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Sumário Unidade I Brasil: Território e Sociedade

10

Capítulo 1 O Brasil em mapas e gráficos...................................................... 12 1. O Brasil nos mapas...................................................................................................13 2. Representando dados em forma gráficos...................................................... 17 Roteiro de estudo...................................................................................................22

Capítulo 2 O crescimento demográfico....................................................... 27 1. O crescimento demográfico................................................................................27 2. Migração rural-urbana ou êxodo rural............................................................37 Roteiro de estudo...................................................................................................39

Unidade II Brasil: economia e comércio exterior Capítulo 3 Desenvolvimento econômico e social. ................................48 1. PIB e renda per capita........................................................................................... 49 2. A  distribuição da renda...........................................................................................51 Roteiro de estudo................................................................................................. 54

Capítulo 4 Europa ocidental (I): aspectos regionais .........................59 1. O comércio exterior................................................................................................57 2. O comércio exterior do Brasil ........................................................................... 58 3. A formação dos “blocos regionais”..................................................................62 Roteiro de estudo...................................................................................................67

6

Sumário

46

Unidade III Brasil: utilização do espaço

74

Capítulo 5 Industrialização................................................................................... 76 1. A industrialização no Brasil..................................................................................77 2. A relativa desconcentração industrial............................................................80 3. fase atual da indústria brasileira ......................................................................82 Roteiro de estudo.................................................................................................. 85

Capítulo 6 Agricultura e pecuária.................................................................. 189 1. O novo rural brasileiro........................................................................................... 89 2. produtos agrícolas...................................................................................................92 3. A pecuária....................................................................................................................97 4. Estrutura fundiária e reforma agrária .........................................................103 Roteiro de estudo................................................................................................ 100

Capítulo 7 urbanização.......................................................................................... 109 1. A urbanização do Brasil .....................................................................................109 2. A rede urbana........................................................................................................... 114 3. Problemas urbanos.................................................................................................117 Roteiro de estudo ................................................................................................ 121

Unidade IV Paisagens naturais e ação da sociedade

126

Capítulo 8 Relevo e clima......................................................................................128 1. A dinâmica da natureza....................................................................................... 129 2. Estrutura geológica e relevo............................................................................. 129 3. Clima e massas de ar............................................................................................ 132 Roteiro de estudo................................................................................................ 136

Sumário

7

Capítulo 9 Hidrografia e biomas. ......................................................................141 1. A hidrografia brasileira......................................................................................... 142 2. Os biomas brasileiros ..........................................................................................146 Roteiro de estudo................................................................................................. 152

Capítulo 10 Problemas Ambientais............................................................... 156 1. As relações sociedade-natureza...................................................................... 157 2. Problemas ambientais dos grandes centros urbanos............................158 3. Problemas ambientais do meio rural 160 4. P  roblemas que ameaçam . a preservação do meio ambiente.....................................................................161 Roteiro de estudo.................................................................................................166

Unidade V Brasil: diversidades regionais

172

Capítulo 11 As regiões brasileiras.................................................................... 174 1. O que é região?........................................................................................................175 2. A regionalização do território brasileiro.......................................................175 3. Regionalização e formação . historicoeconômica do Brasil............................................................................180 Roteiro de estudo................................................................................................ 182

Unidade VI A geografia do século XXI

220

Capítulo 12 Nordeste................................................................................................ 186 1. Um breve histórico................................................................................................. 187 2. O meio físico.............................................................................................................190 3. As subregiões do Nordeste................................................................................ 192 4. O “novo” Nordeste.................................................................................................196 Roteiro de estudo.................................................................................................198

8

Sumário

Capítulo 13 O centro-sul ...................................................................................... 203 1. A região mais rica e populosa ........................................................................204 2. O meio físico............................................................................................................205 3. As unidades espaciais no Centro-Sul............................................................. 192 Roteiro de estudo................................................................................................ 213

Capítulo 14 A Amazônia........................................................................................ 218 1. A maior região brasileira..................................................................................... 219 2. O meio físico............................................................................................................220 3. A floresta e seu desmatamento...................................................................... 222 4. A economia regional............................................................................................ 224 Roteiro de estudo............................................................................................... 227

Glossário

XXX

Indicações de leituras complementares

XXX

Referências bibliográficas

XXX

Sumário

9

Capítulo

6

Agricultura e pecuária

lia lubambo/editora abril

Neste capítulo vamos estudar o espaço rural brasileiro e conhecer as principais atividades desenvolvidas no campo. Observe a imagem a seguir.

yyUsina de açúcar e álcool, em Sertãozinho (SP).

Ponto de partida Depois de observar a imagem acima, responda às questões a seguir: • De que maneira foi ocupado o espaço mostrado na foto? • Que elementos você identifica nessa paisagem? • Converse com o professor e os colegas a respeito do assunto.

1

O novo rural brasileiro

O rural diz respeito ao campo, ao espaço não urbano, ao passo que o agrário se refere às atividades primárias: agricultura, pecuária e extrativismo. Essas atividades são realizadas em geral no meio rural, embora possam eventualmente ser encontradas nas cidades (em chácaras den-

tro do perímetro urbano, em quintais, em algumas áreas urbanas periféricas). São atividades voltadas para a produção de alimentos para a população (ou para o gado) e de matérias-primas a serem transformadas pela atividade secundária (a indústria). Não se deve confundir rural com agrário, apesar de geralmente eles estarem associados Agricultura e pecuária < Capítulo 6

89

helcio nagamine/folha imagem

O espaço rural não sedia apenas atividades agrárias. Nele também se localizam outras atividades, que vêm se multiplicando nas últimas décadas: hotéis-fazendas, turismo rural e ecológico, clínicas de repouso (spas), colônias de férias, condomínios ou fábricas isolados, comércio de pequeno porte, etc. É provável que, dentro de alguns anos (as estatísticas indicam que isso ocorrerá em 2015), a maior parte da população do meio rural brasileiro se dedique a atividades não agrárias,

divulgação

yyP  rodução de suco de acerola, em Tomé-Açu (PA).

yyHotel-fazenda, em Monte Verde (MG).

90

Unidade III < Brasil: utilização do espaço

pois o crescimento desse tipo de emprego tem ocorrido a um ritmo bem maior do que o das atividades propriamente agrárias. Esse é o chamado “novo rural brasileiro”. Um elemento importante nesse novo rural é a expansão da agroindústria (do inglês agribusiness: “negócios agrícolas”), que consiste numa integração entre as atividades primárias e o setor industrial. Num sentido geral (tal como foi criado nos Estados Unidos da América), o termo designa toda uma cadeia ou um sistema integrado de produções — adubos, fertilizantes, cereais, máquinas agrícolas, criações de animais, etc. —, que dependem umas das outras. Num sentido mais restrito, bastante empregado no Brasil, o agronegócio refere-se especificamente às indústrias cujos produtos têm por base um produto agrícola, tais como a indústria de cigarros (baseada no cultivo do fumo), a indústria de bebidas (que utiliza cana-de-açúcar, cevada, uva, etc.), a indústria de óleos comestíveis (que beneficia a oliva, a soja e outros produtos agrícolas), a indústria de calçados (que usa o couro), a indústria de laticínios (que fabrica queijos, iogurtes, manteiga e outros produtos derivados do leite), a indústria de beneficiamento de carnes diversas (que produz salsichas, carnes enlatadas, frangos congelados, etc.), entre outras. O agronegócio representa um último estágio da integração entre a agropecuária e a atividade industrial, ou, como preferem alguns estudiosos, de subordinação do produtor rural aos interesses industriais. É muito comum que inúmeras produções, mesmo quando são realizadas por pequenos agricultores — casos do fumo, da criação de frangos ou de porcos, do cultivo de uvas e outros —, sejam determinadas pelos interesses da indústria. Normalmente, é esta quem financia esses produtores — fornecendo equipamentos, insumos, etc. — e eles, em contrapartida, vendem toda a sua produção para essa grande indústria, que, inclusive, acaba estabelecendo os preços para essas matérias-primas.

germano luders/editora abril

yyLinha de produção de uma indústria de laticínios.

Pensando sobre o tema 1. M  uitas pessoas confundem os termos agrário e rural. Diferencie esses dois conceitos. 2. Sobre o “novo rural brasileiro”, pense e responda:

a) O que é o agronegócio?

b) No Brasil, o agronegócio refere-se especificamente às indústrias cujos produtos têm por base um produto agrícola. Quais são elas?

c) Ao observar a foto desta página, o que mais chamou a sua atenção?

3. Pesquise imagens de paisagens do espaço rural em revistas e jornais, do Brasil e outros lugares do mundo. Com os colegas e o professor, monte um painel com todas as imagens coletadas.

A ocupação da terra pela agropecuária A agropecuária ocupa cerca de 27% do território nacional. Isso quer dizer que, dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados que formam o espaço brasileiro, cerca de 73% são constituídos por terras não aproveitadas economicamente, ou seja, onde não há lavouras nem criação de gado. Apenas aproximadamente 6% desse total é formado por terras onde se pratica a agricultura (perma-

nente ou temporária). As áreas de pastagens para a criação perfazem cerca de 21% do total. Portanto, costuma-se dizer que há uma subutilização do espaço geográfico brasileiro. Porém, não se poderia pensar em 100% do território nacional ocupado por cidades, vilas, estradas ou por campos de cultivo e de criação. Isso seria extremamente inapropriado, pois sempre há necessidade de amplas reservas florestais e, especialmente, das poucas áreas de matas originais que ainda restam (trechos da floresta Amazônica, da mata Atlântica, do cerrado e do Pantanal). Precisamos lembrar também das reservas indígenas e extrativas, que devem ser preservadas. No entanto, mesmo descontando essa necessidade de manter enormes áreas em condições naturais pouco alteradas, sobram ainda grandes trechos de terras já desmatadas e não aproveitadas economicamente. Calcula-se que existam mais de 100 milhões de hectares nessas condições, o que corresponde a um território maior do que os estados de Minas Gerais e São Paulo juntos. No entanto, as informações sobre esse tema são pouco confiáveis, pois, em muitos casos, o que está nos cadastros oficiais não corresponde à realidade no campo, advindo daí as dificuldades em detectar as grandes propriedades rurais improdutivas no Brasil. Em todo o caso, mesmo sendo exagerado, esse número sobre terras improdutivas — isto é, não aproveitadas economicamente — deve ser mais ou menos correto. A subutilização do território para a agropecuária torna-se muito grave quando recordamos que uma parcela da população se alimenta mal, com consumo diário deficiente de proteínas, calorias e sais minerais. Além disso, os melhores solos e os maiores investimentos na agricultura estão voltados para o cultivo de exportação ou para a produção de matérias-primas industriais, em vez da produção de alimentos para o consumo interno. É comum o cultivo de certos produtos cuja exportação aumente bastante acabar se expandindo para áreas onde antes se cultivavam gêneros alimentícios básicos. Foi o que ocorreu, nas últimas décadas, com a valorização da soja e da laranja no mercado internacional e a expansão de seus cultivos, em detrimento do feijão e da mandioca. Agricultura e pecuária < Capítulo 6

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pedro martinelli/divulgação

2

yyA castanha-do-pará produzida na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru, no município de Laranjal do Jarí (AP), abastece uma indústria de cosméticos que exporta produtos para o mundo todo.

Verificando o que aprendemos 1. C  ostuma-se dizer que há uma subutilização do espaço geográfico brasileiro. Sobre esse assunto, responda: a) Qual é o percentual do território brasileiro ocupado pela agropecuária? O que isso quer dizer? b) P  or que não podemos confiar plenamente nos dados sobre terras improdutivas no Brasil? c) Existe relação entre a subutilização do território para agropecúaria e a alimentação de parte da população brasileira? Qual? 2. No Brasil, os produtos agrícolas de melhor qualidade são exportados e os de pior qualidade abastecem o consumo interno. Com base nessa informação, desenvolva as seguintes atividades: a) Pesquise se no estado onde você mora há plantações de produtos voltados para a exportação. b) N  o Brasil, nas últimas décadas, tem diminuído a extensão da área cultivada com produtos alimenticios como o feijão e a mandioca. Por que isso aconteceu? c) Você já encontrou estampada no rótulo de algum produto industrializado a expressão “produto tipo exportação”? Em sua opinião, o que isso significa? d) C  rie uma nova legenda para a foto desta página. 92

Unidade III < Brasil: utilização do espaço

Produtos agrícolas

É comum agruparmos os produtos agrícolas brasileiros em duas categorias: as “culturas de pobre”, nas quais se incluem o feijão, o milho, a mandioca e boa parte da produção do arroz, e as “culturas de rico”, como são conhecidas as plantações de cana-de-açúcar, café, soja, algodão, trigo, entre outros produtos. As primeiras — destinadas principalmente à produção de alimentos para a população —, desde o período colonial, são relegadas a segundo plano, cultivadas nas piores terras e em pequenas propriedades. As “culturas de rico”, ao contrário, destinam-se principalmente à exportação ou à transformação industrial, como ocorre com parte da produção da cana, do fumo, do algodão, etc. Também desde o período colonial, ocupam os melhores solos e são cultivadas principalmente nas médias ou grandes propriedades rurais. Essas diferenças são relativas, pois muitos produtos destinados ao consumo interno podem eventualmente ser exportados se apresentarem valorização no mercado internacional, como ocorreu nas últimas décadas com a laranja. Da mesma forma, os produtos destinados à exportação também são consumidos dentro do país, mas geralmente se exporta o produto de melhor qualidade e deixa-se o pior para o consumo interno. Assim, em Nova York ou em Londres, toma-se um cafezinho brasileiro melhor do que em São Paulo ou no Rio de Janeiro. As grandes propriedades cultivam, eventualmente, os gêneros alimentícios para a população em geral, mas, via de regra, essa tarefa cabe às pequenas propriedades. Muitos minifúndios também cultivam algodão, café e outras “culturas de rico”, embora o grosso desses produtos, principalmente cana-de-açúcar e soja, se concentre nas médias e grandes propriedades. Os produtos extremos são mandioca e feijão, de um lado, e cana, de outro. Os imóveis rurais com dimensão de até 100 hectares, que abrangem pouco menos de 20% da área total das propriedades agrárias, produzem mais de 88% da mandioca e 75% do feijão nacional. Porém, na produção

da cana-de-açúcar, eles contribuem com apenas cerca de 16% do total. Já os imóveis com área superior a 1000 hectares, que abrangem cerca de 45% da superfície total dos imóveis rurais, produzem cerca de 50% da cana-de-açúcar e apenas 3% da mandioca e 5% do feijão. Quais são os principais produtos agrícolas do Brasil? Vamos conhecê-los a seguir.

O café

coleção gilberto ferrez/instituto moreira salles

Originário do norte da África, o café foi introduzido no Brasil em 1727, na Amazônia, onde seu cultivo não obteve sucesso. No início do século XIX, foi transplantado para a Baixada Fluminense e expandiu-se para o Vale do Paraíba, entre o Rio de Janeiro e São Paulo, onde sua cultura prosperou de forma satisfatória, fato que coincide com o aumento do seu consumo internacional. É uma planta que tende a esgotar rapidamente o solo, caso não se tomem medidas adequadas para sua preservação.

yyEscravos trabalham em terreiro para secagem de café numa fazenda na região do Vale do Paraíba (SP), em 1882.

Foi o que aconteceu no Vale do Paraíba após algumas décadas de colheitas, em decorrência do relevo acidentado, das frequentes chuvas e da inobservância das curvas de nível. A partir do Vale do Paraíba, os cafezais estenderam-se, ainda no estado de São Paulo, até a região de Campinas e Sorocaba e, depois, até Ribeirão Preto. Daí, espalharam-se em direção a Presidente Prudente, Marília, Assis e, finalmente, atingiram o norte do Paraná, onde se destaca a cidade de Londrina. No início do século XIX, o café representava cerca de 20% das nossas exportações e era o terceiro produto em importância, após o açúcar e o algodão. No fim daquele século, passou a ser o primeiro artigo na pauta das exportações do país, representando mais de 60% dos produtos comercializados pelo Brasil no mercado internacional. Foi quando o Brasil se tornou o grande fornecedor internacional, chegando a produzir cerca de 75% do total mundial. Atualmente, o país ainda ocupa o posto de maior produtor e exportador do mundo, mas sua produção chega no máximo a 15% do total mundial. Ocorre, porém, que a importância desse produto nas exportações do país diminuiu bastante, representando, hoje, menos de 4% do valor total exportado. Não obstante, continua a ser um produto relativamente importante na pauta de nossas exportações. Em 2008, Minas Gerais participava com cerca de 45% da produção cafeeira do Brasil, seguida por Espírito Santo (27%).

márcio pena/folha imagem

A soja

yyC  afezal de uma fazenda em Alfenas (MG), nos dias atuais.

Planta leguminosa de grande valor proteico, a soja expandiu-se bastante nas áreas de cerrado do Brasil central. Há cerca de vinte anos, é o grande destaque da agricultura brasileira, e o Brasil já se tornou o segundo produtor mundial e o maior exportador. Em 1990, nosso país produziu cerca de 20 milhões de toneladas de soja e, em 2008, a produção chegou a superar os 53 milhões. A soja e seus derivados (principalmente óleos e farelos) já ultrapassam de longe o café no Agricultura e pecuária < Capítulo 6

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maurício simonetti/pulsar imagens

fabio colombini

volume total de nossas vendas de produtos agropecuários, alcançando mais de 10% do valor total das exportações brasileiras. Na verdade, nos últimos anos o Brasil se tornou o maior exportador mundial de soja, ultrapassando os Estados Unidos da América. A soja foi o cultivo que mais cresceu no Brasil nos últimos vinte anos e, atualmente, é o ramo mais importante do setor oleaginoso. Os principais produtores nacionais de soja são, pela ordem: Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso do Sul; mas essa cultura também se espalha por partes de São Paulo, oeste da Bahia e sul do Maranhão, entre outros estados cultivadores.

yyColheia da cana-de-açucar, em Ribeirão Preto (SP).

A imensa expansão dos canaviais no Brasil, especialmente em São Paulo, está ligada ao uso do álcool como combustível em automóveis. Os principais estados produtores são São Paulo (58% do total), Paraná, Minas Gerais, Alagoas, Goiás e Pernambuco.

A laranja

yyPlantação de soja, em Derrubadas (RS).

A cana-de-açúcar Originária da Ásia, a cana-de-açúcar foi introduzida no Brasil pelos colonizadores portugueses no século XVI. Durante séculos, a Zona da Mata nordestina foi a grande produtora no país. Os férteis solos de massapé e a menor distância em relação ao mercado europeu propiciaram condições favoráveis a esse cultivo. Além de produzir o açúcar, que em parte é exportado e em parte abastece o mercado interno, a cana serve também para a produção de álcool, importante fonte de energia. 94

Unidade III < Brasil: utilização do espaço

Nos anos 1990, a citricultura passou por grande expansão no Brasil, devido ao aumento das exportações de suco de laranja e da participação das empresas multinacionais na produção de suco. Nesta nova década, porém, a área plantada e a produção total vem diminuindo. A principal região produtora é o estado de São Paulo (cerca de 80% do total), com destaque para os municípios de Itápolis, Mogi-guaçu, Bebedouro, Matão, Tambaú, Itapetininga e Limeira. A produção de laranja é quase totalmente controlada pelas indústrias de suco. O grande aumento nas exportações brasileiras de suco de laranja está ligado principalmente a crises periódicas da citricultura norte-americana. Medidas restritivas às importações do produto brasileiro, implementadas pelo governo norte-americano, levaram à retração dessa cultura no Brasil.

fabio colombini

O trigo Cereal cultivado em clima temperado, o trigo é o produto básico para a fabricação de pães e massas. O Brasil tradicionalmente importa esse produto da Argentina, dos Estados Unidos e do Canadá. De 1950 até atualmente, começou-se a incentivar o cultivo do trigo, cuja importação e compra da produção interna são desde 1962 monopolizadas pelo Banco do Brasil, que o revende aos moinhos. Até os anos 1970, o Brasil importava cerca de 80% do trigo que consumia. mauro zafalon/folha imagem

yyP  lantação de laranja, em São Carlos (SP).

O arroz

adriana zehbrauskas/folha imagem

Originário da Ásia, o arroz é um produto básico para a alimentação brasileira. Há no país duas variedades principais: o arroz de várzea ou irrigado, que é cultivado nos vales fluviais e oferece rendimento maior; e o arroz de sequeiro, que depende da estação das chuvas. Rio Grande do Sul (58% do total), Santa Catarina, Mato Grosso, Maranhão e Pará destacam-se na produção nacional do arroz.

yyColheita mecanizada de trigo, no norte do Paraná.

Nos anos 1980, esse gênero alimentício foi o único destinado ao mercado interno que sofreu grande expansão, graças aos subsídios governamentais quanto a créditos bancários, assistência técnica, etc., e o país passou a importar apenas 25%. No decorrer dos anos de 1990, após a criação do Mercosul, houve retração nessa cultura por causa da maior competitividade do produto argentino e, em 2008, cerca de 50% do trigo aqui consumido foi importado. Os principais produtores de trigo no Brasil são Paraná (50% do total) e Rio Grande do Sul (33%).

O algodão

yyTrabalhador colhe arroz em plantacão irrigada,  no Tocantins.

O algodão produzido no Brasil destina-se à exportação e às indústrias têxtil e de alimentos (produção de óleo comestível). Pela sua importância industrial, tem a maior parte da comercialização controlada por grandes empresas do ramo têxtil Agricultura e pecuária < Capítulo 6

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A uva

delfim martins/pulsar imagens

A uva é empregada principalmente na fabricação do vinho. O estado do Rio Grande do Sul produz cerca de 50% do total produzido no país, seguido por São Paulo e Pernambuco.

lalo de almeida/folha imagem

ou de alimentos enlatados ou por intermediários, que revendem o produto para a indústria. Existem dois tipos principais de algodão no Brasil: o arbóreo ou de fibra, predominante no Nordeste, e o herbáceo ou de caroço, o mais importante em termos de produção e que predomina no Centro-Sul. Destacam-se na produção do algodão os estados de Mato Grosso (50% do total), Bahia e Goiás.

yyCultivo de uma no Vale do São Francisco, em  Petrolina (PE).

O feijão

Em grande parte o tabaco é destinado às indústrias de cigarros. Os principais estados produtores são Rio Grande do Sul (52% do total), Santa Catarina e Paraná.

fernando vivas/editora abril

Produto básico na alimentação nacional, embora desvalorizado comercialmente, o feijão é um alimento produzido por técnicas agrícolas tradicionais, geralmente em pequenas propriedades. Paraná, Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Goiás e Ceará se destacam na produção nacional do feijão.

O fumo

maurício simonetti/pulsar imagens

yyP  lantação de algodão, em Rondonópolis (MT).

yyP  lantação de feijão, em Barreiras (BA).

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Unidade III < Brasil: utilização do espaço

yyPlantação de fumo, nos arredores de Alfredo  Wagner (SC).

O cacau

ana ottoni/folha imagem

Originário da Amazônia, o cacau foi introduzido no sul da Bahia e aí se desenvolveu favoravelmente, graças ao cultivo sombreado. A Bahia produz cerca de 70% do total nacional. É utilizado na fabricação de chocolates, licores, produtos farmacêuticos e cosméticos e grande parte de sua produção é exportada.

yyP  lantação de cacau no distrito de Castelo Novo, em Ilhéus (BA).

Verificando o que aprendemos 1. E  labore uma lista dos principais produtos cultivados no Brasil. 2. Com base na lista que você elaborou, faça o seguinte: a) Cite o nome dos produtos agrícolas cultivados no Brasil utilizados na alimentação da sua família. b) C  omo e onde esses produtos são comprados? 3. A soja é planta leguminosa de grande valor proteico. Sobre esse produto agrícola do Brasil, responda: a) Por que nas últimas décadas a soja é o grande destaque da agricultura brasileira? b) Q  uais estados são os maiores produtores de soja no Brasil? c) Você se alimenta com produtos derivados da soja?

3

A pecuária

A criação de gado bovino é praticada sobretudo nas propriedades rurais com mais de 1000 hectares. A avicultura e a suinocultura, em geral, predominam nas pequenas propriedades. A pecuária bovina leiteira é intensamente praticada em pequenas propriedades, pois a produção de carne é bem mais valorizada do que a de leite e, além disso, houve nas últimas décadas um aumento da exportação de carne bovina industrializada. Apesar do aumento dessas exportações, o consumo interno de carne bovina diminuiu desde os anos 1970 até por volta de 2000, quando voltou a aumentar. Em 2007, foram produzidos cerca de 7,5 milhões de toneladas dessa carne, dos quais cerca de 2 milhões se destinaram à exportação e 5,5 milhões ficaram para o consumo interno. Isso representa um consumo per capita (por pessoa) de cerca de 30 kg de carne por ano. Mas o consumo per capita, como sempre, é irreal, pois representa apenas uma média simples que não retrata fielmente a realidade, especialmente em um país onde as desigualdades sociais são extremas. Por outro lado, o consumo da carne de frango vem aumentando no Brasil desde os anos 1970. A avicultura apresentou ótimo desenvolvimento nas últimas décadas, com a função de exportar, suprir o mercado interno e compensar parcialmente o declínio do consumo da carne bovina. A produção nacional de carne de frango subiu de 2,2 milhões de toneladas em 1990 para 10 milhões em 2007. Desse total, 3,2 milhões se destinaram ao mercado externo e 6,8 milhões para o consumo interno, o que representa quase 37 kg de carne de frango per capita. Dessa forma, as exportações brasileiras de carne de frango já são superiores às de carne bovina. Outro tipo de carne que vem apresentando crescimento em termos de produção e exportação (e também no consumo interno) é a suína (de porcos). Em 2007 a produção da carne suína atingiu o seu auge: cerca de 2,8 milhões de toneladas. Como pouco mais de 600 mil toneladas foram exportadas, restaram 2,2 milhões para abastecer o consuAgricultura e pecuária < Capítulo 6

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mo interno, o que equivale a cerca de 12 kg por pessoa nesse ano. Somando esses três tipos de carnes — bovina, suína e de frangos — o Brasil se tornou o maior exportador mundial de carnes, com cerca de 5,3 milhões de toneladas exportadas em 2007.

Pecuária bovina

Outras criações Além do gado bovino, a pecuária brasileira destaca-se na criação de: << Suínos — Depois da avicultura e do rebanho bovino, o suíno tem o maior contingente do país, com cerca de 35 milhões de porcos. Também é mais numeroso no Centro-Sul, destacando-se em sua criação Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. << Ovinos — Os carneiros são criados principalmente no Rio Grande do Sul, que atualmente detém cerca de 25% dos 16 milhões de cabeças existentes no país. Depois vêm a Bahia (20% do total), Ceará e Piauí.

leonardo colosso/folha imagem

A criação bovina é o tipo de pecuária mais importante no Brasil, tanto por fornecer a segunda carne mais consumida quanto por produzir leite para as indústrias de laticínios e para o consumo da população. O rebanho nacional — um dos maiores do mundo — somava 206 milhões de cabeças em 2007. Todavia, como a população nacional é das mais numerosas, cerca de 184 milhões de habitantes nesse ano, a proporção bovino/habitante é de cerca de 1,1, ao passo que na Argentina chega a 2,2, na Austrália a 2,3 e no Uruguai atinge 3,0. O rebanho bovino brasileiro concentra-se no Centro-Sul e os estados com maior quantidade de cabeças de gado são Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Pará. No Centro-Sul, sobressai ainda uma pecuária melhorada, com gado de raças selecionadas, ao passo que no Nordeste e na Amazônia predomina uma pecuária primitiva, com criações extensivas de gado zebu rústico ou “crioulo”.

Na realidade, no Brasil inteiro predomina a raça de bovinos zebu, originária da Índia e que se adaptou muito bem ao clima do país. Mas, em diversas áreas do Centro-Sul, o zebu sofreu aprimoramentos genéticos e modificou-se para melhor, adquirindo maior peso e crescimento mais rápido. Assim, os gados nelore, gir e guzerá, de ótimo rendimento, são o resultado de melhoramentos e desenvolvimentos da raça zebu. Em áreas bem restritas, notadamente no Rio Grande do Sul, cria-se gado de origem europeia, sobretudo raças holandesas e dinamarquesas, como Hereford, Polle Angus e Durham.

yyRebanho de gado bovino de corte em fazenda no Mato Grosso do Sul, o estado com o segundo maior rebanho do Brasil, em 2008.

98

Unidade III < Brasil: utilização do espaço

no Brasil, especialmente no Nordeste, onde se adaptaram muito bem e são muito importantes para o fornecimento de carne e leite à população regional. Há cerca de 10 milhões desses animais no país, com cerca de 39% desse total no estado da Bahia, 15% em Pernambuco e 14% no Piauí. << Aves — Com cerca de 1,1 bilhão de aves — galinhas, galos, frangas, frangos, pintos e codornas —, o Brasil possui a maior criação da América e, no mundo, é inferior apenas à de alguns países asiáticos e à da Rússia. A avicultura cresceu bastante nas últimas décadas, concentrando-se em particular nos estados do Sudeste e do Sul.

ernesto rodrigues/ae

<< Caprinos — É muito comum a criação de caprinos

yyCriação de frangos, em Rio Verde (GO).

[geolink] 40% de carne e soja vêm da Amazônia Legal Dados oficiais mostram que agronegócio avança sobre floresta; 73% dos 74 milhões de cabeças de gado da região estão na mata Governo e empresários rejeitam recuar a produção; ambientalistas classificam o agronegócio como principal causa de devastação local Com pouco mais de 5 milhões de quilômetros quadrados, dos quais 83% são dominados por floresta, a Amazônia Legal já responde por quase 40% da produção de carne e soja do país. Os dados são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Comparados aos números gigantes da produção, são “simbólicos” os primeiros resultados da ação do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) contra o agronegócio associado ao desmatamento da Amazônia — região que concentra 36% da pecuária e 39% da cultura de soja nacionais. Na investida contra o “boi pirata”, o instituto acaba de apreender 3 500 cabeças de gado em propriedades embargadas por desmatamento ilegal. Os fiscais já haviam apreendido 4 300 toneladas de grãos em áreas igualmente embargadas.

Floresta Embora a fatia de cerrado da Amazônia Legal (16% da área) se mostre altamente produtiva ao agronegócio, os dados oficiais mostram que a atividade ocupa amplas áreas do que já foi floresta um dia. O avanço

sobre a floresta se mostra mais contundente no caso da pecuária: 73% dos 74 milhões de cabeças de gado da região são criadas no bioma Amazônia, jargão que designa a floresta. Esse avanço é mais expressivo em Mato Grosso, Rondônia e Pará, que lideram o ranking do desmatamento. O agronegócio é apontado por ambientalistas como principal causa da devastação da Amazônia, algo contestado por ruralistas e setores do governo. Acompanhando o aumento dos preços de commodities como soja e carne, as motosserras se aceleraram desde 2007, depois de três anos de queda no ritmo do abate de árvores. Neste ano, o desmatamento deve superar 12 mil quilômetros quadrados, o equivalente a oito vezes a cidade de São Paulo. O ritmo acelerado das motosserras, captado por imagens de satélites do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), ainda não aparece nos dados colhidos pelo IBGE.

Sem recuo O recuo do agronegócio na Amazônia Legal é uma hipótese descartada pelo governo e por representantes dos produtores ouvidos pela Folha. “A tendência é um aumento da produção em áreas de floresta já abertas”, resume Rodrigo Justos de Britto, assessor técnico da CNA (Confederação Nacional de Agricultura), em coro com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. “Não é preciso derrubar uma árvore para aumentar a produção”, argumenta Carlos Rodenburg, em uma espécie de mantra repetido em público pelos produtores. Rodenburg presi-

Agricultura e pecuária < Capítulo 6

99

de a Agropecuária Santa Bárbara e está à frente do maior rebanho bovino da Amazônia, em sociedade com o banqueiro Daniel Dantas. Pouco mais de dois anos depois de se instalar na região, a Santa Bárbara já cria meio milhão de cabeças de gado no sul do Pará e no norte de Mato Grosso, na região que concentra ações de combate ao desmatamento. As pastagens já ocupam 700 mil quilômetros quadrados, ou 13,5% da Amazônia Legal. Nessa área, foram produzidos 2,7 milhões de toneladas de carne em 2006, o equivalente a 36% da produção nacional. Dados organizados pela ONG Amigos da Terra em estudo ainda inédito sobre a atividade econômica na Amazônia mostram um peso ainda maior da produção local de soja (39%) e algodão (47%). A Amazônia Legal produziu, em 2005, 20,1 milhões de toneladas de soja, ou quase 10% da produção mundial. Segundo a CNA, mais de 98% dos 66 mil quilômetros quadrados de plantações de soja dessa safra da Amazônia

Verificando o que aprendemos 1. A  criação bovina é o tipo de pecuária mais importante no Brasil. a) Que tipo de raça de bovinos predomina no Brasil? Onde ela se originou? b) Escreva um comentário sobre as dicas a seguir:

Carne: como comprar e conservar:

•a  cor da carne bovina deve ser cereja-brilhante com odor de carne fresca;

• ao comprar carne em bandejas evite as com excesso de líquido. Isso significa que o produto variou de temperatura ou está exposto há muito tempo;

• o estabelecimento deve ser limpo e organizado;

• a carne de boa procedência sempre terá um selo de inspeção federal (SIF) estadual ou municipal. Fonte: Adaptado de O Estado de S. Paulo, 6 dez. 2006

2. Além do gado bovino, a pecuária brasileira destaca-se na criação de outros animais. Quais são eles? Em que estados do Brasil são criados?

100 Unidade III Brasil: utilização do espaço <

Legal foi plantada e colhida em áreas de cerrado. A participação na produção nacional de soja, carne e algodão da Amazônia já supera o percentual da produção local de madeira. Fonte: Marta Salomon, da sucursal de Brasília. Folha de S.Paulo, 15 jun. 2008.

Sobre o Geolink 1. C  omente a ação do Ibama na investida contra o “boi pirata” na Amazônia. 2. Qual a posição dos ambientalistas com relação ao agronegócio na Amazônia? E a dos ruralistas e de alguns setores do governo? 3. Um estudo da ONG Amigos da Terra apresenta alguns dados sobre a atividade econômica da Amazônia. Quais são eles?

4

 strutura fundiária E e reforma agrária

Denomina-se estrutura fundiária a forma como as propriedades agrárias de uma área ou país estão organizadas, isto é, seu número, tamanho e distribuição social. Vejamos uma tabela na página ao lado sobre esse assunto. Como se vê, um dos grandes problemas agrários do Brasil é a extrema concentração da propriedade. A maior parte das terras ocupadas e os melhores solos encontram-se nas mãos de pequeno número de proprietários — chamados de latifundiários —, muitas vezes com enormes áreas ociosas, não utilizadas para a agropecuária, apenas à espera de valorização, ao passo que um imenso número de pequenos proprietários possui áreas ínfimas — os minifúndios —, insuficientes para garantir-lhes, e a suas famílias, um nível de vida decente e com boa alimentação. Mais grave ainda é o fato de que essa concentração da propriedade fundiária tem aumentado muito ao longo dos anos, conforme se observa pela tabela. Essa concentração fundiária — isto é, da propriedade rural — prejudica a produção de alimentos, porque as grandes propriedades, em geral, se voltam mais para os gêneros agrícolas de ex-

Número de propriedades (proporção sobre o total) Dimensão dos imóveis (ha)

Menos de 10 De 10 a 100 De 100 a 1 000 Mais de 1 000 Total

Área dos imóveis (proporção sobre o total)

1970

1985

1996

4 924 019 imóveis

5 834 799 imóveis

4 869 865 imóveis

51,4% 39,3% 8,5% 0,8% 100%

53,1% 37,1% 8,9% 0,9% 100%

49,7% 39,6% 9,7% 1,0% 100%

1970

1985

1996

294 862 142 ha 376 286 577 ha 353 611 246 ha

3,1% 20,4% 36,9% 39,6% 100%

2,6% 18,5% 35,0% 43,9% 100%

2,3% 17,7% 34,9% 45,1% 100%

Fonte: IBGE. Censo agropecuário de 1996.

BRASIL — DISTRIBUIÇÃO DOS IMÓVEIS RURAIS SEGUNDO A DIMENSÃO

E TAS FRU O, DÃ O G FR

MA

E AS UT

A DEIR

RA D EI MA

R CA AÇÚ AS RUT AÇÚCAR, F E MADEIRA

CACAU

CE L CAFÉ,

OCEANO PACÍFICO E CAFÉ

LEGENDA

Pequena lavoura comercial e familiar

Pecuária melhorada Pecuária leiteira Extrativismo vegetal Principais produtos exportados

TAS FRU

AÇ JA, C ÚC LARAN FRU AR, SOJA, CAFÉ, SUCO DE TAS E SO MADEIRA JA, ALGO DÃO E MADEIRA

Agricultura predominantemente comercial

Pecuária primitiva (Extensiva)

M SE E ULO

SO JA

IRA ADE

, ARNE

EM ADE IRA

SOJA

EIRA E MAD LOSE CAR , CELU NE, FUMO, SOJA

0

ESCALA 1 250 2 500 km

Agricultura e pecuária < Capítulo 6

101

Fonte: Simielli, Maria Elena. Geoatlas. São Paulo: Ática, 2008.

AD

OCEANO ATLÂNTICO

A EIR

AL

des do meio rural, em uma melhor distribuição da terra. De forma genérica, a reforma agrária é uma mudança na estrutura fundiária do país efetuada pelo Estado, que desapropria grandes fazendeiros com propriedades improdutivas e distribui lotes de terras a famílias camponesas. Apesar de ser intensamente discutida e de terem sido criados órgãos governamentais que deveriam implementá-la — o último foi o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que ainda existe —, a reforma agrária nunca foi amplamente executada no Brasil, embora tenha sido e continue sendo executada de forma parcial. Uma evidência da falta de uma ampla reforma agrária encon-

M

portação. Vários estudos calcularam que de 60% tra-se na persistência – e até o agravamento – da a 70% dos gêneros alimentícios destinados ao enorme concentração na propriedade fundiária. abastecimento do país procedem da produção Observe no mapa a seguir como a terra é utilide pequenos lavradores, que trabalham em base zada atualmente no Brasil. familiar. Portanto, a concentração ainda maior da O que impede uma verdadeira reforma agrária estrutura fundiária explica a queda da produção no Brasil? As dificuldades em promover uma amde alguns gêneros alimentícios básicos e o crescipla reforma agrária no Brasil são várias. Uma demento de produtos agrícolas de exportação. las é que existem fortes interesses contrários dos Desde os anos 1950, discute-se no Brasil a reforma agrária, que consiste uso da terra no brasil em uma redistribuição das proprieda-

102 Unidade III Brasil: utilização do espaço <

joel rocha/editora abril

grandes proprietários rurais, que muitas vezes acabaram predominando: esses proprietários formam lobbies ou grupos de pressão para convencer os políticos — tal como ocorreu na Constituinte de 1988, por exemplo — e abortam as tentativas de mudanças na legislação que procuram facilitar a desapropriação de terras. Também existem dificuldades jurídicas: em muitos casos, os proprietários ganham na justiça indenizações milionárias ou até bilionárias, várias vezes acima do preço de mercado dos imóveis, yyAssentamento do Movimmento dos Trabalhadores Rurais sem Terra como pagamento de suas terras (MST), localizado no terreno de uma empresa em Quedas do Iguaçu (PR), que foi comprado pelo governo federal para a reforma agrária, em 2004. desapropriadas, algo que ocorreu muito nos anos 1990 e início do século XXI. Isso ocorreu e, às vezes, ainda ocoros camponeses sem-terra, pessoas que têm vore, devido à corrupção ou aos interesses comuns cação para o trato com a terra e alguma experientre os proprietários e determinados fiscais ou ência nessa atividade. funcionários do Incra encarregados de avaliar o Essa distribuição, porém, não é algo tão fácil imóvel, que exageram o seu valor na medida em de se fazer. Isso porque existe um grande número que, por vezes, negociam uma comissão para isso, de oportunistas que se infiltram nos movimentos e eventualmente alguns juízes, que, por diversos e se misturam aos verdadeiros sem-terra. São motivos — seja pela identificação ou conivência pessoas que não nem têm o menor interesse em com os proprietários, seja por acreditarem nos se fixar no campo e trabalhar na terra (às vezes, laudos dos fiscais —, dão sentenças favoráveis a nem precisam dela), mas sim ganhar um pedaço essas indenizações abusivas. de terra para vendê-la e obter lucro. Talvez o grande impedimento para uma amPara custear os assentamentos é preciso hapla e generalizada reforma ver financiamento com juros baixíssimos (caso agrária no Brasil seja o custo contrário, não conseguirão pagar) para a compra Assentados pessoas que de manutenção dos assende adubos, sementes, eventualmente máquinas, vivem em um tados. Uma reforma agrária etc. Os assentamentos precisam de estradas e assentamento de terra, ou seja, bem feita não consiste apenas caminhões para escoar a produção, precisam de um núcleo de em desapropriar terras improgarantias de um preço mínimo para cada produpovoamento constituído por dutivas e distribuí-las para os to que cultivam, etc., e isso tudo é extremamente camponeses ou trabalhadores rurais. Se fosse custoso. Foi por falta dessas condições — o apoio trabalhadores rurais. apenas isso, seria bem menos aos assentados — que vários projetos de reforma complicado: consistiria tão-soagrária fracassaram no Brasil, especialmente na mente em detectar as terras improdutivas (algo Amazônia, onde, após alguns anos, os assentaque não é tão fácil como parece), desapropriádos venderam suas terras para grandes proprielas (o que, como já vimos, também é complicado tários por não conseguirem sustentar a família por causa das indenizações) e distribuí-las entre com essa atividade.

Verificando o que aprendemos 1. D  enomina-se estrutura fundiária a forma como as propriedades agrárias de uma área ou país estão organizadas, isto é, seu número, tamanho e sua distribuição. Explique com suas palavras como é a estrutura fundiária no Brasil.

2. A mídia (TV, jornais, revistas) tem feito cobertura de muitas manifestações organizadas por trabalhadores rurais sem terra. a) Observe a foto: eraldo peres/ap photo

yyMembros do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) protestam contra a lentidão do governo federeal para realizar a reforma agrária durante o 5o Congresso Nacional do MST ocorrido em Brasília (DF), no dia 14 de junho de 2007.

b) Responda:

• O que a foto está retratando?

• Onde e quando ocorreu esse episódio?

• Qual o nome do movimento que organizou o protesto?

• O que você sabe sobre as lutas e os movimentos dos trabalhadores rurais sem terra?

3. Pesquise informações atuais sobre manifestações organizadas por trabalhadores rurais sem terra. Na sua pesquisa você deve incluir as seguintes informações: • Onde e quando ocorreram esses fatos; • Fontes consultadas (nome e data do jornal, período e nome da revista, endereço do site etc.)?

 a data combinada com o professor, leve o N material pesquisado para a sala de aula.

d) C  om a orientação do professor, comparem suas respostas com as de outras duplas.

1. Forme uma dupla. Juntos, observem a foto ao lado e leiam a legenda:

a) F  açam uma lista dos elementos visíveis na foto.

b) N  a opinião da dupla:

• O  que o trabalhador está fazendo?

•P  or que o uso da máscara?

•Q  ue danos o uso de agrotóxicos pode provocar ao meio ambiente e às pessoas?

c) P  ensem nos pro­du­tos in na­tu­ra (não in­ dus­tria­li­za­dos) que vo­cês con­so­mem e res­pon­dam:

•V  ocês sentem o gosto de agrotóxico em algum produto?

•V  ocês ou as pessoas de casa lavam bem as frutas, os legumes e as verduras antes de consumi-los?

delfim martins/pulsar imagens

Roteiro de estudo

yyTrabalhador aplica agrotóxico em plantação de tomate, em Sumaré (SP).

Agricultura e pecuária < Capítulo 6

103

2. Observe a foto abaixo: zeka/ag. a tarde/ae

segunda, escreva o nome de produtos consumidos ou utilizados em sua casa que se originam desses cultivos (ma­téria-prima). Veja o exemplo: Principais cultivos

a) R  egistre no caderno:

• o que a foto está retratando;

• onde e quando ocorreu esse episódio;

•o  nome do movimento que organizou o pro­tes­to.

b) C  om a coordenação do professor e em grupo, elaborem um texto coletivo sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST). Escrevam o que vocês sabem sobre esse movimento.

(consumo/utilizados em casa)

Cacau

Chocolate

Cana-de-açúcar

Açúcar

b) C  om a coordenação do professor, compare sua ta­­­bela com a dos colegas e troquem idéias sobre as informações do quadro “Para que serve a soja” (abaixo).

4. O cartum é um tipo de desenho que apresenta uma situação humorística. Muitas vezes, satiriza um fato específico, em geral de caráter político e que é do conhecimento das pessoas. glauco/folha imagem

yyEm sinal de protesto, integrantes do MST ocupam a fazenda Vitória, em Itabuna, no sul da Bahia, em março de 2005.

Produtos derivados

SEM TERRA

3. Releia o texto das páginas 92 a 97 sobre os prin­cipais cultivos no Brasil para realizar as ativida­des a seguir.

a) F  aça uma tabela. Na primeira coluna, escreva os principais cultivos do Brasil; na Para que serve a soja Proteína crua

Produto integral

• Farinha e granulados (pão, do­ces, biscoitos, massas, lin­guiças e salsichas, cereais, be­bidas, nu­trientes, alimento para bebês, etc.).

• Ingrediente de balas, cereais, con­­­feitaria.

• Adesivos, estrutura de tintas, in­dústria têxtil, indústria de pa­pel.

• Broto de soja.

• Adubos, remédios. • Aditivos para alimentos. • Alimento para gado, a­­­v­es, pei­xes, animais do­més­ticos.

• Farinha de soja. • Pão. • Gordura. • Alimento para gado. • Base para tempero. • Derivados de soja (enzima, quei­jo de soja, leite de soja, mo­lho para carne).

104 Unidade III Brasil: utilização do espaço <

Produtos oleaginosos Óleo refinado

Lecitina

• Óleo de cozinha, maioneses, mar­garinas, produtos farmacêuticos, tempero para sala­das, gordura vegetal.

• Produtos de padaria, bala, re­ves­timento de chocolate, produtos farmacêuticos, fabricação de margarinas, gorduras.

• Ingredientes para calefação, de­sinfetante, isolante elétrico,  in­seticida, tecidos, tinta para im­pressão, sabão.

• Fabricação de álcool, tinta, in­seticidas, cosméticos, pigmentos, produtos químicos.

a) O  bserve atentamente o cartum e responda: em sua opinião, qual é a intenção do cartunista?

b) R  eleia o item “Estrutura fundiária e reforma agrária”, nas páginas 100 a 102.

c) Observe a data das reportagens e pesquise em jornais e revistas informações sobre a situação dos transgênicos hoje. Anote em seu caderno o que permaneceu e o que mudou.

c) D  iscuta com o professor e os colegas se há necessidade ou não de uma reforma agrária no Brasil e se ela é a única solu­ção para resolver o problema dos sem-terra.

d) A  gora é hora de discutir com o professor e os colegas: você é favorável ao consumo de produtos transgênicos? Por quê?

6. A edição de 12 de março de 2008 da revista Veja publicou as seguintes informações:

5. Se vo­cê en­con­tras­se es­tam­pa­da no ró­tu­lo de al­gum ali­men­to in­dus­tria­li­za­do a ex­pres­são “ali­men­to ge­ne­ti­ca­men­te mo­di­fi­ca­do”, vo­cê o com­pra­ria? Pa­ra dis­cu­tir es­sa ques­tão, rea­li­ ze as ati­­vi­­da­des a se­guir.

a) Procure no di­cio­ná­rio o sig­ni­fi­ca­do da pa­la­ vra trans­gê­ni­co.

b) C  onheça a se­guir duas vi­sões so­bre os pro­ du­tos trans­gêni­cos.

Os pecuaristas brasileiros descobriram um novo filão nos negócios: a exportação de bois vivos. Esse tipo de comércio está em franca ascensão. Um dos maiores clientes é a Venezuela, onde o governo estimula a importação de bois vivos para criar empregos em matadouros. Mais de 40% dos bois vendidos pelo Brasil, no entanto, vão para Líbano, de onde são distribuídos por todo o Oriente Médio. A razão é religiosa: os muçulmanos preferem comer a carne de bois abatidos no próprio país, segundo os preceitos da lei islâmica.

A

“An­tes de cri­ti­car es­ses ali­men­tos, é pre­ci­so sa­ber que há ­mais de se­ten­ta ­anos os pes­qui­sa­ do­res vêm rea­li­zan­do cru­za­men­tos en­tre plan­tas com o ob­je­ti­vo de trans­fe­rir ge­nes de uma es­pé­cie pa­ra ou­tra. Du­ran­te to­do es­se tem­po, o to­ma­te, a ba­ta­ta, o mi­lho, o tri­go, a ­aveia e ou­tros ve­ge­tais que vo­cê co­me dia­ria­men­te já pos­suem ge­nes que ­eram, ori­gi­nal­men­te, de ou­tras es­pé­cies. Ou se­ja: os trans­gê­ni­cos não são ne­nhu­ma no­vi­da­de. O que mu­dou, re­cen­te­men­te, foi o sur­gi­men­to de no­vas téc­ni­cas de mo­di­fi­ca­ção ge­né­ti­ca.”

Cresce a exportação de bois vivos

Ano Número de cabeças 2003 2 000 2004 10 000 2005 110 000 2006 250 000 2007 430 000 Fonte: Ministério da Agricultura, Frigorífico Minerva, WSPA

(Zanettini, Maria Helena. Sem medo dos transgênicos. Superinteressante, mar. 2003, p. 90.)

e Instituto Brasileiro de Estudos Islâmicos.

B

afp/corbis

Revista Veja, 12 mar. 2008.

yyIntegrantes do Greenpeace põem bonecos com cartazes diante da sede do grupo Novartis, na Suíça, em protesto contra o uso de produtos transgênicos em alimentos infantis. (Folha de S.Paulo, 22 ago. 2001.)

a) S  egundo o texto, para que países do mundo estão sendo exportados os bois vivos do Brasil? Localize-os em um mapa-múndi.

b) P  or que o governo da Venezuela estimula a importação de bois vivos?

c) Q  ue razão motiva a importação de bois vivos pelos países do Oriente Médio? Explique.

d) C  onstrua um gráfico de linha para mostrar a evolução da exportação brasileira de bois vivos. Para isso, conte com a ajuda do professor e com os conhecimentos adquiridos no primeiro capítulo deste livro.

e) C  ompare essas informações com o texto do Geolink das páginas 99 e 100 e comente suas conclusões com o professor e os colegas.

Agricultura e pecuária < Capítulo 6

105

MS

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FLKI8J I<>@Ã<J /)#+

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SUL 21,1%

OCEANO ATLÂNTICO Início do século XIX

1 886

1 836

1 920 0 1 935

ESCALA 133

JL;<JK< ('#'

266 km

a) C  om base nos conhecimentos adquiridos no capítulo, que título você daria para o mapa?

OUTRAS REGIÕES 77,9%

Fonte: IBGE, PNAD 2006. FLKI8J I<>@Ã<J 0'#'

b) M  ostre sua resposta para o professor e conversem sobre a foto a seguir:

maristela do valle/folha imagem

:<EKIF$F<JK< (.#-

Ribeirão Preto

Marília

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8. Observe os gráficos a seguir e depois responda às questões abaixo:

MG

G ra n d e

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1 854

R io

Lins e

Fonte: Adaptado de Arruda, José Jobson de. Atlas Histórico básico. São Paulo: Ática, 2006.

7. Observe o mapa a seguir. Ele mostra a expansão do cultivo do café no estado de São Paulo.

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EFI;<JK< *-#( FLKI8J I<>@Ã<J -*#0

yyFachada da senzala da fazenda Pinhal, declarada Patrimônio Histórico Nacional por ser uma das mais importantes do ciclo do café no século XIX, hoje funciona como hotel-fazenda, em São Carlos (SP).

Fonte: IBGE, PNAD 2006.

FLKI8J I<>@Ã<J .-#-

a)O que os gráfico representam?

b) Q  ue região brasileira ocupa o maior número de trabalhadores na agropecuária? E o menor?

Hora da pesquisa Pesquise em jornais, revistas ou internet notícias relacionadas a acontecimentos ocorridos no espaço rural brasileiro que podem ser considerados agressão ao meio ambiente. Na sua pesquisa você deve incluir as seguintes informações:

106 Unidade III Brasil: utilização do espaço <

• onde e quando ocorreram esses acontecimentos; • tipo de agressão ao meio ambiente; • consequências para o meio ambiente e para a sociedade; • fontes consultadas - nome e data do jornal, período e nome da revista, endereço do site, etc.

Na data marcada pelo professor, traga o material pesquisado para a sala de aula. Nessa data o professor irá dividir a classe em grupos para orientar as seguintes atividades: a) Reproduzam em um papel transparente o mapa político do Brasil e colem no centro de uma cartolina. b) C  olem ao redor as notícias que mais atraíram a atenção do grupo. Façam setas indi-

cando o estado do Brasil a que cada notícia se refere. c) Com base no material elaborado, escrevam um texto comentando as consequências desses acontecimentos para o meio ambiente e para a sociedade. Exponham o material elaborado e leiam o texto para o professor e os demais grupos.

Geografia na internet Sugerimos para consulta alguns sites www.agricultura.gov.br — O site do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento apresenta estatísticas sobre a agricultura e a pecuária no Brasil e no mundo, áreas plantadas, produção de lavouras temporárias e permanentes, etc. www.mda.gov.br — Site do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Traz informações sobre os principais programas de governo, notícias por estado, links para outros sites, relatórios e vídeos sobre o tema. www.embrapa.br — Site da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, com links dedicados a engenharia da produção, agroindústria, monitoramento de queimadas, agrometeorologia, agricultura familiar, entre outros. www.incra.gov.br — Site do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, vinculado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário. Apresenta balanços, relatórios, notícias e estatísticas sobre a reforma agrária no Brasil. www.brasilescola.com.br — O site fornece conteúdos que auxiliam nas pesquisas escolares: notícias recentes, links para temas diversos, informações sobre cursos, dicas de estudo e textos sobre todas as matérias escolares.

Geografia na tela vantoen jr./divulgação

Sugestões de filmes relacionados ao conteúdo do capítulo: Eu, tu, eles. Brasil, 2000. Direção de Andrucha Waddington. Com Regina Casé, Lima Duarte, Stênio Garcia e Luiz Carlos Vasconcelos. Sinopse: O filme narra a vida de Darlene, uma mulher simples do campo. Grávida e abandonada pelo noivo na porta da igreja, ela deixa sua terra para só voltar três anos depois, junto com seu filho. Mulher forte e corajosa, para sobreviver ela enfrenta trabalhos pesados na roça e nos canaviais.

Agricultura e pecuária < Capítulo 6

107

Sinopse: Documentário que mostra a vida rural dos moradores de uma pequena cidade no sertão da Paraíba nos dias atuais. Na cidade de São João do Rio do Peixe, a equipe descobre uma comunidade rural onde vivem 86 famílias, o sítio Araçá. Sem locação, personagens ou pesquisas predefinidos, o filme é uma narração das histórias pessoais dos moradores dessa comunidade, em sua maioria idosos, que retratam uma faceta do Brasil rural — a influência do catolicismo popular, a valorização da honra, a hierarquia do campo, os laços familiares.

maristela do valle/folha imagem

O fim e o princípio. Brasil, 2005. Direção de Eduardo Coutinho.

Terra para Rose. Brasil, 1987. Direção de Tetê Moraes. Sinopse: Em 1985, 1.500 famílias de camponeses ocuparam um latifúndio improdutivo, a fazenda Annoni, no município de Sarandi (RS), que fica a 500 quilômetros de Porto Alegre. Essa foi a primeira grande ocupação de uma terra improdutiva no Brasil. Em meio a esse fato histórico de grande relevância, estava Rose, uma agricultora sem terra, que teve o primeiro bebê nascido no acampamento, e que foi morta, junta com outros dois camponeses, atropelada por um caminhão de uma empresa agrária que se lançou contra um grupo de manifestantes à beira da estrada. O documentário narra, a partir da história de Rose, a própria história do nascimento do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), que até hoje é um importante ator na luta pela reforma agrária no Brasil.

O sonho de Rose – 10 anos depois. Brasil, 2000. Direção de Tetê Moraes. Narração de Lucélia Santos, Chico Buarque, Márcio Moreira Alves, Sebastião Salgado, Luiz Claudio Ramos. Sinopse: Em 1996, dez anos depois da primeira visita à ocupação da fazenda Annoni, que gerou o documentário Terra para Rose, a diretora Tetê Moraes volta ao acampamento para re-encontrar os personagens, e se depara com surpreendentes resultados dos assentamentos: o estabelecimento de outros assentamentos e agrovilas pelo estado, que prosperaram pela criação de cooperativas, frigoríficos, acordos de cooperação entre si, com ONGs e até mesmo com empresas multinacionais. A diretora também re-encontrou os familiares de Rose, que se tornou mártir da luta pela terra: Marcos, o filho nascido no assentamento, e seu pai. Qual terá sido o destino que tiveram os familiares de Rose?

108 Unidade III Brasil: utilização do espaço <


Geografia Critica 7