre outras. Todos estes cursos e instituições contrastam com a situação no EDV, em  que  o  ensino  superior  encontra‐se  muito  pouco  desenvolvido.  Assim  sendo,  a  UP  acaba,  naturalmente,  por  atrair  uma  parte  muito  significativa  dos  alunos  que  saem,  após o 12º ano, das secundárias do concelho, procurando formação superior.  Mas não é só nos tempos de estudante que os sanjoanenses se deslocam diariamente  para  a  cidade  Invicta…  Face  ao  dinamismo  económico  do  Porto  e  arredores,  muitos  dos  sanjoanenses  optam  por  trabalhar  nessa  cidade  ou  em  concelhos  como  Gaia,  Matosinhos  ou  Maia.  Isto  é  principalmente  notório  na  população  que  possui  mais  qualificações, o que se deve não só ao facto de muita dessa população ter estudado no  Porto e, portanto, ter conseguido um emprego nessa cidade, mas também à notória  falta de empregos qualificados e especializados em SJM e restantes concelhos do EDV  (já no Porto esses empregos existem em muito maior número).  São  entre  35  e  45  quilómetros  diários  (consoante  o  percurso  escolhido  e  a  zona  da  cidade  do  Porto  para  que  cada  um  se  destina),  que  nem  todos  fazem  da  mesma  forma…  Partimos  agora  para  uma  análise  a  essas  mesmas  formas  possíveis  dos  sanjoanenses se deslocarem para o Porto.   34   

 


Cap. III – Características principais do emprego na cidade 

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Ir para o Porto de automóvel: 

Figura 13 – Uma das vias rodoviárias que atravessam o concelho  São muitos, provavelmente a maioria, os que optam por fazer esta viagem através do  seu automóvel. Mas nem todos optam pelo mesmo percurso, pelo que abordaremos  agora cada um dos percursos mais frequentemente utilizados para chegar à zona do  Porto.   Um  dos  mais  utilizados  desde  sempre  foi  a  auto‐estrada  A1.  Os  automobilistas  utilizam a N223 para chegar de SJM até à Feira, onde entram na A1, em direcção ao  Porto,  optando  depois,  consoante  o  seu  destino,  pela  ponte  da  Arrábida  ou  pela  do  Freixo. Contudo, este trajecto apresenta dois problemas: tem uma portagem de 1,30€  e  é  um  percurso  onde  o  trânsito  é  bastante  congestionado,  nomeadamente  no  percurso SJM – Feira da N223, devido aos semáforos de Sanfins.  Todavia, a construção das Scut A29 e A44 veio retirar algum tráfego a esta alternativa.  Isto  porque  estas  estradas  permitiam  percorrer  o  trajecto  Feira  –  Gaia  também  sempre em auto‐estrada (sendo que a distância percorrida é apenas 1,5km superior),  mas não pagando qualquer portagem.  Esta situação acabou a 15 de Outubro de 2010, com o início da cobrança de portagens  na Scut Costa de Prata (onde se inserem a A29 e a A44). Assim sendo, percorrer este  último percurso passou a implicar o pagamento de uma portagem de 0,45€, pelo que  35   

 


O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

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o número de automóveis a fazer SJM – Porto desta forma é agora inferior. Mas esta  redução  não  é  muito  significativa…  Na  nossa  opinião,  o  facto  de  muitos  condutores  continuarem a optar pela A29/A44 deve‐se:   

Ao  facto  deste  percurso  continuar  a  ser  bastante  mais  barato  do  que  a  A1:  a  portagem cobrada na A1 é quase três vezes superior à cobrada na A29;  Às isenções concedidas pelo governo: o concelho de SJM beneficia do regime  de isenções criado pelo Estado para minimizar o impacto da entrada em vigor  destas  portagens,  por  ficar  a  menos  de  10km  da  A29.  Logo,  as  populações  e  empresas sanjoanenses têm direito a isenção nas primeiras 10 viagens mensais  por  este  trajecto,  bem  como  a  um  desconto  de  15%  nas  viagens  mensais  seguintes.  No  entanto,  note‐se  que  para  ter  estes  benefícios  é  necessário  adquirir uma Via Verde ou um Dispositivo Electrónico de Matrícula;  À localização do pórtico de portagem na A29: no percurso que os condutores  têm  que  percorrer  da  A29  e  A44  existe  apenas  um  pórtico  de  portagem,  localizado  em  Francelos  (concelho  de  Gaia).  Muitos  optaram,  portanto,  por  continuar a utilizar a A29, mas contornando o pórtico de portagem, poupando  0,45€ por trajecto. Basta sair da A29 no nó de Miramar ou Gulpilhares, cumprir  um  curto  trajecto  de  2km  nas  ligações  secundárias  de  Francelos  e  entrar,  depois, no nó de Francelos da A44, continuando novamente por auto‐estrada  em direcção ao Porto! 

Figura 14 – O IC2, uma das vias mais utilizadas nas deslocações à cidade Invicta  36   

 


Cap. III – Características principais do emprego na cidade 

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Outro  trajecto  bastante  utilizado  pelos  sanjoanenses  é  o  IC2/N1.  Os  condutores  vão  pelo IC2/N1 desde SJM até Grijó, dirigindo‐se, depois, para a A1 em direcção ao Porto.  As  vantagens  deste  trajecto  são  duas:  os  condutores  não  pagam  portagens,  pois  apenas percorrem o troço da A1 em que não são cobradas portagens; é o trajecto mais  directo  para  o  Porto,  em  que  são  menos  os  quilómetros  a  percorrer.  Mas  tem  desvantagens:  é  necessário  percorrer  20km  fora  de  auto‐estrada,  o  que  aumenta  consideravelmente o tempo da viagem; o trânsito do IC2/N1 aumentou bastante nos  últimos tempos, devido à introdução de portagens nas Scut.  Actualmente são estas três as alternativas mais utilizadas para chegar ao Porto, mas  brevemente surgirá uma nova: está a ser construída a A32, auto‐estrada Carvalhos –  Oliveira de Azeméis, que terá uma ligação, também em auto‐estrada, ao concelho de  SJM. Assim, os condutores poderão entrar, no IC2 (na zona do Parrinho), para o ramal  de ligação à A32 (já em auto‐estrada), seguindo depois para a A32 propriamente dita  no  nó  que  se  localizará  junto  a  Pigeiros.  Na  A32  passarão  pelas  freguesias  de  Guisande, Louredo, Gião, Canedo e Vila Maior (concelho da Feira) e de Sandim, Olival,  Pedroso  e  Vilar  de  Andorinho  (concelho  de  Gaia),  até  chegarem  à  A20,  onde  facilmente  poderão  seguir,  sempre  por  auto‐estrada,  até  à  ponte  do  Freixo  ou  da  Arrábida.  Com  esta  auto‐estrada,  cuja  construção  teve  início  em  Outubro  de  2009  e  tem  fim  previsto  para  Outubro  de  2011,  a  cidade  ficará  coberta  pela  rede  nacional  de  auto‐ estradas  e  finalmente  será  possível  algo  que  era  há  muito  reivindicado  pelos  sanjoanenses: ir de SJM ao Porto sempre em auto‐estradas. É uma grande mais‐valia  para o concelho, mesmo tendo em conta que esta auto‐estrada será portajada.  Ir para o Porto de transportes públicos:  Para todos os que não possam ou não queiram deslocar‐se de automóvel para o Porto,  e  face  à  falta  de  ligações  ferroviárias  minimamente  viáveis  para  o  trajecto  SJM  –  Porto, as carreiras da Transdev são a única opção existente para fazer SJM – Porto de  transportes públicos. Mesmo assim, não deixa de ser uma boa opção.  A Transdev faz esta ligação de forma frequente, quer no percurso SJM – Feira – Porto  (via A1), quer no percurso SJM – Lourosa – Carvalhos – Porto (via IC2/N1). A cada dia  útil existe, no mínimo, uma carreira por hora entra as 7h e as 20h, sendo que nas horas  de  ponta  o  número  de  carreiras  é  bastante  superior.  Quanto  aos  preços,  o  bilhete  simples  custa  3,65€.  Contudo,  existe  uma  promoção  que  faz  com  que  esse  mesmo  bilhete custe 2,50€ se for comprado um bilhete de ida e volta, 2€ se for comprado um  pré‐comprado de 5 viagens, 1,80€ se for comprado um pré‐comprado de 10 viagens e  1,59€ se for feito um passe social. 

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Livro do    Projecto 

O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

Tendo  em  conta  estas  promoções,  a  Transdev  pode  ser  uma  boa  forma  de  poupar  nestes  tempos  de  crise,  tendo  ainda  as  vantagens  de  poder  aproveitar  o  tempo  da  viagem e de ser benéfico para o ambiente!  Em síntese… 

Figura 15 – Placa que indica a saída do IC2 para o centro de SJM  Para todos os que trabalham/estudam no Porto e residem no concelho ou vice‐versa,  existem  já  boas  alternativas,  e  melhores  serão  quando  for  inaugurada  a  A32.  Mas  continua  a  faltar  uma  alternativa  muito  importante:  deveria  existir  uma  ligação  ferroviária  entre  a  zona  urbana  do  EDV  e  o  Porto.  É  algo  de  que  já  se  fala  há  muito  tempo, mas que nunca foi para a frente, pois, incompreensivelmente, a ferrovia está  algo  esquecida  no  nosso  país  e  aposta‐se,  actualmente,  em  força  nas  estradas…  Esperemos que, quando chegarem melhores dias, o EDV venha a ter um comboio para  o Porto. É um investimento que, sem dúvida, a região merece!   

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Cap. IV – Casos de destaque no sector empresarial sanjoanense   

 

 

 

Livro do  Projecto 

Capítulo IV

           

Casos de destaque no sector empresarial sanjoanense          

 

 

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O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

Oliva

 

Iniciamos agora uma nova série de textos, em que abordaremos uma série de casos de  empresas sanjoanenses que de uma forma ou outra marcam ou marcaram a economia  do concelho.  Começamos pela Oliva, uma empresa que chegou a ser uma das maiores do país. Foi  um  dos  mais  importantes  motores  do  desenvolvimento  de  SJM,  tendo  contribuído  para a afirmação do concelho a nível regional.  Da fundação até aos “anos de glória”:   Foi  em  1925,  mais  concretamente  a  31  de  Julho,  que  SJM  viu  nascer  uma  nova  empresa:  a  “Oliveira,  Filhos  e  Cia.  Lda”.  A  Oliva  inicial  dedicava‐se  às  indústrias  da  fundição, da serralharia, da serração e da carpintaria mecânica e mostrou uma grande  pujança:  um  ano  depois  da  sua  criação  já  ocupava  uma  área  de  2  mil  metros  quadrados.  Não tardaria muito até que, em 1934, esta fábrica se aventurasse em novas áreas de  negócio, passando a ser produzidos fogões de cozinha, ferros de engomar, radiadores  e  tornos  de  bancada.  Aposta  esta  que  se  viria  a  revelar  um  grande  sucesso,  face  à  grande  aceitação  destes  produtos  no  mercado,  e  que  proporcionou  o  capital  necessário à realização de novos investimentos, de que é exemplo a criação de uma  unidade de produção de banheiras, em 1938.  Dez anos passados a fábrica expandiu novamente as suas áreas de negócio, passando  a produzir as míticas máquinas de costura Oliva. Estas lideraram o mercado nacional  durante  mais  de  30  anos,  batendo  uma  grande  concorrente,  de  dimensão  internacional – a Singer.  Isto pode ser explicado pelo facto de as máquinas de costura Oliva terem sido postas à  venda a um preço bastante acessível, até para os menos abastados. Mas tão ou mais  importante  do  que  isto  foi  a  estratégia  publicitária  genial  que  a  empresa  pôs  em  prática: a Oliva tinha diversos pontos de venda exclusivos pelo país, organizava cursos  de  costura  para  domésticas,  desenvolvia  concursos  de  vestidos  de  chita,  colocou  reclames luminosos em locais estratégicos (como a Avenida dos Aliados, no Porto, o  Rossio, em Lisboa e até a baía de Luanda, em Angola), entre muitas outras acções de  marketing da Oliva que mais parecem do século XXI do que da década de 1950.  Todo  este  sucesso  teve  como  consequência  o  crescimento  da  área  de  laboração  da  Oliva,  que  passou  a  ser  de  25  000  m2.  Mas  os  grandes  beneficiados  viriam  a  ser  os  trabalhadores  da  empresa,  uma  vez  que  António  José  Pinto  de  Oliveira,  o  líder  da  40   


Cap. IV – Casos de destaque no sector empresarial sanjoanense 

Livro do  Projecto 

 

empresa,  considerava  fundamental  a  existência  de  uma  política  social  e  cultural  que  valorizasse os trabalhadores, mantendo‐os motivados e produtivos. Assim sendo, os  funcionários desta empresa beneficiavam de um rendimento acima da média, devido  aos  prémios  de  mérito  e  aos  subsídios  pagos.  Para  além  disso,  a  Oliva  tinha  uma  biblioteca e um posto médico, organizava colónias de férias e festas de natal para os  filhos dos funcionários, apostou fortemente no desporto e criou uma cooperativa de  consumo para os funcionários. São apenas alguns exemplos das inúmeras regalias de  que beneficiavam os operários desta fábrica. 

  Figura 16 – A degradação em que actualmente se encontra a zona da Oliva  Seguiram‐se novos investimentos por parte da Oliva. Nos anos 50 do século XX surgiu  a  Fábrica  de  Tubos  de  Aço,  bem  como  a  produção  de  torneiras.  Foram  os  “anos  de  glória” da Oliva (1954 – 1969), em que a fábrica tinha uma área coberta de 35 000 m2 e  empregava cerca de 3000 trabalhadores, um número deveras impressionante, pois o  concelho de SJM tinha então apenas cerca de 12 000 habitantes.  A decadência e a morte da Oliva:   Apesar da força económica que a Oliva tinha nos anos 60, foi ainda nessa década que  se  deu  o  acontecimento  que  viria  a  despoletar  o  processo  de  declínio  da  Oliva:  em  1969,  a  ITT  (empresa  americana)  adquiriu  todo  o  capital  da  Oliva.  Foi  então  que  António  José  Pinto  de  Oliveira  deixou  a  Oliva,  tendo  a  empresa  alterado  a  sua  41   


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O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

estratégia.  E,  como  se  já  não  bastasse  toda  esta  instabilidade,  as  perturbações  políticas  vividas  no  país  na  década  de  1970  vieram  agravar  ainda  mais  todos  estes  problemas da empresa.  Estes  problemas  continuaram  na  década  seguinte,  em  que  os  novos  gestores  da  empresa se revelaram incapazes de delinear um novo rumo para a fábrica, já que não  possuíam  as  habilitações  e  qualificações  necessárias  para  exercer  o  cargo  que  ocupavam.  Já  nos  anos  90  do  século  XX,  depois  da  total  descapitalização  da  empresa,  um  conjunto de antigos funcionários da empresa iniciaram um projecto que visava trazer  de volta a Oliva dos anos 60. Todavia, isso veio a revelar‐se impossível numa empresa  sem capital, em que todos os projectos se deparavam com obstáculos diversos.  Em 2003 a Oliva era, por tudo isto, uma empresa descapitalizada, sem investidores e  sem  responsáveis  pela  sua  gestão.  Factores  que  determinaram  a  sua  mudança  de  nome  para  “Novolivacast”  e,  no  ano  seguinte,  a  sua  aquisição  pelo  grupo  Suberus.  Mas nada disto resolveu os problemas da empresa. 

Figura 17 – A Rua da Fundição, onde se situava a Oliva  Seguir‐se‐ia nova mudança de nome da empresa: à “Novolivacast” seguiu‐se a “Oliva  1925”. Esta nova Oliva tentou ainda reestruturar a empresa, vendendo a sua unidade  de produção de torneiras à Cifial e ficando apenas com a sua secção de tubos de aço.  42   

 


Cap. IV – Casos de destaque no sector empresarial sanjoanense 

Livro do  Projecto 

 

Contudo, os problemas chegaram a uma situação limite, o que levou a empresa a um  processo de insolvência.  Neste  processo  ainda  surgiu  a  hipótese  de  viabilização  da  empresa,  possível  se  surgisse  um  investidor  disposto  a  investir  2,6  milhões  de  euros  na  empresa.  Mesmo  com  todos  os  problemas  da  empresa,  o  administrador  da  insolvência  garantiu  que  este  investimento  seria  facilmente  recuperado  em  pouco  tempo.  Porém,  a  proposta  que viria a vencer a votação seria a de “encerramento do estabelecimento e actividade  da  insolvente  e  liquidação  do  activo  da  massa  insolvente”,  conforme  declarado  pelo  Tribunal de SJM.   Foi  assim  que,  em  Abril  de  2010,  os  184  trabalhadores  que  ainda  trabalhavam  na  empresa ficaram desempregados, e que se deu a morte da Oliva, coisa que nos anos  60 ninguém diria que poderia vir a acontecer.  A “Oliva Creative Factory”:   Apesar  da  liquidação  da  “Oliva  1925”,  a  autarquia  de  SJM  está  empenhada  em  não  deixar  morrer  o  nome  Oliva,  através  do  projecto  “Oliva  Creative  Factory”.  Projecto  através  do  qual  “a  Oliva  continuará  a  ser  uma  fábrica.  Já  não  de  tubos,  torneiras  ou  banheiras.  Mas  uma  fábrica  de  criação”  (Castro  Almeida,  presidente  da  Câmara  Municipal de SJM).  Esta  estrutura  tornará  a  cidade  apta  a  receber  todo  o  tipo  de  empresas:  sendo  que  SJM já tinha estruturas para as indústrias tradicionais (as quatro zonas industriais da  cidade)  e  para  as  empresas  de  base  tecnológica  (a  Sanjotec  –  Centro  Empresarial  e  Tecnológico), faltava uma para as empresas criativas, ligadas à arte.  Para  isso,  será  feito  um  investimento  de  9,2  milhões  de  euros,  apoiado  por  fundos  comunitários,  que  visa  a  criação  de  uma  incubadora  de  indústrias  criativas  e  de  um  centro  de  arte  contemporânea,  no  espaço  que  outrora  foi  a  “zona  2”  da  empresa  criada  por  António  José  Pinto  de  Oliveira.  A  Creative  Factory  será  um  espaço  destinado a todos os que queiram criar empresas ligadas ao sector criativo, em áreas  como as artes plásticas, o teatro, o cinema, a música, a dança, o design e a moda. Para  apoiar  devidamente  estas  empresas,  o  município  sanjoanense  prevê  instalar  nesta  estrutura:  • • • • • • •

Um espaço para a incubação de negócios criativos;  Uma área para instalação de empresas de índole criativa com maturidade;  Um espaço de instalação de oficinas de artes e ofícios;  Uma área para execução de acções de formação profissional;  Um estúdio/sala de ensaios;  Uma área para formação artística;  Uma residência de artistas;  43 

 


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• •

Espaços  sociais  para  o  desenvolvimento  de  actividades  culturais  e  lúdicas  complementares;  Espaços expositivos e de demonstração. 

Figura 18 – A famosa Torre da Oliva, que irá ser brevemente restaurada  A  Creative  Factory  terá  também  um  forte  elo  ao  Cluster  de  Indústrias  Criativas,  projecto que se encontra a ser desenvolvido em todo o Norte do país. Por outro lado,  será  uma  estrutura  em  permanente  ligação  com  a  Casa  das  Artes  e  da  Criatividade  (que se encontra em construção no espaço do antigo Cinema Imperador): esta última  será  um  espaço  preferencial  para  a  realização  de  diferentes  tipos  de  espectáculos  e  outros  eventos  relacionados  com  a  arte,  que  todos  os  que  estejam  a  desenvolver  projectos na futura Oliva terão ao seu dispor.  Importa também referir que, tendo em conta o enorme valor patrimonial dos edifícios  existentes  na  zona  industrial  da  Oliva,  a  reconversão  arquitectónica  do  espaço  que  outrora foi industrial é um aspecto fortemente valorizado neste projecto sanjoanense.  As “presenças morfotipológicas caracterizadoras do ambiente fabril” serão mantidas e  respeitadas, através da criação de uma área onde as funções urbanas se misturam e  onde se combinam unidades industriais, residenciais, terciárias, de lazer…  Na  nossa  opinião,  estamos  na  presença  de  um  excelente  projecto,  que  poderá  fazer  com que o nome Oliva, que tanto fez pelo concelho no passado, possa contribuir ainda  44   

 


Cap. IV – Casos de destaque no sector empresarial sanjoanense 

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muito mais para o crescimento da economia da cidade. Esperemos que a obra comece  no 1º semestre deste ano, tal como planeado, e que a nova Oliva seja um sucesso tão  grande como é actualmente a Sanjotec – Centro Empresarial e Tecnológico!   

 

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Creativesystems

 

Cá  está  mais  um  caso  de  uma  empresa  sanjoanense  de  sucesso.  Fomos  à  Creativesystems  entrevistar  Pedro  França,  colaborador  da  empresa,  e  recolhemos  informação  sobre  esta  empresa  que  surpreende  pelo  crescimento  que  tem  tido  nos  últimos anos e pela grande quantidade de tecnologia que utiliza nos seus produtos.  A empresa:  A Creativesystems (CS) nasceu em 2002 em Santa Maria da Feira, com o objectivo de  melhorar  e  automatizar  os  fluxos  de  informação  no  sector  industrial,  através  da  identificação  e  rastreabilidade  automática  dos  produtos  ao  longo  de  todo  o  ciclo  de  produção  industrial.  Tornando‐se  mais  fácil  saber  onde  os  produtos  estão  a  cada  momento, as indústrias ganham mais eficiência e aumentam os seus lucros.  No  início,  a  CS,  para  o  desenvolvimento  destes  novos  sistemas  de  informação,  aplicava  tecnologias  convencionais,  como  os  códigos  de  barras.  Contudo,  em  2004,  surgiu uma nova oportunidade de negócio, que se tornou na grande aposta da CS – a  tecnologia  RFID  (radio  frequency  identification).  Esta  tecnologia  consiste  numas  pequenas  antenas  com  chip,  que  são  incorporadas  em  todos  os  produtos  através  de  etiquetas. Estes chips são lidos à distância por um detector próprio, que consegue ler  dezenas  de  chips  numa  questão  de  segundos.  Com  detectores  nas  várias  fases  de  produção, a rastreabilidade dos produtos na empresa torna‐se total, o que permite a  redução dos stocks da empresa e dos armazéns necessários ao seu funcionamento.  A aposta da CS nesta nova tecnologia, que “faz com que os produtos falem”, deveu‐se  também ao facto do potencial desta tecnologia não se esgotar na indústria: o retalho  e a logística também teriam muito a ganhar com a aplicação de sistemas RFID. Surgiu  o grande sonho da CS, que acredita que um dia será possível passar com um carrinho  por uma caixa de supermercado sem tirar os produtos.  Já no ano de 2008 a CS decidiu deixar Santa Maria da Feira e transferir a sua sede para  o recentemente inaugurado Centro Empresarial e Tecnológico (CET) de SJM. Segundo  Pedro França, o CET é uma mais‐valia para a CS, pois, por um lado, “permite que as  empresas se localizem naquilo que vão fazer”, não tendo que se preocupar com outras  tarefas como “a limpeza, as chamadas telefónicas, o correio”, pois estes serviços são  disponibilizados pelo CET. Por outro lado, o espaço onde a CS está instalada potencia  a  interacção  e  interactividade  entre  as  várias  empresas  presentes  no  CET,  que  partilham “as boas e as más experiências” de cada uma. 

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Cap. IV – Casos de destaque no sector empresarial sanjoanense 

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Figura 19 – Pedro França, a ser entrevistado para o nosso projecto  Em  consequência  da  aplicação  intensiva  de  tecnologia  nos  sistemas  desenvolvidos  pela  CS,  esta  é  uma  empresa  em  que  95%  dos  cerca  de  20  trabalhadores  possuem  formação  superior.  Apesar  de  termos  constatado  no  nosso  inquérito,  publicado  em  Novembro de 2010, que a percentagem de indivíduos com formação superior no total  da população sanjoanense é ainda insuficiente, Pedro França acredita que esta região  tem  os  recursos  humanos  necessários  a  uma  empresa  como  a  CS,  uma  vez  que  a  cidade  de  SJM  tem  “de  um  lado  a  (…)  Universidade  do  Porto  e  do  outro  lado  a  Universidade  de  Aveiro”,  e  “quer  uma  universidade  quer  a  outra  disponibilizam  ao  mercado excelentes profissionais”.  E são estes recursos humanos que permitem a forte aposta em inovação tecnológica e  em Investigação e Desenvolvimento (I&D) que é feita na CS. Esta empresa quer estar  na frente do desenvolvimento tecnológico, pelo que “investe fortemente e de forma  regular no reforço das suas competências e no desenvolvimento das soluções state‐of‐ the‐art do futuro”, através da colaboração com reconhecidos Centros de Investigação  Académica.  Graças  a  todos  os  projectos  em  que  a  CS  está  envolvida  e  à  aposta  em  I&D  da  empresa, esta tem tido um enorme crescimento desde que foi criada. Assim, a CS foi  distinguida,  em  2010,  no  “Deloitte  Technology  Fast  500  EMEA”,  por  ter  sido  a  110ª  empresa  com  maior  crescimento  nos  últimos  cinco  anos  na  região  EMEA  –  Europa,  47   

 


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Médio Oriente e África. Este ranking inclui todas as empresas públicas e privadas das  várias  áreas  tecnológicas  existentes  nesta  região,  baseando‐se  no  crescimento  percentual  médio  das  receitas  das  empresas  nos  últimos  cinco  anos,  que  foi  de  1338,05% na CS. Deste modo, o esforço e o sucesso de todos os que trabalham nesta  empresa foram reconhecidos à escala mundial.  Quando questionámos Pedro França quanto à receita para tão notável crescimento, a  resposta foi a de que existem três vectores: “as ideias, o acreditar e o trabalhar”. Isto  porque, por um lado, “se eu não tiver ideias, não vou trabalhar para nada porque não  vou ver nada” e, por outro lado, “se eu não acreditar nos momentos difíceis, não vou  conseguir  chegar  a  lado  nenhum”.  Pedro  França  diz  também  acreditar  que  todo  o  “reconhecimento do mercado [da CS] é consequência do nosso trabalho, das nossas  ideias e do nosso acreditar”. 

Figura 20 – Pedro França, da Creativesytems, com Ricardo Oliveira e Ricardo  Teixeira, elementos do nosso grupo  Os projectos:  Importa agora conhecer um pouco melhor dois dos projectos desenvolvidos pela CS: o  Surfaceslab e o Magic Mirror. 

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O  Surfaceslab  resulta  da  associação  da  CS  à  Vicaima,  empresa  situada  também  no  EDV (mais concretamente em Vale de Cambra), e que é a líder na produção de portas  interiores no nosso país.  Esta tecnologia dirigida ao mercado do retalho – nomeadamente a lojas de calçado,  vestuário,  livrarias  e  bibliotecas  –  consiste  em  prateleiras  especiais,  capazes  de  detectar  todos  os  produtos  que  estão  em  cima  delas,  desde  que  estes  possuam  as  etiquetas  RFID  que  já  referimos.  É,  portanto,  fulcral  para  o  funcionamento  deste  sistema o facto de se ter conseguido que o software leia o que está numa prateleira  sem  que  hajam  interferências  das  outras  prateleiras  que  estão  acima,  abaixo  ou  ao  lado.  Isto  confere  a  máxima  fiabilidade  ao  sistema,  sendo  a  probabilidade  de  ocorrerem erros de leitura praticamente nula.   Numa  loja  em  que  todas  as  prateleiras  tenham  estes  detectores  e  em  que  todos  os  produtos  tenham  uma  etiqueta  RFID,  abrem‐se  novas  perspectivas  na  gestão  de  stocks.  A  principal  vantagem  é  a  facilidade  que  passa  a  existir  na  realização  do  inventário da loja. Actualmente muitas lojas têm que fechar no fim do ano para fazer o  inventário. Já num grupo de retalho em que seja implementado este sistema, passa a  bastar carregar num botão para se ter o inventário de todas as lojas desse grupo. 

Figura 21 – O Centro Empresarial e Tecnológico, sede da Creativesystems    49   

 


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Mas  existem  outras  vantagens:  a  reposição  de  stocks  passa  a  ser  imediata,  pois  quando o produto é retirado da prateleira o sistema envia um alerta aos colaboradores  para  que  se  faça  a  reposição.  Para  além  disso,  torna‐se  mais  fácil  fazer  estudos  de  mercado sobre um dado produto, como saber quantas vezes é mudado de sítio pelos  clientes, quantas vezes é movimentado e depois acaba por não ser comprado…   Tendo em conta todas estas vantagens, a Surfaceslab prevê que este sistema venha a  revolucionar o sector do retalho, aumentando as vendas e fazendo com que se poupe  bastante tempo. Cinco empresas – duas portuguesas, uma espanhola, uma inglesa e  uma  do  Benelux  –  também  já  se  aperceberam  de  todas  estas  vantagens  e,  por  isso,  estão  a  desenvolver  com  a  Surfaceslab  projectos  para  a  aplicação  deste  sistema.  Estamos  convictos  de  que  este  excelente  projecto,  pela  sua  qualidade,  certamente  não demorará muito tempo até invadir o retalho português e, porque não, conquistar  empresas um pouco por todo o mundo.   Quanto  ao  Magic  Mirror,  este  veio  na  sequência  do  projecto  de  introdução  de  etiquetas RFID nos produtos da marca portuguesa de vestuário Throttleman, que foi a  primeira  empresa  na  área  da  moda  em  Portugal  a  utilizar  RFID  e  a  terceira  a  nível  mundial.  Este  projecto  associou  quatro  empresas:  a  Throttleman,  a  CS,  a  Avery  Denninson e a Sybase.   Depois  da  total  aplicação  do  RFID  nos  produtos  da  marca,  e  face  aos  excelentes  resultados  desta  tecnologia  na  sua  logística,  a  Throttleman  e  a  CS  desenvolveram  uma  nova  tecnologia  para  tirar  ainda  maior  partido  das  potencialidades  do  RFID:  o  Magic Mirror, que é nada mais nada menos que um “espelho mágico” equipado com  um detector de etiquetas RFID, disponível na loja Throttleman do CascaisShopping.  Este espelho, ao detectar qual o produto que o cliente está a experimentar, descreve a  composição da peça, o preço, os tamanhos disponíveis, faz sugestões de outras peças  de roupa que combinem com a que o cliente está a experimentar… Segundo Cristina  Baldaque,  directora  de  Marketing  da  Throttleman,  é  uma  “experiência  de  compra  diferente  e  inovadora”,  possibilitada  não  só  pelo  RFID  mas  também  por  “inúmeras  outras  tecnologias  de  suporte,  tal  como  um  touch  screen  de  elevada  sensibilidade,  display de alta definição, elevada capacidade de processamento digital, wi‐fi, ethernet  e  uma  interface  gráfico,  que  é  interactivo  e  reage  de  acordo  com  os  tags  RFID  identificados”.  É  uma  revolucionária  forma  de  comprar  que  agrada  aos  consumidores  e  que,  portanto, teve um sucesso que é visível nos  números: segundo a CS, os clientes que  contactam  com  o  Magic  Mirror  compram  46%  mais  do  que  os  restantes.  Foi  um  investimento  com  rapidíssimo  retorno,  que  contribuiu  para  o  sucesso  e  para  a  boa  reputação da empresa em análise.  Em suma…  50   


Cap. IV – Casos de destaque no sector empresarial sanjoanense 

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Este foi para nós um caso deveras surpreendente, pois a CS prova que a região do EDV  não está condenada a ter apenas empresas dos ramos mais tradicionais da economia.  Com “as ideias, o acreditar e o trabalhar”, tudo é possível. Aqui está uma empresa na  qual  a  crise  passou  completamente  ao  lado,  o  que  só  foi  possível  porque  investiram  em I&D e não tiveram medo de arriscar.   Com o RFID a banalizar‐se e a baixar de preço, muitas novas oportunidades surgirão  para  esta  empresa  que  está  em  fase  de  internacionalização.  Esperemos  que  a  Creativesystems continue a crescer e a levar longe o nome de São João da Madeira!   

 

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Netos

 

Continuamos  com  a  nossa  série  de  textos  sobre  casos  de  destaque  no  plano  empresarial da cidade. Desta vez falamos da fábrica de calçado Netos, uma empresa  com mais de 50 anos de história que contribuiu e contribui grandemente para que SJM  seja e continue a ser a “Capital do Calçado”!  Para sabermos mais sobre o passado, o presente e até o futuro desta empresa fomos  entrevistar  José  Neto.  Agradecemos  a  sua  disponibilidade  para  a  entrevista,  sem  a  qual falar sobre esta empresa seria tarefa muito mais difícil. 

Figura 22 – Ricardo Oliveira e Ricardo Teixeira, elementos do nosso grupo, com os  representantes da Netos  História da empresa:  Foi  em  1957  que  a  cidade  de  SJM,  mais  concretamente  a  zona  das  Fontaínhas,  viu  nascer  a  fábrica  de  calçado  Netos,  pela  mão  dos  irmãos  Augusto  e  Domingos  Neto.  Era, então, uma pequena empresa, que trabalhava apenas com o mercado interno e  que produzia apenas 20 pares por dia de calçado infantil. 

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Contudo,  esta  empresa  tinha  a  ambição  de  crescer,  o  que  a  levou  à  busca  de  novos  mercados  para  os  seus  produtos.  Assim,  em  1969,  ano  em  que  “o  mercado  interno  estava  com  problemas”,  a  Netos  começou  a  exportar  para  os  Países  Africanos  de  Língua Oficial Portuguesa, nomeadamente para Angola e Moçambique, países para os  quais a Netos chegou a ser uma das maiores exportadoras de calçado. Foi sem dúvida  uma aposta acertada, sem a qual a Netos certamente não teria sobrevivido ao passar  dos anos.  Mesmo assim, a Netos, na década de 70, começou a aperceber‐se de que poderia vir a  ter  que  deixar  estes  mercados,  pois  já  se  vislumbrava  que  a  descolonização  não  iria  tardar  muito.  Havia,  portanto,  que  buscar  novos  mercados,  e  a  Europa  foi  o  continente  escolhido.  “Começámos  na  Inglaterra,  em  Londres,  e  fomos  por  aí  fora,  Alemanha, França, Itália”, afirmaram José e Domingos Neto.   Esta  aposta,  enquanto  foi  possível,  foi  feita  mantendo  a  exportação  para  as  ex‐ colónias.  Mas  nos  anos  80  confirmaram‐se  as  expectativas  de  descolonização  dos  PALOP, pelo que, com as privatizações que ocorreram na época, “o negócio [naqueles  países]  começou  a  ficar  muito  complicado”.  Deste  modo,  foi  necessário  tomar  a  decisão  de  deixar  aquele  mercado  de  uma  vez  por  todas,  reforçando  a  aposta  nos  países  europeus,  com  o  início  da  participação  da  Netos  em  feiras  internacionais  de  calçado. 

Figura 23 – Um dos equipamentos utilizados na produção do calçado Netos  53   

 


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Nos anos 90 do século XX e na primeira década do séc. XXI continuou esta estratégia  de internacionalização da Netos, preferencialmente para os países europeus, devido à  sua  proximidade  geográfica  e  à  adesão  de  Portugal  à  CEE.  Uma  estratégia  que  tem  tido grande êxito e que motivou as várias expansões de que a fábrica situada em SJM  foi alvo desde a sua fundação.  A Netos, na actualidade:  Em consequência de todo o sucesso de que já demos conta, hoje em dia a Netos, nas  suas  ampliadas  instalações,  emprega  cerca  de  100  trabalhadores.  Mas,  para  além  disso,  “Além  da  nossa  produção  ainda  subcontratamos,  dando  trabalho  para  aí  a  10  empresas; ainda temos uma responsabilidade de subcontratação de 40 ou 50 pessoas,  além das que trabalham aqui”, afirmou à nossa entrevista José Neto.  A  grande  maioria  dos  sapatos  produzidos  por  estes  trabalhadores  destina‐se  ao  mercado externo. Quando questionámos os administradores da Netos sobre as razões  para  a  empresa  estar  tão  virada  para  o  exterior  e  não  apostar  mais  no  nosso  país,  ficámos  a  saber  que  isto  resulta  do  facto  da  Netos  ter  tido  “muitas  dificuldades  em  cobranças”  nas  encomendas  destinadas  a  Portugal,  o  que  não  aconteceu  no  estrangeiro. “Nós estamos a entender‐nos bem com o mercado externo, e devido ao  crescimento [da empresa] precisávamos de encomendas maiores do que as feitas pelo  mercado  interno.  O  nosso  consumo,  a  nossa  colecção  vendia  um  número  de  pares  insuficiente,  que  não  correspondia  à  nossa  capacidade  produtiva,  e  isso  é  uma  das  razões que nos lançou para o mercado externo”, confirmou‐nos José Neto.  Todas  estas  exportações  da  Netos  destinam‐se,  na  sua  maioria,  a  países  como  a  Bélgica, a França, a Holanda, a Grécia e o Reino Unido. Mas esta empresa continua à  procura de novos mercados, que lhe permitam o aumento da sua produção. “Vamos  tentar a Rússia (…) e a América [EUA] ”, sublinhou José Neto, sendo que neste último  país a Netos já está indirectamente presente através de um seu cliente holandês, mas  pretende aprofundar as suas vendas para este importante mercado.  Para esta busca de novos mercados reveste‐se de especial importância a presença da  empresa em feiras internacionais de calçado. A Netos está presente não só na Micam,  feira realizada anualmente em Milão, Itália, mas também na GDS, que se realiza todos  os  anos  em  Dusseldorf,  Alemanha.  São  presenças  que  possibilitam  à  empresa  o  contacto  com  os  seus  clientes  de  todas  as  regiões  da  Europa  e  facilitam  o  acesso  a  novos  clientes  que  possam  também  estar  interessados  em  comprar  o  calçado  desta  empresa sanjoanense.  E quais os tipos de calçado que a empresa produz e expõe nestas feiras? Ao contrário  do que sucedia nos primeiros anos da história da empresa, a colecção da Netos já não  se reduz ao calçado de criança. “Basicamente fazemos 70% calçado de senhora e 30%  criança”. Isto porque, com o passar dos anos, a empresa teve que flexibilizar os seus  54   


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sistemas de fabrico, passando a estar apta para produzir todo o tipo de calçado e a ter  condições para corresponder a todos os pedidos dos seus clientes. 

Figura 24 – O interior da fábrica de calçado Netos  Todavia, há uma característica que é comum nos sapatos fabricados pela Netos: todos  os  sapatos  são  feitos  com  materiais  que  garantem  um  elevado  nível  de  conforto  a  quem  os  calça.  É  isto  que  assegura  o  elevado  valor  acrescentado  dos  produtos  produzidos pela empresa, o que se traduz uma grande mais‐valia para a empresa, pois  salvaguarda‐a  da  concorrência  dos  países  com  mão‐de‐obra  muito  barata.  “Trabalhamos  com  sapatos  com  muito  conforto,  em  que o  consumidor  já  não  vai  às  lojas da China procurar calçado, vai às lojas onde nós vendemos”, garantiu José Neto.  Questionámos  também  os  administradores  da  Netos  acerca  das  suas  expectativas  para  este  ano  de  2011.  Estes  revelaram‐se  bastante  cautelosos  nas  suas  previsões,  uma vez que a crise que vivemos e os aumentos do preço das matérias‐primas a ela  associados  poderão  obrigar  a  Netos  a  aumentar  o  preço  do  seu  calçado.  E  um  encarecimento dos sapatos “pode resultar em quebras de encomendas todos os dias”,  pelo que a Netos vai desenvolver todos os seus esforços para não aumentar o preço do  seu calçado neste novo ano.  Já  os  problemas  que  a  indústria  de  curtumes  enfrenta  actualmente  são  outro  factor  que  pode  afectar  negativamente  não  só  a  Netos  mas  todo  o  ramo  do  calçado  em  55   

 


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Portugal. Isto porque fecharam muitas fábricas portuguesas da indústria de curtumes.  Sendo assim, “nós agora temos que importar muito; mas a importar, os fornecedores  não são certos e falham muito nas entregas, o que nos tem criado muitos problemas,  a nós e a toda a indústria”, declarou José Neto.  De resto, a Netos está confiante de que não vai registar uma quebra nas encomendas  neste  ano,  uma  vez  que  grande  parte  dos  seus  “clientes  são  de  há  40  anos”  e  têm  grande  fidelidade  à  empresa,  isto,  claro  está,  desde  que  a  Netos  não  faça  grandes  aumentos no preço do calçado.  E toda esta fidelidade existe porque esta empresa sempre imprimiu a maior correcção  nos negócios, obtendo parcerias que resistem ao passar dos anos. “Os clientes estão a  trabalhar  connosco  há  40  anos,  é  porque  há  correcção  e  honestidade  no  relacionamento  entre  as  empresas,  e  qualidade  no  produto  que  lhes  vendemos”,  asseguraram‐nos os administradores da empresa. 

 Figura 25 – O exterior da fábrica de calçado Netos  Existe  também  outro  factor  que  tem  sido  determinante  para  a  resistência  da  Netos  desde  há  mais  de  50  anos:  esta  empresa  tem  sido,  desde  a  sua  fundação,  sempre  gerida  pela  mesma  família.  Assim  sendo,  a  fábrica  tem  vivido  em  harmonia  e  tem  estado longe de conflitos, e todos sabemos que os conflitos na gestão empresarial são  por vezes o primeiro passo para a falência de muitas fábricas. “Acho que é um factor  56   

 


Cap. IV – Casos de destaque no sector empresarial sanjoanense 

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importante,  é  haver  confiança,  unanimidade  dos  sócios  e  união”,  afirmou‐nos  José  Neto,  factor  este  que  tem  tornado  muito  mais  fácil  ultrapassar  os  problemas  que  surgem na empresa.  Em suma…  Este é, sem dúvida, um caso de uma PME de gestão familiar, mas com muito sucesso,  que prova que é nas PME que está o futuro da nossa economia. E todo o sucesso desta  fábrica só foi possível porque a sua gestão nunca foi passiva, apercebendo‐se em boa  hora  dos  momentos  em  que  havia  que  expandir‐se  para  novos  mercados  ou  que  se  retirar de mercados que se tinham tornado muito difíceis.  Apercebeu‐se  também de  algo  que  algumas  empresas  em  Portugal  teimam  em  não  querer ver: que o futuro da economia portuguesa está na exportação de produtos de  elevado valor acrescentado, e que só com qualidade é possível sobreviver à ascensão  dos  novos  países  industrializados,  onde  a  mão‐de‐obra  é  muitíssimo  mais  barata  do  que nosso país, mas onde não há capacidades para produzir em qualidade.  Esperemos que todos os empresários do país se apercebam também de que produzir  em  quantidade  é  na  China,  mas  que  produzir  em  qualidade  pode  e  deve  ser  em  Portugal!   

 

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O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

Fepsa

 

Aqui está mais um caso de uma empresa sanjoanense de sucesso. Sendo SJM não só a  “Capital  do  Calçado”  mas  também  a  cidade  onde  se  situa  o  Museu  da  Chapelaria,  decidimos esta semana falar sobre uma empresa tão ou mais exportadora do que a já  abordada Netos: a Fepsa, que espalha a sua produção pelos quatro cantos do mundo.  Comecemos, então, pela história desta empresa com já mais do que quatro décadas  de existência no nosso concelho.  História da empresa:  A  Fepsa  nasceu  em  1969,  tendo  resultado  do  esforço  de  quatro  industriais  da  chapelaria,  que  então  se  associaram  com  vista  à  criação  de  uma  empresa  especializada no fabrico dos feltros, dos quais são fabricados os tradicionais chapéus  de feltro.  Os  primeiros  anos  de  existência  desta  empresa  foram  bastante  prósperos.  Contudo,  as  alterações  políticas  e  sociais  que  o  país  viveu  na  década  de  70  viriam  a  ter  uma  influência  negativa  na  empresa,  em  virtude  das  alterações  nos  costumes  dos  portugueses  que  se  verificaram  à  data,  resultantes  do  surgimento  da  liberdade  de  expressão no país: “A Fepsa vingou, mas veio o 25 de Abril e destruiu‐a. Até ali ainda  se  ia  de  chapéu  para  o  Alentejo,  depois  passou‐se  a  ir  de  boné.  O  próprio  partido  comunista  ridicularizou  o  chapéu.  Foi  preciso  mão  forte  mas  segurámos  a  Fepsa.”  (declarações  do  falecido  Manuel  Pais  Vieira  Júnior,  que  foi  uma  destacada  personalidade do concelho, bem como um dos fundadores da Fepsa).  Assim  sendo, a Fepsa é a única resistente dos tempos em que  SJM  era  a cidade das  fábricas de chapelaria, tudo graças à boa gestão dos seus administradores. Ora, uma  empresa  que  sobrevive  a  tempos  de  instabilidade,  em  que  as  suas  vendas  caem  a  pique, é uma empresa que, quando há estabilidade, cresce e afirma‐se a nível nacional  e até mundial, como vamos ver de seguida.  A Fepsa, na actualidade:  Hoje  em  dia  a  Fepsa,  situada  na  Zona  Industrial  do  Orreiro,  concelho  de  SJM,  é  a  maior  empresa  mundial  na  área  da  produção  de  feltro,  detendo  40%  do  mercado  mundial do sector. Emprega 140 funcionários, um número que se tem mantido estável  nos  últimos  tempos,  não  obstante  a  crise  internacional  que  vivemos.  Vende  anualmente cerca de  400  mil  feltros, tendo tido, em 2007, um volume de  vendas  de  aproximadamente  7  milhões  e  300  mil  euros.  Tem  um  só  accionista  –  a  família 

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Figueiredo,  à  qual  pertence  o  presidente  da  empresa,  Ricardo  Figueiredo  –  e  o  seu  capital social é de 520 mil euros. 

 Figura 26 – O exterior da Fepsa  Mas se a Fepsa resistiu à Revolução dos Cravos e apresenta actualmente estes dados  económicos  tão  favoráveis,  é  porque  em  boa  hora  a  empresa  apercebeu‐se  de  que  tinha que apostar no factor exportações. De facto, apenas 4% da produção da Fepsa  fica em Portugal, sendo que os restantes 96% se destinam a nichos de mercado que  permitem à Fepsa as encomendas de grande volume de que necessita para assegurar  a manutenção dos seus postos de trabalho.  E quais são estes nichos de mercado? São grupos étnicos – como os judeus ortodoxos,  os  cowboys,  os  australianos,  os  tiroleses  (habitantes  de  uma  região  situada  na  fronteira entre a Itália e a Áustria), os povos dos Andes e uma etnia boliviana –, bem  como  entidades  que  utilizam  determinados  fardamentos  específicos  –  a  polícia  inglesa,  a  Real  Polícia  Montada  Canadiana,  a  Força  Aérea  da  Nova  Zelândia,  os  carteiros  e  funcionários  da  alfândega  suíços…  Para  todos  estes  o  chapéu  de  feltro  continua a ser a regra, e não a excepção como passou a ser no nosso país.  Para  além  destes  mercados  que  permitem  à  Fepsa  produzir  em  quantidade,  esta  empresa vende também feltros não só para certas casas francesas de alta‐costura de  renome  internacional  mas  também  para  produtoras  de  filmes  de  Hollywood,  como  59   


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vamos  ver mais em pormenor  em seguida.  Encomendas estas  que, apesar  de serem  residuais  no  total  das  exportações  da  Fepsa,  conferem  mais  visibilidade  à  empresa,  pois  são  elas  que  fazem  com  que  personalidades  conhecidas  internacionalmente  –  como Johnny Depp, Robert de Niro, Clint Eastwood, Vladimir Putin, George W. Bush e  elementos dos Black Eyed Peas – possuam chapéus feitos com feltro Fepsa.  Contudo, se pensa que pode comprar um chapéu à Fepsa, está enganado. Isto porque  a empresa apenas produz os feltros: “Não produzimos o produto final, mas apenas o  feltro,  porque  não  queremos  ser  concorrentes  dos  nossos  clientes”  (declarações  de  Ricardo  Figueiredo,  presidente  da  Fepsa).  Desta  forma,  fica  para  os  clientes  a  colocação de adornos no chapéu e, portanto, a sua finalização.  Mesmo  assim,  alguns  destes  clientes  que  finalizam  o  produto  são  especiais,  isto  porque a Fepsa desenvolve também parcerias das quais resultam marcas de chapéus  feitos  com  o  feltro  da  empresa.  É  o  caso  da  “UMU  ‐  UMMAISUM,  Lda.”,  empresa  resultante da  associação  da Fepsa  com o  designer  Pedro  Alves,  cujos  chapéus  estão  apenas  disponíveis  num  número  restrito  de  lojas  do  Porto  e  do  Chiado.  Isto  porque  estes  não  são  uns  chapéus  quaisquer:  é  uma  colecção  que  inclui  bonés,  fedoras,  baseball  caps  com  copas  de  chapéu,  bonés  e  capelines,  todos  eles  com  padrões  e  detalhes exclusivos, como os cristais Swarovsky. Trata‐se de uma aposta em chapéus  de luxo, com o cunho da Fepsa.  É também de referir que a Fepsa é uma empresa premiada. Em 2008 esta empresa foi  distinguida  com  um  prémio  de  “Inovação  e  Tecnologia”,  atribuído  no  âmbito  do  programa FINCRESCE do Ministério da Economia e do Instituto de Apoio às Pequenas  e Médias Empresas (IAPMEI). Um galardão que se deveu aos investimentos feitos pela  empresa  na  área  ambiental:  a  tinturaria  da  empresa  foi  totalmente  renovada  nos  últimos  anos,  o  que  resultou  em  grandes  poupanças  de  energia  e  água  e  no  incremento do nível tecnológico do processo produtivo desta empresa.  Outro aspecto que também seria digno de um prémio é todo o apoio que a Fepsa dá  ao  Museu  da  Chapelaria,  que  vai  desde  a  cedência  de  alguns  feltros  produzidos  na  empresa  até  à  permissão  da  realização  de  entrevistas,  pequenos  filmes  e  visitas  guiadas na fábrica. O Museu não seria o mesmo sem a colaboração da Fepsa, pelo que  a cidade deve um agradecimento a esta empresa.  A Fepsa em Hollywood:  Como  já  referimos,  os  feltros  da  Fepsa  já  chegaram  a  Hollywood.  Tudo  graças  a  Graham  Thompson,  da  marca  Optimo  Hats,  uma  empresa  de  Chicago  que  é  especialista em chapéus de rigor idêntico aos dos anos 30 e 40 e que considera a Fepsa  "a melhor fabricante de feltro para chapéus em todo o mundo". A Optimo Hats é uma  cliente frequente das produtoras de filmes de Hollywood e funciona como a ponte que  permite à Fepsa chegar a este exigente mercado.  60   


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A  primeira  “aparição”  da  Fepsa  em  Hollywood  foi  no  filme  “Indiana  Jones  and  the  Kingdom of the Crystal Skull”, último filme desta saga, lançado em Maio de 2008. Os  dois  chapéus  que  Harrison  Ford  utilizou  neste  filme  –  um  castanho  e  um  cinzento  –  eram de feltro Fepsa.  Porém,  o  caso  mais  marcante  é  o  filme  “Public  Enemies”,  que  foi  lançado  no  nosso  país em Agosto de 2009. Este é uma autêntica montra de feltro Fepsa, pois apresenta  cerca  de  80  chapéus  fedora,  feitos  com  “feltro  da  mais  alta  qualidade  de  castor”,  à  imagem dos que se utilizavam na época histórica representada neste filme (anos 30 do  século XX). 

 Figura 27 – Wallpaper do filme “Public Enemies”, protagonizado por Johnny Depp  De  entre  todos  estes  chapéus,  o  que  foi  usado  em  Johnny  Depp  é  especial:  é  composto por um feltro exclusivo, desenvolvido pela Fepsa especificamente para este  filme,  o  “50X  Black  Rubby”,  descrito  por  Ricardo  Figueiredo,  presidente  da  Fepsa,  como um feltro "de uma qualidade muito boa, de topo, num vermelho muito escuro,  quase  preto".  "Esta  cor  é  um  pouco  invulgar,  mas,  ainda  assim,  é  clássica.  A  responsável pelo guarda‐roupa do filme [Coleen Atwood] gostou da tonalidade e quis  que fosse usada  exclusivamente  pelo  Johnny  Depp",  admitiu  Graham Thompson, da  Optimo Hats.  Em suma…  61   


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Por  tudo  o  que  foi  referido,  a  Fepsa  é,  sem  dúvida,  um  dos  expoentes  máximos  do  sucesso  empresarial  na  nossa  cidade.  Sucesso  esse  que,  segundo  o  presidente  da  empresa, é consequência da “estabilidade política do País”, do “bom relacionamento  com  os  trabalhadores”  e  do  “facto  de  a  mão‐de‐obra  se  ter  mantido  a  custos  moderados”.  Prova‐se,  com  esta  empresa,  que  só  com  uma  boa  gestão,  nomeadamente  ao  nível  da  mão‐de‐obra,  é  possível  vingar  numa  economia  globalizada.  Mas  para  além  destes  três  factores,  pode‐se  acrescentar  um  quarto,  sem  o  qual  a  Fepsa  já  teria  “passado  à  história”:  o  factor  exportações,  que  se  tem  afirmado  nos  últimos anos como o motor no qual todas as empresas devem apostar. Só este motor  assegura  o  crescimento  económico,  quer  das  próprias  empresas,  quer  do  país  como  um todo.  Terminamos felicitando a Fepsa por todo o seu êxito e a sua preocupação não só com  os recursos humanos da empresa mas também com o ambiente! 

 Figura 28 – O exterior da Fepsa   

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Cap. IV – Casos de destaque no sector empresarial sanjoanense 

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Olmar

 

Continuamos  a  nossa  série  de  textos  relativos  a  casos  de  sucesso  de  empresas  sanjoanenses  com  uma  empresa  que  é  certamente  bem  conhecida  de  todos  os  sanjoanenses, ou não fosse o seu local preferencial para a compra de material escolar  e de escritório: a Olmar.  Porém, há muito que não sabe sobre esta empresa! Fomos entrevistar Carla Ferreira, a  relações públicas da Olmar, pelo que os parágrafos que se seguem estão recheados de  curiosidades interessantes sobre a Olmar!  História da empresa: 

 

A  Olmar  nasceu  em  1973,  pelas  mãos  de  Fernando  Oliveira,  que  ainda  hoje  é  o  administrador  da  empresa.  “O  senhor  Fernando  Oliveira  começou  numa  garagem,  que  era  a  garagem  do  prédio  onde  vivia,  pequenininha,  para  aí  com  uns  30  metros  quadrados, e aos bocadinhos foi conquistando uma cave”, explicou‐nos Carla Ferreira.  E esta aventura da criação de uma microempresa no ramo da papelaria só foi possível  graças à experiência adquirida por Fernando Oliveira nos anos em que trabalhou nos  escritórios  da  Oliva:  lá  aprendeu  “o  que  é  um  bloco  de  folhas,  o  que  é  uma  boa  esferográfica, o que é um bom lápis…”  Nesta primeira fase da vida da Olmar Fernando Oliveira era não só o administrador da  empresa mas também o principal vendedor. “A mestria que ele utilizou para iniciar a  sua  actividade  como  empresário  foi  ir  conquistando  devagarinho  e  sempre  muito  conscientemente”  os  clientes,  tentando  ter  sempre  o  que  este  queria,  mas  “sem  encher a empresa de stocks”.  Foi esta a receita para o crescimento da empresa, que lentamente foi investindo em  novas  áreas  de  negócio  e  em  novas  formas  de  chegar  aos  clientes.  Um  crescimento  lento mas constante, de tal forma que hoje em dia a Olmar é uma notável PME que  comercializa cerca de 25 mil artigos diferentes.   A Olmar, na actualidade:  A  Olmar  do  presente  é  a  principal  empresa  na  região  do  EDV  a  operar  na  área  dos  produtos  para  escritório.  Material  de  escritório,  artigos  escolares  e  papelaria,  informática, belas artes, mobiliário, equipamentos e tecnologia são os produtos que a  Olmar disponibiliza aos seus clientes.  E  quais  são  os  clientes  da  Olmar?  “A  Olmar  é  uma  das  principais  fornecedoras  do  governo, de tudo o que é ministério, de tudo o que é banco…”, afirmou Carla Teixeira.  Chegar a estes clientes não é tarefa fácil, mas a Olmar conseguiu graças à sua equipa  63   


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de  técnicos  de  vendas,  que  não  só  lidam  com  as  maiores  empresas  do  país  mas  também  garantem  a  participação  da  empresa  nos  concursos  públicos  de  compra  de  material de escritório, feitos pelo Estado. 

 Figura 29 – O exterior do armazém da Olmar  Esta  participação  com  sucesso  nos  concursos  públicos  faz  com  que  a  Olmar  seja  o  fornecedor  número  1  das  escolas  do  país.  Assim,  escolas  como  a  ‘nossa’  Secundária  Oliveira  Júnior  vendem,  nas  suas  papelarias,  produtos  provenientes  da  Olmar.  Esta  aposta no mercado escolar tem “dois objectivos, um mais comercial” – proporcionar  uma  importante  fonte  de  receitas  para  a  empresa  –  e  “outro  mais  de  marketing”  –  criar e potenciar o cliente de amanhã, já que as crianças de hoje, quando crescerem,  vão reconhecer bem a imagem dos produtos das marcas próprias da Olmar.  As  marcas  próprias  da  Olmar  são  também  uma  das  características  que  a  definem  e  derivaram,  segundo  Carla  Ferreira,  da  necessidade  de  “criar  uma  alternativa  [à  concorrência] a grandes preços”.   Actualmente a Olmar tem três marcas próprias principais: Pajory, Fegol e Polycópia. A  Pajory é a marca de material escolar, bem reconhecida por todos os estudantes, cujo  nome,  curiosamente,  “surgiu  dos  três  nomes  dos  filhos  de  Fernando  Oliveira,  Paulo,  João  e  Rita”.  Já  a  Fegol  –  que  provém  do  nome  do  administrador  da  empresa,  Fernando  Gomes  de  Oliveira  –  é  a  marca  de  material  de  arquivo  e  escritório.  Por  64   


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último, a Polycópia é a marca de papel de impressão e as suas resmas são fabricadas  na Soporcel, empresa portuguesa que é uma das maiores fabricantes de papel a nível  mundial.  São  marcas  com  as  quais  a  empresa  adapta‐se  ao  perfil  do  cliente  actual,  pois  “O  cliente hoje não compra por impulso, como há uns anos atrás, não diz «eu quero uma  esferográfica  Noris  ou  quero  uma  esferográfica  Bic».  O  cliente  hoje,  quando  vai  comprar, pensa: «eu tenho que comprar uma esferográfica que custe até X», pelo que  vendemos não só as marcas internacionais mas também as nossas próprias marcas”,  explicou a relações públicas da Olmar.  Há  também  outro  aspecto  importante  relativamente  às  marcas  próprias  Olmar:  “As  nossas  marcas  próprias,  contrariamente  a  muitas  das  marcas  dos  nossos  concorrentes,  não  são  feitas  na  China,  só  um  ou  outro  artigo,  de  resto  as  nossas  marcas  são  de  origem  europeia”,  clarificou  Carla  Ferreira,  mostrando‐nos  que,  ao  contrário do que muitos pensam, também é possível produzir artigos de baixo preço  em países como Portugal, não obstante os custos da mão‐de‐obra. 

 Figura 30 – A megastore da Olmar  Se a Olmar, até há três anos atrás, era uma empresa que tinha como clientes apenas  outras empresas ou instituições, não vendendo para o consumidor final, esse cenário  alterou‐se em Janeiro de 2008 com a inauguração da megastore da Olmar, situada no  65   


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limite sul do concelho de SJM. Este é um espaço comercial de 2000m2 que resultou de  um investimento de 2 milhões e meio de euros e que criou 26 postos de trabalho. Lá  os sanjoanenses (e não só!) podem encontrar todo o tipo de material de escritório e  papelaria, como não poderia deixar de ser numa loja com o selo Olmar. 

Segundo Carla Ferreira, é um investimento que tem dado bastante retorno, uma vez  que  o  número  de  clientes  que  visitam  a  loja  tem  aumentado  de  ano  para  ano.  “Quando abrimos a loja nós tínhamos cerca de 200 vendas diárias, hoje nós temos 300  a 320”. Isto apesar de a loja enfrentar a forte concorrência da “Staples de Santa Maria  da  Feira  e  da  Staples  de  Oliveira  de  Azeméis”,  concorrência  que,  garante  Carla  Ferreira, não consegue fazer preços tão bons quanto os da Olmar. Dito isto, deixamos  para o leitor a tarefa de averiguar se esta informação é verdadeira…  Todavia,  a  importância  da  megastore  da  Olmar  não  se  esgota  no  facto  de  ter  possibilitado  a  venda  ao  público:  a  megastore  possibilitou  e  impulsionou  o  início  da  venda de produtos de informática e de tecnologia por parte da empresa. Fazendo jus  ao  slogan  da empresa – «Olmar  aposta em inovar» – esta loja,  para  além  dos  vários  corredores com material de escritório e papelaria, tem também uma secção dedicada  à  venda  de  computadores,  máquinas  fotográficas,  televisores,  GPS,  entre  muitos  outros equipamentos tecnológicos.  “Não  virámos  costas  ao  global  que  é  hoje  o  nosso  mundo,  nós  vivemos  todos  numa  aldeia  global  onde  a  tecnologia  e  a  informática  ditam  aquilo  que  nós  vendemos  amanhã,  por  isso  temos  que  estar  sempre  em  cima  destes  acontecimentos  e  temos  que estar sempre a vender”, afirmou a relações públicas da Olmar. A papelaria é e será  sempre o forte da empresa, mas a emergência desta nova área de negócio não podia  ter passado ao lado da gestão da Olmar.  A empresa tem ainda outro canal de venda, resultante da abertura da megastore, que  tem  recebido  uma  atenção  cada  vez  maior  por  parte  da  empresa:  a  Internet.  “Nós  vendemos muito  pela internet”, assegurou  Carla  Ferreira, motivo  pelo  qual  “o  nosso  site  mudou  o  ano  passado,  este  ano  vai  voltar  a  mudar  em  Março”,  isto  é,  face  ao  aumento  das  vendas  por  esta  via,  o  investimento  que  o  site  tem  recebido  em  renovações e modernizações é cada vez maior.  A internacionalização da Olmar:  Não  se  pense  que  a  Olmar  alcançou  a  dimensão  que  apresenta  actualmente  apenas  actuando  no  mercado  português.  Já  há  20  anos  que  a  Olmar  está  presente  num  mercado  que  hoje  em  dia  é  considerado  emergente:  os  PALOP  (Países  Africanos  de  Língua Oficial Portuguesa), bem como alguns outros países africanos, como Marrocos  e  a  Costa  do  Marfim.  “Nós  temos  mesmo  um  armazém  em  Angola,  em  Huambo,  e  temos 3 ou 4 papelarias em Benguela e em Huambo”, informou‐nos Carla Ferreira.  66   


Cap. IV – Casos de destaque no sector empresarial sanjoanense 

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Esta estratégia de internacionalização está já bastante consolidada, pelo que o peso  destes mercados nas vendas actuais da empresa “é um peso bastante grande, para aí  uns  20%,  é  muito  importante  mesmo”.  É,  portanto,  uma  internacionalização  de  grande sucesso, de tal forma que a relações públicas questiona‐se: “Quem é que não  tem sucesso naqueles mercados?”  Questionámos  também  se  a  Olmar  pensa  em  alargar  a  sua  estratégia  de  internacionalização  para  outros  mercados.  “Pensamos.  Nós  estamos  a  pensar  em  ir  para a Europa, estamos a pensar «Porque não? Já que os outros Europeus vêm para  aqui porque é que nós não vamos para lá?» É uma questão de tentarmos”. Esperemos  que esta ideia, um dia, deixe de ser um pensamento e passe a ser a realidade! 

 Figura 31 – Alguns dos produtos que são comercializados pela Olmar  Em suma…  Há  que  dar  os  parabéns  a  esta  empresa,  nomeadamente  ao  seu  administrador,  Fernando  Oliveira,  por  ter  conseguido,  em  apenas  38  anos,  deixar  de  ser  uma  ‘empresa de garagem’ para atingir o estatuto de PME Líder e espalhar os seus próprios  produtos  pelas  empresas  e  escolas  de  todo  o  país  e  até  pelos  PALOP.  Desejamos  a  maior das sortes a esta empresa de sucesso nas apostas que venha a fazer no futuro,  pois todo o sucesso que venha a alcançar será seguramente mais do que merecido!   

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Livro do    Projecto 

O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

Viarco

 

A  última  empresa  desta  nossa  série  de  textos  relativos  a  empresas  marcantes  do  panorama empresarial sanjoanense é a Viarco, que se destaca pela sua longa história  e por ser, hoje em dia, a única fábrica de lápis em actividade no país.  Nesta nossa abordagem a esta empresa contamos com uma entrevista a José Vieira,  director  da  empresa.  Agradecemos  a  disponibilidade  do  mesmo  para  a  realização  desta entrevista.  História da empresa:  A Viarco é já uma empresa centenária, uma vez que a sua origem está na fábrica de  lápis  “Faria,  Cacheux  &  Cª”  (mais  conhecida  por  Portugália)  da  cidade  de  Vila  do  Conde, fábrica que iniciou a sua actividade em 1907.  Esta  empresa,  que  foi  pioneira  neste  ramo  de  actividade  no  nosso  país,  teve  um  grande sucesso nos seus primeiros anos de actividade. Contudo, a partir de 1914 esta  fábrica  registou  grandes  dificuldades,  devido  aos  efeitos  que  a  participação  de  Portugal  na  I  Guerra  Mundial  (1914‐1918)  e  que  a  Grande  Depressão  de  1929‐1933  tiveram  na  economia  do  país.  Assim,  em  1931,  quando  a  Portugália  estava  em  situação  de  falência,  foi  adquirida  por  Manoel  Vieira  Araújo.  Este  importante  empresário  da  cidade  de  SJM,  que  já  detinha  uma  fábrica  de  chapéus  na  Capital  do  Calçado, decidiu, desta forma, alargar os ramos de actividade da sua empresa, tendo  sido a Portugália integrada no grupo Vieira Araújo.  Após  esta  aquisição  seguiram‐se  dez  anos  de  intenso  trabalho  na  reactivação  desta  empresa e no desenvolvimento de novos processos produtivos, após os quais estavam  criadas  as  condições  para,  em  1941,  deslocalizar  a  fábrica  de  lápis  para  junto  das  restantes  empresas  do  grupo  Vieira  Araújo,  isto  é,  para  a  cidade  de  SJM,  mais  precisamente para a rua Jaime Afreixo, onde ainda hoje se localiza.  Seguiram‐se  anos  em  que  a  Viarco  juntou  à  produção  dos  lápis  mais  comuns  a  produção de lápis de cera e de uma gama de lápis técnicos – lápis de carpinteiro, lápis  para escrita em tecido… Posteriormente, na década de 1970, face ao crescimento da  secção de produção de lápis do grupo Vieira Araújo, este decidiu tornar autónoma a  unidade de produção de lápis, tendo nascido a “Viarco – Indústria de Lápis, Lda”.  E  é  este  o  nome  que  a  empresa  toma  hoje  em  dia,  uma  vez  que  sobreviveu  aos  concorrentes  internacionais  e  tornou‐se  na  única  fábrica  de  lápis  do  país.  Sobrevivência que, segundo José Araújo, tem passado “por um lado, pela capacidade  de  execução  e  gestão  da  empresa”,  ou  seja,  pela  capacidade  de  tomar  as  decisões  68   


Cap. IV – Casos de destaque no sector empresarial sanjoanense 

Livro do  Projecto 

 

estratégicas correctas no momento correcto, e “por outro lado, como qualquer coisa  na vida, pela sorte” que a empresa tem tido ao longo da sua já longa existência. 

 Figura 32 – Um produto da linha “Lápis Históricos” da Viarco  A Viarco, na actualidade:  Hoje  em  dia  a  Viarco emprega  20 trabalhadores,  produzindo  lápis  para  os  mercados  escolar,  profissional,  da  publicidade  e  das  artes  plásticas.  O  seu  volume  de  negócios  foi, em 2009, de 500 mil euros.  Um  dos  mercados  tradicionais  da  empresa  para  a  venda  dos  seus  produtos  é,  naturalmente,  o  mercado  escolar,  pois  a  escola  é  naturalmente  um  local  onde  se  consomem  muitos  lápis,  é  um  “mercado  de  massas”,  como  afirmou  José  Vieira.  Contudo,  “aquilo  que  acontece  é  que,  infelizmente  o  mercado  escolar,  para  nós,  Viarco,  é  extremamente  difícil”,  facto  para  o  qual  a  empresa  aponta  duas  causas  principais.  A  primeira  é  a  dificuldade  de  venda  de  lápis  Viarco  nas  campanhas  de  “Regresso  às  Aulas” das grandes superfícies: estas vendem grande parte do seu espaço “às grandes  marcas internacionais,  que têm disponibilidade para pagar  o espaço a peso de ouro,  coisa  que  nós  não  temos”,  destinando‐se  o  espaço  restante  à  venda  de  produtos  de  marca  própria,  “provenientes  de  países  de  baixo  custo,  muitas  vezes  com  qualidade  duvidosa,  mas  a  preços  muito  competitivos”.  Já  a  outra  é  o  facto  de  este  mercado  69   


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O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

muito competitivo, com margens de lucro “muito pequenas”, pelo que é um mercado  “não muito interessante, em termos do retorno financeiro que pode gerar”.  Mesmo  assim,  a  empresa  não  desiste  deste  mercado,  pois,  mesmo  não  sendo�� um  mercado  que  possibilite  grandes  lucros  à  empresa,  é  importante  pelo  “contacto  que  nós criamos ou podemos criar com o consumidor, isto porque vocês hoje são alunos e  amanhã vão ser professores, hoje são filhos e amanhã vão ser pais, e se houver esta  afinidade, se conseguirmos esta afinidade com o consumidor jovem, estamos de certa  forma a potenciar relações futuras, que podem ser muito proveitosas para a empresa  no futuro”.  Assim, regista‐se um grande empenho da Viarco no desenvolvimento de produtos que  sejam  do  agrado  dos  consumidores  escolares.  E  foi  graças  a  este  empenho  que  a  empresa conseguiu obter os licenciamentos necessários à produção de lápis de cor e  de  cera  que  ostentam  as  marcas  Noddy  e  Ruca.  Licenciamentos  que  dão  aos  mais  pequenos  uma  razão  para  comprarem  os  lápis  da  Viarco  em  vez  dos  estrangeiros  –  todos  sabemos  que  qualquer  criança  prefere  o  lápis  do  seu  ídolo  aos  restantes  –  e,  portanto, potenciam as vendas da Viarco na área escolar. 

 Figura 33 – O código ColorAdd, que permite a correcta identificação das cores  pelos daltónicos  Mais recentemente, surgiu também outro produto Viarco destinado às crianças, mas  desta feita apenas para um grupo muito restrito de crianças – as crianças daltónicas. A  70   


Cap. IV – Casos de destaque no sector empresarial sanjoanense 

Livro do  Projecto 

 

Viarco associou‐se ao projecto do designer português Miguel Neiva, que desenvolveu  um  sistema  de  identificação  de  cores  para  daltónicos,  que  utiliza  as  formas  geométricas para definir as várias cores.  “O  facto  de  nós  produzirmos  os  lápis  com  o  código  ColorADD  passa  por  duas  situações.  Por  um  lado,  apoiar  efectivamente  o  Miguel  na  implementação  da  linguagem que ele criou. Por outro lado, dar a oportunidade às pessoas que sofrem de  daltonismo,  isto  porque  existem  pessoas  que  se  sentem  quase  que  marginalizadas  pelo facto de terem este tipo de limitação”, constatou José Araújo, que diz também  ser um projecto que, apesar de não ter potencial para ser uma grande fonte de lucros  para  a  empresa,  é  importante  por  contribuir  para  a  inclusão  social.  É,  de  facto,  de  louvar que esta empresa não olhe apenas para o lucro e tenha também preocupações  com a responsabilidade social.  Mas,  para  a  Viarco  dos  dias  de  hoje,  a  venda  dos  lápis  tradicionais,  de  que  temos  estado  a  falar,  tem  perdido  importância,  pois  a  empresa  tem  desenvolvido  novos  produtos. Estamos a falar da linha ArtGraf, resultante dos processos de Investigação e  Desenvolvimento  que  têm  sido  desenvolvidos  na  empresa  e  que  se  destina  aos  artistas plásticos: a concepção desta linha foi mesmo feita com base nas sugestões da  própria comunidade artística.  Composta por aguarelas de grafite para pintura, por barras de grafite aguarelável para  uso  em  grandes  superfícies  e  por  um  estúdio  portátil  com  utensílios  incluídos,  este  conjunto de “inovações totais a nível mundial” resulta da viragem da Viarco para uma  estratégia  de  diferenciação.  “Se  fizermos  uma  proposta  de  um  material  que  não  existe,  que  não  conseguem  encontrar  em  mais  lado  nenhum,  que  funciona,  que  é  bonito, que tem design, então não estou a vender lápis, estou a vender uma solução  diferente  e  apelativa,  e  posso  determinar  o  preço  não  em  função  do  custo  de  produção,  mas  sim  em  função  do  valor  que  o  consumidor  está  disposto  a  pagar,  criando  valor  acrescentado”.  A  empresa  apercebeu‐se  de  que  só  inovando  pode  vender  produtos  com  grandes  margens  de  lucro,  que  lhe  permitam  aumentar  o  volume de vendas.   Para  além  disso,  é  esta  estratégia  que  está  a  fomentar  a  internacionalização  da  empresa. Como estes produtos ArtGraf não são produzidos em mais nenhum local do  mundo,  a  Viarco  tem  um  enorme  potencial  de  os  exportar,  um  potencial  que  se  evidencia nas participações da empresa em feiras internacionais do ramo do design e  das artes – como a Tent Zone, em Londres, e a Zona Tortona, em Milão –, nas quais se  tem registado uma reacção “fantástica, absolutamente fantástica” dos artistas a estas  inovações.  “Num  mercado  estático,  acomodado,  em  que  não  há  inovação  nem  desenvolvimento,  quando  alguém  aparece  com  uma  coisa  nova,  causa  sensação”,  garantiu José Vieira. 

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Livro do    Projecto 

O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

 Figura 34 – Um dos produtos da linha ArtGraf da Viarco  Em consequência, a Viarco já está presente nos principais países europeus: Espanha,  Inglaterra, Alemanha, França e Itália. “Passo a passo queremos afirmar‐nos em toda a  Europa e também alargar o nosso mercado a outros países, como EUA e Canadá”, o  que  certamente  não  será  difícil,  dado  o  grande  potencial  que  esta  gama  ArtGraf  possui.  Neste artigo sobre a Viarco, há também que dar conta do grande sonho da empresa,  que  já  tem  quase  dez  anos:  o  Museu  do  Lápis.  Tendo  um  enorme  espólio  de  arqueologia  industrial,  isto  é,  de  máquinas  antigas  e  ultrapassadas  de  produção  de  lápis,  a  Viarco  gostaria  de  disponibilizá‐lo  à  comunidade,  através  de  um  museu.  Isto  seria benéfico para a empresa, pois o contacto com a comunidade facilitaria vendas e  seria uma óptima estratégia de marketing. Porém, face à falta de apoios – a Câmara  Municipal não se mostra interessada e os fundos comunitários não podem apoiar este  tipo de projectos – o projecto não pode avançar.  Em suma…  72   


Cap. IV – Casos de destaque no sector empresarial sanjoanense 

Livro do  Projecto 

 

Não temos dúvida de que a Viarco é uma excelente empresa e que merece o destaque  que  lhe  damos,  pois,  não  obstante  a  sua  reduzida  dimensão  e  número  de  trabalhadores, tem uma longa história e soube, em boa hora, apostar na Investigação  e  Desenvolvimento  e,  assim,  ‘agitar’  um  mercado  pouco  dinâmico.  Os  sectores  tradicionais também podem inovar e criar valor acrescentado, e esta empresa está de  parabéns  por  se  ter  apercebido  disto  e  por  contribuir  para  as  exportações  do  país,  puxando pelo motor que pode tirar o país e a região da crise em que se encontra!   

 

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O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

Livro do    Projecto 

   

 

Capítulo V

         

Instituições relevantes para o mundo do emprego em SJM

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Cap. V – Instituições relevantes para o mundo do emprego em SJM 

Livro do  Projecto 

 

Sanjotec

 

Terminada  a  nossa  série  de  textos  sobre  casos  marcantes  no  panorama  empresarial  da cidade, chegou a vez de darmos protagonismo às instituições que apoiam de forma  incansável os empresários da cidade, das mais diversas formas.  Começamos pela Sanjotec, a instituição que gere a nossa incubadora de empresas de  base  tecnológica  que,  apesar  de  bastante  recente,  já  contribui  com  bastantes  empregos para o concelho de SJM.  A Sanjotec e o Centro Empresarial e Tecnológico:  O Centro Empresarial e Tecnológico é um equipamento de incubação de empresas de  base  tecnológica,  isto  é,  empresas  dos  seguintes  ramos  de  actividade:  robótica,  automação industrial, biotecnologia, química, design e tecnologias da informação. O  edifício‐sede foi inaugurado em Outubro de 2008 pelo presidente da República, Prof.  Cavaco  Silva,  e  é  o  primeiro  de  um  conjunto  de  dez  edifícios  que  a  autarquia  sanjoanense  projecta  construir  na  zona  da  Devesa  Velha  da  cidade  de  SJM.  Representou  um  investimento  de  6,8  milhões  de  euros,  comparticipado  por  fundos  comunitários. 

 Figura 35 – Vista geral do Centro Empresarial e Tecnológico  75   


O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

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Para a sua gestão, foi criada a “Sanjotec – Associação Científica e Tecnológica de S.  João  da  Madeira”.  Esta  “pode  ser  definida  como  uma  iniciativa  estratégica  do  município  sanjoanense  que  visa  apoiar  técnica  e  cientificamente  a  comunidade  empresarial  local  e  regional,  através  da  difusão  de  uma  cultura  de  inovação  e  do  encorajamento  a  projectos  empresariais  de  base  tecnológica”  (Boletim  Municipal  de  SJM, nº 50, Novembro de 2008).   Os associados da Sanjotec, que têm responsabilidades na sua gestão e administração,  são:   

A Câmara Municipal de SJM;  A  PortusPark  –  Associação  do  Parque  de  Ciência  e  Tecnologia  do  Porto  (é  a  instituição  que  engloba  todos  os  parques  tecnológicos  do  tipo  do  CET  existentes na região Norte e assegura a existência de uma gestão integrada de  todos  estes  equipamentos,  bem  como  uma  ligação  dos  mesmos  à  Universidade do Porto);  A  Universidade  de  Aveiro  (é  a  única  instituição  de  ensino  superior  público  universitário  existente  no  distrito  e  é  uma  das  mais  dinâmicas  e  inovadoras  universidades  do  país,  pois  é  das  que  mais  aposta  em  Investigação  e  Desenvolvimento);  O  Centro  Tecnológico  do  Calçado  de  Portugal  (como  foi  referido  por  nós  anteriormente, é uma instituição, sediada em SJM, que presta apoio ao sector  do calçado, através da formação, da melhoria dos processos de produção das  empresas…);  O  Centro  para  o  Desenvolvimento  e  Inovação  Tecnológicos  –  Cedintec  (instituição  pública  que  tem  por  objectivo  apoiar  as  PME  no  reforço  da  sua  competitividade, através da modernização dos seus processos produtivos);  O Clube de Empresários de SJM (que se traduz numa plataforma de diálogo e  de troca de experiências, constituída por empresários dos vários concelhos do  EDV);  A  Faurecia  (multinacional  do  ramo  dos  assentos  para  automóveis,  que  tem  uma  importante  unidade  de  produção  em  SJM,  sendo  a  maior  empresa  do  concelho  sanjoanense  em  termos  de  poder  económico  e  de  número  de  trabalhadores). 

Assim  sendo,  o  CET  e  a  Sanjotec  fizeram  com  que  o  concelho  –  que  já  dispunha  de  várias zonas industriais destinadas a empresas dos ramos de actividade que produzem  através  de  métodos  tradicionais  –  passasse  a  ter  também  as  infra‐estruturas  necessárias  ao  desenvolvimento  de  projectos  empresariais  com  um  forte  cariz  tecnológico.  Desta  forma,  foi  dado  um  passo  no  sentido  de  "diversificar  o  tecido  produtivo  e  de  preferência  alterar  também  o  perfil  de  especialização"  do  concelho  (declarações  de  Castro  Almeida,  presidente  da  autarquia  de  SJM,  aquando  da  76   


Cap. V – Instituições relevantes para o mundo do emprego em SJM 

Livro do  Projecto 

 

inauguração do CET), condição necessária para que haja a alteração do paradigma de  baixos salários existente no concelho de SJM.  É uma diversificação que está a ter sucesso, uma vez que os 40 módulos de instalação  de  empresas  existentes  no  edifício  do  CET  encontram‐se,  de  momento,  já  todos  ocupados  por  diversas  empresas.  Facto  que  se  deve  às  excelentes  condições  que  a  Sanjotec  disponibiliza  aos  empresários  que  se  instalem  no  CET:  para  além  de  estes  pagarem uma renda reduzida, ainda têm acesso a diversos serviços de apoio jurídico,  fiscal e logístico. Assim, as empresas em fase de incubação não perdem tempo nem  dinheiro  com  estes  serviços,  podendo‐se  concentrar  na  sua  actividade  principal:  produzir e inovar. 

 Figura 36 – Traseiras do edifício‐sede do Centro Empresarial e Tecnológico  A Sanjotec tem ainda outra forma de apoiar as empresas: as suas acções de formação.  Quem  lê  a  imprensa  local  sabe  bem  do  elevado  número  de  acções  deste  tipo  que  a  Sanjotec dinamiza e que estão abertas à participação de todos os empresários, e não  só  dos  que  têm  empresas  instaladas  no  CET.  Por  exemplo,  o  CET  promoveu,  em  Dezembro  de  2010,  pela  primeira  vez  em  Portugal,  o  Programa  de  Formação  “European  Industrial  Engineer”,  que  visa  a  obtenção,  por  parte  dos  empresários,  através de um conjunto de exercícios e estudos de caso, de competências que possam  contribuir para um aumento de competitividade nas empresas por eles geridas. 

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Livro do    Projecto 

O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

Convém também realçar o elevado grau de exigência que a Sanjotec tem tido para a  aceitação  dos  pedidos  de  incubação  de  empresas.  Apenas  projectos  que  sejam  considerados pela direcção da Sanjotec como tendo elevada probabilidade de vingar  têm  a  oportunidade  de  se  instalar  no  CET  e  usufruir  de  todas  as  suas  mais‐valias.  Fosse  esta  selectividade  menor,  o  CET  teria  ficado  sobrelotado  num  ainda  menor  espaço  de  tempo  e  certamente  não  se  poderia  orgulhar  do  que  se  orgulha  actualmente: todas as empresas que acolheu continuam em actividade e têm vingado  no mercado.  Sendo este um projecto que prevê a construção de dez edifícios e estando o edifício‐ sede  já  sobrelotado,  a  Sanjotec  necessita  de  mais  espaço  para  continuar  com  a  sua  missão  de  incubação  de  empresas  de  base  tecnológica  no  concelho.  Avançou,  portanto, em Outubro de 2010, a construção do segundo edifício do CET – que será o  seu núcleo de Investigação e Desenvolvimento –, num investimento de 6,5 milhões de  euros. 

 Figura 37 – Imagem do projecto da construção do núcleo de Investigação e  Desenvolvimento do CET  Este  novo  edifício  terá  capacidade  para  albergar  entre  14  e  62  empresas  –  pois  o  espaço  físico  de  cada  unidade  será  adaptável  às  necessidades  de  cada  empresa  ���,  o  que corresponde a uma área bruta total de 8025,39 m². 

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Cap. V – Instituições relevantes para o mundo do emprego em SJM 

Livro do  Projecto 

 

A Sanjotec e o ensino superior na cidade:  Já vimos anteriormente que um dos problemas que o concelho sanjoanense enfrenta  é a inexistência de cursos de ensino superior no concelho. Contudo, a Sanjotec está no  centro das duas iniciativas que visam aproximar o ensino superior de SJM:  

Centro  Local  de  Aprendizagem  de  SJM  da  Universidade  Aberta  (UAb):  A  Universidade  Aberta,  única  instituição  pública  de  ensino  superior  à  distância  em  Portugal  (os  cursos  desta  universidade  são  leccionados  através  de  e‐ learning,  sendo  apenas  os  exames  presenciais),  criou,  em  2010,  um  Centro  Local de Aprendizagem em SJM, localizado na Sanjotec. Sendo que a UAb tem  como  «missão  fundamental  ir  ao  encontro  das  expectativas  de  um  público  adulto, com experiência de vida e normalmente já empenhado no exercício de  uma  profissão»,  a  abertura  deste  centro  permite  a  divulgação  destes  cursos  superiores, bem como a realização de exames presenciais. É uma aproximação  do  ensino  superior  ao  concelho  que,  mesmo  não  sendo  nos  moldes  tradicionais, é muito bem‐vinda.  Colaboração da Sanjotec com a Faculdade de Belas Artes da Universidade do  Porto (FBAUP): Estas duas instituições assinaram, no mês de Janeiro de 2011,  um  protocolo  com  vista  à  realização  da  componente  prática  do  curso  de  Design  de  Produto  da  FBAUP  (que  actualmente  é  apenas  um  Curso  de  Especialização Tecnológica mas que no próximo ano lectivo se vai transformar  em  Mestrado)  no  concelho  sanjoanense.  Assim,  os  alunos  deste  curso  (cujas  aulas são leccionadas no Porto) irão desenvolver o seu trabalho prático em três  empresas da cidade: Viarco, Fepsa (estas duas já abordadas nos nossos artigos  sobre casos de empresas sanjoanenses) e Cartonagem Trindade (empresa que  produz  todo  o  tipo  de  embalagens  dinâmicas  e  com  design  arrojado).  Já  as  instalações da Sanjotec serão utilizadas para ateliês e utilização de software ou  hardware.  Esta  sim  é  uma  iniciativa  que  aproxima  o  ensino  superior  como  todos o conhecemos à cidade de SJM e que pode ser o primeiro passo para um  futuro em que haja um curso superior leccionado apenas em SJM! 

Em suma…  Por tudo o que referimos, é de louvar a visão estratégica que a Câmara Municipal da  cidade  teve  ao  criar  este  projecto.  De  facto,  segundo  informações  divulgadas  na  imprensa  local,  o  CET  já  criou  120  postos  de  trabalho,  dos  quais  70  por  cento  são  ocupados  por  quadros  com  formação  superior.  Podem  não  ser  empregos  na  quantidade  necessária  para  baixar  a  preocupante  taxa  de  desemprego  do  concelho,  mas o mais importante é que são empregos qualificados, bem pagos e que atenuam o  paradigma  de  emprego  tradicional  que  ainda  se  evidencia,  de  uma  certa  forma,  na  cidade.  E  são  empregos  em  empresas  de  sucesso,  das  quais  é  exemplo  a  Creativesystems, empresa que também já mereceu um dos nossos artigos!  79   


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O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

Prova‐se que o investimento público, se for bem efectuado, pode ser motor da criação  de emprego e da qualificação do país. Desejamos que a autarquia consiga desenvolver  os  dez  edifícios  que  estão  projectados  para  o  CET  e  que  este  projecto  não  seja  afectado pela austeridade em que vivemos…   

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Cap. V – Instituições relevantes para o mundo do emprego em SJM 

Livro do  Projecto 

 

Centro de Formação Profissional da Indústria do Calçado

 

Continuando a  nossa série  de  textos  sobre  instituições  que  desempenham um papel  importante  no  que  diz  respeito  ao  emprego  na  cidade,  chegou  a  vez  de  darmos  a  conhecer um centro de formação que contribui em larga medida para a melhoria das  qualificações  da  mão‐de‐obra  sanjoanense  –  o  Centro  de  Formação  Profissional  da  Indústria do Calçado (CFPIC).  Aproveitamos para agradecer a disponibilidade da Dra. Fátima Martins, Coordenadora  Pedagógica do Centro de Novas Oportunidades do CFPIC, para a entrevista que nos  concedeu.  História do CFPIC:  O CFPIC é uma instituição que conta já com 45 anos de história: foi criado em 1965, ao  abrigo  de  um  protocolo  entre  três  entidades  do  ramo  do  calçado  (Fundo  de  Desenvolvimento  de  Mão  de  Obra,  Grémio  Nacional  dos  Industriais  de  Calçado  e  Federação  Nacional  do  Sindicato  dos  Operários  Sapateiros).  A  criação  desta  instituição  visava  a  resolução  das  grandes  carências  que  a  indústria  de  calçado  evidenciava nessa década, em termos de formação profissional.  E  foi  em  Janeiro  de  1966  que  o  Centro  iniciou  a  sua  actividade,  sendo  que  as  suas  primeiras instalações situavam‐se no Palacete dos Condes, em SJM. Mas, uma vez que  as fábricas de calçado registaram uma dispersão geográfica cada vez maior nos anos  60, 70 e 80 do século XX, este pólo revelou‐se insuficiente. Assim, o CFPIC criou pólos  nas  localidades  de  Oliveira  do  Douro  (em  1967),  de  Felgueiras  (em  1972),  dos  Carvalhos (em 1985), de Guimarães (em 1986), da Benedita (em 1986) e de Oliveira de  Azeméis (em 1990).  Já o final da década de 80 e o início da década de 90 destacam‐se por serem o período  em  que  o  Centro,  que  até  então  formava  apenas  mão‐de‐obra  para  as  profissões  tradicionais do calçado, passou a ter cursos de estilismo, de design, de informática de  secretariado,  de  CAD/CAM.  Assim,  foi  dada  resposta  à  emergência  de  novas  necessidades  profissionais  neste  ramo,  em  virtude  do  desenvolvimento  das  novas  tecnologias de informação e de comunicação. 

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Porém,  as  décadas  de 1990  e  2000 ficaram marcadas  pelo encerramento  da  maioria  dos  pólos  do  CFPIC,  de  tal  forma  que  hoje  apenas  subsistem  os  pólos  de  SJM  e  Felgueiras.  Isto  ocorreu  “por  uma  questão  de  rentabilização  de  recursos  e  tendo  em  conta  que  hoje  a  mobilidade  é  superior  a  que  existia  anteriormente”:  por  exemplo,  dada a facilidade de deslocação que existe hoje, não se justifica ter simultaneamente  pólos  em  SJM  e  Oliveira  de  Azeméis  ou  em  Felgueiras  e  Guimarães.  A  estas  duas  razões  acrescenta‐se  uma  terceira,  que  é  o  facto  de  o  Centro  ter  adquirido  várias  unidades  móveis  de  formação,  que  fazem  com  que  o  CFPIC  continue  a  desenvolver  formações na Benedita e em Viana, mesmo já não tendo pólos nessas localidades. 

 Figura 38 – Exterior do pólo sanjoanense do CFPIC  O CFPIC, na actualidade:  Hoje em dia, como já foi referido, o CFPIC tem dois pólos, em SJM e em Felgueiras. De  entre  estes  dois  pólos,  o  que  apresenta  uma  maior  procura  por  parte  da  população  local  é,  segundo  Fátima  Martins,  “sem  dúvida  o  de  SJM”.  Estando  ambos  os  pólos  inseridos  em  áreas  industriais  em que  o  ramo  do  calçado  tem  um  papel  de  relevo,  a  região  de  Felgueiras  distingue‐se  por  “incidir  mais  no  fabrico”  (no  que  respeita  às  indústrias de calçado) e por ter também “outras industrias ali próximas que absorvem  facilmente  as  pessoas”.  Assim,  existe  maior  facilidade  de  encontrar  emprego  não  qualificado  em  Felgueiras,  pelo  que  existe  uma  menor  procura  das  formações  do  Centro por parte da população.  82   


Cap. V – Instituições relevantes para o mundo do emprego em SJM 

Livro do  Projecto 

 

Ambos estes pólos são Centros Novas Oportunidades e disponibilizam vários tipos de  formação: cursos de educação/formação de jovens, cursos de educação/formação de  adultos (cursos EFA) e formação modular.  Os  cursos  de  educação/formação  de  jovens  destinam‐se  aos  jovens  que  desejem  concluir  o  9º  ou  o  12º  ano  através  de  um  curso  com  uma  forte  componente  prática,  que  lhes  ensine  uma  determinada  profissão,  mas  mantendo  a  possibilidade  de  ingresso no ensino superior. São cursos que têm tido “resultados positivos”, uma vez  que “a componente prática e o estágio normalmente motivam os alunos”. Os cursos  EFA  destinam‐se  principalmente  a  adultos  desempregados,  pois  os  centros  de  emprego encaminham os desempregados para estes cursos, “para que, enquanto não  encontram emprego, rentabilizem o seu tempo através da formação”, afirmou Fátima  Martins.  Já  a  formação  modular  é  procurada  essencialmente  “por  pessoas  empregadas  que  estão  activas  e  que  querem  evoluir”  através  da  aquisição  de  conhecimentos que as tornem mais aptas à profissão que desempenham. 

 Figura 39 – Um dos equipamentos utilizados pelos formandos do CFPIC  Quanto à empregabilidade dos dois tipos de cursos que se destinam a quem não está  a trabalhar, esta “varia muito em função da área de formação de cada curso e da fase  que  o  país  esteja  a  atravessar  a  nível  socioeconómico”.  Todavia,  é  de  referir  que  a  empregabilidade  dos  cursos  EFA  é,  em  geral,  superior  à  dos  cursos  de  educação/formação  de  jovens,  uma  vez  que  as  empresas  valorizam  a  maior  83   


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O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

maturidade  dos  formandos  dos  cursos  EFA.  “Para  determinados  casos,  ainda  há  alguma  hesitação  em  admitir  um  jovem,  por  parte  das  instituições  empregadoras,  pois pensam que estes não têm experiência”, assegura Fátima Martins.  É de notar também que, nos últimos anos, a formação de jovens tem um peso cada  vez menor na formação desenvolvida no CFPIC. “Ultimamente nós estamos a prestar  muito serviço de formações específicas para as empresas [formação modular], tanto  nas  instalações  do  Centro  como  nas  próprias  empresas.  Estamos  também  a  receber  um  número  bastante  elevado  de  desempregados  que  vêm  encaminhados  pelos  centros de emprego, aos quais temos de dar resposta”. São dois factores que fazem  com  que  “se  nós  compararmos  o  nosso  público  de  há  meia  dúzia  de  anos  com  o  de  hoje,  notamos  uma  diferença  muito  grande,  porque  nessa  altura  a  maioria  da  nossa  população  era  jovem  e  hoje  em  dia  são  adultos  que  frequentam  cursos  EFA  e  formação modular”, explicou‐nos Fátima Martins.  Sendo o CFPIC um Centro Novas Oportunidades, confrontámos Fátima Martins com a  fama  que  os  cursos  Novas  Oportunidades  têm  de  serem  demasiado  facilitistas.  Esta  considera  que  “o  programa  é  positivo,  é  valido.  Quando  é  posto  em  causa,  muitas  vezes  é  por  pessoas  que  não  tem  conhecimento  sobre  o  assunto  ou  que  concebem  apenas o sistema de ensino nos moldes tradicionais, não perspectivando outro tipo de  ensino”. “Não considero que estes cursos sejam assim tão fáceis, logicamente que no  nível básico são mais simples, no nível secundário não são tão simples quanto muitos  querem  fazer  crer,  o  nível  secundário  já  é  um  nível  complexo”.  No  entanto,  Fátima  Martins salientou que, neste tipo de cursos, o grau de dificuldade é, em grande parte,  da responsabilidade de cada Centro Novas Oportunidades, pois estes é que definem  “a  metodologia  que  usam,  os  requisitos  que  exigem  aos  formandos,  a  forma  como  desenvolvem o processo e os critérios de qualidade que seguem”.  Existe  outro  aspecto  que  faz  com  que  o  CFPIC  seja  fortemente  criticado  por  vários  empresários do ramo do calçado: o  Centro tem  mais  formandos a  frequentar cursos  de  modelação,  de  estilismo  ou  de  design  do  que  cursos  relacionados  com  as  actividades  tradicionais  de  produção,  sendo  que  as  empresas  de  calçado  dizem  ter  dificuldades quando tentam contratar estes últimos profissionais. Ora, Fátima Martins  argumenta que “a nossa actividade tem a ver com a nossa oferta mas também com a  procura,  com  as  exigências  e  os  interesses  da  população.  Nós  não  temos  pessoas  interessadas  para  o  fabrico  do  calçado!  Por  exemplo,  os  jovens  sentem‐se  mais  atraídos para o design, para a informática, para a instalação de redes, para a área do  comércio, e não tanto para o fabrico do calçado”. 

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Cap. V – Instituições relevantes para o mundo do emprego em SJM 

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 Figura 40 – Um dos equipamentos utilizados pelos formandos do CFPIC  É também de referir que o Centro tem estado presente em várias feiras internacionais  de calçado, como a Micam e a GDS. Estas presenças têm três fins: a actualização do  CFPIC,  em  termos  de  organização  interna  e  de  gestão,  pois  nestas  feiras  os  responsáveis pelo Centro podem descobrir as novidades e as tendências do ramo do  calçado, a nível mundial; a divulgação do trabalho e da criatividade dos estilistas em  formação no Centro; o facto de possibilitar tanto aos profissionais do centro como aos  alunos  o  conhecimento  do  mercado  internacional  e  globalizado.  “Nós  hoje  cada  vez  mais vivemos numa sociedade global e portanto temos obrigatoriamente de conhecer  o  mercado  internacional  e  de  nos  fazermos  representar  no  mesmo,  já  que  só  assim  estamos  integrados  no  mercado  de  trabalho  tanto  a  nível  nacional  como  internacional”.  Por  último,  há  que  referir  os  vários  prémios  que  alunos  do  Centro  têm  recebido  em  concursos  internacionais,  que  se  traduzem  no  reconhecimento  a  nível  nacional  e  internacional  do  trabalho  realizado  pelo  CFPIC.  Em  2008,  Marco  Egídio,  do  curso  de  Modelação e Design de Calçado, e Rosário Alves, do curso de Modelação de Calçado e  Marroquinaria,  ganham  o  1º  e  2º  prémios  na  categoria  “Homem”  do  prémio  Sulle  Orme  Del  Cuoio;  em  2009,  uma  equipa  do  curso  de  Electrónica  de  Equipamento  ganhou  o  2º  prémio  no  concurso  de  Robótica  e  Electrónica  na  ROBOPARTY  da  Universidade  do  Minho:  são  apenas  dois  exemplos  dos  muitos  prémios  que  o  CFPIC  tem recebido. São sucessos que resultam, segundo Fátima Martins, “do investimento  85   


O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

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na  qualidade  e  no  rigor  e  da  preocupação  constante  em  estarmos  actualizados  e  também em sermos criativos”. 

Figura 41 – Alguns dos prémios que os formandos do CFPIC têm ganho em  diversos concursos  Em suma…  O Centro de Formação Profissional da Indústria do Calçado, por tudo o que referimos,  dá  um  contributo  excepcional  para  as  indústrias  de  calçado  na  cidade,  sendo  um  impulsionador da componente criativa deste sector, que é a que torna este ramo de  actividade  um  ramo  de  elevado  valor  acrescentado  e  de  elevado  potencial  de  desenvolvimento.  Assim  sendo,  desejamos  as  maiores  felicidades  ao  Centro,  nomeadamente no que diz respeito à resolução dos problemas de financiamento e de  sobrelotação que hoje existem!   

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Cap. VI – Perspectivas políticas acerca do emprego na cidade   

   

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Capítulo VI

 

                       

Perspectivas políticas acerca do emprego na cidade

                   

 

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O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

Perspectiva da Câmara Municipal de SJM Ora, depois do nosso inquérito, da análise às características do emprego na cidade, da  divulgação  de  casos  marcantes  no  panorama  empresarial  sanjoanense  e  da  abordagem  a  instituições  que  apoiam  os  nossos  empresários,  é  a  hora  de  divulgar  mais  detalhadamente  as  opiniões  e  as  acções  desenvolvidas  pela  autarquia  sanjoanense no domínio do emprego, das empresas e da educação.  Para isso fomos entrevistar o Dr. Castro Almeida, presidente da Câmara Municipal de  SJM.  Agradecemos  a  sua  disponibilidade  e  o  tempo  que  despendeu  connosco  e  que  possibilitou a realização deste artigo. 

 Figura 42 – Castro Almeida e Dilma Nantes, a serem entrevistados por Ricardo  Oliveira, Rúben Sousa e Daniel Diaz, elementos do nosso grupo  A atracção de emprego para a cidade:  Aquando  da  campanha  eleitoral  que  precedeu  o  actual  mandato  autárquico,  Castro  Almeida  afirmou  que  a  prioridade  deste  mandato  seria  a  melhoria  das  condições  de  empregabilidade  no  concelho  sanjoanense.  “O  papel  da  autarquia  é  criar  condições  para  atrair  empresários.  A  criação  de  emprego  não  dispensa  empresários,  os  88   

 


Cap. VI – Perspectivas políticas acerca do emprego na cidade 

Livro do  Projecto 

 

empresários  precisam  de  ter  locais  adequados  para  se  instalarem  e  a  função  da  autarquia  é  criar  os  locais  adequados  para  os  empresários  se  instalarem”,  declarou  Castro Almeida.  Assim  sendo,  este  terceiro  mandato  está  a  ser  marcado  por  três  investimentos:  a  ampliação  da  Zona  Industrial  das  Travessas  “para  lá  instalar  empresas  de  base  industrial”, a construção do novo edifício do Centro Empresarial e Tecnológico “para  atrair  empresas  de  base  tecnológica  para  o  nosso  concelho”  e  a  criação  da  Oliva  Creative Factory “para atrair indústrias criativas para SJM”.  Questionámos  Castro  Almeida  acerca  das  razões  para  o  primeiro  destes  investimentos.  “Hoje  há  escassez  de  terrenos  disponíveis  para  a  instalação  de  indústrias  em  SJM,  e  os  poucos  terrenos  que  existem  são  caros.  Por  isso,  nós  queremos aumentar a oferta, como forma de fazer baixar os preços dos terrenos”. Só  desta  forma,  afirma,  será  possível  evitar  que  “os  empresários  de  SJM  construam  fábricas  fora  da  cidade  porque  os  poucos  terrenos  que  existem  em  SJM  são  caros”,  como diz acontecer actualmente.  Relativamente  ao  Centro  Empresarial  e  Tecnológico  (CET),  face  ao  que  já  vimos  anteriormente, no texto respeitante à Sanjotec, inquirimos o presidente da autarquia  acerca do balanço que faz da construção deste equipamento. “É muito positivo, estão  lá  instaladas  mais  de  30  empresas,  trabalham  lá  mais  de  100  licenciados.  Numa  incubadora  de  empresas  é  normal  que  haja  muita  fragilidade  nas  empresas,  mas  no  CET ainda não morreu nenhuma empresa, é uma característica muito interessante da  nossa  Sanjotec.  O  1º  edifício  está  cheio  e  é  por  isso  que  estamos  a  construir  o  segundo, porque o primeiro foi claramente um sucesso”.  No  que  diz  respeito  à  Oliva  Creative  Factory,  investimento  que  já  foi  analisado  em  pormenor  num  dos  nossos  textos  semanais,  quisemos  saber  o  que  é  que  leva  a  autarquia a pensar que o concelho tem potencial para o sector das indústrias criativas.  “As  indústrias  criativas  são  um  sector  de  futuro  no  mundo  inteiro,  no  mundo  desenvolvido”, garantiu Castro Almeida.  “A  Oliva  não está pensada  para  atrair  só  as  empresas criadoras de SJM, a Oliva é uma infra‐estrutura de âmbito metropolitano e  mesmo de âmbito nacional”. “Não há muitos espaços para a instalação de indústrias  criativas no país, e nós queremos ser um dos melhores e maiores, eu creio que o nosso  espaço vai ser provavelmente o maior do país para a instalação de indústrias criativas,  estamos a falar de 14000 metros quadrados”.  Ainda  no  que  diz  respeito  a  este  projecto,  surgiu  recentemente,  no  semanário  local  Labor, uma notícia que dá conta que a autarquia feirense está também a desenvolver  um projecto semelhante à Oliva Creative Factory – trata‐se da “Caixa das Artes”, que  também  contará  com  residências  artísticas,  incubadora  de  empresas  e  oficinas  criativas.   89   


Livro do    Projecto 

O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

Havia,  portanto,  que  perguntar  a  Castro  Almeida  se  não  receia  que  a  multiplicação  deste  tipo  de  equipamentos  faça  com  que  eles  não  tenham  uma  procura  correspondente  à  oferta.  “Eu  visitei  algumas  cidades  na  Europa  onde  na  mesma  cidade  há  mais  do  que  um  espaço  para  a  instalação  de  indústrias  criativas”,  respondeu.  “Não  vejo  nenhum  problema  em  haver  um  equipamento  de  indústrias  criativas em SJM e outro na Feira, acho até que podem ser complementares”.   Castro  Almeida  passou  a  exemplificar  este  seu  argumento:  “Pense  no  seguinte,  quando alguém quiser instalar uma loja de sapatos, pensa em ir para onde? Para um  centro comercial. Mas já lá há outras lojas de sapatos, porque é que não há‐de ir para  um sítio isolado? Porque quem quer comprar sapatos vai ao centro comercial, onde há  uma diversidade de oferta que atrai mais consumidores”. Assim, o autarca pensa que  “o facto de haver aqui dois espaços contidos fará que esta sub‐região fique conhecida  como um espaço de indústrias criativas e que quem quiser procurar um fornecedor de  produtos criativos venha aqui a esta região”.  Em suma, estes três investimentos – ampliação da Zona Industrial das Travessas e do  CET e requalificação da velha Oliva – significam que a aposta da autarquia quanto ao  emprego é de “manter e reforçar as indústrias tradicionais, nomeadamente o calçado  que vai ter futuro em SJM” e, simultaneamente, de “abrir novas frentes, empresas de  base  tecnológica  no  Centro  Empresarial  e  Tecnológico,  indústrias  criativas  na  Oliva  Creative Factory”, assegurou Castro Almeida.  A Câmara Municipal e a educação na cidade:  Sendo  que  o  domínio  da  educação  se  reflecte  nas  qualificações  da  população  e,  portanto, no emprego da cidade, este foi um tema que também foi abordado na nossa  entrevista ao presidente da autarquia.  Começámos por confrontar o autarca com o problema da falta de ensino superior na  cidade,  perguntando  a  Castro  Almeida  se  pensa  que  poderá,  um  dia,  existir  verdadeiramente ensino superior em SJM. “Eu sou totalmente contra a ideia de criar a  Universidade  de  SJM  ou  o  Instituto  Politécnico  de  SJM”,  exclamou,  “pois  eu  não  quereria  que  o  meu  filho  estudasse  numa  universidade  destas”.  “Agora,  o  que  eu  quero  é  que  a  Universidade  do  Porto  e  a  Universidade  de  Aveiro,  que  são  boas  universidades,  possam  também  instalar  alguns  cursos  em  SJM.  Eu  queria  ver  a  Universidade  do  Porto  cada  vez  mais  com  um  cariz  metropolitano,  não  pode  ser  a  universidade da cidade do Porto, tem que ser a universidade da metrópole do Porto, e  a metrópole do Porto vai desde a Póvoa do Varzim a Oliveira de Azeméis”.  Sendo este o objectivo da autarquia, Castro Almeida divulgou também que já foram  dados os primeiros passos neste sentido: “Recentemente assinamos um acordo com a  Universidade  do  Porto  para  instalar  em  SJM  uma  pós‐graduação  em  Design  de  Produto, que no próximo ano há‐de evoluir para um mestrado da Faculdade de Belas  90   


Cap. VI – Perspectivas políticas acerca do emprego na cidade 

Livro do  Projecto 

 

Artes  da  Universidade  do  Porto.  É  uma  área  que  alia  o  Design  e  as  Belas  Artes  à  Engenharia e que é importante para nós, pois nós temos aqui muitas empresas nessa  área, que podem beneficiar muito com a criação de uma pós‐graduação em Design de  Produto”. 

 Figura 43 – Castro Almeida e Dilma Nantes, a serem entrevistados por Ricardo  Oliveira, Rúben Sousa e Daniel Diaz, elementos do nosso grupo  Nos últimos tempos, as estruturas locais dos partidos que se encontram na oposição  têm responsabilizado a autarquia pelo facto de os jovens da cidade terem que sair de  SJM  para  encontrarem  um  futuro. Ao  confrontarmos o  presidente  da  autarquia  com  estas  críticas,  este  respondeu  que  “O  que  eu  quero  é  que  os  jovens  de  SJM  sejam  felizes  em  qualquer  parte  do  mundo,  é  o  meu  primeiro  dever.  Entre  ter  um  jovem  sanjoanense feliz a trabalhar em Londres e ter um jovem sanjoanense desempregado  em  SJM,  eu  antes  quero  um  jovem  sanjoanense  feliz,  activo,  produtivo  e  bem  sucedido  em  Londres”.  “Eu  não  esqueço  que  tenho  que  criar  condições  na  minha  cidade  para  atrair  o  máximo  de  sanjoanenses  que  eu  puder,  mas  fico  feliz  de  os  ver  bem sucedidos noutras partes do mundo. Em primeiro lugar o que eu quero é que os  sanjoanenses sejam bem sucedidos, felizes e tenham sucesso. Se puder ser em SJM,  tanto melhor”. 

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O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

Também no domínio da educação, um momento importante na vida dos estudantes  ocorre no final do 9º e do 12º ano, em que há que escolher o curso que querem seguir.  No passado, a autarquia desenvolvia a Feira das Profissões como forma de ajudar os  estudantes nestas escolhas. Contudo, este evento foi descontinuado há alguns anos.  Confrontado com isto, Castro Almeida declarou que “passou‐se uma situação em que  havia um excesso de feiras de profissões  aqui na região.  Nós passamos a investir  na  elaboração de um roteiro, um livro que divulgava a informação sobre essa matéria aos  jovens. A Feira foi uma experiência proveitosa na sua época, mas estava a banalizar‐se  e a suscitar um cada vez menor entusiasmo aos estudantes”.  As medidas de austeridade e a autarquia:  Terminámos  a  nossa  entrevista  com  uma  questão  que  se  impõe  neste  momento  de  diminuição  das  receitas  orçamentais  da  autarquia,  em  virtude  da  crise  económica  e  das  medidas  de  austeridade:  estão  em  risco,  devido  a  estes  factores,  os  grandes  projectos municipais no domínio da educação e do emprego? A resposta foi negativa.   “Há de facto uma diminuição de receitas da Câmara Municipal de SJM, e nós vamos  ter que cortar nas despesas, porque não aceito o princípio de ficar a dever, quero ter as  contas  equilibradas.  Nós  cortamos  nas  despesas  correntes  e  não  nas  despesas  de  investimento.  Os  grandes  projectos,  como  a  ampliação  da  zona  desportiva,  a  renovação das  nossas piscinas,  a construção  da  Oliva  Creative  Factory,  a construção  do  novo  edifício  da  Sanjotec,  a  construção  da  Casa  das  Artes  e  da  Criatividade  e  a  construção  da  nova  escola  secundária  vão  manter‐se.  É  na  luz,  na  água,  nas  deslocações, na publicidade, no papel, nas impressoras, nos tinteiros e nos telefones  onde  nós  estamos  a  poupar,  e  com  sucesso,  pois  temos  as  coisas  praticamente  em  ordem”.  Em conclusão…  Nesta entrevista evidenciou‐se que a actual gestão da Câmara Municipal de SJM está  determinada  em  levar  a  cabo  os  seus  três  grandes  projectos  relacionados  com  o  domínio  do  emprego  e  em  fazer  com  que  os  empresários  tenham  em  SJM  as  estruturas  necessárias  ao  desenvolvimento  de  empresas  de  sucesso.  Há  que  ter  esperança  de  que  estes  equipamentos  tenham  a  procura  prevista  pela  autarquia  e,  assim,  consigam  potenciar  o  empreendedorismo  não  só  dos  sanjoanenses  mas  também da população de toda a região!   

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Cap. VI – Perspectivas políticas acerca do emprego na cidade 

Livro do  Projecto 

 

Perspectiva dos partidos da oposição

 

Depois  da  entrevista  ao  Dr.  Castro  Almeida,  em  que  nos  inteiramos  das  ideias  e  projectos da autarquia sanjoanense nos domínios do emprego e da educação, há que  dar  também  a  conhecer  as  ideias  dos  partidos  da  oposição  ao  PSD  (que  ganhou  as  últimas eleições autárquicas em SJM).   A perspectiva da Juventude Socialista:  Como  pretendíamos  conhecer  melhor  a  perspectiva  dos  jovens  do  maior  partido  da  oposição  local,  fizemos  uma  entrevista  a  Alessandro  Azevedo,  líder  da  Juventude  Socialista (JS) de SJM. Agradecemos a disponibilidade do mesmo para esta entrevista. 

 Figura 44 – Alessandro Azevedo, líder da JS‐SJM, com Ricardo Teixeira e Diogo  Moreira, elementos do nosso grupo  À semelhança do que aconteceu na entrevista ao Dr. Castro Almeida, começámos por  abordar o domínio do emprego. Em declarações recentes dos responsáveis da JS‐SJM  tem sido afirmado que a autarquia podia ser mais activa no combate ao desemprego.  93   


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“Há  a  necessidade  de  encontrar  soluções  a  nível  nacional  que  fomentem  o  crescimento  económico,  já  que  este  é  a  melhor  via  de  criação  de  emprego,  mas  os  concelhos  devem  ter  também  um  papel  no  desenvolvimento  de  ferramentas  que  fomentem a criação de emprego”, explicitou o líder desta estrutura partidária local na  entrevista que nos concedeu.  Impunha‐se  saber,  então,  o  que  é  que,  para  a  JS,  deve  ser  feito  para  combater  o  desemprego. Alessandro Azevedo começou por ressalvar que a JS está inteiramente a  favor  dos  três  grandes  projectos  da  autarquia  neste  domínio:  “Somos  totalmente  favoráveis  aos  três  investimentos.  As  incubadoras  de  empresas,  como  o  Centro  Empresarial e Tecnológico, são desde há muitos anos uma preocupação da Juventude  Socialista à escala nacional. Quanto à Oliva Creative Factory, é uma indústria criativa  e estava, aliás, no projecto político que o PS apresentou em 2009”.  Contudo, para o líder da JS‐SJM, “há uma questão à qual a Câmara Municipal não tem  respondido,  que  é  a  defesa  das  indústrias  tradicionais.  SJM  tem  que  recentrar  a  sua  importância na realidade do sector do calçado a nível internacional. Nesse sentido, o  PS  defendeu,  por  exemplo,  a  construção  do  Museu  do  Calçado  em  SJM”.  Por  outro  lado,  “não  se  justifica  que  uma  cidade  como  SJM  não  desenvolva  uma  Feira  Internacional  de  Calçado,  tínhamos  todas  as  condições  para  o  fazer,  era  uma  boa  medida de apoio ao sector que emprega muitos sanjoanenses”, defendeu Alessandro  Azevedo. Estas são, segundo este líder, iniciativas tão ou mais importantes do que as  que já estão a ser implementadas, uma vez que a JS defende que a solução de curto  prazo para o desemprego está nos sectores tradicionais.  O domínio da educação era outro domínio que se impunha nesta entrevista, à imagem  do que se sucedeu na entrevista à autarquia da cidade. O líder da JS‐SJM começou por  responsabilizar o governo central pelas boas condições do parque escolar da cidade,  ou não estivesse o PS a governar o país desde há seis anos: “SJM beneficiou daquela  que foi uma realidade nacional. A reabilitação da Escola Oliveira Júnior, a construção  da nova  João  da  Silva Correia,  a reabilitação  da  Serafim  Leite  (que irá  ocorrer  numa  fase seguinte do Programa Parque Escolar) e a renovação das escolas do 1º ciclo (em  parte com um apoio do programa do governo) são realidades que se devem muito ao  governo central”.  Em  seguida,  pedimos  a  Alessandro  Azevedo  que  desse  a  sua  opinião  acerca  do  problema  da  falta  de  ensino  superior  na  cidade,  para  que  a  pudéssemos  confrontar  com a de Castro Almeida. “Eu tenho sérias dúvidas que uma eventual universidade em  SJM  conseguisse  competir  com  as  universidades  já  existentes  e,  portanto,  entendo  que, face aos problemas da dificuldade de fixação dos jovens na cidade e da taxa de  desemprego elevada, o ensino superior é, quiçá, a última das prioridades, se é que é  uma prioridade”. 

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Cap. VI – Perspectivas políticas acerca do emprego na cidade 

Livro do  Projecto 

 

Figura 45 – As obras de construção da nova Escola Secundária João da Silva  Correia  Na verdade, o líder desta estrutura partidária local considera que o problema da não  fixação dos jovens em SJM não se deve à falta de ensino superior na cidade mas sim à  falta de apoios que promovam a fixação dos mesmos. “Muitos são os concelhos que  têm a preocupação na fixação dos jovens, dou o exemplo de Arouca, onde há terrenos  que estão a ser vendidos, a baixo custo, a jovens que pretendam fixar‐se no concelho.  Em SJM esta vertente não é explorada”, reiterou.   “Temos  ouvido  a  JSD  a  queixar‐se  do  Programa  Porta  65  de  arrendamento  jovem,  mas em SJM não há um gabinete de apoio à aplicação do Programa Porta 65, como  existe em outros concelhos, nem existe uma política municipal de apoio à fixação dos  jovens. Esta é uma falha que prejudica a cidade”, declarou Alessandro Azevedo.  Optámos por também terminar esta entrevista com as medidas de austeridade. Será  que a falta de dinheiro não torna as propostas da JS difíceis de executar? “A questão  orçamental não deve ser a desculpa para não se fazer nada”, alegou o líder da JS‐SJM.  “O governo central tem dificuldades de financiamento e não foi por isso que deixou de  ter uma política industrial séria; muitos concelhos têm dificuldades orçamentais e não  é por isso que deixam de ter políticas de fixação dos jovens. Se a autarquia redefinir as  suas  apostas,  acho  que  é  possível  a  execução  das  propostas  da  JS”,  garantiu  o  líder  deste partido no final da entrevista realizada.   95   


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A perspectiva do CDS‐PP:  Apresentamos  a  partir  de  agora  as  perspectivas  dos  restantes  partidos  com  representação  na  Assembleia  Municipal  sanjoanense  quanto  ao  emprego  na  cidade,  tarefa  para  a  qual  nos  baseámos  nos  programas  políticos  que  cada  um  deles  apresentou à população aquando da campanha eleitoral para as eleições autárquicas  de 2009.  À semelhança do que acontece com o actual executivo camarário e com a JS‐SJM, os  centristas  apresentam  também  uma  grande  preocupação  com  a  atracção  de  empresas e de emprego para a cidade.  Neste  sentido,  uma  das  propostas  de  Dina  Rocha,  que  se  candidatou  pelo  CDS  à  presidência  da  autarquia  em  2009,  era  a  integração  de  SJM  em  “redes  multi‐ municipais  de  apoio  ao  empreendedorismo,  no  âmbito  da  inovação  e  das  novas  tecnologias”, isto é, a criação, em toda a região, de uma rede que facilitasse o espírito  de  iniciativa  empresarial,  proporcionando  aos  empresários,  através  de  vários  parceiros, espaços para a  fixação  das empresas,  sistemas de  garantia  mútua, capital  de risco, entre outras vantagens.  Outro aspecto importante para a criação de emprego na cidade era, para a candidata  deste  partido,  a  criação  de  “uma  incubadora  de  empresas  e/ou  ideias  de  base  tecnológica,  a  localizar  num  parque  empresarial  que  forneça  serviços  de  suporte  administrativo de apoio à gestão”. Trata‐se de uma ideia que, sem dúvida, faz lembrar  o projecto de criação e ampliação do Centro Empresarial e Tecnológica que a Câmara  Municipal de SJM desenvolve actualmente.  Mas  existem  também  aspectos  em  que  as  posições  do  CDS  divergem  das  da  autarquia. Um desses casos é a proposta de redução de impostos e do custo da água  para  as  empresas  da  cidade,  na  medida  em  que  este  partido  alega  que  a  autarquia  deveria contribuir mais para a redução dos custos fixos de produção das mesmas.  Outra ideia do CDS que não se encontra nas prioridades actuais da autarquia é o apoio  da criação de emprego social pelas IPSS. Para Dina Rocha, aspectos como a prestação  de  cuidados  continuados  aos  mais  idosos,  a  criação  de  novos  centros  de  noite  e  a  implementação  de  uma  cantina  social  –  tudo  isto  através  das  IPSS  –  seriam  importantes,  na  medida  em  que,  para  além  de  apoiarem  os  mais  desfavorecidos,  levam à criação dos empregos necessários ao desenvolvimento destas actividades.  Por último, é de referir que o CDS, ao contrário da JS, acha importantíssima a atracção  do  ensino  superior  para  o  concelho  sanjoanense.  Dina  Rocha  propôs‐se  a  “captar  o  ensino superior para a cidade, nomeadamente o tecnológico para que se possa ligar  com  as  redes  de  empreendedorismo”.  A  existência  de  ensino  superior  em  SJM,  seja  este da Universidade de Aveiro, do Instituto Politécnico do Porto ou da Universidade  96   


Cap. VI – Perspectivas políticas acerca do emprego na cidade 

Livro do  Projecto 

 

Lusófona, seria, para os centristas, muito positiva, desde que fosse integrada com as  entidades empregadoras e contribuísse para a qualificação das empresas da cidade. 

 Figura 46 – Centro Coordenador de Transportes de SJM  A perspectiva da CDU:  Esta coligação, composta pelo Partido Comunista Português e pelo Partido Ecologista  “Os Verdes”, centrou a sua última campanha eleitoral em casos como o da defesa da  Urgência do hospital da cidade, da extinção da empresa municipal “Águas de S. João”  ou  do  combate  á  exclusão  social.  Mostrou‐se,  portanto,  menos  preocupada  com  a  implementação de medidas de apoio ao emprego e ao empreendedorismo do que os  partidos que referimos anteriormente.  Contudo, Jorge Cortez, que foi o candidato da coligação à presidência da autarquia de  SJM, não deixou de apresentar algumas propostas neste domínio:  

 

Criação,  na  própria  estrutura  da  Câmara  Municipal,  de  um  departamento  técnico  que  apoie  as  empresas  em  aspectos  como  a  organização,  as  tecnologias, a inovação, o ambiente…  Promoção  do  arrendamento  de  edifícios  a  preços  baixos,  de  acordo  com  as  necessidades específicas de cada empresa;  Implementação de um serviço de apoio aos desempregados que, juntamente  com o centro de emprego, os ajude na procura de emprego;  97 

 


Livro do    Projecto 

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Colocação de obstáculos à criação de grandes superfícies na cidade e incentivo  ao desenvolvimento do comércio tradicional, na medida em que os comunistas  defendem  que  a  substituição  do  comércio  tradicional  pelo  retalho  moderno  leva à destruição de emprego;  Luta por uma melhoria das vias de acesso do concelho às auto‐estradas A1 e  A29,  de  forma  a  tornar  o  concelho  mais  atractivo  para  a  instalação  de  empresas. 

 Figura 47 – Igreja Matriz de SJM  A perspectiva do BE:  Já o Bloco de Esquerda mostrou‐se mais preocupado do que a CDU com as questões  do  combate  ao  desemprego.  Aquando  da  campanha  eleitoral  para  as  Autárquicas  2009,  o  desemprego  verificava  uma  tendência  muito  forte  de  aumento  em  termos  locais e nacionais, tendência esta que motivou um conjunto de propostas no domínio  do emprego, apresentadas por Pedro Pardal (candidato bloquista à Câmara Municipal  de SJM, em 2009):   

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Criação  de  um  gabinete  e  de  uma  linha  telefónica  gratuita  de  apoio  aos  desempregados, que os apoiasse nas suas tentativas de procura de emprego;  Cedência,  por  parte  da  autarquia,  de  terrenos  a  baixo  custo  às  empresas  que  queiram fixar‐se no concelho de SJM; 


Cap. VI – Perspectivas políticas acerca do emprego na cidade 

Livro do  Projecto 

 

Desenvolvimento  de  um  programa  de  reabilitação  urbana  e  habitacional  na  cidade: a autarquia compraria edifícios devolutos a preços justos, recuperá‐los‐  ‐ia e depois recolocaria essas habitações no mercado do arrendamento, o que,  segundo  os responsáveis  do partido,  criaria emprego,  revitalizaria o  mercado  do arrendamento da cidade e promoveria o regresso da função residencial ao  centro da cidade de SJM;  Lançamento  de  um  programa  de  apoio  à  instalação  de  novas  empresas  e  de  diversificação  industrial,  em  articulação  com  o  governo:  este  programa  incentivaria as novas empresas que criassem postos de trabalho permanentes  (com  vínculos  efectivos)  em  ramos  de  actividade  fora  da  fileira  calçado;  as  empresas  que  beneficiassem  destes  incentivos  não  poderiam  distribuir  quaisquer dividendos durante o período em que deles beneficiassem;  Lançamento  das  chamadas  “iniciativas  locais  de  criação  de  emprego”,  isto  é,  de  projectos  de  criação  de  emprego  nas  áreas  da  produção  cultural,  do  património natural, cultural e urbanístico, das tecnologias de informação e de  comunicação e dos serviços de proximidade. 

É de notar que o facto de o BE ser bastante crítico quanto às políticas da autarquia no  domínio do emprego fez com que as propostas apresentadas se caracterizassem não  tanto  pelo  apoio  aos  empresários  mas  principalmente  pela  criação  de  emprego  de  iniciativa pública e pelo apoio aos próprios desempregados. Contudo, não deixa de ser  curioso  verificar  que  a  segunda  medida  referida  vai  de  encontro  com  o  objectivo  do  projecto  de  ampliação  da  Zona  Industrial  das  Travessas  do  actual  executivo  camarário.   

 

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Livro do    Projecto 

O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

Conclusão

 

Terminamos  assim  este  livro  que  compila  todos  os  textos  semanais  elaborados  no  âmbito do nosso projecto.  Na nossa opinião, a primeira fase do nosso projecto decorreu de uma forma bastante  positiva  e  superou  mesmo  as  nossas  expectativas,  pois  conseguimos  despertar  o  interesse da comunidade escolar e local de uma forma bastante significativa.  O  1º  período  foi  marcado  pelo  inquérito,  no  qual  obtivemos  um  conjunto  de  dados  muito  interessante  que  possibilitou  a  elaboração  de  um  artigo  fantástico  no  qual  constam  todos  os  resultados  do  mesmo.  Possibilitou  também  a  identifica��ão  de  um  conjunto  de  características  marcantes  do  emprego  na  cidade,  que  analisámos  nos  artigos que se seguiram.  Já o 2º período destacou‐se por ter sido o que nos exigiu uma maior interacção com a  comunidade  local.  Ao  optarmos  por  abordar  casos  de  empresas/instituições  relevantes para o mundo do emprego em SJM e, em seguida, as perspectivas políticas  acerca do emprego na cidade, isso exigiu de nós a realização de bastantes entrevistas  e, assim, a mobilização de competências específicas da disciplina de Área de Projecto.  Todas  estas  entrevistas  acabaram  por  despertar  o  interesse  da  imprensa  local.  O  jornal “Labor” convidou‐nos para uma entrevista e, com base nesta e no nosso texto  semanal em que entrevistámos  o presidente da  autarquia  sanjoanense, publicou  um  artigo de quase uma página, que aumentou exponencialmente a visibilidade do nosso  projecto.  Quanto  à  segunda  fase,  da  qual  faz  parte  a  elaboração  deste  livro,  estamos  totalmente empenhados em fazer com que ela tenha um sucesso igual ou superior à  primeira.  Esperamos  que,  com  o  livro  do  projecto,  a  palestra  final  e  a  presença  no  “Fórum de Escolas – A Área de Projecto vai à Católica”, consigamos corresponder às  expectativas  que  o  professor  e  a  comunidade  escolar  têm  relativamente  ao  nosso  projecto.  Agradecemos  a  colaboração  do  nosso  professor,  da  direcção  da  escola,  dos  semanários  “O  Regional”  e  “Labor”,  da  Creativesystems,  da  Netos,  da  Olmar,  da  Viarco,  do  Centro  de  Formação  Profissional  da  Indústria  do  Calçado,  da  Câmara  Municipal de SJM, da Juventude Socialista de SJM e de todos os que, de uma maneira  ou outra, contribuíram para o avançar deste projecto. Agradecemos também a todos  os  seguidores  do  nosso  facebook  e  de  todos  os  restantes  visitantes  do  blogue  por  terem acompanhado esta fase do nosso projecto!   

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Bibliografia 

Livro do  Projecto 

 

Bibliografia

 

Fontes de informação consultadas para a elaboração deste Livro do Projecto:             

Inquérito à população sanjoanense empregada, realizado pelos elementos do  nosso grupo de Área de Projecto entre 31 de Outubro e 4 de Novembro de  2010;  Entrevistas realizadas ao longo do ano lectivo;  COUTO, Alexandra – S. João da Madeira Cidade. São João da Madeira: Câmara  Municipal de São João da Madeira, 2008. ISBN 978‐972‐9148‐26‐2;  GUIMARÃES, João Paulo Et al. – Plano Estratégico do Desenvolvimento Local  da Câmara Municipal de São João da Madeira. São João da Madeira: Câmara  Municipal de São João da Madeira, 2009;  Boletim Municipal de São João da Madeira (diversos artigos de várias edições);  Jornal semanário local “Labor” (diversos artigos de várias edições);  Jornal semanário local “O Regional” (diversos artigos de várias edições);  http://www.cm‐sjm.pt/;  http://www.sanjotec.com/;  http://www.cfpic.pt/;  http://js‐sjm.blogspot.com/; Entre muitas outras… 

 Figura 48 – Parque Ferreira de Castro, em SJM  101   


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O Mundo do Emprego em São João da Madeira 

Anexos

 

Anexo 1: Primeira parte do inquérito à população sanjoanense empregada.                                         

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        Idade:___  

 

 

1. Habilitações literárias:                                                               

 

 

Sexo: M    F   

 Nenhuma     1º Ciclo   2º Ciclo       3º Ciclo   Secundário     Curso Superior   Outro: ____________________ 

4. Sector de Actividade da empresa:         Primário     Secundário       7. Ramo da empresa..                                                     

   Indústria                   Comércio               

    Terciário 

 Calçado   Têxteis   Outro:_________       Grande estabelecimento   Médio estabelecimento   Pequeno estabelecimento 

10. Quantos empregos tem actualmente?    ______  13. Tem um bom ambiente de trabalho?     Sim           Não   


Anexos 

Livro do  Projecto 

 

Anexo 2: Segunda parte do inquérito à população sanjoanense empregada.          Idade:___               

     

             

 

 

 

 

Sexo: M    F   

2. Situação laboral:  Trabalhador por conta de outrem     Efectivo             Contratado a prazo             Recibos Verdes   Trabalhador por conta própria   Desempregado         Doméstico   Reformado           Outro: __________________ 

 

5. Qual o nº médio de horas que trabalha por semana?     Menos de 20h            De 20 a 25h   De 26 a 31h              De 32 a 37h   De 38 a 43h              De 44 a 49h   De 50 a 55h              Mais de 55h    8. Trabalha…     Por turnos?     À noite?                Ao sábado?     Ao domingo?  11. Quantos empregos já teve na sua vida activa? _____  14. A sua empresa está em dificuldades financeiras?   Sim       Não   

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Anexo 3: Terceira parte do inquérito à população sanjoanense empregada.          Idade:___                                       

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3. Local de trabalho (Concelho):                               

 

Sexo: M    F   

 São João da Madeira   Santa Maria da Feira   Oliveira de Azeméis   Outro: ___________ 

6.Quantas pessoas trabalham na sua empresa?      Menos de 10         De 50 a 100     De 10 a 25           De 100 a 150     De 25 a 50           De 150 a 250                 Mais de 250  9. Trabalha…      No sector público?   

 

 No sector privado?  

12. Gosta do seu emprego?    Sim   

 

 Não 

15. Acha que tem o seu emprego seguro por vários anos?    Sim       Não   

 


Anexos 

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Anexo  4:  Questões  colocadas  na  entrevista  a  Pedro  França,  colaborador  da  Creativesystems.  1. A  vossa  empresa  nasceu  em  Santa  Maria  da  Feira,  mas  mudou‐se  para  esta  cidade  quando  foi  inaugurado  o  Centro  Empresarial  e  Tecnológico.  Em  que  medida  é  que  esta  estrutura  potencia  o  crescimento  de  empresas  de  base  tecnológica, como a vossa?    2. A  Creativesystems  é  uma  empresa  que  tem  uma  aposta  constante  em  Investigação  e  Desenvolvimento.  Temos  nesta  região  do  país  os  recursos  materiais e humanos necessários a essa aposta?    3. Damos desde já os parabéns à Creativesystems por ter tido um crescimento de  1300% em cinco anos. Qual é a receita para um tão grande sucesso em tempos  de crise económica?    4. Como funciona o sistema RFID, que está na base de todos os vossos projectos?    5. Dizem que um dia as antenas RFID possibilitarão a passagem com um carrinho  por uma caixa de supermercado sem tirar os produtos. Têm alguma previsão  para o momento em que isto será possível, ou será apenas num futuro muito  distante?    6. Em  que  consiste  o  Surfaceslab,  que  desenvolveram  em  conjunto  com  a  Vicaima?    7. O Surfaceslab já está a ser utilizado em alguma empresa?    8. Passemos  a  outro  sistema  desenvolvido  pela  vossa  empresa,  o  Magic  Mirror.  Este  espelho  mágico  já  funciona  na  Throttleman  de  Cascais.  A  Throttleman  está satisfeita com este sistema? Prevê‐se a sua instalação em mais lojas?    9. Dizem  estar  agora  também  a  apostar  fortemente  na  economia  dos  serviços.  Como pode o sistema RFID tornar os serviços públicos mais eficientes?    10. A Creativesystems é, segundo declarações vossas, uma “paper‐less company”.  Qual  é  o  significado  dessa  expressão  e  porque  é  que  se  enquadra  na  vossa  empresa?    11. A  vossa  estratégia  de  internacionalização  já  teve  início,  com  a  criação  de  um  escritório em Madrid. Quais os próximos passos para a internacionalização da  Creativesystems?    105   


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Anexo 5: Questões colocadas na entrevista a José Neto, administrador da Netos.  1. A  Netos  foi criada  em  1957  e  tem  uma  longa  história.  Qual  tem  sido  a  chave  para  a  vossa  resistência  no  mercado  e  para  a  vossa  sobrevivência  às  várias  crises económicas que o país e o mundo têm atravessado?    2. A  vossa  empresa  chegou  a  exportar  grande  parte  da  sua  produção  para  os  Países  Africanos  de  Língua  Oficial  Portuguesa.  Porque  decidiram  deixar  esse  mercado e apostar mais nos países europeus?    3. A  Netos  actualmente  exporta  toda  a  sua  produção,  contribuindo  para  o  equilíbrio  da  balança  corrente  do  país.  Estão  por  isto  de  parabéns.  Porém,  muitas outras empresas do ramo do calçado exportam também bastante, mas  destinam  parte  da  sua  produção  ao  mercado  interno.  Pode‐nos  explicar  a  razão para a Netos não apostar no nosso país?    4. Actualmente exportam a vossa produção, principalmente, para países como a  Bélgica,  a  França,  a  Holanda,  a  Grécia  e  o  Reino  Unido.  Prevêem  a  aposta  noutros mercados? Se sim, pode‐nos especificar quais?    5. Infelizmente avizinha‐se uma nova recessão no nosso país. Todavia, prevê‐se o  crescimento  das  exportações  portuguesas  neste  ano.  Partem  para  este  novo  ano com confiança que a crise não vos afecte?    6. Pelo  que  sabemos,  o  calçado  da  vossa  empresa  é  de  cada  vez  maior  valor  acrescentado.  Isto  tem  protegido  a  Netos  da  concorrência  dos  países  do  sudeste asiático, ou mesmo assim sentem a força do calçado chinês?    7. A vossa empresa tem estado presente em feiras de calçado como a Micam e a  GDS. Qual é o balanço que faz destas participações? São fulcrais para o futuro  da Netos?    8. A Netos, aquando da sua criação, fabricava apenas calçado infantil. Quais são  os tipos de calçado produzidos actualmente pela Netos?    9. Pensa  que  o  facto  de  esta  empresa  ter  uma  gestão  familiar  e  de  ter  tido  sempre os mesmos proprietários tem contribuído para a sua solidez e sucesso? 

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Anexos 

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Anexo  6:  Questões  colocadas  na  entrevista  a  Carla  Ferreira,  relações  públicas  da  Olmar.  1. A  vossa  empresa  já  tem  mais  de  35  anos  de  história.  Como  conseguiram  crescer sempre ao longo destes anos e resistir às várias crises que o país tem  atravessado?    2. Pelo  que  sabemos,  a  Olmar  tem  4  marcas  próprias  no  ramo  da  papelaria.  Consideram  importante  terem  as  vossas  marcas  em  vez  de  revenderem  produtos de outras marcas?    3. Sabemos  que  muitas  escolas,  incluindo  a  ‘nossa’  Escola  Oliveira  Júnior,  vendem  nas  suas  papelarias  produtos  das  vossas  marcas.  O  mercado  escolar  está no topo das prioridades da vossa empresa? Porquê?    4. Ultimamente  têm  apostado  também  na  venda  de  produtos  informáticos  e  tecnológicos. Estão a pensar virarem‐se mais para esta área em ascensão, ou a  papelaria será sempre o vosso forte?    5. Em 2008 investiram fortemente na inauguração da vossa megastore, loja que  aumentou  bastante  a  visibilidade  da  vossa  marca.  Qual  tem  sido  o  retorno  deste  investimento?    6. Desde a realização deste investimento, qual tem sido a vossa principal fonte de  receitas? É a megastore ou continua a ser a venda por grosso?    7. Pelas informações que  temos, a  vossa empresa já  se internacionalizou  e  está  presente  nos  PALOP  e  no  Norte  de  África.  Estão  a  ter  sucesso  nestes  mercados?  Actualmente,  qual  é  o  peso  dos  mercados  externos  nas  vossas  vendas?    8. Pensam em alargar a vossa estratégia de internacionalização? Se sim, quais os  mercados para onde prevêem apostar?    9. A megastore da Olmar dinamiza vários ateliês, nos quais a população em geral  se pode inscrever. A que se deve esta aposta? É para continuar? 

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Anexo 7: Questões colocadas na entrevista a José Vieira, director da Viarco.  1. A  Viarco  é  uma  empresa  centenária  e  está  por  isso  de  parabéns.  Como  conseguiram  sobreviver  tantos  anos,  resistindo  às  várias  crises  que  têm  surgido, e tornarem‐se na única fábrica de lápis do país?    2. Muito  do  equipamento  que  a  Viarco  utiliza  para  fabricar  os  seus  lápis  é,  segundo  afirmações  vossas,  equipamento  já  muito  ultrapassado.  Até  que  ponto é que isto condiciona a gestão da Viarco?    3. Pelo  que  sabemos,  a  vossa  empresa  aposta  fortemente  no  mercado  escolar.  Têm tido sucesso neste mercado?    4. É  aqui  que  são  produzidos  os  lápis  do  Noddy  e  do  Ruca.  Como  é  que  uma  pequena fábrica como esta conseguiu as autorizações para produzir lápis com  estas marcas internacionais que tanto agradam aos mais pequenos?    5. Lançaram uma gama de lápis de cor inovadora, por ser acessível a daltónicos e,  assim,  atenuar  um  factor  de  exclusão  das  crianças  daltónicas.  Sentem‐se  orgulhosos com este projecto que contribui para a inclusão?    6. Têm  apostado  na  linha  ArtGraf,  cujos  inovadores  lápis  se  destinam  aos  artistas. Esta aposta na inovação tem dado frutos para a vossa empresa?     7. A  vossa  empresa  lançou  um  espaço  para  artistas  que  queiram  desenvolver  ideias de negócio. Quais são, para a Viarco, as mais‐valias desta incubadora?    8. Têm estado presentes em feiras internacionais, como a Tent London ou a Zona  Tortona. Qual tem sido a reacção dos visitantes aos vossos produtos?    9. A Viarco tem apostado na internacionalização e está actualmente presente em  mercados como Inglaterra e Espanha. Prevêem a aposta em novos mercados?  Se sim, pode‐nos especificar quais?    10. Sabemos que são ambiciosos ao ponto de pretenderem fazer da vossa fábrica  um Museu do Lápis. O que é que falta para que este projecto avance? 

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Anexos 

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Anexo  8:  Questões  colocadas  na  entrevista  à  Dra.  Fátima  Martins,  Coordenadora  Pedagógica do Centro de Novas Oportunidades do Centro de Formação Profissional  da Indústria do Calçado.  1. O CFPIC já tem uma longa história e na década de 90 tinha, pelo que sabemos,  sete  pólos.  Contudo,  hoje  em  dia  só  estão  presentes  em  SJM  e  Felgueiras.  Quais  foram  os  problemas  que  vos  obrigaram  a  fechar  todos  os  restantes  pólos?    2. De entre os vossos dois pólos, qual é o que apresenta a maior procura por parte  dos formandos e das empresas? Porquê?    3. Sabemos  que  são  um  Centro  Novas  Oportunidades  e  que,  portanto,  têm  na  vossa  oferta  formativa  CEFs,  Cursos  Profissionais,  RVCCs…  As  Novas  Oportunidades  são  muito  criticadas  por  alegadamente  serem  demasiado  facilitistas. Qual é a sua opinião acerca deste assunto?    4. Qual  é  o  balanço  que  fazem  dos  vossos  cursos  Novas  Oportunidades,  em  termos de empregabilidade?    5. Ao  mesmo  tempo  que  leccionam  os  cursos  Novas  Oportunidades,  também  fazem  formações  a  funcionários  de  fábricas  de  calçado.  A  procura  destas  formações  é  elevada?  Qual  das  vossas  duas  vertentes  de  formação  é  que  é  mais requisitada pela população local?     6. Alguns  empresários  do  sector  criticam‐vos  por  formarem  modeladores  e  estilistas  a  mais  e  não  fornecerem  ao  mercado  profissionais  mais  ligados  às  actividades tradicionais de produção. Como reage a estas críticas?    7. O  Centro  tem estado presente em feiras de  calçado como a  Micam  e a  GDS.  Qual é o objectivo destas participações? Têm tido sucesso nas mesmas?    8. Damos‐vos os parabéns pelos vários prémios que alunos vossos têm recebido  em  concursos  internacionais,  que  mostram  que  os  vossos  cursos  são  de  qualidade. Qual é o vossos segredo para este sucesso?    9. Como  perspectiva  o  futuro  para  o  CFPIC?  Que  novos  desafios  estão  a  surgir  para o Centro?   

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Anexo  9:  Questões  colocadas  na  entrevista  ao  Dr.  Castro  Almeida,  presidente  da  Câmara Municipal de SJM.  1. Quando foram eleitos para este vosso mandato que está a decorrer, afirmaram  que a grande prioridade das vossas acções seria a atracção de emprego para a  cidade. Numa conjuntura económica tão desfavorável, em que medida é que a  autarquia pode contrariar o aumento do desemprego?    2. Neste domínio da atracção das empresas, uma das vossas primeiras acções foi  a construção do Centro Empresarial e Tecnológico. Qual é o balanço que faz da  criação deste equipamento?    3. Mais  recentemente  têm  desenvolvido  o  projecto  da  Oliva  Creative  Factory,  que, pelo que foi divulgado, irá começar a ser construída no Verão. O que é que  o  leva  a  pensar  que  o  concelho  tem  potencial  para  o  sector  das  indústrias  criativas?    4. Ao  mesmo  tempo  que  desenvolvem  este  projecto,  a  autarquia  feirense  desenvolve um projecto do mesmo género, a “Caixa das Artes”. Não receia que  a criação de vários equipamentos para o mesmo sector ao mesmo tempo faça  com que não haja uma procura destes equipamentos correspondente à oferta?    5. Pelo que sabemos, está planeada também a ampliação da Zona Industrial das  Travessas. Quais são as razões para este investimento? A Zona Industrial das  Travessas está sobrelotada?    6. Passemos  ao  domínio  da  educação.  O  parque  escolar  da  cidade  já  foi  requalificado,  mas  ainda  existe  o  problema  da  falta  de  ensino  superior  na  cidade.  Qual  é  a  sua  opinião  sobre  este  assunto?  Pensa  que  poderá,  um  dia,  existir verdadeiramente ensino superior em SJM?    7. Muitos  dos  jovens  sanjoanenses,  por  não  existir  ensino  superior  na  cidade,  acabam  por  deixar  SJM  e  não  regressar,  pois arranjam  emprego  nos  grandes  centros. Como enfrenta este problema?    8. No  passado  a  autarquia  desenvolvia  a  Feira  das  Profissões,  que  ajudava  os  jovens nas suas opções quanto ao seu futuro. O que é que levou a autarquia a  desistir desta iniciativa?    9. Têm  enfrentado  o  problema  da  diminuição  das  vossas  receitas  orçamentais,  em virtude da crise económica e das medidas de austeridade. Isto põe em risco  os vossos grandes projectos no domínio do emprego e da educação?  110   


Anexos 

Livro do  Projecto 

 

Anexo  10:  Questões  colocadas  na  entrevista  a  Alessandro  Azevedo,  líder  da  Juventude Socialista de SJM.  1. A JS tem afirmado várias vezes que a Câmara Municipal da cidade não ouve as  propostas dos jovens. Porquê?    2. Têm surgido várias notícias em que vocês se queixam da não existência de um  Conselho  Municipal  da  Juventude  em  SJM.  Quais  seriam  os  benefícios  da  existência deste órgão na cidade?    3. Uma  das  vossas  principais  ideias  para  a  cidade  é  a  criação  de  uma  Casa  da  Juventude.  Em  que  medida  é  que  este  equipamento  seria  útil  para  os  jovens  sanjoanenses?    4. Quanto  à  área  do  emprego,  defendem  que  a  autarquia  não  tem  feito  tudo  o  que podia fazer para combater o desemprego. Quais são as vossas propostas  neste domínio?    5. A  Câmara  Municipal  está  a  apostar  actualmente  na  construção  da  Oliva  Creative Factory e na ampliação da Zona Industrial das Travessas e do Centro  Empresarial  e  tecnológico.  Estão  a  favor  ou  contra  a  criação  destes  equipamentos?  São  ou  não  as  melhores  formas  de  estimular  a  criação  de  emprego?    6. O  vosso  partido  queixa‐se  também,  e  a  nosso  ver  com  razão,  de  que  o  concelho  não  consegue  fixar  a  população  mais  qualificada.  Acha  que  isto  se  deve às opções da autarquia?    7. Relativamente  à  área  da  educação,  sabemos  que  não  estão  inteiramente  de  acordo  com  a  gestão  actual  da  autarquia.  Quais  são  as  vossas  ideias  neste  domínio?    8. Aquando  da  nossa  entrevista  com  o  Dr.  Castro  Almeida,  pedimos  a  opinião  dele acerca do problema da falta de ensino superior em SJM. Gostávamos de  saber  também  a  vossa  opinião  acerca  disto…  Pensam  que  poderá,  um  dia,  existir verdadeiramente ensino superior em SJM?    9. Vivemos num contexto de forte crise económica e em que a Câmara Municipal  enfrenta o problema da diminuição das suas receitas orçamentais. Isto não faz  com  que  as  vossas  ideias  sejam  demasiado  ambiciosas?  Há  dinheiro  para  executar todas estas propostas?  111   


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