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Traduzido por Rosane de Bastos


Perdendo o Controle Série Perdendo o Controle- Romance #1 Direitos Autorais © 2012 R.K. Lilley. Todos os direitos reservados. ISBN-13 978-1-62878-019-2 Respeitando-se os direitos autorais acima reservados, nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, armazenada ou introduzida em um sistema de recuperação de informação, ou transmitida de qualquer forma ou por qualquer meio (eletrônico, mecânico, fotocópia, gravação ou outro), sem a prévia autorização por escrito da autora e editora, que detém os direitos autorais do livro acima mencionado. Este livro é uma obra de ficção. Pessoas, lugares, acontecimentos e situações são fruto da imaginação da autora. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, ou eventos históricos, é mera coincidência.


DEDICATÓRIA Este livro é dedicado à minha mãe, Linda, por me tornar uma leitora voraz de obras de ficção desde a minha mais tenra infância.


1 Sr. Cavendish

M

inhas mãos tremiam de um jeito quase imperceptível enquanto organizava a minha galley para o serviço de embarque da primeira classe. Meu corpo inteiro vibrava com o nervosismo assim que peguei uma garrafa de champanhe da enorme caixa de gelo bem dentro do meu carrinho de bebidas. Senti, mais do que ouvi, o meu melhor amigo, Stephan, mergulhar a cabeça através da cortina atrás de mim e dizer, rapidamente: “Hora do show, Abelhinha.” Eu o senti ajeitando alguns fios loiros caídos do meu charmoso coque. Apesar do seu cuidado exagerado, sei que não fez por mal. Assim que partimos de nossa cidade natal, Las Vegas, tomamos o serviço de transporte da sede da nossa companhia aérea direto para o avião. Isso significa que ignoramos por completo o serviço de segurança. Não passar por detector de metais significa poder usar grampos no cabelo. E grampos significam que o meu cabelo loiro e liso se comportaria perfeitamente. Mas Stephan gosta de mexer comigo. Ele é de longe a pessoa mais carinhosa que conheci. E, com certeza, a única pessoa que eu permitiria me tocar, mesmo que de forma corriqueira. Ele obteve esse direito de me tratar assim devido à nossa longa amizade. É meu melhor amigo e muito mais. Companheiro constante, confidente, parceiro, ex-colega de quarto e atual vizinho. Sempre fomos totalmente inseparáveis. Houve épocas em que parecia que ele era mais uma extensão de mim do que, na verdade, uma pessoa separada. Nós estávamos muito próximos. Sim, éramos codependentes, sem dúvida, mas fomos parceiros por tanto tempo que não era possível agir de maneira distinta. Não havia dúvida de que ele era a pessoa mais importante na minha vida. Quando eu ouvia a palavra


família, pensava em uma única pessoa, e essa pessoa era Stephan. “Nós ainda temos cinco assentos na primeira classe. Onde está a minha lista de passageiros?”, ele perguntou. Eu a entreguei a ele sem dizer uma palavra. Eu tinha a lista de passageiros dobrada dentro do menu de couro. Eu já tinha dado uma olhada nela. O problema é que as minhas mãos não estavam muito firmes. Não havia outra razão para eu estar tão nervosa. Eu estava preparando as coisas para um longo voo noturno que me soava vazio e que teria um serviço de bordo mínimo. O único desafio neste voo era, normalmente, ficar acordada. "Você tem que tem que dar uma olhada na classe executiva”, Stephan estava me dizendo com um suspiro sonhador e exagerado. Aquela declaração e o suspiro sonhador eram bem atípicos para Stephan, mas eu sabia muito bem o motivo da mudança, pois também tinha despertado algumas respostas muito incomuns em mim. "Sim, é o Sr. Cavendish", eu disse com voz firme. Mãos grandes e gentis tocaram os ombros do meu terno cinza-escuro, bem ajustado ao corpo. "Parece que você o conhece". Havia uma indagação na sua fala. "Humm, hummm". Tento ser bem discreta. "Ele estava no voo fretado em que trabalhei na semana passada, mas você não estava. Ele tinha se reunido com um Diretor Executivo. O Sr. Cavendish é um poderoso dono de uma cadeia de hotéis." Stephan estalou os dedos atrás de mim. Eu me virei para olhar para ele, levantando uma sobrancelha. Os olhos azuis muito claros que vieram ao encontro dos meus poderiam ter pertencido ao meu irmão, se eu tivesse um. Na verdade, era o que se pensava sobre nós, em geral. Nosso cabelo loiro dourado tem quase o mesmo tom, embora o dele seja ondulado. Estava penteado para trás, como uma obra de arte, e preso atrás das orelhas. Nós dois somos altos e magros, embora ele tenha uns centímetros a mais do que eu. Mesmo com meus saltos altos não desfaço a diferença. Além disso, temos feições nórdicas similares. Sim, poderíamos facilmente passar por irmãos. E eu certamente pensava nele como um irmão. Eu o tenho por perto há uma década. "Eu ouvi falar dele! Esse cara é um bilionário! Melissa vai entrar no cio quando descobrir. Vamos vê-


la entrando na primeira classe, de costas, o bumbum primeiro, tão logo ela se dê conta de quem nós temos aqui em cima!" Eu tentei abafar uma risada quanto à cena que ele tinha descrito. E, infelizmente, ele certamente não estava tão errado. Melissa era uma das três aeromoças que trabalhavam na cabine principal do voo 757. Nós tínhamos acabado de estrear a nossa nova programação com a nova tripulação da cabine principal. Stephan e eu sempre trabalhamos juntos na primeira classe, nós batalhamos para isso, mas nossa tripulação da cabine mudava de tempos em tempos. Nossa proposta atual foi programada para durar três meses e estávamos apenas começando a conhecer os nossos outros companheiros de voo. Estávamos todos indo bem, até agora. Melissa era a personalidade mais chamativa do grupo e, assim, para melhor ou pior, fomos aprendendo tudo sobre ela logo de cara. Ela era uma daquelas garotas que se tornavam comissárias de bordo para conhecer homens. Ou, mais especificamente, para encontrar homens ricos. Ela era nova na companhia aérea, de modo que ainda estava trabalhando na classe econômica. Ou, como ela disse, se sujeitando a trabalhar em condições inferiores. Ela cobiçou minha posição de atendente de voo de primeira classe, até mesmo a posição de chefe de voo de Stephan. Stephan e eu começamos a trabalhar como comissários de bordo de uma pequena companhia quatro anos atrás, quando foi realizado o primeiro voo de primeira classe, e por isso temos anos a mais de experiência. Melissa tinha começado com o serviço de bordo cerca de seis meses atrás, o que significa que não seria mesmo capaz de se candidatar a uma posição de primeira classe pelos próximos seis meses. E, além do mais, ela não seria capaz de manter uma linha na primeira classe pelos outros seis meses. Em vez disso, ela estaria de plantão, com uma programação totalmente caótica que não permitiria qualquer destino planejado. E, quando ela conseguisse uma linha constante, seria a pior linha disponível, com viagens noturnas e curtas estadias em hotéis próximos ao aeroporto. E pelo que inferi das caçadoras de fortuna com que trabalhei ao longo dos anos, nenhuma dessas situações favoreciam a realização de encontros amorosos com homens ricos. Melissa podia se considerar uma sortuda por ficar na nossa linha pelos próximos três meses. Era uma linha cobiçada, com paradas semanais regulares em Nova Iorque, onde passávamos a noite. A tripulação ficava hospedada no melhor hotel, a menos de dois quarteirões do Central Park. Era uma linha de categoria superior e ficamos surpresos ao recebermos uma integrante inexperiente na nossa equipe. Mas mesmo assim ela reclamou, alegando que tinha sido feita apenas para a primeira classe. Suas queixas constantes já estavam começando a encher o saco da tripulação.


Stephan deu um aperto reconfortante no meu ombro, antes de ir para a cabine do avião para checar as instruções com os pilotos. Esse foi o principal motivo por que Stephan tomou a posição de liderança, enquanto eu assumi a posição da primeira classe na minha galley, ou pequena cozinha do avião. Eu odiava lidar com os pilotos. Stephan se dá muito bem com eles, às vezes fingindo que é meu namorado, quando eles demonstram interesse por mim. Metade das pessoas com as quais trabalhamos nos trata como se fôssemos um casal. Stephan era muito discreto. Era uma escolha pessoal, que ele tinha feito havia muito tempo, e que eu entendia perfeitamente. Ele viveu momentos difíceis quando contou aos pais que era gay, e com razão se sentiu mais seguro mantendo suas preferências em segredo. Eu tirei a rolha da garrafa de champanhe de forma rápida e silenciosa, enchendo cinco copos com muita facilidade. Respirei fundo para amenizar os meus nervos. Eu estava acostumada a administrar certa dose de ansiedade. Eu tendia a ser uma pessoa ansiosa, embora disfarce bem. Eu só não estava acostumada com esse tipo de tensão nervosa ou tão exagerada. E a causa de estar sentindo isso hoje era, digamos, desconhecida, para dizer o mínimo. Eu saí da galley com um ímpeto de falsa confiança. Se eu podia manter uma bandeja de bebidas cheia e estável a 35 mil pés de altura, sobre saltos de dez centímetros, mais a turbulência, e ainda assim me manter de forma regular, eu certamente poderia servir algumas bebidas em terreno firme. Eu estava indo bem, minha bandeja carregada no meu braço estável, meus pés seguros, tudo bem até eu erguer a cabeça e mirar os olhos azul-turquesa vibrantes do Sr. Cavendish. Como parecia ser um hábito seu, em nosso muito breve contato, ele estava me observando atentamente. Sua figura magra e elegante estava recostada no assento de couro creme e denotava um tédio casual refletido em seus olhos. Era o seu olhar fixo que me irritava tanto? Provavelmente. Aquele olhar atento parecia ter me cativado de uma maneira estranha. Isso devia ter algo a ver com o fato de que ele é sem dúvida a pessoa mais atraente que eu já vi. E já vi muitas. Eu tinha servido a todos os tipos. Desde estrelas de novela, cinema, a todos os tipos de modelos. Merda, até Stephan era, sem sombra de dúvida, parecido com os modelos. Mas esse homem era, simplesmente, a pessoa mais impressionante que vi nos meus 23 anos de vida. Não era uma característica em particular que o fazia chamar a atenção de forma impressionante, pois tudo nele parecia impecável. Talvez fosse a sua cor dourada intensa, combinada com seu cabelo castanho, da cor de areia, penteado em linha reta, apenas tocando a gola de sua camisa branca. Era essa cor castanho-claro, algo intermediário entre loiro e marrom, de forma a se mesclarem, que de alguma forma criava uma aparência incrível. E o seu bronzeado lembrava o de um surfista, ou pelo menos o de alguém com cabelos e olhos escuros. Mas seus olhos não eram escuros. Eles eram de um


azul-turquesa brilhante que chamavam a atenção pela sua cor atípica. E eles eram tão penetrantes... Eu senti como se ele pudesse descobrir coisas de mim apenas pelo olhar, coisas que estavam guardadas no meu íntimo. Enquanto eu olhava, paralisada, ele sorriu para mim, com uma expressão quase carinhosa. Sua boca parecia tão delicada, muito mesmo, enquadrando seus dentes brancos em linha reta. Até o nariz era perfeito, reto e atraente. Ele era incrivelmente bonito. Um pensamento me ocorreu, não pela primeira vez, de como era injusto para um homem ser tão devastadoramente bonito e ainda por cima ser um bilionário com vinte e poucos anos. Qualquer pessoa nascida em berço de ouro certamente é exibida. Ele, provavelmente, nunca sofreu na vida. Como ele provavelmente teve tudo na vida “de mão beijada”, devia ser arrogante, devasso e entediado com as coisas que o resto de nós temos de nos esforçar para conseguir. Não havia nenhum sinal exterior disso, mas como eu poderia me dar conta de quem ele era se estava tão facilmente deslumbrada por sua beleza? Eu tentei afastar esse pensamento com rapidez. Eu estava sendo injusta, eu sabia. E eu não sabia nada sobre aquele homem e certamente não poderia julgar de maneira limitada aquele personagem com base apenas no pouco que eu tinha observado até agora. Eu não tinha me dado conta de como eu era amarga com as pessoas nascidas em berços de ouro. A minha educação foi complicada e difícil, e eu tinha experimentado um nível profundo de pobreza, mas não podia deixar que isso fosse uma desculpa para julgar de forma severa alguém que tinha sido tão educado comigo. Eu tinha que ficar dizendo isso em voz alta para mim mesma, mas me sentir irremediavelmente atraída por ele não ajudava muito. Essa atração ardente me fez instintivamente sentir vontade de atacá-lo. Engoli a saliva para tentar umedecer a garganta que ficou subitamente seca. "Olá novamente, Sr. Cavendish". Eu tentei acenar para ele educadamente, mas ao fazer isso minha bandeja de bebida sofreu forte impacto. O Sr. Cavendish se moveu incrivelmente rápido, meio de pé, meio sentado, para firmar a bandeja sobre o assento entre nós. Eu assisti com horror e nojo um pingo de champanhe ir parar na manga de seu paletó cinza-escuro. O terno deve custar, sem sombra de dúvida, o meu salário de um mês inteiro de trabalho. "Sinto muito, Sr. Cavendish." Eu estava quase sem voz e isso era o que mais me perturbava. Ele correu a mão pelo cabelo da cor de areia, com ar de inquietude. Os fios macios pareciam estar dispostos artisticamente fora de seu rosto. Era um cabelo de um supermodelo. Dane-se ele!


"Não se culpe, Bianca", ele me advertiu com uma voz aveludada e profunda. Até sua voz era fora do comum. Eu me senti meio descontrolada ao perceber que ele havia guardado o meu nome. Ele segurou meu braço galantemente e soltou minha bandeja quando eu lhe disse que tinha tudo sob controle. Ele recusou minha oferta de uma taça de champanhe. Só depois me dei conta de que ele não toma bebida alcoólica. "Só um pouco de água, quando você puder", ele me disse com um sorriso caloroso. Finalizei meu serviço de champanhe de embarque. Eu ainda tinha que atender cinco passageiros, o que não me deixou tempo de sobra. Eu deixei a minha bandeja sobre o balcão na galley e voltei para recolher os paletós e preparar o serviço de bordo. Quando me aproximei novamente do Sr. Cavendish, ele tirou os olhos do telefone e as batidas do meu coração se aceleraram quando nos nossos olhares se cruzaram mais uma vez. "Posso pegar seu paletó, Sr. Cavendish?", perguntei-lhe com minha voz ainda estranhamente ofegante. "Eu posso tentar limpar o champanhe ou apenas pendurá-lo, se quiser.” Ele ficou de pé, tendo que permanecer no corredor para fazê-lo completamente. Ele de repente ficou tão perto de mim que engasguei. Eu estava mortificada com a minha reação. Eu me orgulhava do meu profissionalismo. E minha reação à sua proximidade foi definitivamente não profissional. Eu era alta, quase um metro e oitenta quando descalça, e ficava muito mais alta com os meus sapatos de trabalho. Mas o topo da minha cabeça só chegou até o seu nariz. Ele era pelo menos da altura de Stephan, talvez uns centímetros mais alto. Eu sempre me senti um pouco estranha perto de homens mais baixos, mas a altura desse homem teve um efeito contrário. Ele me fez sentir feminina e pequena. Gostei dessa sensação, mas fiquei muito nervosa com a situação. Ele tirou o paletó finamente costurado, entregando-o a mim. Permaneceu vestido com uma camisa branca e fina, com uma gravata azul-claro. Notei que, embora ele fosse magro e elegante, também era surpreendentemente musculoso. A visão daquele conjunto de músculos duros sob a camisa dele me deixou com a boca seca.


"Só o pendure, por favor, Bianca", ele disse em voz baixa. "Sim, senhor", eu murmurei com uma voz que eu mal reconhecia. Eu terminei meu serviço habitual de embarque com certo torpor, mal trancando os meus carrinhos na minha galley, antes de chegar a hora de caminhar novamente até o Sr. Cavendish para a demonstração das medidas de segurança. Ele me observava atentamente e seu olhar não se afastava do meu rosto. Eu não entendia o seu interesse. Seu olhar não me deixava um segundo sequer. Senti que ele estava interessado em mim. Mas de que maneira? Eu não tinha ideia. Normalmente, quando os homens davam em cima de mim, seus olhos se fixavam no meu corpo e não de forma inabalável nos meus olhos. Agi de maneira meio sem graça, o que não era usual. Até me atrapalhei com a fivela do cinto de segurança diante de tal nervosismo. Sentei-me para a decolagem com uma sensação de alívio. Eu precisava de um momento de paz para me recompor. Mas não foi possível. Meu assento ficava numa posição de onde eu podia ver o Sr. Cavendish quase perfeitamente. Eu tive que fazer um esforço consciente para não encontrar seus olhos durante o longo período antes e durante a decolagem.


2 Sr. Generoso

S

tephan apertou minha mão calorosamente quando decolamos. Nós dois adoramos a decolagem. Ela representa coisas boas para nós dois. Novos lugares. Novas aventuras. Deixar as coisas ruins para trás. Eu sorri, de forma rápida e carinhosa, antes de fixar o olhar para a janela que ficava na porta à minha direita, evitando olhar para o Sr. Cavendish o máximo que eu podia. Finalmente, lancei-lhe um olhar furtivo e fiquei perplexa com sua mudança. Ele estava como uma estátua, com os olhos frios. Eu segui o seu olhar e vi que ele vinha na direção de minha mão e na de Stephan, que estavam juntas no pequeno espaço entre nossos assentos. Ocorreu-me que devia parecer que somos um casal. Stephan e eu muitas vezes damos essa impressão e às vezes fazemos isso de propósito. Todas as pessoas, menos nossos amigos mais próximos e os amantes de Stephan, pensavam que fôssemos um casal. Mas me senti desconfortável com a ideia de que o Sr. Cavendish pudesse fazer essa inferência. Mesmo assim, isso não poderia ser a razão para o seu comportamento repentinamente hostil. Eu mal conhecia aquele homem. Nós rapidamente alcançamos dez mil pés de altura. Assim que ouvi o sinal que indicava nossa posição, levantei-me e rapidamente comecei a preparar um serviço de toalhas quentes, enquanto Stephan repassava as informações habituais aos tripulantes. Ele inclinou-se contra as minhas costas, quase me abraçando, enquanto falava ao meu ouvido. "Você se importa se eu for ajudar na cabine principal?", ele me perguntou. "Eles estão com a casa lotada.” Eu o olhei de forma intrigada. "Eu vou fazer isso depois das toalhas quentes. É a minha vez, lembrase?" Era nossa rotina ajudar na parte de trás quando a cabine da primeira classe estava mais tranquila e a principal estava lotada. Nós certamente não precisávamos de duas pessoas para servir cinco passageiros, ainda mais que eles estavam prestes a dormir. Mas ele tinha ajudado a equipe da cabine principal da última vez, sendo assim, nós dois sabíamos que era a minha vez de ajudar em retribuição. Ele deu um beijo no alto da minha cabeça, sacudindo-a com delicadeza. "Eu preciso falar com Jake a respeito do relatório sobre o incidente da semana passada e, como ele fica com o carrinho que segue na frente, podemos conversar enquanto trabalhamos. “Boa sorte aqui em cima”. E, em seguida, ele se afastou. Suspirei de forma meio exasperada. Pela primeira vez, eu realmente queria trabalhar lá na parte de trás da aeronave. Isso iria me garantir uma pequena distância do Sr. Belo ali na minha frente. Mas eu, certamente, não iria criar confusão por causa disso. Só me restava lidar com a situação. O Sr. Cavendish mal olhou para mim quando entreguei as toalhas quentes e as recolhi em


seguida. Por que isso me incomoda tanto? Eu não queria me aprofundar demais no pensamento. Anotei os pedidos de bebida e servi rapidamente a primeira rodada de bebidas. O casal na última fileira da primeira classe parecia ser bebedores contumazes, mas os demais só pediram água e pareciam estar prestes a cair no sono. Eu ficaria surpresa se a maioria deles não estivesse dormindo antes de eu finalizar o meu breve serviço. Eu passei com o carrinho, oferecendo queijo, biscoitos e manjericão em azeite verde-oliva. Levei menos de cinco minutos para servir toda a cabine. O Sr. Cavendish pegou um pequeno prato com queijo e água, e o casal do assento de trás pegou algumas coisas, mas os outros dois não quiseram nada e foram dormir antes de eu voltar à galley. Quando fui recolher os pratos, fiquei surpresa ao ver que até mesmo o casal que tinha tomado os coquetéis tinha adormecido. Eu os interpretei mal. Eles eram o tipo de casal que “bebia pouco e caía no sono”. Eu tinha pensado que, com certeza, eles estavam apenas começando. O Sr. Cavendish era o único passageiro que estava acordado na minha cabine. Senti-me estranhamente como se estivéssemos sozinhos. A cortina foi fechada com segurança na cabine principal e as luzes estavam apagadas de forma que todo o avião estava escuro. Ele estava trabalhando em silêncio em seu laptop, com o olhar atento e não tinha cara de sono. Será que ele trabalha a noite toda?, pensei. Eu não poderia imaginá-lo chegando a Nova Iorque e tirando um cochilo. Ele provavelmente trabalha dia e noite. Nosso tempo de voo seria de quatro horas e 43 minutos e ainda estávamos no meio da noite. Algo urgente deve mantê-lo alerta para que nem mesmo tire uma pequena soneca durante o voo. Eu me aproximei, inclinando-me para falar com ele em voz baixa, ciente dos demais passageiros que dormiam, embora todos eles estivessem na parte de trás da primeira classe e ele estivesse bem na frente. "Posso ajudar-lhe em alguma coisa, senhor?" Pela primeira vez, desde que decolamos, ele me deu toda a sua atenção. "Posso lhe perguntar uma coisa, Bianca?", ele me perguntou com um tom de voz brando. Eu levantei minhas sobrancelhas como se lhe perguntasse o que era. "Sim, senhor. Em que posso ajudá-lo?" Ele suspirou, indicando a cadeira vazia ao lado da sua. "Você pode se sentar por um minuto para conversar?" Olhei em volta, nervosa, sem saber o que fazer com o seu pedido. Parecia pouco profissional me sentar ao lado dele, mas ele me pediu e era a única pessoa que provavelmente me veria fazendo isso. "Sente-se, Bianca. Ninguém precisa de sua atenção agora”. Eu adorava a maneira como ele pronunciava o meu nome. Adorava e ficava desconcertada. Eu não sabia exatamente o que era, mas tinha a ver com seu tom de voz, que soava íntimo. Eu respirei fundo e, finalmente, me sentei ao lado dele. Antes, eu me inclinei um pouco em sua direção, com as mãos no colo, puxando minha saia para baixo e alisando o tecido cinza-escuro meio nervosa. "Você e Stephan estão juntos?", ele me perguntou diretamente, e foi quando o encarei.


Meus olhos piscaram e me senti atordoada. Eu não esperava o interesse dele, muito menos com esse tipo de franqueza. Eu imaginei que homens assim tão ocupados, a ponto de sequer tirar um cochilo no avião, não eram mesmo o tipo que fazia rodeio. "Não, senhor", eu respondi, antes sequer de poder realmente pensar sobre a situação. "Nós somos grandes amigos". Por que eu estou dizendo issooo?, perguntei a mim mesma, enquanto falava. Eu fiquei fascinada quando uma de suas mãos elegantes alcançou a minha, seus dedos longos segurando meu pulso esquerdo levemente. Olhei para o seu rosto e ele estava sorrindo. Meu peito arfava tanto que só consegui ver seu sorriso pelo canto dos olhos. Meu tórax parecia enorme, fazendo-me parecer desproporcional sob o meu próprio olhar crítico. E, de repente, eu me tornei consciente da minha respiração pesada e visivelmente arfante. Meus mamilos estavam comprimindose de uma forma agradável quando minha respiração ficou presa. Como se ele pudesse ler a minha mente, percebi que seu olhar viajou até os meus seios pela primeira vez. Alguns homens só olham ou conversam com os meus seios e ele, até agora, tinha feito o oposto, o que eu considerava menos cansativo. Ele estendeu a mão para a fina gravata masculina que ficava entre os meus seios, passando o dedo suavemente sobre ela. Ele fez um pequeno barulho no fundo da garganta e, em seguida, puxou a mão rapidamente de volta. Ele limpou a garganta suavemente. "Você está saindo com alguém?", ele me perguntou, me olhando novamente. Mordi o lábio e balancei a cabeça. Seu olhar foi para a minha boca. Ele me olhava com um foco único que não me deixava desviar o olhar. "Bom", ele disse. Isso está realmente acontecendo?, pensei, meio aturdida. "Eu suponho que você vá tirar uma soneca quando chegar ao hotel. A que horas você vai acordar?" Meu Deus, como ele foi direto. Não é usual. Eu parecia estar me desviando dos meus caminhos normais. Eu estava acostumada a despistar os homens com delicadeza antes que eles pudessem me propor alguma coisa. Essa tática sempre me serviu bem. Ela me livrava de embaraços e evitava que os homens tivessem o seu orgulho ferido. No entanto, eu não conseguia aplicá-la ao Sr. Cavendish. Quando ele me fazia uma pergunta, eu me sentia quase que obrigada a responder-lhe com sinceridade. "Eu costumo dormir por cerca de quatro horas, para que assim ainda consiga dormir à noite. Temos um voo para Las Vegas no sábado de manhã. Se eu dormir por mais tempo do que isso, eu ficaria acordada a noite toda." Ele fez cálculos rápidos em sua cabeça e, em seguida, me perguntou: "Então, ao meio-dia?" Eu balancei a cabeça, me perguntando por que eu ainda não estava explicando que não sairia com ele. Ou fazer qualquer uma das coisas que ele obviamente tinha em sua mente... "Vou mandar um carro buscá-la para o almoço", ele disse. O que significa que ele não estava me convidando para sair. Ele estava, aparentemente, me pedindo para ir ao seu encontro. Por que eu estava tendo tanta dificuldade em encontrar as palavras para lhe dizer que não? "Você e eu precisamos conversar", ele prosseguiu. "Eu tenho uma proposta para você."


A palavra proposta, que não me soava bem aos ouvidos, finalmente me trouxe de volta à consciência. Eu balancei a cabeça, finalmente, retomando o meu comportamento habitual. "Não, Sr. Cavendish. Fico lisonjeada que você esteja... interessado em mim de alguma forma. Mas eu vou ter que, educadamente, recusar. Eu não marco encontros." Ele piscou para mim, claramente surpreso. Ficou em silêncio por um momento, antes de tentar outra tática. "Eu também não marco encontros. Não era bem isso que eu tinha em mente.” Isso é bom, eu disse a mim mesma e ao meu ego ferido. É claro que ele não iria querer namorar você. Ele provavelmente só marca encontros com socialites inúteis que nunca tiveram que trabalhar um dia sequer em suas vidas. Eu queria que ele continuasse com sua explicação agora, pois com certeza mataria cada grama de interesse afoito que eu sentia por ele. "Mas o que você tem em mente?", perguntei-lhe, agora com minha voz menos calorosa. Seu olhar se tornou ávido com rapidez e seu dedo correu novamente ao longo da minha gravata fina. Eu tinha que controlar o impulso de olhar para baixo para me certificar de que os bicos dos meus seios não estavam enrijecidos e aparecendo através da minha camisa e da roupa de baixo. "Eu acho que você e eu temos muitas afinidades. Na verdade, eu tenho certeza disso. Venha almoçar comigo hoje e vou lhe mostrar. Se você não estiver interessada, eu irei, claro, respeitá-la. Mas eu posso fazê-la se interessar. Vou tratá-la muito bem, Bianca. Eu sou um homem muito generoso—” Eu levantei a mão. Eu estava tão tomada por aquela conversa que me senti um pouco mal, porém cada vez mais excitada, e essa mistura de sentimentos estava me preocupando. "Por favor, vamos parar," eu disse, rigidamente. "Eu não estou interessada em nada disso, acredite. Não sei qual a impressão que passei para você, mas não sou o tipo caçadora de fortunas. Eu não quero a sua generosidade. Eu não quero nada de você. Há uma colega que trabalha na parte de trás do avião que parece ser mais do seu estilo. Vou apresentá-la a você, caso esteja a fim de oferecer o seu dinheiro às mulheres de forma aleatória, ou seja lá o que for que esteja sugerindo. Mas eu posso lhe dizer, com certeza, que não sou o tipo de garota que você está procurando.” Eu tentei me levantar, mas ele segurou o meu pulso. Sentei-me de volta, olhando para a mão que me prendia. "Não foi isso que eu quis dizer, Bianca. Eu não quero parecer tão... indelicado. Mas eu estou muito, muito atraído por você, e eu gostaria muito de fazer algo quanto a isso”, ele sorriu para mim com uma mistura de charme e calor que era quase irresistível. "Almoce comigo e poderemos discutir isso com mais detalhes, e com um pouco de privacidade". Ele soltou meu pulso quando terminou de falar. "Não, obrigada, Sr. Cavendish". Levantei-me em silêncio e caminhei de volta para a galley, fechando, suavemente, a cortina atrás de mim. Eu respirava fundo, contando de um até três e tentando manter minha ansiedade sob controle quando ele chegou atrás de mim. Eu abri minha boca para dizer não, mais uma vez, quando ele me beijou. Era um beijo desesperado e faminto, e eu nunca tinha experimentado nada parecido antes. Foi por isso, talvez, que eu não sabia como responder. Eu só fiquei lá, cada parte do meu corpo rígida, exceto os meus lábios, que tinham suavizado automaticamente com o toque de sua boca bonita. Era inaceitável que ele tivesse me dado esse beijo incrivelmente intoxicante.


Ele é provavelmente bom em absolutamente tudo, pensei com uma pontada de consternação. Sua língua varreu a minha boca e eu gemi baixinho, sem que pudesse me controlar. "Chupa a minha língua", ele me ordenou asperamente, enquanto se afastava brevemente para respirar um pouco, e fiquei chocada. Eu nunca tinha feito isso. Mas eu estava obedecendo a ele, mesmo que estivesse me questionando, e fui sugando com cuidado, cada vez mais forte. Ele gemeu e apertou seu corpo contra o meu lentamente. Senti-o intensamente, meu corpo mais sensível do que nunca. Sua ereção pressionava o meu estômago de maneira óbvia e eu me dei conta da situação. "Toque-me", ele me ordenou, e eu finalmente o encarei. Eu engoli a saliva com esforço. "Onde?", eu perguntei, com a voz insegura e rouca. "No meu peito e barriga. Toque todos os lugares que você gostaria que fossem tocados no seu próprio corpo." Eu o obedeci, tocando a carne macia em torno de seus mamilos como se fossem seios, amassandoos. Eu observava a sua boca, e ele lambia os lábios, acenando para que eu continuasse. Corri a mão para baixo, tocando os músculos de seu abdômen. Ele era todo músculo, em todos os lugares que eu tocava. Eu acariciava seus braços, e eles eram muito maiores e mais musculosos do que eu imaginava. Ele parecia tão elegante à primeira vista que era difícil acreditar que alguém assim pudesse ter esses músculos tão bem definidos. Ele deve se exercitar diariamente para alcançar esse tipo de musculatura. Era de encabular. E tão incrivelmente sedutora. Ele desabotoou vários botões da camisa ao longo de seu peito e barriga. "Toque minha pele", ele ordenou asperamente. Eu obedeci, enquanto uma parte de mim continuava a dizer, Oh, merda! Eu não posso acreditar que estou fazendo isso. Mas era tão natural apenas fazer o que ele pedia. Era bom fazer aquilo. Tentei encaixar as mãos dentro de sua camisa, mas ele puxou uma para fora com cuidado. Eu acariciava sua pele excitante. Não senti pelos e me perguntei se ele se depilava. Era tão suave. Ele beijou minha mão, enquanto a segurava, pondo-a firmemente em seu ombro. Vi a minha própria mão passear pelo seu corpo, indo direto para sua virilha. Toquei-o fortemente através de suas calças, de repente, e ele gemeu, puxando minha mão rapidamente. Ele sorriu para mim, mas era um sorriso de prazer, com todos aqueles dentes brancos. "Aqui não. Ainda não. A primeira vez quero que você esteja na minha cama." Ele deu um passo para trás, colocando uma distância segura entre nós. Ele abotoou a camisa rapidamente e ajeitou a roupa, me observando. Ele pegou o telefone. "Dê-me o seu número", ele me disse. Fiquei chocada. O que eu estava fazendo? Eu não queria me envolver com ele. Eu sabia disso absolutamente. Eu simplesmente estava me afastando de minhas próprias certezas naquele momento particular. Eu balancei a cabeça para ele. "Não", eu disse com firmeza. Ele pareceu genuinamente surpreso com a minha resposta, e depois achou graça. Isso me deixou louca.


Eu andei para trás até o meu bumbum bater contra a porta da aeronave. "Não estou interessada”. Eu disse com segurança. Ele colocou as mãos nos bolsos, apoiando-se no balcão. Ele estava sorridente. Ele está gostando disso, eu pensei, com uma boa dose de indignação. A ideia de alguém dizer não para ele é tão estranha que o diverte. Sua voz estava repleta de alegria quando ele falou novamente. "Que tal um café? Isso é neutro o suficiente? Dê-me o seu número e nós saímos para tomarmos um café." Eu balancei minha cabeça. "Não, obrigada". Acenei com a mão no espaço que havia entre nós. "Eu não faço esse tipo de coisa. Eu simplesmente não estou interessada.” Um canto de sua boca se ergueu ironicamente. Seus olhos estavam nos meus seios quando eles se excitaram. Eu finalmente olhei para baixo, mortificada ao ver que meus mamilos endurecidos foram se mostrando claramente mesmo através das três camadas de roupa que os estavam cobrindo. "Vou colocá-la de joelhos toda vez que você mentir para mim, Bianca". Sua voz estava calma agora, mas era bastante firme. Meu cérebro teve um curto-circuito por um momento e meu semblante ficou meio perdido. Ele está brincando. Não está? Meu corpo todo ficou tenso com o seu comentário, e eu sabia que era mais desejo do que consternação que provocou o tremor. "Veja. Eu não me enquadro nesse tipo de coisas, por isso não somos compatíveis." Ele correu o dedo fino para baixo na sua própria gravata, como tinha feito com a minha. "Eu não estou certo se você mentiu ou se você simplesmente não sabe quão prazeroso “esse tipo de coisas” poderia ser. Ou como você se adaptaria bem a elas. Eu posso lhe mostrar. Gostaria muito de lhe mostrar. Quando fizermos isso, eu conhecerei seu corpo melhor do que você e sei que irá me implorar por isso. Cada centímetro de seu corpo estará se submetendo a mim, mesmo quando você evitar me olhar. Você pode me dizer honestamente se a ideia de se submeter a mim na cama não a deixa molhada?” A pergunta me levou a pressionar as pernas juntas, mas meu corpo traidor não iria interferir na minha determinação. Ele, obviamente, sabia o que estava fazendo, sabia como me excitar, sabia como me controlar sexualmente. Mas isso era exatamente o que eu não queria. Não era isso? Ele parecia ler minha mente ou, mais provavelmente, a minha expressão. Ele sorriu. "Eu quis falar do castigo, Bianca. E da submissão. Você vai perceber rapidamente que digo sempre aquilo que quero dizer.” "Por favor, saia da minha galley, Sr. Cavendish. Eu não vou mudar meu pensamento.” Ele pegou a carteira, sem tirar os olhos de mim, e puxou um cartão de visita. Ele levou o cartão até a minha bochecha, dando um leve toque, e o deslizou suavemente para baixo, em direção ao meu


queixo e, em seguida, ao meu pescoço. Eu tremi quando ele alcançou minha clavícula. Havia um pequeno bolso no meu uniforme, bem em cima do meu seio direito, e ele deslizou o cartão lá dentro. "O número na parte de trás é do meu celular. Gostaria muito de receber a sua ligação. A qualquer hora, dia ou noite.” Eu me mantive firme até quando ele, finalmente, deixou a galley para voltar ao seu lugar. Eu ainda estava ali, tentando respirar fundo e me acalmar, quando Stephan se juntou a mim meia hora depois. Ele me olhava com curiosidade, enquanto fechava a cortina. "Você está bem, minha Florzinha Selvagem?", ele me perguntou delicadamente. Eu sorri um pouco por conta do apelido ridículo que ele me deu quando tínhamos quatorze anos de idade. Eu sempre achava graça e esse era o motivo por que ele gostava de me chamar assim. Eu balancei a cabeça. Eu iria contar a ele sobre o fiasco com o Sr. Belo, mas não naquele momento. Ou nem naquela semana. "O que você acha do Sr. Cavendish?", ele me perguntou com cuidado, com certa inocência. Meus olhos se estreitaram quando o encarei. "Você foi falar com ele?" Ele consentiu com a cabeça e eu sabia que ele só fazia aquele gesto quando a resposta era um sim. "Eu acho que ele tem uma queda por você. Será que ele gostaria de convidar você para sair ou algo assim?” Eu olhei para ele. "O que ele disse para você?" "Você vai sair com ele?", ele rebateu. "Claro que não. Você sabe que eu não namoro. O que deu em você?" Ele deu de ombros, ainda parecendo muito inocente. "Você tem que começar em algum momento, Florzinha Selvagem. Uma mulher jovem, bonita, não pode simplesmente ‘não namorar ’ por tempo indeterminado. E não vai achar ninguém melhor do que esse cara. Eu tenho um bom pressentimento sobre ele". Ele acenou com a mão na direção do Sr. Cavendish. Eu apontei o dedo para ele. "Nós não vamos falar sobre isso de novo. Não são todas as pessoas no mundo que precisam namorar. Eu não interfiro nas suas escolhas. Você não pode interferir nas minhas.” Ele levantou as mãos em sinal de rendição. "Apenas um pequeno conselho amigável, Abelhinha. Mas vou esquecer isso agora. Você sabe que não suporto ver você com raiva de mim.” Eu estava mais do que feliz em não falar mais sobre aquele assunto. Ele me deu um abraço apertado. "Amo você, Abelhinha", ele murmurou contra o meu cabelo. Era apenas o seu jeito de ser carinhoso. Era como ele demonstrava afeto e buscava ser confortado. Não era o meu jeito de ser. Não com as demais pessoas, a não ser com ele. Eu o abracei de volta. "Eu também o amo, Steph", murmurei de volta.


O resto do voo passou tão lentamente como achei que fosse ser. Voos noturnos não eram do meu agrado. Eu gostava de ficar constantemente ocupada. Esses voos eram um exercício de matar o tempo. Até o Sr. Cavendish estava cochilando quando chequei minha cabine. Eu o observei dormir por um longo tempo. Vendo uma pessoa tão inquieta em repouso era fascinante. Ele era muito mais bonito quando dormia, sem tensão no seu rosto. Seus cílios longos, grossos e negros faziam sombra em seu rosto, mesmo na escuridão. Eu poderia observá-lo dormindo a noite toda. Eu admitia isso para mim mesma, embora não gostasse. E eu queria tocá-lo, com más intenções. Uma mecha de cabelo tinha caído sobre uma de suas bochechas. Eu queria afastá-la para longe e esfregá-la nos meus dedos. Eu pensei, sem nenhuma dose de arrependimento, em todas as partes dele que eu queria tocar, mas que nunca iria me permitir. O momento tinha passado, e eu estava determinada a seguir em frente. Saí do meu devaneio ridículo quando percebi que era hora de preparar a cabine para o pouso. Eu me vi olhando para ele novamente, enquanto tomávamos nossos assentos para o pouso. Ele ainda estava cochilando e eu não conseguia desviar o olhar, mesmo quando seus olhos se abriram e ele piscou desorientado. Seu olhar me encontrou rapidamente, voltando do sono assim que ele encontrou meu olhar e piscou. Eu permaneci com o olhar neutro. É óbvio que evitei encará-lo, olhando para Stephan em vez disso. Ele estava me analisando, com seu olhar estranho. "Você gosta dele", ele sussurrou para mim, com uma boa quantidade de choque em sua voz. "Não", foi tudo o que eu disse em resposta.


3 Sr. Ameaçador

A

ponte móvel de desembarque no aeroporto JFK, em Nova Iorque, ou “finger”, era diferente do aeroporto de McCarran, em Las Vegas, de modo que os passageiros saíam pela porta da frente, tendo que percorrer o caminho através da cabine da primeira classe. Isso significava que eu tinha que correr para entregar aos passageiros os seus paletós para não atrasar a descida dos clientes da primeira classe. Eu balancei a cabeça educadamente para o Sr. Cavendish quando lhe entreguei o paletó. "Tenha um bom dia, Sr. Cavendish.” Ele me olhou com certa irritação. "Por favor, me chame de James", ele me repreendeu e se inclinou mais perto, falando diretamente ao meu ouvido. "Em privado, porém, você pode me chamar de Sr. Cavendish". Com essa troca irritante, ele se afastou. Stephan ergueu as sobrancelhas para mim quando voltei para ficar ao lado dele para ver saírem os outros passageiros. "O que ele disse para você?", ele perguntou, obviamente curioso. "Aquele o olhar e, em seguida, o..." Só balancei a cabeça. Você não vai querer saber.” Eu dei sequência à nossa rotina de desembarque, como de costume, não me sentindo a mesma pessoa. Estar com aquele homem me fez sentir... estranha. Senti-me um pouco como se tivesse sido arrancada da minha vida sob controle e sido colocada no meio de algum tipo de jogo. Um jogo com regras sobre as quais eu não tinha sido informada. E eu não tinha um quadro de referência com o qual aprender essas regras. Eu disse a mim mesma, firmemente, que estava apenas aliviada de ter dito não a James Cavendish. Ele era demais para mim. Ele era muito experiente, muito entediado por ter tudo, e era muito rico. E tudo isso teria sido suficiente para me dissuadir de que eu estava interessada em namoro, o que certamente não era verdade. Eu nunca tinha estado. E ele era, obviamente, algum tipo de sadomasoquista, além de tudo. Eu tinha meus próprios demônios com os quais lidar e esse tipo de coisa era a última em que eu deveria estar interessada. Mas mesmo assim... apesar dos pesares, eu acho isso tudo fascinante. E assustador. E emocionante. Eu sabia que tinha a ver, provavelmente, com a minha infância violenta, e um arrepio percorreu o meu corpo quando pensei em algumas das coisas que ele me disse. Como me colocar de joelhos... Eu sabia, depois de inúmeras visitas a um psiquiatra, que as coisas que horrorizam as pessoas na infância


também podem excitá-las quando adultas. O pensamento era preocupante. Eu me esforcei muito para não me tornar uma vítima da minha infância. Por isso, torna-se ainda mais importante que eu fique longe de alguém como James Cavendish. Custou-me um tempo também para que eu me sentisse convencida disso, e só me dei conta quando descemos nossa bagagem e esperamos o resto da equipe se juntar a nós. Stephan e eu paramos na frente da nossa pequena equipe enquanto fazíamos o nosso caminho rapidamente através do aeroporto JFK. "Humm, eu mataria por um café agora. Vamos pegar um no meio do caminho?”, Stephan murmurou quando nos aproximamos de um pequeno café à nossa direita. Eu olhei para ele com certa desconfiança. "Você sabe que eu nunca iria pregar o olho se tomasse um café, mas vou esperar na fila com você, enquanto você toma o seu.” Ele sacudiu os ombros, olhando para o café atentamente. "Ah, e você acha que vou esperar para tomar café só depois de um cochilo?” Eu segui o seu olhar e vi o Sr. Cavendish esperando no balcão do café. Ele nos deu um sorriso enigmático, acenando cordialmente para Stephan. Olhei para Stephan com desconfiança. Ele estava olhando para trás, para James Cavendish, sorrindo. "O que você está fazendo, Stephan?", dei a bronca nele, com a voz baixa, para que o resto da tripulação não ouvisse. Ele franziu os lábios. Eu balancei a cabeça rigidamente quando passamos pelo Sr. Cavendish. Eu estava indo por educação, mas com frieza. Eu achei que tirei de letra. "O que tem de mal? Eu não posso ser educado?", ele perguntou, com toda inocência. Eu não acreditei naquele tom de voz. Quando conheci Stephan, ele era um assaltante de rua de quatorze anos de idade, que poderia pegar a carteira de alguém num piscar de olhos. Ele de longe domina a arte de fingir. Mas eu o conhecia melhor do que ninguém e não seria feita de boba por um segundo sequer. "Aquele sorriso que você compartilhou com ele era francamente conspiratório. Diga-me o que você fez. Deu-lhe o meu número?” Ele me fuzilou com o olhar. "Eu não faria isso." Fiquei aliviada. Stephan podia patinar em torno da verdade como um profissional, mas nunca iria mentir abertamente para mim. Se ele disse que não daria meu número a James, eu sabia que era verdade, e o deixei sozinho depois disso. A tripulação seguiu na van para o hotel e todos estavam animados em conversar sobre os planos para a noite. Aparentemente, planejavam sair para beber juntos no bar da esquina perto do nosso hotel. Noite de karaokê. Eu me encolhi um pouco diante dessa ideia. Falavam alto demais para o meu gosto, ou para o meu estado de espírito. Mas seria um bom esporte. Era uma nova tripulação e eu odiaria ser a única pessoa antissocial no grupo, quando todos estavam tão obviamente animados.


Além do mais, eu sabia que Stephan gostava de um dos garçons daquele bar. Eles tinham trocado olhares nos últimos dois meses. Tínhamos ido para almoçar ou jantar quase todas as semanas, assim que chegamos à cidade. Stephan tinha noventa por cento de certeza de que o garçom estava flertando com ele, e não apenas agia como um cara simpático. Mas levou um bom tempo até ele criar coragem de convidar o cara para sair. Stephan não estava fora do armário. Eu não sabia se um dia ele iria estar pronto para isso. Gays que estavam fora do armário geralmente não se sentiam bem em namorar em segredo, como se estivessem fazendo algo errado. Eu sabia que Stephan também preferia namorar outros homens que não eram gays assumidos, porque se tornava mais fácil manter a discrição. Mas isso tornou as coisas mais difíceis. Eu tinha sugerido a ele que talvez fosse mais fácil encontrar pessoas on-line, considerando-se suas limitações, mas ele não levou a sério. Ele disse que namoro on-line era algo que não lhe faria bem, pois considerava errado. Ele era meio antiquado sobre as coisas mais estranhas. "Você está quieta, Florzinha Selvagem?”, ele sussurrou ao meu ouvido. Melissa estava descrevendo para todos na van o que planejava usar naquela noite e as músicas de karaokê que iria cantar. A escolha da música “Sensualidade de volta” não me surpreendeu nem um pouco. "Você vai ir com a gente para o bar, não vai?", Stephan me perguntou, como se implorasse. Ele achou que eu tentaria me esquivar, mas não eram esses os meus planos. O garçom era o primeiro cara por quem ele se interessava desde o fim de um relacionamento de um ano e, se ele precisasse de mim para dar suporte, eu estaria junto dele. Eu olhei para ele. Seus olhos estavam arregalados e tentavam criar a melhor impressão tipo “O Gato de Botas” para mim. Uau, ele está pronto para usar todas as suas armas para me fazer sair hoje à noite. Decidi não criar problemas. "Eu vou. Mas você tem que jurar que não vai me faz cantar ou dançar.” Ele confirmou com a cabeça, bastante sério, e sorrindo de alegria, com sorriso de menino. "Eu sei bem. Você teria que estar muito bêbada para subir no palco. E eu não me lembro qual foi a última vez que você tomou um drinque.” Fazia anos que eu não bebia. O mês em que completei vinte e um anos tinha sido divertido, e eu tinha decidido ir a um monte de festas, mas o álcool e eu nunca nos demos muito bem. Era uma característica da família. Mesmo assim, eu estava pensando em tomar uns drinques com a tripulação. Eu estava terrivelmente tensa. Talvez eu devesse me permitir me soltar. Apenas me deixar relaxar por algumas horas. Não há motivos para eu não fazer isso. "Talvez eu vá beber um pouquinho hoje à noite", eu disse. Os olhos dele se arregalaram. "Jura?". Ele bebia com moderação, mas permitia a si mesmo beber mais do que eu bebia. Sacudi os ombros. "Talvez.” "Ok, gatinha”, ele disse, pronunciando o final da palavra com um aaaaaa bem longo. Ele pôs o braço no encosto da minha cadeira, dando um pequeno aperto no meu ombro. "Vocês dois são uma graça”, Melissa falou com entusiasmo, quando viu o gesto carinhoso.


Ambos sorrimos com frieza. Nós não a conhecíamos bem o suficiente para dar-lhe explicações sobre nós e, francamente, eu tinha minhas dúvidas de que algum dia seríamos amigos próximos o suficiente para fazê-lo. Tentei sempre dar às pessoas uma chance, mas até agora Melissa não tinha me impressionado. Eu a considerava pouco confiável, embora eu não tivesse nada de concreto para provar isso. Apesar de ela ter admitido abertamente que seu objetivo na vida era encontrar um homem rico para cuidar dela. Aquilo era para mim um sinal de desonestidade. "E eu adoro todos esses nomes carinhosos que ele tem para você.” Stephan sorriu com todo o charme. "Eu vou chamar você de gatinha também, se quiser.” Ela deu uma risadinha. Ela agia sempre assim quando os pilotos estavam por perto, de uma maneira mais doce do que agia caso eles não estivessem presentes. "Eu adoraria. Mas o meu favorito é Florzinha Selvagem. Ouvi você chamá-la assim dia desses.” Ele me deu um sorriso suave que era tudo para mim. "Esse é apenas para a Abelhinha.” Ela bateu palmas. "Oh, oh, oh, há uma história por trás desse nome? Eu amo histórias!" Eu torci o nariz. Ela estava exagerando hoje. Lancei um olhar para os dois pilotos que estavam assistindo à nossa interação a partir da primeira fila de assentos na enorme van. Eu estava achando que ela gostava de um deles, da forma afetada como estava agindo. O primeiro oficial era mais jovem e mais bonito do que o capitão. Lembrei-me de seu nome: é Jeff. Ele tinha cabelos castanho-escuros e olhos castanhos bem atraentes. Ele era alto e esguio. Mas a minha aposta era que ela gostava do capitão, uma vez que ele ganhava duas vezes o salário de Jeff. O capitão, cujo nome eu tinha quase cem por cento de certeza de que era Peter, era mais velho, calvo, com alguns cabelos grisalhos, uma barriga de cerveja e os olhos sempre voltados para os peitos de uma mulher. Ela quase confirmou o meu palpite quando deu ao capitão um sorriso radiante e positivo. "Você não gosta também de histórias, Peter?", perguntou. Ele deu a ela o que eu considerei um sorriso meloso. "Pode apostar." Stephan balançou a cabeça. "Essa história é entre mim e a Abelhinha. Mas, Peter, eu estou morrendo de vontade de saber qual é a música que você vai escolher para fazer serenata para nós esta noite”. Stephan mudou de assunto com facilidade e muito charme. Peter, rindo muito, disse que não cantaria, desviando a conversa na direção que ele escolheu, sem esforço algum.


4 Sr. Belo

A

cordei com o som do meu alarme, com menos ânimo do que o habitual. Eu havia passado quatro horas no voo. Estava tentando dormir o suficiente pelo menos até as oito horas. Mas não consegui. Eu estaria morta de sono no fim da tarde, imaginei. Eu estava mal-humorada quando fui para o banheiro do meu quarto de hotel. "Vamos malhar?", Stephan me perguntou em voz alta de seu quarto. Ficávamos em quartos conjugados toda vez que ficávamos nesse hotel. Viemos aqui muitas vezes e eu conhecia o pessoal da recepção bem o suficiente para fazer a reserva segundo nossa preferência. Nós até deixávamos a porta entre os quartos abertas. Fomos companheiros de quarto por anos, mas só recentemente nos tornamos vizinhos de casa, por isso não foi nada complicado. Nós dois nos sentimos confortáveis na presença um do outro. Respondi com um grunhido sem modos. Ele riu. "Nos momentos em que você está desanimada é quando definitivamente deveria se empenhar em fazer algo", ele me disse. Eu fiz um barulho com a boca, tentando demostrar desprezo e desdém, e ele riu ainda mais. Um tempo depois, ele entrou no meu quarto, já com suas roupas de ginástica e carregando uma xícara do meu café favorito que ficava na esquina do hotel. O que vi me animou instantaneamente. Ele sorriu para mim, mexendo as sobrancelhas. "Será que isto vai fazer você mudar de ideia? Um café moca grande com leite de soja, sem chantilly, e uma dose extra de café expresso”. Ele conhecia, de antemão, o que eu estava acostumada a pedir. Eu sabia, antes mesmo de ver a xícara de café, que ele trouxe exatamente o que eu queria. Eu desmanchei em sorrisos. "Você é o melhor." "É verdade", ele concordou. Malhamos por uma hora. A academia do hotel era pequena e inexpressiva, com esteira, aparelho elíptico, bicicleta e alguns pesos livres. Eu fiquei no elíptico por uma hora, simulando caminhada, mas Stephan ia de um aparelho para outro, usando a bicicleta, a esteira, além de ficar meia hora levantando pesos. Era sua rotina habitual, e eu fiquei observando-o, me sentindo bem enquanto ouvia música no meu celular e me exercitava. Stephan tinha razão. Eu estava muito inclinada a não me exercitar hoje, mas acabou sendo exatamente o que eu precisava. Eu me senti incrivelmente melhor quando terminamos.


Nós pegamos um sanduíche rápido para o almoço. Era um belo dia de primavera em Nova Iorque e eu apreciava nossa caminhada ao longo das ruas movimentadas. "Quer comer no parque?", perguntei a Stephan enquanto esperávamos na fila de uma padaria lotada. Ele acenou com a cabeça. "Com certeza. Estilo piquenique.” Nós não precisamos comer em estilo piquenique. Em vez disso, podemos procurar um banco para sentar e observar as pessoas enquanto comemos. "O que você vai usar para ir ao bar à noite?", Stephan me perguntou, enquanto dava grandes mordidas no sanduíche. Nós comemos tão rápido, como se estivéssemos com medo de que a comida fosse desaparecer se não terminássemos o quanto antes. Nós dois estamos parecendo crianças famintas de rua, embora tenhamos que fazer um esforço consciente para perceber isso. Não nos incomodávamos com isso, desde que estivéssemos apenas os dois. Não tínhamos nada a esconder um do outro. Essa era uma das razões por que éramos inseparáveis. Respondi de forma incompreensível, com a boca cheia de comida. Engoli no tranco, molhando a garganta com um enorme gole de água da garrafa reutilizável que eu sempre trazia comigo para poupar dinheiro com água mineral. "Eu não sei", eu disse de forma mais clara, depois de engolir. "O tempo está bom e quente, por isso acho que vou usar um shortinho e uma blusa, eu acho. Eu não estou com vontade de me arrumar, mas não quero parecer uma mendiga, sabendo que todos vão se produzir para a noite”. Eu acenei para a confortável camiseta cinza, a bermuda preta e os tênis verde-neón de caminhada que eu estava usando. “O que eu gostaria de usar é isso. Mas como sei que você vai ficar me criticando, então vou tentar ver algo decente, eu suponho.” "Você vai ter que me ajudar a escolher minha roupa. Eu quero parecer bem sexy esta noite. Acho que estou pronto para convidar Melvin para sair desta vez", disse Stephan. Eu sorri. Ele tinha dito a mesma coisa nas últimas três semanas, mas eu apenas concordei. Nós voltamos para nossos quartos para tomar banho e nos aprontarmos para a noite que viria. Papeamos, descontraidamente, enquanto vestíamos nossas roupas. Eu escolhi um shortinho preto plissado e uma blusa em preto e branco sem mangas, com babado florido na gola. É o tipo de roupa de que mais gosto. É confortável e feminina. Basta acrescentar os brincos, os calçados adequados e pronto: estamos prontas para qualquer ocasião. Mas os calçados devem ser básicos, pois nada de formalidade. Escolhi sandálias de salto baixo para esta noite e brincos de argola da cor prata, que estavam na minha bagagem. Deixei os cabelos soltos. Estavam lisos e iam até o meio das costas. Eu me maquiei rapidamente, porque usei apenas rímel e um pouco de brilho labial rosa. Fui a primeira a ficar pronta, pois não estava particularmente preocupada com a aparência para o passeio. Sentei-me na cama de Stephan e, pacientemente, o vi experimentar tudo o que tinha na bagagem. Nós finalmente chegamos a um acordo sobre uma camisa pólo cinza e uma bermuda cargo xadrez que combinava muito bem com sua silhueta magra, deixando-o muito atraente. Ele costumava adotar um estilo mauricinho e eu sempre achei que combina muito com seu jeito de ser. Eu brincava que ele


parecia uma propaganda ambulante das famosas Abercrombie & Fitch. Ele não levava a sério e achava graça, mas posso dizer que ele estava orgulhoso da comparação, porque era a mais pura verdade. Chegamos ao bar pouco antes das quatro da tarde, mas já estava meio lotado. Não era um bar atraente, apenas um antigo pub irlandês onde havia algumas noites de karaokê por semana, mas ficava no coração de Manhattan e era sexta-feira à noite, por isso não fiquei surpresa com a quantidade de pessoas. Stephan caprichou no visual e, poucos minutos depois de chegarmos ao bar, conseguimos encontrar um lugar para sentar, onde Melvin estava trabalhando. Eu não tinha dúvida de que Stephan encontraria um espaço para nós dois. Ele tinha uma rara combinação de charme e carisma, e parecia fazer as coisas funcionarem sempre. A maioria das pessoas neste lugar jamais encontraria um lugar para sentar em uma noite tão lotada. Nós cumprimentamos Melvin de forma calorosa e ele parecia genuinamente satisfeito assim que nos viu. Especialmente por ver Stephan, embora ele me tratasse muito bem. Eu sempre fui bem-sucedida ao tentar ser amiga de qualquer pessoa em que Stephan estivesse interessado. Ele era a única família que eu tinha e era importante para mim que eu fosse amiga de alguém que ele considerasse significativo em sua vida. Eu supunha que Melvin tivesse a nossa idade, talvez vinte e poucos anos. Ele era tímido, tinha mais de um metro e oitenta de altura, era muito magro e meio delicado. Eu não conseguiria adivinhar sua raça, mas era fruto de uma mistura visível. Sua pele era marrom-claro e o cabelo preto, cortado bem curto. Seus olhos eram verde-claros. Ele era muito bonito e tinha um sorriso muito envolvente. Stephan tem muito bom gosto, pensei. "O que vocês querem pedir?", Melvin disse, com um tom de voz mais alto para ser ouvido no meio daquela multidão crescente. Mordi o lábio, olhando para Stephan. Eu não bebia havia tanto tempo que não soube o que responder. Stephan apenas virou-se e deu uma piscadinha para Melvin. Uau, ele foi ousado. Melvin corou e sorriu timidamente. "Surpreenda-nos. Talvez algo com licor", disse Stephan em tom de brincadeira. Melvin sorriu. "Licor ou coquetel?" "Um de cada. Traga-nos os seus favoritos de cada um”, eu disse. Ele saiu assobiando com alegria em nos atender. Eu estava distraída com o som de algumas pessoas cantando desafinadas. Nós estávamos longe do palco o suficiente para não ficarmos surdos, mas próximos o suficiente para termos uma vista perfeita do ambiente. Isso é o que dava estar sempre na companhia de Stephan. Ele levava uma vida cheia de charme. "Eles iniciam o karaokê tão cedo assim?", perguntei a Stephan, surpresa. Ele moveu os ombros, para denotar desconhecimento. "Eu acho que sim. Parece muito cedo para isso, no entanto. Eles deviam esperar que ficássemos um pouco “altos” antes de termos de ouvir isso.” Eu concordei, rindo.


Melvin voltou rápido com os pedidos. Ele trouxe um coquetel para cada um de nós e estava delicioso a ponto de me fazer pensar que não seria possível me deixar bêbada. Ele também nos trouxe um pequeno licor, que chamou de "surfar no ácido". Eu nunca tinha ouvido falar disso. Senti o cheiro e franzi o nariz. Era forte. "O que é isso?", perguntei. “Suco de abacaxi, coco e rum. Confie em mim. É bom." Stephan sorriu para ele. "Eu confio em você", declarou, e bebeu. Ele engasgou quando a bebida descia. "Caramba, é bom.” Tomei meu drinque também. Engoli tudo. Só havia uma maneira de fazer isso, ainda que eu estivesse receosa, e era beber de uma vez. Eles tinham razão: era muito bom e eu senti um zumbido confuso quase instantâneo. Valeu, pensei. Eu precisava ir mais devagar. Um só gole já era um choque para o meu sistema, depois de tanto tempo sem beber. Embora fosse um único gole capaz de derrubar. Melvin nos trouxe um copo de água gelada, sem que pedíssemos, e seguiu para atender à crescente multidão. Stephan teria que ficar até tarde da noite se quisesse ter um pouco da atenção de Melvin. O bar estava cada vez mais cheio a cada segundo. Melvin estava muito ocupado, mas conseguia passar perto de nós para ter conversas curtas com Stephan entre curtos períodos e considerei isso como um sinal encorajador. Ele estava, definitivamente, dando a Stephan atenção especial, além de ser bastante amigável. Eu terminei de tomar o meu drinque rápido demais. "Droga, esses copos de martíni são minúsculos", murmurei para Stephan, falando mais alto do que pretendia. Sim, eu preciso frear o ritmo. Stephan riu de mim, terminando também de beber o dele. Melvin logo nos trouxe mais martíni, mais drinques. Ok, estávamos, definitivamente, recebendo tratamento especial. Ele balançou o dedo para nós. "A próxima rodada será uma nova surpresa", ele piscou para Stephan enquanto se afastava. Dei uma risada forte para Stephan. Ele sorriu para mim. Fazia muito tempo que eu não o via assim tão feliz e meu humor melhorou muito só de vê-lo desse jeito. Ele tinha sido abandonado pelo ex-namorado um ano atrás e era um alívio ver que estava finalmente seguindo em frente. "É melhor bebermos rápido. Eu quero ver a nossa próxima surpresa", Stephan me provocou. Eu ri e tomei mais um gole. Desceu queimando. Eu queria ver a nossa próxima surpresa. Stephan e eu, imprudentemente, corremos para terminar o drinque com martíni. Apontei para ele, rindo, assim que terminei o meu, apenas um segundo à sua frente. "Eu ganhei", disse. Com pontualidade, Melvin pôs mais martíni sobre a mesa, assim que Stephan terminava de tomar o último gole. "Um kamikaze e um coquetel", ele nos disse, quase tendo que gritar por causa da versão horrível de "Moves Like Jagger" que um grupo de três pessoas cantava no palco. Agradecilhe. Stephan fez o mesmo, apertando a mão de Melvin, enquanto ele já nos deixava. Foi um gesto ousado para Stephan. Melvin corou e sorriu, enquanto se afastava para atender aos demais clientes. Eu sorri para Stephan. "Ele está tããão interessado. Você sabe disso, né?”, perguntei. Ele balançou a cabeça, parecendo meio tímido, mas bastante satisfeito. "Sim, finalmente estou certo disso.”


Não demorou muito para que a tripulação começasse a aparecer. Brenda foi a primeira a chegar. Ela era uma mulher de meia-idade, com seus quarenta e poucos anos, imagino. Ela era a pessoa da equipe que eu menos via. Ela trabalhava na galley que ficava na parte de trás do avião e eu trabalhava na da frente, mas ela parecia ser muito legal. Pensei que poderíamos facilmente ser amigas se passássemos um pouco de tempo juntas. Ela veio até nós, sorrindo. Ela tinha o cabelo castanho-escuro em estilo Bob, que valorizava sua aparência física. Tinha a estatura mediana e era muito bonita. Eu sabia que ela era casada e que tinha filhos adolescentes, mas ainda não sabia de todos os detalhes. Vou tentar perguntar a ela mais coisas sobre sua família. Ela parecia ser uma boa mãe, com seus olhos gentis e jeito calmo. Nós a cumprimentamos de forma mais ruidosa do que era o nosso hábito e ela nos sorriu com bom humor. "Vocês estão aqui há um bom tempo, né?" Stephan insistiu e ela se sentou na cadeira dele, agradecendo-o com um sorriso que formava covinhas. "Ele ainda é um dos raros cavalheiros na face da Terra", ela me disse. Eu poderia dizer que ela estava pensando que nós formássemos um casal, e eu não a corrigi. Em cinco minutos, Stephan tinha garantido um lugar do meu lado. Eu ri para ele. "Como você sempre faz isso?", perguntei, virando o corpo na direção de seu novo assento. Ele arqueou uma sobrancelha para mim. "Você deve saber melhor do que ninguém, Abelhinha. Venho batalhando desde que eu era criança. Conseguir uma cadeira em um bar é como uma brincadeira de criança." Melissa foi a próxima a aparecer, já olhando em sua volta com cara de tédio, enquanto se aproximava de nós. “Provavelmente procurando o Capitão Peter”, pensei. Ela se vestia de forma rara, com uma minissaia branca e um top cor-de-rosa grudado no corpo, o que entrou em discordância com o seu cabelo vermelho-escuro. O top era tão minúsculo que eu poderia deduzir duas coisas: seus peitos eram falsos e ela não estava usando sutiã. Ela não devia medir mais que um metro e cinquenta e sete centímetros, mas estava compensando a baixa estatura aquela noite. Seus sapatos stiletto brancos, cravejados de strass, deram-lhe cinco centímetros a mais. Ela caminhava com elegância, como se os usasse todos os dias. Pelo que eu saiba, era isso mesmo a que estava habituada. Ela também usava uma camada pesada de maquiagem, lábios vermelhos brilhantes e os cílios tão grossos e pretos que parecia uma daquelas modelos de capa de revista do passado. Ela era muito bonita. O que lhe faltava em gosto, sobrava em pura beleza. "Olá", ela disse séria. Era como se não quisesse desperdiçar um bom sorriso conosco. "Oi", eu respondi. Brenda e Stephan a cumprimentaram. Notei que Stephan não lhe ofereceu a cadeira. Eu sabia que ela o irritava um pouco, ainda que ele nunca tenha me dito. Ela não era exatamente alguém que trabalhasse duro e parecia achar que tinha mais direito às coisas do que as outras pessoas. Eu e ele tínhamos dificuldade em lidar com isso. Os pilotos chegaram logo depois. Eu não tenho certeza se reconheceria qualquer um deles sem uniforme. Eu só me dei conta de que tinham chegado quando Melissa se tornou transbordante. Stephan e eu olhamos um para o outro, de forma crítica. Nós os cumprimentamos e, quando vimos, Melissa já tinha conseguido uma cadeira ao lado de


Brenda. O Capitão Peter estava praticamente colado no encosto de sua cadeira. Tentei não olhar. Eles não estavam sendo discretos. Aqueles dois provavelmente vão terminar a noite juntos. Meus olhos foram parar na aliança na mão esquerda do capitão, enquanto ele se esfregava nas costas quase desnudas de Melissa. Cruz credo, pensei. Eu odiava isso. Eu não entendo por que as pessoas se casam e depois agem assim. Mas, certamente, isso só reforçou a opinião que tenho sobre Melissa. Não tinha como ela não ter visto a aliança de casamento, se eu a tinha visto a vários metros de distância. Bela porcaria. Ela, provavelmente, sentiu a aliança passar nas suas costas, porque ele estava se esfregando tanto nela. Decidi ignorá-los durante toda a noite. Eles eram muito chatos. Percebi, meio desanimada, que o primeiro oficial, Jeff, tinha acabado de se encostar na minha cadeira, com o corpo inclinado sobre mim. Ele sorriu quando olhei em sua direção. Ele acenou com os óculos na minha frente. "O que você está bebendo? Parece que está curtindo." Eu respondi, e ele se aproximou de mim. Afastei-me um pouquinho para trás. Eu odiava quando as pessoas tentavam me tocar casualmente, e ele parecia ser esse tipo de pessoa. Alguns minutos depois, assim que tomou um drinque, ele estendeu a mão e tocou uma mecha do meu cabelo. Encolhi-me um pouco. "Eu amo o seu cabelo". Ele estava quase gritando sobre a multidão agitada. "Você fica tão sensual quando o usa solto." Eu me afastei dele depois disso, finalizando o meu drinque. Sim, era verdade. Eu estava bêbada. Peguei Stephan e Melvin compartilhando um olhar e eu sabia exatamente o que significava. Stephan estava tentando dizer a Melvin para não me trazer mais bebida. Eu olhei para ele, inclinando-me mais para perto. Apontei o dedo de forma ameaçadora. "Não se atreva. Eu quase nunca bebo, e realmente preciso disso para relaxar esta noite. Essa é a primeira vez em dias em que fui capaz de relaxar e esquecer o Sr. Belo.” Stephan parecia pronto para iniciar uma discussão, até que uma frase constrangedora saiu da minha boca. Mas, quando a finalizei, ele soltou uma risada. “Sr. Belo?” Eu balancei a cabeça, e ele riu mais ainda. "Sim. James Cavendish é bonito demais para ser real. Ele me amedronta”, confidenciei. Stephan parou de rir com isso. "Por quê?", ele perguntou sério. Eu balancei a cabeça. "Não é bem assim. É um tipo diferente de medo. Nunca senti isso. Tudo o que eu sei com certeza é que preciso ficar bem longe do Sr. Belo”. Falei com tanta veemência que mesmo bêbada me dei conta disso. Os olhos de Stephan se arregalaram quando olhou para trás de mim. "O quê?", perguntei-lhe bem alto, em tom beligerante. Sim, eu estava definitivamente bêbada. "O quê? O Sr. Belo está sentado atrás de mim ou algo dessa natureza?” Stephan contraiu os lábios e, de repente, tive uma sensação horrível de que eu teria atingido na cabeça aquele que estava à minha direita. Eu virei minha cabeça, que estava girando, e olhei para cima, para aqueles olhos azuis brilhantes. "Olá, Sr. Belo", eu disse, com uma voz calma, mas era claramente uma


voz de bĂŞbada.


5 Sr. Persistente

V

irei quase imediatamente para encarar Stephan. "Traidor", eu disse, com a fala meio arrastada.

Ele levou as mãos para cima, lançando-me o seu olhar inocente. "Eu não dei o seu número ou qualquer outra coisa. Ele perguntou se íamos sair hoje à noite. Eu só lhe disse onde. Nenhum estrago feito.” Eu balbuciei algumas palavras bem escolhidas. Senti que alguém encostava o rosto perto do meu ouvido e sabia que era o Sr. Belo. "Sr. Belo, não é?", ele sussurrou. Meu corpo inteiro estava vermelho de vergonha. "Eu vou tomar isso como um elogio, embora eu tenha que dizer que é algo novo para mim.” "Olá, Sr. Cavendish," eu disse com firmeza, sem me virar. "Eu disse a você para me chamar de James. Ou Sr. Belo, se você preferir. Você pode deixar o Sr. Cavendish para quando estivermos a sós". Foi a segunda vez que ele disse isso, e eu simplesmente não podia dizer se ele estava brincando. Será que eu ainda quero saber?, me perguntei. Não, disse a mim mesma com firmeza. Tentei ignorar todos os presentes por algum tempo, depois do ocorrido. Exceto Melvin. Tentei acenar para ele, para que me trouxesse outra bebida, mas ele estava me ignorando. Bem atrás de mim, eu podia ouvir Stephan e James conversando de forma amigável. James não se moveu e estava perto de mim o suficiente para indicar que estávamos juntos. Ele estava tão próximo que me fez arrepiar. Se me movesse um centímetro para trás, o tocaria. Virei a cabeça um pouco para o lado e vi que o copiloto tinha sido forçado a se afastar de mim. Ele estava olhando, entre Stephan e James, com um ar estranho no rosto. Ele não sabia o que fazer com a situação. Eu realmente não ligo para o que ele fez disso. Eu estava aliviada de ele ter notado que eu não estava claramente disponível. Eu fiquei de pé abruptamente. Esperava me sentir um pouco instável, mas foi muito pior do que pensava. Eu tive que agarrar no balcão por um tempo para me equilibrar. "Uau, mais cuidado aí, Florzinha Selvagem", Stephan me dizia. Senti um braço firme me apoiar na cintura e eu sabia que não era Stephan. "Florzinha Selvagem?", James perguntou-lhe, com voz divertida. Olhei para Stephan, que estava um pouco envergonhado. "É um apelido antigo, de quando éramos


crianças. Depois a Abelhinha conta essa história para você.” "Eu quero mesmo saber depois. Ela bebe assim com frequência?”, James perguntou, e eu achava que havia certa irritação em sua voz. Ele ainda estava falando com Stephan. Sobre mim, na minha frente — era irritante. "O tempo inteiro", eu disse em voz alta. "Esta é a primeira vez que ela bebe desde que completou vinte e um anos", disse Stephan, calmamente. "Isso foi há dois anos." A boca de James estava no meu ouvido novamente. "Você se lembra do que eu lhe disse sobre mentir para mim", ele avisou em voz baixa. "Já é a segunda vez." Ele disse que ia me colocar de joelhos. "Ele é um bastardo pervertido", pensei. Oops, eu disse em voz alta. Felizmente, apenas James tinha ouvido. Ele riu, mostrando os dentes brancos. Ele não tinha tomado isso como um insulto. E fez um aceno com a cabeça e me olhou de forma consistente. Ele concordou. "Eu preciso ir ao banheiro", eu disse em voz alta. "Eu ajudo você a chegar lá, Florzinha Selvagem", disse James. Stephan se levantou para ajudar. James fez um aceno. "Ela está segura." E ele me levou. Passou o braço em volta do meu e amenizou o peso do meu corpo à medida que me levava sem esforço por entre a multidão em direção aos banheiros. "Por que você está aqui?", perguntei-lhe sem rodeios. "Bem, eu vim aqui porque eu quero muito foder você até que nenhum de nós possa sequer andar. Eu quero tanto você que mal posso esperar. Mas como isso não vai acontecer agora, estou aqui para me certificar de que você voltará inteira para o seu quarto.” "Por que não vai acontecer agora?", perguntei. Eu sabia que não era uma boa pergunta, pois dava a entender que eu estava desapontada que não fosse acontecer, mas eu estava muito bêbada e curiosa para me importar com isso. Ele olhou para mim, com a sobrancelha levantada. "Eu não vou tocar em você enquanto você estiver nessas condições. Nunca. Eu não faço isso." "Então você está desistindo?", eu o desafiei, mas a frase soou mais como um lamento. Ele me surpreendeu, beijando o topo da minha cabeça. "Longe disso. Eu ainda pretendo foder você até perder o sentido. Mas não esta noite, Florzinha Selvagem. E eu agradeceria se você não repetisse essa situação”. Seus braços e o beijo eram suaves e doces, mas suas palavras e seu tom de voz eram frios. Que homem estranho, pensei. Como alguém poderia soar tão frio e ao mesmo tempo me chamar de Florzinha Selvagem? Eu parei de andar abruptamente. Nós estávamos contra a parede agora, perto do corredor que levava aos banheiros. Virei-me em seus braços, apertando-me contra seu corpo. Ele prendeu a respiração


com o contato repentino. Olhei em seus olhos. Ele olhou para trás, os olhos secos. "Sim?", ele me perguntou com intensidade. "Minha condição não é da sua conta, James". Eu enfatizei seu nome. Foi a primeira vez que me referi a ele assim. Seu olhar era firme. "Tenho a intenção de que seja da minha conta." "Você não quer sair comigo, você disse", observei. Ele suspirou. "É verdade. Mas eu quero outras coisas. Eu, pelo menos, quero ter a chance de falar com você sobre o que eu quero." "Então fale", eu disse. "Vamos conversar. Quando você estiver sóbria. E quando tivermos alguma privacidade real." Eu apontei um dedo para ele e fiquei na ponta dos pés para ter certeza de que me ouvia enquanto eu falava diretamente, olhando-o face a face. "Isso não me parece ter a ver com falar". Minhas palavras foram arrastadas e ele se encolheu, visivelmente. Ele estava odiando o fato de eu estar bêbada, dava para perceber. Ele tinha um problema sério com isso. Minha mente extremamente bêbada tentava armar um esquema para usá-lo a meu favor. Se ele não gostava de bêbado, eu lhe mostraria algum comportamento típico de bêbado que iria assustá-lo num bom sentido. Eu balancei a cabeça para ele, virando-me. Assim que entrei no banheiro, eu iria fazê-lo correr apressado em outra direção. Usei o vaso sanitário e um sinal de quão bêbada eu estava é que me sentia orgulhosa de não ter feito a maior bagunça. Eu estava lavando as mãos quando Melissa irrompeu pela porta, olhando animada. "Quem é aquele homem lindo?", ela me perguntou quase sem respirar. Ela estava ainda mais entusiasmada do que minutos antes. É claro que foi só porque aconteceu de ela perguntar sobre o homem certo naquele momento. Nem preciso dizer sobre quem ela estava falando. "Aquele é o Sr. Belo", eu disse. E já parti para um tom meio leviano, mas quando ouvi minha própria voz me dei conta de que soava bêbada e arrastada. Saí antes que ela pudesse me perguntar qualquer outra coisa. James segurou o meu braço antes mesmo que eu pudesse localizá-lo. "Você já esteve tão bêbado que não conseguia olhar para si mesmo no espelho?", perguntei. Era uma questão séria. Eu estava realmente bêbada. Ele apenas olhou para mim. "Responda-me, James", tentei forçá-lo. "Não", ele disse imediatamente. "Dance comigo", eu pedi. Hora da operação “Bagunça Total”. Ele odiava bebida. Eu faria um show para ele bêbada. "Não", ele disse com firmeza. "Tudo bem. Alguém vai dançar comigo. Basta você assistir”. A mão dele apertou o meu braço quando


tentei ir embora. "Não, não vai. Se você tiver que dançar esta noite, vai ser sozinha." Eu soltei um resmungo de indignação. Eu estava momentaneamente distraída quando voltamos para o enorme bar e descobri que havia consideravelmente menos pessoas do que quando entramos. "O que aconteceu com todo mundo”, indaguei. Minha língua estava cada vez mais enrolada, mas eu não conseguia evitar. Olhei para James. Ele nem ligou. "É tão tarde assim?", ponderei, tentando pegar o meu celular dentro da minha bolsa. "Onde está meu telefone?”, murmurei. "Você o deixou no bar", ele me disse. Corri naquela direção. Ele me interrompeu, segurando meu celular na frente do meu rosto. "Eu peguei isso para você." Tomei o aparelho de sua mão, encarando-o. Olhei para a tela, apertando o botão para ver a hora. "São oito da noite”. Por que todo mundo está indo embora? Tem algo acontecendo? Eles estão fechando?". Eu pronunciava as palavras cada vez mais emboladas. Ele apenas erguia e baixava os ombros. Suas mãos estavam nos bolsos. Eu o observei, de repente, percebendo o quão entediado e distante ele parecia. Lembrei-me de que ele tinha dito que só estava aqui para se certificar de que eu voltaria para casa sem faltar nenhum pedaço. "Você não têm que ficar aqui. Eu estou bem." Ele me puxou contra si inesperadamente. Eu endureci o corpo, mas ele apenas puxou meu rosto para o seu peito. "Você é uma mulher irritante", ele me disse. Eu tentei me afastar dele depois do comentário, mas não conseguia fazê-lo me soltar. "Eu ficaria feliz em levá-la de volta para o seu quarto, mas não vou deixar você sair daqui enquanto estiver agindo assim." "Você não sabe nada sobre mim. Pode ser que eu aja dessa forma o tempo todo", observei, mas as palavras foram abafadas em sua camisa. Ele estava vestindo a camiseta mais macia que eu já tinha visto. De repente, eu estava me esfregando contra o tecido. Percebi que ainda nem tinha me dado conta do que ele estava vestindo. Não era um terno e eu sequer tinha tido o cuidado de olhar. Afastei-me, olhando com fascínio para o seu traje casual. Ele vestia uma camiseta com gola V, com um pequeno bolso do lado esquerdo. Bem em cima de seus mamilos, pensei. Estava perfeita, mostrando seus músculos elegantes. E era tão macio. Eu comecei a passar minhas mãos sobre a camiseta e ele não me impediu. Ele usava calça casual cinza e tênis. Ele estava muito atraente. "Um dia eu vou amarrar você e provocá-la do jeito que está me provocando agora, sem nenhuma esperança de libertação para, pelo menos, uma noite". Sua voz era suave e ele estava bastante convicto. Suas palavras acalmaram minhas mãos imediatamente. Aparentemente, eu não estava fazendo um bom trabalho quanto a assustá-lo. Não ainda. Eu o toquei com as pontas dos dedos quando tive uma ideia. Eu estava mais firme sobre os pés e me soltei de seus braços. Só de ficar alguns minutos sem tomar nada, eu já estava recobrando o equilíbrio. "Eu tenho uma surpresa para você", eu disse, ameaçadoramente, e caminhei em direção ao DJ.


Eu sussurrei o meu pedido no ouvido daquele homem desconhecido e ele balançou a cabeça, lançando um olhar para James. Coloquei um dedo sobre meus lábios. "Shhh. É uma surpresa para o Sr. Belo.” James me olhava estoicamente, enquanto eu subia para o pequeno palco. Surpreendentemente, não havia ninguém na fila e tive que subir direto. Mais cedo, quando eu ia para o banheiro, havia uma fila gigantesca de pessoas à espera para cantar. Agora, o lugar estava ficando mais vazio a cada segundo. Isso só me ajudou. Esse show meia-boca foi só para James Cavendish. Eu não conseguia cantar. Eu comecei a rir quando as primeiras notas começaram a soar e vi seus olhos se arregalarem. Eu me controlei o suficiente para começar a cantar para ele quando as palavras aparecessem na tela, olhando em sua direção de forma atrevida e até mesmo me movimentando ao som da música. Eu até me curvei para jogar meu cabelo de lado durante uma pequena pausa na música. Oh, Deus, aquilo quase me fez cair do palco. Ele se aproximou quando viu minha ação imprudente, como que para me pegar se eu realmente caísse. Eu fiquei um pouco fora da pista enquanto Melissa rebolava e conversava com ele. Será que ela realmente tem que ficar tão perto dele? Aparentemente, ela ficou. Ela ainda pressionava o corpo contra o dele enquanto falava ao seu ouvido. Ele não parecia se importar tanto em falar com ela agora, e estava mais preocupado em me observar. Parecia ser uma conversa muito séria entre duas pessoas que acabaram de se conhecer. Ou será que eles se conheciam? É isso aí, eu decidi. Eu ia descobrir. A música ainda não tinha parado quando saí do palco. James deu um pequeno sorriso quando me aproximei. Melissa não o estava tocando mais, mas ainda estava muito perto dele. "Obrigado pela surpresa, Bianca. Eu não vou me esquecer disso enquanto viver”. Sua voz era quente e cheia de bom humor. Droga. Não era bem isso o que eu esperava ouvir. "Vocês dois se conhecem?", perguntei abruptamente. James pareceu um pouco surpreso. "Acabamos de nos conhecer. Ela trabalha com você, certo?” "Então o que vocês estavam conversando?", perguntei incisivamente. "Ela disse que era sua amiga. Eu estava perguntando a ela sobre você." Olhei para Melissa. Ela parecia um pouco irritada, mas continuava insistente. Se ela tivesse qualquer pista de quem era James, literalmente ia dar em cima dele. Pareceu-me divertida a ideia de contar a ela quem era James. Isso poderia resolver toda a situação ali mesmo. Por razões que eu não queria analisar, mudei de ideia quase que imediatamente. Ela me deu uma olhada brevemente e sua expressão se iluminou. Ela pegou minha mão e, de repente, a menina espalhafatosa estava de volta. "Vamos lá, gatinha", ela me disse com carinho, me levando de


volta para o DJ.


6 Sr. Perverso

E

u nem tive tempo de perguntar o que íamos fazer. Ela tinha planejado um dueto da versão de “Back that thing up.”

Tentei acompanhar aquela letra obscena, enquanto assistia com fascinação. Ela rapidamente virou seu bumbum para o público, fazendo uma dança bastante impressionante. Eu era mais avantajada do que ela no quesito peito, e os meus eram muito naturais, mas ela tinha muuuito mais bumbum. E eu tinha que admitir que era muito bonito. E ela sabia muito bem disso. Ela jogou sorrisos para a multidão por cima do ombro quando se agachou quase até o chão. Sim, ela estava se expondo para a plateia. Eu estava cantando o rap “Call me big daddy when you back that thang up” quando Stephan me viu do meio da multidão. Ele tinha deixado o seu lugar no bar, onde tinha estado conversando com Melvin desde que eu tinha saído do banheiro. Ah, porra. Eu os tinha interrompido com minhas travessuras. Ele finalmente teve a chance de fazer a sua jogada, e eu o tinha distraído. Eu me senti culpada imediatamente. Ele me encarava com olhos arregalados. Eu poderia dizer que ele estava prestes a me levar para casa. Ele não iria aprovar a “operação bagunça”, eu tinha certeza. Por muito tempo ele tem agido como um irmão mais velho e protetor, e agora ele me olha, de braços cruzados, enquanto eu apronto. Fiquei aliviada ao ver que ele não veio me tirar do palco imediatamente e me levar embora. Mas o meu alívio durou pouco, quando o vi falando sinceramente com James, que o escutava atentamente, balançando a cabeça em concordância. Por um momento eu me distraí com as letras da tela quando o ritmo ficou mais rápido. Eu substituía todas as palavras que achava pesadas, e que começavam com N, pela palavra gatinha. Eu achei que se encaixavam muito bem na música, e fui mentalmente me dando tapinhas no bumbum quando a música terminou. Melissa, rindo, me abraçou quando finalizamos a apresentação. Ela estava sem fôlego devido a todo aquele frenesi. Será que de repente ela gosta de mim? Ou foi algum tipo de show para que James visse? Com o que eu sabia de Melissa, suspeitava da segunda opção, mas realmente não me importava com isso naquele momento. Aproximei-me dos dois homens altos que pareciam ter uma conversa séria e que eu tinha certeza que era sobre mim.


James me observou com olhos arregalados. Ele aparentava estar chocado com alguma coisa. Andei até Stephan e toquei o seu ombro com o meu. "O que você está dizendo para ele?", perguntei, com irritação. "Vá se sentar no bar, Stephan. Eu estou bem." Stephan se inclinou para mim. Ele parecia visivelmente chateado e fiquei em estado de alerta. Que diabos estava acontecendo com esses dois? Ele me abraçou, falando ao meu ouvido. "Por favor, não fique brava comigo. Eu sei que não tenho o direito de me intrometer, mas eu tinha que ver que tipo de cara que ele é. Eu acho que ele vai tratá-la bem. E, se ele não o fizer, eu disse que vou chutar a bunda desse bilionário." Eu torci o nariz para ele. "É por isso que você pensou que eu iria ficar com raiva?" Ele não parecia chateado, então eu sabia que não era isso. Ele não podia me olhar nos olhos e estava tremendo um pouco. Ele odiava quando eu ficava brava. Ele não gostava quando as pessoas se chateavam com ele, especialmente se fosse eu. Questões que se originaram de algumas situações realmente horríveis que tinham acontecido com ele quando era criança. Eu tinha sido sua única família por anos, por isso ele temia a minha raiva. Ele tinha um medo irracional de que, se me deixasse brava, eu iria abandoná-lo, como sua família tinha feito. Eu disse a ele várias vezes que isso nunca aconteceria, mas ele ainda não sabia como lidar com qualquer tipo de conflito. Ele estava balançando a cabeça e pude ver certo pânico em seus olhos, que eu temia. Isso me fez voltar um pouco à sobriedade. "O que se passa?", perguntei. "Eu disse a ele que você era virgem", ele sussurrou ao meu ouvido. Eu endureci. "Eu só não queria que ele machucasse você. Ou que... tivesse a impressão errada pela forma como você estava agindo. Por favor, não fique brava." Eu não conseguia evitar. Fiquei instantaneamente louca. Eu o empurrei para trás, apontando-lhe o dedo. "Vá. Volte. Para. O. Seu. Assento." Ele obedeceu, caminhando de volta para Melvin com aquele andar de perdedor que lembrava o do personagem infantil Charlie Brown. Eu, provavelmente, tinha arruinado a sua noite, mas ele não tinha o direito de compartilhar informações pessoais sobre mim. Especialmente com o Sr. Belo. Eu me virei para James, olhando-o com raiva. "Então, acabou para você? Você pode ver agora que não vai acontecer. Minha credencial V deve ser mais do que suficiente para fazer alguém como você sair correndo e gritando em outra direção”. Talvez Stephan tenha encontrado para mim uma melhor solução final para esse problema estranho, pensei, enquanto ainda falava. A expressão de choque há muito tinha se desfeito em seu rosto. Agora ele estava inexpressivo. O vazio não chegou a atingir os olhos, entretanto. Eles eram tão intensos como nunca. "Venha aqui", ele me disse. Poucos centímetros nos separavam. Diminuí a distância antes de tentar desafiá-lo. Sua mão mergulhou cuidadosamente no meu cabelo, puxando minha cabeça ligeiramente para trás. Ele se inclinou para o meu ouvido. "Eu vou arruinar você", ele sussurrou. "Eu vou ser o primeiro e vou foder você tão completamente que vou ser o último também. Você não vai querer nenhum outro homem depois que eu puser as minhas mãos em você. Em cada milímetro do seu corpo". Um arrepio percorreu todo o meu corpo com as suas palavras mais ou menos sussurradas.


Eu franzi a testa. Será que ele tinha pressentido que eu era virgem antes mesmo de Stephan lhe contar? Seria por isso que estava me perseguindo? Será que ele tem algum fetiche incomum? “Então você prefere as virgens?", sussurrei a pergunta. Suas sobrancelhas se ergueram em surpresa. "Eu nunca estive com uma, então a resposta é não. Mas eu não posso dizer que esteja descontente com a ideia. Na verdade, adoro pensar que vou ser o primeiro." Eu sequer me preocupei em dizer que ele estava assumindo grande responsabilidade. Comecei a me sentir muito cansada, o suficiente para desmaiar. E nós temos que acordar às cinco da manhã para nos aprontarmos para o voo. "Eu estou pronta para ir", disse. Seu rosto se iluminou imediatamente. "Bom. Vamos avisar Stephan." Stephan nem sequer olhou para mim quando nos aproximamos. "Bianca quer ir para casa dormir," disse James a Stephan. "Eu vou levá-la até o quarto dela. Devo pôr o despertador para despertar a que horas?". Revirei os olhos para cima. Aí está ele outra vez falando sobre mim na minha frente. "Às cinco", Stephan e eu respondemos ao mesmo tempo. Eles menearam a cabeça em sinal de concordância, sem que Stephan sequer olhasse para mim. Eu sabia que ele ficaria incomodado durante toda a noite se eu não lhe dissesse que estava perdoado. Dei um passo para frente, beijando-o suavemente na testa. "Eu não estou brava com você", eu disse, e fiquei surpresa que isso era mesmo verdade. Ele não tinha o direito de fazê-lo, mas eu sabia que ele estava apenas tentando me proteger. Esse tinha sido o seu trabalho há anos e era um trabalho que ele levava muito a sério. Ele fungou um pouco e fiquei chocada quando vi uma lágrima deslizar pelo seu rosto quando ele olhava para o próprio colo. "Obrigado", ele disse, e percebi o alívio em sua voz. Ele estava tão aliviado que estava chorando, e ele nunca chorou. Foi porque a minha raiva o afetou profundamente. "Por favor, não chore", eu disse. Meu coração fica em pedaços ao vê-lo assim. Ele levantou a cabeça e parecia melhor. "Eu estou bem. De verdade. Vá dormir um pouco. Vejo você na parte da manhã". Ele sorriu e me dispensou. Eu sorri de volta, e fomos embora. James segurou o meu braço na nossa curta caminhada de volta para o hotel. Ele apertava firme na parte de trás, logo acima do meu cotovelo. Ele parecia gostar daquela parte do meu corpo. "Stephan e eu conversamos longamente. Ele sabe que eu nunca iria tirar vantagem de você nessa situação". James parecia sentir necessidade de explicar isso para mim. "Se eu não os conhecesse, eu acharia que ele é seu irmão mais velho", ele prosseguiu. "Há quanto tempo vocês dois estão juntos?", perguntou. Olhei de soslaio. Ele estava pescando para obter informações sobre mim, eu achava. Eu não entrei no jogo. Especialmente porque eu não sabia quase nada sobre sua vida. "Há muito tempo", eu respondi vagamente. Era tudo o que ele obteria de informação. Eu já havia me recuperado, consideravelmente, de modo que ele tinha perdido o bonde quanto a conseguir saber


algo mais sobre mim. Especialmente porque eu estava planejando nunca beber de novo. Eu já estava mortificada por algumas das minhas travessuras nesta noite, e eu ainda nem estava completamente sóbria. "Você precisa tomar pílula", ele mudou abruptamente o assunto, com voz autoritária. Olhei novamente de través. Foi um olhar fulminante. "Do meu corpo cuido eu", disse-lhe com firmeza. "Quando começarmos a transar, isso vai ser da minha conta também. E você precisa começar. Pode levar semanas ou meses para se tornar eficaz.” Meu olhar se tornou um clarão. "Para sua informação, eu já tomo pílula. Eu tenho períodos ruins e isso ajuda a torná-los mais leves. Eu na verdade as tenho tomado desde que era adolescente... por motivos pessoais". E eu nunca diria a ele quais eram. Como o fato de que Stephan e eu tínhamos vivido num prédio abandonado com um grupo de outros moradores de rua e eu tinha medo de ser estuprada e engravidar. Eu não conseguia dormir de tanto medo. Uma consulta em uma clínica gratuita tinha me dado uma grande paz de espírito. Principalmente quanto ao medo da gravidez. "Mas você é atrevido, sabia? Eu nunca concordei em fazer sexo com você.” "Quais são essas razões pessoais?", ele perguntou. É claro que ele iria focar sua atenção naquilo sobre o que eu estava menos disposta a falar. "Eu prefiro não falar sobre coisas pessoais". E lhe mostrei a língua. Sua mão apertou meu braço como forma de advertência. "Você está irritante." "Deixe-me bombardeá-lo com um monte de perguntas pessoais e quero ver se você vai gostar", respondi. "Tente. Eu acho que isso valeria a pena para mim." Eu me calei. Caminhamos até o hotel sem trocar uma palavra sequer. Eu cumprimentei a garota que estava trabalhando na recepção. Seu nome é Sarah e ela conhecia Stephan e eu. Nós até tínhamos saído junto algumas vezes. Ela me olhou com espanto. E, provavelmente pensava, como tantas outras pessoas, que Stephan e eu somos um casal. "Oi, Sarah", eu a cumprimentei, enquanto caminhava. "Oi, Bianca", ela respondeu de volta. "A segurança aqui é deplorável", disse James quando as portas do elevador se fecharam atrás de nós. Ele estava balançando a cabeça em consternação. Eu ri. "O que você esperava? É um hotel de tripulação no centro de Manhattan. A segurança não é deplorável. É inexistente". Eu ri ainda mais. As pessoas ricas até que podiam ser divertidas. Ele me deu um olhar descontente. "É terrível. Qualquer um pode entrar aqui.” Eu continuava rindo. "É para isso que servem as fechaduras e a polícia. Se você acha que isso aqui é ruim, você deveria ver alguns dos lugares onde Stephan e eu já ficamos”. Ô, merda. Eu não tinha a


intenção de dizer isso em voz alta, para que ele ouvisse. Seus olhos atentos se voltaram para o meu rosto. "Onde? O que você quer dizer? Você ainda permanece nesses lugares?" Balancei os ombros, tentando passar por cima do que tinha dito. "Hum, não realmente. Eu acho que esse é o hotel da tripulação menos seguro até o momento". Esse pensamento me fez começar a rir de novo. Ele estendeu a mão para pegar o meu cartão para acionar a fechadura e eu o entreguei a ele sem dizer uma palavra. "Eu preferiria que você ficasse em um lugar mais seguro quando estivesse aqui. Vou ver isso", ele disse, me deixando impressionada. Eu retruquei, meneando a cabeça. "Não. Não. Não", eu disse, claramente. "Eu não sei o que você acha que está acontecendo aqui, mas você não vai assumir o controle da minha vida. Você pode simplesmente descartar essa ideia já.” Sua boca ficou paralisada. "Nós vamos falar sobre isso quando você estiver sóbria.” Ele era louco, eu estava certa. "Você pode falar o quanto quiser. Isso não vai acontecer.” Ele notou a porta de comunicação aberta quando entrou no meu quarto. Ele me olhou de forma interrogativa, passando pela porta, como se tivesse o direito de vasculhar o lugar. "É o quarto de Stephan?", ele perguntou lá de dentro. "Sim", respondi. Ele voltou, fechando e trancando a porta sem perguntar nada. Eu apenas me deitei na cama e fechei os olhos. "Eu preciso pôr o alarme para despertar", eu disse a mim mesma em voz alta, estendendo a mão para a minha pequena bagagem com coisas da viagem. Eu o tinha deixado cair no chão em algum lugar entre a porta e a minha cama. "Eu achei", disse James, e eu o ouvi se movimentar à minha volta. Escutei um som bem baixo, que significava que o meu telefone tinha sido posto na tomada para carregar. "Obrigada", murmurei, com os olhos ainda fechados. "Você pode ir agora. Vou acordar na hora certa. Eu nunca me atrasei para o trabalho. Não vou começar a fazer isso amanhã. Assim que minha cabeça parar de girar, eu durmo.” Ele não respondeu e eu podia escutar seus passos pelo ambiente. Ele entrou no banheiro, saindo um tempo depois. A cama afundou quando se sentou ao meu lado. Eu senti um cheiro de frescor que vinha de um lenço de remoção de maquiagem que deslizava pelo meu rosto. Eu fiquei tensa e surpresa. O que ele está fazendo? Ele gentilmente limpou todo o meu rosto, até os cílios, cuidadosamente, para remover o rímel. "Você quase não usa maquiagem", ele disse descontraído. "Você tem uma bela aparência". Era algo


doce de se ouvir, tanto que aceitei. "Olha quem está falando, Sr. Belo", eu disse. "Talvez eu comece a chamá-la de Sra. Bela", ele me disse, inclinando-se para beijar a ponta do meu nariz. Ele se levantou novamente, retornando logo depois. Quando senti seus dedos no botão do cós do meu shortinho, meus olhos se arregalaram e minhas mãos correram para impedi-lo. A única luz no quarto vinha do banheiro, mas eu ainda conseguia vê-lo. "O que você está fazendo?", perguntei com voz meio arrastada. Ele afastou minhas mãos, desabotoando meu short e tirando-o em um movimento rápido e suave. "Estou cuidando de você", ele disse suavemente. "Eu disse a você e a Stephan que o faria. Estou vestindo-a para dormir. E se você começar a vomitar tudo o que bebeu esta noite irei levá-la para o banheiro e prender o seu cabelo. Fique quieta. Eu vou terminar mais rápido se você não se mexer tanto.” Estranhamente, eu o obedeci, e ele tirou as minhas roupas e vestiu em mim uma camisola de algodão que eu tinha embalado. Ele tirou o meu sutiã como um profissional, sem me tocar. Ele não teve dificuldade nenhuma. Foi bastante impressionante. Ele dobrou o meu short com cuidado e pendurou minha blusa, como se fizesse isso todos os dias. Ele me cobriu com cuidado. Que bilionário estranho, pensei comigo mesma. Quando terminou, ele ficou por cima de mim. Ele me olhou, com as mãos nos bolsos, parecendo não saber o que fazer em seguida. Era estranho vê-lo nessa posição. "Você pode dormir aqui”, eu disse. “Se você conseguir lidar com a falta de segurança". Eu não poderia deixar de provocá-lo quanto a isso. Ele respirou fundo. "Você se importa se eu dormir de cuecas? É muito mais confortável, e eu juro que não vou tentar nada. Não hoje.” Se eu me importo? Eu estava louca para ver o corpo dele. Eu queria saber se ele era todo moreno, como se fosse um bronzeado. "Ok", eu disse com voz ofegante. Ele não hesitou, tirou os sapatos, as meias, a camisa e a calça. Desejei ardentemente que as luzes estivessem acesas, sem tirar os olhos de cima dele. Ele deslizou para o outro lado da cama, deitandose sobre as cobertas. "Durma", ele disse. "Você é assim bronzeado em todas as partes do corpo?", perguntei prestes a cair no sono. Se ele me respondeu, não ouvi, porque apaguei.


7 Sr. Temperamental

O

som do meu despertador me acordou de um sono profundo. Eu nunca tinha dormido tão pesado, e acordar de um sono assim era algo a que eu não estava acostumada. Percebi de imediato que seria uma manhã difícil porque minha cabeça latejava. O relógio marcava cinco horas, mas meu corpo ainda achava que eram duas da madrugada. Uma escala de 24 horas nunca era tempo suficiente para se adaptar ao fuso horário. Não me surpreendi ao descobrir que James já tinha ido embora, mas confesso que estava estranhamente desapontada. Como não havia mais efeitos nefastos do álcool se movimentando através do meu organismo, me dei conta de que havia um problema. Eu estava começando a gostar desse rico excêntrico bastardo. Fui diretamente para o chuveiro, prendendo o cabelo para que não molhasse. Não havia nenhuma possibilidade de secá-lo, caso o lavasse. Pus a camisola de volta sobre minha pele levemente úmida, planejando usá-la até que fosse a hora de vestir as roupas de trabalho. Eu estava tão acostumada a compartilhar quartos conjugados com Stephan que já era uma prática minha ficar sempre vestida. A porta do banheiro estava entreaberta e, quando a porta do quarto se abriu e fechou, congelei de medo. Olhei para fora da porta, surpresa e aliviada ao ver que era James. Ele se juntou a mim no banheiro sem pedir. Nem mesmo Stephan era tão familiar, por isso me surpreendeu vê-lo se juntar a mim no banheiro assim que terminei o banho. Ele me entregou um copo de café e dois comprimidos brancos. E colocou duas garrafas de água sobre o balcão. "As pílulas são para a ressaca", ele disse. "E a água vai ajudar. Você está desidratada.” Tomei os comprimidos, engolindo a maior parte da primeira garrafa de água no processo. Tomei o café e me senti quase humana novamente. Eu vi que ele tinha mudado de roupa. Estava de novo de terno, revigorado e bem descansado. "Você esteve na sua casa?". Eu sabia pouco sobre ele, mas tinha conhecimento de que vivia em Nova Iorque. Meus olhos se fixaram no seu terno impecável. Era cinza suave, com camisa e gravata azuis. Eu perdi a oportunidade de vê-lo sem roupas. Droga. Quando olhei na sua direção, meus olhos se moveram para os dele. Nós dois estávamos de frente


para o espelho e seus adoráveis olhos da cor de azul turquesa estavam colados ao meu corpo com uma intensidade que me fizeram acompanhá-los. Minha camisola pequena, combinada com a minha pele ligeiramente úmida, tinha – de forma não surpreendente –, ficado transparente. Como se eu estivesse nua, pensei um pouco atordoada. E ele estava me olhando avidamente, como se nunca tivesse visto nada tão apetitoso em sua vida. Foi uma sensação inebriante, ver aquela expressão em seus olhos. Ele entrou em cena logo atrás de mim, seus olhos firmemente nos meus seios. Eles estavam pesados e eu queria que ele os tocasse. Eu arqueei as costas, de forma quase instintiva, meus ombros indo para trás, o peito para frente, meus mamilos claramente visíveis à medida que se esfregavam contra o tecido fino da minha camisola. Eles estavam duros, feito cascalho, e só aumentavam à medida que eu olhava para eles. "Eu não quero fazer você se atrasar para o trabalho", ele murmurou. "Mas eu preciso fazer uma coisa.” Ele apertou-se contra as minhas costas, e eu podia sentir sua excitação se comprimir contra o meu cóccix. Suas mãos cobriram meus seios, finalmente, e eu gemi, arqueando para trás. Ele os apertou com firmeza e meus olhos se fecharam. "Olhe para mim", ele retrucou, e eu obedeci automaticamente, encontrando seus olhos intensos no espelho. "Eu gosto dessa camisola", ele disse, quase distraidamente, enquanto continuava a me tocar. "Abra mais as suas pernas", ele me disse, e elas se abriram, como se o meu corpo e sua boca tivessem algum tipo de acordo sobre o qual eu ainda não estava a par. Uma mão ficou amassando o meu peito e tocava o meu mamilo perfeitamente, enquanto a outra corria ao longo de minhas costelas, pelo meu abdômen, e em linha reta entre as minhas pernas. Elas começaram a se fechar, instintivamente, contra a invasão. "Abra mais", ele ordenou, e elas se abriram. "Eu quero sentir cada centímetro de você, mas para o momento só quero fazer você gozar. Eu só preciso tocá-la. Coloque sua cabeça contra o meu ombro.” Ele encontrou o meu clitóris rapidamente e o esfregou com o polegar, enquanto o indicador e o dedo médio brincavam na minha entrada quase me provocando. Ele prendeu a respiração quando me sentia. "Porra, uma deliciosa virgem molhadinha. Você é demais, Bianca.” Ele empurrou um dedo dentro de mim, lentamente, e gemeu. O ajuste foi muito doloroso, porque era apertado. Eu me masturbava, às vezes, com os meus próprios dedos, mas sua mão era apenas muito maior e mais agressiva, e mais talentosa. Ele sabia como me tocar com muito mais habilidade do que eu mesma. O pensamento era um pouco assustador, mas minha mente rapidamente voltou para as sensações provocadas pela mão. Ele fez todo o caminho com o dedo e começou a me acariciar, buscando apenas o ponto certo dentro


de mim. Seu polegar não parava de tocar meu clitóris, e sua outra mão ainda amassou meu peito com muita habilidade. Ele era o típico homem multitarefas! À medida que ele me acariciava, sua ereção roçou as minhas costas e aumentou a pressão. Ele deslizou um segundo dedo dentro de mim e me senti incrivelmente completa. Eu gritei, me apertando contra o seu corpo. Ele parou de repente. "Implore para mim", ele ordenou, e eu entendi o que ele pedia. "Por favor". Eu não hesitei. "Diga, por favor, ‘Sr. Cavendish, me faça gozar ’.” "Por favor, Sr. Cavendish, me faça gozar.” Ele beliscou meu mamilo duro, da mesma forma como estava me acariciando naquele lugar de forma intensa. Gozei em segundos, antes mesmo de realmente saber o que estava acontecendo. Eu não sabia que um orgasmo podia ser assim, irrompendo tão abruptamente. Ou tão poderosamente. Eu senti como se pudesse me perder por um momento. Nós dois estávamos muito ofegantes quando voltei a mim. Ele viu o meu olhar no espelho, quando tirou os dedos de dentro de mim. Eu assistia a tudo absolutamente fascinada, enquanto ele levava os dedos à boca e os lambia para limpá-los. Quando ele terminou, segurou o meu queixo e virou minha cabeça para a sua para um beijo profundo. "Você é a porra de coisa mais perfeita que eu já vi na minha vida", ele murmurou contra a minha boca. Tentei falar, apesar da forte excitação. Ele segurou a minha mão, sabendo onde ela estava indo. "Não há tempo. Vá se vestir". Ele parecia quase com raiva agora. Ele estava, aparentemente, frustrado e mal-humorado por conta disso. Eu me vesti em tempo recorde e pus meu uniforme meio masculino, com gravatinha e tudo o mais. James ficou me olhando o tempo todo, sem me dar um segundo de privacidade. Eu estava com muita pressa para me preocupar com aquilo. "Esse é o uniforme de atendente de voo mais sexy que já vi. Isso deveria ser proibido. Vou fazer algumas coisas proibidas com você com aquela pequena gravata provocante", ele disse, em tom sério. Eu apenas ri. "Eu posso arrumar o meu cabelo e fazer a maquiagem na van. Stephan vai me ajudar”. Passei a língua no meu lábio inferior e acenei para ele, que estava excitado. Eu ainda tenho dez minutos. Há algo que eu possa fazer por você? Eu não gosto de me sentir como se o tivesse deixado insatisfeito.” Ele sorriu para mim e fiquei meio frustrada. "Você é tão perfeita. Mas isso não vai acontecer esta manhã. Eu não vou gozar de novo até que eu possa me enterrar dentro de você. De preferência por dias.” Dei um passo para mais perto dele, lambendo meus lábios novamente. Impulsivamente, me ajoelhei na frente dele.


"Você pode se enterrar em qualquer outro lugar", eu disse, com a voz ofegante. Meu rosto pairava a poucos centímetros do seu sexo, mas apesar do meu desejo de tocá-lo, apenas fiquei olhando o seu corpo. Ele agarrou meu cabelo, com certa força. "Você já fez isso antes?", ele perguntou, com a voz trêmula. Eu balancei a cabeça, em sinal negativo, lambendo meus lábios novamente. "Como eu disse, eu não namoro. Eu não faço nenhuma dessas coisas. Eu não sei o que deu em mim, mas você deveria aceitar a minha oferta antes que eu mude de ideia.” Ele desabotoou a calça e sua excitação era tamanha que eu pisquei ao vê-la. Ele estava... espetacular. E bem ali na minha cara. Não foi nada difícil levá-lo à minha boca e começar a chupá-lo avidamente. Muito pelo contrário. Eu nunca quis tanto algo na minha vida. Embora não coubesse tudo na minha boca. "Use as mãos na base", ele me disse. Ele usou as próprias mãos para me mostrar. E usou a umidade que minha boca espalhou pelo seu membro para lubrificar minhas mãos. Ele mostrou como fazer os movimentos de repetição na base. "Mais forte", ordenou. "Use os lábios e chupe mais forte", ele suspirou. "Sim, isso é perfeito, Bianca.” "Estou quase lá", ele disse várias vezes. Suas mãos agarraram o meu cabelo com força. "Se você não quiser que eu goze na sua boca, pode tirá-la agora". Sua voz era absolutamente crua e necessitada, e eu adorei. Eu poderia ficar viciada nessa sensação. Nesse ato. Em vez de puxar para trás, eu chupava mais forte, engolindo instintivamente quando a essência calorosa foi atirada contra a minha garganta. Ele me puxou e me beijou. Suas mãos eram agressivas no meu cabelo, quase ao ponto de doer, mas naquele momento eu adorei. Ele finalmente me soltou, olhando para o relógio. "Você está atrasada. Falaremos mais tarde. Eu não quero que você fique em apuros. Eu vi quão importante é a sua ética de trabalho para você.” Eu apenas assenti, no meu modo meio acelerado. Peguei minhas malas e meu copo de café meio vazio e fui saindo, sem dizer adeus. Francamente, eu não sabia o que dizer. Eu nunca tinha tido esse tipo de intimidade na vida e nunca tinha concordado em dar ao Sr. Belo o meu número de telefone. Era como se eu não fosse mais a mesma, a partir do momento em que entrei na sua órbita. Ele apenas assumiu o controle. E, até agora, eu estava cedendo. Quando ele me tocou, perdi todo o controle e ele captou isso. E eu me senti tão bem que me deixei levar. Na verdade, me senti ótima. Era tão perfeito para mim que eu nem sabia como resistir.


8 Sr. Caçador

S

enti um alívio enorme quando desci para o saguão cinco minutos atrasada e vi que Stephan e eu éramos os únicos membros da tripulação que tinham aparecido até agora.

Eu nunca tinha chegado atrasada, nem mesmo cinco minutos de atraso, mas isso não me prejudicaria nesse momento. Se vamos ter um atraso da tripulação não seria por minha causa, visto que fui a segunda pessoa a se apresentar. Stephan me deu um sorriso hesitante quando me viu. "Bom dia, Florzinha Selvagem.” "Bom dia. Como foi o resto da noite?", perguntei, esperando que tivesse terminado bem para ele também. Ele sorriu. "Foi muito bom. Fomos para a casa de Melvin e conversamos por horas. Estamos indo devagar, mas nos entendemos agora.” Eu sorri de volta. "Isso é incrível. Acho que vamos nos ligar a Nova Iorque por um tempo, né?" Ele suspirou. "Tomara que sim. E como foi com o Sr. Belo?", ele me perguntou sorrindo. "Você está parecendo muito mais alegre e animada esta manhã do que eu poderia supor, considerando-se a condição em que estava quando deixou o bar. Espero que ele tenha mantido sua promessa de ser um perfeito cavalheiro na noite passada". Ele fez questão de enfatizar a pergunta. Eu balancei a cabeça em sinal de concordância. "Sim, ele foi um perfeito cavalheiro na noite passada. Foi até muito doce, na verdade. Até limpou a minha maquiagem. E ele me trouxe café e aspirina esta manhã." Algo chamou sua atenção atrás de mim, e eu me virei, esperando que fosse um dos membros da tripulação que chegava atrasado. Eu não poderia sequer imaginar que fosse James. Eu o tinha deixado para trás no meu quarto. Ele teria que passar pelo saguão para sair. Mas era um choque para mim vêlo tão cedo depois do que tínhamos acabado de fazer. Meus olhos foram espontaneamente até a área de seu corpo que tinha acabado de receber minha atenção especial. Deslizei a língua pelo meu lábio inferior. Seus olhos azuis estavam bastante vivos quando ele olhou para mim, caminhando em linha reta em minha direção. Ele fez um sinal de cumprimento para Stephan, com a cabeça, e eles se deram um bom dia. A mão quente de James pousou possessivamente na minha nuca. Meus olhos vagaram para o sul. Seus dedos tocaram bem forte a minha nuca e eu o encarei. "Nossa Florzinha Selvagem é difícil de ser controlada, Stephan", ele disse olhando para um


passageiro. Stephan riu. "É mesmo." "Muito difícil de controlar", James murmurou só para mim. Stephan ouviu e riu ainda mais. “Bem, eu não sei exatamente a razão, mas concordo com o que disse.” "Acompanhe-me até a porta, por favor?", James me perguntou, educadamente. Eu o acompanhei. Ele tirou a mão do meu pescoço assim que chegamos. "Vou amarrar você na minha cama e tocar o seu hímen. Eu não consigo pensar em outra coisa", ele disse em voz baixa. "Diga-me quando posso vê-la novamente.” Eu engoli a saliva, meio nervosa. "Não tenho certeza. Eu terei o dia de 12 horas livres amanhã. Vamos fazer uma parada na capital, Washington D.C." “Que tal hoje?” Pisquei para ele. "Estou voando de volta para Las Vegas." Ele apenas acenou com a cabeça, como se tivesse concordado, e saiu. Os outros comissários de bordo vieram em pouco tempo, começando por Brenda. Ela estava dez minutos atrasada para começar nosso trabalho. Melissa e Jake desceram alguns minutos depois. Esperamos por mais dez minutos, pois Stephan teve que ligar para a administração para checar alguns detalhes sobre o voo. "Oi! Eu quero apenas checar se esta manhã nós e os pilotos vamos pegar o mesmo transporte aqui do aeroporto", ele falou ao celular. "Ok, muito obrigado.” Os pilotos apareceram meio desgrenhados assim que ele desligou o telefone. Nós já despachamos as nossas malas. Fizemos isso enquanto os pilotos despachavam as suas. Saímos apressados pelo aeroporto, pois a tripulação inteira batalhava para evitar um atraso. Stephan tinha feito uma trança elegante no meu cabelo, enquanto estávamos na van, e apliquei uma quantidade mínima de maquiagem com um tom meio avermelhado. Não tinha como me maquiar, pois o louco do motorista ficava dançando na pista, enquanto desviava dos demais veículos. Mesmo depois de anos e anos de escalas em Nova Iorque, eu ainda tinha que me acostumar com aquela loucura que os nova-iorquinos chamavam “dirigir.” Chegamos ao portão em tempo recorde e uma agente irritante nos deixou na passarela. Ela era gorda, de meia-idade e meio nervosa. "Vocês estão no limite do tempo", ela nos repreendeu. "Se esse voo atrasar, vou registrar que a culpa é da tripulação." Stephan deu-lhe seu sorriso mais encantador. "Querida, não vamos nos atrasar. Pode solicitar que embarquem quando você quiser. Nós temos a equipe de nível “A” trabalhando hoje. Nós não precisamos de qualquer tempo de preparação."


Ela sorriu de volta, imediatamente aliviada pela sua atitude. "Isso é o que eu gosto de ouvir. Algumas tripulações de voo precisam de 30 minutos.” Stephan deu ao capitão um olhar cúmplice. "Bem, não somos uma equipe “A”, Capitão?", instigandoo a comentar. Alguns pilotos levam uma eternidade para se preparar também. O Capitão Peter consentiu com a cabeça, sorrindo. "Como ele disse, estamos hoje com nossa equipe “A”, portanto, pode liberar o embarque.” Era um jogo ligeiro. Se tivéssemos o azar de ter quaisquer problemas mecânicos, teríamos um avião cheio de passageiros durante o atraso. Mas nós estávamos apostando na sorte hoje. Era isso ou um ter que fazer um relatório de atraso. "Vou começar o serviço de bebidas de embarque para ajudá-la e temos o Jake na porta para que você possa fazer a inspeção na galley. O pessoal está repondo tudo. Espero que eles nos deixem tudo o que precisamos", Stephan mergulhou no carrinho de bebidas, enquanto falava, tirando os óculos. "Você pode pegar uma bandeja de mimosa?", perguntei. Esses drinques feitos de champanhe e suco fazem o maior sucesso pela manhã, especialmente nesse voo, e nos economiza tempo, já que temos vinte e uma pessoas aqui nessa classe.” Ele concordou, tentando pegar a bandeja. Mas ele nunca conseguia encontrar qualquer coisa na galley, e não sei por que ficava tentando. Abri uma gaveta cheia de garrafas de água fria e apontei para elas. "Basta colocar aquelas do lado de fora. Vou preparar o drinque, enquanto você faz o resto." Eu já estava estalando a rolha de champanhe, quando ele entrou de novo na cabine. Ia ser uma manhã agitada. Era o que parecia. Eu gostava, apesar de tudo. Ficar ocupada não era uma coisa ruim, a menos que eu estivesse preocupada. Eu tinha uma bandeja de mimosas à espera quando ele retornou alguns minutos depois. E ele saiu, imediatamente, da galley. Eu tinha calculado o número de bebidas de que íamos precisar. Comecei a contar as refeições e a preparar os menus. Entreguei os menus a Stephan e ele me entregou uma lista de pedidos de bebidas. Não tinha ficado um copo sobre a bandeja. "Acho que seria bom distribuir as bebidas depois dos menus", eu disse. "Devo preparar outra bandeja de mimosa?" "Não, você fez a quantidade perfeita. E você tem uma surpresa na classe executiva, Florzinha Selvagem". Ele sorriu para mim quando corria de volta para a cabine. Eu nem estava ouvindo direito o que ele falava, porque preparava as bebidas o mais rápido possível. Serviço de embarque pode ser complicado quando corremos contra o relógio. Eu saí caminhando rápido para entregar a primeira rodada de bebidas. Estava entregando os pedidos começando pela parte de trás, porque foi assim que Stephan tinha pedido. Deve ter seguido a ordem de embarque. Os agentes dos portões de embarque às vezes gostavam de misturar o pessoal, embora só Deus saiba o porquê.


Eu despachei as bebidas rapidamente. Havia alguns nova-iorquinos muito barulhentos na frente hoje. Eu apenas sorri para eles. Alguns homens quase brigaram enquanto falavam sobre o time de futebol. Eu contei cinco deles juntos, que poderiam se tornar um possível problema ou talvez precisassem apenas de que alguém lhes pedisse para baixar a voz. Eles se calaram de repente quando me notaram. "Ei, docinho. Você é um colírio para os olhos”, o mais barulhento me disse, finalmente, depois que todos me encararam rudemente enquanto eu lhes entregava as bebidas. Olhei para ele e sorri amigavelmente. E de forma neutra. Ele talvez tivesse quarenta e tantos anos, os cabelos escuros e a pele morena. Ele parecia um morador de Nova Iorque da cabeça aos pés. "Tenha um bom dia", eu disse, voltando para a galley para a próxima rodada. Eu só tinha mais algumas bebidas para fazer depois disso. As águas e as mimosas tinham sido o suficiente para a maioria deles. Entreguei a próxima rodada, bem menor do que a anterior, coletando já os copos vazios em minha bandeja quando passei novamente. Comecei pela parte da frente, coletando jaquetas e me certificando de que ninguém precisava de nada. Eu congelei e meu coração disparou por um instante quando vi o homem ocupando a classe executiva. Fiquei surpresa que não tivesse notado antes que ele estava ali. Parecia que meu corpo inteiro tinha percebido sua presença, pela forma como reagiu instantaneamente. Eu me recuperei mais rapidamente ao vê-lo desta vez, ao contrário da última vez que ele tinha estado naquele lugar. Eu esperava que isso significasse que eu estava me acostumando com sua presença. Ele não pode continuar me afetando dessa maneira toda vez que eu vê-lo, disse a mim mesma. Eu sabia que era apenas uma ilusão. "O senhor precisa de mais alguma coisa, Sr. Cavendish?", perguntei friamente. Ele já tinha pegado uma das garrafas de água que Stephan tinha entregado. Parecia que ele só bebia água. "Posso pendurar seu paletó?" Seu rosto estava tenso, mas ele ficou em silêncio enquanto se levantava para tirá-lo. O assento ao lado dele era o único vago na primeira classe e imaginei que ele o tivesse comprado para ter mais privacidade. Lembrei-me de tê-lo ouvido falar com o Diretor Executivo no voo fretado onde o conheci que ele não costumava pegar voos comerciais. Por que ele teria pegado, então? Ele tinha um jato particular. Por que ele de repente começou a viajar conosco com tanta frequência? Suponho que o mais provável era porque ele estava querendo nos apoiar financeiramente de alguma forma. Quando endireitou o corpo no corredor, ele ficou a apenas alguns centímetros de mim. Eu respirei fundo, sentindo o seu cheiro. Era um cheiro maravilhoso, com apenas um toque de colônia picante sobre o seu próprio perfume natural. "Por que você não me disse que ia tomar esse voo?", perguntei baixinho, enquanto pegava o seu


paletó. "Foi uma decisão de última hora. Eu não sabia até esta manhã que eu teria assuntos urgentes em Las Vegas, que precisavam de mim hoje", ele respondeu, com voz suave, mas o rosto ainda duro e tenso. Eu procurei seu rosto rapidamente, mas tive que seguir em frente. Simplesmente não tinha dado tempo, até então, de descobrir o que o Sr. Belo pretendia fazer. Eu mal tive tempo de recolher os copos e organizar a galley e já iniciei a demonstração de segurança. Intencionalmente, evitei olhar para James e mantive minha compostura habitual. O grupo de nova-iorquinos fez alguns comentários atrevidos sobre mim em voz alta o suficiente para que eu pudesse ouvir quando passava próximo, enquanto checava se todos usavam o cinto de segurança. Ignorei-os facilmente. Não era nada incomum. Na verdade, era algo normal nesse voo particular. Era sábado de manhã e, geralmente, havia no avião um grupo de homens da velha escola de Nova Iorque. Eles iam para Las Vegas, tinham conseguido pagar pela mudança para a primeira classe e estavam curtindo. Eles eram antipáticos e rudes, mas essa também era uma característica comum dos voos no aeroporto JFK. Parei brevemente para olhar para James. Seus punhos estavam cerrados, o rosto duro inclinado em direção à pequena janela. Ele parecia muito irritadiço. "Posso ajudá-lo, Sr. Cavendish?", perguntei-lhe em voz baixa. Eu não podia imaginar o que o teria deixado tão agitado. Ele balançou a cabeça em sinal negativo. Mas logo se contradisse: "Diga a Stephan que quero falar com ele assim que estiver disponível", ele falou brevemente. "Tá boooom", eu disse, ainda confusa, e segui em frente.


9 Sr. Irritado

"Oque foi aquilo?", perguntei a Stephan, quando ele se sentou no nosso assento extra e começou a pôr o cinto de segurança. Ao se sentar, houve uma intensa troca de olhares entre ele e James. Stephan apenas balançou a cabeça, olhando para fora da janela. Eu dei uma cotovelada nas suas costelas. "Ai”, ele disse, lançando-me um olhar surpreso. "O que deu em você?" Meus olhos se arregalaram de incredulidade. "Eu? E você? Como é que o Sr. Belo lá longe achou você aqui nesse canto tão rápido? Você deveria ter me ajudado com aqueles caras. Ao invés disso, foi ajudá-lo. E agora você não quer falar sobre o que conversou com ele." Ele suspirou. "Foi sobre essa multidão agitada nas fileiras cinco e seis. Eles estão falando sem parar sobre você, o que está incomodando James. Eu preciso ter uma conversa com eles assim que alcançarmos dez mil pés de altura." Ele sorriu de repente. "Ou então acho que o Sr. Belo vai começar a dar socos." Revirei os olhos, lançando um olhar exasperado para James, que ficava bem na minha direção. Ele ainda estava olhando para a janela e os punhos estavam cerrados. Ele parecia ainda mais agitado agora. "Isso se trata apenas da curtição usual de um grupo de “velhos garotos de Vegas”", eu disse a Stephan. "O mesmo tipo de multidão que vemos quase toda semana. Eles têm sido fáceis de serem ignorados até agora. Não me irritam." Agora foi a vez de Stephan olhar irritado. "Acho que você não ouviu as coisas horríveis que eles estão dizendo. James me contou e não é nada bonito. Eles estão sendo particularmente atrevidos e usando um monte de palavrões em voz alta o suficiente para perturbar os demais na cabine. Eu preciso falar com eles. É melhor cortar o mal pela raiz. E olhe para James. Ele está seriamente agitado. Melhor nos livrarmos de alguns poucos babacas do que arranjarmos um problema maior para todos nós.” Eu olhei para James. Observei-o com atenção. Sua agitação parecia estar crescendo a cada segundo. Seus olhos soltavam faíscas de raiva e se moveram rápidos na nossa direção. As mãos foram em direção ao cinto de segurança, como se estivesse se preparando para se levantar. "Ah, merda", Stephan murmurou, com a voz trêmula.


James parecia estar sob controle, deixando de lado cuidadosamente o cinto de segurança, abrindo e fechando as mãos. Ele fechou os olhos, os lábios se movendo. "Ele está contando até dez", eu disse bruscamente. "Você pode ouvir o que eles estão dizendo que o tenha deixado tão irritado? Eu não consigo ouvir nada." "Eu posso ouvir as vozes, mas não consigo entender o que eles estão dizendo”, disse Stephan, observando James cuidadosamente. Stephan ficou tenso. Eu sabia que ele detestava brigar mais do que qualquer outra coisa no mundo. Eu já o tinha visto discutir várias vezes, embora tenha sido há muito anos. Ele era excepcionalmente bom nisso. O que fosse que acontecesse, ele seria capaz de lidar com a situação, eu sabia. Mas ele odiava ter que fazer isso. Ele abominava qualquer tipo de violência. James abriu os olhos de repente, parecendo mais furioso do que nunca. Aparentemente, contar até dez não funcionou. Ele pegou novamente o cinto de segurança e assisti com horror quando ele saiu de seu assento, caminhando para os desordeiros com violência e com passos rápidos. "Merda", Stephan amaldiçoou. "Fique aqui. Por favor", ele suplicou, indo atrás de James como um corisco. Foi um momento de tensão. James estava inclinando-se para falar com o homem que tinha se dirigido a mim mais cedo, e eu não podia ver seu rosto nem ouvir o que estava dizendo. Stephan estava apontando para um dos outros homens e sua voz se levantou, embora eu não conseguisse distinguir as palavras por causa do motor do avião e pela distância. Fiquei surpresa que Stephan nem sequer olhou para James e nem pediu que ele voltasse para o seu assento. Merda, eu pensei. Isso provavelmente significa que ele também estava com os nervos à flor da pele. Aconteceria realmente uma briga se Stephan começasse a dar socos. Eu vi o homem que Stephan estava repreendendo e ele parecia ter cedido. Mas a fúria de Stephan não parecia ter sido aplacada. Ele se virou para o homem com que James falava. Presumi que ele ainda estivesse falando com o tal passageiro, embora eu não pudesse ouvi-los. James estava falando em voz baixa, enquanto Stephan falava cada vez mais alto. "Ouçam bem: mais uma palavra de qualquer um de vocês e vamos mudar a rota do avião e a polícia estará esperando por vocês na saída da aeronave". Dito isso, Stephan voltou para o assento do meu lado. Ele nem se preocupou em fazer James retomar o seu lugar. Depois de alguns minutos de tensão, James endireitou o corpo, caminhando de volta ao seu assento, com ar ainda carregado. Ele não olhou para mim, apenas sentou-se, apertou o cinto e fechou os olhos. Senti um alívio tão grande que até senti vergonha. Ver que ele, embora quisesse bater em alguém, se conteve, era algo que me agradava. Qualquer outra coisa que eu viesse a descobrir sobre sua vida, pelo menos já sabia que ele poderia praticar o autocontrole. Violência descontrolada e agressão foram dois monstros na minha infância e me senti aliviada ao ver que não as encontro em James. Não da maneira que eu temia. Na verdade, da maneira que sempre temi, apesar da passagem do tempo e da terapia.


"O que aconteceu? O que eles estavam dizendo que implicaria a aplicação da lei?", perguntei a Stephan. Ele apenas moveu a cabeça. "Eu conto para você mais tarde. Por favor, me dê um minuto para me recompor". Sua voz era a de quem implorava, por isso interrompi o assunto. Se ele me disse que me contaria mais tarde, sei que o faria. Logo ouvi o sinal duplo de que estávamos a dez mil pés de altura. Iniciei minha rotina habitual, preparando minha galley para o nosso serviço de café da manhã. Eu gostava da rotina, aliás, como gostava de rotinas em geral. Elas têm um efeito calmante, de certa forma. O caos da minha adolescência me fez ansiar por estabilidade na minha vida adulta. A minha vida, mesmo com todas as viagens, tinha um cronograma e uma rotina de que eu gostava. O serviço de café da manhã nesse voo de Nova Iorque fazia parte disso no sábado. Nossa companhia se orgulhava de seu serviço de primeira classe, por isso o nosso serviço de café da manhã era completo. Estaríamos ocupados até o pouso. Com a primeira classe lotada, Stephan ficou na frente para me ajudar. Eu fiquei na galley e ele foi servir os passageiros. Isso me agradou, especialmente hoje, com um James instável e com alguns homens aparentemente degenerados na cabine. Stephan e eu nem sequer conversamos durante a primeira hora em que trabalhamos. Ele estava preocupado e nos comunicamos bem sem precisar falar nada. Nós trabalhamos juntos sem esforço, depois de todos esses anos. Ele anotava os pedidos dos passageiros e eu os preparava. Como era ele quem servia, trabalhei na próxima etapa. Fomos rápidos e eficazes, mesmo sem falar. Eu adoro essa parte do trabalho. Eu não tinha certeza do porquê. A sensação de estar ocupada no ar, a rotina familiar na galley, fazendo com que todos se sentissem como se tivessem recebido um serviço exclusivo, e que tínhamos feito um bom trabalho. Eu acho que passei uma grande parte da minha vida me sentindo inútil e perdida, e esse trabalho, de certa forma, me fez sentir como se eu tivesse algum valor. Quando pensei nisso dessa forma, me senti meio patética, mas isso não torna o meu sentimento menos verdadeiro. Observei tudo o que servimos para James, é claro. Bebeu água com exclusividade, que eu vi. Sem gelo, apenas a garrafa e um copo. Comecei a colocar uma fatia de limão no copo, e ele não reclamou, então continuei a fazê-lo. Para o café da manhã, ele pediu a única coisa saudável que servimos no primeiro voo do dia. Foi iogurte grego com mirtilos frescos e nozes cruas. Eu não fiquei surpresa ao ver que ele foi o único a pedir isso. Quase ninguém aceita quando oferecemos e, sendo assim, eu e Stephan tomamos o iogurte nós mesmos. Eu poderia supor, pelo que vi de seu corpo, que ele é saudável, mas essa opção alimentar me deu certeza disso. Como eu poderia me sentir confortável em ficar nua com alguém com aquela aparência, alguém que tinha um corpo perfeito, se eu não pudesse estar em forma? Eu não sabia como. Tentei ficar em forma, mas às vezes eu comia besteiras e certamente não fazia atividade física tão frequentemente quanto poderia.


Eu achava que as minhas coxas eram muito grandes e os meus tornozelos eram muito pequenos, como palitos. Os meus braços eram finos, mas os quadris eram um pouco largos e os ombros eram também largos, segundo o meu senso crítico. Como toda mulher, eu tinha problemas com o corpo. Será que James iria notá-los quando eu estivesse nua? Tentei não pensar nisso, mas não adiantou. Fiquei aliviada ao ver que estávamos muito ocupados para eu pensar no assunto. Passaríamos duas horas e meia no avião antes que Stephan pudesse fazer o caminho de volta para checar a cabine principal. "Estarei de volta em poucos minutos. Brenda está assando os biscoitos agora. Vou trazer alguns de volta para adicionar ao serviço de queijos", Stephan me disse, assim que desligou o telefone do avião. Eu balancei a cabeça, distraída. Eu estava preparando o nosso carrinho de três prateleiras para o serviço de queijo. Não havia nada em que ele pudesse me ajudar com a primeira classe por pelo menos dez minutos, por isso seria tempo suficiente. Eu ouvi a porta do banheiro se abrir do outro lado da cortina e movi o carrinho para me certificar de que o passageiro poderia voltar ao seu assento antes de eu mudar de posição. Fiquei espantada quando James entrou na galley fechada. Ele parecia muito mais calmo do que antes. Sorri para ele discretamente. "Olá", eu disse, observando-o cuidadosamente e tentando ler seu humor. Ele me deu um breve sorriso de volta. Ele moveu o carrinho para mim, ao ver que eu estava tendo que empurrar aquele peso. Ele fez isso para bloquear o corredor completamente, fora da área com cortinas, conseguindo ficar atrás da cortina completamente. "Ah", eu disse suavemente, enquanto o observava reorganizar a galley, tentando entender o que ele pretendia. Ele estava organizando um momento de privacidade para... alguma coisa. Eu apenas olhava o que ele fazia, hipnotizada. Ele colocou o freio no carrinho com facilidade, usando a ponta do sapato, como se fizesse isso todos os dias. Ele respirou fundo, ficando de costas para mim por um longo momento. De repente, ele virou o corpo e caminhou na minha direção. Agarrou minha trança, puxando minha cabeça para trás. Ele me beijou e era um beijo quente, raivoso e faminto. Sem que pudesse me controlar, me derreti em um instante, aproximando o meu corpo do dele o máximo possível. Ele me apoiou contra o balcão, me pondo em cima do único espaço vazio disponível, que era minúsculo. Eu mal cabia. Ele não parava de me beijar. Eu murmurei em protesto quando senti seus dedos avançando sob minha saia. Minhas coxas ficaram desnudas num segundo e puxei a saia de volta, ofegante. "O que você está fazendo?", perguntei meio em pânico diante de sua atitude. "Shh", ele me disse, e começou a me beijar de novo, com as mãos ainda empurrando minha saia para


cima, impacientemente. "Eu preciso fazer isso." Aquilo não me tranquilizou, mas ele parou abruptamente quando suas mãos tinham empurrado minha saia para cima o suficiente para descobrir minhas ligas e a parte de cima das minhas meias. Ele empurrou a saia mais para cima de forma meio violenta. Ele amaldiçoou quando viu a minha tanga verde rendada. "Esse é o mesmo tipo de calcinha que você estava usando na noite passada, não é? Mas aquela era azul." Eu confirmei, sentindo-me um pouco desorientada. "Elas são as calcinhas mais confortáveis que já usei na vida. Eu não posso usar qualquer outra coisa, desde que as descobri." "Porra, eu adoro isso", ele me disse, e eu sorri. Então, ele me surpreendeu novamente ajoelhando-se na minha frente em um movimento fluido. Ele me entregou um pano. Um lenço antigo. "Ponha isso na boca e morda. Tente não fazer muito barulho”. Eu obedeci sem hesitar, meu corpo inteiro vibrando diante da expectativa do que ele iria fazer. "Segure o meu cabelo", ele me disse. Minhas mãos o agarraram firmemente. Eram perfeitos, logicamente, macios como a seda, suaves e espessos. Eu vi todos os diferentes tons de castanho-claro e loiro-escuro, evidenciados pela luz do sol brilhando através da pequena janela na porta do avião à nossa esquerda. Pessoas pagam uma fortuna para fazerem luzes que nem chegam aos pés daquela cor dourada. Minha mente ficou em branco e a cabeça de repente pendia para trás. Ele empurrou minha calcinha para o lado e enterrou seu rosto contra mim. Eu estava perdida por um momento, diante daquela sensação chocante de sua língua lambendo o meu núcleo, com um propósito único. Seus dedos magistrais eram empurrados para dentro de mim, um deles acariciando apenas o local perfeito. Eu soluçava e mordia o pano que estava mordendo, não exatamente abafando o barulho estridente. De forma meio apressada, sua língua passou para o meu clitóris. Ele o sugou com força e eu gozei. Eu não tinha ideia de que poderia acontecer tão rápido, mesmo com aquele episódio que aconteceu entre nós mais cedo no banheiro do hotel. Ele continuou a me tocar, mesmo quando os fortes tremores começaram a diminuir. Eu o senti tirando sua cabeça e olhei para baixo para vê-lo. Ele apoiou o queixo sobre o material da minha saia, logo acima da minha pélvis. "Mais um", ele pediu, e voltou aos seus esmerados serviços. Eu gritei sob o pano quando gozei daquela vez, surpreendida por esse orgasmo como fui pelo anterior. Foi ainda mais rápido, como se a língua dele tivesse acabado de encontrar e disparar o meu botão do orgasmo. Ou, talvez, o primeiro tenha me preparado para os demais. Eu não tinha experiência o suficiente para saber com certeza. Eu não sabia que meu corpo podia ser tocado como um instrumento, até James pôr suas mãos em mim. Ele me lambeu mais algumas vezes depois que meus tremores diminuíram.


"Eu poderia comê-la todos os dias", ele me disse, enquanto se levantava. Ele tirou o lenço da minha boca, empurrando-o entre as minhas coxas para absorver o excesso de umidade. "Eu amo ver como você está molhada", ele murmurou, abaixando-se para me beijar. Sua língua entrou na minha boca com força, me absorvendo, e eu estava um pouco escandalizada ao perceber que estava me permitindo ser explorada de uma forma que nunca tinha imaginado. Eu chupava sua língua e ele gemia. Eu sabia que ele definitivamente gostava disso e eu chupava mais forte. Ele não me beijou por muito tempo, se afastando para me pôr no chão novamente. Não parecia ter que se esforçar para me levantar. Eu amei isso, amei me sentir pequena e feminina em comparação com a sua força. Ele empurrou o lenço sujo no bolso e começou a arrumar as minhas roupas com uma eficiência quase mecânica. Ele ainda estava puxando a minha saia de volta para os meus joelhos quando Stephan avançou pelo meio da cortina, olhando perplexo, e depois chocado com o que viu. Era óbvio que se James estava descendo minha saia era porque, obviamente, estávamos fazendo algo muito íntimo para a galley de uma aeronave. Os olhos estupefatos de Stephan me olharam. Ele corou como eu nunca tinha visto. "Que barulho foi esse? Esse grito abafado?", ele perguntou lentamente. Eu fiquei tão corada como ele, mas assenti. Não adiantava negar. Stephan ainda estava com o rosto corado quando olhou para James com ares de censura. "Sinceramente, James. Em um voo matutino? Com um grupo de pervertidos, a poucos metros de distância?" Aparentemente, Stephan estava atribuindo a responsabilidade por esse episódio embaraçoso ao Sr. Belo. James parecia um pouco envergonhado por esse julgamento. Isso fez com que ele parecesse infantil. Era difícil conciliar aquela reação ao James que eu conhecia. Eu olhei para os dois, sem saber o que dizer. Eu nunca vive algo que se assemelhasse àquilo. Stephan apontou na direção do assento de James. "Eu acho que você deveria se sentar agora.” James saiu sem pronunciar uma palavra sequer ou olhar para o lado.


10 Sr. Excêntrico

O

tempo restante de voo passou para mim meio indiferente. Fizemos o serviço de vinho e queijos, e eu, deliberadamente, me abstive de manter qualquer tipo de contato, sabendo que ficaria mortificada se eles me olhassem de forma estranha. Eu queria fingir que ninguém nos tinha ouvido na galley e que certamente não tinham tomado os ruídos pelo que eram realmente. Contanto que não olhasse para ninguém diretamente, eu poderia simplesmente continuar tentando me convencer de que esse era o caso. Evitei olhar particularmente para James enquanto o servia. Tentei manter a compostura depois de nossa cena sórdida, mas eu sabia que olhar para ele poderia desfazer tudo. Eu estava com o meu carrinho para servi-lo e tive um golpe de má sorte. Perguntei, calmamente, o que ele gostaria, sem olhar diretamente no seu rosto. Ele pediu uma fatia de queijo francês e algumas uvas. Coloquei o pequeno prato na sua mesinha, que servia de bandeja, e deparei com o seu olhar me encarando por um longo período. Eu me dei conta de várias coisas de uma só vez. Ele arregaçou as mangas de sua camisa, revelando antebraços bronzeados e os punhos se destacavam em pose relaxada e pretensiosa. Com a luz do sol entrando pela janela, eu podia ver linhas brancas e tênues desenhando cicatrizes finas em torno de seus pulsos. Fiquei instantaneamente curiosa quanto àquelas marcas, mas elas não foram o que me chamou muito a atenção à primeira vista. Ele tinha tirado a gravata, deixando sua garganta bronzeada, e um pouquinho de seu peito, visíveis. A visão de sua pele dourada suave instigou os meus instintos selvagens. Eu me sentia privada daquilo, especialmente considerando o pouco que eu tinha visto depois de tudo o que tínhamos feito juntos. A visão dele assim era incrivelmente sexy, parecendo-me quase íntimo demais para o vestuário de uma viagem de avião. Esse meu pensamento foi ridículo, claro. Não havia regras especiais que o impedissem de mostrar sua pele em público, apenas porque era muito mais fino do que todas as demais pessoas. Sim, a imagem dele me deixou excitada num instante. Mas não foi isso que interrompeu o meu movimento. Foi o objeto que ele trazia na mão. A mão direita estava sobre o joelho, ao lado de sua mesa vazia, a que funcionava como bandeja. Mas a mão esquerda estava sobre a mesa, como a exibir o objeto que segurava em sua mão como um troféu.


Era o lenço que ele tinha usado em mim na galley. Sua mão se movia sobre o lenço, como se isso o relaxasse. Tirei os olhos dele e não olhei mais para trás. O pensamento que me ocorreu muito claramente era que ele estava incrivelmente fora do meu alcance. Ele era muito experiente. E rico. E perverso. E eu estava tão próxima de ser o oposto disso tudo. O pensamento era preocupante. Não sei em que momento dessa história eu tinha decidido que iria fazer sexo com ele. Mas eu tive de lembrar que não iria muito longe. Ele, obviamente, gostou da perseguição. Eu daria para ele. Ele iria me foder por alguns dias memoráveis, se eu tivesse sorte, e depois iríamos nos separar. Eu certamente não quereria mais nada. Relacionamentos me aterrorizavam. Então, que melhor candidato eu poderia escolher para me livrar da minha virgindade? Aos vinte e três, isso era um fardo. Eu apenas não me preocupei em tentar nada antes porque ninguém tinha me interessado o suficiente para que eu arriscasse superar alguns dos meus problemas emocionais. A masturbação e algumas pornografias sórdidas on-line tinham aplacado impulsos raros que eu tinha. E eu certamente nunca tinha sentido esse tipo atração que me consome. É isso que eu quero. Quero fazer sexo com ele. Gostaria de satisfazer a minha curiosidade e voltar a ter minha vida normal. Consegui não olhar para James até nos sentarmos para o pouso. Ele sorriu quando finalmente olhei em sua direção. Era um sorriso íntimo, ao contrário de qualquer outro que eu já tivesse recebido no final do meu trabalho. Eu não sentia vontade de sorrir de volta, ou de fazer qualquer coisa que não fosse olhar para ele em silêncio, tentando não ver a coisa que ele ainda segurava na mão. Eu não pude sufocar o gemido quando ele levou o lenço ao nariz, cheirando-o profundamente, fechando os olhos como se estivesse saboreando aquele momento. "Que diabos é isso?", Stephan murmurou ao meu lado. Eu não respondi e nem tenho certeza se a pergunta foi dirigida a mim ou a James. Olhei pela janela às pressas, corando da cabeça aos pés. Sim, pensei comigo mesma, um pouco atordoada. Ele é um mundo fora do meu alcance, mas vou experimentar isso de qualquer maneira. De alguma forma, durante o voo eu tinha conseguido esquecer sobre a briga que quase aconteceu por minha causa. O anúncio feito por Stephan quando o avião era manobrado na direção do nosso portão foi que me fez lembrar do acontecimento tenso. "Senhoras e senhores, permaneçam sentados quando chegarmos ao portão de desembarque. Nosso avião será recebido por policiais, por isso precisamos que todos sejam pacientes por apenas alguns minutos. Eu avisarei quando for o momento de desembarcar. Mais uma vez, por favor, fiquem em seus lugares quando chegarmos ao portão." Ô, merda, pensei meio atordoada.


Arregalei os olhos para Stephan. "O que eles fizeram para obter o tratamento real?", perguntei. Parecia um pouco exagerado chamar os policiais por conta do que eu tinha realmente ouvido. Ele balançou a cabeça. "Eu vou explicar tudo mais tarde. James e eu teremos que falar com a polícia para o relatório e talvez alguém mais na primeira classe que vá admitir que ouviu alguma coisa. A papelada do voo também vai ser algo complicado. Mas as coisas que eles estavam dizendo são absurdas e acho que é necessário apresentar um relatório sobre a situação, caso eles realmente façam o que estavam falando. Foram algumas coisas particularmente idiotas, mas eu não me sentiria bem se não fizesse nada para desencorajá-los a agirem assim de uma próxima vez. E, na pior das hipóteses, se eles realmente fizerem algo deplorável a uma pobre menina, esse incidente poderia ajudar a processá-los mais tarde." Eu penas olhava para ele. Eu estava completamente por fora. "Você vaaaai ter que me dizer que tudo aconteceu lá." Ele concordou com a cabeça. "Sim, eu vou. Mais tarde." Foi um desembarque sem dramas, apesar do ocorrido. Stephan falou com a polícia, enquanto eu respondia aos botões que começaram a piscar alguns segundos antes de chegarmos ao portão. Após uma conversa breve, os homens foram escoltados para fora, parecendo cooperar serenamente com os dois policiais que os conduziam. James seguiu imediatamente atrás deles. Para dar a sua versão da história, eu presumi. O casal sentado diretamente atrás dele os seguiu também, bem como os dois homens que estavam do outro lado do corredor do primeiro casal que partiu. Pela mesma razão, suponho. Fiquei parada na galley da parte de trás quando os passageiros foram autorizados a desembarcar poucos segundos depois. Brenda e Melissa, que usaram os assentos da galley traseira me bombardearam com perguntas, enquanto eu esperava, impacientemente, os passageiros descerem. "O que aconteceu lá em cima?", Brenda me perguntou, com os olhos arregalados. "Era o James Cavendish que eu vi seguindo a polícia junto com aqueles homens?", perguntou Melissa, com uma expressão quase predatória. Ela tinha aquele olhar picante de quando estava entusiasmada por algum cara. Eu já tinha visto isso nos olhos dela com muita frequência, considerando o pouco tempo que a conhecia. Então, ela descobriu que nome dele, pensei, um pouco inquieta. Ela, provavelmente, sabia mais sobre ele do que eu até agora . Eu, deliberadamente, evito a rede social e nem sequer possuo televisão. Eu só sabia que ele vinha de uma família rica, dona de uma enorme cadeia de hotéis em todo o mundo. Eu nunca tinha sequer procurado pelo nome dele na internet para descobrir qualquer coisa. Eu estava adivinhando agora que Melissa não poderia dizer o mesmo. "Sim, era ele", eu respondi à pergunta dela primeiro, curiosa para ver sua reação. Ela me olhou com ar pensativo. "Eu nem sabia que ele estava nesse voo. Você tem que me chamar quando vir os ricos gostosões, Bianca. Eu pensei que nós fôssemos amigas". Sua voz era doce e parecia ofendida, uma nova afetação que lhe soava estranha.


Eu apenas olhei para ela por um longo tempo, sem saber o que dizer. "Eu sei que as duas damas não estão disponíveis, mas vou dizer isso de qualquer maneira. Eu tenho o direito de conseguir alguma coisa daquele lá". Ela riu ao dizer isso e não sei dizer se ela estava brincando. De qualquer maneira, porém, foi nesse momento que descobri que ela era louca. Eu balancei a cabeça, assustada ao sentir uma hostilidade em relação a ela, mas era algo em que eu não queria me aprofundar. "Não é assim que funciona", eu disse. Ela riu de novo. "Não interessa. Eu não estava mesmo preocupada com isso. Os homens querem o que eles querem e não posso dizer que eu seja esse tipo. Vou conseguir o número dele antes de chegarmos à companhia." Brenda e eu trocamos olhares. Brenda perguntou: "Por que os policiais foram chamados? Eu notei certa confusão quando saímos, mas não poderia dizer o que aconteceu, e não parecia ser algo que tenha acontecido após isso." Brenda parecia ter adotado a habilidade de simplesmente ignorar Melissa quando ela ficou louca. Eu imitei os seus métodos. Eu disse a elas o que sabia, deixando de fora o envolvimento específico de James. Melissa focou sua atenção no que estava acontecendo naquele momento. "Por que James foi atrás deles?" Ela estava realmente conhecendo bem ele depois de uma breve conversa? Eu estava deixando passar alguma coisa aqui? "Ele e algumas outras pessoas na primeira classe ouviram bastantes coisas que eles estavam dizendo, eu suponho." Eu fui salva de ter que responder qualquer outra coisa quando Stephan entrou na galley. Ele olhou para as outras duas mulheres. "O último passageiro desembarcou, damas. Bianca e eu precisamos conversar com a polícia e escrever os relatórios de incidentes, mas vocês podem ir, uma vez que não estavam envolvidas. Nos vemos pela manhã." Brenda sorriu, pegando suas malas e dizendo adeus antes de sair apressada. Nosso ônibus marcava o cronômetro de vinte minutos. Ela teria que descer até ele em três minutos ou esperar mais vinte minutos pelo próximo. Só me dei conta disso quando olhei para o relógio. Era um relógio de metal simples, com um rosto azul escuro. Parecia ser o pior que eu poderia usar, mas notei isso pela primeira vez. Tinha durado dois anos e parecia que eu precisava de um substituto, por todos os estragos que ele tinha. Relógios em boas condições eram, na verdade, uma exigência de trabalho para nós, por isso eu teria que trabalhar duro e ir às compras de uma só vez. Eu tinha estado com um orçamento muito apertado durante os últimos seis meses. Esta seria a primeira vez que eu iria comprar qualquer coisa além de comida. Merda. Isso me trouxe um pensamento incômodo. Eu olhei para Stephan, que estava olhando para Melissa. Eu poderia dizer que ele estava se perguntando por que ela ainda não tinha deixado o avião.


Ela apenas sorriu. "Eu vou ficar por aqui por um tempo e certificar-me de que tudo está certo”. Ela pôs o braço de um jeito estranho em volta dos meus ombros. Especialmente estranho considerandose que ela era seis centímetros mais baixa do que eu, mesmo em seus saltos altíssimos. Stephan e eu olhamos um para o outro. "Ela passou por uma provação, coitada, com aqueles homens dizendo aquelas coisas horríveis sobre ela", disse Melissa, sua voz cheia de falsa pena. Eu a ignorei, conversando com Stephan. "Eu me esqueci de pagar minhas bebidas na noite passada. Sinto muito. Quanto devo a você?" Ele tinha estado com um orçamento semelhante ao meu ultimamente e, por isso, eu sabia que não podia se dar o luxo de pagar drinques para mim. Nós dois economizamos dinheiro nos últimos quatro anos, fruto de horas extras. Pegamos o dinheiro da poupança e compramos duas casas quase novas, uma do lado da outra, que tinham sido postas à venda porque os donos não conseguiram pagar o financiamento. Compramos com êxito nossas pequenas casas e agora éramos proprietários orgulhosos. E vizinhos. Era algo com que sonhávamos quando éramos adolescentes sem-teto. Nós conversamos sobre isso várias vezes: que um dia não seríamos desabrigados. Ao invés disso, tínhamos prometido viver um ao lado do outro. E temos levado isso a sério. Nós tínhamos trabalhado e economizado, e o dia em que mudamos do pequeno apartamento que dividíamos para as nossas pequenas casas, uma colada na outra, foi um dos dias mais felizes da minha vida. Ele sorriu para mim. Era um sorriso presunçoso. "Você não precisa pagar. James pagou tudo naquela noite. Foi por isso que esvaziou tão rápido. Ele cobriu todas as nossas bebidas para a noite e Melvin disse que a gorjeta que ele lhe deu foi maior do que o salário dele. E tudo graças a você, Florzinha Selvagem." Olhei para ele, tonta e sem palavras, com minha cabeça zonza. "Por que graças a ela?", Melissa perguntou, com sua voz aguda. “O que está acontecendo entre vocês dois? Soa quase como se você estivesse prostituindo a sua namorada." Stephan olhou para ela e seus olhos eram tão frios como eu nunca tinha visto. Eu nunca tinha visto aquele olhar gelado. Melissa levou numa boa. "Bianca é a pessoa mais importante do mundo para mim", disse Stephan friamente. "Ela é minha melhor amiga e minha única família. Ela não é, no entanto, a minha namorada. E é graças a ela sim, porque James Cavendish é louco por ela. Tão louco, na verdade, que alugou aquele bar inteiro para a noite. Tudo apenas para que ele pudesse obter o seu número de telefone e passar algum tempo com ela." Agora foi a vez de Melissa olhar atordoada, mas se recuperou quase que imediatamente. Ele olhou para mim de forma maliciosa. Ela me insultou, uma vez mais. "Eu aposto que você entendeu mal. Stephan apenas acha que você é especial porque vocês têm sido os melhores amigos até hoje". E com essa avaliação reconfortante,


ela saiu da galley. Stephan e eu olhamos um para o outro para comunicarmos o que pensávamos sobre a pequena garota ruiva interesseira. A confusão que nos esperava fora do avião foi tratada da forma mais rápida que eu teria imaginado. Eles estavam segurando os homens ruidosos em algum lugar do aeroporto, interrogando-os extensivamente. Provavelmente assustando-os ao máximo, pensei. Um policial estava à nossa espera quando saímos do avião e me entrevistou brevemente sobre o que eu tinha visto e ouvido. Meu depoimento foi sucinto. E eu tive que ouvir em primeira mão o relato de Stephan para que pudesse ter uma ideia muito clara do que tinha acontecido. Tudo tinha começado com aquela tagarelice grosseira daquele homem e Stephan tinha tomado conhecimento do resto pelo relato de James. Comentários sobre o meu corpo, coisas que eles gostariam de fazer comigo, ditos com minúcias e de forma nojenta, mas não era por essas coisas que chamariam a polícia, normalmente. Porém, em seguida, durante a decolagem, um deles começou a detalhar em voz alta sobre algumas drogas que transportava apenas para usar com mulheres como eu, e que eles iriam me seguir através do aeroporto e me comprar uma bebida. E misturar droga para que eu bebesse. Em seguida, tentariam me levar para o seu quarto de hotel. Isso encorajou os demais a dizerem o que eles fariam comigo quando eu estivesse drogada e inconsciente, e assim descobri exatamente por que a polícia tinha sido chamada. Eu duvidava que os homens fossem ser presos, a não ser que as drogas que tinham sido mencionadas estivessem realmente em uma de suas malas. Eu achei que eles, provavelmente, estavam perdendo algumas horas de seu precioso tempo de férias ao passarem por todo aquele sufoco com a polícia. Stephan terminou de contar sua versão dos fatos de forma breve, sem exageros. O policial assentiu e escreveu o que ele dizia. Assim que terminou, vi James se aproximando com outro policial. Nenhum daqueles oficiais tinham estado lá quando o avião chegou. Quantos policiais estavam envolvidos nesse fiasco?, eu me perguntava, meio perplexa. Eu endireitei o corpo quando vi que Melissa estava andando ao lado dele, tocando a parte de trás de seu braço de uma forma muito amigável, enquanto tagarelava sobre só Deus sabia o quê. Tentei ignorá-la. James olhou de forma estoica e indecifrável quando o trio se aproximou de nós. Eu notei que ele usava apenas camisa, ainda sem gravata ou paletó. "Nós deixamos o paletó dele no avião?", perguntei a Stephan. Stephan piscou. "Acho que sim", disse. "Eu vou buscá-lo", eu disse, e me virei rapidamente para fazê-lo. O avião estava deserto quando voltei e me senti aliviada ao ver que a outra equipe ainda não tinha tomado os seus lugares.


Enfiei a mão na minha bagagem para ver se conseguia encontrar uma caneta e um cartão do hotel para anotar meu nome e número de telefone, e colocar o pequeno pedaço de papel no paletó de James. Eu tinha feito tanta coisa com ele e soava ridículo negar-lhe o meu número.


11 Sr. Feiticeiro

A

mbos os oficiais estavam ausentes, mas James, Stephan e Melissa ainda estavam esperando quando eu ressurgi vindo da passarela. James e Melissa estavam conversando, mas ele olhou para cima quando me viu e me deu toda a sua atenção. Stephan estava escrevendo com veemência. Ele estava preenchendo um relatório de incidente, eu tinha certeza. Entreguei o paletó a James sem dizer uma palavra. "Eu preciso preencher algo ou posso apenas acrescentar ao seu e assinar?", perguntei a Stephan, referindo-me à papelada. "Nós podemos compartilhar", ele me disse, sem olhar para cima. "Estou quase terminando. Escrevi a maior parte dele durante o voo. Só deixei a parte final em branco porque eu não tinha certeza se esses estúpidos iriam pedir para adicionar alguma coisa." "Ok", eu disse, esperando com uma espécie de silêncio constrangedor. Mesmo Melissa não estava conversando e James apenas continuou a olhar para mim sem dizer uma palavra, como se esperasse que eu fizesse alguma coisa. Finalmente, depois de me observar em silêncio por minutos significativos, ele falou. "Posso falar com você por um minuto? Eu preciso ir em breve." Eu consenti, afastando-me das demais pessoas em silêncio. Eu meio que esperava que Melissa nos seguisse, mas ela não o fez. Apenas nos observou com um olhar estranho. "Eu tenho que trabalhar até à noite, mas quero vê-la. Vou enviar um motorista para buscá-la às seis. Dê-me o seu número e endereço." "Eu pus o meu número no bolso do seu paletó”, eu disse. "Eu irei até você. Qual é o seu endereço?" Ele parecia querer discutir, mas não acho que ele gostaria de estragar a sorte. Então, me deu seu endereço de forma meio severa. "Eu vou tentar terminar o meu trabalho mais cedo, se você quiser", ele disse, enquanto eu guardava seu endereço no GPS do meu telefone. Nada mal, pensei. Apenas vinte minutos da minha casa até lá. Era absolutamente conveniente. "Não precisa se preocupar. Estou indo para casa tirar um cochilo por duas horas e tenho algumas coisas para fazer. "Eu passei a mão sobre o meu relógio, distraída". Eu preciso substituir essa velha


coisa antes que seja proscrita por usar uma monstruosidade dessas. Acabo de me dar conta de como ele está ruim." Eu tinha esquecido com quem estava falando e fiquei corada. Eu me senti pobre o suficiente em sua presença. Eu certamente não preciso falar aos quatro cantos como sou pobre se comparada à vida dele. Sua mão se mexeu no ar, agarrando o meu pulso para olhar o meu relógio. Seus dedos circularam meu pulso como se ele os analisasse. "Você é tão delicada", ele disse em voz baixa. Eu mal o ouvi. Meus olhos estavam sobre sua clavícula bronzeada, se destacando através de sua camisa de cor clara. "Eu não sei por que isso acontece, mas o fato de ver um pedacinho que seja de sua pele em público não parece ser apropriado, a meu ver. Sua garganta parece tão desnuda”. Eu não tinha a intenção de expor o pensamento em voz alta e logo corei. Ele olhou para mim, sem levantar a cabeça, com um sorriso malicioso. "Você só pensa assim porque as coisas que deseja que eu faça não são apropriadas em público." "Eu quero ver o seu corpo", eu disse. Eu não conseguia me conter. Eu estava pensando nisso quase constantemente desde que o conheci. O sorriso dele foi interrompido, ele se endireitou, dando um passo mais para perto de mim. "Você o verá. Hoje à noite. E eu vou ver e tocar cada centímetro de você." Dei um passo para trás, tentando me livrar daquele feitiço estranho que ele parecia lançar sobre mim. Aqui não. Não agora. "Eu vou ver você hoje à noite", ele disse, caminhando de volta para Stephan. Qualquer outra coisa que seja preciso conversar, deixemos para mais tarde, sem estarmos em público e sem que você ainda esteja de uniforme. James se afastou de mim, acenando com a cabeça para os demais comissários de bordo e, em seguida, caminhou para longe em direção ao terminal. Eu acrescentei um pequeno parágrafo ao relatório, sobre o que eu tinha ouvido do depoimento de Stephan, e o assinei. Fomos para o local onde pegaríamos o ônibus que circula no aeroporto. Melissa ainda seguia atrás de nós, eu percebi, mas ninguém falou nada. Ela parecia mal-humorada e estranha, mas eu francamente não queria saber o porquê e nem me importei. Deixamos a papelada na sede da empresa, e eu e Stephan voltamos para casa. Nós revezávamos a ida de carro para o trabalho. Estávamos quase sempre de carona, o que nos permitia economizar uma grana que poderia ser usada para outras coisas, como relógios, pensei, suspirando. Eu realmente não estava com disposição para uma ida ao shopping. "Eu preciso sair para fazer algumas coisas depois de tirar um cochilo", eu disse a Stephan assim que ele parou na pista congestionada. "Ok. Eu irei com você. Eu também preciso olhar algumas coisas. Aonde iremos?"


"Eu preciso ver um relógio". Segurei o meu, bem velho, enquanto falava. O vidro estava mesmo rachado. Como eu não tinha percebido antes? Só fui ver agora? “E alguns itens para pintura. Um pouco de tinta, papel e tela." Pintura era meu passatempo favorito e eu tinha uma sala cheia delas para provar isso. Eu estava arriscando usar óleos ultimamente, mas aquarelas e acrílicos sempre foram o meu forte, e eram, na verdade, mais acessíveis. Eu precisava repor quase todos os itens que uso para pintar. "Perfeito. Eu preciso de uma armação para pôr aquela paisagem de montanha que você me deu. Vai ficar na minha sala. É o meu favorito.” Eu sorri para ele com carinho. "Você não tem que fazer isso. Eu não vou ficar triste se você não pendurá-la. Eu pinto as coisas para você porque gosto. Você não tem que decorar a casa inteira com essas pinturas chinfrins só para me alegrar." Ele olhou para mim com perplexidade. "Você acha que é por isso que decorei toda a minha casa com as suas pinturas? Para agradá-la?" Eu consenti, fazendo um movimento com os ombros. Eu não tinha estudado artes, não tinha formação nessa área, então eu sempre perguntava às pessoas se os elogios eram sinceros. Stephan não merecia que eu duvidasse dele, logicamente. "Eu amo suas pinturas, Bianca. Toda vez que olho para cada uma delas dispostas na minha casa, sinto alegria. Elas ajudam a tornar a minha casa um lugar mais feliz e saudável para mim. Eu acho, considerando-se de onde viemos e tudo o que passamos, que essas belíssimas coisas que você cria não deixam de me surpreender. Isso me deixa esperançoso quanto ao futuro.” Corei um pouco, mas sorri. "Eu pintei a paisagem de montanha porque ela me faz pensar em você. É tão forte, poderosa, e bonita. E todas as cores que usei na pintura são fruto de uma análise que fiz de você. Eu usei a cor do seu cabelo e da pele para as montanhas do deserto e os seus olhos eram o céu. É quase um retrato abstrato de você.” Ele riu com um tom despreocupado e alegre. Nós estamos em um bom lugar, pensei. Superamos muita coisa e deixamos as coisas ruins para trás. Ao longo dos anos, as sombras remanescentes do nosso passado pareciam ir ficando para trás cada vez mais. "Bem, agora eu amo essa pintura ainda mais", ele disse. "Você sabe o quanto eu amo fotos de mim mesmo." Eu ri, porque era praticamente verdade. Ambas as casas que dividimos exibiam retratos de Stephan, como ele sempre gostou. Ele adorava posar para mim e era uma ótima cobaia, esperando pacientemente por horas, caso eu precisasse. Nossas casas ficavam a apenas quinze minutos do aeroporto, bem perto da 215 Oeste. Era uma distância ideal do aeroporto, localizado em uma nova aérea de casas, e o trajeto era curto. Ver a minha pequena casa ainda me faz sorrir. Eu tinha optado por manter a paisagem desértica do meu quintal quando a comprei, pensando que era a melhor alternativa à grama, já que vivíamos no deserto e estávamos longe da cidade.


Stephan não gostou da ideia de ter aquelas pedras e cactos e plantou uma pequena fileira de flores na frente e fez um quadrado compacto de grama no jardim. Até agora, ele estava vencendo a batalha contra o deserto, a grama continuava verde e as flores desabrochando. "Vou enviar mensagem quando acordar", eu disse, caminhando a pequena distância que separava as nossas casas. Eu acionei o alarme. Eu tinha comprado o melhor sistema de segurança que poderia pagar. Era importante que eu sentisse a minha casa como um local seguro para mim e a paz de espírito me valeu a pena se comparada ao custo do serviço. Destranquei o portão e as duas fechaduras da porta principal. Eu repeti a mesma ação do outro lado, acessando o painel de segurança e digitando o meu código de acesso. Eu tinha trinta segundos para digitar o código antes de um alarme automático disparar e a estação de segurança me telefonar e chamar a polícia. Eu tinha optado por definir um tempo mínimo de digitação do código para me sentir mais segura. Fui direto para o meu quarto, convencida de que a casa estava segura para o meu cochilo. Os últimos dias tinham sido cansativos. Mal tirei a roupa e me deitei, dormindo num instante. Acordei com uma espécie de torpor, com os olhos meio embaçados e com dificuldade para ver a hora no meu relógio de cabeceira. Isso não pode estar certo, pensei. Ele estava mostrando 3h44 da tarde, e eu tinha começado a dormir antes das 10 horas, com a intenção de dormir por apenas duas horas. Maldição. Eu tinha me esquecido de configurar o alarme. Comecei a procurar o celular com certo desespero e escrevi para Stephan. Bianca: Sinto muito. Dormi demais. Saímos às compras na segunda-feira? Ele respondeu quando eu estava no banheiro. Stephan: Sem problemas. Na segunda-feira está ótimo. Vai ter um encontro quente esta noite? Bianca: Vou ver James. Não é um encontro. Stephan: Bem, boa sorte, B. Avise-me se precisar de alguma coisa. Vejo você na parte da manhã. Bianca: Kkkk. Sairemos às 05h45 no meu carro, certo? Stephan: Certo.


Comecei a preparar minha pequena bagagem para o breve voo para Washington D.C. na parte da manhã. Era uma espécie de bate-volta, pois era o tipo de viagem em que voávamos a algum lugar, geralmente para a costa leste, e então fazíamos o caminho de volta imediatamente. Era a melhor maneira de acumular horas de trabalho, embora isso pudesse facilmente se transformar em um turno de 14 horas ou mais, caso sofrêssemos um ligeiro atraso. Esse turno fazia parte da nossa programação semanal definida, mas muitas vezes pegávamos turnos extras em nossos dias de folga para recebermos horas extras. O valor do financiamento da minha casa não era elevado, e se encaixava no meu orçamento, mas eu estava tentando repor as economias que tinham se esgotado quase completamente quando dei o sinal na compra da casa, além dos custos extras com algumas modificações e reparos necessários. Isso de viver no limite do salário me deixava angustiada, por isso tentei regularizar a situação rapidamente. Eu teria três dias de folga por semana e planejei fazer horas extras em pelo menos um deles. Reuni as roupas de trabalho que eu tinha espalhado por todo o chão, o que não era normal, e as separei num saco para lavá-las. Eu tinha muitos uniformes, mas pelo menos metade deles precisava de uma lavagem a seco. Peguei tudo e levei para o meu carro, planejando parar em algum ponto do caminho até a casa de James. Temos uma pequena ajuda de custo que a empresa dá para esse tipo de serviço. Eles nos querem ver bem vestidos no trabalho, mas o valor pago não cobre sequer a metade do que eu gasto com as lavanderias. Talvez sejam todas essas horas extras que trabalhei que aumentaram tanto os gastos com a limpeza das roupas... Tomei banho e lavei o cabelo. Eu depilei cada parte do meu corpo, o que provocou em mim uma sensação de expectativa que nunca tinha experimentado. Eu sempre depilo as pernas. Mas eu nunca tinha feito isso por um homem antes. Eu me senti tão estranha, tão diferente de mim mesma. Esfreguei o óleo e, em seguida, a loção na minha pele, e deixei meu cabelo secar ao ar. Eu poderia pintar um pouco enquanto os cabelos secavam. Mas Las Vegas, no final da primavera, era um secador de cabelo natural. Eu usava um vestido de verão azulado, folgado e velho, feito de algodão para pintar do lado de fora da casa. Era confortável e eu realmente não me importava com o fato de ele estar manchado de tinta, por isso muitas vezes usava esse e vários outros vestidos surrados para pintar. Meu quintal era pequeno, mas tinha muros altos. Isso deixou minha residência bastante privada, para que eu pudesse usá-la como gostaria. Eu não usava calcinha. Eu não fazia isso com frequência, principalmente se estivesse arrumando a casa sozinha, mas hoje me senti diferente. Mudei meu cavalete de lugar e senti o toque do vento nos meus seios e contra o meu vestido velho de uma maneira completamente nova. Era como se James estivesse ali fazendo as preliminares. Eu estava me aprontando para ele sem nenhum esforço de sua parte. Não era justo para qualquer uma pessoa ser tão perversamente atraente. Eu ficava imaginando o jeito que ele me olhou enquanto


colocou o lenço no rosto, descaradamente cheirando-o. Eu tremia só de pensar. Fiquei pensando, também, sobre suas ameaças de palmadas. Na verdade, eu pensei demais naquilo. E ele faria isso hoje à noite? Será que ele vai me espancar e depois tirar a minha virgindade? E me amarrar? Em que ordem? Apertei minhas pernas juntas só de pensar. O não saber funcionava como um apelo para mim, mesmo que isso me assuste ao mesmo tempo. Se eu fosse honesta comigo mesma, admitiria que estar amedrontada soava como uma atração para mim também. Eu sabia que James poderia me levar a alguns lugares escuros, mas eu gostaria de encontrar prazer lá, e eu queria isso. Eu tinha uma placa montada com algum papel de aquarela que havia preparado antes de sair. Comecei a pintar hoje de forma simplificada, sem empregar muitos artifícios. Geralmente, costumo fazer vários esboços e planejamentos, tiro fotos e as prendo em algum lugar. Mas hoje eu só pintei. Eu sabia exatamente por onde começar. Misturei um pouco de azul, um azul brilhante com água-marinha aquática, e acrescentei um toque de verde. Não demorou muito para a mistura se transformar exatamente no que eu queria: um azulturquesa vívido que usei para moldar um par de olhos que não conseguia tirar da minha cabeça.


12 Sr. Dominador

E

u me distraí com a pintura e perdi a noção do tempo. Quando me dei conta, comecei a xingar. Eu estava realmente atrasada, o que nunca tinha me acontecido. Agora isso tinha se repetido duas vezes em dois dias. Isso não pode se tornar um hábito, pensei. Fiquei muito nervosa. Eu sabia que não era um encontro, mas tinha que cuidar do meu cabelo e da maquiagem, delinear os olhos com um marrom suave e usar uma dupla camada de rímel preto. O efeito era fantástico para uma maquiagem leve. Pus uma sombra dourada reluzente e passei um batom vermelho-escuro. Eu alisei o cabelo e o deixei em linha reta. Pus um vestido preto curto, estampado com flores violetas. Era um pouquinho transparente, mas não o suficiente para precisar de uma peça por baixo, pois a transparência apenas sugeria a silhueta. Não tinha mangas e o decote revelava um pouco mais do meu colo do que eu estava acostumada. O sutiã de renda preta que escolhi era fino e delineava os meus mamilos. Eu normalmente não usava os dois ao mesmo tempo, mas parecia apropriado para uma noite como esta. Escolhi uma de minhas tangas rendadas que combinava com as flores do meu vestido. Alguém provavelmente veria a minha calcinha esta noite, então por que não combinar a roupa? Enquanto eu observava o meu reflexo no espelho, subi a mão em direção ao meu peito, massageando-o e trazendo o mamilo à tona, até que ele se mostrou claramente através do vestido fino. O que estou fazendo?, me perguntei, enquanto suspendia o vestido até meus quadris, correndo um dedo dentro da minha calcinha. Estou atrasada, pensei, mas mesmo assim comecei a me acariciar. Meu telefone tocou e levei um susto devido ao meu estranho transe. Eu respondi com a voz ofegante. "Alô?” "Onde você está?". A voz de James me atingiu, sem preâmbulos. Ele parecia hostil e meio com raiva. Olhei para o relógio. Eram 17h49 e eu deveria estar na casa dele em 11 minutos. "Estou quase saindo. Estarei aí em 20 minutos, se não errar o caminho.” "O que está acontecendo? Você está estranha. E você vai se atrasar. Essa é uma das muitas razões pelas quais eu queria enviar um motorista.” "Eu estarei lá". Eu tinha começado a acariciar-me novamente, o som de sua voz me excitando, mesmo


com raiva, talvez até por esse motivo. "O que você está fazendo? Por que você parece tão sem fôlego?", ele perguntou, com a voz mudando para uma espécie de ronronar. Oh, Deus, pensei, ele sabe o que estou fazendo. "Nada", eu disse, mas não tinha parado. "Você está se masturbando?". O ronronar ficou mais alto agora. "Não", eu disse, porque simplesmente não podia admiti-lo, mesmo que não pudesse parar. O que está acontecendo comigo depois que passei a orbitar em torno desse homem? "Você se lembra do que eu disse que faria com você se mentisse para mim? Eu acredito que essa seja a terceira mentira. Não goze agora. Sua buceta é minha, bem como o seu prazer. Você não tem permissão para gozar a não ser que eu a autorize." Eu só gemia. Desta vez, sua voz se tornou estridente. "Se você não entrar no carro nesse segundo, estou indo aí, e então vou fazer você gozar por horas." Eu estava obedecendo, baixando o meu vestido e pegando a minha bolsa, movendo-me rapidamente para a garagem. Ele não disse mais nada, apenas desligou na minha cara. Puxei o GPS no meu celular e comecei a dirigir. Não havia quase nenhum tráfego e gastei quinze minutos até a casa dele. Quando parei em frente aos portões enormes que cercam o composto palaciano que ele chama de casa, eles se abriram imediatamente e se fecharam atrás de mim. Eu amava o meu carro. Era um Honda Civic 2008, um pequeno carro muito confiável e que tinha sido um bom negócio para mim. Mas ele ficou exposto ao sol de Las Vegas enquanto estive trabalhando durante vários dias da semana e a cor preta tinha ficado mais clara. De repente, me dei conta de que um carro como o meu parecia um peixe fora d´água se comparado a esse ambiente. Tentei minimizar a situação. Esse caso ia ser breve e memorável, e eu não precisava perder um segundo me preocupando com as nossas drásticas diferenças de estilo de vida. Estacionei o mais próximo que eu poderia da porta da frente, que era talhada em forma circular e era enorme. Não havia outros carros na garagem. Eu imaginei que eles estivessem estacionados na enorme garagem em forma de anexo, que parecia maior do que toda a minha casa. A porta da frente se abriu assim que desci do carro e dei alguns poucos passos. Eu congelei quando vi James. Ele estava sem camisa, vestindo apenas um par de bermudas pretas esportivas, com listras brancas dos lados. Seu torso era uma obra de arte, sua pele dourada era marcada por músculos tensos ao longo de cada centímetro do comprimento de sua silhueta esbelta. Eu não podia ver um fio de cabelo em seu corpo e tinha a sensação de que não era depilação. Sua bermuda estava um pouco abaixo dos quadris e destacava seu corpo magro. Sua cintura e os


músculos pélvicos sensuais estavam expostos cruamente, formando um V. Eu queria lamber cada centímetro. Sua bermuda era larga e não me permitia ver o que eu gostaria, sendo assim, ela fazia uma espécie de sombra que só me permitia ver os joelhos, panturrilhas e pés. Mas até eles eram espetacularmente sexy, com musculatura definida em torno das panturrilhas. "Venha aqui", ele disse, em forma de saudação, com a voz grave e rouca. Eu estava parada, apenas admirando-o por uns bons cinco minutos. Eu obedeci, indo na sua direção. Ele encheu o peito de ar na iminência do nosso contato. "Eu tinha preparado o jantar, mas acho que vai ter que esperar. Você está um pouco atrevida, sabia disso?" Eu não sabia, balançando a cabeça e olhando para aquela casa que me intimidava. Eu nãooooo tenho nada a ver com isso aqui, foi meu primeiro pensamento, enquanto olhava para cima, para todos aqueles pisos de mármore e colunas claras, e para a escadaria que levava ao segundo andar. Ela estava lindamente decorada com cores do deserto, com vasos pesados e caros que traziam desenhos que lembravam obras de arte. "Eu dei folga a toda a equipe que trabalha comigo, por isso estamos sozinhos", ele me disse, como se essa fosse a minha preocupação. O pensamento de sua equipe ainda não tinha me ocorrido. Fui até uma das escadas, correndo o dedo ao longo da pesada madeira escura do corrimão. O quarto tinha um toque moderno, com um tema de decoração que remetia ao sudoeste americano. Era de muito bom gosto e adorável, mas eu me senti oprimida. Eu não gosto da ideia de estar com alguém assim tão rico. Alguém com quem eu não tinha nada em comum. Esqueci-me, por um segundo, do que eu estava fazendo ali. James deu um passo atrás de mim, sem me tocar, mas insuportavelmente perto, e eu me lembrei, então. Ah, sim, aquilo. "Onde está o seu quarto?", perguntei sem rodeios. Talvez fosse menos intimidador se comparado ao que eu tinha visto até agora. Mas duvidava disso. Uma mão forte caiu sobre a minha nuca, apertando-a, e em seguida massageando-a. Inclinei-me para o contato. Mesmo o toque mais simples era agradável. Ele agarrou meu cabelo, puxando os fios juntos em um rabo de cavalo. Ele o usou como uma alça. Ou uma trela. E me puxou, sem urgência, para que subíssemos as escadas. Meu queixo estava levantado em virtude da posição da cabeça. Foi firme e controlador, mas sem dor. Ainda. Passamos por oito portas no longo corredor até seu quarto, que ficava no final e a porta já estava aberta. Ele me levou para dentro, parando para me dar um tempo de absorver tudo aquilo. O ambiente estava iluminado e tinha um aspecto colossal. Portas duplas abertas em um banheiro bem iluminado no lado oposto. As paredes eram de uma cor temática que lembrava o deserto, à semelhança do resto do que eu tinha visto pela casa. Sua cama era enorme. Eu nunca tinha visto uma cama tão grande assim. Tinha que ter sido feito sob


encomenda. Ele tinha uma enorme moldura feita de madeira maciça escura, bem esculpida, e que quase atingia o teto alto. Ela era coberta por uma pesada treliça da mesma madeira, que foi modelada e esculpida como uma peça de arte. Era linda e assustadora. Era uma cama feita para a beleza e o prazer. E para a escravidão e a dor. Observei os mínimos detalhes mais chamativos de forma lenta, à medida que entrava por aquele quarto enorme. As peças usadas para prender estavam penduradas, ligadas ao topo de treliça. As demais estavam dispostas ordenadamente contra os lençóis brancos. "Aquilo são cordas?", perguntei com voz ofegante. Havia um tipo de rampa almofadada no meio da cama, de cor bege-areia, que combinava com o tapete. Eu não sabia o que era aquilo. "Sim", ele respondeu, e não deu mais detalhes. Meus olhos foram direto para o objeto que talvez devesse ter evitado. Um chicote preto repousava sobre a rampa. "Isso é um chicote?", perguntei, com dificuldade de falar, mas eu já antevia a resposta. "Sim", ele respondeu, movendo-se pela primeira vez desde que tínhamos entrado no quarto, me empurrando para frente através do aperto no meu cabelo, até que me vi a poucos passos da cama. "Eu tenho mais brinquedinhos que pretendo usar em você, mas eu não queria intimidá-la colocando-os todos para fora agora.” Eu ri e foi uma espécie de riso de desespero. Era assim que ele tentava não me intimidar? "Você precisa escolher uma palavra secreta", ele me disse. Era uma ordem. Eu respirei fundo. "Eu suponho que você saiba que nunca fiz nada disso antes?”, questionei. "Sim", ele respirou, e respondeu com a voz grossa e intensa. Não consegui pensar em nada. “Sotnos”, eu disse, finalmente. Parecia que minha mente tinha trabalhado separadamente do meu cérebro. "Sotnos?", ele perguntou maliciosamente. E pronunciou a palavra perfeitamente na primeira tentativa. "Sim". Eu não diria a ele o significado. Fiquei chocada comigo mesma por escolher essa palavra, embora tenha causado uma impressão diferente. Mas certamente não iria lhe explicar sobre isso. Ele puxou o meu cabelo com força, inclinando minha cabeça para trás e para o lado, até que o encarei. Seu olhar era penetrante. "Existem regras aqui. Eu serei o seu mestre e vou puni-la quando você me desafiar. Vou ler suas reações e tentar não ir muito longe, mas se eu fizer algo que a incomode, essa é a palavra que você deve pronunciar." "E fora daqui? Você não disse que iria me castigar por eu ter mentido para você? Mas não estávamos aqui quando menti para você." Ele sorriu para mim de um jeito malicioso. "Há exceções. Eu nunca vou mentir para você e espero que você aprenda a fazer o mesmo. Diga-me o que sua palavra secreta significa." Eu balancei a cabeça teimosamente. "Não." "Você prefere levar mais chicotadas a me dizer o que isso significa?"


Eu balancei a cabeça. "Sim". Tentei dar a impressão de que estava segura, mas não estava. Eu não tinha noção de quão forte ele iria me bater ou o quanto isso machucava, mas eu tinha passado meus anos de formação sendo condicionada para sentir dor e não podia imaginar que não tivesse uma maior tolerância para isso do que a maioria das pessoas. Ele passou a língua sobre os dentes. Foi incrivelmente sedutor observar sua língua hábil correr pelos seus dentes brancos em linha reta. Eu não tinha visto isso antes, mas os seus caninos eram um pouco afiados, presas quase imperceptíveis, mas todos os quatro dentes entre eles estavam em linha reta e eram perfeitos. Até seus dentes eram incrivelmente sexy. Isso é uma miragem, pensei meio ressentida. "Que tal uma troca? Existe algo que eu poderia dar-lhe em troca dessa informação? Algo que você queira saber sobre mim? Algo que você queira de um modo geral?". Sua voz se tornou aveludada enquanto explicava. Eu não estava tentada. Eu não queria falar sobre isso. Neguei com a cabeça. Ele agarrou meu cabelo com força. "Você está me deixando louco", ele disse em voz baixa, e em seguida me empurrou para a cama. "Nós precisamos conversar. Precisamos descobrir esse arranjo. Mas eu não posso esperar mais por isso. Nada jamais me fez sentir tão selvagem antes. Eu preciso marcá-la. Preciso ser seu dono. Eu preciso puni-la. Eu preciso mergulhar em você e descobrir todos os seus detalhes. E eu vou levá-la a me dizer o que essa palavra significa para você." As duas últimas frases fizeram o meu coração bater mais rápido. Isso nunca iria acontecer, mas eu não conseguia lhe dizer isso. Eu não tinha fôlego. Eu estava eclipsada por aquele ritmo severo de medo irracional e expectativa.


13 Sr. Sadomasoquista evante os braços", ele me disse, quando estávamos quase ao pé de sua cama assustadora.

"LEu obedeci e ele tirou o meu vestido com um movimento suave. Ele respirou fundo e fez meu corpo girar lentamente. Mal percebi como ele me examinava. Eu estava muito inebriada com aquela visão. Seu torso requintado estava agora ainda mais perto e eu podia vê-lo muito melhor. Ele era muito mais perfeito do que eu imaginava. Não havia um grama de gordura nele. Apenas músculos rígidos, que se ondulavam e sustentavam a altura do seu corpo. Seu cabelo era da cor de caramelo sob a luz suave. Eles conduziam ao seu rosto deslumbrante de forma tentadora. Eu queria tocá-los, eu queria tocá-lo, mas ele disse que havia regras aqui e esse pensamento me fez parar. Ele se curvou rapidamente quando tocou o meu peito esquerdo, me mordendo forte através do meu sutiã preto rendado. Eu dei um pequeno grito diante da mordida afiada, e ele se afastou, continuando a me rodear. Ele agarrou minha tanga quando chegou ao meu quadril. "Você está demais", ele me disse. Ele parou nas minhas costas. "A virgem com o corpo mais sexy que já vi na minha vida. Uma foda perfeita". Enquanto ele falava, eu o senti se ajoelhar atrás de mim. Eu estava intrigada quanto ao que ele estava fazendo, mas em seguida ele mordeu minha bunda com força. Eu soluçava. Aquilo tinha me machucado. Olhei para trás. Ele estava beijando o lugar onde mordera e as marcas dos seus dentes estavam claramente na minha pele. Olhei para o mamilo que ele tinha mordido. As marcas de dentes ficaram impressas claramente lá também, embora ele não tivesse me mordido ali tão forte. "Eu quero tirar todas as suas roupas, apesar de adorar tudo o que você usa, e não tenho nenhuma ideia de onde você comprou nada disso, então eu não sei como repô-las", ele tocou minha calcinha enquanto falava. "As tangas são da Victoria Secret. O sutiã também”, eu disse. Só estava tentando ajudar. Ele me deu um largo sorriso de aprovação, seguido de um forte tapa na bunda. "Não se mexa", ele disse, movendo-se para a mesa de cabeceira mais próxima. Meus olhos se arregalaram. Eu não sabia o que esperar quando ele usou a palavra cortar, mas a visão


de uma faca no quarto fez correr um frio pela minha coluna, como uma espécie de pânico. Até onde ele iria? Até onde eu o deixaria ir? Ele riu maliciosamente quando viu o medo estampado no meu rosto. "É apenas para cortar roupas. Eu nunca iria cortar sua pele. Esse pensamento é repugnante para mim. Eu só quero criar um clima." Ele veio na minha direção, agarrando a frente do meu sutiã e puxando-o para fora do meu peito, cortando-o com facilidade e de forma direta entre os bojos. Seu olhar estava colado aos meus pequenos mamilos rosados e eu os senti ficarem incrivelmente mais apertados a cada segundo. Ele beliscou cada um deles, suavemente, depois com mais força, finalmente, dando-lhes um beliscão firme. "Eles são muito sensíveis? Você gostou mais do primeiro toque ou do último?". Ele beliscou-os ainda mais forte e eu gemi. "Ou desta vez?", perguntou. Eu engoli a saliva. Era uma resposta fácil para mim. Eu simplesmente não conseguia pronunciar nada. Limpei a garganta. "Do último." "Bom. Eu tenho algo para você". Ele voltou para a mesa lateral, procurando alguma coisa na gaveta e tirando algum tipo de corrente de prata brilhante. Ele estava de volta, bem na minha frente, apertando algum tipo de grampo em ambos os meus mamilos, antes que eu tivesse uma ideia do que era aquilo. "Grampos para mamilos. Eles estão muito apertados?" Confirmei com a cabeça, olhando para eles. Cada mamilo foi prensado por uma braçadeira pequena da cor de pêssego, e a corrente de prata estava presa entre eles. Ele passou a corrente em volta do meu pescoço, apertando-a. A visão daquela corrente fina e dos pequenos grampos sedentos provocava em mim uma sensação tão erótica que eu tinha que pressionar minhas coxas para tentar parar a corrida de líquido lá. Ele cortou cada lado da minha tanga, tirando-a e guardando-a no bolso. "Suba na cama", ele ordenou, com voz baixa e rouca. Eu obedeci. "Suba a rampa até que seus joelhos alcancem-na. Isso, aí mesmo." Eu senti que ele subia logo atrás de mim. Assim que os meus joelhos tocaram a rampa, sua mão começou a pressionar a minha nuca, me empurrando para que eu ficasse de bruços sobre a rampa. Meu rosto estava sobre a extremidade larga do chicote que ele havia deixado lá. O rosto estava baixo e bumbum levantado. Perfeita posição para ser espancada, pensei. "Isso não é o joelho, é?", eu brinquei. Ele riu e foi um riso de satisfação. "Não, não é. Meu colo não é um lugar seguro para você no momento. Mas nós vamos chegar a isso, eu prometo". Enquanto ele falava, eu o sentia deslizar uma corda sobre o meu tornozelo. Ele apertou-a com firmeza, mas não foi de todo desconfortável. "Quanto mais você lutar, mais vai atrapalhar. Tenha isso em mente". Ele prendeu meu outro tornozelo e meus pulsos com movimentos rápidos e práticos. Ele voltou a se posicionar atrás de mim e da rampa. Ele se inclinou, então, com o tronco


pressionando as minhas costas e a virilha contra a minha bunda. Mexi e uma mão rígida me deu um tapa de leve. "Fique quieta", ele me disse, deslizando o chicote para fora sobre a minha bochecha. Ele ergueu o peso de seu corpo completamente para fora de mim. Eu gemia com a perda. Ele me deu um tapa pela minha reclamação. Houve uma longa pausa enquanto eu esperava por ele, com a respiração tensa. "Você tem algo a dizer antes que eu comece?", ele me perguntou. "Eu sinto muito, Sr. Cavendish", eu disse, em tom arrependido. Instintivamente, arqueei as minhas costas. Ele fez um barulho na garganta, em forma de zumbido, e começou a trabalhar. O primeiro impacto foi mais surpreendente do que doloroso, mas eles se intensificaram à medida que ele pegou o embalo. Como eu esperava, senti dor, mas a minha reação não era negativa. Eu gemia e me contorcia, impotente, quando o chicote pegou mais em baixo, próximo ao meu sexo. Ele começou a batê-lo cada vez mais forte e rápido. De repente, ele parou. Eu tinha recebido apenas vinte chicotadas, distribuídas por todo o meu bumbum e na parte de trás das minhas coxas. Eu arqueei o corpo e protestei em voz baixa. Logo em seguida, eu podia ouvir sua respiração, áspera e irregular, atrás de mim. Esfreguei os mamilos excitados contra o material macio da rampa, gostando da sensação que me aquilo me causou, como se fosse uma espécie de mordida. James permaneceu atrás de mim por um bom tempo. "Eu preciso parar por aqui. Eu não quero você com as costas muito doloridas quando eu for pegála. Fodê-la. Eu posso ver o líquido escorrendo pelas suas pernas". Eu senti seus dedos acariciando minhas coxas, deslizando através da umidade que estava lá. "Precisamos fazer algumas coisas antes de eu fodê-la. Eu tenho um exame de saúde na mesa ali. Eu fiz o teste. Todos os resultados estão limpos. Você quer vê-los? Ele está disponível para você. Quero enterrar meu pau em você sem proteção, se você permitir. Você disse que está tomando pílula, certo?” Eu balancei a cabeça. "Sim, estou. Vou acreditar na sua palavra. Se eu achasse que você mentiria para mim sobre algo dessa natureza, não permitiria que você me amarrasse e me tirasse a virgindade.” Ele riu de alegria e eu o senti beijar minha bochecha por trás com um gesto surpreendentemente doce. Ele deslizou a rampa que estava embaixo de mim sem avisar, jogando-a para fora da cama. Eu me soltei na cama de forma suave. Em seguida, ele soltou os meus tornozelos, agarrando-os com as mãos. Ele me empurrou mais para cima, elevando-me com um movimento brusco e mudou a posição do meu corpo. Meus braços estavam torcidos acima da minha cabeça, limitando ainda mais o movimento. Ele abriu as minhas pernas quando me amarrava e, se antes eu achava que eles estavam apertados, acho que estava enganada. Eu não conseguia movê-los agora. Nada de movimento para mim.


Ele observava a minha nova posição e eu também o observava. Seu olhar era tão intenso que era hipnotizante. Seus olhos exploraram cada centímetro de mim e, então, ele se inclinou para começar a me tocar com a boca. Ele começou com um beijo suave. E, em seguida, seguiu para baixo e nem um centímetro da frente do meu corpo passou em branco. Ele beijou-me o queixo, o pescoço, a clavícula. Nenhum nervo do meu corpo estava a salvo. E o tempo todo, eu não podia me mover um centímetro. Ele enterrou o rosto entre os meus seios, e parou em um rápido movimento de flexão. A corrente presa entre os grampos estava apertada em seus dentes. Eu gritei com a sensação desagradável, mas foi um grito mais de prazer do que de dor. Ele continuou se movimentando até que meus mamilos foram puxados para cima, controlando a corrente. Foi primorosamente agonizante. Ele finalmente soltou a corrente, abrindo a boca, e aquilo foi devastador, o fim da tortura me fazendo implorar. Ele chupou cada mama, com ruídos suaves e calmos vindos de sua garganta enquanto me tocava. Ele lambeu a parte de baixo dos meus seios pesados, depois as minhas costelas, indo em direção ao lugar proibido, acariciando os meus quadris e parando em meu sexo raspado. Uma parte minúscula de cabelos loiros permaneceu lá. Ele o tocou, olhando para mim. "Foda perfeita", ele murmurou, o rosto sério, e escondeu o rosto lá para fazer a sua magia. Eu estava tão molhada e pronta que gozei em segundos. Dois dedos dentro da minha fenda, sua língua no meu clitóris, seu conhecimento surpreendente desses dois botões perfeitos, e eu estava ali, gritando sem reservas. Ele levantou a cabeça brevemente, e eu olhei para baixo para ver o comprimento do meu corpo perto do dele. Ele estava enquadrado perfeitamente entre os meus seios arfantes. Eu me senti absolutamente tomada por esse momento. Seu cabelo cor de caramelo caía sobre seus olhos. "Mais uma vez", ele me disse, e fez isso de novo. Ele endireitou o corpo em seguida, tirando a bermuda para, finalmente, se revelar completamente desnudo para mim. Engoli a saliva de nervo. Foi quando eu comecei a implorar. Sua rocha dura e comprida parecia grande demais para caber dentro de mim, mas eu não me importei. Eu o queria dentro de mim. Se ele me fizesse esperar mais um segundo, acho que começaria a chorar. "Eu não posso mais esperar", ele me disse com voz áspera. "Isso vai doer. Pelo que tenho ouvido, é inevitável.” Eu não me importava. "Por favor, James. Por favor, por favor, por favor.” Ele não hesitou e, em seguida, abaixando-se sobre mim, pôs o pênis contra a minha fenda escorregadia. Eu podia ver os seus músculos elegantes, que definiam seus ombros largos, enquanto ele se segurava em cima de mim. Essa obra de arte primorosa está prestes a transar comigo, eu pensei, confusa, meio fora de sintonia. Ele entrou em mim com um movimento brutal e firme, perfurando meu hímen, sem mais delongas. Eu gritei com o choque. Eu me senti tão incrivelmente completa. Ele não parou, empurrando rápido e forte, estabelecendo um ritmo inesgotável que teve seu suor escorrendo em


mim em trilhas deliciosas. A dor aguda e cortante do começo desapareceu à medida que ele me penetrava, e se transformou no mais puro prazer, e o meu ser foi preenchido por uma onda de sensações que eu nunca poderia ter imaginado. Eu não conseguia conter os soluços que escaparam da minha garganta, as lágrimas que desciam pelo meu rosto com a sensação deliciosa de ser dominada e preenchida por esse homem. Ele ficou me olhando o tempo todo com aqueles olhos azul-turquesa, intensamente vivos. Meus olhos começaram a se fechar de prazer uma vez e ele me ordenou abri-los e olhar para os seus. Eu obedeci, embora a intimidade daquele contato entre nós dois tenha sido demais para mim. Era difícil entender que não sentíamos nada um pelo outro e ao mesmo tempo ele olhava para mim como se eu fosse mais importante do que a sua próxima respiração. Ele tirou o pênis quase completamente, o que me fez suplicar que ficasse. Ele voltou para dentro de mim e soltou um grunhido. Se momentos antes eu tinha achado que ele iria interromper o ato, agora ele estava me penetrando tão forte naquele colchão que pensei que poderia ficar uma marca permanente no meu corpo. Ele estendeu a mão para baixo entre nós, esfregando o meu clitóris, sem abrandar o seu ritmo furioso. "Goze, Bianca, agora", ele ordenou, e sua ordem funcionou como um gatilho. Eu gritei quando gozei, e ele gritou o meu nome, enterrando-se ao máximo, com tremores que o assolavam, enquanto arqueava o pescoço de prazer. À medida que as ondas começaram a diminuir um pouco, ele segurou meu queixo, olhando para mim quase com raiva e, certamente, com um brilho possessivo. "Você é minha", ele disse. Eu não tinha ideia do que responder, mas não precisava. No instante seguinte, ele estava me beijando de forma apaixonada e desesperada. Ele soltou meus pulsos e tornozelos e tirou os grampos dos meus mamilos mais rapidamente do que eu teria imaginado. Ele me puxou contra si, alinhando-nos carne sobre carne, e começou a beijar minha boca de novo, como se nunca fosse parar. "Obrigado", ele disse em voz baixa, apenas uma vez, quando suspendeu o beijo, para em seguida começar a me beijar novamente.


14 Sr. Delicado

D

epois de um longo tempo, ele parou de me beijar e puxou meu rosto contra o seu peito. Eu estava admirada ao perceber que o sexo casual pode ser algo tão íntimo. Eu me senti tão amada enquanto ele acariciava as minhas costas com reverência e sussurrava palavras doces ao meu ouvido. Ele me deixou. "Não se mova", e sussurrou como se tivesse receio de que o mínimo ruído pudesse atrapalhar aquele momento. Eu o ouvi iniciar o banho e não conseguia pensar em nada mais perfeito do que um banho quente naquele momento. Deitei-me de volta, exatamente como ele tinha me deixado, sentindo-me mais relaxada em cada parte do meu corpo como jamais experimentara. Eu me senti... em paz. Foi uma revelação. Quando ele se afastou, abri os olhos para ver à minha volta. Ele voltou e ficou de pé em volta da cama, observando-me com os olhos em chamas. Olhei para o meu corpo e percebi que havia sangue espalhado nos lençóis em várias partes. "Eu não sabia que iria sangrar tanto", eu disse, começando a me sentar. "Eu sei”, ele me disse, e me deitei novamente. Olhávamos um para o outro. Vi que sua ereção era tão intensa como se ele nunca tivesse gozado. Eu apontei para o seu órgão. "Você pode vir de novo? É possível?" Ele sorriu e acariciou seu pênis com uma mão. "Oh, sim. Mas você está muito dolorida hoje. Eu estava apenas apreciando a vista. Incorporando essa imagem ao meu cérebro.” Ele veio para o meu lado, me levantando até que eu estivesse aninhada em seu peito. Ele se levantou da cama me carregando e não demonstrou nenhum esforço visível. Eu amei aquilo, aquela e todas as coisas incríveis que ele poderia fazer com seu corpo, aparentemente sem esforço. "Vamos tomar um banho e falar sobre o que vamos fazer quanto a isso", ele disse, acariciando meu cabelo, como se o "isso" dissesse respeito a mim. Isso me fez sorrir por algum motivo estranho, embora a ideia de falar sobre qualquer coisa não tivesse nenhum apelo para mim naquele momento. Ele entrou na maior banheira que eu tinha visto, ainda me segurando. O banheiro tinha uma pedra gigante de granito preto-esverdeado, tanto quanto eu podia ver. A banheira era quadrada e ele deslizou o corpo para baixo de um dos lados, segurando-me na sua


frente, até que estivéssemos sentados juntos, com nossos corpos encaixados. Ele pegou um pouco de sabão que tinha um cheiro divino e que ficava embutido na pedra de granito, e começou a soltar espuma de sabão ao longo de todo o meu corpo com paciência. Tinha o cheiro dele e eu absorvia a fragrância. Eu me senti positivamente envolvida em uma espécie de luxúria, deitada ali sem energia, enquanto ele seguia com o meu banho. "Eu amo esse sabão. Ele tem o seu cheiro", eu disse, com os olhos fechados de prazer. Ele levou os lábios ao meu ouvido, mordendo o lóbulo de forma provocante. “Agora você vai cheirar como eu. Eu amo isso." Ele me deu banho em silêncio por alguns minutos, acariciando tanto quanto limpando. Ele voltou aos meus seios, acariciando e amassando a carne flexível de forma completa. "Precisamos conversar", ele me disse. Eu gemia e não era de prazer naquele momento. "Eu prefiro que você me bata novamente. Podemos fazer isso em vez de conversar". Eu estava meio brincando. Ele fez um delicioso barulho, ronronando contra o meu pescoço. "Hoje não. Precisamos definir as regras para isso. Se o meu autocontrole não tivesse me abandonado esta noite, eu teria resolvido isso antes de tocá-la." Eu me encolhi com a expressão que ele empregou. A palavra “resolvido” me deu uma sensação ruim. Eu não acho que seja bom presságio sobre o que virá. "O que há para falar?", perguntei. Ele suspirou e esse movimento mexeu também com a posição do meu corpo, pois eu estava com minhas costas em seu peito. "Bem, eu gostaria de saber qual a sua opinião sobre o nosso acordo. O que é importante para você?". Enquanto falava, ele me virou para que pudesse ver bem o meu rosto, eu que estava com a cabeça apoiada sobre o seu braço. Eu franzi o nariz para ele. O termo "acordo" era ainda pior do que “resolvido.” "Olha, a única coisa que espero de você, realmente, é um relacionamento sexual exclusivo enquanto estivermos... fazendo sexo, mesmo que seja uma vez por semana. E, além disso, gostaria que você me comunicasse antes de iniciar qualquer relacionamento com outra pessoa, seja sexual ou não. E se isso for difícil para você, é só me avisar para que eu possa cair fora agora." Ele piscou para mim, parecendo atordoado, e por um breve e terrível momento em que ele pensava sobre fazer ou não todas aquelas concessões. Fiquei cerca de um segundo sem saber o que fazer, pensando em sumir dali, até que ele falou. "Sim, é claro". Seu tom de voz dava a entender que ele ainda não tinha considerado qualquer outra coisa. "E você não quer namorar", eu me antecipei, para ver o que ele diria. Eu estava avidamente curiosa para saber o que isso significava. Ele assentiu, observando o meu rosto. "Eu quero vê-la, porém, o mais rápido possível. Eu gostaria apenas que a nossa relação se mantivesse em segredo. Assim, a maioria dos nossos encontros será na


minha casa ou na sua. Eu não vou levar você a um monte de lugares públicos, sinto muito." Claro que ele sente, eu pensei, cinicamente. Eu fiquei pálida, de repente me sentindo um pouco frágil por razões que não estava disposta a examinar naquele momento. "Tudo bem. Isso não é o suficiente para resolver as coisas por enquanto? Se vamos nos encontrar uma vez por semana, essa parece ser uma conversa desnecessária, não é mesmo? E se isso durar duas ou três semanas, vamos lidar com essa situação quando chegar a hora.” Ele não demonstrava nenhum tipo de emoção enquanto eu falava. Até suas perguntas eram frias. "É isso o que você pensa? Que vai ser feito em uma semana? Ou duas ou três?" Eu movi os ombros, dando a entender que sim, e fechando os olhos, como se fosse adormecer a qualquer momento. "Eu não quero pensar sobre isso. Não importa o tempo que dure, se você for apenas honesto quando estiver comigo, tudo bem, e não simplesmente começar a ver outras pessoas sem me dizer, isso é o suficiente para mim.” Ele voltou a me lavar e me acariciar, esfregando o meu cabelo com ternura, usando condicionador, e ficou em silêncio por um tempo. "Eu daria qualquer coisa para saber o que se passa na sua cabeça agora, em que você está pensando”, ele sussurrou, encostando os lábios no meu cabelo. "Eu tenho tanto medo de ofendê-la de uma forma imperdoável, sem que você nunca me deixe saber. Você sairá e nunca mais vai falar comigo outra vez. Você faria isso?" Eu não abri os olhos e só movi os ombros novamente. Era estranho ver que ele percebeu isso sendo que me conhecia tão pouco. "É possível. É difícil dizer de forma antecipada, sem os detalhes precisos.” Ele xingou em voz baixa. "Eu preciso me sentir mais seguro sobre isso. Você me aterroriza." Eu sorri ironicamente, com os olhos ainda fechados. "Você usou a palavra errada, Sr. Belo. O termo mais apropriado é controle e não se trata de se sentir mais seguro. Mas eu gosto da minha vida. Eu não vou fazer um monte de concessões lá na frente, portanto, nem tente. Normalmente, estou em Nova Iorque um dia inteiro por semana. Você vive nessa cidade, certo?" "Sim, a maior parte do tempo.” "Ok, bem, eu vou deixar você saber quando eu estiver em Nova Iorque e talvez possamos nos encontrar em algum lugar privado.” Seus braços se apertaram em torno de mim. "É sobre isso que estou falando. Você está dizendo isso porque eu a ofendi. Entendeu? Ou você é realmente tão indiferente?" De repente, eu queria, intensamente, sair dali. Ele não era o tipo que abandonasse um assunto enquanto não estivesse satisfeito, e eu não estava interessada em falar sobre qualquer coisa que


envolvesse a minha indiferença ou a falta dela. Senti necessidade de ficar longe dele por um instante, longe desse sentimento de intimidade. Aquilo se tornou insuportável para mim. "Eu preciso ir para casa. Começo a trabalhar cedo". Eu estava de pé. Fiquei aliviada quando ele me deixou sair do banho. "Você já jantou?", ele me perguntou, com a voz firme e fria. Eu parei para pensar nisso, sem que conseguisse me lembrar. Quando foi a última vez que eu tinha comido? Lembrei-me de devorar uma barra de proteína quando estava pintando, e tinha sido minha alimentação desde aquele iogurte no avião. "Hum, acho que não", finalmente respondi. "Mas eu posso comer alguma coisa mais tarde.” Suas narinas se dilataram e os olhos ficaram meio selvagens. "Por favor, fique pelo menos para jantar comigo. Eu me sinto como um idiota completo se você vem aqui, nós fazemos tudo aquilo”, ele acenou para o quarto, “e não a convido para partilhar uma refeição comigo. Tenho salmão semipreparado, que só precisa de 15 minutos para assar.” Eu concordei. "Ok". Eu não queria sair correndo como uma rainha do drama. Eu preferia sair dali com alguma dignidade depois de uma refeição civilizada. Ele enrolou uma toalha em volta de mim, secando-me rapidamente, e pondo uma toalha em torno de seus quadris, expondo o corpo de forma a dar água na boca. Eu desviei o olhar. Ele partiu para a cozinha como se tivesse medo de que eu fosse embora caso ele levasse muito tempo para assar o salmão. Ele era misterioso quanto a ler as minhas intenções... Pus o vestido de volta, não tendo nada mais para vestir por baixo. A falta de um sutiã e calcinha tornou a roupa um pouco obscena, mas eu nem me importei. Eu estaria indo da casa de James diretamente para a minha garagem. Eu provavelmente poderia escapar de ficar nua, em uma blitz. Sequei um pouco o cabelo com a toalha e usei o toalete que ficava meio escondido em seu próprio quarto, e saí caminhando descalça. Eu procurei e achei a cozinha, mas parei na sala de jantar assustadora e me sentei. A mesa estava posta de um jeito romântico, e assim presumi que era ali que iríamos jantar. Eu preferi esperar em uma sala sozinha a ir atrás de James e ele tentar “falar” comigo outra vez. Ele se juntou a mim logo depois, carregando duas deliciosas saladas. Colocou-as sobre a mesa, correndo de volta para a cozinha. Voltou com dois copos de água com limão. Eu achei que ele talvez tivesse realmente esquecido de que estava vestindo apenas uma toalha úmida. Para mim era impossível esquecer uma coisa dessas. Ver uma maravilha daquelas devia ser algo proibido. Ele realmente era bronzeado em todos os lugares. Era uma visão inebriante. Esperei educadamente que ele se sentasse à minha esquerda antes de iniciarmos o jantar. Era uma mistura de grãos com queijo feta e nozes. Eu não sabia como estava o molho levemente aromatizado, mas com certeza parecia muito bom. "É uma delícia", eu disse, depois de algumas mordidas.


Ele sorriu para mim. Era um sorriso cuidadoso. Ele ainda estava com “medo de me ofender.” "Na verdade fui eu que preparei a refeição esta noite. Eu não consigo fazer isso muitas vezes, mas eu queria fazê-lo para você. Eu não posso fingir, porém, que essa é uma ocorrência comum. Eu tenho uma grande empregada aqui que geralmente cuida da cozinha todo o tempo.” Eu balancei a cabeça, agradavelmente, tentando não parecer desconfortável com a lembrança ocasional de sua riqueza. "Seus pais vivem em Las Vegas também?", ele me perguntou assim que terminou de comer a salada. Eu congelei, mas me recuperei rapidamente. "Eles estão mortos", eu disse, sem expressão. Ele olhou assustado. "Sinto muito. Eu não sabia. O que aconteceu?" "Onde seus pais moram?", perguntei-lhe incisivamente, ao invés de responder. Ele parecia não estar à vontade. "Eles estão mortos também. Eles morreram quando eu tinha treze anos, em um acidente de carro." Eu olhei para ele com uma cara de quem sentia muito. "Desculpe-me. Eu não gosto de falar sobre meus pais, mas eu não queria ser insensível sobre os seus." Ele estendeu a mão sobre a mesa, colocando a mão sobre a minha. "Não se desculpe. Isso não é ser insensível. Você não sabia, também." Dei-lhe um sorriso irônico. "Eu deveria ter buscado informações sobre você na internet. Eu poderia pelo menos nos ter salvado de um momento de constrangimento." Ele sorriu de volta com ironia. "Isso não iria me ajudar a aprender sobre você, apesar de tudo." Nós voltamos a comer por um minuto e o silêncio era constrangedor. "Quando é o seu aniversário?", ele perguntou de repente. Eu sabia o que ele estava fazendo. Estava com tanto medo de me ofender, de me assustar, que tentava encontrar coisas neutras sobre as quais falar. Ele não poderia adivinhar que meu aniversário era outro assunto delicado. "Outubro", respondi. "E quando é o seu?" "5 de junho. Que dia de outubro?" Eu suspirei. "24". Eu sufoquei o impulso de dizer: Por que você se importa? Você não vai se lembrar do meu nome até lá. Isso seria uma grosseria, eu disse a mim mesma. E ele parecia estar estranhamente sensível. Ele balançou a cabeça, como se estivesse anotando o mesmo. Sim, está certo. O cronômetro disparou e ele entrou na cozinha, aparentemente alheio ao fato de que essa toalha pegajosa parecia em perigo de cair a cada passo. Obriguei-me a desviar o olhar. Em seguida, ele trouxe dois pratos impressionantes. Ele já havia posto a comida nos pratos,


organizando a refeição com um floreio próprio de um perfeito chef. Era uma porção de aspargos, salmão fresco cozido, temperado com perfeição, e algum tipo de grão que eu nunca tinha visto. Eu provei e, então, apontei na sua direção com o meu garfo. "Eu nem sei o que é, mas é delicioso. Está tudo divino. Existe alguma coisa em que você seja ruim?" Ele sorriu o primeiro sorriso autodepreciativo que eu tinha visto. Aquilo o desarmou e ele ficou ainda mais charmoso. "Aprender sobre você. Levá-la para passar a noite comigo. E, mudando de assunto, esse grão é quinoa." Eu simplesmente continuei a comer, ignorando as primeiras coisas por ele mencionadas. Eu ainda sentia aquela vontade louca de me afastar de qualquer tipo de intimidade que pudéssemos compartilhar. "Ah, eu tenho um presente para você", ele me disse, sorrindo enquanto terminávamos nossa refeição. "Você quer a sobremesa antes ou depois do presente?" Eu disse que não com a cabeça. "Ah, não consigo. Já comi demais." Ele parecia genuinamente desapontado. "Apenas uma mordida? É um manjar com algumas frutas frescas. Poderíamos compartilhar.” Eu sorri, verdadeiramente encantada com a sua necessidade juvenil de me impressionar com sua culinária. "Ok, nós podemos compartilhar."


15 Sr. Insaciável

E

le estava de volta rapidamente com a sobremesa, que foi servida em uma taça de vidro pesado. Ele levou a colher à minha boca para que eu experimentasse.

"Huuummm", eu disse sorrindo, com a boca ainda cheia. Inesperadamente, ele se inclinou e me beijou. Era tudo tão diferente do ambiente da refeição que acabamos de compartilhar que quase o empurrei assustada. Em vez disso, eu me fiz ainda refém, beijando-o de volta, hesitante. Essa era a parte que era fácil entre nós, pensei. Nenhuma outra coisa fazia sentido para mim, mas essa parte me parecia perfeita demais. Ele estava me levantando em direção a um ponto claro sobre a enorme mesa preta, antes que eu pudesse sequer piscar. A toalha tinha ido embora, o meu vestido empurrado para cima como um relâmpago. "Você está muito dolorida?". Sua voz era um murmúrio rouco contra os meus lábios. "Eu não posso nem me imaginar muito dolorida para isso", eu disse, descendo minha mão pelo seu corpo para tocá-lo. Eu o acariciava com prazer e ele enfiou seu membro na minha mão. Corri minhas mãos até seu tronco, pelos seus braços musculosos, e fui para os ombros. "Seu corpo é perfeito. Eu não posso acreditar que você seja realmente bronzeado em todas as partes.” Ele sorriu, apreciando a minha admiração pelo seu corpo. "Minha mãe era metade italiana e metade descendente de índios cherokees, embora ela não tivesse descendentes vivos desde que completou dezoito anos. Foi quase um escândalo para a família puramente inglesa do meu pai quando eles se casaram. Todo o restante da minha família tem a pele branca pálida, como é de se esperar.” Eu ri. "Pálida? E eu, então? Sou pálida?" Ele se abaixou, acariciando o meu pescoço. "Sua pele é o cúmulo da perfeição." Eu finalmente tive a chance de tocá-lo, acariciando suas costas, barriga, observando seu corpo incrível com admiração, enquanto corria minhas mãos sobre o todo. Ele agarrou uma das minhas mãos ocupadas, puxando-a até seus lábios para beijar meu pulso. Observou-o atentamente, e eu vi a marca das cordas lá. Os sinais eram distintos, como se ele tivesse me marcado, temporariamente, com a sua própria marca especial. "Eu adoro ver isso em você", ele murmurou fortemente contra a minha pele.


Ele abriu minhas pernas largas, me empurrando para baixo contra a mesa. Ele pôs o seu membro ereto bem na minha entrada. Estremeci quando ele fez uma pausa, de olhos fechados. "Olhe para mim", ele ordenou com a voz dominante vindo à tona novamente. Ela havia desaparecido para dar lugar a algo mais suave e mais charmoso após a primeira vez que tivemos relações sexuais. Eu não recusei. Eu obedeci. "Observe-me. Eu vou puni-la cada vez que você olhar para longe de mim quando eu estiver dentro de você.” Eu concordei. "Peça-me por isso", ele ordenou, sua mão se movendo para acariciar seu pênis impressionante. "Por favor, Sr. Cavendish, foda-me". Eu adorava dizer seu sobrenome, pronunciando as três sílabas, como se fossem uma oração. Ele gemeu e começou a me penetrar. O primeiro impulso forte fez com que eu sentisse um pouco de dor, mas não era desagradável. E como ele saía e mergulhava de novo, um som profundo saiu de sua garganta. Eu esqueci toda dor inteiramente, o prazer pulsando em todo o meu corpo e crescendo dentro de mim. Seu olhar era ardente. "Dói?", ele perguntou, sem parar em seu ritmo punitivo. "Está perfeito", eu respondi, com a voz cheia de paixão. Ele me beijou com força. Meus olhos se fecharam brevemente, até que ele se afastou para me ver novamente. Eu acho que não haveria castigo por causa disso, porque ele também tinha fechado os olhos, mas eu realmente não me importava naquele momento. "Goze", ele ordenou, e de imediato aquela paixão que me consumia transbordou, o meu corpo inteiro ondulando em intenso orgasmo, meus músculos internos apertando-o incrivelmente. Eu fiz um esforço consciente para manter meus olhos nele o tempo todo, e o esforço valeu a pena. Foi primorosamente gratificante ver o seu rosto quando o fervor tomou conta dele, seu olhar penetrante intensificando-se em mim. Isso me deu uma sensação extraordinária, sendo o alvo daquele olhar. Isso me fez sentir como se eu fosse mais importante do que o ar para ele por um momento breve e profundo. Eu me senti encantada naquele momento. Era inebriante. "Passe a noite. Eu prometo que não vou deixar você se atrasar para o trabalho", ele disse, pegandome em um momento de fraqueza. "Apenas me diga a que horas eu devo programar o alarme.” Fechei os olhos, balançando a cabeça ligeiramente. "Ok." Ele beijou minha bochecha da maneira mais doce do mundo. "Obrigado." Eu não sabia o que dizer sobre isso, então não disse nada. Ele ainda não tinha saído de mim e só fui me enrolando em volta dele, e ele me levantou. Eu gemi. "Você ainda estão tão duro", murmurei contra seu pescoço. "Huuuumm", ele cantarolou, entrando mais dentro de mim.


"Você não poderia... de novo?", eu questionei, surpresa. Ele respondeu me levantando a poucos centímetros dele e empurrando plenamente em mim novamente. Eu gemi e ele riu baixinho. "Eu nunca quis ninguém tanto assim na minha vida, Bianca. Eu poderia transar com você até ficar inconsciente. Eu certamente ficaria feliz em tentar." Eu não respondi, não conseguia. Eu não podia fazer nada além de gemer, enquanto ele me levou até as escadas, de volta para seu quarto. "Deixe-me saber se você vai chegar ao seu limite. Você deve ser estar dolorida e sensível depois de sua primeira vez. Eu deveria ser atencioso e deixar seu corpo se recuperar”. Sua voz era firme enquanto íamos pelo corredor, a penetração em forma de estocadas cada vez mais pronunciadas quanto mais perto chegávamos do seu quarto. "Por favor, não", eu disse com uma espécie de meio soluço. Eu estava tão perto do auge novamente. "Você quer que eu termine penetrando ainda mais, metendo o meu pau em você?", ele perguntou. Ele parou de andar e começou a empurrar mais intensamente. "S-sim, por favor. Ah, sim", eu disse, agarrando-me aos seus ombros. Um de seus braços segurava diagonalmente as minhas costas, especialmente a parte superior do meu ombro, com firmeza, enquanto a outra mão segurava a minha bunda com força, o contato acrescentando ainda mais prazer. Seus joelhos estavam dobrados ligeiramente, suas pernas pressionando cada vez mais quando ele começou a empurrar com mais força. "Goze, Bianca", ele me disse isso junto com a excitação que me invadia. Sua voz era um gatilho e meu corpo obedecia explodindo em orgasmo. Eu segurei seus ombros como uma tábua de salvação, enquanto cavalgava as ondas excelentes de prazer. Ele pareceu surpreso com seu próprio gozo, os olhos arregalados. Ele gritou a palavra “foder” bem baixinho quando se esvaziou dentro de mim. Ele me pôs suavemente na cama, puxando para fora de mim nesse momento. Ele se moveu pelo quarto. Fechei os olhos. Eu sabia que, apesar do meu cochilo longo demais, logo eu estaria me movimentando. Eu voltei a mim quando ele colocou um pano quente e úmido entre as minhas pernas para me limpar suavemente. "Obrigada", murmurei. "Huumm. O prazer é meu", ele disse. Ele saiu e voltou. E esfregou algum tipo de pomada em meus pulsos e tornozelos, virando-me de bruços sem esforço para passar a pomada no meu bumbum e nas coxas. Ele me acariciou na parte de trás das minhas coxas ternamente.


"Algum outro lugar?", ele me perguntou. "Não", eu respondi. "A que horas você precisa despertar?", ele perguntou. Eu tentei calcular, apesar do cansaço. Eu nem sabia que horas eram, nem queria saber. "Às 4h30", respondi. O sono me pegou. Acordei sob uma névoa sensual, da maneira mais agradável que eu poderia ter imaginado. Eu estava de costas na cama mais macia do mundo. Eu estava gloriosamente nua, de pernas abertas, e o homem mais bonito que eu já vi foi lambendo meu sexo como se fosse uma sobremesa especialmente deliciosa. Agarrei seu cabelo dourado de seda. "Ah, James", eu gemi, e ele olhou para cima, sorrindo. Ele se levantou, ajoelhando-se entre as minhas coxas. Ele trouxe uma das minhas pernas até seu ombro, alinhando-a em seu pescoço, até que fez uma linha diagonal através de seu torso. A outra perna, ele a abriu o máximo possível, pondo seu pênis insaciável na minha entrada. "Deixe-me saber se isso é demais para você, ok?". Sua voz era suave e as suas palavras tinham um tom de preocupação se eu ia sentir dor. Era o macho dominante presente nessa manhã?, me perguntei. Parecia que ele vestia sua outra personalidade, a do amante carinhoso, que assumia o posto naquele momento. Eu fiz que sim com a cabeça e ele empurrou tudo para dentro de mim. A nova posição me vez perceber a existência de novos nervos que eu nem sabia que existiam. Sim, eu estava dolorida e sensível, mas não iria detê-lo. A dor era só um pequeno impedimento ao prazer. Ele inclinou o peito para frente, empurrando minhas pernas mais para trás e mais para perto do meu peito. Usando um movimento de torção dentro de mim, ele empurrou. Ele está me fodendo em todos os lados, pensei em transe. Um de seus hábeis dedos começou a esfregar meu clitóris inchado e eu me perdi. Ele me carregou para o chuveiro depois disso. E deu banho em nós dois. Eu me senti fraca e não podia imaginar que teria um dia de trabalho de 14 horas depois de tal experiência. Eu expressei o pensamento em voz alta. Ele estava atrás de mim, tirando o condicionador do meu cabelo. Ao ouvir as minhas palavras, ele ficou estático. “Então não vá. Tire um dia de folga. Eu vou reorganizar o meu dia também. Poderíamos passar o dia na cama. Gostaria de ter certeza de que foi inesquecível para você.” Olhei para ele perplexa e rindo. Gente rica, pensei, um pouco ressentida. "Eu estarei de folga amanhã", expliquei. "Se eu pegasse o dia de folga hoje, eu não receberia o pagamento. E mudar minha escala de última hora poderia me causar problemas.”


Seus braços se apertaram em mim. Ele esfregou o queixo no topo da minha cabeça carinhosamente. "Você pode parar de trabalhar lá. Venha trabalhar para mim. Eu seria um chefe bem generoso. Você poderia ser uma comissária de bordo do meu jato. Teríamos todo o tempo juntos, como gostaríamos. Ou, se você quer uma mudança de carreira, eu poderia encontrar outra coisa. Se você não se importar em trabalhar para a indústria hoteleira, tenho outras empresas onde você pode atuar. Ora bolas, tire uma folga. Relaxe. Eu ficaria mais que feliz em ajudar você.” "Nunca mais mencione algo parecido para mim, por favor, ou está tudo acabado, a começar de agora", eu o interrompi, com um tom gelado e o rosto com uma expressão de determinação. Eu estava tremendo um pouco. Que atrevimento o dele, pensei. Eu tinha trabalhado como um demônio, desde que era adolescente, e ele tinha acabado de menosprezar tudo isso. Foi um esforço para não sair correndo do chuveiro com o cabelo molhado e nem olhar para trás. Suas mãos começaram a acariciar meus braços em um gesto reconfortante. "Eu não quis ofendê-la. É muito difícil para mim vê-la lutar. Consegue entender isso?" Luta?, pensei, um pouco descontroladamente. Ele poderia saber o significado da palavra se entendesse que a minha vida era uma luta? Mas, então, me lembrei do que ele tinha dito sobre seus pais, sobre como eles morreram quando tinha apenas treze anos. Ele não tinha levado a vida perfeita que eu tinha imaginado. Foi um sofrimento e uma luta ter que lidar com a morte de um dos pais. Tínhamos pelo menos algo em comum. Isso me ajudou a compreendê-lo melhor e a dar-lhe outra chance. Eu balancei a cabeça ligeiramente. "Bem, não se preocupe comigo. E não diga isso outra vez. Pode ser? É um copo de água fria para mim." Seu rosto estava tenso, mas ele concordou com a cabeça. Respirei fundo para me acalmar e em seguida saí de perto dele, terminando de me enxaguar e saindo do chuveiro. "Eu preciso ir. Nem sei que horas são, mas preciso ficar pronta para o trabalho”. Eu me enxuguei com uma de suas enormes toalhas macias que esfreguei pelo corpo. "São 4h40. Eu a acordei um pouco mais cedo. Sinto muito." Ele com certeza não parecia arrependido, eu pensei, movendo-se em seu quarto para olhar para o meu vestido. Estava todo amassado no chão. Peguei-o timidamente, meu nariz enrugando-se. Eu podia ver as manchas sobre ele a um metro de distância e não estava a fim de cheirá-lo. Voltei para o banheiro. James descansava inclinando-se contra a porta aberta com indiferença, com os braços cruzados. Seu rosto era inexpressivo, os olhos indiferentes. Ele olhou com ar desagradável e de repente achei que eu não era mais bem-vinda em sua casa opulenta. "Você tem uma camiseta ou algo que eu pudesse vestir? Não importa o que seja. Eu só preciso dirigir em linha reta a partir de sua garagem até a minha garagem. E eu não vou usar isso". Deixei cair no chão o vestido ultrajante.


Ele balançou a cabeça, movendo-se para o seu armário. E veio com uma camiseta dobrada e cuecas boxer pretas. "Será que serve", ele perguntou, com voz inexpressiva. Eu confirmei com a cabeça, agarrando-as e indo para o banheiro. Eu usei o banheiro em menos de um minuto para me trocar e saí. "Você sabe onde deixei minha bolsa?", perguntei. "Na entrada. Perto das escadas. Você deixou suas sandálias lá também", ele disse, sem hesitação. Eu nem sequer me lembrava de onde as tinha deixado. Eu meneei a cabeça em sinal de agradecimento e caminhei para fora do quarto com pressa. Eu tinha meus sapatos e bolsa na mão quando lhe dei as costas. Eu o senti seguindo cada passo meu. "Tchau", eu disse, sentindo-me muito estranha e aquém das minhas capacidades. Eu tinha certeza de que nunca tinha tido uma cena de adeus como essa. Eu tinha certeza de que ele não poderia dizer o mesmo. Pelo menos não seria um percurso longo para sentir vergonha, já que eu estava indo direto de sua porta da frente para a minha garagem. Ele caminhou do meu lado, mas sem me tocar. Ele ainda usava apenas sua toalha. Eu mantive meus olhos firmes em seu rosto. Ele me deu alguma coisa e eu olhei para uma caixa pequena de cor prata. Eu pisquei. Ele pôs minhas mãos em torno dela. "É um presente. Imaginei que fosse gostar. Você pode abri-la mais tarde.” Ele agarrou o meu cabelo de repente e me deu um beijo forte na boca. E se afastou quase imediatamente. "Eu ligo para você", ele disse. Consenti e corri para o meu carro. Eu sequer tive tempo de abrir o presente ou me preocupar com isso. Como previsto, eu tinha que correr para chegar ao trabalho no horário. Quando saí dali, comecei a me perguntar sobre a condição em que ele e eu nos encontramos. Tudo havia mudado tão rápido, com tantos altos e baixos, nós dois temperamentais um com o outro. Ele disse que iria me ligar, mas eu sabia de um monte de amigas minhas que os homens diziam isso a maior parte do tempo, quando na verdade queriam dizer não. O pensamento de que eu nunca mais ouviria falar dele criava um nó de tensão horrível no meu estômago.


16 Sr. Incrível

C

orri para casa, para me vestir correndo. Meu cabelo ainda estava úmido e meu rosto sem maquiagem quando Stephan chamou na porta da frente.

Ele me cumprimentou com uma saudação, entrando no meu quarto um instante depois. Eu sabia que estava muito desajeitada. "Teve uma boa noite?", ele me perguntou com um sorriso travesso. "Foi memorável, com certeza. Não é justo para um homem tão perfeito estar solto por aí.” Ele riu. "Deixe-me dirigir hoje. Precisamos ir e você pode arrumar o seu cabelo e a maquiagem no caminho.” Ele notou a caixa de prata que eu tinha jogado sobre a minha cama e apontou para ela. "O que é aquilo?" Eu fiz uma careta. "Um presente de James. Eu sequer tive tempo de abri-lo." Ele agarrou a caixa, jogando-a na minha pequena bagagem e pendurando-a no ombro. "Podemos checar isso quando tivermos uma pausa. Vamos, Abelhinha.” Eu trancei meu cabelo úmido, enquanto Stephan dirigia até o trabalho. Usei o mínimo possível de maquiagem que foi possível manusear dentro do carro. Eu nem mesmo tive tempo de me preparar até chegarmos ao trabalho. Eu só percebi como estava dolorida quando terminei a maquiagem apressada. Cada movimento no banco do carro me fazia sentir dores musculares em lugares inomináveis. Bem, ele tinha proposto maneirar o ímpeto. Agora eu podia entender bem por que, embora ainda não possa lamentar o nosso entusiasmo. Eu duvido que ele fosse interromper o ato caso tivesse se dado conta de que vou pensar nele hoje cada vez que me mexer. As marcas nos meus pulsos ficaram bem discretas, meio cor-de-rosa. Meu velho relógio cobriu a marca no meu pulso esquerdo e não acho que as marcas expostas no meu pulso direito sejam suficientes para chamar a atenção. Mas, ainda assim, essas são lembranças de si que ele tinha deixado comigo. Parte de mim achava que eu não iria vê-lo novamente. Ele tinha sido intenso e apaixonado, mas deve ser como assim que age com cada amante. Imagino que já tenha conseguido de mim o que desejava. Estou me preparando para essa possibilidade.


Fizemos o check-in para a nossa viagem e nos dirigimos para o ônibus da tripulação. "Você acha que devo verificar rapidinho se conseguimos pegar uma viagem de volta amanhã?", Stephan me perguntou enquanto esperávamos a saída do ônibus. "Eu não me importaria de tirar folga. Temos trabalhado muito ultimamente e acho que merecemos uma pequena pausa. Você decide.” Eu fiz uma careta. "Vamos ver como vai ser o dia. Podemos verificar também do outro lado." Ele apenas acenou com a cabeça. Nenhum de nós dois gostava de falar muito pela manhã. E eu ainda nem tinha tomado uma xícara de café. Eu realmente preciso tomar um café, pensei. Preparei o café assim que chegamos ao avião, engolindo um copo grande de uma vez, que queimou a minha língua. Mas ajudou. Eu senti que poderia sobreviver até o dia seguinte. As primeiras horas do voo passaram num piscar de olhos. Tivemos um voo completo e só paramos para comer quando estávamos a apenas uma hora e meia de Washington D.C. Ninguém quis o café da manhã com iogurte grego, de modo que nós dois preferimos o iogurte às nossas refeições de tripulação. "Ok, abra a caixa que James deu para você", disse Stephan logo depois que terminou de comer. "Nós temos um minuto e estou aqui morrendo de curiosidade.” Eu tinha me esquecido completamente. Estremeci quando ele me lembrou. Eu temia abrir o presente. Era desconfortável receber um mimo de alguém que eu mal conhecia e sem motivos. É melhor acabar logo com isso do que ficar enrolando, eu disse a mim mesma. Eu quase pedi a Stephan que a abrisse para mim, mas o imaginei tirando lá de dentro um par de grampos para mamilos. Eu poderia muito bem imaginar James fazendo isso. Ou me dar algo ainda mais bizarro, que eu não reconheceria. Na verdade, quanto mais eu pensava nisso, mais suspeitava que fosse provável ser algum tipo de brinquedo sexual bizarro. Nós não éramos namorados. Tivemos uma noite de sexo alucinante. Se ele estava me dando um presente que achou que eu gostaria, não teria a ver com o que ele gostava de fazer comigo? Eu, definitivamente, precisava checar a caixa antes que Stephan a abrisse. A imagem que veio à minha mente, caso fosse verdadeira, seria humilhante. Eu fui em direção à minha bagagem e tirei a pequena caixa lá de dentro. Abri-a lentamente, inclinando-a para mim, com receio do que iria encontrar. Bem, acho que não deve ser nada bizarro, pensei meio atordoada. Era um lindo relógio, elegante. Estava muito acima daquele que eu tinha e precisava substituir. A cor era prata e ostentava um mostrador azul-turquesa. É claro que o mostrador estava repleto de diamantes em volta. Até os marcadores de hora eram pequenos diamantes. Eu achei, por um momento, que eles fossem de zircônia cúbica, que imitam o diamante, mas então vi a etiqueta. Eu não sabia absolutamente nada sobre relógios caros, mas pude reconhecer aquele pelo rótulo. "Meu Deus", eu disse, levando a mão à boca, em choque. Stephan pegou a caixa, olhando-me com perplexidade.


"Uau", ele disse, instantaneamente, quando olhou para o presente. "Puta merda, um Rolex?". E sorriu para mim. Eu sorri de volta, meio sem jeito, mas tive que fazer certo esforço. "Alguém está caidinho pela minha Florzinha Selvagem.” Eu não acho que seja isso. De repente, pensei horrorizada que esse era o seu presente de despedida, seu “obrigado pelo que passamos juntos”. Será que ele tem uma pilha deles em algum lugar da casa para dar a cada uma de suas ficantes? Fiquei imaginando morbidamente. De repente, senti mal do estômago. "Eu preciso usar o banheiro", disse a Stephan, correndo para o pequeno toalete. Joguei água no meu rosto e tive que limpar cuidadosamente o rímel que escorreu sob os olhos. Eu sabia que isso iria acontecer, mas acreditava que ele estivesse interessado em passar comigo mais algumas noites memoráveis. Eu disse a mim mesma, severamente, que seria melhor assim. Se eu estava chateada por ele me deixar depois de passar uma noite comigo, nem conseguia imaginar como ficaria depois de uma semana ou de um mês de encontros. Mas eu gostaria de devolver aquele maldito relógio. Era demais para mim. Eu não tinha certeza de quanto custa um Rolex, mas eu sabia que era algo que eu jamais poderia comprar. Respirei fundo, inspirando e expirando, e saí do banheiro. Quase ao mesmo tempo, Melissa apareceu esbaforida através da cortina. "O cara do assento 1A é um gostosão. Ele é forte como um jogador da defesa de um time de futebol americano. Ele também está vestindo Armani. Isso nunca é um mau sinal". Oh, Deus, pensei comigo mesma, mais irritada ainda ao vê-la do que o habitual. Ela veio pescar homens na primeira classe novamente. Stephan ainda estava com a caixa de Rolex aberta e continuava admirando o relógio como se não tivesse tirado os olhos dele desde que saí. Melissa foi direto para a joia. "O que você tem aí?", perguntou, inclinando-se para olhar antes que qualquer um de nós respondesse. Ela suspirou da forma mais dramática. "Onde você conseguiu isso?", ela perguntou a Stephan em voz alta. Ele sorriu de forma inconfundivelmente presunçosa. "Isso pertence à Bianca. James deu a ela. Ele está caidinho." Ela tomou o presente de sua mão de repente e seu rosto estava estranhamente furioso. Ela me lançou um olhar mordaz e em seguida observou o relógio atentamente. Tirou-o da caixa, olhou na parte de trás e dos lados. "Meu Deus, é original. É um Platinum President Datejust. Santo Deus". Ela olhou para mim. "Você tem ideia de quanto isso custa? Você sabe alguma coisa sobre Rolex?”. Seu tom era condescendente e perdi o controle da situação por um momento. Eu estava tirando meu relógio velho antes que pudesse pensar sobre isso. Peguei o relógio da mão dela. Segurei meu pulso e dei o relógio a Stephan para que pudesse colocálo em mim. Que eu saiba, James ligaria para Melissa hoje à noite, mas até então eu estava prestes a usar esse Rolex e ela não. Stephan apertou-o no meu pulso sem dizer uma palavra, mas eu sabia que ele estava com vontade de rir.


"Eu não preciso saber muito sobre isso", eu disse, enquanto acenava o meu pulso para ela. "Só preciso saber como usar um.” Ela me olhou de cima até os pés, com ar de zombaria. "Eu não entendo", ela murmurou, saindo de forma abrupta através da cortina. Talvez eu queira ficar com isso, pensei de forma mesquinha, se tudo o que eu precisava fazer era acenar com a mão para fazer Melissa sair voando daqui. "Que cadela louca", disse Stephan, calmamente. Enviei-lhe um olhar de surpresa. Ele não costumava falar tão duramente. Eu sabia que ele era superprotetor e ela, com certeza, nos irritou. Voltamos ao trabalho depois disso e, felizmente, eu estava muito ocupada para pensar em James durante o voo. Eu levei uma garrafa de água para o passageiro do 1A. O homem que Melissa achava um gostosão era realmente muito educado e agradável. Ele tinha comido tudo o que eu tinha lhe servido, mas só bebia água. Ele me passou a impressão de ser um agente federal, mas acho que não era. Ou melhor, se fosse, não estava em serviço. Ele estava sempre alerta, olhando ao redor da cabine muitas vezes e me olhando muito. No entanto, eu não tive a menor impressão de que estivesse interessado em mim. "Tem certeza de que você não quer um copo com gelo ou com gelo e limão?", perguntei sorrindo. Eu me sentia mais à vontade com os homens que não estavam por mim atraídos. Ele sorriu de volta. "Isso é bom, mas obrigado." Eu continuei pelo corredor, passando por todos os passageiros para me certificar de que não precisavam de nada. Eu podia sentir seus olhos me seguindo o tempo todo. Ele tinha um pequeno laptop em mãos a maior parte do voo, mas parecia que estava acompanhando mais a cabine do que a tela do computador. Estranho, eu pensei, distraidamente. Stephan e eu nos sentamos para o desembarque logo depois. Nós estávamos olhando para o meu pulso. "Eu sei que é embaraçoso para você para falar, mas ele foi bom para você na sua primeira vez? Doeu muito?", Stephan me surpreendeu perguntando. Mas seu tom era sério e preocupado, então eu senti a necessidade de lhe responder. Olhei para os seus olhos preocupados. "Não houve dor", eu respondi com cautela. "Mas foi bom. Ele foi gentil. Ele é incrível na cama. Ele faz coisas... que não são necessariamente normais. Coisas que eu amo, embora eu não tenha certeza


se...". Eu tinha sido deliberadamente vaga, mas senti que tinha compartilhado algo muito pessoal, por isso eu corei e olhei para o chão. Ele acariciou minha mão. "Deve ser por essa razão que você, provavelmente, não sentiu vontade de estar com um homem até conhecê-lo. Talvez essas coisas que ele faz preencham uma necessidade sua. Não é nada para se envergonhar. Somos todos moldados por nossas infâncias. Aceitar suas preferências não é a mesma coisa que ser uma vítima. Enquanto você gostar do que ele faz, e não se sentir prejudicada, curta e aproveite. Você merece." Eu descansei minha cabeça em seu ombro. "Você sempre me faz sentir melhor", eu disse. E me perguntava, com uma quantidade surpreendente de pânico, se eu ia mesmo ter a oportunidade de me divertir daquele jeito de novo outra vez. "Idem, Florzinha Selvagem. Você também me faz sentir melhor.”


17 Sr. Desesperado

N

ós pousamos antes do previsto. Eu tinha a esperança de que, tão logo os passageiros desembarcassem e o avião fosse esvaziado, estaríamos liberados.

Minha alegria durou pouco, visto que logo fomos informados de que teríamos um atraso de pelo menos uma hora devido ao mau tempo. Uma chuva forte, com raios e trovões, foi dificultando a nossa volta para casa, embora parecesse que o tempo em Washington D.C. estivesse agradável e calmo. Os principais assistentes de voo da cabine decidiram se aventurar pelo aeroporto para matar o tempo. Nós nos encontramos, de repente, com tempo de sobra, embora um minuto atrás estivéssemos correndo contra o relógio. Recusei o convite para me juntar a eles, querendo apenas me sentar e checar o meu telefone com privacidade. Os pilotos se juntaram ao grupo. Stephan ficou a bordo comigo, sentado na primeira classe, em um assento ao lado do que eu estava descansando. Eu tinha a minha pequena bagagem aberta no chão, bem próxima aos meus pés. Apreensiva, peguei o telefone e o liguei. Eu tinha uma chamada não atendida, um correio de voz e duas mensagens de texto. Eu verifiquei o correio de voz primeiro. Eu tive que me esforçar para continuar respirando quando ouvi a voz de James ao meu ouvido. "Oi", ele dizia. Houve uma longa pausa antes que prosseguisse. "Eu não quero que você pense que sou um caçador nem nada, mas eu gostaria de ouvir a sua voz quando você tiver algum tempo para me ligar assim que pousar. Eu não consigo parar de pensar em você. Eu sei que você está voando e que o seu telefone está desligado, mas eu não consegui deixar de chamar." "Eu quero ver você hoje à noite. Tenho certeza de que você está dolorida”. Sua voz engrossou de repente. "Eu preciso beijar cada parte do seu corpo que eu deixei ferida hoje". Ele limpou a garganta. Minha mão estava tremendo. "Eu espero que você pense em mim toda vez que sentir dor ao se sentar. Eu sinto sua falta”. A mensagem terminou e eu baixei o meu telefone tremendo. Aparentemente, não tinha acabado, ao que tudo indicava. A sensação súbita e profunda de alívio era embaraçosa e impossível de ser ignorada. Stephan estava inclinado e escrevendo do meu lado. Ele gostava de manter o controle sobre a papelada do voo. "Tudo bem?", ele me perguntou, sem olhar para cima.


"Sim", eu disse, com a minha voz sutil. Olhei para o telefone para verificar as minhas mensagens. Eram também de James. James: Como você está? Gostou do presente? James: Estou pensando em você. Você foi incrível na noite passada. Absolutamente perfeita. Eu não consigo parar de pensar nisso. Está difícil trabalhar. Nunca estive tão distraído na minha vida. Eu estava lendo a segunda mensagem, provavelmente pela sexta vez, quando o telefone tocou bem na minha mão, me assustando. Quando vi que era James, minha mão foi para o meu coração acelerado. Atendi depois de um momento de indecisão angustiante. "Alô", eu disse, com a voz ofegante. "Bianca?", James disse com a voz profunda, parecendo encantado. "Eu não achei que fosse possível falar com você. Como você está?" "Bem", respondi. Olhei para Stephan, que em seguida se levantou e foi andar na parte de trás do avião. "Você está machucada?", ele perguntou. “Estou muito dolorida”, eu disse. Vi que ele prendeu a respiração. "Posso ir a sua casa esta noite?" Suspirei com pesar. "Estamos atrasados em Washington D.C. Não há como saber a que horas vamos chegar em casa, por isso esta noite não vai dar. Eu tenho que fazer algumas coisas fora na parte da manhã, mas amanhã à noite eu estarei disponível. Nós vamos fazer uma viagem bate-volta amanhã, mas acho que não vamos ter atraso." “Então me chame quando estiver de volta a Las Vegas. Não importa a hora.” "Vou esperar com irritação.” "Eu vou custar a esperar. Ligue para mim quando pousar em Las Vegas", ele disse, com sua voz dominante tornando-se uma ordem. "O que você precisa fazer no período da manhã? Eu posso ir com você." "Coisas em público", eu disse, dando uma cortada em sua insistência para reforçar que só nos encontramos em lugares privados. Ele exclamou em forma de desaprovação. "O motorista pode nos levar. Eu posso vir para o meu escritório pela manhã e trabalhar um pouco, enquanto você faz suas compras ou qualquer outra coisa que precise fazer." Eu bufei. "Não precisa. Eu ligo quando terminar. Eu vou com Stephan." "Ele pode ir conosco. Tenho certeza de que ele não se importaria se usássemos o meu carro. Basta perguntar-lhe. Você gostou do seu presente?" Sua tática de mudar de assunto funcionou e meus olhos se voltaram para o relógio requintado no meu


pulso. "É lindo. Eu tenho o relógio que você me deu em um braço e sua marca no outro", eu disse em voz baixa, já sabendo que iria deixá-lo louco. O ronco baixo que soou ao meu ouvido foi gratificante. "Mas eu não posso aceitá-lo. Eu não sei nada sobre relógios, mas sei que ele custa muito caro." Seu tom de voz era firme e dominante quando ele respondeu. "É um presente. Você precisa reconhecer suas vitórias, Bianca, e essa você não está reconhecendo. Eu não vou pedir a você que trabalhe comigo ou dizer que posso ajudá-la de novo, mas vou dar a você o máximo de presentes que eu bem entender. O valor do relógio não é nada para mim, mas escolher algo que você acha que é lindo me faz muito feliz." Eu fiquei com raiva do que ele disse por um longo momento. Eu deveria entregar os pontos? Tentei me preparar mentalmente para lidar com aquela situação. Eu estava fazendo sexo com um homem que tinha uma quantia obscena de dinheiro. Eu ia ter que me comprometer em algum momento. E eu só iria devolver tudo o que ele me deu quando parássemos de nos ver. Esse pensamento fez a concessão mais fácil. "Ok. Obrigada. O mostrador tem a cor dos seus olhos. Você fez isso de propósito, então eu penso em você o tempo todo." Ele riu aliviado e seu tom de voz soava contente. "Vou usar todos os truques sujos do mundo para permanecer na sua mente. Na verdade, isso nem tinha passado pela minha cabeça. Mas gosto da ideia, apesar de tudo. Quero que você, cada vez que for ver que horas são, imagine-se olhando nos meus olhos enquanto faço você gozar.” “Ah”, eu suspirei, criando a imagem na minha mente. "Você está molhada?", ele perguntou, e seu tom de voz mudou de brincalhão para sério em um instante. Que temperamento instável! "Sim, Sr. Cavendish." "Você está sozinha?", ele perguntou. Olhei para a parte da frente do avião e, em seguida, verifiquei a galley mais próxima. Stephan continuava no mesmo lugar e não havia nenhuma outra pessoa no avião. "Mais ou menos. Estou na galley da parte de trás do avião e Stephan está na primeira classe. Todos os demais saíram do avião para comer." "Essa galley tem cortina?", ele perguntou tolamente. "Hummm”. Eu só repetia os “hummms.” “Desça a cortina”, ele ordenou. Eu a desci. "Agora levante sua saia e acaricie as pétalas de seu sexo delicadamente". Eu suspirei, mas não usei a mão como ele me ordenou. Eu era sensível ao toque, mas estava tão molhada que só de ouvir sua voz já me sentia bem. "Agora, ponha dois dedos dentro". Eu o obedeci, ofegante. "Está doendo?" "Sim, está. É muito sensível."


"Ah, baby, eu quero beijar isso. Agora toque com suavidade. Mantenha-a quente para mim". Sua voz estava ficando mais e mais profunda e me perguntei se ele estava tocando a si mesmo. Eu quis saber. "Sim", ele respondeu. Mas não vou gozar. Estou guardando tudo isso para você. Eu vou esperar, mesmo se você estiver fora de combate por alguns dias. Pare de se tocar agora. Você goza muito rápido e não quero que goze até me ver novamente.” Obedeci, fazendo um pequeno som de protesto com a minha garganta. "Eu preciso manter o meu pau fora de você por alguns dias até que fique bem novamente, mas há muitas outras coisas que podemos fazer. Eu vou comê-la até que me peça para parar. E eu tenho essa fantasia de gozar entre seus peitos encantadores. Você não vai se arrepender de ter aceitado a minha insistência de ir à sua casa hoje à noite, eu prometo." Eu fiz um pouco de barulho na minha garganta. Se era um som de acordo ou frustração, eu não poderia dizer. "Que dia você voa de volta para Nova Iorque?", ele perguntou, assim que a minha respiração se acalmou. Ele mudou de assunto tão rapidamente que nem parecia que momentos antes estávamos falando de algo tão pessoal. Que filho da puta mais temperamental, pensei. "Quinta-feira à noite. Terei três dias de folga depois de hoje, mas preciso pegar pelo menos mais uma viagem bate-volta como essa de hoje, provavelmente na quarta-feira." Ele demonstrou desaprovação e comentou: "Então você tem dois dias de folga depois de hoje?" "Isso. Quando você volta para Nova Iorque?" "Quinta-feira." "Mesmo?” Eu fiquei surpresa. "No meu voo?" "Sim. Voo noturno, certo?" "Sim, o mesmo que na semana passada. Por quanto tempo você vai continuar fazendo isso?", perguntei, referindo-me ao seu hábito recente de me seguir por todo o país. "Bem, eu tenho pessoas de confiança trabalhando para mim, por isso posso fugir por um tempo. Eu posso fazer maravilhas com apenas um telefone e um computador hoje em dia. Existem algumas poucas vantagens em ser o chefe. E os períodos de desespero exigem de mim atitudes mais cautelosas." "Tempos de desespero?", questionei. "Isso mesmo. Você me deixa absolutamente desesperado, Bianca. Eu nunca tinha perseguido uma mulher antes de conhecê-la. Estou carregando um par de calcinhas suas no bolso até agora. Ou pedaços de calcinhas." Eu estava até com medo de perguntar a ele sobre isso.


Ouvi vozes e olhei por entre as cortinas. A tripulação havia retornado, carregando sacolas de comida e café. "A tripulação está de volta", eu disse, arrumando minha saia e voltando a cortina à posição em que se encontrava antes. "Eu tenho de ir." Ouvi um murmúrio de frustração. "Ligue para mim quando estiver de volta a Las Vegas", ele disse. E reclamou: "A espera vai me deixar louco." "Tchau", eu disse, desligando o telefone rapidamente quando Brenda se aproximou da galley. Ela pareceu surpresa por me encontrar ali. Eu levantei o meu telefone. "Falando ao telefone. Eu tenho tendência a andar enquanto falo ao telefone." Ela sorriu. "Eu faço isso também. Você ainda tem tempo de pegar alguma coisa no aeroporto, caso se apresse. Eles estão estimando uma hora e meia de atraso agora." Eu resmunguei. Ela se sentou em sua poltrona, puxando um sanduíche de um saco de papel. Ela acenou com o sanduíche, me oferecendo um pedaço. "Este sanduíche é de um lugar muito bom. Fica bem do outro lado do portão." Eu balancei a cabeça em agradecimento e fui em direção à porta da frente do avião. Meu telefone fez um barulho de mensagens de texto. Olhei para a tela. Sentei-me em uma das principais poltronas da cabine para lê-las. James: Estou anotando aqui que você vai ganhar um castigo também. Bianca: Desculpe-me. Reação instintiva ao ver colegas de trabalho chegando no meio de uma conversa picante. Você vai me punir esta noite, então? James: Não, você está livre disso até eu ter certeza de que já se recuperou da nossa transa intensa de ontem à noite. Você gostou do chicote? Bianca: Eu sou parte dessa experiência. Quantas chicotadas vou receber por ter desligado na sua cara? James: 10.


Bianca: Eu amo o chicote, mas quero que use o que desejar em mim. Quero lhe dar prazer. James: Você me dá. Não tenho dúvida. E vou usar o que desejar em você. Mal posso esperar para vêla entrando no apartamento em Nova Iorque. Eu tenho lá um playground para nós. Bianca: O seu quarto em Las Vegas parecia um playground. James: Era só para dar um gostinho, Florzinha Selvagem. Eu não sabia o que dizer depois disso, então, guardei o telefone no bolso do meu uniforme e voltei para a frente do avião.


18 Sr. Possessivo

N

o fim das contas, nosso atraso em Washington D.C. já tinha alcançado três horas.

Já cansados de tanto esperar, Stephan e eu queríamos sair do avião rapidamente para comprar um sanduíche e uma xícara de um bom café. O café do avião não era dos piores, mas só dava para tomá-lo em último caso, quando não se tinha nada melhor disponível. Eu vi o homem que estava no assento 1A em pé, próximo ao portão. Eu o cumprimentei educadamente, mas achei estranho que ainda estivesse lá. Estávamos atrasados, mas ele já tinha tomado o seu destino. O que ele estava fazendo ali, ainda circulando por horas a fio próximo ao portão depois de desembarcar? Ele estava falando com outro homem muito parecido. Os dois tinham mais ou menos a mesma altura, o cabelo escuro e até vestiam ternos e gravatas semelhantes. Eles lembravam agentes, tanto que até cutuquei Stephan. "Levamos agentes federais no voo?" Ele olhou na mesma direção que eu, avaliando aqueles homens enormes, e confirmou com a cabeça. "Se estamos, não fui informado sobre isso. E, com o atraso, estranho não ter sido informado até agora. Eles realmente se parecem com homens do Departamento de Estado Americano. Provavelmente, estão apenas seguindo agentes do FBI ou algo assim.” Fazia sentido e, então, acabei me esquecendo do assunto. No entanto, quase me esbarrei neles quando fui pegar o sanduíche. Eles estavam na fila atrás de mim e eu nem os tinha visto. Fiz um aceno com a cabeça, educadamente, quando passei do seu lado. Eles me cumprimentaram com o mesmo gesto e um deles estava falando ao telefone. "Tudo bem, Senhor, ela está bem. Sem problemas. Sim, senhor", ele dizia. Voltamos para o avião depois de comprar nossas guloseimas. A multidão que tivemos que enfrentar era grande e inquieta. Atrasos nunca são agradáveis. Não havia nada que pudéssemos fazer quanto ao tempo, mas muitos passageiros se sentem pessoalmente ofendidos pelo inconveniente e os ânimos começam a se acirrar. Eu levava isso numa boa. Era tudo parte do trabalho. Foi um alívio quando decolamos, ao invés de só esperar e ficar olhando o telefone para checar as


mensagens. James não tinha me enviado nova mensagem. Finalmente, cerca de uma hora antes da partida, eu tinha desligado o telefone para não ficar mais olhando para aquilo. As primeiras três horas não exigiram que fizéssemos nada. O homem do assento 1A tinha sido substituído pelo homem com quem ele estava conversando no aeroporto. Esse outro se comportou de maneira quase idêntica, comendo da mesma forma, aceitando toda a comida que servimos e bebendo apenas água. Uma única vez ele não aceitou o que lhe foi oferecido e pediu um café preto, mas essa era a única diferença entre os dois passageiros. Stephan também notou a troca incomum de agentes. "O cara que estava no 1A agora está na parte de trás do avião. Foi onde ele tinha se sentado no último voo.” Olhei para ele espantada. "Deveríamos estar preocupados?" Ele fez uma careta. "É estranho. Mas eles estiveram muito calmos e bem comportados até agora. Se algo mudar, vou falar com os pilotos. Quem sabe? De repente eles vão entregar algo em Washington D.C. Ou pegar algo." Fizemos uma pequena pausa e voltamos a ficar ocupados novamente. Eu só estava guardando o meu último carrinho quando senti as rodas do avião descendo para o pouso. "Vamos lá, Abelhinha", Stephan disse, já com o cinto de segurança. Sua voz tinha um leve apelo. Ele sempre ficava nervoso quando íamos pousar e eu deixava para me sentar e pôr o cinto de segurança no último minuto. Sr. Segurança. Eu contei a ele sobre o plano de James de nos levar para as nossas compras na parte da manhã. Ele parecia animado com a ideia, o que foi um alívio para mim. Se Stephan gostava de James, isso tornaria as coisas mais fáceis. Não importa o tempo que isso dure. Nós tínhamos desembarcado e estávamos no ônibus da tripulação quando me lembrei de ligar o telefone. Eu tinha perdido três chamadas e havia uma mensagem de texto. As chamadas foram feitas um pouco antes da partida e a mensagem de texto foi enviada durante o longo voo. James: Por que você desligou o telefone uma hora antes de decolar? Franzi a testa. Eu tinha feito aquilo para não ficar tentada a checar o telefone a cada cinco segundos, mas como ele sabia disso? Achei que ele poderia ter rastreado o voo com bastante facilidade pela internet. Caçador, pensei, respondendo à sua mensagem. Bianca: Pare de me perseguir. Espero que isso não vá acordá-lo, mas estamos de volta a Las Vegas. Ele me respondeu quase instantaneamente. James: Eu vou encontrá-la em sua casa. Eu lhe disse para me mandar uma mensagem assim que chegasse a Vegas. Bianca: Trabalhando aqui. Você não é o meu chefe.


James: Como você está enganada. Me provoque para ver. Eu vou chicoteá-la na sua galley. Eu interrompi a troca de mensagens. Isso não ia me levar a lugar algum, já que estava dentro de um ônibus cheio de colegas de trabalho. Ignorei os dois próximos sinais de chegada de mensagem de texto. Stephan dirigiu até nossas casas em silêncio. "Estarei dormindo pela manhã. Envie uma mensagem de texto quando for sair para as compras", ele me disse, quando ia estacionar o carro. "Com certeza”, eu disse, saindo do carro. Eu congelei quando me aproximei da minha própria casa. Um SUV preto estava estacionado bem em frente, com o motor funcionando suavemente. Um calafrio percorreu minha espinha. "Stephan", eu chamei, minha voz um pouco em pânico. Eu podia ouvir seus rápidos passos, quando ele chegou atrás de mim. James saiu da parte de trás do SUV e fiquei com as pernas bambas de alívio. Stephan estava resmungando com raiva atrás de mim. "Deus, eu pensei por um segundo que...", e interrompeu a fala. Eu só balancei a cabeça, sem olhar em sua direção. Eu sabia o que ele pensava, o que nós dois tínhamos pensado ao mesmo tempo e tinha a ver com uma situação terrível. Eu tentei minimizar o susto quando James se aproximou de nós. "Tudo bem?", ele perguntou. Nós dois apenas balançamos a cabeça. Ele cumprimentou Stephan, enquanto caminhava ao meu lado, colocando uma mão firme em minha nuca. Ele gosta dessa parte do meu corpo, eu pensei, inclinando-me um pouco com o peso de sua mão. Ele lançou um olhar quente em resposta. "Boa noite, Stephan", ele disse, educadamente, enquanto nos distanciávamos. "Boa noite", Stephan respondeu. Eu o levei até a minha casa, correndo contra o relógio para acionar o meu código de segurança e as fechaduras. "Ótimo. Gosto dessa segurança", disse James, atrás de mim. Eu achei mesmo que fosse gostar. "Eu gosto de me sentir segura na minha casa", eu disse, suavemente. Nós entramos e fui direto para o meu quarto, onde eu guardava minha pequena bagagem de voo quando chegava em casa. "Eu gosto da sua casa", James falou, em voz alta, assim que avançamos. Eu voltei para perto dele, depois de guardar a bagagem.


Eu ri, ainda sem demonstrar a ele que tinha aceitado o elogio. Provavelmente, minha casa era do tamanho de um banheiro se comparada ao tamanho da casa dele. "É pequena, mas é minha." Ele olhou para a coleção de aquarelas que eu tinha posto logo acima da minha lareira. "São excelentes", ele disse, observando-as atentamente. "Obrigada", eu disse, com o rosto vermelho de vergonha. Eu não tinha espalhado minhas próprias pinturas por toda a minha casa achando que alguém como ele fosse vê-las. As que ele estava olhando faziam parte de uma coleção de paisagens desérticas, com foco em cores. Havia várias delas e eram tão pequenas que eu as tinha posto todas em forma de um mosaico inspirador. O conjunto de pinturas trazia montanhas que cercavam o vale de Las Vegas. Eu tinha exagerado nas cores, tornando-as mais bonitas e intensas, uma espécie de caleidoscópio. Outras pinturas traziam, de forma detalhada, plantas individuais com as mesmas cores ricas. "Você fez isso?", ele perguntou, parecendo surpreso. Concordei com a cabeça, caminhando para a mesa ao lado do sofá para arrumar alguns livros que estavam espalhados pelo chão. Como eu não tinha companhia em casa e vivia sozinha, tendia a manter as coisas organizadas. "Estou impressionado. Você tem mais pinturas?" Movi os ombros, como para dizer que sim. "É apenas um hobby. Você vai ver que a minha casa está cheia delas. Eu sei que são amadoras e simples, mas é uma maneira barata de decorar a minha casa. E a pintura é um bom calmante para mim." "Eu não acho que elas sejam amadoras. Acho que são encantadoras”. Sua voz estava calma e eu queria acreditar nele, mas disse a mim mesma que ele estava apenas me elogiando, mas no fundo não era aquilo que queria realmente dizer. "Hummmm, obrigada", eu disse, meio desconfortável. Eu não queria gostar dele mais do que já gostava. "Eu posso ver mais?", ele perguntou, sorrindo para mim de forma calorosa. "Estou cansada", eu disse, hesitando em mostrar-lhe mais pinturas. Eu estava começando a me perguntar por que tinha aceitado que ele passasse a noite aqui comigo tão facilmente. Isso já estava começando a ficar muito íntimo para o meu gosto. Ele franziu o cenho. "Claro. Sinto muito. Eu posso vê-los pela manhã. Vou levá-la para a cama." Eu já estava indo para o meu quarto, desfazendo a gravata. Fui para o closet já tirando minhas roupas de trabalho e pendurando-as. Eu podia sentir James me olhando por trás. Ele já tinha visto tudo, mas ainda me sentia estranhamente envergonhada. Ignorei aquele sentimento, tirando a roupa até ficar só de meias. Eu desfiz minha cinta-liga, deslizando as meias com cuidado. Eu odiava ter que prendê-las. Elas eram caras e eu tinha que tomar


cuidado. James ainda estava completamente vestido, de braços cruzados, quando terminei. Ele estava me observando. Eu me senti terrivelmente estranha. Devo colocar algo sobre a cama? Ou era besteira? Eu desabotoei o sutiã, deixando-o cair no chão. Eu não usava nada além de uma tanga de renda preta e me dei conta de que James me olhava fixamente. Eu passei por ele, estranhando sua passividade. Isso me fez sentir um desejo estranho de provocá-lo. Tirei o meu relógio novo e os pequenos brincos, colocando-os em uma gaveta em um móvel fora do meu banheiro. Lavei o rosto, hidratando-o. Ele ainda me observava atentamente. Escovei os dentes e fui para a cama. Deitei-me e ele veio para ficar em cima de mim, apenas me olhando. Eu estava agitada num bom sentido. Eu segurei os seios, apertando os mamilos. Vi a reação no rosto dele. Sua respiração se acelerou. Ele tirou a camisa escura, com a gola em V, em um movimento suave. "O que você quer fazer com isso?", perguntei, com a voz grave enquanto acariciava os meus seios. "Fodê-la", ele respondeu de forma rude, tirando as calças. "Continue com isso." Eu continuei e ele tirou a roupa em tempo recorde. Ele subiu em cima de mim, montando sobre a minha caixa torácica, sua ereção enorme e dura entre os meus seios. Suas mãos foram sobre as minhas com rispidez e ele empurrou o meu peito em torno de seu pênis, esfregando-os uma, duas vezes. Engoli a saliva. Eu não sabia que as pessoas fazem isso, mas eu estava loucamente excitada. Não há um centímetro do meu corpo que ele não queira foder. Era um pensamento inebriante. Ele se afastou, rastejando sobre o meu corpo, e eu protestei. "Quieta", ele me disse, jogando minhas pernas sobre seus ombros e enterrando seu rosto entre as minhas coxas. Ele começou a me lamber suavemente. Depois de algumas lambidas, levantou a cabeça, apoiando o rosto na minha pélvis. "Está doendo?" "Não", eu gemi. Ele retomou o serviço, lambendo cada dobra, até que segurei o cabelo dele com todo vigor. Ele disse: "Goze", acariciando meu clitóris com um dedo talentoso. Foi um toque suave, mas foi o suficiente. Eu gozei, gritando com a voz rouca. Ele tinha o meu corpo sintonizado com seu toque como um instrumento. Era inebriante e alarmante. Ele esfregou seu pênis ereto em volta do meu sexo com muito cuidado e voltou a ficar em cima de mim, colocando seu membro agora molhado sobre o meu peito. Ele tocava os meus seios com os olhos incompreensíveis. "Eu vou foder cada parte do seu corpo. Nenhuma parte será deixada intocada por mim.” "Tudo esta noite?", eu gemi.


Ele riu, dando um sorriso malicioso. Homem imprevisível. "Não. Sem pressa. Eu vou dar tempo ao tempo para violar cada centímetro de você". Com esse pronunciamento ameaçador, ele começou a se mexer de forma constante. Meus olhos correram sobre seu belo corpo, enquanto ele se movia, com os músculos trabalhando extraordinariamente. Seu abdômen flexionado a cada movimento, com os braços salientes, enquanto segurava meus seios na direção de seu pênis. Eu não sabia onde colocar minhas mãos e, então, comecei a deslizá-las pelo seu corpo, tocando o quanto podia sua carne dura. "Olhe para mim", ele me disse, enquanto meus olhos vagavam pelo seu corpo inteiro. "Eu amo o seu corpo", ele disse. Ele gozou no meu peito, nem mesmo tentando conter o líquido quente que jorrava sobre mim. Quando terminou, ele foi mais para baixo e ficou na região dos meus quadris. Ele ficou olhando para os meus seios molhados e, depois, voltou a se esfregar em mim, cobrindo meu peito e costelas. "Huumm”, ele murmurou, ainda se esfregando. "Você é minha." Não demorou muito para que o líquido pouco familiar ficasse pegajoso. "Não se mexa. Hora de limpá-la". Ele saiu e voltou rapidamente com panos molhados, quentes, para me limpar completamente. Ele deve ter achado as pequenas toalhas sob a minha pia do banheiro, o que achei estranho. Ele estava agindo como se estivesse em casa, vasculhando minhas coisas sem pedir. Eu não tinha ânimo para agir e, além disso, sua eficiência era muito conveniente para não ser valorizada nesse momento. Fechei os olhos, prestes a apagar. Ele se deitou ao meu lado, puxando as minhas costas para o seu peito e jogando o braço por cima de mim. "Minha", ele sussurrou ao meu ouvido. Eu flutuava imersa num sono profundo e prazeroso.


19 Sr. Incansável

O

dia estava totalmente claro quando acordei. Estiquei o corpo, me sentindo dolorida, mas bem. Eu estava sozinha na cama, mas podia sentir o cheiro de café.

Eu vesti a primeira roupa que vi no armário. Pus a camisola de algodão fino que tinha usado no hotel na primeira noite que passei com James. Caminhei lentamente para a cozinha. Ela estava vazia e segui para a pequena sala de jantar adjacente. Debrucei-me na porta para olhar para o que via lá dentro. James usava apenas uma cueca cinza-escura, bem confortável. Até a cueca dele parecia ser cara, pensei. Ele segurava uma caneca de café em uma das mãos e a outra mão estava se deslizando sobre os cabelos cor de areia. Ele observava as pinturas nas paredes. Olhei para suas costas perfeitas. Era moreno-claro. E as costas se destacavam com os músculos bem definidos. Mas eram elegantes, de toda forma, bem como o resto do corpo. Seu bumbum parecia esculpido em pedra. Inexplicavelmente, eu queria mordê-lo, mas sufoquei o estranho impulso. Eu lambi um dedo enquanto me aproximava dele e, em seguida, o esfreguei com força na pele de seu ombro. Eu conheci um monte de meninas que usavam sprays para imitar bronzeado. Se a cor dele era artificial, um pouco de fricção vigorosa iria revelar seu segredo. O lindo tom dourado continuou lá. James me lançou um olhar perplexo sobre o ombro. "Está se divertindo aí atrás?", perguntou. Baixei a mão, sorrindo timidamente. "Desculpe. Não fique bravo." Ele nem levou a sério e continuou a olhar as pinturas. Um tempo depois, ele se virou para mim. Seus olhos eram intensos. "Você vende esses quadros?" Ele apontou para a parede repleta de pinturas. Balancei a cabeça em sinal negativo. "Não. É apenas um hobby." Ele apenas levantou uma sobrancelha para mim, erguendo também a xícara de café. "Eu fiz o café.” Eu agradeci com a cabeça. "Obrigada." Fui para a cozinha para pegar um copo.


Ele seguiu atrás de mim, beijando o meu pescoço. "Como você está se sentindo?", ele murmurou contra a minha pele. "Bem", eu respondi, tomando um gole grande de café. "Foi uma tortura sair da cama com você dormindo ali. Eu queria que acordasse comigo dentro de você. Mas isso vai ter de esperar. Você ainda está muito dolorida.” Esfreguei minhas costas contra seu peito. "Como você sabe?", perguntei. Ele respondeu calmo. "Acho que não sei." Ele suspirou bem forte e se afastou. "Você vai me mostrar a sua casa? Gostaria de conhecê-la." Fiz que sim com os ombros, o pensamento me tornando autoconsciente. Eu amava a minha casa e ela era relativamente nova, e estava em boas condições, mas, em comparação com o que ele estava acostumado, parecia muito pobre. Ainda assim, apresentei-lhe minha morada. A sala de jantar e a cozinha ficavam juntas, e a sala de estar funcionava também como uma passagem, por isso foi um passeio muito rápido. Havia pinturas em todos os lugares e ele fez longas pausas para analisar cada uma. "Eu não sei se gosto de todas essas fotos que você tem de outro homem penduradas por toda a sua casa", ele me disse, com uma sobrancelha levantada. Eu corei, mas só porque me lembrei da imagem de James que eu tinha começado a fazer e que estava em uma armação no meu quintal. Eu tinha me esquecido de trazê-la para dentro e comecei a me preocupar, achando que ela tivesse estragado pelo tempo que tinha passado lá fora. Eu não queria que ele a visse, ainda mais se ela tinha estragado. Depois eu vejo isso, decidi rapidamente. Quanto ao seu comentário sobre o punhado de fotos de Stephan que eu tinha penduradas pela casa, apenas ignorei. Eu não sou obrigada a responder a comentários sobre Stephan e eu. Ou ele estava brincando, ou estava com ciúmes. Não importava. Se ele tivesse algum problema com Stephan, eu lhe mostraria a porta da rua. "Vocês dois são parentes?", James perguntou, tentando descobrir algo e fiquei tensa. "Não temos parentesco sanguíneo. Mas ele é a minha família, entretanto. A minha única família". Eu fiquei nervosa enquanto observava seu rosto para ver como ele reagia. Foi um momento crucial para nós. Ele apenas acenou com a cabeça, olhando pensativo, mas me fazendo relaxar instantaneamente. "Eu gosto dele. Parece que ele protege você", disse. Eu me senti tão aliviada que até me assustei. Eu não queria ter de lhe mostrar a porta da rua da pior maneira. Esse pensamento me deixou em pânico. "Você nem imagina como", eu disse.


Os seus olhos se tornaram penetrantes e ele ficou tenso. "O que você quer dizer com isso? Eu gostaria de saber, por favor." Eu só balancei a cabeça, brigando comigo mesma por ter dito aquilo. A ideia de não ter clareza sobre alguma coisa deixava um homem como aquele louco, então, decidi apresentar-lhe uma resposta aceitável. "É que nós estamos juntos desde os quatorze anos de idade e ele sempre foi protetor comigo, desde o dia em que nos conhecemos." "Juntos? O que isso significa, exatamente?" Mexi os ombros. "Você sabe. Inseparáveis. Melhores amigos." Ele estendeu a mão e agarrou a minha nuca levemente. Seu toque era leve, mas seus olhos eram duros e questionadores. "O que eu preciso fazer para que você se abra comigo", ele perguntou, suavemente. Eu não gostei do rumo dessa conversa. Minha mente trabalhava furiosamente para tentar sair dela. "Eu imagino que você seja tão fechado como eu, Sr. Cavendish. Então, diga-me. O que faria você se abrir para alguém?", eu perguntei, pensando que a tática deveria funcionar bem. Imaginei que a resposta de James seria a mesma que a minha. Nada. "Com você eu trocaria informações. Se você compartilhar alguma coisa comigo, eu vou fazer o mesmo. Parece justo?" Eu olhei para ele, inquieta. Involuntariamente, fui tentada. Por meio da razão. "Tenho de escolher a informação que vou dar?", perguntei-lhe com cautela. Ele mexeu os ombros. "Vou considerar aquilo que você puder dizer. E vou fazer o mesmo. Vou começar. Meus pais morreram quando eu tinha treze anos. Fiquei com um primo mais velho, meu guardião. Eu o detestava. Ele morreu um ano e meio depois e foi um dos melhores dias da minha vida. Eu também não gostava do meu próximo guardião, minha tia Mildred, mas ela era uma santa em comparação com o primeiro." Meus olhos se arregalaram em choque. Foi uma revelação aleatória e estranhamente pessoal, me dando algumas dicas sobre James. Eu sinceramente não achava que ele esperasse a mesma coisa de mim. Eu pensei muito no que dizer e com o que eu teria de lidar. Suspirei pesadamente e percebi que era a melhor maneira de distraí-lo. "Eu comecei a pintar um retrato de você. Está no quintal. É constrangedor, mas eu não conseguia me conter", eu disse. Foi uma das revelações menos complicadas, de todas que me vieram à cabeça naquele momento. Ele sorriu e era um sorriso de parar o coração. "Então você pensa em mim, pelo menos um pouco, quando não estou perseguindo você incansavelmente". Ele se dirigiu para o meu quarto, onde havia uma porta de vidro para o quintal. "Um segundo. Eu preciso digitar o código". Eu acionei o comando para desbloquear a saída


rapidamente. "Eu já mencionei que gosto de sua segurança?", James me disse quando entrei de volta no meu quarto. Ele estava abrindo a porta trancada que saía do meu vidro deslizante. Era uma monstruosidade, mas aquilo me fazia sentir segura e aquelas trancas de proteção tinham se tornado populares em Las Vegas devido ao excesso de arrombamentos nas casas, por isso era bastante comum vê-las. Elas não deixavam a casa bonita, mas eu as tinha montadas na porta de vidro do meu quarto e em todas as janelas. "Feliz em agradá-lo," eu disse, e ele me enviou um olhar quente. "Você não tem ideia, Bianca, de como me agrada", ele repetiu as minhas palavras anteriores. Reprimi o impulso de responder que eu gostaria, sim, de ter uma ideia. Ele caminhou diretamente para o cavalete sem nem pedir. Eu apenas o segui. Era realmente um pequeno preço a pagar pela informação que ele tinha me dado sobre sua vida. Ele era um órfão como eu e também viveu períodos difíceis. Não tinha sido um sem-teto, mas talvez tivesse sido solitário. Ele não tinha tido a sorte de encontrar um Stephan. Ele observou a pintura, como tinha feito com as demais. Atentamente. Era apenas um esboço dele o que eu tinha feito até agora, apenas o rosto e parte de seu torso, vestindo uma gola em V, como às vezes fazia. Ele cantarolava baixinho. "Muito bom. Você vai me dar de presente quando terminar?" Fiz que sim com a cabeça. "Vou pendurá-la no meu quarto e me masturbar quando olhar para ela", eu disse, meio brincando. Sua reação foi gratificante. Ele me mandou um olhar que era puro calor e apreço. "Se quiser que eu pose para você, é só me dizer." Eu fiquei radiante com a ideia. "Sim, eu quero. Eu tenho resultados muito melhores quando pinto com o meu objeto presente." Fiz um gesto para mostrar a vista das montanhas atrás da minha casa. "É por isso que tenho tantas pinturas delas". Tentei criar coragem para pedir a ele que posasse nu, mas não consegui. "Você tem um quarto extra que ainda não me mostrou. Mostre-o para mim." Eu torci o nariz. Ele era incansável, ao que parecia, sobre explorar cada detalhe da minha vida. Ele tocou meu nariz com um dedo. "É tão bonito quando você faz isso." Meu nariz ficou ainda mais enrugado, mas então tentei despistá-lo. Ser chamada só de bonita por ele não ajudou muito. Na verdade, isso meio que me irritou. Com quantas meninas bonitas ele fica em uma semana? Com quantas ele quiser, fiquei pensando. "Meu quarto de hóspedes é pequeno e tem funcionado como um cômodo de despejo. Nele eu guardo, basicamente, todas as pinturas que não tenho espaço para pendurar."


Ele começou a caminhar na direção das pinturas. "Eu adoraria vê-las." Deixei escapar um resmungo de frustração, mas o homem sempre fez o que quis. Debrucei-me na porta enquanto ele, de forma grosseira, vasculhava o meu quarto. Havia uma pequena cama de hóspedes, mas até mesmo ela estava coberta por algumas caixas e quadros. O quarto me envergonhou. Eu realmente precisava organizá-lo. James soltou um som de prazer e puxou uma tela para fora de uma das muitas pilhas de pinturas encostadas na parede. Um dos principais motivos por que eu fazia aquarelas é que elas demandavam muito pouco espaço. Apenas um pedaço de papel, a menos que eu as emoldurasse. Enquanto meus numerosos acrílicos e alguns óleos ocupavam telas do tamanho desse quarto, minhas aquarelas eram em maior número e podiam ser guardadas em um pequeno canto. Vi que ele admirava meu autorretrato e me encolhi um pouco. Autorretratos não eram os meus favoritos. Eu, geralmente, só criava algum quando me faltava inspiração. Eu tinha pintado esse havia alguns anos. Eu usei uma foto que Stephan tinha tirado de mim sem que eu visse. Eu estava sem maquiagem e quis me pintar assim, enigmática. Eu tentei me pintar da maneira como algumas pessoas me viam, meio indecifrável, mas eu raramente me via dessa maneira. Tinha me agradado que outras pessoas me percebiam dessa forma e isso me estimulou a fazer meu autorretrato. Eu estava encostada no balcão do nosso antigo apartamento. Meus braços descansavam sobre ele e a cabeça estava inclinada, como se estivesse olhando para longe. Mas meus olhos eram de um azulclaro, meio desbotados. Nós estávamos tendo uma festa em nosso pequeno apartamento, eu me lembro. A foto tinha sido a forma que Stephan encontrou de tentar me atrair para a diversão. Eu nem tinha notado, até que vi que ele batia várias fotos minhas. Eu tinha usado a primeira delas para fazer a pintura. "Eu quero isso", disse James baixinho. "Posso comprá-la de você?" Olhei para ele com severidade. "Isso é ridículo. Você pode tê-la, se quiser. Eu nunca penduro autorretratos. Eu não posso imaginar por que você iria querer isso, no entanto. Onde você vai pendurar uma coisa dessas?" Ele sorriu. "É diferente. Você tem outras?" Revirei os olhos, em sinal de aborrecimento. "Sim, eu tenho. Elas estão aqui, em algum lugar. Como você pode ver, eu não tenho isso organizado. Eu não tenho nenhuma ideia de onde está qualquer pintura específica." James começou a mexer nas minhas coisas para procurar o que desejava. Eu suspirei, resignada a ceder ao seu humor estranho para escavar em cada parte da minha casa. "Eu vou tomar meu café da manhã. Você pode ficar com todas as pinturas que quiser, mas, por favor, não as leve se você estiver apenas querendo me bajular". Eu saí antes que ele pudesse comentar.


20 Sr. Generoso

P

reparei presunto e ovos. Eu precisava ir ao supermercado e isso era a única coisa que havia na geladeira. Eu tinha que manter a cozinha muito limpa, comprando apenas as coisas que consumiria imediatamente ou que duravam por semanas antes de acabar a validade. Era uma das condições do meu trabalho. Fiz uma porção enorme para James e um prato mais razoável para mim. Eu sabia, a partir da minha longa experiência com Stephan, que um homem do tamanho de James, não importa em que forma física esteja, precisa de muita comida. Tive sorte de encontrar um pequeno pedaço de queijo cheddar para cobrir o presunto e os ovos. Prato simples, mas delicioso. Eu levei os pratos e algumas garrafas de água fria para o quarto de hóspedes. James estava fuçando em meio àquela bagunça com o máximo de concentração como sempre. Eu vi que ele tinha encontrado mais quatro fotos para adicionar à sua coleção. A primeira era um retrato a óleo de um lírio. Eu pensei que fosse uma escolha estranha para ele e apenas deixei o prato sobre a cama, na parte de cima onde ele estava agachado, cavando. Tentei não olhar para ele enquanto me sentava do outro lado da cama para comer, com o prato balançando no meu colo. Ele ainda só estava de cuecas boxer. Era mais que uma distração. “Eu fiz presunto e ovos", eu disse, enquanto ele continuava a mexer nas coisas. "Não é nada muito especial, mas já está esfriando." Ele virou-se para mim, sentando-se de pernas cruzadas no chão e agarrando o prato. Ele sorriu quase como uma criança. "É como o Natal para mim aqui. Não é sempre que encontro algo que eu quero e que ainda não tenho." Eu bem posso acreditar, pensei. Mas o que eu não poderia imaginar era por que ele queria as minhas pinturas. Eu só achava que ele queria me bajular para transar comigo. O que era obviamente desnecessário nesse caso. Acho que isso estava me confundindo bastante. Ele esvaziou o prato em pouco tempo. Eu ainda nem estava na metade do meu quando ele dava sua última mordida. "Estava uma delícia. Obrigado", ele disse, e voltou ao trabalho. Terminei de comer e olhei para as pinturas que ele tinha selecionado até o momento. Três autorretratos meus e o lírio. Enquanto eu os observava, ele encontrou o meu busto em aquarelas. Ele


as abriu como se tivesse todo o direito do mundo. Por alguma razão, eu não tentei impedi-lo. Ele juntou mais duas fotos à sua seleção quase que imediatamente. Mais autorretratos, eu notei. Eu comecei a ficar impaciente quando ele procurou o busto. Eu estava me lembrando de um autorretrato bastante embaraçoso que tinha enterrado na parte inferior. Para escondê-lo. "Eu preciso sair para as compras. Eu não tenho nada de comida para o almoço, sendo assim..." "Huummm”, ele murmurou, mas continuou a procurar. Ele separou duas das minhas pinturas maiores em aquarela, colocando-os em sua pilha. Eram paisagens de montanhas de Las Vegas, muito parecidas com as que eu tinha em minha sala de estar. Eu realmente gostava mais dessas do que daquelas que cobriam a minha parede, mas só que essas são muito grandes para o mosaico. Eu sabia o que ia acontecer quando ele descobrisse a pintura com que eu estava preocupada. Ele puxou uma pintura menor, calmo e com a respiração profunda. Ele ficou olhando para aquilo por tanto tempo que caminhei até ele, verificando se as minhas suspeitas estavam corretas. Eram elas, com certeza. Foram feitas em um pedaço de papel de aquarela do tamanho de impressão. Meu autorretrato totalmente nua. Olhando para ele, não fiquei tão envergonhada como pensei que ficaria. Pelo menos era uma imagem melhor do que eu me lembrava. Eu tinha me sentado em uma cadeira no meu quarto, na frente do espelho, de corpo inteiro. Estava sentada muito endireitada e tinha até mesmo pintado o pincel na minha mão, o cavalete e a tábua com que estava trabalhando. Meus seios estavam totalmente à mostra, mas minhas pernas estavam fechadas modestamente. Modestamente para um nu. Só havia uma discreta sugestão da nudez. Meu olhar era firme, apesar de amplo. Minha mão livre estava na minha coxa, apertada. Meus pés descalços estavam arqueados, meus dedos dos pés eram cor-de-rosa. Meu cabelo estava solto, apesar de não cobrir coisa alguma. “Muito bonito”, James disse, passando o dedo ao longo da página. "Eu não sei onde pendurá-lo. Eu deveria queimá-lo, para que ninguém mais pudesse vê-lo, mas eu não poderia fazer isso. É muito perfeito." Sua mão disparou para a minha perna. Eu estava sentada do seu lado, apesar de ele estar de costas para mim. Eu pulei assustada. "Você é muito perfeita. Preciso levar essa pintura comigo. Você tem uma pasta onde eu possa carregá-la?” Pus a mão no peito. Sua mão permaneceu na minha coxa, segurando-a com firmeza, mesmo quando dei um passo à frente. Peguei uma pasta azul-escuro. Eu as tinha espalhadas por todos os lugares. Elas sempre foram úteis para guardar as aquarelas. "Aqui está. Mas se você ficar com essa pintura, é justo que eu comece a pintar um nu de você." "Como quiser, Florzinha Selvagem", ele me disse, voltando-se para um beijo firme na minha barriga, antes de esconder o nu na pasta. "Para o chuveiro. Vou providenciar que essas pinturas sejam transportadas e postas nos quadros". Ele levantou a pasta. "Menos essa aqui. Essa eu mesmo levo". E saiu do quarto.


Sem que houvesse explicação, eu me sentia um pouco instável, mas fui para o chuveiro sem falar nada. Fiquei no chuveiro por uns bons dez minutos, antes de James aparecer atrás de mim. Eu já tinha me lavado, mas ele me ensaboou novamente sem nem pedir, me tocando em todos os lugares. Sua ereção dura pressionava contra as minhas costas. Eu me esfreguei no seu corpo e ele empurrou meus quadris suavemente. "Não até eu checar o quanto você ainda está dolorida", ele disse, como se me ordenasse. Mas continuou a me tocar, esfregando os meus seios suavemente por longos minutos. Minha cabeça caiu para trás e eu fiquei muito excitada. "Isto deve estar muito dolorido ainda, mas eu não consigo manter minhas mãos de fora. Meu autocontrole vai por água abaixo e você é a responsável. Eu nunca tive esse problema antes". Ele falava ao meu ouvido, com a voz grossa, como se estivesse me contando um segredo sujo. Isso me deixou incrivelmente excitada. Ele fechou o chuveiro. Ele tirou a toalha de mim para se enxugar rapidamente e a envolveu em torno dos quadris. "Fique de costas na cama", ele me pediu. Fui para a cama e senti sua presença atrás de mim a cada passo. Deitei-me de costas e o meu cabelo molhado se espalhou em cima da minha cabeça. Ele puxou as minhas pernas, enquanto arrastava os meus quadris para a borda da cama. Ele era mais habilidoso do que grosseiro da maneira como me tratava. Ajoelhou-se entre as minhas pernas, usando um leve toque para me analisar. Eu deveria ter ficado constrangida, mas eu estava acima disso. "Eu não me importo se doer”, eu disse. E não me importava mesmo, não naquele momento, embora eu estivesse extremamente dolorida no trabalho no dia anterior. "Quieta", ele me disse, com a voz áspera. "Meu controle está por um fio, mas você ainda está muito machucada. Eu transei demais com você naquela primeira noite e durante aquela manhã. Merda, eu não posso acreditar que eu fiz tudo isso a uma virgem. Eu me sinto como um idiota, olhando para toda essa carne cor-de-rosa ferida". Seus dedos ainda estavam tocando suavemente minhas pétalas, enquanto examinava o meu sexo. Mas eu ainda quero foder você tão forte que eu mal consigo esperar." Eu me contorci com o toque dos seus dedos. "Então me foda. Por favor." Ele deu um tapinha duro na lateral do meu bumbum. "Não". Ele olhou para mim com os olhos preocupados e bonitos. "Eu vou precisar ter mais cuidado com você. Eu não sabia que você poderia transar tanto sem protestar, por isso eu continuei aquele dia. Merda. Eu não deveria ter transado a segunda vez, mas eu me lembrarei daquela noite enquanto eu viver. Foi tão perfeita." Suas palavras foram me excitando cada vez mais. Eu acariciava meus seios quando ele vociferou e me lançou um olhar duro, mas excitante. "Bem, nós vamos ter que fazer algo sobre isso". Um dedo errante encontrou o meu traseiro. Eu


endureci instintivamente. Ele riu, retirando-o. "Isso não." Sem dizer nada, ele escondeu o rosto entre as minhas pernas com um propósito. Ele me fez arfar e pronunciar o seu nome em um orgasmo em menos de um minuto. Ele se arrastou até o meu corpo para me beijar com a boca ainda molhada. Corri minhas mãos em todos os lugares que eu podia tocar. "Eu amo o seu corpo. Eu nunca cheguei a tocá-lo o suficiente. Eu quero", eu murmurei em sua boca enquanto ele se afastava. Ele caiu para trás, deitado de costas, quase que instantaneamente, aceitando o meu capricho. Ele cruzou os braços musculosos e morenos atrás da cabeça, sorrindo. Ele estava sendo, aquela manhã inteira, um amante terno e só durante o banho houve lampejos de sua parte dominante. “Fique à vontade, meu Amor." Eu não hesitei, usando ambas as mãos para acariciar seu abdômen esculpido. Um tipo de abdômen rígido e bem definido que faria Brad Pitt ficar em segundo plano. Eu beijei seu abdômen, enquanto minhas mãos subiram cada vez mais, e eu o lambia. Ele respirou fundo. Eu fui em direção ao peito. Seus pequenos mamilos me deixavam selvagem, com aquele tom marrom mais escuro do que a sua pele perfeita. Eu o acariciava e o lambia até o pescoço. Tudo nele era tão longo. Seus braços, suas pernas, seu tronco. Meu olhar viajou para o sul, para a sua excitação tremendo. Durava por muito tempo e seu pênis estava tão duro e grosso. Eu queria sentir o gosto dele, mas sabia que minha exploração seria abandonada se eu fosse tocá-lo agora. Voltei para o seu pescoço, movendo-me para baixo, para a linha definida do seu tórax. Eu me aninhei ali, persistente. Eu amei esse lugar e me senti quase confortada quando enterrei meu rosto lá. Deixei-me permanecer ali por longos minutos. Relutantemente, me afastei. Eu chupava um mamilo, mordendo-o de leve. Como ele não protestou, mordi um pouco mais forte e chupei com toda força. Ele gemeu. Minhas mãos estavam amassadas entre seus braços, enquanto eu ia para trás e para frente entre os mamilos. Ele era tão forte, mas sua pele era incrivelmente suave. Eu estava ficando tão excitada que fui beijando um caminho diretamente para seu pênis. Eu tinha perdido o controle para ficar longe. Eu segurei o seu escroto, colocando os lábios molhados na ponta do pênis, enquanto encontrava uma posição melhor. Ele agarrou minhas coxas e me puxou até que encontrei o seu rosto. Fiquei chocada quando sua língua começou a me lamber estando ambos naquela posição. Sua mão se moveu para a parte de trás da minha cabeça, empurrando a minha boca surpresa de volta para sua ereção. Ele falou com a boca encostada em mim e sua voz era um ruído surdo e vibrante. Estremeci diante daquela sensação e de suas palavras. "Não chegue ao orgasmo até que eu diga. Quero que gozemos ao mesmo tempo." Eu não respondi, não podia, enquanto eu o chupava com minha boca faminta. Quanto mais ele me


lambia e se esfregava em mim, mais eu o chupava furiosamente. Eu acariciava seu pênis duro com as duas mãos, como ele tinha me mostrado, pondo na boca o máximo que eu podia. Afastei-me só por um momento para respirar sobre aquela cabeça vermelho-escura quando ele chupou meu clitóris. Seu pênis subiu para mim furiosamente e eu o levei de volta para a minha boca. "Goze, Bianca". Ele soprou as palavras que foram direto para os meus ouvidos. Eu gozei, sugando-o com força, minha boca sugando-o cada vez mais. Ele derramou em minha boca, no mesmo instante, e eu engoli, enquanto meu corpo inteiro tremia.


21 Sr. Mandão

E

le me virou de bruços. Seus dedos tocaram levemente as minhas coxas e bunda, enquanto ele me observava.

"As manchas desapareceram. Sua pele gosta de uma boa surra". Uma mão vagou entre as minhas pernas, me acariciando num sussurro suave. "Você estaria bem se eu não tivesse sido tão exagerado. A maneira como eu a fodi em sua primeira vez... Eu não consigo parar de pensar nisso, não posso acreditar que não tive autocontrole." Eu fechei os olhos, apenas apreciando seu toque. "Eu adorei. Eu não iria querer isso de nenhuma outra maneira que não fosse como foi." Ele acariciou meu cabelo. "Isso é porque você foi feita para mim. Mas eu ainda preciso lhe dar alguns dias para se recuperar, o que é lamentável". De repente, ele bateu na minha bunda. "Vista-se, Florzinha Selvagem", ele me disse, movendo-se para a mala que tinha deixado na porta do meu quarto. Ele enfiou a mão nela, puxando cuecas boxer e em seguida entrou para o meu banheiro. Eu não tinha percebido que ele tinha deixado sua roupa pendurada lá. E muito mais do que por uma noite, o que achei curioso. Talvez porque ele goste de poder escolher suas roupas, pensei. Ele foi mexer nas minhas próprias roupas, pegando um vestido branco com desenhos de girassóis. Ele me deu o vestido e disse: "Use este". Eu não reclamei. Era bastante confortável. Peguei um sutiã e uma calcinha fora do meu armário. Ele me seguiu até lá, vasculhando a gaveta sem pedir. "Ótimo", ele disse. Eu quero que você compre mais uma dúzia delas. “Você viu que na nossa última batalha você teve algumas baixas." Eu ri com a descrição. Estranho, controlador, engraçado esse homem, eu pensei. Fui para o meu banheiro me vestir. James era muito perturbador. Assim que me troquei, enviei uma mensagem a Stephan para dizer que estávamos quase prontos e que eu chamaria na porta dele quando fosse a hora. Stephan sempre estava vestido como um modelo, mas ele nunca precisou de mais do que dez minutos para ficar pronto. Eu achava isso conveniente e irritante, dependendo da época do mês. Eu me sentei bem à vontade para usar o secador por cerca de um minuto, só para tirar o excesso de água. Eu queria deixar que o resto secasse naturalmente pelo caminho. Eu o prenderia quando


secasse, então, não estava preocupada com isso. Coloquei apenas um toque de maquiagem. James se vestiu rapidamente e se sentou na minha cama, me olhando, com seu cabelo úmido. Ele usava uma bermuda azul-escuro que me permitia admirar suas panturrilhas longas e musculosas. Estava combinando com uma camiseta de gola V cinza-claro, colada no corpo o suficiente para chamar a atenção. Era a roupa mais casual que eu já tinha visto. Ele passou os dedos nos cabelos e parecia estar pronto para ir. Eu olhei para ele. "Não é justo alguém tão bonito sem o mínimo de esforço", eu disse. Ele apenas sorriu para mim. Eu coloquei o meu relógio, embora geralmente só usasse relógio para trabalhar ou quando fosse necessário. Eu achei que isso agradaria James. Eu estava certa. Ele acariciou os meus ombros, com os olhos ardentes enquanto me observava no espelho. Eu me inclinei para a carícia, fechando os olhos. Suas mãos eram inquestionavelmente mágicas. Ele parou, me puxando para que eu ficasse de pé. "Vamos." Uma limousine SUV estava estacionada em frente da casa e eu olhei meio espantada. "Isso não é um pouco demais para ir às compras?", perguntei. Ele moveu os ombros. "Eu preciso fazer um trabalho enquanto vocês compram. Achei que ficaria mais confortável com a limousine." Ele puxou minha mão em direção à casa de Stephan. Bateu na porta e Stephan a abriu imediatamente. Ele sorriu para nós, saindo e trancando a casa. Ele usava uma bermuda cargo xadrez e uma camiseta pólo azul-claro. Ele estava em sua perfeita glória Abercrombie hoje. Stephan me beijou no rosto. "Bom dia, linda. Hoje você está especialmente radiante", ele me disse, e fiquei vermelha. James apertou minha mão. Seguimos para a minha loja favorita de artigos de arte. Ficava do outro lado da cidade, por isso quando ia lá eu costumava comprar itens para estocar, porque fazia isso de vez em quando. James estava praticamente colado ao meu lado na limousine, com um braço nos meus ombros. Stephan estava sentado em um banco que ficava do outro lado do carro, descansando confortavelmente. "Eu poderia me acostumar com isso. Obrigado por nos levar, James", disse Stephan sorrindo de alegria. James apenas balançou a cabeça agradavelmente, uma mão distraidamente acariciando meu cabelo. Foi um pouco estranho no começo, mas relaxei em seus braços. Não é que eu não gostasse do seu toque. Na verdade, a minha relutância tinha mais a ver com o fato de gostar muito. O telefone de Stephan apitou um texto e ele checou, comentando. "Desculpem-me." Ele deu um pequeno grito quando leu a mensagem. "Excelente. Damien e Murphy têm uma linha que bate com todas as nossas viagens de Nova Iorque este mês. Eu sabia que eles estavam tentando fazer


isso nos últimos meses, mas não estava dando certo. A nova licitação começa esta semana, então eles vão estar na nossa parada neste fim de semana." Eu sorri. "Bom", eu disse. Eu vi que James olhou para mim com ar de interrogação. Tentei imitar a fala de uma aeromoça em Inglês ao lhe responder: "Damien e Murphy são nossos amigos pilotos, com quem sempre trabalhamos juntos. Eles conseguiram um novo horário de voo e nós vamos fazer todas as nossas escalas de Nova Iorque com eles." "Melissa vai amar Damien", Stephan murmurou, enviando uma mensagem de texto furiosamente. "E nós não vamos ter de vê-la saindo de novo com aquele capitão casado", eu disse, observando a expressão de James. Eu não queria que ele se sentisse deixado de fora da conversa. "Por que ela vai adorar Damien?", James perguntou a Stephan, com a voz branda. "Bem, ele é um capitão, e por isso tem um salário decente. Além disso, ele é quente. Ele tem um sotaque australiano e se parece com Colin Farrell." Quando Stephan falava, ele não tirava os olhos do telefone. Ele estava tuitando sobre isso? Quem diria! Eu ri. "Ele se parece mesmo. Eu nunca tinha pensado nisso." "Melissa irá persegui-lo como uma cadela no cio." Eu empalideci brevemente com as palavras duras de Stephan. Não era usual ele agir assim, mas eu sabia por que ele não gostava dela tão intensamente. Ela despertou nele o seu lado protetor da forma como me tratou. Olhei para James. Seus olhos estavam frios. Algo o chateou. Ele estava chateado por que Melissa iria transar com Damien? Ele estava interessado nela? Ela teria dado a ele o número dela, como ela tinha me dito? Eu não queria perguntar a ele, então desviei o olhar. Estávamos descendo a Ramrod Street quando expliquei para James: "É provável que demoremos lá dentro. Eles têm um espaço onde você pode montar os seus próprios quadros e Stephan precisa encontrar um quadro para uma imagem." James apenas assentiu com a cabeça, tirando o laptop para fora de sua maleta. "Você tem uma lista de compras?", perguntou. "Sim." Ele estendeu a mão. "Eu vou dar isso a Clark, pois tem um supermercado aqui do lado. Ele pode comprar as coisas do supermercado para você. Stephan, se você tiver uma lista também, me dê. Eu vou fazer as compras para vocês." Eu comecei a protestar. James apenas levantou a mão. "Você vai cozinhar para mim pelos próximos dias. Parece uma troca justa para mim. Stephan, quer jantar conosco hoje à noite?" "Vocês gostam de sushi?", James perguntou. Nós dois balançamos a cabeça em sinal positivo.


Stephan aceitou o convite com alegria. Enviei a James um olhar caloroso. Ele sabia como me bajular, isso era certo. "Bom. Há um lugar ótimo que fica a cerca de cinco minutos daqui. Iremos até lá quando vocês tiverem terminado". Dito isso, ele passou a dar atenção ao seu laptop, dispensando-nos. Saímos da limousine, sorrindo um para o outro. "Seu namorado é mandão", Stephan me disse, provocando. Eu fiz uma careta. "Ele não é meu namorado. Nós só estamos nos conhecendo por alguns dias. E eu não acho que ele faça coisas de namorado.” Ele ergueu uma sobrancelha. "Então, o que ele faz?" Acenei com a mão para a limousine. "Ele faz isso. Eu acho que ele persegue furiosamente relações físicas curtas e privadas." Stephan me olhou com o semblante meio preocupado. "E como você se sente sobre isso?" Mexi os ombros. "Eu não tenho certeza. Eu não quero pensar muito sobre isso. A ideia de algo permanente me assusta, talvez por isso seja o ideal para mim." Ele pegou minha mão, parecendo triste. "Não se machuque, Florzinha Selvagem." Mexi os ombros. "A vida dói. Contanto que não nos mate, nós sobrevivemos a ela." Ele engoliu a saliva, assentindo. Eu sabia que ele queria dizer mais coisas, mas se conteve para evitar atrapalhar o nosso estado de espírito. Parei na calçada antes de entrar na loja, olhando-o de frente. "Eu acho que ele é bom para mim, de certa forma. Eu não consigo resistir a ele e tenho que enfrentar meus medos quando estamos juntos. Acho que é libertador, embora um pouco assustador." Fiz uma pausa, respirando fundo. "Eu acho que decidi fazer uma coisa. Irei à polícia. Eu preciso dizer a eles o que vi", eu disse a ele em voz baixa, referindo-me ao antigo incidente de uma década atrás que ainda me assombrava. Seu olhar procurou o meu. Ele sabia a que eu me referia, mas queria entender o porquê. "Eu só preciso encerrar esse caso. É algo que continua na minha mente e me atormenta. Estou cansada de viver com medo. Se eu testemunhar, talvez esse monstro vá para trás das grades, de onde ele nunca poderia me tocar. E algum tipo de justiça poderia me trazer um pouco de paz." Ele acenou com a cabeça. "Basta me dizer quando. Eu estarei lá com você." "Em breve. Talvez depois que passar essa onda chamada James. Uma ou duas semanas." Sua mão apertou a minha. "Eu entendo por que um relacionamento a intimida, na verdade a todos nós. Mas isso não significa que você não mereça mais do que um simples caso com esse cara ou que você não deveria tentar algo mais." Eu só balancei a cabeça. "Eu não posso sequer cogitar a ideia agora, Stephan. Não com James. Confie


em mim, eu estou bem com as coisas desse jeito. Eu me sentiria melhor, portanto, se você aprovasse." Ele colocou o braço em volta de mim, me apertando. "Estou de acordo com tudo o que a deixa feliz. Mas se você sair ferida no final disso tudo, aquele bastardo rico vai ter de se ver comigo, porque eu vou acabar com ele." Eu fiquei chocada com o que ele disse, embora seu tom de voz fosse suave. Olhei seu rosto atentamente. Ele, como eu, tinha uma história longa e sórdida com relação à violência. Stephan tinha crescido sob uma rigorosa educação mórmon. Ele era um cavalheiro à moda antiga em função disso, o que sempre achei irresistivelmente encantador. Eu também estava convencida de que isso o tinha transformado em um romântico incurável, sempre pensando que todos deveriam ter um final feliz, com o seu único e verdadeiro amor. Isso me encantava também. Ele tinha ótimas qualidades, profundamente arraigadas, o que me levava a acreditar que elas se devessem a suas origens profundamente religiosas. Mas ele não se encaixou nos moldes que seus pais tinham designado para sua vida. Stephan tinha nove anos quando seu tio começou a abusar sexualmente dele. O pervertido era irmão de seu pai. Ele também era um pilar de sua comunidade religiosa e tinha uma posição acima do próprio pai de Stephan. O pai de Stephan tinha criado esse irmão mais velho e quando Stephan, com dez anos de idade, tentou contar ao pai o que se passava, foi duramente repreendido. Stephan me disse que até aquele momento o pai não tinha sido violento com ele, mas passou a ser agressivo depois disso. O pai de Stephan o chamava de mentiroso, culpando-o de coisas que ele sequer tinha feito. Ele começou a se ofender com cada pequena coisa que Stephan fazia, chamando o menino de "mentiroso" e "viado.” Os espancamentos aumentaram a tal ponto que Stephan começou a revidá-los. Ele era grande apesar da pouca idade e revelou para mim que tinha encontrado uma maneira decente de se defender contra seu pai. Stephan tolerou o abuso quase constante até os quatorze anos, mas disse que estava tão cansado daquilo que não se importava mais com a própria vida. Ele contou aos pais, então, que era gay. Seu pai o espancou severamente, e também se machucou tanto durante a briga que expulsou Stephan de casa. Stephan sempre odiou a violência, mas graças ao pai bastardo que tinha, tornou-se experimentado nisso desde a mais tenra idade. Eu cutuquei Stephan nas costelas com o cotovelo. "Você disse que odeia lutar", comentei. "Sim, eu odeio. Mas sou bom nisso. E imagino que o Sr. Cavendish nunca tenha tido que lutar em um ringue para não morrer de fome." Eu vacilei, lembrando-me daqueles dias de que ele me falou. "Não vamos precisar disso, certo? Eu vou ficar bem no final dessa história e você não vai sequer pensar em dar um soco." Stephan assentiu, mas eu não estava totalmente convencida. Eu o arrastei para a loja. Tínhamos passado muito tempo discutindo sobre coisas nada agradáveis.


22 Sr. Excêntrico

S

tephan foi direto para o setor de quadros e peguei um carrinho de compras para repor o material. Tenho que reabastecê-lo bem.

Eu estava com vontade de inovar. Peguei várias telas de tamanhos variados e mais papel de aquarela. Selecionei algumas novas cores acrílicas com cuidado, encontrando um azul que era absolutamente perfeito. Pintura, para mim, tinha tudo a ver com cores. Peguei meia dúzia de tubos de aquarelas que só precisavam de substituição. Eu os coloquei sobre alguns itens de limpeza que comprei porque essa loja vendia mais barato do que em qualquer outro lugar. Os preços naquela loja excêntrica era o que me fazia atravessar a cidade para repor os meus estoques. Levei uns cinco minutos para encontrar um pequeno pincel de zibelina que costumo usar para retoques e dar mais destaque aos detalhes. Eu tinha que substituir esse pincel com frequência. Quando suas cerdas começam a amolecer, não serve mais para uso. Eu comprei dois, e algumas novas tintas a óleo, porque, como eu não teria mais que fazer compras no supermercado, ia me sobrar mais dinheiro. Era um sentimento bom, uma espécie de alívio, na verdade, poder comprar algumas coisas a mais para o meu adorável hobby. Tentei não me sentir culpada por permitir que alguém me ajudasse dessa forma. Mas teria sido difícil recusar a oferta. A ordem, melhor dizendo. Meu carrinho estava cheio, algo fora do comum, quando vi Stephan, que ainda estava indeciso sobre que moldura escolher. Ele era muito detalhista sobre a decoração de sua casa. Por isso é sempre lisonjeiro para mim que ele escolha minhas pinturas para decorar quase todas as suas paredes. Ele me mostrou cinco opções de moldura que tinha separado. A que me chamou a atenção de cara tinha sido feita com um material escuro e pesado. "Esta aqui", eu disse. Ele olhou para mim, como se me implorasse algo, no melhor estilo “O Gato de Botas”. Eu sorri, começando a colocar a armação junto dele. Eu tinha pensado em escolhê-la, de qualquer maneira. Stephan ia levá-la e eu tive a intuição. Eu fiquei absorvida durante o processo, vendo a pintura que Stephan tinha trazido para poder checar o meu trabalho. Eu bati os pregos em forma de V, lentamente, o que era o segredo para que ficasse perfeito. Stephan os pregava do outro lado com uma só martelada. Quando terminei, já estava com a arte pronta e acabada para entregar a Stephan, o que fiz


sorrindo. Ele sorriu de volta. Ele estava mexendo no telefone quase todo o tempo em que eu trabalhava, o que era habitual. Ele era a borboleta social da nossa parceria, constantemente enviando mensagens de texto a alguém, atualizando sua página no Facebook ou trocando tuítes. Fui na frente para a fila única do caixa. Eu estava começando a sentir um pouco de remorso por ter enchido o carrinho e ter que gastar mais do que tinha previsto. Eu realmente não queria ter que colocar algumas coisas de volta nas prateleiras. Isso era uma vergonha pela qual eu não tinha tido que passar havia anos. Isso poderia acontecer, visto que eu tinha comprado mais coisas. Mas assim que tirei o meu cartão de débito para fora, a atendente levantou a mão. "Já está tudo pago, senhora". Eu fiquei sem palavras, enquanto ela punha o último item na sacola. Senti-me grata e indefesa ao mesmo tempo. Provavelmente era a sua intenção, pensei distraidamente. As compras de Stephan também tinham sido pagas, embora ele não tivesse comprado um terço do que comprei. "Não é certo permitir que ele faça tudo isso, é?", perguntei a Stephan. Ele sacudiu os ombros. "Por que não? Ele está fazendo algo legal e demonstra consideração. Não é um crime deixá-lo ser carinhoso com você." Clark nos encontrou no centro do estacionamento, levando o carrinho de compras, solicitamente. Ele conseguiu empurrar o carrinho e, ao mesmo tempo, abrir a porta do carro para que entrássemos. Eu acenei com a cabeça, sorrindo calorosamente. "Obrigada, Clark", eu disse. Ele sorriu de volta, com timidez. Ele era um grande homem negro, calvo e usava óculos escuros enormes. Seu terno parecia caro e profissional. Ele parecia tão intimidador, mas tinha o sorriso mais bonito de todos. Ele acenou de volta educadamente. "O prazer é meu, Senhorita Karlsson", ele disse, me surpreendendo por saber meu sobrenome. Eu escorreguei para o assento confortável ao lado de James. Ele estava ao telefone, com o computador aberto. Ele não olhou para mim nem falou comigo, apenas colocou uma mão possessiva no meu joelho quando me sentei ao lado dele. Stephan saltou em seu assento, sorrindo. Eu sabia que ele amava ser tratado como um rei da forma como tinha sido hoje. Tinha sido um longo caminho para eu lidar com a situação. Era fácil negar algo a mim mesma. Mas Stephan, por outro lado... James continuou ao telefone quando Clark começou a dirigir. Ele estava dando respostas curtas, firmes e frias para a pobre alma do outro lado. A mão dele de vez em quando apertava a minha perna, especialmente quando ficou tenso. "Se eu precisar encontrar uma nova chefia para os meus escritórios em Nova Iorque, eu vou fazê-lo. Eu espero um nível de competência que você não está me provando até agora". Ele fez uma pausa, segurando minha perna. Ele olhou para mim, como se estivesse meio ausente, e seu aperto se transformou em uma espécie de


pedido de desculpas. Clark parou o carro e desceu para comprar sushi. Devia ser o lugar de que James tinha falado. James ainda estava ao telefone, dessa vez apenas ouvindo o interlocutor e apertando a minha perna. Clark voltou para o carro com uma rapidez surpreendente, com os braços cheios de embalagens para viagem. Ele começou a dirigir novamente. Eu achava que estávamos indo para casa. "Como é possível que esteja ausente de qualquer outra propriedade por semanas ou meses, de tempos em tempos, e as coisas continuarem a correr bem? Parece-me óbvio que esse é um problema de gestão". A voz de James estava ficando mais exacerbada. Dei uma olhada para Stephan. Ele usava o telefone, claro. Pus a minha mão sobre a de James, só para fazer um teste, e em seguida comecei a tocar o seu braço, evitando cuidadosamente tocar a região do pulso onde havia as cicatrizes. Eu estava muito curiosa para saber sobre essas cicatrizes, mas é claro que eu não perguntaria. Se fizesse isso teria de falar sobre mim mesma. Agarrei-me no seu bíceps, me esfregando timidamente. Eu não estava acostumada a essa coisa comovente. Debrucei-me sobre ele, colocando meu rosto em suas costas, quando ele se inclinou para frente. Passei a mão na sua perna e com a outra massageei seu ombro timidamente. Ele ficou rígido com o meu toque. Comecei a me afastar. Ele tirou o telefone do ouvido. "Não", ele me disse, colocando minha mão de volta na perna. Nenhum de nós estava habituado com o toque feito por mim, mas não parecia ser indesejável. Esfreguei sua perna levemente e ele pareceu relaxar, pouco a pouco. "Faça acontecer. Esta é a sua chance de provar que é capaz, para melhor ou pior". Ele terminou a chamada, fechou o minúsculo laptop e guardou ambos na maleta que estava próxima aos seus pés. Ele olhou rápido para Stephan, que estava ocupado. Agarrou a parte de trás da minha cabeça, segurando o meu cabelo com firmeza e me beijando. Foi um beijo quente e eu tentei recuar. Esta não era uma maneira de agir na frente de Stephan. Ele agarrou-me com mais força, varrendo a língua na minha boca. Eu tinha acabado de começar a amolecer quando ele se afastou. "Eu fico selvagem quando você me toca", ele sussurrou ao meu ouvido, com firmeza. "Lembre-se disso da próxima vez que você me tocar na frente de outras pessoas. Quer estejamos diante de um público, ou não, não me impeça de tocá-la de volta. Essa é a minha única advertência." Ele se sentou de volta, mas me puxou com força para o seu lado. Estaria ele, de alguma forma, arriscando-se a reclamar na frente de Stephan? Eu simplesmente não podia acreditar nisso. "E que tal as compras?", ele perguntou. "Ótimo. Obrigada por... ter pago por tudo." Ele me surpreendeu ao me beijar com força outra vez.


"Obrigado Você. Por todas essas pinturas maravilhosas que tão generosamente me deu, sem pensar em recompensa." Eu fiquei vermelha. Eu não me sentia bem ao receber elogios, em geral, e sentir orgulho por minhas pinturas era uma novidade para mim, já que poucas pessoas as tinham visto. Stephan finalmente largou o telefone. Ele deixou o quadro em uma sacola e a trouxe consigo para dentro do carro. Ele o puxou para fora, mostrando-o para James com orgulho. "Não é incrível?", ele disse todo orgulhoso. "Ela até montou o quadro." James observou a pintura. "Sim, é incrível." "Toda a minha casa está coberta de suas pinturas. Podíamos jantar lá e assim você poderia ver tudo." James concordou prontamente. "Sim, obrigado. E eu quero lhe pedir um favor, Stephan”. O braço de James estava apertado em torno de mim enquanto falava, quase como se ele estivesse com medo de que eu fosse tentar fugir no momento seguinte. "Claro, cara. O que está acontecendo?" "Eu analisei as pinturas de Bianca criteriosamente e acho que ela tem bastante trabalho realizado para exibir em uma galeria", comentou. James tapou a minha boca quando tentei falar. "Eu tenho uma galeria em Nova Iorque. Eu posso pedir à minha equipe que cuide de todos os detalhes. Como você pode ver, ela vai resistir à ideia. Eu preciso de você para me ajudar a convencê-la a marcarmos a data". Ele tirou a mão da minha boca, mas de repente eu estava sem palavras. "Eu venho colecionando arte desde a adolescência. Tenho um olho para a arte e sei que ela tem um talento raro", James prosseguiu, enquanto eu e Stephan ficamos calados. Stephan parecia chocado e depois em êxtase. "Sim, ela irá. Você tem que fazer isso, Florzinha Selvagem. Vou ter um acesso de raiva absoluta se você não aceitar." Eu falei a primeira coisa que veio à minha mente. "A maioria deles são paisagens desérticas. Não há nenhuma maneira de que isso chame a atenção em Nova Iorque". De todas as coisas que achei impossíveis, não sei por que essa questão foi a primeira que me veio à mente. James sorriu de forma triunfante. Foi fascinante. O sorriso de um conquistador selvagem. E eu apenas lhe dei o que ele queria. "Nunca se sabe. Eles podem gostar de uma mudança de cenário, mas antes elas precisam ir para a minha galeria para que as pessoas possam ver. Eu também tenho uma galeria em Los Angeles e outra pequena aqui em Las Vegas. A de Las Vegas é mais uma atração turística, na verdade. Eu não considero que seja interessante para uma exibição." "Tudo o que eu preciso é que você escolha aquelas que gostaria que fossem expostas e dê nomes às pinturas que gostaria de nomear. Vou mandar uma amostra a ambas as galerias para que eles possam me dar algum feedback antes de eu definir a exibição. Além disso, acho que alguns dos trabalhos que você tem exposto na sua casa poderiam vender muito bem como estampas, caso você aceite." Lembrei-me de todas as pinturas que ele escolheu. "Então foi por isso que você as estava


separando? Era para as galerias?” Ele olhou para mim como se eu estivesse louca. "Não, claro que não. Essas são para a minha própria coleção. Você e eu vamos decidir juntos o que enviar como amostras." Eu me senti uma onda de insegurança. "Eu não tenho nenhuma formação. Eu-" Ele pôs a mão na minha boca. "Nada disso importa, Amor. Ou se tem talento ou não. E você tem. Agora me diga que concorda." Eu não concordei nem discordei, apenas fiquei atordoada por um tempo. Eu queria isso, queria muito, embora nunca tivesse acreditado que algo assim pudesse acontecer. E eu sabia que não aconteceria mesmo, se um bilionário não tivesse um interesse obsessivo e súbito por todos os aspectos da minha vida. Eu acho que essa era a minha única ressalva quanto a isso tudo: o fato de que tudo isso é apenas uma forma de ele mostrar que me admira. "Podemos dividir o dinheiro, se você não se incomodar, caso eu venda alguma coisa?", perguntei. Ele ergueu a sobrancelha. "Eu não estava planejando isso", ele parecia insultado com o comentário. "Eu me sentiria melhor se você fizesse isso. A galeria terá gastos com a exibição, certo?" Ele suspirou. "Esse é, geralmente, o procedimento padrão", disse ele com cuidado. Stephan explodiu de repente, seu tom de voz agressivo e exasperado. "Ah, pelo amor de Deus, Bianca! Como você pode dizer não a isso? Você tem uma oportunidade rara aqui e, se o seu trabalho for vendido, melhor assim. Se não vender, não vendeu. Qual o problema?" Ele estava se expressando de um jeito que usava quando queria me dizer “Cadê a sua coragem?”, sem ter que pronunciar as palavras. Ele fez a minha espinha endireitar, e esse era o ponto. Eu fiz que sim com a cabeça. "Ok, eu aceito. Quando devemos selecionar as amostras?" James me puxou para o seu colo, me beijando apaixonadamente, o que só combinava com a privacidade de um quarto e não ali em público. "Obrigado, Amor", ele murmurou contra minha boca, e em seguida começou a me beijar novamente. Suas mãos estavam firmes nos meus quadris, segurando-me apertado em seu colo. Mas sua boca era obscena. Eu não podia esquecer que Stephan estava sentado a poucos metros de distância, mas eu também não podia deixar de responder. Eu tentei abafar um pequeno gemido, enquanto sua língua acariciava a minha boca. Ele mordeu meu lábio com força. Eu gemi, com as mãos segurando seus ombros fortes feito rocha. Eu podia sentir sua ereção visível contra o meu quadril. Quando sua língua varreu novamente a minha boca, eu o chupei. Isso o fez recuar, me dando um olhar quente, mas de censura. "Isso vai fazer você ser fodida num segundo, amor", ele sussurrou, mas eu percebi que Stephan podia nos ouvir em um espaço tão pequeno. Eu olhei para ele. "Você que começou."


Ouvi Stephan segurar uma risada. James apenas sorriu maliciosamente.


23 Sr. Volátil

O

almoço foi um evento alegre. James e Stephan pareciam estar cada vez mais próximos. Eles brincaram agradavelmente enquanto comíamos sushi na mesa da sala de jantar de Stephan.

James estava certo, é claro. O sushi era mesmo uma delícia. E a quantidade que Clark tinha comprado era imensa. Dava, literalmente, para alimentar dez pessoas. Eu insistia, corajosamente, em usar os pauzinhos, escolhendo um sushi hot roll Philadelphia e alguns tempuras de camarão para começar, mergulhando-os generosamente em molho de soja misturado com molho de pimentão. "Você vai se juntar a nós naquele bar em Nova Iorque na sexta-feira à noite? À mesma hora, no mesmo lugar?", Stephan perguntou a James. James se aproximou, pondo aquela familiar mão na minha nuca. "Na verdade, queria que Bianca fosse conhecer o meu apartamento na sexta-feira. Eu poderia roubá-la por uma noite, Amor?" Engoli, com a boca cheia de camarão tempura. Estava mais do que curiosa para conhecer o playground que ele tinha mencionado. Senti emoção e tremor só de pensar naquilo. "Sim, você poderia", eu disse, simplesmente. James me lançou um olhar ardente e voltou a conversar com Stephan. Após o almoço, James foi conhecer a casa de Stephan e, novamente, observava cada pedaço da minha arte como se sua vida dependesse disso. Ele tirou várias fotos com seu telefone. Ficamos na casa de Stephan até o final da tarde. Os dois encontraram vários assuntos sobre os quais conversar, de política a esporte, passando por cinema e carros. Fiquei em silêncio por uma boa razão, simplesmente pela novidade de ver aqueles dois homens na minha vida interagindo como se fosse a coisa mais natural do mundo. Quando terminaram de conversar, nós assistimos à TV. Eu não tinha uma televisão, por isso a única TV a que eu assistia era a da casa de Stephan. Nós assistimos a alguns episódios de New Girl, uma série que Stephan tinha me apresentado recentemente, até eu me dar conta de que adorava. Eu já tinha perdido pelo menos uma dúzia de episódios, mas é porque estava sempre sem TV. Eu ri alto enquanto assistia ao episódio. James parecia estar se divertindo, mas me olhou mais do que assistiu na tela. Ele sorriu e me tocou constantemente, mantendo-me perto dele. Eu amei o seu toque, por isso não reclamei, embora a coisa toda tenha sido um pouco surreal para mim. Quando o terceiro episódio terminou, fiquei de pé.


"Eu preciso fazer o jantar", disse. Já eram quase 16h30. “Estou pensando em ir grelhar o frango, cozinhar alguns aspargos e preparar o cuscuz. O que acham?", perguntei. Eu pensava em fazer aquela que era uma das minhas refeições mais saudáveis, tentando atender às preferências de James. "Parece ótimo! Eu amo essa coisa marinada e escura que você faz no frango grelhado, Abelhinha", disse Stephan. "Eu mal posso esperar", disse James. Stephan continuava assistindo À TV. "Você precisa de ajuda?", ele me perguntou. "Não. É uma refeição fácil. Eu envio mensagem quando estiver pronto." "Eu preciso fazer algumas ligações", disse James assim que chegamos em casa. Ele estava carregando a maleta com o seu laptop. "Onde seria mais conveniente para mim usar o computador?" Mexi os ombros, como de costume. "Em qualquer lugar que não seja diretamente no meu caminho, enquanto estiver cozinhando." Ele se amontoou na sala de jantar, me observando cozinhar enquanto trabalhava, falando ao telefone quase constantemente, uma ligação atrás da outra. Ele xingou de repente, e eu olhei para trás, assustada. "Eu esqueci que seria na sexta-feira", ele dizia. Seu tom de voz perdeu a emoção. "Isso simplesmente se apagou da minha mente. Merda". Ele escutou ao telefone por alguns momentos, parecendo agitado. "Sim, sim, dê andamento. Eu sei. Pule essa parte. Eu disse dê andamento." Ele olhou para mim com ar de preocupação. Quando terminou a chamada, fechou os olhos e amaldiçoou com toda fluência possível. Voltei para a cozinha. Desde pequena eu tinha aprendido a não me intrometer, então não perguntei nada. Se ele quisesse me dizer algo, o faria. Mas a curiosidade estava me matando. “Eu me esqueci de um evento de caridade que não posso perder na sexta-feira à noite", ele me disse, de forma delicada. "Eu preciso estar lá até as dez, por isso poderemos ficar juntos até esse horário. Você pode, é claro, ficar na minha casa enquanto eu estiver no evento. Vou tentar fugir de lá na primeira oportunidade." Fiquei tensa com a percepção de que isso era o que o "não namoro” significava. Ele iria me deixar em casa como um pequeno segredo sujo, enquanto se reunia com seus pares. "Tudo bem", eu disse, de forma neutra. "Eu preferiria ficar no meu quarto de hotel. Vou ter que acordar cedo no dia seguinte. Vou-me embora de sua casa quando você também for sair.” "Eu preferiria que você não saísse", ele disse em forma de bajulação. "Eu prometo que você não vai se atrasar pela manhã." Eu lancei um olhar de superioridade, mas rapidamente voltei a preparar o frango. "Se você sairá à noite, então também vou sair." Ele respirou fundo. "Você está chateada?", ele perguntou, parecendo alarmado.


"Eu não estou", disse. “Por que você não fica comigo na sexta-feira, então?" "Eu não quero ficar na sua casa se você estiver fora. Eu vou sair quando você também sair", repeti. "O que posso fazer para fazer você mudar de ideia?", ele perguntou de forma sedutora. "Você não pode. Não adianta tentar. Temos um acordo baseado apenas nas nossas preferências. Prefiro que seja assim". Minha voz estava fria e ficava ainda mais fria. Eu não estava com raiva, eu estava... conformada. Conformada com a ideia de que ele estava me decepcionando. E ainda mais decidida a não lhe dar mais do que eu estava disposta a perder. "E se eu fizer um pedido? Ou apresentar uma condição?", ele perguntou, ficando meio impaciente. Eu fiz cara de quem não estava nem aí e olhei para ele. "Então essa nossa parceria pode acabar mais cedo do que eu tinha pensado." Ele cerrou a mandíbula apertada, diante da provocação. "Eu não posso desistir disso. Era a instituição de caridade da minha mãe e eu tenho que estar presente, até mesmo para me pronunciar." Eu não podia desconsiderar o fato de que me pedir para ir com ele ainda não tinha acontecido. "Eu não sei por que você está criando dificuldades. Eu vou dormir no meu quarto de hotel. Qual é o problema?". Enquanto eu falava, só aumentava a minha frustração. "Eu não posso voltar para Las Vegas até segunda-feira. Vamos ficar vários dias sem ver um ao outro", ele disse, como se isso explicasse sua reação. Sacudi os ombros. "Só me ligue quando estivermos na mesma cidade. Qual é o problema?" Minha voz tinha se tornado tão corrida que eu podia perceber um toque do sotaque da minha mãe, como se a estivesse ouvindo falar. Isso só acontecia quando eu estava profundamente abalada. A atitude dele teve um efeito sobre mim que eu não queria admitir, mesmo para mim, mas mesmo a minha voz parecia saber disso. Ele veio para trás de mim e agarrou o meu cabelo suavemente, respirando calorosamente em meu pescoço enquanto falava. "Você é mesmo tão pouco insensível a mim?" Eu respirava com dificuldade, mas respondi calmo o suficiente. "Eu fiquei 23 anos sem sexo. Alguns dias sem não vão me matar. O que você acha que vou fazer quando terminarmos? Eu duvido que encontraria um outro amante de imediato". Meu sotaque engrossou um pouco quando percebi que eu estava tentando provocá-lo. Aquela forma de falar veio para mim com muita facilidade, pois era o que eu tinha ouvido a maior parte da minha vida. Acontecia apenas diante de emoções fortes. Eu me sentia apavorada e excitada ao mesmo tempo, e era o que eu encontraria no caminho da minha fúria. Ele rosnou, literalmente rosnou, no meu pescoço. "Vou puni-la por isso." "Sim, eu sei", respirei fundo, temendo e desejando-o. Ele se sentou na cadeira da sala de jantar com as pernas bem abertas e recostou. De repente, ele parecia grande demais para a sala, os olhos furiosos e selvagens.


"Você está brincando comigo", ele disse, asperamente. A avaliação que ele fez da situação me surpreendeu. Olhei para ele de forma interrogativa. "É o que você acha?", perguntei, chocada com a ideia. Ele passou a mão sobre o rosto, esfregando-o, e depois passou a mão na cabeça, tocando as mechas douradas. “Você está tentando me confundir, embora continue impassível. Você só está esperando por um motivo para terminar com tudo? Essa é a impressão que estou tendo agora. E isso me deixa muito furioso, já que não tenho nenhuma pista do que possa estar acontecendo.” "Você está me prendendo, embora você permaneça inalterada. Creio que esteja apenas à espera de uma razão para acabar com isso? Essa é a impressão que estou tendo no momento. E isso me deixa meio porra-louca, já que não tenho ideia do que vai inclinar a balança contra mim." Eu terminei de preparar o frango, colocando o prato marinado na geladeira até que chegasse a hora de ser grelhado. Fui preparar os aspargos. "Eu não sei o que dizer, James. Talvez eu não possa dar a você aquilo que deseja." "Eu quero você!", ele bateu o punho na mesa com tanta força que me fez pular, pois isso provocou uma espécie de explosão. "Se você nunca usar seus punhos em mim, já será algo positivo", eu disse, calmamente, observando o punho fechado e tentando não vacilar. Ele olhou para mim, arrependido, e eu sabia, a partir daquela reação, que o temor absoluto que sempre residiu em algum lugar dentro de mim, havia se revelado, ao menos um pouco. Ele chegou mais perto de mim e eu tentei não evitar sua aproximação. Eu estava determinada a enfrentar o medo e não me fechar em uma concha como fazia quando era criança. Ele me abraçou com todo cuidado por trás. Eu deixei, porque me sentiria uma covarde se corresse. "Eu nunca faria isso. Você tem que acreditar em mim. Eu nunca bateria em você. Me desculpe se a assustei." Dei de ombros. Foi um movimento involuntário. "Desde que sejamos claros um com o outro.” “Eu nunca vivi isso antes, mas eu assusto você, não é?", ele perguntou de uma maneira estranha. Tentei me concentrar em lavar e quebrar o aspargo. "Trata-se de um intercâmbio de informações outra vez? Estamos compartilhando?", perguntei maliciosamente. Ele soltou um suspiro frustrado. "O que você quer saber sobre mim?" A pergunta surgiu imediatamente na minha cabeça. Eu odiava pensar nisso, mas odiava ainda mais não saber. "Quando foi a última vez que você fez sexo, antes da primeira vez comigo?" Ele xingou. "Eu não acho que você queira mesmo saber disso. Eu não acho que seja bom para o nosso relacionamento eu falar sobre isso."


Encolhi os ombros, discretamente, e ele xingou novamente. "Isso de você só mexer os ombros me deixa furioso. É a coisa mais irritante que já vi! O que isso significa? Que você não dá a mínima, de um jeito ou de outro?" Repeti o gesto. "Significa que você pode me dizer ou não. Mas se você quiser as minhas informações, terá que falar de si.” "Há cerca de oito dias, eu acho. No dia antes de conhecê-la", ele disse, e percebi que olhava para mim com o olho de um falcão. Era o que eu suspeitava, eu pensei, não demonstrando nenhuma expressão. Ele faz isso o tempo todo. Eu estava certa de não botar muita fé nisso. Eu apenas assenti, embora inexplicavelmente tenha sentido uma pequena dor no coração. "Sim, você me assusta", eu disse, após um longo silêncio, enquanto processava a resposta. “Mas estou irremediavelmente ferrada, porque ao mesmo tempo você me excita. Eu acho libertador deixar alguém me controlar. Alguém que me faz tremer de medo. Passei grande parte da minha vida fugindo das coisas que me assustam e isso tem sido esclarecedor para mim". Minha voz era calma, mas o sotaque maldito estava de volta. Ele ficou rígido e se afastou de mim, me olhando horrorizado. Olhei por cima do meu ombro, surpresa. "Isso é incomum? Não é assim que esse pequeno jogo é jogado? Eu presumi que a maioria das mulheres que gostavam de prazer e dor era como eu. Mas eu suponho que você seja, provavelmente, um especialista muito melhor do que eu nesse assunto." Eu olhei para ele mais de perto. Seu rosto tinha uma espécie de tensão impassível, embora eu pudesse ver que ele estava tentando esconder essa reação. "Eu não quero que você sinta medo de mim", ele disse com a voz rouca. "Eu quero deixá-la nervosa, arisca e submissa, mas não com medo. Eu quero que você confie em mim." Eu pisquei para ele, como se lamentasse. "Sinto muito." Voltei para a cozinha, e ele ficou em silêncio.


24 Sr. Encantador às vezes fala com um leve sotaque. O que é isso?", ele perguntou, quebrando o longo "Você silêncio. Foi quase um alívio vê-lo fazer outra coisa que não fosse apenas olhar para mim, refletindo sobre algo, embora eu não tenha me importado com a pergunta. Eu preferiria que ele não tivesse notado o meu deslize. "Outra troca de informação, tão rápido?", perguntei friamente. "Eu achei que a última tivesse sido o suficiente para esta noite." Ele ficou sem falar por um longo tempo, mas eu sabia, mesmo sem encará-lo, que estava com raiva. "Tudo bem. Pergunte-me qualquer coisa", ele disse, com os dentes cerrados. "Com quantas mulheres você já dormiu?", perguntei, e em seguida senti ódio de mim mesma. Se eu estava prestes a revelar meus sentimentos de forma impetuosa, queria pelo menos ter feito uma pergunta melhor. "Um monte. Eu não contei. Mais do que gostaria. A maioria delas foram casos acontecidos nos últimos cinco anos e a maior parte encontros passageiros." "Você já teve um relacionamento sério?", prossegui, torcendo para que ele não me fizesse também duas perguntas, apesar de que, se ele tentasse, estaria pronta para dizer que ele não tinha exatamente respondido à minha primeira pergunta. "Não. Eu era basicamente um garanhão na faculdade, para ser honesto. Eu transei com toda mulher sexy que vi pela frente. E, depois disso, conheci meninas com gostos muito específicos, mas nunca foi nada além de sexo e dominação." Eu suspirei, sem saber se estava aliviada ou horrorizada. Eu precisava estudar meus sentimentos mais atentamente depois. "Eu nasci aqui", eu disse. "Meus pais, no entanto, eram ambos da Suécia e tinham um sotaque bem forte. Eu também tinha um leve sotaque, até que eles se foram. Com o tempo, tentei perdê-lo. Só que às vezes me vejo falar assim. Não sei o porquê." "É adorável. Eu não sei por que você deveria fazer esforço para disfarçá-lo." Dei-lhe o meu pequeno encolher de ombros, sem encará-lo. "Stephan e eu evoluímos bastante. Estudamos juntos em algumas escolas de ensino médio. Nós éramos inseparáveis e eu não queria que continuássemos com um sotaque estranho. Já nos bastava sermos os dois únicos loiros


ridiculamente altos em todas as escolas que frequentamos. Éramos as cabeças mais altas de todas por onde passávamos." Olhei em sua direção. Ele me observava atentamente com aquele seu olhar convicto que me fez pensar que tinha absorvido cada pedaço de informação que eu lhe transmitia. Fiquei em silêncio. Ele realmente tinha feito com que eu falasse sobre mim mesma. Eu estava um pouco incomodada com esse fato. Um tempo depois, James voltou a falar ao telefone e fui lá fora para colocar o frango na minha pequena churrasqueira. Mandei uma mensagem para Stephan avisando que o jantar estaria pronto em 20 minutos. Ele trouxe uma garrafa de vinho tinto, mostrando-a para chamar a atenção. Sorri com ironia. Nós dois sabíamos que ele seria o único a beber. Ele sorriu de volta, indo diretamente para a cozinha para abri-lo e se servir com um copo. "Alguém aceita", ele perguntou, educadamente. James balançou a cabeça, finalizando o telefonema rapidamente. Eu recusei e James olhou para mim de forma afetuosa. O homem não gostava de álcool, era evidente. Servi o jantar logo que ficou pronto e não havia sequer um indício de constrangimento enquanto jantávamos, conversando amigavelmente. Eu gostei, enquanto durou. Os dois elogiaram bastante a comida, apesar de simples. "A Bianca me disse que vocês fizeram o ensino médio na mesma escola aqui em Las Vegas. E que vocês eram os mais altos entre todo mundo lá." Stephan riu, olhando para mim com surpresa, mas satisfeito. "Sim", ele disse. "Todo mundo nos chamava de Barbie e Ken. Todos pensavam que éramos namorados, já que eu carregava a mochila dela e estava com ela em todas as aulas.” James abriu um amplo sorriso, como o do gato de Alice no País das Maravilhas. Bastardo dissimulado, pensei. Eu captei seu plano claramente agora. Ele estava tentando saber algo sobre mim a partir de Stephan. "Bianca não admitia isso naquela época, mas o apelido a constrangia demais", continuou Stephan. James era todo charme e sorrisos agora, pois era um homem a conseguir tudo o que queria através de uma rota claramente mais fácil. "E quanto ao outro apelido? De onde vem o Florzinha Selvagem?" "Você se lembra daquele filme antigo, ‘A Princesa Prometida’?", Stephan perguntou a James, sem hesitar em falar. James fez que sim com a cabeça. "Nós amávamos aquele filme. O...", Stephan olhou para mim com curiosidade, "...lugar que costumávamos frequentar bastante passava esse filme. Era o único filme em noite de cinema.


Sempre. Nós sabíamos citar cada linha de cor. Por isso, passei a chamá-la de Princesa Florzinha Selvagem. Você tem que admitir que ela se parece com a atriz do filme que fez o papel da princesa. E, como era uma adolescente, Bianca agia como ela, sendo muito arrogante e orgulhosa, mas ao mesmo tempo era doce para mim. Ela ficou irritada com o apelido no começo, mas aos poucos foi gostando e ficou apenas Florzinha Selvagem." "É um filme bom. Agora eu quero vê-lo novamente. Eu não o assisto desde que era criança", disse James sorrindo. Stephan sorriu com muita alegria. "Eu também adoraria ver o filme novamente. Eu o tenho na minha casa. E sorvete. O que você acha, Florzinha Selvagem? Sobremesa e um filme na minha casa hoje à noite?" Eu concordo plenamente. Stephan saiu para encontrar o filme e preparar sua casa para nos receber. Ficamos para trás para limpar as louças do jantar. James insistiu em ajudar a tirar a mesa e lavar os pratos, enquanto eu jogava fora a comida que sobrou. "Isso não é exatamente o que eu imaginei quando você falou sobre não namorar", disse-lhe com cuidado. "Sair com o meu melhor amigo e assistir a filmes parece algo muito pessoal." Ele se virou para mim, me olhando perplexo. "Eu nunca disse nada sobre não ser pessoal. Eu gostaria que nos tornássemos bastante íntimos, Florzinha Selvagem." Sua resposta me deixou perplexa, mas eu não considerava aquilo digno de consideração pelo fato de ele ser muito rico e mimado. Até mesmo seus casos passageiros tinham que ter certa excentricidade... Nós assistimos ao filme na casa de Stephan e havia sorvete e, mais tarde, pipoca. Foi um dia muito agradável, eu pensei, apesar de alguns sobressaltos pelo caminho. Quando terminou o filme fomos para a cama em silêncio e eu estava ansiosa com a expectativa de esperar por James, que ainda estava no banheiro. Ele se juntou a mim, alguns minutos depois, deslizando ao meu lado e me abraçando em forma de concha por trás. Eu fiquei tensa, esperando para ver que tipo de movimento faria, mas ele apenas se aninhou contra o meu cabelo e acomodou-se para dormir. Eu tentei virar para o seu lado, mas ele me manteve firmemente no lugar, me dando um beijo suave na testa. "Eu estou deixando você se recuperar por alguns dias, Amor. Durma. Eu estou contente em ter você esta noite." Eu estava naquela casa novamente. Estava deitada na minha cama dura e minúscula. Estava abraçada aos meus joelhos, balançando para frente e para trás, tentando ignorar os gritos ásperos a apenas algumas paredes de distância de mim. Se eu ficasse no meu quarto, tudo passaria. Eles até se esqueceriam que eu estava ali e pela manhã meu pai iria dormir, e dormiria o dia todo, e nos deixaria em paz para que eu pudesse cuidar da


minha mãe. Mas não era isso que parecia acontecer. Não daquela vez. A gritaria ficou mais alta, com os gritos da minha mãe se transformando em gritos de terror. Quando não pude mais suportar aquele barulho horrível, rastejei silenciosamente pela casa para investigar. Apesar do meu medo avassalador, minha necessidade de pelo menos tentar ajudar minha mãe quase sempre me empurrava para o olho do furacão. Olhei para os meus pés descalços e finos, tentando lembrar onde estavam as meias limpas. Eu estava com frio, um frio cortante que corria pelo meu corpo. Meus pais estavam falando em sueco e consegui compreender algumas palavras histéricas quando cheguei mais perto da cozinha, onde eles brigavam. "Não, não, não. Por favor, Sven, guarde isso." A voz do meu pai era um rugido de ódio. "Você arruinou a minha vida. Você e essa maldita criança. Eu perdi tudo por causa de você. Meu futuro, minha herança e, agora, a minha sorte. Você levou tudo de mim, pelo simples fato de viver. Diga-me por que eu não deveria tirar tudo de você, sua estúpida?" "Quando você estiver sóbrio, irá se arrepender. Nós temos uma filha juntos, Sven. Por favor, vá se deitar. Se você deixar para pensar nisso amanhã, vai se sentir melhor." "Não se atreva a me dizer o que devo fazer! Foda-se o sono. Foda-se você. E foda-se aquela pirralha. Olhe para ela, escondida lá do outro lado da porta, congelada como um ratinho assustado". Ele me encarou com os olhos frios. Eu estava mesmo congelada naquele lugar, como ele disse. Ele mudou de tom quando falou comigo e parecia mais uma zombaria num tom suave. "Por que você não vem se juntar a nós, sotnos? Venha estar com sua linda mamãe." Corri para a minha mãe, porque eu já sabia que não devia desobedecê-lo quando ele estava naquele estado de espírito. Ele zombou de nós duas quando eu estava ao lado de minha mãe. Eu estava nos meus primeiros anos da adolescência, mas era alta, mais do que a minha mãe, mas ele se elevou acima de nós duas. Minha mãe não olhou para mim, não me tocou. Eu sabia que ela não queria chamar ainda mais a atenção dele para mim. Ela tentou me proteger, como eu fiz com ela, embora ela tenha feito um trabalho melhor do que eu. "Olhe para as minhas lindas garotas. A filha é ainda mais bonita do que a mãe. Para que serve, então, a mãe? Diga-me para que você serve, mamãe?", ele disse.


Eu não ouvi a resposta dela. Eu só conseguia olhar para o objeto que ele segurava. Era uma arma. Minhas vísceras se reviraram de pavor. Aquele objeto era o que havia de novo naquela aterrorizante cena de violência. Olhei rápido para o rosto do meu pai quando ele soltou uma gargalhada. Era uma gargalhada fria e irritada. Eu comecei a me afastar, balançando a cabeça para frente e para trás em sinal de negação. "Resposta errada, vadia", ele disse. Ele apontou o objeto para ela. "Não tire os olhos daqui. Você quer isso? Gostaria que eu desse isso a você? Vem pegar, se quiser. Você acha que não posso tocá-la com uma arma em sua mão?" Minha mãe o encarou e seus olhos tinham uma forte expressão de terror. Ela deve saber, como eu sabia, pelo tom zombeteiro de sua voz, que ele a estava testando. Ela iria pagar caro se tentasse tomar a arma dele, mesmo que ele a tivesse avisado. Ele riu. "Eu insisto. Venha pegar a arma." Inesperadamente, e terrivelmente, ela o obedeceu. Ele apontou na sua direção com as mãos trêmulas. "Saia daqui", ela disse, com a voz trêmula e cheia de pavor. "Você não pode fazer uma coisa dessas, especialmente na frente da nossa filha. Saia e não volte". Ela estava chorando, mas conseguiu puxar a arma para trás. Ele riu novamente. Sem medo e sem esforço, segurou uma de suas mãos, empurrando a outra para longe. Ele virou a arma, lenta e inexoravelmente, distanciando-a de si e empurrando-a na boca de minha mãe. Eu tinha me apoiado contra a parede, enquanto observava a briga deles, mas quando vi a sua intenção clara, de repente corri para frente, soluçando. "Mamãe”, eu chorava. Eu parei de correr assim que me encostei contra a parede quando meu pai puxou o gatilho, cobrindonos, e todo o ambiente, de sangue vermelho vívido e espalhado por todo canto. Meus olhos horrorizados encontraram os de meu pai. Ele não demonstrou nenhuma expressão. Eu gritei, sentando-me no chão. Eu saí da cama e fui para o banheiro o mais rápido que meu corpo pôde se mover. Comecei a esfregar o meu rosto a primeira vez, a segunda. Minha respiração estava trêmula e ofegante. A luz se acendeu atrás de mim. "Você está bem?", James perguntou com voz suave, mas preocupada. Eu não podia olhar para ele. Eu mal conseguia olhar para a minha imagem refletida no espelho. Eu não tinha tido esse sonho havia muito tempo. Eu geralmente não conseguia olhar para mim por dias a fio quando tinha esse sonho. "Sim. Foi só um pesadelo. Eu preciso ficar sozinha, por favor." Fui para o chuveiro, pois sabia que a pia nunca ia ser suficiente para lavar todo aquele sangue a


correr e aquele sangue coagulado. Entrei no chuveiro sem verificar se ele tinha ouvido. Entrei sob o jato de água ainda frio, tremendo e me abraçando. Eu afundei até o fundo da banheira quando a água ficou mais quente. Eu não tinha me dado conta de que tinha deixado para trás a minha pequena camisola até que James apareceu balançando-a em cima de mim. "Não", eu o avisei. Ele me ignorou, sentando-se atrás de mim, e me abraçando. "Eu só preciso ficar sozinha", eu disse. "Não mais, Amor", James murmurou ao meu ouvido. Eu não chorei. Eu não entrei em colapso. Apenas me esfreguei, várias vezes, até que James assumiu a tarefa, transformando a lavagem em movimentos suaves. "Você está pronta para se secar e voltar para a cama?", ele perguntou, depois de um tempo em que estive sob a água. Eu concordei com a cabeça. Ele me secou e me levou de volta para a cama, embalando-me como uma criança. Ele me cobriu e, em seguida, enrolou-se em volta de mim. Ele acariciou o meu cabelo confortavelmente até que voltamos a dormir. Passamos o dia seguinte juntos de forma agradável, com James grudado em mim a maior parte do tempo. Acordei primeiro, observando-o dormir por algum tempo, maravilhada com sua beleza. O sol entrava no meu quarto, tocando partes de sua pele. Parecia impecável mesmo sob o sol brilhante, o seu corpo moreno sobre os meus lençóis azuis já meio desbotados. Eu me obriguei a sair da cama. Estava deslumbrada e não era uma condição que eu planejava cultivar. Botei um vestido de verão de algodão fino, sem me preocupar com qualquer tipo de roupa de baixo. Saí, silenciosamente, do quarto. Eu comecei a me censurar enquanto fazia o café. Estava sentindo coisas por aquele homem que eu era inteligente o suficiente para saber que não deveria sentir. No final disso tudo eu tenho, pelo menos, que manter o meu orgulho, pensei. E meu coração, eu sublinhei para mim mesma, encolhendo-me, porque sabia que já estava bastante envolvida por aquele homem temperamental. James veio até mim logo que pus uma xícara de café para mim. Eu me encostei no balcão e comecei a tomar o café. Ele preparou uma xícara de café para si e encostou o quadril no balcão, ao meu lado. Ele estava vestindo apenas cueca boxer, que estavam apertadas o suficiente para me mostrar sua excitação clara e rígida. Olhei deliberadamente para aquela paisagem pecaminosa, os olhos cegamente fixos para o volume em destaque.


Ele tomou um gole do meu café e fez uma careta. Eu ri. Eu estava tomando café forte. Não era para qualquer um. Ele tomou mais um gole, tentando ajustar-se ao sabor amargo. "Você andando assim por aí deveria ser proibido", eu disse, sem olhar para o seu corpo novamente. Ele sorriu, olhando para o meu minúsculo vestido de verão e minha evidente falta de roupa íntima. Eu era muito peituda para ficar sem sutiã sem que isso fosse notado. "Eu poderia dizer o mesmo sobre você." "Você é uma provocação", eu disse. "Eu não sou tanto assim. Alguns dias de espera não vão nos matar. Além disso, eu preciso provar a mim mesmo que posso exercer algum autocontrole com relação a essa situação." Isso era novidade para mim. "Por quê?" "Seu... limite de dor é algo que me preocupa. Eu preciso saber que posso colocar o seu bem-estar acima dos meus próprios impulsos. Eu me odiaria se soubesse que fui longe demais com você. Eu sei que sou desprezível, mas não sou a esse ponto. Eu ergui as sobrancelhas. Ele tinha sido muito mais carinhoso comigo do que eu esperava. Fiquei surpresa ao ver que ele pensava aquilo de si mesmo. "Por que você se acha desprezível?" Sua expressão ficou sombria. "Eu sei que é tudo consensual, mas o fato é que gosto de machucar as mulheres durante o sexo. Há uma razão para que você tenha medo de mim. Meu impulso maior é o de controlar e dominar, mas não se engane comigo, eu sou um sádico. Não significa, exatamente, ser um bom rapaz." Fiquei triste por ele, e uma parte de mim queria aliviar seu tormento. Mas como eu poderia? Eu tinha meus próprios demônios, que eu não sabia como controlar. Minha necessidade de confortá-lo falou mais alto. A necessidade de nos confortar. "Os masoquistas também precisam de amantes", eu disse, com a voz suave. "O que uma garota como eu faria sem alguém como você? Talvez cada pessoa seja boa para alguém em especial." Ele se inclinou e me beijou. "Obrigado. Que coisa linda isso que você me disse. Justo quando eu acho que você não se importa comigo, você me dá alguma esperança." Eu desviei o olhar, envergonhada. Nós escolhemos amostras das minhas pinturas durante horas na parte da manhã. James parecia infinitamente paciente e não me pressionou para escolher. Eu levantei as duas pequenas pinturas sobre as quais estava em dúvida. "Qual delas devo escolher, na sua opinião?", perguntei. Ele apontou para a flor do deserto. "Escolha esta como amostra." Seu dedo se moveu para o outro quadro. Era a do gato que aparecia no meu quintal de vez em quando. Ele era gordo e gostava de dormir na parte de trás da minha barra de concreto, que era bem


alta. A imagem capturou apenas uma pose. "Essa é muito boa", ele acrescentou. "Deve ficar, sem sombra de dúvida, em exposição na galeria. É uma forte candidata a vendas. Os retratos de gatos estão na moda agora e as pessoas apreciam. Especialmente gatos incomuns." Eu achei graça. "Eu amo esse gato. Eu não sei a quem ele pertence, mas não é possível que não tenha dono se está tão gordo. Apesar de que ele tenta entrar na minha casa boa parte das vezes em que abro a porta dos fundos." "Eu vi a outra foto dele na sua cozinha. Gatos gordos são bonitos", disse James, rindo junto comigo. "Você está determinado a me convencer", eu disse, brincando. Ele pareceu um pouco magoado com o comentário. "Você não gosta do meu jeito?", perguntou. Eu me dei conta das palavras que tinha dito. Eu não tinha percebido que elas poderiam se tornar rudes quando saíam da minha boca. "Eu não quis dizer isso. Eu só estava brincando com você. Você tem se comportado tão bem, de forma tão encantadora. É como se você estivesse tentando me aproximar de você." Ele me observou atentamente, como se eu fosse uma novidade particularmente fascinante. "Bem, sim, eu quero isso. Eu não sei como mostrar a você com mais clareza que é exatamente isso o que eu quero." Eu apenas ergui as sobrancelhas, olhando para ele por um tempo. "Parece bastante inútil e egoísta para mim que você queira fazer alguém se apegar, enquanto você mesmo permanece desligado", eu disse, em voz baixa, levantando meu queixo quase desafiadoramente. Ele nunca olhou para longe de mim enquanto falava. Seus olhos se moviam rapidamente e com intensidade quando ele pegou a minha mão, puxando-o contra o peito. "Menina boba, eu sou uma presa fácil. Eu estive ligado desde o início. Como você pode duvidar disso?" Eu puxei minha mão, cética e me sentindo desconfortável. Isso é uma espécie de jogo para ele?, pensei. "Eu duvido de tudo, Sr. Cavendish. Eu sou, por natureza, uma cética." Ele levou a mão à minha bochecha, acariciando-a com um toque extremamente suave. "Como pode alguém tão jovem e inocente ser, ao mesmo tempo, tão cética?", ele me perguntou. "A vida não me ensinou a ser diferente. Perdoe-me, mas eu não conseguiria não duvidar de alguém que mal conheço." Ele me empurrou para baixo na minha cama de hóspedes, cuja superfície tinha sido recentemente desocupada. Ele parecia ameaçador sobre mim. "Então, vou lhe mostrar que você me conhece, Bianca", ele disse, e me beijou com agressividade.


25 Sr. Safado

E

u finalmente escolhi as amostras preferidas e James as enviou antes mesmo de eu saber qual era sua intenção.

Ele sorriu de forma irônica. "Não é da minha natureza procrastinar. Tenho tendência a fazer as coisas de imediato quando penso nelas." Eu deixei para lá a implicação com aquele seu comportamento intempestivo, achando desnecessárias as excentricidades das pessoas ricas. Ele começou a fazer telefonemas e a usar o computador novamente, e decidi retomar a pintura dele que estava fazendo. Ele veio e se sentou numa das minhas cadeiras de plástico baratas, ainda falando ao telefone. Eu cobri a pintura rapidamente. "Vou incomodá-la se me sentar aqui?", ele perguntou. Eu balancei minha cabeça e continuei pintando. Ele ajudou, na verdade. Embora não estivesse posando para mim, como eu olhava para ele com frequência, facilitava o trabalho. Trabalhei por várias horas e ele ficou no mesmo lugar, trabalhando no computador e me olhando. Eu percebi, à distância, que ele estava encomendando comida, mas continuei com a pintura. Eu não tinha ideia de que horas eram e realmente não me importava. "A comida chegou", disse James depois de algum tempo, levantando-se. Ele saiu e voltou, carregando as embalagens descartáveis do meu restaurante favorito, que vende uma mistura de comida mexicana e americana. Eu sorri. "Eu amo esse lugar." "Sente-se e coma", ele disse, apontando para a cadeira na sua frente. Eu me sentei, pegando uma das embalagens que estavam na mão dele. Não era o que eu normalmente pedia, mas estava bom, talvez até melhor do que o meu pedido habitual. Comi rapidamente, tentando ser educada. Eu só pensava na pintura. Eu tinha comido quase toda a comida sem nem perceber. Voltei para a pintura, sem conversar. James voltou a trabalhar e a me observar. Eu estava quase terminando o desenho quando o interrompi. Sempre gostei de terminar um projeto com uma nova perspectiva. Vou passar uns dias sem olhar para a imagem e, assim, eu a verei com novos olhos.


James estava ao telefone. Comecei a limpar as minhas coisas e tive uma ideia. Comecei a preparar um novo papel para a aquarela. "Você posa nu para mim?", perguntei-lhe assim que terminou a chamada. Ele parecia surpreso. "Aqui?", ele perguntou, olhando em volta do meu quintal. Eu ri. A barreira de proteção era pequena, mas era alta, garantindo a nossa privacidade. "Pode ser na minha cama?", perguntei com cautela. Eu não podia acreditar que ele iria fazer isso, mas estava começando a me sentir esperançosa. "Tudo bem, mas preciso fazer mais um telefonema." Eu balancei a cabeça, sorrindo, muito feliz com a perspectiva dessa tal pintura. "Eu vou estar no meu quarto, envolvida com o meu processo criativo." Ele chegou alguns minutos depois. E ainda estava de cueca. "Onde você me quer?", ele perguntou, olhando para o meu pequeno quarto. "Na cama. Do lado onde você dormiu, eu acho, e vamos experimentar para ver.” Ele tirou sua única peça de roupa e obedeceu. Ele descansava na cama, parecendo relaxado. Bem, a maior parte dele. Seu pênis não estava relaxado, projetando-se enorme e ereto entre suas pernas. Passei a língua sobre os lábios, em sinal de desejo. "E se eu pintá-lo assim?", perguntei, apontando para o seu membro. "Ou ele vai ficar mole?" Ele riu. "Você pode muito bem pintá-lo assim. Ele não vai ficar mole tão cedo. Ele tem uma mente própria." Passei a língua sobre os lábios novamente. "Posso fazer alguma coisa por ele? Por você? Antes de eu começar a pintar? Eu poderia levá-lo à minha boca." Seu olho ficou um pouco vidrado com a sugestão. "Não. Preciso provar para mim mesmo que posso abster-me por alguns dias". Mas ele se acariciou mais ou menos com a mão. Caminhei em sua direção, mas ele acenou que eu voltasse, interrompendo o toque. "Não", ele me disse com firmeza. "É importante para mim saber que tenho controle sobre o que faço com você." Engoli a saliva, mas respeitei sua decisão. Seja qual for a razão. Comecei a pintá-lo sem seguir a forma padrão de preparação. Era um prazer trabalhar com ele e me perdi no processo, pela segunda vez naquele dia. Não era usual eu ficar tão absorta em dois projetos num único dia, apesar de sentir que um projeto era a continuação do outro. "Eu amo pintar você", eu disse.


Ele me observava incansável, com o queixo duro encostado em seu punho. "Isso funciona bem, pois eu também adoro ver você pintar. Você tem esses sonhos em seus olhos. É fascinante." Eu olhei para ele de forma afetuosa, pensando que até ele poderia ser quase inacreditavelmente doce. "O que você vai fazer com essa pintura?", ele perguntou depois de um longo período de silêncio confortável. "Pendurá-la ao lado das outras pinturas que eu fizer de você, como parte do meu banco de palmadas", eu disse, tentando fazê-lo rir. Funcionou. Ele agarrou seu estômago, caindo de costas enquanto ria. "Que diabos você sabe sobre um banco de palmada?", ele me perguntou, com um sorriso contagiante. Eu sorri também, sem interromper a pintura. "Meu melhor amigo é homem. Eu ouvi essa expressão inúmeras vezes, embora eu nunca realmente tivesse feito alguma associação." Ele retomou a pose, com um sorriso que não era possível reprimir. "Estou surpreso que você consiga ficar imóvel por tanto tempo. Eu não achava que conseguiria. Você parece ser um cara que está em constante movimento", eu disse. "É incomum para mim. Eu gosto da sua casa. É um lugar tranquilo e alegre." Eu não posso evitar que seja assim. Eu sorri para ele. "Estou satisfeita que você goste. Eu também gosto.” "Espero ser convidado a voltar muitas vezes." Eu apenas sorri, trabalhando na pintura atentamente. Vamos ver, pensei. Ele me deixou pintá-lo por horas antes de, finalmente, se levantar, precisando de uma pausa. Ele tinha pegado um mangá na minha mesa de cabeceira para ler. Era um mangá Shojo e corei um pouco quando ele o encontrou, envergonhada por ele ver que eu estava interessada em algo tão romântico e bobo. Ele estava sorrindo de algo quando virou uma página. Era um exemplar da biblioteca, o único tipo que eu podia pagar. Eu ainda não o tinha lido, mas era o 15º de uma série que eu vinha seguindo há anos. Eu tinha ficado por quase cinco meses na fila de espera da biblioteca. "Não conte nada para mim", eu avisei. "Eu ainda não tive a chance de lê-lo." Ele olhou para cima com um amplo sorriso. "Você está interessada nisso? Eu tenho que dizer que isso me dá certa esperança. É tão doce e romântico." Dei-lhe o meu pequeno encolher de ombros. "Eu não sei por que, mas estou totalmente apaixonada por mangás e animes. É tudo muito engraçado para mim. E eu adoro os personagens." Ele ergueu as sobrancelhas assim que terminei de colocar minhas pinturas fora do quarto e voltei, enquanto ele ainda lia o mangá.


"Então vamos ver um pouco de anime. Você quer assistir no seu computador?", ele perguntou. Fiz que sim com a cabeça. Era o único lugar onde eu assistia a algo na minha casa, já que eu não tinha televisão. "Eu quero ver o seu favorito", ele me disse. Meu velho computador estava num pequeno canto da sala. James puxou minha adorável cadeira e escolhi um episódio de um anime de vampiros que eu tinha visto várias vezes. Baixei o primeiro episódio. Eu não poderia imaginar que James fosse gostar daquilo. Era meio porcaria e eu achava que o público-alvo deviam ser meninas. Mas foi o primeiro anime que me veio à cabeça quando ele me pediu para ver o meu favorito. Assistimos por horas. James me aconchegou em seu peito, mas parecia colado à tela, paralisado pelo anime. Eu sempre achei aquilo fascinante. Fiquei presa ao desenho novamente. "Então, nós estamos torcendo para ela escolher o cara de cabelos prateados, certo?", James me perguntou quando terminamos o episódio cheio de suspense. Eu zombei dele. "Não. Aquele de cabelos escuros. Ela simplesmente o adora. Ela está apaixonada por ele para sempre." Ele ergueu as mãos, rindo de mim. "Acabamos de descobrir que aquele é o irmão dela!" Eu olhei para ele, achando que deveria defender os meus amados personagens. "Ele cresceu como sendo seu irmão. Estava reencarnado, ou seja lá o que for". A trama era complicada, o que costuma acontecer com frequência nos animes de que eu mais gostava. Ele riu mais ainda. "Então, isso faz dele seu tatara-tatara-tatara-tataravô? E isso soa, de alguma forma, melhor?" Eu o cutuquei nas costelas, mas não pude deixar de rir também. Ele se aninhou em meu ouvido e, em seguida, me prendeu debaixo dele, segurando meus pulsos acima da minha cabeça. "Você é uma garota pervertida, não é? Eu aposto que você gosta de hentai", ele me provocou, referindo-se aos animes pornográficos. Ele começou a fazer cócegas. Dei-lhe um tapa nas mãos, rindo sem poder fazer nada. "Diga que sim", ele insistiu, rindo. "Diga-me: ‘Eu gosto de hentai’, sua garota Desobediente.” Eu disse, como ele me pediu, e ele me beijou, mas foi um beijo rápido, uma vez que ambos estávamos ainda gargalhando. "Você pode me chamar de vovô, se isso faz sentido para você", ele brincou. Eu ri, puxando seus cabelos. Eu nunca me diverti muito assistindo aos animes, principalmente porque não costumo assisti-los sozinha. Stephan não liga para isso. Ele disse que eles nunca têm finais felizes. Ele achava que até


mesmo os mais bobos e divertidos eram um pouco tristes. Por outro lado, eu achava que mesmo os mais tristes eram um pouco bobos e engraçados. Fui rapidinho ao banheiro, mas congelei quando vi o que James estava olhando no meu computador quando voltei. Fiquei tão vermelha como nunca tinha ficado em toda a minha vida. Eu não tinha o hábito de ver pornografia. Quase nunca via, na verdade. Mas comecei a sentir um estranho desejo de navegar por alguns sites com conteúdo sadomasoquista bem específico, depois da noite em que voltei para casa depois de conhecer James pela primeira vez em um voo. Eu sempre tive um fascínio não assumido pelo sadomasoquismo e mesmo com o breve contato que James e eu tivemos naquele voo, o fascínio se desencadeou, a tal ponto que chegava em casa e olhava para as coisas que eu fantasiava que ele fazia comigo. Ainda não sei por que, mas mesmo com a minha inexperiência eu tinha percebido o que ele queria fazer comigo. Havia alguma coisa em seus olhos, um jeito dominante nele, tão evidente para mim que eu não podia negar. Ele estava assistindo a um dos vídeos que eu tinha encontrado naquela noite. Uma mulher amarrada e amordaçada estava sendo açoitada vigorosamente por um homem enorme que estava atrás dela. Ela estava usando um espartilho de couro preto, que deixava os seios nus. Seus lábios estavam muito vermelhos e os cabelos eram pretos e brilhantes. O homem era moreno e musculoso, com cabelo crespo se destacando no seu tórax de contornos evidentes. Ele mais se parecia com uma besta humana, especialmente se comparado com James. Aquela tinha sido simplesmente a cena mais próxima do que eu tinha imaginado que James poderia fazer comigo e que eu desejava. Parecia que tinha muito a ver com seu jeito. Na verdade, minhas fantasias nunca poderiam ter-lhe feito justiça. "Você fuçou na minha vida", eu disse suavemente, movendo-me um passo adiante e ficando atrás dele. Se ele tivesse mesmo verificado o meu histórico de navegação, isso significava que saberia exatamente quando eu estava assistindo ao vídeo atrevido. Ele se virou e olhou para mim, com os olhos de quem descobre um segredo. "Sim", disse ele, sem sentir vergonha. E sorriu. Isso fez com que eu ficasse tensa. "Você estava muito ocupada, menina pervertida, na noite em que nos conhecemos. Você nunca deixa de me surpreender e me encantar, Bianca. Mas eu espero que esse homem bruto não seja o seu tipo". Ele apontou para a tela. Eu balancei a cabeça vigorosamente, com os olhos arregalados. "Eu nunca tive ninguém até conhecer você, James. E agora eu suponho que meu tipo é um homem incrivelmente belo, com cabelos da cor de mel, olhos azul-turquesa e um inexplicável tom de pele moreno. Não havia nenhum vídeo de sadomasoquismo com esse ‘tipo’ de homem disponível.” Ele se recostou na pequena cadeira do computador, passando a língua sobre os dentes. Eu apertei minhas coxas, sentindo uma onda de calor entre as minhas pernas. "Você sabe o que eu fiz naquela noite, quando cheguei em casa?", perguntou James, com a voz muito baixa, com os olhos ardentes a me encarar.


Fiz que não com a cabeça. Ele sorriu. "Eu me masturbei três vezes seguidas só de pensar naquele seu olhar envergonhado toda vez que nossos olhos se encontraram. Você estava tão calma, tão profissional, mas eu sabia que você iria se submeter a mim perfeitamente na cama. Bastava olhar para você uma única vez e eu estava perdido.” Enrubesci e minha mente voltou no tempo naquele primeiro encontro. Eu tinha sido chamada para fazer um voo fretado de Las Vegas para Nova Iorque. Nosso Diretor Executivo tinha me convocado pessoalmente para eu trabalhar naquele voo no meu dia de folga, sendo assim, não podia dizer não. Eu fiquei perplexa quando soube que Stephan não tinha sido chamado também. Eu não tinha procurado por essa viagem, embora fosse bom fazer horas extras, porque o nosso Diretor Executivo tendia a ser amigável, às vezes até exagerado com os comissários de bordo do sexo feminino. Mas eu aceitei. O avião estava quase vazio e eu tinha sido a única comissária de bordo escolhida para trabalhar na primeira classe. Três comissários de bordo da cabine principal atenderiam em torno de vinte passageiros. Eu só atenderia a dois: James e o seu Diretor Executivo. James chegou primeiro e ficamos paralisados quando nossos olhares se cruzaram. Ele tinha acabado de pisar na primeira classe quando nossos olhos se encontraram. Eu estava paralisada e ele me olhava com intensidade. Eu tinha até me esquecido do trabalho que deveria fazer, das coisas que deveria dizer, em função daquele fato inesperado de termos nos encarado por longos minutos. Eu disse a mim mesma que estava imaginando coisas, que eram apenas fantasias selvagens sobre um homem incrivelmente bonito em um terno impecável. Eu tinha olhado para aqueles olhos e vi um homem a quem eu gostaria de me submeter no nível mais básico. Nós estávamos ali, parados, quando a voz do meu Diretor Executivo explodiu por trás de James, conduzindo-o à sua poltrona. Eu estava abalada, mas voltei ao trabalho. Contudo, cada vez que nossos olhos se encontravam pelo caminho, aquilo tinha uma espécie de efeito de um choque de realidade a agitar o meu corpo, o calor subindo até às minhas bochechas cada vez que eu encontrava seus incríveis olhos azul-turquesa. Nós nunca tínhamos tido um contato sequer e ele me dominava naquele voo. Eu achava que nunca mais iria vê-lo novamente depois daquele dia, mas também não conseguia tirá-lo da minha mente. James fechou a janela daquele pornô grosseiro, ficando de pé e caminhando na minha direção. Ele me puxou para si e me abraçou, aconchegando meu rosto no seu peito. Ele beijou o topo da minha cabeça quase docemente. O resto da noite correu bem e eu estava maravilhada com o nosso dia sem brigas, sem sexo, quando meu telefone sinalizou o recebimento de uma mensagem de texto. O aparelho estava no meu quarto. Ele tinha ficado desligado alguns momentos durante o dia, mas quando chequei e vi que nenhuma das mensagens era de Stephan, simplesmente o ignorei.


"Desculpe-me", eu disse para James, que estava comendo restos de frango como se fizesse isso todos os dias. Eu apostaria com qualquer um que era a primeira vez na vida que ele comia sobras de um jantar. Peguei meu telefone, voltando para a mesa. A mensagem agora era de Stephan. Eu cantarolava ao lêla. Tinha sido um dia tão perfeito. James sequer tinha me perguntado sobre meu pesadelo da noite anterior. Se isso era o que significava ter um relacionamento, eu poderia me acostumar com isso. Fiquei chocada com a ideia. "Quem está enviando mensagem para você? É sobre o quê?", James perguntou. Ele estava curioso e não se importava em se intrometer. Eu me perguntava como ele reagiria se eu fosse tão curiosa com relação à vida dele. "É Stephan. Eu tenho que trabalhar amanhã. Apenas uma viagem bate-volta, por isso vamos retornar na mesma noite, embora tarde." James demonstrou certa insatisfação. Eu sabia que ele tinha suposto que eu manteria todos os meus dias de folga esta semana. Ele não conseguia entender que eu precisava fazer horas extras para pagar as minhas contas. "Eu posso apostar que você nunca comeu restos de frango do jantar na sua vida", eu disse sorrindo, tentando tirá-lo de sua onda repentina de humor negro. Ele não tinha sequer vestido camisa e só usava cueca, andando pela casa como um hedonista nada tímido. Apesar de manter a palavra de que não faria sexo comigo. Eu não estava particularmente satisfeita com a sua determinação. Seu semblante estava frio quando olhou para mim. "Você terminou de comer?", ele perguntou com a voz branda. Fiz que sim com a cabeça. "Vá para a cama", ele ordenou. Eu fui, achando que ele era um tirano imprevisível a cada passo que eu dava. "Deite-se", ele ordenou. Eu me deitei e ele puxou meus quadris para a borda da cama, empurrando minha camisola para me observar. Ele abriu as minhas pernas e, em seguida, pôs os meus pés sobre a cama e com as mãos segurava os meus tornozelos. Ele tirou uma das mãos quase que instantaneamente e tocou as pétalas de meu sexo com os dedos leves, examinando cada centímetro de mim. Isso me fez contorcer. "Pare com isso", ele me disse com uma voz firme. Eu parei. Ele deslizou um dedo dentro de mim bem devagar. Ardia um pouco, mas era possível aguentar. Era uma dor deliciosa. "Você está dolorida?", ele perguntou, ainda empurrando.


Eu gemia, sem responder, esperando que a resposta fosse suficiente. Ele xingou, puxando seu dedo para fora. "Mais um dia, pelo menos, antes de podermos foder." Ele começou a me tocar com a boca, fazendo-me ofegar e implorar em poucos segundos. Depois de me dar um pequeno toque e ver que explodi em um intenso orgasmo, ele se levantou. Seu rosto ainda estava rígido e frio, mesmo molhado com a minha paixão. Ele entrou no banheiro e fechou a porta. Eu ouvi o chuveiro ligado. Comecei a arrumar as coisas para o dia seguinte, preparando minha pequena mala de voo e o meu despertador. Ele saiu do banho com uma toalha na cintura e percebi só de olhar para o seu rosto que ele ainda estava de mau humor. "Existe algo que eu possa fazer por você? Eu me sinto mal sendo a única a obter prazer de uma troca.” Ele olhou para mim por um longo instante. "Não, eu estou bem. A que horas você tem de ir para a cama?" "Eu deveria ir para a cama o mais cedo possível. Você está indo embora?", perguntei, presumindo, a partir de suas atitudes, o que ele estava planejando. Seu rosto ficou ainda mais sombrio. "Você está me mandando embora?" A ideia me assustou. "Não, claro que não. Você pode ficar, se quiser, mas-" "Sim, eu quero. Vamos para a cama", ele disse, indo para o armário para pegar um novo par de cuecas boxer. Ele se esparramou na cama, fechando os olhos sem dizer uma palavra. Eu me preparei para dormir, deitada ao lado dele sem me sentir à vontade. Demorou muito para que eu conseguisse adormecer. Não era mais como das outras vezes que tínhamos dormido juntos. Nossos corpos não se tocavam.


26 Sr. Emburrado

M

eu despertador tocou. Eu o desliguei rapidamente, tentando não assustar o homem que dormia ao meu lado. Uma de suas mãos estava sobre o meu peito e ele dormia um sono profundo. Parecia estar desmanchado naquele sono. Em me desvencilhei dele lentamente e, com certo esforço, fui caminhando pé ante pé até o banheiro para tomar banho. Ele estava sentado do outro lado da cama quando saí do banho. Ele passou a mão pelo cabelo quando me viu. "Você vai me ligar quando chegar em casa?", ele perguntou. Eu balancei a cabeça e voltei a me arrumar. Ele também se vestiu, embora não tenha embalado suas coisas. Eu suspeitava que ele fosse deixá-las em casa sem me perguntar se eu concordava. Resolvi não criar problemas por conta disso. Eu não queria irritá-lo naquele momento. "Vou ficar sem ter o que fazer essa quinta-feira quase o dia todo. Você sabe que nós não vamos voar até tarde da noite", eu disse, tentando tirá-lo de seu estado de espírito. Ele apenas concordou com a cabeça e temi que tivesse sido muito presunçosa, supondo que ele gostaria de passar mais tempo comigo. "Eu voltarei aqui depois que você sair do trabalho, a menos que você não queira a minha companhia”, ele disse. Era a coisa mais pessoal que ele perguntaria, eu pensei. "Para mim está bem", sorri, mas ele permaneceu impassível. Ele ficou pronto antes de mim, mas me esperou pacientemente, vestido com um terno cinza-claro, camisa cinza-escuro e uma gravata vermelha, com uma leve inclinação para o roxo. Era impressionante vê-lo completamente vestido depois de passar tanto tempo com ele quase nu na minha casa. "Que terno lindo", eu disse. Ele me agradeceu pelo elogio, mas permaneceu quieto. Eu percebi que o seu silêncio me fez sentir vontade de abraçá-lo com força. Eu reprimi aquele impulso doentio. Ele me seguiu para fora da casa. Não me disse adeus até Stephan se aproximar da minha garagem


aberta. James segurou a parte de trás da minha cabeça, me dando um beijo intenso. "Ligue para mim ou envie mensagem no mesmo segundo que você voltar à cidade", ele me disse bruscamente, saindo do meu caminho. Ele não entrou no carro até eu e Stephan sairmos. Stephan lançou um olhar atencioso para mim. "Esse homem é intenso", ele disse, calmamente. Eu ouvi a pergunta implícita que havia no seu comentário e só balancei a cabeça. Ele estava preocupado comigo, mas eu ainda não conhecia James o suficiente para lhe assegurar que estava tudo bem. Ambos os voos em que trabalhamos estavam dolorosamente lentos. A única coisa interessante que aconteceu naquele dia foi que os agentes estavam de volta, seguindo exatamente a mesma rotina do voo bate-volta anterior. Stephan me garantiu que iria fazer outro relatório sobre aquele comportamento estranho, apenas para registro, mas decidimos, depois de trocar ideias, que os dois homens deviam estar investigando a companhia aérea. Eu não liguei nem enviei mensagem de texto para James durante o nosso breve período em terra firme. Eu não tinha certeza se ele queria que eu o fizesse, então decidi manter a cautela para não cometer um equívoco. Eu não tinha chamadas perdidas nem mensagens de texto, por isso decidi que seria melhor agir assim por segurança. Eu captei trechos de uma estranha conversa de um dos agentes quando ele saía da aeronave. "Sim, senhor, ela está bem. Não houve problemas. Ninguém a incomodou." Uma ideia paranoica passou pela minha cabeça, mas logo a descartei como se fosse maluquice minha. Ainda que sejam excêntricas e obscenas, pessoas ricas não seriam loucas a esse ponto, pensei com os meus botões. O agente de número 2, cujo nome na lista de passageiros é James Cook, sorriu para mim com entusiasmo quando lhe entreguei a quinta garrafa de água. "Aqui está, Sr. Cook", eu disse, sorrindo de volta. Por mais estranho que pudesse parecer, ele era realmente um passageiro muito agradável. "Obrigada, Senhorita Karlsson", ele respondeu, e eu congelei. Ele poderia saber o meu nome, mas não havia nenhuma razão no mundo para que soubesse o meu sobrenome. Não estava no meu crachá. Olhei para ele sem me equivocar. "Como você sabe o meu sobrenome?", perguntei-lhe com franqueza. Ele parecia um pouco envergonhado, como se tivesse tido um lapso. "É o meu trabalho, minha senhora." Eu contei a Stephan sobre a breve conversa. Ele pareceu perplexo. "Você acha que está sendo investigada?"


"Eu acho que poderia ser James...", eu disse, calmamente, revelando a minha teoria conspiratória. Stephan fez uma careta. "Eu acho que seria impossível, mas realmente posso imaginar James fazendo algo dessa natureza. Você vai perguntar a ele?" Eu suspirei. "Quando for a hora. Eu não tenho certeza se quero ter que lidar com a resposta. Eu não estou pronta para acabar com tudo agora." Stephan segurou meu ombro. "Acabar com tudo não é a única saída, Bianca." Olhamos um para o outro por um longo tempo, mas eu não concordava nem discordava de sua opinião. Mandei uma mensagem para James quase imediatamente quando pousamos em Las Vegas e liguei o meu telefone enquanto o avião era manobrado na pista. Bianca: Estamos de volta a Las Vegas. Manobrando no momento. Ele respondeu quase instantaneamente. James: Bom. Eu estarei na sua casa quando você chegar lá. E ele estava, não me surpreendendo desta vez quando saiu da SUV escura, que eu já conseguia reconhecer. Fiz sinal de boa noite para Stephan. James estava à minha espera no caminho, sua mão indo possessivamente à minha nuca. Ele estava estranhamente silencioso. Abri a casa, entramos e tirei os meus sapatos ao passar pela porta, colocando minha bagagem de volta ao seu lugar em uma pequena mesa próxima à porta do meu quarto. James ainda era uma presença silenciosa atrás de mim. Eu senti um arrepio de medo que correu pela minha espinha. Naquele estado de espírito, ele iria realmente me machucar? Onde eu fui me meter, tornando-me tão íntima daquele estranho? Além do mais, alguém que estava se tornando intimamente violento. Eu tinha ido longe demais para voltar atrás. Ou não tinha? Eu senti nojo de mim mesma por pensar assim. Eu me arrependeria se nunca descobrisse o que estava me esperando, um caminho que, secretamente, sempre me fascinou. Mas o medo era estranhamente persistente diante daquele homem frio, com aquele silêncio pelas minhas costas. Meu pai sempre me fez muito mal com aqueles seus gritos e por ter se tornado o monstro frio que me atormentava nos meus pesadelos. A imagem de seu rosto inexpressivo, coberto de sangue, surgia na minha mente, me fazendo tremer. Aqueles seus olhos frios e azuis que rapidamente me encaravam, como se me avisassem sobre algo de forma meio desatenta. E até que ponto eu estava tão doente que James, com sua personalidade fria e dominante, havia se tornado tão irresistível para mim? Eu anotei no papel, para me lembrar depois, que precisava entrar novamente em contato com a minha terapeuta, que eu havia negligenciado. Mas, mesmo com todos os meus pensamentos assustadores e medos de dar calafrios, em nenhum momento pensei em pedir a James para se afastar de mim.


Eu queria enfrentar isso para me sentir corajosa, principalmente porque na maioria das vezes eu fugia das situações que me assustavam, evitando as experiências para não me machucar. "Deite-se na cama. De costas". A voz de James estava rouca quando ele me ordenou. Tínhamos ficado de pé no escuro por longos minutos em silêncio total. Eu o obedeci e o simples ato de me submeter me fez relaxar em uma fração de segundo. Agora estava tudo em suas mãos. "Levante a saia", ele me disse. "Mais. Até a cintura. Bom." Ele acendeu a luz e se aproximou de mim, puxando os meus quadris até a ponta do colchão e levantando os meus pés sobre a cama, desta vez ainda calçados, e com saltos, o que parecia ser sua rotina de exame. E se ajoelhou, feito uma estátua, rosto de pedra baixando entre as minhas pernas. Eu tremi. Ele fez uma pequena exclamação quando viu a umidade lá. Ele me tocou, levantando dois dedos molhados. "Isso tudo é por minha causa?", ele perguntou suavemente. Engoli a saliva e apenas balancei a cabeça. "Eu gostaria de uma resposta mais apropriada." "Sim, Sr. Cavendish", falei, sem saber o que ele esperava. "Diga-me se você sente alguma ternura em tudo isso", ele ordenou, deslizando um dedo dentro de mim lentamente. Todo o machucado tinha se curado, deixando apenas uma dorzinha contínua, e eu me contorcia. Ele deu um tapa forte na minha bunda, meio de lado. "Não se mova". Ele continuou a me acariciar, tocando cada centímetro e circulando o dedo lá dentro. "Porra, que apertado. É inacreditável”, ele murmurou. Foi a única coisa mais calorosa que eu tinha ouvido dele desde o jantar na noite anterior, em que se tornou frio. Um segundo dedo se juntou ao primeiro, acariciando cada parte das minhas paredes, para checar se eu ainda estava dolorida. "Sente alguma dor aqui?", ele perguntou, empurrando um pouco mais fundo. Eu respirei fundo. "Não, Sr. Cavendish." Ele tirou os dedos bruscamente, ainda observando o meu sexo. "Bom. Agora eu vou castigá-la. Vá vestir aquela camisola para eu fodê-la". Ele se endireitou, enquanto falava, e eu observava a cena, fascinada, enquanto ele chupava os dedos e, em seguida, afrouxava a gravata. "Está suja", eu disse. Ela estava no chão do meu closet. "Não me deixe irritado. Vá colocá-la." Eu fui, pendurando minhas roupas de trabalho com as mãos trêmulas.


Quando voltei do meu closet, ele tinha tirado apenas o paletó e a gravata, arregaçando as mangas de sua camisa. Sua excitação era evidente em sua confortável calça cinza-claro. E seus olhos ainda eram repletos de frieza. "Deite-se na cama, de bruços. Coloque os seus quadris sobre o travesseiro que está no centro da cama." Notei o travesseiro estranho na cama somente quando ele mencionou isso, mas obedeci sem dizer nada. Era uma espécie de versão em miniatura da rampa que ele tinha usado em sua casa. Tamanho para viagem, pensei. Levantei a cabeça para olhar quando senti uma corda sendo apertada em volta dos meus pulsos. Ele estava debruçado sobre a cama, amarrando-os. Minha cama não tem uma cabeceira resistente, apenas um frágil painel vertical, mas James estava preparado para isso, usando uma corda comprida e amarrando-a completamente ao redor da parte de baixo da cama para manter os meus pulsos firmes no lugar. Eu o observava sem forças para reagir. Ficar amarrada pela segunda vez devia ser menos aterrorizante, ou nem tanto, mas a minha mente não queria processar essa informação. "Você se lembra da sua palavra secreta?", ele perguntou. Ele se ajoelhou para amarrar a corda sob a cama despreocupadamente, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Ele ainda conseguia se passar por uma pessoa respeitável enquanto fazia isso, totalmente desprendido, apesar de estar se rastejando. "Sim, Sr. Cavendish", eu respondi, tremendo. Ele amarrou meus pés de forma eficiente, puxando-os ligeiramente afastados, em vez de deixá-los juntos. Tentei virar a cabeça para olhar, mas ele cobriu meus olhos com uma venda preta, ajustando-a de maneira confortável. Eu queria, desesperadamente, que ele tocasse o meu rosto, que desse qualquer sinal de afeto, mas ele permaneceu impassível e frio enquanto me preparava para o castigo. Uma música suave começou a tocar nos pequenos alto-falantes a que o meu telefone foi conectado. Era uma música estranha, mas bonita, uma voz de mulher cantando uma melodia evocativa, acompanhada fortemente por violinos. Eu podia sentir que ele estava, simplesmente, me encarando por um longo tempo depois que terminou de me amarrar. Eu me contorci um pouco. "Sr. Cavendish, por favor", eu implorei. Na verdade, eu não sabia ao certo o porquê. Ele não respondeu. Engoli a saliva quando a mão dele, finalmente, tocou a parte de trás da minha coxa, com suavidade. Ele levantou minha camisola do meio das coxas até os meus ombros. Ouvi um pequeno barulho. Era algum tecido? Não, era algo mais denso. E em seguida outro toque. Eu sentia a mão dele, mas não a sua pele. Ele pôs luvas? Alguns minutos se passaram e eu aguardava em eterna agonia para saber o que ia acontecer, e tudo o


que sabia era que ele me olhava. A primeira batida me pegou de surpresa. Era um tapa bem forte de sua mão com luvas que batia na minha bunda. Eu suspirei. Doeu. Eu podia sentir uma de suas coxas tocando a minha enquanto ele se inclinava do meu lado. O primeiro tapa foi seguido de outro um pouco mais para baixo, e depois ele começou a bater sucessivamente, tapa após tapa em cada centímetro do meu bumbum e coxas. Eu engoli a saliva e me mexi um pouco, tentando, em vão, fugir dos tapas fortes. Por que a mão dele doía muito mais do que o chicote?, pensei. Ele deve ter hesitado bastante das outras vezes. Mas agora não estava mais hesitando. Eu perdi a noção do número de tapas em sequência, pois a minha mente entrou num estado de adormecimento que era muito familiar, mas que parecia estar se transformando em outra coisa que eu não podia evitar... Ele não tinha sequer dado uma pausa nas batidas quando o ouvi arfar e xingar. De repente, ele estava entrando em mim, enterrando-se ao máximo com um golpe brutal. Eu estava tão molhada que não doeu e eu apertava deliciosamente em torno dele. A plenitude foi esmagadora por um momento, porém, gritei de uma forma que nenhum de seus tapas me havia feito gritar. Eu estava em um oásis de prazer em meio à dor quando ele começou a bombear dentro de mim incansavelmente. Ele trabalhou duro para isso, a minha passagem apertada lutando contra ele a partir de um fechamento involuntário. Ele agarrou o meu cabelo com as duas mãos, puxando minha cabeça para cima, enquanto empurrava. "Goze”, disse ele, com a voz mais dura que eu já tinha ouvido dele. Seu pênis a se mover dentro de mim, depois de tocar o local perfeito, e eu gozei com um grito. Ele não parou, nem mesmo deu uma pequena pausa, friccionando contra mim com suspiros agressivos e intoxicantes. Ele me levou ao orgasmo mais duas vezes antes de se esvaziar dentro de mim com um grunhido. Ele se inclinou sobre as minhas costas, me cobrindo completamente, e pondo a boca no meu ouvido. Ele ainda estava empurrando com um pequeno movimento dentro de mim, mesmo reduzido, como se não pudesse parar. "Minha Bianca", ele sussurrou ao meu ouvido com a voz exausta. Ele se deitou em cima de mim por longos minutos, ainda enterrado dentro da minha vagina, seus lábios contra o meu pescoço agora, beijando-me suavemente. Ele parecia ter liberado todo aquele furor frio de seu corpo e sobrou para mim, novamente, o amante carinhoso. Um tempo depois, ele saiu de cima de mim, me examinando com os dedos leves. Minhas coxas e bumbum estavam doloridos ao toque. Ele tocou meu sexo, molhado agora com nossas secreções. "Está dolorido?", ele perguntou, com uma voz rouca. "Não, Sr. Cavendish", respondi, com a venda nos olhos. Ele enfiou dois dedos dentro de mim.


Eu me contorci e gemi. "Eu fico curioso para saber quantas vezes eu poderia fazer você gozar em uma noite", ele falou consigo mesmo. "Você é um gatilho de prazer. Eu gostaria de testá-la, mas acho que você desmaiaria antes que pudesse me pedir para parar." Eu achava que ele tinha razão. Ele espalhou em mim alguma substância calmante e que provocava uma sensação de alívio em cada parte do meu corpo em que ele tinha batido, aplicando-a com toques suaves. Ele me desamarrou, depois de terminar, e permaneci deitada, passivamente, até que me virei de costas, tirando a venda dos olhos. Ele me deitou de costas, soprando o meu cabelo e olhando para mim com olhos bem suaves, o que contrastava com aqueles olhos glaciais que me tinham observado friamente quando entramos no quarto. "Você é um anjo requintado, Bianca. Eu nunca toquei em nada tão delicado em toda a minha vida.” Meus olhos foram ficando pesados quando ele se inclinou sobre mim e me beijou na testa com reverência. Ele ainda estava quase completamente vestido, pois tinha tirado apenas as calças. "Agora vamos dormir, Amor".


27 Sr. Amante-Dedicado

A

cordei com James me penetrando. Ele segurava os meus pulsos bem apertados em suas mãos acima da minha cabeça. Nossos peitos nus se esfregavam e ele estava me beijando suave e docemente, murmurando palavras de carinho. Eu estava molhada e tão excitada que ele entrou na minha passagem apertada sem problemas. "Bom dia, amor". Ele sorriu, enquanto me beijava. "Huummmm..." foi a melhor resposta que poderia sair da minha garganta. "Ahhh", veio em seguida. Ele se movia lentamente dentro de mim, acariciando-me com movimentos amplos e firmes que pareciam durar para sempre. "Eu quero acordar assim todos os dias", ele murmurou entre beijos. "Huummmmm. Eu poderia ficar mal acostumada", murmurei, ofegando enquanto ele se movia, passando pelos meus nervos mais sensíveis. "Bom. Eu quero que você", ele disse com um sorriso, "...Fique. Acostumada. Com. Isso". Ele disse, empurrando seu membro enquanto pronunciava cada palavra. "Ponha as suas pernas em volta da minha cintura", ele disse. Eu enrolei minhas pernas na sua cintura e ele empurrou com força, fazendo novos nervos tremerem dentro de mim. Seus belos olhos estavam grudados nos meus, intensos e macios. "Você é tão linda", ele disse. "Seus olhos mudam de cor. Eu juro que eles estão meio verdes esta manhã. Eu já disse hoje como você é perfeita?" "Uma hora ele é azedo, depois ele é doce", murmurei, citando uma frase de um comercial sobre balas azedas. Ele riu e começou a me beijar apaixonadamente. Eu me senti como se estivesse me afogando. Eu era muito inexperiente para resistir a tal sedução. Ele queria tudo de mim, até mesmo as minhas emoções e, apesar da minha relutância, ele estava conseguindo. Eu sentia coisas quando olhava nos seus olhos intensos que eu não imaginava sentir por ninguém, muito menos por alguém que conheci há pouco mais de uma semana. "O que você está fazendo comigo?", perguntei-lhe, com um sussurro agitado. Suas narinas se dilataram e ele foi com tudo, ganhando velocidade. "Espero que seja algo parecido com o que você está fazendo comigo. Eu quero que você sinta o que estou sentindo, Bianca. Eu quero


que você sinta essa vontade incontrolável. Eu não posso suportar a ideia de que não sinta a mesma coisa." Como se fosse para lhe dar uma resposta, eu gozei gritando, com lágrimas escorrendo pelos cantos dos meus olhos em virtude daquele sentimento tão intenso. Em uma espécie de convulsão, gritei o seu nome, uma e outra vez. Seus olhos se tornaram tão suaves quando gozou que ele soltou os meus pulsos e segurou meu rosto com as duas mãos. Ele me encarou enquanto o êxtase tomava conta de seu ser. "Bianca", ele disse. Eu estava ali, vivendo o momento mais íntimo da minha vida, em que arrepios vindos daquele gozo corriam através de mim, enquanto nossos olhares trocavam nossas urgências selvagens e emocionais. Gostaria de saber se cada mulher com quem ele fez isso se apaixonou. Como não?, pensei, com a minha mente girando impotente como se fosse mergulhar num sono de exaustão. Acordei com o cheiro do café da manhã e com o som de uma voz suave que xingava algo baixinho na cozinha. Alguns minutos depois, ele me serviu o café na cama. Eu me sentei para comer o suficiente para matar aquela minha fome. "Como você quer que as mulheres larguem do seu pé depois desse tipo de tratamento?", brinquei sorrindo enquanto apreciava os seus olhos. "Estou surpresa que você não tenha uma multidão delas seguindo-o em todos os lugares, só para que tenham um pouquinho da sua atenção." Ele sorriu, mas seus olhos mostravam um quê de preocupação. Ele tirou o cabelo do meu rosto, deslizando-o com cuidado, e me beijou na testa carinhosamente. "Você acha que sou assim com todo mundo?", ele perguntou, com certa reprovação na voz. "Você não sabe, não é? Você é especial, Florzinha Selvagem." Eu sorri de forma irônica. Aquilo soou para mim como algo dito só para me persuadir e não dei muita importância. "Então qual é o plano para hoje?" "Você quer ficar pintando?" "É o que eu mais gostaria. Vou precisar de um breve cochilo no final da tarde. Foi uma longa noite sem cochilar, já que não posso dormir nos voos noturnos, obviamente." E assim nós compartilhamos mais um dia idílico, eu pintando os temas do coração, ele trabalhando e posando para mim, enquanto eu trabalhava em duas pinturas. Por incrível que pareça, terminei a pintura dele primeiro, um recorde para mim. Eu gastava, geralmente, algumas semanas para terminar um projeto. Eu a pendurei no meu quarto com orgulho, decidindo que ela iria, definitivamente, ganhar uma moldura assim que tivesse a chance de criar uma. James parecia amar a perspectiva de ter sua imagem exposta no meu quarto, o que seria uma espécie de presença constante dele ali, mesmo quando estivesse ausente. Ele sorriu quando pendurei a pintura e me arrastou para a cama para mais uma rodada de sexo. O amante dedicado estava nos conduzindo para mais esse momento, com uma jogada de mestre. Eu não era uma pessoa difícil de me satisfazer. Eu tinha me acostumado a gostar muito rápido daquilo tudo.


Dormimos por horas, muito mais do que eu normalmente era capaz de dormir antes do meu costumeiro descanso antes dos voos noturnos. Eu observava o seu corpo nu antes de me preparar para o voo. "Eu só espero que este aqui fique pronto tão rápido quanto o primeiro. Eu não costumo pintar muito rápido. Às vezes levo semanas para terminar uma pintura." Ele me ajudou a me vestir para o trabalho, abotoando minha blusa e endireitando a minha gravata. Ele me acariciou, me beijou e me fez desejar que tivéssemos só mais dez minutos a mais, mas era o momento de sair. "Você não tem que pegar um voo?", perguntei maliciosamente, enquanto saíamos da casa. "Por que, não? Sim, estou saindo agora, Amor", ele disse, beijando-me descaradamente na calçada, enquanto Stephan esperava no carro. "Eu não preciso, necessariamente, fazer as malas. Lembre-se: eu moro em Nova Iorque a maior parte do tempo." Eu não tinha me lembrado disso e o pensamento me entristeceu. Isso que estávamos fazendo, de ele invadir a minha casa, cuidar de mim com toda a atenção iria acabar em breve. E ainda que não terminássemos tudo de imediato, com o tempo iria enfraquecendo e não duraria muito tempo, eu tinha certeza. Ele pareceu perceber algo no meu rosto. Seus olhos me prenderam. Eu tentei não demonstrar nada. "Não se preocupe, Amor. Tenho obrigações lá, mas certamente vou fazer um esforço para estar mais aqui. Este hotel daqui é um dos maiores empreendimentos que tenho. Faz todo o sentido eu dividir meu tempo entre lá e aqui." Eu me dei uma pequena sacudida. Ele queria que eu dependesse dele por alguma razão perversa e eu tinha começado a ceder-lhe um pouco. Decidi fazer um esforço maior para manter a minha cabeça no lugar. “Vejo você em breve", eu disse, indo embora. Ia ser uma noite apática no trabalho. Dei uma olhada na lista de passageiros e vi que estavam reservados para o voo de 60 a 175 passageiros, com apenas três deles em cabine de primeira classe. Eu geralmente odiava esse tipo de voo, com tempo de sobra e pouca coisa para fazer, mas hoje estava aliviada. Talvez desse para eu ficar algum tempo com James. E algum tempo com Stephan, para falar sobre James. Nós nos encontramos com os pilotos no ônibus da tripulação. Tanto Damien quanto Murphy me abraçaram. Eu os abracei firme em retribuição. Eu realmente gostava dos dois pilotos, mas preferia não deixar transparecer aos outros pilotos que estavam no ônibus da tripulação que eu estava receptiva a qualquer tipo de contato. A minha experiência me mostrava que os pilotos estavam sempre procurando uma desculpa para nos tocar. Eu preferia ser vista como intocável, especialmente no trabalho. "Você está maravilhosa, Bianca", Damien disse, sorrindo, depois de me abraçar de forma


espontânea. "Bela, como sempre. Eu nem consigo dizer a você como ficamos felizes quando soubemos que estaríamos juntos novamente.” Damien era muito bonito, dono de cabelos pretos brilhantes e olhos castanhos que tinham seduzido muitas comissárias de bordo. Ele devia ter um metro e oitenta e cinco de altura e pude sentir os músculos fortes em seus braços e torso quando me abraçou. Afora tudo isso, ele tinha um forte sotaque australiano que lembrava o de uma garota sacana das aventuras do Super-Homem e a Kriptonita. Eu retribuí o sorriso. "Sim, quando Stephan me disse que vocês seriam os nossos pilotos de Nova Iorque, eu sabia que seria um mês de alegria", eu disse. Eu sempre fui cordial com ele, mas também senti a necessidade de ser um pouco reservada. Ele me chamou a atenção quando nos conhecemos, mas quando me desinteressei vi que tinha sido algo apenas platônico. No entanto, às vezes ainda tenho a impressão de que ele está apenas esperando até que eu mude de ideia. Ainda que estivesse interessada em namorar, o que definitivamente não era verdade, não o escolheria. Ele era um mulherengo sem-vergonha, já tinha dormido com algumas das minhas amigas e eu só o queria como amigo. Murphy, o primeiro-oficial, era um homem loiro, corpulento, com bochechas rosadas e tinha uma lista imensa de piadas que já tinham me feito rolar de rir. Ele tinha um rosto cativante e estava sempre sorrindo. Eu não consigo me lembrar de uma única vez em que não estivesse sorrindo pelo menos um pouco. "Damien fez um acordo para nascer como o anticristo só para estar na sua rota, Bianca. Sua pobre mãe não estava muito feliz com isso, também", Murphy me disse enquanto me cumprimentava. O ônibus inteiro riu. Ele tinha aquela natureza contagiante e feliz, sempre envolvendo todos na brincadeira. Melissa era a pessoa mais feliz do mundo quando conheceu os novos pilotos. Talvez seu romance com o capitão Peter, que era casado, já estivesse ficando ultrapassado. Eu ficaria chocada se ela e Damien não estivessem dividindo o mesmo quarto até o final da daquela parada. Dei uma olhada para Stephan e ele sorriu para mim. "Que tempos felizes, Abelhinha. Minha menina está finalmente caidinha por um grande cara, nossa equipe é praticamente uma equipe dos sonhos e eu tenho um encontro amanhã." Stephan era um otimista convicto. Apesar de tudo de ruim que aconteceu na sua vida, ele sempre conseguia ver o lado bom das coisas. Ele nunca deixou de me faz querer ser uma pessoa melhor. Uma pessoa até melhor do que ele mesmo. Eu não conseguia ser tão otimista, mas sempre tentava não estragar os seus momentos felizes com as minhas próprias dúvidas e medos, por isso, sempre tentava entrar no clima do momento para não desapontá-lo. "Acho que será um ótimo mês", concordei. Tivemos uma breve conversa entre a tripulação quando entramos no avião e fui me inclinado sobre os luxuosos assentos da primeira classe. Conversávamos sobre coisas triviais e todos os sete integrantes da equipe brincavam, rindo e fazendo planos para a próxima noite. Era fácil o suficiente para todos optar pelo bar de Melvin, uma vez que ficava na esquina do hotel e


foi sugerido por Stephan. Melvin tinha conseguido um excelente desconto para a tripulação, como já fizemos em muitos bares, assim a bebida saía mais em conta e, claro, havia o karaokê. "Oh, Bianca, promete que vai cantar para mim", brincou Damien. Eu apenas sorri. "Ela não pode sair conosco amanhã. Ela tem outros planos", disse Stephan, franzindo a testa um pouco quando olhou para Damien. "Então vamos torcer para que ela venha na próxima semana." Eu balancei a cabeça. "Claro. Acho legal a ideia”, comentei. Eu não podia abandonar Stephan por duas semanas. Sendo assim, sabia que tinha que levar isso em consideração e estaria lá. Damien fez um gesto como se implorasse algo de brincadeira. "Muito cruel, Bianca! Nós não vemos você há meses e você vai nos abandonar?" "Tem misericórdia desse homem, Bianca! Você vai transformá-lo em um autoflagelador se ignorá-lo mais!", brincou Murphy. Vi que Melissa estava atrás deles e não me olhava com cara de bons amigos. Se havia uma coisa que ela odiava, mais do que qualquer outra, era alguém chamar mais a atenção de um homem do que ela mesma, eu tinha observado. "Precisamos nos preparar para o embarque ou o agente do portão vai nos matar", eu disse, tentando tirar a atenção de mim. Foi eficaz, uma vez que realmente tínhamos conversado por muito tempo e negligenciado o nosso trabalho. Eu estava organizando a minha galley quando Murphy e Damien se revezaram, apontando a cabeça para fora da cabine para brincar comigo. "Eu vou tomar uma gim tônica", disse Damien, com o seu sotaque atraente. Eu ri e ele voltou ao seu lugar novamente. Murphy também falou: "Eu vou tomar uma vodka martíni sacudida, mas não mexida", brincou, fazendo uma referência a James Bond e atropelando a sua própria versão de um sotaque australiano. "James Bond era britânico, não australiano, seja lá que sotaque for esse que você está tentando fazer", eu disse. Ele parecia chocado e ferido. Eu ria comigo mesma, apesar de sua reação, enquanto checava meus carrinhos. Ele me olhou simulando um ar severo. "Ok, eu não quero ter de fazer isso, Bianca, mas você não me deixa escolha. Esta é a minha oferta final. Vou cantar ‘Private Dancer ’, da Tina Turner, para você no karaokê, se você for com a gente. É pegar ou largar. Bem, ok, você está me obrigando a fazer isso. Para ficar ainda melhor, vou tirar a minha camisa e fazer a minha dança Chris Farley Chippendales. Oferta final", ele me advertiu e, em seguida, voltou novamente para o seu lugar, sem esperar por uma resposta. Eu estava rindo muito para conseguir dar-lhe uma resposta. Eu já tinha visto a performance. Era tão engraçada quanto parecia. Eu tinha ouvido umas histórias de que tinha até se tornado viral.


Damien reapareceu para brincar comigo. "Ok, imagine só. Murphy será Chris Farley e eu vou fazer o papel de Patrick Swayze de tanga. E nós vamos fazer um duo. Oferta final, Bianca." Eu só balancei a cabeça de novo, rindo, enquanto ele se abaixava de volta para o convés do avião. "É possível me levar um copo de água quando terminar de flertar com esses pilotos?", uma voz fria perguntou atrás de mim. Eu me virei, com o sorriso desaparecendo, e dei de cara com um James furioso.


28 Sr. Personalidade

F

ui até um dos meus carrinhos e entreguei a James uma garrafa de água fria, em silêncio absoluto.

Ele a pegou, me olhando com os olhos estreitos. O frio Sr. Cavendish tinha voltado com força total. O que foi que eu fiz desta vez? Eu sentia vontade de tocá-lo. Eu queria perguntar por que ele estava com raiva, mas deixei para lá. Eu preferi só observá-lo enquanto ele caminhava com passos determinados até o seu assento. Eu nem sabia que já estávamos embarcando. Geralmente Stephan avisa a todos que estamos nas galleys e depois vem até mim pessoalmente. Claro que, com Damien e Murphy na cabine as coisas correram um pouco diferentes. Ele não tinha que me pôr a par das responsabilidades dos pilotos, por isso não tinha que vir até a cabine de comando. Damien pôs a cabeça para fora, sorrindo de novo, e em seguida veio para bem perto de mim, falando baixinho. "Quem era aquele idiota?", perguntou. Eu só fiz uma careta. Eu não estava disposta a falar sobre isso. Eu já tinha até me esquecido daquilo. "Você pode me dar duas garrafas de água também? Vou tentar não ser um estúpido quanto a isso e nem agir como aquele Sr. Personalidade lá", ele disse sorrindo. Eu sorri para ele, embora tenha segurado para não dizer a ele que o nome certo era Sr. Belo, com muito prazer. Dei-lhe as duas garrafas solicitadas. "Meninos, vocês precisam de mais alguma coisa?", perguntei educadamente. Ele me agradeceu, desviando o olhar. "Obrigado, linda. Estamos prontos para partir”. E desapareceu em direção à cabine de comando. Eu balancei a cabeça. Ele está com um humor diferente hoje. É que o dia de trabalho estava sem graça, para dizer o mínimo. James evitaria até mesmo um flerte inofensivo, eu estava aprendendo rapidamente. Corri para a cabine para cuidar dos meus três passageiros. James foi o primeiro a ser atendido. Ele estava em seu assento habitual, parecendo tenso e com o semblante frio quando tomou de uma vez a garrafa fechada de água. "Deseja alguma coisa, Sr. Cavendish? Posso recolher o seu paletó?"


Ele se levantou, ficando de pé atrás de mim no corredor. Ele se aproximou e eu fiquei na posição em que me encontrava. O peito dele roçou os meus quando tirou o paletó risca de giz. Eu vi claramente a etiqueta Burberry quando o dobrei com cuidado. "Ele a chama de linda. Quanto de sua beleza ele viu, Bianca?", ele perguntou de forma calma, mas intensa. Olhei para ele perplexa e pouco contente. "Eu não tenho ideia do que você está falando, mas agora não é o momento de fazê-lo. Estou trabalhando, Sr. Cavendish." Ele comprimiu a mandíbula. "Seja o que for que você estava fazendo lá em cima com os pilotos, mais parecia uma brincadeira do que trabalho para mim." Sua raiva me fez sentir vontade de enfrentá-lo, como eu esperava. Fez com que eu sentisse vontade de lutar. "Não seja ridículo. Eu estava trabalhando e eles estavam sendo legais comigo. Você não vai me controlar fora do quarto, James". Minha voz era calma, mas furiosa. "E você particularmente não exerce controle sobre qualquer coisa que tenha a ver com o meu trabalho." Ele fechou os olhos com força e os abriu em seguida, parecendo um pouco mais controlado do que instantes atrás. "Eu odeio isso. Você não tem ideia do quanto eu odeio isso”, ele disse baixinho, voltando para o seu lugar. Ele encostou a cabeça na poltrona e fechou os olhos. Eu o deixei e fui pendurar o casaco. Eu chequei como estavam os outros dois passageiros, sentados na última fileira da primeira classe. Olhei para James com frieza enquanto caminhava de volta para a galley para preparar dois uísques Jack e pegar as coca-colas. Ele manteve os olhos bem fechados, mesmo na decolagem. Eu o observei, com a testa franzida. Stephan deu uma olhada em nossa direção. "Tudo bem?", ele perguntou. Fiz aquele pequeno movimento costumeiro com os ombros. "Eu não sei. Ele não gosta de me ver conversando com Damien e Murphy. Mas eu gosto e eu só conheço James há uma semana. Eu não consigo entendê-lo muito bem." Stephan respirou fundo. "Eu disse a Damien que você estava envolvida com alguém. Ele aceitou bem, mas estava obviamente chateado com isso. Você sabe que ele sempre gostou de você." Arregalei os olhos. "Ele sempre gosta de todas as mulheres que conhece. Por que ele ficaria chateado?" Stephan me olhou com interesse e balançou a cabeça. "Não interessa. Quando James perceber que você não está receptiva a qualquer investida da parte de Damien, tenho certeza de que ele vai ser mais razoável." Revirei os olhos. Ser razoável não parece fazer parte do repertório de James, até onde eu sei. A dez mil pés de altura, levantei e comecei o meu serviço prontamente, apesar do fato de que levaria


apenas alguns minutos e, depois, eu teria tempo de sobra para matar. Eu deparei com um James apático e não sabia se perguntava se ele queria alguma coisa ou se fazia de conta que ele estava dormindo. Eu sabia que ele não dormia, em virtude de sua boca e punhos cerrados. Decidi cuidar dos outros passageiros da primeira classe e adiar a decisão sobre qual a melhor forma de lidar com a situação. Eu servi mais dois coquetéis ao casal, e duas águas, voltando para James. Sentei-me na poltrona vazia ao seu lado, mas ele não abriu os olhos. Toquei sua mão de leve e, então, o braço. "Sr. Cavendish?", perguntei-lhe bem baixinho. "Eu não avisei a você o que aconteceria se me tocasse na frente de outras pessoas?", ele perguntou, sem abrir os olhos. Olhei em volta. "Ninguém pode nos ver, então acho que isso não faz sentido." Ele agarrou a minha mão, rápido como uma cobra, colocando-a firmemente contra o seu pênis duro como uma rocha. Ele estava pronto para gozar. Eu fiquei chocada. Só de sentar aqui no avião ele ficou assim, completamente excitado... "Você fica sempre assim?", perguntei-lhe em voz baixa, mais curiosa do que tudo, embora eu fosse incapaz de ser indiferente ao seu fervor. Ele sorriu com ar de tristeza. "Claro que não. Só ultimamente tenho estado assim a maior parte do tempo." Ele veio para o meu lado enquanto falava e eu o agarrei sem pensar. Ele gemeu. Eu me afastei e levantei-me, de repente me dando conta do que estava fazendo e onde. E aonde aquilo me levaria se eu ficasse ali. Eu não podia acreditar na minha falta de controle. "Eu preciso voltar ao trabalho. Você quer que eu lhe traga alguma coisa?" Ele apenas me deu um olhar irônico e arqueado, com a excitação evidente, enquanto descansava com as mãos no encosto do assento agora. "Eu não preciso de uma bebida, se é isso que você está me perguntando." Deixei-o às pressas. As coisas estavam saindo do controle de maneira acelerada. Como só havia três passageiros, comecei a servir o lanche. James balançou a cabeça para dizer que sim, que queria o lanche, e depois ficou imóvel. Eu tive que abrir a bandeja que fica no encosto do banco, o que fazia com frequência. Mas abri-la sobre sua impressionante excitação era, definitivamente, uma experiência nova para mim. Ele me deu um olhar quente quando me virei e saí. Maldito homem temperamental e excitante, pensei, envolvida por uma profunda agitação. Servi os pilotos primeiro e, em seguida, servi várias rodadas de coquetel ao casal. Eles pareciam estar prestes a desmaiar, embora continuassem a falar baixinho e a beber.


Quando retornei para a minha galley, quase pulei de susto, levando minha mão ao coração. "Damien, você me assustou", eu disse. Stephan está ajudando na parte de trás e eu não esperava encontrar ninguém atrás da cortina ao abri-las. Ele apenas sorriu. "Desculpe, gata. Como está indo? Você está irritada de estar em uma cabine vazia?", ele perguntou, sabendo que eu gostava de me manter ocupada. Eu balancei a cabeça, sorrindo. "Talvez eu tenha que frear o casal na primeira classe. Eles estão arrastando as palavras, mas não mostram sinais de parar de beber. Isso vai acrescentar um pouco de emoção, caso eles sejam do tipo de bêbados descontentes a que estou acostumada a lidar." Ele dobrou o braço. "Deixe-me saber caso precise de ajuda. Eu ficaria feliz em exercitar a minha força para ajudá-la”, ele brincou. Eu ri. "Isso não será necessário. Eles, provavelmente, só vão me olhar com raiva o restante do voo, se eu estiver certa." "Stephan me disse que você está saindo com alguém. Achei que você não tivesse namorado... E ele me disse que é muito sério. É verdade?", ele perguntou. Esse tipo de pergunta é muito pessoal, pensei. E tem a ver com assuntos do coração. Meus olhos se arregalaram pelo desapontamento causado pelos comentários. Eu achei que era possível que James pudesse nos ouvir de seu assento, que estava perto. Eu não queria que ele pensasse que eu estava dizendo às pessoas falsidades sobre a nossa relação puramente sexual, por isso tentei rápido corrigir o Capitão. "Sério? Não, claro que não. Eu só o conheço há uma semana. Não estamos, na verdade, nem mesmo namorando. É... complicado." Damien pareceu muito, mas muito feliz com a minha explicação. Uma explicação que eu jamais teria dado a Damien se não quisesse que James tivesse certeza de que eu iria desmentir falsas suposições sobre o que havia entre nós dois. Damien era o tipo de cara de quem eu poderia ser amiga, mas não era alguém a quem eu confiaria para falar de uma relação incerta como essa entre mim e James. Senti como se tivesse falado muito, em virtude de sua reação. Ele sorriu para mim de forma positiva. "Hum, sei. Então você não vai destroçar o meu coração tornando-se inacessível. Eu ainda tenho uma chance", ele brincou, rindo numa boa. Olhei para ele como se o censurasse. "Você é incorrigível, Damien", eu disse. "É verdade", ele disse, piscando para mim ao voltar para a cabine de comando. Fui para o banheiro logo em seguida. Quando comecei a fechar a porta, senti que havia uma pessoa, em posição rígida, me empurrando para dentro do banheiro. James fechou e trancou a porta. Os olhos eram agressivos. Ele segurou minhas mãos, pondo-as em


volta da maçaneta que ficava à direita do espelho, de modo que eu estava inclinada de frente para o espelho e dava para ter uma visão nítida de mim mesma com ele às minhas costas. Segurei a maçaneta sem nem pensar. "Não é sério?", ele me perguntou bruscamente, empurrando minha saia até meus quadris. Ele apertou seu corpo contra o meu, apertando seu pênis duro contra a minha abertura através de sua calça e minha calcinha. Ele se esfregava contra mim levemente, enquanto suas mãos alcançaram os botões da minha blusa. Como eu tinha tirado o meu casaco mais cedo, só estava com a camisa que vestia por baixo. Ele puxou a minha pequena gravata, sem amassá-la. Ele desabotoou a camisa apenas o suficiente para mantê-la aberta, revelando o meu sutiã. Ele abriu o fecho frontal, soltando os meus seios. Ele me acariciava de forma violenta, apertando os bicos com força, enquanto acompanhava tudo pelo espelho. "Você tem uma estranha interpretação da palavra sério, Bianca", ele rosnou para mim, enquanto suas mãos e pênis me tocavam de forma febril. Ele tirou uma das mãos dos meus seios e eu o senti tocando o meu sexo através da calcinha. Ele abruptamente a puxou, rasgando minha calcinha com um movimento agressivo. Ele a colocou no bolso e, em seguida, tirou o pênis para fora com uma das mãos e sua ereção era impressionante. Ele encostou-se na minha entrada, com um único movimento, e em seguida entrou em mim duro, e aquilo era tão intenso que fechei os olhos enquanto gemia de prazer. "Abra os olhos! Isso parece sério para você?", ele me perguntou. E fez um movimento brusco dentro de mim. Eu só gemia e me movia junto com o corpo dele. Ele foi cada vez mais rápido e mais forte, empurrando parra dentro e puxando para fora, se movimentando forte, até chegar a um gozo intenso. "Responda-me. Isso parece sério para você?", ele perguntou de novo. Foi um custo achar as palavras. Eu não sei como ele fez aquilo. Minha mente estava em completo estado de desorganização e eu não conseguia refletir direito. "Sim, isso parece uma f-foda se-séria", eu disse, enquanto ele continuava a me montar impiedosamente por trás. Ele grunhiu feito um animal e puxou meu cabelo até a parte de trás da minha cabeça, que pesou sobre o seu ombro. Isso fez com que a minha coluna fizesse um arco para trás. Ele mordeu meu pescoço com força suficiente para deixar uma marca. Eu gozei com tanta força que achei que fosse desmaiar. Ele ainda estava trepando comigo quando minha visão clareou, e então ele começou a desacelerar. “Se alguém lhe perguntar, diga que não vai discutir o assunto. Pensei que isso tivesse ficado claro para nós desde o início", ele me disse friamente, sem parar de me foder até a inconsciência. "-Eu-". Tentei falar e não consegui. Ele estava esfregando o meu clitóris agora, me deixando ainda mais perto de uma total explosão. "Que-Que-". Eu desisti de falar depois disso.


Ele era impiedoso, trazendo-me ao orgasmo uma e outra vez, empurrando sem parar. Ele está me punindo com prazer, eu pensei extasiada. "Pare, por favor. Pare", eu disse, finalmente, voltando aos meus sentidos, depois da sensação de ter tomado uma poção mágica. "Diga-me quem é o seu dono", ele ordenou, com agressividade. James não estava em seu próprio corpo. Ali só podia estar o Sr. Cavendish, um homem insensível e possessivo. "Eu sou sua, Sr. Cavendish. Eu era virgem quando o conheci. Não se lembra? Você levou o meu hímen. Se eu quisesse outra pessoa, não teria esperado tanto”. Eu falei sem desespero na voz ou exasperação. Ele gozou com um grunhido, com os olhos ainda incrivelmente selvagens. Seu pênis se contraiu dentro de mim por longos minutos depois que ele terminou, em movimentos involuntários, incrivelmente sexy, enquanto ele se movia ao final do seu longo orgasmo. "Se está tão difícil para você entender, deixe-me soletrar para você", ele me disse asperamente. "É sério, Bianca. Eu nunca falei tão sério na minha vida."


29 Sr. Carinhoso James começou a arrumar as minhas roupas antes mesmo de sair de dentro de mim. Prendeu meu sutiã, ajustando os meus seios nos bojos, como se fizesse isso todos os dias. Abotoou minha camisa, arrumou minha gravata e depois o meu colar. Ele alisou o meu cabelo e depois o dele. Ele estava perfeitamente recomposto. Seu cabelo estava perfeito e até mesmo a gravata estava impecável. Por outro lado, estava escrito na minha testa que eu tinha acabado de transar. Eu lhe disse isso. Ele riu. Era uma espécie de humor negro. "Não é bem assim. Na verdade, eu estava tentando introduzir a seriedade em você", ele disse com um humor menos negro. "Alguém já lhe disse que você é um baita de um mal-humorado filho da puta?" Ele pareceu um pouco tímido e, em seguida, ficou pensativo. "Não é bem assim, mas não tenho muitos argumentos". Enquanto falava, ele saiu de mim. Foi um processo prolongado e ele me encarava o tempo todo. Eu tremi. "Eu preciso voltar a trabalhar", disse, quando ele começou a me limpar, ficando em torno de mim para usar a pequena pia. Ele beijou meu pescoço, enquanto molhava uma toalha de papel. "Quero transar com você de novo, Bianca", ele murmurou contra a minha pele, mas não fez nenhum movimento para fazê-lo. "Mas eu tenho que mostrar o quarto andar para você amanhã, e lá você estará segura. Eu odiaria foder você muito forte antes disso e depois tem que ir com calma." Olhei para ele com uma indagação nos olhos. "O quarto andar?" Ele respondeu de forma displicente. "Essa é a localização do nosso playground, Amor". Ele endireitou minha saia, alisando-a para baixo. Eu tremi. "Eu fiquei sem calcinha". Falei em tom de acusação. "Sim, eu sei. Está no meu bolso", ele disse suavemente, endireitando a roupa e fechando as calças. Eu assisti a todos os seus movimentos, os olhos colados no tamanho do seu pênis, que era de dar água na boca, enquanto ele o empurrava de volta para o seu lugar secreto. "Eu poderia usar a minha boca em você", eu disse, observando aquele instrumento de prazer desaparecer da minha frente e passando a língua nos lábios. Eu estava completamente sedenta para


tocá-lo. Ele se endireitou, olhando-me como um falcão no espelho. Ele tocou o meu rosto e enfiou o dedo indicador na minha boca. Eu comecei a sugá-lo. Ele empurrou o dedo para dentro e para fora, como se encenasse o ato. "Mais forte", ele me disse, e eu chupava agressivamente. "Use os dentes, só um pouquinho.” Eu usei e ele fez um som de aprovação em sua garganta. "Eu vou gozar na sua boca amanhã. Mas não antes de rendê-la e de comer a sua buceta”. Ele tirou o dedo da minha boca enquanto falava. Eu me contorci ao ouvir a sua linguagem grosseira, que nunca soava ofensiva. Na verdade, eu ficava extremamente excitada ao ouvir tudo isso. "Você é um boca suja", eu disse, com os olhos quase fechando. Ele sorriu. "Isso é um convite? Eu poderia fazer isso aqui agora". Ele passou a língua sobre os dentes enquanto falava. Minhas entranhas se apertaram diante dessa ideia. Eu balancei minha cabeça, tentando me lembrar de que estava trabalhando e que as minhas obrigações esperavam por mim. "Eu preciso ir." Ele me deu um sorriso de desgosto. "Se alguém reclamar, você sempre poderá dizer que estava atendendo a um passageiro." Eu torci o nariz diante de tais palavras, abrindo a porta para sair do banheiro. Fechei-a para que ele esperasse lá dentro até poder sair. Stephan estava na galley quando abri a cortina, preparando mais rum e coca-colas para o casal na primeira classe. "Desculpe-me", murmurei, indo até o balcão e me encostando. Ele olhou para mim com um sorriso irônico. "Para você não há meio-termo. De uma moça celibatária você se transforma em alguém que faz muito barulho no banheiro do próprio trabalho. Você não entendeu bem as coisas, Florzinha Selvagem”, ele disse, mas com bom humor. Ele saiu às pressas da galley para entregar as bebidas e eu ainda estava com o rosto vermelho de vergonha quando ele voltou. James se juntou a nós, vindo me abraçar por trás, completamente despreocupado com o fato de que eu estava trabalhando. Eu tentei me afastar. "James, eu estou trabalhando." Ele me abraçou com mais força ainda, beijando o meu pescoço. "O que deu em você?", eu perguntei.


"Seria legal para vocês se ficassem na galley”, disse Stephan sorrindo. "O avião está praticamente vazio, o casal na primeira classe usou o banheiro na parte de trás e eles não mostram sinais de se moverem no momento. Namorem numa boa, pombinhos.” Eu olhei no seu rosto. "Você é a voz da razão, Stephan." Ele mexeu os ombros. "O voo está quase vazio. Se ninguém viu, não há nenhum dano feito." Como se tomasse as palavras de Stephan como um convite, James pressionou contra mim com mais força. Eu lhe dei uma cotovelada. Ele não se moveu. "E quanto ao resto da tripulação? Alguém poderia me acusar de algo." James beijou minha cabeça no alto, colocando as mãos levemente em meus quadris. Ele não tinha dito uma palavra sequer desde que saiu do banheiro. Eu não conseguia imaginar o que ele estava pensando. Eu só podia dizer que estava, de repente, tão carinhoso como um filhotinho de gato. Stephan mexeu os ombros. "Eu duvido que alguém faça isso. Melissa não gosta de você, mas sei muito mais coisas sujas sobre ela, então acho que não se atreveria. Relaxe. Os comissários de bordo trazem suas contribuições significativas aos voos o tempo todo. Você acha que você é a primeira a se juntar ao clube dos milionários?" Eu queria saber que tipo de sujeira Stephan sabia de Melissa, mas fomos interrompidos antes que eu pudesse perguntar. Murphy saiu da cabine e se juntou a nós com alegria. "Você considerou a nossa proposta, Bianca?", ele perguntou jovialmente, sem falar nada com James. Braços apertados me seguraram por trás. Eu Sorri para Murphy, esperando que James não tornasse as coisas difíceis. Murphy parecia desconcertado. "Será que não sou tão sexy como eu pensava que fosse?" Nós rimos. Olhei para cima e até mesmo James estava sorrindo. Murphy foi para o banheiro. "Viu, Sr. Belo, que ele não é tão mau assim?" Ele parou de sorrir. "Não é só com ele que estou preocupado", ele disse. Como poderia um homem tão belo ser tão inseguro?, pensei. Era desconcertante perceber essa sua característica. Eu não tinha pensado que James estava preocupado com Murphy, mas estava totalmente embasbacada de ver que ele estava com ciúmes de Damien. "Você é a criatura mais linda do planeta. Como é que você ainda não percebeu que não há nenhuma chance de outro homem me chamar a atenção?", perguntei-lhe baixinho e ele me deu um sorriso agradecido.


Ele se curvou e atacou a minha boca, até que me rendi. Eu estava hesitante em compartilhar um beijo tão quente fora de um quarto. Mas era difícil me lembrar disso naquele momento. Ele passou a língua na minha boca e aquilo se mexia e mexia dentro de mim. Eu gemia baixinho quando ele afastou o corpo. "Diga-me isso de novo", ele murmurou, enquanto apertava sua boca contra a minha. "Um supermodelo masculino sumiria perto de você. Nenhum homem poderia se comparar a você. Por que eu iria me preocupar com algum outro?", eu disse, em voz baixa, e ele me beijou logo em seguida. Eu me dei conta de que tinha encontrado o seu ponto fraco. Eu estava dizendo a verdade, mas poderia usar esse artifício quando me fosse útil. Eu duvidava que ele pudesse ficar raivoso se eu falasse com ele daquele modo. Eu não tinha ideia de quanto tempo estávamos ali a trocar carícias como adolescentes quando ele afastou seu corpo do meu. Deparei com o olhar assustado do capitão Damien e de Stephan envergonhado. "Oi, e aí?", eu disse, com os lábios inchados pelos beijos. Parecia que eles estavam ali havia um tempo, tentando falar conosco, e eu sequer tinha me dado conta. James me abraçou por trás, novamente, como da outra vez, com os braços sob os meus seios praticamente tocando-os. Ele beijou o meu pescoço, me dando uma mordida suave quando parou de me beijar. Era muito sensual para aquele momento, mas eu sabia que ele não dava a mínima. Ele estendeu a mão para Damien, que era bem mais baixo. "Oi. Eu sou James Cavendish. O namorado da Bianca." Damien apertou sua mão, meio atordoado. "Ah. Namorado? Ah, legal, como vai? Eu sou Damien. Prazer em conhecê-lo. Você deve ser um grande cara para Bianca lhe dar uma chance." James beijou meu pescoço novamente, sugando forte o suficiente para deixar uma marca. E beijou de novo antes de afastar o rosto. Eu me contorci desconfortavelmente. As coisas estavam ficando estranhas muito rápido. "Nós fomos feitos um para o outro. É tão simples como isso. Bianca me disse há pouco que só tem olhos pra mim". Sua voz era cheia de encanto, mas olhei para trás e descobri que seu sorriso tinha mudado completamente. Eu lhe dei uma cotovelada nas costelas. Eu não podia acreditar que ele tinha dito aquilo. Fiquei totalmente enrubescida. Stephan riu, embora ele tenha ficado sério quando viu o meu olhar. Damien tossiu desconfortavelmente. "Bem, então está certo. É melhor eu voltar. Vejo você mais tarde". E voltou para a cabine. Eu estava furiosa. James começou a beijar meu pescoço novamente.


Tentei pisar forte no seu pé, mas ele se esquivou. "Isso foi constrangedor e inapropriado, James. Você não pode usar o que eu digo dessa maneira e falar para as pessoas. Isso me fez desejar não falar mais essas coisas para você." Ele me pediu desculpas murmurando no meu pescoço. "Sinto muito. Eu só tinha que esclarecer as coisas depois do que você disse para ele mais cedo. Não vou fazer isso de novo. Me perdoa?" Ele puxou minha orelha com os dentes e era difícil me concentrar. "Você precisa voltar para o seu lugar", eu disse com firmeza e ainda zangada. Suas mãos subiam para os meus seios e olhei ao redor, escandalizada. Mas estávamos sozinhos. Eu não tinha sequer ouvido Stephan nos deixar. "Eu amo seus seios. Eu vou prendê-los amanhã. Gostaria de pôr piercing em você, se deixar. Eu gostaria de marcá-la." Eu sabia que ele estava tentando me distrair, mas mesmo sabendo disso sua tática ainda funcionava. Eu fiquei chocada. Parecia uma pornografia explícita e permanente. Nunca pensei em fazer algo parecido na minha vida. E se ele disse é porque faria mesmo. "Você faria mesmo isso? Caso faça, você mesmo põe o piercing?" Ele murmurou um sim sobre o meu ombro, massageando meus seios na medida certa. "Você acha que eu permitiria que outra pessoa fizesse isso? Fazer isso com você? Claro que não, porra. Isso seria um trabalho para mim". Ele os beliscava enquanto explicava. "Você já fez isso antes?", perguntei-lhe com cautela, arqueando as costas automaticamente. Eu não estava realmente pensando em fazer isso. Eu estava mais curiosa quanto à habilidade dele em fazê-lo. Ele esfregou seu pênis duro contra a minha bunda. "Estou bem treinado e sou muito bom nisso. Não é possível não doer, mas vou fazer o possível para minimizar a dor." Vi que ele não respondeu exatamente à pergunta. Veio à minha mente uma imagem súbita de todas as suas ex-amantes ostentando piercings nos bicos dos seios por anos a fio depois de ele terminar com elas. Isso parecia ser um pequeno preço a pagar, eu supunha, considerando como ele era bom de cama. "Você pôs piercing em todas as suas amantes?" Ele bufou. "Você tem umas ideias estranhas. Não, eu normalmente não marco as minhas amantes." Só as favoritas?”, perguntei mais séria. "Só as favoritas", ele respondeu, se aninhando contra mim. "Quais os nomes delas?", perguntei, ficando irritada que ele não iria dar uma resposta verdadeira para a pergunta. Ele beliscou um mamilo com força suficiente para me fazer gritar. "Eu estava me referindo a você, menina boba. E para finalmente responder à sua lista de perguntas, saiba que perfurei três das minhas


ex-amantes. Agora acho que é a minha vez de obter algumas informações de você. E, considerando que você me fez uma pergunta, vou fazer o mesmo. Alguma vez você já saiu com o Capitão Damien?" Eu não poderia ter ficado mais feliz com a pergunta. Eu estava prestes a protestar contra a troca de informação quando ele perguntou isso. "Não." "Ele já convidou você para sair?" "Essa já é a segunda pergunta", eu o avisei. "Eu acredito que já respondi mais de uma." Eu suspirei. "Sim, quando começamos a sair com o grupo. Eu disse não e ele tem sido completamente platônico desde então." "Por que você disse não? Parece que você gosta dele." Virei a cabeça para trás apenas o suficiente para olhar para ele de forma maliciosa. "Eu não estava interessada. Aparentemente, ele é o tipo de homem que me atrai, mas não rolou, entende?" Ele praticamente ronronou contra o meu pescoço.


30 Sr. Prazer

J

á íamos nos sentar para o pouso quando me lembrei de perguntar a Stephan sobre algo curioso que ele tinha dito anteriormente.

"Que tipo de coisa cabeluda você sabe sobre Melissa? E por que é a primeira vez que ouço você falar a respeito?", perguntei. Ele sempre me contava tudo, mesmo as coisas mais insignificantes. Ele ficou meio envergonhado. "Foi uma história muito grosseira e, francamente, eu queria protegê-la disso. Sei que você não é mais virgem, mas o que vi me fez sentir sujo, então, não queria contar para você." O que ele me disse só fez aumentar a minha curiosidade ainda mais. "Que diabos aconteceu?" Ele fez uma careta. "Eu encontrei Melissa na cabine de comando, na semana passada. Ela estava, hum, ela estava fazendo sexo oral no capitão Peter." Eu mal acreditei e levei a mão à boca. Ele apenas balançou a cabeça com um olhar de desgosto. "E onde estava o copiloto?", perguntei, pois acho que foi a primeira pergunta que me veio à cabeça. "Ele estava simplesmente sentado ali, constrangido. Eu acho que Melissa pensou que ele também participaria do ato, mas ele com certeza não quis. E eu também a ouvi falando com Brenda e Jake, quando me aproximei da galley, sobre o relógio que você ganhou. Ela teve a coragem de lhes dizer que ela estava planejando denunciá-la por aceitar presentes de clientes. Ela teve a ousadia de, na verdade, dizer que James estaria retribuindo-lhe o favor por algo que você teria feito por ele no banheiro do avião." Meu queixo literalmente caiu. "Mas que vadia”, eu disse com nojo, reagindo rapidamente com os ânimos acirrados. Ele levantou a mão. "Eu resolvo isso. Em primeiro lugar, eu a confrontei na frente dos demais, certificando-me de que sabiam que ela era uma mentirosa descarada. Eles perceberam logo que ela estava com ciúmes do seu relógio. Brenda e Jake me conhecem bem e confiam em mim o suficiente para que possam, com certeza, acreditar mais na minha palavra do que na dela. E, além do mais, contei a eles que peguei Melissa na cabine de comando. Pelo menos ela teve a decência de parecer envergonhada quanto a isso. Eu até falei com o primeiro oficial e ele disse que me apoiaria caso eu precisasse fazer um relatório sobre o assunto. Melissa sabe que não hesitarei em denunciá-la, o que a


levaria a ser demitida, se ela tentar prejudicá-la. Ela tem sorte de eu não levá-la a ser demitida de imediato, por tentar espalhar rumores desagradáveis sobre você. Ainda fico furioso só de pensar nisso." Dei um toque leve em sua mão, para confortá-lo, refletindo sobre aquele drama que vinha se desenrolando no meu ambiente de trabalho, sem que eu tivesse me dado conta. Dei um tapinha na sua mão para confortá-lo, ponderando sobre o drama que se desenrolava em torno de mim, enquanto eu passava o tempo trabalhando absorta. “Ela é uma peça”, comentei em seguida e mudei de assunto. "James é tão louco por você", me disse Stephan calmamente. Ele é mesmo louco, mas com relação a tudo, pensei, mas não fiz nenhum comentário. Eu pensei na possibilidade de contar a Stephan cada detalhe escandaloso do nosso relacionamento, mas mudei de ideia. Isso acabaria com essa aura romântica que paira sobre mim quanto a James, como se ele fosse um herói romântico, e tornaria as coisas sombrias. James estava esperando do lado de fora da porta quando saímos pela ponte de desembarque como tripulação, finalmente, depois de terminarmos mais um turno. "Venha comigo", ele ordenou, caminhando do meu lado. Eu desacelerei os passos, até que os outros nos ultrapassaram. "Eu não posso", eu disse-lhe em voz baixa. "Nós temos que seguir com a equipe e preciso ir até o hotel para reservar o meu quarto." Ele pegou a minha bagagem, o que o deixou belo com aquele rosto vermelho em virtude do movimento que acabara de fazer. "Não é preciso, Bianca. Pelo amor de Deus, fique em minha casa." Eu me pus a falar. "Nós não vamos discutir isso de novo." Ele foi caminhando comigo em silêncio até quase chegar ao lugar onde eu me encontraria com a tripulação. "Tudo bem. Um motorista vai buscá-lo no hotel", ele disse, entregando-me a minha pequena bagagem. "A que horas?", perguntei, mas ele já estava caminhando para longe. A viagem de ônibus foi agradável e Murphy nos divertiu o tempo todo. Eu me perguntava, enquanto ele nos contava uma história engraçada, se esta semana Melissa tentaria fazer sexo oral em Damien, com Murphy olhando na cabine de comando. Ou será que ela faria em ambos? Eu não sabia como esse tipo de coisa funcionava. Eu estava descobrindo a minha própria natureza sexual nada comum, mas transar com dois homens ao mesmo tempo me parecia algo muito sórdido. Não importa que tipo de feitiço James tenha jogado sobre mim. Eu sabia que jamais conseguiria fazer algo dessa natureza. Murphy interrompeu os meus pensamentos escandalosos ao falar comigo. "Não me diga que você não vai se arrepender de não sair conosco hoje à noite! Admita que você nos ama!" Murphy forçava


o seu sotaque australiano para fazer a sua zombaria atroz. Ele fazia isso com frequência, alegando que se funcionava para Damien também funcionaria no seu caso. Damien sempre se empolgava com o próprio sotaque, o que só o tornava ainda mais engraçado. Eu sorri. "Eu já tinha feito planos antes de saber dos seus, Murphy. Não tome isso como uma ofensa." "Convide James para ir conosco. Se ele tem uma noite romântica reservada para vocês, diga a ele para deixá-la para outro momento!" Pensei no fato de que James sairia naquela noite sem mim. Achei que valesse a pena sair com os colegas. Eu sabia, a partir de experiência em sair com esses pilotos, que eles não tinham nenhum problema em ficar na rua até tarde e levantar cedo. "Pode ser que eu apareça no bar mais tarde", concordei. "Vamos ver como ficam as coisas e eu resolvo o que fazer." Murphy gritou como se tivesse conquistado uma vitória. Olhei para Damien e ele sorria calorosamente. Eu me senti um pouco incomodada, mas não sabia o porquê. Tínhamos saído juntos várias vezes com os pilotos e nunca senti algo parecido. Será que é algum receio meu com relação ao que James iria pensar? O pensamento me perturbou. Chegamos ao hotel e pegamos a chave do quarto em pouco tempo. Todo mundo estava esperando no saguão, conversando com o pessoal do hotel. Murphy tentava convencê-los a marcar encontro no bar depois do trabalho. Parecia que ele estava conseguindo o que queria. Murphy era quase tão encantador como Stephan, à sua maneira boba. "Senhorita Karlsson". Uma voz calma falou atrás de mim. Virei para ver quem era e fiquei surpresa. Eu não estava acostumada a ser chamada daquele jeito. Fiquei um pouco surpresa ao ver Clark em pé, ali em Nova Iorque e no nosso hotel. Eu não tinha percebido que ele tinha viajado com James para fora de Las Vegas. "Oi, Clark. Como você está?", perguntei sorrindo. "Ótimo, Senhorita Karlsson. O carro está na frente do hotel. Por favor, permita-me levar a sua bagagem". Ele já foi pegando, sem nem esperar por uma resposta. Stephan me beijou na testa. "Divirta-se, Florzinha Selvagem. Ligue para mim se precisar de alguma coisa." Eu balancei a cabeça, distraída, vendo os olhares estranhos do restante da nossa equipe quando parti de forma precipitada. Eu fiz um breve aceno para eles enquanto saía. James podia ter me dito o que ele tinha planejado. Ele, provavelmente, não tinha me dito porque temia que eu fosse criar caso. Ele devia ter me dito algo. Clark já havia carregado minha bagagem e deixado a porta do carro aberta para eu entrar quando o alcancei. Ele era muito rápido. Eu sorri enquanto me abaixava para entrar no carro. Gritei quando braços fortes me assustaram e fui parar, imediatamente, no colo de James, que agora era familiar para mim. Ele me abraçou com força, enterrando o rosto no meu pescoço e se aninhando.


"Você ama esse lugar, hein?", perguntei a ele, referindo-me ao pescoço que ele estava beijando. "Claro que sim", ele murmurou. "Eu amo todo o seu corpo." Revirei os olhos. "Nós dois precisamos de um cochilo", eu disse, tentando descobrir quais eram os seus planos. "Podemos tirar uma soneca depois. Estou morrendo de vontade de lhe mostrar algumas coisas. Todo o meu autocontrole me abandonou. E pensar que eu era um homem que acreditava no adiamento do prazer." Eu ergui as sobrancelhas. "Sério?" Ele riu com gosto e não pude deixar de sorrir também ao ouvi-lo. "Sim, acredite ou não. Eu não consigo deixar de quebrar todas as minhas regras com você, Bianca." O apartamento de James ficava a apenas cinco minutos de carro do hotel, mas havia uma diferença monumental entre aqueles blocos de edifícios. Estávamos passando por aqueles impressionantes arranha-céus quando James falou com Clark. "Vá até a garagem, por favor. Eu não quero usar a entrada da frente hoje." Isso me fez ficar desconfortável e tensa. Ele estava me escondendo. Ainda que eu não quisesse, me senti ferida. Ele se sentia envergonhado de ser visto comigo e eu estava ficando tão envolvida, emocionalmente, para desconsiderar isso por muito mais tempo. Ele deve ter alguns casos, pensei. Ele estava apenas tentando não ser visto comigo. Uma aeromoça pegava mal no seu círculo de relações. Eu decidi que essa seria uma das razões que eu acrescentaria à minha lista para que esse caso fosse de curta duração. Clark nos levou até uma garagem subterrânea bem típica de Nova Iorque. James me puxou rapidamente do carro quando Clark parou em frente a um elevador, nem mesmo esperando que Clark abrisse a porta. "Eu vejo você lá na frente às 9h45", disse James, rapidamente, empurrando o botão do elevador, com impaciência. Clark voltou para o carro e foi embora sem dizer uma palavra. A porta do elevador se abriu e James me puxou para dentro da cabine sofisticada, utilizando uma chave para acionar o botão da cobertura. Só podia ser uma cobertura, pensei. "Eu tenho algo para você", disse James. "Eu não tenho certeza se vai gostar dele no começo, mas quero que você pelo menos tente." Isso soou ameaçador e eu dei uma piscada. Ele sorriu para mim. "Eu sei que você é nova nisso de sadomasoquismo. Nova para tudo isso. E eu não sei até que ponto é válido eu lhe mostrar as coisas sem antes explicá-las, mas não me arrependo de nada disso. Talvez eu lhe deva algumas explicações e irei fazer isso. Mas tenho algo para você. Ele tem um significado para mim e quero que você o use."


Eu movi os lábios e mirei os seus olhos. "É algum tipo de piercing?", perguntei. Ele riu, me puxando contra si. Ele me acariciava. Tentei dar-lhe uma cotovelada para me defender. "Isso não é uma resposta", eu disse. "Não, não é um piercing, embora eu ainda não tenha terminado de convencê-la a aceitar isso também". Enquanto falava, ele apertava os meus seios. "Bem, eu não vou concordar com nada se você não me disser do que se trata." "Eu quero que você seja minha, Bianca. Você vai ser submissa a mim?", ele sussurrou ao meu ouvido. Meu coração quase parou. Eu não estava exatamente chocada com a questão da submissão, mas o jeito formal como ele me perguntou soou quase que como uma proposta romântica saída de sua boca. "Eu não compreendo perfeitamente o que isso significa, James." "Isso significa o que quisermos que signifique. O importante para mim é que você me pertença, se submeta e confie em mim para dominá-la como eu preciso." Eu não sabia como responder àquela proposta, mas nem tive tempo, visto que o elevador se abriu e entrei rapidamente no suntuoso apartamento de James. Era um espaço totalmente aberto, considerando-se que em Nova Iorque os espaços eram geralmente apertados. Eu podia ver que ele tinha pelo menos três pisos distintos a partir da porta de entrada. Ele tinha escolhido uma decoração moderna bem limpa, com o piso de madeira e paredes de vidro cinza intercaladas. Vasos decorados, enormes e caros, se destacavam em meio àquele espaço de cor cinza em sua quase totalidade, o que dava um tom de neutralidade ao ambiente. As cores dos vasos eram vívidas e produziam um contraste com aquela sobriedade, como se o chão e as paredes fossem elas próprias espécies de quadros perfeitos. "Que lindo", eu disse, enquanto era puxada por aquele espaço opulento sem pausa. Quando passamos por sala após sala, fiquei maravilhada com o tamanho do lugar. "Você gostou?", ele perguntou, ainda me puxando junto. Ele estava olhando para portais como se estivesse procurando algo. "Sim. Você tem muito bom gosto." Ele sorriu. "Sim, eu sei", ele disse, lançando-me um olhar mais quente, e eu corei. "Fico feliz que goste daqui." Ele se aproximou de uma grande sala de jantar. Ela tinha uma vista espetacular para o Central Park. Ele me levou até a janela. "Fique aqui", ele me disse, caminhando por uma porta fechada à minha esquerda. Eu o ouvi conversando com alguém na sala ao lado. Percebi que era um empregado, a partir do trecho de conversa que pude ouvir. Senti-me oprimida pela opulência de sua casa, mas ainda assim apreciei sua beleza. Eu corri um dedo na cabeceira da brilhante e resistente mesa cinza-escuro, que dominava o ambiente de forma colossal.


Fiquei admirada com o enorme arranjo de flores no centro da mesa. Eram orquĂ­deas de cores vibrantes, postas em um pequeno vaso vermelho esculpido em forma de cubo. Eu estava ali, observando aquela extravagante vista do Central Park, quando James reapareceu minutos depois, segurando uma caixa quadrada fina, e sorrindo.


31 Sr. Temperamental

E

le pegou minha mão e foi me conduzindo. "Mais tarde eu levo você para conhecer todo o apartamento", ele falou baixinho, apressando-se. Subimos dois lances de escadas e depois fomos por um longo corredor. "Parece que só consigo conhecer partes muito específicas das suas casas", eu falei, maliciosamente. Ele me deu um sorriso conciliador. "Eu vou mostrar a você. Mais tarde". Ele me levou para um ambiente que deu para ver que era o quarto principal pelo tamanho monumental da cama. As cortinas se abriram para a mesma vista formidável do parque, a mesma da sala de jantar, só que alguns andares acima. A janela ocupava quase que uma parede inteira, indo do chão ao teto. A cama era a versão mais moderna do que se tinha em Las Vegas, com linhas mais limpas, mas eu tinha certeza de que tinha a mesma função devido à cabeceira, como se fosse uma prisão, com suportes bem grossos e quadrados. As cores no quarto eram, na verdade, uma mistura de vários tons brilhantes, com oscilações de verde e branco que convivem com madeira escura, que de forma intensa domina todos os móveis e também cobre o chão. Com uma parede inteira emoldurando uma vista espetacular do parque, era como se estivéssemos dentro de uma floresta. "É incrível", eu disse honestamente. Ele sorriu, satisfeito com a minha reação. Percebi que havia uma pequena porta sem maçaneta perto do banheiro aberto. Ela ficava visível, pois havia um painel iluminado com um botão ao lado. Eu apontei para na sua direção. "Isso é um elevador?" Ele riu com ar malicioso. "Sim." "Eu não sabia que apartamento tinha elevador." "Alguns poucos têm, na verdade. Mas esse aqui leva a um lugar especial. Eu vou lhe mostrar em breve. Primeiro, quero que você fique de joelhos e feche os olhos." Olhei para ele assustada. Ele mudou o rumo da conversa, como de costume. Era difícil lidar com aquelas mudanças repentinas de humor. Eu ajoelhei, obedecendo a ordem, e já estávamos em seu quarto. E foi tão natural deixá-lo mandar em mim. Fechei os olhos. Depois de alguns instantes, senti algo frio sendo colocado no meu corpo.


James ajeitou a gola do meu uniforme, pondo o objeto preso em volta. "Perfeito", ele murmurou. "Você pode usá-la para ir ao trabalho”. Ele colocou em mim o que parecia ser um círculo um pouco áspero. "Ok, abra os olhos", ele disse, finalmente. Eu abri e ele me levantou, me levando para um closet com luzes bem delicadas. O closet tinha o dobro do tamanho do meu quarto, com roupas masculinas caras que cobriam as paredes. Aquilo tinha um cheiro divino, como o próprio James. Ele me pôs na frente de um espelho enorme e começou a me despir sem uma palavra. Ele tirou primeiro a minha gravata e educadamente a pendurou em um cabide. Ele me mostrou uma prateleira grande e vazia no closet. "Esta aqui é para você pôr as suas coisas. Se você precisar de mais espaço, consigo outro para você." Eu estava um pouco surpresa com sua afirmação de que iria manter minhas coisas ali. "Eu gostaria muito que você aceitasse a ajuda da minha personal shopper para comprar novas roupas para você aqui em Nova Iorque, para que você não tenha que ficar carregando as coisas quando vier para cá. Ela deverá entrar em contato com você em poucos dias." "Que besteira. Eu não quero que você compre roupas para mim", eu disse, tentando não ficar com raiva. "É como se eu ficasse presa, entende?". Ele suspirou. "São apenas roupas. Achei que tivéssemos combinado que você não iria recusar presentes." Eu olhei para ele, que viu a minha expressão. "Por favor, pense nisso com carinho. Você não tem que decidir agora. Temos outras coisas sobre as quais conversarmos, por agora." Eu perdi o fio da meada quando ele tirou meu uniforme e o pendurou. Seus dedos pousaram nos botões no meu pescoço. Ele abriu os quatro botões superiores, puxando a camisa para os lados para revelar o colar que ele tinha colocado no meu pescoço. Era lindo, feito de algum tipo de metal prateado que parecia uma espécie de placa dura, mas na verdade era macio e flexível, apenas um colar de aparência perfeita, atado ao meu pescoço. Ele foi posto bem no alto da minha clavícula, na base da minha garganta. Coube perfeitamente bem. E ficaria perfeitamente escondido debaixo do meu uniforme. No centro do colar havia um enorme aro com um diamante cravejado. Eu o toquei e James se aproximou para apertá-lo com seu dedo indicador, puxando o fecho levemente. "É lindo", eu disse, mas estava preocupada. Qual era o significado daquilo para ele? "Ele foi feito para ser uma espécie de versão funcional de uma coleira usada em escravos.” Eu gelei ao ouvir a palavra, querendo de imediato tirar qualquer coisa com aquele nome. Ele segurou minhas mãos com força, segurando-as para baixo com firmeza, como se adivinhasse o meu pensamento. "Apenas me escute. Nós já temos uma relação dominante-submissa. Ela aconteceu naturalmente na


nossa vida. É isso o que somos. Mas isso pode ter o nome que quisermos dar. Você entende? Eu quero encontrar o equilíbrio que seja o ideal para ambos." Eu já estava balançando a cabeça em sinal de negação. "Isso soa natural para nós apenas na cama. Eu não quero levar isso para fora daqui. Você não vai conseguir mandar em mim em qualquer outro aspecto da minha vida. E eu não sou nenhuma escrava." Ele inclinou a cabeça, embora parecesse descontente. "Eu não estou tentando mandar na sua vida como um todo. Eu estou tentando ter um relacionamento com você, algo que eu nunca tinha feito antes, e vou tentar o que for possível. Eu quero que veja o que vou fazer com você. Mas eu vou fazer... algumas concessões, caso haja algo que você não possa aceitar. Eu simplesmente quero de você o máximo que puder me dar. E não é para fugir se você se sentir oprimida. E isso é chamado um colar de escravos porque denota propriedade. É o símbolo do seu compromisso comigo, para dar o seu corpo apenas a mim e a mais ninguém. Para submeter o seu corpo somente a mim. Há uma tranca e uma chave que ficarão comigo, mas não vou trancá-la até que concorde. Eu quero que você me diga quando estiver pronta para isso. Até lá, você pode usá-lo destrancado." Olhei para ele por longos minutos, com muita dificuldade de processar o que ele estava dizendo, visto que experimentava um conflito quanto às coisas que tinham sido reveladas. Ele queria um relacionamento? Que diabos ele queria dizer com isso?, sacudi o corpo, tentando me concentrar no assunto em questão. "E se eu nunca me sentir pronta para ser trancada?" Ele me deu um sorriso quase sinistro. "Vou me esforçar para convencê-la.” Ele começou a desabotoar o resto da minha camisa. Eu não o impedi e apenas olhei para o meu colar, com a mente acelerada. Ele tirou a minha roupa com movimentos rápidos até eu ficar apenas de meias e ligas. Ele ficou me olhando por um longo tempo no espelho, vestindo apenas aquilo, mas logo também as tirou. Ele tirou o meu relógio e até mesmo meus brincos pequenos. A primeira reação que tive quando me vi de pé e completamente nua na frente dele foi tentar me cobrir com as mãos, mas evitei fazer isso. Eu sabia que ele não iria gostar e meu intenso desejo de agradá-lo só tinha aumentado com o nosso relacionamento... Ele abriu uma gaveta e tirou um pedacinho de tecido preto transparente. Ele o enrolou nos meus quadris, prendendo-o com uma pequena corrente de prata. Aquilo se encaixou perfeitamente, sendo posto logo abaixo da minha cintura, como se ele tivesse tirado a minha medida previamente. O tecido cobria o corpo, embora mostrasse tudo ao mesmo tempo, cada curva claramente visível por baixo, mas James parecia muito satisfeito com os resultados, com os olhos brilhando de alegria, enquanto olhava para mim. Eu suponho que, pelo lugar em que aquilo se encontrava na gaveta, parecia algum tipo de uniforme submissivo. Só Deus sabe quantas mulheres ele já vestiu dessa maneira. Eu fiz o possível para não ficar pensando nisso. Ele tirou alguma coisa do bolso. Parecia uma adorável corrente de prata à primeira vista, mas notei


os pequenos grampos quando ele endireitou a corrente. Ele usou um pequeno clip na corrente para prendê-la ao aro no meu colar. Engoli a saliva. Ele deu voltas no aro até que sobrasse apenas uma parte suficiente da corrente para alcançar meus mamilos com os grampos. Ele os apertou, com os olhos quase fechados, enquanto minha respiração ficava cada vez mais agitada. Parecia uma espécie de top de metal obsceno. Com um colar de escrava... Ele prendeu em forma de coque os fios de cabelo que se soltavam logo acima da minha nuca. Parecia que ele não conseguia parar de me tocar. Ele acariciou meus ombros, minha cintura e quadris, mas seus dedos sempre encontravam o caminho de volta para os meus seios. Ele foi movimentando os grampos até que eu mal podia suportar a espera. "Se você gostar dos grampos, também vai se adaptar bem aos piercings. Os grampos, na verdade, fazem mais pressão do que os piercings após a dor inicial". Ele continuou a brincar com meus mamilos torturados, puxando-os até que gemi. Ele foi me puxando pela argola através de seu quarto e fomos para o elevador. Eu podia sentir o esforço de cada passo e o puxar dos meus seios doloridos. Eu parei atrás dele, descalça e quase nua, e ele completamente vestido, com uma de suas roupas de dar água na boca. Olhei de volta para a cama dele, já sentindo certa falta. "Eu quero que você me leve para a sua cama", eu disse, com certo quê de lamento na minha voz. Parecia tudo tão perfeito e, de repente, eu estava tão carente. "Eu a levarei, Amor. Mas, o mais importante deve vir primeiro", ele disse, enquanto me puxava para dentro do elevador assim que as portas se abriram. O elevador começou a se mover, descendo suavemente. "Até onde essa coisa vai?", perguntei, ao ver que parecia que demorávamos a chegar. "Apenas quatro andares". O elevador finalmente parou e foi aberto lentamente. James me puxou para fora. "Bem-vinda ao quarto andar, Bianca." Entramos num corredor cinza-claro. O chão era de madeira lisa, de cor cinza. Era limpo e impecável, mas sem graça. Isso parece uma masmorra, pensei e senti um arrepio. Passamos por duas salas antes de entrarmos na porta que ficava no final do corredor. Eu queria perguntar o que eram aqueles outros cômodos, mas de repente estava apavorada, com a mente acelerada e com ideias estranhas quanto ao que poderia acontecer, sentindo-me transportada para outro século. Pelo que conheço dele, até pode ser que ele mantenha outras mulheres aqui. Aquele pensamento me mobilizou, e James teve que me puxar com mais força para que eu o seguisse. "Este não é o lugar para ser teimosa, Bianca." "Sim, Sr. Cavendish", eu disse, com a voz trêmula.


O que de pior poderia acontecer?, perguntei a mim mesma, tentando pensar em voz alta diante daquele súbito terror, aparentemente fora de proporção. Ele me pôs na sua frente, permitindo que eu tivesse uma impressão completa daquele enorme quarto cinza-escuro para onde ele tinha me levado. Ele esperou pacientemente, me dando tempo para assimilar o que eu estava vendo. Era mesmo um enorme parque. Era uma espécie de sonho de consumo erótico de sadomasoquismo, pelo que entendi. Havia correntes, chicotes, algemas. Vários dispositivos de tortura instalados em pontos específicos pelo quarto. A primeira coisa que chamou a minha atenção foi uma espécie de balanço à minha direita. Ele era feito de uma série de tiras de couro e metal que me fascinaram. Olhei para ele de imediato. James seguiu o meu olhar e o meu movimento. "Então você gosta de balanço? Nós podemos começar por ele, então. Já que essa é a sua primeira vez no quarto andar, vou deixar você escolher. Estou me sentindo generoso hoje." "Você vai me punir?", perguntei, com a voz ofegante. Ele estalou a língua para mim, me puxando para o balanço. "Se você me desobedecer aqui, irei punila. Então, considere isso apenas como uma lição. Você entende?" Ele me pôs bem na frente do balanço. "Não se mexa", ele ordenou, agarrando o meu pulso e pondo nele uma correia de couro com uma marca. Ele a apertou bem forte, a partir de seus fechos. Ele testou para ter certeza de que estava bem e confortável. O material que tocava o meu pulso era suave na parte de baixo, enquanto que o couro do lado de fora da correia era rígido e inflexível. Ele prendeu meu outro pulso bem devagar e colocou as minhas mãos para segurar uma barra de metal acima da minha cabeça. "Levante-se", ele ordenou. Eu me levantei, e ele pôs umas tiras grossas de apoio nas minhas costas e bumbum. Ele se ajoelhou na direção dos meus tornozelos e eu o vi apertar outras tiras de couro semelhantes às dos pulsos. Ele prendeu algumas delas também nos meus joelhos, embora elas fossem mais macias e flexíveis. A região acima dos meus cotovelos recebeu o mesmo tratamento. Ele se endireitou e começou a ajustar todas as correias postas em mim. Ele parecia saber exatamente o que queria, com as mãos passando de uma para outra sem hesitação. Por fim, ele saiu dali, de costas, tirando o paletó e afrouxando a gravata, impacientemente. "Solte-se", ele ordenou. Eu hesitei, achando que ficaria tonta se fizesse isso. "Agora", ele gritou comigo. Eu hesitei um pouco, mas decidi obedecer. Eu me sentia leve como se fosse cair para trás. As tiras aderiram ao meu corpo como um estranho abraço suave, a correia nas minhas costas e bumbum mais confortável do que eu poderia imaginar.


Meus braços foram suspensos quase no mesmo alinhamento dos meus ombros. Minhas costas estavam arqueadas, exibindo meu peito e estômago em posição declinada. Minhas pernas estavam bem abertas, o meu sexo exposto. Eu tentei fechá-las, pelo menos um pouco, mas era impossível. As cordas as seguravam com firmeza. James se aproximou de mim, colocando meus pés em estribos confortáveis que separaram ainda mais as minhas pernas. Eu gemia baixinho. Ele deu apenas um puxão nos grampos nos meus mamilos antes de se afastar. Eu o vi desabotoar a camisa, impacientemente, enquanto caminhava na minha direção. Tentei virar a cabeça para vê-lo, mas eu estava presa com muita força. Pensei que deve ser assim que se sente uma mosca quando é pega de surpresa por uma teia de aranha.


32 Sr. Maravilhoso

C

omo eu estava de bruços, não dava para ver para onde ele tinha ido, mas parecia que tinha se dirigido para o outro lado do ambiente.

Ele demorou uma eternidade, até que o senti atrás de mim, chegando perto o suficiente para o seu peito agora desnudo se esfregar nas minhas costas. "Só para dar um gostinho. Isso é por você não ter confiado em mim quando eu lhe disse para deixar acontecer", ele sussurrou ao meu ouvido antes de ajustar a tira no meu bumbum até que as minhas costas ficassem totalmente expostas. Alguma coisa bateu no meu corpo com força suficiente para fazer meus olhos arderem de lágrimas. Ele repetiu a ação duas vezes antes de ajustar a tira de suporte até que o meu bumbum ficasse novamente coberto e meu sexo exposto. Ele circulou em volta de mim até que eu pudesse vê-lo de novo. Ele estava sem camisa e sem sapatos, mas usava calças, embora seu pênis ereto estivesse quase saindo. O tecido caro contra sua pele perfeita e nua evidenciou ainda mais seus músculos salientes quando ele cruzou os braços e ficou em pé, com as pernas afastadas, olhando para mim. Seus olhos estavam famintos, mas muito autoritários. Ele segurava uma pá retangular de forma despreocupada. Aquilo me fez lembrar a palmatória que era usada nas escolas para a punição, embora essa fosse preta. Ele veio até às minhas coxas separadas. Inclinou-se e beijou minha testa. "Linda", ele disse, tocando a minha pele e se afastando. Eu me contorcia, tornando-me incrivelmente necessitada de contato físico. Ele colocou a mão na parte interna da minha coxa, indo timidamente para a minha abertura. Foi torturante sentir aquela mão me tocando um pouco acima de onde eu precisava. A carne sob sua mão tremia. Como um corisco, ele bateu na minha outra coxa com a pá, forte o suficiente para arder. Ele deu um passo atrás, agarrando o meu pulso e me puxando com muita força, girando o meu corpo até eu ficar tonta. Eu dei um pequeno grito de medo. Ele parou de me rodar com a mão no meu pulso e, de repente, estava entre as minhas pernas, empurrando para dentro de mim com um movimento regular, mas violento. Suas mãos amassavam a minha mama, bem ao redor dos grampos do mamilo, com firmeza. Aqueles eram os nossos dois únicos pontos de contato. Pênis na vagina e as mãos nos seios.


Ele empurrou o pênis para dentro e para fora, apenas uma meia dúzia de golpes lentos, antes de sair de mim, dando um passo para trás e me girando novamente. Ele estava pondo suas pernas entre as minhas quando fui suspensa, bem na direção do seu pênis bem armado. Ele me deixou sentir o gostinho de estar ali desta vez um pouco mais e se retirou. Minha cabeça tinha acabado de parar de girar quando ele começou a me rodar novamente. Ele me parou com um aperto no meu tornozelo nessa hora, e entrou em mim com mais força, trabalhando dentro e fora como uma britadeira. Ele massageava meu clitóris com uma mão, a outra ficando áspera com o grampo que prendia meu mamilo. "Goze agora", ele ordenou, e funcionou, como sempre. Eu gozei com um grito, com a cabeça jogada para trás. Ele tirou o pênis, me girando ao redor antes mesmo de minhas entranhas deixarem de se contrair com o orgasmo. Ele mudou minha posição, me pondo na cama num piscar de olhos, de barriga para baixo, bunda para cima. E me penetrava lentamente, e eu tremia junto a seu corpo, ainda sentindo pequenos tremores. “Caralho”, ele amaldiçoou. “Esse pequeno lugar apertado vai me fazer gozar.” “Sim”, eu soluçava. Goze.” Ele bateu na minha bunda, penetrando dolorosamente, e lentamente, dentro de mim. "Eu não vou gozar até que eu lhe mostre mais das delícias que esse pequeno balanço tem para oferecer". Ele tirou o pênis de forma abrupta, me pondo para girar novamente. Eu choramingava. Ele me penetrou forte logo que parei de girar, movendo-se com um propósito agora. Ele chegou perto de mim, seus dedos talentosos colaborando para me levar ao próximo orgasmo. Eu soluçava seu nome quando gozei de novo. Ele me virou como um relâmpago, até meu rosto ficar a poucos centímetros do chão, e começou a me chupar. O contraste suave do seu tratamento prévio me fazia implorar de forma entrecortada. O motivo, eu não sabia. Ele tirou a boca e logo depois estava com o seu pau duro dentro de mim novamente. Dessa vez era mais lento o processo, devido à posição em que estávamos. Ele teve que entrar apertado, centímetro por centímetro. Eu o ouvi xingando. Eu estava sendo fodida com tanto entusiasmo que prendi a respiração, alarmada com a sensação. Ele deu algumas pequenas estocadas, meio rudes, um pouco antes de sair de mim. Ele me pôs de pé, levando alguns minutos para me suspender imediatamente acima dele. Nossas bocas estavam no mesmo nível, pela primeira vez. Ele me beijou apaixonadamente enquanto entrava em mim, de forma solta e empurrando violentamente. Eu choramingava um lamento. Eu não podia tocá-lo por conta dos aparatos que me limitavam, mas


ele podia me tocar. Suas mãos estavam por toda parte, acariciando e beliscando com suavidade e com incrível habilidade. "Eu vou gozar", ele disse com os dentes cerrados, enquanto sua cabeça caía para trás com seu próprio gozo. Era hipnotizante vê-lo gozando daquele jeito e, por isso, os meus olhos nunca deixaram de olhar para ele quando eu gozava sob o seu comando. Eu gemia seu nome. “Porra, porra, porra", ele disse uma e outra vez, enquanto transbordava dentro de mim. Ele me desamarrou magistralmente e me embalou em seus braços. Levou-me para uma cama enorme que ficava no canto do quarto e me colocou bem na cabeceira, se esparramando do meu lado. Eu vi que ele estava completamente nu, algo que tinha de alguma forma passado despercebido antes. Ele deve ter tirado a calça quando eu estava girando, minha mente zonza se deu conta. Ele tirou os grampos do meu mamilo, sugando suavemente a carne vermelha. Ele foi sem pressa, dando atenção igual a cada mamilo explorado. Depois de um bom tempo chupando-os com dedicação, ele posicionou o corpo para observar o meu rosto. Ele elevou-se sobre mim, com uma das mãos pressionando o meu baixo ventre, apenas observando meu rosto por longos minutos. Ele beijou minha testa. Ele parecia estar esperando por algo. Perguntei a ele o quê. "Eu estava esperando para ver se você ia cair no sono. Você está no clima para um intercâmbio de informações?" Eu me estiquei, sentindo-me lânguida e exausta, mas, estranhamente, estava longe de sentir sono. Eu pensei sobre o que ele iria perguntar. Era estranho, mas o pensamento de que eu responderia a suas perguntas não pareceu preocupante para mim naquele momento. Eu imagino que a meia dúzia de orgasmos que experimentei tinha a ver com isso. Eu imaginei que ele, provavelmente, sabia disso. Ele era muito mais familiarizado com sentimentos pós-transa do que eu. Eu me senti estranhamente aberta naquele momento, particularmente desapegada da minha forma reservada de ser. Eu esperava, ainda que com ressalvas, que essa fosse uma espécie de insanidade temporária, e não mais um sintoma da minha obsessão crescente para com esse homem. Eu movi os ombros e ele ficou irado. "Tudo bem", eu disse, deslizando a mão no seu peito, que estava sobre mim. "Pode me perguntar o que quiser”. Ele sorriu para mim, delicadamente, e depois mordeu o lábio como se estivesse nervoso. Eu o observei com fascínio. Eu nunca o tinha visto fazer aquilo. Ver James fazendo algo de forma tão vulnerável simplesmente não entrava na minha cabeça. "Eu descobri o que sotnos significa. Eu quero saber por que um termo carinhoso tornou-se sua palavra secreta." Eu não fiquei chocada. Eu sabia, ao olhar em seu rosto, que isso era algo apenas pessoal. As palavras


estavam saindo da minha boca antes que pudesse me convencer do contrário. Eu queria conhecê-lo, e talvez por isso não me fizesse mal que ele me conhecesse um pouco. "Meu pai costumava me chamar assim", eu disse. Era verdade, e foi a mais simples resposta que eu poderia dar. Ele franziu o cenho. Ele estava esperando por mais de uma resposta, eu sabia. "Isso realmente não explica nada para mim. Por que uma expressão de carinho de seu pai seria uma boa palavra secreta para você?" "Você está me devendo agora uma enorme revelação após isso", eu disse, cutucando seu peito. Ele balançou a cabeça solenemente e sem hesitação. Aquilo me tranquilizou, por algum motivo. Eu respirei fundo antes de começar. "Ele costumava me bater muito”, eu disse. James ficou tenso, e minha mão o acariciou distraidamente. Eu continuei, suspirando. "Não eram palmadas, ou um tapa na mão, ou o que acontece às crianças normais. Ele me batia sem motivo. Ele descontava tudo em mim e na minha mãe, sem ligar para as consequências. E não havia nenhuma, não para ele. A única razão pela qual eu sabia que ele tinha um mínimo de controle era porque ele não batia na nossa cara. Ele achava que nós éramos bonitas e tinha orgulho disso. Ele queria que continuássemos bonitas, eu acho." Eu dei uma olhada de relance para James. Ele estava pálido, sua palidez de repente cinza. Mas continuei, sentindo como se um peso fosse tirado de mim enquanto eu falava sobre alguns dos detalhes sórdidos. "Ele era um homem frio e bruto. E enorme. Deus, como ele era grande. Quando criança, eu achava que ele era um gigante. Stephan brigou com ele uma vez.” Sei que você não sabe disso, mas embora Stephan não goste de violência, ele é um exímio lutador. Stephan conseguiu dominá-lo, mas não de todo. Meu pai tem uns 20 quilos a mais do que ele, e isso quase resultou em uma catástrofe. Mas Stephan era um lutador mais rápido e muito mais experiente. Stephan costumava nos proteger, literalmente, lutando, e ele tinha só dezesseis anos de idade naquela época. Meu pai só estava acostumado a bater em mulheres e crianças, eu suponho. Mas ao ver como aqueles punhos musculosos quase levaram um homem grande como Stephan para um hospital, eu não podia imaginar como a minha mãe e eu sobrevivemos por tanto tempo..." Eu interrompi as divagações e voltei ao ponto. "Ele não era um pai carinhoso. Era frio e agia de forma brutal e raivosa quando perdia a paciência. Mas até mesmo os seus acessos de raiva eram frios. Ele frequentemente se dirigia à minha mãe e a mim com palavras de estima, como uma forma de zombar de nós à sua maneira. Então, quando você me pediu para escolher uma palavra secreta, para quando as coisas fossem além da minha capacidade de lidar com elas, eu só pensava nisso. Nada me apavorava mais do que essas palavras em seus lábios. Parecia perversamente apropriado." "Puta merda", James disse de forma distraída, mas com sentimento. Eu sorri ironicamente. "Eu disse que estava fodida", comentei. "Como ele morreu?", perguntou James, com uma voz rouca, sua mão acariciando a minha barriga. Eu não perguntei sobre a pontuação quanto àquela nossa troca de informações. Aparentemente, eu


estava em um estado de espírito de abertura, porque eu só respondia. "Ele não morreu", eu disse, suavemente. Ele me olhou de forma meio agressiva, tirando os olhos da minha barriga e me encarando. "Mas você disse-" "Eu menti. A respeito dele, mas não quanto à minha mãe. Ela está morta." "Como ela morreu? E onde está o seu pai?" "Ela se matou". A mentira escapou dos meus lábios sem esforço ou remorso. Era uma velha mentira. E necessária. "E eu não tenho a mínima ideia de onde ele está. Eu fugi de casa logo depois que minha mãe morreu. Eu tinha quase quinze anos e nunca mais parei de fugir. Ele me encontrou algumas vezes. O sistema de adoção fracassou em nos reunir. Mas naquele tempo eu já estava com Stephan. Ele sempre me protegeu e fugimos novamente." "Então, você estava em um orfanato? Foi assim que você encontrou Stephan?" Eu fiz que não com a cabeça. "Tivemos alguns desentendimentos com a assistência social, mas não foi lá que o conheci. Nós éramos fugitivos desabrigados. Conheci Stephan porque um velho sem-teto estava tentando me estuprar, e ele bateu no tarado a ponto de quase matá-lo. Você pode agradecer a Stephan por ajudar a manter minha virgindade intacta. Nós nos tornamos inseparáveis depois disso. Nós nunca sequer falamos sobre isso. Eu e ele nos tornamos uma família." Eu notei um leve tremor a balançar seu corpo. Toquei seu queixo suavemente com a ponta do dedo. "Eu quero matar alguém", James sussurrou. Passei o dedo na sua mandíbula, como se fizesse um traço. "Eu não posso suportar a ideia de que o homem que bateu em você quando era criança continue solto. Eu não posso acreditar que alguém como você foi viver nas ruas, sem proteção." "Stephan estava comigo", eu disse. Ele fez com que tudo valesse a pena. Ter alguém como ele à minha volta tinha feito a minha vida suportável durante os tempos horríveis. "Eu adoro esse cara. Lembre-me de comprar para ele um presente ridiculamente extravagante. Eu sei que ele gosta de carros...", disse James. Eu ri, e parecia surpreendentemente despreocupada. "Eu o amo muito também, mas eu me recuso a incentivá-lo a fazer isso." "Eu preciso que você me responda uma coisa. Seja totalmente honesta. É ruim para você o que fazemos juntos? Eu sou como o seu pai? Nós não temos que fazer nada que seja agressivo, se for demais para você. Eu não quero ser mau para você." Eu passei o dedo nos lábios dele, escolhendo as palavras com cuidado. "Eu sou fascinada por sadomasoquismo desde que me entendo por gente. Isso me envergonhava e, por isso, eu disfarçava bem. Obviamente, eu não tinha nenhuma experiência com isso, mas sempre me senti atraída. E a maneira como você assume isso, sem sentir vergonha, é libertadora para mim. O meu passado me tornou quem eu sou, isso acontece com todos nós, mas não acho que seja ruim para mim enfrentá-lo dessa forma. É bom para mim ter alguém como você, que pode me ajudar com a expressão desse sentimento. Alguém em quem eu acho que poderia aprender a confiar. E você não é nada parecido com o meu pai."


Eu podia ver que as minhas palavras o tranquilizaram. Ele se inclinou para beijar minha testa, suavemente. "Obrigado", ele murmurou contra a minha pele. "E nós estamos nos desviando do combinado. Você me deve uma revelação dolorosa. Algumas, na verdade. Por que você odeia tanto álcool?", perguntei. Eu sabia que havia algo. Eu podia sentir. Sua reação quando me viu bêbada e seu incômodo e necessidade de me proteger cada vez que via que eu poderia beber álcool, me pareceram muito pessoais. Ele passou a mão no meu torso, tocando as minhas costelas. Esperei alguns minutos em silêncio, enquanto ele me olhava pensativamente, e respondeu. "Eu contei a você sobre o meu primeiro guardião quando meus pais morreram. Ele era um primo mais velho. Seu nome era Spencer, e eu o desprezava. Supostamente, ele era um amigo próximo dos meus pais. Eu pude descobrir o porquê logo no início. Ele parecia bom e não criava regras ou restrições. Eu nem tinha completado quatorze anos e ele me deixou tomar vinho no jantar. Eu achava que ele era o cara mais legal do mundo. Até que percebi que ele estava pondo alguma droga no vinho." Eu fiquei embaraçada com aquelas palavras. Fiquei com a respiração tensa, enquanto ele continuava, pressentindo que o final da história seria ruim. "Demorei um tempo para perceber o que acontecia. Eu simplesmente tinha aqueles apagões. Eu não me lembrava de nada depois do jantar. Mas havia... indícios." "Eu sentia dores em lugares onde não deveria sentir. Eu tinha marcas nas costas e punhos, e... em outros lugares. E Spencer ficou diferente comigo. No começo, eu percebia apenas pelos seus olhos. Com o tempo, ele começou a se esfregar em mim em plena luz do dia, e eu já sabia. Eu já sabia que ele tinha feito alguma coisa comigo, coisas que eu não tinha consentido. Eram coisas com as quais um garoto de quatorze anos de idade não concordaria, de tão insólitas." Meus olhos se encheram de lágrimas pela primeira vez em muitos anos, e minhas mãos o acariciaram de forma reconfortante. Aquilo me deixou abatida e tocada, o fato de ele compartilhar uma experiência dessas comigo. Ele notou as minhas lágrimas e passou as mãos no meu rosto para secá-las quase distraidamente, e prosseguiu. "Foi apenas uma suposição de minha parte, mas eu desconfiava do vinho. Então, fingi que bebia uma noite e deixei que ele me levasse para o seu quarto. Ele tinha me algemado antes que eu percebesse o que estava fazendo. Mas, até lá, eu estava impotente. E então comecei a experimentar toda a coisa repugnante sem o efeito do vinho misturado à droga." Eu passei o dedo nas pequenas cicatrizes em seus pulsos, e ele deixou. Ele fechou os olhos com força quando as beijei, mas não me impediu de fazê-lo. "Eu acho que ele sabia de cara que eu não estava tão drogado, como de costume, mas eu não acho realmente que aquele bastardo tenha se importado. Ele se convenceu de que eu era um participante voluntário, não importa o que eu tenha dito ou tenha lutado contra aquilo.”


"Ele não me soltou até o começo da manhã. Aquela foi a noite mais longa da minha vida. Eu estava exausto e doente até a minha alma, mas estava determinado a quebrar a cara dele quando estivesse livre." "Ele me evitou depois disso. E, não demorou um ano, algum amante irritado o sufocou até a morte. Ele gostava de homens mais jovens, que pudessem dominá-lo fisicamente. Eu acho que finalmente o tiro saiu pela culatra. Pelo menos aquele amante não era menor de idade. Foi um grande escândalo familiar. Todos os meus parentes ficaram mortificados. Mas eu adorei a notícia". Seus olhos estavam vidrados quando ele me contou tudo em detalhes, mas voltaram ao normal quando ele terminou, e parecia concentrar nas minhas costas imediatamente. Ele se inclinou e me beijou quando terminou de contar a história. Eu correspondi ao beijo desesperadamente. Ele se afastou, murmurando na minha boca. "Você é a primeira pessoa, além do meu terapeuta, para quem eu já disse isso. Eu me sentia tão envergonhado por tudo. Isso muda a forma como você me vê?" Em resposta, eu o beijei com toda a emoção que sentia por essa alma machucada que parecia de alguma forma assemelhar-se à minha. E também para completá-la de uma maneira que, embora eu não tivesse notado, necessitava tão desesperadamente. Nós nos beijamos daquele jeito por longos minutos. Era um tipo suave e reverente de partilha. O tipo de intimidade que teria feito a minha pele se arrepiar em outros tempos. Mas isso não aconteceu agora. Eu apreciava o contato, pois algo tinha mudado dentro de mim. Ele finalmente se afastou, mas apenas para me levantar. "Eu preciso de você na minha cama, Amor. Diga adeus ao quarto andar, por enquanto. Mas estaremos de volta, não se engane." Ele me embalou nos seus braços, como um bebê, enquanto caminhava sem nenhum esforço aparente em direção ao elevador, sem me pôr no chão enquanto entrava, e subiu lentamente de volta para o quarto. Eu me aninhei em seu peito. Ele beijou o topo da minha cabeça. Ele me deitou na cama e fez amor comigo. Eu imaginava que era algo muito parecido com fazer amor em uma floresta, por conta da enorme janela e da enorme parede que nos inundava com a luz solar. Ele era todo ternura como amante, embora até mesmo o lado amante de James tivesse um limite. Ele prendeu meus pés sobre a cama, separadamente, de modo que ao me penetrar ele esfregava meu clitóris de uma maneira áspera quase insuportável. Ele me fez gozar novamente antes de também gozar. "Você é minha", ele sussurrou em seguida. Ficamos deitados juntos, com os corpos entrelaçados. Estávamos deitados de lado, e seu corpo me abraçando por trás, com a mão segurando a minha firmemente. "Sim", eu murmurei de volta, e mergulhei num sono profundo e tranquilo.


33 Sr. Belo

A

cordei no escuro, desorientada a princípio, e sem saber o que tinha me despertado. "Shh, amor, volte a dormir", James murmurou ao meu ouvido, levantando-se e indo imediatamente para o banheiro. Eu ouvi o chuveiro ser ligado. E me levantei.

Eu fui para o closet, vestindo as minhas roupas de trabalho, uma vez que elas eram as únicas que eu tinha. Eu, definitivamente, precisava de um banho, mas poderia esperar até o meu quarto de hotel. Eu tinha a sensação de que se me juntasse a ele no chuveiro agora, ele iria me convencer a ficar lá, durante sua saída. Eu ainda não estava disposta a fazer isso. Eu me vesti rapidamente, indo para a porta do banheiro quando ouvi o chuveiro desligar, falando com James através da porta. "Estou morrendo de fome. Se importa se eu for até a cozinha tentar encontrar um pouco de comida enquanto você se apronta?" "Claro. Eu sinto muito. Eu tenho sido um anfitrião negligente. Sirva-se. Vou precisar de algum tempo para ficar pronto, mas vou acompanhá-la daqui a vinte minutos." Eu já tinha visto o smoking com aspecto de novo separado em seu armário e, sendo assim, sabia por que ele precisaria de um tempo. Ele iria, obviamente, participar de um evento de gala, por isso a necessidade do black-tie. E devia ser algo muito mais sofisticado do que qualquer evento a que eu já estive. "Tudo bem", eu disse. Fiquei um pouco perdida andando através do apartamento, que mais parecia um labirinto, mas foi uma boa ideia essa que eu tive, porque assim encontrei a minha mala. Eu a tinha deixado no portamalas do carro quando Clark saiu comigo de carro. Eu sequer tinha me lembrado dela até vê-la novamente. Eu a segurei com gratidão, puxando-a atrás de mim, enquanto tentava chegar à cozinha, procurando refazer os passos de James do dia anterior. Eu a achei mais pelo som do que pela visão, pelo barulho que inadvertidamente vinha dela por um ângulo diferente. Eu podia ouvir duas vozes femininas que papeavam, uma calorosa e rouca, a outra amistosa e estridente de tanto rir. Eu me aproximei da porta aberta com cautela. O que eu vi me deixou confusa e permaneci ali surpresa. Uma das mulheres estava na casa dos cinquenta anos e reconheci sua voz amistosa porque a tinha


escutado falar com James quando chegamos em casa pela primeira vez. Ela era a governanta. Era uma senhora hispânica, gorda, e tinha a aparência gentil do tipo mãezona. Ela ficou muda quando me viu e se fixou na minha aparência desgrenhada sem pronunciar uma palavra sequer. Eu não estava surpresa com a presença dela. Era a presença da outra mulher que não fazia sentido para mim. Ela era excepcionalmente bonita, com o cabelo preto cacheado e bem penteado, e com um brilho intenso. Talvez ela estivesse se relacionando com James, pensei. Ela era bonita o suficiente para se adequar à sua linhagem, embora fosse difícil alguém ser tão bonito quanto James. Os seus lindos olhos cinza me observaram e ela demonstrou menos surpresa do que eu. Ela usava um vestido cinza-claro como se estivesse adornada para um evento black-tie que combinava com seus olhos e poderia ser usado no tapete vermelho. O vestido era clássico, sem alça, e tinha um modelo simples que se agarrava ao seu corpo perfeito como uma luva. Ela tinha um baita corpo, com a cintura mais fina que eu já tinha visto na vida, mas mesmo assim conseguia ser voluptuosa, com a forma exemplar que imitava uma ampulheta. Ela era o tipo de mulher que fazia qualquer uma se sentir a pior das criaturas só de vê-la. Ela era bem mais baixa do que eu, e não media mais do que um metro e sessenta e sete centímetros. Ela me fez sentir instantaneamente alta e desajeitada. Sua pele bronzeada era impecável, seus lábios exuberantes e sensuais, seu nariz bem delineado e perfeito. "Outra aeromoça?", ela perguntou com voz rouca. Ela estava falando com a governanta. "Meninos e seus brinquedos". Sua voz era meio desinteressada, e ela revirou os olhos, mas havia certa tensão na sua forma de falar, que soava fria e raivosa. "Ele vai estar pronto para assumir compromisso com você em poucos anos, minha querida. Os homens são basicamente animais até completarem trinta. É um fato bem conhecido", disse a dona de casa para a adorável criatura, demonstrando ser gentil. Seus olhos, no entanto, não eram gentis quando ela me olhou de cima em baixo. Eu estava começando a sentir uma sensação ruim na boca do estômago. Olhei para a linda mulher em silêncio durante um momento e em seguida decidi perguntar. "Quem é você?" Minha voz era temerosa e de dar pena. Eu realmente não queria ouvir a resposta, mas tinha que perguntar. A mulher sorriu, com a expressão se tornando calorosa num instante, como que por magia. Ou ela era uma atriz experiente ou, de repente, foi com a minha cara. Eu definitivamente estava apostando na primeira opção. "Eu sou Jules Phillips." "Você é parente de James?", perguntei. Eu estava titubeando, eu sabia. Ela riu de forma calorosa e sensual. Eu me senti tão mal que pensei que poderia vomitar o conteúdo do meu estômago direto nos seus perfeitos sapatos stiletto vermelhos. "Não. Se eu fosse um parente, as coisas que James e eu fizemos certamente seriam proibidas. Eu sou a pessoa que vai se encontrar com ele hoje à noite. Ele irá me acompanhar a um baile de caridade. É


para uma instituição de caridade fundada por nossas mães. Pobrezinha... Ele não lhe contou sobre mim? Ele pode ter uma mente centrada só naquilo que lhe interessa. Eu tive que ser muito compreensiva quanto aos caprichos... peculiares ao longo dos anos." Ela tocou um colar em seu pescoço, olhando o meu próprio colar desnudo, visto que eu tinha deixado alguns botões desabotoados na parte de cima. O dela era um colar de diamantes, não muito diferente do meu. "Apesar de ele ser sempre generoso o suficiente para fazer isso valer a pena", ela disse, "como tenho certeza de que você sabe." Isso foi tudo. Eu mal cheguei até a pia antes de começar a vomitar. Jules soltou um ruído de pesar e senti alguém alisando meu cabelo para trás. A governanta fez um barulho de nojo. "Muita coisa para assimilar, querida?", perguntou Jules, acariciando meu cabelo. Havia um incômodo na sua pergunta que ela provavelmente pensou que eu não iria captar. Ela era uma mulher com quem se tinha que tomar cuidado. Eu sabia disso com absoluta certeza. Eu a ignorei. "Por favor, preciso ficar só”, eu disse, sentindo-me sufocada. Eu me aprumei, limpando a boca na manga da roupa. Nunca me senti tão enojada na minha vida. Nunca me senti tão suja. Ele era um mentiroso, pensei. Eu tinha caído de amores por um perfeito mentiroso. Eu tinha entregado a mim mesma a um lindo mentiroso. Eu me senti exposta. Eu tenho que sair daqui. Eu cambaleei para fora da cozinha. Eu prefiro passar mal na rua a passar mais um segundo na casa dele. Fui em direção ao elevador, apertando o botão. Eu senti Jules vindo atrás de mim, uma presença forte nas minhas costas. "Vocês moram juntos?", perguntei a ela, sem me virar. Ela não respondeu e presumi o pior. Havia uma mesa ao lado do elevador. Tirei meu colar e relógio com as mãos trêmulas. Eu os coloquei sobre a mesa com cuidado, mas mesmo assim eles fizeram barulho como se tinissem. O elevador se abriu mais depressa do que a minha capacidade de nele entrar. Foi quando, então, me virei. Olhei para um piso acima e vi que James tinha acabado de sair de seu quarto, impecavelmente vestido para o encontro. Ele ficou estático ao ter diante dos olhos nós duas no piso logo abaixo. Ele parecia notar a emoção expressa no meu rosto. "Bianca, espere", ele disse, com pânico em sua voz e os olhos assustados. Ele estava descendo as escadas de forma frenética quando as portas do elevador, felizmente, se fecharam. Desci respirando fundo e tentando não passar mal de novo. Seria humilhante demais deixar o


elevador dele fedendo com meu vômito. E eu já tinha passado por humilhação suficiente naquela noite. Quando deixei o prédio, quase saí correndo pela rua. Eu fiquei na beira da calçada por um longo momento, desorientada. "Senhorita Karlsson?", uma voz que denotava preocupação me fez voltar a mim. Eu me virei e vi Clark se aproximando de mim com cautela, como se tivesse medo de que eu fosse sair correndo pela rua. "Deixe-me lhe dar uma carona, senhorita Karlsson. Por favor. A Senhorita parece chateada”, ele falou em voz baixa. "Vou chamar o Sr. Cavendish e ele vai cuidar de tudo o que está incomodando você." Bastou ele mencionar aquele nome e eu realmente saí correndo. Eu corri pela rua cheia de gente, sem sequer olhar para o lado, impulsionada pelo pânico. Eu não queria vê-lo. Buzinaram várias vezes para mim, mas não me importei. Um táxi que ia de um lado para outro, meio descontrolado, freou abruptamente a poucos centímetros de mim. Olhei para dentro do carro. Ele estava vazio. Eu entrei, arrastando minha mala que levava em cima a minha pequena bolsa de voo. Pedi que ele me levasse para o hotel. Ele olhou para mim como se eu fosse louca, mas peguei minha bagagem, tirei minha carteira e enfiei uma nota de vinte na mão dele. Eu, geralmente, nunca pego táxi. Era uma forma inconveniente e dispendiosa de se locomover. Mas, naquele momento, eu pagaria qualquer coisa só para ficar longe dali. Eu queria chegar ao meu quarto e me enrolar na cama como uma bola. Eu sabia que Stephan estaria fora. Eu relutei em telefonar. Eu sabia que ele iria deixar tudo o que estava fazendo e voltar para me confortar. Eu queria isso. Mas descartei a ideia quase que imediatamente. Foi um instinto egoísta; trazê-lo de uma noite de diversão para dentro da minha miséria existencial. Eu desci do táxi de forma deselegante assim que ele parou. Comecei a procurar minha chave do quarto e fiquei aliviada quando descobri o cartão ainda no bolso. Eu não queria falar com ninguém, nem mesmo com a equipe simpática do hotel. Fiz um gesto de cumprimento com a cabeça para a garota que estava na recepção quando ela me cumprimentou em voz alta. Não a reconheci naquele momento de desespero que me turvava, mesmo que ela tenha me chamado pelo nome. Fui rapidamente em direção ao elevador. Senti uma onda de alívio quando finalmente cheguei ao meu quarto, trancando a porta atrás de mim. Eu tive uma ideia louca e paranoica de que James estava me perseguindo, tentando me pegar antes que eu pudesse deixá-lo de fora e nunca mais falar com ele novamente. Eu me recostei na porta por longos minutos, tentando não me afastar desse pensamento. É claro que eu sabia que James tinha uma lista longa de ex-amantes. E claro que sabia que ele era mulherengo. Claro, eu era uma tola. Quando ele me disse que seria exclusivo, eu tinha acreditado nele, como se um homem como aquele não fosse um perfeito mentiroso.


Deixei minha mala na porta, deliberadamente permitindo-me fazer as coisas mecanicamente. Tirei o lençol da cama, jogando-o em uma pilha de roupas sujas num dos cantos mais afastados do quarto. Eu sabia que eles nunca lavavam aquelas coisas. Eu ajustei o alarme que ficava ao lado da cama e também o do meu celular, pondo-o para carregar. Vi que eu tinha oito chamadas não atendidas. Eu tirei o telefone dos modos vibrar e tocar, de modo que ele não iria me acordar com chamadas ou mensagens. Eu o configurei para fazer barulho só com o alarme. Eu tirei o mínimo de coisas da mala. Apenas produtos de higiene e meu uniforme extra. Fui para a porta ao lado. Mesmo que eu tenha passado o dia fora, tínhamos reservado o quarto contíguo, como de costume. Abri o meu lado do quarto, aliviada ao ver que Stephan tinha escolhido o de sempre. Eu ouvi um movimento no banheiro e pulei. "Ste-Stephan?", eu chamei, esperando realmente que ele respondesse. Ele saiu do banheiro quando o chamei. Estava sem camisa, vestindo apenas bermuda cargo de cós baixo, estilo marinheiro. "Oi, Florzinha Selvagem. Um estúpido vomitou na minha camisa e, então, tive que voltar para trocá-la". Ele se moveu em minha direção enquanto falava, secando o cabelo rapidamente com uma toalha. Ele olhou para mim e ficou paralisado. Logo depois, eu estava sendo envolvida em seus braços. Ele encostou o meu rosto no seu peito nu, acariciando meu cabelo. "Oh, Abelhinha, o que é isso?" Eu tinha conseguido não chorar até então, mas o seu pesar me fez desmanchar em lágrimas. Eu ouvi um soluço doído saltar da minha garganta, como se o visse à distância. Eu nunca chorei desse jeito. Molhei o peito dele com meus soluços desesperados. Como eu tinha deixado isso acontecer?, perguntei a mim mesma, de novo e de novo. Eu tinha tanta certeza de que não iria deixar meu coração se envolver. Mas no final, eu não tinha controle, mesmo agora. Eu senti uma culpa horrível, que me comprimia a alma, quando percebi que Stephan chorou comigo. Ele sempre foi assim. Ele não podia me ver sofrer e não sofrer também. "Psihh, vai ficar tudo bem", ele me disse, com a voz suave e calma, apesar de suas lágrimas. "Nós vamos sobreviver a isso, Bianca. Seja o que for que lhe tenha acontecido, nós vamos sobreviver a isso juntos."


34 Sr. Duas Caras

D

e repente, ouvia-se uma batida furiosa na porta. Ela vibrava com os punhos pesados que batiam contra ela.

"Bianca, abra a porta. Precisamos conversar. Não me tranque de fora. Abra a porta. Agora". A voz de James soou claramente pelo meu quarto, já que ele gritava o suficiente para acordar até os mortos. Ele batia implacavelmente. Eu nunca tinha ouvido a sua voz em um tom que se aproximasse de um grito. Isso me assustou, para dizer o mínimo. Nós tentamos simplesmente ignorá-lo em silêncio quando ele bateu na porta. Isso durou pelo menos uns cinco minutos. Cada golpe na porta me deixava tensa, até que passei a ser apenas um corpo tremendo de nervosismo. Aquilo me levou de volta à minha infância como quase nada mais poderia. O bater de porta, meu pai quebrando-a e batendo em nós porque tínhamos tido a coragem de trancá-lo do lado de fora. Quase todo episódio de violência na minha infância tinha começado com os punhos reverberando contra uma porta. Assim como agora. Eu me senti abalada emocionalmente naquele momento em que voltei a um hábito de anos atrás do qual pensava que tivesse me curado. Inesperadamente, eu me lancei dos braços de Stephan. Encontrei um esconderijo que parecia ser o mais seguro do outro lado da cama. Eu envolvi os braços firmemente em torno das minhas pernas. Essa era simplesmente uma postura defensiva de uma criança, mas eu não conseguia me conter. Ouvi a porta se abrir e, em seguida, a voz de Stephan mais fria do que eu tinha ouvido desde a última vez que ele tinha falado com o meu pai. Aquilo não tinha terminado bem. Eu estava realmente esperando que a cena não fosse acabar da mesma forma. "Não faça isso. Ela não quer vê-lo. Basta olhar para ela! O que foi que você fez?" Suas últimas frases exalavam nervosismo. Eu ouvi o barulho de uma luta pesada e sabia que James tinha entrado no quarto, sem se importar com o enorme homem loiro fechando a entrada. Stephan tinha bloqueado sua passagem, pelo que pude ouvir. O som de passos pelo chão parou por longos momentos. Eu sabia que James tinha parado de tentar passar pelo bloqueio ou Stephan tinha segurado James o suficiente para conseguir contê-lo. Os sons de uma luta recomeçaram para valer. "Deixe-me vê-la. Só quero facilitar as coisas. Eu não estou aqui para machucá-la, Stephan", disse


James, e sua voz soou como se ele falasse com os dentes cerrados. "Você já fez isso! Olhe para ela! O que você fez?". As palavras de Stephan eram um rugido furioso naquele momento. "Você precisa ir embora!" "Eu a estou vendo", ele disse, com um tom de voz seco que me fez estremecer. "Bianca, apenas me ouça. Aquela mulher era apenas uma amiga." Eu ouvi o som de um punho alcançar o corpo de alguém e um grunhido discreto de dor de James. Achei que parecia ser um soco no estômago. Isso me preocupou. Eu sabia que socos de Stephan no estômago poderiam fazer alguns estragos sérios. Na melhor das hipóteses seriam pelo menos alguns dias de tosse com sangue. "Que mulher?", perguntou Stephan, parecendo mais irritado a cada minuto. "Por favor, deixe-me ir até ela. Eu não posso vê-la sofrendo daquele jeito. Isso está me matando." "Então saia. Você a deixou assim e precisa sair. Se ela quiser falar com você, ela tem o seu número." "Bianca", James disse mais uma vez, e houve uma pausa. O som de um corpo batendo contra a parede finalmente me fez virar a cabeça para o lado, apenas o suficiente para ver que Stephan tinha um braço na garganta de James, mas James ainda estava lutando ferozmente para passar pelo bloqueio. Ele não estava tentando lutar, apenas tentava furar o bloqueio de Stephan. Stephan, por outro lado, parecia estar prestes a se tornar um assassino. Eu podia ver os músculos rígidos pressionando atrás de suas costas nuas, furiosamente. "Basta dizer que você vai me ouvir, Bianca. Se não for agora, então mais tarde. Mas me prometa que não vai se calar completamente. Prometa-me, e eu vou embora. Se é isso que você quer", ele suspirou. Não foi minha primeira inclinação a de concordar, mas vendo Stephan ser empurrado para esse lado assassino foi um bom motivo para eu me convencer. Minha voz quase não saía, de tão nervosa, mas eu finalmente consegui falar. "Eu vou lhe dar a minha palavra, tal como você fez, quando disse que seríamos exclusivos." Isso pareceu deixar Stephan fora de si. "Filho da mãe", ele gritou, dando um soco forte no estômago de James novamente. Eu amaldiçoei a mim mesma. Eu só tinha piorado as coisas. "Nós éramos. Ainda somos. Eu nunca menti para você. Eu lhe digo a verdade sobre tudo, mesmo quando dói, porque quero que você confie em mim", ele me disse, com a voz difícil de sair e marcada pelos socos. Suas palavras me deixaram tão furiosa que me esqueci de que estava tentando acalmar a situação. "Você disse que não namorava. Isso foi uma mentira, visto que conheci a sua namorada hoje à noite." Stephan jogou James contra a parede, xingando-o. "Seu bastardo. Você jurou para mim que não iria


machucá-la. Eu não a via sofrer tanto desde a última vez que o pai pôs as mãos sobre ela." Isso pareceu sugar toda a energia de James. Ele parou de lutar, mesmo quando Stephan tentou empurrá-lo contra a parede. "Bianca, por favor, você não pode simplesmente me deixar. Apenas concorde em falar comigo de novo, quando você sentir que está pronta. Eu vou deixar você escolher o momento e o lugar, mas não posso simplesmente deixar você partir sem que lute por isso." "Tudo bem, se você responder a uma pergunta em primeiro lugar." "Qualquer coisa." "Em primeiro lugar, concorda em não chegar perto de mim, e Stephan pode deixar você ir." Seus olhos tinham uma desolação que eu podia notar, mesmo estando do outro lado da sala. "Se é isso que você quer." Stephan o soltou abruptamente, andando pela sala, com as mãos no cabelo. Ele odiava quando perdia, mais do que qualquer outra coisa, e esta noite ele esteve bem perto disso. Senti uma culpa esmagadora ao reconhecer que era tudo culpa minha. Eu prometi a mim mesma nunca mais me envolver com outro homem. "Você pode vir à minha casa na segunda-feira, às cinco da tarde. Podemos conversar então." Foi difícil não sentir nada quando olhei em seus olhos aparentemente sinceros e suplicantes. "Antes, por favor. Esperar até segunda-feira será pura tortura." Eu balancei minha cabeça, mantendo-me firme na minha posição. "Não. Segunda-feira. Agora responda à minha pergunta." Ele fez sinal positivo com a cabeça. Enfiou as mãos nos bolsos, parecendo absolutamente devastador em seu smoking preto e sua camisa branca. Seu cabelo estava bagunçado da luta, mas ainda de alguma forma conseguia parecer apenas artisticamente despenteado. "Você já fodeu Jules?", perguntei. Ele ficou tenso, e eu sabia a resposta antes de ele falar. "Sim. Mas foi há muito tempo." Eu não queria perguntar, mas o fiz mesmo assim. "Quando?" "Há um ano, pelo menos. Eu não sei exatamente quanto tempo." E ele a conhece há anos, pensei. "Foi apenas uma vez?", perguntei. Ele fechou os olhos. "Não. Mas isso nunca significou nada, eu juro." "Então você está dormindo com ela há anos e estava indo a um encontro com ela, logo depois que eu saí de sua casa hoje à noite, e o que vocês tiveram não quis dizer nada?" "Eu sei que isso parece ruim, mas não é bem assim. Eu a conheço desde o ensino médio e nossas


famílias têm laços que remontam a um passado distante. Seu irmão Parker é meu amigo. E ela é só uma amiga para mim. Eu juro." "E você, obviamente, transa com seus amigos". Minha voz soou sem vida e desejei que eu ficasse de boca fechada. Seus olhos imploravam. "Não mais. Qualquer coisa que eu tenha tido com ela não significa nada. Nunca significou." "E você só me conhece há uma semana. O que isso diz sobre nós?" Sua mandíbula se apertou. "Por favor, não faça isso. É diferente. Somos diferentes." Deixei de olhar para ele, finalmente sem ter mais o que falar. Eu só queria que ele fosse embora. "Por favor, vá. Eu vou falar com você na segunda-feira. E, por favor, não esteja em nenhum dos meus voos. Se você for, irei trabalhar na classe econômica para ficar longe de você”. Minha voz estava ficando mais firme a cada momento. Eu sinceramente esperava que aquilo significasse que todas as minhas reações exageradas tinham acabado. Ele ficou ali por um longo tempo, mas sem falar nada. Ouvi a porta abrir e fechar, e em seguida a trava ser posta no lugar. Stephan me pegou, levando-me para a cama. Ele me segurou e chorou. Eu sabia que ele estava sofrendo, e tudo por minha causa. Sua violenta explosão iria incomodá-lo, bem como pensar que ele tinha escrutinado bem James, apenas para descobrir que eu tinha sido ferida. E a minha dor também iria machucá-lo. Nós nos abraçamos, e achei que meu choro estava longe de terminar. Stephan e eu estávamos surpreendentemente bem na manhã seguinte, o que era incomum, considerando-se, na verdade, quão pouco dormimos. Algo inesperado, mas bom. Não poderíamos faltar o trabalho depois de uma parada para descanso, a menos que quiséssemos ir para o corredor da morte. Faltar ao voo de uma viagem de volta para casa custou a muitos comissários de bordo o seu emprego. Então, caminhamos lentamente até o saguão do hotel cinco minutos mais cedo, tranquilamente, mas no nosso “modo” de trabalho. Todos tinham que perguntar a Stephan por que ele não voltou para o bar na noite anterior. Ele tinha até se esquecido de enviar mensagem de texto avisando, o que era um comportamento incomum. Isso era normalmente considerado como uma falha. Ele deu a desculpa de que tinha desmaiado na cama, embriagado e exausto. A desculpa serviu e o bate-papo mudou de rumo. Eu não estava com vontade de falar, então fiquei em silêncio e à distância de todas as conversas da tripulação, só voltando à vida quando era a hora de trabalhar. A rotina costumeira ajudou e eu estava grata por ter uma manhã muito ocupada, e livre de James.


Notei que os agentes estavam no voo, um na primeira classe e um na classe econômica como de costume. Tivemos a casa cheia. Cada um dos assentos no avião estava ocupado. Portanto, foram três horas de voo até eu perguntar baixinho ao agente James Cook: "Você trabalha para James Cavendish?" Ele parecia um pouco assustado, mas retomou sua cara dissimulada quase que instantaneamente. "Eu não tenho a liberdade de lhe dizer, Senhorita Karlsson." Eu apenas assenti com a cabeça. Achei que tinha obtido minha resposta. O Capitão Damien me surpreendeu por ser estranhamente sensível ao meu estado de espírito. Ele deixou de lado seu jeito habitual e amigável de paquerador e aproveitou o tempo para entrar na minha galley rapidamente, tocando meu braço, com os olhos sérios e tristes. "Eu não vou perguntar o que a deixou tão triste, mas só quero que você saiba que sou seu amigo. Se você precisar de alguma coisa, mesmo que seja apenas um ouvido disposto a escutar, por favor não hesite em me chamar. Eu realmente posso ser compreensivo, se você pode acreditar nisso". Ele sorriu gentilmente quando terminou de falar. Ele estava tão sério, e parecia tão sincero, que me vi estranhamente tocada. Eu sorri de volta. "Eu posso acreditar nisso, sim. Vou me lembrar disso, Damien. Obrigada." Meu pequeno contato com Melissa quando ela passou pela cabine provocou sentimento oposto. Ela olhou para o meu pulso nu com um malicioso sorriso. "Problemas no paraíso?", ela perguntou. E prosseguiu, sem esperar por uma resposta. Eu nunca teria lhe dado uma resposta, por isso me saí bem. "Você ainda tem que usar um relógio, você sabe. Você pode ser advertida por ficar sem nada." Stephan falou, surpreendendo a nós duas. Ele se aproximou sem fazer barulho. "Eu duvido que isso seria grave o suficiente para gerar uma advertência como o fato de você se afastar do demais comissários de bordo em trabalho e ir para a cabine de comando para assediar sexualmente os pilotos. Mais uma vez", ele finalizou suavemente. Ela lhe deu um olhar que era positivamente assassino, mas não disse uma palavra. Saiu tomada pela raiva e voltou para a cabine principal. Apesar do que falou para Melissa, Stephan estava tranquilo e carinhoso naquela manhã. Eu recebi tapinhas e abraços que realmente me reconfortaram. Eu posso ser estúpida quando se trata de relacionamentos amorosos, mas tinha tirado a sorte grande ao conhecer Stephan. Quem precisava de algo mais que isso? Quem merecia mais? Eu não. Nós nunca tivemos muito tempo de descanso durante voos lotados pela manhã. Costumávamos passar horas até termos um momento de folga para relaxar e devorar alguns alimentos na galley. Nós comemos o nosso costumeiro iogurte grego rejeitado pelos clientes, inclinando-nos sobre os carrinhos de bebidas para mordiscar os lanches rápidos, com os nossos ombros se tocando durante a disputa.


"Eu vou pesquisar sobre James na internet. Eu deveria ter feito isso desde o início. Eu acho que só queria conhecê-lo como pessoa, e não a sua imagem. Mas agora vejo que o que eu não sei poderia me machucar", disse a Stephan calmamente, depois que acabei de comer. Eu tinha um computador antigo que era usado quando necessário, mas não sou do tipo que passa muito tempo on-line. Eu nem mesmo me preocupo com as notícias. Quando eu tinha tempo livre, quase sempre preferia pintar ou passar o tempo com Stephan e nossos outros amigos. Eu evito o Facebook e qualquer coisa semelhante a essa praga. Eu tinha certeza de que James, provavelmente, tinha uma página no Facebook, embora eu não tivesse pensado nisso antes. Eu me perguntei meio chateada o que ele teria posto no seu estado civil. Tentei afastar o pensamento. Uma simples pesquisa do nome dele provavelmente me ofereceria muita informação. Stephan assentiu, deslizando sua bandeja com restos de comida para o carrinho de lixo. Ele estendeu a mão em direção à minha bandeja para descartá-la também. "Isso parece uma boa ideia, considerando-se as circunstâncias. Eu deveria tê-lo investigado melhor, mas não o fiz. Eu confiava nele. Eu vi o jeito que ele olhou para você, e eu sabia que se importava. Eu pensei que fosse o suficiente. E eu não queria interferir quanto ao único cara em que você estava mesmo interessada. Quer que eu esteja com você quando for olhar?" Fiz que não com a cabeça. "Não precisa, eu vou ficar bem." Ele endireitou o corpo e se aproximou, esfregando as mãos nos meus ombros, confortavelmente. "Desculpe-me, eu fiquei tão violento na noite passada. Eu quase perdi o controle." Dei um tapinha na mão dele. "Não, Stephan. A culpa foi minha, por levar aquela confusão para a nossa porta. Você estava apenas sendo protetor." "James continua enviando mensagens de texto. Eu tinha oito mensagens quando chequei meu telefone antes do voo. Ele está pedindo para falar comigo. Eu deveria? Ou você acha que não?" Ele sacudiu os ombros. "Você é quem sabe. Mas lidar com ele, isso você precisa." "Eu acredito que ele tem fortes sentimentos por você. Não há dúvida em minha mente de que ele se preocupa com você." Eu levantei a mão. "Eu não quero falar sobre isso. Não importa para mim o que ele sente, se eu não posso conviver com o que ele faz." "Ele não deu um soco sequer na noite passada, nem mesmo tentou, mas ele está pedindo desculpas para mim." Eu me virei para olhar nos olhos de Stephan, deixando-o ver a minha decisão. "Não vamos falar sobre isso." Ele se inclinou para mim, beijando o topo da minha cabeça. "É claro, Florzinha Selvagem. Eu vou deixá-la."


35 Sr. Celebridade

P

areceu durar uma eternidade o tempo gasto até eu chegar à minha casa. E, quando cheguei, apaguei por mais de seis horas, o que estava acima do normal e era algo sem precedentes.

A primeira coisa que fiz naquela manhã foi desligar meu telefone e assim ele permaneceu. Eu tinha dito a James que falaria com ele na segunda-feira, mas isso não o impediu de me ligar e enviar mensagens uma atrás da outra. Só de pensar em ler suas mensagens meu estômago revirava, visto que o meu telefone tinha ficado desligado. Quando acordei, comi alguns ovos e me sentei diante do meu computador com uma boa dose de medo. Meu computador era uma peça velha e remodelada, quase uma tralha, mas servia ao seu propósito. Eu digitei o nome de James Cavendish no mecanismo de busca com os dedos trêmulos. O que surgiu foi opressor e repleto de surpresas, até mesmo mais desagradáveis do que eu estava preparada para saber. Eu estava ciente de que ele era jovem, mas ao mesmo tempo era um bilionário bastante conhecido. Eu esperava um pouco de atenção da mídia quanto a sua figura, especialmente pela sua aparência e pelo dinheiro. Mas eu não poderia ter previsto o que encontrei. Eu estava fora de sintonia com os acontecimentos atuais, para dizer o mínimo. Eu não assisti às notícias pela tevê e não assistiria aos shows de entretenimento com celebridades que estavam na televisão nem que me pagassem. E eu, com certeza, também não estava interessada em tabloides impressos. Eu nunca tinha entendido o apelo de coisas dessa natureza e nunca tinha sido capaz de me relacionar com qualquer coisa relativa a essas notícias. Elas, geralmente, estão centradas em pessoas mimadas e ricas, e eu nunca me rendi a esse apelo. Isso talvez pudesse desculpar o fato de que eu era totalmente ignorante sobre o homem com quem tinha tido um breve caso. Eu cliquei em várias imagens primeiramente. A maioria era composta de fotos tiradas nos tapetes vermelhos. Ele parecia ter incontáveis fotos tiradas com inúmeras mulheres, embora Jules estivesse na maioria delas de uma forma que me enojava. A cada foto ele vestia um smoking diferente e alguns eram clássicos. Ela usava vestidos longos de todas as cores, sempre deslumbrante. Os dois juntos formavam um belo par, que impactava. Ele usava ternos em outras fotos, e presumi que eram eventos menos formais no tapete vermelho. Fiquei chocada ao ver que até reconhecia algumas das outras mulheres com quem ele tinha saído. Reconheci uma atriz muito famosa. Eu não tinha me dado conta de que ela era tão pequena, até vê-la


de pé ao lado da figura alta de James. Ela mal alcançava o seu peito. Eu tinha gostado de alguns de seus filmes, mas senti uma onda irracional de desagrado por ela quando vi que tinha participado de pelo menos três eventos com ele. Reconheci também mais uma mulher, voluptuosa, dessas meio apagadas diante dos olhos voltados para as celebridades. Ela tinha cabelos e pele escura. E curvas salientes, mas era quase gorda, eu pensei meio vingativa. Ela era tão pequena que eles ficavam ridículos um ao lado do outro. Eu me senti mal quando o vi ao lado de uma mulher conhecida como “uma estrela pornô fetiche", o que vinha escrito logo abaixo da imagem. Ele sempre parecia espetacularmente bonito, independentemente da pessoa com quem estava, mas agora eu estava tendo uma visão ampliada e muito diferente de quem ele era. E eu não gostava do que estava vendo. Mais abaixo, na página de fotos, vi uma em que ele e Jules vestiam jeans. Era algo raro de se ver, então decidi clicar na imagem. Eu obtive uma visão mais ampla, e havia um pequeno artigo de fofoca. Eles estavam de mãos dadas na imagem. O artigo dizia que havia rumores de que ela fosse uma ex-namorada de longa data que permanecia sendo sua companheira. Liguei meu telefone apenas o tempo suficiente para enviar a foto a James. Bianca: Seu mentiroso. Eu só vou conversar com você na segunda-feira porque prometi, mas comecei a pesquisar e já estou vendo que não sei nada sobre você. Eu nem me preocupei em ler as dezenas de mensagens não lidas antes de enviar a minha, mas recebi uma resposta quase que imediatamente, e não a li as anteriores. James: Por favor, não acredite nesse lixo de tabloide. Admito que nunca neguei os rumores sobre Jules ser minha namorada, mas eram apenas rumores. Ela nunca foi minha namorada. Ela é irmã do meu melhor amigo. Eu prometo que nunca mais irei acompanhá-la a qualquer outro evento pelo resto da minha vida, mas ontem à noite não foi um encontro com ela. Era uma obrigação social de longa data. Se eu tivesse tentado me colocar no seu lugar, teria visto como isso machucou você. Peço desculpas por isso. Eu daria qualquer coisa nesse mundo para poder ter feito isso de forma diferente. Mas, por favor, tente me dar o benefício da dúvida e pare de ler os tabloides. Eu ainda estou em Nova Iorque trabalhando, já que você não vai me ver, mas isso de tê-la machucado está me matando, bem como não poder fazer nada quanto a isso. Eu poderia estar em um voo dentro de uma hora. Basta dizer a palavra amor. Eu desliguei o meu telefone depois disso. Sua mensagem quase me fez perdoá-lo e eu não ia deixar isso acontecer. Uma vez que me enganou... Voltei para a minha própria tortura pessoal de examinar as fofocas sobre James Archibald Basil Cavendish, O Terceiro. Eu nem sabia seus nomes do meio, ou que ele tinha dois deles. Fui saber por um site de fofocas. Claro que ele não sabia o meu.


Eu encontrei matérias sobre seus pais, e até mesmo algumas fotos. Eles eram um casal deslumbrante. Sua mãe tinha olhos e cabelos escuros, dona de uma beleza arrebatadora. Ela tinha a pele dourada de James e a mesma boca bonita. Seu pai era devastadoramente bonito e loiro, com bonitos olhos azul-turquesa, meio esverdeados, que fez minhas tripas revirarem com o reconhecimento. Eu podia ver como essa combinação de pessoas podia ter gerado uma obra-prima como James. Uma matéria que encontrei sobre eles descrevia como tinham morrido em um acidente de carro. A tragédia deles, e o belo jovem James, um bilionário antes mesmo de completar quatorze anos, rapidamente ocupou o centro das atenções de forma romantizada. Eu olhei pequenos trechos e até mesmo uma foto de seu falecido e infame guardião, e os detalhes completos do escândalo. O homem estava com trinta e poucos anos na primeira foto. Ele era bonito, com cabelos levemente castanhos, que pendiam para o loiro claro, como James, mas com uma pele mais pálida. Ele era magro, quase frágil, com olhos verdes sem brilho e meio assustadores. Spencer Charles Douglas Cavendish tinha sido um predador na pele de um cordeiro. Senti ódio por aquele que fez a bile subir até a minha garganta. Eu li o artigo sobre sua morte. Spencer Cavendish tinha sido morto por um amante enfurecido. Um moço chamado Lowell Blankenship tinha sido drogado e algemado pelo frágil Spencer. Lowell afirmou que tinha consentido em fazer sexo com Spencer, mas que não tinha concordado com qualquer uma das demais “baixarias” que o homem tinha feito consigo. Spencer tinha sido estrangulado até a morte quando tirou as algemas de Lowell, que era muito maior. Eu, pessoalmente, achei que ele merecia uma morte muito mais dolorosa. Havia inúmeras outras matérias sobre diversos empreendimentos de James. Eu só passei por elas rapidamente. Eu soube que ele tinha muito mais coisas do que apenas a rede de hotéis e não estava surpresa. Eu li uma matéria de três páginas sobre seu caso de dois meses com uma cantora das paradas de sucesso e ganhadora de disco de platina. Ela tinha apenas dezenove anos e eles se separaram havia menos de seis meses. Droga, eu tenho algumas de suas músicas no meu mp3 player, pensei com nojo. Ele aparecia com a mão em sua nuca numa das imagens. Eu queria vomitar. Havia alguns artigos que sugeriam brevemente que ele tinha preferências sexuais bizarras, mas foi só isso que encontrei e eles não estiveram nem perto de tocar em seu estilo de vida sadomasoquista. Eu me perguntei como ele conseguiu manter tudo em segredo. Desliguei o meu computador, caminhando para o quarto e arrancando o quadro dele da parede. Tentei rasgá-lo, mas não poderia fazer isso. Ao invés disso, o coloquei na minha caixa de velhas aquarelas. Liguei o telefone novamente. Ignorei todas as novas chamadas não atendidas e mensagens de texto de James. Enviei uma mensagem para Stephan, perguntando se poderia ir até sua casa. Ele respondeu de imediato com um sim. Fui até lá e assistimos à TV e tomamos muito sorvete. Aquilo me fez bem, mas assim que deixamos de ver tevê comecei a pensar novamente. Mas depois continuamos vendo tevê até quase duas horas da


manhã, sendo que teríamos que trabalhar no outro dia. Tivemos que acordar bem cedo, mas Stephan não reclamou. "Falei por muito tempo com James hoje", Stephan me disse, depois que tínhamos assistindo à TV durante horas. Eu só balancei a cabeça. "Quer que eu lhe conte sobre a nossa conversa?" Sacudi a cabeça. "Certo. Deixe-me saber quando quiser ouvir." "Eu preciso de um tempo. Eu li coisas sobre ele na internet. Estou me sentindo mais inclinada do que nunca a sequer falar com ele novamente." Stephan respirou fundo. "Isso é algo que eu queria falar, na verdade, se você estiver disposta a ouvir o que penso sobre tudo agora." Eu o observei por um minuto. Ele parecia nervoso, o que significava que eu não gostaria do que ele ia dizer. "Não agora", eu disse. "Eu acho que posso pelo menos entender agora por que ele queria manter o relacionamento com você privado." Eu ergui a mão. "Não fale mais nada. Parece que você está do lado dele agora. Eu simplesmente não consigo lidar com isso nesse momento". Lágrimas indesejadas brotaram nos meus olhos enquanto eu falava. Ele me puxou contra o peito, beijando o topo da minha cabeça. "Jamais, Florzinha Selvagem. Estou sempre do seu lado. Sempre . Nós vamos falar sobre isso quando estiver pronta."


36 Sr. Cavendish

E

u estava grata pelos voos que exigiram muito trabalho no dia seguinte. Tivemos mais aviões lotados partindo no mesmo horário que o nosso. Mal tive tempo de comer e estava evitando pensar a todo custo. Eu nem sequer levei o telefone. Ele ainda estava em casa, na minha cama, e desligado. Os Agentes estavam presentes e senti um momento de raiva irracional contra eles quando vi um deles na minha cabine. Fiquei muda, apenas servindo-os enquanto eles se alternavam nas cabines no voo de retorno. Esforcei-me para ignorar o fato de James ainda ter algum motivo para ficar de olho em mim. Eu vou pô-lo na linha na segunda-feira e assim esse absurdo vai acabar para o nosso bem. Eu estava, felizmente, exausta quando voltei para casa naquela noite. Eu só fiz uns mínimos arranjos na cama antes de praticamente cair nela. Dormi até o final da manhã do outro dia. Mesmo depois que acordei, me movia com certa modorra. Levei quase uma hora para me preparar e tomar o café da manhã. Eu me senti como um zumbi, anestesiada o suficiente até para não chorar. Achei que fosse até uma evolução. Às onze horas, Stephan e eu teríamos um almoço, que acontece todo mês, com vários outros membros da nossa classe de voo. Eu estava pulando fora. Era um grupo barulhento, divertido e muito unido. Os almoços eram sempre um grande momento. Éramos doze no total e geralmente fazíamos algo depois do almoço. Nós costumávamos ver um filme ou até mesmo ir para a casa de Stephan, de vez em quando. Eu não estava a fim de nada disso. Stephan tinha prometido apresentar minhas desculpas. Ele se ofereceu para ficar comigo, mas não quis ouvi-lo. Eu sabia que ele era uma criatura social e os almoços eram a parte preferida. Eu tentei pintar. Ao olhar para a minha tela e ver um James nu, mudei de ideia. Eu coloquei a pintura no meu cômodo, onde ficam minhas coisas de reposição, com as mãos trêmulas. Eu simplesmente não me sentia capaz de lidar com aquilo naquele momento. Finalmente, segui o caminho masoquista e liguei o meu computador novo. Eu me propus a fazer pesquisas ainda mais dolorosas sobre o meu ex-amante famoso. Se fiquei chocada com o que minha busca tinha me mostrado da primeira vez, ficaria ainda mais estarrecida com o que encontrei depois. Que diferença alguns poucos dias tinham feito. Agora, digitando o nome de James Cavendish no mecanismo de pesquisa apareceu uma série de novas fotos que a primeira busca não apresentou. Fotos de mim. Eu nunca tinha pensado em mim


como uma beldade. Minhas feições eram mesmo incomuns e simétricas e a cor da minha pele era um loiro natural suave, mas sempre me considerei apenas atraente, caso estivesse de bem comigo mesma. Eu costumo ser fotogênica. Eu até tinha um sorriso pronto para as fotos. Se não era muito sincero, pelo menos era polido e convincente o suficiente à distância. Essas não eram o mesmo tipo de fotos. Elas, obviamente, foram tiradas quando eu estava saindo do edifício de James. Eu parecia despenteada e bem... horrível. Eu estava pálida como um fantasma, com os olhos vermelhos e irritados. Havia rímel marcando o meu rosto em linhas escuras. Isso me fez parecer pelo menos com 40 anos de idade, em vez de vinte e três. Meu uniforme estava desarranjado, pelo menos três botões da minha blusa estavam desalinhados. Eu nem tinha notado naquela hora. Minha camisa estava para fora da calça e o top mostrava um decote que beirava o exagero. Meu cabelo estava um caos. Parecia que eu estava bêbada e prestes a vomitar na rua. Eu estava meio desequilibrada à beira da calçada. Aparentemente, estava tão horrível por fora como me sentia por dentro naquela noite. E as fotos estavam por toda parte. Um site de fofocas após outro tinha farejado a história como problemas no paraíso, embora todos eles apresentassem uma interpretação ligeiramente diferente sobre o caso. Um site me chamou de a “Prostituta de Las Vegas” que tinha se intrometido na vida de Jules e James, embora o site tenha afirmado que o amor dos dois iria suportar o escândalo. Eu vi que eles costumavam se referir aos dois nos sites de fofoca como J&J. Isso me fez querer vomitar. Um site me chamou de a "Aeromoça de Classe Baixa” que tinha machucado o coração de uma Jules entristecida. Isso doeu em mim, ver as imagens de nós duas que ficavam lado a lado. Na foto Jules usava um vestido cinza-claro e dava um sorriso forçado para a câmera. Ela parecia tensa, mas pelo menos sabia que estava sendo fotografada. Vi mais abaixo, no mesmo texto, que eles tinham de fato participado do evento de caridade juntos, apesar da tensão evidente que o caso de James tinha causado entre o belo casal. A matéria concluiu que o amor deles iria prevalecer sobre a fraqueza de James para as mulheres fáceis. Eu não ficaria surpresa se fosse Jules quem tivesse escrito o artigo, visto ser-lhe tão favorável. O texto a fazia parecer uma Santa que atravessava um longo martírio. Eu conheci essa mulher, mesmo que apenas por alguns instantes. Ela não era nenhuma Santa. Um site me chamou de “Puta Loira do Céu” e afirmou que eu estava tentando prender James com uma gravidez. Eu não podia acreditar que todas as mentiras foram inventadas a partir de algumas fotos expostas sem autorização e todas sobre uma mulher sobre a qual ninguém nunca tinha ouvido falar. Foi chocante, revoltante e me enojou. Um site recorreu ao desenho de um pênis gigante na minha cara, dizendo que eu “fiz o melhor oral" e essa foi a única razão pela qual James arriscaria a acender a ira de sua amante de longa data. Supostamente várias fontes do site sabiam disso em primeira mão. As mentiras me fizeram sentir mal. Um site alegou que eu era parte de uma rede de prostituição de alto nível de comissárias de bordo, e que James, obviamente, estava pagando por isso. Eu quase me senti lisonjeada por um momento, quando vi a manchete de uma matéria. Eles diziam


que eu era uma “Modelo de Biquíni Sueca”. Isso soou como um cumprimento. Até que eu desci para o texto, que tinha um link para um filme que alegavam ser pornô e estrelado por mim. Eu nem me incomodei em acessá-lo, pois sabia que não era eu e não queria ver o que ele realmente era. Outro site disse que eu era uma garçonete, e outro afirmou que eu era uma dançarina de striptease com o nome artístico de “Buraco Glorioso”. Os insultos continuaram e me senti humilhada, irritada, triste e desapontada. Esse foi o preço que eu tinha que pagar por uma semana de prazer?, pensei com repulsa. Eu ia ficar solteira pelo resto da minha vida. E eu me odiava por estar tão chateada porque James e Jules ainda tinham saído juntos naquela noite, da mesma forma como estava por todas as mentiras horríveis sendo espalhadas sobre mim... Eu peguei o meu telefone, que estava no quarto, e finalmente o liguei depois de dias. Fui direto ao nome de Stephan entre as mensagens de texto, ignorando completamente todas as outras recebidas e as chamadas perdidas. Eu tinha também uma mensagem recebida de Stephan. Ela tinha sido enviada havia vinte minutos. Stephan: Florzinha Selvagem, eu estarei em casa em breve. Terminando de almoçar agora. Precisamos conversar. Por favor, não leia qualquer coisa on-line, até eu chegar. Eu bufei. Ele deveria ter pensado melhor. Se eu já não tivesse olhado, sua mensagem inesperada teria me mandado direto para o meu computador. Ouvi a campainha tocar. Que rápido, pensei, enquanto caminhava diretamente para a porta. Eu me perguntei por que ele não entrou sem tocar a campainha. Ele raramente agia com formalidade. Ele sabia o código do meu alarme. Um calafrio correu pelo meu corpo. Eu não sabia o porquê. Cautelosamente, verifiquei o olho mágico. Ele tinha sido coberto. Tampada pela mão, eu pensei. Aquilo me deixou com raiva. Eu abri a porta, pronta para repreender Stephan. "Você sabe como me irritar, Stephan. É uma espécie de pegadinha." Eu não pude terminar a fala porque uma mão enorme agarrou minha garganta, me empurrando de volta para dentro da casa. Eu não conseguia nem gritar por causa do aperto. Reagi com surpresa, tentando olhar para o rosto frio e furioso na minha frente. Eram os olhos azul-claros avermelhados que me eram familiares. Eu não podia fazer nada diante daquele enorme homem loiro que me pegou pelo pescoço e me empurrou pela sala, forçando minhas costas contra a parede e com ela se chocando em forma de um baque surdo. Eu agarrei com as unhas aquela mão gigante que me segurou no ar como uma boneca de pano. Não teve qualquer efeito. Minha garganta ardia e o impacto contra a parede tinha me tirado o fôlego, mas a dor era secundária diante do terror que se apoderou de mim.


Uma pergunta consumia os meus pensamentos. Era um velho e conhecido padrão familiar que ressurgia, enquanto esse louco perdia o controle sobre sua raiva e me segurava em suas mãos. A questão percorria o meu cérebro como um câncer persistente. Será que ele me vai matar dessa vez? Ele sempre me ameaçava. Como eu tinha estado a pouco mais de um metro de distância no dia em que assisti com horror quando ele empurrou a arma na boca da minha mãe e puxou o gatilho, tudo era possível. Eu tinha visto com horror e impotência quando seu dedo disparou o gatilho, depois de puxá-lo lentamente. O sangue respingou em todos nós, mas ele nem parecia se dar conta. Naquele momento, suas palavras eram um emaranhado confuso de sueco e inglês, e eu não poderia entender, ainda que me esforçasse muito. Eu nunca tinha sido fluente em sueco, mas tinha que entender ao modo de uma criança, visto que meu pai teimosamente insistia em usar essa língua em casa. Mas, ainda que por terror ou falta de prática, qualquer capacidade de compreender aquilo estava falhando. Tentei falar, para lhe dizer isso, mas sua mão ainda estava em minha garganta, impedindo a minha capacidade de me comunicar. Sua mão relaxou em minha garganta apenas o suficiente para eu tomar um fôlego. Engoli em seco e gemi quando seu punho fez contato duro com minhas costelas. Eu soluçava enquanto tentava respirar, ainda desesperada em busca de ar. Ele falou de novo. Dessa vez foi uma sequência de palavras com forte sotaque, mas era em Inglês compreensível. "Não fique com a ideia de que um namorado rico irá mantê-la livre de mim. Se você sequer pensar em falar com a polícia, eu mato você. Entendeu?” Eu não conseguia falar, mas tentei. Deus, eu tentei. Por fim, apenas balancei a cabeça, mas não foi o suficiente. Ele deu socos no meu estômago duas vezes seguidas. Comecei a desmaiar, mas ele empurrou meu ombro contra a parede com força suficiente para me manter em pé. "Olhe para mim", a voz fria do meu pai ordenou. Eu olhei, recebendo um olhar mais ameno pela primeira vez desde que entrou por aquela porta como um louco. Havia seis anos desde a última vez que o vi, mas ele parecia ter envelhecido vinte anos. Ele estava mais gordo agora e seu rosto envelhecera em virtude de uma vida de excessos. Ele era um bêbado, fumante, jogador contumaz, assassino e só Deus sabe mais o quê. Tudo isso teve um efeito adverso naquele rosto que um dia tinha sido belo. Eu me chamei de tola mil vezes. Eu sabia que ele nunca iria deixar Las Vegas. Ele se meteu com o vício em jogos para se sustentar desde que seus pais o haviam renegado há pelo menos 24 anos. Eu tinha rezado para que seu estilo de vida destrutivo se incumbisse dele, mas era demais esperar que isso acontecesse. Pensar que era Stephan que batia à minha porta não era desculpa. Eu fui uma idiota por ter me descuidado por um segundo. Mas ele de alguma forma tinha descoberto quando atacar. Eu estava tão deprimida e desanimada que meu cérebro não estava funcionando corretamente. O pensamento sobre uma ameaça real tinha ficado tão longe da minha mente... "As pessoas têm perguntado coisas sobre mim, pessoas que não conheço. O que você disse sobre mim ao seu namorado rico? Você contou a ele sobre a morte de sua mãe?"


"Não", eu soluçava. "Eu não sei de que pessoas você está falando. Eu não contei nada a ele. Eu juro." Minhas palavras eram em vão. Sempre foram. Meu pai era um homem de ação. Ele agarrou meu braço com uma das mãos, me esmurrando com a outra. Ele dava murros para todos os lados. Ele deu um murro nas minhas costas e dobrei minha coluna de dor. Ele me deu uma rasteira. Caí com facilidade. Ele chutou minhas costas uma vez, com força. Girou em volta de mim e pôs as botas com saltos no meu pescoço. "Seria mais fácil matá-la do que dar um simples passo. Você entende isso? So ó meu peso sozinho é capaz de esmagar sua traqueia. É assim que você quer morrer? Porque se você contar a alguém o que eu fiz com a sua mãe, não há nenhuma razão para que eu não deva matá-la. Eu não hesitaria. Você entende, sotnos?" "Sim", eu resmunguei. Foi uma luta conseguir falar com aquela bota enorme no meu pescoço. Ele me pegou, esforçando-se para me pôr de pé novamente. "E o seu homem precisa parar de bisbilhotar o meu negócio". Ele levantou o punho enorme sobre mim e o soltou na parte de trás da minha cabeça. Meu mundo escureceu.


Epílogo

A

cordei com uma forte dor de cabeça, a pior da minha vida. Era algo incomum. Eu queria me afundar na inconsciência imediatamente. Esse foi o meu primeiro pensamento consciente.

Eu abri uma pequena parte dos olhos, levantando a pálpebra bem devagar. A dor só piorou, então os fechei novamente. Estou em um hospital, foi o meu segundo pensamento consciente. Tudo me lembrava um hospital: o jeito como eu estava encostada, o cheiro, todos os pequenos sinais sonoros me confirmaram a impressão. Meu terceiro pensamento era que a minha cabeça não era a única coisa que havia de errado comigo. Quase todas as partes do meu corpo latejavam, da cabeça aos pés. Minhas mãos pareciam estar intactas. A mão direita estava apertada por outra mão quente e forte. Eu sabia que devia ser Stephan ao meu lado e me senti melhor só de saber de sua presença constante. Eu estava em más condições, mas estava viva. E eu tinha Stephan. Fiz a segunda tentativa de abrir os olhos. Foi ligeiramente melhor do que a primeira, mas a dor agonizante ainda percorria minhas têmporas. Olhei para o homem sentado à minha direita. Fiquei um pouco receosa ao ver que não era Stephan. O cabelo castanho-dourado caiu sobre um rosto extremamente bonito quando James se inclinou sobre a minha mão, com a face austera e desolada, os olhos vermelhos, a linda boca franzida, como se estivesse com dor. Ele tinha a postura de alguém que estava sentado naquela posição durante horas ou talvez dias. Ele parecia tão trágico e com um coração tão dolorosamente belo, que me vi em um instante indo suavemente em sua direção. Eu não estava pensando muito claramente, mas tentei chegar perto brevemente para confortá-lo. Meu braço não se mexeu muito, mas eu era capaz de apertar sua mão de forma suave e reconfortante. Ele ergueu a cabeça rapidamente, com os olhos observando de forma meio desconcertada. Aqueles olhos azuis vibrantes pareciam estar à beira das lágrimas. Era surreal vê-lo daquele jeito. Ele engoliu a saliva em sinal de nervosismo. "Como você está se sentindo?", perguntou. Ele estendeu a mão e apertou um botão bem à minha direita, atrás de mim. E, então, suas mãos seguraram a minha, acariciando-as suavemente. Minha voz estava rouca e fraca, mas eu respondi. "Viva." Ele piscou e uma lágrima escorreu sobre a sua bochecha dourada e perfeita. Eu pisquei para ele, perguntando se estava sonhando. Aquele era um James diferente sentado na


minha frente, quase um estranho. Mas, como de costume, ele sempre me era um estranho. Não era? "Onde está Stephan?", perguntei. Senti dor ao falar, por isso me prometi falar o mínimo possível. "Ele saiu para tomar um café. Ele permaneceu grudado do seu lado". Ele acenou com a cabeça em direção ao outro lado. Havia outra cadeira colocada bem ali. "Ele até tem dormido ali." Eu processei suas palavras e, em seguida, quase que imediatamente quebrei o meu voto de silêncio. "Quanto tempo eu estive apagada?" Ele abaixou a cabeça, encostando a testa na minha mão. "Três dias. Uma eternidade." Eu suspirei, sentindo-me um pouco aliviada. Poderia ter sido pior. "Há quanto tempo você está aqui?", perguntei. Seu rosto parecia incrivelmente cansado quando ele olhou para nossas mãos unidas. "Eu cheguei a sua casa quando a ambulância estava levando você. Seguimos atrás em direção ao hospital. Stephan e eu, quando chegamos, já era tarde demais..." "Você foi para a minha casa antes", eu disse, com um pequeno fio de acusação em minha voz. Ele confirmou com a cabeça. "Sim. Mas não cedo o suficiente", disse, e eu poderia dizer que ele estava se culpando pelo que aconteceu, por ter chegado tarde demais para detê-lo, o que era uma loucura, é claro. Eu supus, de forma desconectada, que alguém que precisava tanto de estar no controle também deve sentir a necessidade de assumir uma quantidade desproporcional de responsabilidade pelas coisas, mesmo aquelas que estavam completamente fora de seu controle. Eu apertei sua mão. "Há quanto tempo você está aqui no hospital?", perguntei novamente. Ele apenas piscou para mim. "Desde que você chegou, Amor. Você acha que eu poderia deixá-la assim?" Minha testa franziu. "Você não tem que trabalhar?" Ele riu, como se desse um grunhido. "Eu estou me dando um tempo livre." Eu notei, pela primeira vez, que o quarto estava repleto de flores. Elas iam de buquês exóticos, passando por rosas já murchas, até simples cravos. Parecia que cada flor estava representada em vasos em volta do quarto. "Você fez isso", eu disse, depois de olhar uma por uma. Ele beijou a minha mão. "Não fui só eu", ele disse. "Os lírios brancos são de Stephan. E os girassóis foram enviados por Damien e Murphy. As flores silvestres mescladas são de sua companhia aérea. E esse buquê misto é de um grupo de comissárias de bordo de sua equipe de voo. O resto é meu." "São lindas. Obrigada." "O prazer é todo meu", ele murmurou, me olhando como um falcão. Stephan chegou logo em seguida e correu para o outro lado. As lágrimas desciam pelo seu rosto quando segurou minha outra mão que estava livre.


"Como você se sente?", ele perguntou, sentando-se no que era, obviamente, a sua cadeira do meu lado. Eu fiz uma careta. "Viva." "Eu deveria ir buscar a enfermeira", disse Stephan, começando a se levantar. "Eu apertei o botão de alarme. Ela é geralmente rápida, então vai estar aqui a qualquer momento", disse James. Stephan se sentou novamente. Ele acariciou minha mão confortavelmente. "Eu estava falando com a polícia. Eles querem falar com você quando se sentir pronta. Eu disse a eles que achava que tinha sido o seu pai, mas como não o vi, então minha palavra não conta. Foi seu pai, certo?" Eu só balancei a cabeça, fazendo uma careta. "Depois. Eu, definitivamente, não estou me sentindo pronta ainda. Que dia é hoje?" "Quinta-feira", disse Stephan. Meus olhos se arregalaram, minha mente voltou-se automaticamente para o trabalho. "Nós voamos para fora hoje à noite?", perguntei. Ele acariciou minha mão. "Eu conversei com o diretor de voo. Ele não criou nenhum problema em nos deixar trocar nosso período de férias, já que você está hospitalizada. Ele foi realmente muito gentil quanto a isso, sabendo que não poderíamos ficar tanto tempo sem receber, e que eu não poderia trabalhar com você machucada assim. Ganhamos duas semanas de folga, então, não se preocupe com o trabalho." Fechei os olhos de alívio. "Obrigada, Stephan. Você é demais." A mão de James apertou a minha. "Isso não é tempo suficiente. E se você está preocupada com a questão do dinheiro-" "Não", eu disse, com os olhos ainda fechados. Sua menção ao dinheiro me deixou nervosa e eu, de repente, me lembrei, de forma vívida, que ele não tinha motivos para estar ao meu lado. Comecei a retirar a minha mão. Ele a agarrou e meus olhos se abriram, encarando-o. O seu olhar interrompeu o movimento da minha mão, e eu não tinha coragem de continuar a encarar alguém que parecia tão... desesperado. "Está bem, não falo mais sobre isso. Sinto muito. Eu só queria ajudar", ele me tranquilizou de uma maneira que parecia incomum. Ninguém poderia negar que ele não estivesse tentando... A enfermeira chegou, já checando como eu estava. Ela me perguntou sobre a dor e a vi aplicar analgésico em mim várias vezes. Eu adormeci. Ambos os homens estavam aparentemente estáticos quando despertei novamente. Eu podia ver através da janela ligeiramente aberta que estava escuro lá fora. Ambas as minhas mãos ainda estavam calorosamente envolvidas. "Por quanto tempo estive adormecida desta vez?", perguntei. Stephan parecia estar cochilando, mas James estava com os olhos abertos. Parecia que ele estava


rezando sobre a minha mão. "Quatorze horas", disse James, e beijou a minha mão. "Eu acho que você tomou dez anos de minha vida nesta semana". Ele alcançou o botão da cama e eu sabia que ele estava chamando a enfermeira novamente. Era outra enfermeira desta vez, e notei distraidamente quando ela saiu depois de checar como eu estava e me dar a medicação. As duas haviam sido agradáveis e bem ágeis. Gostaria de saber se o hospital sempre teve esse bom serviço ou se isso era fruto do efeito James Cavendish. "Você não tem que ficar aqui", eu disse, assim que comecei a apagar novamente. Ele me olhou com certa mágoa que tentei evitar antes de me afundar em um sono profundo provocado pela medicação. Dias se passaram assim, comigo flutuando dentro e fora da consciência, enquanto o meu corpo se curava. Passaram-se cinco dias antes de eu melhorar um pouco. E mesmo assim foi para exercer uma quantidade limitada de atividades. Eu sofri um choque violento, com algumas hemorragias internas, e algumas costelas machucadas. Da maneira como elas estavam, achei difícil acreditar que não estivessem quebradas. Eu não queria nem pensar como seria se estivessem realmente quebradas, se machucadas eu já me sentia assim. O médico me disse que eu iria ficar no hospital por mais alguns dias, em observação. Todos os meus ferimentos eram dolorosos, mas eu sobreviveria. Eu tive sorte, eu sabia. Poderia ter sido muito pior. Eu recebi várias visitas. O restante da nossa equipe até me visitou uma vez, incluindo os pilotos. Eles me desejaram boa sorte e conversaram agradavelmente sobre amenidades. Nenhum dos dois homens ao meu lado ofereceu seus assentos para os outros visitantes. Eu não fiquei surpresa. A mão de James apertou a minha uma vez, quando Damien se abaixou para acariciar minha perna. Eu sabia que Damien estava apenas sendo simpático. Ele teria acariciado minha mão, provavelmente, se ambas já não estivessem tomadas. James e Stephan não se afastavam de suas cadeiras ao meu lado, dia e noite. Ocasionalmente, eles se revezavam para dormir em uma pequena cama dobrável para fora da parede, no canto mais distante do quarto. Eu não conseguia imaginar que eles pudessem dormir numa cama que parecia tão dura e desconfortável. Era, ao mesmo tempo, comovente e desconcertante ver esses dois homens incríveis que insistiam em me vigiar, completamente despreocupados com seu próprio conforto. Uma mulher loira, de alto padrão profissional, ficava entrando e saindo do quarto, em silêncio, entregando a James seu telefone, ou seu laptop, ou mesmo a pilha ocasional de papéis. Eu supunha que era assim que ele era capaz de passar tanto tempo ao meu lado. "Você não tem que ficar aqui", eu disse. "Eu entendo que você tem trabalho a fazer." Ele apenas me olhou como quem não me levou a sério e continuou trabalhando em seu laptop. Eu estava quase recuperada o suficiente para receber alta quando Stephan voltou ao assunto do ataque. "Por que ele veio atrás de você novamente, depois de todos esses anos?", perguntou em voz baixa. James estava cochilando em sua cadeira na cabeceira. "Ele mencionou algo sobre pessoas fazendo perguntas sobre sua vida, pessoas que ele não conhecia. Ele me viu nos tabloides, suponho, e me culpou. Ele também parecia pensar que namorar


um homem rico me deixaria mais corajosa para ir à polícia e denunciá-lo." "A culpa foi minha", James falou, fazendo-me assustar com a surpresa. Seu rosto estava pálido. "Eu sinto muito." Eu levantei a sobrancelha. "Essa é uma tarefa difícil. E, de qualquer maneira, meu pai não estava errado. Eu estou me sentindo corajosa agora." James me pediu para explicar o que eu queria dizer, mas não pude mais falar sobre o assunto. E não havia nada para compartilhar com Stephan. Ele já sabia de tudo. Eu peguei o finalzinho de uma conversa tranquila quando acordei pela manhã, dias depois. "Eu acho que isso vai fazer mais mal do que bem", Stephan estava dizendo para James. "Ela não vai gostar. Basta dar-lhe tempo, James. Eu sei que é difícil, mas você vai ter que ser paciente." "Sobre o que vocês estão falando?", murmurei, enquanto o meu cérebro tentava despertar. Os dois homens olharam para mim meio culpados por terem sido flagrados falando sobre mim, mas nenhum deles me respondeu. "Diga a ela, Stephan." Ele suspirou. "James gostaria de levá-la para um lugar tranquilo até você se recuperar. Ele estava sugerindo um lugar na praia, talvez. E nós estávamos tentando descobrir como lidar com o circo da mídia que parece seguir James aonde ele vai." Eu estava entre grogue e alerta enquanto falava. James me deu um olhar muito solene. "Eu não posso lhe dizer o quanto desejo que você não seja atingida pelo fogo cruzado desse circo armado pela mídia em torno da minha vida. Essa é a principal razão por que eu queria manter o nosso relacionamento protegido, no começo. Eu estava sugerindo a publicação de uma declaração sobre o nosso relacionamento, de forma que fique claro que você e eu estamos juntos e que somos exclusivos. E que Jules é, e sempre será, apenas uma amiga minha. Eu odeio essa menção ao fato de que você está roubando o lugar dela. Nada poderia estar mais longe da verdade." Eu soltei a minha mão e, em seguida, levantei-a quando James tentou protestar. "Stephan, deixe-nos a sós, por favor", eu disse solenemente. Ele saiu sem dizer uma palavra, batendo em retirada bastante apressado. James apertou o queixo e parecia irritado, como se implorasse tudo de uma vez. "Por favor, não me deixe de fora, Bianca", ele disse calmamente. Eu respirei fundo. Meu peito doía. Não foi só pelos socos que levei. Era uma dor mais profunda. "James, isso tudo aconteceu muito rapidamente. Eu preciso recuar.” Ele olhou para baixo, escondendo os olhos cheios de dor, aquela boca linda se contorcendo de uma maneira que cortava o coração. "Por favor". Sua voz era calma. "Eu não posso suportar a ideia de perder você. O que posso fazer?" Engoli a saliva e havia um nó imenso na minha garganta. "Apenas me dê um tempo, por favor. As


coisas entre nós aconteceram de forma muito rápida e os últimos acontecimentos só me fizeram perceber isso. Eu não posso pensar quando estamos juntos. Você simplesmente me sugou para a sua vida e parece que perdi todo o meu discernimento. Eu não sei se posso fazer parte da sua vida ou se posso até aceitar qualquer coisa que você possa me oferecer”. Vi que ele queria argumentar, mas olhei para ele de forma a impedi-lo. "Apenas me dê um tempo", eu finalmente repeti. "Isso é tudo o que peço. Podemos discutir isso daqui a algumas semanas, talvez daqui a um mês, se você ainda quiser. Francamente, eu meio que esperava que você apenas seguisse com sua vida nesse tempo." Ele parecia muito zangado agora, mas me observou e eu pude ver que tentou segurar a raiva. "Por favor, acredite um pouco mais em mim”, ele disse calmamente. "Será que você, pelo menos, me permitiria ligar? Ou mesmo enviar mensagens?" Fechei os olhos, querendo voltar a dormir, com vontade de chorar como um bebê. "Eu vou entrar em contato com você", foi tudo o que eu disse. Ele apertou minha mão. "Parece que você está me descartando. Eu gostaria de saber as palavras para lhe dizer para que compreendesse como é sério o que sinto por você." Sua voz era chorosa e aquilo partiu o meu coração. Mas ele realmente não tentou falar. Ele nunca falou de amor ou mesmo o quanto ele se importava. Isso me ajudou a fazer o que precisava ser feito. Ajudou-me a dizer a mim mesma: Nós mal nos conhecemos. Isto tudo pode não significar nada para ele em um mês. Se ele tivesse dito que me amava, eu não teria sido capaz de afastá-lo de mim. "Eu não quero descartar você. Eu só preciso de tempo e espaço. Como você já viu e ouviu, eu vou ficar bem. Vou ser liberada a qualquer hora do hospital. Hoje, provavelmente. Stephan vai cuidar de mim quando sair daqui." Eu mantive meus olhos fechados. Era muito mais fácil falar sem estar olhando no seu rosto. "Adeus, James", eu disse, com a voz estranhamente grossa. Foi um pedido para que ele fosse embora. Ele beijou minha testa. Eu o senti me olhando por longos minutos. Finalmente, depois de uma espera de suspense, ele partiu. Senti as lágrimas deslizarem pelo meu rosto, mas só depois que ele se foi. Stephan voltou para o quarto um tempo depois. Eu suspeitava que ele tivesse levado James para fora. Ele veio direto para o meu lado, parecendo saber, sem que eu dissesse uma palavra, o que havia acontecido. "Você está bem, Abelhinha?” Eu balancei a cabeça. "Eu quero sair daqui. E estou pronta para falar com a polícia, Stephan. Vou contar tudo."


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