Page 1

~1~


Cayce Poponea #1 Shamrocks & Secrets Série Shamrocks

Tradução e revisão: Nai Leitura Final: Sil Data: 09/2016

Shamrocks & Secrets Copyright © 2014 Cayce Poponea

~2~


SINOPSE Planejar eventos, lidar com clientes exigentes e desarmar situações antes que elas aconteçam é tudo que acontece em um dia de trabalho para Christi O'Rourke. Mas quando um homem misterioso surge, ela vai ter a capacidade de lidar com ele também? Poder e riqueza são as partes mais importantes no mundo de Patrick Malloy. Mas quando as obrigações familiares ditam seu futuro, um futuro que envolve uma certa jovem espirituosa, Patrick vai ter o que é preciso para ganhar seu coração ou seu estilo de vida vai colocála em mais perigo do que ele jamais sonhou?

~3~


A SÉRIE Cayce Poponea

~4~


Capítulo um Em cada uma das nossas vidas, todos nós entramos em contato com pessoas memoráveis em algum ponto. Para alguns, é um simples sorriso emparelhado com um breve, porém com profundo contato com os olhos, enquanto que para outros é ligeiramente mais longo e mais intenso, como com o caixa considerável na mercearia da esquina. Um seleto grupo, poucos realmente mudam o que somos. Esta é a minha história – de como um homem mudou tudo na minha vida e na dos que me rodeiam. Eu acho que você está se perguntando quem diabos eu sou. Essa é realmente a parte mais fácil de toda a minha história. Meu nome é Christina O'Rourke. Meus amigos e familiares me chamam Christi. Bem, isso não é inteiramente verdade, mas virá mais tarde. Tudo começou numa noite, enquanto eu estava fazendo o que a maioria de nós faz todos os dias, o meu trabalho. Ainda me lembro de quase todos os detalhes do que aconteceu naquela noite... Eu estava trabalhando no Penciled In, uma das empresas de organização de eventos mais bem sucedidas de Chicago. A proprietária e minha boa amiga, Charlotte, tinha me confiado este evento em particular. A lista de convidados era longa - mais de quatrocentos, e ainda muito distintos, considerando a quantidade de seguranças no local. O casamento Connor-Donnelly foi comentado ser o evento do ano. Charlotte tinha contratado garçons adicionais há um mês e tinha passado um tempo dando treinamento e preparando-os com as especificações da noiva. Para este casamento em particular, todos os funcionários tiveram que passar por uma extensa verificação de antecedentes. Como a maioria das coisas no meu mundo, eu não fazia perguntas. Se um cliente queria gastar esse tipo de dinheiro para se sentir importante, então quem era eu para questioná-lo. Meu trabalho era apenas fazê-los felizes. Eu tinha acabado minha reunião preliminar com toda a equipe de cento e vinte pessoas. Sim, isso era correto. A família da noiva queria que seus convidados fossem servidos de forma rápida e sem falhas. Todos os bartenders tinham que ser do sexo masculino e vestidos de preto. Todos os garçons deveriam ser do sexo feminino e teriam que usar saias lápis pretas com uma camisa azul pavão para

~5~


combinar com as cores da noiva. Eu pelo menos poderia usar um blazer preto sobre a minha. A família da noiva, os Connors, era de Nova York e foi-me dito que eles tinham dinheiro que vinha de gerações. A família do noivo, por outro lado, veio da Irlanda e havia rumores de ser tão rica quanto. Eu não tinha certeza de como você chega a um novo país e de repente tem dinheiro, mas, novamente, não era o meu lugar questionar. Notei que a minha irmã, Shannon, estava conversando com um homem muito atraente, que tinha chegado com os padrinhos e as damas de honra. Fiz um gesto para ela voltar ao trabalho e o homem bonito beijou a bochecha dela, e depois apertou sua mão. Eu teria que perguntar a ela sobre ele mais tarde. Minha irmã não tinha o melhor histórico com os homens. Shannon e eu éramos gêmeas e também de ascendência irlandesa. Shannon tinha conhecido seu ex, Kevin Delaney, no nosso último ano de faculdade. Ele tinha sido bom no início, levando-a para bons restaurantes e comprando-lhe coisas bonitas. Tudo isso mudou no dia em que ela deu à luz a sua filha, Abigail. Abigail tinha quatro anos agora e era seriamente a menina mais bonita do planeta. Seu doador de esperma, por outro lado, era desprezível. A nossa outra irmã, Coleen, era dois anos mais velha do que nós. Colleen não teve mais sorte no amor. Seu namorado de longa data, Jimmy - bem, ele conseguiu metê-la em alguma merda muito pesada, e, em seguida, a matou. Shannon e eu moramos juntas em uma pequena casa de três quartos. Era preciso nós duas para cuidar de Abigail, ela com certeza não podia contar com Kevin para ajudá-la. Shannon o tinha levado ao tribunal e comprovado a paternidade, mas ele ainda se recusava a pagar a pensão à criança. Como eu disse, ele era um canalha. O jantar tinha sido servido e o bolo tinha sido cortado. Agora era hora de ficar em volta e observar as pessoas ficarem bêbadas e felizes. Olhando para trás, eu deveria ter me questionado sobre as pessoas naquele salão. Eu deveria ter escutado apenas algumas conversas. Em vez disso, eu assisti a minha equipe e me certifiquei que algumas pessoas estavam se divertindo. Foi apenas depois das dez horas da noite, quando um dos meus bartenders me alertou para uma situação. Aparentemente, um casal estava em uma acalorada discussão do lado de fora dos banheiros. Esta

~6~


era uma das muitas coisas que eu era boa, separar brigas e apaziguar situações. Eu sorri para as muitas pessoas que ainda estavam presentes enquanto atravessava o recinto para lidar com o problema. Uma vez que cheguei lá, eu quase me virei e saí. De pé, de costas para mim não era outro senão Kevin Delaney. Ele estava atualmente em uma conversa acalorada com uma menina muito bonita. Enquanto eu estava lá e assisti brevemente, a menina deu um tapa no rosto dele. Por um décimo de segundo, eu pensei em pagar uma bebida a ela por isso. Eu sorri para mim mesma enquanto atravessava o pequeno hall em direção ao casal. — Desculpe-me, — eu disse, fazendo brotar o meu tom mais profissional, completo com sorriso cheio de dentes e postura calma. Kevin virou todo o seu corpo em minha direção. O olhar em seu rosto era de pura raiva. Eu decidi dirigi a minha atenção para a menina quando ela parecia ter controle completo no momento. O olhar em seu rosto era raiva em primeiro lugar, ou assim eu pensava. Um olhar mais atento mostrou uma grande quantidade de pó branco endurecido no septo externo do nariz. Meu pai sempre me disse para esperar o inesperado quando se trata de pessoas sob a influência de drogas. Ele me falou de um cara que tinha uma vez realmente quebrado as algemas, porque estava totalmente alterado por LSD. Sim, meu pai era um policial, um detetive, na verdade. — Sim, olá, belo vestido, eu absolutamente amo esse tom de azul. Dirija a situação sobre ela - confere. — Oh, hum... Distraída - confere. — Escute, eu não posso concordar mais com você que este pedaço de merda merece apanhar um inferno de muito mais do que o que você bateu nele. No entanto... — Leve essa sua bunda fodida para fora daqui, Christi! — Kevin cuspiu. Eu voltei minha atenção para ele. — Realmente, seu imbecil fodido, você quer que eu dê para ela um conjunto de luvas de boxe ou quer poupar uma viagem para a emergência?

~7~


— Vai se foder, cadela. — Não, foda-se você, seu filho da puta! — a loira interrompeu, gritando com Kevin. Você tem que ter o controle, Christi... — Ei, obrigada... — Fiz um gesto para ela me dizer o nome dela. — Mandy, Mandy Owens. Eu estendi minha mão para apertar a dela. — Olá, Mandy, prazer em conhecê-la, Christi O'Rourke. — eu fiz um movimento para colocar o meu corpo entre os deles. — Como eu estava dizendo antes de sermos tão rudemente interrompidas pelo pau de lápis aqui, — Eu fiz um gesto atrás de mim. Mandy começou a rir; Senhoras e Senhores, a situação foi desarmada. — Eu acho que você pode encontrar coisa muito melhor, e eu também acho que você pode querer voltar para o banheiro e remover um pouco do seu pó facial que você não deve ter visto quando retocou sua maquiagem, — eu fiz um gesto para o nariz dela. Sem pensar duas vezes, ela se virou e caminhou de volta para o banheiro. Agora eu teria que lidar com Kevin... e em seguida, tomar um banho de água sanitária. Eu me virei, pronta para colocá-lo no lugar dele, quando notei um grupo de homens atrás dele percorrendo caminho pelo corredor em nossa direção. Os cinco homens entraram com autoridade em uma formação em V, como patos-reais em direção ao sul para o inverno. Sem dizer uma única palavra, as pessoas estavam se movendo para fora do caminho deles, abrindo espaço para eles passarem com facilidade. Kevin não tinha percebido que meus olhos tinham deixado os dele e estavam fixos no homem na posição de liderança. Ele era alto, bem mais de um metro e noventa. Seu smoking preto parecia ter sido feito apenas para ele e eu não estava surpresa com isso, já que a maioria dos homens presentes hoje à noite tinha a mesma aparência. Este homem, porém, era diferente; o ajuste era devido a mais do que apenas um bom alfaiate. Ele tinha certo ar sobre ele. Seu rosto era a perfeição absoluta, como um modelo saído diretamente da passarela. Eu não conseguia decidir se seu cabelo era castanho ou vermelho escuro, mas não era isso que tinha me deixado quase sem fala. Eram seus olhos. Eles eram de um tom de verde que eu não conseguia me lembrar de ter visto. — Droga, Christi... Ótimo, o pau de lápis tinha que interromper o meu ‘comer com os olhos’...

~8~


— Eu não posso acreditar que você ainda está fodendo com a minha vida, porra. Essa menina que você acaba de espantar era a minha boceta para a noite! Antes que eu pudesse responder, uma interrompeu. — Há um problema aqui, Douce?

voz

muito

rouca

O que me surpreendeu mais do que a voz foi a rapidez com que Kevin conseguiu se virar para encará-lo. Seu corpo inteiro estava tremendo, enquanto ele olhava para o homem alto e bonito. — Oh, ei, Chefe. Não, nenhum problema aqui. De repente, Kevin era ‗todo sorrisos‘, e, em seguida, ele colocou o braço em volta dos meus ombros. — Isso não foi o que eu vi, Douce. Douce? — Oh... essa é a irmã de um amigo meu. Nós só estávamos colocando a conversa em dia. — Kevin respondeu, tentando me puxar para seu lado, como se tivéssemos sido amigos desde o nascimento. Notei que os homens atrás dele estavam ouvindo atentamente a tudo o que ele dizia. Desgostosa, eu consegui remover o braço de Kevin e me afastei alguns passos, olhando para ele. Isso não passou despercebido pelo chefe de Kevin. Chefe? Kevin não tinha pagado a Shannon nenhum mês de pensão em todos estes anos. Se este era o chefe dele, então talvez eu pudesse descobrir onde ele estava trabalhando. Eu não teria nenhum problema em ajudar Shannon a entrar com um pedido de desconto salarial da pensão. — Sinto muito interromper, mas eu ouvi corretamente que Kevin trabalha para você, senhor? Olhei diretamente em seus surpreendentes olhos verdes. Seu queixo talhado era um pouco perturbador, mas receber para Abigail a muito necessária ajuda financeira era muito mais importante. ‗Olhos verdes‘ olhou entre mim e Kevin, quase em confusão, com um ligeiro toque de aborrecimento. Eu, então, me virei para olhar para Kevin; ele estava branco como um fantasma. Algo não estava certo. — Douce... talvez você deva falar com Legs sobre a sua posição. Eu me virei para os olhos verdes a tempo de notar seus olhos percorrendo-me da cabeça aos pés. Eu vi como sua língua saiu e cobriu ~9~


o lábio superior, sugando-o por trás dos dentes. Com uma risada e um arco de sua sobrancelha, seus olhos encontraram os meus. — Chefe... — um dos caras atrás dos olhos verdes falou ao seu lado. Olhos verdes se virou para olhar para o homem, que por sua vez se aproximou e começou a sussurrar rapidamente para ele. — Douce, eu vou te ver na primeira hora amanhã, — ele disse a Kevin sem fazer contato visual. — Senhorita O'Rourke, esta foi a melhor festa que eu já fui este ano. Disseram-me que você é a responsável. Eu fiquei chocada porque eu não tinha ideia de como ele sequer sabia o meu nome. Eu decidi parar de agir como um imbecil e responder ao homem como a mulher profissional que eu era. — Eu tenho uma equipe excelente, foi um esforço de equipe, — Eu sorri e cruzei as mãos na minha frente, permanecendo sempre profissional. — Sim, bem, você conseguiu salvar a pobre Mandy de Douce. Tudo o que eu tinha aprendido me dizia que eu tinha de manter uma forma cortês e profissional. Eu tinha orgulho do fato de que eu sempre tinha feito isso quando representava Penciled In. Assim, as palavras que saíram da minha boca deveriam ter permanecido lá... — Oh, bem, Kevin me disse que tinha planos para Mandy esta noite. No entanto, ele ainda tem a mão para ajudar a si mesmo mais tarde. Olhos verdes começou a rir e, em seguida, todos os cinco homens atrás dele juntaram-se a ele. Um arrepio percorreu a minha espinha diante da situação. Olhos verdes era claramente um homem influente, seus homens pareciam seguir sua liderança em cada detalhe. Sua presença ainda deixou Kevin prestes a mijar nas calças. — Legs, eu gosto de como você trabalha. — Com isso, ele passou por mim, levando sua comitiva com ele. Eu vi quando novamente as pessoas se moveram para sair do seu caminho. Homens dando-lhe olhares cúmplices e acenos de cabeça. Eu estava tão chocada com a cena que tinha acabado de presenciar que tinha esquecido a pergunta que tinha estalado na minha cabeça... que porra era Legs?

~ 10 ~


— Porra! — Kevin jorrou quando passou a mão pelo cabelo. Sua frustração era evidente. Se não fosse por todos os convidados que nos rodeavam, eu ficaria muito nervosa de estar perto dele. Eu estava tão confusa agora. Eu não tinha ideia do que tinha acontecido. A única pessoa de pé aqui com quaisquer respostas possíveis era conhecido por foder as pessoas. — Kevin, o que diabos aconteceu? Kevin me olhou irritado. Ele estava murmurando baixinho e eu não conseguia entender uma palavra do que ele estava dizendo. — Eu poderia cortar a porra da sua garganta pelo que você fez! — Kevin assobiou, seu rosto a menos de uma polegada do meu. Eu abri minha boca para dizer algo de volta quando Brandon, um dos meus bartender, intercedeu. — Senhorita O'Rourke, você está bem? Eu estava? Eu estava confusa como o inferno. Antes que eu pudesse responder, Kevin começou a recuar. Falando a mil por hora, e aquele sorriso falso de volta em seu rosto. — Ei, cara, eu estava apenas dizendo a Christi aqui boa noite. Brandon era um cara grande, quase tão grande quanto os olhos verdes. Ele foi um dos sobressalentes que Charlotte havia contratado para este evento. Se eu não soubesse do fato, eu teria jurado que Kevin o conhecia, e mais do que isso, estava cagando de medo dele. — Isso é verdade, Senhorita O'Rourke? Eu me aproveitei da presença de Brandon. Kevin estava claramente a ponto de se irritar. Eu iria obter algumas respostas. — Kevin, que diabos foi isso e quem diabos é Legs? Kevin deu a Brandon um olhar de olhos arregalados e, em seguida, virou-se e correu para fora, como se estivesse em chamas, deixando-me ainda confusa e minhas perguntas sem resposta. Brandon muito gentilmente colocou a mão no meu braço e começou a me levar de volta para o salão. Eu não tinha percebido que tinha ficado no corredor por tanto tempo e a maioria dos convidados já havia saído. Notei que o pessoal já tinha começado a empilhar as mesas. Shannon estava sentada na extremidade do bar e o sorriso em seu rosto era radiante. Eu não tinha visto um sorriso verdadeiro no ~ 11 ~


rosto dela que não fosse por causa de Abigail há anos. Sentado ao lado dela estava o homem de cabelos escuros de mais cedo. Ela estava olhando para ele como se ele fosse a única pessoa no local. Assim como os olhos verdes, seu terno era sob medida e ele tinha uma postura de confiança. Seu sorriso era quase tão grande quanto o dela. — Christi, deixe-me te pagar uma bebida e podemos ter uma pequena conversa. Neste ponto, eu estava muito cansada para discutir. Brandon me entregou uma cerveja gelada e depois inclinou seu corpo inteiro para mim. — Tudo bem, Brandon, comece a falar. Que porra aconteceu? — Aquele, minha cara Christi, era Patrick Malloy. Ele é um amigo próximo das famílias da noiva e do noivo. Eu tomei um gole da minha cerveja. Ok, então ele era um convidado; isso era óbvio. O que era aquele bando de guarda-costas embora? — Brandon, derrame, — eu disse, minha voz transmitindo claramente a minha agitação. — Patrick Malloy é alguém que você quer do seu lado. Ele tem muita influência no que acontece nesta cidade. Ele não é alguém que você queira como um inimigo. Outra parte do meu trabalho era ser capaz de ler as pessoas, e eu poderia dizer que Brandon sabia uma tonelada mais do que estava deixando transparecer. Ele estava escolhendo o que me dar sobre os olhos verdes, mais conhecido como Patrick Malloy. Eu também sabia quando cortar minhas perdas. Se esse cara, Patrick era tão influente nesta cidade, então alguém certamente o conhecia. — Tudo bem, então quem diabos é Legs? Brandon se aproximou mais e falou em voz baixa. — Quando Patrick gosta de alguém, ele dá a pessoa um nome que ele vá se lembrar. Você, minha senhora, deve ter causado uma impressão e tanto. Você é Legs. Eu me sentei no bar e continuei a saborear a minha cerveja. O salão tinha sido ajeitado e todos os funcionários tinham sido pagos e escoltados para fora. Shannon tinha finalmente dito boa noite e estava sendo levada para casa pelo homem de cabelos escuros. Seu nome era

~ 12 ~


Dillion e ele era um contador. Ele se ofereceu para me levar para casa, também, mas eu educadamente recusei. Eu diria a Shannon na parte da manhã que Kevin estava trabalhando para Patrick Malloy. Já era tarde quando eu finalmente tinha tudo acertado e fui para o banheiro trocar de roupa. Eu odiava ficar de uniforme um segundo mais do que era absolutamente necessário. Com meus Nikes nos pés, eu fiz o caminho para o meu carro no estacionamento. George, o segurança da noite andou comigo e se certificou de que o meu carro estivesse com o motor funcionando. Acenei adeus e virei à esquerda para a rua. Minha mente ainda deveria estar nos acontecimentos da noite, porque eu não percebi o sedan preto que me seguiu até em casa.

~ 13 ~


Capítulo dois Quando cheguei em casa ontem à noite, ou melhor, muito cedo esta manhã, tudo o que eu consegui me concentrar foi em tomar um banho escaldante. No entanto, a última coisa que eu queria fazer era acordar Abigail. Eu silenciosamente percorri o caminho para o quarto dela e, lentamente e silenciosamente abri a porta. O quarto dela era o epítome da perfeição de uma princesa. Tinha paredes pintadas de rosa, seu nome escrito em letras brancas de madeira se destacava contra a cor e havia cortinas cor de rosa macias cobrindo as janelas. Sua cama de dossel era o meu item favorito do quarto, com seus babados delicados e quantidades maciças de bichos de pelúcia. Eu a invejava. Que patético era a invejar um quarto de uma princesa de quatro anos? Era mais do que isso, porém. Abigail tinha sua mãe, eu e o nosso pai para cuidar dela. Quando éramos pequenas tínhamos apenas o meu pai e ele não tinha a menor ideia de como decorar quartos de meninas pequenas. Quando eu tinha seis anos, a nossa mãe tinha desaparecido. Eu podia me lembrar de perguntar ao meu pai quando ela iria voltar e ele sempre dizia que ela estava de férias. Lembro-me que nós colocamos as malas no carro um dia e meu pai nos trouxe para Chicago. Agora, todos estes anos mais tarde, eu ainda não sabia onde ela estava e papai não falava sobre ela, então temos evitado o assunto inteiramente. Abigail estava dormindo profundamente e eu sabia que ela não iria acordar se eu abrisse a torneira. Então foi exatamente o que eu fiz. Enquanto estava deitada na banheira cercada por bolhas e silêncio, eu repassei os acontecimentos da noite na minha cabeça. Eu já tinha ouvido antes que tinha um bom par de pernas. Eu nunca concordei, mas, novamente, muitas mulheres não gostam de seus corpos. De alguma forma pareceu quase ofensivo Patrick Malloy fazer referência a elas. Realmente não pareceu um elogio, e sim uma forma dele nomear um lugar que ele queria estar - entre as minhas pernas. Eu decidi que não importava. Eu morava em Chicago todo este tempo e esta foi a primeira vez que eu o tinha encontrado. O que importava era entrar em contato com ele novamente. Eu precisava que ele soubesse o pedaço de lixo que tinha a seu serviço. Eu tinha que descobrir que tipo de negócio ele tinha e, em seguida, deixar que os tribunais soubessem. Abigail estava crescendo a cada dia e suas necessidades se tornavam mais e ~ 14 ~


mais caras. Era hora de Kevin ser forçado a pagar sua parte. A água quente e as bolhas perfumadas tinham feito sua mágica. Eu me sentia relaxada quando finalmente me arrastei até a minha cama e caí em um sono sem sonhos. A desvantagem de viver com uma criança de quatro anos é que elas tendem a ter horários. Abigail não era exceção. Quando estava acordada, ela esperava que todos na casa estivessem também. Ela não se importava que você só tivesse tido três horas de sono. Abigail me acordou saltando energicamente na minha cama. — TIA CHRIS, HORA DE LEVANTAR! — Gritou ela enquanto continuava a saltar. — Oh Deus, quem lhe deu açúcar tão cedo? — Perguntei a ninguém em particular — Tia Christi, a mamã está fazendo panquecas. Apresse-se, eu estou com fome! Ela finalmente saiu pulando enquanto impiedosamente removia as cobertas da minha cama. Era uma maldita coisa boa que ela fosse bonita. Eu gemi quando alonguei o meu corpo cansado sobre a borda da cama. Meus pés estavam doloridos e o frio do piso de madeira estava tão bom. Enquanto caminhava para a cozinha, eu senti o cheiro da única coisa que tornaria a minha vida melhor, café. Eu vi Shannon virando panquecas e cantarolando, balançando os quadris com a música que devia estar tocando dentro de sua cabeça. Isso era um mau sinal. Shannon era notória por se apaixonar rápido e pensar depois. Esta não seria a primeira vez que eu teria que refreá-la. Eu tomei meu lugar na bancada e Abigail rapidamente me seguiu. — Ok, quem é você e o que você fez com a minha irmã? Shannon se virou e colocou um prato cheio de panquecas na bancada. O sorriso em seu rosto era enorme e eu só podia adivinhar o que, ou melhor, quem o havia posto ali. — Eu não posso simplesmente estar de bom humor? — Ela questionou com um sorriso no rosto. — Só, por favor, me diga que você dormiu na sua própria cama na noite passada? — Meu rosto estava sério.

~ 15 ~


— Mamãe, eu posso beber suco rosa? — Abigail interrompeu enquanto se dirigia em direção à geladeira. Eu não ia deixar a pergunta de Abigail inviabilizar a minha necessidade de respostas. Shannon tinha sido magoada mais de uma vez. Eu me recusava a deixar que isso acontecesse desta vez. Eu mataria Dillion se ele tentasse magoar a minha irmã. — Não, Baby, você pode beber leite. — Posso beber leite rosa? — seus grandes olhos azuis faiscaram para a mãe — Boa tentativa, mas não, você pode beber leite branco. — Shannon disse com uma risada. Shannon colocou o copo de leite na frente de Abigail. Sua atenção novamente focada em mim. — Sim, Christi, eu dormi na minha própria cama... sozinha. Eu sabia que tinha que ter cuidado com Abigail presente. Nem sempre eu era capaz de manter minhas emoções sob controle quando se tratava da minha família. — Eu gosto dele, Christi. Eu gosto muito dele. Eu quero conhecêlo melhor e ver onde isso vai dar. Ele me escuta, ele realmente me olha nos olhos, e está interessado no que tenho a dizer. Eu entendia completamente o que ela estava dizendo. Com demasiada frequência, os homens estavam muito ocupados olhando para o meu peito, em vez de prestar atenção às palavras que eu falava. Eu ainda queria que ela tivesse cuidado, no entanto. — Bem, desde que você teve todo o trabalho de tentar me subornar com carboidratos, o que você quer de mim? Shannon odiava cozinhar. Mesmo que ela fosse realmente boa no que fazia, ela só fazia isso quando queria alguma coisa. — Uau... nada passa por você, Watson. — Pfft, por favor, eu sou Sherlock. — Eu retruquei. — Seja como for, eu sei que hoje é o seu dia de folga, mas eu tenho um encontro e preciso de uma babá. — Eu fico, com uma condição. — Eu estipulei, completamente séria. Shannon revirou os olhos e virou-se para pegar mais café. ~ 16 ~


— Ok, eu vou morder a isca, qual é a sua condição? — Perguntou ela. — Não depilar as pernas antes do encontro. — Eu respondi questão de naturalidade. — Um... tudo bem... mas por quê? — Seu tom era claramente curioso. — Porque eu ouvi em algum lugar que, se você está com as pernas espetando, você é menos inclinada a... ter relações. — Eu sussurrei, olhando rapidamente para Abigail. Abigail estava além de animada para passar a noite em uma festa do pijama com a Tia Christi. Eu prometi a ela que iria pedir pizza, assistir todos os seus filmes favoritos, e ficar acordada até tarde. Ela realmente não entendia por que não podia ir com sua mamã no encontro. Eu disse a ela que eles iriam fazer coisas chatas e que com a gente seria muito mais divertido. Eu disse a Shannon que poderia ser melhor se eu estivesse com Abigail no quarto quando Dillion viesse buscá-la. Eu não queria que ela ficasse confusa se as coisas não dessem certo. Shannon concordou e eu distraí minha sobrinha com uma dança improvisada. Nós ficamos em seu quarto com o meu iPod e dançamos ao redor. Quando eu estava certa de que Shannon tinha saído, eu levei Abigail para a sala de estar e estava prestes a pedir pizza quando meu pai ligou querendo saber o que tínhamos planejado para o jantar. Ele insistiu em nos levar para comer pizza quando eu lhe disse os nossos planos. O meu pai nos levou a um pequeno lugar chamado Gino. Eles faziam a melhor pizza estilo Chicago do planeta. Uma vez que nós devoramos a nossa comida, Abigail perguntou se podia ir jogar nos fliperamas. Uma vez que ambos tínhamos uma visão clara das máquinas, o me pai deu dinheiro a ela e lhe disse para ir buscar as fichas no caixa. Com Abigail ocupada e em segurança, eu decidi bombear o meu pai para obter informações. — Então, papai, você parece conhecer todos na cidade, qual é a história de Dillion Parker? Meu pai nunca tirou os olhos de Abigail enquanto falava. — Chris, você pode confiar em Dillion com Shannon. Ele é um cara bom, ele vai tratá-la bem.

~ 17 ~


Isso me surpreendeu e me irritou ao mesmo tempo. O meu pai conhecia todos os pedaços de merda que Shannon tinha saído, mas ele conhecia um cara decente e nunca o mencionou. — Se você sabia que ele seria bom para ela, por que você não os apresentou antes? Meu pai realmente riu. — Os pais tendem a não se envolver na vida amorosa de suas filhas. Ele tinha um ponto, eu acho. Eu decidi atacar em cheio. — Eu encontrei Kevin ontem à noite no casamento. Shannon não o viu. Eu descobri onde ele está trabalhando e tenho o nome de seu chefe. — Você disse para a sua irmã? — Não, ela também estava extremamente feliz esta manhã. Eu não tive coração para estragar tudo. — Eu admiti. — Eu não posso culpá-lo lá, querida. Então, para quem o filho da puta trabalha? Eu tomei um gole da minha Coca-Cola. Eu queria saber tanto quanto eu pudesse sobre Patrick Malloy. Meu pai tinha um monte de contatos e se alguém tivesse informações sobre ele, eu sabia que meu pai as conseguiria. — Um homem com o nome de Patrick Malloy, você já ouviu falar dele? Meu pai levou vários minutos para falar. Ele não era um homem de muitas palavras, mas quando falava, ele queria dizer cada palavra. — Você falou com ele sobre Kevin? — Não, na verdade, ele notou que Kevin e eu estávamos exagerando e perguntou se havia um problema, então ele chamou Kevin de Douce. — A última palavra saiu como uma pergunta. Meu pai pegou seu telefone, verificou rapidamente e, em seguida, colocou de volta no bolso. — Diga-me uma coisa, — meu pai moveu seu corpo mais perto do meu, — Você disse a Patrick como você e Kevin se conheciam? — Na verdade, Kevin disse a ele que eu era a irmã de um velho amigo. ~ 18 ~


Eu vi Abigail saltar para cima e para baixo, com o que estava acontecendo na tela do vídeo game. Nós dois rimos quando ela gritou de emoção. — Será que o tema Abigail surgiu? Notei que o meu pai começou a olhar ao redor; ele estava começando a me deixar incomodada. — Não, ele ficou muito nervoso e, em seguida, tentou disfarçar como se estivéssemos apenas conversando. Patrick disse que iria vê-lo mais tarde, e em seguida, saiu com seus homens. — Será que Douce ficou por lá? — Não, assim que Patrick saiu, ele deu o fora de lá. Eu conversei com Brandon, o barman que parecia conhecer Patrick, e perguntei a ele o que o era tudo aquilo. — Brandon estava trabalhando na sua festa? — Sim, Kevin ficou muito nervoso quando Brandon apareceu. — Aposto que ele fez mais do que ficar nervoso. Agora eu estava realmente curiosa. Quem era esse cara? Meu pai ficou novamente em silêncio. Eu deixei assim; sabendo que se eu forçasse, ele simplesmente se calaria e eu nunca iria conseguir mais respostas. — Christi, o que estou prestes a lhe dizer não deixa esta mesa, você me entendeu? — Eu balancei a cabeça e me inclinei mais próxima do meu pai. — Nem mesmo sua irmã, você entendeu? — Mais uma vez eu assenti. — Eu conheço a família Malloy há muito tempo. Eu tenho nutrido uma boa amizade com Thomas Malloy desde que éramos meninos. Ouvi pacientemente enquanto meu pai continuava a sua história. Seu olhar distante me disse que ele estava revivendo os acontecimentos enquanto falava. — Quando você era menina e sua mãe e eu começamos a ter problemas, ela ameaçou levá-las de mim e fugir. Eu era apenas um policial de rua em uma cidade pequena e não tinha dois centavos para esfregar um no outro. Thomas havia me ligado do nada e eu disse a ele o que estava acontecendo. Ele contratou um advogado top de linha que

~ 19 ~


desenterrou informações sobre a sua mãe. Ela assinou os papéis do divórcio e desapareceu no meio da noite. Thomas me arrumou trabalho aqui e me disse que iria me ligar no futuro para cobrar o favor. Ele me disse que a família era a coisa mais importante neste mundo e eu concordei com ele. Patrick assumiu os negócios da família de seu pai, Thomas, cerca de seis anos atrás. Ele olhou para mim de novo, e havia um olhar sério em suas feições. — Eu não estou surpreso que Douce não quisesse que Malloy soubesse sobre Abigail. Posso garantir-lhe que foi por isso que ele saiu de lá. Abigail começou a rir de um menino que estava jogando ao lado dela, aparentemente, ele perdeu o jogo e estava fazendo uma birra. Ela tinha uma risada tão contagiante que você simplesmente não podia deixar de se juntar a ela. — Patrick disse mais alguma coisa para você? Eu pensei por um minuto antes de responder. — Ele me chamou de Legs. Meu pai riu e, em seguida, virou-se para mim e me olhou diretamente nos olhos. — Mantenha isso arquivado, você poderá ter que usar algum dia. Abigail voltou para a mesa depois que tinha usado todas as fichas, e eu notei que estava ficando tarde, então meu pai foi pagar a conta, enquanto esperava com Abigail. Nós dissemos boa noite para os proprietários e saímos para o estacionamento. Eu tinha acabado de prender Abigail em seu assento quando ouvi risadas vindas do outro lado do estacionamento. Eu olhei e que ninguém menos que Patrick Malloy estava saindo de um Mercedes preto. Ele tinha uma loira voluptuosa ao seu lado e ela estava rindo de cada palavra que ele falava. Ele notou o meu pai antes de me notar e disse algo para a loira e os caras que o cercavam. Ele atravessou o estacionamento na direção do meu pai. — Senhor, como você está? — Quando ele estava na frente do meu pai, os dois homens se abraçaram um cumprimento viril e tapinhas nas costas. — Eu não posso reclamar, meu jovem. Como está o seu pai?

~ 20 ~


— Papai está bem. Vou dizer a ele que você perguntou. Tem sido muito tempo desde que você esteve lá em casa, minha mãe iria desfrutar de uma visita. Foi neste ponto que Patrick fez contato visual comigo. — Senhorita O'Rourke, é um prazer vê-la novamente, — ele piscou enquanto falava. — Senhor Malloy, — Eu sorri. A loira tinha se aproximado e estava atirando punhais em minha direção. Ela estava com um mini vestido de couro falso colante com botas de prostituta até a coxa. Eu tinha minhas dúvidas se algo nela era de verdade. Meu pai disse adeus ao Senhor Malloy e entrou no carro. Eu observei quando passamos por eles, que Patrick piscou para mim, enquanto a loira erguia o dedo do meio. Eu acho que ela queria que eu soubesse qual o seu QI.

~ 21 ~


Capítulo três Shannon e Dillion haviam se tornado inseparáveis nas últimas três semanas. Ele tinha ido à nossa casa várias noites por semana para jantar e brincar com Abigail. Ele parecia completamente louco por ambas. Shannon me jurou que eles não tinham dormido juntos e eu acreditava nela honestamente. Dillion a cobria de presentes, flores e jantares. Ele trazia bonecas e arcos de cabelo para Abgail. Ele estava realmente tentando e tinha até mesmo ido longe a ponto de pedir a permissão do nosso pai para namorar Shannon. Sim, ele estava indo muito bem. Na semana passada, Dillion levou ambas para conhecer sua família. Abigail voltou para casa quase com um guarda-roupa totalmente novo e uma Barbie Corvette. Eu nunca tinha visto Shannon tão feliz ou sorrir tanto. Eu definitivamente nunca ouvi Abigail rir assim. Isso me fez feliz. Meu pai informou a Shannon que iria roubar Abigail e ela neste fim de semana para jantar e um filme e fui convidada por Charlotte para ir a uma discoteca com ela. Este fim de semana era uma ocorrência rara que não tínhamos clientes. Eu agarrei a oportunidade de ter uma conversa adulta de verdade não relacionada a trabalho. Charlotte concordou em escolhermos um bar mais tranquilo. Eu não queria ter que desviar de pessoas bêbadas ou gritar sobre a música alta. Charlotte revirou os olhos, mas concordou. Ela conhecia um bar de jazz incrível não muito longe do Penciled In. Depois de um longo banho quente, eu apliquei minha maquiagem um pouco mais pesada do que o normal, e depois borrifei um pouco de perfume. Coloquei um vestido preto simples, mas elegante. Não era nada extravagante, mas você nunca erra com o vestido preto certo. Um bom par de saltos e eu estava do lado de fora da porta para encontrar Charlotte. Nós deixamos o manobrista estacionar o carro e entramos para encontrar uma mesa no canto. O bar era todo preto com iluminação azul escura por todo o teto. Cada mesa estava coberta por uma toalha branca e tinha uma pequena luminária no centro. Charlotte sinalizou para a garçonete e então pediu um martini para cada uma. A música era boa e não muito alta, e eu estava realmente me divertindo. Nós ~ 22 ~


estávamos lá por cerca de uma hora, quando dois rapazes se aproximaram da nossa mesa. Eles foram muito educados e perguntaram se poderiam se juntar a nós. O mais alto, mais bonito inclinou-se na minha direção e inalou profundamente, antes que o outro cara desse uma cotovelada nele, tirando-o de cima de mim. Bem, se isso não era assustador... Charlotte explicou a eles que estávamos apenas tentando relaxar e agradeceu de qualquer maneira. Felizmente, eles entenderam o recado e seguiram adiante. Eu tinha acabado de pedir o meu segundo martini quando notei ninguém menos que Kevin passar pela nossa mesa. Ele me notou imediatamente. Jogando as mãos no ar, virou-se completamente para a nossa mesa. — Porra, eu não posso ir a mais nenhum lugar sem esbarrar em você? Sua arrogância começou a diluir o meu estado de espírito relaxado. Eu tinha estado tão ocupada com o trabalho, que não tinha tido a oportunidade de descobrir onde Kevin trabalhava. — Oh, Deus! Não, você é o único que está fodendo com a minha noite! Eu ainda não bebi o suficiente para lidar com o seu rabo inútil. Kevin estava com uma menina diferente desta vez. Ela era bonita, com cabelo preto e longo. Eu não poderia dizer que cor seus olhos eram de tão dilatados que estavam. Um pensamento passou pela minha cabeça - que ele tinha que deixar as garotas chapadas antes saírem com ele. Eu me virei para a menina e percebi que ela estava olhando atrás de mim. — Sinto muito, eu não ouvi o seu nome, — Eu me dirigi a ela. Ela não me respondeu; ela só ficou olhando atrás de mim. — Escute, eu só queria lhe dar um conselho gratuito, corra o mais rápido que você puder deste zé ninguém aqui. Kevin irá prometer-lhe o mundo, mas no segundo que conseguir o que quer, ele está do lado de fora da porra da porta. E aconteça o que acontecer, não tenha um filho com ele, ele não cuida da que já tem. A menina ainda não tinha feito contato visual comigo; o que estava por cima do meu ombro esquerdo tinha sua atenção completa. — Isso é a verdade, Douce? Eu girei na direção da voz. Lá, em toda a sua glória e sua sempre presente comitiva, estava Patrick Malloy. Sua camisa cinza tinha os

~ 23 ~


dois primeiros botões desabotoados e seu blazer combinava com as calças. Seu cabelo estava perfeitamente penteado, nem um fio fora do lugar. Seus olhos, no entanto, estavam negros e seu rosto ausente de qualquer emoção. O lugar pareceu ficar muito calmo, enquanto ele esperava que Kevin respondesse a sua pergunta. Quando não obteve resposta, ele então voltou sua atenção para mim. — Legs, você se importa de explicar? Eu não sabia se era o álcool ou porque eu já estava chateada que Kevin ainda estivesse compartilhando meu oxigênio, mas o fato de que ele não poderia dizer a porcaria do meu nome realmente me chateou. — Ok, antes de tudo, meu nome não é Legs, é Christi. Essa merda me irrita. Eu tenho um maldito nome, Patrick, e eu apreciaria se você o usasse quando estiver falando comigo. O olhar em seu rosto mudou, e eu continuei a enfiar o dedo na cara dele, na verdade era mais em seu peito, já que ele era consideravelmente mais alto que eu. Eu vi um pequeno sorriso começar a se formar no canto de sua boca. Eu não o deixei falar e continuei com o meu vômito de palavras. — Este desperdício de porra de espaço aqui é o pai da minha linda sobrinha, Abigail, e o filho da puta sabe disso, também. Ele não a vê há anos e se recusa a pagar um centavo maldito da pensão alimentícia estipulada por ordem judicial. Então, sim, Senhor Malloy, você tem um filho da puta, vagabundo e pai caloteiro trabalhando para você. A expressão dele mudou do sorriso arrogante para raiva. Eu deveria ter ficado com medo dessa mudança rápida, mas, na realidade, eu estava ficando excitada. — O bebê de Smiles? — Ele questionou Kevin, seu tom ainda frio, mas suspeito. Novamente com os nomes em código, isso era demais. O homem não podia chamar as pessoas pelos seus nomes de batismo? — Quem diabos é Smiles? Eu estou falando da minha irmã, Shannon, — Eu gritei, exasperada. Ignorando-me, ele expressou sua próxima pergunta diretamente para Kevin. — Giggles é sua filha, Douce?

~ 24 ~


Kevin não respondeu, e, francamente, eu estava confusa e ficando ainda mais chateada. Eu então me virei para Charlotte, que estava assistindo a cena inteira se desenrolar como uma partida de tênis. — Quem diabos é Giggles? — Eu perguntei a ela, uma vez que ninguém me respondia. Ela olhou para mim com os olhos arregalados e começou a me responder quando Patrick questionou Kevin. — Será que Books sabe, Douce? Kevin baixou a cabeça, achando seus sapatos muito interessantes de repente. Eu olhei em volta e notei que quase todos no bar estavam nos observando. — Não, Chefe, que ele não sabe, e sim, Giggles é minha. Smiles e eu tivemos uma coisa há muito tempo. Eu me senti como se tivesse sido transportada para outro país e todos estivessem falando em uma língua que eu não entendia. — Até que ponto ele está em atraso, Senhorita O'Rourke? — A expressão facial e a voz de Patrick mudaram novamente para sua arrogância prévia. — Ele deve cerca de dez mil dólares em pensão alimentícia. Um dos homens de sua comitiva se inclinou no ouvido dele. O rosto de Patrick não mudou enquanto ele ouvia o que estava sendo dito. Eu olhei para Kevin e notei que seu rosto inteiro estava agora branco como um fantasma. Seu encontro tinha desaparecido. Dois homens apareceram de repente e agarraram Kevin um de cada lado. Patrick estava agora olhando para Kevin, cujo rosto tinha ficado completamente pálido. Nenhuma palavra foi dita enquanto os dois homens escoltavam Kevin para fora do bar. Foi como uma cena de filme; aquela em que uma vez que a briga acaba, a música volta a tocar e as pessoas continuam com o que estavam fazendo. A nossa garçonete de repente apareceu com uma nova rodada de bebidas e Patrick começou a falar com os homens de sua comitiva. Uma vez que a garçonete colocou nossas bebidas na mesa, Patrick entregou-lhe duas nítidas notas de cem dólares. — Certifique-se de que a Senhorita Christi e Senhorita Charlotte sejam mantidas felizes enquanto estiverem aqui.

~ 25 ~


Eu vi como a garçonete lhe deu um sorriso e empurrou seu peito para fora um pouco mais. Revirei os olhos para a forma desavergonhada que ela estava flertando com ele. Ele então se virou para nós. — Senhoritas, é sempre um prazer, desfrutem do resto de sua noite. Ele falou com mais algumas pessoas no bar e depois de cada um, ele voltava sua atenção novamente para a nossa mesa. Enquanto caminhava até a porta da frente, ele virou-se uma última vez e acenou com a cabeça antes de sair na escuridão. Segunda-feira chegou muito rápido. Shannon e eu estávamos sentadas na minha sala analisando o calendário para a semana. Teríamos um casamento e uma festa de dezesseis anos neste fim de semana. Foi acordado que eu iria trabalhar na festa de aniversário e Shannon faria o casamento. Uma batida na porta parou nosso planejamento, e um mensageiro tinha um pacote para entregar a Shannon. Honestamente, com toda a atenção que Dillion vinha dando a ela ultimamente, seria provavelmente passagens para Aruba ou algo assim. Nada poderia ter me preparado para a verdade. — Meu Deus. Eu voltei a minha atenção da foto do bolo em forma de sapato Gucci que a jovem aniversariante queria para os papéis que agora estavam nas mãos de Shannon. — Chris... olhe. Eu tomei a papelada dela e comecei a ler a carta que estava no topo. Era do presidente do People‘s First Bank aqui de Chicago. Era endereçada a Shannon O'Rourke e Abigail Grace O'Rourke. A carta, basicamente, afirmava que um fundo para a faculdade tinha sido aberto em nome da menor e, que atualmente, continha um montante de vinte mil dólares. Além disso, haveria um depósito de vinte mil dólares a cada ano até que a criança chegasse a vinte e um anos de idade. Outro pedaço de papel anexado à carta era um cheque no valor de quinze mil dólares. Uma segunda carta afirmava que o cheque era pelos meses de atraso da pensão alimentícia da criança e que deste dia em diante, um cheque de cinco mil dólares chegaria no primeiro dia de cada mês para o benefício da referida menor. Isso continuaria até que a criança completasse vinte e um anos, ou até que a fosse legalmente adotada por qualquer homem que Shannon decidisse se casar.

~ 26 ~


Minha mente voltou imediatamente à conversa no bar entre Patrick e Kevin. Durante todos esses anos e Mike nunca fez um esforço. Uma conversa com seu chefe e de repente Kevin está distribuindo dinheiro? Eu não tive tempo para refletir sobre o assunto, já que Charlotte fez sua presença conhecida na sala. Ela entrou seguida por duas mulheres. A primeira era uma mulher mais velha, mas muito bonita. Ela era tão graciosa, lembrando-me das estrelas de Hollywood dos anos quarenta e cinquenta. Seu cabelo ruivo fluía sobre seus ombros em ondas perfeitas e ainda assim suaves. Sua pele era como a de um pêssego e doentiamente impecável. Seu terninho de cor bege parecia de designer e provavelmente custava mais do que eu ganhava em um mês. Foram os olhos que se destacaram para mim... verdes vívidos. A pequena mulher que estava ao lado dela era tão bonita quanto. Seu cabelo, no entanto, era muito mais escuro e mais longo. Sua pele era igualmente impecável, e seus olhos eram de um azul bonito. Shannon conhecia claramente as mulheres, visto que saltou de sua mesa e abraçou-as em uma calorosa saudação. — Chris, eu gostaria de apresentá-la a Senhora Nora Malloy e Senhorita Paige Malloy. As duas mulheres abriram um grande sorriso, e caminharam até o escritório. Charlotte fez sinal para que elas se sentassem nas cadeiras em frente à minha mesa e perguntou se elas queriam uma bebida. Nora falou primeiro e pediu uma xícara de chá quente com o sotaque irlandês mais encantador que eu já tinha ouvido. Charlotte pediu licença e saiu para fazer um bule de chá. — Christi, — Nora falou, seus olhos verdes brilhando, o olhar em seu rosto era de pura alegria: — Eu era convidada do casamento Connor-Donnelly e fiquei impressionada para dizer o mínimo. — Enquanto ela falava, ela virou a atenção para Paige que assentiu com a cabeça em concordância. — Foi-me dito pela senhora Connor que você foi muito útil em tornar o dia de sua filha muito especial. — Não fui só eu, Senhora Malloy, tenho uma equipe incrível. — Por favor, me chame de Nora. Charlotte apareceu com uma bandeja de chá. Uma vez que todas as nossas xícaras tinham sido preparadas, continuamos com a reunião.

~ 27 ~


— Christi, eu vou direto ao ponto aqui. Paige vai se casar em oito meses. Por mais que o casamento Donnelly tenha sido grande, este será enorme. Praticamente todo mundo que participou desse casamento irá ao de Paige. A lista de convidados dos Donnelly, no entanto, não se compara a este considerando devido ao tamanho das famílias dos noivos. Os Montgomerys são uma família tradicional do Sul e isso vai mais que dobrar a lista de convidados dos Connor-Donnelly. Christi, nós estamos falando de algo em torno de oitocentas pessoas. Quando você faz o que eu faço durante o tempo que eu vinha fazendo, você aprende algumas coisas além de como separar uma briga. Você aprende que o dinheiro fala e faz as coisas acontecer. Não importa se você está planejando uma festa para oito ou oitocentos, o processo é o mesmo. Nora podia estar vestindo um terno de grife e ter um sotaque bonito, mas ela tinha dinheiro para pagar o casamento que estava descrevendo? — Nora, eu posso dar a Paige quase tudo quando se trata de sua recepção, mas isso irá custar uma grande quantidade de dinheiro. Nora nem sequer pestanejou quando eu lhe disse que o casamento Connor havia custado quase quatrocentos dólares por pessoa. Isso significa que só a recepção custou mais de 160 mil dólares. As pessoas adicionais aumentariam esse custo significativamente. Paige começou a citar os tipos de alimentos que ela queria que fossem servidos. Ela queria que o tema do casamento fosse ao estilo retrô da década de vinte. Ela me mostrou fotos de vestidos de dama de honra que eram de seda e tinham apliques de renda adornando-os. Ela queria que todas as bebidas fossem servidas em copos de martini com exceção da cerveja. Ela queria que toda a equipe de recepcionistas fosse do sexo masculino e que usassem smokings com o casaco branco com a gravata borboleta, a faixa e a calça pretas. Ela queria uma banda tocando e queria ter, pelo menos, dez bares montados em torno do salão. Tudo o que ela tinha escolhido era do melhor disponível, ainda mais do que o último casamento. O último item que eu tive que citar era o da segurança. Para o casamento Connor, tivemos que tratar a segurança como uma taxa separada. — Oh não, minha jovem. Meu filho, Patrick, vai cuidar da segurança. Não tinha me ocorrido que Nora Malloy fosse a mãe de Patrick. Assim, com um plano em movimento e um abraço apertado de Nora e Paige, a reunião tinha acabado e uma recepção de casamento

~ 28 ~


havia sido agendada. Sentei-me na minha cadeira passando por cima de tudo o que aconteceu nas últimas semanas. Com uma decisão cuidadosa feita, peguei meu celular e procurei o nome na minha lista de contatos. Eu pressionei ‗enviar‘ e esperei três toques antes de obter uma resposta. — Brandon, se alguém quiser entrar em contato com Patrick Malloy, como faz para encontrá-lo?

~ 29 ~


Capítulo quatro Sabe aquela cena nos filmes de terror onde a música assustadora começa a tocar e você grita com a televisão para a menina na tela não entrar na casa? Bem, isso foi o que eu senti sentada no meu carro, estacionado em frente ao Clube de Cavalheiros Whiskers. Cavalheiros minha bunda... Brandon me garantiu que Patrick tinha um escritório dentro deste clube e que estava normalmente aqui todas as tardes. Eu precisava agradecer a ele. Eu precisava que ele entendesse que eu sabia o que ele tinha feito, mesmo que ele não tivesse que fazê-lo. Eu poderia ter ligado para ele, eu acho, ou eu poderia ter enviado uma daquelas cestas chiques de frutas outras coisas comestíveis. Eu poderia ter seguido o conselho de Shannon e enviado a ele o equivalente a flores para os caras, uma caixa de sua cerveja favorita. No entanto, com a quantidade de dinheiro que ele tinha feito Kevin pagar, nenhuma dessas coisas seria o suficiente. Eu precisava olhá-lo nos olhos e dizer ‗obrigada‘. Assim, com uma respiração profunda e minha mão enrolada em torno de uma lata de spray de pimenta que eu tinha na minha bolsa, eu saí do meu carro e caminhei até a porta. Não havia nada especial no prédio que abrigava o Whiskers; ele ficava no meio de uma área industrial degradada. O edifício se erguia solitário, cercado em três lados por estacionamentos. A calçada em frente tinha visto dias melhores, pois estava cheia de rachaduras. No estúdio de tatuagem do outro lado da rua estava faltando o último "O" então agora a gente lia 'Tatto'. Vários bares preenchiam a rua em ambos os lados, e no final havia uma loja de penhores e uma livraria para adultos. Eu tomei uma respiração profunda quando a minha mão pousou firmemente na alça de metal da porta. Eu podia fazer isso, dez minutos no máximo e eu estaria de volta no meu carro indo para casa. Eu podia sentir a vibração do assoalho quando puxei a porta do clube aberta. Uma vez lá dentro, cheguei a uma parede que bloqueava a visão do que estava acontecendo a partir de qualquer transeunte

~ 30 ~


inocente. À esquerda havia um bar, por trás do qual se via dois dos maiores caras que eu já tinha visto. Os dois homens me olharam de cima a baixo com enormes sorrisos em seus rostos. Eu apertei ainda mais o cinto do meu casaco em volta da minha cintura e tive que engolir a bile que ameaçava subir. A forma como a parede humana em forma de homem estava chupando os dentes da frente e limpando as unhas com uma faca de bolso era nojenta e fez meu estômago se revirar. — Posso ajudá-la, coisa doce? Eu não tinha notado o baixinho atarracado que ficava na entrada. Ele usava calças brancas que tinham pregas na frente presas com um cinto de couro envernizado. Olá, os anos setenta estão chamando, e eles querem que suas calças de volta. A camisa preta sob o paletó branco estava aberta até a metade e mostrava claramente as três grossas correntes de ouro que pendiam de seu pescoço, aninhadas entre seu cabelo espesso no peito. Por mais que tentasse, ele não era um John Travolta. Voltei minha atenção para ele e lancei um sorriso rápido. — Sim, Senhor, eu estou aqui para ver Patrick Malloy. Os três homens riram e olharam um para o outro. Parede humana olhou para o canto, para o que eu só posso assumir que fosse uma garota dançando. O cara das correntes de ouro ainda estava me despindo com os olhos. O último cara era mais velho que os outros dois, a cabeça completamente careca, e uma impressionante faixa de pelos preta destacava seu minúsculo lábio inferior. Ele usava óculos de sol que me impediam de ver seus olhos, embora eu tenha certeza de que ele também estava sonhando com uma maneira de me deixar nua como as meninas do outro lado da parede. Eu nunca entendi pessoas que usavam óculos de sol mesmo à noite. Será que eles sentiam que tinham algo a esconder? — O Chefe não faz as entrevistas, Baby. Esse é o meu trabalho, — o cara das correntes de ouro respondeu. — Eu pareço precisar de um emprego? — Minha voz entrecortada, escondeu a minha educação. Eu precisava ver Patrick e depois dar o fora daqui.

~ 31 ~


— Todo mundo precisa de um trabalho, querida. — Ele rapidamente respondeu, seu tom era o de quem achava que era engraçado. Seu sorriso era diabólico e os cabelos na parte de trás do meu pescoço começaram a se arrepiar. — Sim, bem, eu não pedi um emprego, pedi para ver Patrick Malloy. — Minha voz podia ser firme, mas por dentro eu estava prestes a me virar e correr. Agradecer a Patrick que se dane. — Posso saber quem está pedindo? — Christi, Christi O'Rourke. O parede humana e o Senhor Clean novamente riram e um deles começou a brincar com seu telefone celular, balançando a cabeça. — Ouça, Baby, eu conheço cada boceta nesta cidade e o Chefe não conhece nenhuma Christi O'Rourke. Agora, ou você se candidata a um trabalho ou se vira e volta para pelo mesmo caminho que você veio. Antes que eu pudesse ficar muito frustrada, as palavras do meu pai apareceram na minha mente. — O nome que ele lhe deu? Arquive. Você pode precisar dele algum dia. — Então diga a ele que Legs quer ter uma palavrinha rápida com ele. De repente, era como se eu tivesse a chave da cidade. Os dois rapazes atrás do bar imediatamente se endireitaram e não fizeram mais contato visual comigo. O cara das correntes de ouro de repente encontrou suas maneiras e realmente sorriu para mim, um sorriso quente, de desculpas. — Minhas desculpas, eu não a reconheci, Senhorita. Ele pegou o telefone que estava no bar ao lado dele e falou em voz baixa. Finalmente, ele olhou para mim e falou: — Sim, Senhor, Chefe, imediatamente. — Legs... er, Senhorita O'Rourke, se você puder me seguir. Eu não ia deixar o correntes de ouro me tocar e então eu fiquei meio passo atrás dele. Uma vez que tínhamos passado o bar, o ambiente se abriu e a música ficou muito mais alta. A grande sala era pintada de preto, eu acho. No entanto, toda a iluminação ao redor era vermelha. Havia três palcos com postes de pole dance no meio de cada ~ 32 ~


um. Todos os três palcos tinham diferentes garotas nuas dançando uma música que eu não conhecia. À direita notei uma escada que levava a uma porta de madeira no topo. A placa na porta dizia ―privado‖. O cara das correntes de ouro me perguntou se eu gostaria de um drinque, mas eu sorri e recusei. A porta no topo da escada se abriu e uma jovem saiu. Ela estava completamente vestida em jeans e uma camiseta. Seu rímel estava escorrendo como se ela tivesse chorado. Ela não parecia ter mais que dezesseis anos. Ela passou por mim e saiu correndo pela porta. O cara das correntes de ouro me instruiu que Patrick estava no escritório no alto das escadas. Eu cuidadosamente subi as escadas e parei do lado de fora da porta. Aqui vai, eu disse a mim mesma antes de girar a maçaneta e abrir a porta. Você já entrou em uma sala e a conversa parou de repente? Sim, era onde eu estava agora. Uma vez que eu abri a porta do escritório, todo mundo parou de falar e olhou em minha direção. Na verdade, isso era mais do que provável que fosse uma coisa boa; conversas realizadas a portas fechadas em clubes de strip geralmente não eram assuntos de festas de jardim. Patrick estava sentado atrás da mesa enorme que estava majestosamente no centro da sala. A mesa parecia ser antiga e ainda bem cuidada. Sua cadeira de couro de encosto alto se elevava sobre a cabeça dele. A mesa estava limpa e abrigava somente um conjunto de mesa de aparência cara. Uma luminária de mesa verde iluminava a superfície brilhante. Patrick no entanto, parecia ser o capitão de um navio. Ele dominava aquela mesa, bem como o restante da sala. A sala não era nada parecida com o andar de baixo em termos de decoração; as paredes eram todas forradas de madeira escura e rica. Não como os painéis dos anos setenta, não, era como o tipo que você encontraria em antigas casas inglesas. A pintura que estava pendurada atrás da cabeça de Patrick parecia ser um retrato de um homem irlandês muito bonito. A faixa xadrez que atravessava seu peito me fez lembrar de uma foto que a minha avó tinha em sua casa quando eu era uma garotinha. À esquerda estavam três homens; o primeiro eu reconheci imediatamente como Ryan Donnelly. Ryan era um homem enorme, com ombros muito largos, e eu tinha certeza que seus bíceps eram tão grandes quanto a minha coxa. Todas as minhas relações com ele no passado tinham sido agradáveis. Ao lado dele havia outro homem tão

~ 33 ~


grande quanto. No entanto, sua pele era muito mais escura; ele não estava fazendo contato visual comigo. As mãos cruzadas na frente dele. O último homem era tão alto quanto os outros dois, mas não tão musculoso, e seu cabelo tinha um belo tom de loiro escuro. Ele também não estava fazendo contato visual comigo.

— Senhorita O'Rourke a que devo a honra? — A voz profunda de Patrick soou e trouxe a minha atenção de volta para ele. — Por favor, sente-se, — ele acenou ficando de pé e indicou para eu sentar em uma das cadeiras que estavam em frente à mesa. — Seu pai sabe que você está aqui? Patrick Malloy manteve-se como um homem que se esperava ser intimidante. Ele exalava poder, desde o grupo constante de homens que o cercava, ao terno Armani preto que estava usando atualmente. Ele queria que as pessoas o temessem, mas por quê? Eu me orgulhava de ser uma mulher forte e independente. Acho que foi por isso que eu não tinha tido um encontro em mais de um ano. Eu não ia deixar voluntariamente Patrick ver que me deixava um pouco nervosa. Então, em vez de me dirigir a ele, eu voltei minha atenção e caminhei até o Sr. Donnelly com a mão erguida para um aperto de mão. — Sr. Donnelly, é uma agradável surpresa vê-lo. Como está sua bela esposa? Eu vi o olhar surpreso em seu rosto enquanto continuava a segurar a minha mão erguida. Ele rapidamente olhou para Patrick e com o canto do meu olho, eu notei Patrick dar um aceno rápido. Foi então que ele pegou minha mão na sua e muito suavemente apertou. — Senhorita O'Rourke, é sempre um prazer vê-la. Minha Allyson está excelente, obrigado por perguntar. Eu sorri brilhantemente para ele, — Eu lhe pedi para me chamar de Christi, e encontrá-lo aqui não muda isso. — Mais uma vez ele olhou para Patrick, o rosto contorcido em confusão. Eu não entendia o que estava acontecendo entre aqueles dois homens, então decidi ser educada e dar a Ryan uma saída fácil. — Por favor, diga a ela que eu disse Olá. — Ele acenou em compreensão e eu me virei para Patrick.

~ 34 ~


Todos os homens na sala esperaram até que eu tivesse tomado o meu lugar antes de novamente se sentarem. Eu achei isso estranho, já que estávamos em um clube de strip. — Senhor Malloy, você é um homem ocupado e eu só quero tomar um minuto para dizer pessoalmente ‗obrigada‘. Obrigada por ajudar a minha irmã e minha sobrinha. Um sorriso diabólico se espalhou pelo seu rosto quando ele olhou diretamente nos meus olhos. — Eu não estou certo se sei a que você está se referindo, Senhorita O'Rourke. — Por favor, Sr. Malloy, me chame de Christi. Depois de tudo que você fez, parece justo. Ele me deu novamente seu sorriso diabólico e moveu a mão esquerda para cima para descansar sob o queixo. Seus olhos verdes brilhavam à luz da luminária sobre a mesa. — Só se você me chamar de Patrick — Sua voz estava fazendo coisas estranhas com as minhas entranhas. Eu apenas sorri diante de seu pedido. — Você e eu sabemos que você teve tudo a ver com Kevin, que você chama de Douce, assumir suas responsabilidades. Eu simplesmente queria dizer muito obrigada, será muito importante para pagar por sua educação. Pronto, tudo dito, agora dê o fora daqui. — Giggles é uma menina esperta, ela merece o melhor. — Eu estava tão cansada desses apelidos que ele tinha dado às pessoas que eu amava, — O nome dela é Abigail. — Saiu muito duro, embora eu não tivesse tido essa intenção. — Desculpe, Christi, Abigail é uma menina inteligente, — ele enfatizou seu nome quando se corrigiu. — Smiles fez um bom trabalho ao criá-la sozinha. — Por que você chama a minha irmã de Smiles? Ele não piscou um olho quando olhou diretamente nos meus. — Porque risadinhas começam com sorrisos. Sua irmã está sempre sorrindo cada vez que eu a vejo, e sua sobrinha tem uma risadinha que faz a minha Ma sorrir.

~ 35 ~


Justo. No entanto, eu me abstive de perguntar por que ele me chamava de Legs. — Sim, bem, mais uma vez, eu sei que você é um homem ocupado e por isso não vou mantê-lo... — Você não respondeu a minha pergunta, Christi; o seu pai sabe que você está aqui? Por um breve momento, pensei em dizer a ele para cuidar de seu próprio negócio. Eu era adulta, afinal. No entanto, decidi que desde que ele tinha feito Kevin pagar suas dívidas eu ficaria bem. — Não, Patrick, eu não falei com o meu pai hoje. Ele não tem ideia de que eu pretendia vir até aqui agradecer, — eu respondi e comecei a levantar da minha cadeira. — Este não é um bairro seguro, Christi. Uma mulher bonita como você poderia atrair atenção indesejada... — Sim, você está certo, muito obrigada preocupação. Não precisa me acompanhar até a porta.

pela

sua

— Não tão rápido, Christi, — Patrick se levantou de seu assento. Voltei minha atenção para ele e me sentei na cadeira. — Apesar de ter sido muito corajoso da sua parte vir aqui e agradecer-me por ajudar a sua irmã, eu receio que eu não posso aceitar só isso. — Seus olhos nunca deixaram os meus enquanto ele continuava. — Afinal de contas, eu consegui fazer Douce pagar à sua irmã uma grande soma em dinheiro, não é? Eu diria que meras palavras não seriam suficiente. Eu não soube o que dizer neste momento. Isso não estava saindo como eu tinha planejado. Era para demorar apenas alguns minutos e eu estaria no meu caminho para casa. Ele estava certo; eu estava atraindo a atenção indesejada. — Então, por favor, me esclareça sobre como eu posso agradecêlo corretamente. — Novamente com o tom cortante, eu estava perdendo a paciência. — Fácil, Christi, um jantar comigo. Sua sugestão não era o que eu esperava, embora eu realmente não tivesse ideia sobre o que ele consideraria aceitável. No entanto, quando eu estava prestes a dizer-lhe onde ele poderia enfiar o convite

~ 36 ~


para jantar, Patrick começou a desabotoar o paletó e se recostou na cadeira. Ele, então, casualmente levantou suas longas pernas e as colocou sobre a mesa. Foi neste momento que eu percebi a arma brilhante que estava no cós da calça dele. Eu rapidamente desviei o olhar, apenas para perceber que os outros três homens na sala também estavam armados. De repente, era como se todas as peças do quebra cabeças tivessem se unido como uma corrente feita de milhares de pequenos ímãs. Tudo o que eu tinha testemunhado relacionado a Patrick Malloy apontava para uma coisa só - a Máfia. Eu tinha visto tantos filmes focados no crime organizado que senti que sabia o suficiente para me orientar. Eu também sabia que eles tendem a obrigar as pessoas fazer o que eles querem. Eu decidi que a melhor abordagem era convencer Patrick de que eu não me encaixava no papel de boceta doce pendurada no braço do mafioso. — Obrigada pela oferta, Sr. Malloy. No entanto, um homem na sua posição exige, sem dúvida, certo tipo de mulher para satisfazer suas necessidades. Sinto muito, mas eu não sou esse tipo de mulher. — Patrick. Eu lhe pedi para me chamar de Patrick Sua voz estava estranhamente baixa e eu engoli em seco. Eu podia sentir o medo rastejar pela minha espinha. Isso tinha sido um erro muito grande. — Jesus Cristo, Christi! Eu estou lhe convidando para jantar, não para me dar uma lap dance, porra. Era autopreservação pura que me motivou a dizer o que eu disse em seguida. — Você pode não pediu uma lap dance, Sr. Malloy, mas você exigiria algo de mim que eu não estou preparada para dar. Ele olhou diretamente nos meus olhos, uma linha de batalha tinha sido elaborada. De um lado estava Patrick, um homem que era, estou certa, acostumado a conseguir tudo o que queria. Eu, por outro lado outro, apenas queria sair desta sala na mesma condição em que entrei. Patrick inclinou o corpo para trás em sua cadeira enorme, com um sorriso malicioso formando no rosto. — Então, se eu prometer me comportar como um perfeito cavalheiro e não exigir uma punheta no final, você iria reconsiderar? Patrick era um homem bonito, acostumado a ter mulheres caindo aos seus pés. Que triste deveria ser nunca saber se elas o queriam por ~ 37 ~


seu dinheiro ou pelo poder que deviam sentir quando estavam com ele. Eu ficaria feliz em trocar de lugar com elas, elas podiam ficar com a atenção dele. — Eu teria sua palavra de que seria só um jantar, sem outras expectativas? Eu não dava a mínima para o quão bonito ele era ou quão cheia sua conta bancária estava, ele fazia algo que eu não queria fazer parte. Um jantar e nada mais. — Sim. — A resposta estranhamente eu acreditei nele.

dele

saiu

com

segurança

e

eu

— Então, sim, eu reconsidero. — Minha voz saiu suave e ainda um pouco insegura. — Bom, feito! — Ele bateu a mão na mesa enquanto falava. Fodame! Ele empurrou sua cadeira para longe da mesa e, lentamente, deu a volta na minha direção. — Deixe-me começar com o meu papel de cavalheiro, fazendo as apresentações necessárias. Ele fez sinal para eu acompanhá-lo até os três homens que estavam novamente de pé. — Senhores, esta é a linda Christi O'Rourke. Muscles, mais conhecido como Ryan, você já conhece. Ryan sorriu e acenou com a cabeça em minha direção. — Este é Tonto, um dos integrantes do meu círculo íntimo. Tonto era tão grande quanto Ryan, ou melhor, Muscles. Eu estendi minha mão para apertar a dele. Notei que, novamente, Patrick acenou com a aprovação. — Prazer em conhecê-lo, senhor, — eu sorri para Tonto. — E este é alguém que você teria conhecido em um futuro muito próximo. Meu futuro cunhado, Caleb Montgomery. — Eu tive o prazer de conhecer a sua bela noiva recentemente, Sr. Montgomery. Parabéns. Caleb não esperou por Patrick, ele segurou minha mão estendida, e em vez de sacudi-la, levou-a aos lábios e beijou as costas dela

~ 38 ~


enquanto se inclinava ligeiramente. — Muito obrigado, Senhorita Christi, o prazer é todo meu. — Christi, deixe-me acompanhá-lo até o seu carro. Tenho certeza de que seu pai se preocuparia se eu a deixasse sair sozinha. — Patrick interrompeu quando os lábios de Caleb tocaram os meus dedos. Ele soltou minha mão lentamente, olhando na direção de Patrick. Tonto e Caleb deixaram a sala em primeiro lugar, enquanto Patrick segurava a porta para mim. Eu segui os outros dois descendo as escadas, com Patrick perto, ao meu lado esquerdo. Assim que cheguei ao último degrau, eu por acaso olhei na direção ao bar. Sentada em uma banqueta de olho em Patrick não estava outra, senão a loira seminua exagerada. Claramente esse era o tipo dele, então por que ele estava interessado em mim? Isso só me garantiu que ele ficaria seriamente decepcionado comigo após o jantar. Uma vez que ele percebesse que a minha calcinha ficaria firmemente no meu corpo e não no chão de seu carro. Voltei minha atenção novamente para a porta quando a loira de repente cruzou o meu caminho. — Ei, Baby, eu estava esperando por você, — ela murmurou, estendendo a mão e passando as unhas vermelho sangue pelo braço de Patrick. Eu continuei a andar. Eu não poderia me importar menos com quem ele estava dormindo. Eu senti sua mão envolver o meu braço, me impedindo de avançar. Eu me virei e lhe dei um olhar interrogativo. — Harley, eu lhe disse para ficar longe deste clube. — Ele falou com a loira, mas seus olhos nunca deixaram os meus. — Eu sei, mas eu tenho algo para você. Eu realmente não desejava ouvi-la por nem mais um minuto. Eu queria ir para casa, ver Abigail, e em seguida, tomar um longo e quente banho. Patrick a ignorou, e me guiou em direção à porta. Uma vez lá fora, percebi que Tonto, Ryan e Caleb estavam de guarda ao redor do meu carro. Eu cliquei no controle remoto, destravando as portas. Patrick estava na porta do motorista antes que eu pudesse piscar. Ele abriu a porta e ficou esperando que eu entrasse no carro. — Christi, eu irei buscá-la sexta-feira às seis da tarde.

~ 39 ~


Seus olhos agora estavam suaves, sem a influência das baixas luzes do clube. Sua voz estava calma, quente, e ouso dizer... sexy. Eu vi como Patrick e seus homens permaneceram na rua quando eu parti. Novamente, eu não consegui ver o sedan preto que me seguiu até em casa. Quando parei na minha garagem, eu tive que rir de mim mesma. Meus planos de agradecer simplesmente tinham ido por água abaixo. Agora que eu suspeitava que Patrick Malloy era um membro sério da máfia e eu tinha um encontro com ele, eu deveria ter ficado com ideia da cesta de frutas. Meu pai estava esperando por mim quando eu abri a porta da frente. Esta não era uma coisa incomum de acontecer, ele estava sempre nas proximidades. Meu instinto me disse que ele tinha uma razão para estar aqui, apesar de tudo. — Patrick Malloy me ligou, Christi. — Oh? — Ele me disse tudo, então você pode parar com isso. — Ok, então eu fui ver Patrick Malloy. — Não, você foi a um bairro violento e perigoso, Christi. Que diabos você estava pensando? — Eu precisava falar com ele e não é como se ele tivesse um escritório na Michigan Avenue. Meu pai ficou em silêncio enquanto ponderava seus pensamentos. Eu o deixei em paz, não querendo lutar uma batalha com dois homens esta noite. — Christi, Patrick é um cara bom e eu quero que você dê a ele uma chance. Eu confio nele. — Bem, bem, porque ele me convidou para jantar. — Eu sei. Ele pediu a minha permissão antes. Apenas me prometa que vai lhe dar uma chance? — Meu pai começou a caminhar em direção à porta. Ele a abriu e se preparou para sair. De repente, ele se virou e disse: — Christi, ele não tem um escritório na Michigan Avenue, mas possui um apartamento no mesmo edifício que a Oprah vive. Uma hora mais tarde eu tinha estava esparramada no sofá com um copo de vinho tinto. Assim que fechei os olhos e ouvi o rangido da ~ 40 ~


casa, comecei a repassar os eventos de mais cedo na minha cabeça. Patrick não tinha agido como eu imaginava. Era evidente que ele e o meu pai eram amigos que gostavam de fofocar sobre mim. Enquanto eu tomava um grande gole do meu vinho, eu quase engasguei. Se Patrick era um membro do crime organizado e ele e meu pai eram tão próximos como eu suspeitava. Seria o meu pai um policial sujo?

~ 41 ~


Capítulo cinco Isso não era um encontro; Seria simplesmente duas pessoas comendo ao mesmo tempo. Todos tinham que jantar, iríamos apenas fazer isso juntos. Shannon quase enlouqueceu quando eu contei a ela. Ela não podia acreditar que eu tivesse levado tanto tempo para descobrir que Patrick fazia parte da Máfia. Ela disse que levou dez segundos para descobrir quem Dillion era. — Como você pode estar bem com isso, Shannon? — Fácil, é apenas um trabalho. Não é diferente de ser um advogado ou qualquer outra coisa. — Ela jogou as mãos em círculos no ar para enfatizar seu ponto. — Você está brincando comigo? Eles cometem crimes graves e matam pessoas. — Eu gritei de volta para ela. — Oh, e eu suponho que você é honesta em tudo que você faz? Pessoas mentem, enganam e roubam todos os dias, Chris. Saia de cima do seu pedestal. Ele é apenas um cara com um trabalho diferente, não o julgue por coisas que você não sabe. Uma vez que isso não era um encontro e só um jantar, eu não estava a fim de perder tempo com me arrumar. Sim, e durou tempo suficiente para o meu pai me ver e me mandar e tirar a calça jeans que eu tinha escolhido. Então, aqui estava eu, bebendo o último gole do meu vinho, usando um vestido envelope preto curto e saltos sexy. Se uma coisa positiva poderia ser dita sobre Patrick, é que ele é pontual. Meu pai correu para a porta da frente como uma criança no Halloween. A outra coisa positiva é que Patrick Malloy estava lindo. Ele parecia tão diferente esta noite. Seu rosto não parecia tão feroz e seu corpo não parecia tão rígido. Esta versão de Patrick eu poderia vir a gostar. — Boa noite, Christi, você está muito bonita esta noite, — disse Patrick com o maior sorriso em seu rosto quando me entregou um enorme buquê de lírios. Meu pai estava tão animado que rapidamente pegou as flores da minha mão e começou a nos conduzir pela porta. Eu sabia que com

~ 42 ~


Patrick na posição em que estava, luxos eram um dado adquirido. O que eu não esperava era a limusine que estava estacionada na frente da minha casa. Eu também não esperava que ele tivesse reservado todo o restaurante apenas para nós dois; bem, nós dois e os quatro caras enormes que estavam sentados do outro lado do salão. O Clair‘s era um super clube local e tinha estado no negócio desde 1900. O edifício era cercado de rumores de ter sido um speakeasy1, com cavernas que corriam no subterrâneo. As paredes eram feitas de tijolos vermelhos e as paredes que separavam as diferentes salas tinham arcos. As mesas eram cobertas com toalhas de linho brancas. Pequenas velas votivas iluminavam a nossa mesa. Patrick, atuando como o cavalheiro que fingia ser, puxou a minha cadeira e, em seguida, tomou o seu próprio assento. Desta vez, eu notei que a arma que ele tinha no início da semana tinha desaparecido. Eu amava a sensação dos edifícios antigos aqui na cidade. Eu sempre me perguntei se os tijolos pudessem falar quão excitantes as histórias seriam. O Clair‘s servia o jantar à moda antiga, e tinha grande orgulho de ser um dos melhores, de oferecer-lhe toalhas quentes para lavar as mãos, de disponibilizar guardanapo de colo para você. Era também o único restaurante da cidade que empregava um sommelier. — Estou impressionada, Patrick, você deve conhecer alguém importante para tê-los convencido a fechar este restaurante numa sexta à noite. Os olhos de Patrick encontraram os meus enquanto seu sorriso, marca registrada surgiu em seu rosto. — Eu adoraria nada mais do que dizer que eu puxei algumas cordas, mas quero ser honesto com você. O Clair‘s tem estado nos negócios da minha família desde que o meu bisavô construiu este edifício e nomeou-o em homenagem a sua primeira esposa. — Honestamente, estou um pouco mais impressionada agora. Eu sempre tive um fascínio por edifícios antigos. — Bem, quando você quiser fazer um grand tour, eu ficarei feliz ser seu guia, levá-la para conhecer as cavernas. Estabelecimento que vende ilegalmente bebidas alcoólicas. Tais estabelecimentos entraram em destaque nos EUA durante a época da lei seca (1920 – 1933, mais em alguns estados). Durante esse tempo a venda, fabricação e transporte (contrabando) de bebidas alcoólicas eram ilegais nos EUA. 1

~ 43 ~


— Elas não são apenas boatos? — Não, o Clair‘s, foi um speakeasy durante a lei seca. — Então eu vou ter que aceitar a oferta de um tour. Patrick pediu um Delmonico e eu escolhi costeletas de cordeiro. A nossa salada foi preparada na lateral da mesa e foi de longe a mais incrível salada que eu já tinha comido. — Então, há outros lugares que a sua família seja proprietária que possam me impressionar? Patrick se recostou na cadeira e limpou o rosto com o guardanapo. — Na verdade, sim, eu recentemente adquiri o edifício em que você trabalha, assim como o salão de banquetes ao lado. — Você comprou aquele prédio? Eu pensei que Charlotte era a dona. — Não, na verdade era de propriedade de uma família rival, eu comprei-o através de uma das minhas empresas fantasmas. Eles não estavam sendo muito profissionais com Charlotte e eu não tolero esse tipo de ação. Eu não estava a fim de perguntar o que tinha acontecido, e claramente não era da minha conta. Eu achei estranho que ele não gostasse de negócios sujos; ele fazia parte da Máfia depois de tudo. — Diga-me, Christi, você gosta de trabalhar para a Senhorita Charlotte? — O que, sem apelidos para ela? Ele riu e, em seguida, tomou um gole de vinho. — Não, eu estou certo de que a Senhorita Charlotte teria me arrastado pelos pentelhos se eu lhe desse um apelido. Comecei a rir junto com ele. Ele estava certo sobre ela ser difícil. Eu tinha aprendido muito com ela quando se tratava de lidar com as pessoas. — Meu avô, de quem eu herdei o nome, me ensinou suas regras para os negócios. Eu as vivo desde que assumi o lugar do meu pai. Ele e o meu pai me ensinaram mais só de me permitir vê-los do que qualquer aula de faculdade que eu já presenciei. — Você foi para a faculdade?

~ 44 ~


Mais uma vez ele começou a rir, — Será que isso te surpreende? Eu fui para Yale, na verdade. — Sinto muito, isso foi muito rude da minha parte. Eu acabei de te estereotipar, não foi? Ele olhou para mim muito sério quando se inclinou e sussurrou: — Sim, você fez isso, Legs, mas você pode se desculpar saindo para um drink comigo. Eu deixei o apelido passar por hora. Afinal de contas, eu tinha acabado de insultá-lo. Não seria grande coisa ter outra taça de vinho com ele. No entanto, eu deveria saber que ele iria querer ir para um lugar diferente para o tal drink. Nosso garçom apareceu novamente e Patrick entregou-lhe o que eu acreditava ser uma grande quantidade de dinheiro. Ele me ajudou com a minha cadeira e mais uma vez estávamos na limusine. Patrick começou a digitar em seu telefone celular e nem chegou a dizer ao motorista para onde estávamos indo. Era quase como se isso tivesse sido pré-planejado. A viagem durou apenas algumas quadras, e nós honestamente poderíamos ter caminhado. No entanto, estando de saltos e vestido, eu estava feliz por ter vindo de carro. Eu reconheci imediatamente o edifício quando paramos em frente. Era o Pieces, o novo clube no centro da cidade. Eu evitava o centro, certas áreas simplesmente não eram seguras. Hoje à noite, porém, a minha segurança não era uma preocupação. Eu sabia que Patrick poderia e iria me proteger. O clube era alojado em um antigo armazém que tinha estado na lista da prefeitura de restaurações para ―tornar a nossa cidade bela‖. A prefeitura oferecia enormes benefícios fiscais para quem assumisse as construções, fizesse reparos, e começasse negócios. Eu tinha lido que a Fundação O‘Leary tinha entrado no jogo e reformado vários edifícios e eu me perguntei se esse era um deles. A entrada do edifício era impressionante. Havia duas portas de carvalho maciças com "Pieces", escrito em verde escuro e delineado em dourado. Eu estava tão ocupada apreciando o edifício que tinha deixado de notar Allyson e Ryan Donnelly em pé do lado de fora da limusine. Eu sorri e Allyson me puxou para um abraço apertado.

~ 45 ~


— Oh, meu Deus, é um prazer vê-la novamente, Senhora Donnelly. — Oh, Christi, é Allyson para você. — Muito bem, Allyson Foi então que eu notei que a comitiva de Patrick havia se juntado a nós. Ternos pretos agora rodeavam Allyson e eu. — Christi, eu tenho alguém com quem eu preciso falar, eu posso deixá-la com Allyson por alguns minutos? Antes que eu pudesse assegurar-lhe que ficaria bem, Allyson fez as honras. — Oh, não se preocupe com a gente, nós vamos colocar a conversa em dia, basta encontrar-nos uma mesa, — Allyson acenou com a mão para Patrick. Patrick me chocou quando se abaixou e pegou a minha mão, levando-me para dentro do prédio. Uma vez lá dentro, eu notei que o lugar parecia um velho pub irlandês fora da Irlanda. O bar era longo e feito de uma madeira bonita parecida com carvalho. O estribo de bronze brilhava sob as luzes que iluminavam o lugar a partir do teto. O bar estava lotado e eu não pensei que iríamos encontrar uma mesa. Eu corei quando homem após homem olhou para Allyson e eu. Eu assisti com espanto quando seus olhos pousaram em seguida em Patrick e na minha mão na dele. Era como se o bar estivesse pegando fogo e as banquetas começaram a se esvaziar. Os homens estavam tropeçando uns nos outros tentando pegar suas cervejas e fazer o caminho para o fundo da sala. Patrick então me levou até o centro do bar e puxou uma banqueta para mim mais uma vez. Ele estalou os dedos e um homem muito bonito apareceu por trás do bar. Patrick instruiu-o a me dar qualquer coisa que eu quisesse e, em seguida, ele se inclinou e beijou a minha testa. — Eu vou tentar não demorar muito. — E com isso ele se juntou a uma mesa cheia de homens de ternos pretos atrás de nós. Olhei em volta e notei um homem em um terno preto em cada lado de Allyson e de mim.

~ 46 ~


— Ele nunca foi sutil em nenhum dia de sua vida, — Allyson riu ao tomar um gole de seu martini. Então eu percebi, tudo isso tinha sido armado. Ele me trouxe aqui para que Allyson pudesse falar comigo. Ele sabia que eu tinha lidado com ela durante vários meses, e considerou-a uma amiga. — Tudo bem, mulher, o que é isso? Eu era capaz de ver a mesa de Patrick claramente refletida nos espelhos pendurados atrás do bar. Ele não estava olhando para mim, mas eu podia vê-lo falando com os homens na mesa. — Ele me disse que você apareceu no Whiskers sozinha na outra noite. Eu tenho que admitir, Christi, você tem bolas. Eu tomei um gole do meu martini e, em seguida, cruzei as pernas em sua direção. — Eu não diria necessariamente isso. Em retrospectiva, foi realmente estúpido e eu poderia ter sido ferida. — Ele nunca deixaria isso acontecer, você sabe? — Eu balancei minha cabeça. — Ele não vai estar sempre por perto para me proteger. — Isso não é verdade, Christi. — Sério? — Meu tom era condescendente. — Patrick tem sempre um olho em você. Eu olhei para o espelho novamente e vi que Patrick ainda estava falando com os homens na mesa. — Não, ele não tem, ele está tendo uma conversa logo ali, veja, olhe no espelho. Allyson sorriu e balançou a cabeça, — O barman, Christi. Ele não esteve mais do que alguns metros de nós desde que Patrick lhe deu suas instruções. Eu não tinha notado isso até agora, mas ela estava certa. — Eu aposto que você também não vê o carro que segue você o dia todo? — Que carro? — Questionei.

~ 47 ~


— Meu ponto, exatamente. Allyson e eu permanecemos sentadas em silêncio por alguns minutos. Enquanto eu continuava a saborear a minha bebida, eu percebi mais avisos no local. Quando cheguei, havia principalmente homens que você iria encontrar em qualquer bar de esquina desfrutando de uma bebida depois do trabalho. Agora, além deles, havia senhoras vestidas com esmero, reunidas em torno das mesas saboreando bebidas coloridas. Havia mais fatos do que eu já tinha visto. Uma cena de Goodfellas veio à minha mente, onde o personagem principal entrava no local e imediatamente uma nova mesa era colocada perto do palco para ele e sua acompanhante. — Você sabe quem e o que Patrick faz, não é? — Não demorou muito tempo para descobrir, embora minha irmã discorde. Shannon e eu mal tínhamos trocado duas palavras depois daquela conversa. Ela sentiu que eu estava errada por não querer nada com Patrick. Talvez Dillion não fosse o cara bom que ela merecia depois de tudo. — Ele é um homem muito poderoso, Chris. Eu tomei outro gole e balancei a cabeça, — Eu pensei isso. Allyson, em seguida, virou-se para mim e colocou a mão no meu joelho. Eu olhei primeiro a mão dela, e depois de volta para seus olhos. — Ele pode ser o homem mais poderoso na cidade, mas agora, você tem mais poder do que ele. Eu pisquei para ela e depois inclinei a cabeça para o lado. — Como você sabe? — Ele está disposto a fazer praticamente qualquer coisa para tê-la ao lado dele. E tão rapidamente quanto chamou a minha atenção, ela perdeu. — Eu não posso dar a um homem como ele o que ele precisa, — eu disse quando virei meu corpo de volta para o bar. — Me diga, o que você acha que um homem como Patrick precisa? Comecei a passar o dedo ao redor da borda do meu copo. — Allyson, eu vi Casino e O Poderoso Chefão, e eu já assisti episódios ~ 48 ~


suficientes dos Sopranos para saber que se espera que as mulheres que estão junto aos homens poderosos ignorem certas coisas. — Por favor, me ilumine, que tipos de coisas? — Allyson questionou, defensiva presente em sua voz. — Porque eu tenho certeza que sou casada com um dos homens de seu círculo íntimo e não acontece muita coisa que eu não fique sabendo. Eu virei o meu corpo de volta para o dela, — Ok, por exemplo, é esperado que as mulheres virem a cabeça de modo que os homens possam ter uma Goomah, e eu não posso fazer isso. Eu não posso simplesmente me sentar e deixá-lo ter seu pau chupado sob a mesa de jantar só porque ele carrega uma arma. Eu só não consigo ser assim. — Deixe-me interrompê-la um instante; Goomah é italiano, Patrick está cheio de sangue irlandês, por isso seria Mot. Além disso, sua Ma iria matá-lo se ele tentasse o que os italianos fazem e os irlandeses são diferentes em muitas formas além da nacionalidade. Essa coisa toda sobre amantes é desaprovada, ele perderia o respeito de seus homens. — Por que eu, então? Por que não uma das loiras oxigenadas que andam penduradas nele quase toda vez que eu o vejo? Elas seriam mais adequadas para ele do que eu, especialmente aquela com os peitos enormes. — Quem, Harley? — Allyson fez um olhar de desgosto. — Sim, ele a chamou de Harley. Por que não ela? Allyson se virou para o bar e tomou outro gole de sua bebida, antes de fazer sinal para o garçom pedindo outra. — Senhorita O'Rourke, eu posso lhe trazer outro? — Não, obrigada, estou bem por agora. — Primeiro, — Allyson começou quando o bartender se afastou. — Harley não é irlandesa, ela é realmente italiana. No entanto, é mais do que isso; ela não tem esse apelido por acidente. — O que, ela gosta da marca de moto? — Não, ela tem esse nome porque ela chupa com fervor o suficiente para dar partida em uma Harley.

~ 49 ~


Eu comecei a engasgar com a minha bebida e notei que vários homens no recinto voltaram sua atenção para mim, assim como o barman que se aproximou para se certificar que eu estava bem. Eu me recuperei rapidamente e pedi um copo de água. Uma vez que me recompus, agradeci ao barman que me informou que seu nome era Devin. — Então, você está dizendo que é importante para Patrick ficar com uma mulher irlandesa? — É inegociável, na verdade. Ele pode escolher quem, mas ela tem que ser descendente de irlandês completa. Patrick deve produzir herdeiros irlandeses de sangue puro. — Então por que ele não faz uma viagem para a Irlanda, escolhe uma menina, e, em seguida, leva ao altar? — Isso seria o ideal, certo? Até onde qualquer pessoa pode recordar, arranjos foram feitos, porém, os Malloy já fizeram casamentos entre outras famílias irlandesas influentes. No entanto, quando Thomas fez o acordo com os McCreary para Patrick, foi antes que o Sr. e a Senhora McCreary tivessem oito meninos. Eu tive que rir, pois isso tornaria mais difícil produzir um herdeiro. — De qualquer forma, só aconteceu que Thomas se aliou com um velho amigo, o seu pai, e lhe fez uma oferta. As palavras do meu pai voltaram, 'Ele disse que podia precisar de um favor um dia'. — Por favor, não me diga que... — Oh, não, Christi seu pai disse a Thomas que Patrick teria que ganhar a mão de sua filha se ele realmente a quisesse. Você apenas tornou mais fácil para ele se aproximar de você, indo até o Whiskers. Eu olhei de novo para Patrick no espelho. Desta vez, ele olhou diretamente para mim e piscou. — Escute, Christi, deixando de lado o que ele faz apenas por um momento, no final do dia ele é um cara muito bom. Eu já sabia que ele era um bom rapaz, a razão pela qual eu estava sentada nesse bar era porque ele era um bom rapaz. — Christi, você já se perguntou por que os homens dele evitam contato visual com você? Ou por que Harley se esforça para ficar ao ~ 50 ~


lado dele? — Eu apenas balancei a cabeça. — É porque ele impõe muito respeito e carrega tanto poder. — Allyson se inclinou para mim novamente e baixou a voz: — Agora que você sabe tudo isso, me diga por que você não desfruta deste novo poder que você tem sobre ele, hmm? Eu não queria ter este chamado, poder, sobre ele. Eu só queria dizer obrigada, não começar uma guerra. — Sim, mas Allyson, casamentos arranjados, armas, drogas... — Espere, Christi, o casamento arranjado não é mais como era nos tempos passados. Ryan e eu tivemos um casamento arranjado. Fomos apresentados, uma vez quando eu tinha dezesseis anos e tivemos a escolha de casar ou não. Foi o mesmo com Paige e Caleb, é para fortalecer as famílias. — Espera... Paige também...? — Sim. — Oh, uau, Caleb fala tão bem dela. — Isso é porque ele é completamente apaixonado por ela. Caleb e Amex são almas gêmeas, é perfeito. — Amex? — eu olhei para ela confusa. — Oh, sim, você não foi educada nos apelidos de Patrick. Bem, você já sabe que você é Legs. — Sim, eu estou bem ciente, e eu não posso dizer que eu tomo isso como um elogio, para mim é mais como um nome de pornô ruim. — Eu sabia que gostava de você por uma razão, — Allyson riu quando bateu no meu pé. — Paige é Amex, porque ela pode queimar através um limite de cartão de crédito como ninguém. Ryan é Muscles porque, bem, ele tem um monte deles, e eu sou... — Espere, deixe-me adivinhar. — Allyson era uma mulher bonita, seus cabelos castanhos escuros e olhos castanhos eram parar o trânsito, ela também era muito bem dotada. — Meu palpite é Stacks, devido aos... — Meus peitos? Não, é Ammo. Eu posso desmontar e montar qualquer arma que você colocar na minha frente em menos de quinze segundos. — Ela falou com orgulho e eu suspeitava que ela tivesse uma arma em algum lugar junto ao corpo. ~ 51 ~


Eu me senti tão horrível por ter dito aquilo para ela. — Allyson, eu sinto muito... — Não, você não tem que se desculpar com palavras, os Malloy são uma família de ação e eu quero lhe mostrar uma coisa. Allyson deslizou a bebida longe dela e agarrou sua bolsa. Ela saiu com fluidez de seu banco. Envolvendo o braço em mim, ela se inclinou e sussurrou: — Você está ciente de que se sentam naquela mesa alguns pesos muito pesados no mundo de Patrick? — Eu balancei minha cabeça. — Qualquer homem nesta sala prefere comer sua própria língua do que interromper a conversa, mas se você tivesse que ir até lá agora, eles iriam dar à Senhorita O'Rourke a vida. E Patrick, ele iria parar o que está fazendo para conceder qualquer pedido que você tivesse ali mesmo. Goste ou não, por beijar sua testa, ele disse a todos nesse lugar quanto você é importante para ele. Quer ver se eu estou certa? Eu revirei os olhos para ela, — Eu preciso ir ao banheiro feminino. Desde o começo da conversa com Allyson, eu estava agora mais consciente das coisas acontecendo ao meu redor. Eu vi como as pessoas que estavam no nosso caminho de repente saíam da frente sem termos que pedir. Quando chegamos ao banheiro das senhoras, havia uma fila de seis mulheres esperando. Assim que entramos na sala de espera, todas as seis saíram da frente para nos permitir o primeiro lugar da fila. Allyson abriu a porta e eu a segui. De pé ao lado da pia, no entanto, estava a garota que estava com Kevin naquela noite no bar de jazz. Ela não percebeu Allyson ou eu entrando enquanto se inclinava sobre o balcão e aspirava um pouco de pó branco. Eu assisti com horror quando ela passou a nota enrolada à menina que estava ao seu lado, Harley. Saber o que elas estavam fazendo me fez lembrar das razões por trás da morte de Colleen. Eu me virei tão rápido quanto podia e voltei para o bar. Eu não podia e não iria tolerar qualquer coisa a ver com o uso de drogas ilegais. Eu praticamente corri de volta para a banqueta que estava sentada e virei a esquina para dizer a Patrick que eu precisava sair. As palavras de Allyson sobre os membros da mesa foram totalmente esquecidas com o meu desejo de ficar o mais longe possível daquelas meninas. Meus passos não diminuíram quando eu cheguei a uma parada abrupta na mesa. Eu não tinha ideia do que estava sendo dito, e eu não me importava.

~ 52 ~


— Sinto muito por interromper, senhores, — Eu virei para Patrick. — Patrick, eu tive momentos maravilhosos esta noite e muito obrigada pelo jantar, mas eu tenho que ir. Eu não esperei pela resposta dele, simplesmente me virei e corri para a porta. Eu não tinha ideia de como Patrick chegou à porta do bar tão rápido, mas ele conseguiu abri-la para mim. O motorista da limusine estava em pé ao lado do carro com a porta aberta e esperando. Eu rapidamente deslizei para dentro e fechei os olhos, descansando minha cabeça contra o encosto do assento. O telefone de Patrick tocou e eu o ouvi atender, mas não processei o que ele estava dizendo. Abri os olhos e deixei escapar a respiração que eu estava segurando. Notei que Patrick estava no meio de outra ligação. Ouvi o barulho abafado enquanto ele escutava, mas eu não podia ouvir direito a conversa do outro lado. — A cheadaítear Michelle imo mbarra. Eu tinha certeza que ele estava tentando esconder a conversa de mim falando em gaélico, mas eu tinha passado verões com a minha avó o suficiente para ser fluente. Além de que você não poderia viver na região de Chicago que eu morava e não aprender. A menina do bar Jazz se chamava Michelle, ele estava chateado que ela tenha sido autorizada a entrar no bar... bar dele aparentemente. — Bhí sí ag déanamh buille arís le Harley. Agora ele estava chateado porque a loira oxigenada, Harley, estava com ela. — Aimsigh agus a dhéanamh air seo a ghlanadh suas. Eu deveria saber que Kevin ainda estava trabalhando para ele, ele deu instruções a quem quer que ele estivesse falando para fazê-lo limpar a situação. Ele estava mandando matar Michelle? Eu tremi quando pensei nisso. — Tá mé ag cur Lei ir dtí theach mo. Sua última frase me fez querer saltar do carro em movimento, pois ele disse que estava me levando para sua casa.

~ 53 ~


Ele fechou seu telefone e permaneceu em silêncio enquanto olhava para fora pela janela. Ele estendeu a mão e gentilmente pegou a minha. — Você sabe que eu sou fluente em gaélico, certo? Ele riu quando virou o rosto para mim. — Sim. — Então por que você apenas não falou Inglês no telefone? — Perguntei como se fosse a coisa mais estúpida que eu já tinha ouvido. — Porque, a pessoa com quem eu estava falando não fala Inglês Bem... você podia ter dormido sem essa. Quando o motorista finalmente parou na garagem subterrânea, Patrick nunca soltou a minha mão desde que me ajudou a sair do carro até o elevador, onde deslizou um cartão dourado em uma fenda na parte superior do painel de números. A viagem foi rápida e a porta se abriu para o que eu assumi ser o seu apartamento. O chão era de madeira e as paredes pintadas em um tom neutro de creme. O lustre que pendia do teto era moderno e bonito. O cômodo em que estávamos parecia ser um hall de entrada. Eu vi que em frente a nós havia um longo corredor que levava a uma parede de janelas. Eu não esperei por um convite e caminhei pelo corredor até a vista para a cidade. Meu olhar pegou a roda gigante no Navy Pier e prendeu minha atenção. Esta tinha sido uma noite interessante; definitivamente não era o que eu tinha planejado, apesar de que parecia ser a norma quando se tratava de Patrick. Eu vi como as luzes na roda mudavam a todo instante, como os acontecimentos dos últimos dias. Eu já não sentia que podia confiar em minha intuição quando se tratava das pessoas ao meu redor. — Venha se sentar e conversar comigo. Eu me virei e vi que Patrick tinha colocado duas taças de vinho na mesa de centro. Ele estava mantendo sua palavra sobre ser um cavalheiro e estava esperando por mim para se sentar. Eu lentamente caminhei ao redor da mesa e me sentei ao lado dele. — Sinto muito sobre o banheiro, Christi, ela não deveria estar lá. — Não é culpa sua, Patrick. Ela não percebe que está jogando a vida fora.

~ 54 ~


— Não, ela sabe disso, ela simplesmente não se importa. Eu tentei fazê-la obter ajuda, mas ela não está pronta. Escuta, eu sei que Allyson teve uma conversa com você hoje à noite... — Aquilo foi armado, não foi? — Minha Ma pensou que soaria melhor vindo de uma mulher, uma que você já conhecia. — Eu entendo porque você fez isso, — Eu suspirei. — Então você não está chateada comigo? Eu ri quando me virei para ele. — Não, eu não estou brava com você, — eu olhei diretamente para ele e falei: — Mas eu não posso ser o que você precisa, Patrick — Eu me inclinei para frente e peguei a taça de vinho da mesa e tomei um grande gole antes de continuar. — Eu me recuso a ser um acessório para você usar quando sentir vontade. Eu me recuso a fechar os olhos para as atividades extracurriculares que você sentirá necessidade de ter. Patrick se inclinou para frente, apoiando os antebraços nas coxas. — Quem disse que é isso o que eu quero ou preciso? — Por favor, um homem na sua posição tem um papel a desempenhar. — Então você está dizendo que cada empresário de sucesso é um mulherengo? — Você sabe o que eu quero dizer. — Claramente eu não sei, Christi. Se eu quisesse um brinquedo sexual sem classe ou educação, eu estaria com Harley aqui. O que eu quero é uma bela senhora altamente inteligente. — Por que você a mantém por perto então? — Bem, eu suponho que você saiba por que eu a chamo de Harley? — Sim, Allyson me contou sobre os vários apelidos que você deu para as pessoas, — Eu ri quando me lembrei da conversa. — Bem, mesmo que ela tenha a boca aberta na maioria das vezes, ela sempre tem seus ouvidos abertos, também. Os homens parecem querer dizer a uma mulher que atualmente está de joelhos todos os

~ 55 ~


tipos de coisas interessantes. Ela só sente a necessidade de contá-las para mim. — Então, você e ela nunca...? — Eu? Foder Harley? Não nesta vida. — Seu tom estava pesado de desgosto. — Bom saber. A conversa que eu tinha tido com Allyson passou pela minha cabeça. Patrick tinha sido mais que generoso com a minha família. Eu poderia realmente ter um relacionamento com ele? — Vamos, Christi, o que você diria? Nos dê uma oportunidade. Você nunca sabe o que pode acontecer. Sim, era essa última parte que me deixava preocupada.

~ 56 ~


Capítulo seis Na manhã seguinte, liguei para meu pai e pedi que ele me encontrasse para o café da manhã na lanchonete perto da minha casa. Depois da noite passada, eu estava definitivamente mais consciente dos meus arredores e notei que o sedan preto não estava à vista. Eu estacionei meu carro e caminhei até a lanchonete. Quando éramos meninas, papai nos trazia aqui o tempo todo e pedia panquecas com morangos e chantilly para a gente. Embora eu tivesse mudado para café e uma omelete, a lanchonete ainda era a mesma. Meu pai já estava sentado com uma caneca de café contra os lábios quando eu me sentei em frente a ele. — Bom dia, papai. — Bom dia, Christi. — Seu rosto abriu-se num sorriso largo. Doris, a mesma garçonete que tinha me servido aquelas panquecas anos atrás, estava à minha esquerda, servindo a minha primeira de muitas xícaras de café. — Bom dia, Christi. A omelete de queijo já está na grelha e deve sair em breve, — Doris falou em seu tom amigável habitual. — Obrigada, Doris. Como está a sua família? — Todo mundo bem, Ian está no segundo ano de faculdade de medicina e Maria acaba de ficar noiva. O sino apitou três vezes indicando que a comida estava pronta, por isso, Doris pediu licença para pegá-la. Eu tomei um gole muito necessário do meu café e deixei a cafeína tomar conta do meu sistema. — Então, como foi? — Meu pai perguntou. Eu não olhei para ele quando eu respondi: — Eu tenho certeza que você já sabe. — Eu sei que ele quer ter um relacionamento com você e eu dei a minha bênção.

~ 57 ~


— Jesus, Pai, nós não estamos em 1800, eu não preciso da sua benção para ter um namorado. Meu pai só me olhou por cima de sua caneca de café. Eu sabia que ele era da velha mentalidade, onde se pedia permissão para a família. Eu também sabia que se eu decidisse namorar Patrick, meu pai iria assumir que um casamento não demoraria a acontecer. — Ele me deu muito o que pensar, — eu respondi, olhando para o líquido cor de caramelo que descansava na minha caneca como se ela tivesse as respostas que eu precisava. Meu pai colocou sua caneca na mesa e cruzou as mãos sobre o tampo. — O que há para pensar? Você sai para jantar com ele, ele lhe dá um anel, chamamos o sacerdote, e nessa mesma época, no próximo ano eu terei mais netos. Revirei os olhos para ele quando ele riu, embora eu soubesse que ele estava falando completamente sério. — Eu não posso ser o que ele precisa, pai. Meu pai inclinou a cabeça para o lado e me deu um olhar confuso. — Não pode ser o que ele precisa? — Sim, Pai, ele é um homem de poder e está acostumado a ter as coisas à sua maneira. O que eu tenho certeza que inclui qualquer mulher que ele queira, quando ele quiser. — Eu respirei fundo e movi meu olhar brevemente para olhar pela janela. Eu notei um cara em um terno preto que na esquina. Voltei minha atenção para o meu pai, — eu não posso fechar os olhos para ele ter outras mulheres, pai. Eu não me importo quanto dinheiro ele tem, quantas pessoas ele conhece, ou quantas coisas boas ele faz para as pessoas. Eu mereço ser amada e respeitada, e ele não pode realmente fazer isso se estiver saltando de cama em cama. — É como chama hoje, Saltador de camas? — O escritório dele fica em um Clube de Strip, Pai, o que você acha? — Eu acho que você está assumindo coisas que não sabe e isso não é justo. Ele tinha um ponto, eu estava assumindo.

~ 58 ~


— Por que você de repente é o maior fã dele? Você se lembra o que ele faz para viver? Esqueceu que você ainda é um policial? Ou isso mudou também? Eu sabia logo que as palavras saíram da minha boca que eu tinha cruzado uma linha. — Christina Anne, estou bem consciente do meu dever e eu não preciso de você para me lembrar qual é. Meu conselho a você é parar de apontar o dedo para Patrick e lembre-se que sempre há três apontando de volta para você quando você faz isso. Eu opto por deixar certas atividades escorregar e olho para o outro quando necessário. Porque no final do dia, Patrick e Thomas Malloy têm feito uma grande dose de coisas boas para esta cidade. Suas palavras doeram e eu sabia que ele estava certo. Pessoas que afirmaram ser honestas enganavam o sistema todos os dias. Se era um banqueiro ou um professor ou até mesmo um médico, as pessoas às vezes faziam coisas ilegais. — Desculpe, pai, você está certo. — É essa a única razão pela qual você não vai lhe dar uma chance? Eu pensei por um segundo e tomei outro gole de meu café. — Eu simplesmente não consigo ver como você pode ficar bem em ser envolvido neste processo. Além do fato de ele possivelmente querer outras garotas além de mim, e sobre as outras coisas associadas com o crime organizado? E a prostituição, armas e drogas, pai? Eu sei que você não concorda com drogas ilegais. Eu vi como o meu pai tomou outro gole de café. — Bem, desde que você mencionou, os Malloy não estão envolvidos no tráfico de drogas. Essa é uma área que eles deixam para os Porchelli. Eu senti arrepios na minha espinha com a menção desse nome. Os Porchelli eram uma família bem conhecida do crime italiano em Nova Iorque e Miami. Eles eram conhecidos por ser muito violentos e nada os impedia de conseguir o que queriam. Eu tinha lido artigos de notícias, onde alguns membros tinham até matado filhos de pessoas que se colocaram em seu caminho. — Você chegou a perguntar a Patrick sobre o seu envolvimento em todas essas atividades 'ilícitas'?

~ 59 ~


— Por que eu iria perguntar isso a ele, pai? Ontem à noite era para sermos apenas duas pessoas saindo para jantar, não um curso de noivos. Antes que o meu pai pudesse responder, uma figura escura apareceu no fim da mesa. — Sr. O'Rourke, Senhorita O'Rourke, peço desculpas pela interrupção. O Sr. Malloy deseja estender-lhe desejos de uma boa manhã e me instruiu a lhe entregar isso. — Sua mão coberta de luva deslizou uma caixa de veludo preta e longa até o meio da mesa. A fita verde que a rodeava me lembrou dos olhos de Patrick. — Sr. Malloy também pede que você permita que ele cuide da conta, o que eu já fiz. Meu pai agradeceu ao homem muito grande e ainda apertou sua mão antes de se sentar novamente. — Bem, acho que isso responde a minha pergunta se vocês dois estão namorando agora, — meu pai riu e tomou outro gole de café. — Eu não concordei em namorá-lo, pai. — Ele rapidamente largou a xícara de café e olhou para mim interrogativamente. — Ele me disse que não precisa ter uma amante. Eu disse que ele teria que provar que isso era verdade, e que ele podia dizer qualquer coisa, mas isso não a tornava verdade. Meu pai só abaixou a cabeça e balançou para um lado e para o outro. — Bem, então eu espero que você esteja pronta para ser cortejada, porque você deu a ele um desafio. Tenho a sensação de que isso é algo que ele vai desfrutar mais do que você. Até o final do dia, eu veria quão verdadeiras as palavras do meu pai eram. Eu não me incomodei em olhar dentro da caixa de veludo; não precisava ser um cientista da NASA para me dizer que era uma pulseira e, provavelmente, bem cara. Joguei a caixa na minha bolsa e me dirigi para o trabalho. Eu tive que parar para abastecer e uma vez que eu tinha parado, notei que o sedan preto estava estacionado atrás de mim na bomba. Eu tinha acabado de sair do meu carro quando o mesmo homem grande saiu, pegou o bico, e começou a encher o meu tanque. Ele enfiou a mão no bolso e me entregou um envelope grande. — Senhorita O'Rourke por favor, abra este. Você não gostaria de me meter em problemas, não é? ~ 60 ~


Seu sorriso era genuíno quando ele terminou de encher meu tanque. Uma coisa era certa, Patrick estava cercado de pessoas leais e eficientes. Peguei o envelope e abri. Dentro eu encontrei um cartão dourado cartão em forma de cartão de crédito. Uma pequena nota estava envolvida em torno dele. Christi, Da próxima vez que você quiser me fazer uma visita, venha para o meu apartamento, não ao meu antigo escritório. Eu quero mantê-la segura. Patrick Eu não tinha estado nem por trinta segundos no meu escritório quando ouvi uma batida na minha porta. Um grande buquê de flores fez sua entrada seguido por Charlotte. Ela o colocou na ponta da minha mesa e me deu um sorriso torto. — Alguém causou uma boa impressão, — ela falou com uma voz monótona. — UGH! — Gritei e me joguei na minha cadeira. Eu podia ouvir meu pai rindo da minha dor. — Eu acredito que esta não é a primeira coisa que você recebeu esta manhã? — Ela questionou enquanto se servia de uma xícara de café antes de caminhar lentamente até a minha mesa e tomar um assento. — Não, mas eu espero que seja a última. — Por que você iria querer isso? Você tem um homem dando alguma atenção séria para você e você quer que ele pare? Charlotte questionou com um tom chocante. Eu acho que para algumas mulheres, isso seria considerado romântico, mas para mim, parecia mais um desafio. Patrick estava tentando me desgastar. — Sim, porque ele é apenas... ugh! Charlotte se inclinou sobre a mesa e falou muito suavemente. — Fale comigo, Christi. — Ela olhou para mim com tristeza e preocupação.

~ 61 ~


— Ele quer um relacionamento comigo. Ele me pediu para nos dar uma chance. — Você não quer isso? — Eu... eu quero... mas eu não acho que posso ser o que ele precisa. — O que ele precisa? Uma namorada? Alguém para compartilhar o jantar, ir ao cinema? — Charlotte, vamos falar sério. É de Patrick Malloy que estamos falando, ele não fica na fila do cinema ou faz caminhadas no parque na tarde de domingo. Ele carrega uma arma, tem homens que carregam armas em torno dele constantemente, e o escritório dele é em um clube de strip. Ele é um chefe da máfia pelo amor de Deus! Ele precisa de alguém que carregue uma arma, que adore vestidos curtos e vulgares, viciada em sexo que esteja contente em virar a cara. Eu nunca serei assim. — Eu disse exasperada. Por que eu era a única que via isso? Patrick precisava de alguém como aquela cadela vulgar com o vestido de couro de poliéster que estava com ele na outra noite. Ele escolhia ter esses tipos de mulheres ao seu redor, por isso era óbvio para mim que elas eram o que ele realmente preferia. Charlotte olhou para os sapatos e depois de volta para mim. — Ele também é dono da maioria dos edifícios nesta parte de Chicago, contribui com milhões de dólares por ano para várias instituições de caridade na cidade, e vai à missa em Saint Patricks todos os domingos com a família, o que, me corrija se eu estiver errada, é muito mais do que você. A última vez que participou da missa, jovem, foi... quando? Maldição! Eu tinha uma reunião programada com Nora e Paige esta tarde para começar a planejar festa de noivado de Paige. Eu tinha algumas coisas para fazer antes da reunião, mas honestamente, eu estava preocupada que um dos homens de Patrick me seguisse e pagasse pelos absorventes internos que eu precisava comprar. Antes que eu pudesse sair pela porta da frente, Charlotte veio correndo atrás de mim. — Christi, mudança de planos, você irá encontrar as senhoras no Amore para um almoço. Eu não tive um único segundo para questioná-la, pois uma voz rouca falou atrás de mim. ~ 62 ~


— Senhorita O'Rourke, seu carro a aguarda. Eu virei meu corpo em direção a voz para ver o mesmo motorista de ontem à noite abrindo a porta traseira de um sedan preto. Decidindo contra um argumento, eu cruzei a calçada e me dirigi para o carro. Não era culpa deste motorista, não foi ele quem me deixou com raiva e eu não pretendia descontar nele. Este homem meio que só estava fazendo seu trabalho. Eu me fiz confortável quando ele fechou a porta atrás de mim. — Senhor? — Eu questionei uma vez que ele estava sentado atrás do volante. — Sim, Senhorita O'Rourke? — Desde que eu tenho um sentimento verei muito você, eu posso saber o seu nome, por favor? Olhando para mim através do espelho retrovisor, ele assentiu. — É Angus, Angus McCoy, Senhorita O'Rourke. — Ele falava com um sotaque irlandês espesso e seus olhos cinzentos não olhavam nos meus. Seu rosto me lembrou de Liam Neeson quando jovem. — Muito bem, Angus, e no futuro, é Christi. — Sinto muito, Senhorita O'Rourke, o Chefe disse para eu me referir a você como Senhorita O'Rourke. — Bem, Angus, ele não está aqui agora, não é? — Desculpe, Senhorita O'Rourke, eu tenho ordens a seguir. Eu não podia discutir com Angus, ele era leal a Patrick, mesmo que ele não estivesse por perto. Eu iria me lembrar disso no futuro. Mal sabia eu que o fato iria vir muito a calhar. Angus me deixou em vinte minutos no Amore, um restaurante ao norte da Michigan Avenue. Havia um grande toldo verde pendurado sobre a entrada e área coberta com manobrista. Angus estacionou e um homem em vestindo terno vermelho abriu a porta para mim. — Boa tarde, Senhorita O'Rourke, é excelente vê-la, — disse o homem de terno a mim. É evidente que ele trabalhava para Patrick já que sabia meu nome. — Obrigada.

~ 63 ~


A porta do restaurante estava sendo segurada por um homem de terno preto e eu não tinha dúvida de que ele também era um dos contratados de Patrick. Eu passei pela porta, agradecendo ao homem que a manteve aberta para mim. Ele inclinou a cabeça, mas não fez contato visual. Uma loira peituda vestindo um terno preto justo estava esperando por mim quando eu entrei no foyer. Ela parecia familiar, mas eu não tive muito tempo de refletir sobre isso antes de ela se virar, secamente se dirigindo a mim. — Senhorita O'Rourke, siga-me. Senhora Malloy está esperando na sala do jardim. A loira me deu uma olhada rápida de cima a baixo por cima do ombro com os lábios cerrados e a testa franzida; ela estava me avaliando claramente. — Oh, Christi, como é adorável vê-la novamente, minha jovem. — Nora levantou-se da cadeira e me cumprimentou com um beijo na bochecha. Paige estava sentada à sua esquerda e Allyson à sua direita. Eu vi apenas uma cadeira vazia e eu esperei que a loira a puxasse para mim. — Obrigada, eu posso fazer isso. — Eu disse à loira enquanto tomava a minha cadeira dela. — Como quiser, — ela retrucou e então rapidamente se virou e saiu da sala. — Oh, querida, sinto muito por Simone, eu não sei por que Patrick não a demitiu ainda. Ela geralmente não é assim tão rude, porém, — Nora declarou enquanto eu tomava o meu assento. — Isso é porque ela sabe Patrick tem os olhos na nossa Christi, Ma, — Paige afirmou. — Caleb disse-me que ele beijou sua testa na outra noite no bar. A palavra viaja rápido para uma cidade tão grande. — Acrescentou Paige — Como se isso fosse mudar alguma coisa quando se trata de Patrick, você sabe tão bem quanto eu que ele não atravessa essas linhas. — Allyson falou, com a voz grave. — Espere... Patrick é dono deste lugar, também? Todas as três senhoras olharam diretamente para mim, e então começaram a rir.

~ 64 ~


— Sim, Christi, Patrick possui uma grande quantidade de restaurantes, bares e hotéis aqui em Chicago, — Paige me informou. — Christi, por favor, diga que você perdoa a minha intriga da noite passada, — Nora falou, mudando de assunto completamente. Eu sorri para ela. Eu sabia que ela só tinha boas intenções e eu duvidava que ela já tivesse ouvido um não durante toda a sua vida. — Não há nada a perdoar, eu lhe garanto. — Então, meu filho me disse que você lhe deu algum trabalho de casa, por assim dizer. — Como? — Eu questionei, totalmente pega de surpresa. — Não se preocupe, eu acho que será bom para ele trabalhar por algo e seu pai estava certo em dar-lhe a escolha e não apenas entregar a sua mão a ele. Você é exatamente o que ele precisa, Christi. Você tem uma boa cabeça sobre esses seus ombros bonitos, e será bom você não apenas cair aos pés dele. Ele precisa trabalhar duro por alguma coisa de vez em quando. Eu fiquei espantada com as palavras de Nora. Ela pensou que eu estava jogando algum jogo com Patrick, mas o que eu não estava certa. — Nora, eu sinto a necessidade de esclarecer algumas coisas para você. Eu não concordei com um relacionamento com o seu filho não porque eu estou fazendo algum tipo de jogo com ele, mas eu sinceramente sinto que há alguém mais adequada às suas necessidades do que eu. Eu realmente não quero nada dele. — Eu te disse, — Allyson me interrompeu. — Oh, eu concordo, Allyson, ela é perfeita. — Nora tomou um gole de sua xícara de chá e, em seguida, se dirigiu a mim novamente. — Você é exatamente o que Patrick precisa. Ele sempre teve tudo entregue a ele, desde que usava calças curtas. Pela primeira vez na vida eu acredito, ele tem que trabalhar no sentido de conseguir o que quer. Agora, a minha pergunta para você é... você está pronta para a tempestade tropical Patrick? — Sinto muito, mas eu não entendi, que tempestade? Todas as três senhoras começaram a olhar uma para a outra rindo. Paige falou primeiro.

~ 65 ~


— Quantos presentes você recebeu dele hoje? — Três. — Só três? Ele realmente não está levando isso a sério, não é? Paige tinha acabado de pronunciar as palavras, quando o garçom trouxe um prato de comida e colocou na minha frente. — Sinto muito, eu não pedi isso, — eu disse a ele. — Não, senhora, o Sr. Malloy deu instruções para servi-lo para você com os cumprimentos dele. Eu olhei para o prato na minha frente. Era um grande e espesso corte de carne com osso descansando em um dos lados. Parecia incrível e cheirava celestial. Eu não queria nada mais do que a mergulhar naquele bife. — Senhor, você pode remover este prato e em seguida me trazer uma salada Caesar, por favor? Ele olhou para mim confuso e, em seguida, levou o prato. — O prazer é meu, Senhorita. — Você percebe que acabou de enviar de volta o steak house que é maturado por três meses e custa mais de duzentos dólares? — Nora me questionou. — Eu não queria bife no almoço, eu queria uma salada. Ele não pode me fazer comer algo que eu não quero. — Oh, minha doce moça, você é mais perfeita do que eu pensava. No entanto, eu gostaria de tomar chá com você esta semana. Eu tenho algumas coisas que gostaria de discutir com você. Eu queria simplesmente dizer a Nora que ela poderia muito bem me dizer o que precisava aqui e agora, algo me dizia que não só esta família era forte, mas que também não havia segredos dentro do círculo íntimo deles. Minhas suspeitas estavam corretas quando eu finalmente parei na farmácia; minhas compras já tinham sido pagas, incluindo as pílulas anticoncepcionais de Shannon. Eu fiz a caminhada de duas quadras de volta ao escritório para encontrar o sedan preto estacionado do outro lado da rua. Desta vez, eu me senti corajosa e acenei para o motorista.

~ 66 ~


Uma vez lá dentro, eu joguei a bolsa na cadeira e comecei a lidar com o meu trabalho. Fazia quase duas horas desde que eu tinha recebido qualquer entrega e comecei a pensar que ele tinha finalmente desistido. Eu tinha certeza que Nora ou uma das garotas havia ligado para ele e dito que eu tinha mandado de volta a comida que ele pediu, e, pior ainda, que eu tinha pago o meu próprio almoço e dado ao garçom uma gorjeta. Eu ainda não tinha aberto o primeiro presente que ele me deu esta manhã e, honestamente, eu não senti que deveria. Eu iria devolver a ele. Era justo, já que eu não pretendia ter um relacionamento com ele, que ele deveria ir para alguém que quisesse. Charlotte veio quicando e sentou-se no canto da minha mesa. — Você é uma mulher de coragem, meu amor. — O que? — Devolver um presente de Patrick Malloy, isto, minha cara, é corajoso. Eu fechei os olhos e joguei a cabeça para trás contra o encosto de cabeça. Eu estava tão cansada disso. — Charlotte, eu vou devolver tudo. Não é certo ficar com qualquer um deles. Charlotte, em seguida, entregou-me uma caixa azul; uma caixa que não precisava de introdução. — Que diabos... quando foi que isso chegou? — Isso importa? É da Tiffany! Por que você não a leva para um test drive? Revirei os olhos, balançando a cabeça. Isso era demais. Em seguida, ele iria me mandar uma pistola cravejada de diamantes com um estojo combinando e uma conta liga de couro. A caixa estava no centro da minha mesa, me provocando, me provocando. Eu queria tanto puxar aquelas fitas brancas e abrir aquela caixa azul, mas eu não podia. Eu iria devolver ambas as caixas e dinheiro suficiente para cobrir todas as compras que ele tinha pagado hoje. Ele claramente não me entendeu. Eu não era alguém que pudesse ser subornada com objetos bonitos e brilhantes. Eu precisava ver a prova real e tangível de que ele queria ficar comigo. Patrick Malloy, obviamente, não era o cara para mim.

~ 67 ~


Jogando a caixa azul na minha bolsa, eu fui para o único lugar que eu sabia que ele seria. Ignorando o sedan negro que ainda estava estacionado do outro lado da rua, eu pulei no meu carro e, em seguida, me dirigi ao clube. Eu tinha o que eu diria a ele tudo planejado. Eu seria educada, mas firme. Quando virei a esquina e estacionei meu carro em frente ao clube, eu me certifiquei que o meu spray de pimenta ainda estava na minha bolsa. Uma vez lá dentro, eu observei os mesmos dois homens atrás do bar. Eles me notaram imediatamente, e o mais alto dos dois veio e parou na minha frente. — Senhorita O'Rourke, o que você faz aqui? — Eu preciso ver Patrick, — Eu tentei passar por ele, mas ele rapidamente se colocou no meu caminho. — O chefe não está aqui, Senhorita O'Rourke, ele disse que você sabia. — Sabia o que? — Ele trabalha no apartamento agora. Ele mudou todo o seu escritório para lá. O cartão dourado... a nota... merda, merda, merda! — Obrigada. — Eu me virei e comecei a caminhar para fora. — Oh não, Senhorita O'Rourke, deixe-me levá-la até lá fora. Este bairro não é seguro para uma senhora como você. Eu cheguei em casa para encontrar Shannon e Abigail em uma festa do chá. Eu amava como as coisas eram simples na nossa casa. — Tia Christi! — Abigail gritou. Eu sorri enquanto atravessava a sala e elas. Shannon tinha um sorriso malicioso no rosto.

me

juntava

a

— Abby, querida, por que você não vai buscar uma xícara para a tia Christi — Sim! — ela gritou enquanto corria para seu quarto. — Posso ver o que ele lhe deu? Revirei os olhos e entreguei a minha bolsa a ela. Shannon encontrou as duas caixas e as pegou.

~ 68 ~


— Christi, você nem sequer abriu ainda! Eu então me virei para olhar para ela e peguei a minha bolsa. — Eu irei devolver então qual é o ponto? — Deixe de ser uma cadela metida, Christi. Uma coisa sobre a minha irmã era que ela sempre falava o que passava por sua mente. Nem sempre no momento mais oportuno, se você me entende. — Basta abrir as caixas, merda. Ela colocou as duas caixas no meu colo e esperou. Eu teria esperado a noite toda, só que eu sabia que a minha irmã iria esperar junto comigo. Ela era mais teimosa do que eu jamais poderia ser. Tomei a caixa preta longa primeiro e lentamente removi a fita verde. Descansando no interior estava a mais bela pulseira de brilhantes que eu já tinha visto. — É como a minha, — Shannon falou enquanto me mostrava a mesma pulseira em seu pulso direito. — É uma tradição na família Malloy dar uma para a mulher que você está namorando. Dillion me deu a minha depois do nosso segundo encontro. Estou surpresa que você não tenha notado as senhoras Malloy usando as delas. Embora eu esteja com ciúmes, porque a sua tem diamantes um pouco maiores que a minha. Shannon estava certa; os diamantes maiores. Finalmente, eu abri a caixa da Tiffany.

eram

um

pouco

— Você sabe o que é isso? — Eu questionei erguendo a caixa. — Eu tenho minhas suspeitas, mas não, eu não tenho certeza. Dentro da caixa havia um pingente em forma de trevo. As folhas eram esmeraldas e a haste era feita de platina, a corrente também era de platina. Eu engoli em seco quando toquei as pedras verdes. — Oh, meu Deus. Christi, é de tirar o fôlego. — Você sabe por que ele me deu isso? — Nenhum indício, você deve perguntar a ele. Shannon estava certa; Eu queria saber por que ele sentiu a necessidade de me dar essas peças particulares de joias. A pulseira era tão bonita e uma grande parte de mim queria ficar com ela, mas isso ~ 69 ~


não seria correto. Ainda era cedo e eu decidi que se era para devolver, eu deveria agora. A viagem até o apartamento dele foi mais rápida do que eu esperava. Toda a coragem que eu tinha quando eu tinha ido até o clube há muito havia desaparecido. Eu não deveria ter aberto as malditas caixas. Enfiei o meu cartão no local indicado, como eu tinha visto Patrick fazer e o elevador ganhou vida. Lembrei-me de que não havia uma porta adicional uma vez que o elevador se abria e eu esperava que não estivesse interrompendo nada. A porta se abriu para revelar um muito bonito Patrick Malloy ali à minha espera. Eu não pude deixar de sorrir para ele quando ele me cumprimentou. — Olá, linda, — ele sorriu e então rapidamente beijou o meu rosto. — Você já jantou? — Não, ainda não. Hum, eu realmente só vim aqui para devolver isso. — Eu disse enquanto segurava as duas caixas para ele. — Venha, sente-se comigo, Christi, vamos jantar e conversar. Ele não me deu a oportunidade de discutir, pois já estava me levando até a cozinha. Já havia dois lugares arrumados na bancada com taças de vinho e tudo. Patrick puxou a minha cadeira e fez sinal para eu me sentar. — Eu esperava que você aparecesse esta noite, estou feliz que você esteja aqui, — ele sorriu enquanto tomava um gole de vinho. — Então, você disse que queria devolver os meus presentes? Eu tinha acabado de tomar um gole do meu vinho, então ele me surpreendeu indo direto ao assunto. — Sim, — eu me engasguei. — Mas não é que eu não goste deles, eu realmente os amei, na verdade. — Então fique com eles, — ele disse com naturalidade. — Patrick, você sabe que eu não posso fazer isso, — meu tom era desafiador. Shannon me disse o significado da pulseira. Nós não estamos namorando, por isso não é justo que eu fique com ela. — Ela lhe contou sobre o trevo?

~ 70 ~


— Não, ela não sabia. Ele sorriu enquanto tomava outro gole do seu copo de vinho. — Bem, há muitas histórias antigas sobre a história do trevo. Eu poderia citar pelo menos quinze empresas diferentes que o usam em seu logotipo. No entanto, a história por trás de por que os homens Malloy os dão de presente é muito menos corporativa e muito mais por conta da tradição. Quando meu bisavô deixou a Irlanda e veio para a América, ele deixou para trás a minha bisavó. Ele veio para cá porque queria uma vida melhor para sua futura família. Ele tinha três dólares e sua passagem com ele quando partiu.

~ 71 ~


Capítulo sete No dia seguinte, Patrick manteve a sua palavra e apenas me mandou mensagens de texto, sem flores ou joias. Eu tinha concordado em usar o pingente de trevo, desde que eu queria dar a ele uma chance de provar a si mesmo. Ele concordou em manter a pulseira em seu cofre. Entrei em contato com Nora e chegamos às decisões finais para a festa de noivado de Paige. Ela me informou que tinha aumentado a lista de convidados, devido a algumas adições de última hora. Eu então, entrei em contato com os fornecedores e aumentei a quantidade de comida. Eu tinha prometido a Shannon que iria ficar com Abby para que ela pudesse jantar com Dillion. Eu amava ficar com Abby, ela era uma criança tão descontraída e era mais divertido do que trabalhoso cuidar dela. Nós brincamos com alguns jogos, pintamos as unhas dos pés, e ainda fizemos um chá antes que ela caísse no meu colo durante o filme, A Bela e a Fera. Eu ri, eu poderia entender Belle por ter um animal para enfrentar. Eu fiz uma xícara de chá para mim, me estiquei em no sofá e comecei a passar pelos canais da televisão. Passava um pouco das nove horas quando um âncora de notícias invadiu o programa que eu estava assistindo. — Nós interrompemos este programa para trazer-lhes este relatório especial. Aqui é Todd Stevens da CNBC com notícias de última hora. — Boa noite, senhoras e senhores, aqui fala o seu correspondente do Nova Iorque em frente ao Presídio de Segurança Máxima Sing-Sing. Apenas nesta tarde, um juiz federal ordenou a libertação imediata de Anthony Porchelli, filho de Velenci Porchelli, Chefe da suposta família do crime italiana. Anthony Porchelli havia sido condenado a quinze anos por alegada evasão fiscal. No entanto, novas evidências divulgadas hoje reverteram a condenação. Sr. Porchelli é suspeito em muitos crimes em diversas áreas de nova York e Miami e ainda está sob investigação, mas esta noite, ele é um homem livre. Para mais atualizações, fiquem atentos à CNBC...

~ 72 ~


— Eu irei me casar! — Shannon gritou enquanto corria pela porta, interrompendo qualquer outra coisa que Todd tivesse a dizer. — Christi, ele quer que eu me case com ele! Dillion e Shannon entraram e Shannon me abraçou enquanto corria pela sala de estar. Ela estava tão feliz que eu acho que seus pés nem sequer tocavam o chão. — Ele nos comprou uma casa e quer que eu saia do meu emprego. Ele quer ter filhos imediatamente e até mesmo deu entrada na papelada para adotar Abby. Ela estava pulando de excitação quando me contou como ele havia pedido a mão dela. Dillion apenas permaneceu de lado com um sorriso de orelha a orelha, obviamente curtindo o entusiasmo de Shannon. — Oh, Christi, foi tão romântico. Ele fechou o restaurante e mesa estava toda decorada com rosas cor de rosa, ele sabe o quanto eu amo rosas cor de rosa... Ela estava rindo tanto que eu comecei a rir com ela. — Ele nem sequer me deixou pedir o jantar antes de ficar de joelhos e me pedir. — Oh, meu Deus, eu tenho que ligar para o papai. — Ela fugiu, claramente em seu próprio mundinho. — Muito bem, Dillion, — eu disse cumprimentando-o. — Ela é o meu mundo Chris. Eu não posso imaginar minha vida sem ela e Abby. Pela primeira vez na minha vida, eu estava verde de inveja. Dillion realmente amava a minha irmã e estava disposto a fazer qualquer coisa, ser qualquer coisa por ela. Não havia obstáculos para eles. Dillion era um contador, ele lidava com números, não armas e prostitutas. Ele estaria em casa todas as noites, para ela, nos Natais e nas festas de aniversário. Mesmo que Patrick e eu chegássemos ao mesmo lugar, seria diferente. Eu estava muito feliz por Shannon, ela merecia ser feliz e eu estava feliz que Dillion quisesse adotar Abby. Ela merecia ter um pai que cuidasse dela.

~ 73 ~


Meu pai ficou tão feliz quanto eu, e muitas garrafas de champanhe foram abertas naquela noite. Pobre Abby dormia entre abraços e beijos. Quando Dillion e o meu pai estavam se preparando para sair, eu peguei Dillion de lado e falei baixinho em seu ouvido: — É melhor você ser bom para as duas. Eu não dou a mínima para quem você trabalha, magoe a minha família e vou foder com o seu mundo. Dillion me olhou diretamente no rosto enquanto falou em alto e bom som: — Por minha honra. Dillion, de fato, queria se casar logo. Sendo Católicos, eles ainda precisavam fazer o curso de noivos. Dillion e Thomas Malloy tinham falado com o Padre Murphy e o curso foi acelerado um pouco. Shannon parou de trabalhar e concentrou-se em tempo integral no planejamento de seu casamento.

***

A festa de noivado de Paige tinha chegado. Eu estaria trabalhando, no entanto, Nora queria que eu fosse uma convidada também. Eu concordei em me vestir de acordo, e ainda estar no comando da minha equipe. O local estava incrível, Paige tinha conseguido o que queria – o tema Anos 20 em seu casamento. Ela tinha uma grande banda de jazz que iria tocar durante a festa e também uma cantora como as do filme Chicago. Patrick estava rapidamente se infiltrando para o meu mundo. Ele me deu espaço suficiente para ainda ser eu mesma, mas quando a oportunidade surgia, ele me tratava como uma rainha. Eu não tinha ouvido falar de Patrick durante todo o dia, que foi um pouco inquietante. Ele mexeu comigo e eu teria que admitir que sentia falta dele terrivelmente. Tínhamos feito planos para jantar em seu apartamento no domingo depois da festa de noivado de Paige e eu tinha decidido pedir a ele a pulseira. Parecia que quanto mais eu sabia sobre Patrick, mais eu gostava dele. Eu não gostava exatamente do seu trabalho, mas esperava que um dia eu pudesse ignorá-lo completamente Eu fiquei muito impressionada quando tudo ficou pronto. Eu fiz as minhas voltas e tudo estava indo bem. Eu ainda não tinha visto Patrick e eu estava ficando um pouco nervosa. Eu fiz uma verificação

~ 74 ~


final para ver se os bares estavam estocados quando notei algo estranho nos caras de ternos pretos. Em cada uma das saídas estavam postados dois homens vestidos de ternos, um de cada lado da porta. Eu reconheci muitos deles como sendo os homens de Patrick; no entanto, os homens que estavam em frente a eles eu não reconheci. Além disso, cada um dos homens que eu não reconheci tinha uma espécie de boton na lapela de aparência estranha. Os homens de Patrick nunca usavam joias visíveis. Notei Dillion e Shannon sentados diante de uma mesa alta e decidi perguntar a Dillion o que estava acontecendo. — Ei, pessoal, estão se divertindo? — Eu estava entre eles com minhas mãos em cada uma das suas costas. — Uau, Christi, eu não posso imaginar tantas pessoas no meu casamento, — Shannon brincou. — Querida, haverá muita gente lá, eu prometo a você, — Dillion respondeu beijando-lhe a mão. — Ei, Dillion, qual é o negócio com os rapazes com botons na lapela na porta? — Bem, eles estão aqui por causa de três convidados especiais esta noite. — Virei o meu olhar diretamente para ele. — Vê aquele homem de pé ao lado de Thomas Malloy? Eu encontrei Thomas de pé perto do bar principal. A primeira vez que fui formalmente apresentada a Thomas, eu quase engoli minha própria língua. Patrick era sem dúvida, um homem incrivelmente bonito, mas tirando os olhos azuis impressionantes de Thomas, estava claro de onde a aparência de Patrick tinha vindo. Ele era a combinação perfeita de ambos os pais. Thomas, no entanto, era um enorme paquerador e eu encontrei-me abanando meu rosto durante o jantar. Thomas tinha uma bebida em uma mão e quatro homens atrás dele. O homem que estava ao lado dele era cerca de duas polegadas mais baixo do que Thomas e parecia ser uns trinta anos mais velho. — Sim? — Eu respondi. — Aquele é Velenci Porchelli. — Um arrepio instantâneo percorreu a minha espinha. Eu conhecia aquele nome e o que ele representava. Eu fiquei imediatamente assustada. — Oh, porra. — eu engasguei.

~ 75 ~


— Parece que ele está tentando fazer as pazes com Thomas e tentando ter melhores relações com a família Malloy. O filho de Velenci acabou de sair da prisão, então, ele está tentando encontrar algum trabalho para manter o nariz limpo, por assim dizer. Eu me lembrei das notícias de última hora e comecei a rezar para que ele não estivesse enviando seu filho para viver aqui em Chicago. — Ele também quer oferecer sua filha, Sophia, à família... — Ao lado de Nora estava uma das mulheres mais bonitas que eu já vi. Ela era alta, quase tão alta quanto Allyson, com a pele cor de oliva e, cabelo escuro longo que parecia impecável. Seu vestido azul cerceta de um ombro só acentuava seus traços perfeitos. Eu soube quem era Sophia sem ninguém precisar me indicar. — E oferecer a mão dela para Patrick como um sinal de boa fé, mas... Dillion não chegou a terminar sua declaração, pois uma voz profunda e grossa com sotaque italiano o interrompeu. — Por favor, desculpem a minha intromissão, no entanto, eu tinha que vir e apresentar-me as duas das mulheres mais bonitas da festa. Eu me virei para a direita e fiquei cara a cara com o homem que eu vi estampado na minha televisão. Seu cabelo estava penteado para trás e parecia ter excesso de gel. Ele me lembrou daquelas crianças do tal reality show de Nova Jersey. Sua mão estava estendida para mim e, sem pensar, eu coloquei a minha na dele. Ele inclinou-se sem quebrar o contato visual e beijou as costas da minha mão. A sensação desconfortável que ele deixou para trás me fez querer cortar a mão. — Posso ter esta dança, Senhorita...? — O'Rourke, e você, Senhor, é...? — Oh, quão terrivelmente rude da minha parte, eu sou Tony, e posso dizer que é um prazer conhecer uma Senhorita tão bela. Seus olhos deixaram os meus brevemente quando ele olhou para o pingente trevo que pendia no meu pescoço. Notei um sorriso súbito aparecer em seu rosto frio como se ele estivesse calculando sua próxima jogada. Só de ouvir o nome dele me fez tremer. Este homem tinha acabado de ser libertado da prisão e eu sabia que ele era conhecido por não apenas matar suas vítimas; ele brincava com elas primeiro. Eu podia sentir todo o meu corpo tremer. ~ 76 ~


— Está tudo bem, Senhorita O'Rourke? Voltei minha atenção para o homem muito alto que estava atrás Anthony. Lembrei-me dele como sendo um dos guarda-costas pessoal de Patrick, eu acreditava que Tonto era o nome dele. — Oh, um, s... Sim. Se os senhores me dão licença, eu tenho que voltar ao trabalho. Eu rapidamente fiz o caminho para a cozinha. Eu queria ficar o mais longe possível dos homens Porchelli. Eu entrei no grande refrigerador e comecei a tomar várias respirações profundas, pressionando minhas costas contra o aço frio. Uma vez que eu tinha a minha respiração sob controle, eu voltei para o salão de baile. Olhei em volta, mas eu não vi nenhum dos homens Porchelli. O que eu vi, no entanto, foi pior. Patrick estava no bar, com o braço em torno Sophia Porchelli. Ele estava sorrindo para ela e ela estava com a mão em seu antebraço. Ele se virou, colocou a bebida no bar e, em seguida, tomou a dela também. Ela tropeçou um pouco quando ele a pegou pelo braço e saiu do salão. As palavras de Dillion voltaram para mim então. —... Oferecer a mão dela para Patrick, como um sinal de boa fé... Claro que ele iria aceitar a proposta de casamento. Patrick não teria escolha. Eu me mantive às margens pelo restante da festa, evitando completamente os Malloy, Patrick, em particular, e logo que a última pessoa saiu, eu saí atrás. Estava tudo tranquilo quando eu cheguei em casa. Shannon iria ficar na casa de Dillion e Abby estava com o meu pai. Eu estava feliz por ter a casa só para mim, desde que mal cheguei ao meu quarto antes que as lágrimas escorressem. Era minha culpa. Eu tinha dificultado muito as coisas sobre ser suficiente para ele. Sophia era exatamente o que ele precisava, ela sabia como agir e sabia o que se esperava dela. Muito lentamente, eu soltei a corrente do meu pescoço e coloquei de volta na caixa da Tiffany. Eu iria devolvê-la amanhã com dignidade. Eu me arrastei para a cama, ignorando o som do telefone de casa tocando. Eu sabia que seria Patrick e simplesmente não tinha forças para lidar com ele agora. Assim que fechei meus olhos, eu podia imaginar meu pai me dizendo que eu deveria ser cuidadosa com o que eu pedia; você pode acabar conseguindo. Não era para doer tanto dizer adeus a ele.

~ 77 ~


Capítulo oito Eu não consegui dormir. Eu me virei a noite toda e tentei me lembrar que isso era exatamente o que eu queria. Enquanto me arrumava para o trabalho na manhã seguinte, eu fiquei um pouco mais no chuveiro, esperando que a água quente lavasse a dor que eu sentia. Eu tinha muito o que fazer para me sentar e chafurdar. Não era como se nós estivéssemos comprometidos um com o outro. Quero dizer, meu Deus, nós ainda não tínhamos nem partilhado um beijo. Eu escolhi usar jeans. Eu não estava com vontade de ficar bonita e eu certamente não me sentia assim. Eu parei na lanchonete no caminho e peguei um copo grande de café. Não era como se eu precisasse da cafeína para me manter acordada. Agradeci a Doris e fui para o meu escritório. Uma vez lá dentro, eu verifiquei meu e-mail e apaguei todo o lixo. Eu tinha algumas mensagens que precisariam ser respondidas mais tarde. Foi então que eu percebi que não tinha ideia de onde o meu celular estava. Lembrei-me claramente de tê-lo comigo na noite passada na festa. Eu verifiquei minha bolsa duas vezes, e ainda não consegui encontrá-lo. Eu estava prestes a entrar na internet e fazer uma busca, quando Nora entrou no meu escritório. — Bom dia, Christi, eu só queria passar pessoalmente e dizer obrigada por fazer da noite passada um enorme sucesso. As palavras mal tinham deixado sua boca quando um homem vestido de preto entrou no meu escritório, carregando um grande buquê de rosas vermelhas. Ele colocou o vaso na mesa e inclinou a cabeça para Nora. Ela parecia não muito feliz em vê-lo. Ele voltou mais três vezes com mais rosas. Parecia uma floricultura aqui. Nem Nora nem eu dissemos uma palavra enquanto ele continuava a desfilar dentro e fora do meu escritório, o tamanho e a qualidade dos buquês ficando cada vez maiores. Finalmente, ele voltou com um grande envelope branco e o que parecia ser um telefone celular. Ele me entregou o envelope e o telefone e, em seguida, inclinou a cabeça para mim. Eu observei quando ele se virou para sair, que ele

~ 78 ~


tinha o mesmo boton estranho na lapela que os guardas dos Porchelli tinham usado. Abri o envelope e dei um salto ao ver que o meu pior medo tinha sido realizado. Tony Porchelli tinha enviado estas flores e estava com o meu telefone celular. Cara Christi, Aceite estas flores como o meu convite oficial para jantar comigo esta noite no meu quarto de hotel. Seu, Anthony Porchelli Algo em mim estalou e eu fiquei com tanta raiva que estava vendo vermelho. Eu joguei o cartão do outro lado da sala com um rugido, e em seguida, peguei o primeiro vaso cheio de rosas que chegou. Eu marchei para fora do prédio e o atirei na caçamba de lixo que ficava ao lado. Nora me observava chocada. Uma vez que o último vaso tinha sido jogado fora e eu ouvi o vidro quebrando no lixo, eu marchei de volta para o meu escritório, peguei a caixa da Tiffany da minha bolsa, e atravessei a sala para onde Nora estava, ainda chocada com a minha explosão. Coloquei a caixa na mão dela. — Por favor, devolva isso para ele. Eu sei que você veio me contar sobre Sophia e eu não detenho maus sentimentos em relação a Patrick. Eu sei que ele não tem outra escolha. Com isso, eu saí do escritório e corri para o meu carro. Eu precisava falar com a pessoa que me deixaria falar sem interrupção. Colleen Victoria O'Rourke Sempre em nossos corações Eu segui as letras esculpidas na lápide da minha irmã. Colleen era a minha irmã mais velha. Ela era a única pessoa que poderia me ouvir hoje. Ela não iria me julgar ou me dizer que essa coisa toda era culpa minha. — Oh, Deus, Colleen, o que eu vou fazer? Eu me sentei diante de sua lápide, delicadamente inclinando minha testa contra o mármore frio.

~ 79 ~


— Como é que nós permitimos que estes homens arruínem as nossas vidas? — Falei baixinho enquanto as lágrimas começavam a rolar pelo meu rosto. — Eu queria que você estivesse aqui, Colleen, eu desejo que você pudesse apenas me contar uma história como você fazia depois que a mãe nos deixou e tornar tudo melhor. A memória de nós três de camisola, empilhadas debaixo das cobertas para o nosso pai não nos ouvir, veio até mim. As lágrimas e os soluços vieram, também, e eu os acolhi. Eu sentia falta da minha irmã, mesmo com todos os seus problemas, eu sentia falta da minha irmã mais velha. Eu tremi quando senti o vento soprar o meu cabelo em volta do meu rosto. Eu o ouvi, caminhando pelas folhas mortas e aparas da relva. — Shhh, Baby, eu estou aqui com você. A voz quente me cercou como um cobertor macio. Eu conhecia aquela voz, mas por que ele estava aqui? Ergui a cabeça quando ele me envolveu em seus braços, puxandome em seu colo. Eu saudei seu toque e me derreti em seu peito. Ele apenas me segurou enquanto eu continuava a chorar contra sua camisa. Eu sabia que ele não deveria estar aqui, isso era tão errado. Ele tinha sido prometido a outra mulher, mas droga, eu queria ele aqui, mesmo que por pouco tempo. Uma vez que as minhas lágrimas finalmente pararam, eu ergui a minha cabeça para olhar para o rosto dele. Eu sabia que isso era um adeus e a melhor maneira de fazer isso era ser rápida e sem misericórdia, como arrancar um band-aid. Ele olhou nos meus olhos e por um breve segundo, eu tive esperança de que ele tivesse vindo me resgatar da minha tristeza. Ele lentamente e ainda assim deliberadamente limpou as lágrimas do meu rosto. — Eu cuidei de Tony, ele não vai incomodá-la novamente, — sua voz era quase um sussurro, mas profunda e masculina. — Como você soube sobre Tony? — Eu questionei enquanto colocava a minha cabeça em seu ombro. — Por um lado, eu o vi se aproximar de você na noite passada. Depois, minha Ma me contou sobre a sua tentativa de ser Quarterback

~ 80 ~


com as rosas que ele te mandou, — ele riu enquanto falava a segunda parte. Minha cabeça disparou e eu olhei para ele com surpresa. — Você o viu na noite passada? — Quem você acha que enviou Tonto para interceder? Era agora ou nunca, e eu comecei a me retirar seu colo. — Sim, bem, eu ouvi sobre suas núpcias próximas. Ela é linda, por sinal. Eu não consegui olhar para ele enquanto falava, eu não queria que ele visse o quanto isso me afetava. — Christi, ela é uma viciada em coca, e estava tão drogada e bêbada que começou a tirar a roupa no bar. Ela acha que desde que é filha de Venny, está acima de todos os outros. Ela se recusou a ouvir qualquer um além de mim. Eu a tirei da festa antes que ela pudesse fazer qualquer dano real. Eu a levei para o hotel dela e fiz com que ela fosse para a cama. Eu me certifiquei de que um dos guardas do pai dela permanecesse do lado de fora do quarto a noite inteira. — Sinto muito, eu espero que ela mude antes... — Eu não conseguia nem mesmo dizer as palavras. Eu não queria que ele tivesse que se casar com ela. — Christi, por favor, olhe para mim. Seus olhos estavam implorando e isso quase quebrou meu coração. As palavras estavam escritas no rosto dele, ele não queria se casar com ela, também. Eu observei enquanto o vento soprava as mechas de seu cabelo e eu queria tanto passar meus dedos por ele. — Eu não vou casar com Sophia. Eu olhei para ele confusa enquanto tentava entender. Ele tinha que se casar com ela, era seu dever. — Tirando o fato de que ela é uma viciada e não poderia manter uma conversa inteligente se viessem com instruções. Esqueça o fato de que ela não tem uma gota de sangue irlandês, e esqueça o fato de que ela tem mais plástico do que uma boneca da Mattel. Ela não é você. Venny passou tantas horas tentando convencer o meu pai a misturar as famílias que chega a ser ridículo. Ele tentou com Amex e agora novamente comigo. O meu pai não vai ceder. Mais importante, eu não

~ 81 ~


vou ceder. Venny governa pelo medo, mas não é suficiente. a maioria dos seus homens viraria as costas e correria se as coisas ficassem muito difíceis. Os meus homens, por outro lado, levariam um tiro por mim e eu por eles. Ele quer combinar as famílias, porque está quebrado, é por isso que ele negocia tantas drogas. Bem, tanto quanto ele consegue manter longe do nariz de Sophia. — Tony soube quem você era no segundo em que viu o seu trevo. Eu o lembrei disso, quando liguei para o seu telefone depois de cuidar da irmã dele e ele atendeu. Ele só queria me irritar, enviando-lhe flores. Ele sabia que ele a tinha assustado na noite passada, e ele adorou o fato. Eu o lembrei com quem ele teria que lidar se ele continuasse a tentar entrar em contato com você. Eu senti como se o peso do mundo tivesse sido tirado dos meus ombros. Patrick não iria se casar com Sophia. Eu poderia usar a sua pulseira, depois de tudo. — Será que o seu pai nunca lhe disse por que ficamos longe do tráfico de drogas? — Eu balancei a cabeça quando ele me envolveu novamente em seus braços. — Minha Ma tinha dois irmãos mais velhos, Declan e Connor. Eles já estavam trabalhando com o meu pai antes de ela chegar nos Estados Unidos. De qualquer forma, eles estavam nas ruas uma noite em um bar não muito longe de onde o Whisckers é agora, quando um homem entrou correndo no bar e começou a atirar nas pessoas. Eles foram baleados na parte de trás da cabeça; nem sequer viram o homem que os matou. Quando a poeira finalmente baixou, meu pai descobriu que o homem estava sob efeito de LSD e estava tendo alucinações Ele pensou que o bar estava cheio de alienígenas. Meu pai teve que dizer à minha Ma seus irmãos estavam mortos. Ele jurou que nunca mais faria parte do tráfico de drogas. Ele começou a esfregar meus braços e eu mais uma vez me inclinei contra ele. — Seu pai me contou que sua irmã morreu de overdose. Eu balancei a cabeça. Eu não falava sobre a morte de Colleen fazia um longo tempo. — Ela estava no último semestre da faculdade, quando conheceu esse homem, Jimmy. Ele que a apresentou às drogas e ele lhe forneceu as drogas que a mataram. Ele não chegou a colocar uma arma na cabeça dela, mas ele a matou da mesma forma. Meu pai teve que identificar o corpo. Foi horrível. Ela foi encontrada por uma

~ 82 ~


arrumadeira em um desses motéis decadentes. Jimmy a tinha deixado lá para morrer, sozinha e nua em um lugar estranho. Eu virei o meu corpo para ficar novamente de frente para o túmulo de Colleen. Patrick apenas manteve seus braços de forma protetora em torno de mim. — Me conte a sua memória favorita de sua irmã. Isso era fácil, era o que eu sempre pensava quando vinha aqui para visitá-la. — Quando minha mãe nos deixou, Shannon e eu tínhamos pesadelos e Colleen nos colocava em sua cama e lia uma história para nós, só que ela a animava. Ela mudava a voz dos personagens diferentes e mudava a história para algo diferente. Ela nos deixava tão envolvidas na história que a gente esquecia nossa mãe ausente por um tempo. Nós nos sentamos lá por mais um tempo apenas olhando para a lápide. Ele tocava os meus dedos com os dele ou beijava a parte de trás da minha cabeça. — Minha Ma me disse que devolveu o pingente. Isso significa que você não quer esperar por mim? — Eu fechei os olhos e respirei fundo. — Não, eu estava apenas tentando fazer a coisa certa quando me disseram que você iria se casar com Sophia. Eu sabia que você não teria escolha e eu não queria criar drama. — Então, você ainda está considerando um ‗nós‘? — Na verdade, eu ia te pedir a pulseira durante o nosso encontro amanhã à noite. Eu o senti se mover atrás de mim e pensei que ele estivesse se levantando para ir embora, até que eu vi o colar pendurado na minha frente. — Podemos colocar isso de volta, então, por favor? Eu virei a cabeça um pouco e vi o sorriso que tomava conta do rosto dele. Era bastante contagioso e eu tive que fazer o mesmo. A corrente estava fria quando ele colocou em volta do meu pescoço. Eu não pude deixar de tocá-la, uma vez que o trevo repousou sobre o meu peito.

~ 83 ~


— Eu não vejo nenhuma razão para esperarmos até amanhã para você usar a minha pulseira, não é? Eu balancei a cabeça negativamente quando o senti levantar minha mão direita do meu colo. Eu vi quando ele tirou a caixa do bolso interno do paletó e, em seguida, abriu o feixe. A pulseira estava tão fria quanto o colar e eu amei como os diamantes brilhavam à luz do sol. — Eu preciso que você me faça uma promessa. Eu olhei da pulseira para seus olhos verdes. — Qualquer coisa, — eu sussurrei. — No futuro, quando você ouvir alguém falando de mim, não importa quem seja, me pergunte antes de fazer qualquer coisa. — Eu sorri de novo balancei a cabeça. — Bom, agora se segure, Christi. Eu esperei muito pacientemente para beijar esses seus lábios bonitos. Ele não me deu a chance de responder antes de seus lábios se conectarem aos meus, me deixando sem ar.

Quando voltei para o meu escritório, encontrei Nora sentada pacientemente na minha cadeira. Ela estava digitando algo em seu telefone celular e sorriu quando eu entrei. — Eu vejo que o meu filho foi capaz de falar com você. Ela apontou para o pingente pendurado no meu pescoço. — Sim, ele explicou várias coisas para mim. Eu claramente tirei conclusões precipitadas, algo pelo qual que eu tenho castigado Shannon em muitas ocasiões. — Eu ri. — Sim, bem, às vezes, as coisas se apresentam de uma maneira particular e é difícil ver a verdade. Fico feliz em ver que você foi capaz de descobrir no final.

~ 84 ~


Eu ofereci a ela uma xícara de chá, já que eu ia fazer uma para mim. — Isso parece adorável, minha jovem. Eu queria falar com você enquanto isso. Eu entreguei a xícara a ela e sentei na minha cadeira. Vi quando ela pacientemente mexeu o líquido quente, observando a colher, enquanto misturava a bondade doce. — O seu pai já lhe falou do acordo que ele e o meu Thomas fizeram sobre você? Eu balancei a cabeça enquanto eu bebia da minha própria xícara. — Ele disse que Thomas ajudou com o divórcio dele e da minha mãe, mas isso foi tudo o que ele disse. — Ela olhou para mim com um olhar tão suave, um olhar maternal. — Oh, Christi. Os homens das nossas vidas se esforçam para nos proteger, pensando que somos bonecas frágeis de porcelana, que quebram ao menor toque. Se você irá se tornar um membro desta família, você deve saber a história toda. Eu fiquei congelada na atentamente as palavras dela.

minha

cadeira

enquanto

ouvia

— É verdade que Thomas entrou em contato com o seu pai em um momento em que ele precisava da nossa ajuda. É claro que meu Thomas raramente faz algo sem receber nada de volta, que não o beneficie de uma forma ou de outra. Ele ficou tão irritado quando Matthew negou-lhe a sua mão. Era tão estranho ouvir o primeiro nome do meu pai em voz alta. Ou ele era o pai, vovô ou Sr. O'Rourke. — Mas eu disse a Thomas, que era melhor assim. Fazer Patrick provar que ele é um homem de verdade e não apenas na idade. Se ele não puder controlar seu próprio coração, como poderá controlar os negócios da família. Eu podia imaginar claramente Nora dizendo a um Thomas irritado que ele não iria ter o que queria. — Quando chegou a hora, nós levamos Patrick para o shopping na Moore Street. Era para ele esbarrar em você e se apresentar. No entanto, enquanto permanecia ali olhando para você, ele disse a Thomas que você era inocente demais para o mundo dele. Patrick não foi protegido contra o que seu pai fazia. Não havia nenhum ponto, já

~ 85 ~


que era para ele ser o líder da família um dia. Eu disse a Patrick muito firmemente que ele iria para a universidade e obter uma boa educação. Expliquei-lhe que qualquer homem podia apontar uma arma para o outro e fazê-lo fazer o que ele quisesse, mas que para ser bem sucedido, você precisava de conhecimento. Patrick sênior e Thomas, tentaram ensinar-lhe tudo o que sabiam quando ele se formou. Patrick assumiu o papel de Chefe de família como um pato à água. No entanto, eu podia ver em seus olhos que seu coração estava vazio. Eu me lembrava vagamente do dia em que Nora falou. Meu pai odiava fazer compras, mas naquele determinado sábado, ele insistiu em levar apenas eu para o shopping. Eu encontrei vários dos meus amigos naquele dia e até mesmo descobri que Mikey O'Toole tinha uma queda por mim. Mikey e eu namoramos por vários anos, ele foi o meu primeiro beijo, assim e a pessoa que tirou a minha virgindade. Ele acabou entrando para o exército e se casou com Rebecca Stone, que morava na vizinhança. — Agora, Christi, eu sei que meu filho não era nenhum santo, enquanto ele estava na universidade. Thomas se certificou de manter os olhos nele o tempo todo. Mas eu sei com certeza que ele nunca namorou uma moça de cabelos avermelhados como os seus. Ele sempre se inclinou para os tipos mais ‗fáceis‘. Quando ele assumiu a família, eu o encurralei no jantar e perguntei por que ele não saía com uma boa menina irlandesa. Ele sorriu e me disse que não estava pronto para lutar por ela ainda. Minha boca estava aberta e os olhos arregalados. — Sim, Christi ele estava falando de você. Ele era inteligente o suficiente para saber que tinha que se estabelecer antes de ir atrás de você. Ele aceitou o conselho dos mais velhos e se certificou de que teria algo a oferecer a você. Assim como o momento em que eu descobri que Patrick estava na Máfia, descobrir que ele me conhecia todo esse tempo me deixou abalada. Ele assumiu o risco de eu me casar com outra pessoa. Ele deliberadamente saía com garotas que eram o completo oposto de mim, não porque as preferisse, mas para evitar a comparação comigo. Olhando para trás, eu entendo por que ele estava com uma loira diferente toda vez que eu o via. — Isso é por que você escolheu a Penciled In. — Minha declaração não foi para ninguém em particular, apenas um resultado verbal do que estava girando na minha cabeça.

~ 86 ~


— Não, amor, Charlotte tem uma reputação que respeitamos. No entanto, ela nos fez um favor, colocando você no comando naquela noite. Eu sempre soube que você lutaria de igual para igual com ele. Naquela noite, ele apareceu em casa e falou com Thomas até as primeiras horas da manhã. Ele queria conselhos sobre como Thomas me convenceu a me casar com ele. Eu ri de suas palavras. Patrick era um homem tão confiante e pedia conselhos ao pai sobre assuntos do coração. — Christi, Patrick pode ser o Chefe desta família, mas seu pai deu-lhe o melhor conselho que podia. Como a mulher que ele optou por ter ao seu lado, você sempre será o pescoço, virando a cabeça na direção certa.

~ 87 ~


Capítulo nove Com Shannon nos deixando e a temporada de casamentos se aproximando rapidamente, Charlotte colocou um anúncio para a posição dela no jornal local. Ela queria que eu fizesse as entrevistas, já que eu estaria trabalhando diretamente com a pessoa. Tinha sido um mês desde a minha visita ao túmulo de Coleen e eu sinceramente sorri enquanto pensava em Patrick. Ele não era a pessoa que eu tinha pensado que seria. Era quase como se ele tivesse uma personalidade separada. Comigo ele era gentil e carinhoso, mas quando saíamos para jantar e esbarrávamos em qualquer outra pessoa, ele colocava uma espécie de máscara. Às vezes, era um pouco irritante, como se eu não soubesse com quem eu estava. Em seguida, em um instante, ele voltava a ser o homem amoroso que segurava minha mão e beijava a minha testa. Infelizmente, isso era tudo o que tínhamos feito, beijar e dar as mãos. Ele tinha essa ideia louca de que ainda tinha que provar que me merecia. Então, por agora, eu me contentava com o que ele estava disposto a me dar. Charlotte tinha marcado duas entrevistas para hoje; a primeira não apareceu e a segunda estava esperando no escritório dela. Imagine a minha surpresa quando eu entrei na sala para encontrar Harley sentada em uma cadeira. Harley parecia completamente diferente. Longe iam os tops decotados, as saias de couro falso e as botas de cano alto. Em seu lugar havia uma blusa de seda, saia lápis e saltos recatados. Sua maquiagem era mínima e seu decote decente. Ela realmente parecia mais bonita. — Harley? Meu choque poderia claramente ser ouvido na minha voz, eu nunca esperava vê-la sentada naquela cadeira. — Olá, Senhorita O'Rourke, e se você não se importar, por favor, meu nome é Francesca Ciccone, Frankie, eu prefiro.

~ 88 ~


Sua voz estava relaxada e sem uma pitada de sarcasmo. — Oh, eu sinto muito Por favor, desculpe-me, isso foi rude Frankie, é um prazer vê-la novamente. Ela simplesmente sorriu para mim e, em seguida, virou-se para olhar para uma Charlotte atordoada. — Acho que nos conhecemos, — Charlotte e eu rimos e, em seguida, abrimos um arquivo. Charlotte entrou em detalhes sobre o tipo de pessoa que estávamos procurando e os requisitos que buscávamos. Basicamente, nós precisávamos de uma assistente para ambas, Charlotte e eu. Ela seria responsável por agendar todos os funcionários, e certificar-se que nossos horários fossem precisos. Ela também iria cuidar de alugar o salão ao lado. — Então, eu basicamente tenho que me certificar de que vocês não tenham uma dupla reserva e que as pessoas estejam onde disseram para estar. Charlotte e eu rimos mais uma vez e depois concordamos com ela. Eu olhei para Frankie; ela tinha as mãos no colo, brincando com sua pulseira de contas. — Eu sei que você sabe sobre mim, mas eu quero que você saiba que eu não quero ser mais aquela pessoa. — Sua voz estava baixa neste momento e eu podia ouvir a tristeza que ela estava tentando esconder. — Eu não vou mentir para você e dizer que sou a melhor pessoa para este trabalho. Eu só estou pedindo uma chance de ter um emprego que eu possa me orgulhar. — Senhorita O'Rourke, eu sei que você, especialmente não têm uma opinião muito elevada de mim. Não é nenhum segredo que eu queria Patrick. Ele nunca me notou, porém, e eu soube, no segundo em que ele lhe deu a pulseira, que toda a esperança para mim se foi. Espero que se eu conseguir um bom emprego e um lugar agradável para viver, talvez então eu posso virar a cabeça de um homem bom como Patrick. Eu não tinha dúvida de que ela estava sendo honesta. Eu queria dar a ela uma chance e esperava que Charlotte sentisse o mesmo. Havia apenas uma preocupação e precisava ser tratada.

~ 89 ~


— Frankie, eu acho maravilhoso que você queira mudar a sua vida e eu vou ajudar no que você precisar, mas eu tenho uma preocupação e eu acho que você já sabe o que quero dizer. Ela assentiu com a cabeça e olhou para baixo, se remexendo em sua cadeira. — Você está preocupada que eu seja uma viciada como Michelle. — Sim, Frankie, e não há espaço para esse tipo de atividade neste negócio. Ela enfiou a mão na bolsa e tirou uma pilha de papéis. Depois de entregá-los a mim, ela continuou a falar. — Quando Patrick descobriu que eu estava lá com Michelle, ele me deu o sermão da minha vida, e então ele me fez falar com um conselheiro. Ele me faz fazer testes para drogas mensais. Eu estou limpa há algum tempo. Eu peguei os papéis dela; eles eram relatórios de laboratório que mostravam que ela não tinha drogas em seu sistema. O mais recente tinha a data de há dois dias. — Será que Patrick sabe que você está aqui? — Charlotte questionou. Ela tinha me deixado conduzir esta entrevista até este ponto. — Não, ele só me disse para encontrar uma verdadeira dama e aprender com ela. Eu só conheço duas damas e eu morro de medo da Senhora Malloy. Desde que a Senhorita O'Rourke é a minha única outra escolha, eu vou tentar ser como ela. Patrick disse que a Senhorita O'Rourke era uma verdadeira dama e que eu poderia aprender muito com ela. Isso é o que eu quero, ser uma verdadeira dama. Como você responde a isso? Eu olhei para Charlotte em busca de ajuda, mas ela estava tão muda quanto eu. — Bem, Senhorita Ciccone, eu acho que você traria um novo ar para as coisas por aqui. Você não concorda, Christi? — Oh, por favor, só Frankie. É duro o suficiente me acostumar a não ser chamada de Harley. Charlotte olhou amorosamente para ela. Ela se levantou da cadeira e deu a volta, inclinando o corpo contra a mesa. — Lição número um de como ser uma dama: Um título adequado é o primeiro sinal de que você está sendo vista como uma dama. Agora,

~ 90 ~


Senhorita Ciccone, eu espero você aqui no escritório por volta das nove horas de amanhã. Está claro? O choque no rosto dela quase trouxe lágrimas aos meus olhos. Em um instante, ela estava de pé e abraçando Charlotte como um homem se afogando se agarra a uma boia. — Você não vai se arrepender, eu juro Senhorita Charlotte. Charlotte sorriu de volta e eu só podia rir de sua emoção: — Eu irei cobrar isso de você. Frankie estava trabalhando no escritório por um pouco mais de uma semana. Ela não era perfeita, mas realmente estava tentando arduamente. Patrick apenas sorriu e beijou a minha testa quando eu lhe disse que Charlotte a tinha contratado. Esta semana estava prometendo ser louca, já que aconteceria a festa de noivado de Shannon e um dos chás de panela de Paige. Patrick insistiu que queria dar a festa de noivado, e desde que não tinha ninguém para discutir com ele, ele me deu um cartão de crédito e me disse para torná-la especial. O chá de panela de Paige estava por conta da família de Caleb. Foi difícil conter meu riso quando Nora se referia a eles como — os caipiras. — A família de Caleb era do sul. Sua mãe era uma imigrante irlandesa, mas seu pai era tão sulista quanto o chá doce. Nora me disse que Eileen Montgomery era uma figura à parte. Ela tinha deixado a Irlanda quando seu pai insistiu que ela se casasse com seu braço direito. Ela não concordou, então pulou em um navio e aqui chegou. Sherman Montgomery era um contrabandista de bebidas na época e a encontrou trabalhando em uma lanchonete. Em resumo e se apaixonou por seu sotaque. Sherman tinha assumido o lugar de seu pai quando Patrick assumiu o de Thomas. A família Montgomery não era tão grande como a família Malloy, mas Patrick queria a ramificar-se ainda mais. Paige e Caleb poderiam ser a ponte para unir as duas famílias. Não importava se Paige não se casasse com um irlandês puro, ela não era elegível para assumir os negócios da família. De acordo com Nora, Eileen tinha formas coloridas para descrever o que o marido fazia. Por exemplo, quando estava no contrabando, ele lidava com — exportação, — Quando assumiu o papel de seu pai, ele era agora o — CEO da empresa.

~ 91 ~


Frankie chegou ao escritório às seis horas da manhã por causa da festa de noivado de Shannon. Eu tinha falado com ela e disse que ela seria responsável por este evento porque, como a dama de honra da minha irmã, eu teria que estar disponível para ela em todos os momentos. Você pensaria que eu tinha apenas entregue Frankie um milhão de dólares pela forma como seu rosto se iluminou. Até o momento em que eu passei pelo local para garantir que as flores haviam sido entregues, ela já estava com as mesas prontas e estava estocando o bar sozinha. Naquela noite, enquanto eu dançava com Patrick, dei uma boa olhada ao redor e deixei a minha mente vagar apenas por um segundo, pensando como seria para Patrick e eu. Eu não poderia imaginar quem estaria na lista de convidados, sabendo que Patrick tinha mais colegas de trabalho do que família. — Por que você está tão perdida em pensamentos, menina bonita? — A voz máscula de Patrick sussurrou no meu ouvido, seus lábios fazendo um breve contato com a minha orelha. — Eu estava apenas sonhando, — eu suspirei em troca. — Se importa em compartilhar, ou eu posso dar um palpite? Eu me aconcheguei mais nele e coloquei o meu rosto em seu peito. Eu me senti tão segura envolta em seus braços; eu não conseguia me lembrar de uma época em que me senti mais segura. Cada vez que estávamos juntos, ele me segurava apenas assim. — Honestamente, eu queria saber como seria para nós. — Eu prendi a respiração enquanto ele continuava a me levar em torno da pista com a música lenta. Nós não estávamos juntos por muito tempo e eu realmente não deveria ter pensado desta forma. Era estranho pensar que não muito tempo atrás, eu estava tentando afastá-lo. Agora eu queria puxá-lo mais para perto. Patrick apenas cantarolou enquanto respondia: — E não tenho certeza se este lugar seria grande o suficiente, a minha Ma gostaria de convidar a todos que ela já conheceu. Eu só podia esperar que algum dia eu pudesse descobrir se o salão era grande o suficiente. Eu enterrei meu rosto nele ainda mais e passei meus braços em torno de sua cintura. Era tão fácil esquecer que ele carregava uma arma, até que a minha mão conseguiu encontrá-la escondido no coldre em suas calças. A primeira vez que isso aconteceu, eu engasguei e pulei para longe por puro choque. Como aconteceu mais

~ 92 ~


e mais, agora eu apenas movia a minha mão alguns centímetros para o lado. Ele apenas me beijava e me fazia esquecer. — Eu prometo, que ela estará mais bem escondida no nosso casamento. Suas palavras foram o que me fizeram suspirar desta vez. Quando olhei para ele, ele apenas sorriu e olhou nos meus olhos. — Merda, você acha que eu trabalhei tanto para morrer na metade do caminho? — Eu realmente não tinha certeza. Quero dizer, não foi há muito tempo que eu estava tentando juntá-lo com Harley. — Oh, Christi, eu quero isso mais do que você sabe. Eu vi como Shannon e Dillion interagiam com seus convidados. Shannon estava tão feliz e Dillion era tão atento a ela. Notei que ele a tocava de forma muito sutil; era como se ele estivesse assegurando-se de que ela era real. Patrick tinha pedido licença para fazer um telefonema e quando voltou, eu notei que ele fez a mesma coisa comigo. Não era muito, um leve escovar de seus dedos ou a mão nas minhas costas. Ele estava fazendo isso para seu benefício, mas isso me tranquilizava também. Com o canto do olho, eu notei Brad fazendo o caminho até onde Patrick e Dillion estavam conversando. Eu não podia ouvir o que estava sendo dito, mas poderia dizer que não era bom. Dillion olhou para Patrick e balançou a cabeça, em seguida, eles se abraçaram. Dillion voltou para o lado de Shannon e sussurrou algo em seu ouvido. Patrick fez um telefonema e então veio até onde eu estava. — Sinto muito, Christi, eu tenho que ir cuidar de alguns negócios. — Que negócios? — Eu questionei. — Desculpe, não é da minha... — Eu tenho que ir e lembrar alguém que a lealdade e a responsabilidade não terminam quando você vai para casa. Eu não pretendia perguntar o que ele quis dizer com isso. Pelo seu tom de voz, alguém podia simplesmente morrer esta noite, então eu deduzi que quanto menos eu soubesse, melhor.

~ 93 ~


— Eu gostaria de lhe pedir para ficar comigo esta noite, mas eu sei que você vai dizer não. — Você nunca saberá a menos que peça. — Tudo bem, você vai deixar Angus levá-la para o meu apartamento e vai ficar comigo esta noite? Eu sorri diabolicamente e, em seguida, fingi pensar. — Sim, Sr. Malloy, eu vou para o seu apartamento e vou esperar por você. A festa tinha quase esvaziado quando a minha irmã se aproximou de mim. — Eu não posso agradecer o suficiente por hoje à noite, foi tão incrível. Ela estava radiante de excitação. Valeu planejamento para vê-la sorrir assim.

a

pena

todo

o

— Oh, querida, estou tão feliz por você. Você merece ser feliz assim. — Eu a abracei com força, e uma lágrima escapou, e eu rapidamente a enxuguei. Notei com o canto do meu olho que Dillion estava falando com Brad. Mais uma vez, eu realmente não queria saber o que estava acontecendo. Shannon notou a minha observação. — Você pensaria que Douce teria aprendido pela primeira vez. — Hã? — Quando Patrick o confrontou pela primeira vez sobre Abby, ele disse a ele para cuidar de suas responsabilidades. Assim que ele soube que Dillion me pediu para casar com ele, ele decidiu que Dillion poderia assumir a criação dela. Eu olhei para ela com a confusão. — Desde que a verdade apareceu sobre Abby, parece que ela não é sua única filha. Douce tem outros quatro, os resultados de paternidade saíram hoje. Então era atrás dele que Patrick estava indo. Uma vez que o salão estava completamente vazio e eu tinha dito boa noite para Dillion e Shannon, encontrei Angus e o instruí a me levar para o apartamento de Patrick.

~ 94 ~


Uma vez no interior do edifício, eu peguei o elevador até seu andar. Parecia estranho estar lá sem ele. Eu sabia que Patrick não se importaria se eu me sentisse em casa, então eu abri uma garrafa de vinho e fiquei confortável em seu sofá. Eu tinha acabado de servir o meu segundo copo de vinho quando ele chegou. Ele atravessou a sala e beijou a minha testa e continuou descendo até o meu pescoço. — Eu poderia me acostumar a ter você aqui quando eu chegar em casa. Olhei em seus olhos enquanto tomava outro gole de vinho. Eu não pretendia responder. Sem outra palavra, Patrick pegou o meu copo, colocou-o sobre a mesa, e, em seguida, estendeu a mão para mim. Uma vez fora do sofá, ele me levou pelo corredor até seu quarto. As únicas luzes no quarto vinham do brilho da cidade abaixo de nós. Patrick parou ao lado de sua cama e me envolveu em seus braços. Seus lábios encontraram os meus enquanto ele me beijava com um propósito. Suas mãos encontraram o zíper do meu vestido e muito lentamente ele começou a descê-lo enquanto continuava a me beijar. Minhas mãos fizeram o caminho para o interior do paletó dele e eu o removi de seus ombros antes de fazer o trabalho rápido com sua camisa. Patrick lentamente me guiou sobre o colchão, nenhuma vez interrompendo o nosso beijo. A sensação de seu peso sobre mim era o suficiente para me fazer gozar, isso e o fato de que sua boca tinha encontrado o meu pescoço. Patrick levou as mãos às minhas costas e tirou meu sutiã, removendo-o tão rapidamente que eu nem percebi. — Mo dsha, Christi, ta' tu' nois aille' na shamuhlu me (Meu Deus, Christi, você é tão bonita), — sua voz estava grossa de desejo. — A t'u liom go mbraaitheann dheanann sli, — (Você me deixa dessa forma.) Eu respondi sem fôlego. — Eu nunca pensei que ouvir gaélico poderia realmente me deixar duro. — Ele empurrou sua pélvis contra o meu núcleo aquecido para me mostrar quão duro ele realmente estava. — Patrick... preservativo... Ele continuou como se não tivesse me ouvido. Eu comecei a empurrar seu peito para fazê-lo parar.

~ 95 ~


— O que? — Sua voz saiu cheia de desejo, sem fôlego e anseio. — Eu disse, preservativo. — Eu falei um pouco mais firme desta vez. — Por quê? Você está tomando pílula, certo? Eu olhei para ele com descrença. — Sim, mas isso não muda o fato de que eu não tenho ideia se você está limpo ou não. O olhar em seu rosto era de espanto, e depois de raiva. — Você está me dizendo que acha que eu estou traindo você? — Não, mas eu tenho quase certeza de que você não é virgem. — Não, mas nem você. Nós tínhamos tido recentemente a discussão de parceiros anteriores. Ele não quis admitir um número particular, apenas que tinha sido mais de uma e menos de trinta. Eu disse a ele sobre os meus dois únicos parceiros. Meu primeiro tinha sido Mikey O'Toole, e que tinha sido mais tão rápido que eu não estava nem mesmo certa de que realmente aconteceu. O segundo foi há alguns anos, um cara que eu pensei que iria me casar, então, a razão para a pílula. — Sim, mas o seu número é maior que o meu, e, além disso, você deveria estar me perguntando se eu estou limpa também. — Eu não tenho que lhe perguntar! — Sua voz estava agora alterada e seu rosto estava vermelho de raiva. — Droga, Christi, eu não dormi com nenhuma das meninas do clube! Por que você acharia isso? Agora eu estava com raiva; só porque ele não dormiu com strippers, se sentia seguro? — Ah, então você sempre dormia com virgens? Ele não respondeu. Eu comecei a me mover para a borda da cama. — Christi, eu não vejo qual é o grande negócio. Se você está preocupada em ficar grávida... — Não, Patrick, eu não estou preocupada com ficar grávida, eu estou preocupada com pegar alguma DST nojenta, que pode até colocar

~ 96 ~


a minha vida em perigo. Você parece pensar que, só porque você só esteve com não-strippers que está isento. Você sinceramente acha que meninas que voluntariamente caem na cama com um Chefe da máfia não estiveram com outros homens? Eu comecei a me vestir; ele era louco se pensava que eu iria mais longe. — Não, Christi, eu não acho que eu estou isento, mas eu não tenho sintomas... — Será que você não prestou atenção nas aulas de ciências? A maioria dos homens não tem sintomas... Ugh! Eu não tinha mais nada que fazer ali. Ele obviamente não se preocupava com a gravidade desta situação. — Christi, espere... eu... eu... — Você o quê, Patrick? O que você pode, eventualmente, ter a dizer que iria mudar isso? Ele só olhou para mim, mas não disse nada. Eu girei sobre os calcanhares e deixei Patrick nu sentado em sua cama. — Eu te amo! — ele gritou quando eu abri a porta, mas eu continuei até estar fora do prédio. A Michigan Avenue estava realmente movimentada pela hora tardia. Eu literalmente saí pela porta e entrei em um táxi. Havia apenas um lugar onde eu me sentiria segura agora; apenas uma pessoa que eu poderia apenas me aconchegar e não ser questionada durante toda a noite. Eu dei rapidamente ao taxista o endereço e vinte minutos mais tarde, eu estava do lado de fora de uma porta que eu conhecia bem. Apertei o botão iluminado e ouvi a campainha soar dentro da casa. Momentos mais tarde, a luz da varanda foi acesa, seguida pela rápida abertura da porta. — P... papai... — Eu consegui dizer antes que os soluços começassem. — Venha aqui, — meu pai falou quando me puxou para dentro da casa.

~ 97 ~


Eu caminhei até a sala de estar e me joguei nas almofadas do sofá. — Ele ligou três vezes já, eu tinha certeza de que você casa com sua irmã. — Eu balancei a cabeça rapidamente, puxando meus joelhos debaixo de mim, envolvendo os braços em torno de uma manta e soluçando contra ela. — Ela está muito feliz, e iria querer falar sobre isso. Meu pai não fez nenhum comentário. Ele atravessou a sala e serviu dois copos com um líquido âmbar. — Aqui, isso vai te acalmar um pouco. Eu bebi o que estava no copo e, em seguida, entreguei de volta para ele. Nós nos sentamos juntos em silêncio por vários minutos antes de ele começar. — Christi, tem uma pergunta que eu tenho que fazer. — Virandose para mim, ele segurou minhas mãos nas dele, — Será que ele te machucou fisicamente? — Não, pai, ele não me bateu. Eu virei o meu corpo inteiro e me arrastei em seus braços a minha espera. Mesmo sendo uma mulher adulta, nunca me senti mais segura do que nos braços do meu pai. — Christi, eu preciso ligar para ele e avisá-lo que você está segura. Independentemente do que ele fez ou deixou de fazer, ele precisa saber que você está aqui e segura comigo. Eu simplesmente assenti com a cabeça e me enrolei mais no lado do meu pai. Eu podia sentir meu pai discar o telefone. Eu escolhi fechar os olhos e não pensar sobre o que tinha acontecido. — Ela está segura. Silêncio. — Ela disse que você não bateu nela e essa é a única razão pela qual eu estou ligando para você. Deixe-a em paz esta noite, tudo bem? E com isso, ele encerrou a chamada.

~ 98 ~


Capítulo dez O sol estava brilhando quando eu cheguei no trabalho. Pena que o meu humor estivesse tão nublado. Eu não dormi muito bem ontem à noite. Meu pai não disse uma palavra depois que desligou o telefone com Patrick. Era exatamente o que eu precisava, ninguém me perseguindo pelo que tinha acontecido, não era da conta de ninguém, exceto minha. Eu me perguntei novamente se eu estava certa no início, se Patrick precisava de alguém que fechasse os olhos, eu não era aquela garota. Eu nunca seria aquela garota. Charlotte estava esperando por mim quando cheguei ao escritório, uma grande xícara de café na mão. — Eu gostaria de perguntar como foi a sua noite, mas pelo olhar em seu rosto e o enorme buquê de flores em sua mesa, eu diria que alguém fez besteira. Eu peguei a xícara de sua mão, dei a volta na minha mesa e a larguei. Agarrando o vaso com ambas as mãos, eu saí do escritório e fui até a porta de entrada. Eu coloquei as flores na calçada e depois voltei para o meu escritório. Charlotte não disse nada enquanto eu sentava na minha cadeira e bebia o meu café calmamente. Eram quase onze anos quando Nora entrou no meu escritório. — Se você veio aqui para defendê-lo, pode fazer a volta. Nora parou na porta e me deu um olhar confuso. De repente, o olhar no rosto dela mudou e ela enfiou a mão na bolsa, pegou o telefone e fez uma chamada. — Importa-se de explicar por que a minha Christi está pronta para estrangulá-lo com suas próprias mãos? Eu vi como Nora ouviu por alguns segundos e revirou os olhos.

~ 99 ~


— Patrick realmente, nós estamos em 2014, não em 1954. Ela não tem ideia dos tipos de mulheres que andaram aquecendo a sua cama. Nora atravessou a sala e sentou-se em uma das cadeiras em frente a mim. — Tudo o que sei é que você precisa corrigir isso e eu lembrá-lo que aquelas flores de loja de 1,99 não vão nem começar a fazer o trabalho, é de Christi que estamos falando uma das suas vagabundas cabeça-oca. Corrija isso Patrick Malloy, antes que seja tarde demais.

preciso mesmo não de Shane

Ela ficou novamente em silêncio, e eu suspeitava que ela estivesse ouvindo o lado de Patrick da história. — Bem, eu estou feliz que ela as tenha recusado, eu teria atirado o vaso na sua cabeça! Nora olhou diretamente nos meus olhos enquanto falava. — Eu não vou te dizer se o colar ainda está no pescoço dela ou não, descubra como corrigir essa burrada. Ela não esperou pela resposta dele, simplesmente encerrou a chamada e em seguida, virou-se para Charlotte. — Charlotte, eu vou pegar Christi emprestada por alguns dias. Eu olhei para Nora em estado de choque. O que ela estava pensando, eu o tinha chá de panela da filha dela para terminar de planejar. — Claro, Nora, mas temos aproximando.

chá de panela

de Paige se

Nora voltou sua atenção para mim. — Tudo que você precisa é de um telefone e um computador, você pode trabalhar a partir de qualquer lugar, estou certo? — S-sim? — Bom, então está resolvido. Nora enfiou a mão na bolsa e tirou um lenço e um grande par de óculos de sol, e os entregou a mim. — Você vai precisar deles, minha jovem.

~ 100 ~


Duas horas mais tarde, nós saímos da rodovia para uma estrada ladeada por uma cerca branca e imaculada, coberta de cada lado por flores silvestres e arbustos bem cuidados. No final da longa e sinuosa estrada de terra emergiu uma enorme casa branca. Parecia ser uma casa antiga de fazenda. Ao lado, havia ainda um grande celeiro vermelho e atrás da casa um grande lago. Nora era boa em despistar os homens de Patrick; o carro que estava estacionado em frente ao meu trabalho não se moveu quando passamos, estou certa de que eles pensavam que era outra pessoa. — Esta casa tem estado na minha família por um longo tempo. — Nora respondeu à minha pergunta silenciosa. — Patrick não vai pensar neste lugar desde que ele não esteve aqui desde que era um menino. Ele vai me ligar e tentar descobrir onde você está, mas ele precisa ver como seria se você não estivesse mais na vida dele. Saí do carro e respirei fundo. O ar era tão limpo aqui e você não ouvia nada, exceto o vento nas árvores. Eu comecei a trabalhar em um dos quartos do andar de baixo, Nora estava certa, tudo o que eu precisava era de internet e de um telefone. Eu fiz um grande progresso sem ter interrupções. Naquela noite, Nora voltou com Allyson e Paige. Elas trouxeram vários filmes e muito mais comida do que dez pessoas poderiam consumir. Sentamos em torno da televisão rindo e contando histórias estúpidas de antigos namorados. No dia seguinte eu acordei mais descansada do que nunca. Allyson saiu mais cedo para que pudesse voltar para Ryan, mas Paige decidiu passear e relaxar. — Christi, eu não quero saber o que Patrick fez. Conhecendo-o como eu conheço, ele provavelmente foi insensível e indecente, mas no fundo ele realmente se preocupa com você. — Paige disse enquanto brincava com a manta do sofá que descansava no colo. — Como você conseguiu, Paige? — O que, Christi, perdoá-lo? — Não, não é sobre Patrick, Caleb. Como você se apaixonou por um homem que tinha sido escolhido para você? Paige sorriu e ela tinha um brilho suave no olhar depois que eu disse o nome dele. Não havia dúvidas, eles eram muito apaixonados. ~ 101 ~


— A primeira vez que vi Caleb, eu tinha viajado para o Mississippi e minha Ma disse que eu não tinha que gostar dele se eu não quisesse. — Então você sabia do casamento arranjado? — Eu sei que isso soa tão medieval, e suponho que, se você não cresce sabendo que assim é como as coisas seriam, iria incomodála. Honestamente, foi muito empolgante para mim. Eu sabia que se quando eu conhecesse Caleb e se nos déssemos bem, então poderíamos ignorar todo o — e se — e apenas discutir o nosso futuro juntos. O sorriso em seu rosto nunca vacilou enquanto ela continuava a me contar sua história. — Então, é evidente que vocês ‗se deram bem‘. — Eu ri enquanto fazia aspas no ar. — Oh, você não tem ideia de como nos demos bem nessa viagem. — Oh, meu Deus Paige, você não fez. — Sim nós fizemos. Ele foi meu primeiro e eu nunca mais queria sair de lá. Eu ri enquanto recordava do meu primeiro. — Desde o primeiro momento que eu pus os olhos em cima dele, eu sabia que isso estava certo, que seríamos perfeitos em todos os sentidos. Muito parecido com você e o meu irmão são perfeitos um para o outro. — Eu gostaria de ter a sua confiança, eu não estou tão certa. Paige chegou mais perto de mim e tomou minha mão na dela. — Christi, Patrick é humano e ele é homem, então você tem que levar isso em consideração. Ele irá fazer as coisas realmente estúpidas por causa disso. Eu revirei os olhos para ela. — Mas você também tem que lembrar que ele está disposto a fazer qualquer coisa que você pedir a ele. — Não, isso não é verdade, Paige. Se fosse eu não estaria aqui, estaria ao lado dele, tendo uma terceira ou quarta rodada. Ele agiu como se eu estivesse pedindo-lhe para cortar seu pau ou algo assim.

~ 102 ~


Eu me levantei do sofá e caminhei até a grande janela com vista para o lago. — Eu me sinto como se eu fosse apenas um número para ele, um furo proverbial em seu cinto. Assim que as palavras saíram dos meus lábios, uma lágrima solitária viajou pela minha bochecha. O que ele tinha feito doeu, e doeu muito. — Mas ele disse que te amava, isso conta para alguma coisa? Eu baixei a cabeça para a memória de Patrick gritando essas três palavras para mim enquanto eu fechava a porta. O vidro frio era bom contra a minha testa enquanto mais lágrimas começavam a cair. — Ele disse aquilo na esperança de me impedir de ir embora. — Christi... — Ele disse aquilo, na esperança de que eu agisse como uma das vagabundas loiras dele, que não contestam nada. — Minha voz estava refletindo a minha agitação. — Christi, eu tenho que pará-la aí mesmo. Primeiro Patrick nem sequer gosta de loiras. — Sério? Porque, com exceção da primeira vez que eu coloquei os olhos nele, ele sempre tinha uma loira pendurada nele. — Minhas palavras mais duras do que deveriam. — Mas ele as estava tocando? Suas palavras me atingiram como um taco de beisebol. Eu pensei naquele dia no estacionamento, a primeira loira com quem eu o vi, ele a tinha tocado? Não, não, ele não tinha. Em seguida, com Harley, ela foi novamente a única tocá-lo. — Eu posso dizer a resposta pelo olhar em seu rosto. Nenhuma de nós disse uma palavra enquanto eu pensava em tudo aquilo. Eu observei como as folhas nas árvores se moviam com o vento. Como a luz dançava nas pequenas ondas do lago. Um esquilo correu pelo gramado, parando apenas para empurrar o que eu supus ser uma noz caída em sua bochecha inchada. Oh eu queria ter a vida simples de um esquilo.

~ 103 ~


— Eu conheço o meu irmão, Christi. Ele nunca disse essas palavras para qualquer mulher que não fosse da família. Ele não faria isso com você por nada menos do que lhe dizer seus verdadeiros sentimentos. Depois de algumas horas no deck e de beber café, eu me vesti e saí para uma caminhada ao redor do lago. Estava próximo ao pôr do sol, quando finalmente voltei para a casa. Eu não estava pronta para entrar, pensei, então eu desci a doca de madeira e me sentei no final. Eu me inclinei e observei os pequenos peixes nadando ao redor sob os meus pés. Eu senti a vibração do movimento doca e soube quem era sem olhar. Olhei para cima para ver o sol descendo ao longo do horizonte. A luz fraca refletia na água. — Christi? — Sua voz era quase um sussurro. — Você não tem que se virar nem dizer qualquer coisa, mas você pode apenas ouvir o que eu tenho a dizer? Eu não me virei, nem mesmo reconheci seu pedido. — Você está certa, sobre tantas coisas. Eu poderia dizer pelo seu tom de voz que ele estava tendo uma batalha interna consigo mesmo. — Eu sinto muitíssimo. Eu, você... Eu continuei pensamentos.

calada,

deixando

que

ele

organizasse

os

— Eu desrespeitei você da pior maneira. Você tem todo o direito de saber todos os detalhes sobre a minha vida. Eu podia senti-lo se aproximar, senti a vibração mais forte na doca quando ele se sentou atrás de mim. — Se eu pudesse ter tudo de volta, eu o faria. Eu teria feito o que você me pediu e não questionaria. Eu gostaria de ter tudo de volta, bem, exceto lhe dizer que eu te amo. Eu podia sentir as lágrimas começando a se formar, nublando a minha visão. — Com certeza, eu um timing terrível, mas é verdade, no entanto. Uma lágrima correu em ambas as minhas faces, eu deixei. ~ 104 ~


— Eu fiz os exames. Eu pedi para o meu médico fazer todos os testes que ele pudesse pensar e apressar os resultados. Eu os tenho aqui, se você quiser ver – eu estou limpo. Eu olhei para baixo enquanto sua mão esquerda, que segurava alguns papéis brancos enrolados firmemente, apareceu na minha frente. — Obrigada. Para fazer os exames, eu quero dizer. — Você não deveria ter que me perguntar, eu deveria saber e estar melhor preparado. Eu vi como a luz desaparecendo dançou em seu rosto. Sentado aqui no final da doca não estava um homem poderoso, ou um homem a ser temido, este era o meu Patrick. Um homem que claramente faria qualquer coisa por mim. — Você é a coisa mais importante na minha vida e eu vou lutar até a minha morte por você. Suas palavras eram quase um sussurro, mais ainda assim eu ouvi alto e claro. Eu vi como os olhos Patrick deixaram meu rosto e viajaram até o meu pescoço, onde o trevo dele descansava. Senti seus dedos quentes entre o metal e a minha pele. — Eu rezei para que você ainda o estivesse usando quando eu te visse. Seus olhos, em seguida, encontraram os meus novamente. — Você entende porque eu fiquei chateada? Ele acenou com a cabeça e começou a brincar com a minha pulseira. — Eu senti como se fosse apenas mais uma, como se eu não importasse, desde que você gozasse no final. Sua mão esquerda foi para o meu pulso e, em seguida, viajou para cima, onde ele passou as costas de seus dedos em toda extensão do meu rosto. — Você nunca foi mais uma para mim, Christi, eu vou provar isso para você, eu juro.

~ 105 ~


Eu estava cansada de estar irritada com ele, que era hora de seguir em frente. Eu me inclinei lentamente, fechei os olhos e Patrick rapidamente seguiu os meus movimentos quando os nossos lábios se encontraram. Esse beijo foi doce e terno, exatamente adequado para o momento. — Para registro, eu também te amo. — Eu olhei nos olhos dele, verdadeiramente querendo dizer as palavras que eu falei. Depois que o sol finalmente se pôs, Patrick pegou a minha mão e me levou de volta para a casa onde ele fez um fogo e começou a me contar o seu passado sexual sórdido. — Quando eu estava com quase dezoito anos, meu tio me disse que queria me dar um presente de aniversário antecipado. — Espere, tio de sangue ou o tio de poço? Quando eu era pequena, eu sabia que tínhamos dois tipos de família, família de sangue e família de poço. Família de poço, eram pessoas que conhecíamos há tanto tempo que provavelmente, os nossos bisavós tinham sido banhados no mesmo poço que seus bisavós. Nós os considerávamos família. — Um tio de poço, de qualquer maneira, ele me levou para um bar e me mandou escolher qualquer uma das mulheres que ele tinha escondidas na parte de trás. Eu realmente não queria nenhuma delas, porque elas pareciam abatidas e mal tratadas. Elas sorriram, cada uma se esforçou para chamar a minha atenção. No entanto, eu não fiquei impressionado com nenhuma delas. Sorte para mim, aconteceu uma briga e o meu tio saiu correndo comigo atrás. Ele disse no carro que iria me compensar, mas ele foi morto antes que pudesse cumprir sua promessa. Patrick tinha uma mecha do meu cabelo enrolada em seus dedos e continuou a contar sua história. Eu não estou certo de quem saiu perdendo mais, ele ou eu. — Então, eu vi uma menina bonita um dia. Eu queria ir até ela e convidá-la para sair, mas antes que eu pudesse chegar perto, ela estava falando e rindo com outro cara. Eu a vi mais algumas vezes e a cada vez que eu pensei em ir até ela, eu mudei de ideia e caminhei para o outro lado. Eu estava em uma festa bem antes de ir para a faculdade e eu tinha acabado de ver esta menina com outro cara e eu fiquei chateado. Então, eu encontrei outra menina que era exatamente o oposto e a levei lá para cima. Eu nunca soube o nome da menina e tão

~ 106 ~


logo terminei. Eu fui para Yale e tentei tirar aquela garota da minha cabeça. Eu tive algumas meninas na faculdade, mas eu deixei bem claro que eu não queria um relacionamento. Eu me levantei do sofá e abri uma nova garrafa de vinho, eu nos servi e Patrick continuou. — Quando eu cheguei em casa e assumiu os negócios, eu estava tão focado em provar a mim mesmo que eu dei um tempo das mulheres. Isso não quer dizer que eu não recebia uma punheta ou duas. Mas por um longo tempo, eu não levei nenhuma mulher para a cama. Eu sei que a minha família tem expectativas muito elevadas comigo e eu vou fazer de tudo ao meu alcance para me certificar de manter a minha família orgulhosa. Ele virou todo o seu corpo para mim, e pegou as minhas duas mãos nas dele. — Christi, quando eu me casar com você, e eu não quero dizer se - eu não quero ter nada entre nós. Eu quero ter este pequeno vislumbre de esperança cada vez que eu fizer amor com a minha linda esposa, de que acabamos de criar um pequeno milagre irlandês. Eu tive que sorrir para ele. Eu nunca o tinha visto tão bonito. — A família é tudo para mim. É por isso que eu tenho sido tão duro com Douce desde que descobri sobre Giggles. Eu acredito que se você é homem o suficiente para ter relações sexuais com uma mulher, então você é homem o suficiente para lidar com as responsabilidades de qualquer coisa que venha a partir disso. Eu não conseguia pensar em outra coisa enquanto passava meu dedo indicador ao longo de seu queixo cinzelado. — Christi, Me desculpe, eu desrespeitei você. Eu estou tão acostumado a ter o que eu quero, quando eu quero que eu me esqueço que você é igual a mim e têm uma enorme palavra a dizer no que eu faço. Obrigado por ser tão maravilhosa e me dar outra chance, mesmo que eu não mereça – nem outra chance, nem você. Eu sorri quando respondi: — Oh, Sr. Malloy, não tenho dúvida de que você vai me compensar por isso. — Oh, você não tem ideia das maneiras que eu planejo fazer exatamente isso. Eu beijei seus lábios suavemente e sussurrei, — Eu te amo.

~ 107 ~


— Eu te amo, muito, minha Christi.

~ 108 ~


Capítulo onze Nora e eu estávamos tentando amarrar todas as pontas soltas do chá de panela de Paige. Com a festa sendo dada pela família do noivo, Nora estava tentando ficar de fora do planejamento. No entanto, quando foi sugerido que um Low Country Boil2 fosse servido, Nora bateu o pé e depois de uma série de telefonemas aquecidos, um chá inglês foi finalmente agendado. Paige estava tão animada com a ideia de uma festa de chá Inglês, que implorou a Caleb para mandar trazer da Inglaterra um especialista sobre o assunto. Patrick me ligou e me pediu para ter uma conversa com ela. Eu entrei em contato com Allyson, que, como todos nós sabíamos não tinha problema em dizer como as coisas eram, e me deu conselhos sobre como lidar com Paige. Eu encontrei um hotel local que realmente servia chá da tarde e contratei a senhora que o coordenava para vir mostrar-nos o que fazer. — Tudo bem, Christi, você está pronta para isso? — Charlotte questionou quando eu estava terminando de ajustar as definições de lugar. — Essa é uma boa pergunta, eu fico um pouco nervoso de pensar que é apenas um chá de panela e há tantas pessoas convidadas. Este seria o primeiro chá de panela, onde a lista de convidados era mais de duzentas pessoas. Era também o primeiro em que os homens estariam na sala ao lado, no caso de algo acontecer. Eu estive pensando sobre isso um pouco recentemente. Patrick nunca ia a qualquer o lugar sem seus guarda-costas, e agora eu tinha homens me seguindo em todos os lugares que eu ia também. Se eu fosse me casar com Patrick e ter filhos com ele, essas crianças se tornariam alvos? Será que eles teriam homens os seguindo onde quer que fossem? Eu não poderia imaginar tentar assistir a um jogo de futebol com dois ou três guarda-costas pairando em torno de mim. Eu É um grande cozido sulista com batata, espigas de milho, salsicha, camarão caranguejo, lagostin e temperos. Depois de cozidos todos juntos a água do cozimento é escorrida e os alimentos são ‗jogados‘ sobre uma mesa geralmente coberta com uma toalha de plástico. 2

~ 109 ~


não tive um segundo a mais para pensar nisso, pois a família de Caleb tinha chegado. A Senhora Montgomery era tudo o que Nora tinha dito e mais um pouco. Eu educadamente me apresentei a ela como a coordenadora da festa. Ela me olhou de cima a baixo com condescendência antes de virar o nariz como se eu estivesse abaixo dela. Nora percebeu e se aproximou para cumprimentá-la. — Eileen, que bom ver você de novo, eu vejo que você conheceu a nossa Christi. — Oh, sim, Nora. Bom te ver também. Sim, ela me disse quem era, é o mínimo que ela podia fazer depois do que isso está me custando. Desculpe-me, cadela? Você insistiu em pagar por esta coisa! — Sim, bem, Eileen, se o dinheiro é um problema, tenho certeza que Christi poderia simplesmente pedir a Patrick o seu talão de cheques. Eu me virei para Nora com uma sobrancelha erguida. Do que diabos ela estava falando? — Patrick? O que essa garçonete glorificada sabe de Patrick? Eu observei enquanto o rosto de Nora mudava para uma expressão de pura alegria, e talvez um pouco de maldade. — Eileen, devo apresentá-la à Christi de Patrick. Eu sei que você já ouviu falar que ele lhe deu o colar. Esta... é a nossa Christi. Você poderia ter empurrado um caminhão tanque no buraco que era a boca de Eileen. Eu não tinha percebido que o fato de eu aceitar o trevo tinha sido tal notícia. Eu pensei que era apenas uma coisa de família. É evidente que eu estava errada. — Oh, bem, você deve estar muito feliz, então, Nora, ela é muito bonita. Nenhuma vez após Nora definir quem eu era, Eileen olhou diretamente para mim. Eu estava acostumada a isso os homens de Patrick, mas isso era novo vindo de uma mulher. — Estou feliz pelo meu filho. Christi é boa para ele, e ela faz dele um homem melhor. Uau. Por essa eu não esperava.

~ 110 ~


Depois que todas as convidadas tinham chegado, o chá foi servido. Eu me encaminhei para o fundo da sala. Eu queria ter certeza que a equipe tinha tudo de que precisava. Eu estava no modo trabalho completo quando Nora se aproximou de mim. — Christi, você precisa tomar o seu lugar. — Nora... o que? — Você é um membro desta família e você precisa ter um assento com a família. — Nora, obrigada, mas eu também estou trabalhando. Algo que você deveria aprender muito rapidamente: nunca discuta com as mulheres Malloy. — Será que você não contratou Frankie para ajudá-la? Parecia uma pergunta, mas certamente não era. — Então vá retocar o seu rosto e se juntar a nós. Ficar sentada e não ajudar foi um verdadeiro teste de nervos. Eu queria tanto ir até a cozinha me certificar que tudo estava indo bem. Não é que eu não confiasse em Frankie, eu só tinha problemas com abrir mão do controle. Mal tínhamos começado o nosso segundo bule de chá, quando notei que o rosto de Eileen estava amassado de forma desdenhosa. A chefe em mim queria ter certeza de que estava tudo bem. — Nem sequer pense nisso, — Nora instruiu da minha esquerda. — Desculpe, é apenas difícil me desligar. — Christi, mesmo que não estava pagando por isso, ela ainda estaria infeliz. Isso é apenas como ela é. — Era mais do que isso e eu sabia disso. Nora não tinha nenhum problema com ler a minha expressão. — Vamos começar com os presentes e vamos conversar. O chá foi realmente muito divertido. A senhora do chá, Senhora Belvedere, foi muito informativa quando contou a história dos diferentes chás que estavam sendo servidos. Era interessante saber que diferentes chás eram servidos em diferentes momentos do dia e que esta era uma tradição que ocorria há muitos anos na Inglaterra. Eu esperava que um dia eu pudesse viajar para o exterior e experimentar um chá autêntico.

~ 111 ~


Sentar ao lado de Allyson foi certamente um evento divertido. Ela e Paige contaram diferentes histórias sobre as mulheres presentes. Era como se as pessoas ali fossem selvagens. — Então, eu ouvi que você e Patrick trocaram a palavra com A... — Paige sussurrou quando Nora não estava escutando. Eu só podia sorrir. — Você sabe, eu realmente não deveria dizer isso, no entanto... — No entanto, ela tem uma boca grande e vai dizer de qualquer maneira, — Allyson brincou. Paige beliscou seu braço, fazendo com que as duas rissem. — De qualquer forma, como eu ia dizendo... Patrick disse a Caleb que se apaixonou por você na noite em que a encontrou no clube de jazz e você quase arrancou a cabeça dele sobre ser chamada de Legs. Ele disse que apenas havia apenas algo em você que o atraiu profundamente. Eu sorri com a lembrança daquela noite. — Eu sabia que tinha me apaixonado por ele no dia que ele me encontrou no túmulo de minha irmã e me perguntou que era a minha memória favorita dela. Era como se ele quisesse conhecê-la, também. — Então, você está feliz por ter decidido dar uma chance a ele? — Paige questionou, tomando um gole de sua xícara. — Você sabe, — Eu sorri levantando minha xícara também, — eu realmente estou. Escutei quando Nora contou a história de como ela e Thomas tinham tentado fugir por um fim de semana quando seus filhos eram pequenos. Ela riu e disse que, nas semanas que antecederam a viagem, cada vez que Thomas tentava tornar-se íntimo com ela, uma das crianças interrompia. — Então, finalmente, estamos deitados naquela linda cama, em uma linda pousada, nus como o dia em que nascemos, — ela riu com sua memória. — Thomas está metendo como se não houvesse amanhã e o maldito telefone toca. Ela contou que era o tio que tinha ficado com as crianças e parecia que Patrick achou que seria legal 'lançar' sua irmã mais nova. Ela passou a explicar o ‗lançamento‘ — Patrick estava deitado de ~ 112 ~


costas, com as coxas tocando o peito e ela sentada na sola dos seus pés dele. Ele, então, empurrou as pernas para cima para ela sair voando. Ele foi bem sucedido, não só projetando-a diretamente no ar, mas também ao quebrar seu braço em três lugares, necessitando de cirurgia. — Tivemos que correr de volta para que pudéssemos estar lá com a pequena Paige. Eu vi como Paige ficou verde de ouvir que seus pais estavam fazendo sexo. — Oh, apenas espere, minha filha querida; faça tanto sexo quanto puder agora, porque uma vez que você leva os bebês para casa, você nunca mais irá fazer até que eles saiam de casa. A mesa inteira irrompeu em gargalhadas; bem, exceto Paige é claro. Estando neste negócio durante o tempo que eu estava, você é obrigada a ver algumas coisas incríveis. Nada poderia ter me preparado para assistir Paige abrir os presentes. De uma de suas tias da Irlanda ela recebeu um incrível lenço de renda feita à mão. Nora me disse que ela iria levá-lo durante seu casamento. Evidentemente, havia sido feito a partir da sobra da renda do vestido de batizado de Paige. Eu quase chorei quando ouvi a história. Thomas e Nora deram um arquiteto para construir uma casa para eles. Uma casa... oh, meu deus... Caleb tinha enviado um colar absolutamente deslumbrante coberto de diamantes. Eileen fechou os olhos e balançou fisicamente quando Paige jorrou sobre ele. Aparentemente, ele tinha sido deixado para Caleb pelo pai de Eileen. Nora sussurrou que ele teria ido para a Eileen se ela tivesse se casado com o homem que seu pai mandou. Eu levei um susto quando Paige ergueu um grande envelope dourado da mesa e leu em voz alta: — De Patrick e Christi. Ela rasgou o envelope enquanto eu permanecia sentada como uma estátua na minha cadeira. Vi quando ela tirou um documento de aparência oficial e começou a literalmente guinchar quando pulou da cadeira e correu ao redor da mesa. — Oh, Christi, obrigada... obrigada! É exatamente o que eu queria. Oh, eu estou tão feliz! — Seus braços se apertaram em torno de mim, e ela violentamente me balançou para trás e para frente. Eu era

~ 113 ~


incapaz de fazer qualquer coisa enquanto ela continuava a vibrar de alegria. Uma vez que ela finalmente me soltou, deixou cair o pedaço de papel em cima da mesa na minha frente e, em seguida, antes de colocar de volta no envelope. Foi neste momento que eu notei não apenas uma foto, mas um documento de um carro em nome de Paige. Patrick havia lhe comprado um Jaguar conversível. — Nora, eu não tinha ideia. Ela bateu no meu joelho enquanto se inclinava e sussurrava: — Você notou que Eileen não deu nada para ela? Eu olhei para Nora com os olhos arregalados. — Você está brincando comigo, certo? Eu comprei para ela um conjunto de sousplát para seu jogo de jantar que estava na lista de presentes, nada demais... Nora me cortou, colocando a mão na minha. — Sim, minha jovem, e não pense que Eileen não notou que ela recebeu dois presentes de você. Eu sussurrei para Nora, — Mas eu não tinha ideia de Patrick ia fazer isso. Nora apenas sorriu: — Sim, mas Eileen também não. Eu não entendia o que estava acontecendo aqui e mal sabia eu que estava prestes a deixar Eileen completamente sem palavras.

~ 114 ~


Capítulo doze — Christi, venha comigo, — Nora instruiu, pois vimos Eileen ficar chateada com o gerente do hotel. — ...E os scones eram velhos. Você é maluco se você acha que eu irei pagar por eles, — Eileen assobiou para o pobre gerente. — Há um problema aqui, Eileen? — Nora questionou. — Oh, você sabe, Nora, estúpidos americanos, o que eles sabem sobre etiqueta britânica? Ouvi-la atacando, não só Edgar o gerente do hotel, mas depois de tudo o que eu tinha visto hoje, eu finalmente cheguei ao limite. Eu nem sequer realmente pensar no que estava fazendo, apenas aconteceu. — Eu sinto muito, Edgar. Aqui, deixe-me cuidar de tudo. Eu não tinha devolvido a Patrick o cartão de crédito da festa de Shannon, então eu o entreguei rapidamente para Edgar, que correu para longe com ele. Foi depois que ele estava fora de vista foi que eu vi o preço final, onze mil dólares... ótimo, lá se vai foi uma enorme lasca das minhas economias. Eu olhei para as duas senhoras diante de mim, Nora estava de pé, altiva como a mãe de uma medalhista de ouro. Eileen, no entanto, tinha um olhar de choque absoluto e, francamente, estava um pouco verde. — Sim, bem, uma vez que está tudo resolvido, — Nora riu. — Vamos tomar essa bebida agora, Christi? — Espere! Deixe-me... deixe-me te dar um cheque... você... — Eileen gaguejou ao tentar abrir a bolsa Gucci. Eu me virei para olhar para Eileen. Notei então como suas mãos tremiam para encontrar o seu talão de cheques. — Oh, Senhora Montgomery, não importa o dinheiro. Nós estúpidos americanos estamos mais do que dispostos a intensificar e

~ 115 ~


ajudar, — eu sorri para ela e me virei para me juntar a Nora no bar do hotel. Nora esperou até que estivéssemos sentadas e com as nossas bebidas antes que ela finalmente disse algo. — Você agiu como uma Malloy hoje, estou tão orgulhosa de você. Espere até que Patrick ouça sobre isso. Eu baixei a cabeça e soltei um suspiro. — O que eu fiz hoje foi estúpido. Eu a desrespeitei me intrometendo onde não era chamada. Minha única razão por trás disso era salvar a minha ligação amigável com o pessoal aqui. — Nora apenas sorriu enquanto tomava um gole de sua bebida. Eu ri e continuei, — Essa foi a refeição mais cara que eu já paguei. Vai me levar um tempo para recuperar esse dinheiro. Nora tranquilamente colocou seu copo de vinho sobre o balcão. — Você acha que Patrick vai mesmo piscar um olho naquela fatura de cartão de crédito? Eu olhei para ela interrogativamente: — Ele não terá. Vou dar a ele um cheque amanhã, juntamente com um pedido de desculpas por usá-lo sem a sua permissão. Nora silenciosamente riu enquanto continuava a saborear o seu vinho. Eu, por outro lado, bebi o meu martini. — Minha jovem, eu acho que é hora de você receber um pouco mais de informação sobre as pessoas ao seu redor. O barman silenciosamente removeu meu copo vazio e substituiuo com um novo martini. O bar estava surpreendentemente tranquilo pela quantidade de pessoas que estava sentada ali. Eu não notei qualquer um dos homens de Patrick e achei isso estranho. — Eileen Montgomery é uma mulher que vive com pesar, — Nora começou a traçar linhas imaginárias sobre a mesa com a ponta da unha perfeitamente bem cuidada enquanto falava. — Veja bem, Christi, quando ela decidiu deixar a Irlanda e se casar com um americano nãoirlandês, ela não tinha ideia do que estava prestes a acontecer em sua terra natal. Ela e Sherman estavam casado por cerca de um ano e já tinham a irmã de Caleb, Mia, quando seu único irmão morreu de repente. Eu vi como Nora passou os olhos do balcão para o meu rosto.

~ 116 ~


— O direito de família afirma que em um caso como esse, a filha mais velha pode herdar o negócio da família quando o pai falece. Meus olhos se arregalaram. Eu sabia que Eileen se recusou a casar com o homem irlandês que seu pai queria, e por causa disso, ela não teria nenhum direito à fortuna da família. — A mesma lei afirma que ela deve seguir as mesmas regras e casar-se em conformidade, o que ela não fez. Para piorar a situação, ela teve um filho com um homem americano. O barman colocou um novo copo de vinho sobre o balcão e tirou o vazio que Nora estava brincando. — A irmã de Eileen, Audrey, não só herdou o negócio quando seu pai faleceu alguns meses mais tarde, mas ela se casou com o homem do qual Eileen tinha fugido. Eles agora gerenciam o negócio e têm seis filhos. Para Audrey não falta nada, tanto quanto eu sei. Isso, no entanto, não é esse o caso de Eileen. Era surpreendente como Eileen sempre parecia tão bem e dirigia um Range Rover. Nora notou o meu olhar chocado e riu. — Oh sim, Christi, Sherman Montgomery está quase falido. Ele fez um mau negócio após o outro. Se a minha Paige não fosse tão completamente apaixonada por Caleb, eu teria feito Thomas quebrar o contrato de casamento. Caleb assumiu a empresa, e com a ajuda do dote de Paige e a assistência de Patrick, esperamos ter uma forte aliança muito em breve. Eu estava prestes a perguntar por que, nos dias de hoje, a troca de dinheiro por uma noiva ainda estava acontecendo. — Eileen pensou que se ela se casasse com Sherman, teria o status que você e eu temos. — O status que eu tenho? Este não era o meu mundo e eu não tinha nenhum direito real a Patrick ou à sua família. Eu adorava estar com ele, mas isso não mudava o fato de que ele poderia se livrar de mim como um mau hábito e passar para a próxima garota. Eu não tinha status. — Christi, acredito que Allyson lhe disse um pouco a respeito de porque os homens de Patrick não olham para você no olho? — Sim, ela disse que tinha a ver com honra e respeito.

~ 117 ~


— Sim e não, na verdade, remonta mais longe do que podemos realmente explicar. Eu quando eu digo remonta, estou falando do antigo Egito e dos faraós. Nós damos essa mesma distinção para a esposa ou noiva do nosso rei atual, por assim dizer. Se eu estava confusa antes, eu estava completamente perdida agora. Eu não era esposa de Patrick; nós mal tínhamos começado a namorar. — Ok, eu entendo que seja uma honra ser a esposa do rei ou do destinado, mas Nora, eu não sou nenhum dos dois. Claramente Patrick e eu não somos casados, e ele não me pediu para casar com ele, então por que essas regras se aplicam a mim? Nora revirou os olhos enquanto se ajustava em seu assento. — Jesus, Maria e José... Deus sabe que eu amo Allyson, mas às vezes ela não entrega as informações corretas; a pulseira, Christi. — Eu olhei para o meu pulso, os diamantes brilhando para mim. — A pulseira é um círculo completo, os diamantes, um dos materiais mais resistentes conhecidos pelo homem. A platina... eles são, em conjunto, fortes e bonitos. Tudo isso significa uma única coisa. Patrick colocou esse bracelete em seu pulso como um sinal de que você é a pretendida dele, e só você pode quebrar esse vínculo ao removê-lo. É por isso que ele estava tão preocupado que você o tivesse tirado quando eu a levei para a casa da fazenda. Eu não conseguia falar depois de sua confissão. — Eileen sempre quis ter esse nível de respeito. Ela nunca quis estar em uma posição de ter que respeitar. Isso era tão esmagador para mim. Eu conhecia seus sentimentos sobre casar, mas ser informada de que as coisas estavam nesse rumo... Antes que eu pudesse fazer mais perguntas para Nora, Patrick e seus homens surgiram pela entrada bar. — Oh, graças a Deus! Eu tive que virar esse hotel de cabeça para baixo procurando por você, — Patrick disse enquanto atravessava o espaço que nos separava e me tirou da minha banqueta, derrubando a minha bebida ao longo do processo. Ele me abraçou com tanta força que eu pensei que ele iria quebrar um osso. — Baby, por favor, não me assuste assim de novo, eu não conseguia encontrá-la e ninguém sabia onde você tinha ido. Meu rosto estava esmagado contra seu peito. Eu podia sentir seu coração batendo tão rápido que pensei que ele iria voar para fora de seu peito.

~ 118 ~


— Patrick, eu estou bem, eu estive com a sua mãe o tempo todo. Ele me afastou brevemente para olhar nos meus olhos; eu vi, então, o alívio. Eu vi como Nora e Patrick olharam para o outro, silenciosamente dizendo algo. O barman foi rápido para aparecer com uma toalha e uma nova bebida para mim. Patrick sentou-se sem dizer uma palavra e um copo de scotch foi colocado diante dele. Ele me puxou para perto e colocou a mão na minha coxa, fazendo lentamente círculos preguiçosos com o polegar; era reconfortante e, no entanto, um pouco erótico. Nora começou a contar a ele sobre o encontro com Eileen e como eu tinha pago a conta. Ele sorriu enquanto erguia seu copo com a mão livre. — Eu sinto muito, Patrick, eu vou fazer um cheque para você de manhã. Eu não sei o que deu em mim, — Eu balancei minha cabeça enquanto me desculpava. — Não, você não vai, — sua voz era firme. Eu olhei para ele com alarme. — Mas, Patrick, eu paguei onze mil dólares com o seu cartão de crédito! Você não me deu permissão para usar o cartão, exceto para a festa de Shannon. Patrick sorriu quando ergueu o meu pulso, aquele que tinha a pulseira enrolada firmemente. — Isso, amor, é toda a permissão que você precisa. Eu só podia piscar quando suas palavras começaram a fazer sentido. — Escute, se isso está realmente a incomodando, então eu posso pensar em uma maneira de você me compensar, — disse ele com uma voz baixa e eu olhei em seus olhos escuros e luxuriosos. — Oh, eu não tenho nenhuma dúvida de que você pode, — Eu ri, me inclinado para o lado. — Patrick, amor, me desculpe interromper, mas eu queria te dizer uma coisa antes de mais alguém mais o faça, — a voz gentil de Nora preencheu o ar. — Eileen não deu nenhum presente à sua irmã, nada.

~ 119 ~


Patrick virou todo o seu corpo em direção a sua mãe. Eu podia sentir seus músculos se contraindo e sua mão apertando o copo de scotch com firmeza. — Nem uma renda ou uma colcha? Nora só sacudiu a cabeça. Eu me lembrei de ouvir a minha avó que, no país de origem dela, a mãe do noivo fazia uma colcha com as roupinhas que o noivo tinha usado quando criança. Ela seria colocada sobre o leito conjugal no primeiro ano como um amuleto de sorte. — Não, amor, nem mesmo um cartão da mercearia da esquina. Eu não gostei do olhar que Nora e Patrick tinham em seus olhos. Eu não poderia descrever. Parecia quase como o olhar de quem tinha sofrido uma traição. — Falando de presentes, — Eu cutuquei Patrick na cintura com o meu dedo indicador, — Você comprou um carro para a sua irmã e adicionou o meu nome no cartão. — Patrick se virou para mim, seus olhos diabólicos fixos nos meus. O filho da puta insolente exibiu o sorriso torto só porque podia. — Amex queria um Jaguar que tinha visto revista. Quanto a adicionar o seu nome, qual é o problema?

em

uma

Eu revirei os olhos para ele. — Bem, um pequeno aviso teria sido bom. Eu já tinha lhe dado um conjunto de suportes para seu jogo de jantar. Ele beijou meu nariz e passou a mão ao longo da minha coxa, lentamente, separando minhas pernas e arrastando os dedos entre as duas. — Eu gosto quando você fica mal-humorada. Deus, as coisas que este homem podia fazer com os dedos... — Oh, meu amor, você ainda não meu viu mal-humorada, — eu gemi. Ele beijou meus lábios enquanto seus dedos subiam ainda mais. — Patrick, — seu nome saiu como um suspiro. — Sinto muito, eu vou parar. Infelizmente, ele parou. Eu sabia que Nora estava ao nosso lado, mas seus dedos realmente fizeram as minhas partes femininas formigar.

~ 120 ~


— Tudo bem, vocês dois, o jantar será na nossa casa. Sem desculpas; e eu espero vocês dois, — Nora começou quando se levantou. Patrick fez o mesmo e a ajudou a recolher suas coisas. Uma vez que ele a tinha acompanhado até a porta, ele se virou e voltou para mim. — Bem, tanto para os planos que eu tinha para você mais tarde, — afirmou ele bruscamente. — Patrick, é apenas um jantar, nós podemos ir para a sua casa depois. O sorriso voltou ao seu rosto quando ele me ajudou a sair da minha banqueta. — Eu gosto do jeito que você pensa. — Oh, você não tem ideia dos planos que tenho para você mais tarde, — eu disse quando ele pegou a minha mão. — Eu estou ansioso por cada detalhe, confie em mim.

Jantar com Nora e Thomas foi surpreendentemente relaxante. Vendo Nora ir de seu estilo típico ―vestida para impressionar‖ para suas calças de ginástica e moletom com capuz e zíper foi refrescante, e eu tinha que admitir que foi bom apenas sentar e desfrutar de uma atmosfera casual. Uma vez que a refeição terminou e eu tinha insistido em lavar os pratos, todos nós nos encontramos na sala de família desfrutando de uma garrafa de vinho. — Então, como foi o chá de panela, senhoras? — Thomas questionou enquanto cruzava as pernas em sua poltrona. Ele não tinha sido capaz de participar e ficar com os homens no salão próximo ao nosso. — Eileen não deu nenhum presente, nada, — Nora disse sem emoção. — Então é verdade, — Thomas respondeu, olhando para Patrick. Eu vi quando Patrick balançou a cabeça solenemente. Nenhuma outra palavra foi trocada e eu estava muito nervosa para questionar o

~ 121 ~


que eles estavam falando. Eu não podia deixar de me perguntar por que essa questão do presente era tão significativa. Patrick não perdeu tempo depois que voltamos para seu apartamento. Em um piscar de olhos eu encontrei a minha blusa no chão e minhas costas nuas contra seus lençóis macios. Suas mãos fortes eram gentis na minha pele. Eu fiz um rápido trabalho com sua camisa e passei a minha mão ao longo de seu peito musculoso, enquanto seus lábios e língua me dominavam. Eu estava tão perdida em seu toque que mal ouvi seu celular tocando. Patrick ignorou e continuou. Segundos depois o telefone da casa começou a tocar. Mais uma vez, Patrick o ignorou e continuou. Quase um minuto se passou e o telefone da casa tocou novamente. Desta vez, Patrick se afastou de mim, rolou para o lado e gritou no aparelho, — O quê? Eu não podia ouvir o que estava sendo dito do outro lado, mas o rosto de Patrick começou a amolecer. — Brandon, ela é uma mulher pequena, rebente a merda da porta e tire-a daí. — Patrick ficou quieto novamente; seus dedos encontraram seu cabelo e ele começou a puxar. Eu sabia que ele estava ficando frustrado. — Tudo bem, eu estarei aí em quinze anos. Encontre o filho da puta que a drogou. Patrick colocou o telefone de volta na base e, em seguida, virou-se para pairar sobre mim novamente. — Eu sinto muito ter que fazer isso com você. — Ele encostou a testa na minha, — Michelle se trancou no banheiro de um motel desprezível no centro. Ela se recusa a sair e não quer falar com mais ninguém além de mim. Evidentemente, ela foi para lá com um cara e ele a agrediu muito. Eu sabia que Michelle tinha um problema com drogas. A situação me fez pensar na minha irmã. Se Coleen pudesse ter tido alguém como Patrick para ir salvá-la, as coisas teriam sido diferentes. — Babe, não se preocupe, vá ajudá-la e então volte para cá. Eu estarei esperando por você. Ele me beijou e então começou a se vestir. Com um último beijo e trocas de — eu te amo, — ele saiu. Eu permaneci acordada por horas depois de ele ter saído. Eu comecei a pensar em quantas vezes isso aconteceria se fôssemos

~ 122 ~


casados. Será que ele perderia jogos de beisebol e recitais de dança por coisas como esta? Eu acho que só o tempo diria. Eu o senti enquanto eu lentamente saía da minha névoa de sono. Eu tinha certeza que tinha acabado de cochilar. Ele tinha acabado de tomar um banho quente e eu me virei para encará-lo. — Ei, você chegou, — eu sussurrei, minha estava voz rouca e cheia de exaustão. — Umm hmm, — ele esfregou seu rosto no meu cabelo e respirou fundo. Eu não pude deixar de rir. — Você pode me dizer por que está me cheirando? Ele soltou a respiração e chegou mais perto de mim. — Porque o seu cheiro é muito melhor do que o que eu acabei por cheirar nas últimas horas. Eu o abracei mais apertado ao meu corpo. Eu sabia que nada sexual ia acontecer entre nós esta noite, ele só precisava que eu estivesse aqui. — Você conseguiu acalmar Michelle? — Sim, ela tinha se trancado no banheiro. Nós não encontramos o cara que a agrediu, mas eu tenho algumas pistas sobre ele. Eu a internei no The Haven e consegui ajuda para tratar seu vício em drogas. Eu sorri enquanto colocava a minha cabeça na curva do pescoço dele. — Allyson estava certa sobre você. — Como assim? — No final do dia, você realmente é um cara bom. Nenhuma palavra mais foi dita até eu adormecer em seus braços.

~ 123 ~


Capítulo treze Quando eu acordei na manhã seguinte, notei duas coisas. Primeiro, Patrick tinha o alarme mais irritante. Em segundo lugar, o homem sabia fazer uma xícara de café. Seu alarme era uma combinação de um sinal sonoro irritante seguido por todas as luzes do teto sendo acesas. Sem falar das cortinas que se abriram e a luz do sol brilhante quase me cegando. Tudo foi perdoado e esquecido, no entanto, assim que ele me entregou uma xícara enorme de felicidade líquida. — Mmm, bom dia, — eu disse, sonolenta enquanto beijava os lábios dele. — Está agora, — ele disse, com a voz bastante rouca esta manhã. Patrick sentou ao meu lado na cama, deixando seu peito bem definido em exposição para mim, a calça de pijama azul claro pendurada nos quadris me dando apenas uma sugestão de seu cinzelado 'V' que me fez cruzar as pernas. Eu coloquei a minha xícara na mesa de cabeceira e me desloquei para o colo de Patrick. Ele tinha aceso um fogo em mim na noite passada que precisava extinguir. Parecia que ele estava pronto para o desafio quando puxou a minha blusa de dormir fora, atirando-a no chão. Antes que eu pudesse pousar os meus lábios em seu pescoço, a batida forte de uma porta me fez congelar. — Patrick! — Paige gritou no corredor. Eu nem sequer tive tempo de sair de seu colo antes que ela invadisse o quarto. — Patrick, você não me ouvir chamando você? Paige se colocou com os braços cruzados e batendo o pé. Ela não pareceu perceber ou se importar que eu estivesse sentada em seu colo.

~ 124 ~


— Um... eu meio que estou tentando ficar com alguém aqui, Paige, — Patrick declarou e continuou a beijar o meu pescoço. — Oh, você poderia esquecer o seu pau estúpido por um segundo? Eu preciso da sua ajuda! Paige aparentemente não tinha vergonha, já que saltou para o meio da cama. — Cara Penthouse3, você já teve um daqueles sonhos onde...? — Eu comecei enquanto descia do colo de Patrick e me arrastava para debaixo das cobertas, suspirando quando eu as puxei sobre os meus seios nus. Paige estava totalmente imperturbável. — Christi, eu estou tão feliz por você estar aqui. Eu preciso muito falar com você. Mais uma vez, Paige não tinha limites, pois pegou a minha xícara de café e a ergueu para tomar um gole. — Espera lá, porra... — Eu explodi enquanto tirava o meu café de suas pequenas mãos, — eu posso compartilhar um monte de coisas, mas a minha primeira xícara de café, não é uma delas! — Eu embalei a minha xícara de café como se fosse o diamante Hope. — Desculpe, desculpe, foi mal — ela levantou as mãos em sinal de rendição. — Você disse algo sobre necessitar da minha ajuda? — Patrick questionou, demonstrando aborrecimento em sua voz. — Sim, querido e doce, Patrick. Você sabia que a rainha das cadelas não me deu nenhum presente no meu chá de panela? Patrick tomou um gole do seu café e se inclinou suas costas contra a cabeceira. — Eu ouvi algo sobre isso. — Nada de colcha, Patrick! Sem rendas para o meu casamento... nada. — Suas mãos voaram para o ar, enfatizando seu ponto. — Confie em mim, Paige, isso não é tudo o que ela não deu no seu chá de panela. Patrick passou a contar-lhe a história de como eu tinha usado o seu cartão de crédito e pagar a conta do hotel. Os olhos de Paige

3

Revista masculina. ~ 125 ~


ficaram enormes quando ela olhou primeiro para mim e depois de volta para Patrick. — Paige, isso só confirma o que eu adverti anteriormente. — Ela não iria, iria? Quero dizer a Ma disse que quando falou com a tia de Caleb, Audrey, a renda havia sido enviada semanas atrás. — Isso confirma que ela está sem dinheiro, Paige; ela pegou aquela renda e vendeu para comprar alguma coisa. Então me bateu. Eu me senti tão estúpida por não ter percebido antes. Era uma tradição irlandesa antiga que, quando duas famílias estavam sendo unidas pelo casamento, as mães uniam pedaços de rendas de sua família. Cada pedaço de renda era extremamente antigo, tendo sido transmitido através das gerações, uma espécie de genealogia tangível. Eles eram geralmente muito complexos e feitos à mão, e, portanto, muito valiosos. Essa tradição era muito antiga, e se eu tivesse que adivinhar, o pedaço de renda de Paige tinha centenas de anos de idade. Isso era feito para simbolizar a união das duas famílias. Muitos colecionadores de renda os estudavam e poderiam dizer imediatamente onde uma família terminava e outra começava. Uma peça muito complicada, bem feita e bem preservada poderia valer milhares de dólares. Com isso dito, fazia todo o sentido porque Eileen teria vendido a dela. Meu pai tinha dado a Shannon a peça da nossa família. Ela tinha enviado para um fabricante de rendas na Irlanda, que a juntaria à peça que a mãe de Dillion tinha enviado. — Paige, deixe a Ma lidar com isso. Confie em mim, Eileen Montgomery vai se arrepender do dia em que mexeu com a nossa Ma. Não havia palavras mais verdadeiras. Nora poderia ser uma verdadeira força da natureza, especialmente quando provocada. — Então, hum, Christi, você ainda está com o seu pequeno cartão preto? — A voz de Paige mudou da noite para o dia e seus ombros se aproximaram das orelhas como uma criança que estava sendo modesta. — Sim, na verdade, eu me esqueci de devolvê-lo. Eu me movi para pegá-lo na minha bolsa, mas Patrick me parou, colocando a mão no meu ombro, — Não tão rápido, fique com ele até que o seu chegue.

~ 126 ~


Eu me virei para ele e quase caí da cama, — O que você quer dizer com ‗o meu‘? Patrick me deu o seu sorriso malicioso marca registrada. Que normalmente funcionava para deixar a minha calcinha molhada, mas infelizmente desta vez ele só me deixa puta. — Eu estou falando do cartão que a minha empresa de cartão de crédito está enviando para você. Nem sequer pense em discutir e se divirta com ele. — Patrick Malloy... Minhas palavras foram cortadas por seus lábios. Ele estava realmente jogando sujo agora. Muito bem, Sr. Malloy, dois podem jogar este jogo...

***

Em duas semanas, a minha irmã seria uma mulher casada. Eu estava feliz por ela, emocionada mesmo, e também completamente ciumenta. Eu não iria nunca admitir isso para ela, ou para qualquer outra pessoa. Era apenas como eu me sentia e eu tinha todo o direito de me sentir assim. Ontem à noite, no jantar, Patrick me disse que iria para a Irlanda em breve. Ele disse que tinha alguns negócios para cuidar, mas que estaria de volta a tempo para o casamento de Shannon. Estávamos dando sua despedida de solteira no Smoke and Mirrors, um dos clubes de Patrick. Ele insistiu que fosse lá e me garantiu que iria cuidar de tudo. Eu aprendi há muito tempo a esperar de Patrick ser fiel à sua palavra. Quando ele disse que iria lidar com tudo, ele iria lidar com tudo. Então, essa era a razão pela qual eu estava sentada na parte de trás de uma limusine que cheia de garotas muito animadas. Shannon tinha convidado todas as suas amigas da faculdade e suas damas de honra e madrinhas; seria desnecessário dizer, que estava bastante barulhento. Nós paramos na área de valet do clube e eu ouvi como menina após a menina gritou com entusiasmo. ~ 127 ~


— Oh, meu Deus, Shannon! Como no inferno você conseguiu entrar neste clube? Eu olhei para a minha irmã, em silêncio, pedindo-lhe para manter silêncio sobre mim. — Eu tenho amigos em lugares altos. — Ela disse com atitude. Eu mencionei que amo a minha irmã? Uma vez que saímos da limusine, as luzes azuis que iluminavam o exterior do edifício me mostraram duas coisas; em primeiro lugar, a fila para entrar estava enorme. Em segundo lugar, Allyson e Paige estavam de pé ao lado de três dos homens de Patrick, em frente à entrada. Eu caminhei até lá e abracei cada uma delas. — Patrick disse que ele lhe contou sobre a viagem à Irlanda? — Allyson tinha um brilho em seus olhos enquanto falava. — Sim, ele disse que ia partir amanhã cedo e que estaria de volta antes do casamento. Alguns negócios que ele tem que cuidar. Allyson e Paige trocaram um olhar que eu sinceramente não queria saber. O clube estava lotado e fizemos o nosso caminho através da multidão. Tonto estava de pé diretamente ao meu lado e me guiou por trás da pista de dança. — Senhorita O'Rourke, o Chefe quer que você se divirta. — Com suas palavras, ele fez um gesto para o meu pulso direito, onde colocou uma pulseira de prata Tiffany. Notei que todas as meninas do nosso grupo receberam a mesma pulseira. — Basta mostrar isso ao barman e você terá qualquer coisa que quiser beber ou comer. A área tinha sido fechada em uma seção grande que mais parecia uma sala de estar casual. Tinha vários sofás e pequenas mesas. Postados em frente à entrada estavam quatro homens de Patrick. Não foi até que eu estava sentada em um dos sofás que notei Nora sentada no canto mais distante. Eu fiquei encantada ao vê-la e então me levantei, chamei Allyson e fomos até ela. — Lass, — Nora sorriu e nos beijou de sua cadeira, me envolvendo em um abraço apertado.

~ 128 ~


— Nora, eu não esperava você aqui. — Eu admiti com alegria. — Bem, ela vai ser minha filha e eu queria ajudá-la a comemorar. Nora nunca deixou de me surpreender com suas palavras amáveis. Considerando o tipo de negócio que o marido e o filho estavam envolvidos, você teria pensado que ela seria uma mulher intransigente. O DJ era maravilhoso e tocou tudo o que Shannon lhe pedia. Os bartenders os colocavam no balcão do bar e bebiam doses diretamente do corpo dela e de suas meninas. Eu me sentei e percebi que nenhum deles fez um movimento sequer em direção a mim. Eu estava me acostumando a não ter idiotas me incomodando. Tudo estava indo muito bem quando aconteceu... Eu estava dançando com Shannon e Allyson ao lado da pista quando um cara muito grande se aproximou de nós. Eu estava de costas para ele, então eu não tinha ideia de que ele estava lá. Sem aviso, eu senti mãos grandes segurando os meus quadris com força. No começo eu pensei que fosse Patrick e tentei me virar. Ele não me deixou, e seu aperto aumentou ao ponto de ficar doloroso. Foi então que eu soube que não era Patrick. Eu podia sentir sua respiração quente no meu pescoço e sua ereção se esfregando na minha bunda. Eu novamente tentei me virar quando notei Tonto arar o seu caminho através da multidão. Eu olhei para ele e ergui minha mão, dizendo-lhe para parar. Eu finalmente fui capaz de soltar as mãos do cara o suficiente para virar o meu corpo e olhar para o homem atrás de mim. O que vi fez meu sangue gelar. Ele era enorme, seus olhos encapuzados e selvagens. Eu mal podia distinguir sua cor dos olhos escuros e eles estavam perfurando diretamente nos meus. Seus ombros enormes se moviam com a batida da música quando ele começou a me levar para longe da multidão, as mãos nunca deixando totalmente o meu corpo. — Você precisa se afastar! — Eu gritei para ele acima da música. Ele só riu e me puxou ainda mais perto, seu aperto mais se tornando mais doloroso do que antes. Eu tinha certeza que ficaria coberta de hematomas. O olhar em seus olhos me assustou como o inferno, mas eu tentei esconder e dei de ombros. — Sério, se você valoriza a sua vida, você vai dar o fora agora! — Eu gritei tentando me afastar dele.

~ 129 ~


Foi então que ele estendeu a mão e agarrou o meu rosto com uma das mãos e puxou para ele, beijando-me com tudo, com sua língua forçando a minha boca enquanto eu lutava para empurrá-lo. O cara era assustadoramente forte e eu não conseguia movê-lo de cima de mim. Sua outra mão se enfiou debaixo do meu vestido e agarrou a minha bunda, me puxando contra sua ereção novamente e se esfregando em mim mais uma vez. Eu senti meus pés deixarem o chão, em seguida, e de repente estávamos nos movendo em direção à parte de trás do clube. Tudo aconteceu tão rápido que eu não tinha certeza se era real. Em um segundo, o homem grande estava à beira de me violar com a mão, ele tinha começado a esfregá-la e me apalpar entre as pernas enquanto machucava o meu rosto com o punho em forma de garra com a outra mão, e depois no segundo seguinte ele estava a três metros de distância de mim. Eu assisti com horror quando Patrick agarrou a parte de trás do pescoço do homem enorme firmemente e começou a bater repetidamente o rosto do rapaz em uma mesa. Eu vi o sangue se espalhar por toda parte, e o que pareciam ser dentes voando em direções diferentes. O rosto de Patrick estava contorcido de raiva, sua expressão quase selvagem. Estava tudo acontecendo tão rápido que eu não conseguia processar o que Patrick estava gritando para o homem. Eu só podia ver como ele batia várias vezes o rosto do homem na superfície de madeira dura da mesa. Com um golpe final, a mesa pesada se quebrou ao meio e o homem caiu no chão. — Tire-o daqui! — Patrick rugiu para Tonto. Eu não esperei por ele, me virei e comecei a fazer o caminho em direção às portas. Uma vez lá fora, eu encontrei o ar frio da noite e um Angus muito ansioso começou a me puxar em direção ao carro. — Eu estou com você Senhorita O'Rourke. Eu não me lembro a viagem de volta para a minha casa, eu apenas não conseguia me livrar da imagem mental de Patrick com aquela raiva fora de controle. Graças a Deus por Angus, enquanto ele e Tonto me ajudavam a entrar na minha casa. — Senhorita O'Rourke, o Chefe queria que você fosse para o apartamento dele. — N... Não, eu quero minha cama, obrigada.

~ 130 ~


Eu sabia que Tonto ficaria sentado no meu sofá durante toda a noite; Patrick arrancaria sua cabeça se ele não ficasse. Na manhã seguinte, meu pai estava sentado na mesa da cozinha quando eu acordei. Eu sabia que Patrick iria ligar para ele, mas o que eu não estava preparada era para a história que ele tinha para me contar. — Então, eu recebi um telefonema de um amigo meu que atendeu a uma situação em um clube no centro. — Tudo bem... onde ele estava indo com isso? — Parece que um frequentador ficou um pouco descontrolado e o proprietário teve que intervir. — Eu me servi de uma xícara de café e, em seguida, me juntei a ele na mesa. — Normalmente, isso não seria um grande negócio, algo que acontece o tempo todo. — Mas...? — Eu persuadi. — Patrick me ligou, Christi. — Eu baixei a cabeça. Metade de mim esperava que a noite passada tivesse sido apenas um sonho. — Eu sei que o que você viu. Assustada, eu não respondi. — Mas você precisa saber toda a história antes de ficar com medo de Patrick. Você já ouviu o nome Darius Vailer? O nome por si só fez um arrepio de viajar pela minha espinha. Darius Vailer era um homem que havia sido condenado por homicídio e estava no corredor da morte, ou tinha estado até cerca de uma semana atrás, quando tinha escapado por fingir uma doença. Darius tinha sequestrado treze mulheres, a maioria em casas noturnas, e as tinha estrangulado até a morte depois de estuprá-las. Ele, então, removia diferentes partes do corpo como lembrança, principalmente os dedos, mas ele gostava especialmente de olhos verdes. — Sim, é aquele assassino que escapou na semana passada, certo? — Sim, é também o homem que Patrick matou ontem à noite. Eu vi como minha xícara de café escorregou pelos meus dedos e caiu sobre a mesa. — Oh Deus… Meu pegou um pano de prato e começou a limpar a louça quebrada e o café derramado. — Patrick disse que estava lá em cima vendo você se divertir com as meninas e decidiu deixá-lo em paz. Ele estava prestes a sair quando viu Vailer em movimento o e reconheceu da fotografia da polícia. Patrick disse que o animal já estava tentando sair com você em seus braços e estava a cerca de dois segundos de estuprar você no clube com a

~ 131 ~


mão. Christi, me prometa que não vai ficar zangada com ele por ter impedido aquele monstro da maneira que podia. Eu sei como você é. Meu pai estava certo; se eu não tivesse ficado sabendo quem era o cara, eu estaria pensando o pior sobre Patrick agora. — Eu juro, pai. — Bom. Agora, por que você acha que Patrick foi para a Irlanda?

~ 132 ~


Capítulo quatorze Eu não gosto da maneira como meu pai fez a pergunta, — Por que Patrick foi para a Irlanda? — Eu imediatamente senti que algo estava faltando, como se ele soubesse alguma coisa e só estava vendo se eu sabia também. Eu não tive tempo para interrogá-lo ainda mais, embora, porque a campainha tocou, seguida por batidas fortes. O meu pai foi mais rápido para chegar à porta e, honestamente, eu estava grata. Uma vez que ele olhou pelo olho mágico, sorriu enquanto abria a porta. — E assim começa... — disse ele com uma risada. A porta se abriu entraram marchando muito Nora, Allyson, e Paige, muito animadas. — Oh, meu Deus, Christi! Você está bem? — Graças a Deus o meu irmão estava lá... — Ele tem boa forma, não é? As três estavam falando ao mesmo tempo e eu não podia fazer nada, exceto deixá-las falar. Uma vez que pararam para respirar ou não tinham mais nada a dizer, todas se acomodaram na minha sala de estar. O meu pai trouxe uma bandeja com café e, em seguida, partiu para sua própria casa. — Ok, então eu vou apenas tirar isso do caminho e lidar com o elefante na sala. — Allyson sempre foi o tipo de garota ‗direto ao ponto‘. — Ontem à noite foi a primeira vez que você viu o lado escuro dele... você está bem? Eu ponderei sua pergunta por um momento. — Honestamente, quando eu notei o cara, eu tentei avisá-lo. Eu sabia que Tonto estava perto e eu sabia que ele teria agredido o cara ali mesmo na frente de todas nós, mas eu não queria estragar a noite de Shannon, então eu tentei apenas fazê-lo ir embora em paz. Eu não tinha ideia de que Patrick sequer estava lá.

~ 133 ~


Meus pensamentos começaram a se voltar para a música que estava tocando e a forma como todo mundo estava rindo. — Para falar a verdade, quando entrei no carro, eu estava sobrecarregada. Eu não sabia o que pensar, nem o que eu realmente queria. — Eu dobrei minhas pernas sob mim e tomei um grande gole do meu café. — Eu nunca vi ninguém tão irritado como Patrick estava ontem à noite. Eu nunca testemunhei esse tipo de raiva. Era como se ele fosse uma pessoa diferente. As meninas não interromperam enquanto eu continuava. — Quando eu acordei esta manhã, eu estava totalmente pronta para terminar o meu relacionamento com ele. Vê-lo perder o controle daquele jeito me aterrorizou e eu comecei a perceber que ele tem um lado eu não tenho nenhum desejo de conhecer. Mas quando o meu pai me disse o nome do cara... Eu comecei a me sentir estranha, como se estivesse me tornando uma nova pessoa, uma pessoa melhor. — É sádico da minha parte estar grata por Patrick estar lá, que ele fez o que fez, e que eu fui capaz de ir embora? Que tipo de pessoa isso me torna? Que tipo de pessoa sou eu, fodidamente feliz que meu namorado estivesse disposto a aparecer e bater até acabar com a vida de alguém? Que tipo de pessoa eu sou que estou tão grata que tudo o que eu quero fazer é vestir a minha fantasia de vilã, marchar até seu condomínio e agradecê-lo de maneiras que seriam ilegais em sete estados? Nora sorriu calorosamente para mim. — Christi, escute, você tem todo o direito de se sentir assim sobre Darius estar morto e você estar viva, é a natureza humana. Estou feliz em saber que você quer continuar o relacionamento com o meu filho. Eu sorri enquanto Nora atravessou a sala e me envolveu em seus braços; era isso que era ter uma mãe. — Eu estou preocupada com Patrick, no entanto. Eu tinha certeza de que ele viria até aqui quando descobrisse que eu não fui para o apartamento dele. Ele nem sequer ligou. Nora tomou as minhas mãos nas dela. As mãos dela eram tão quentes e suaves, como a sensação de um cobertor quente em um dia frio. Foi então que eu notei ligeiras contusões que estavam se formando nos nós dos dedos dela, que estavam inchados. Eu me preocupei que

~ 134 ~


ela tivesse se envolvido na noite passada. Certamente os homens de Patrick a teriam protegido. — Minha jovem, ele não podia. É por isso que ele ligou para o seu pai. Até o momento em que a polícia deixou o clube, estava na hora de ele pegar o avião. Eu olhei para sua mão e de volta para seu rosto. — Nora, o que aconteceu com sua mão? Paige começou a rir e Allyson colidiu os ombros com Nora. — Eu tive que lembrar a certa futura sogra que com a tradição não se brinca. Eu dei a ela um olhar curioso antes de Paige interromper. — Você deveria ter visto isso, Christi. Eileen estava tentando dizer que tinha enviado a renda para a lavanderia. Lavanderia! Como se você fosse enviar uma peça de valor inestimável para o mesmo lugar que manda as roupas sujas do dia a dia. Sorte minha que a Ma conhece um monte de pessoas nesta cidade. Eileen nem sequer teve a chance de gastar o dinheiro antes de eles ligarem para a Ma dizendo que estavam com a renda. Meus olhos se arregalaram; Eileen tinha tentado vender a renda? — Por favor, diga que você está brincando. Ela vendeu a renda da família? — Ela tentou, e por tão pouco dinheiro, — Nora balançou a cabeça em desgosto. — Você pode acreditar, Christi? Por meros sete mil e quinhentos dólares, ela tentou estragar a tradição. — agora era Paige a rolar de olhos. — Sim, mas a nossa Ma cuidou disso. Eileen não irá esquecer tão cedo o que é importante nesta família, — Allyson falou do canto. Eu, então olhei para Nora. Ela tinha o maior olhar de orgulho no rosto. Ela tinha protegido a família e suas tradições ricas. Não era preciso ser um gênio para descobrir que Nora tinha batido em Eileen. Minha curiosidade era com a aparência de Eileen. — Então, voltando para Patrick, eu deveria esperar uma chamada mais tarde hoje?

~ 135 ~


O rosto de Nora se transformou. — Não, minha jovem. Irá demorar um pouco até ouvirmos qualquer coisa dele. Sua empresa fica em uma área muito remota e ele não terá acesso a qualquer forma de comunicação. Eu tinha certeza de que não queria saber de nada. Eu iria apenas fazer uma oração todas as noites para seu retorno seguro. — Agora, já falamos o suficiente sobre o meu irmão estúpido; vamos colocar uma roupa em você e atacarmos algumas lojas. — Paige, alguns de nós têm trabalho a fazer. Tipo, eu não sei, um pequeno casamento que acontecerá em uma semana, — Eu a olhei com ar de cadela. — Oh não, Christi, você me deve. Você conseguiu escapar das compras naquele dia no apartamento de Patrick, você irá agora. Eu, então, voltei minha atenção para Paige. Eu me lembrava daquele dia de uma maneira um pouco diferente. Eu me lembrava de ter o meu muito sexy namorado todo quente e pronto, apenas para sermos interrompidos por essa duende do mal. — Oh, não, querida Paige, se eu bem me lembro, você me deve. Eu estava prestes a ser bem recompensada pelo seu irmão muito sexy antes de você tão rudemente, e sublinho rudemente nos interromper. — Eu me lembrei então de que sua mãe ainda estava presente na sala e rapidamente acrescentei: — Desculpe, Nora. Todo mundo riu quando Nora começou, — Aconteceu alguma coisa, Paige? Paige jogou a cabeça para trás e bufou. — Oh, meu Deus! Eu fui até o apartamento de Patrick e os dois estavam prestes a fazer o desagradável, — ela disse apontando para mim e sorriu maliciosamente, — Eu apenas liguei o ‗empata-foda‘. Nora tentou segurar o riso. — Oh, Christi, você deveria fazê-lo esperar até sua noite de núpcias de qualquer maneira. Seria um bom castigo para ele. Paige foi rápida a saltar de pé e começou a levantar a voz: — Realmente, Ma? Bem, vamos ver, você se casou com o meu pai em novembro e Patrick nasceu em abril do ano seguinte. Se você fizer as contas, ficará óbvio que vocês não esperaram até a noite de núpcias e nem Patrick irá.

~ 136 ~


Nora manteve a cabeça erguida, mas havia um toque de rubor tingido suas faces. — Isso não está em discussão aqui. O fato é, que Patrick poderia muito bem se humilhar um pouco e quem melhor para fazer isso do que Christi? Além disso, isso seria um bom precedente a respeito de quem é realmente responsável. O que você diz, Christi? Eu não podia deixar de rir e corar por esta conversa ser com a mãe dele, de todas as pessoas. — Eu vou pensar sobre isso, — era tudo o que eu poderia prometer. Pareceu ser bom o suficiente para Nora. — É justo, minha jovem. Então, agora que temos isso resolvido, nós temos outro assunto importante para discutir. O aniversário de Patrick está chegando. Parecia que o aniversário de Patrick era no fim de semana antes do casamento de Shannon, um detalhe que ele tinha esquecido de me dizer. Patrick preferia ter apenas a família presente para comemorar. Jantares tranquilos e pequenos eram tudo o que ele já tinha permitido. Eu tinha que dar crédito a Nora; ela estava, pelo menos, me dizendo que seria coisa de família, então eu não ficaria chateada quando não fosse formalmente convidada. — Hum, tudo bem, então eu vou dar a ele o meu presente no dia anterior ou no dia seguinte, dependendo de quando ele retornar de viagem. Nora em seguida olhou para interrogativa: — Por que você faria isso?

mim

com

uma

expressão

— Porque, você disse que é apenas para a família. A sala se encheu de riso; bem, elas riram, eu só fiquei confusa. — Oh, Christi, Eu absolutamente amo o seu humor. Você quase me pegou, — Nora riu e tomou outro gole de café. Acho que eu era considerada da família.

***

Durante toda a semana, os jornais não falavam de outra coisa que não fosse a história da morte de Darius Vailer e a subsequente

~ 137 ~


ausência das ruas do estuprador em série procurado e muito temido. A pessoa responsável por tirá-lo das ruas foi considerado uma espécie de herói na mídia. O nome de Patrick nunca foi mencionado, mas os relatórios afirmaram que a pessoa doou a quantidade considerável de dinheiro da recompensa que tinha sido oferecida a um abrigo para mulheres maltratadas e eu não pude deixar de sorrir. Eu esperava ter notícias de Patrick, em algum momento durante a sua viagem, mas já tinham passado quatro dias e eu continuava sem uma palavra e eu comecei a me preocupar um pouco. Lembrei-me de como o meu pai parecia saber um pouco mais do que deixava transparecer, então eu liguei para ele. — Olá pai. — Ei, Christi. Sentindo falta de Patrick? — Ele riu. — Tudo bem, papai, corta a merda e me diga o que você sabe. Ele riu ainda mais. — Bem, parece que a maçã não cai longe do pé, você é tão questionadora quanto eu. Você deveria ter se tornado detetive como o seu velho. — Seja como for, o pai, o que você sabe? Por que não ouvi falar dele? — Desculpe, querida, a única coisa que eu posso dizer é que ele está na Irlanda e deve estar de volta em poucos dias. — Eu não gosto do jeito que você diz deve, o que você não está me contando? — Oh, eu não vou te dizer mais nada, você vai ter que esperar para ouvir de Patrick. Homens... criaturas inúteis... ugh! Mais dias se passaram e nenhum sinal de Patrick. Felizmente, eu tinha o casamento da minha irmã para ajudar a planejar, assim como o de Paige. Eu tinha preocupações maiores na minha mente, embora; o que dar para Patrick de aniversário? O que comprar para o homem que possuía quase toda a cidade? Ele poderia comprar o que quisesse... então eu tive uma ideia, a única coisa que ele não poderia comprar. Eu ri quando comecei a colocar minha ideia em ação. O jantar seria na casa de Thomas e Nora; só para a família, uma coisa íntima. A maioria das pessoas pensaria que seriam talvez de dez a

~ 138 ~


quinze pessoas, mas a maioria das pessoas estaria errada. Patrick era irlandês, afinal. Tinha que haver pelo menos sessenta pessoas sentadas em torno de três mesas enormes que tinham sido dispostas em um formato de ferradura. Todo mundo tinha uma bebida na mão e estava rindo e se divertindo. Eu olhei em volta, mas não encontrei o convidado de honra. — Ele não está aqui, — uma voz soou no meu ouvido. Eu me virei para a esquerda e encontrei Thomas de pé com um copo de martini em uma mão e uma cerveja na outra. Eu ri quando questionei: — Bebendo em dobro essa noite? Ele riu e então me entregou o copo de martini. — Patrick disse que esse era o seu favorito e eu jurei que me certificaria de que você recebesse um no minuto que chegasse aqui. Eu tomei um gole e em seguida, sorri para ele: — Obrigada. — Absolutamente, deixe-me apresentá-la a algumas pessoas. — Algumas? Thomas, temos que trabalhar nas suas definições. Eu conheci muitos tios, tias, e primos de primeiro e segundo grau, que eu tinha certeza que nunca lembraria o nome de todos. Todos, e eu queria dizer – TODOS, já sabiam tudo sobre mim. Eu estava bem no meu terceiro martini, quando eu me dei conta de que ele não iria aparecer. Algo deve ter acontecido na Irlanda. Talvez seu voo tenha atrasado, ou ele decidiu comemorar na Irlanda. Quando comecei a tomar o último gole do meu martini antes de dizer boa noite a todo mundo, a porta da frente se abriu e um Patrick muito sujo e esfarrapado entrou. Todas as vezes que eu vi Patrick, ele sempre estava bem cuidado e vestido impecavelmente, sempre com as melhores roupas. Seu cabelo agora parecia que não tinha visto água por uma semana, e sua calça jeans estava rasgada em vários lugares. Eu finalmente percebi como o silêncio tomou conta da sala quando Patrick se aproximou de mim. Eu achei estranho que nenhum dos homens tenha vindo cumprimentá-lo. Dei uma olhada ao redor da sala para perceber que todos tinham formado um círculo em torno de nós. — Pa- Patrick? — Minha saiu voz trêmula quando me virei novamente para olhar ao redor da sala. ~ 139 ~


— Mo ghra. — (Meu amor.) — O que está acontecendo? Está tudo bem? Eu estava ficando nervosa. Eu não tinha o tinha visto fazia algum tempo e, honestamente, sua aparência atual era inquietante. — Na biodh eagla ort, le do thoil, beidh me ag insint duit goch rud. (Não tenha medo, por favor, eu vou te contar tudo.) Sua voz era tão calmante e ele fez sinal para eu chegar mais perto dele. — Christi, você se lembra da história que eu te contei sobre a promessa que o meu bisavô fez à minha bisavó? Eu só consegui acenar com a cabeça quando me virei mais uma vez para fazer a varredura pela sala. Foi então que notei minha irmã e o meu pai de pé ao lado de Thomas e Nora. Os braços do meu pai estavam cruzados e ele tinha um olhar de pura alegria no rosto. — Querida, na minha família, os homens continuam essa tradição quando decidem se casar. Nós passamos por um rito de passagem, para provar aos nossos anciãos que estamos realmente prontos para essa etapa. Eu não conseguia falar. Aqui estava o homem que eu tinha tentado com tanto empenho empurrar para longe, dizendo a mim mesma e para todo mundo que quisesse ouvir que eu nunca poderia ser o que ele precisava. E aqui estava ele me dizendo que tinha estado tentando provar à sua família que ele era bom o suficiente para mim. — Eu passei a semana passada nas colinas que cercam a própria aldeia onde eles cresceram e se apaixonaram. Eu não posso dizer o que eu tive de suportar, já que é um segredo que eu devo passar para os nossos filhos. Notei que o meu pai deu risada com as palavras de Patrick e Nora e beijou o rosto de Thomas. — Na primeira noite em que te vi, eu vi você se mover ao redor da sala e não conseguia tirar os olhos de você. Você me encantou a partir daquele momento. Você tinha tanta confiança e eu soube então que meu pai tinha razão quando disse que você era perfeita. Meus olhos foram diretamente para Thomas e ele simplesmente sorriu, e depois encolheu os ombros.

~ 140 ~


— Então você confirmou minha opinião, quando apareceu no meu escritório e impôs seu ponto de vista. — Eu corei com a lembrança, não tinha sido uma das minhas melhores decisões. — Mas, no fim, mesmo sabendo quem e o que eu sou, você me deu uma chance e me deixou te mostrar o que eu poderia ser. E mesmo depois que você concordou em usar o meu colar, você mostrou graça e coragem, e ainda assim me colocou no meu lugar quando eu estava agindo como um idiota. Eu vi como Patrick enfiou a mão no bolso da calça jeans e tirou um pedaço de renda. Quando ele o desembrulhou, eu notei um aplique de vinhas e letras. Era muito pequeno para eu poder ler de onde eu estava. Ele então segurou que parecia ser uma pequena corda verde. — Eu disse que ele deu a ela um trevo quando a deixou e veio para a América. — Ele colocou a renda sobre a mesa ao lado dele. — Eu te trouxe um trevo da mesma colina onde ele colheu o dela e prometeu voltar para ela. Eu assisti seus dedos tremer quando ele chegou mais perto de onde eu estava. Seus olhos se encontraram com os meus enquanto ele lentamente abaixava-se sobre um joelho. — Christi, Eu te amei desde o primeiro momento que pus os olhos em você. Você me fez querer ser um homem melhor e mais forte, e eu juro que se você me conceder este desejo, no meu aniversário, eu vou morrer um homem feliz. A bheidh tu posadh liom? — (Você quer se casar comigo?) Eu ofeguei quando olhei em seus profundos olhos verdes. Olhei para sua mão estendida que segurava um pequeno trevo. — Sim, — eu me ouvi responder enquanto sentia as lágrimas correrem pelo meu rosto. Patrick começou a amarrar a haste do trevo em torno do meu dedo anelar enquanto a sala toda se tornava mais uma vez barulhenta com risos e aplausos. Eu fui rapidamente cercada pelas mulheres e envolta em abraços apertados. Patrick foi rápido para interromper quando colocou as mãos sujas no meu rosto e olhou ansiosamente nos meus olhos. Ele lentamente se inclinou e deu um beijo suave nos meus lábios. — Christi, quando eu estava sentado no meio dos trevos na colina, eu ficava me perguntando mais e mais se eu era realmente bom

~ 141 ~


o suficiente para você. Então eu olhei para baixo e vi isso. Eu acho que foi um sinal. Sua mão esquerda estava aberta e no centro da palma da mão dele havia uma muito antiga, muito desgastada moeda de três pences. Eu mal podia ver o coelho que estava no centro. Lembrei-me de ver moedas como esta na casa da minha avó. — Eu li em algum lugar que as noivas irlandesas levavam uma moeda em seu sapato no dia do casamento. Desde que você já disse sim, eu adoraria que você usasse essa enquanto caminha até o altar. Lágrimas estavam escorrendo pelo meu rosto. Patrick era a minha casa e o meu coração, cada desejo meu se tornando realidade. — Patrick, de todas as coisas que você me deu, isso é o que eu irei valorizar mais. Isso não tem preço. Ele gentilmente beijou a minha testa, — Eu esperava que fosse. Eu ergui meu rosto para encontrar o dele, nossos olhos se encontraram, bem como nossos corações, — como farão as nossas filhas. Nós dois sorrimos para isso. — Eu vou tomar banho pela primeira vez em uma semana, então vou voltar, e colocar o seu verdadeiro anel de noivado no seu dedo. Eu não tive tempo de dizer nada antes de ele sair da sala. — Aqui, Christi, isso é para você guardar o trevo. Nora então me passou o pedaço de renda que Patrick tinha colocado sobre a mesa. Eu dei uma olhada mais de perto e vi que era um belo lenço. As videiras verdes que eu tinha visto eram trevos pequenos e delicados que rodeavam um — M — bordado na renda. — O nome dela era Christie, também. Os moradores disseram-lhe que ele nunca mais voltaria, — Nora falou no meu ouvido. — Ela trabalhava como rendeira e quando ele lhe deu-lhe o trevo, ela fez isso para guardá-lo. Agora é seu, para guardar e passar para seus filhos. Eu olhei para o trevo que agora estava enrolado no meu dedo anelar. Eu só podia imaginar o que foi para ela esperar um homem cumprir sua promessa enquanto ouvia negatividade de todos aqueles ao seu redor.

~ 142 ~


— Eu gostaria que ele não murchasse, eu prefiro ter isso, do que todos os diamantes do mundo. — Fale baixo, ou ele vai mandar plantar um bosque de trevos para que ele possa te dar um novo a cada dia. Valorize esse como eu fiz com o meu. Mas, minha moça, aceite o diamante que ele escolheu para você. Eu ri junto com ela enquanto ela colocava a renda na minha mão. Eu iria valorizá-lo para sempre, e se eu tivesse sorte o suficiente de ser abençoada com filhos, iria continuar a tradição. Mais rápido do que eu pensava ser possível, Patrick estava de volta me puxando para longe de seus tios. — Eles estão tentando desencorajá-la como seus antepassados fizeram com a minha bisavó? Eu suspirei enquanto deslizava em seus braços. Eu estava com muita saudade dele e a sensação e o cheiro do meu Patrick tornava tudo melhor. — Nada do que eles poderiam dizer iria mudar o que eu sinto por você. — Bem, eu estou contente de ouvir isso, desde que eu tenho um anel insanamente belo e quero colocá-lo no seu dedo. Eu não queria me mover da segurança que encontrei em seus braços. Eu queria sentir o calor que irradiava dele e me banhar no cheiro que tinha agora o meu Patrick limpo. Muito mais cedo do que eu estava confortável, Patrick me liberou de seu peito, pegou a minha mão e cuidadosamente removeu o trevo que ele tinha tão cuidadosamente amarrado em torno do meu dedo antes. Eu nunca iria esquecer este dia. Eu me recusava a ter um único detalhe removido da minha memória. Quando ele colocou o anel de platina no meu dedo, eu engasguei com a visão. Patrick estava correto; era insanamente bonito. Três alianças, todas conectadas, com diamantes em torno de cada uma. O diamante no centro era suportado por quatro pinos de platina que pairavam sobre as três alianças cobertas de diamantes. Eu vi como Patrick então deu um único beijo no anel.

~ 143 ~


— Feliz aniversário, Patrick, — Eu falei alto o suficiente só para ele ouvir. — Melhor aniversário de todos, — ele respondeu. — Realmente, e eu nem sequer lhe dei seu presente ainda, — eu respondi com uma piscadela. — Sério? Dizer sim foi o suficiente, eu lhe garanto. — Eu não teria tanta certeza se fosse você, Sr. Malloy, — Eu falei enquanto me aproximava mais dele, puxando sua gravata para que seu corpo se inclinasse mais perto do meu. — Eu gosto de como você pensa... Senhora Malloy, — ele falou enquanto dava beijos carinhosos ao longo da minha bochecha. Não vamos mentir... Eu gostei do som do meu futuro nome.

~ 144 ~


Capítulo quinze Quando pensei pela primeira vez no presente perfeito para dar a Patrick no seu aniversário, eu nunca pensei que incluiria dizer sim à proposta mais perfeita. Eu tinha algo um pouco mais pessoal em mente. Permanecer sentada naquela mesa de jantar na noite passada foi uma das coisas mais difíceis que eu já tive que fazer na minha vida. Eu respondi a um milhão de perguntas e abracei e beijei todos, pelo menos duas vezes. Finalmente, fomos capazes de nos despedir e fomos para o apartamento de Patrick. — Então, o meu presente maior que uma caixa de cereal? Patrick tinha disparado pergunta após pergunta sobre o que eu tinha comprado para ele. — Não, não é maior que uma caixa de cereal, tecnicamente. Essa foi a última pergunta que eu lhe permiti fazer, antes que eu pedisse licença para ir ao banheiro. Eu tinha uma coisinha para vestir e tinha certeza que Patrick iria desfrutar. Apaguei as luzes no banheiro, lentamente abri a porta e espiei para encontrar Patrick sentado contra a cabeceira da cama. Seu peito estava nu e ele parecia incrível de calça de pijama de cetim preto, mas eles iriam parar no chão em cerca de trinta segundos. Não me interpretem mal, eu adorava quando ele usava essas coisas e andava pela casa nelas... apenas não agora. Ele olhou para mim com seus lindos olhos verdes e seu queixo talhado flexionado, me fazendo querer lambê-lo. Eu dei uma passo para a luz do quarto, tentando ser o mais sexy possível. Eu vi seus olhos quando ele viu o que eu estava vestindo, o olhar de surpresa quando ele terminou a inspeção. Eu vi como sua língua apareceu e lambeu seu lábio inferior... e então ele começou a rir. — O que... você acha que isso é engraçado? — Ah, porra, Babe, venha aqui, — ele continuou a rir.

~ 145 ~


Quando eu realmente comecei a pensar sobre o que fazer com que ele, sabendo que ele claramente tinha tudo, eu sabia que ele não poderia ter isso. — Onde você achou isso? — Online. Você gosta? Ele continuou a rir quando cheguei mais perto da cama. — Eu vou amá-la mais quando estiver no chão, — sua voz estava rouca e me deixando louca. — Ugh, Babe. Você tem que ler em voz alta... — eu disse, fazendo beicinho. Eu não tinha certeza de quem estava se divertindo mais com isso, ele ou eu. — Oh, Jesus, não faça beicinho, — ele lamentou. — Então leia para mim, — minha voz soou meio instável. — Tudo bem. — Porra, sim, eu sou irlandês. Você quer ver o meu Shillelagh? — Sim, Sr. Malloy. Por uma questão de fato, eu quero. — Então, por todos os meios, deixe-me apresentar vocês dois. Seus lábios estavam de repente ligados ao meu pescoço enquanto ele fechava a distância entre nós. Eu tinha certeza de que Patrick podia sentir que eu não estava usando nada por baixo da camiseta. — Você deseja manter essa camiseta? — Ele rosnou, e sua respiração quente varreu o meu rosto, o desespero saturando sua voz. — Na verdade, é a embalagem para o seu verdadeiro presente, — eu sussurrei, minha voz rouca de desejo. — Bom, eu nunca guardo papel de embrulho. Eu ri quando ele rasgou rapidamente a camiseta na frente, puxou-a de mim e, em seguida, jogou do outro lado do quarto. De repente eu estava de costas com o corpo firme de Patrick pressionado ao meu, acabando com qualquer riso adicional e permitindo que os gemidos começassem. Ele estava me incendiando com a sensação de sua pele quente sob meus dedos, a dureza de sua ereção pressionada contra o meu quadril, e seu aperto firme na minha coxa nua quando ele a engatou ao

~ 146 ~


redor de sua cintura, o posicionando em um ângulo mais próximo do meu núcleo quente e necessitado. — Meu Deus, você é requintada, — sua voz rouca rosnou contra o meu ombro. — Patrick, — minha voz saiu quase em um sussurro enquanto seu polegar passeava entre as minhas dobras. Meus lábios encontraram a dobra em seu pescoço, lambendo, sugando e mordendo, marcando-o como meu. E depois de hoje à noite, qualquer um que o visse saberia. Seus lábios encontraram os meus enquanto sua língua, de repente tomou conta da minha boca, alegando-a para seu prazer. O gosto dele era quase esmagador e ainda assim eu não conseguia o suficiente. Ele me queria tanto quanto eu o queria. Ficar sem ele por todo esse tempo só tinha aumentado o meu desejo. Era assim que estava destinado a ser. Sua mão esquerda estava provocando o meu clitóris. Ele começou a circular e provocar, e então pressionou com a ponta do polegar. Eu gritei e me arqueei contra a cama enquanto ele continuava firme com suas carícias. Dois de seus dedos começaram a fazer círculos lentos e calculados cima e para baixo em meus lábios nus. Meu clímax súbito foi forte e quase doloroso, fazendo meu corpo inteiro balançar. Ele moveu a mão das minhas dobras encharcadas e começou a traçar lentamente um caminho pelo meu corpo, parando no meu mamilo esquerdo. Com a mão acariciando firmemente o meu peito esquerdo, sua boca chupou violentamente o direito. Eu ficaria chocada se ele não deixasse uma marca também. No entanto, eu estava me aproximando de mais um orgasmo, eu não poderia me importar menos. Eu não conseguia me mover ou falar. Eu só podia sentir; sentir a umidade entre meus lábios inferiores aumentando ainda mais com seus esforços. Ele trocou de seio e começou a atacar o outro mamilo. Patrick sabia exatamente o que estava fazendo. Ele sabia do que eu precisava sem me perguntar, o que era uma coisa boa, pois eu não tinha a capacidade de falar já que o terceiro orgasmo atravessou o meu corpo. Quantos homens poderiam dizer que conseguiam dar a uma garota um orgasmo só de chupar seus mamilos? Sim, meu homem era bom. — Ah Deus! Patrick...

~ 147 ~


Eu senti seus lábios formando um sorriso, e ele deixou meus seios e viajou lentamente para o meu estômago, dando mordidinhas lentas e deliberadas na minha pélvis. Ele ergueu a cabeça ligeiramente quando beijou logo abaixo do meu umbigo, fazendo uma pausa para olhar para a minha barriga com reverência. — Este lugar é sagrado, Christi. Algum dia ele irá manter os nossos bebês enquanto crescem. — Você parece muito seguro de si. — Eu vou lhe dar filhos, Christi. Essa é uma promessa que eu pretendo manter. Ele não me deixou responder e jogou as minhas pernas em volta de seu pescoço e mergulhou a língua em mim. Minhas costas se arquearam para fora da cama enquanto ele sondava ainda mais dentro de mim, sua língua movendo-se loucamente enquanto ele procurava aquele lugar mítico que todas as mulheres pareciam ter. Minha reação à sua língua foi o suficiente para ele acrescentar dois dedos e com a mão livre, ele começou a brincar com meu clitóris. A pressão adicional de seus dedos fez com que meu próximo orgasmo me atingisse como uma onda. — Puta que... — Eu não consegui terminar porque aquele orgasmo me derrubou. Eu estava ofegante, suando, xingando como um marinheiro, e eu não dava a mínima enquanto Patrick continuava a lamber e me chupar. Suas ações desaceleraram quando as minhas pernas começaram a tremer. Com um último beijo no meu clitóris, ele fez o caminho de volta para o meu rosto. Seus olhos se fixaram nos meus enquanto ele pairava sobre mim, sua língua achatada lambendo devagar o meu mamilo tenso. Ele rapidamente beijou cada pico e continuou até beijar a minha boca. Eu não tinha ideia de quando ele pegou um preservativo, talvez ele já esperasse que as coisas nos levassem para onde atualmente estávamos. A embalagem dourada brilhava à luz do abajur. — Não pensou que eu esqueceria, não é? — Sua voz uma mistura de desejo e de diversão. Eu peguei o preservativo e sorri sedutoramente. — Permita-me. Eu empurrei seu ombro, encorajando-o a se deitar de costas. Arrastei-me entre suas pernas e peguei seu pênis muito ereto na minha mão. A vingança era justa, afinal. Com uma piscada e um ~ 148 ~


sorriso, eu percorri com a minha língua da base a ponta, circulando a cabeça e, em seguida, mergulhando-o profundamente na minha garganta. — Puta que o pariu... oh, Deus!, — Ele gritou quando eu aumentei a pressão dos movimentos. Eu sorri redor de seu pênis enquanto continuava para cima e para baixo, acrescentando a minha língua. De repente, sua mão baixou e ele puxou o meu braço, e, portanto, o meu corpo, de volta para cima dele. — Babe, isso é bom pra caralho, mas eu quero estar enterrado em você quando gozar. Eu rapidamente coloquei a camisinha e dei um beijo firme na ponta coberta de látex. Colocando minhas mãos em seus ombros viris, eu lentamente me abaixei em seu pênis. Todas as vezes antes de Patrick se transformaram em memórias fracas quando eu comecei a me mover para cima e para baixo sobre o seu eixo. Era o seu aniversário e eu queria que ele gostasse disso. Eu deixei seus ombros e coloquei minhas mãos em meus seios. Os homens eram criaturas visuais e eu queria que ele tivesse uma imagem completa. Enquanto minha mão direita massageava e apertava os meus seios, a minha esquerda viajou até o meu clitóris e eu comecei a esfregá-lo com círculos calculados e lentos. As mãos de Patrick agarraram firmemente os meus quadris e eu sabia que ele estava gostando de me observar quando começou a realmente levantar-me fora de seu pau e me puxar de volta para baixo, acelerando o ritmo. Eu vi como seu rosto se contorceu e eu temi que algo estivesse errado. No entanto, o meu medo foi embora tão rapidamente quanto veio quando ele gritou: — OH. MEU. FILHO DA PUTA. DEUS! — cada palavra acentuada com um golpe duro contra mim antes de ele gozar de forma explosiva, empurrando incontrolavelmente debaixo de mim antes de entrar em colapso no colchão. — Então essa é a sensação de ir para o céu. Eu fiquei em cima dele enquanto ele continuava a se contorcer dentro de mim. Eu lentamente beijei sua testa, amando o sabor salgado dele. Eu não consegui deixar de rir quando ele começou a lamber uma gota de suor que estava caindo entre os meus seios. — Eu te amo, — eu sorri para ele. E eu realmente amava. Estávamos deitados nos braços um do outro um pouco mais tarde, quando uma questão me veio à mente. — Patrick?

~ 149 ~


— Hmm? — Eu preciso lhe fazer uma pergunta e eu realmente quero uma resposta. — Sim, Babe, eu ficaria feliz de fazer de novo. Eu virei o rosto para olhar para ele, — Mais tarde, isso é importante. — Eu me levantei para poder olhar para ele; eu realmente queria uma resposta para a minha pergunta. — Porque no mundo que você me apelidou de Legs? Ele riu e beijou o meu queixo, — Sinceramente? — Não, filho da puta, não minta para mim. Claro que eu quero a verdade. — Na noite do casamento, você estava em pé falando com Charlotte e eu vi você coçar seu tornozelo. Eu segui esse tornozelo até o joelho e depois até a bainha da sua saia. Você tem o mais belo par de pernas que eu já vi, — ele sorriu, seu rosto estava tão amoroso que eu poderia facilmente me perder em seus olhos. — Isso é muito doce, — Eu beijei seu peito. Ele começou a rir. — E isso é besteira completa, não é? Ele estava rindo agora. — Porra, sim! Eu apelidei você de Legs porque eu queria saber o que havia entre as suas pernas. Antes que eu pudesse ficar brava com ele, ele me virou de costas e mergulhou a língua mais uma vez entre as minhas pernas. Bem, agora ele tinha a sua resposta. O homem tinha uma língua muito talentosa e eu ficaria feliz em subir a montanha mais alta e gritar para o mundo que eu era uma puta de sorte. Patrick e eu ficamos na cama durante todo o fim de semana. Ele preferia me tomar em sua cama, mas isso não queria dizer que ele não tinha me jogado contra a parede ao lado elevador ontem depois que o jantar foi entregue, também. Eu sorri com a lembrança dele me acordando muito cedo na manhã de sábado chupando o meu mamilo. Como ele lentamente me virou de costas, e pegou o preservativo que estava convenientemente deitado em seu travesseiro. Eu sorri balançando minha cabeça e tomei o preservativo dele, jogando-o do outro lado do quarto. — Nada mais de preservativo, — eu sussurrei para ele.

~ 150 ~


O olhar de confusão em seu rosto era quase cômico. No entanto, durou tempo suficiente para ele enterrar rapidamente os quadris dentro de mim. Eu tinha esquecido o quanto um preservativo restringia e confinava e eu não estava preparada para o tamanho ao vivo e em cores de Patrick. Eu quase me senti como uma virgem novamente. Enquanto me arrastava para o meu carro na segunda-feira de manhã, eu estremeci quando senti os músculos das minhas coxas e as regiões inferiores protestarem. Definitivamente tinha sido um bom fim de semana. Minha irmã iria deixar Abby comigo para que pudesse cuidar dos preparativos da lua de mel. Eu a tinha envergonhado até a morte na semana passada, quando perguntei a Dillion se ele preferia nua, triângulo, ou pista de pouso. Ele olhou para mim confuso enquanto pensava sobre a minha pergunta. Por fim, a luz se acendeu em sua cabeça e ele pediu nua. — Tia Christi, olha o que o meu pai me deu! Eu estava tão perdida em meus pensamentos que não ouvi a porta abrir. Abby estava correndo a todo vapor em torno de minha mesa e seus olhos estavam grandes e brilhantes de alegria. Uma vez que estava de pé diretamente ao meu lado, ela rapidamente me mostrou o belo colar de trevo que Dillion lhe dera. — Não é bonito? — Sua voz subiu três oitavas e ela pulava no lugar. Eu não poderia descrever a sensação que tive quando ouvi Abby referir-se a Dillion como seu pai. Mas isso era exatamente o que ele era. Aquela menina tinha-o tão bem embrulhado em torno de toda a mão, esqueça o dedo mindinho. Ela tinha tomado posse total de seu coração. — Ele disse que é para dar sorte. Eu sorri enquanto beijava sua bochecha rosada. — É muito bonito, Baby. — E olha o que o tio Patrick me deu. Isso me pegou de surpresa. Patrick havia lhe dado alguma coisa e não tinha me dito. No entanto, em seu pulso minúsculo havia uma pulseira de diamantes em miniatura que combinava com a minha e a de Shannon. — Tio Patrick disse que eu era a sua princesa perfeita e que todas as princesas mereciam ter diamantes. Tio Patrick certamente iria ouvir da Tia Christi mais tarde. ~ 151 ~


— Eu acho que é ainda mais bonita do que a minha, Abby. Ela só riu enquanto dançava ao redor da sala. Shannon e Frankie entraram no meu escritório juntas, rindo e cochichando alguma coisa. Shannon deu uma olhada para mim e seus olhos se arregalaram. — Santa... M.E.R.D.A.! — Ela apontou o dedo indicador para mim. Com ouvidos pequenos ao redor, Shannon e eu tínhamos nos tornado muito boas em soletrar as palavras de baixo calão. Era cômico quando Abby tentava e apenas jorrava letras aleatórias. — Frankie, esse é o rosto de uma mulher que foi bem fodida, e por um homem que sabe claramente como fazer. Eu tinha certeza de que o meu rosto estava vermelho, mas eu apenas sorri. — Estou certa de que não tenho nenhuma ideia do que você está falando. — Oh, não banque a tímida, Christi, se Dillion tivesse me dado um diamante como o seu, eu ainda o estaria montando. — Por que você quer montar no papai, mamãe? Shannon também havia se tornado rápida nas respostas, — Porque ele gosta de brincar de cavalinho com a mamãe. — Oh, — suas pequenas sobrancelhas se enrugaram. — O nome do seu cavalo é Oh Deus, mamãe? Pobre Frankie estava fazendo tudo o que podia para não desatar a rir. Shannon foi rápida para manter a cara séria quando respondeu: — Ele tem alguns nomes para o seu cavalo, querida, mas eles são segredo então não vamos dizer ao papai que sabemos sobre o seu cavalo de mentirinha, ok? Abby deu de ombros e voltou a dançar pela sala. — Bom dia, senhoras! — Paige gritou quando entrou na sala. — Bom dia, Paige. Como você está? — Eu sorri e me levantei para abraçá-la. — Eu ouvi que um homem está sorrindo de orelha a orelha, esta manhã. — Ele não é o único, — Shannon brincou com um sorriso.

~ 152 ~


— Sinto muito, você vocês vão ter que me desculpar, eu tenho que finalizar os detalhes da encomenda de flores para o casamento neste fim de semana e eu também tenho que me encontrar com os Birches para finalizar a seleção do bolo para o casamento deles, — Frankie sorriu e se virou para sair. — Tudo bem, Frankie. Eu vou estar fora do escritório por um tempo então ligue no meu celular se precisar de mim, — Eu a instruí. — Não tem problema, Christi, eu estarei aqui. — Frankie respondeu quando e saiu da sala, piscando para Shannon quando passou. — Tia Christi, o que vamos fazer hoje? — Bem, o que você quer fazer hoje? — Espere, — Paige me interrompeu. Eu olhei para ela enquanto ela já estava chegando onde estava Abby, — Que tal você e eu irmos fazer as unhas enquanto a Tia Christi trabalha? Graças a Deus por Paige, o casamento de Shannon aconteceria em seis dias e eu ainda tinha várias coisas para fazer. Abby era tão fácil de satisfazer e começou a correr ao redor da sala gritando, — Sim! Duas horas mais tarde, eu tinha terminado minhas tarefas restantes para o casamento de Shannon. Paige tinha me mandado uma mensagem dizendo que ela, Abby, e Nora iriam almoçar juntas e, em seguida, fazer algumas compras. De repente me deu uma vontade de saber se Patrick estava ocupado. Com o meu telefone na mão, eu estava a completar a ligação quando ouvi um baque vindo da outra sala atrás do meu escritório. Ouvi atentamente para ver se eu tinha sido imaginando, quando ouvi mais duas vezes. Eu lentamente fiz o caminho até a sala de armazenamento para investigar. A porta estava aberta e a luz do teto iluminando duas figuras contra a parede. Eu fiquei tão chocada com o que eu estava vendo que fiquei cimentada no chão. A mulher de cabelos loiros estava sendo empurrada contra a parede enquanto o homem de cabelos mais escuros a beijava apaixonadamente. Suas mãos seguravam o rosto dela enquanto ele consumia sua boca com a dele. Minha mão foi para a

~ 153 ~


minha boca para evitar quaisquer sons de surpresa que pudesse alarmar o casal. — Shuu, caithfidh tu’ a behith ciucin. — (Shhhh, você tem que ficar quieta.) — Oh, — voz trêmula da moça respondeu. — Mo ghra’, fhois agat do mo challin cert? — (Meu amor, você sabe que é a minha garota, certo?) — Eu acho que você acabou de me chamar a sua menina, não é mesmo? — A loira estava agora olhando em seus olhos enquanto ele continuava a tocar seu rosto. — Caith me’ dul, ta’ me’ garde Ms. Christi. Ba mhaith liom tu’ roinnr a’it speisialta. (Eu tenho que ir agora, eu estou guardando a Senhorita Christi. Mas eu quero levá-la a um lugar especial.) — Eu não tenho ideia do que você acabou de dizer, mas a minha resposta é sim. Vai ser sempre sim. — Eu tive que esconder o meu suspiro quando o casal se separou e, pela primeira vez, eu fui capaz de ver quem eles eram. Eu vi como Frankie estendeu a mão e gentilmente beijou Shamus nos lábios de novo, suas mãos caindo enquanto ela se movia para sair da sala. Eu rapidamente e silenciosamente voltei para a minha mesa. Frankie entrou meio segundo atrás de mim, assustada quando entrou no meu escritório, surpresa que eu ainda estivesse aqui. — Oh, Deus, seus olhos ficaram enormes quando ela percebeu a possibilidade de que eu tivesse ouvido o que tinha acontecido. — Eu... eu... Eu só podia sorrir para ela. Shamus era um homem muito bonito. Mesmo que ele não fosse Patrick, era muito bom de olhar, no entanto. — Sente-se, Frankie, precisamos conversar. O rosto dela caiu enquanto ela calmamente tomava a cadeira em frente a minha mesa, os dedos brincando com um fio imaginário em sua saia. — Frankie, você se importaria de me dizer o que foi tudo isso? Ela continuou a olhar para seu colo como se guardasse as respostas para os mistérios do universo. Ela lentamente tomou uma respiração profunda quando começou a erguer os olhos para os meus.

~ 154 ~


— Bem, você vê... — ela cruzou as pernas e olhou para todos os lugares, exceto para mim. Ela estava nervosa, eu esperava totalmente isso, mas era injustificado. — Christi, ele é tão maravilhoso. No começo, ele estava apenas tentando me ensinar gaélico. Eu olhei para ela confusa. — Por quê? — Porque o que? — Por que ele estava lhe ensinando gaélico? Ele mal fala Inglês. — Porque, eu me apaixonei por ele e eu queria ser capaz de dizer a ele. — Eu sorri enquanto ela continuava. — Ele sempre foi bom para mim, mesmo quando eu era Harley. Ele nunca tentou nada comigo, como alguns dos outros caras. Ele me deu uma flor uma noite sem motivo, apenas foi doce. Ele até me rejeitou quando tentei chupá-lo em troca. Eu fiquei em silêncio enquanto ela continuava. — Eu não sei quando isso aconteceu, mas aconteceu, eu estive tendo aulas com ele por um tempo. Ele nunca me pressionou para qualquer outra coisa e ele me trata como... Eu vi como uma única lágrima correu pelo seu rosto. — Como o que, Frankie? — Como uma dama de verdade, — suas palavras eram um pouco acima de um sussurro, enquanto as lágrimas continuavam a rolar em seu rosto. Eu sorri enquanto suas palavras permaneceram na sala, o som de suas fungadas foi o único ruído que se manteve. Minha voz era suave quando eu falei de novo: — Não é isso que você queria, Frankie? — Ela assentiu com a cabeça suavemente, com a cabeça ainda abaixada. — Então qual é o problema? Por que você está chorando? — Porque isso provavelmente irá deixá-lo em apuros com o Sr. Malloy e me fazer ser despedida do meu primeiro trabalho de verdade. — Por que, Frankie? Patrick disse que você não podia sair com seus homens? — Ela balançou a cabeça negativamente. — Eu já disse que você não podia namorar nos seus momentos livres? — Ela, mais uma vez, balançou a cabeça negativamente. — Então eu não consigo ver o problema aqui, minha querida.

~ 155 ~


Sua cabeça se levantou e ela olhou na minha direção. — Você está falando sério, Christi? Eu ainda posso sair com ele? Eu ri enquanto balançava a cabeça, — É claro, ele é um homem maravilhoso. Você tem a minha bênção e o meu encorajamento. — Seu sorriso agora era maior que a vida, seu corpo estava vibrando. — Eu fiquei com tanto medo que tudo isso fosse um grande sonho e que eu iria acordar e ainda ser a puta nojenta que eu era antes. Foi a minha vez de derramar uma lágrima quando as palavras dela bateram no meu coração. — Você não vai se arrepender, Christi, eu prometo. Eu vou ser profissional quando estiver no trabalho, eu juro. Você vai ficar tão orgulhosa de mim. Eu sorri enquanto me levantava para dar a volta na minha mesa, puxando-a para um abraço. — Eu já sou, Frankie, eu já sou. Ficamos ali por alguns momentos abraçadas. Ela era uma nova pessoa, uma pessoa feliz, e todo mundo merecia uma segunda chance. Frankie tinha agarrado a dela com unhas e dentes. Ela era, finalmente, uma verdadeira dama. Ela me soltou e disse que tinha um milhão de coisas para fazer. Eu sorri e acenei para ela. — Oh, Frankie, uma última coisa antes de você sair. Ela se virou para mim, com o rosto coberto por um sorriso. — Sim, Christi? — Ele disse que você era a garota dele e que ele queria levá-la em um lugar agradável. Eu acho que você deveria ligar para ele e dizerlhe: Dinne’ar ag se’, i dont mo a‘bheith de’anach. Ela olhou para mim confusa, — O que é isso? — O jantar será na minha casa, às seis horas, e não se atrase. Ela repetiu o que eu disse a e correu para seu escritório. Paige e Nora encontraram Shannon e eu com Abby em um restaurante a poucos quarteirões do apartamento de Patrick. Dillion apareceu e levou Shannon e Abby para casa, quando Paige e eu estávamos falando sobre seu casamento. Nora estava ocupada falando no telefone para alguém na Irlanda, e pelo tom da conversa, parecia que estava relacionado com o incidente da renda.

~ 156 ~


No momento em que cheguei em casa, passava das onze. Eu tomei um banho e depois me arrastei para a cama. Patrick havia me ligado mais cedo e disse que não poderia se juntar a nós para o jantar, mas que iria me ver de manhã. Deitava na minha cama, eu me virei de um lado para o outro e a minha mente voltou para o fim de semana que eu tinha passado na cama de Patrick. Tinha sido mais do que apenas o sexo incrível; era apenas estar com ele. Depois de uma hora, eu reconheci a derrota, atirei as cobertas para trás, arrumei algumas roupas em uma bolsa de viagem, e em seguida fui para o apartamento de Patrick. Todas as luzes estavam apagadas quando eu cheguei lá. O meu lado racional sabia que eu deveria ter ligado antes, ele era um Chefe da máfia e depois de tudo e tinha armas por todo o apartamento. Mas eu não o fiz. Eu fiz o caminho até seu quarto, onde encontrei Patrick tranquilo dormindo de costas. As cobertas descansavam em seus quadris, dandome uma visão clara do seu peito nu. Eu tirei todas as minhas roupas e deslizei para a cama com ele. Eu coloquei a minha cabeça no peito dele e senti o braço dele se colocar ao meu redor, abraçando-me. — Não que eu me importe, mas o que causou isso? Sua voz era puro sexo e conforto em uma coisa só. — Eu só precisava estar perto de você, — eu falei contra seu peito enquanto seus dedos acariciavam o meu cabelo. — Você não precisa de uma desculpa, você deve mudar todas as suas coisas para cá e ficar aqui todas as noites. Eu fechei os olhos e contemplei como eu iria dizer isso sem irritálo. — Eu não quero viver aqui, Patrick, eu quero uma casa de verdade. Ficamos deitados em silêncio, e as minhas palavras ficaram penduradas fortemente sobre nós. — Você está certa, isso não é uma casa. Depois do casamento de Shannon, eu quero começar a procurar uma casa. Uma casa que eu possa carregá-la através do batente da porta, e trazer nossos bebês quando saírem do hospital. Eu sorri ao ouvir suas palavras. Ele entendia; este apartamento era o escritório dele, não um lugar para construirmos as nossas vidas.

~ 157 ~


— Outra coisa, eu quero que você pare de tomar pílula uma vez que estivermos casados. Eu quero ter bebês com você, Christi, e eu quero começar a tentar antes da tinta secar na nossa certidão de casamento. Eu sorri contra seu peito novamente, dando um beijo acima de seu coração. — Eu não posso esperar para ver como protetor você será com as nossas filhas. Patrick respirou fundo, — Nós só teremos filhos, doze. Eu não reconheci sua declaração. Eu contei para ele sobre Frankie e Shamus. Eu me certifiquei de expressar quão feliz eu estava com o casal e que esperava que ele ficasse também. Nós não falamos mais nada, pois eu adormeci. Meu mundo estava perfeito e, embora eu tivesse lutado contra ficar com Patrick, eu estava feliz por ter perdido a luta.

~ 158 ~


Capítulo dezesseis — Ah sim! Bem aí... Patrick tinha me acordado antes de o alarme tocar. Eu não me importei desde que ele usou a língua. — Oh... por favor... hunnnahh... Com uma risada maliciosa, ele parou de lamber meu clitóris e perguntou: — Por favor, o quê? Eu joguei minha cabeça em sua direção, meu cabelo voando como uma onda no meu rosto. — Patrick Shane Malloy, você volte com essa porra de língua para onde você estava ou Deus me ajude. Seu riso continuou e ele piscou para mim antes de baixar a cabeça mais uma vez entre as minhas coxas. — Você coloca um anel barato no dedo de uma menina e de repente ela fica toda exigente. Três orgasmos e uma punheta no chuveiro mais tarde, eu estava ajudando a amarrar sua gravata. — Então, nós ainda não marcamos uma data para o casamento que você está me forçando, — ele brincou. Eu olhei nos olhos dele no espelho. Você sabe, você deveria ter cuidado com o que fala amigo, ou sua mão direita será a sua única amiga por um tempo. — Não, nós ainda não temos uma data, — eu respondi enquanto apertava a gravata um pouco mais do que seria confortável. — Eu liguei para o Padre Murphy e ele está pronto para iniciar o nosso curso de noivos. — Tudo bem, vamos ver... — Eu peguei o telefone de Patrick da mesa de cabeceira e toquei na tela para abrir sua agenda: — Bem, este fim de semana está claramente fora de questão... é o casamento da minha irmã. — Ele riu. — E o da sua irmã será apenas algumas semanas depois, portanto, o melhor dia de acordo com a sua programação louca é 13 de outubro.

~ 159 ~


Eu ergui os olhos da tela para encontrá-lo sorrindo para mim, — Então será 13 de outubro. Eu liguei para o meu pai e pedi para ele me encontrar na nossa lanchonete. Com a data do meu casamento agora definida, eu precisava tirar alguns detalhes menores do caminho. Eu fiquei surpresa ao ver que o meu pai ainda não tinha chegado, mas Patrick estava sentado na nossa mesa habitual. Eu não consegui segurar o sorriso quando percorri o caminho para me juntar a ele. — Sentiu a minha falta? — Eu ri quando dei um beijo em seus lábios. — Seu pai me convidou, na verdade, e sim, eu senti a sua falta Doris estava alerta esta manhã e colocou uma xícara de café quente sobre a mesa na minha frente. — O de costume, querida? — A voz amiga de Doris me questionou. — Não, apenas café, hoje, — Eu sorri enquanto olhava para ela. Ela então se virou para Patrick e começou a encher sua xícara, — Qualquer coisa para você, Patrick? Eu fiquei surpresa pela forma como ela usou seu primeiro nome. Eu só conhecia um punhado de pessoas que tinham o privilégio. — Não, Doris, eu irei encontrar o meu futuro sogro, estou um pouco nervoso esta manhã, — ele riu quando piscou em minha direção. — Oh, Patrick, isso não é agradável. Matthew é um homem maravilhoso e você sabe disso. — Sim, senhora, eu só estava tentando irritar Christi esta manhã. — Melhor ter cuidado com isso, ela logo irá dormir ao seu lado, — Doris brincou quando começou a se afastar. — Ah, antes que me esqueça, obrigada novamente pela sua ajuda com Ian, — acrescentou Doris e depois se afastou. Eu olhei para Patrick, que estava ostentando um sorriso feliz; Eu tinha que saber o que estava acontecendo. Eu não tinha certeza de quanto ele estava disposto a me dizer sobre seus negócios pessoais, apesar de tudo. Patrick deve ter notado a minha curiosidade e falou antes que eu pudesse perguntar.

~ 160 ~


— Uma vez que você vai ser minha esposa muito em breve, você deve saber que eu, ou melhor, nós, estamos ajudando o filho de Doris com as mensalidades da faculdade de medicina. Eu poderia ter ouvido que o céu era verde neste momento e teria sido mais fácil acreditar nisso do que eu tinha acabado de ouvir vindo do meu noivo. — Você está brincando comigo? — Eu gaguejei antes que eu pudesse pensar. — Não… — Então você está agindo como... como... um desses agiotas que fazem empréstimos? Você sabe, todo o dinheiro de volta acrescido de juros exorbitantes em noventa dias? Patrick começou a rir de mim. Realmente rir. — Amor, nem tudo o que faço visa o lucro. Eu tento ajudar os jovens do bairro que estão tentando melhorar suas vidas. Ian estava sempre ajudando as outras crianças da vizinhança também. Quando Doris me disse que ele tinha perdido a bolsa de estudos devido aos cortes no orçamento, eu agi. Lembrei-me de Charlotte me dizendo que Patrick que doava milhões a cada ano para a caridade. Eu me inclinei até ele e acenei para que ele se aproximasse com o meu dedo indicador. Ele me presenteou com seu sorriso marca registrada enquanto se inclinava. — Eu acho que acabo de me apaixonar um pouco mais por você, Patrick Malloy. — Então eu beijei seus lábios. — Você sabe que eu só estou permitindo isso, por causa do anel que você colocou no dedo dela. Nem mesmo o som da voz do meu pai me fez interromper o beijo. Eu lentamente me afastei e olhei diretamente nos olhos de Patrick. Eu sempre me lembraria da maneira como ele olhava para mim - amoroso, querido, dedicado. Ele nunca tinha que me dizer como se sentia, seus olhos me diziam tudo. — Bom dia, papai, — eu disse, sem tirar meus olhos de Patrick. — Bom dia, — meu pai falou quando se sentou ao meu lado, beijando minha bochecha enquanto se ajeitava.

~ 161 ~


Doris não perdeu tempo e colocou uma xícara de café sobre a mesa na frente dele. — Obrigado, Doris, — Matthew e Patrick afirmaram ao mesmo tempo. Eu deixei o meu pai tomar um gole de café antes de começar a questionar por que ele queria Patrick aqui. Eu precisava falar com ele sobre como iríamos pagar por um casamento e, honestamente, eu não queria que Patrick para ouvisse esta conversa. — Então, meu pai, não que eu esteja reclamando, mas por que Patrick precisava estar aqui para o nosso encontro? Eu tomei outro gole do meu café e Patrick estendeu a mão sobre a mesa e pegou a minha mão livre na dele. Alguma coisa estava acontecendo, e pelos olhares em seus rostos, eu poderia não querer ouvir. — Eu pedi a Patrick para se juntar a nós, porque eu tenho uma notícia e eu não estou certo de como você irá reagir a ela. Patrick apertou a minha mão com mais força enquanto eu tentava virar o meu corpo para o meu pai. Eu podia sentir a ansiedade começar a viajar até o meu peito e garganta. Havia algo de errado com o meu pai? Ele estava doente, ou tinha se metido em apuros? — No ano romanticamente.

passado

eu

comecei

a

sair

com

alguém,

E, assim como o momento em que você fica menstruada depois de ter tido relações sexuais sem camisinha, o alívio tomou conta de mim e eu soltei a respiração que estava segurando. Eu bati em meu pai no braço o repreendendo por me preocupar. — Você nunca me assuste assim de novo! Eu pensei que você estava morrendo pela maneira que estava falando. Os dois homens começaram a rir enquanto eu tomava outro gole de café. — Bem, você pode querer me matar quando descobrir quem é. E lá estava o retorno da ansiedade. Eu acho que eu vou matá-lo... ela é casada. — Antes de eu dizer quem é, eu quero que você saiba que eu... que eu não tinha planos de me apaixonar, mas nos apaixonamos e eu ~ 162 ~


pedi a ela para morar comigo. Ela não está pronta para se casar ainda, mas estou disposto a esperar. — Eu olhei para Patrick e ele apertou a minha mão com mais força. — Ela queria vir hoje e estar aqui comigo, mas eu disse a ela que isso precisava partir de mim. Doris escolheu esse momento para trazer ao meu pai seu prato de café da manhã. — Obrigado, Doris. Eu vi como o meu pai olhou para os seus ovos, respirou fundo e, em seguida, virou o rosto para mim, — Desde o ano passado, eu venho saindo com Charlotte. Eu poderia jurar que ouvi-lo dizer Charlotte, mas isso era louco... — Eu a amo, Christi. Ela me faz sentir bem, ela me faz querer viver novamente. Eu amava o meu pai e amava Charlotte. Eu comecei a pensar realmente sobre o ano passado. Charlotte tinha agido de forma diferente? Ela realmente não falava sobre sua vida pessoal, agora eu sabia o porquê. — Ela quis te contar tantas vezes e eu pedi a ela que não. Se você está com raiva, fique com raiva de mim, não ela. — Babe, você não está dizendo nada. Fale comigo, por favor, — Patrick falou suavemente. Eu respirei fundo e em seguida pisquei para Patrick com o olho que o meu pai não podia ver. Meu pai era um homem crescido e se Charlotte o fazia feliz, então quem era eu para ficar em seu caminho? Isso não muda o fato de que eu estava prestes a lhe dar o troco por ele ter me assustado mais cedo. — Pai, você está brincando comigo? Charlotte tem a minha idade. Você tem idade suficiente para ser pai dela, pelo amor de Cristo. Eu olhei para Patrick, que estava tentando com todas as forças não rir. Ele sabia que eu estava apenas brincando com o meu pai. — Eu sei, e não pense, por um segundo que eu não lutei contra estes sentimentos que tenho por ela, porque eu lutei. Quero dizer, ela pode querer ter filhos um dia e eu não posso dar a ela. Minhas meninas estão adultas, pelo amor de Deus. Ok, isso amoleceu o meu coração um pouco, não vou mentir. ~ 163 ~


— Eu me dei mil razões pelas quais esta relação é uma má ideia, mas a única coisa que nenhum de nós pode ignorar era o nosso amor um pelo outro. Olhei para meu pai por um segundo, realmente olhei para ele. Ele estava feliz com uma das minhas melhores amigas no mundo e eu sabia que ela iria cuidar dele. — Pai, honestamente, eu estou feliz, se você está, — Eu me inclinei e beijei sua bochecha, e no mesmo momento o telefone de Patrick começou a tocar. — Bem, eu certamente estou feliz por você estar errado sobre a reação dela, Matthew, — Patrick riu enquanto jogava algum dinheiro sobre a mesa e se levantava. — Sinto muito por ter que sair, mas eu tenho um problema que precisa da minha atenção. Podemos jantar hoje à noite? No meu apartamento? — Ele se inclinou e beijou meus lábios. — Jantar soa muito bem, — Eu sorri para o seu belo rosto. — Eu te amo, — eu disse beijando-o novamente. — Eu também te amo, — ele sorriu e retornou meu beijo. — Tudo bem, tudo bem. Eu tenho meus limites, mesmo com o anel, — meu pai brincou enquanto Patrick continuava a me beijar. Eu fiquei observando enquanto Patrick se afastava em direção à porta. Ele parou brevemente e deu um beijo na bochecha de Doris. Ela riu de algo que ele disse e então ele atravessou a porta com um aceno e uma piscadela. Pareceu-me tão estranho visto que não havia muito tempo eu tinha pensado o pior dele. Eu o havia julgado pelos padrões da sociedade e não fui justa. Eu não era ingênua o suficiente para acreditar que ele era assim maravilhoso o tempo todo. No entanto, eu apenas escolhi me concentrar nesse lado dele e deixar o outro só para as pessoas que precisavam vê-lo. — Então, Patrick me disse que vocês vão começar o curso de noivos amanhã. E assim, meu pai estava pronto para um novo assunto. — Sim, vamos marcar a data para 13 de outubro, o que não nos dá muito tempo. — E o Padre Murphy está bem com isso?

~ 164 ~


— Pai, você nunca deve duvidar do tipo de charme que Patrick tem. — Eu não sei em primeira mão, mas ouvi de passagem, — Ele riu quando me deu uma cutucada no ombro. — Então, qual é a sua razão de precisar me ver esta manhã? Eu tomei outro gole do meu café que estava esfriando arrefecimento. Doris levantou a jarra da cafeteira que estava segurando, silenciosamente perguntando se eu precisava de uma recarga. Eu balancei a cabeça e ela começou a caminhar em direção à nossa mesa. — Bem, eu sei que estamos a menos de uma semana do casamento de sua primeira filha e, em seguida, eu anuncio que eu vou me casar em poucos meses. Doris chegou para encher a minha xícara. — Obrigada, — eu disse quando ela estava prestes a ir embora. — Sim, então qual é o seu ponto? Eu suspirei e larguei a xícara na mesa. Só em pensar no que eu precisava discutir com ele tinha me mantido acordada durante a maior parte da noite. — Bem, eu tenho uma boa ideia do que o casamento de Shannon está lhe custando, também sei que o fato de eu me casar com Patrick, o custo do nosso fará com que o custo do casamento de Shannon pareça trocado. Meu pai abaixou sua xícara e olhou para mim como se soubesse que eu tinha mais a dizer. Quando eu não continuei, ele me sondou. — Eu não entendo o que você está tentando me dizer. Eu olhei para ele como se ele tivesse três cabeças. — Pai... o meu casamento vai custar uma fortuna. A lista de convidados vai ser enorme. Mesmo com as minhas ligações, isso vai nos custar uma tonelada de dinheiro. Agora, eu tenho algum dinheiro guardado... — Pare aí, Christi. Se você pensa por um segundo que eu não posso dar a ambas as minhas filhas os casamentos de seus sonhos...

~ 165 ~


— Não, pai, não vai ser o casamento dos meus sonhos, vai ser o casamento que seremos obrigados a ter. Eu não conheço a maioria das pessoas que estará lá, e a maioria deles terá um registro criminal maior do que a lista de convidados, — eu disse a última parte em voz baixa. — Christi, quanto dinheiro eu tenho no meu bolso agora? Olhei para ele confusa. — Eu... eu não tenho nenhuma ideia. — É isso mesmo, você não tem conhecimento da minha situação financeira. Eu poderia ter milhões no banco e você nunca saberia. Não decida por mim, quando não é a sua decisão a tomar. Meu pai estava novamente correto. Eu tinha assumido que ele não podia pagar as coisas do casamento. Eu saí para o meu escritório naquele dia com instruções estritas para ter tudo o que eu quisesse no meu casamento. O casamento de Shannon seria em menos de uma semana e havia tantos detalhes inacabados. Como sua dama de honra, era o meu trabalho concluí-los. Eu estava prestes a ligar para o florista quando houve uma batida na minha porta. Frankie estava com uma prancheta na mão e estava seriamente franzindo a testa. — Desculpe, Senhorita Christi, mas você tem uma visitante. Eu olhei para Frankie. — Quem é? — Eu questionei-a suavemente. — Sophia Porchelli. O que no mundo que ela poderia querer? — Obrigada, Frankie, mande-a entrar. Eu me levantei da cadeira e verifiquei a minha maquiagem. Eu não tinha ideia de por que eu senti a necessidade de parecer muito bem para ela. Eu sabia que ela tinha uma história com Patrick. Eu não sabia os detalhes e honestamente não queria nenhum. Eu esperava que Sophia estivesse vestida com esmero e bêbada ou chapada, com base no histórico dela. Ela não me decepcionou quando entrou no meu escritório. Seu terno vermelho definitivamente não era da coleção passada, e seus sapatos e bolsa, pelo que eu sabia que tinham que custar mais do que o meu carro. Seu cabelo longo bonito estava liso e solto e se movia enquanto ela caminhava. Sophia Porchelli era sem dúvida uma bela garota. ~ 166 ~


Seus óculos enormes esconderam seus olhos de mim enquanto ela adentrava mais na sala, apenas removendo-os quando colocou a bolsa na cadeira. Eu precisava tomar cuidado com ela. Só porque a língua dela não era bifurcada não a tornava menos cobra. — Christi, eu acabo de receber a notícia e tive que vir e dar os nossos parabéns. Com todos os meus anos de trabalho ao lado de Charlotte, eu tinha desenvolvido um sexto sentido, se você me entende. Eu poderia ler as pessoas com boa precisão e dizer se eram sinceras. Sophia estava atrás de algo e não precisava ser um cientista para descobrir o que ela queria... Patrick. Tudo bem, puta, você quer dançar, vamos dançar. — Oh, muito obrigada. Estamos tão felizes e não podemos esperar pelo nosso grande dia. Ela se aproximou e me envolveu em um abraço. O cheiro de seu perfume muito caro mal cobria o cheiro do álcool que ela tinha bebido esta manhã no café da manhã. — Eu estou tão feliz que Patrick tenha escolhido uma menina tão bonita para se casar. Eu fiquei preocupada por um tempo que ele nunca fosse sossegar, sempre com uma garota diferente. Agora que tudo vai mudar, pelo menos eu espero que ele mude... por você eu quero dizer. Senhoras e senhores, lá estava ela, a serpente na grama. Ela tinha acabado de dar o primeira bote. Mas eu já tinha lidado com o meu quinhão de cobras. — Bem, eu certamente espero que ele nunca mude. Eu gosto dele do jeito que ele é. Eu pude ver o choque em seus olhos. Eu estava dando a ela um desafio. — Realmente, Christi, você vai fechar os olhos... — Para que ele tenha uma goomah? Bem, considerando que ele é irlandês, o termo seria mot, mas... Seu rosto era inestimável. Ela realmente acreditava que eu iria deixar que isso acontecesse, talvez deixá-la aquecer a cama dele ou polir o botão de sua na ocasião.

~ 167 ~


— Eu estou certa que você tem alguma experiência pessoal com isso. — Minhas palavras fluíam como mel, pegajosas e doces. — Oh, você me entendeu mal... — Oh, não, eu ouvi alto e claro. Você veio aqui hoje na esperança de plantar uma pequena semente de dúvida na minha cabeça. Talvez me dizer como você teve um caso de amor tórrido e longo com Patrick, o que sei que é besteira, aliás. Eu permaneci calma enquanto continuava a abrir buracos em seus planos. Ela não me assustava, ela não era nada para mim. Ela começou a recuar. — Christi, eu só vim felicitá-la. Eu nunca iria falar de coisas íntimas que aconteceram entre Patrick e eu, isso são águas passadas. — Sophia, a sua bunda está com tanto ciúmes que a merda está saindo pela sua boca? Você acha seriamente que eu acredito que você teve qualquer tipo de relacionamento com ele? Você poderia ver a fúria crescer em seus olhos. Ela honestamente pensava que eu iria me encolher no canto com a possibilidade de que ele tivesse ficado com ela. — Não, eu entendo você perfeitamente e eu aprecio você ter vindo, mas como você pode imaginar, eu tenho uma longa lista de coisas para fazer hoje e eu realmente preciso dar atenção a ela. — Oh, sim, mas é claro. Eu observei enquanto ela pegava sua bolsa e colocava seus óculos de sol. Eu a acompanhei até a ante sala do meu escritório. Assim que estava prestes a abrir a porta para sair, ela se virou e fez uma última pergunta. — Quando é o casamento, aliás? — 13 de outubro, — eu de bom grado respondi. — Hmm, sexta-feira 13? Você parece brincar com o destino. Você sabe que esse é considerado um dia de má sorte? — Ela sorriu quando se virou e saiu. De repente eu estava lamentando ser incapaz de bater a porta. Teria sido incrível bater tranquilamente naquela bunda excessivamente arredondada.

~ 168 ~


Nós estávamos sentados no meio da sala de Patrick, enquanto eu servia a cada um uma taça de vinho. O jantar estava incrível e eu adorava estar com ele assim. — Então, eu me esqueci de perguntar, como foi seu dia? Patrick tinha trazido comida da delicatessen ao virar da esquina. Nós dois estávamos tão famintos que comemos em um silêncio confortável. — Bem, eu recebi uma visita de Sophia hoje. Patrick olhou para mim rapidamente com uma expressão de choque no rosto. — Sophia foi ao seu escritório? — Yep. — Eu dei ênfase ao 'p'. — Ela queria felicitar-nos. Eu dei a ele um olhar de... Eu lidei com ela. — Que tipo de besteira que ela vomitou? — Eu não permiti. Ela é uma cobra, Patrick. Eu sei disso. Sua visita foi inútil. Patrick pegou a minha taça e gentilmente colocou-a na mesa de centro. Seu rosto estava cheio de orgulho quando ele lentamente passou os braços em volta de mim e me puxou para ele no chão. Nossos olhos nunca se deixaram enquanto ele gentilmente acariciava o meu rosto. — Meu pai estava certo, você é perfeita para mim.

~ 169 ~


Capítulo dezessete Com o chá de panela de Paige no meu espelho retrovisor, eu tirei meu uniforme de planejadora e coloquei o de irmã da noiva. Patrick me garantiu que iria cuidar de Dillion durante sua despedida de solteiro. Shannon estava preocupada que ele acabasse como nos filmes, completamente bêbados e com uma ressaca do inferno no dia seguinte. Patrick deu sua palavra de que iria manter as coisas mansas. Eu disse que ele estava cheio de merda... ele só riu de volta para mim. Shannon escolheu ficar comigo naquela noite. Queríamos ter uma última noite de irmãs solteiras. Assim, de pijama e filmes antigos da década de oitenta no DVD, fizemos uma enorme cama no chão da sala e bebemos margaritas. Eu nunca ri e chorei tanto em toda a minha vida. Ela me disse o quanto admirava o meu espírito e a minha dedicação à nossa família. Ela também me disse para nunca mudar quando se tratasse de Patrick, nunca deixá-lo ―usar as calças‖ sozinho. Passava um pouco de uma hora da manhã, quando meu celular começou a tocar, me assustando. Eu respondi com as mãos tremendo. — Alô? — Babe, o que há de errado comigo? — Patrick falou arrastado do outro lado do telefone. — Patrick... o que aconteceu? O que está errado? — Eu estou rodeado de mulheres nuas e tudo o que eu posso pensar é que elas não se parecem com você. — Patrick, você está bêbado? — Oh, amor, eu passei de bêbado há muito tempo atrás. Eu podia ouvir os gritos ao fundo, — VAI! VAI! VAI! — Será que eu quero saber o que você está fazendo em um lugar cheio de mulheres nuas? — Eu estou sentindo a sua falta, isso é o que eu estou fazendo.

~ 170 ~


— Babe, você me viu esta manhã. — E daí? Não exclui o fato de que eu sinto a sua falta, você pode apenas estar na minha cama quando eu chegar em casa? — Não quando você acabou de sair de um lugar cheio de mulheres nuas. — Eu te amo. Você sabe o quanto eu te amo de verdade, Christi? — Eu também te amo, Patrick. Eu disse boa noite e encerrei a chamada. Shannon tinha adormecido enquanto eu estava no telefone com Patrick. Eu puxei a manta do sofá e cobri o corpo adormecido da minha irmã.

***

Eu estava determinada que o dia do casamento de Shannon fosse perfeito. Eu tinha tudo planejado. Em primeiro lugar, ela iria mergulhar em uma banheira cheia de bolhas e pétalas de rosa. Em segundo lugar, ela teria seu próprio cabeleireiro e maquiador; Eu não queria que ela se sentisse apressada. Shannon tinha escolhido vermelho e branco para as cores do casamento. Todos os vestidos de dama de honra eram vermelhos com bordados brancos muito delicados. O vestido de Shannon era branco puro com uma faixa vermelha que em volta da cintura. Ela escolheu um véu longo e rosas vermelhas para seu buquê. Eu estava sinceramente chocada, visto que sua cor favorita era rosa. Duas damas de Shannon tentaram entrar em uma discussão acalorada, mas eu coloquei um fim rápido a isso. Eu tinha trabalhado pra caramba para me certificar que tudo estivesse perfeito e nada iria manchar essa lembrança para a minha irmã. Quando começamos a planejar o dia de hoje, Nora tentou fazer com que uma amiga próxima da família, que era organizadora de casamentos cuidasse de tudo, assim eu ficaria livre para apenas aproveitar o dia, mas ela já estava reservada. Ela me garantiu que iria planejar meu, então eu não teria que fazer isso sozinha.

~ 171 ~


Enquanto eu estava na frente da minha irmã, certificando-me de que seu vestido estava perfeito, eu olhei em seus olhos. Ela estava feliz, realmente feliz, e isso era tudo que eu sempre quis para ela. — Eu te amo, nunca se esqueça disso, — Shannon sussurrou. — Eu também te amo. Eu senti uma mão suave no meu ombro nu e voltei minha atenção para a proprietária da dita mão para encontrar Frankie parada lá. — Sinto muito, Christi, mas há uma situação na frente da igreja que você precisa ver, — Frankie sussurrou com o olhar de puro pânico. Eu fiz um gesto para ela a liderar o caminho e disse para as outras damas de honra de Shannon mantê-la dentro da sala. Enquanto caminhava até as portas da frente, passei por um número de homens de Patrick; Eu nunca tinha visto nenhuma emoção em qualquer um dos seus rostos até este momento. Assim que eu coloquei a minha mão na porta, eu ouvi. — Eu sou sua porra da mãe da noiva! Eu exijo que você me deixe entrar! Fazia muitos anos que eu tinha ouvido aquela voz, mas eu nunca a esqueceria. De pé na parte inferior da escadaria de concreto estava a mulher que deu à luz a Shannon e eu, Morgan. Pobres Shamus e Tonto estavam parados como estátuas enquanto ela continuava a lançar palavrões para eles, pedindo para entrar. Dillion tinha sido muito firme sobre a lista de convidados. Ele queria que este dia fosse perfeito, bem, embora nenhum de nós pensou que ela iria fazer uma aparição. Eu coloquei minha mão nos ombros largos de Shamus e perguntei: — Cad cosu‘il le bheith ar an bhfadhb anseo? — (Qual é o problema aqui?) Shamus se virou para mim e respondeu: — Ela diz que mãe... Eu olhei atentamente para Shamus; ele tinha falado Inglês. Tudo bem, ele havia se atrapalhado um pouco, mas era Inglês, no entanto. — Shamus, eu estou tão orgulhosa de você! — A minha doadora do óvulo gritando foi momentaneamente esquecida e eu me inclinei e beijei sua bochecha. Seu sorriso era enorme e ele corou quando abaixou a cabeça.

~ 172 ~


Meu sorriso desapareceu quando eu me virei de volta para a mulher em questão. — O que você está fazendo aqui? — Eu falei com os dentes cerrados. — Não use esse tom comigo, Christi. Eu ainda sou sua mãe. Eu fechei a distância entre nós, e meu nariz ficou a menos de um centímetro do dela antes de eu rosnar minhas palavras para ela. — Oh, não, você não é, porra nenhuma, — meus olhos castanhos se fixaram nos dela. — Você não tem o direito de afirmar essa porra de título. Você desistiu dele há um longo tempo atrás. Meu peito arfava com minha respiração ofegante; eu podia sentir o calor da minha raiva subindo da minha alma. — Onde diabos você estava quando ela estava doente com catapora e não pode ver o eclipse lunar? Quando éramos meninas, nós amávamos ver as estrelas e em um ponto, Shannon queria trabalhar para a NASA. Papai deu a cada uma um telescópio e poderíamos dizer qualquer coisa que você quisesse saber sobre os planetas. Quando Shannon pegou catapora, ela não podia ir lá fora e isso aconteceu quando um eclipse lunar ocorreu. Ela ficou inconsolável. — Onde você estava quando ela teve que receber dez pontos depois de cair de uma árvore quando o cachorro do vizinho correu atrás de nós? O cão era enorme e ele escapou do cercado um dia. Sr. Fitzpatrick ficou tão assustado que chamou uma ambulância para ela. Seu tratamento tinha sido adiado porque o nosso pai estava em uma emboscada e não tínhamos outro progenitor disponível para dar permissão para o tratamento. — E que tal quando ela teve sua primeira menstruação e se escondeu debaixo da pia da cozinha, porque pensou que estava morrendo... me diga, onde diabos você estava?! Minha respiração estava acelerada e eu estava tremendo da cabeça aos pés. Ela tinha nos deixado sem nem um adeus, nem um beijo, nada. — Onde você estava quando ela gritou em trabalho de parto de seu primeiro bebê por dezesseis horas? Onde você estava quando nós enterramos nossa irmã mais velha? Você se lembra dela, não é? Você foi até o hotel identificar o corpo dela? Foi? — Eu gritei para ela.

~ 173 ~


— Ele me deu dinheiro, ele te disse isso? Seu pai, ele me deu um monte de dinheiro. Suas palavras saíram atrapalhadas, ela estava bêbada, eu senti o cheiro dela naquele momento. — Mas você aceitou, não é? Sua expressão era de choque, ela não podia responder. — Christi, está tudo bem? Eu me virei e vi Patrick de pé ao lado de Shamus e Tonto. Quando olhei para ele, eu notei que uma quantidade considerável de gente havia se reunido nos degraus da escadaria. Allyson e Paige estavam lado a lado olhando para Morgan, enquanto Frankie tinha tirado os sapatos, pronta para jogar para baixo, se necessário. Minhas meninas estavam na minha retaguarda. Eu olhei de volta para Patrick: — Sim, só me livrando deste lixo. Quando me virei novamente para ela, eu notei um sedan preto estacionado do outro lado da rua, as janelas fechadas, mas eu podia ver claramente que alguém estava lá dentro. Eu levantei minha mão esquerda, o meu anel de noivado brilhando à luz do sol brilhante. — Morgan, você vê esse anel? — Eu aproximei a minha mão ainda mais do rosto dela, seus olhos ficaram enormes como ela viu o tamanho e o brilho. — Eu vou me casar com o homem que me deu este anel, e vou dar filhos a esse homem. — Eu baixei a mão esquerda, para que ela não tivesse nada para distraí-la de ouvir o que eu tinha a dizer. — Eu iria matá-lo com minhas próprias mãos se ele sequer tentasse tirar meus filhos de mim. Ela tentou falar, mas eu a cortei. — Ele é um dos homens mais mortíferos dessa porra de cidade e eu iria matá-lo sem pensar duas vezes se ele um dia tentasse me separar dos meus malditos filhos, — as três últimas palavras foram pronunciadas de forma muito acentuada e com ênfase em cada palavra. — Não há dinheiro suficiente no mundo que me convencesse a ficar longe dos meus filhos. Você vendeu a mim e às minhas irmãs como se fôssemos nada, e agora isso é exatamente o que você é para mim, nada. Tonto, tire este pedaço de merda da minha cara e se certifique de que ela não retorne. Ela não é bem vinda aqui. — Sim, senhora.

~ 174 ~


Eu não ouvi quando Morgan tentou responder. Eu ouvi o som de um motor de arranque e me virei assim que Morgan entrou no sedan preto. — Siga-o, — eu ouvi o comando de Patrick enquanto pegava sua mão e subia a escadaria de volta para a igreja. Eu vi meu pai acompanhar Shannon até o altar. Lágrimas enormes descansavam na borda das minhas pálpebras quando ele beijou sua bochecha, em seguida, colocou a mão dela na Dillion. Foi então que eu notei Patrick sentado na segunda fila. Seus olhos se encontraram com os meus e ele disse, eu te amo em silêncio, e me deu uma piscadela para selá-lo. Quando olhei ao redor da igreja, eu sorri enquanto me lembrava da bronca de Charlotte por não ter assistido a missa em muito tempo, enquanto Patrick e sua família eram participantes fiéis da igreja. Isso mudou para mim também; Eu estava sentada à esquerda de Patrick toda vez que vínhamos juntos. Padre Murphy fez um trabalho incrível e enquanto eu observava minha irmã virar o rosto para seus convidados, eu só conseguia sorrir enquanto pensava; não seria muito mais tempo até que chegasse a minha vez. À medida que posamos para fotos e mais fotos, eu não conseguia parar de olhar para Patrick que estava sentado pacientemente em frente ao pátio. Lembrei-me da primeira vez que o vi em um smoking, como ele se portava como o dono do lugar. Uma vez que a foto final foi feita, Dillion pediu para ter alguns minutos com Shannon a sós antes da recepção. Eu fiz uso do meu tempo, atravessando o pátio e lançando-me nos braços de Patrick. — Mmm, você sabe que é tradição a dama de honra e o padrinho ficarem juntos mais tarde? Eu ri quando me afastei. — É mesmo? Bem, essa é uma tradição que estaremos quebrando. Você viu o padrinho? Travis era o irmão mais velho de Dillion e seu padrinho. Ontem à noite no jantar de ensaio. Ele havia me dito, em termos inequívocos, que estava muito interessado em mim. Patrick, claro, tinha deixado bem claro a todos que eu não estava disponível. Não que eu tivesse dado bola para Travis, ele era apenas... nojento.

~ 175 ~


— Bom, eu teria que quebrar a cara dele do contrário, — a voz rouca de Patrick vibrou no meu ouvido. — Eu acho que depois da noite passada, a cidade inteira sabe que estamos juntos. Ele sorriu abertamente para isso. — Christi, este vestido ficou absolutamente lindo em você. — Seus dedos dançavam na parte superior das flores delicadas, bordadas na parte lateral do meu seio direito. — Vai ficar ainda mais bonito no chão do nosso apartamento mais tarde, — ele sussurrou enquanto mordia de leve o meu lóbulo da orelha. Eu cravei minhas unhas no material de seu smoking e fechei os olhos enquanto pressionava meu torso em seu peito. — Você não tem ideia de como perigosamente perto de perder o controle eu estou agora, — Minha voz tremeu de desejo. — O seu escritório fica a três quarteirões de distância; eu acho que você deixou a máquina de café ligada nesta manhã. — Sua voz rouca sugeriu no meu ouvido. — Eu acho que você está certo, isso pode ser muito perigoso. As luzes no meu escritório estavam apagadas quando nós tropeçamos através da porta. Nós não perdemos tempo em corrigir isso antes das minhas costas serem pressionadas contra a parede atrás da minha mesa. — Babe, minha irmã vai me matar se eu estragar este vestido antes da recepção. Patrick sugou o ar com força enquanto me erguia na minha mesa, espalhando todos os papéis que estavam em seu caminho. — Estes não importam então. — Eu engoli em seco quando ele arrancou minha calcinha meu corpo. — Babe, eu não posso ser gentil, eu preciso... preciso de você agora, porra, — ele sussurrou, e suas palavras saíram apressadas e entre dentes. — Quem disse que você tinha que ser? Em um instante as minhas costas estavam contra o meu fichário e eu podia sentir o metal frio contra o meu ombro nu. O pênis de Patrick estava subitamente enterrado tão profundamente em mim que eu gritei de surpresa. Suas estocadas eram duras e ele estava me fazendo saltar contra o armário, mas eu não conseguia me importar. Eu

~ 176 ~


queria isso, eu queria ele. Eu não precisava de nada suave agora, eu precisava de uma foda selvagem e crua. Patrick certamente não me decepcionou. — Oh sim Baby! Vamos, Christi, porra, goza! — Ele exigiu enquanto seus quadris continuavam a bater contra os meus. Eu podia sentir a construção daquela onda maravilhosa e só quando eu pensei que ele gozaria antes de mim, ele moveu seus quadris e começou a empurrar em um ângulo diferente. Eu choraminguei em seu ouvido enquanto gozava com tudo. — Uau, eu nunca vou olhar para o meu escritório da mesma maneira, — eu disse ofegante. — Oh, é mesmo? O meu será o próximo. Nós estávamos esperando para entrar na recepção e Travis teve a oportunidade de experimentar, pela última vez, para ter certeza de que eu sabia que tinha opções. Dei uma olhada em Tonto e Brandon, que estavam no canto. Tonto tinha as mãos nele em menos de um segundo. — Você foi avisado, senhor. Eu vi Tonto levar Travis lá para fora e Brandon envolveu minha mão em torno do seu braço: — Eu sempre soube que era o melhor padrinho. — Nós dois rimos. Dillion olhou para Brandon e só balançou a cabeça enquanto beijava minha irmã na testa. Quando o DJ anunciou o meu nome seguido pelo de Brandon, eu fiquei chocada que a notícia tivesse viajado tão rápido. Olhei ao redor para encontrar Patrick afastado falando em seu telefone. Ele não parecia irritado, embora estivesse puxando os cabelos. Você teria pensado que não tivesse sobrado nenhum fio depois do que eu tinha feito com ele a poucos minutos atrás. Brandon me fez rir quando ele começou a me girar ao redor da pista de dança. A multidão aplaudiu e eu estava rindo tanto que quase perdi o fôlego. Uma vez que Shannon e Dillion foram anunciados, Patrick não perdeu tempo ao afirmar a minha mão. Dançar com Brandon não era nada comparado a dançar com o meu Patrick. — Por favor, me diga que Travis será capaz de fazer o seu discurso de padrinho.

~ 177 ~


— Não, eu serei o responsável pelo discurso. — Oh, Patrick, você não o matou, não é? — Não, croi milis. Patrick tinha começado a me chamar de querida em gaélico desde que voltou da Irlanda. Honestamente, eu adorava. — Não venha com querida! Eu vou ficar puta se você estragar o casamento. — Ele está sendo atendido enquanto conversamos. Nada mais foi dito sobre Travis e Patrick se levantou graciosamente e anunciou que estava se emocionado. Com um brilho nos olhos, ele fez o discurso mais incrível que eu já tinha ouvido. Eu simplesmente não podia esperar para este homem ser meu marido. — Eu fiquei tão orgulhoso de você hoje à noite, — Patrick sussurrou no meu ouvido quando estávamos deitados na cama mais tarde naquela noite. — Eu apenas organizei a recepção. — Não, eu estava falando sobre a sua... — Morgan, — seu nome saiu dos meus lábios com desdém. — Sim, ela. Eu não posso imaginar como foi para você e suas irmãs. Todas as pequenas coisas que as mães fazem para as suas filhas. Eu me aconcheguei em seu peito. — Eu quis dizer cada palavra que disse; Eu iria matá-lo se você tentasse me separar dos meus filhos. Patrick realmente riu, — Você teria que entrar na fila atrás da minha mãe. Ela te ama e me mataria se eu fizesse alguma coisa estúpida como essa. Nós dois sorrimos. Ele estava certo, ela o mataria. Assim que fechei os olhos, eu comecei a passar por cima dos acontecimentos do casamento. Tanta coisa havia acontecido, mas Shannon não ficou sabendo de nada.

~ 178 ~


Meu Ăşltimo pensamento, antes de eu deixar a escuridĂŁo me levar era quem estava dirigindo o carro preto?

~ 179 ~


Capítulo dezoito — Christi, limpe a sua agenda durante três semanas a partir de amanhã para a sua festa de noivado. Com Shannon disponível. Eu ainda de mesa e começou sobre a nossa festa discuti.

longe em sua lua de mel, eu tinha muito tempo sorri para Nora enquanto folheava seu calendário a escrever com fúria. Nora queria lidar com tudo de noivado. Eu queria fazê-la feliz, então eu não

Nora queria que eu me encontrasse com uma amiga da família que tinha uma empresa de planejamento de eventos de prestígio. Eu nunca tinha trabalhado pessoalmente com Makenna Gilbert, mas tinha ouvido falar que ela era muito boa no que fazia. Até o casamento Connor-Donnelly, ela tinha feito eventos puramente corporativos. Eu só a tinha visto de longe, enquanto Charlotte tratava das reuniões. Eu sabia que ela era linda e comandava cada lugar que entrava, mas isso era tudo o que eu sabia. — Patrick vai nos encontrar no escritório de Makenna? Nora tinha falado com Makenna no segundo que eu disse sim à proposta de Patrick. Makenna tinha me assegurado que se ela tivesse algo mais marcado no dia do meu casamento, ela iria reprogramar. — Ele disse que ia tentar, mas tinha uma reunião que não poderia escapar. — Patrick tinha estado muito ocupado desde o casamento e eu mal o tinha visto. Eu já sabia que ele me diria para escolher o que eu quisesse. No entanto, eu queria que ele tivesse uma palavra a dizer com coisas assim. — Já decidimos as cores? Essa era provavelmente a resposta mais fácil que teria que dar hoje. Eu queria me basear na manta da família Malloy, como a faixa amarela e o kilt xadrez azul que o senhor usava na pintura que uma vez eu vi pendurado no antigo escritório de Patrick. — Sim, as cores da família Malloy.

~ 180 ~


Você teria pensado que eu tinha acabado de lhe entregar um bilhete premiado, seus olhos instantaneamente se tornaram brilhantes e vi como uma única lágrima caiu pelo seu rosto. — Nora? — Oh, me desculpe, minha moça, eu só esperava que você quisesse algo moderno. Nora enxugou as lágrimas enquanto caminhávamos até o nosso carro à espera. — Bom dia, Angus, — Eu falei enquanto me sentava no banco de trás do Mercedes. — Manhã bonita, Senhora Malloy, Senhorita O'Rourke, — foi sua resposta. Eu tinha criado um tipo de proximidade com Angus. Havia algo nele muito reconfortante para mim. Ele nunca sorria, mas sempre era educado e estava sempre um passo à frente. O escritório da Senhorita Gilbert não ficava longe, mas com o tráfego da manhã, foi uma viagem demorada. Chegamos para encontrar o escritório de Makenna em um prédio alto na saída da Avenida Michigan. Uma vez dentro do lobby, eu fiquei chocada ao descobrir como frio e estéril o ambiente era. Sem imagens na parede ou cadeiras confortáveis para sentar. Fez-me lembrar de uma sala espera da emergência de um hospital. No canto da sala havia uma mesa com uma menina de cabelos escuros situada trás dela. Assim que nos aproximamos, ela ergueu os olhos da tela de seu computador para o rosto de Nora. Eu a reconheci imediatamente como a jovem que tinha acabado de descer escadas de Patrick naquela noite no clube de strip. Michelle estava ótima; Parecia que a reabilitação havia lhe feito bem. Seu rosto estava mais cheio e ela tinha um sorriso genuíno em seu rosto. — Senhora. Malloy, bom dia. Deixe-me avisar a Senhorita Gilbert que você está aqui. A jovem ficou de pé e se afastou da mesa antes que eu pudesse piscar.

~ 181 ~


Da porta que ela tão rapidamente desapareceu veio uma bela loira. Seu vestido azul claro agarrava-se a ela como uma segunda pele e ela parecia que tinha acabado de sair de uma passarela de Milão. Ela percorreu o espaço entre nós muito rapidamente, embora notavelmente graciosa. Ela imediatamente engoliu Nora em um abraço apertado. — Oh, Nora! Eu estou tão animada, feliz em ver você. Duas crianças no mesmo ano! Nora e Makenna começaram a trocar as brincadeiras habituais, enquanto ela nos conduzia até seu escritório. A decoração no escritório de Makenna não era muito melhor. Uma mesa e duas cadeiras de plástico rígidas eram as únicas coisas lá. Nem uma vez ela nos ofereceu algo para beber, não que eu teria aceitado, mas era habitualmente educado oferecer. Quanto mais eu via, mais eu simplesmente não me sentia bem. Eu não conseguia apontar nada específico, mas só sabia que eu a tinha visto antes. — Oh, Makenna, eu quase me esqueci de apresentá-la a minha nova filha. Makenna, Christi. Christi, Makenna. Eu estendi minha mão para ela, e quando ela ergueu a mão aconteceu. Foi o movimento da mão que fez a minha mente piscar de volta para aquela noite no estacionamento. Esta era a loira com o vestido de prostituta que me ergueu o dedo do meio quando estava com Patrick. — Eu queria conhecer a pessoa que tirou o nosso Patrick do mercado. Nosso Patrick? Cadela, por favor... O som do toque do celular de Nora me impediu de dizer o que eu realmente queria. — Minha querida, me desculpe, mas é Thomas e eu tenho que atender. Ela graciosamente se levantou de sua cadeira de plástico e deixou o escritório. — Você não é nada do que eu esperava, — a fachada de Makenna caiu e o tom humilhante em sua voz fez nada além de me irritar.

~ 182 ~


— Engraçado, você está cumprindo todas as minhas expectativas, — Eu zombei de volta para ela. — Que porra isso quer dizer? — Ela jogou de volta para mim. — Não pense por um minuto que eu não me lembro de você, — eu falei enquanto me inclinava em sua direção. — Tanto faz. Eu nunca… — No estacionamento do Gino, você saiu do carro com Patrick e decidiu que ele estava prestando muita atenção em mim e decidiu me mostrar o dedo do meio. Isso te lembra alguma coisa? — Eu cuspi, dando-lhe um olhar de cadela. Ela só me devolveu o olhar. — Veja, não foi o fato de você ter isso só para mim, a minha sobrinha de quatro anos de idade estava naquele carro e ela poderia ter visto você... — Quem dá a mínima para sua sobrinha? Você percebe que ele só vai se casar com você, porque o pai dele e o seu têm um contrato? Eu não acreditei nela por um segundo. Makenna não era melhor que Sophia. Eles iriam dizer o que tivessem que dizer, a fim de ferir as pessoas. — Bem, isso e o fato de que eu posso foder seus miolos. Eu poderia dizer pelo olhar em seu rosto que eu tinha batido em um nervo. Ela e Patrick, obviamente, nunca tinham estado juntos, mas isso claramente não tinha sido escolha dela. — Você não sabe nada sobre isso, como é trepar com ele, eu quero dizer. Ela não teve a oportunidade de responder, já que Nora voltou. Ela não estava sozinha, e tinha Thomas e Patrick em cada lado dela. Eu me levantei da minha cadeira enquanto e atravessei a sala para cumprimentar Thomas. Com um Olá rápido e um beijo na bochecha, eu voltei minha atenção para Patrick quando ele me puxou para os seus braços. — Chaill me` dathuil tu`. — (Eu senti sua falta, bonito) — Chaill me` dathhil tu` croi fresinin milis. — (Eu senti a sua também, querida) ~ 183 ~


Com o canto do meu olho, eu podia ver que Makenna não tinha a menor ideia do que foi dito. Ela podia até ter um nome irlandês, mas não falava uma palavra de Gaélico. — Oh, Thomas, você se lembra de quando éramos assim? — Do que você está falando, meu amor? Ainda somos assim. Eu te amo muito, minha Nora. Quando eu espiei Thomas e Nora olhando um para o outro, eu questionei se Patrick olhava para mim assim. Eu voltei a minha atenção ao rosto bonito dele, e tive a minha resposta... oh, inferno sim. — Eu estava apenas discutindo com Christi os planos para o casamento de vocês, Patrick, — Makenna ronronou, batendo os cílios. Sério? — Oh, e o que vocês decidiram? — Nora questionou, com o rosto ainda brilhando. — Sim, Makenna, o que nós decidimos? Eu já tinha tomado a minha decisão sobre ela planejar o meu casamento. No segundo em que eu soube que ela era a mesma vagabunda do estacionamento, eu soube. — Bem... — ela murmurou desconfortavelmente, — Ela é, hum... — Continue cavando. — Eu pensei... Os braços de Patrick ainda estavam em volta da minha cintura e ele estava suavemente movendo os polegares em um movimento circular nos meus quadris. Eu não podia aguentar mais sua estupidez. Ela não tinha ideia de como lidar com uma situação como esta. Ela sabia vomitar veneno, mais nada. — Makenna, permita-me, — eu disse interrompendo a divagação. O olhar em seu rosto era de alívio, mas isso estava prestes a mudar. — Veja bem, Nora, Makenna aqui tem uma pequena história com o meu Patrick, — eu disse removendo seus dedos muito talentosos de mim e, em seguida, encorajando-o a sentar-se na cadeira. — Ela mostrou suas verdadeiras cores uma noite, quando eles estavam juntos. Eu olhei para o rosto de Patrick, ele estava confuso.

~ 184 ~


— Eu estava jantando com meu pai e a minha sobrinha quando vi Makenna, de pé no que poderia ser descrito como um traje de prostituta. — Eu olhei diretamente para Nora e continuei, — Makenna aqui, não me conhecia e, quando percebeu que Patrick estava olhando para mim por muito tempo, ela me mostrou o dedo do meio. Felizmente, a minha sobrinha não viu o gesto. O olhar no rosto de Nora era motivo de preocupação. — Agora, eu tenho a pele muito sensível quando se trata dessas coisas, eu simplesmente achei que ela quisesse que eu soubesse qual é o seu QI. Thomas soltou uma risada, Nora atirou a ele um olhar, apoiandose em seu braço, e um sorriso começou a se formar em seu rosto. — No entanto, como profissional, eu nunca teria agido em relação a qualquer um dos meus clientes como ela reagiu a mim enquanto você, Nora, saiu da sala a alguns instantes. Nora olhou para Makenna e depois para Patrick. — Patrick, Makenna simplesmente não consegue acreditar que você vai se casar com alguém como eu. E me informou que você só está fazendo isso por conta de uma obrigação contratual entre os nossos pais. Antes que Nora ou Patrick pudessem dizer qualquer coisa, eu dei o meu golpe final. — Eu percebo que Makenna é amiga da família, mas se você quiser que me case com você, Patrick, o casamento terá que ser planejado por alguém que não queira subir no seu pau, cortando minha garganta no caminho. Você poderia ter ouvido um alfinete cair. — Mas... nós tínhamos um acordo, — A voz de Makenna agora parecia desesperada. Eu me virei para encará-la, — Que acordo? — Eu exigi. Ninguém falou e Makenna olhou desesperada para Patrick. — Eu disse, que acordo? — Minha voz saiu um pouco mais alta. — Makenna deve a família um pouco de dinheiro e foi assim que arranjamos para ela a pagar a dívida, — Thomas finalmente respondeu.

~ 185 ~


Não tinha nada a ver comigo e eu não dava a mínima para quem ela devia dinheiro. Ela não iria chegar nem perto do meu casamento. Eu peguei o telefone da minha bolsa e disquei o número de Charlotte. O telefone tocou três vezes antes de ela atender. — Já está de saco cheio de Makenna? — Ela riu ao telefone. — Corte a merda, Charlotte, eu preciso de um nome. — Um... tudo bem, — respondeu ela assustada. — Eu quero alguém que seja novo nos negócios, que estará mais interessada no planejamento do meu casamento do que em se deitar com o meu futuro marido, — Eu olhei diretamente para o rosto pálido de Makenna. — Oh, sim, e eu preciso que a pessoa seja irlandesa. O casamento será principalmente em gaélico e eu não quero confusão. — Uau, eu estou cheia de orgulho aqui. Você está batendo onde dói. Desculpe-me, eu estou me sentindo emocionada. Eu ignorei o sarcasmo de Charlotte; Eu estava louca de raiva e queria ficar desse jeito. — Maggie Callahan. Ela está tentando alavancar seu negócio de, mas ainda está pedalando. Eu olhei para Nora e respondi: — É uma coisa boa que eu goste de bicicleta, então. Charlotte me deu o número e eu fiz questão de ligar enquanto eu ainda estava no escritório de Makenna. Eu queria que Makenna soubesse que ela tinha mexido com a mulher errada quando fez seu pequeno truque. Maggie estava disponível imediatamente e para a minha sorte, Patrick também. Eu disse um rápido adeus completando com um sorriso ‗vá para o inferno‘ para Makenna, e saí pela porta. A empresa de Maggie ficava a poucos quarteirões da igreja de Saint Josephine, onde Paige e Caleb, assim como Patrick e eu iríamos casar. Eu sabia que o lugar de Maggie era onde precisávamos estar quando chegamos lá. Não havia nada de frio ou estéril, era como noite e dia do de Makenna. Maggie era uma mulher jovem, bonita; eu teria dito que ela estava na faixa dos vinte e tantos anos. Ela era um pouco mais alta do que eu, ~ 186 ~


com ondas bonitas de cabelo ruivo caindo em torno de um rosto pálido polvilhado com sardas. Seus brilhantes olhos verdes exibiam entusiasmo. Ela era a garota propaganda para todas as coisas irlandesas. Ela nos convidou para seu escritório que era tão acolhedor. Seus móveis eram todos suaves e neutros. A música que tocava tranquilamente no fundo era agradável e não muito perturbadora. Mas a melhor coisa foi o maravilhoso cheiro de scones irlandeses recémassados. Entrar em seu escritório me lembrou de visitar a minha avó quando eu era uma garotinha. — Por favor, sentem-se, eu vou buscar o chá. Não se pode ter uma boa conversa sem um xícara de chá e um bom scone. Eu olhei para Nora, que já havia se apaixonado por Maggie. Eu deixei Nora assumir a liderança e fazer as apresentações. — Ah, moça, então eu estou apostando que você irá querer as cores Malloy, sim? — Maggie questionou com seu espesso sotaque irlandês. — Sim, senhora, — eu respondi. — Ah, tudo bem, tudo bem. — Ela assentiu com a cabeça em concordância. — E você irá usar o gaélico? — Sim, senhora, eu quero que seja um casamento tradicional irlandês, até o whisky Jameson no bar. À medida que continuamos a saborear o nosso chá e começamos a traçar o tipo de casamento que teríamos, melhor eu me sentia sobre ter Maggie trabalhando para nós. — Maggie, eu só tenho uma pergunta para você, — a voz suave de Nora tomou conta da mesa. — Sim, querida, o que te preocupa? — Eu estou preocupada que você seja tão nova nisso que não tenha ligações. Você percebe o tamanho do casamento? Eu vi como Maggie riu baixinho para si mesma. — Sim, eu sei onde você está querendo chegar, mas a grande questão é, amor, você tem as libras para pagar por isso?

~ 187 ~


Sim, Maggie faria muito bem.

~ 188 ~


Capítulo dezenove — Christi, posso lhe fazer uma pergunta? Eu olhei para cima da tela do meu computador para os olhos verdes de Maggie. — Claro, algo errado? Escolher Maggie como planejadora do meu casamento tinha sido a melhor coisa que eu poderia ter feito. Ela tinha mapeado tudo para mim e até mesmo chegou ao ponto de contratar uma empresa na Irlanda para fazer o tecido tradicional que eu usaria para a decoração. Embora, eu quisesse usar as cores dos Malloy, eu não queria exagerar. Patrick se recusou a usar um kilt e eu concordei, desde que ele usasse um para mim quando estivéssemos sozinhos. Ele concordou com um sorriso arrogante. Ele sabia que eu queria a resposta para a velha questão - descobrir o que ele usava por baixo, se é que usava. — Nada de errado, por si só, eu só tenho uma situação delicada que não sei como lidar. Eu me afastei da minha mesa e fui até a chaleira elétrica que eu tinha atrás da minha mesa. Eu coloquei para ferver e depois me acomodei na minha cadeira. — O chá estará pronto em breve, mas vá em frente e me diga o que está te incomodando. Maggie respirou fundo e depois deu de ombros. — Angus me convidou para jantar. Eu esperei pacientemente que ela terminasse, mas ela parecia engasgada. — E...? — Eu finalmente fiz um gesto com as mãos para que ela continuasse. — Bem, eu não quero fazer algo inapropriado. Eu não pude deixar de sorrir. Isso era obra minha e de Nora. Depois da nossa reunião inicial, Maggie nos acompanhou até o carro, onde Angus estava segurando a porta aberta. Notei que sua estatura geralmente dura de repente caiu por terra quando ele olhou para ela. Nora tinha me cutucado e eu só pude responder com um rápido ‗uh huh‘. ~ 189 ~


Naquela noite, nós bolamos um plano para apresentar os dois. Eu, sendo quem era, também conhecida como a noiva, fiz o que qualquer mulher na minha posição faria, eu liguei para Patrick. — Ei, Babe, — eu murmurei para o telefone. — Olá, croi freisin milis. — Eu preciso de um grande favor. — Claro, qualquer coisa. — Quer dizer, eu vou fazer valer o seu tempo. — Você não tem que me subornar, amor. Basta pedir para que eu possa fazer acontecer. — Mas você não sabe com o que eu irei suborná-lo, você pode gostar. — Tudo bem, peça-me e depois me diga o que você está disposta a negociar. — Ok, eu vou repetir o desempenho do seu presente de aniversário, se você disser a Angus que não há problema em convidar Maggie para sair. A linha ficou em silêncio por um curto período de tempo e então eu o ouvi rindo. — Ele te mandou fazer isso? — Não, eu reparei ele olhando para ela e pensei, uma vez que são ambos irlandeses recém chegados a América, que poderiam desfrutar da companhia um do outro. Eu sabia que Angus havia deixado sua casa na Irlanda para trabalhar para Patrick, e eu também sabia que Maggie tinha deixado seu país quando não conseguiu encontrar trabalho. — Eu vou deixar a dica. Quando falei com Maggie mais tarde sobre Angus, ela parecia querer protestar. — Você não gosta de Angus, Maggie? — Eu realmente não vi a reação dela quando o peguei olhando. Talvez ela não quisesse nada com ele. — Esse é o problema, eu gosto dele, muito. Eu só não quero causar problemas.

~ 190 ~


Eu sorri para ela e servi para cada uma de nós uma xícara de chá. — Então, o que você vai usar neste seu encontro? — Eu não tenho certeza. Eu acho que vai depender de onde ele me levar. — Oh, eu tenho uma boa indicação de que será em um lugar de qualidade, portanto, um vestido bom. — Eu acho que seria melhor esperar até depois de seu casamento, no entanto. — Oh, não, não, Maggie. Ligue para ele agora e diga que você vai sair com ele esta semana. Maggie olhou para mim com olhos grandes e rapidamente me deu um sorriso enorme. Ela seguiu o meu conselho e ligou para Angus. O primeiro encontro seria amanhã à noite. Mais tarde naquela noite como eu estava tentando me arrumar para sair, mas estava me vendo bastante distraída. — Patrick Shane, se você não me deixar terminar de me vestir, vamos perder a nossa própria festa de noivado. O Patrick em questão continuou a mordiscar e lamber minha orelha e pescoço. Se eu soubesse que poderia escapar e não ir, eu teria levado as coisas a um novo nível, e a uma superfície mais horizontal, mas tínhamos um salão cheio de pessoas esperando por nós. — Além disso, eu vou deixar você lidar com a sua Ma por conta própria. Esse foi o balde de gelo proverbial que o fez se afastar com um gemido profundo. Nossa festa estava sendo realizada no Pieces, o clube que eu tinha ido com Patrick no nosso primeiro encontro. Parecia perfeito fazer a festa lá, onde ele revelou suas intenções. Maggie tinha se juntado a Nora no planejamento deste evento e enquanto caminhávamos até o bar, os aplausos soaram altos e a música parou temporariamente. Thomas e o meu pai estavam no bar, e cumprimentamos a todos. Eu beijei o meu pai e, em seguida, abracei Charlotte. Ter o meu pai e Charlotte juntos acabou por ser uma coisa maravilhosa. Eu poderia

~ 191 ~


dizer que eles cuidavam um do outro e não demoraria muito para que eles também estivessem comemorando um noivado. Maggie tinha encontrado produtos como fita e papel feitos nas cores do meu casamento. Cada mesa tinha um arranjo de flores e quando olhei mais de perto, notei toques de trevos em todo o lugar. Todos os guardanapos eram xadrez com as cores dos Malloy com "PCM" exibido em dourado no centro. Sim, Maggie era perfeita. Paige continuou com o tema e havia mandado forrar os meus sapatos também. As bebidas fluíam e o riso soava enquanto história após a história era contada. Eu descobri que Patrick era um grande fã do Superman e que tinha usado uma capa em volta do pescoço até que tinha seis anos. Ele soube que eu tive aulas de balé por três semanas e, em seguida, fui expulsa da escola de dança. Nora tinha feito uma colagem de fotos que estavam sendo mostradas no telão. Foi divertido ver como a foto após foto de nós dois crescendo foi exibida. Honestamente, até mesmo como adolescente desajeitado, meu Patrick era quente. Enquanto Patrick me segurava, envolvendo o peito às minhas costas, uma foto minha vestida com meu vestido de primeira comunhão piscou na tela. A coroa de flores que rodeava o meu cabelo encaracolado e o vestido branco que era tão delicadamente coberto de renda me fez sorrir com a memória. — Quero que todas as nossas meninas se pareçam com a mãe, — as palavras gentis de Patrick foram sussurradas no meu ouvido. — Eu odeio discordar, mas eu quero que todas as nossas crianças pareçam com o pai. Patrick pediu licença para ir ao banheiro e eu aproveitei a oportunidade para ir ao bar. A noite tinha sido perfeita e eu não poderia ter pedido nada melhor. — Christi, eu finalmente posso oferecer os meus melhores desejos, — uma voz arrastada cantou no meu ouvido. Eu me virei e fiquei cara a cara com ninguém menos que Sophia. — Era só o que me faltava! Em qual segurança você teve que dar um boquete para entrar aqui? Eu estava tendo uma noite muito boa para deixá-la estragar tudo.

~ 192 ~


— Meu, meu... que palavras baixas vindo de uma chamada dama. Eu não queria nem mesmo dignificá-la com uma resposta. Ela era a verdadeira cria de Satanás e eu não queria nada com ela. — Escute, eu acho que você deve saber que com o tempo, Patrick vai ficar cansado desta imagem de Pollyanna que você ostenta e irá querer uma mulher que faça coisas muito sujas para ele, e você sabe o quê? Eu estarei esperando. Talvez fosse os três martinis que eu já tinha tomado. Ou talvez fosse o fato de que eu não tinha comido desde o café da manhã, mas o que eu estava certa, era o fato de que Patrick tinha tomado seu lugar atrás dela, ouvindo atentamente tudo que estava sendo dito. — Realmente, Sophia? E o que faz você pensar que eu não faço coisas realmente sujas para ele já? Patrick apenas sorriu e balançou as sobrancelhas, ele sabia que tinha tudo sob controle. Ele iria apenas apreciar o show. — Oh, querida Christi, ambas sabemos que você irá entrar em sua suíte nupcial pura como a neve. Você provavelmente nem sequer viu um homem nu de perto. — Ela tomou outro gole de sua taça de vinho. — Patrick é o tipo de homem que precisa de uma mulher que esteja confortável com sua sexualidade. Você, minha querida, ainda nem descobriu a sua. O barman tinha me entregue a minha bebida naquele momento e eu virei para ela novamente. — Sophia, eu posso não ter passageiros frequentes nos meus lençóis, mas eu sei como fazer Patrick muito feliz. Quanto a ele correr para você atrás de coisas sujas, bem, nós vamos ter que ver. Certo, querido? — Eu disse as últimas palavras olhando diretamente para Patrick. — Sem chance, Croi freisin milis, você sabe todos os meus segredos sujos. — Ele passou por Sophia, me levantou pelos quadris e me colocou na bancada do bar onde me beijou com tudo o que tinha. As vaias de todo o bar fez Patrick e eu rir, interrompendo assim o beijo. — Iremos definitivamente terminar esse beijo mais tarde. Se eu não tivesse tão distraída com os lábios Patrick, eu teria ouvido Sophia ligar para alguém e dizer: — Va bene, sto cazzo dentro. — (Tudo bem, eu estou dentro, porra.)

~ 193 ~


~ 194 ~


Capítulo vinte Eu amava Patrick. E não poderia dizer o suficiente. Depois de ter tentado tanto me manter afastada dele, eu encontrei-me apenas amando tudo sobre ele. Ontem à noite no jantar de ensaio de Paige, ele se sentou ao meu lado, com todo o seu corpo suavemente envolvido em torno de meu. Mesmo quando os brindes foram feitos e os presentes entregues, ele manteve pelo menos seus dedos tocando os meus. Mesmo quando Sherman levantou-se e fez um brinde bêbado arrastado, Patrick somente se aconchegou mais perto de mim. Ainda era um mistério como Eileen conseguiu o grande hematoma amarelado em seu queixo que nem maquiagem conseguia. Bem, um mistério para aqueles que não conheciam Nora. Patrick até riu enquanto observávamos Eileen derramando o vinho restante das mesas em garrafas vazias, e depois levá-las sorrateiramente para seu carro. Ela devia ter juntado pelo menos uma caixa de vinho no porta-malas de seu carro até agora. — Algumas coisas nunca mudam, — Nora sussurrou no meu ouvido. Nós duas rimos, pois a vimos começar a embrulhar sobra pão em guardanapos e, em seguida, em sua enorme bolsa. Muscles estava com o rosto vermelho de tanto rir quando se sentou ao lado de Patrick. — Do que ele está rindo tanto? — Eu questionei Patrick. — Ele me disse que ele fez questão de deixar uma boa dose de saliva na garrafa de sua mesa, seguido por metade do sal do saleiro. Eu não consegui me controlar e comecei a rir também. Eu daria tudo para ver a expressão no rosto de Eileen, quando ela descobrisse que o vinho estava contaminado. Patrick insistiu que eu ficasse com ele em seu apartamento. Ele estava fazendo muito isso, na verdade. Nos últimos meses, ele tinha feito de tudo para me levar para a cama todas as noites. Ele até fazia beicinho quando necessário. Quem diria que um homem que carregava uma arma e tinha o status de Patrick poderia fazer beicinho como uma criança de três anos de idade? Isso me fazia sorrir. ~ 195 ~


Patrick tinha encontrado a casa perfeita para nós. Era enorme, e eu tinha decidido não discutir com ele sobre isso. Ele queria nos dar algo de bom, em um bairro seguro, e eu queria isso também. Assim, com o coração pesado, eu coloquei a minha casa a venda. Eu nem sequer consegui fincar a placa direito no chão e Angus me preencheu um cheque. Eu separei metade para Shannon, e assim que ela voltasse de sua lua de mel, eu teria todas as minhas coisas levadas para a minha nova casa. Hoje era o dia do casamento de Paige e eu estava feliz de anunciar que o meu pai teria duas acompanhantes, eu e Charlotte. Ela o fazia feliz, e eu não poderia deixar de apoiá-los. Tivemos uma longa conversa sobre isso depois que o meu pai me contou, nós choramos e nos abraçamos, e ela jurou que nunca iria me fazer chamá-la de mãe. Eu ainda a amava até a morte. Frankie estava no comando hoje. Vínhamos fazendo lentamente essa transição. Patrick e eu tínhamos decidido que depois de casarmos, criar uma família era a nossa prioridade. Os esforços para fazer o primeiro bebê começariam na lua de mel, por isso nada de preservativo, nem pílula. Eu não tinha dúvida de que Frankie iria fazer um trabalho perfeito. Ela e Shamus ficavam tão bem juntos; ele era exatamente o que ela precisava para ajudá-la a atravessar a linha de chegada. Eu sempre soube que ela conseguiria. Patrick insistiu em enviar um carro para nós. Eu disse a ele que era demais, mas simplesmente não havia como discutir com ele em certas coisas. Charlotte e meu pai já estavam no banco de trás da limusine quando Angus segurou a porta aberta para mim. Eu o cumprimentei com um beijo na bochecha; Eu tinha aprendido a amar Angus. Ele e Maggie eram perfeitos um para o outro. — Bem, Charlotte, você está pronta para ver o que a nossa Frankie fez? — Não, eu estou pronta para assistir você ficar de boca aberta sobre como ela lida com tudo perfeitamente. Charlotte estava certa; Eu estava tendo um pouco de dificuldade de deixar as coisas para ela. Maggie tinha sido incrível, e tinha feito amizade com Frankie e elas formavam uma equipe incrível.

~ 196 ~


— Escute, eu vou me divertir. Eu quero chutar meus saltos e dançar com os meus dois rapazes favoritos, — Eu me inclinei e beijei o rosto do meu pai. — Cem dólares que você não vai durar quinze minutos antes de estar verificando a comida. Eu estendi minha mão para ela e nós apertamos selando a aposta. Eu não me importava quantas vezes eu tinha visto Patrick em um smoking; ele me tirava o fôlego de cada vez. Ele estava esperando enquanto eu tentava sair da limusine. Eu disse tentando, porque o vestido que eu estava usando não estava cooperando. Eu o tinha encontrado um dia, enquanto estava fazendo compras para outro evento. Ele estava na vitrine e no segundo que eu o vi, eu tive certeza de que era perfeito para mim. Eu prendi o meu cabelo a pedido de Patrick. O homem amava o meu pescoço e eu adorava quando ele amava o meu pescoço. — Meu Deus, você está linda, — ele disse enquanto seus braços me envolviam. — Bem, olá para você também, bonitão. Os olhos de Patrick estavam me devorando. Eu me senti positivamente nua sob seu olhar intenso. Não de maneira inadequada, mas de uma forma amorosa e desejada. Ele faria qualquer coisa por mim e me amava de verdade, sem reservas. Ele poderia passar o resto de nossas vidas sem nunca me dizer que me amava de novo, enquanto olhasse para mim como olhava agora. — Ok, nós não iremos ficar muito tempo na recepção, eu tenho planos para você. Eu só podia sorrir enquanto meus pensamentos refletiram sobre suas palavras. Eu notei que a segurança estava ainda mais severa do que no casamento de Connor. Eu segurei firme o braço de Patrick quando passamos por homem de terno após homem de terno. Eu não conseguia imaginar quantas armas havia aqui hoje. A Igreja de Saint Josephine era uma das mais belas igrejas de Chicago. Foi construída no início do século XIX e estava na lista dos monumentos históricos nacionais. Seus blocos de pedra e portas de madeira me faziam lembrar de um castelo dos tempos medievais. A bela ~ 197 ~


paisagem era completada com um lago e uma fonte que ficava majestosamente na entrada. No entanto, nada se comparava ao interior. Era de tirar o fôlego. — Christi, como é adorável ver você. — O meu momento foi interrompido pelas palavras de Eileen. — Oh, Deus. Parabéns por esse dia maravilhoso, — eu respondi honestamente. Paige e Caleb eram perfeitos um para o outro. Patrick tinha me dito que Caleb tinha começado a tirar seu negócio do vermelho pela primeira vez em anos. Sherman tinha até mesmo um pequeno cargo para que pudesse continuar a sustentar sua família. As coisas estavam definitivamente promissoras para eles. Enquanto nós continuamos a dizer olá e fazer o nosso caminho para as enormes portas de madeira, eu parei no primeiro degrau, minha mente vagando de volta para o casamento de Shannon. De jeito nenhum Morgan iria mostrar sua cara aqui hoje, embora o mistério do carro tivesse permanecido apenas isso, um mistério. Uma vez no interior da igreja, e depois de fazer o sinal da cruz sobre o peito, notei que Shamus estava esperando pacientemente com o cotovelo estendido em minha direção. — Eu tenho que ir fazer o meu papel, mas Shamus não vai sair do seu lado, — Patrick murmurou enquanto beijava minha têmpora. — Bem, este é o meu dia de sorte, então, — Eu sorri enquanto falava, abordando tanto Shamus quanto Patrick. — Quantas garotas podem dizer que têm dois acompanhantes incrivelmente bonitos para o mesmo casamento? Shamus só poderia sorrir, porém seus olhos estavam claramente no meu queixo e não nos meus olhos. Depois de todo esse tempo, eu ainda estava tendo dificuldade com isso. — Sim, bem, ele é o meu substituto. Eu venho buscar você de volta. Ele olhou Shamus com o aviso silencioso, embora fosse um olhar inútil, visto que Shamus completamente apaixonado por Frankie. Nora tinha me informado que ele tinha lhe dado uma pulseira, não de diamantes como as nossas, mas uma pulseira linda mesmo assim.

~ 198 ~


— Você está pronta? — A pergunta de Shamus desta vez foi em perfeito Inglês. — Shamus, Deus te ama por tentar tão duro por ela. Seu rosto era todo sorrisos quando ele começou a me levar até o altar. — Eu a amo. Ela é boa comigo. — Sim, Shamus, ela é boa com você. Eu não pude deixar de chorar enquanto observava a entrada de Paige na catedral. Seu vestido era de tirar o fôlego, enquanto ela deslizava suavemente até o altar. O detalhe da renda que começava na bainha e depois desvanecia gradualmente, uma vez que subia pelo vestido era espetacularmente intrincada. O meu favorito era o bolero de renda pura que cobria os ombros dela, o véu atrás dela tão gracioso. Nora estava à sua esquerda e à sua direita, Thomas. Eu vi quando Paige graciosamente sorriu e fez contato visual com o máximo de pessoas que podia enquanto caminhava para Caleb. Voltando a atenção para frente da igreja, uma única lágrima escapou. O pequeno portador do anel tinha decidido que o seu lugar era ao lado de Patrick. Ele se ergueu em toda a sua pequena glória, todo orgulhoso e altivo, agarrando-se à mão de Patrick com uma das mãos e o travesseiro do anel com a outra. Por um breve momento, eu imaginei o nosso filho fazendo o mesmo, sentindo-se importante e seguro. Devido ao fato de que a família Montgomery não era da Irlanda, a cerimônia seria inteiramente em Inglês. Eu me inclinei e disse a Shamus que se ele não entendesse alguma coisa, para me dizer e eu traduziria em gaélico, mas ele nunca o fez. Eu vi como Nora limpou os olhos quando Thomas levantou o véu de Paige e beijou sua bochecha. Ele se inclinou para Caleb e sussurrou algo em seu ouvido, e eu tinha certeza que não era parabéns, já que nenhum sorriso apareceu em seu rosto. Eu assisti com admiração como eles trocaram seus votos. Eu não pude deixar de sorrir quando pensei que o meu próprio casamento não estava distante. Olhei para a minha direita e notei Maggie olhando ao redor. Isso tinha sido outra mudança; desde o incidente ―Makenna‖, Maggie e Charlotte tinham entrado em uma parceria. Maggie estava sendo recomendada para todos os eventos que viessem através do escritório de Charlotte.

~ 199 ~


— O que Deus uniu, o homem não separa. Com essas palavras simples, Paige era agora uma Montgomery, e era hora de comemorar. Desde que Patrick era um dos padrinhos, ele que ir com eles para a recepção. Angus levou Shamus, meu pai, Charlotte e eu, e Dillion e Shannon decidiram vir junto uma vez que nenhum deles queria deixar de beber. Assim que estacionamos no local, Shamus tentou ajustar discretamente a arma que descansava em suas costas, enquanto Dillion fazia o mesmo. Meu pai olhou para o outro lado. Eu sabia que os caras de Patrick andavam armados; Eu só não sabia que Dillion fazia isso também. Era isso, o momento que eu estava esperando. Nós tínhamos trabalhado tão duro para fazer essa festa acontecer e eu silenciosamente rezei para que Paige ficasse feliz. Devido ao grande número de convidados para o casamento, nós alugamos uma sala de concertos local. Tivemos que contratar uma equipe de trezentas pessoas a mais para acomodar os quase novecentos convidados. Paige era tão exigente quanto Allyson quando se tratava de fazer seus convidados felizes. — Deus, eu senti sua falta. Patrick passou os braços em volta da minha cintura enquanto eu estava me inclinando para assinar o livro de convidados. — Merda, Babe, você me assustou. Eu me virei e encontrei seu olhar. Segui sua linha de visão e vi que ele estava olhando para a minha assinatura. Seus olhos tinham uma pitada de tristeza e dor. — Qual o problema, querido? — Você assinou O'Rourke, — sua voz estava rouca. Eu coloquei minha mão em seu rosto e o trouxe para o meu, — Querido, esse ainda é o meu nome. — Eu sei; eu quero ver Malloy no lugar dele. Eu sorri enquanto acariciava sua bochecha. — Em breve, agora venha e me pague uma bebida, bonitão.

~ 200 ~


Patrick me acompanhou até minha mesa, meu pai e Charlotte já estavam sentados. Notei que eles estavam tendo uma dessas conversas silenciosas que os casais apaixonados muitas vezes têm. Ela era boa para ele e ele merecia ser feliz. Inferno, todo mundo merecia ser feliz, até mesmo Makenna e Sophia, apenas não com o meu Patrick. Falando de Sophia, onde ela estava? Eu sabia com certeza que os Porchelli tinham sido convidados para o casamento, mas eu não conseguia me lembrar de tê-los visto na igreja. Mas, novamente, a igreja estava lotada. Assim que eu me sentei ao lado de Charlotte, fiz questão de mover o meu pulso em direção a ela, — Pague, babe. Meu pai riu e Charlotte revirou os olhos. — Tudo bem, então você durou mais do que quinze minutos. O dobro ou nada que você não vai durar até o corte do bolo. Eu sorri para ela só porque eu sabia que Maggie tinha sugerido que o bolo fosse cortado assim que os noivos entrassem, dessa forma essa parte estaria fora do caminho e a equipe poderia cortá-lo e colocar os pedaços em pequenas caixas. — Tudo bem, irmã maluca, estou dentro. Menos de um minuto depois, o homem que Maggie havia contratado para atuar como mestre de cerimônias anunciou a chegada do Senhor e da Senhora Caleb Montgomery. Eu então me sentei e dei uma risadinha quando o bolo foi empurrado para o meio da pista de dança. Paige tinha escolhido um bolo branco tradicional. Seu bolo era enorme e tinha desenho geométrico nas cinco camadas, com uma bela fita azul pavão em torno de algumas das camadas. Era realmente uma obra de arte. Uma vez que este era um evento tão grande, Maggie havia contratado uma empresa para configurar telões para que as pessoas na parte de trás pudessem ver o que estava acontecendo na mesa principal, o que eu tinha que admitir que era brilhante. Eu vi como o cara da câmera ficou ao lado dos três fotógrafos para capturar o momento. Uma vez que o bolo foi levado embora, eu coloquei minha mão com a palma voltada para cima paralela ao rosto de Charlotte. A mesa inteira riu quando ela bateu na minha mão, empurrando para longe.

~ 201 ~


Charlotte deveria ter apostado quanto tempo levaria até que Patrick encontrasse o caminho para a nossa mesa. Paige queria apenas oito pessoas por mesa, mas Patrick rapidamente fez o seu lugar conhecido ao meu lado. — Eu não gosto de estar no mesmo lugar que você e não ser capaz de te tocar, — ele falou no meu ombro. Os copos em todo o salão começaram a tilintar enquanto garfos os tocavam. Eu sorri para Patrick e sussurrei: — Vamos praticar para o nosso próprio casamento. Ele sorriu e beijou-me suavemente. — Desde que a gente possa praticar para a lua de mel depois, eu sou totalmente a favor. O jantar foi servido e eu não pude deixar de gemer quando provei as costeletas de cordeiro grelhadas. O alho no purê de batatas adicionou apenas um toque especial. A comida estava tão boa que eu queria lamber o prato. Eu não fiz, mas queria. Uma vez que todos os pratos foram removidos e os brindes foram feitos, foi a vez de a dança começar. Nora havia contratado uma equipe de dançarinos irlandeses para entrar e fazer as coisas andarem. Embora eu tivesse testemunhado essas danças muitas vezes, eu ainda estava no temor com a velocidade em que seus pés se moviam. Uma vez que os dançarinos terminaram, foi a vez das danças tradicionais do casamento. Eu vi como Patrick deslizou com sua prima em torno da pista de dança. O nome dela era Shannon e ela estava frequentando a escola de Medicina de Harvard. Ele me disse que ela iria voltar para a Irlanda e trabalhar para o governo como retorno pelas mensalidades que havia recebido. Uma vez que a festa nupcial deixou a pista, a música para a dança do dólar começou. Eu vi como o rosto de Paige se iluminou e ela começou a bater palmas. A dança do dólar existia por tanto tempo quanto eu poderia lembrar. A noiva era colocada no meio da pista e dançava enquanto seus convidados jogavam dinheiro para ela. Patrick enfiou a mão no bolso e me entregou um maço de dinheiro. Ele pegou minha mão e nos juntamos aos outros convidados quando Paige começava a dançar. Eu não sabia o que era mais divertido, ver Paige dançar ou jogar notas de vinte dólares para ela. Uma vez que o meu maço de dinheiro se foi, Patrick se inclinou e me perguntou se eu queria uma bebida. Eu me abanei e acenei e disse

~ 202 ~


a ele que iria encontrá-lo de volta à nossa mesa. Eu rapidamente o beijei e ele me disse que me amava. Eu não tinha dado três passos quando Douce veio correndo em minha direção. — Christi, eu sinto muito incomodá-la, mas eu não sabia a quem mais recorrer. — O olhar em seu rosto era de puro pânico. — Douce, o que está errado? — É Harley, err... Frankie. Ela está lá nos fundos chorando. Ela disse que estava em apuros, mas não quis dizer por quê. Eu olhei em volta, mas eu não consegui ver Maggie ou Charlotte. Foi uma coisa boa que eu já tinha vencido a aposta. — Tudo bem, Douce, mostre-me onde ela está. Eu fiz um gesto para ele ir à minha frente enquanto se dirigia para a cozinha. A música tinha mudado e agora era eletrônica. Eu olhei e vi Paige acenando para que eu fosse dançar com ela. Eu balbuciei ‗um minuto‘ e continuei a seguir Douce. O salão estava tão lotado que foi difícil mantê-lo à vista. Quando chegamos no corredor que dava para a cozinha, Douce apontou para a porta no final do corredor. — Ela está atrás de uma prateleira no estoque. — Obrigada, Douce. Agora, vá dizer a Patrick onde eu estou e que eu vou estar de volta logo que eu puder. Eu podia ouvir meus saltos clicando no piso da cozinha e o barulho de pratos enquanto o pessoal trabalhava na limpeza. Eu cheguei à porta e rapidamente virei a maçaneta. O cômodo estava mal iluminado, e eu tateei ao longo da parede em busca de um interruptor de luz. Depois de pressioná-lo, eu chamei por Frankie, mas não ouvi nada. A despensa era grande e tinha um número grande de armários de prateleiras de metal. Eu continuei a caminhar mais para dentro, movendo-me em torno do labirinto de prateleiras até que ouvi alguém fungando. Eu apressei meus passos e, em seguida cheguei ao canto para de repente ficar totalmente paralisada. — Que porra você está fazendo aqui?

~ 203 ~


Capítulo vinte e um Eu tinha entrado no inferno, um inferno que eu merecia. Os pecados da minha juventude haviam se apresentado para me assombrar, para destruir a minha alma. Fazia seis semanas. Seis semanas varrendo a cidade de pernas pra cima, seis semanas sem nenhuma palavra, nenhuma pista, nem uma única ideia. Era como se ela tivesse desaparecido no ar. Eu tinha repassado aquela noite uma centena de vezes na minha cabeça e sempre terminava do mesmo jeito, com ela desaparecida. Eu a tinha visto quando ela cruzou a pista com seu copo de vinho. Eu acho que ela só estava levando-o para as pessoas pensarem que ela era apenas uma convidada. Ela era uma mulher de negócios incrível e muito amiga para deixar as coisas apenas as mãos de Harley. Ela tinha feito perguntas sutis durante toda a noite. Ela pensou que eu não tivesse percebido, mas eu percebi. Por que eu não mantive meus olhos nela? Eu tinha falhado com ela, eu deveria protegê-la, cuidar dela, amála, e eu certamente a tinha decepcionado. Quando ela não estava na mesa quando eu voltei naquela noite, eu fui procurar por ela. Perguntei a todos se tinham visto onde ela foi, mas ninguém tinha visto nada. Eu mandei Douce e Tonto procurarem pelo salão e pedi para Charlotte ver se ela estava no banheiro feminino. Eu nunca iria esquecer o pânico absoluto que senti quando vi seu pingente de trevo jogado no chão sujo não muito longe de seu sapato quebrado. Eu não tinha sido inteiramente honesto com Christi quando lhe contei a história do significado deste pingente. Inferno, nenhum dos homens da minha família iria completamente admitir a verdade. As senhoras na nossa vida simplesmente pensavam que estavam seguindo a tradição, no entanto, era muito mais do que isso. Anos e anos atrás, começamos a equipá-los com dispositivos de rastreamento. Somente os homens da família e membros de nossa equipe de segurança sabiam disso. Este pingente foi projetado para protegê-la, mas a julgar pela maneira em que eu o achei, só serviu para fazer dela um alvo. Ficou claro para todos que ela tinha lutado. Quem a tinha levado tinha sofrido alguns danos também. Não seria nada perto do que iriam receber

~ 204 ~


quando colocasse as minhas mãos neles, sua morte seria lenta e extremamente dolorosa. Eu estava com o trevo desde que o tinha encontrado no chão. A corrente estava arrebentada e pele e sangue foram encontrados nos elos. Seu sangue, o sangue da minha Christi. Eles o tinham arrancado de seu belo pescoço. Eu iria quebrar o deles. Matthew tinha entrado em contato com todos os policiais disponíveis em Chicago para procurá-la, até mesmo o comissário se envolveu. Christi tinha ajudado muitas pessoas, quando tinha planejado seus eventos, fazendo muitos amigos. O comissário chamou o FBI e especialistas; o que não deu em nada, nem mesmo um respingo de sangue ou uma impressão digital. Na primeira semana eu não consegui pregar o olho, eu não podia. Comecei a procurar em cada casa abandonada e cada armazém da cidade. Eu questionei cada prostituta, traficante de drogas e morador de rua, mas ninguém tinha visto nada. Nem mesmo depois de ter anunciado os dez milhões de dólares de recompensa, eu estava mais perto de tê-la de volta comigo. Eu decidi que Deus estava me punindo, não apenas pelos crimes que eu cometi, mas pela forma desonesta que eu tinha tratado Christi. Ainda havia algo que ela não sabia. Ela era tão inocente e não merecia isso. Quando eu fiz dezesseis anos, meus pais me disseram que eu precisava começar a pensar sobre o meu futuro como Chefe da família. Eu tinha rolado internamente meus olhos. Eu não queria uma esposa; Eu queria as mulheres se jogando aos meus pés. Eu queria uma garota diferente a cada dia, sem amarras. Quando eu tinha dezessete anos, meu pai tinha trazido novamente à tona o assunto. Eu ainda não estava nem perto de aceitar a sua exigência de que eu deveria tomar uma esposa. Ele me disse que tinha uma garota que queria que eu conhecesse. Ele me contou tudo sobre ela; Eu não queria nada com ela. No entanto, nesta vida, mesmo quando estamos no topo, ainda não podemos decidir tudo sozinhos. Eu sabia que não tinha escolha a não se me casar; crianças irlandesas nascidas de forma legítima era uma obrigação. No entanto, eu decidi que se eu tivesse que me casar e ter essas crianças, eu iria fazê-lo nos meus termos. Assim, mesmo antes de conhecer essa garota, o idiota arrogante de dezessete anos em mim, decidiu que iria se casar apenas no PAPEL. Eu teria a minha menina ~ 205 ~


diferente a cada noite e a minha falsa esposa só teria que lidar com isso. Meu pai me levou a um shopping popular aqui em Chicago. Eu vi um grupo de meninas rindo adiante. Eu já havia aprendido que uma rápida lambida nos meus lábios e uma piscadela poderiam obter respostas surpreendentes. — Lá está ela, Filho. A jovem de blusa azul. Voltei minha atenção para o banco que estava do lado de fora de uma loja popular entre os adolescentes. A beleza de cabelos escuros estava sentada de costas para mim. De repente, ela se levantou e pegou sua bolsa do chão, efetivamente me dando uma visão completa e clara de seu rosto. Meu mundo literalmente parou ao vê-la levantar-se lentamente. Seu cabelo perfeito, os lábios adoráveis e a pele tão perfeita tinham me encantado. Eu simplesmente permaneci lá, parado enquanto o meu coração e alma deixavam o meu corpo, eles eram agora dela; a bela menina sem nome mantinha o meu coração na palma de suas mãos pequenas e perfeitas. — O nome dela é Christi O'Rourke. Ela é filha de um grande amigo meu. Meus olhos nunca a deixaram enquanto eu questionava o meu pai. — Ela não é uma de nós, então? — Não no sentido que você está se referindo. Ela não sabe nada sobre você. Você vai ter que ganhá-la por seu próprio mérito. As palavras do meu pai eram como um rio correndo, apagando eficazmente o fogo que tinha começado a queimar minha alma. — O que quer dizer, por meu próprio mérito? Meu pai apenas sorriu quando passou o braço em torno do meu ombro. — Quero dizer que o acordo que seu pai e eu fizemos especificamente afirma que ela deve escolher você e não o contrário. Virei-me rapidamente em estado de choque, já que esta nunca era a norma. A menina que eu me casaria teria sido criada para me servir e esperava-se que viesse a mim de bom grado. — Seu pai não está na família como um membro, ele é um ativo. Ele me mantém informado sobre as atividades criminosa dos Porchellis.

~ 206 ~


Eu olhei para o meu pai e esperei que ele terminasse. — Eu o ajudei a sair de uma situação há vários anos. Sua esposa era totalmente viciada em heroína e ameaçando pegar suas meninas e fugir. — As meninas? — Questionei. — Sim, Christi tem uma irmã gêmea. — Ele apontou para uma menina ruiva que estava ao seu lado. Olhei para a menina que se parecia com Christi. Embora ela fosse sua irmã gêmea, eu não senti nada no meu peito enquanto observava seu sorriso e corpo. — Então ele vendeu sua filha para você? — Patrick, você pode ter dezessete anos e estar a caminho para liderar esta família, mas cuide da sua língua, ou eu não hesitarei em te bater até virar uma polpa sangrenta. Meu pai nunca fez uma ameaça vazia. Ele iria certamente me bater por ser desrespeitoso. — Ela é linda, Pai. Eu continuei a observá-la enquanto ela falava com uma das meninas do grupo que tinha me visto. Ela estava falando de mim? Será que ela me queria? Eu vi um homem grande se aproximar do grupo de meninas. Seu sorriso era enorme quando passou o braço em volta de Christi. Isso me atingiu como uma bola de demolição. E se ela já tivesse um namorado? E se ela não me quisesse? E se ela descobrisse sobre a minha vida e corresse para longe? Eu sabia o que era esse sentimento dentro do meu peito. Quanto mais eu pensava nisso, mais eu queria não ter nada a ver com isso. Ela era bonita e só iria me quebrar. Além disso, eu queria uma esposa apenas no nome. Eu queria uma menina diferente pendurada no meu braço e no meu pau a cada noite. Eu queria ser o destruidor de corações, não aquele com o coração partido — Aquele cara grande que está com ela é seu pai. Ele concordou em nos reunirmos aqui para fazer uma apresentação formal. Você está pronto para conhecer a sua futura noiva? Mesmo sabendo que o homem que estava com os braços em volta dela era seu pai, a dor ainda estava lá. Eu decidi então que Christi não era para mim.

~ 207 ~


— Não, obrigado, pai, eu vou encontrar uma garota sozinho. Essas foram as famosas últimas palavras. Eu saí naquele dia com a determinação de esquecer Christi O'Rourke. Eu a vi cerca de três dias depois esperando na fila para comprar ingressos de cinema. Eu jurei que iria esquecê-la, mesmo que eu tenha feito o meu amigo ir lá e comprar um ingresso. Eu o tinha instruído a dizer que ele tinha uma emergência e não podia ficar para assistir o filme e dar o ingresso a ela. A próxima vez que eu a vi, ela estava de mãos dadas com Mikey Fitzgerald. Ele era um cara decente. Ele daria a ela uma vida normal com uma casa de cerca branca e preenchê-la com as crianças. Isso era o que ela precisava, não um cara como eu, que queria brincar com suas emoções. Porém não diminuiu a dor que eu senti quando ela riu de algo que ele disse. Eu estava feito com Christi O‘Rourke. Eu iria para a faculdade e esqueceria que ela existia, eu tinha que fazer isso. Eu fui convidado para uma festa de volta às aulas na casa de um cara qualquer. Eu decidi que era uma boa hora para começar a quebrar alguns corações. Eu procurei a garota que tivesse a aparência mais diferente da de Christi. Não demorou muito para que eu a encontrasse. Ela era loira, com muita maquiagem e pouco bom senso. Eu mal dei um simples ‗oi‘ para ela e, em seguida, a levei para cima. Eu fiquei tão chateado quando não consegui terminar. Eu saí de lá; a menina não era nem um pouco ESPERTA, pois eu tinha certeza que ela estava fingindo seus gemidos. Não ir para a faculdade não era uma opção para mim. Minha mãe foi bastante clara sobre o assunto. Ela me disse que era preciso mais que uma arma brilhante e algumas ameaças para comandar a nossa família. Ela estava certa, já que eu tinha visto em primeira mão como Valenci e Sherman fizeram uma porrada de negócios ruins devido a uma grave falta de conhecimento baseado em uma sólida educação. Eu também sabia que ter esse tipo de distância exorcizaria Christi da minha cabeça para sempre. Então, lá fui eu para Dartmouth. Eu fui a todas as festas que poderia encontrar nas duas primeiras semanas, mas depois de várias falhas adicionais, eu liguei para o meu pai, que voou até lá e me levou a um especialista. Quando todos os testes deram ‗normal‘, meu pai e eu tivemos uma longa conversa sobre o que ele achava que era o meu problema.

~ 208 ~


Ele me disse que, mesmo o melhor dos homens, o mais temido e implacável, havia uma coisa que poderia colocá-lo de joelhos. Para mim, parecia ser Christi. Meu pai disse que não tinha dúvidas de que a razão pela qual eu não conseguia ter intimidade com as outras garotas era porque o meu coração não era mais meu, estava ainda em Chicago com ela. Eu não queria que ele estivesse certo. Eu estava tentando estudar uma tarde no gramado do campus quando ouvi duas meninas falando sobre como só davam boquetes a seus namorados em vez de fazer sexo. Por alguma razão, eu parei de ouvir depois que ouvi essa parte. Mais tarde naquela noite, fui a outra festa e dessa vez eu deixei a loira me chupar. Ter uma garota entre as minhas pernas que eu não ter que ficar cara a cara era para mim. Eu poderia segurar seu cabelo e imaginar que era quem eu queria que fosse. Funcionou; eu consegui chegar ao fim e assim começou a minha maneira de obter alívio. Eu terminei a faculdade em três anos e nem sequer esperei pela formatura. Eu tinha coisas mais importantes para fazer do que subir em um palco e ter minha foto tirada. Eu voltei para Chicago e comecei a tomar as rédeas do meu pai. A transição foi lenta e cansativa. Eu tive que dar exemplo para uma série de pessoas. No momento em que meu pai estava completamente pronto para renunciar, minha mãe tinha começado novamente a falar de esposa e filhos para mim. Fazia quase seis anos que eu não via Christi O‘Rourke. Minha mãe deixou sua posição sobre o seu desejo de me casar bastante claro. Eu perguntei-lhe se eu poderia voltar para a Irlanda e escolher uma mulher. Ela me deu um olhar que nenhum filho queria ganhar de sua mãe. Meu pai me informou que Christi ainda estava muito solteira e que ficaria feliz em marcar uma reunião. Minha mãe pulou de cabeça nessa discussão por mim e meu pai informando que Christi estava trabalhando com Allyson em sua recepção de casamento. Naquela noite, enquanto eu estava dentro do meu apartamento olhando para o horizonte de Chicago, eu tomei uma decisão. Eu estava cansado de fugir dos meus sentimentos. Meu coração tinha pertencido a Christi todo esse tempo e era hora de eu tomar vergonha na cara e tentar conquistá-la. Eu liguei para o meu pai e pedi a ele para marcar uma reunião comigo e com Matthew. Minha próxima ligação foi para a minha mãe. — Tudo bem, Ma, você estava certa, eu vou tentar e ganhar a mão de Christi.

~ 209 ~


Christi certamente não tornou a coisa fácil para mim. Ela lutou contra mim a cada passo. Sophia Porchelli tinha certamente tentado complicar as coisas, também. Foi só naquele dia no túmulo da irmã de Christi, Collen, que eu senti como se tivesse uma chance real. Fiz perguntas para descobrir quem era esse cara, Jimmy, que tinha fornecido a Collen as drogas que a tinham matado. Não havia muita informação para que eu pudesse seguir a busca, então eu deixei o assunto morrer. Eu sabia que Christi ficava frustrada com todas as mulheres que frequentavam o meu círculo de amizades. No entanto, eu nunca suspeitei que Makenna fosse fazer o que fez. Ela e eu éramos estritamente colegas de trabalho, pelo menos da minha parte. Christi não demorou a entender e colocá-la em seu lugar. Mas agora eu estava sendo punido. Eu já havia tentado com todas as forças tirá-la do meu sistema e agora estava pagando o preço por minha estupidez. Não havia passado nem mesmo uma semana após o desaparecimento de Christi quando Sophia passou pela porta do meu escritório. Christi estava certa quando a chamou de cobra. Eu não confiava nela. Então, quando ela entrou no meu escritório com a sua falsa preocupação, eu joguei com ela. Eu a fiz pensar que estava feliz em vê-la e até mesmo aceitei sua ajuda para encontrar Christi. Eu sabia, ela estava me testando. Ela esperava que se Christi não retornasse que eu iria me voltar para ela em busca de conforto. O que ela não sabia era que nunca haveria mais ninguém. Sophia era alguém que nunca iria aquecer o meu coração ou a minha cama. Se Christi nunca mais voltasse e estivesse morta, eu iria não muito tempo depois dela. Eu não queria ser parte de um mundo onde ela não existia. Uma vez que Sophia fez sua falsa oferta de ajuda, ela deslizou seu caminho de volta para fora meu escritório. Eu rapidamente peguei o telefone e coloquei Douce na cola dela. Lembrei-lhe que era melhor ele fazer o seu trabalho desta vez ou ele iria lidar comigo pessoalmente. Douce estava patinando em gelo fino comigo já. Depois que eu descobri sobre Giggles, eu dei a ele a oportunidade de se abrir. Não demorou muito para que mais e mais mulheres se apresentassem alegando que seus filhos eram dele. Nem todos eram, mas mais três eram dele. Eu o lembrei que se ele era homem o suficiente para ir para a cama com uma garota, deveria homem o suficiente para assumir as consequências e responsabilidades disso. Ele estava trabalhando duro agora para sustentar essas crianças. Todos mereciam o melhor e eu assegurei a Douce que ele iria fornecer isso.

~ 210 ~


Chisti estava desaparecida havia 10 dias quando Tonto veio ao meu escritório. Ele tinha estado ao meu lado o tempo todo enquanto eu percorria os becos e hotéis obscuros. Ele se ofereceu para trazer seus irmãos e ver se eles poderiam descobrir qualquer coisa. Tonto era um membro da tribo Quileute. Eles eram conhecidos por serem caçadores experientes. Dizia-se que eles tinham habilidades excepcionais e conseguiam encontrar qualquer coisa. Eu disse a Tonto que eu iria cobrir suas despesas e tudo o que eles precisassem eu me certificaria de que tivessem. Naquela tarde, Paul, Seth e Quil chegaram. Eles foram para a casa de Christi e vasculharam; eles vieram para o meu apartamento e procuraram mais. Cinco dias depois, eles voltaram para o avião depois de não conseguir nada. Quem quer que tivesse levado Christi tinha sido muito bom em esconder sua trilha. Na marca de duas semanas, Harley entrou no meu escritório. Ela estava visivelmente chateada quando se ofereceu para voltar às ruas e ver se conseguia tirar alguma coisa de seus antigos contatos. Eu me levantei da minha cadeira e dei um abraço nela. — Frankie, você sabe Christi ficaria chateada com nós dois se eu deixar você fazer isso. Essa foi a primeira vez que eu a chamei de Frankie, mas não seria a última. Ela havia se provado. Na mesma semana, Maggie me informou que ela estava continuando a planejar o casamento. Ela me disse que só sabia que Christi estaria em casa em breve. Minha mãe fez questão de ir à Igreja todos os dias e acender uma vela. Ela rezava duas vezes por dia para o retorno seguro de Christi. Eu me juntei a ela à noite. Mesmo com todo o meu dinheiro e conexões, eu ainda não tinha conseguido nada. Então, aqui estava eu, seis semanas mais tarde e não estava mais perto de encontrá-la do que estava no momento em que ela foi levada. O sol estava começando a nascer quando eu ouvi uma batida firme na porta do meu escritório. Eu não dormia mais; não havia nenhum ponto, apenas imagens de Christi inundavam os meus olhos fechados. — Entre! — Eu gritei como a batida soou novamente. Eu nem sequer me virei para olhar para quem tinha passado pela porta. Eu não me importava. A menos que ele tivesse Christi pela mão, eu não tinha nenhuma utilidade para eles. — Chefe? — A voz profunda de Angus me chamou. Eu não lhe respondi. Eu não me virei, eu apenas continuei olhando para o horizonte. — Eu sei que isso é trivial, Chefe, mas os alarmes das cavernas no subsolo do Clair’s dispararam a um tempo atrás. ~ 211 ~


Meu pai tinha instalado este sistema de alarme dentro das cavernas há alguns anos. Antes disso, eu sempre tinha que mandar alguém descer e dar uma olhada ao redor. Era um desperdício de mão de obra, uma vez que levava quase uma hora para dar uma olhada em todos os quartos lá em baixo. Agora, se fosse detectada muita água, um alarme soaria e diria qual quarto estava inundando. Angus estava certo, era trivial. Eles poderiam preenchê-lo até o topo com água e isso não a traria de volta. — Chefe, eu quero ela de volta, tanto quanto você. Lembro-me da primeira vez que você a levou ao Clair’s, você prometeu que iria levá-la em uma excursão, quando ela quisesse. Eu me lembrava da conversa a qual ele estava se referindo. Lembrei-me da promessa que tinha feito a ela, eu também lembrei de como ela cheirava e como ela ainda era contra a ficar comigo naquela época. — Quando a Senhoria O'Rourke voltar, eu quero que as cavernas estejam prontas para ela. Ela vai ficar com raiva de mim se souber que eu as deixei ser inundadas e que por isso ela não poderá mais vêlas. Eu devo muito a ela. Eu não teria a minha Maggie se não fosse por ela. Ela sempre trata os caras com respeito e todos nós a amamos. Angus estava certo. Ela comeria a nós dois, e eu sabia que todos a amavam, apenas nada parecido com o meu amor por ela. — Eu liguei para Douce, mas ele não atendeu e os alarmes continuam a disparar. Eu me virei para Angus e o olhei nos olhos. Eu me lembrei de quando Christi me ligou e disse que queria que eu apresentasse Maggie e Angus. Mal sabia eu que ela já tinha colocado a bola em movimento. Christi queria que todos ao seu redor fossem tão felizes como ela. — Você está certo, Angus. Vá ver as cavernas e me avise o que você encontrar. Eu vou manter a minha promessa de levá-la até lá. Angus se virou para sair, quando eu chamei por ele. — Oh, e mande Douce me ligar quando você finalmente falar com ele. Angus assentiu com a cabeça, e então se virou e saiu.

~ 212 ~


Quanto mais eu pensava nisso, mais eu comecei a questionar o paradeiro de Douce. Quando eu lhe dei instruções para seguir Sophia, ele me dizia que ela não estava fazendo nada fora do comum. Ele me dizia os clubes ela visitava e as lojas que ela fazia. Nada além do normal, ele dizia. Só que Sophia era uma menina de Nova Iorque. Mesmo com todas as lojas e clubes que Chicago tinha para oferecer, não era nada em comparação com Nova Iorque. Ou assim minha irmã tinha me dito. Então, por que ela iria ficar aqui? Douce precisava me ligar. Eu queria, não eu precisava descobrir a resposta a essa pergunta. O toque estridente do meu celular me tirou dos meus pensamentos. O sol agora estava alto no céu e quase uma hora tinha passado desde que Angus tinha saído. Eu peguei meu telefone e não me preocupei em verificar a tela. — Sim, — eu falei ao telefone. — Chefe, eu a encontrei.

~ 213 ~


Capítulo vinte e dois Podridão, sujeira, terra molhada. O cheiro tomou conta dos meus sentidos e me fez querer vomitar. Onde diabos eu estava? Por que meu corpo doía tanto? Enquanto eu tentava desesperadamente abrir os olhos, comecei a me lembrar. O casamento de Paige, a despensa e então... Oh, Deus... Jimmy. Jimmy estava encostado na parede, com os braços cruzados sobre o peito e um sorriso sinistro em seu rosto mal. — Que porra você está fazendo aqui? — eu lembrei de interrogá-lo e ele só olhou para mim, como se estivesse se divertindo. Eu me virei para a esquerda e vi mais duas figuras que se arrastavam lentamente para frente. Sophia desfilou até mim, seu sorriso calculista e sem alegria. — Você sabe quanto tempo eu esperei por esse momento? — Ela zombou. Foi então que eu notei Anthony Porchelli, vestido com um smoking Armani, bem como muitos dos homens presentes no casamento de Paige. — Bem, bem, bem, nos encontramos novamente, Christi, — ele murmurou, o rosto estoico e do mal. Eu me virei para sair, pois eu sabia que aquele não era um bom grupo para ficar a sós. Jimmy não era nada além de má notícia, ele lidava com drogas pesadas e estava metido em alguns outros negócios ilegais. Eu tinha que chegar até o meu pai, e dizer que Jimmy estava de volta na cidade. Tão rapidamente quanto me virei, eu senti um forte empurrão no meio das minhas costas, seguido por um puxão no meu cabelo, meu pescoço dobrou para trás enquanto eu tentava me agarrar à prateleira que ficava à minha esquerda. Quem quer que tivesse segurando o meu cabelo só puxou mais forte e eu comecei a cair para trás. O instinto de preservação me bateu e eu tentei gritar, mas uma mão rapidamente cobriu o meu nariz e boca. Comecei a debater os braços e as pernas.

~ 214 ~


Meu vestido era muito longo e a costureira me disse que iria tirar a graça do vestido se eu o encurtasse muito, então eu comprei sapatos de salto muito altos para compensar. Eu sabia que se eu pudesse cravar o meu salto em quem estivesse me segurando, eu poderia fazer algum dano real. Eu tentei mais e mais bater meu salto atrás de mim. Eu fiz contato várias vezes e ouvi Jimmy gritando "puta estúpida!" no meu ouvido, mas ele não parou e nem eu. Em algum momento, o meu salto se quebrou e antes que eu pudesse colocar o outro pé para trás eu me senti sendo erguida do chão. Eu podia sentir o metal das prateleiras enquanto batia várias vezes contra elas. Minha visão começou a diluir-se, e eu fechei os olhos e comecei a orar. — Por favor, Deus, deixe Patrick me encontrar. Com um golpe final, eu senti uma dor aguda na parte de trás do meu pescoço e então tudo ficou escuro. Finalmente, depois do que pareceu ser muito tempo, eu fui capaz de abrir os olhos. O quarto, se você pode chamar assim, era muito escuro. Eu podia ouvir o gotejamento de água que atingia uma poça em algum lugar ao longe. Eu tentei me sentar, mas uma onda de náusea me atingiu, fazendo-me deitar, a escuridão me envolvendo mais uma vez. — Acorda puta preguiçosa! Jimmy... aquela voz me assombraria para sempre. Antes que eu pudesse reagir, eu senti uma pancada nas minhas costelas. — Eu disse acorda, porra! Seu chute foi tão forte que eu comecei a tossir. Minha visão ficou turva novamente e desta vez eu comecei a vomitar incontrolavelmente. Minutos se passaram enquanto eu continuava a vomitar. De repente, um jato de água gelada me bateu no peito. — Para de vomitar, merda e acorda vagabunda. Você é ainda mais patética do que a puta da sua irmã. Eu me esforcei para me sentar, inclinando o meu corpo contra a textura irregular da parede atrás de mim. Onde diabos eu estava? A parede parecia ser de pedra, fria e dura. — Jimmy, por que você está fazendo isso?

~ 215 ~


Minhas palavras conseguiram tirá-lo do sério. — A porra do meu nome não é Jimmy, sua puta estúpida, é Jeremiah! Eu disse isso para a puta da sua irmã, mas ela não conseguia enfiar na cabeça também. Eu comecei a tremer por causa da água fria onde eu agora eu estava sentada. Eu podia senti-la escorrendo do meu rosto e pelas minhas costas. Eu estendi a mão para limpar meu rosto quando de repente Jeremiah agarrou a minha mão esquerda. — Eu vou ficar com isso. Ele segurou o meu pulso com uma mão enquanto arrancava o meu anel de noivado do meu dedo. Eu vi quando ele começou a examiná-lo cuidadosamente, e então começou a jogá-lo no ar, deixandoa cair de volta na palma da mão em espera. — Aposto que você teve que chupar muito pau para conseguir isso dele, não é? Eu optei por não dizer nada, Patrick preferia que eu não fizesse isso. Eu poderia contar em uma mão nos últimos seis meses, o número de vezes que ele me permitiu fazer isso. Você é muito especial para mim, Christi... suas palavras ecoavam na minha cabeça. Eu ouvi o estalar de saltos antes da porta do quarto se abrir e entrou uma Sophia muito dona de si. — Ela não é necessária para isso mais, ele me disse que eu faço melhor. Os olhos de Sophia nunca deixaram os meus quando ela cruzou a curta distância que me separava da porta. Ela ajoelhou-se e continuou a olhar nos meus olhos. — É isso mesmo, pequena Christi, Patrick já se esqueceu de tudo a ver com você. Minha boca nele é tudo que o ele fala agora. — Eu comecei a me perguntar há quanto tempo eu estava aqui. Poderia ter sido dias, semanas, mas eu duvidava. — Eu posso te dizer, ele está mais feliz do que tem sido nos últimos anos. Seu rosto não mostrou qualquer desonestidade, nenhuma falta de sinceridade. Ela inclinou-se ainda mais antes de continuar, — Ele é a melhor foda que eu já tive. — Eu vi como os lábios escuros formaram as palavras, seus dentes se tocando quando ‗a melhor‘ saiu de sua boca. — No futuro, quando você ouvir alguém falando de mim, não importa quem seja, me pergunte antes de fazer qualquer coisa.

~ 216 ~


Mais uma vez, as palavras dele tomaram conta da minha cabeça, ele me disse para ir até ele depois daquele dia no cemitério. Antes que eu pudesse responder, Sophia agarrou o meu pulso. — Ele disse que queria isso de volta, é minha agora. Ela rapidamente tirou a minha pulseira e colocou-a em seu próprio pulso. Ela estava tentando me quebrar, me dizendo que ele estava com ela, anulando sua promessa. Ela pensou que estava me machucando, mas ela estava errada. A pulseira era apenas um símbolo, eu tinha o coração dele, e eu sabia que sempre seria assim. Sophia se levantou para sair e eu tomei uma respiração dolorosa. — Sophia espere. — Ela se virou e me olhou nos olhos novamente. — Você disse que está com ele agora? Seu sorriso era enorme, enquanto ela ansiosamente olhava para a minha pulseira, que agora repousava sobre seu pulso. — Sim, eu vou encontrá-lo depois que sair daqui. Com ciúmes? Eu queria rir, eu queria dizer que ela completamente delirante se pensou por um segundo que o meu Patrick algum dia consideraria ficar com ela. — Diga-me, quando você está na cama dele, montando-o, chamando o seu nome, não te incomoda que você esteja na mesma cama onde ele me prometeu para sempre? Nos mesmos lençóis onde ele me fez gozar uma e outra vez? O sorriso caiu de seu rosto. — Em segundo lugar, se é verdade e você está aquecendo a cama dele todas as noites, me diga o que é que paira sobre sua cama na parede? O sorriso voltou quando ela fez o caminho de volta para se ajoelhar na minha frente. — Uma pintura, mas eu nunca tenho tempo para realmente olhar para ela, se você sabe o que quero dizer. Eu comecei a rir, minhas costelas doíam como o inferno, mas valeu a pena ver seu rosto quando eu dei o meu golpe final. — Você está tão cheia de merda, atrás da cama há uma janela, sua cadela burra, e, além disso, ele não me deixa chupá-lo, porque ele diz que só prostitutas estão autorizadas a se ajoelhar na frente dele. Eu acho que você sabe onde você está para ele.

~ 217 ~


Eu não vi a mão de Jeremiah até que ela se conectou com o meu rosto e o quarto desbotou em preto.

***

— Parece que a princesa foi destronada. — Se eu pudesse apenas manter os olhos fechados, talvez ele fosse embora. — Você deveria ter considerado a minha oferta, você sabe. A sorte claramente não estava ao meu lado ultimamente. Eu não tinha ideia de que dia era ou que horas. Eu sabia que tinha passado um tempo, porque eu podia me sentir fedendo. Eu tinha ficado no mesmo lugar no chão de pedra frio e sujo o suficiente para saber qual a área estava seca e qual tinha umidade. Eu não conseguia me lembrar da última vez que tinha comido, se você poderia sequer chamar assim. De vez em quando, a porta se abria um pouco e alguém jogava um pedaço de comida, pão mofado geralmente ou fruta meio podre. No início, eu jogava no canto, mas agora eu comia as partes que eram aproveitáveis. Agora eu estava com tanta sede que estava pronta para lamber o chão molhado e sujo, o que não teria sido a primeira vez, também. — Por que estou aqui? — Minha garganta ardeu quando eu questionei o homem de pé na minha frente. — Oh, minha Christi. Você me magoa, você está aqui porque eu quero você. Eu abri os olhos para descobrir que o cara na verdade combinava com a voz, Anthony. O que ele poderia querer de mim? — Qual é a sensação de querer algo, Christi? Eu estava tão cansada; medo era algo que me tinha deixado há muito tempo. Eu sabia que Patrick estava tentando me encontrar, e o meu pai nunca iria desistir de me procurar, mas eu só não sabia quanto tempo mais eu poderia aguentar. Meu corpo me dizia que não seria por muito tempo, eu não tinha feito xixi há muito tempo, e eu não tinha chorado desde a última vez que fui alimentada com pão dormido, as lágrimas simplesmente não quiseram vir. — Oh, você torna este um jogo divertido.

~ 218 ~


Eu vi quando ele estendeu a mão e segurou o meu rosto. Eu não poderia tê-lo parado, se eu quisesse, e Deus sabe que eu queria. — Mesmo drenada de todo o seu espírito, você ainda é de tirar o fôlego. Foi então que eu percebi que as notícias estavam certas. Ele era uma pessoa muito doente. Ele brincava com suas vítimas antes de matá-las. — Você vai aprender a me amar, Christi. Eu fechei os olhos novamente enquanto ele continuava a passar a mão entre a minha bochecha e garganta. — É aí que você está errado, eu nunca vou te amar. — Levou toda a minha força restante para virar a cabeça, retirando sua mão da minha pele. — Oh, eu acho que você vai. Ou isso, ou eu vou deixar você morrer. A morte soava tão bem naquele momento. Quanto tempo eu tinha estado aqui? Uma semana? Um mês? Eu não tinha ideia. — Então pegue a arma brilhante que você tem e apenas atire em mim agora. Ele começou a rir, não uma risada normal de quem houve uma piada engraçada, mas uma risada que me fez estremecer. — Oh, Christi, você tem muito a aprender sobre mim. Eu abri os olhos mais uma vez; ele abaixou todo o seu corpo de modo que estava sentado em frente a mim. Ele pegou minha mão suja na sua fria e pálida e eu notei que ele tinha um grande anel em seu dedo indicador. Era prata e na forma de uma cabeça de cobra, os olhos eram rubis. Minha memória brilhou de volta para a festa de noivado de Paige, seus guardas usando a mesma cobra em seus ternos. Eu vi como ele lentamente correu o dedo para cima e para baixo pelo meu. — Quando eu a vi pela primeira vez na festa, você tem que saber que eu quis você. Eu a observei por um longo tempo, e quando você tentou se esconder de mim, só me fez te querer mais. Ele se mexeu na sua posição. Ele estava se lembrando daquela noite. O sorriso que adornava seu rosto me disse que era, obviamente, bom.

~ 219 ~


— Eu te segui até sua casa naquela noite. Eu fiquei do fora da sua janela e vi como você removeu aquele vestido que você usava. Eu observei você quando eu me tocava. Você me deu o melhor orgasmo que eu já tive, continuo a ter, na verdade. — O pensamento dele se esfregando do lado de fora da minha janela me fez querer vomitar. — Você tornou tudo tão fácil, você é muito confiante, eu estive dentro de sua casa por horas enquanto aprendia sobre você, sobre a sua família. Aquele idiota do Patrick começou a te ligar, mas eu coloquei o seu telefone no bolso, porque eu não estava pronto para sair. Então você destruiu meus presentes. Eu tive que sorrir quando me lembrei de jogar as flores no lixo. — Elas eram flores de merda, — Eu resmunguei. Sem me preocupar em pensar no fato de ele ter estado na minha casa. O telefone celular faltando tornou-se uma memória distante. — Eu queria te pegar depois, mas Malloy estava sempre por perto. Então, entre Malloy irritando Jeremiah e confiando nas pessoas erradas, eu finalmente fui capaz de ter a minha oportunidade. Imagine a minha surpresa quando Jeremiah me disse que conhecia você. Jeremiah tinha estado lá naquela noite? — Malloy não sabia o quanto me ajudou quando recusou a minha irmã, ou você quando você disse o que disse a ela. E então... ah, mas eu discordo. Não há necessidade de se preocupar com os problemas de família agora. Todos eles serão resolvidos em breve, sem dúvida. — Essa conversa estava mais em sua mente distorcida do que neste quarto para eu ouvir. Seus olhos eram negros como carvão enquanto ele continuava a traduzir sua memória. — Quando eu estava na prisão, eu disse a todos que iria encontrar uma garota e me acalmar. Meu pai quer que eu volte para a Itália e gerencie as coisas lá, e eu quero, mas as prioridades primeiro. Malloy está fora de si de preocupação E você, você sabe. Ele está enfraquecido, e está distraído agora. Ele vai ser tão fácil me livrar dele, mas não diga nada a Sophia. Ela acha que ela vai fazer com que ele a queira, então vamos deixá-la ter sua fantasia, enquanto ela pode, hein? Enquanto a bebida corra solta, e as drogas sejam abundantes, ela estará contente o suficiente, — ele sorriu, me fazendo estremecer. Ele realmente era louco. — Sim, uma vez que os Malloy tiverem sido cuidados, a família Porchelli estará livre para fazer o que quiser e nós podemos seguir com o nosso negócio. Eu sei que você vai chegar a ver as coisas do meu jeito,

~ 220 ~


Christi, e você vai adorar a Itália. Uma vez que você estiver lá, você se afeiçoará a mim, você me irá me querer tanto quanto eu te quero, e eu quero você lá comigo como minha. Eu não estava preocupada em fazer a viagem, eu sabia que a este ritmo eu estaria morta em breve. Mas o que ele estava dizendo sobre os Malloy me deixou assustada. — Você pode não ser italiana, mas não importa para mim. Eu gosto bastante de mulheres irlandesas, bem, a maioria delas. Algumas são tão... vorazes. Eu posso ser muito paciente, porém, Christi. Eu esperei todo esse tempo para Malloy deixá-la sozinha. Ele teve seu tempo com você, agora eu quero o que é meu. Eu pretendo cobrar a recompensa que ele colocou por você, dez milhões de dólares, antes de ele morrer. Nós vamos nos divertir gastando o dinheiro dele. Eu planejo tomá-la uma e outra vez deitada em uma cama do dinheiro dele. Eu irei gravar em vídeo e enviar para ele, deixá-lo vê-la de pernas abertas para mim, ouvir você gritar o meu nome enquanto eu te fodo até perder os sentidos. Eu quero que ele morra lentamente enquanto assiste. Internamente, eu estava sorrindo; Patrick era mais forte e mais cauteloso do que Anthony esperava, e eu sabia que ele e sua família estavam procurando por mim, embora Anthony fosse um psicótico delirante ao pensar que poderia matá-los. Eu estava olhando para um homem morto. — Eu vi você, minha Christi, e eu tenho que dizer, você certamente sabe como impressionar um homem com sua inteligência e charme. De quem você herdou isso, minha Christi? Certamente não foi da sua mãe. Isso chamou a minha atenção. — Oh, sim, minha Christi. Foi muito fácil encontrar a sua mãe, e ela estava mais do que disposta a me ajudar. Eu não sei sobre o que ela estava mais animada, em vê-la ou com o saco de coca que eu lhe dei. Eu nunca vi alguém tão feliz por cheirar uma linha de cocaína. Pena que ela não chegou a desfrutar de todo o saco. Ela era muito pegajosa, muito disposta a fazer qualquer coisa que eu pedisse. Ela pediu mais coca em seu último suspiro Eu fechei os olhos quando a realidade começou a se estabelecer, Morgan estava morta e Anthony a tinha matado. — Então veja, Christi, eu vou conseguir o que eu quero. Quer se trate de você ao meu lado ou assistir você morrer lentamente, eu ganho

~ 221 ~


de qualquer maneira. Pode me chamar de egoísta, mas minha vitória é tudo o que importa para mim. O resto pode seguir sua própria agenda. Com os Malloy mortos e você comigo e longe daqui, todos nós recebemos o que precisamos. Vê? As coisas funcionam se você for paciente.

***

O tempo continuou a passar. Foi-me dado um pouco de água depois de Anthony saiu; não muito, mas era pelo menos um pouco mais limpa dessa vez. Só quando eu estava ficando mais fraca novamente, Sophia voltou. Ela estava vestida com esmero e carregando sua bolsa de design, ainda usando a minha pulseira. Ela deu uma olhada em mim e virou o nariz para cima. Ela abriu a porta e gritou para alguém entrar. Nunca em um milhão de anos eu teria adivinhado quem estava esperando do lado de fora daquela porta. Douce. Minha mente foi imediatamente para a noite do casamento de Paige. Douce foi quem tinha me dito que Frankie estava chateada. Ele havia me traído, e a Patrick. Eu comecei a rezar para que eu sobrevivesse a isso para que pudesse ver como Patrick retornaria o favor. — Kevin, você precisa limpá-la. Anthony está quase pronto para levá-la para fora daqui. Ele está falando de voltar para a Itália mais cedo. — Como diabos você sugere que eu faça isso? Sophia pegou o telefone celular e começou a apertar botões. Imaginei que ela estivesse mandando um SMS para alguém. — Eu não me importo como, basta fazê-lo! Você pode sentir o cheiro dela aqui de cima. — Ela jogou seu telefone de volta na bolsa e, em seguida dirigiu suas próximas palavras para mim. — Eu estou atrasada para o jantar com o meu Patrick. Ela estava tão cheia de merda, eu sabia disso, mas meu coração estava questionando meu cérebro. Eu queria rir dela e dizer que ela provavelmente estava prestes a morrer e eu queria assistir, mas eu estava fraca demais para sequer falar. Douce passou as mãos pelo cabelo várias vezes. Ele olhou para mim e, em seguida, ponderou novamente. Ele rapidamente se virou e saiu do quarto. Eu tentei não pensar no que era o seu plano. Ele

~ 222 ~


claramente estava envolvido e não ligava para o que acontecesse comigo. Ele voltou um pouco mais tarde, com o que parecia ser uma mangueira de água. Ele entrou no quarto antes de ligar a mangueira e encharcar o meu corpo já frio e cansado com água gelada. Eu não tinha energia para lutar. Eu estava sem vida contra a parede enquanto a água continuava a apedrejar a minha pele devastada pelo que parecia ser para sempre, a água me gelou até o núcleo. Eu era incapaz de fazer qualquer coisa. Era como se ele tivesse usado toda a reserva de água da cidade de Chicago. Quando finalmente fechou a mangueira, ele se inclinou sobre o meu corpo tremendo. — Eu estarei de volta em pouco tempo, Christi. Eu quero a minha vez, antes que ele te leve para longe. Eu quero ver se você é tão apertada como sua irmã era. Agora, está na hora de eu ir recolher a grana, — ele zombou e então murmurou. — E é bem melhor ela entregar dessa vez. Em seguida, ele beijou a minha boca rachada, virou-se e saiu. Minha pele estava molhada e esfolada da alta pressão mangueira. Eu rezei para que eu não estivesse mais aqui quando ele voltasse, mas eu não tinha certeza do que seria pior – Douce ou Anthony. Eu fechei os olhos e comecei a orar. Rezei para que Patrick ficasse seguro e que seguisse em frente e tivesse uma vida longa e feliz sem mim. Era importante que ele tivesse uma esposa e filhos, mesmo que fosse com outra pessoa. Eu rezei para que Abby crescesse e se tornasse uma jovem mulher autoconfiante e feliz. Rezei para que Charlotte cuidasse tanto meu pai quanto da minha irmã. Mas, principalmente, eu orei para que a minha morte fosse rápida e de preferência antes que Douce ou Anthony voltassem. Mas Deus claramente não estava ouvindo, pois eu vi a porta se abrir lentamente. Eu fechei os olhos com força enquanto me preparava para Douce cumprir sua ameaça. Minha respiração engatou enquanto eu esperava. Meu coração estava batendo com força dentro do meu peito e eu silenciosamente esperei que isso fosse o suficiente para acabar comigo. Eu estava tão errada, Deus estava me ouvindo. Quando eu abri os olhos e dei uma boa olhada na pessoa de pé na porta aberta, eu senti toda a tensão sair do meu corpo e os soluços silenciosos assumiram.

~ 223 ~


— Senhora. O'Rourke! — A voz masculina de Angus soou alto no quarto vazio. Eu tentei chamar por ele, mas minha voz tinha ido embora. Angus correu e ajoelhou-se ao meu lado. Eu vi quando ele tirou o casaco e envolveu-o confortavelmente em torno de mim, o calor de seu corpo sentindo-se como uma chama quente contra a minha pele congelando. Eu observei impotente quando ele pegou seu celular do bolso e pressionou contra o ouvido. Pouco antes da escuridão me tomar, as palavras que eu o ouvi falar eram como a melhor sinfonia sendo tocada no melhor auditório. — Chefe, eu a encontrei.

~ 224 ~


Capítulo vinte e três Eu deixei o meu carro em ponto morto enquanto derrapava na pista de manobrista do Clair’s. Eu nem sequer perdi tempo em desligar o motor. Deixe que alguém o roube, minha Christi tinha sido encontrada e eu tinha que chegar até ela. Depois que Angus me ligou, eu pulei da minha cadeira e desci as escadas. Enquanto corria para o meu carro, eu liguei para Matthew, mas caiu na caixa postal. Eu deixei uma mensagem para ele me encontrar no Clair’s. Eu rezei mais e mais para Christi estar viva. Eu não ligava para a aparência dela, seja lá o que tivessem feito com ela, eu ainda a amaria. Eu chamaria os melhores médicos do país e a ajudaria de qualquer forma que eu pudesse. Se ela tivesse sido estuprada, eu iria ser paciente com ela; eu iria continuar a honrá-la como um marido deveria. Ao passar pela porta que dava para as cavernas, eu quase fui derrubado com o cheiro mais podre que eu já havia sentido. Era uma combinação de resíduos humanos, comida podre, e imundície pura. Eu segurei minha respiração enquanto voava para baixo pelas escadas até o quarto onde Angus tinha dito que a tinha encontrado. Eu atravessei com força total pela porta que me separava da minha Christi. O que me esperava era uma visão que eu nunca iria esquecer. Meu deus, o que eles fizeram com ela? Christi estava deitada no colo de Angus, o casaco dele enrolado em seu corpo sem vida, a arma apontada dele para o meu peito. — Desculpe, chefe, eu não sabia se era um deles voltando para acabar com ela. Eu rapidamente cruzei o quarto, ignorando o fedor horrível que era claramente proveniente deste lugar. Assim que caí de joelhos, eu notei que ela ainda estava com o mesmo vestido do casamento de Paige. Ele agora era preto de sujeira e seu cabelo estava uma bagunça emaranhada e imunda. Havia enormes círculos roxos ao redor de seus belos olhos, que estavam afundados em seu rosto. Ela parecia uma

~ 225 ~


daquelas crianças africanas famintas que eles mostravam na televisão, pouco mais que um esqueleto. — Ela está viva, Chefe. Mal, mas está viva. Eu olhei para Angus que havia começado a entregá-la para mim, e eu a recebi de bom grado. Seus olhos se abriram lentamente e ela começou a me reconhecer. — Patrick? — Sua voz era tão frágil e baixa. Eu envolvi seu corpo molhado mais perto do meu e comecei a chorar de alegria e alívio. Eu dei beijos suaves ao redor do rosto bonito dela. — Sim, Babe, sou eu, e você está comigo. Você está segura, Christi. — Não com Sophia... — ela começou a murmurar. Eu lentamente afastei meu rosto para olhar para ela, seus olhos permaneceram em mim. Eu procurei em seus olhos, esperando por ela dizer outra vez. — Não Sophia, — ela sussurrou novamente. — Christi, amor, quem fez isso com você? Os olhos de Christi estavam se fechando novamente e eu rapidamente senti o pulso dela, ele estava lá, mas muito fraco. — Ela disse que foram Douce e Anthony Porchelli, e um cara chamado Jimmy, Chefe. Eu não tive tempo para reagir às palavras de Angus, pois a porta foi aberta novamente e o meu pai e Matthew apareceram. Angus voltou a apontar a arma para eles. — Christi? — A voz de Matthew tremia. — Ela está viva, Matthew. Ela está severamente desidratada e claramente desnutrida, mas ela está viva. — Respondeu Angus. Angus era um médico treinado. Durante seu tempo no serviço militar irlandês, ele teve que passar por treinamento para eventos como este. Eu sabia que ele estava dizendo a verdade, e eu confiava nele. — Alguém chamou uma ambulância? — Eu questionei quando comecei a beijar seu rosto novamente.

~ 226 ~


— Angus, você está certo que não há nada quebrado? — Thomas questionou quando atravessou o quarto. — Sim, Sr. Malloy. Ela está bastante machucada, porém, e precisa de um médico com urgência. — Angus instruiu. — Patrick, entregue-a a mim, vai demorar muito tempo para a ambulância chegar aqui com este tráfego. Eu posso levá-la para o hospital antes de uma ambulância até mesmo chegar aqui, — meu pai prometeu. As palavras mal saíram de sua boca quando ouvimos gritos vindos do lado de fora da porta, — Patrick, é a Ma, estou entrando. Minha mãe era uma mulher inteligente. Ela sabia que se abrisse aquela porta sem aviso prévio, pelo menos uma arma seria apontada para ela. O olhar no rosto da minha mãe foi o suficiente para me colocar de joelhos novamente. Ela empurrou Matthew do caminho e rapidamente tomou o rosto pálido de Christi em suas mãos. Ela começou a colocar beijos ao longo pálpebras afundadas de Christi e estava sussurrando palavras suaves em gaélico, suas palavras feitas somente para Deus e Christi. Eu não conseguia ouvir o que era dito. Ela se levantou abruptamente e olhou diretamente para mim. — Você certifique-se de matar quem fez isso com a minha menina, — seus olhos verdes me atravessaram com seu furor; eu sabia que se eu não seguisse suas instruções, ela iria tomar o assunto em suas próprias mãos. Minha mãe não era alguém com quem se brincava. Eu simplesmente assenti com a cabeça e comecei a passar o corpo sem vida de Christi para o meu pai. Minha mãe segurou a mão pálida de Christi na dela, e foi então que eu notei que seu anel de noivado e a pulseira estavam faltando. Minha mãe notou também. — Nós vamos substituí-los, Patrick. Ela está viva e isso é tudo que importa. Ela estava certa; eu iria comprar mil anéis para Christi se isso a mantivesse perto de mim. — Você vem com a gente, filho? — Meu pai questionou enquanto ajeitava Christi em seus braços. Passando minhas mãos pelo meu cabelo, eu sabia que ele iria lutar comigo por causa da minha resposta. — Não, eu quero ser capaz

~ 227 ~


de dizer a Christi, quando ela acordar que Douce está morto e não pode machucá-la mais. Antes que o meu pai pudesse argumentar, a porta se abriu e um Douce parecendo muito nervoso veio correndo com Tonto logo atrás dele. — Foda-se, Chefe, eu acabei de ouvir, — Douce gaguejou enquanto corria para mais perto de Christi e do meu pai. Eu precisei de todas as minhas forças para não atravessar a distância e jogá-lo contra a parede várias vezes até que seus ossos se desintegrassem. Eu queria matá-lo com minhas próprias mãos, drenar a vida de seu corpo como ele tinha tentado fazer com a minha Christi. Minha mãe interrompeu e me trouxe de volta à realidade, — Lembre-se de sua promessa. Eu olhei para Tonto enquanto falava em voz baixa, — Tonto, feche a porta. Os olhos de Douce tornaram-se enormes enquanto focavam entre mim e Tonto. — Por que estamos parados aqui? Precisamos ir atrás de quem fez isso. Mostrar-lhes que não se pode mexer com a nossa família. Suas palavras eram como ácido na minha pele. Como ele ousa se referir a qualquer um neste lugar como sua família?! Tonto não me questionou e rapidamente colocou seu corpo em frente à porta, com os braços cruzados sobre o peito enorme. Douce continuou a olhar em volta para os homens no quarto, ninguém disse uma palavra enquanto observava, esperando que eu me acalmasse o suficiente para não matá-lo sem rodeios, eu tinha certeza. — Diga-me, Douce, valeu a pena? — Do... do que você está falando, Chefe? — Você mentiu para mim, Douce. Você traiu a minha confiança. — Eu dei um passo mais perto. Angus fez a mesma coisa à minha esquerda. — Não, senhor, eu não deixei passar um pagamento desde que você me disse. — Você acha que isso é sobre pensão alimentícia?

~ 228 ~


Douce começou a olhar ao redor para cada um dos homens. Ele estava tentando nos fazer de idiotas, agir como se não soubesse de nada, e então correr como o covarde que ele realmente era. — Escute, gente, estamos perdendo tempo... — Diga-me por que você fez isso! O corpo de Douce começou a tremer. Ele era pelo menos inteligente o suficiente para saber quando tinha sido pego. — Eu... eu... e... ela... — Seu corpo estava totalmente tremendo agora. — Você realmente acha que irá se safar dessa? Angus e eu demos outro passo mais perto. — Aqui está o que vamos fazer, você vai começar a me contar tudo o que sabe ou eu vou começar a arrancar partes do seu corpo a tiros. — Permita-me, Chefe. Poupe suas balas para o final, — Angus falou da minha esquerda. Douce começou a se mover de um lado para o outro, parecendo que estava prestes a se mijar. — Para quem você está trabalhando? Alguns segundos se passaram e Douce permaneceu em silêncio enquanto continuava a trançar as pernas. O som de uma arma sendo carregada e o som distinto de uma bala se alojando na parede de pedra era a prova de que Angus estava cansado do silêncio. — Esse foi o seu primeiro e único tiro de aviso. Douce começou a tremer seriamente e, em seguida, o som de água pingando foi ouvido. No começo eu pensei que era água restante de onde Christi estava sentada, mas quando eu olhei para Douce, o escurecimento característico de suas calças provou o contrário. Na verdade, ele havia se mijado. — Agora, eu vou perguntar novamente. Para quem você está trabalhando? — J... Jeremiah e A... A... Anthony Porchelli. S... Sophia está na trama t... também. — Qual era o plano?

~ 229 ~


Silêncio novamente. Desta vez, o som de um tiro foi ouvido por trás de Douce. Tonto estava com a arma apontada para o traseiro de Douce. — O Chefe te fez uma pergunta. Douce agora estava gritando de dor. Isso não era nada perto do que ele ia sofrer. — Tudo o que sei é... que era para eu levá-la até a despensa... para que Jeremiah pudesse trazê-la para cá. — Douce ofegou entre respirações agonizantes. — Quando Jeremiah e Anthony Porchelli devem voltar para cá? Eu vi quando ele fechou os olhos; uma pequena poça de sangue tinha se juntou à sua poça de mijo. — Sophia disse que eles estavam planejando levar Christi para a Itália em breve, Anthony Porchelli queria que Christi fosse dele. Ele me deu instruções para alimentá-la apenas com água suja e lixo duas vezes por semana, e nunca por dois dias seguidos Meu punho se apertou em torno do cabo da minha arma, ele tinha intencionalmente feito-a passar fome, quebrando-a para que ela fizesse qualquer coisa que ele pedisse tratando-a como um rato de esgoto. — Sophia disse que você está com ela agora. Eu não acho que Christi acreditou nela, apesar de tudo. Tentando quebrar o seu espírito, a minha Christi era muito esperta para isso. — Então, qual foi a sua recompensa? Douce olhou para o chão e em seguida caiu. A poça de sangue estava maior agora e sua pele estava ficando pálida. Quando ele não respondeu, eu ergui a minha arma e disparei dois tiros em seu joelho direito. Seus gritos não fizeram outra coisa senão me irritar. A única coisa que o mantinha vivo agora era a minha necessidade de respostas. — O Chefe te fez uma pergunta, Douce, — Tonto o cutucou. — Uma vez Christi tivesse ido embora e você a seguisse, eu não teria que fazer meus pagamentos de pensão mais. As coisas voltariam a ser como eram antes de Christi, — ele disse ofegante. Ouvir Douce me dizer que só queria Christi fora de cogitação por causa de alguns dólares que tinha que pagar para cuidar de seus filhos ~ 230 ~


foi a gota d'água. Giggles era minha sobrinha, ela amava a tia Christi e teria ficado arrasada se algo tivesse acontecido com ela. Douce não merecia ter o privilégio de chamar a si próprio de pai daquela criança linda. Meu próximo passo chocou até mesmo a mim. Eu coloquei o meu pé plantado no centro do peito de Douce, batendo-o contra o chão de pedra fria, minha arma apontada entre os olhos chocados dele. — Você não merece aquela criança, — Eu rosnei, meu pé empurrando com mais força em seu peito. — Você precisa saber que a partir de hoje, você será apenas uma memória distante para a mãe daquela menina desde que você era um filho de uma cadela egoísta para reconhecer a sua própria filha. O verdadeiro pai de Giggles estará lá para criá-la no seu lugar. — Meu pé pressionou com mais força em seu peito. — O pai dela irá levá-la ao parque e comprar sorvete para ela. Seu pai irá enfaixar os joelhos ralados e ajudá-la com o seu dever de casa. Seu pai irá consolá-la quando sua primeira paixão quebrar seu coração, enquanto o tio Patrick esmaga o crânio do sujeito. O pai dela irá bater palmas para ela na formatura e levá-la para a faculdade. Ele irá levá-la até o altar no dia de seu casamento e segurar seu primeiro filho com terno cuidado. Seu pai irá adorar a mãe dela como a coisa mais preciosa do mundo, o que ela é. Mas você, você estará apodrecendo como o pedaço de merda inútil você é. Removendo meu pé, eu me abaixei para que meu rosto ficasse a apenas algumas polegadas do dele. — Mas, primeiro, você vai chamar o seu amigo, Anthony Porchelli, e dizer a ele para vir aqui rápido. Diga que há um grande problema com Christi. Não se preocupe; você não vai estar mentindo. A respiração de Douce estava acelerada e desta vez ele não hesitou quando enfiou a mão no bolso pegou o telefone e discou. — Cara, você tem que vir aqui rápido, eu acho que a cadela está morta, disse ele, e desligou. Eu segurei a minha respiração enquanto deixava suas palavras afundar. Olhando bem na cara dele, eu lentamente falei as últimas palavras que ele jamais ouviria. — Não, ela não está, mas você sim. Eu podia ver o flash das balas sendo disparadas no crânio de Douce. Sangue e pedaços de cérebro foram rapidamente espalhados em todas as direções. Ninguém disse uma única palavra, enquanto o cheiro

~ 231 ~


de pólvora permanecia no lugar. Douce estava morto e eu poderia agora dizer à minha Christi que ele nunca iria machucá-la novamente. Agora era esperar por Anthony, e sua morte não seria tão rápida. — Angus! Eu ouvi Shamus gritar do lado de fora da porta. — Aqui, irmão! — Angus gritou de volta. Lentamente a porta se abriu e Shamus entrou totalmente puto, seguido de perto por uma Frankie de aparência cansada. — Angus, eu estou te ligando há horas, — Shamus disse enquanto dava uma olhada ao redor, seus olhos finalmente desembarcando em Douce morto. — Aquele é…? — Sim, é Douce, embora seja uma coisa boa que ele não vá ter um funeral. Nem sua mãe poderia identificá-lo. — Explicou Angus. Shamus deu de ombros enquanto continuava a olhar para o homem sem rosto que estava deitado no chão, — Acho que ele te deixou puto demais dessa vez, hein, Chefe? Ninguém disse uma palavra e todos os olhos estavam agora em mim. — Ele ajudou no sequestro de Christi. Os olhos de Shamus agora estavam esbugalhados. — Será que ele pelo menos disse onde ela está? Eu fechei os olhos e apertei a ponte do meu nariz, a memória dela deitada nos braços de Angus ainda fresca em minha mente. — Ele a estava mantendo aqui no chão frio e úmido, ela ainda estava com as roupas do casamento e ele a fez passar fome até vencê-la, o meu pai a levou para o hospital. — Ela está...? — A voz fraca de Frankie soou atrás de Shamus. — Ela está viva, mas mal, — Matthew falou da minha direita. — Chefe, eu posso perguntar por que vocês dois ainda estão aqui? Quer dizer, você não deveria estar no hospital? Eu olhei para Shamus, mas Matthew começou a falar antes que eu pudesse. — Patrick e eu estamos esperando os outros responsáveis por isso. Ele fez uma promessa de que ele iria cuidar deles para que ela não tivesse mais medo quando acordar. Eu estou esperando para ver se um deles é o homem responsável

~ 232 ~


pela morte da minha filha mais velha. Se as minhas suspeitas estiverem corretas, eu quero lidar com ele eu mesmo. Eu me virei para olhar para Matthew, — Você acha que esse tal Jeremiah e Jimmy são a mesma pessoa? O homem que matou a sua Colleen? — Estou bastante certo disso. Christi disse que Colleen sempre o chamava de Jimmy. — O que você está fazendo aqui? — Angus questionou Shamus. — Eu recebi sua mensagem de que você viria verificar essas cavernas e quando eu não ouvi mais nada de você e você não atendeu às minhas mensagens ou ligações, eu fiquei preocupado. Eu disse a Frankie que iria levá-la para almoçar, então pensei em matar dois pássaros com uma só pedra. Foi apenas alguns segundos mais tarde que se ouviu o som distinto de uma risada feminina, seguida pelo clique de saltos altos. Shamus se afastou da porta com Frankie quando a risada ficou mais alta. A porta se abriu e três figuras entraram rapidamente. Eles estavam rindo e conversando, brincando sobre o cheiro permeando o prédio como se fosse engraçado. Eu estava prestes a me certificar de que esta seria a última vez que eles iriam rir. Meus olhos se encontraram Anthony Porchelli de primeira. Sua expressão era de choque no começo, mas, em seguida, um enorme sorriso se espalhou pelos seus lábios finos. O homem que estava ao lado dele tentou se virar e correr para fora da porta. Eu o reconheci como Jimmy, o Mooch, o zé ninguém que queria trabalhar para mim anos atrás. Tonto foi rápido em jogá-lo no chão e, em seguida, apontou a arma na cara dele. Os olhos de Anthony nunca deixaram os meus enquanto eu fechava a distância entre os nossos corpos. Seus olhos caíram dos meus por tempo suficiente para perceber o cadáver de Douce. — Ah, eu deveria lhe agradecer por isso. Menos limpeza para mim, Malloy. Sophia parecia um cervo travado por faróis com sua bolsa no braço e seu telefone na mão. Eu iria lidar com ela mais tarde. — Isso não é nada comparado com o que te espera, Porchelli.

~ 233 ~


Ele começou a rir quando se moveu em direção a mim. — Não pense nem por um momento que você pode me tocar, meu pai colocaria seus homens atrás de você em um segundo, — ele sussurrou, com os olhos dilatados, cuspe saindo entre os dentes enquanto falava. — Não se ele não puder provar nada, — Angus interrompeu. — Ninguém nunca irá encontrar seus corpos. — Meu pai é um velho ignorante que é governado por sua tolice do passado, mas ele tem suas fontes. Elas foram úteis para eu conseguir pegar a minha Christi, — ele sorriu. Ele estava tentando me irritar ou estava dizendo a verdade, mas de qualquer forma, Porchelli era um homem morto. — O que é isso no seu braço? — Frankie gritou para Sophia. Todos se viraram para ver porque Frankie estava gritando. Eu olhei diretamente para seu braço esquerdo e lá estava ela; a pulseira que eu tinha dado a Christi. Sophia tinha claramente roubado dela. — É minha! — Sophia gritou enquanto segurava o braço contra o peito. — Ela deveria ter sido minha desde o início, mas aquela menina feia e estúpida se meteu no nosso caminho, Patrick! — Ela choramingou e começou a caminhar em direção a mim, como uma gata no cio. — Pare aí! — Frankie advertiu saltando na frente dela. — Você roubou isso da minha amiga e de onde eu venho, há uma punição para quem rouba. — Saia da minha frente, sua prostituta lavada, você não sabe que Patrick só a usou para conseguir o que queria? Ele nunca a amou, ele deveria ser meu, mas aquela vagabunda se meteu no meu caminho! Eu dei um passo rápido para trás quando Sophia tentou dar mais um passo em torno de Frakie, se lançando em direção a mim. Frankie foi mais rápida e usou a mão esquerda para tirar a arma que descansava na parte de trás da cintura de Shamus e rapidamente disparou dois tiros. Sophia tropeçou para trás, batendo na parede atrás dela, deslizando para baixo, em seguida, vindo a parar no chão sujo. Frankie caminhou até onde Sophia estava morrendo, olhando chocada para a cara brava de Frankie. — Não se brinca com a minha família! — Frankie se abaixou e puxou o pulso de Sophia, retirando a minha pulseira de seu braço antes de cuspir em seu rosto.

~ 234 ~


Sophia olhou para mim enquanto dava seu último suspiro e, em seguida, caiu ainda mais no chão. — Eu nunca me importei com a minha irmã, sabe? Ela era como uma criança mimada, e bastante tonta, também, — disse Porchelli com um encolher de ombros. Minha atenção estava focada agora em Porchelli. Ele estava olhando para sua irmã morta, sem emoção. Se tivesse sido Paige, eu teria esquartejado cada homem nesta sala por machucá-la. Porchelli apenas olhou para ela como se ela fosse um pedaço sujo de chiclete em seu sapato. — Como você pode dizer uma coisa dessas? Ela era sua irmã! — Matthew questionou. — Ela era fraca e sem valor. — Ela ainda era sua irmã. — Possivelmente… Eu estava cansado disso. Eu precisava ir para o hospital, de volta para Christi. Eu tinha que estar lá quando ela acordasse para que eu pudesse garantir que ela estava realmente segura. Eu levantei a minha arma e equilibrei minha empunhadura. — Eu prometi para a minha Christi que os responsáveis pagariam. Eu sempre mantenho minhas promessas para ela. Meu dedo estava firme no gatilho enquanto eu observava os olhos de Porchelli crescerem ainda mais. Pela expressão em seu rosto, ele sabia que eu estava falando muito sério. — Se você me matar, Malloy, você nunca saberá... Eu o interrompi. Eu estava cansado de seus jogos, doente dele tomando o ar que boas pessoas como a minha Christi precisavam para respirar. — Eu já sei de tudo o que preciso saber; eu sei que você não será capaz de machucá-la mais. Eu não lhe dei a chance de responder, e descarreguei a minha arma em seu peito, a minha última bala atingindo-o em cheio entre os olhos. Eu vi quando sua mão foi até o coração enquanto ele engasgava por seu último suspiro, a força das balas impelindo-o contra a parede. Foi uma morte muito mais misericordiosa do que ele merecia, mas eu só queria terminar logo com isso. Com um baque duro, ele estava morto

~ 235 ~


em uma poça de sangue fluindo rapidamente, o som final na sala foi o tilintar da última cápsula de bala rolando no chão a seus pés. Eu não conseguia tirar os olhos de seu corpo. Eu já tinha matado o meu quinhão de homens, mas este era pessoal. Ele se atreveu a tocar a única coisa que era proibida, quebrando a regra não escrita que as esposas estavam fora dos limites. Valenci seria impotente quanto a isso, e, no que dizia respeito a Sophia, ela seria apenas uma causalidade da guerra com as drogas. — Você matou a minha filha, — a voz de Matthew invadiu a calma que estava presente após os tiros. Eu olhei para ver Jimmy, e só poderia sorrir quando eu comecei a recarregar a arma. — Aqui, Matthew, use a minha, — eu disse a ele enquanto tentava entregar-lhe minha arma. Matthew olhou para mim, e depois para a arma que lhe tinha sido oferecida. — É uma arma limpa e vamos eliminá-la quando terminarmos aqui. Ele olhou de minha arma, para mim, e depois voltou-se para Jimmy. — Uma bala é rápido demais para esse filho da puta. Ele precisa sofrer. — O sorriso de satisfação no rosto de Jimmy desapareceu, substituído por puro terror quando ele olhou nos olhos de Matthew O'Rourke perfurando-o com a angústia e raiva de um pai em luto. — Você levou a minha filha de mim. Você a deixou morrer, nua e sozinha em um quarto de motel decadente. Matthew começou a chegar mais perto de Jimmy, sem tirar os olhos dele. — Ela queria ser professora, você sabia disso? — Não era realmente uma pergunta, mais um pensamento que passou por seus lábios. — Ela queria dar aulas no jardim de infância, ela tinha toda a sua vida pela frente. Mas você mudou tudo isso. Você roubou seu futuro brilhante, trocou por drogas e morte. Matthew estava fazendo um discurso de encerramento. Ele precisava compartilhar suas memórias com o homem que tinha levado sua filha. — Você levou a minha linda filha, transformando-a em uma pessoa quebrada, odiosa, que ficava fora de casa por semanas. Ela já não se preocupava com suas irmãs ou seu pai. Ela só queria sua próxima dose. Matthew ficou em silêncio por alguns minutos e, surpreendentemente, Jimmy também. Finalmente, Matthew levantou a cabeça e se virou para Jimmy, mais uma vez. — Você sabia que no tempo do rei Henrique VIII, quando alguém ofendia a coroa recebia a mais severa punição? ~ 236 ~


Novamente, isto não era uma pergunta. — Quando as minhas meninas eram pequenas, eles adoraram brincar de princesa, especialmente Colleen. Ela parecia uma pequena princesa de conto de fadas com cachos longos e ruivos e a pele de porcelana. Elas se fantasiavam e ficavam tão bonitas... e queriam que eu desempenhasse o papel do Rei. — Seus olhos me mostraram que ele estava vendo suas meninas dançando em volta dele, livres e inocentes. O calor de suas memórias desapareceu de seus olhos quando ele olhou para Jeremiah. — Você me tirou a minha princesa. — O olhar que se seguiu àquela declaração era um que eu esperava nunca receber de Matthew O'Rourke. Ele não estava mais no controle de suas ações e Jimmy iria pagar o preço. — Patrick, você pode instruir seus homens para me ajudar, por favor? Eu não tive que dizer uma palavra, Shamus e Angus deram um passo adiante para flanquear Matthew. — Senhores, o despojem de suas roupas e o mantenham na parede. — Jimmy estava claramente apavorado demais para dizer uma palavra. Meus homens não perderam tempo e os sons de roupas rasgando encheram o ambiente, pousando em uma pilha a meus pés. Em uma corrente pendurada no pescoço de Jimmy estava o anel de noivado que eu tinha dado à minha Christi. Matthew estava olhando para ele também, mas o deixou lá por agora como um lembrete do que Jimmy tinha feito à sua outra filha também. Isso não era apenas por Collen mais. — Naqueles tempos, o Rei iria pedir que o ofensor fosse arrastado e esquartejado. Uma vez que temos que nos ajustar devido às circunstâncias, nós vamos acelerar. Jimmy não sabia o que lhe tinha batido quando Matthew puxou um canivete de lâmina afiada aparentemente do nada e fez um grande e profundo corte na parte inferior do corpo de Jimmy. Ele gritou de dor quando o sangue começou a escorrer rapidamente do ferimento. No entanto, Matthew não havia terminado e empurrou a lâmina através do corte de novo, e desta vez o corte se abriu e o que parecia ser o intestino de Jimmy caiu, respingando no chão enquanto ele observava. — Veja, nos dias do Rei, seus intestinos teriam sido puxados para fora e queimados neste momento, mas eu não quero acabar com o seu sofrimento assim tão rapidamente.

~ 237 ~


Desta vez, a lâmina desceu e cortou a masculinidade de Jimmy e eu tenho que admitir que até eu me encolhi quando seu pau e bolas bateram no chão com um salto. A poça de sangue aos pés de Jimmy estava crescendo a um ritmo alarmante, o suficiente para que eu tivesse que dar um passo atrás para evitar que sujasse os meus sapatos. Matthew atravessou a sala e sentou-se no chão, enquanto continuava a assistir Jimmy morrer - uma morte lenta e excruciante. Eu vi como Shamus e Angus seguraram firmemente o corpo nu de Jimmy, prendendo-o à parede de pedra fria. Momentos depois, um som borbulhante foi ouvido de Jimmy e depois o conteúdo de sua bexiga e intestino caiu no chão, seguidos pela cabeça de Jimmy caindo para frente, um sinal de sua morte certa. Matthew se levantou e se aproximou, soltando a corrente de ouro do pescoço de Jimmy segurando o anel que eu dei a Christi. — Deixe-o cair, Senhores, — a voz de Matthew disse suavemente enquanto ele suspirava profundamente e se afastava. — Descanse em paz agora, princesa, — ele soluçou, sua voz cheia de emoção, e eu tive que me segurar para não me juntar a ele. Matthew respirou fundo e, em seguida, virou-se para mim, pegando o meu pulso e colocando o anel na minha mão, — Acabou, meu filho. Vamos contar à nossa Christi a boa notícia.

~ 238 ~


Capítulo vinte e quatro A sala de espera do hospital estava lotada com a família quando eu cheguei. Minha mãe correu e jogou os braços em volta de mim. — Dr. Bradshaw está lá agora, por favor, me diga que você... Eu me inclinei perto dela para que ninguém mais pudesse ouvir. — Sim, ela não tem nada a temer. — Patrick. — Eu olhei para cima para ver Amex fazendo uma linha rápida até mim. Ela e Caleb tinham voltado de sua lua de mel há duas semanas. — Eles não nos deixam entrar lá, — Ela gemeu colocando seus braços firmemente em torno do meu pescoço. Amex rapidamente me soltou e me empurrou, — Oh, merda, Patrick que cheiro horrível é esse? — Ela gemeu quando eu notei o meu pai entrando na sala com um homem de jaleco branco seguindo-o de perto. — É o cheiro do cativeiro de Christi, — eu disse a ela enquanto removia seus braços do meu pescoço e caminhava até o meu pai. No bolso do homem de jaleco branco estava bordado ―Dr. Kenneth Bradshaw, MD, Medicina de Emergência. — Pai? — Eu gritei. A cabeça de Thomas se virou na minha direção, — Patrick, você está aqui. — Eu continuei caminhando e todo mundo ficou quieto. — Filho, este é o meu bom amigo, Dr. Bradshaw, ele está cuidando da nossa Christi. Eu estendi a mão para ele, agarrando com firmeza e fazendo contato visual direto. — Senhor, eu sou Patrick Malloy, o noivo de Christi. Dr. Bradshaw era um homem mais velho, com óculos redondos e cabelo grisalho. Se meu pai confiava nele, então eu também. — Sim, bem, eu tenho que lhe dizer, tivemos muita sorte de vocês a encontrarem naquele momento. Eu já fiz vários testes de laboratório e a boa notícia é que não parece que ela sofreu nenhum dano permanente. Suas enzimas hepáticas estão dentro de uma faixa aceitável, mas a minha verdadeira preocupação é que, quando colocamos um cateter nela, não saiu nada. Nós a colocamos em um

~ 239 ~


infusor para hidratá-la o mais rápido possível, mas eu irei me sentir muito melhor quando seus rins começarem a mostrar algum resultado. Eu tinha uma pergunta que estava queimando um buraco no meu intestino. Eu tinha que saber, não que a resposta mudaria alguma coisa entre Christi e eu. — Dr. Bradshaw, houve alguma evidência de... agressão sexual? Dr. Bradshaw colocou a mão no meu ombro e respondeu: — Não, Patrick, não havia sinais físicos óbvios de um trauma sexual. No entanto, nós vamos ter que perguntar a ela quando a acordarmos para ter certeza. Olhei para ele perplexo, — Como assim? — Sim, nós a sedamos. É melhor para o seu corpo se curar, se ela não tiver qualquer estímulo externo agora. Eu balancei a cabeça enquanto silenciosamente agradecia a Deus. — Quando eu posso vê-la? Dr. Bradshaw apenas sorriu antes de responder: — Os enfermeiros estão limpando-a, nos dê uma hora e eu vou mandar um deles vir te buscar. Eu apertei sua mão e agradeci por tudo o que ele tinha feito por Christi. O meu pai se aproximou e me deu um abraço apertado, — Está tudo acabado? Eu balancei a cabeça quando nos separamos. Eu notei que Matthew tinha se juntado a nós e tinha ouvido tudo que o Dr. Bradshaw tinha nos dito. Por um segundo, eu me senti culpado por não ter certeza de que ele estava lá, ele era o pai dela, afinal. Eu me virei e fui para onde minha mãe e Amex estavam sentadas. Eu não tinha notado que Sherman Montgomery estava na sala. Sherman e Eileen tinham ficado em Chicago depois que Caleb e Amex partiram para sua lua de mel para que Sherman pudesse se certificar que os interesses empresariais de Caleb aqui fossem atendidos.

~ 240 ~


Eu precisava de uma distração. Christi era a única pessoa que poderia me acalmar, não importava qual fosse o problema. Eu precisava dela, mas ela precisava de mim mais agora. Minha mãe me entregou uma xícara de café e Sherman começou a falar comigo. — Patrick, meu Deus, quando Caleb me ligou, eu não podia acreditar e corri até aqui. Christi é uma coisa preciosa e eu estive orando por ela todos os dias. Existe alguma coisa que você precise, meu filho? Eu sabia que iria ouvir muito essa pergunta hoje. — Obrigado por ter vindo, Sherman. Eu vou deixar você saber se eu precisar de alguma coisa. Ele me deu um tapinha nas costas enquanto Caleb fez o caminho até nós. — Eileen ficará feliz em saber que Christi foi encontrada. — Ele notou meu olhar ao redor procurando por Eileen, mas ela não estava na sala. — Ela deve voltar na próxima semana de suas férias com Mia, — ele suspirou. Eu olhei para Caleb confuso; Eu nunca sairia de férias sem a minha esposa. Caleb só balançou a cabeça em silêncio, me pedindo para não questioná-lo. Aparentemente, este era um assunto delicado. Notei Matthew de pé ao lado de Sherman. — Matthew, este é Sherman Montgomery, o pai de Caleb. — Eu então fiz um gesto para Matthew, — Sherman, este é Matthew O'Rourke, o pai de Christi. — Matthew, eu não posso imaginar o que você está passando, como pai. Eu não posso imaginar o que faria se isso acontecesse à minha Mia. — Você tem uma filha? — Matthew questionou. Sherman pegou o telefone e começou a percorrer suas fotos, encontrando uma de Mia e mostrando-a orgulhoso para Matthew. — Ela é uma menina bonita, Sherman. Sherman continuou a olhar para a tela. — Ela puxou sua mãe no departamento dos olhares. Matthew riu quando respondeu: — Eu acho que cada pai dá o crédito da beleza das filhas para as mães, mas eu vou dizer que sou uma exceção a essa regra. Sherman olhou para Matthew, mas não o questionou. ~ 241 ~


— Patrick, você se lembra da minha Mia? Eu sorri enquanto pegava o telefone de sua mão e, educadamente, olhei para a foto rapidamente, antes de entregar o telefone de volta para Sherman. Mia parecia ser uma garota muito bonita, com seus longos cabelos escuros e rosto perfeito. — Ela é linda, Sherman. A conversa terminou rapidamente quando uma voz feminina soou: — Patrick Malloy? Eu voltei a minha atenção para a direção da voz para encontrar uma mulher mais velha de roupa de hospital branca com uma prancheta na mão. — Sim, eu sou Patrick Malloy Ela sorriu e fez sinal com a mão livre para eu segui-la. — Venha comigo, querido, ela está pronta para que você possa vê-la. Meu nome é enfermeira Casey e eu fui designada para Christi hoje. Eu a segui através de um conjunto de portas, passando pelo posto de enfermagem, e até o final de um longo corredor. — O Sr. Malloy foi muito específico sobre as acomodações da Senhorita O‘Rourke, — disse ela do lado de fora de um conjunto de portas duplas. Books estava do lado de fora do quarto. — Acho que eu não sou mais necessário agora que você está aqui? — Books perguntou enquanto eu o tomava para um abraço. — Não, a situação foi tratada; vá para casa com sua esposa e filha. Books acenou com a cabeça em compreensão, — Me chame se precisar de mim, eu vou trazer Smiles mais tarde. Eu sorri para ele e balancei a cabeça antes de seguir a enfermeira para o quarto. O quarto mais parecia com uma suíte no Ritz que com um quarto de hospital. Eu sabia que tinha que agradecer aos meus pais por isso. Apenas o melhor de sempre para os seus filhos, e isso definitivamente incluía a minha Christi. Ela estava aninhada no que parecia ser uma cama de tamanho Queen. Seu cabelo escuro tinha sido puxado para um lado, como se tivesse acabado de ser penteado. Seu rosto agora parecia em paz, apesar das circunstâncias, ela havia sido encontrada apenas algumas horas atrás. Acima de sua cabeça havia uma máquina que continha o que parecia uma tela plana onde eu podia ver números e linhas, e seu nome estava escrito na parte superior. Ao olhar mais de perto, vi que um coração branco estava piscando no canto acima do número setenta ~ 242 ~


e dois.— Seus sinais vitais parecem todos muito bom, — a enfermeira falou suavemente. — Sinta-se livre para segurar sua mão ou face, você não vai machucá-la. Eu caminhei em torno de sua cama, observando a palidez de sua pele e a aparência ainda afundada dos olhos. Havia uma cadeira estofada ao lado de sua cama e eu calmamente me sentei, pegando a mão dela na minha. Suas unhas ainda estavam sujas e estavam quebradas e irregulares. Christi raramente usava esmalte, mas suas unhas estavam sempre limpas e bem cuidadas. Erguendo a mão dela até os meus lábios, eu beijei cada junta e as pontas dos dedos. Eu ainda podia sentir o cheiro horrível daquele odor presente naquela caverna. Agora estava misturado com o cheiro revelador de desinfetante hospitalar. — Banhos de esponja não fazem todo o serviço, Sr. Malloy. Eu continuei a olhar para ela, tão pálida e tão frágil. — Ela não vai gostar disso. Ela sempre foi tão particular sobre estar limpa. Senti a mão quente da enfermeira no meu ombro, — Você pode trazer as coisas dela e faremos melhor quando ela acordar. — Eu balancei a cabeça em entendimento. — Seu acesso está quase pronto para ser trocado. Eu estarei no corredor se você precisar de mim. Eu só consegui distinguir os sons de sapatos da enfermeira no chão de vinil quando ela se virou, depois o ruído surdo da porta fechando me dizendo que ela havia saído. Eu me levantei da cadeira e me inclinei sobre o corpo ainda imóvel e frágil de Christi. Comecei a dar beijos suaves no rosto dela, incluindo seus olhos e por fim nos lábios rachados. Eu me afastei para olhar para ela; eu ainda podia ver pequenas pedras em seu cabelo, bem como a pele de ressecada e suja de terra. Eu rapidamente peguei o meu celular do bolso e mandei uma mensagem para a minha mãe. Envie alguém para pegar as coisas dela, ela não está limpa o suficiente. Eu devolvi o meu telefone ao bolso, e me aninhei no lado vazio da cama. — Você me assustou, — eu sussurrei em seu ouvido. — Eu juro que eu nunca vou deixar você fora de vista de novo, por favor, volte para mim.

~ 243 ~


Correndo a mão ao longo de sua bochecha e pelo seu queixo, não precisava ser um gênio para ver que ela tinha perdido uma quantidade considerável de peso. Eu não tinha duvidas de que a minha mãe iria reverter isso em um minuto quando a minha Christi chegasse em casa. — Nosso casamento é daqui a algumas semanas, então você precisa descansar e ficar melhor para que você possa andar pelo corredor para mim. Eu não tinha intenção de adiar o casamento. Mesmo que ela tivesse que ser empurrada pelo corredor em uma cadeira de rodas, nós iríamos nos casar. — Nossa casa está terminada. Eu pedi para a minha mãe encomendar aqueles lençóis que você gostou, eu sei que você disse que eles eram muito caros, mas eu pretendo te engravidar de doze crianças naquela cama, então ela precisa ser confortável. Eu tinha dito Christi que queria doze meninos, mas a verdade é que eu realmente não me importava, contanto que eles fossem saudáveis. — Eu te amei por tanto tempo, eu sussurrei baixinho em sua mão fechando meus olhos, segurando as lágrimas que pediam para escapar. Eu imaginei seu rosto jovem na minha cabeça na primeira vez que a vi. Se eu tivesse apenas seguido o meu coração naquele dia quando adolescente, ela poderia ter sido minha mais cedo, mas em vez disso eu deixei o meu orgulho e ignorância tomarem a decisão. — Você não imagina por quanto tempo eu te amei. Não havia nenhum ponto em contar a ela os meus pecados do passado, não mudaria nada. Eu não queria que ela pensasse nem por um segundo que algum dia eu não a quis. Depois do que tinha passado, ela só precisava saber que eu a queria mais do que qualquer coisa. — Desde o primeiro momento em que eu vi você, você é dona da minha alma. Meu coração continua a bater por causa do desejo de estar perto de você. Eu finalmente deixei as lágrimas caírem. Elas precisavam ser postas em liberdade, e dar o encerramento que eu precisava. — Eu quero você de volta na minha cama, eu não gosto de você aqui. Eu preciso saber que posso acordar no meio da noite e você estará ali ao meu lado. Eu observo você dormir, eu sei que você não sabe disso, mas eu faço. Eu não conseguiria contar quantas noites eu tinha ficado ao lado dela a observando dormir. A luz da lua, uma vez que iluminava seu

~ 244 ~


rosto; que me fascinava, assim como seus suspiros silenciosos enquanto ela sonhava. Eu queria ter tudo isso de volta. Eu devo ter adormecido porque de repente eu estava sendo sacudido pela minha mãe. De pé ao lado dela estavam Ammo e Smiles. — Como ela está? — A voz suave da minha Ma era música para meus ouvidos. — Bem, ter Patrick aqui foi bom para ela, — Smiles apontou para a bolsa que estava pendurada do lado da cama, havia uma pequena quantidade de líquido âmbar escuro. — Seus rins voltaram a funcionar. Eu nunca tinha ficado tão feliz de ver xixi em toda a minha vida. — Patrick, eu quero que você vá se limpar. Eu sei que você não vai concordar em sair do hospital, mas eu trouxe suas coisas também e você precisa estar limpo quando ela acordar. Eu não pretendia nem tentar protestar. Minha mãe me jogaria no chuveiro de roupa e tudo e me esfregaria sem pensar duas vezes. — Eu trouxe as meninas para me ajudar a dar outro banho nela e limpar suas unhas. Ela vai ficar chateada se as vir assim. Minha mãe a conhecia bem. Christi era uma pessoa forte, mas no final do dia, ela era uma mulher bonita e estava sempre limpa. Ela gostava de ficar na banheira no meu apartamento e sempre tomava banho duas vezes por dia. Eu só balancei a cabeça e aceitei a bolsa dela antes de me dirigir para o banheiro. A água quente parecia incrível caindo em cascata pelo meu corpo. Minha Christi estava a salvo e de volta para onde pertencia, não mais se preocupando com quem estava lá fora tentando pegá-la. Ela estaria livre para fazer as coisas de seu dia a dia sem um guarda do lado fora de sua porta. Ela ficaria feliz em ouvir isso. Até o momento em que eu estava limpo e vestido; minha mãe tinha o cabelo e o corpo de Christi bem lavados e as roupas dela trocadas. Eu me debrucei sobre o corpo dela para beijá-la na testa, e ela agora cheirava à minha Christi. Ammo estava nos pés da cama esfregando uma loção em seus pés e pernas. Eu tive que sorrir enquanto a memória da última manhã que tínhamos passado juntos veio à minha mente. Christi tinha um ritual de passar loção por todo o corpo depois do banho; eu costumava entrar no quarto com o café e ficar observando

~ 245 ~


enquanto ela esfregava as pernas com o hidratante. Ela sempre olhava para mim e sorria, me perguntando se eu estava gostando do que eu chamava de ―show da loção‖. Ela sabia que era uma das minhas coisas favoritas de ver. O cheiro fresco e feminino de sua loção permeava o ar. Eu estava tão feliz que o cheiro rançoso tinha ido embora. Eu sabia que iria perturbá-la quando ela acordasse, se ela ainda pudesse sentir aquele cheiro. Quatro dias. Quatro longos dias de assistir ao sono da minha Christi. Observando enquanto o líquido no saco passava de âmbar para amarelo pálido. Dr. Bradshaw disse que todos os seus exames de laboratório estavam muito bons e por isso hoje ele seria retirar os medicamentos que a faziam dormir. Ele não podia nos dar um prazo de quando ela iria acordar; ela levaria seu próprio tempo. Isso era bem à moda de Christi; ela fazia tudo em seu próprio tempo. Matthew e eu tínhamos revezado os turnos para ficar com ela. Nenhum de nós queria que ela estivesse sozinha quando finalmente acordasse. Eu o encontrei em mais de uma ocasião contando histórias de sua infância. Uma noite, eu o vi sussurrando que estava arrependido por enganá-la. Ele admitiu que eu tinha lhe dado o cartão de crédito que ela estava usando para pagar as coisas para o nosso casamento. Matthew era um homem orgulhoso, mas ele sabia o que era importante, e sabia quando pedir ajuda. Tínhamos combinado que ela nunca precisaria saber que ele não pagou pelo casamento de sua filha, algumas coisas simplesmente não eram tão importantes. Eu não era melhor. Eu tinha contado a ela todos os segredos que eu já tive na esperança de que ela iria se sentar e me bater pela metade deles. Eu tinha entrado em contato com o joalheiro que fazia todas as joias para os Malloy e mandei reparar seu colar de trevo. A enfermeira Casey me encorajou a colocá-lo de volta em seu pescoço. Shamus me trouxe a pulseira que Sophia tinha roubado do braço de Christi; Eu a levei lá embaixo e coloquei na caixa de doação da capela do hospital depois de acender uma vela. Eu não queria nada que aquela mulher tivesse tocado em qualquer lugar perto da minha Christi. Eu tinha mandado fazer uma nova para ela.

~ 246 ~


Eu tinha seu anel de noivado em meu bolso. Minha mãe o tinha mandado limpar, mas eu não estava pronto para colocá-lo de volta em seu dedo depois do que tinha acontecido. Ma disse-me para deixar Christi decidir se queria esse de volta ou o novo que eu havia comprado. Eu esperava que ela não quisesse o antigo de volta, visto que eu não queria que ela mantivesse quaisquer más recordações. Eu tinha certeza de que o padre não se importaria de encontrar outra peça na caixa de doações Foi logo depois da meia-noite, ela estava dormindo por cinco dias. Eu tinha que recuperar o atraso com alguns papéis muito negligenciados. Caleb tinha me enviado um e-mail informando que precisava que eu olhasse algumas discrepâncias na sua contabilidade. Ele me disse que claro que poderia esperar até que Christi estivesse bem, mas eu precisava de uma distração por um tempo. Eu tinha acabado de abrir a planilha com as despesas do Whiskers quando ouvi. O som que eu tinha esperado semanas para ouvir; o som que fazia meu coração disparar cada vez que o ouvia. — Patrick.

~ 247 ~


Capítulo vinte e cinco Calor... Suavidade... Conforto. A morte era uma coisa pessoas que viam suas vidas eu ouvi vozes. Meu pai me escalado uma árvore quando morava ao lado me desafiou, esquerdo e o menino apanhar

engraçada. Eu tinha ouvido histórias de piscar diante de seus olhos. No entanto, contando sobre o tempo que eu tinha eu tinha sete anos porque o menino que o que resultou na quebra do meu braço até em casa de sua mãe.

Patrick me dizendo como tinha trocado o açúcar de sua mãe por sal, quando tinha dez anos. Ela já havia feito várias tortas naquele dia e não deixou que ele comesse um pedaço sequer, sendo esta a sua retaliação. Ela o pegou antes que mais tortas ficassem não comestíveis. Desnecessário dizer que ele não pode sentar-se por uma semana, também. Nora me dizendo que estava tão feliz que eu ia ficar bem, enquanto me acariciava com as mãos quentes. O calor era a minha parte favorita da morte. Eu tinha passado tanto frio por tanto tempo. Eu me aconcheguei ainda mais na suavidade e deixei o conforto quente me engolir. Clap... Clap... Clap... Alguém disse uma vez que o inferno era diferente para todos. Claramente, a minha versão do inferno era ter que ouvir alguém digitando em um teclado. Talvez se eu pedisse com jeitinho eles parassem. Parte de mim estava com medo de que se eu abrisse meus olhos, eu perderia o calor e o conforto. Mas as batidas não paravam e eu precisava que parassem, tipo agora. Lentamente eu comecei a abrir os olhos, esperando que o frio voltasse com tudo, o meu inferno voltasse. Mas isso não aconteceu. O quarto estava mal iluminado por uma única lâmpada no canto, em cima do que parecia ser uma mesa bonita. A cama na qual eu estava

~ 248 ~


atualmente descansando era tão exuberante e macia, e Deus cheirava bem aqui. Um saco com um líquido claro pairava sobre a minha cabeça, estava pela metade, com um tubo transparente descendo, terminando na minha mão. Clap... Clap... Clap... Eu fiz uma varredura pelo quarto e meus olhos finalmente encontraram a fonte dos ruídos irritantes... Patrick. Mesmo em forma de anjo, ele era seriamente bonito. O brilho da tela de seu computador iluminava suas feições pálidas, os círculos escuros que cobriam seus olhos lindos pareciam ainda profundos pela escuridão do quarto. Ele parecia tão exausto. Eu tinha que dizer a ele que eu o amava, que era bem ele continuar sem mim, encontrar o amor novamente e ser feliz. — Patrick, — eu consegui falar. Minha voz era quase um sussurro, rouca e profunda, soando estranha para meus ouvidos. Eu me assustei com o som alto de seu computador batendo no chão, o que ele não pareceu se importar quando se levantou da cadeira e de repente estava na minha cama, ao meu lado. — Christi, Baby. Suas mãos e os olhos estavam explorando cada parte do meu rosto, seus lábios me dando beijos suaves enquanto se arrastavam atrás das pontas dos seus dedos. — Patrick? — Shhh, não fale, poupe suas forças. Você está segura, eu juro que dessa vez é verdade. Eu olhei para ele, confusa, segura? — Eu não estou... morta? Patrick começou a rir: — Não, meu amor, você não está morta. — O que aconteceu com…? — Todos cuidados, Douce, Sophia, Jimmy, Anthony, todos se foram. Eles nunca irão te machucar novamente.

~ 249 ~


Eu fechei os olhos com o alívio de sua admissão. Eu nunca teria que me preocupar em olhar para trás e me perguntar se eles iriam me encontrar. Patrick começou a me contar como Douce foi realmente o responsável por Angus me encontrar. Se ele tivesse apenas me limpado com um balde de água, eu estaria ou morta ou na Itália como prisioneira de Anthony agora. Eu estremeci com o pensamento. — Anthony era um homem muito doente, Patrick. — Sim eu sei. Mas ele não pode feri-la de onde está agora. Meus olhos se abriram, ele estava na prisão? Patrick pareceu sentir meu pânico e passou os braços em volta de mim, me estabelecendo em seu braço esquerdo, com o queixo apoiado no topo da minha cabeça. — Ele está no inferno, bem ao lado de Douce, Jimmy, e Sophia. Fechando os olhos pelo alívio, eu deixei o sono tomar conta de mim. Ao longo dos próximos dois dias, várias coisas ocorreram. Primeiro o Dr. Bradshaw removeu a meu acesso e me permitiu começar a comer. Você pensaria que eu teria apenas mergulhado de cabeça e comido até que eu estivesse cheia, mas não foi isso o que aconteceu. Começamos com pequenas porções e eu ficava cheia muito rapidamente. Nora trouxe caldo de galinha caseiro, e eu o saboreei. Ele me aqueceu da cabeça aos dedos dos pés. Ela me disse que era uma velha receita familiar que iria partilhar comigo uma vez que eu chegasse em casa. Ele fez maravilhas por mim. O segundo passo foi o Dr. Bradshaw insistir que eu falasse com um terapeuta. Doutora Nancy Green tinha a minha idade, ela também tinha sido vítima de um sequestro e me citou alguns dos sentimentos e emoções que ela esperava que eu pudesse estar sentindo. Ela explicou que seria uma boa ideia nos encontrarmos em seu consultório duas vezes por semana e eu rapidamente concordei. Depois de oito dias no hospital, eu finalmente recebi alta. Eu tinha ganhado quase dois quilos e já podia tolerar alimentos sólidos. Nora e Patrick insistiram que eu ficasse na casa de Nora e Thomas; eu escolhi não discutir, já que eu me cansava facilmente.

~ 250 ~


Patrick e eu concordamos em continuar a planejar o casamento que estava marcado para pouco mais de uma semana. Nora assegurou a Patrick que faria a maior parte do trabalho e me faria descansar. Fiel à sua palavra, isso foi exatamente o que ela fez. Patrick precisava lidar com alguns assuntos dos negócios que haviam sido negligenciados e eu insisti que ele fosse cuidar deles. Nora me colocou descansando em uma chase com o estofado mais fofo que eu já vi e me cobriu com o cobertor mais suave que eu já senti. Era o paraíso. — Eu estarei a apenas um telefonema de distância, se você precisar de mim, — Patrick me disse pela centésima vez, beijando cada parte do meu rosto que conseguia alcançar. — Patrick, eu sei, eu vou ficar bem. Maggie virá mais tarde e tudo o que eu tenho planejado é sentar aqui e ser mimada pela sua mãe. — Filho, eu tenho muita experiência em cuidar de crianças doentes, — Nora disse com firmeza de seu lugar na porta. — Eu sei, mãe. Eu só não quero ficar longe de... — Mas Caleb tem sido muito paciente e ele precisa de você, agora vá... ela vai ficar bem. Eu vi quando ele atravessou o tapete, parando para beijar o rosto de Nora, ao sair do quarto. — Isso foi um inferno para ele, também, Christi. Não na extensão do seu inferno, mas um inferno, no entanto. — Eu sei, Nora, eu estou tão feliz que isso finalmente acabou.

~ 251 ~


Capítulo vinte e seis Eu permaneci sentado no meu carro por pelo menos 15 minutos. Cada fibra do meu ser estava me implorando para não deixá-la lá, voltar para aquela casa e me enrolar de forma protetora na minha Christi. Minha cabeça finalmente se colocou no modo negócios e eu liguei o meu carro e fui para o meu apartamento. Vinte minutos mais tarde, eu estava no meu elevador, repetindo memórias das conversas que tinham seguido o despertar de Christi; segurando a mão dela quando ela disse ao pai que Anthony matou Morgan, como ele havia brincado com as fraquezas dela para o seu ganho. O inferno era muito bom para Anthony. Um mistério que ainda restava era quem estava dirigindo o carro de Morgan no dia do casamento de Paige. Todos os dedos apontavam para Anthony, mas até que eu tivesse uma prova sólida, eu sempre me preocuparia. Eu iria descobrir quem estava dirigindo o carro. O sinal sonoro da abertura da porta me tirou das minhas memórias. Eu caminhei até o meu escritório, virando a esquina para encontrar tanto Shamus quanto Caleb sentados ao redor da minha mesa. Shamus já estava ocupado digitando em seu laptop e Caleb estava falando em sussurros em seu telefone. — Bom dia, Chefe. Como está a Senhorita O'Rourke? — Shamus questionou em um Inglês quase perfeito. Eu sorri enquanto me sentava atrás da minha mesa. — Ela está muito melhor, me colocou para fora de casa hoje, o que é um bom sinal. Ele sorriu e começou a digitar de novo. Caleb rapidamente terminou o telefonema, recostando-se na cadeira. — Desculpe, era o meu pai. — O olhar em seu rosto era uma mistura de confusão e raiva. — Tudo certo? — Sim, só drama familiar. Eu não me intrometi, este era claramente outro assunto delicado e o olhar que eu tinha ganhado dele no hospital me voltou à mente. ~ 252 ~


— Nada de Angus hoje? — Caleb questionou. — Ele vai levar Maggie ao médico, ela esteve muito doente nos últimos dias, — eu informei. Ninguém questionou a razão para a doença. Ele nos diria se achasse que precisávamos saber, embora eu soubesse que Angus ficaria encantado se Maggie estivesse realmente grávida. — Caleb, eu pedi para Shamus vir hoje apenas no caso que precisemos entrar em quaisquer sistemas e dar uma olhada. — Caleb me deu um olhar perplexo. — Shamus ainda não encontrou um firewall que não possa invadir. Caleb apenas balançou a cabeça em compreensão. Ele se inclinou para frente e colocou três grandes pastas de arquivo na minha mesa, quando começou a falar. — Quando eu assumi para o meu pai, eu pedi ao nosso contador para me dar uma visão financeira atual. Eu mudei todas as senhas e a criptografia, como você tinha recomendado. — Caleb começou a abrir os arquivos e organizá-los. — Então eu comecei a fazer auditorias aleatórias nas contas que você tinha sugerido. Ele respirou fundo e, em seguida, sentou-se na cadeira enquanto continuava. — Tudo estava bem por meses, ele suspirou e cruzou a perna esquerda sobre a direita com o tornozelo apoiado no joelho. — Quando eu voltei da nossa lua de mel, a primeira coisa que eu fiz foi tirar um relatório de auditoria. Estava tudo bem. — Na noite seguinte, eu estava sofrendo de jetlag e estava inquieto por isso desde que eu estava acordado, eu decidi fazer outra auditoria; esta inferior a 24 horas da anterior, mas como você pode ver, os números estão muito diferentes. Eu comecei a dar uma olhada na papelada, vendo que ele estava correto. Em todas as três contas, os números estavam com milhares de dólares diferença. — Shamus, invada essas contas. Eu dei a ele os números e seus dedos começaram a voar sobre as teclas. — Caleb, estas são as únicas contas que tiveram grandes saques? Ele ponderou por menos de um segundo: — Não, o meu cartão Visa teve uma fatura incomum também, mas isso foi cuidado pela empresa. — Desculpe interromper, Chefe, - disse Shamus chamando a nossa atenção — Sr. Montgomery, quem você conhece em ~ 253 ~


Montepulciano? — Ele questionou novamente com um pouco de dificuldade, mas em Inglês. Caleb se levantou da cadeira e caminhou até a mesa em que Shamus estava. — Montepulciano é o lugar para onde a minha mãe sempre viaja quando visita a Itália. Ela vai para lá há anos. Eu achei que era algum tipo de resort ou spa. Onde eu tinha ouvido esse nome antes? — Ela, na verdade, acabou de voltar de lá. Eu me lembrei de Sherman dizendo que Eileen estava fora e como eu me perguntei por que ele teria escolhido deixá-la sair de férias sem ele. — Será que ela sempre vai sozinha? Eu não estava certo porque questionei isso, algo não estava batendo aqui. — Não, ela geralmente leva Mia com ela, como fez desta vez. Eu olhei para Shamus que estava olhando fixamente para sua tela de computador. — Ela já levou você ou Sherman com ela? Caleb entrou em uma profunda reflexão: — Não, ela sempre leva apenas Mia. Meu pai nunca tinha tempo e ela nunca queria que eu fosse. Ela sempre apenas levou a minha irmã. Meu instinto estava gritando comigo, que mulher não levava ambos os filhos quando saía de férias? Eu podia ver isso acontecendo de vez em quando, mas de acordo com Caleb, esta era uma ocorrência regular. — Quantas vezes ela foi? Antes que Caleb pudesse responder, Shamus começou a falar. — Trezentos e doze vezes, sempre pela Virgin Airlines. A primeira vez que ela levou Mia com ela, houve um problema com a sua certidão de nascimento que não combinava com seu passaporte. Caleb e eu nos viramos rapidamente para Shamus.

~ 254 ~


— A nota aqui diz que a aeromoça questionou a validade dos documentos e por isso o estado do Mississipi teve que verificar a autenticidade do registro. Eu olhei para Caleb, que estava olhando de queixo caído para Shamus. — Eu te disse, não há um firewall que Shamus não possa invadir. Caleb voltou sua atenção para mim, o olhar de choque claro como o dia. — Ela nasceu prematura e o meu pai estava preocupado com deixá-la viajar, ou pelo menos essa é a história que eu sempre ouvi, — disse Caleb enquanto Shamus continuava a clicar nas teclas. Antes que Caleb pudesse ir mais longe, Shamus o interrompeu novamente. — Como pode um bebê ser prematuro pesando mais de quatro quilos? — Shamus ainda estava clicando em seu teclado. Ele estava claramente pensando em voz alta. Desta vez Caleb se moveu até o computador, espiando por cima do ombro de Shamus. Eu vi como os descontroladamente.

olhos

de

Caleb

olhavam

para

a

tela

— Veja você mesmo, quatro quilos e trezentos e setenta e cinco gramas, — Shamus olhou para Caleb. Eu observei o rosto de caleb de perto a percorrer a tela mais e mais. — Isso não pode estar certo, ela era prematura, minha mãe sempre disse depois de ter parido Mia que em toda a sua vida ela estava sempre com pressa para fazer as coisas. Eu ainda estava pensando que eu conhecia em Montepulciano. — Será que seus pais tiveram que se casar? — Eu questionei Caleb. — Talvez a coisa toda do 'prematura' tenha sido um ardil para encobrir uma gravidez não planejada. — Malloy, eu recebi o mesmo discurso de minha mãe que você recebeu da sua, que ela era virgem quando foi para o leito conjugal. Eles se conheciam há dez dias quando foram para o tribunal. Então, claramente, não era um caso de ‗oops, nós estamos grávidos‘.

~ 255 ~


— Não faz qualquer sentido, Caleb, por que ela mentiria sobre o bebê ser prematuro? Em seguida, a coisa me atingiu como um caminhão. — Mia não é de Sherman. A cabeça de Caleb rapidamente se virou para mim. Ele não disse nada e seus olhos ficaram sem emoção enquanto ele ponderava a minha declaração. Eu continuei a observar como o seu rosto refletia memórias que fluíam através de sua mente. — Shamus, verifique as datas das viagens de Eileen para a Itália e cruze com as datas que o dinheiro desapareceu, — Eu instruí. Shamus começou a digitar mais depressa e com o cenho franzido. — O nome dela é Mia, — Caleb sussurrou. Eu olhei de volta para Caleb, ele também estava pensando em voz alta. — Seu nome é Mia. Não Shannon ou Megan, ou Claire, algo que refletisse sua herança irlandesa. Meu pai pode não ser Irlandês de nascimento, mas seus avós eram. Desta vez Shamus afastou os olhos da tela do computador, e ele olhou para mim. — Caleb, do que diabos você está falando? — eu perguntei, mas o rosto de Caleb nunca mudou enquanto ele continuava a olhar fixamente para a parede. — Isso não prova nada. O nome de sua esposa é Paige, que é Inglês. — Aparentemente, Shamus não estava seguindo o que Caleb estava pensando. — O nome de Paige é realmente Padraige, — eu acrescentei antes que Caleb pudesse responder. A sala ficou em silêncio mortal enquanto os três olhavam um para o outro. — Minha mãe sempre insistiu que todas as nossas crianças recebem nomes irlandeses adequados. Ela disse que seria uma vergonha para a família, se não escolhêssemos nomes irlandeses para honrar a herança familiar, — Caleb pensou em voz alta.

~ 256 ~


Meus olhos se arregalaram quando a memória das últimas palavras de Anthony voltaram para mim. — Se você me matar, você nunca irá saber... — Eu terminei sua declaração na minha cabeça. 'A verdade'. — Chefe, — A voz de Shamus me trouxe de volta ao presente. — Eu encontrei algo. Toda vez Eileen vai para a Itália, uma grande quantidade de dinheiro é transferido para uma nova conta. Eu estou quase conseguindo entrar no último firewall e vamos saber quem... Os olhos de Shamus ficaram enormes, enquanto ele olhava para a tela, — Cac Naofa. — (Puta merda) Eu saltei da minha cadeira e cruzei o espaço entre nós. Nada poderia ter me preparado para o nome que estava escrito na tela do computador. — Caleb, onde está a sua mãe hoje? Caleb olhou para mim quando começou a pegar seu celular do bolso. — Ela ouviu falar sobre Christi e insistiu em visitá-la hoje. Eu liguei para Christi o mais rápido que pude, comecei a correr para fora do escritório, tomando as escadas. Seu telefone tocou e tocou antes de ir para a caixa postal. Então eu tentei o telefone da minha mãe, mas aconteceu o mesmo. Então eu tentei o telefone da casa, mas só tocou e tocou também. Depois de finalmente chegar ao último degrau, eu abri a porta e corri para o meu carro, com Caleb e Shamus nos meus calcanhares. — Shamus, mande todos os homens para a casa do meu pai. Diga-lhes que não parem por nada, é só mostrarem a porra da cara lá. Como eu pude ser tão estúpido? A minha vontade de deixar Christi segura tinha nublado a minha percepção mais uma vez. Eu comecei a rezar para que não chegasse tarde demais. Eu deveria ter tomado as palavras de Anthony com um pingo de aviso. Eu deveria tê-lo torturado até que ele me dissesse até a última maldita coisa que eu poderia ter arrancado dele, ao invés de apenas atirar tão rápido com a minha pressa de ir até Christi. Anthony não era homem o suficiente para executar algo assim sozinho. Ele teria que ter tido ajuda, como em tudo o mais que ele fazia. Valenci não precisava de Chicago; ele tinha de Nova Iorque e Miami, para não mencionar a Itália, então por que ele estava fazendo isso? ~ 257 ~


Meu velocímetro mostrava que eu estava a cento e quarenta por hora enquanto subia a rampa para entrar na rodovia. O trânsito estava pesado e comecei a fazer zigue-zague em torno dos veículos, e depois eu fiquei louco e joguei o carro no acostamento quando notei que o tráfego havia parado. Eu pressionei a discagem rápida no meu celular, eu tinha que arranjar alguém para ir até lá; Eu podia sentir nos meus ossos que algo estava muito errado. — Patrick, — a voz do meu pai tomou conta do meu carro. — Pai! — Eu gritei para o sistema de Bluetooth na minha frente. — O que está errado, Patrick? — Ele perguntou com a voz cheia de preocupação. — Onde você está agora? — Vou almoçar com Sherman, por quê? Eu bati meu punho no meu volante, enquanto jogava novamente para o acostamento. — Desculpe-se com ele, eu preciso da sua ajuda e eu preciso agora, mas você não pode deixar Sherman saber que algo está acontecendo. Eu não sei se ele pode ser confiável agora. Eu olhei para Caleb, que estava se segurando para salvar sua preciosa vida quando eu aumentei minha velocidade. — Bem, eu acho que é um presente de agradecimento agradável. Deus, eu amava o meu pai. Ele era rápido quando precisava. — Eu não tenho todos os fatos ainda, mas acho que Anthony estava agindo para alguém e eu acho que era para Velenci. O tráfego pareceu clarear de repente, e eu empurrei o meu pé ainda mais no acelerador, a minha velocidade agora era de quase duzentos por hora. — Sua mãe está sempre me contando as últimas fofocas que ouviu e eu acho que você pode estar certo. — Pai, eu tenho todos os meus homens indo para lá agora, eu não estou conseguindo falar com a minha Ma ou com Christi.

~ 258 ~


— Eu vou passar na casa de Matthew e ver se ele tem um que possamos pedir emprestado. Eu vi quando Shamus tirou seu celular e começou a discar o que eu sabia ser o número de Matthew. Segundos mais tarde, eu tive a confirmação quando ouvi Shamus falando em gaélico, dizendo a Matthew o que já sabíamos e o que estávamos fazendo. — Pai, se isso for verdade você sabe o que eu vou ter que fazer. — Patrick, eu pensei que o cavalo estivesse morto. Pare de chutálo. — Eu estou quase lá, pai, apresse-se e venha para cá. Eu não esperei por uma resposta, eu sabia que meu pai daria uma desculpa e Sherman não desconfiaria de nada. Eu comecei a bater no controle remoto assim que o portão entrou à vista. Eu não me importava se não estivesse aberto o suficiente para o meu carro, eu iria passar de qualquer jeito. O portão estava aberto, mas não o bastante quando eu ouvi os meus espelhos retrovisores sendo arrancados. Batendo o pé no freio na frente da casa, eu pude ouvir meus pneus protestando contra a demanda repentina. Shamus foi um pouco mais rápido, ele não esperou o carro parar ou o incômodo de tentar a maçaneta da porta. Seu corpo desapareceu através da porta como um personagem de desenho animado. A casa estava muito quieta quando eu entrei, gritando por Christi. Quando não recebi nenhuma resposta, comecei a tomar as escadas dois degraus por vez. Eu estava quase no topo quando ouvi o som distinto de um tiro.

~ 259 ~


Capítulo vinte e sete — Então, que sabor será esta manhã? Desde que eu tinha chegado em casa do hospital, Nora tinha me servido sorvete com quase todas as refeições. Ela estava tentando de tudo para me ajudar a ganhar o meu peso de volta. — Surpreenda-me, eu ri. Nora tinha colocado uma bandeja de chá quente sobre a mesa do meu lado quando entrou pela primeira vez na sala. Eu tinha pedido a ela para me mostrar como fazer uma boa xícara de chá. Ela me disse para voltar ao meu peso anterior e ela iria me mostrar o seu segredo. — Eu tenho uma confissão. Eu olhei para Nora enquanto servia o chá, — Ok? — Makenna me telefonou esta manhã. Ela está tendo um problema com alguns papéis, um cliente lhe deu e já que é inteiramente em gaélico, ela pediu a minha ajuda. Eu suspirei levemente. — Não se preocupe com isso, Nora. Ela ainda é sua amiga. — Não, ela não é, mas o cliente para quem ela está trabalhando é... — Antes que ela pudesse dizer mais nada, a campainha soou. — Falando no diabo. Nora acariciou delicadamente meu joelho, virou-se e saiu da sala. Segurando a alça da minha xícara, eu lentamente a trouxe aos meus lábios. Eu fechei meus olhos enquanto permitia que a bondade doce e quente fluísse pela minha garganta. Deus, ela sabia fazer uma boa xícara de chá. Eu pude ouvir fracamente a abertura da porta da frente e tive que achar graça quando pensei em Makenna andando pelo enorme hall de entrada. Ela tinha que estar desesperada e ter engolido um sapo enorme para arrancar a coragem de enfrentar Nora novamente. Graças a Deus eu não teria que lidar com ela para o meu casamento.

~ 260 ~


Maggie deveria se juntar a nós mais tarde. Ela não estava se sentindo muito bem ultimamente. Nora veio a público e perguntou se ela poderia estar grávida. Maggie negou a possibilidade e jurou de pés juntos que iria para o seu leito conjugal virgem, mas a forma como ela e Angus agiam em torno em torno um do outro tinha me deixado cética. Ela iria ao médico hoje por insistência de Angus. Eu tinha acabado de servir a minha segunda xícara de chá quando ouvi a campainha novamente. Deve ter sido mais tarde do que eu pensava e eu estava certa de que era Maggie. Desfrutando do calor do chá, eu continuei a relaxar na minha chaise. — Christi? — A voz de Nora soou do corredor e eu olhei para a porta quando ela entrou na sala, com um olhar de desgosto em seu rosto, — Eu sinto muito ter que fazer isso com você, minha moça, — sua voz era baixa e ainda sem emoção. — Eileen está aqui para vêla. Ela ouviu o que aconteceu e diz que quer ter certeza de que está tudo bem. Eu sorri para Nora, — Está tudo bem. Ela é tecnicamente da família e nós temos que tratá-la como tal. Nora novamente colocou a mão quente no meu joelho, — Você tem o coração de um leão e o toque de um cordeiro. — Oh, Nora, não tem havido brigas e ódio suficiente? Eu só quero um pouco de felicidade. — Nora devolveu o meu sorriso quando ela se virou para o corredor. Eu podia sentir o cheiro dela antes que ela sequer conseguisse entrar na sala, uma nuvem enorme do perfume Chanel de Eileen a antecedeu. Eu nunca tinha sido fã daquela fragrância em particular, mas cada um na sua, eu acreditava. — Christi, eu simplesmente não podia acreditar quando ouvi a notícia terrível. Ela atravessou a sala e começou a se servir de uma xícara de chá, enquanto me dizia que estava em uma área da Itália e que não tinha uma boa cobertura de celular. Olhei para Nora que estava de pé na porta, com os braços cruzados sobre o peito e os olhos revirados. — Sim, bem, como você pode ver claramente, a nossa Christi está indo muito bem.

~ 261 ~


Eu mencionei o quanto eu amava Nora? — Oh, — Eileen parou de mexer o chá na xícara. — Atrevo-me a perguntar, o casamento foi adiado? Eu não pude deixar de rir. A mulher que estava diante de mim não era a Eileen que eu estava acostumada a ver. Esta estava agindo como se tivéssemos sido melhores amigas por anos. — Não, na verdade estamos terminando os planos de hoje. O olhar em seu rosto era de surpresa, talvez um pouco de choque. — Sim, e falando de planejamento, eu tenho que deixar vocês duas sozinhas por alguns minutos, — A voz de Nora parecia relutante, como se preferisse fazer um tratamento de canal que ajudar Makenna que ainda estava esperando lá embaixo. — Oh, Nora, não se preocupe com a gente, eu ficarei mais do que feliz em fazer companhia a Christi, — Eileen abriu um grande sorriso. O olhar no rosto de Nora era de desculpas, mas não era culpa dela. Eu sorri e lhe dei uma piscadela amorosa. — Eu vou fazer isso o mais rápido possível, — Nora começou, apenas para ser rapidamente interrompida por Eileen. — Tome seu tempo, Christi e eu vamos estar aqui quando você tiver acabado. Nora me lançou um olhar que dizia que sentia muito e que se apressaria antes de sair da sala. Meu chá estava morno neste momento e Eileen rapidamente se ofereceu para aquecê-lo para mim. Eu fechei os olhos e deixei minha cabeça descansar contra a parte de trás da chaise. Eu ainda não estava cem por cento e isso me frustrava. Eu me cansava tão facilmente. Eu tinha quase caído no sono quando ouvi Eileen mexendo a minha xícara de chá antes de entregá-la para mim com um sorriso. — Então me diga, Christi, quais são as suas cores? Eu tomei um gole do meu chá, a última coisa que eu queria fazer era compartilhar os planos para o meu casamento com ela. — Eu escolhi as cores da família Malloy. Assim, resposta verdadeira, pergunta ainda completamente evitada. Ela não iria questionar o que isso significava. Eu sabia que ela ~ 262 ~


não tinha feito o dever de casa o suficiente para saber um detalhe importante sobre a família de sua nora. — Isso é muito admirável da sua parte. Eileen virou-se para olhar pela janela enquanto continuava a saborear o chá. — Você sabe, Christi, eu era muito parecida com você, quando tinha a sua idade, ela descansou a xícara em seu pires, enquanto continuava a olhar para o jardim. Perdida em seus pensamentos, ela começou a sorrir, apenas uma sugestão de um sorriso. O chá estava fazendo seu trabalho habitual de me relaxar, talvez um pouco mais do que o habitual. — Certa vez eu me apaixonei por um homem que eu pensei que tivesse pendurado a lua. Meu corpo estava tão plácido neste ponto, eu estava quente e relaxada dos meus dedos dos pés até as sobrancelhas. — Há quanto tempo você e Sherman estão juntos? — Eu perguntei. Minhas palavras foram se tornando arrastadas e os meus braços de repente pareciam mais pesados. Eileen rapidamente virou-se para mim de novo, com um olhar de puro ódio cruzando seu rosto. — Quem disse que eu estava falando sobre Sherman? — Sua voz era aguda e cheia de sarcasmo. Eu tentei responder, mas minha voz não me obedeceu. — Como você está se sentindo agora, Christi? — Ela sorriu. Ela caminhou até ficar diretamente em frente a mim, ajoelhando-se para colocar seu rosto ao mesmo nível que o meu. — Eu estive observando você, Christi, eu tenho certeza que você não percebeu, mas eu tenho apenas observado... e esperado. — Ela passou o dedo indicador ao longo da minha pulseira nova, — Eu ouvi que Sophia pegou a sua original, garota estúpida aquela. — Eu não conseguia mais sentir as minhas pernas neste ponto; Eileen tinha claramente drogado o meu chá. — Dificilmente culpa dela, sua mãe era uma prostituta, isso veio naturalmente. Eu olhei para ela interrogativamente. — Bem, bem, eu percebo por esse olhar que você sabe sobre a família Porchelli. Eu também, querida, muito bem. Ela levantou-se e, em seguida, sentou-se na cadeira em frente a mim. — Bem, deixe-me dizer-lhe algumas coisas que você pode não saber sobre eles. — Ela cruzou as pernas e pegou sua xícara de chá, delicadamente levando-a os lábios, enquanto uma de suas memórias passava em seu rosto, fazendo-a parecer enganosamente agradável e feliz.

~ 263 ~


— Era o verão do meu aniversário de dezoito anos e meus pais me levaram para a Itália para comemorar. Minha irmã e eu estávamos fazendo compras e paramos em um pequeno café para almoçar. Ela e eu estávamos conversando e estávamos prontas para voltar para nosso hotel quando pedimos a conta. O garçom disse-nos que os senhores do outro lado do café tinham tomado conta dela. Naturalmente, eu olhei para ver a quem ele estava se referindo e fiquei imediatamente sem chão. — Velenci Porchelli, como descobri mais tarde, era o homem mais bonito que eu já tinha visto. Ele beijou a minha mão e da minha irmã e disse todas as palavras certas no momento certo. Ele me fez sentir especial, necessária, e pela primeira vez... sexy. Sua mão livre passou frouxamente em torno do pescoço e ela sorriu para mim quase timidamente, antes de olhar para fora, pela janela novamente. — Ele foi tão gentil comigo e depois de apenas três dias, ele me disse que estava apaixonado por mim. O sentimento era recíproco. Sendo jovem e ingênua, eu achava que ele seria meu para sempre. De repente, ela olhou para mim de novo, a parte agradável de sua memória deixou sua mente, seu rosto ficou vazio de emoção. — Eu voltei para casa e escrevi para ele todos os dias. Ele me mandava presentes quase que diariamente e jurou que iria para a Irlanda para me visitar e pedir ao meu pai permissão para me cortejar corretamente. Dois meses depois, eu descobri que estava grávida. Eu estava tão feliz e eu não podia esperar para contar a ele. O olhar em seu rosto mudou de novo enquanto ela continuava a saborear o chá, os olhos nunca olhavam nos meus. — Foi quando ele me disse que já era casado. Ela colocou lentamente o chá sobre a mesa enquanto novamente se levantava da cadeira. — Ele me disse que seu casamento estava simplesmente acabado, mas nós teríamos que esperar para ficar juntos e eu teria que ficar quieta porque se sua esposa descobrisse sobre sua indiscrição, ela iria tomar todo o seu dinheiro e não teríamos nada. Eu acreditei nele e ele pagou a minha passagem e me mandou para a América. Eu consegui ouvir vagamente o som do meu celular vibrando em cima da mesa na sala. Eu orei para que fosse Patrick, sabendo que se eu não atendesse, ele mandaria um de seus homens ou até mesmo viria verificar se eu estava bem. ~ 264 ~


— Eu estava grávida e sozinha, e precisava de ajuda em um país estranho. Eu mal falava a língua e eu não tinha apoio aqui. Eu estava nos Estados Unidos a menos de 48 horas, quando conheci Sherman Montgomery. Ele era um homem bom o suficiente, jovem e fácil de enganar, e tão ansioso para me agradar. Eu sabia o que tinha que fazer, então eu o seduzi e ele se apaixonou por mim - anzol, linha e chumbada. Meu celular começou a vibrar novamente. Querido Deus, por favor, deixe que seja Patrick. — Ele voltou alguns dias depois e declarou seu amor por mim e nós nos casamos imediatamente. Quando a quantidade adequada de tempo havia decorrido, eu disse a ele que estava grávida. Ele ficou emocionado e, em seguida, falou com sua família. Acontece que ele estava em cima do muro quanto à possibilidade ou não de querer tocar o negócio de sua família. Eu vinha de uma família do crime indo para outra, foi perfeito. O telefone da casa começou a tocar. Continuou várias vezes mais e eu comecei a me preocupar com Nora, por que ela não atendia? — Velenci continuou me dizendo que me amava e que logo estaríamos juntos. — O telefone da casa começou a tocar novamente. — Eu dei o nome de Mia ao bebê, nome da mãe dele. Sherman nunca me questionou, nunca nem uma vez ele questionou qualquer coisa que eu já fiz, o tolo. Eu só acabei grávida de Caleb depois de uma noite de bebedeira da minha parte por causa da solidão e da falta que eu sentia de Valenci. Sherman sempre pensou que eu era um pouco frígida, uma vez que nos casamos, mas ele não era quem eu queria que me tocasse. Ele sempre foi assim... ignorante. Os braços dela se apertaram em torno de si mesma. — Caleb tinha um ano de idade, quando a ex-mulher de Valenci me fez uma visita. Ela me disse que sabia tudo sobre mim e a minha filha. Foi então que eu descobri que eu era apenas uma das muitas mulheres para quem Valenci tinha feito promessas de adoração. Sua esposa me informou que ela tinha se divorciado de Valenci e agora estava com um homem que a tratava com dignidade e respeito. Ela virou-se agora para me encarar. — Ela era inteligente como você, Christi. Ela fez o homem persegui-la, provar-se digno dela. Ele é um açougueiro em Nova Jersey. Ela tem uma casa enorme e não lhe falta nada. Você tem o homem mais poderoso nesta cidade a sua disposição. ~ 265 ~


Ela lentamente começou a caminhar em direção à porta, parando uma vez que chegou à mesa, onde sua bolsa estava. — Eu fiz de tudo por aquele homem e ele me tratou como se eu fosse nada, ele me jogou de lado. Depois que eu soube que ele não estava mais casado, eu fui até ele, com a nossa filha. Eu tinha certeza que ele iria me tomar como sua esposa, mas em vez disso ele me disse que não me queria como nada mais do que uma de suas goomahs. Ela, então, virou-se para mim e eu vi a arma brilhante que ela tinha na mão. — Foi então que eu comecei a planejar. — Sua mão acariciou a arma como uma mãe acaricia o rosto de um bebê. — Eu comecei a desviar dinheiro das contas de Sherman e enviar para outras contas bancárias sob o nome de Valenci, por isso, se elas algum dia fossem descobertas, ele seria o único implicado. Naturalmente, eu tinha um papel a desempenhar, também. Quem acreditaria que a fútil e estúpida Eileen, a rainha da pechincha e ganância, seria capaz de anos de planejamento detalhado e paciência com quem está sendo menosprezada e ridicularizada como um espetáculo social? Ninguém, e essa é a beleza de casar com um caipira. — Minha Mia foi negada todos esses anos, mas ela também tem sido paciente. Ela sabe qual o seu papel em tudo isso também. Minha preciosa menina é brilhante, assim como sua mãe. Ela está prestes a executar a família Volturi agora. Sempre fez parte do meu plano tirar Sophia e Anthony do caminho, sua estupidez apenas tornou tudo mais fácil. Foi ideia de Mia fazer Valenci vir ao casamento você sabia? Ela disse a Caleb que ela e Sophia eram velhas amigas, praticamente da família. Novamente, Sherman nunca questionou nada. Bom trabalho, aliás. Foi um belo casamento e uma vez que eu me certificar que o meu filho se case corretamente, eu certamente vou seguir a tradição e entregar a colcha à sua legítima dona para usar com os meus netos. Meu celular começou a vibrar novamente. — Sim, você estava apenas muito bonita no casamento para aquele bastardo doente do Anthony resistir e eu o encorajei a perseguila. Eu até disse a ele que você e Patrick estavam brigados e que você tinha mencionado que achava os olhos dele sexy. Sinceramente, acho que ele acreditou que você o achava desejável, o pobre maluco. — Eu sabia como Patrick reagiria se você fosse sequestrada, eu sabia que ele iria fazer todo o trabalho sujo para mim, inclusive se livrar ~ 266 ~


daqueles filhos bastardos de Valenci antes que ele fosse cuidado, os homens são criaturas simples, básicas, mas Anthony levou muito tempo. Eu disse a ele para ir mais rápido, mas ele insistiu que queria quebrá-la em primeiro lugar, fazer com que você o quisesse completamente, por isso, eu aproveitei a oportunidade e voei para a Itália, enquanto ele jogava seu joguinho, e desta vez, eu estava no comando dos tiros, — disse ela soprando sua pistola como se tivesse acabado de disparar. Eu não tinha certeza se queria que ela me dissesse o que queria dizer com isso. — Então você vê, no final eu vou ter tudo o que eu quero. Mia é a Chefe da família Porchelli agora, e uma vez que eu fizer o controle de danos, Caleb irá assumir aqui assim que algumas pontas soltas forem amarradas. Eu irei finalmente, tomar o meu lugar como a Mãe de duas das pessoas mais poderosas do país e da Europa. Ela estava falando sério. Isso tudo tinha sido planejado por ela. — Nora tornou tudo muito fácil hoje e Makenna estava muito ansiosa para me ajudar. Bem, teve que haver a promessa de uma grande soma de dinheiro da minha parte, mas não se preocupe, eu pretendo matá-la também. Eu podia sentir a minha respiração tornar-se errática, enquanto ela se aproximava de mim. Deus, por favor, permita que Patrick chegue aqui rápido. — A única coisa que eu não decidi ainda é, se eu te mato primeiro ou deixo você ver todo mundo morrer. Eu podia sentir as lágrimas escorrendo pelo meu rosto, mas eu estava impotente para fazer qualquer coisa. — Só há uma coisa errada com o seu pequeno plano, Eileen, — Nora estava na porta mais uma vez. Seu cabelo estava uma bagunça e sua camisa estava torcida. O rosto de Eileen era de choque e eu queria gritar para Nora correr, mas novamente nada saiu. — Sua pequena parceira de crime no andar de baixo não pode dar um gancho de direita para salvar sua bunda. Eu sempre soube que Nora era uma mulher graciosa, ela se movia com um ar especial. Não desta vez, no entanto. Ela era uma mãe ursa querendo proteger seu filhote.

~ 267 ~


Eileen não sabia como reagir quando Nora a abordou e jogou no chão, quebrando a luminária que estava numa mesa lateral, que estava agora deitada de lado. Os corpos das duas mulheres se transformaram em um, quando elas começaram a brigar pela arma nas mãos de Eileen. — Christi! O som da voz de Patrick ecoou no térreo, mas Eileen e Nora continuaram a lutar no chão. Eu podia ouvir o som estrondoso dos pés sobre os degraus de madeira e eu questionei se todos os homens de Patrick estavam subindo as escadas. O som de um tiro abafou rapidamente os sons provenientes das escadas e a briga das mulheres foi abruptamente interrompida. Segundos depois, Patrick e Shamus irromperam pela porta, estilhaços voando quando a moldura cedeu. Eileen e Nora estavam imóveis, com Nora atualmente presa sob Eileen. Eu não conseguia controlar as lágrimas que corriam pelo meu rosto. Esta família não sobreviveria sem Nora. Eu prendi a respiração quando Patrick atravessou a sala em direção às duas mulheres, com sua arma apontada para a parte de trás da cabeça de Eileen. Eu vi quando as mãos de Nora começaram a se mover, lutando para tirar Eileen de cima dela. Patrick moveu-se rapidamente enquanto rolava o corpo de Eileen para o lado. Nora estava deitada no chão, sua camisa manchada de sangue vermelho brilhante, a respiração pesada e os olhos fechados. Todos os olhos estavam voltados para Nora quando ela piscou e se sentou lentamente, Patrick foi rápido ao ajudá-la, verificando-a ao mesmo tempo em busca de ferimentos. Os olhos sem vida de Eileen ainda estavam abertos enquanto olhavam fixamente para o teto. O nariz de Nora franziu quando ela olhou para o corpo da mulher morta ao seu lado: — Você acha que alguém teria dito a essa mulher terrível que perfume tem data de validade.

~ 268 ~


Capítulo vinte e oito Depois que a poeira baixou, Patrick levou Thomas para o corredor. Momentos depois, uma ambulância chegou para me levar de volta ao hospital. Meu maior medo era de que a droga que ela havia me dado me fizesse ter uma recaída. Tonto entrou enquanto Patrick e Thomas estavam conversando, pegou a minha xícara de chá na mão e começou a cheirar. — Nada forte, ele falou rapidamente e baixo. Não se preocupe, Senhorita O‘Rourke, eu usei essa droga várias vezes e embora pareça potente, o efeito desaparece rapidamente. Patrick e Thomas entraram na sala de novo; Patrick estava ao meu lado antes que eu pudesse piscar. — Eu vi as fitas, amor. Fitas? Thomas foi rápido para responder ao meu olhar interrogativo. — Nora quer que aqui seja um quarto para os bebês, ela mandou equipar essa sala com sistema de áudio e vídeo para quando os netos chegarem. Se eu pudesse rir, eu teria. Nora estava sempre um passo à frente de todos. Meu pai foi o próximo a entrar na sala, e, tanto quanto eu amava e precisava de Patrick, eu sempre iria querer o meu pai para me confortar. Ele rapidamente olhou para a direita, e o corpo coberto de Eileen o paralisou. Seus olhos então se voltaram para mim, — Chisti, você é responsável por isso? Quando eu permaneci onde estava, imóvel e não respondi, ele passou correndo por Patrick para chegar até mim. — Senhor, ela foi drogada por Eileen com ‗drogas‘, uma mistura de ervas, nós a usamos algumas vezes para obter as respostas que precisamos. Desaparece muito rapidamente, mas eu posso dar um antídoto a ela, Tonto informou. Patrick pegou a minha mão na sua, — Temos a certeza de que é isso? ~ 269 ~


Tonto acenou com a cabeça e, em seguida, passou a xícara de chá para Patrick. Com uma cheirada rápida, Patrick concordou. — Dê a ela o antídoto. Tonto rapidamente saiu da sala e eu ouvi um barulho alto de vozes subindo as escadas momentos depois. Brandon entrou em primeiro lugar, seguido por Muscles. Nora veio atrás de Muscles, seu pequeno corpo quase bloqueado pelo dele. Suas roupas haviam sido trocadas e seu cabelo estava perfeito. Ela atravessou a sala, enxotando Matthew e Thomas. — Deixe-me ver a minha moça. — Nora me pegou pelo braço e começou a limpar uma área na minha pele com movimentos circulares, e o cheiro de álcool inundou o meu nariz. — Isso vai doer um pouco, minha moça. Segundos depois, eu senti uma leve picada que foi seguida por uma sensação de calor global preenchendo o meu corpo, muito parecida com a sensação que eu tive com a droga original. — Eu ainda quero que ela seja verificada, — a voz aguda de Patrick ressoou. — É claro, Patrick, — Nora respondeu em tom condescendente. A medicação deve ter começado a fazer efeito, porque eu finalmente consegui mover meus dedos. — Alguém quer me dizer exatamente o que aconteceu aqui? — A voz preocupada do meu pai questionou do outro lado da sala. Nora tomou uma respiração profunda e, em seguida, virou-se para encará-lo. — É tudo culpa minha, Matthew. Nora soou tão triste e abalada. Não era culpa dela, e assim que eu pudesse falar, iria informá-la de uma forma muito eloquente. — Makenna me ligou esta manhã em pânico absoluto. Ela foi recentemente contratada para organizar o batismo dos Fitzpatrick. A Senhora Fitzpatrick queria todos os programas em gaélico. Você sabe tão bem quanto eu que Makenna podem ter sangue irlandês, mas ela nunca dedicou tempo para abraçá-lo. Isso não era surpresa para mim; a maioria das famílias irlandesas que vivia no bairro abraçava sua herança. Ou você segue o programa ou é deixado para trás.

~ 270 ~


— A Senhora Fitzpatrick faz tanto para o abrigo de mulheres que eu não pude dizer não. — Ela abaixou a cabeça e começou a esfregar as mãos para cima e para baixo em suas coxas. — Makenna entrou, me agradecendo profusamente, não sabendo que eu não estava fazendo isso para seu benefício, — sua cabeça balançou enquanto ela falava. — Eu disse a ela para se sentar na varanda enquanto eu fazia um bule de chá. — Nora então se levantou da cadeira e começou a olhar para fora da janela para o jardim, assim como Eileen tinha feito há pouco tempo. — Se ela tivesse ficado na varanda, seu plano poderia ter funcionado. — Eu finalmente fui capaz de mover a minha cabeça, então eu tentei limpar minha garganta, mas ainda permaneci em silêncio. — Ela entrou na cozinha, com um olhar de segurança naquela cara excessivamente bronzeada, — Nora zombou. — Ela levantou a faca que tinha contrabandeado de cima da bancada, como se eu tivesse razão para ter medo de uma faca, — Nora bufou; claramente ela não tinha medo da lâmina de uma faca. — Você é muito corajosa, Nora, — meu pai falou. Nora se virou para nos encarar mais uma vez, — Bravura não tem nada a ver com isso. Patrick e Thomas começaram a rir. Matthew olhou entre os três, frustrado por não ter sido incluído na brincadeira. — Ela teve a coragem de tentar me dar um soco quando eu derrubei aquela faca patética de sua mão. — Eu daria qualquer coisa para ter visto isso. — Ela esqueceu a regra número um ao se envolver com um inimigo. — Os homens começaram a rir mais. — Nunca traga uma faca para um tiroteio. Nora havia saído claramente ilesa de seu encontro com Makkena. Era como se Makenna tivesse se esquecido de dar a descarga, em vez de ameaçá-la com uma faca. — Por que seu plano teria funcionado se ela tivesse ficado na varanda? Meu pai perguntou, finalmente, uma pergunta que eu queria saber a resposta também. — Porque sua arma favorita está na cozinha, na varanda tem apenas uma espingarda e Nora não é tão boa com uma espingarda, — Thomas respondeu, e um sorriso surgiu no rosto de Nora quando ela se inclinou para o lado dele, balançando a cabeça em concordância. ~ 271 ~


— É uma nove milímetros muito boa com silenciador. Eileen nunca soube o que estava acontecendo por aqui. Agora, se eu tivesse usado a espingarda, ela poderia ter ouvido e matado a minha menina, disse Nora séria. E assim, Nora se tornou a minha heroína. No dia seguinte, eu estava mais uma vez sentada na casa dos Malloy. Desta vez, eu estava autorizada a me levantar tempo suficiente para arrumar a mesa. Nora havia insistido em ter um grande jantar em família. Eu assisti com admiração como ela corria em torno da cozinha, como se fizesse a dança do ballet mais gracioso. Não importa quanto tempo eu vivesse, eu nunca ficaria tão boa na cozinha. Uma vez que todos estavam sentados e as orações feitas, o único barulho que se ouvia era o tilintar de garfos contra os pratos e um gemido ocasional de alguém saboreando a comida. Enquanto todo mundo tinha o prato cheio de salada, eu fui forçada a comer mais uma taça de sorvete. Maggie tinha chegado ontem à tarde após os caras terem limpado os dois corpos. Se eu não estivesse aqui e visto o sangue em todos os lugares, eu nunca teria imaginado que houve um tiroteio nessa casa. Até mesmo a porta da frente tinha sido recolocada no lugar e estava absolutamente perfeita. Nora havia insistido que Maggie e Angus estivessem aqui para o jantar da família também. — Christi, eu só tenho os programas para montar agora e eu pensei que nós poderíamos fazer alguma coisa esta noite, se você não estiver muito cansada, Maggie ofereceu. —Não, eu estou mais do que disposta. Mas primeiro, senhorita, eu quero saber o que está acontecendo com você. — O sorriso no rosto de Maggie caiu e sua cabeça também. Foi instantâneo. Angus rapidamente pegou a mão dela e puxou-a para o seu lado. — Oh, céus, Maggie, seja qual for o assunto... — Nora disse preocupada. Eu vi quando o corpo de Maggie começou a convulsionar com soluços. Pobre Angus apenas continuou a esfregar as costas dela. — A culpa é minha por ela estar tão chateada, Senhora Malloy, — A voz de Angus estava triste, lamentável e eu queria ir lá e abraçá-lo. Maggie respirou fundo e enxugou os olhos com o guardanapo do jantar. — Desde que eu era pequenina, eu tenho o meu casamento ~ 272 ~


planejado, sua voz era tão baixa, não da pessoa forte de costume que ela era. — Eu fiz uma promessa que iria me guardar para o meu marido e dar-lhe tudo de mim. — Ninguém se moveu ou tentou dizer nada e Maggie continuou. — Eu amo Angus com tudo o que eu tenho, mas eu nunca serei capaz de mostrar a ele esse amor e dar-lhe tudo de mim agora. Eu rapidamente me virei para Patrick; Eu queria saber por que ele não deixaria Angus se casar com Maggie. — Angus não está legalmente no país, a voz rouca de Patrick preencheu a mesa, esclarecendo a situação para todos. — Ele não é capaz de pedir uma licença de casamento legal aqui. Era como se os ângulos do céu acima gritassem por si próprios quando três vozes femininas gritaram exatamente ao mesmo tempo. — Papai, você tem que corrigir isso! - Amex adicionou enquanto batia a mão em cima da mesa. — Quem você conhece, Thomas? — A voz de Allyssa não estava muito atrás. — Pai, ligue para alguém e faça alguma coisa! — Eu não ia ficar de fora, também. Shannon também assentiu com veemência em acordo. Nora balançou a cabeça enquanto começava a rir. Nós meninas estávamos falando umas sobre as outras, exigindo que nossos pais fizessem algo. Pobre Maggie permaneceu imóvel em sua cadeira. Finalmente, Thomas levantou ambas as mãos em sinal de rendição, — Tudo bem, sim, eu vou fazer uma ligação. — Agora papai! — Amex gritou. Eu me virei para ver o rosto de Patrick ficando mais vermelho a cada segundo, seus olhos perfurando os meus. — O quê foi? Eu questionei. — E eu Christi, não sirvo para nada? Eu fiquei confusa com a pergunta e com sua raiva também.

~ 273 ~


— Calma, filho, estas senhoras sabem que eu posso fazer certas coisas e para quem eu preciso ligar. Thomas disse em sua defesa. — Ah, então só você pode forjar alguns documentos? — A voz de Patrick estava tensa e cortada, sua raiva agora transbordando em suas palavras. — Não, eu poderia forja-los tão facilmente quanto você, ou eu posso ligar para o governador Stamford e convidá-lo para jogar golfe e, em seguida, fazê-lo assinar uma ordem executiva de modo que nada seja feito por debaixo dos panos. Eu vi como Patrick abaixou a cabeça e começou a rir. — Touché, pai, touché. Muscles estava sentado em sua cadeira balançando a cabeça, seu olhar era de descrença. — O que está te incomodando Muscles? — Thomas questionou. — Apenas uma observação. — Continue. — É só que com uma palavra dessas menininhas do papai, elas têm a total atenção de vocês dois. Meu pai soltou uma risada profunda. Thomas o seguiu. — O que é tão engraçado? — Muscles perguntou. — Filho, quando você for abençoado por ter uma menina, você vai aprender que não há nada que você não faça para fazê-la sorrir. — Pfft. — Muscles, quando as minhas três eram pequenas, eu era o seu manequim quando elas queriam brincar de se vestir. Eu fui o convidado delas em mais festas de chá que eu posso contar. Eu limpei joelhos ralados e separei brigas por blusas favoritas. Eu tive o prazer de ser o primeiro menino com quem elas dançaram e de ganhar beijos quentes e úmidos com aroma de morango, todas as noites antes de dormir. Eu abracei as minhas filhas quando elas choraram por suas primeiras paixões e até mesmo por um jovem particularmente persistente que resolveu perseguir a minha filha, — Meu pai se virou para Patrick e piscou.

~ 274 ~


— Eu fui abençoado com Abbie e novamente eu me sentei naquela pequena mesa com meus joelhos na altura dos ouvidos e tomei um gole do chá que ela me fez, não importa que gosto tinha. Eu a deixei me passar batom e pintar as minhas unhas. As minhas meninas cresceram há muito tempo já, mas eu posso assegurar-lhe que, quando Patrick e Christi nos abençoarem com uma menina, você irá, mais uma vez encontrar a mim e a Thomas com presilhas no cabelo, boás de penas em torno dos nossos pescoços, e chapéus com babados em nossa cabeças. Não havia um olho seco na mesa após o discurso do meu pai. — Desculpe desapontá-lo, senhor, mas Christi e eu só teremos meninos, Patrick estava tentando muito duro falar sério. — Oh, bem, eu tenho certeza que posso falar por Thomas quando eu digo a você, Patrick, você pode rezar para ser abençoado com uma menina. Eu notei que Sherman tinha ficado muito quieto e eu tinha certeza de que ele estava pensando em Mia. Meu coração se partiu por ele. — Sherman, você precisa de alguma ajuda com o funeral? — A voz de Nora era quente e suave.

A cabeça de Sherman rapidamente se virou na direção dela. — Estamos pensando em uma pequena cerimônia, uma vez que seremos só Caleb, Paige e eu. Nora se aproximou e pegou a mão de Sherman na dela. — Estaremos todos lá, Sherman. Ela ainda era sua esposa e eu sei que em um ponto no tempo, você a amou. Ela lhe deu um filho maravilhoso e todos nós vamos apreciar sua devoção a esta família, — Nora acariciou a mão de Sherman enquanto com a outra discretamente enxugava os olhos. Quando a verdade sobre Eileen foi finalmente dita, Sherman apenas abanou a cabeça em descrença. Ele sabia o tempo todo que Eileen nunca o tinha amado, mas ele a amava. Ele admitiu que só compartilharam dois momentos de intimidade durante todo o seu tempo juntos. Ela havia mentido para ele, dizendo que não gostava de sexo e ele tinha sido cavalheiro o suficiente para não forçar; Enquanto isso, ela tinha vindo a desfrutar de visitas regulares a Velence.

~ 275 ~


Após os disparos, o meu pai havia entrado em contato com um amigo dele que tinha se mudado para a Itália há vários anos. Ele tinha se tornado um policial em uma cidade não muito longe de onde morava Velence. Ele o alertou que poderia haver um problema. Quando a polícia chegou na propriedade de Velence, eles encontraram uma Mia muito feliz gritando ordens para homens que não queriam ouvi-la. Eles também encontraram Velence nu com uma faca em seu peito em um quarto no segundo andar. Ele já estava morto há algum tempo. Mia foi levada em custódia e aguardava julgamento por assassinato. Caleb estava preocupado que Patrick pudesse pensar que ele estava envolvido nos planos de Eileen. Patrick tinha deixado bem claro que conhecia muito bem Caleb. As fitas também provaram que Caleb e Sherman não tinham conhecimento do que Eileen estava tramando. — Eu nunca vou cair por um sorriso bonito e um sotaque de novo, as palavras de Sherman me trouxeram de volta ao presente. — Com a presente companhia excluída, as mulheres não são nada mais que dores de cabeça. Eu me senti tão mal por ele, ele era um homem tão bom e merecia alguém para amá-lo, todos nós merecemos isso. — Senhor Montgomery, você soa como a minha pobre mama — A voz de Maggie agora estava de volta ao seu tom exultante. — Quando meu pai nos deixou, ele levou uma grande parte do coração dela com ele. Maggie continuou a nos contar de como seus pais se casaram muito jovens e rapidamente tiveram duas meninas, ela e sua irmã, Caitlyn. Sei pai foi embora literalmente no meio da noite. Sua mãe ficou com enormes dívidas e duas meninas pequenas para criar sozinha. Ele disse ter encontrado o amor de sua vida em uma aldeia vizinha, muito ruim que o amor de sua vida tinha um marido e o matou com um tiro quando ele foi professar seu amor. — Ela está sozinha por todos esses anos e jura que nunca irá se apaixonar por um homem de novo. Eu me lembrei de ter visto uma foto da mãe e da irmã de Maggie um dia ao visitar sua empresa. Ela era uma bela mulher que se parecia com uma versão um pouco mais velha de Maggie. — Quanto tempo se passou desde que você viu sua mãe, Maggie? — Amex questionou.

~ 276 ~


Maggie fechou um dos olhos e inclinou a cabeça para o teto, — Quase quatro anos, eu acho. — Oh, meu — Nora falou. — Oh, não se preocupe, moça, eu tenho estado tão ocupada desde as núpcias da Senhora Montgomery que eu paguei para minha mãe e minha irmã virem me ajudar, elas chegam neste fim de semana, — O rosto de Maggie tornou-se ainda mais brilhante enquanto falava com Nora. — Maggie, qual é o nome da sua mãe? — Nora questionou. — Minha Ma é Sharon, e minha irmã mais nova é Caitlyn Gael. Elas estarão aqui no domingo, a tempo de ajudar com o casamento da Senhorita Christi. Eu não pude deixar de sorrir com sua alegria. Eu sabia que desde a ajuda no casamento de Paige, sua empresa tinha realmente decolado e eu sabia que ela tinha reserva de muitos eventos para o próximo ano. Eu estava feliz por ela; ela fazia as pessoas se sentirem especiais e tentava tornar o seu dia perfeito. Agora, sobre Sherman... Três dias depois, estávamos todos sob uma enorme árvore atrás da casa de Nora e Thomas. Sherman e Caleb estavam lado a lado, enquanto a brisa de verão suave agitava seus casacos. Eu tinha questionado Patrick sobre como iriam explicar a morte de Eileen a sua família na Irlanda. Ele disse que, em famílias como a nossa, você sabia que se fazia algo tão sinistro quanto o que Eileen havia feito, a família se afastava dela. Seria como se ela nunca tivesse existido. Mia poderia pedir toda a ajuda do mundo, mas nenhuma seria dada. Em nossa família, a confiança era tudo. — Eu encontrei as cartas que você recebeu dele. Eu li todas as promessas que ele lhe fez, os sonhos que ele disse que tinha a seu respeito, — a voz de Sherman soou forte e clara. — Eu tentei te amar, eu sempre fui fiel a você, e mesmo que você cuspisse na minha cara, eu fiquei fiel aos meus votos a você. Eu peguei de volta todo o dinheiro que você roubou e irei ajudar o meu filho na reconstrução da nossa empresa, a qual você tentou destruir. Adeus, Eileen. — Eu vi quando Sherman abriu a urna e jogou o recipiente no chão. Caleb não disse nada enquanto olhava para as cinzas em seus pés. Eu vi como um raio de sol dançou em seu cabelo, os fios dourados

~ 277 ~


brilhando. — Quando meus filhos me perguntarem como sua avó era quando estava viva, eu vou mentir e dizer a eles que você amava a todos e tinha um bom coração. Nenhuma criança deve ter más lembranças da mulher que lhes deu vida.; isso é tudo o que você fez, mas eu estou tentando e lutando para te perdoar. Nora se colocou ao lado de Caleb tão rápido que era quase um borrão. Ela colocou os braços ao redor dele com força e beijou sua bochecha. Ela sussurrou em seu ouvido tão baixo que ninguém mais pode ouvir. Suavemente ela embalou-o como se ele fosse um menino enquanto ele tremia com soluços silenciosos em seus braços. Ficaram assim por alguns minutos, ninguém fez um único som. Caleb lentamente olhou em seus olhos enquanto ele e Nora compartilhavam um sorriso. — Eu ficaria honrado em chamá-la de mãe, — A voz de Caleb quebrou o silêncio. — Vamos lá então, rapaz, nós temos muito para compensar, — A voz materna e quente de Nora soou com um sorriso. Era em dias como estes que eu estava feliz que por usar rímel à prova d'água.

~ 278 ~


Capítulo vinte e nove Eu tinha ouvido falar que o que não nos mata nos faz mais fortes. Se isso fosse verdade, então Christi era uma das pessoas mais fortes que eu conhecia. Eu tinha dado muita mancada com a segurança dela, não vendo o que estava bem na minha frente. Isso mudaria hoje.

Ontem à noite, depois do jantar eu falei com Matthew. Perguntei se ele estava feliz com o departamento que atualmente trabalhava. Ele me questionou, me fazendo ir diretamente ao ponto. Eu disse a ele que eu queria Christi mais protegida, por alguém que não se deixasse influenciar por sexo ou dinheiro. Eu precisava de alguém que iria protegê-la como se ela fosse a coisa mais preciosa do mundo. Ele ponderou por alguns minutos, e então eu disse que iria dobrar o seu salário. Ele continuou a ponderar, em seguida, eu me ofereci para triplicar. Matthewe concordou em continuar com seu salário atual e guardar o dinheiro adicional para sua aposentadoria. Ele formalmente se afastou do Departamento de Polícia de Chicago na noite passada. O corpo quente de Christi estava imóvel e tranquilo ao lado do meu. Eu podia sentir cada respiração e contração muscular. Eu nunca tinha rezado com tanta força quanto fiz enquanto esperávamos os resultados toxicológicos voltarem do laboratório. Tonto tinha razão, era mata conversa. Ninguém podia realmente identificar as origens das ervas. Eu poderia me lembrar de ter visto o meu pai usá-lo em um homem que particularmente não estava colaborando quando eu era muito jovem. Ele se recusou a dizer a meu pai quem tinha roubado um carregamento que desapareceu então meu pai lhe deu a droga e depois o colocou em uma banheira e ligou a água. Foi bastante eficaz. A beleza da droga era que ela tornava suas extremidades inúteis, mas a mente permanecia clara e respiração não era afetada. A fala era prejudicada, mas a consciência permanecia forte, tudo o que estava

~ 279 ~


acontecendo ainda perceptível, mas o destinatário era impotente para fazer qualquer coisa sobre isso. Era essencialmente indetectável no sangue e isso foi mais uma vez comprovado com exames de sangue de Christi. O sol estava começando a aparecer no horizonte, belos tons de rosa e dourado iluminando o céu. Hoje seria um bom dia. Hoje era o último dia em que eu seria um homem solteiro. Muscles tinha me puxado para o lado ontem à noite e perguntado se eu queria que ele reservasse um voo rápido para Vegas para que eu pudesse ter uma despedida de solteiro. Eu só olhei para ele e ele soube qual era a minha a resposta. Eu não precisava ou queria fazer uma festa com mulheres seminuas desfilando. Eu estava muito feliz de deixar para trás os meus dias de solteiro para lamentar o fim deles. As agitações leves de Christi me trouxeram de volta para a cama que atualmente estávamos. Ela estava enterrada entre os cobertores. Desde seu sequestro, ela estava obcecada em estar quente. Ela disse que passar tanto frio tinha sido a parte mais difícil. Eu ficaria muito feliz em suar todas as noites pelo resto da minha vida para mantê-la tão quente quanto ela queria. Com uma agitação final, Christi suavemente e sonolenta chamou o meu nome. — Patrick? Colocando a mão em seu braço, traçando a pele macia e quente que estava debaixo das cobertas, eu enterrei meu nariz em seus sedosos cabelos castanhos, inalando, me deliciando no aroma mais agradável que eu já tinha experimentado - pura Christi. — Bom dia, linda.

~ 280 ~


Capítulo trinta Ficar na casa de Nora tinha suas vantagens. Em primeiro lugar, ela era tão neurótica em ter as coisas no lugar quanto eu. Em segundo lugar, ela sabia cozinhar como se não houvesse amanhã. O café da manhã consistia nos mais incríveis waffles que eu já tinha comido com uma compota fenomenal de frutas vermelhas, e uma xícara de café que o próprio Juan Valdez4 teria tido orgulho. Eu tive a primeira sessão de aconselhamento esta manhã. Doutora Green estava bem ciente de que o casamento era amanhã e que Patrick tinha uma longa lua de mel planejada, assim, a razão para a consulta hoje. Patrick tinha me informado que meu pai seria o meu novo guarda-costas e honestamente, parecia que o mundo inteiro foi tirado dos meus ombros. Meu pai era o único homem que eu confiava plenamente além de Patrick. Doutora Green e eu discutimos alguns medos que eu estava tendo atualmente; o primeiro era ter tanta atenção em cima de mim, o segundo era ser íntima com o meu futuro marido. Ela foi honesta quando me disse que só o tempo resolveria. Quando voltei para a casa de Nora pouco antes do almoço, fui imediatamente agredida com o cheiro do molho de macarrão fervendo. Maggie era incrível e responsável, com seu telefone em uma mão e uma prancheta na outra. Ela olhou para cima quando me notou entrando na sala. — Sim, isso mesmo, a igreja de Saint Josephine. E se as flores do corredor não forem entregues até as três, você irá ouvir de mim. Seu sorriso era brilhante e eu sabia pelo olhar em seu rosto que ela estava tendo o momento de sua vida. — Christi, você está parecendo uma fada hoje, moça.

Juan Valdez é um personagem fictício que aparece nas propagandas para a Federação Nacional de Cafeicultores da Colômbia desde 1958 e representa um fazendeiro de café colombiano. 4

~ 281 ~


Com um rápido beijo na minha bochecha, seu telefone começou a tocar e ela rapidamente atendeu. — Eu não vejo como isso é problema meu, você foi contatado meses atrás, então eu sugiro que você vá encontrar mais. Eu não queria saber qual era o problema. Eu não me importava se a comida estaria fria e a cerveja quente, eu ia me casar. — Christi, meu amor, — Nora veio da cozinha, com o cabelo perfeito e nem uma única mancha em seu avental, — Patrick está a caminho para deixar suas coisas na casa do seu pai, então ele irá pegar a família no aeroporto. Nora havia convidado simplesmente todos os membros da família de Belfast. Patrick tinha fretado um avião comercial e piloto, e eu achei que era um pouco ostensivo até que Nora me disse que era realmente mais barato do que comprar sessenta passagens de ida e volta. Maggie mexeu alguns pauzinhos e tinha conseguido reservar todo o hotel Plaza, todos os mil e quinhentos quartos. Nora não teve nenhum problema para preencher todos eles. Com o tamanho do casamento, Maggie sugeriu que contratássemos um número de fornecedores que ofereciam os mesmos serviços só que no atacado. Ela disse que com o grande número de convidados, não havia margem para erro. Charlotte tinha uma relação decente com outros fornecedores na cidade mais próxima e tinham trabalhado entre eles quem iria fornecer o quê. Maggie também tinha me informado que a parte mais difícil foi encontrar sinos suficientes para cada um dos convidados. Em seu casamento, Paige tinha optado por não realizar esta tradição em particular. Eu, no entanto, queria ter os sinos no meu casamento. A tradição dizia que cada um dos convidados do casamento recebe um sino, e este sino é tocado várias vezes durante a cerimônia. Uma vez que o casamento acabava, a noiva e o noivo escolhem um único sino dos convidados para levar para casa. Mais tarde, quando eles tiverem uma briga, o sino seria para afastar o espírito mau que causou a briga. Isso se torna um problema quando você precisa de quase mil deles, feitos de porcelana fina com um Claddagh5 irlandês ao lado. Maggie me garantiu que tinha tudo sob controle. Então, pela primeira vez em muitos meses, eu não tinha nada para fazer a não ser deslizar em uma banheira de espuma quente e relaxar, de modo que foi exatamente o que eu fiz. 5

Símbolo da cultura irlandesa que significa o amor, a amizade e a lealdade. ~ 282 ~


Várias horas mais tarde, eu me dirigi à grande escadaria. Uma vez cheguei ao fundo das escadas, meu pai e Brandon estavam esperando para me escoltar até a limusine que nos levaria ao nosso ensaio do casamento. Eu fui a penúltima a entrar na parte traseira seguida pelo meu pai. Ao me sentar, fui recebida por aplausos e assovios. Todos tinham uma bebida em suas mãos e música estava tocando. Brandon e o meu pai sentaram-se cada um ao lado de uma porta, enquanto eu estava sentada entre eles. Abbie era um feixe de energia enquanto animadamente tomava um gole do copo do que parecia ser Sprite com xarope de groselha. Ela era exatamente como todas as outras meninas que tinham uma bebida na mão. Eu dei uma boa olhada em volta, examinando cada rosto das pessoas que eu amava. Maggie levou seu papel muito a sério e começou a servir a todos uma nova taça de champanhe. Foi então que eu notei que ela colocou a garrafa de champanhe no suporte e abriu uma nova lata de Sprite. Encheu primeiro o copo de Abbie e sorriu enquanto Abbie agradeceu com sua voz doce. Em seguida, ela se mudou para a minha irmã e Paige. Ela serviu a cada uma delas o Sprite em vez de champanhe... Puta merda havia algo que eu deveria saber? Maggie olhou na minha direção; ela percebeu que eu tinha notado o que ela tinha acabado de fazer. Ela rapidamente e em silêncio balançou a cabeça negativamente. Eu só conseguia sorrir como o pensamento de ambas estarem grávidas - seria incrível. Enquanto a limusine continuava a descer a rua, meu pai estendeu a mão e pegou a minha mão na dele. — Então eu acho que você está muito feliz por não ter dito a ele para tomar outro rumo, hein? Eu me virei e me inclinei para o lado dele. — Eu estou tão feliz que escutei o meu coração e não a minha cabeça desta vez. A igreja de Saint Josephine veio à tona. A limusine suavemente parou no espaço de estacionamento e eu vi Tonto, Patrick, Thomas e Sherman parados na calçada. Patrick me disse esta manhã que Sherman tinha chegado até ele e pedido para se juntar à sua equipe de segurança. Sherman já havia descartado os pertences de Eileen e havia se mudado para a casa de Caleb e Paige. Ele disse a Patrick que só queria fazer algo diferente por um tempo, provar para a família que ele podia ser confiável.

~ 283 ~


Sherman era um homem bonito e a essência de um cavalheiro do sul falou mais alto e ele ajudou todas as senhoras a sair da limusine. Uma vez que Maggie estava fora, ela se inclinou e beijou sua bochecha rapidamente. O rubor que se espalhou pelo seu rosto causou uma rodada de risos. Patrick rapidamente envolveu sua mão na minha e começou a me ajudar a subir as escadas. Uma vez dentro da igreja, Maggie entrou no modo coordenadora total. Eu fiquei chocada quando olhei para as decorações que já estavam no local. Laços amarelos bonitos foram anexados aos bancos esperando as flores que seriam colocadas amanhã. Os vasos de flores já estavam no local, novamente apenas esperando as flores frescas no dia seguinte. Maggie veio correndo até mim, me instruindo onde ficar. Foi então que eu notei as duas mulheres bonitas que a ladeavam. — Quem são essas senhoras encantadoras, Maggie? Thomas questionou. Thomas era o padrinho de Patrick. Desde que ele não tem irmãos, e não queria ter escolher um entre seus amigos, esta decisão só fazia sentido. — Sim, Sr. Malloy, essa é a minha mãe, Sharon, e a minha irmã mais nova, Caitlyn. As duas belas mulheres caminharam até nós. Honestamente, era difícil dizer quem era a filha e quem era a mãe. — Athas orm bualadh leat, a dhuine usasail, Is e mo ainm na Sionainne agus is e seo mo inion alainn, Caitlyn. — (Prazer em conhecêlo, senhor, meu nome é Sharon e esta é a minha filha, Caitlyn.) Eu estava prestes a abrir a boca e me apresentar quando uma voz rouca atrás de mim soou. — Oh meu... Eu me virei e dei de cara com um Shermann de queixo caído, seus olhos presos em Sharon. Voltei-me para Sharon para encontrar um enorme sorriso em seu rosto. Sherman passou suavemente por mim e pegou a mão de Sharon na sua, ele se inclinou e beijou lentamente os nós dos dedos dela.

~ 284 ~


— Por favor, permita-me apresentar-me. Eu sou Sherman Montgomery e posso dizer que é um verdadeiro prazer em conhecê-la. A área onde estávamos estava tão tranquila que você poderia ter ouvido um alfinete cair enquanto Sherman e Sharon continuavam a olhar um para o outro. — Como você faz isso? — Patrick sussurrou no meu ouvido e eu me virei para ele e lhe dei um olhar interrogativo. — Você une as pessoas, mesmo aquelas que já desistiram de encontrar o amor novamente. Eu só consegui sorrir para ele quando ele deu um beijo doce na minha testa. Maggie nos fez repassar toda a cerimônia três vezes antes que ela estivesse feliz. Desde que eu ainda me cansava facilmente, Patrick tinha insistido que um banco fosse colocado no altar para que eu pudesse me sentar durante a cerimônia. Maggie não estava feliz com o que estava disponível na igreja, mandou fazer outro. Quando Maggie finalmente estava satisfeita, nós entramos em um dos ônibus fretados que ela tinha arranjado e nos dirigimos para o salão de recepção que Patrick possuía. Nada poderia ter me preparado para a glória absoluta do lugar. Cada lugar foi colocado com porcelana ao estilo clássico e elegante, cristal e prata, e belos arranjos centrais adornavam cada mesa. Mas o que realmente superou tudo isso foi a copa de luzes que pendia do teto. Era como se estivéssemos sentados sob as estrelas. Maggie nos conduziu para a mesa principal, onde Patrick puxou a minha cadeira, beijando minha testa antes de se juntar a mim. Dois primos de Patrick da Irlanda tinham recebido a tarefa de distribuir os presentes para as damas de honra e os padrinhos do casamento. Maggie – Deus abençoe seu coração, teve o cuidado de adquirir todos eles enquanto eu estava um pouco ocupada sendo mantida em cativeiro por um maldito louco. Cada uma das minhas damas de honra recebeu um belo pingente em forma de gota de diamante, enquanto Patrick deu aos seus caras um relógio Rolex. Em toda a volta tinha diferentes fotos de Patrick e eu crescendo e várias de quando tínhamos começado a namorar. A mais surpreendente foi a de Patrick em um joelho com o trevo na mão. Eu fiz uma nota ~ 285 ~


mental para pedir a Maggie que a colocasse em uma moldura. Eu queria aquela na nossa casa. Eu fui arrancada dos meus devaneios pelo tilintar de uma faca contra um copo. Eu olhei e vi que Patrick agora estava parado. — Se eu puder ter a atenção de todos, — a voz máscula de Patrick aquietou o salão e todos os olhos estavam agora sobre ele. — Eu só queria agradecer a todos por fazer a longa viagem até aqui. Isso significa o mundo para Christi e para mim. — Ele se virou para olhar para mim e pegou sua cerveja. — Um homem sábio certa vez me disse que a mulher que você quer se casar não é a que você pode ―viver com‖, mas a que você nunca poderia ―viver sem‖. Ele então olhou para Thomas e ergueu o copo para ele. — Desde o segundo em que eu coloquei os olhos sobre esta bela criatura, ela me tem. Eu não conseguia tirá-la da minha cabeça. — Seus olhos focaram em mim. — Christi, você me fez dar uma olhada em mim mesmo e questionar o homem que eu era. Você me fez perceber que ter tudo não era nada se eu não tivesse a outra metade da minha alma. Isso é exatamente o que você é, a minha alma gêmea. Você me ajuda a ser o homem que eu estava destinado a ser. Eu juro estar sempre por perto para apoiar você do jeito que você estará por mim, eu te amo. O salão irrompeu em aplausos quando Patrick pegou minha mão e me levantou da minha cadeira, dando um beijo suave nos meus lábios. — Agora, na família Malloy, é tradição, o noivo dar um presente para a noiva como um sinal de sua habilidade para cuidar dela. Então, com isso em mente... Patrick fez sinal para Abbie trazer até nós um envelope. Eu me abaixei e peguei dela, beijando seu rosto e fazendo-a rir. Nada poderia ter me preparado para o que havia no envelope. Patrick já nos havia comprado uma casa, então quando eu olhei para a foto de uma grande cabana eu fiquei sem palavras. — É para quando nós só quisermos ficar longe, ou um lugar para levar as crianças e criar algumas lembranças. Eu joguei meus braços ao redor de seu pescoço e o abracei com força. — Obrigada.

~ 286 ~


Thomas foi gentil o suficiente para dizer aos nossos convidados o que Patrick tinha me dado. Finalmente, nos separamos e eu peguei sua mão na minha. — Eu tenho uma coisa para você também, Patrick. Nora me perguntou se eu queria a sua ajuda com o presente dele. Eu disse a ela que absolutamente sim, já eu não tinha ideia de que comprar para um homem que tinha tudo. Eu peguei a mão dele e o levei para fora do prédio. No círculo de manobra do estacionamento estava um Bentley preto. O olhar no rosto de Patrick era o de uma criança no Natal que tinha acabado de ganhar aquele brinquedo especial que tinha pedido para o Papai Noel. Ele me pegou e me girou várias vezes. — Sua Ma me disse que você queria um desses. — Eu queria, eu tinha planejado comprar um depois que voltássemos da lua de mel, mas este é muito melhor. Eu vi quando ele correu a mão para cima e para baixo pelo capô elegante do carro. Segundos depois a maioria dos homens da festa estava de pé ao redor do carro, com as mãos nos bolsos apenas olhando para ele com admiração. — Christi, está ficando tarde. Precisamos levá-la para a casa do seu pai, então diga boa noite ao seu noivo. Isto é, se você puder afastálo daquele carro por tanto tempo, Maggie sorriu. Ela estava em seu jogo. Nora sugeriu fazer da casa de Matthew a ―central da noiva‖ e da sua casa a do noivo. A distância era suficiente para que a chance de nos vermos fosse magra. Eu fui até lá para beijar o meu futuro marido e dizer boa noite quando notei Sherman dar a Sharon um beijo apaixonado que teria feito Hollywood se levantar e aplaudir. — Mmm, — a voz sedosa de Patrick soou no meu ouvido. — É hora de eu ir, - eu falei baixinho. — Eu sei, eu apenas não estou pronto para te deixar ainda, seus lábios roçaram a concha da minha orelha. — Ah, eu acho que você vai ter algo para prender sua atenção, — Eu ri e fiz um gesto em direção ao seu carro novo. — Oh, querida, aquele carro não chega aos seus pés, ele não pode me amar. ~ 287 ~


— Eu amo você, Sr. Malloy, tanto. — Eu o olhei diretamente nos olhos enquanto falava. — Eu também te amo, Senhora Malloy — Vejo você amanhã? — Sim, eu vou ser aquele de smoking, no final do corredor tentando não correr para encontrá-la no meio do caminho. Eu estarei esperando por você, meu amor. Eu sorri e disse, — Sim, e você vai ter que adivinhar se eu estarei ou não usando calcinha sob o vestido. — Com essas palavras, eu me retirei dos braços do meu noivo atordoado e corri para a limusine à espera, rindo durante todo o caminho. Amanhã seria o primeiro dia do resto da minha vida. E eu não podia esperar.

~ 288 ~


Capítulo trinta e um A igreja não poderia ter sido mais bem decorada. Eu tinha que me lembrar de mandar Books dar a Maggie uma grande gorjeta. Enquanto o órgão tocava baixinho, eu comecei a me lembrar da visão da minha Christi quando ela era apenas uma menina. Como eu tentei tirar a própria essência dela fora da minha vida. Como agora eu não conseguia o suficiente dela. Eu me virei para a esquerda para ver o padre Murphy de pé com reverência, bíblia na mão, pronto para abençoar esta união sagrada. Eu podia ouvir sussurros fracos do mar de convidados que estavam sentados nos bancos de madeira e vi os sorrisos felizes que enfeitavam cada face, pois espelhavam o meu olhar. Eu senti uma gota de suor rolando nas minhas costas. Por que essa coisa não estava começando? Christi era extremamente pontual e eu comecei a me preocupar que ela pudesse ter tido um problema com o vestido. Olhando para o relógio que estava pendurado na parede de trás, percebi que haviam passado 20 minutos além da hora de começar. Os murmúrios da multidão e a falta de sorrisos agora confirmaram que eu não era o único que estava preocupado. O baque da porta que bloqueava a noiva do restante de nós me fez olhar para cima para encontrar um desgastado Matthew fazendo o caminho pelo corredor em direção a mim. O olhar em seu rosto era de tristeza e eu podia sentir meu coração subindo pela minha garganta. — Patrick, — sua voz abafada soou no meu ouvido. — Sinto muito, mas ela mudou de ideia. Com essas palavras, ele colocou seu anel na minha mão ao lado de seu pingente de trevo. O suor escorria pelo meu rosto e corpo, enquanto eu me atirava sentado na cama. Olhei ao redor do quarto escuro. Eu ainda estava na casa do meu pai; tinha sido um sonho, não, um pesadelo. Minha respiração finalmente voltou ao normal, e eu joguei as cobertas para trás e desci as escadas, parando no bar tempo suficiente para me servir um copo de uísque. ~ 289 ~


Eu queria ligar para Christi. Me certificar de que ela estava bem e que ainda me amava. Era uma tolice eu sabia; foi apenas um sonho, pelo amor de Deus. O tilintar do piano ecoou na sala, quando eu comecei a tocar suavemente teclas aleatórias. Esse era o meu estado de espírito no momento, aleatório e incerto. Será que o meu sonho se tornaria realidade? Eu faria algo para fazer com que ela me deixasse? Será que ela um dia acordaria e descobriria que poderia arrumar alguém muito melhor do que eu? — Este é um bom sinal, sabia? O som da voz do meu pai me assustou. — Porra, pai, você me assustou, merda. Ele riu enquanto atravessava a sala, sentando-se no sofá de couro que repousava não muito longe do piano. — Desculpe, eu pensei que iria encontrá-lo aqui. Eu virei a cabeça em um olhar interrogativo. Ele ergueu o copo enquanto seus olhos nunca deixaram os meus. — Eu ouvi você gritando. Oh... — Sonho ruim, eu suponho? Eu não respondi imediatamente. Honestamente, eu estava um pouco envergonhado com fato do meu pai ter que ter certeza que eu estava bem depois de um sonho ruim. O que eu tinha, três anos? — Ela tinha mudado de ideia, eu falei baixinho; com medo de que Deus estivesse me ouvindo e confundisse com uma oração. Meu pai soltou um profundo suspiro e colocou o copo vazio no bar. — Uma noite antes de eu me casar sua mãe, eu fiquei tão doente que meu pai teve que me levar para a emergência e eles me colocaram no soro. Eles tiveram que me dar remédios para fazer parar o vômito. Eu voltei a minha atenção para ele. — Eu estava com medo de que ela recuperasse os sentidos e visse o idiota que eu realmente era. Ouvir meu pai se chamar de idiota me fez rir. — Eu vou te dizer o que o seu avô me disse.

~ 290 ~


Ele tinha toda a minha atenção agora. O pai de Thomas era durão. Ele atirava entre os olhos só porque podia. Ele morreu dormindo alguns dias depois que a minha avó morreu. Meu pai disse que ele morreu de coração partido. Eu não acreditei nele na época, mas agora eu acredito. — Ele disse que você pode se sentar e se preocupar todos os dias que vá fazer algo incrivelmente estúpido para fazer com que ela vá embora. Ou você pode acordar todas as manhãs e ter um plano de como irá fazê-la sorrir.

***

Será que a banheira na minha nova casa tem jatos? Se não, eu irei pedir a Patrick para mudar isso. Maggie tinha programado para eu passar a manhã em um spa local. Eu tinha acabado de terminar uma esfoliação incrível com sal, que era feita para se livrar de pele morta e deixar sua pele macia. Eu estava atualmente descansando em uma banheira de hidromassagem tendo os detritos massageados para fora do meu corpo... parecia o céu. Eu tive uma das melhores noites de sono em muito tempo na noite passada. Eu sonhei com Patrick em uma festa do chá com três meninas. Seu cabelo estava cheio de presilhas coloridas e seus lábios estavam pintados de rosa brilhante, as linhas dos lábios claramente não haviam sido consideradas visto que o batom estava tocando seu nariz. Ele estava rindo e conversando com as meninas com o sotaque britânico mais adorável. Será que eu iria ter três meninas? Com os acontecimentos recentes, Patrick tinha insistido que eu tivesse cinco de seus homens me cercando em todos os momentos antes do casamento. Quando a limusine finalmente chegou à igreja, um grupo enorme de caras de preto e de Ray-Ban cercou a limusine, bloqueando qualquer um de chegar perto de mim. Meu vestido de casamento estava esperando por mim dentro da área de estar da igreja. Eu não queria correr o risco de sujar ou amassar o vestido, nem queria parecer uma idiota delirante tentando me movimentar na saia cheia. — É hora da tradição, Charlotte anunciou. Ela era a ‗mãe‘ de honra para mim hoje. Ela estaria à minha esquerda e meu pai à direita. Ela iria beijar Patrick e entregar a ele o presente tradicional da mãe da

~ 291 ~


noiva, uma mecha de cabelo da noiva, que era cuidadosamente colocado dentro do relógio de bolso de um dos avôs da noiva. Charlotte colocou cuidadosamente o lenço de renda dentro do laço que segurava o meu buquê. A tradição dizia que o lenço seria usado para secar as primeiras lágrimas da criança primogênita, e, que em seguida, seria usado na confecção do gorro batismal. Meu cabelo foi puxado para trás e várias tranças foram feitas como um sinal de força e fertilidade. Elas foram presas com um belo clipe de prata incrustado com pedras verdes. Verde era a cor do casamento tradicional irlandês e era importante que fosse o mais autêntico possível. Quando eu deslizei meus pés nos meus sapatos peep toe, Charlotte inseriu a moeda que Patrick tinha me dado. Em seguida veio a ferradura que eu levaria como um sinal de boa sorte. Muitas noivas a usavam como colar, mas eu escolhi carregá-la. Com um profundo suspiro final, eu reuni a minha saia e balancei a cabeça como um sinal de que eu estava pronta. — Tia Christi? A frágil voz de Abigail me chamou a atenção e eu olhei para ela. — Sim, bebê? — Nós vamos casar com Patrick hoje? Eu tive que sorrir para ela. Se eu ia me casar com ele, ela sentiu que toda a família ia se casar com ele. Eu acho que em certo sentido nós iríamos. — Sim vamos, você está pronta? Seu rosto agora parecia chateado. — Mas eu não quero me casar com Patrick. Quero me casar com o meu pai. Eu olhei para minha irmã, que estava com a mão cobrindo a boca com firmeza, um pequeno soluço escapou e ela rapidamente se virou para pegar suas flores. — Abbie, eu acho que se você quer se casar com seu pai, Patrick irá entender.

~ 292 ~


O sorriso que cobriu seu rostinho de querubim foi suficiente para iluminar o cômodo e ela começou a saltar para cima e para baixo com entusiasmo, a faixa amarela do vestido seguindo cada movimento seu. Meu pai estava no final do corredor, vestido com um smoking preto muito elegante. Ele, assim como Patrick, não usaria o mesmo smoking que os padrinhos. Com Charlotte à minha esquerda e meu pai à minha direita, eu foquei meus olhos na minha irmã, que estava na minha frente. O belo vestido de um ombro só que escolhemos seria verdadeiramente um daqueles que poderia ser usado depois do meu casamento. Eu tinha encomendado um para mim como uma questão de fato. Uma vez que Shannon estava a caminho do altar e as portas novamente bem fechadas, eu podia ouvir o farfalhar da passadeira que havia sido colocada no corredor. Nora havia insistido que ela fosse feita de renda de verdade e não a versão em papel encerado que tantas noivas usavam estes dias. Com um último suspiro e um rápido aperto nos meus olhos, eu dei meus primeiros passos para me tornar a Senhora Patrick Malloy. Enquanto colocava o anel Celta na mão de Patrick, eu disse as palavras tradicionais que eu tinha memorizado desde que era uma garotinha. Eu olhei em seus profundos olhos verdes, eu tentei imaginar como a minha vida com ele seria. Será que ele iria se lembrar deste dia como uma memória inesquecível, ou iria desejar que fosse apenas uma má decisão que ele tomou na juventude? Eu iria passar o resto dos meus dias lembrando-lhe de como maravilhoso este dia foi. — Ní féidir leat a bhfuil liom go mbaineann mé liom féin. Ach fad is mian linn an dá é, mé a thabhairt duit go bhfuil mianach a thabhairt. Ní féidir leat gceannas orm, mar tá mé ag duine saor in aisce. Ach beidh mé ag freastal ort sna bealaí de dhíth ort, agus beidh an honeycomb blas bhinne ag teacht ó mo lámh. Geallaim duit go mbeidh mise an tainm a bheith caoin mé os ard ar an oíche, agus na súile isteach a aoibh gháire mé ar maidin. Geallaim duit an bite chéad mo feola agus an deoch chéad ó mo chupán. Geallaim duit mo bheo agus mo bháis, gach cothrom faoi do chúram. Beidh mé a bheith ina sciath do do ais agus tú mianach. Ní dhéanfaidh mé clúmhilleadh tú, ná mé tú. Beidh mé honor tú thar aon rud eile, agus nuair a quarrel beidh muid é sin a dhéanamh go príobháideach agus inis ár n-casaoidí Ní hannamh. Is é seo mo vow bainise a thabhairt duit. Is é seo an pósadh ar comhionann. ~ 293 ~


(Você não pode me possuir, pois eu pertenço a mim mesma. Mas, enquanto nós dois desejarmos, eu dou-lhe o que é meu para dar. Você não pode me dar ordens, porque eu sou uma pessoa livre. Mas vou atendê-lo da maneira que você precisar, e o favo de mel mais doce será o que vier da minha mão. Eu prometo a você que o seu será o nome que eu chorarei em voz alta durante a noite, e os olhos para os quais eu irei sorrir de manhã. Comprometo a você a primeira mordida da minha carne e a primeira bebida do meu copo. Comprometo a você a minha vida e a minha morte, cada um igualmente no seu tempo. Vou ser um escudo para protegê-lo e você para mim. Não vou difamar você, nem você a mim. Vou honrar você acima de todos os outros, e quando brigarmos vamos fazê-lo em privado e não contar as estranhos as nossas queixas. Esta é a minha promessa de casamento para você. Este é um casamento entre iguais.) — É com grande honra que eu apresento a vocês, Senhor e Senhora Patrick Malloy. — A voz do mestre de cerimônias vibrou pelo chão, onde eu atualmente estava. Os lábios de Patrick firmemente se ligaram aos meus e eu podia sentir o sorriso dele contra os meus lábios. — Eu te amo, suas palavras carregavam uma promessa, que eu sabia que ele iria manter. Patrick, que nunca fazia nada do jeito normal, rapidamente me pegou no estilo noiva, enquanto caminhava para o salão enorme. Tivemos de usar o mesmo salão que Paige e Caleb haviam usado devido ao número de convidados. As mesmas empresas configuraram os monitores e a segurança era ainda mais rígida. Esta foi a primeira vez que eu tinha visto o salão por inteiro. Assim como Paige e Caleb, cortamos nosso bolo em primeiro lugar; o bolo de várias camadas tinha nossas iniciais majestosamente colocadas no topo. Patrick colocou cuidadosamente um pequeno pedaço de bolo nos meus lábios e, em seguida, rapidamente me beijou. Maggie me entregou uma taça de champanhe e eu rapidamente tomei um gole. — Vá devagar com essa coisa, temos planos para mais tarde e eu quero que você se lembre de cada detalhe. Suas palavras só fizeram o meu corpo tremer e me ele deixou completamente sem palavras. Naquela noite, eu dancei até meus pés quase caírem e ri até quase chorar. Abracei, flertei e tive a noite da minha vida. Quando eu olhasse para trás, para essa noite, eu duvidava que iria me lembrar de como a comida provava, que marca de vinho estava na mesa, qual

~ 294 ~


música foi tocada, com quem eu conversei, ou que horas Abbie finalmente adormeceu nos braços de seu pai. O que eu me lembraria seria a expressão no rosto de Patrick enquanto ele me deslizava pela pista de dança. Como meu pai deixou uma única lágrima cair enquanto dançávamos I Loved Her First. Como Tonto e Caitlyn foram pegos ao amassos na parte de trás da limusine. E como Abbie anunciou a todo o salão que estava feliz por Patrick ter se casado, pois assim ele não iria chorar quando ela se casasse com o pai dela. Mas, acima de tudo isso eu me lembraria que naquele dia eu tinha me casado com o homem da minha vida.

~ 295 ~


Epílogo Vinte e cinco anos mais tarde...

Eu temia esse dia por tanto tempo quanto conseguia me lembrar. Nosso filho Declan, se preparava para embarcar em um avião para a Irlanda. Patrick estava com ele agora, assim como Thomas tinha feito com ele. Eu ainda conseguia me lembrar da noite em que Patrick tinha decidido ir, a noite da festa de despedida de Shannon. Oh, quantas dessas eu tinha assistido desde então. Graças a Deus não houve estupradores em série presentes mais. Patrick e eu fomos abençoados com três filhos, não os doze que ele tinha desejado, ou então ele disse. Foi depois que Katie nasceu que eu soube que ele realmente queria uma menina também, não os doze meninos que tão corajosamente falava. Nora ficou muito feliz quando anunciamos que iríamos nomear dois de quantos filhos tivéssemos com os nomes de seus dois irmãos que tinham sido assassinados quando jovens. Declan foi o nosso mais velho e primeiro na linha para assumir o negócio da família. Ele era tão parecido com seu pai que eu me sentia um pouco triste por sua namorada, Katie. Katie, por outro lado, era meio nervosa e um pouco tensa. Ela analisava demais tudo e chorava pelo menos uma vez por dia. Declan me garantiu que iria trabalhar em ajudá-la a endurecer sua pele. Ela precisa disso para sobreviver no nosso mundo. Sim, isso era certo, sua irmã e sua namorada tinham o mesmo nome. Não foi planejado dessa forma; Patrick e eu tínhamos optado por manter o nome do nosso bebê em segredo, e o mesmo fizeram Maggie e Angus. Maggie e eu tínhamos dado à luz as nossas meninas com poucos minutos de diferença uma da outra. Thomas tinha cumprido com sua palavra e Angus recebeu sua cidadania oficial poucos meses depois da promessa. Shamus estava ao seu lado quando levantaram as mãos direitas e fizeram o juramento. Nosso segundo filho foi nomeado Connor. Ele era a minha miniatura. Ele não queria ter nada a ver com o funcionamento dos negócios da família e optou por ser uma parte "positiva" da família como

~ 296 ~


Nora havia citado. Connor estava no segundo ano da faculdade de medicina. Patrick e eu não poderíamos estar mais orgulhosos. — Christi! — A voz de Katie estava tremendo quando ela correu para a sala em lágrimas, efetivamente colocando um fim à minha caminhada pela estrada da memória. — Oh, Deus, Christi, por que de repente ele tem que ir para a Irlanda? Quero dizer quão importante pode ser seu negócio se eu não posso ir com ele? Vê o que eu quero dizer? — Katie, o que sua mãe e eu lhe dissemos sobre seu comportamento? Sua cabeça caiu e ela sentou-se na cadeira que estava mais próxima. — Vocês disseram que se eu quiser fazer parte desta família, preciso ser mais durona e não chorar o tempo todo. Sua voz era tão baixa e eu continuei a questionar se Declan tinha feito a escolha certa pedindo a seu pai sua mão em casamento. Declan sempre teve a maturidade de um homem de trinta anos, a partir do dia em que nasceu, não que ele tivesse uma escolha quanto a isso. — Então por que você está sentada aqui chorando até se acabar? Eu vi quando ela levantou a cabeça, endireitou os ombros e enxugou os olhos com seus dedos minúsculos, — Eu só não entendo por que ele tem que fazer isso. Eu lembrei-me questionar Patrick por que ele tinha que ir. Eu tinha simplesmente aceito que ele tinha negócios para cuidar, mas Katie não era como eu. — Katie, coisas acontecerão na vida que você terá que simplesmente aceitar e seguir em frente. — Eu entendo isso, Christi, mas ele não quer nem mesmo falar sobre isso. Ele me disse que é algo que ele tem de lidar e que eu não posso ir, ela fez beicinho. Sua atitude era a de uma criança de três anos de idade, e isso me incomodou ainda mais. — Bem, Katie, você não o segue quando ele vai ao banheiro não é? Seu nariz enrugou em desgosto, — Oh, Deus, não!

~ 297 ~


Eu ri, como eu tinha mudado muitas de suas fraldas para não achar aquele pensamento divertido. — Bem, então pense nisso como uma pausa prolongada para o banheiro. Ela começou a rir com a minha declaração; pelo menos ela tinha parado de chorar, por agora. — Então, Christi, você sabe o que está acontecendo, e porque ele vai para a Irlanda, você não pode me dizer nada? Eles estão comprando mais imóveis... ele está indo para se divertir... ele tem... uma... uma menina lá? Todos os meus filhos tinham uma visão muito clara de como Patrick e eu nos sentíamos sobre a questão da traição. Katie sabia disso também. Por isso, me intrigou sobre porque ela pensaria isso. — Katie, minha voz estava tensa. — Desculpe, Christi, eu sei que ele nunca faria isso, não depois... — Exatamente, o tom da minha voz rapidamente acabou com essa conversa. Eu sabia que tinha de dar algo a ela, um vislumbre de esperança, e ainda não arruinar a proposta que Declan teria para ela em seu retorno. Eu pensei por alguns instantes até que as palavras certas me vieram à mente. — Eu posso lhe assegurar que o que ele está prestes a fazer na Irlanda vai ser em benefício dele, bem como seu. Não se preocupe, menina doce, é apenas um monte de trevos com um toque de segredo. Declan fez seu pai e avô orgulhosos quando caminhou de volta através da nossa porta da frente seis dias depois. Suas roupas estavam tão esfarrapadas e rasgadas como as de Patrick tinha sido. Katie novamente me preocupou quando virou o nariz em desgosto como Declan fez o seu caminho em direção a ela. — Você está pensando no dia que tudo isso aconteceu para nós? — Patrick passou os braços fortes em torno de mim, afastando o frio que surgiu na sala. — Foi realmente há vinte e cinco anos? — Minha voz um pouco mais grossa do que era naquela época, o cabelo um pouco mais grisalho. — Hum hum. Foi. — Ele respondeu e beijou o topo da minha cabeça.

~ 298 ~


Eu vi como Declan lentamente inclinou-se em um joelho, dizendo as mesmas palavras que os homens falaram às suas pretendentes por anos. — Eu gostaria que sua mãe pudesse ter visto isso. — Falei baixinho, sentindo terrivelmente a falta de Nora, especialmente durante momentos como este. — Sim, eu sinto falta dela também. Mas os últimos vinte e cinco anos foram bons anos, não foram? — Patrick parecia ter uma memória diferente daqueles anos do que eu. Tenho que reconhecer que a maioria deles foram maravilhosos, mas eu me questionei se ele tinha esquecido do início, quando o nosso casamento quase não sobreviveu. — Eu me lembro das coisas um pouco diferente. — Ele disse contra o minha têmpora. Eu virei a cabeça um pouco, minha bochecha agora contra seus ombros largos, meus olhos se encontraram com os dele. — Oh, realmente? — Eu desafiei, seus olhos verdes agora polvilhados com a idade, as linhas de expressão que ele usava com orgulho. — Sim, realmente, Senhora Malloy. — Ele jogou de volta para mim, sua provocação tinha um tom altamente brincalhão. — E me diga, Sr. Malloy, como você se lembra dos últimos vinte e cinco anos? Patrick se aconchegou mais perto de mim, enquanto a multidão que tinha sido convidada a compartilhar deste momento estava batendo palmas, felicitando o casal feliz. Katie é claro estava chorando. — Bem, minha linda esposa, eu me lembro...

~ 299 ~

Shamrocks #1 shamrocks & secrets cayce poponea  
Shamrocks #1 shamrocks & secrets cayce poponea  
Advertisement