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EDITORIAL Escrever sobre os 50 anos da Experimental é revelar a história da educação na Bahia. Educação marcada como um ato político, tentativa desenfreada de clamar pela democracia e praticar o direito da liberdade de expressão. Rastrear os passos dessa caminhada significa reafirmar os valores de uma escola que nasceu a partir de um ato de violência e frustração. Em 1965, a ditadura imperava em nosso país, os que pensavam diferente eram perseguidos e precisavam encontrar um fio de esperança que os guiasse frente às incertezas. A ousadia de inventar uma escola chamada Experimental prenunciava o raiar de novos dias. Dias em que seria possível escancarar os sonhos, encher o peito de coragem para fazer da educação uma prática da liberdade, direito irrevogável de educar crianças capazes de experimentar instantes da vida traçando novas linhas no horizonte. Uma verdadeira e genuína educação construtivista. As muitas narrativas presentes na revista revelam que as memórias dessa escola ficam marcadas na pele. A cada palavra proferida pelos alunos, ex-alunos, pais, educadores e amigos, percebemos o quanto ser Experimental é uma marca para toda a vida. Enquanto leitora/

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SUMÁRIO 26 34 38 40

FAMÍLIA EXPERIMENTAL COMEMORA BODAS! PIONEIRISMO NO CONSTRUTIVISMO NA BAHIA

EDUCAÇÃO COMO META POLÍTICA

PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO: DOCUMENTO DE IDENTIDADE

diretora/autora, cada matéria me encharcava de emoção, arrepios na espinha, lágrimas de saudade, surpresas ao descobrir detalhes ainda não revelados, orgulho, gratidão… Agradecemos a todos que aqui compartilharam suas lembranças e experiências. Muitas páginas ainda poderiam ser escritas, tarefa difícil de selecionar o que ficaria na edição final. Mesmo correndo o risco de não mencionar e homenagear personagens importantes, acreditamos que as histórias aqui contadas são coletivas, traduzem o sentimento de todos os que teceram e tecem a próprio punho nossa trajetória. Para Adriana Nogueira, nossa jornalista, um agradecimento especial. Escreveu como autora de um romance, capturando detalhes, garimpando preciosidades, envolvendo o leitor nas linhas e entrelinhas de cada texto. A cada palavra, muitos enredos. A cada enredo, uma inspiração. Para cada inspiração, a certeza de que ainda teremos muitas histórias para contar. Boa leitura! Thais Almeida Costa Direção Escola Experimental

O DIFERENCIAL DA FORMAÇÃO CONTINUADA COM EDUCADORES E ESPECIALISTAS COMUNIDADE DE APRENDIZAGEM DE DIVERSAS ORDENS LEMBRANÇAS DE 50 ANOS COMUNIDADE EXPERIMENTAL

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PERSONAGENS DA NOSSA HISTÓRIA TUTORIA FAVORECE A FORMAÇÃO ÉTICA DOS ALUNOS DA EXPERIMENTAL BRINCANDO E APRENDENDO POR MEIO DE MÚLTIPLAS LINGUAGENS CONHECIMENTO AO ALCANCE DE TODOS


FAMÍLIA EXPERIMENTAL COMEMORA BODAS! Um forte sentimento de emoção tomou conta da rua da Escola Experimental, no bairro de Vila Laura, em Salvador, no último 14/3, data em que foi comemorado o cinquentenário da primeira escola construtivista da Bahia. A festa reuniu toda a família Experimental, alunos, ex-alunos, professores, famílias e funcionários, cheios de entusiasmo e alegria para celebrar, com muito brilho, os 50 anos da instituição e demonstrar o quanto valorizam a edu-

cação criativa e de qualidade dessa comunidade de aprendizagem. No discurso da fundadora da Experimental, Amabília Almeida, a citação de que “a escola nunca pode se acomodar” comoveu os convidados. Como Marilene Silva, ex-funcionária, que começou o seu primeiro trabalho na escola, como auxiliar de sala, em 1975, e se aposentou na própria Experimental. “Que festa maravilhosa; encontrei e fui reconhecida por muita

A festa reuniu toda a família Experimental, alunos, ex-alunos, professores, famílias e funcionários.

Alunos e familiares aproveitaram a festa

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Pequeninos da Educação Infantil também marcaram presença

gente”, vibrou. “Admiro tudo nesta escola, especialmente Amabília, uma pessoa extraordinária”, pontuou. Na mesma função de auxiliar, quem se aposenta no próximo ano é Zilda Silva, que dedicou 31 anos à escola e ao cuidado com os alunos. “Gosto de cuidar das crianças e aprendi muito lidando com a educação e os valores pregados pela Experimental”, admitiu. As boas lembranças fazem parte da memória de todos. Os colegas da primeira turma do grupo Maternal, Maria Olívia Leite, Jaqueline Góes e Luciano Lordelo, têm recordações históricas. Maria Olívia conta que vê hoje, com orgulho, as árvores que plantou com outros alunos ainda menina. ”Recebemos as mudas para plantar e também construímos o mosaico do painel de azulejos que cobre os muros da escola até hoje. Também recordo de quando fui a noiva da

festa de São João e a carroça foi me buscar em casa, pois eu morava aqui perto, no mesmo bairro”, contou a ex-aluna. Mas, para ela, o que mais marcou foi a liberdade que tinha para fazer escolhas. “Nós éramos consultados para o que ia acontecer. Fazia parte do método construtivista da escola. A gente já tinha naquela época o que só surgiu e foi valorizado em outras escolas depois. Como atividades de arte, teatro, música, folclore; tudo para uma boa educação, que, hoje, é tida como fundamental”, explicou. A amiga Jaqueline disse ter ficado arrepiada com tamanha emoção e o outro ex-aluno da sua sala ressaltou que sempre houve muita integração. “Nós fazíamos parte da turma mais velha, que ia abrindo as séries. Eram turmas pequenas e os grupos viajavam muito juntos”, revelou Luciano, que realizou um encontro com toda a turma após 30 anos sem ver os colegas. 3


PARABÉNS COM UM CÍRCULO DE AMIZADE A programação cultural da festa contou com malabares de palhaços, acrobatas e equilibristas, pirofagia, slackline, animação com o grupo musical “Paroano Sai Milhó”, oficinas de arte, roda de capoeira e muitas barraquinhas de guloseimas, para a alegria de crianças e adultos, que também brincaram com pozinhos coloridos numa dinâmica de grupo. O ápice do evento se deu na hora de cantar o parabéns, quando todos fizeram um círculo de amizade ao redor do bolo. “Foi muito bom poder reunir tantos alunos e ex-alunos, estudantes da primeira turma, familiares, professores e funcionários, recebendo o carinho de todos. Uma grande satisfação encontrar cada um e perceber que fazemos parte de uma comunidade que tem laços que não se perderam ao longo do tem-

po”, destacou a diretora Thais Almeida, que faz parte da terceira geração da família que comanda a escola. A educadora Bisa Almeida completou:“Fiquei muito feliz porque essa é uma data histórica, onde as pessoas foram movidas por um sentimento de emoção ao se encontrar para comemorar esse grande acontecimento, a fundação dos 50 anos da Experimental. Fui a primeira aluna e hoje encontrei antigos professores. Como posso não estar emocionada? Esta é uma escola marcante e significativa pelo caráter do projeto político pedagógico, inovador, criativo e diferenciado, que conseguiu se implantar e permanecer por cinco décadas disseminando conhecimento, fazendo amizades, construindo laços e alimentando nossa alma e espírito”, finalizou Bisa, também diretora do colégio e filha da fundadora Amabília Almeida.

“Foi muito bom poder reunir tantos alunos e ex-alunos, estudantes da primeira turma, familiares, professores e funcionários, recebendo o carinho de todos.”

O artista plástico Guache Marques, sua filha Giovana e sua esposa Gleide Bacelar 4

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A PRIMEIRA ESCOLA CONSTRUTIVISTA DA BAHIA

PIONEIRISMO NO CONSTRUTIVISMO NA BAHIA

Ao elaborar a Teoria da Aprendizagem Construtivista, Jean Piaget (1896-1980) procurou mostrar por quais mudanças qualitativas o ser humano passa em seu desenvolvimento cognitivo, desde o estágio inicial de uma inteligência prática na primeira infância até a estruturação do pensamento formal lógico-dedutivo que se inicia na adolescência. Esta semente foi lançada no cenário educacional baiano em 1965, a partir da fundação da Escola Experimental (14/3/65), primeiro estabelecimento de ensino construtivista da Bahia. Tudo começou com o trabalho da professora Amabília Almeida, quase como uma resposta à ditadura ainda vigente no Brasil na década de 60, época em que a educadora lutava como militante pela melhoria do trabalho da categoria e trocou a escola pública pelo ensino particular, no intuito de criar uma escola em que fosse possível praticar a liberdade de pensamento e formar alunos como verdadeiros cidadãos.

“A Experimental surgiu de um ato de violência e frustração, por isso é tão apaixonante. Sempre tive clareza do papel que a escola representaria num momento obscuro e incerto da formação da juventude. Nossa proposta foi iluminar caminhos. Desenvolver um trabalho educacional considerando a importância de conteúdos e de todos os recursos possíveis para o enriquecimento das atividades”, salienta a fundadora da escola. Essa experiência Amabília Almeida trouxe do início do seu magistério, em 1946, quando ensinou para uma turma de 60 crianças, entre 7 e 14 anos, numa casa de chão batido, no meio de um cafezal, na sua cidade natal, Jacobina, e dos ideais do mestre Anísio Teixeira, que a levaram a trilhar um importante caminho como sua discípula na já extinta Escola Parque, que pregava uma educação integral e aprimorada. “Ele era um educador democrata, acreditava na liberdade e nos ensinou a pensar

Primeira turma de Educação Infantil em 1965 sob orientação de Amabília Almeida

Comemoração dos 10 anos da Experimental

“A Experimental surgiu de um ato de violência e frustração, por isso é tão apaixonante”. 6

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a educação”, relembra Amabília, que há 50 anos deu início à sua trajetória no pioneirismo da adoção do construtivismo em Salvador, com a fundação da Escola Experimental, no bairro da Vila Laura, onde só fez crescer o sucesso da filosofia construtivista implantada na escola. “Fomos além do quadro de giz; criamos uma escola participativa, com abertura para a discussão, experimentos, vivências e muitas descobertas além dos muros da sala de aula, acreditando na educação como um ideal de vida e como o caminho mais seguro para a democracia. Assim como o pensamento original do baiano Anísio Teixeira, um homem à frente do seu tempo, que defendeu que alu-

no e professor construíssem o conhecimento juntos, por meio de uma pedagogia baseada no respeito às inteligências múltiplas”, conta Amabília Almeida, que também pregou um jeito de educar com leveza e liberdade, onde o professor observa, orienta e conversa, sem ser o centro das atenções, mas buscando formar sujeitos criativos e críticos. “Defendemos o protagonismo do aluno”, completa a educadora, que sempre enxergou a importância da formação do sujeito ativo e autônomo no processo construtivista, pelo qual se desenvolvem os aspectos cognitivo, social e emocional a partir do pensar, criar, refletir e criticar, onde o professor deve atuar apenas como mediador do conhecimento.

“Fomos além do quadro de giz, criamos uma escola participativa, com abertura para a discussão, experimentos, vivências e muitas descobertas além dos muros da sala de aula...”

Amabília e seus alunos em pintura ao ar livre no Jardim de Aláh

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“A Experimental está firme até hoje, encantadora e séria, dirigida agora pela terceira geração da família, com toda sua competência e sabedoria. Minha escola democrática é minha paixão”, revela Amabília. “Após 50 anos de trabalho minha expectativa é que a Escola Experimental possa perenizar-se na sua plenitude em busca do conhecimento, dos avanços compatíveis com a inteligência e a criatividade humana. Lidando com emoções, expressando afeto, tendo uma postura consciente diante da vida, na preservação da natureza, no enfrentamento de preconceitos e desigualdades. Hoje, a Experimental é a realização de um sonho, uma escola que deve servir como um pequeno farol, que deixa sempre um rastro a iluminar caminhos que conduzam à paz, ao respeito e à felicidade”, confidencia Amabília.

Bisa Almeida (Diretora) e o trabalho com jogo heurístico na Educação Infantil

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educadores como Loris Malaguzzi, na Itália, e redes de escolas de destaque como a Escola da Ponte, em Portugal, durante os diversos encontros, cursos e seminários em que a Experimental se fez presente. “Também participei da construção do projeto político pedagógico, com a consultoria da Avante Consultores Associados, na formação do currículo, equipe, novas iniciativas, ideias e ações desta conceituada escola, sem jamais perder de vista o respeito à individualidade das crianças de dizerem o que pensam e sentem, aprendendo a usar a liberdade”, completa. Zete conta que no cotidiano da prática educacional sempre houve o respeito ao ritmo de cada um, sem censuras ou críticas, oportunizando um espaço para verdadeiramente ser criança, correr, desenhar, pular, criar, argumentar e experimentar, com a autoestima sempre elevada.

TRABALHO PARTICIPATIVO A professora e atual diretora administrativa da Educação Infantil da Experimental, Gisete Presidio Almeida, mais conhecida como Zete, concorda que a escola é capaz de superar os desafios dos próximos 50 anos seguindo os valores e princípios de ética e da justiça social. “Acredito que a escuta, a verdade e o respeito às diferenças continuem perpetuando as nossas ações no desenvolvimento da prática educacional”, pontua Zete. Para ela, a idealizadora de tudo, Amabília Almeida, atuante na sociedade não só no período cinzento do Brasil mas ainda hoje, lutando pelos direitos dos cidadãos de modo geral, continua sendo respeitada e amada como uma referência para todos que participam da escola. “Agradeço a oportunidade de também ter contribuído com minha gestão para a boa imagem da Escola Experimental, responsável não apenas pela transmissão de conteúdos mas pela formação de sujeitos capazes de se integrar com o mundo e com as pessoas, sendo autônomos, críticos e criativos, capa10

zes de modificar o destino da sociedade, com postura justa e ética, sem ferir os valores e os princípios necessários para uma boa convivência”, afirma, ciente de que a Experimental proporciona um trabalho participativo, onde o aprendiz pensa, julga e questiona, construindo suas concepções atribuindo significado aos conteúdos que são trabalhados no currículo escolar, e, com isso, avança nas suas diferentes aprendizagens. Zete explica que a nova visão de homem e do seu processo de formação na sociedade são levados em conta pela escola, pautada nos pilares de aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser, prestando um serviço de qualidade por meio de uma equipe capacitada que acompanha todo o processo de desenvolvimento cognitivo e socioafetivo das crianças. Durante os 24 anos dedicados à escola, a professora e gestora administrativa contribuiu bastante para o crescimento e a boa imagem da Experimental, participando ativamente de todas as iniciativas em prol do seu desenvolvimento, desde as viagens de formação profissional pelo Brasil e ao exterior, conhecendo

“Contribuir para a formação integral da criança, enquanto sujeito capaz de atuar no mundo de forma competente, exercendo sua cidadania, essa é a nossa missão. Por isso, procurei ampliar os meus conhecimentos não só no que diz respeito ao desenvolvimento infantil, apoiando a construção da identidade da criança, sua autonomia, ampliação da linguagem e socialização, mas, acima de tudo, contribuindo para o equilíbrio emocional indispensável para atuar de forma competente e feliz, por toda a sua vida”, revela Zete, que entrou na escola em 1977 como professora de alfabetização, exercendo um fascínio fantástico junto às crianças, motivadas em conhecer o mundo da leitura e da escrita. “Meu primeiro contato com Amabília Almeida ainda hoje está muito presente na minha mente. Foi um momento especial para uma professora jovem como eu ter a oportunidade de trabalhar numa escola com a tra-

“Contribuir para a formação integral da criança, enquanto sujeito capaz de atuar no mundo de forma competente, exercendo sua cidadania. Essa é a nossa missão.

Zete Almeida (Diretora) brincando de roda com os pequeninos

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jetória da Experimental e ser acolhida por uma profissional conceituada com a simplicidade que, ainda hoje, lhe é peculiar. Penso ter demonstrado a minha competência para contribuir com os objetivos da escola sendo capaz de lidar com o novo e o diferente sem discriminar. No dia seguinte iniciei minhas atividades sob a atenta observação da Pró Bila, como sempre foi conhecida”, relembra a professora. No decorrer dos anos, Zete passou a assumir novas funções e, já na área administrativa, ajudou a implementar investimentos na área da construção civil, favorecendo o crescimento, a expansão e diversas reformas que resultaram na ampliação física da Escola Experimental. Segundo Abranowicz (1995, p.15), os espaços devem ser variados e diferentes para refletir os princípios educativos em que se baseia a prática dos profissionais de Educação Infantil. As crianças precisam de espaço para movimentar-se, correr, esconder-se, olhar-se, engatinhar, andar, saltar, pular, experimentar, mexerse e descansar. Precisam ficar sozinhas ou com amigos para desenhar, construir, pintar, dançar, ler, pensar, cantar, pesqui-

sar, conversar, subir, descer, brincar, gritar ou ficar quietos. “A Experimental possui essa concepção de que o espaço potencializa a aprendizagem das crianças. De que as salas de aulas e os espaços externos devem possibilitar a autonomia e as descobertas, sendo organizados e enriquecidos para serem utilizados pelo professor como recurso didático. Assim, ano após ano, investimos em reformas e ampliações constantes para continuar oferecendo uma educação de qualidade”, afirma a gestora do espaço infantil, que desde 1991 tem se dedicado às melhorias da estrutura física da Escola Experimental, procurando adaptar e ampliar os espaços às necessidades das crianças e suas famílias. Zete ressalta que é preciso continuar avançando, sem nunca deixar de agir frente ao novo considerando mudanças constantes nas relações estabelecidas na sociedade, para cada vez mais satisfazer às necessidades das crianças e de seus familiares, além da vontade dos gestores da escola, sem perder de vista as responsabilidades de cada um, Escola e famílias, uma parceria que tem sido uma marca no trabalho da Experimental.

Festa do Folclore na Cabana da Barra

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“Precisamos estar atentos às questões que mobilizam a nossa sociedade no cenário atual e ainda não foram resolvidas.” RECOMPENSAS E NOVOS DESAFIOS A atual diretora pedagógica da Educação Infantil da Escola Experimental, Bisa Almeida, que faz parte da segunda geração da família, também procura manter toda a riqueza da instituição acadêmica, como criar relacionamentos profundos, sinceros e duradouros. Aluna da Experimental desde a sua fundação, em 1965, e diretora desde 1984, Bisa, filha de Amabília Almeida, conta que foi formada pela escola e destaca a capacidade de inovação da instituição, além da manutenção de uma proposta pedagógica diferenciada, baseada principalmente na defesa dos valores humanos, da ética, da moralidade, e da luta contra o preconceito. “Apostamos na criatividade, na valorização da cultura e das artes, num fazer pedagógico que busca sempre o aprimoramento, de forma artesanal, olhando cada criança na sua individualidade e também na sua totalidade, pois cada ser humano é único e complexo”, ensina Bisa. 14

Segundo ela, a escola que investe no ser humano tem oportunidade de trabalhar junto com os diversos atores sociais com liberdade e responsabilidade para construir um mundo melhor. A expectativa para os próximos 50 anos segue o mesmo pensamento, que este espaço continue sendo uma “Comunidade de Aprendizagem”, com uma construção do saber coletiva, agregando pessoas sensíveis e cabeças pensantes, criando ambientes de transformação e crescimento. “Precisamos estar atentos às questões que mobilizam a nossa sociedade no cenário atual e que ainda não foram resolvidas. Temos que seguir investindo no aprofundamento de estudos relativos à preservação do meio ambiente e sustentabilidade, realizando conexões com outras comunidades, conhecendo e interagindo com diversos povos e etnias, e lutando pela redução das desigualdades sociais e pela garantia do acesso aos direitos e oportunidades para todos”, afirma a diretora pedagógica. De acordo com a atual diretora, a escola nunca perdeu de vista que cada aluno é um

ser único; singular e integral. “Nosso projeto pedagógico foi pioneiro na Bahia em utilizar teorias de construção e compreensão do mundo, identificando como a criança pensa, sente e realiza, estimulando-a a construir o seu próprio caminho e a atuar no mundo de forma responsável e produtiva. E na era das múltiplas linguagens, a Experimental reafirma sua opção de oferecer um trabalho criativo, baseado nas diferentes manifestações artísticas e culturais, tendo os alunos como protagonistas”, enfatiza. Bisa cita Jean Piaget ao dizer que as crianças, desde pequenas, pensam como cientistas. E que por isso é fundamental que a escola crie diversos ambientes e condições para que a criança investigue, formule e comprove hipóteses; processo básico para a construção de sua autonomia moral e intelectual. “Para que nossos alunos possam experimentar, compreender e intervir na realidade, demonstrando o que aprenderam de forma viva, criativa e prazerosa, assim realizamos anualmente eventos como a Feira de Conhecimentos, a Mostra de Teatro, a Feira de Livros, a Exposição de Artes Visuais, viagens culturais e aulas de campo, entre outras atividades que remetem ao reconhecimento da escola pela sociedade”, enumera, feliz pela referência que a escola ganhou junto à mídia local, bem como perante pesquisadores e educadores. “Ao longo destes anos nossos projetos estão contribuindo para a formação de uma sociedade mais criativa, justa, democrática, plural, solidária e feliz. Esta tem sido nossa melhor recompensa por 50 anos de trabalho”, conclui Bisa Almeida.

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TERCEIRA GERAÇÃO EM PROL DOS MESMOS IDEAIS A Experimental também sempre fez parte da vida de Thais Almeida Costa, psicóloga, especialista em educação infantil e mestre em educação, atual Diretora do Grupo 5 ao 5º ano da Escola. Neta de Amabília Almeida e ex-aluna, foi professora de Literatura da Educação Infantil ao Ensino Fundamental, Coordenadora Pedagógica da Educação Infantil e Psicóloga Escolar antes de assumir a direção pedagógica. Ela foi mais uma estudante que teve a oportunidade de crescer em meio a um projeto pedagógico construtivista. “A Experimental foi a primeira escola particular, laica, que na década de 60 começou a trabalhar com os ideais da Escola Nova. Em plena ditadura militar, surgia uma escola que privilegiava a liberdade de pensamento e expressão. Começou com apenas 14 alunos, mas logo ganhou notoriedade

junto aos intelectuais da época e políticos de esquerda. Pais que buscavam uma educação diferenciada para seus filhos”, explica Thais. Segundo a educadora, o investimento na formação docente com base na teoria Piagetiana, tendo como foco no desenvolvimento moral, é contínuo, o que faz da Experimental um espaço diferenciado e com sólidos referenciais teóricos. “Atualmente, a Experimental investe cada vez mais na formação moral dos seus alunos tendo também como base o referencial construtivista. Para isso, privilegiamos um currículo capaz de promover a construção da autonomia, que tenha como princípio oportunizar situações em que os alunos possam vivenciar trocas cooperativas, tomadas de decisão e resolução de conflitos, tendo em vista o desenvolvimento da reciprocidade e do respeito mútuo”, elucida. Tendo o construtivismo como concepção de ensino e aprendizagem, ela cita que a epis-

Comemoração dos 45 anos da Experimental

“Atualmente, a Experimental investe cada vez mais na formação moral dos seus alunos tendo também como base o referencial construtivista.”

Thais Costa (Diretora) com os queridos alunos Onirê dos Santos, Luiza Prates e Julia Matos 16

temologia Genética Piagetiana dá referências para compreendermos como o sujeito constrói o conhecimento e o papel essencial do indivíduo nesse processo, na medida em que a realidade é modificada por meio das suas ações. Ao contrário da pedagogia tradicional, onde o aluno assume o papel de espectador e onde os processos de aprendizagem passam pela memorização. “Nós valorizamos os aspectos de uma aprendizagem significativa, que faça sentido para o aluno e que leve em consideração seus conhecimentos prévios, hipóteses e potencial cognitivo”, explica Thais. Ela conta ainda que a Experimental sempre teve um ambiente escolar de trocas sociais entre seus pares, possibilitando que as crianças assumissem peque-

nas responsabilidades, tomassem decisões, discutissem seus pontos de vista, expressando livremente seus pensamentos e desejos, como acontece na pedagogia construtivista e numa escola pautada em relações democráticas. Um exemplo dessa prática são as assembleias de classe realizadas regularmente com os alunos. Com a avó educadora ela revela que aprendeu o sentido do ato de educar - que a educação se faz pela crença inabalável no potencial do ser humano e na sua capacidade de criar e transformar. “Com Amabília, aprendi que a educação se constrói a cada dia e precisa ser para todos e para cada um”, exemplifica. Agora, Thais dá continuidade a esse trabalho por mais uma geração, o que significa assumir o compromisso diário de jamais se acomodar.

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ADOÇÃO DO CONSTRUTIVISMO NA CONTRAMÃO DA IDEOLOGIA POLÍTICA VIGENTE

EDUCAÇÃO COMO META POLÍTICA Amabília apreciando as produções dos alunos do 1º ano

A história da Escola Experimental foi um sonho que se tornou realidade numa época em que a ditadura dominava o país, mas não as mentes pensantes, como a de Amabília Almeida, idealizadora da instituição e defensora do modelo de educação implantado pelo professor Anísio Teixeira, em prol de uma escola de tempo integral, com alimentação e atendimento à saúde da criança, principalmente as das classes mais populares, para oferecer ao aluno todas as oportunidades de crescimento para se transformar num cidadão consciente. “Todos estavam naquele momento apaixonados por Educação. Foi nesse contexto que conheci professoras especiais, como Idalba Santana, Celi Fontes e Solange Fontes, que desenvolviam práticas educativas envolventes e especializadas”, relembra Amabília Al18

surgir na mente da educadora… Ela conversou com os professores seguidores de Anísio Teixeira e se associou a amigos e ao grande parceiro Luiz Contreiras, seu esposo e companheiro de lutas, para fundar a escola que se tornaria um referencial no construtivismo na Bahia. O projeto ficou a cargo do arquiteto Ari Pena Costa e, em outubro de 1964, começou a construção das salas da préescola, secretaria, área coberta e parque infantil, com muita garra e determinação.

Inaugurada no dia 14 de março de 1965, a Escola Experimental nunca parou de crescer e novas ideias continuaram sempre em discussão, acompanhando temas mundiais, como o uso da liberdade sem medo, da Escola de Sumerhill, na Inglaterra, e o desenvolvimento da inteligência, pregado por Piaget. O apoio das famílias também foi um grande estímulo para a Experimental ser uma escola avançada no tempo. “Tinha o seu conceito firmado entre os que faziam opinião sobre Edu-

“Todos estavam naquele momento apaixonados por Educação. Foi nesse contexto que conheci professoras especiais, como Idalba Santana, Celi Fontes e Solange Fontes, que desenvolviam práticas educativas envolventes e especializadas”

meida, que se tornou uma liderança no seio dos professores primários da Bahia, em março de 1964, quando entrava em vigor um golpe de Estado pelo Exército reacionário e começava uma perseguição terrível aos brasileiros, com cerceamento de todas as liberdades e uma caça desenfreada a todos que detinham alguma forma de liderança. Amabília Almeida foi perseguida e afastada da vida pública junto com milhares de brasileiros que também tiveram a suspensão dos direitos políticos. “Parei e pensei: ‘Vou dar a volta por cima. Não é essa quartelada que vai me derrotar. Não posso ter uma função pública, mas nada me impede de ter uma atividade particular. O que eu sei fazer é ensinar’”, reflete. A família tinha um terreno no bairro do Matatu, em Salvador, e uma ideia começou a 19


cação na época, principalmente os intelectuais Iraci Picanço, Lia e Silvio Robatto, Dulce e Romélio Aquino, Heloísa e Jamison Pedra, Bárbara e Raimundo Valadares, Adilson e Mary Sampaio, maestro Widmer, Alexinete e Remi de Souza, Solange e Edivaldo Boaventura, Consuelo Pondé de Sena e tantas outras pessoas intelectualizadas ou não que buscavam a Experimental porque queriam o melhor para os seus filhos”, recorda Amabília, que sabe o quanto sua iniciativa foi importante, em plena ditadura militar, pois a escola praticava a liberdade e buscava formar o aluno como cidadão verdadeiro. Outro momento marcante foi quando a Experimental completou 15 anos, coincidindo com as primeiras tentativas do povo brasileiro de se libertar do regime autoritário que tanto sufocava a sociedade, aprofundando cada vez mais as desigualdades sociais. “Ninguém suportava mais aquela ditadura militar”. Foram mais de 20 anos para o Brasil voltar à normalidade democrática. Os partidos políticos começaram a se organizar e Amabília se tornou vereadora em Salvador, em 1982, no intuito de continuar lutando pela educação pública e pelos direitos da mulher. “Estas duas causas estiveram presentes em toda a minha atividade pública. Na Câmara de Vereadores, lutamos para que todas as crianças tivessem acesso à escola, fazendo-a chegar a bairros distantes onde não havia. Também criamos um órgão implementador de políticas públicas de apoio à mulher e outro ligado à Comissão de Defesa do Consumidor, primeiro passo para o desencadeamento de uma luta permanente em defesa dos direitos do cidadão comum”, ressalta. Já em 1986, eleita deputada estadual constituinte, Amabília se afastou da direção da Escola Experimental, dando lugar à segunda geração da família, passando o bastão para sua filha, Bisa Almeida. Mas voltou em 1995 para implementar e transformar a escola mais uma vez num espaço onde as práticas educativas pudessem ser desenvolvidas com mais conforto, mais prazer, atendendo às novas exigências da educação, que iam desde o apoio permanente ao professor até colocar à disposição do aluno os recursos necessários à facilitação da aprendizagem, como o computador, trabalhando ainda os temas transversais da educação. 20

“Feliz da escola que pode ao longo de sua existência conservar o desejo permanente de se renovar.”

“Feliz da escola que pode, ao longo de sua existência, conservar o desejo permanente de se renovar. Eu não me arrependo nunca de ter plantado essa semente. Percebo que os obreiros da vida têmna alimentado permanentemente com a seiva do saber fazer. E o importante e que nunca se dão por satisfeitos. Estão sempre em busca do melhor. É justamente essa busca que os faz seres mais criativos, mais inteligentes, mais inquietos, mais solidários. Tomara que essa escola nunca se acomode. Que vivam todos sempre, sempre em busca da perfeição”, sugere. 21


PROJETO PEDAGÓGICO CONTRIBUI PARA A FORMAÇÃO INTEGRAL DOS ALUNOS

PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO: DOCUMENTO DE IDENTIDADE

A missão da Escola Experimental é prestar um serviço de qualidade dentro do segmento da Educação em parceria com a família, contribuindo para a formação integral dos alunos enquanto sujeitos capazes de atuar no mundo de forma competente, democrática, participando dos movimentos sociais e culturais, exercendo plenamente sua cidadania e articulação de iniciativas comunitárias em torno de objetivos comuns, ensinando para a compreensão e explorando inteligências múltiplas. 22

decisões coletivas, compartilhando diferentes pontos de vista e assumindo responsabilidades para agir sobre o mundo, transformandoo e transformando-se. Para a atual diretora do Grupo 5 ao 5º ano da Escola Experimental, Thais Almeida Costa, o projeto político pedagógico é um documento de identidade da instituição, cujo referencial curricular deve esclarecer qual sujeito que ela quer formar e quais métodos didáticos serão utilizados para tal fim, de acordo com a concepção de ensino-aprendizagem da instituição. “Na Experimental, esse é um documento vivo, que faz sentido para professores e alunos. Estamos sempre reescrevendo esse material, reavaliando nossas práticas a aperfeiçoando o trabalho”, comenta. Os referenciais teóricos são fundamentados em autores do construtivismo, como Piaget, Vigotsky e Walon; pilares que são somados às escolhas didáticas nas diversas áreas do conhecimento, onde são compartilhado os saberes de outros pensadores, como Emília Ferreiro, Délia Lerner, Teresa Colomer, Fernando Hernandez, Telma Vinha e Luciene Togneta, que, segundo Thais, também apoiam a formação de sujeitos aprendizes. “Acreditamos que planejar boas situações de aprendizagem implica em antecipar estratégias que promovam o levantamento dos

conhecimentos prévios dos alunos, a elaboração de hipóteses, a instauração da dúvida e da curiosidade frente aos temas a serem investigados, bem como a exploração e a investigação a partir da avaliação do conhecimento construído. Tais estratégias só podem ser devidamente pensadas por meio de um planejamento detalhado e reflexivo, pautado na ousadia e na criatividade, pois cada situação de aprendizagem deve ter uma abordagem metodológica que considere todos os fatores antes apontados de forma criativa, lúdica e motivadora”, avalia a diretora. Segundo o documento, são planejadas situações em que os alunos possam vivenciar trocas cooperativas, tomadas de decisão, resolução de conflitos, tendo em vista o desenvolvimento da reciprocidade e do respeito mútuo. Um exemplo são as assembleias escolares, que têm como objetivo tratar temáticas que envolvem a dinâmica da turma, da sala de aula e da escola, envolvendo professor e alunos. A função é regular e regulamentar a convivência e as relações interpessoais no âmbito de cada classe e servir como espaço de diálogo na resolução dos conflitos cotidianos e na organização do espaço escolar. “Esse trabalho incentiva o protagonismo dos alunos e a coparticipação do grupo na busca de encaminhamentos para os temas abordados”, acrescenta Thais.

A fundamentação de suas práticas baseiase no pilar da pedagogia por projetos, que permite ao aluno fazer uma ampla leitura de mundo, encontrando condições de discutir uma situação-problema e buscar soluções e construindo competências para dar sentido e significado ao conhecimento adquirido. Essa prática faz com que cada sujeito aprendiz possa projetar-se no tempo por meio do planejamento de suas ações, produzindo conhecimento com sentido e unidade, tomando 23


“Educação é vida, alegria, cultura e arte, é contexto político, tempo histórico, relações e vínculos.” A educadora Marília Dourado também concorda que o projeto político pedagógico de uma escola é a segunda pele da instituição, pois nele estão declarados seus valores, crenças, ideias e princípios construídos na coletividade e cultivados como perspectiva, desejo e utopia. “Educação é vida, alegria, cultura e arte, é contexto político, tempo histórico, relações e vínculos”, afirma. Para Marília, a Educação, conforme relatório da UNESCO - Educação, um tesouro a descobrir, situa-se, mais do que nunca, no âmago do desenvolvimento da pessoa e das comunidades; sua missão consiste em permitir que todos, sem exceção, frutifiquem seus talentos e potencialidades criativas, o que implica na possibilidade de assumir a própria responsabilidade e de realizar seu projeto pessoal. “Estive em um diálogo próximo com o projeto político pedagógico da Experimental, na época da sua fundação, quando destacava-se o movimento ‘Educação para Todos’ e as conferências mundiais no cenário global debatiam que era preciso ‘elevar o nível de satisfação das necessidades básicas de aprendizagem’ nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. Neste contexto, as reformas educacionais foram identificadas como necessárias para atingir as metas propostas no plano de ‘Educação para Todos’, com a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB 9.394/96)”, relembra, enfatizando que a Experimental inserese neste contexto como escola pioneira na garantia de espaços de formação continuada de seus educadores em busca de maior qualidade nas aprendizagens e uma construção participada do documento de identidade da instituição. “Neste contexto fica evidente o pilar das relações democráticas, inclusivas e horizontais. O ponto de partida foi um módulo de formação sobre comunidades de aprendizagem, ética e cidadania, experiência que deixou visíveis as implicações do currículo oculto (com todo 24

contexto político e de luta da família fundadora da instituição), existente implicitamente no contexto escolar, como o conjunto de atitudes e valores transmitidos pelas relações sociais e pelas rotinas cotidianas”, completa. Para ela, o desafio da Educação é complexo e depende, sobretudo, da capacidade do professor de inovar e questionar sua prática. “Tenho dito que crianças inteligentes, sensíveis, amorosas, criativas, autônomas, questionadoras, críticas, tolerantes e respeitosas exigem professores com todas estas características também. O professor é pesquisador, tanto quanto as crianças; a escola é uma comunidade de aprendizagem”, analisa. O primeiro passo, diz Marília, é questionar o fazer. O segundo é olhar a dinâmica da escola em diferentes momentos da sua trajetória e perguntar em comunidade de aprendizagem: • Quais são os valores da escola em que trabalhamos? • Estes valores estão claros, públicos e compartilhados? • Quantos desses valores são colocados em prática? • O que é mais difícil e mais fácil colocar em prática? • Quanto e em que medida é possível defender estes valores? • Quanto é possível sustentar, defender e colocar em prática estes valores? “A coragem de colocar em prática um autêntico trabalho de educação que identifica as múltiplas linguagens das crianças e dos educadores e as escuta, mais do que a consideração das inteligências múltiplas, como um processo de conscientização e de cidadania é o que faz a diferença na formação das pessoas”, explica Marília. 25


INVESTIMENTO CONTÍNUO NA FORMAÇÃO E ATUALIZAÇÃO DA EQUIPE TÉCNICA

O DIFERENCIAL DA FORMAÇÃO CONTINUADA COM EDUCADORES E ESPECIALISTAS

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Seminário interno sobre leitura

A Experimental foi pioneira na formação continuada de profissionais da educação na Bahia. Numa sociedade em constante mudança, o conhecimento também está em transformação e expansão. A afirmação é da diretora pedagógica da Educação Infantil da Escola Experimental, Bisa Almeida. “É fato que nas últimas duas décadas, o número de informações cresceu mais que nos últimos cinco mil anos. Portanto, precisamos pensar a educação dentro deste contexto”, ressalta a educadora. Segundo ela, a Experimental foi pioneira na formação continuada de profissionais da educação na Bahia, atividade encarada com muita seriedade pela escola, porque dela resulta todo o trabalho pedagógico condizente com os princípios em que acredita. Criar espaços de aprendizagem e qualificação profissional, oferecendo aos educadores instrumentos teóricos e práticos para aprimorar e aprofundar o conhecimento, dialogando com as novas teorias; essa tem sido a concepção da Escola Experimental ao longo de suas cinco décadas. O trabalho de formação profissional contou com o apoio de especialistas de renome nacional, a exemplo de Monique Dehinzeland, doutora em Educação pela USP; Maria Thereza Marcilio, mestre em Educação pela Universidade de

Harvard - EUA; Teca Soub, da Universidade de Minas Gerais; a especialista em Matemática, Lúcia Martins; o arte-educador Chico dos Bonecos; entre outros parceiros estratégicos. A empresa Avante Consultores Associados também prestou consultoria e foi responsável pela formação continuada de professores de 1997 a 2005, incluindo neste processo a elaboração do projeto político pedagógico da Escola Experimental, nos anos de 2001 e 2002. Já no período de 2006 a 2009 a atuação ficou por conta de Thais Almeida Costa, mestre em Educação e especialista em Educação Infantil. Atualmente, a Experimental conta com a consultoria da professora Giselly Lima (UFAL), especialista em Literatura Infantil e doutoranda pela UFBA. “É preciso investir sempre em formação para a qualificação profissional. Temos encontros quinzenais com diversos especialistas e também realizamos seminários sobre livros lidos pela comunidade educativa. Outra prática constante da nossa escola é enviar educadores para participar de cursos e seminários nacionais e internacionais, que posteriormente são socializados com toda a equipe. Procurar di27


versificar as áreas do conhecimento a serem contempladas, discutindo com a equipe sobre as suas necessidades, é outra estratégia da escola”, comenta Bisa, que destaca alguns dos temas já estudados: Temas Transversais, Didática da Língua e da Matemática, Moralidade Infantil, Artes Visuais, Teatro, Ciências, Inteligências Múltiplas, abordagens da Régio Emilia, Meio Ambiente e Sustentabilidade, explorando ao máximo todas a possibilidades de interesse do professor e pesquisador. Ao repensar a prática pedagógica de forma crítica e criteriosa, numa busca de novos sig28

nificados, a escola cria uma cultura de estudos constantes e, por consequência, colhe os frutos proporcionados pela qualificação e colaboração profissional. Os alunos são os maiores beneficiados com esta qualificação, pois estudam numa escola que investe na valorização do professor e na atualização pedagógica, como meios eficazes de promover a aprendizagem de forma prazerosa e participativa. “Eles desenvolvem apreço ao conhecimento, valorizando não só o saber como também o ser”, elucida Bisa. Thais Almeida, também diretora da Experimental do Grupo 5 ao 5º ano, lembra ainda

que, para a Experimental, é indispensável que o professor seja um profissional reflexivo, um constante aprendiz, seja através dos livros ou com os próprios alunos. “Para que o professor possa ensinar é fundamental que ele continue aberto a aprender. Ao incentivar esse perfil, a escola promove há mais de 30 anos a formação continuada de professores, garantindo tempo e espaço para os docentes discutirem sobre a sua prática pedagógica e sobre a melhor maneira de oportunizar situações de aprendizagem. Esses encontros ocorrem periodicamente com seminários, grupos de es-

tudos e discussões fundamentadas em observações em sala de aula, vivências cotidianas e reflexão teórica”, pontua. Além dos professores, todos os funcionários da instituição passam por processo de formação continuada, pois a instituição acredita que todos os adultos inseridos no ambiente escolar devem ser considerados educadores. Entre os temas trabalhados pelo corpo de apoio da Experimental é possível destacar o desenvolvimento e a aprendizagem infantil, resolução de conflitos, relações interpessoais na escola e primeiros socorros. 29


A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO PROCESSO DE FORMAÇÃO CONTINUADA A gestora institucional da Avante-Educação e Mobilização Social, Maria Thereza Oliva Marcilio, mestre em Educação, diz que a formação continuada de professores é hoje entendida não só como necessária, mas também como imprescindível. “Na sociedade contemporânea em que o conhecimento é condição para o desenvolvimento pleno do sujeito, ao tempo em que a quantidade de informação disponível é muitas vezes maior do que a possibilidade de processá-la, cabe à escola, e nela ao professor, a função de mediar a relação do aluno com o conhecimento, ajudando-o a selecionar e processar as informações e construir estratégias para saber aprender”, garante. Segundo Maria Thereza Marcílio, para desempenhar tarefa tão demandante e importante, o professor tem que também ser um aprendiz e investigador da sua prática. Daí a necessidade da formação continuada, o que significa alocação de tempo e de recursos para que os professores possam, individual e coletivamente, analisar suas práticas e ampliar seus referenciais teóricos. “A Escola Experimental, dentro do seu espírito pioneiro e criativo, foi uma das primeiras

escolas privadas a perceber essa tendência e a importância de assegurar a formação para seu corpo docente. No período entre a última década do século passado e o início do novo século, a escola institucionalizou o processo de formação continuada, inicialmente com a contratação de uma consultoria externa, reuniões sistemáticas e quinzenais com professores, coordenadores e gestores, observação de prática por meio de filmagem ou in loco, além do estudo de textos relevantes para o exercício docente compunham a metodologia do trabalho. Daí originou-se, inclusive, o documento referente à proposta pedagógica da escola”, comenta Maria Thereza. Com o documento e a incorporação da rotina e da metodologia da formação continuada, o corpo diretivo da escola assumiu para si a tarefa de coordenar o processo. Como desdobramento dessa ação, a Experimental organizou um centro de estudos e por meio dele enriquece e amplia o trabalho de formação dos seus professores, promovendo palestras, oficinas e seminários, abertos inclusive à comunidade. Desta forma, a Escola Experimental se coloca como centro de aprendizagem para toda a comunidade intra-escolar e dinamizador cultural para a comunidade externa, afirmando-se como instituição aberta e contemporânea.

PROFESSORES RESSALTAM A IMPORTÂNCIA DE UMA QUALIFICAÇÃO CONTÍNUA A pedagoga Sandra Cerqueira, que atua como professora da Experimental desde 1995, diz que a cada dia se encanta com a escola porque a instituição possibilita o seu crescimento e a sua autonomia. “Sou feliz porque escolhi ser pedagoga, porque esta profissão foi algo que desejei e tenho certeza de que o meu dever é contribuir para a formação de crianças, ajudando-as a perceber que são importantes e capazes de fazer a diferença na sociedade em que estão inseridas. Porém, este meu olhar sobre educação e como educar foi se ampliando desde que ingressei nesta escola, onde descobri que eu era construtivista e que era uma professora que, além de acreditar nos alunos, também era pesquisadora, divertida e criativa”, confessa. 30

Durante 20 anos lecionando na Escola Experimental, Sandra trilhou vários caminhos e percebeu a importância da formação para evoluir enquanto profissional e compreender o espaço escolar em que está inserida. “Acredito que a Experimental é um espaço que investe e acredita nos seus profissionais, tornando-os cada vez mais desejosos de buscar na teoria a sustentação para a prática na sala de aula, o que permite realizar mudanças na ação pedagógica, ressignificando a práxis”, analisa, convicta da importância da formação de professores e dos momentos em que o educador tem a oportunidade de apresentar ações didáticas que serão discutidas coletivamente, bem como observações que são realizadas pelos coordenadores, assessores e psicólogos, no intuito de orientar e promover intervenções significativas para os alunos. 31


“Tive experiências muito marcantes que certamente contribuíram para que hoje eu possa ser uma professora muito melhor”

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A professora Aline Limaverde, que atua do Grupo 5 ao 1º ano, também revela ter um olhar diferenciado para a criança, encorajando suas descobertas em cada fase, de forma construtiva, sem nunca esquecer que ensinar precisa ser, antes de mais nada, um grande prazer. “Nesse contexto, a formação docente é de extrema importância, pois nos permite a reflexão sobre a prática, aponta caminhos com os quais podemos melhorar e também nos possibilita a troca de experiências”, afirma, ciente do quanto tem sido valiosa sua trajetória na Escola Experimental, onde amadureceu bastante. “Tive experiências muito marcantes que certamente contribuíram para que hoje eu possa ser uma professora muito melhor”, considera. Para Aline, poder estar em uma escola como a Experimental lhe permitiu refletir sobre alguns aspectos que até então ela não tinha elaborado, mesmo com tanto tempo de experiência em educação, como, por exemplo, a Moralidade Infantil. “Tenho aprendido muito nessa convivência em um espaço que inspira diversão, amizade, carinho e muitos sorrisos. Para mim é muito especial estar aqui, quero continuar estudando muito, sempre aberta ao novo, para construir novos saberes”, conclui. Já para a professora Cristiane Oliveira, que atua na Experimental desde 2010, estar na instituição tem sido uma experiência profissional bastante enriquecedora. “São muitas as possibilidades de crescimento, por meio de distintas vivências, do acesso a práticas

e discussões modernas sobre o processo de ensino-aprendizagem. Sentimo-nos valorizados como pessoas e profissionais, somos escutados e legitimados em nossas atuações e os discursos e os erros são vistos como possibilidades de melhoramento”, destaca. Segundo a educadora, “compor a equipe da Experimental é acreditar no projeto de parceria entre a escola e a família na formação e desenvolvimento de sujeitos mais autônomos, sensíveis ao mundo e às relações construídas nele... É estar sempre aberta a novos desafios, estabelecendo relações dialógicas com as crianças, famílias, colegas e demais funcionários que fazem o projeto acontecer. É estar sempre em formação”.

Alessandro Marimpietri, psicólogo, psicanalista, Doutor em Educação. Parceiro da Experimental em frequentes encontros para formação dos professores e palestras para as famílias.

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CENTRO DE ESTUDOS

COMUNIDADE DE APRENDIZAGEM DE DIVERSAS ORDENS O centro de estudos da Escola Experimental é outro marco do processo de reflexão da própria prática pedagógica por meio de um planejamento compartilhado em prol do crescimento de todos. Uma das contribuições para a formação docente veio da consultora pedagógica Giselly Lima Moraes, que atuou junto ao Ensino Fundamental e Educação Infantill, a partir de pesquisas voltadas para formação do leitor, leitura literária, formação de professores e didática do Ensino Fundamental. “Fui convidada pela Escola Experimental para realizar consultoria na áreas da leitura e da escrita. Como esta é uma escola que se

envolve integralmente no processo de problematizar e refletir sobre a educação, pude vivenciar momentos enriquecedores na companhia dos professores e da equipe pedagógica. Esta parceria nos levou a um crescimento mútuo. Tenho muitas lembranças que me fizeram sentir grata por participar dessa comunidade e que também que me proporcionaram crescimento pessoal e profissional, momentos de aprendizagem e mobilização de afetos”, garante Giselly Lima. Ela participou das reuniões de planejamento, observações em sala de aula, devolutivas presenciais e também realizou encontros

para a discussão de diversos temas, como as contribuições teóricas da didática da leitura, da escrita e da educação literária, além de seminários onde os professores compartilhavam suas práticas e estudos do semestre, buscando construir novos conhecimentos e aperfeiçoar a ação pedagógica. O centro de estudos também proporcionou a realização de palestras e oficinas para os pais, buscando envolvêlos na tarefa de fomentar o gosto pela leitura e ajudá-los a compreender as propostas da escola nesse campo. “Posso ousar dizer que o centro de estudos é o coração da Escola Experimental.

Pois, como o nome da escola já informa, é uma instituição com vocação para inovar, para buscar novos conhecimentos, para se questionar, para debruçar-se sobre sua própria história e construir, de forma muito inteligente, maneiras de promover mudanças, não para ser uma nova escola a cada tempo, mas justamente para preservar suas características que me parecem ter a ver com a sua missão educativa de promover aprendizagens conectadas como o tempo das crianças, mas considerando o que já foi construído e estabilizado na sua própria história“, defende Giselly.

Educadores em ensaio fotográfico no Rio vermelho

O Centro de Estudos também proporcionou a realização de palestras e oficinas para os pais, buscando envolvê-los na tarefa de fomentar o gosto pela leitura e ajudá-los a compreender as propostas da escola nesse campo.

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Bom para os educadores e mais ainda para os alunos, pois ao promover e estimular a reflexão sobre a prática pedagógica da escola e, consequentemente, sobre as teorias que a sustentam, a escola constrói um ambiente de aprendizagem salutar para o desenvolvimento do trabalho dos educadores. “Ao sentirem-se apoiados nessa tarefa, ao perceberem que a responsabilidade de pensar sobre as práticas cotidianas da sala de aula não é uma tarefa solitária mas partilhada, os professores certamente são beneficiados no seu trabalho cotidiano, sem mencionar os benefícios para a própria carreira quanto à sua permanente atualização”, esclarece a consultora. Quanto aos benefícios para a aprendizagem do estudante, que é a finalidade de cada ação desenvolvida em um processo formativo, todo estudo ou reflexão que se promova sobre um campo de conhecimento é voltado para o seu aprendizado. “Nossas ações envolviam tanto a formação dos professores quanto a assessoria na elaboração de projetos didáticos, o acompanhamento da ação das professoras na sala de aula e a troca de ideias com base nesse acompanhamento. Também fizemos ações voltadas para o diálogo com as famílias, buscando en-

volvê-las num esforço conjunto”, afirma, Giselly, sempre na defesa de uma aprendizagem onde o aluno é o protagonista do conhecimento. A diretora pedagógica do Ensino Fundamental, Bisa Almeida, também lembra que o centro de estudos também oferece cursos para a comunidade e que muitos nomes ajudaram a engrandecer o projeto, como Monique Dehinzeland e Rosa Iavelberg, doutoras em Educação pela USP; Rox Carine, professora da Universidade de Buenos Aires; além de Telma Vinha, professora e pesquisadora da UNICAMP. “Todos contribuíram para a nossa história”, garante Bisa. Recentemente, dois cursos do centro de estudos ganharam destaque na comunidade educacional de Salvador. O primeiro, realizado em parceria com o Colégio Oficina e a Clínica Desenvolver: Psicologia e Educação, intitulado Práticas Cotidianas em Orientação Educacional – Intervenções estratégicas na escola, foi ministrado por Maria Eugênia Capraro, da Escola Projeto Vida (SP), e contou com a participação de mais de 80 educadores de diversas instituições baianas. O segundo foi ministrado pelo professor/ fotógrafo André Carrierri, intitulado Fotografia

e documentação pedagógica com ferramentas para a prática educativa, em parceria com o Colégio Oficina e o Centro Educacional Gira Girou. Com máquinas em punho, os educadores presentes exercitaram o olhar fotográfico e a experiência estética de tentar registrar instantes do cotidiano da nossa cidade. Viveram a fotografia com o corpo inteiro, ampliaram a percepção, selecionaram imagens e aguçaram os sentidos. A pedagoga e diretora da Clínica Desenvolver, Fernanda Burgos, participou dos dois cursos. O ministrado por Maria Eugenia Capraro, da Escola Projeto Vida, lhe deu a possibilidade de estabelecer uma parceria entre a Desenvolver: Psicologia e Educação, a Escola Experimental e o Colégio Oficina, promovendo uma reflexão dos educadores sobre as práticas cotidianas e suas intervenções na realidade educacional das respectivas instituições. “A competência de Maria Eugênia abordando temáticas como a inclusão e suas intervenções individualizadas permitiu que descortinasse um novo olhar sobre essa questão. Essa parceria em prol do conhecimento é extremamente importante para um fazer em Educação mais significativo”, relata Fernanda.

Sobre aprender a ver as sutilezas do cotidiano através das lentes de uma câmera, ela disse ser algo muito precioso. “A experiência com o educador e fotógrafo André Carrieri permitiu que vivêssemos situações inusitadas”, conta Fernanda, que terminou o curso no bairro do Rio Vermelho com todos os educadores e suas câmeras em punho, realizando registros fotográficos a partir dos conhecimentos aprendidos nos dias anteriores. A especialista em Educação também participou do curso Ciência, Arte e Jogo, promovido pelo centro de estudos, em 2011, ministrado por Adriana Klisys, diretora da Caleidoscópio Brincadeira e Arte. Fernanda destacou a criatividade e a competência que fazem da arteeducadora Adriana Klisys uma profissional encantadora. “O jogo, o brincar, o lúdico fazem parte da experiência humana. No curso, os educadores colocaram a ‘mão na massa’ e construíram jogos e brinquedos, estabelecendo importantes reflexões na teoria e na prática. Essa foi mais uma importante iniciativa da Escola Experimental em promover momentos de construção de novos conhecimentos, ampliando as possibilidades dos educadores no seu fazer educativo”, completa.

Educadoras da Experimental em ensaio fotográfico com trabalhadores no Rio Vermelho

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MESTRES QUE FAZEM A DIFERENÇA

LEMBRANÇAS DE 50 ANOS Foram muitas as experiências na Escola Experimental ao longo das últimas cinco décadas. Quem também estava lá desde o início foi a pedagoga Solange Pereira Fontes, especialista em técnicas de Educação Física, Recreação e contação de histórias, além de ter integrado a Escola Parque, onde teve a oportunidade de conhecer a educadora e amiga Amabília Almeida. “Foi ontem, são lembranças de 50 anos... Juntamente com minha irmã, Águeda Célia, a Pró Celi, firmamos um compromisso de criar um local destinado à educação das crianças, um espaço educativo sociocultural onde pudessem viver com liberdade, sabedoria e prazer. Criouse, assim, a Escola Experimental”, relembra Solange, com muita emoção.

Ela atuou na escola por dez anos. Foi coordenadora e docente das atividades de Educação Física, Artes e Recreação, em todos os grupos, desde o maternal até a 5ª série do ensino primário. Entre as suas principais contribuições, é possível assinalar a atuação na gestão da escola; a participação no planejamento integrado das áreas de Educação Física, Artes e Recreação com as unidades de trabalho das diversas áreas do conhecimento; e a administração de aulas através da somatória de atividades que possibilitassem a liberação das emoções, da sociabilidade e da possibilidade de criar, recriar e recrear. Segundo Solange, o modelo educacional utilizado pela escola influiu, de certo modo,

Solange Fontes na inauguração da Experimental em 1965

Primeira palestra para pais. Da direita para a esquerda – Celi Fontes, palestrante, Amabília e Maria Tereza Muria (Presidente da associação de pais e mestres)

no processo então vigente de Educação na Bahia, atingindo os vários atores envolvidos. O aluno – estimulando o prazer em participar das atividades, curiosidades com o novo e o desejo de permanecer na escola; o professor – por meio da atuação efetiva na construção do saber e na troca de experiência entre os mesmos, na elaboração de um planejamento consistente, na construção do conhecimento em uma ação conjunta com os alunos, no fazer pedagógico com atividades significativas, e nas reflexões, buscas, descobertas e revelações; e os pais – através do envolvimento efetivo nas reuniões, em atividades pedagógicas e no estímulo em valorizar as particularidades de ensino a cada criança. Entre as lembranças marcantes deste período, Solange destaca a partilha de momentos em sala de aula como uma viagem de alegrias e sabores no contexto de cada atividade; as produções lúdicas, sempre intensificando o fazer Educação, como nas apresentações de fim de ano, festa de São João e viagens pelo Brasil, por exemplo. “Na medida em que a escola avançou, muitas outras realizações foram conquistadas e relevantes trabalhos enriqueceram a área da Educação. Por isso, diante de todas essas conquistas, desejo felicitações pelo cinquentenário da Escola Experimental”, comemora. O CAMINHO SE FAZ AO CAMINHAR De fato, 50 anos são suficientemente significativos para uma comemoração mais do que especial. A pedagoga e irmã de Solange,

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Águeda Célia Fontes, Pró Celi, confessa que muitas lembranças dela também vêm à tona. “Foram muitos encontros e discussões, a voz e a escuta dos participantes. Nada mais certo: ‘caminhante, não há caminho, o caminho se faz ao caminhar’. Daí a escolha do nome desta proposta educativa”, revela Celi. De acordo com a professora, a base teórica da Escola Experimental era amparada em educadores brasileiros, como Anísio Teixeira, Paulo Freire e Rubem Alves, além de Piaget, Freinet e Wallon. “E também nas nossas vivências em escolas da rede pública, lutando por uma Educação de qualidade. Aliás, foi numa dessas escolas que conheci Amabília e Idalba e, por uma série de circunstâncias, decidimos convidar outros ‘amigos de fé’ e iniciar esta jornada de vida – a criação da Escola Experimental”, conta. Celi fez parte da diretoria da escola por 10 anos, tendo a responsabilidade de coordenar o projeto pedagógico. “Foram anos marcantes como experiência de crescimento pessoal e profissional a partir de trabalhos realizados com a participação de alunos, professores, auxiliares e direção, e ainda com o envolvimento dos pais, disponibilizando seu tempo, saberes, elogiando e criticando quando se fazia necessário, numa busca permanente pela criatividade, inovação e trabalho em equipe”, comenta, agradecendo a todos e reconhecendo a importante contribuição que a Escola Experimental vem dando à causa da educação de crianças e jovens baianos. “Uma contribuição valiosa, por isso espero que este trabalho perdure por muitos anos mais. 39


COMUNIDADE EXPERIMENTAL

Ator e ex-aluno da Experimental: Vladimir Brichta

O que significa fazer parte da Escola Experimental? Alunos, ex-alunos e famílias contam como essa sensação é repleta de memórias e fatos marcantes e a importância dessa vivência para a formação pessoal e profissional de cada um. O ator Vladimir Brichta, outro ex-aluno da Experimental, também despertou para a Arte ainda na infância e tem recordações marcantes da sua vivência na Escola da “alfa” até a “quarta” série. “Esse período é tão precioso no desabrochar da identidade de uma criança que prova40

velmente, contrariando a relação da memória com o tempo, guardo mais recordações desse período do que os que vivi posteriormente no ginásio e científico. Ou ainda, a Experimental, através da sua metodologia, somada ao fato de ser filho de educadores, fez com que eu viesse a desenvolver relações muito intensas com o aprendizado, o que não necessariamente se traduziu sempre em bons resultados no boletim. Portanto, entre as inúmeras lembranças que guardo, como o aprendizado da leitura, as aulas de teatro, artes, a biblioteca,

as corridas em volta da escola, a mágica do mimeógrafo, as brigas, as brincadeiras de menino pega menina (sempre corria muito nessa parte!), menina pega menino (nunca corri tão pouco!), os passeios para museus, as feiras de livros… Enfim, entre tantas lembranças, tenho a certeza de que a construção da minha identidade foi fortemente realizada ali, entre tantas atividades culturais”, confessa. Ele acredita que todos aqueles que fazem parte da comunidade Experimental carregam a chance de serem indivíduos únicos, com a capacidade de desenvolver suas singularidades e personalidades, que os diferirão dos demais, e, consequentemente, os farão tomar decisões próprias, autônomas. “Isso se dá, a meu ver, pelo fato de que com a pedagogia adotada pela escola, baseada na teoria construtivista, o indivíduo é enxergado assim, com suas singularidades, e estimulado de acordo com as suas próprias necessidades”, conclui. Brichta também faz questão de ressaltar, entre as inúmeras lembranças que possui da escola, o Grupo Fantasia. “Foi com toda cer-

teza nessa época a vivência determinante das escolhas que eu viria a tomar na minha vida profissional. A consciência que participar de um grupo de teatro, onde somos indivíduo e coletivo, tal qual um microcosmo da vida em sociedade, foi tão revelador e educativo, que hoje sou defensor do teatro como matéria obrigatória no currículo escolar”, declara. Mais ainda. Ele comenta que os constantes debates que eram estimulados nos encontros do grupo, além do conhecimento que traziam através das temáticas, exercitavam a capacidade de contestação, reflexão e afirmação que ele se empenha em carregar até hoje como profissional e indivíduo. E foi a partir dessa história de vida que hoje ele se intitula assim: “Sou Paulo Vladimir Brichta, ator, pai, filho, irmão e, com muito orgulho, ex-aluno da Escola Experimental”. A ex-colega e também atriz, Maria Marighella, estudou na Experimental de 1978 a 1986, do Grupo 2 até a quarta série, período em que tinha entre dois e dez anos. Ela conta que dois conceitos da época nortearam sua

“Guardo mais recordações desse período do que os que vivi posteriormente no ginásio e científico.”

Vladimir nas suas primeiras atuações teatrais no Grupo Fantasia

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as decisões em assembleias, o exercício da cidadania, de viver em sociedade e de tomar decisões sobre assuntos num ambiente de coletividade. “Tenho amizades de mais de 30 anos, são muitas referências positivas e por isso mesmo hoje meus filhos Zeca e Bento estudam lá e a escola é muito importante na vida deles”, finaliza. VALORES APRENDIDOS COM BASE EM PRINCÍPIOS ÉTICOS

Maria Mariguela e seus filhos Zeca e Bento – 3 gerações na Experimental

“Minha primeira experiência de teatro foi no Grupo Fantasia. A Experimental incentivava a expressão artística...” vida para todo o sempre. Um deles, despertar para o teatro, marcou sua vida e sua profissão. “Minha primeira experiência de teatro foi no Grupo Fantasia. A Experimental incentivava a expressão artística, artes visuais e teatro nas apresentações de fim de ano. Completar os 9 anos era um grande momento porque era a idade permitida para entrar no grupo, quase um rito de passagem. Esperei muito por esse momento, pela admiração e desejo de fazer parte do grupo”, relembra, frisando que todos faziam parte de uma grande família. “Lembro de muitos amigos e seus pais, como Fontana, Itamar - pai de Noca, e Arno - pai de Vladimir, que levava e pegava o grupo de alunos no teatro; foi um pai superimportante nessa logística”, completa Maria, que integrou o Grupo Fantasia dos 9 aos 16 anos e depois se decidiu pelo curso livre de Teatro na UFBA, seguindo a carreira profissionalmente. Outra grande experiência veio da possibilidade de exercer na vida escolar uma atitude política, pelo próprio perfil da escola. “Em 1978, meu pai tinha saído da prisão como preso político, a escola absorvia este tipo de criança 42

ainda na ditadura, e isso faz parte da referência afetiva da escola que me absorveu”, confessa. Prova disso é que em 1984 Maria vendia na Experimental broches da campanha “Diretas Já”, numa época que a sociedade estava saindo da ditadura, mas o exercício cidadania política era livre na instituição. “Tudo isso norteou minha vida até hoje e esse ambiente ajudou na construção da minha identidade como a experiência mais marcante”. Este ambiente favorável na escola também era libertador para a tomada de decisões de acordo com o que cada um era. “A gente tinha espaço, liberdade e limites para expressão da identidade. A escola proporcionava esperanças e proteção necessárias”, analisa, ciente de que havia na escola um exercício simbólico onde todo mundo era protagonista, tinha sua própria atitude e acesso à Arte. “A gente trabalhava o conceito do que sou dentro de um contexto social, mais participação, diálogo e discussão”, completa. Hoje, Maria Marighella percebe ainda mais que o ambiente político da Experimental foi muito importante. E ela cita como exemplos

Os sentimentos de amor e respeito também fazem parte das referências da jornalista Izabel Portela, outra ex-aluna da Experimental cujos valores foram aprendidos com as educadoras da escola, principalmente pela fundadora, a professora Amabília Almeida. “Uma grande referência foi a valorização da Arte na Educação, a música, a dança, o teatro, as artes visuais, a capoeira, o maculelê. O respeito pela cultura popular, pelos museus, pela natureza, pelos autores e atores baianos. Uma escola que prima pela liberdade de pensamento e pelo estímulo à criatividade do aluno. Uma escola em que o sentimento era de

liberdade e de alegria”, recorda Izabel. Para ela, estudar e aprender era natural e muito prazeroso por causa da leveza no ensinar. “O aprendizado se dava de forma firme e verdadeira. A Escola Experimental foi e é capaz de formar sujeitos críticos e conscientes e, acima de tudo, felizes”, completa. Um dos fatos que marcou sua época de estudante foi uma viagem à cidade de Sobradinho, antes dela ser coberta pelas águas do açude. Na visita, o grupo ficou hospedado numa escola pública, desfilou pelas ruas com trajes típicos do folclore brasileiro, conversou com as pessoas da comunidade e ouviu o sentimento que afligia as pessoas que iam ter suas vidas cobertas pelas águas. “Lembro do depoimento de uma mulher, sentida pelos pais que estavam enterrados no cemitério e que não poderiam sair de lá; e que ela não teria mais o túmulo para visitar porque a água ia passar por cima”, comenta. Outra lembrança é da época da ditadura. “Quando o Sr. Luiz Contreiras, marido de Pró Bila, foi preso; e a forma com que esse assunto foi tratado em sala, na escola, foi uma grande lição de cidadania. Um aprendizado! Foi tanto que

Ex-alunos da primeira turma Maria Olívia, Luciano Lordelo e Carolina

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eu despertei o desejo de vê-lo e meu pai me levou ao Forte do Barbalho onde ele estava preso”, recorda Izabel Portela. Ela também traz na sua memória afetiva as aulas de recreação com Pró Solange, com milhões de brincadeiras esportivas e muito baleado. “Nós adorávamos! As aulas de Artes e de Literatura também. Pró Celi e Pró Solange me ensinaram tudo, me passaram muito amor e felicidade!”, conta, com emoção sobre a época de muita alegria e que só tem boas lembranças. “Com certeza adquiri uma excelente formação graças à visão e atuação destas maravilhosas educadoras. Eu não consigo ver o mundo de outra forma, a vida está em construção. O mundo gira, nós somos mutantes, a vida tem surpresas agradáveis e desagradáveis, tudo gira, tudo passa, tudo evolui e, se a gente não tem a capacidade de aceitar as mudanças, teremos muita dificuldade em viver, sofremos mais”, analisa, defendendo que a teoria construtivista ensina o indivíduo a viver no mundo real, a enxergar fora da caixa. “O que eu faço hoje é fruto da educação que tive na Escola Experimental, não tenho a menor dúvida disso e tenho muito orgulho em dizer isto! Agradeço todos os dias em ter vivido e convivido com Pró Bila e toda sua equipe que hoje está tão bem cuidada e perpetuada pelas suas seguidoras Bisa Almeida, Thais e Zete”, compartilha a ex-aluna. Izabel também confessou que fazer parte da comunidade Experimental significa ser uma pessoa que pensa diferente da maioria, aceita mais as diferenças humanas, pensa no coletivo, gosta de Arte; uma pessoa que procura ser feliz com o que há de mais simples na vida: a verdade, a justiça e a humanidade. “O nome Experimental já mostra que esta escola é aberta a novas experiências, a novos alunos e à inovação sempre!”, arremata.

“Com certeza adquiri uma excelente formação graças à visão e atuação destas maravilhosas educadoras.

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A ESCOLA CERTA O pai de Cecilia, Alice e Daniel Lariú, Nivaldo Lariú, conta que no começo da década de 80 procurava uma escola para os filhos e chegou à Experimental. “Na primeira conversa com Amabília Almeida me convenci que tinha vindo ao lugar certo. A proposta pedagógica da escola, aliada à seriedade e ao espírito empreendedor e cidadão de Amabília, era tudo o que eu procurava para a educação de meus filhos. E essa escolha foi fundamental para a formação deles”, afirma. Nivaldo Lariú também recorda a primeira reunião de pais, quando Amabília defendeu um modelo de escola além do pedagógico. No maternal, por exemplo, abrindo espaço para a criança se socializar, aprender a respeitar o coleguinha, começar a receber os conceitos de cidadania e conhecer seu bairro e sua cidade. “Essa filosofia sempre norteou a formação de meus filhos na Experimental, uma escola com um projeto educacional inovador, principalmente naquela época, que sempre apostou na criatividade e na responsabilidade social. Costumo dizer que as crianças de ontem da Experimental são hoje adultos mais conscientes e ciosos de suas responsabilidades sociais e familiares”, analisa Lariú.

Ele se orgulha em dizer que seus filhos foram alfabetizados e educados com base em princípios éticos, na solidariedade e no respeito ao outro. E com estímulos constantes ao espírito criativo. Além do conteúdo curricular obrigatório, a Escola Experimental proporcionava às crianças outras atividades, como visitas aos locais históricos da cidade, conhecimento do bairro, atividades teatrais e artísticas e festas temáticas. A participação dos pais era estimulada e cobrada, fazendo parte fundamental da proposta pedagógica. “Sou profundamente grato à Escola Experimental e considero a professora Amabília Almeida, suas sucessoras e todo o corpo da escola como meus parceiros na criação e na educação de meus filhos. Tenho certeza de que a Escola Experimental contribuiu para que eles se tornassem cidadãos mais conscientes e mais bem preparados para a vida”, comemora Nivaldo Lariú. UMA HISTÓRIA DE AMOR, PARCERIA E ADMIRAÇÃO Mais um depoimento, desta vez da mãe Juliana Prates Santana, relata a existência de um sentimento unânime com relação à Experimental, a admiração pela escola.

Guache Marques, Nivaldo Lariú, Bisa Almeida e Ana Paiva

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Professores realizando homenagem na Festa dos 50 anos

“A minha história com a escola começou ainda na minha graduação em Psicologia, quando ouvia falar dessa instituição tão diferente e inovadora. A proposta pedagógica parecia expressar muito daquilo que eu aprendia. Passado alguns anos, ao conhecer a Escola da Ponte, em Portugal, fiquei encantada com o fato de que os princípios de participação e autonomia eram teoricamente similares nesses dois contextos educativos. Na hora certa, não tive dúvida em escolher a Experimental para matricular minha filha Luísa, quando ela completou 2 anos, e o fato de gostar tanto do que vivemos me levou a repetir a experiência com Miguel, três anos depois”, conta Juliana. Desde então, ela acompanha a Experimental através de várias perspectivas: como mãe de alunos, que participa ativamente da proposta da escola; como investigadora da Universidade Federal da Bahia, que realiza pesquisas com as crianças neste contexto; e como colaboradora de espaços e momentos de formação e reflexão. “Aprendi nesses anos que a proposta é de fato inovadora e que há um desejo constante

de toda a equipe em se superar, em criar e romper barreiras. Acredito que aprendo todos os dias nos momentos em que levo e busco meus filhos, na observação das suas conquistas e dificuldades, e principalmente nos momentos de encontro com toda a comunidade escolar”, avalia a mãe. Juliana Prates revela ainda que viveu momentos inesquecíveis com os filhos na Experimental, como as apresentações teatrais, em que eles cada vez mais demonstravam segurança e desenvoltura; ou ao ouvir respostas como a que sua filha deu uma vez ao pediatra, ao ser indagada sobre o que mais gostava na escola. “O cantinho do jogo simbólico”, disse Luísa. Já Miguel deixava bem claro o quanto era amado na escola. “Ele um dia me perguntou onde estava a professora que amava muito ele. Fiquei encantada em perceber que era essa a referência que ele tinha da educadora”, confessou a mãe, que sempre esteve próxima da escola, se enriquecendo também com os momentos compartilhados com outras famílias. Outro momento de grande emoção para a família foi a participação da aluna Luísa nas 47


eleições da escola na época da campanha presidencial. “Era evidente o quanto ela refletiu sobre os candidatos para fazer uma escolha consciente. Isso é construir cidadania”, pontua Juliana, ciente do reflexo educativo do processo que os alunos participam e o qualificam. Toda essa atenção encanta esta e muitas famílias. “O cuidado começa com o senhor Luís na portaria e se estende até a direção. Passa ainda pelo valor dado à Arte e à Ética, que também ajudam a construir um conhecimento mais valoroso”, enaltece. SENSIBILIDADE E SERIEDADE LEVAM À QUALIDADE Outro pai da Experimental, Feizi Milani, também professor e médico de adolescentes e jovens, compartilha com a esposa educadora o encanto pela seriedade, sensibilidade e qualidade do trabalho da escola. “Faz uma diferença enorme para a criança aprender de uma forma natural, a partir de suas curiosidades e vivências, ao invés de ser colocada em uma ‘camisa de força’ e obrigada a seguir um programa. Isso não quer dizer que o ensino ocorra de forma aleatória, sem planejamento. Muito pelo contrário, é necessário um planejamento muito mais competente, fundamentado nas competências e necessidades demonstradas por cada turma e educando”, explica Milani. “É isso que a Experimental faz, e faz com excelência”, continua ele. Uma educação que engloba a criança em sua multidimensionalidade e incorpora também o brincar, a fantasia, o convívio em grupo, a curiosidade. “Uma formação que flui, conduzindo de forma serena e delicada os educandos em seu processo de desenvolvimento. As crianças aprendem e se desenvolvem de forma divertida e prazerosa. Por isso, adoram ir pra escola”, continua. Para Feizi Milani, dá para ver em cada professor da Experimental a paixão pela educação e o profundo respeito pelas capacidades da criança e o ritmo individual de aprendizado. “A escola investe em formação continuada dos professores e os pais veem o reflexo disso na sala de aula”, apoia.

ENTRA BURRO E SAI LEGAL Já a ex-aluna Claudia Mascarenhas teve outro tipo de encantamento com a escola. “Minha Escola Experimental eu conheci numa apresentação de circo que os alunos estavam fazendo. Foi amor à primeira vista”, recorda. Ela conta que entrou na escola aos sete anos, aprendeu a ler e a escrever com o conto “Alice no país das maravilhas”. “As lembranças da minha Escola Experimental, entra burro e sai legal, são inúmeras. Foi onde vivi uma vida feliz sem estar fora da realidade do mundo e do meu país. Fazíamos poemas, trabalhos de Arte, estudávamos sempre em grupo, discutíamos nossas opiniões de verdade, jogava baleado no pátio, lanchava banana real ou pãozinho. Essas coisas podem até ser lembranças que se pode ter de qualquer escola, mas foi na Experimental que construí o alicerce ético e humano que sou: o respeito absoluto pelas diferenças, a generosidade, a solidariedade, tão intrínsecos que nem precisava ser tema de debate”, comenta Claudia. Ela ressalta ainda a densidade da escola para com a valorização da cultura, com festas e viagens cujas lembranças serão eternas. Claudia revela que a Experimental foi a primeira escola onde era verdadeiramente possível que as diferenças convivessem de modo tão cotidiano. “Todos tinham um lugar especial e singular. O que as escolas hoje tanto buscam para conseguir fazer ‘inclusão’ existia na Experimental sem qualquer esforço, porque isso era uma posição ético-política”, sinaliza. O sentimento de família seguiu com o tempo. Claudia diz que sempre quando encontra alguém que foi da Escola Experimental sente uma familiaridade indescritível. “Trago na minha profissão até hoje todos os valores que vivi na Experimental. A criatividade e a coragem de não ceder em minha ética são marcas também no meu trabalho. Meu sentimento de responsabilidade com as pessoas, próximas e distantes, sustentam minhas escolhas, justiça e solidariedade fazem parte do meu dia a dia, no trabalho, na família, na rua”, recorda Claudia, numa homenagem especial a Amabília Almeida, a pessoa mais revolucionária que conheceu.

Gerações de alunos da Experimental - Isabela Pamponetmãe e Gabriel Pamponet – filho

“Minha Escola Experimental eu conheci numa apresentação de circo que os alunos estavam fazendo. Foi amor à primeira vista” 48

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“...conhecer o mundo da leitura e da escrita como uma oportunidade de viajar para lugares antes nunca conhecidos...”

“Bila conseguiu fazer igualmente todos saírem singularmente ‘legais’. Tomo o termo legal como bacana, inteligente, amigo, mas também como legalidade, justiça e solidariedade. A Experimental em que eu estudei, com Bila, seu Vitorio, Pró Celi, Pró Vera, Pró Nadia, Pró Eliete, Pró Nadir, Leda, Washington, Machado, Luzinalva, Sergio, Chico, Margô e Conceição era uma escola honesta e ‘legal’”, finaliza. O FASCÍNIO PELO MUNDO DA LEITURA Quem também tem boas histórias para contar é a atual diretora administrativa da Educação Infantil, Gisete Presidio Almeida, a professora Zete. Ela passou a fazer parte da comunidade Experimental em setembro de 1977, tendo o desafio de ensinar as crianças a ler e a escrever. “Essa função ocupava um lugar de grande destaque na escola por conta da expectativa das famílias em relação aos resultados. Além de exercer um fascínio fantástico junto aos alunos, motivados em conhecer o mundo da leitura e da escrita como uma oportunidade de viajar para lugares antes nunca conhecidos”, comenta a diretora. Para ela, também foi muito rica a experiência de participar da construção do projeto político pedagógico da Escola Experimental junto com a Avante Consultores Associados. “Foi muito bom poder contribuir

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na formação do currículo e das equipes para cada vez mais atender às exigências das famílias da comunidade da Vila Laura. No cotidiano da prática educacional, procurei atuar com ética e respeito à sua história e filosofia, com a responsabilidade de fazer acontecer o melhor para a prestação de um serviço de qualidade. Com certeza, tudo só tem feito crescer a minha experiência de gestora, que exerço desde a década de 90”, pontua. Entre os principais marcos dos últimos 50 anos, Zete fez questão de lembrar o baile realizado no Clube Fantoche, com o tema “O Circo”, onde todos compareceram caracterizados; professores e crianças se divertindo juntos. Ela também se recorda da comemoração dos 30 anos da escola, com uma apresentação da banda de Fred Dantas num palco montado em frente à escola. Uma década depois, na festa dos 40 anos da Experimental, Zete conta que a celebração foi no antigo Hotel da Bahia, com mostras das produções das próprias crianças! “Espero que a Escola Experimental, assim como Amabília Almeida, continue sendo uma importante referência para todos nós. Agradeço ainda ao meu esposo e filhos pela compreensão e apoio ao desenvolvimento do meu trabalho, torcendo para o meu sucesso enquanto empresária e colaboradora desta grande e querida escola”, arremata Zete.

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PERSONAGENS DA NOSSA HISTÓRIA Muita gente está feliz com a comemoração do cinquentenário da Escola Experimental. Para muitos pais, mães, avós, alunos e ex-alunos, além dos professores e da família de Amabília Almeida, essa não é uma data qualquer. A professora Hilda Nascimento é uma delas. Para ela, a Experimental é um verdadeiro marco na história da Educação, uma escola onde ela atuou por 14 anos conduzindo as atividades de música e recreação.

A educadora revela que suas recordações são tão fortes que não conseguiram ficar no passado. “São construtos diariamente renovados na minha vida pessoal e profissional”, analisa, ressaltando que a marca fundamental deixada pela Escola Experimental foi a da LIBERDADE. “Desde que entrei ali pela primeira vez, a conquista desta significação mudou completamente minha forma de ver a mim mesma, o outro, o mundo e minha prática pe-

“Costumo dizer que foi na Experimental que descobri a diferença entre ser PROFESSOR e EDUCADOR.”

Hilda Nascimento comandando festa junina ao lado de Amabília, Ana Angélica e Ana Paiva 52

dagógica. Amabília desconstruiu completamente a compreensão rançosa e cartesiana que a faculdade havia deixado em mim. Todos os dias minha vida era repro-cessada em busca de verdadeira relação com aqueles seres que estavam ali buscando, avidamente, crescer. Costumo dizer que foi na Experimental que descobri a diferença entre ser PROFESSOR e EDUCADOR”, reflete. Hilda comenta que essa “marca da Experimental” perdura até hoje na sua vida, assim como os incontáveis fatos que viveu na escola. “Lembro de estar sentada construindo canções e versos. De repente, Amabília apareceu e disse: - Que bonito isso, ‘prozinha’... Vamos criar um musical? E o mundo abriu-se numa opereta levada ao TCA com toda a escola envolvida”. Para a educadora, também é impossível se esquecer de aulas que sabia que eram fabulosas e absolutamente inéditas; como a construção de balanços gigantescos, a criação de um sistema de som para a área de trabalho usando restos de outros aparelhos de som, os bonecos gigantes costurados com as crianças, a permissão para pular muros, para pintar o chão da nossa área de trabalho, as performances com os vizinhos, as feiras de revistas em quadrinhos, os campeonatos onde vencia quem melhor cumprisse as regras - e não quem derrotasse o outro, simplesmente. “Não dá pra listar. Não terminaria…”, enumera Hilda Nascimento, que se sente feliz só de lembrar. A felicidade também foi construída com os alunos. “Devo a eles o que sou hoje: uma pessoa melhor. Neste rol, destaco aqueles que junto comigo formaram e mantiveram por nove anos o Grupo Fantasia. Um grupo de teatro livre que Amabília (sempre ela...) autorizou a criar e que desenvolvia exercícios, práticas e gerava pequenas montagens a partir dos interesses do próprio grupo. Grande experiência em minha vida”, relata a antiga professora e diretora do grupo. Hilda também construiu fortes relações com os colegas. “A doçura de Ana Paiva sempre me encantou, e ter conhecido Eudete, que revolucionou o conceito de biblioteca escolar, foi uma grande alegria e ela continua minha grande amiga, uma irmã”, conta. Mas, para a professora, Amabília é única. “Não dá pra

sentir o que era ser Experimental sem aquela ‘simples altivez’, sem aquela fala leve que sempre anunciava uma revolução. Digna, profundamente comprometida, revolucionária, ela sempre apoiou o novo e apostou que a vida estava além do que os livros diziam. Isso fundou o meu ser educador, para sempre”, emociona-se Hilda Nascimento, que enxerga a fundadora da Escola Experimental como um fenômeno da Educação, conduzindo a todos com muita garra e consciência. “Quem passou por uma experiência dentro da Experimental deve fazer muita diferença no mundo. Sou encantada até hoje com esta experiência”, confessa, grata pela vida a ter se dirigido um dia àquela porta. “Dali, sei de duas coisas: um dia minha alma entrou. Até hoje, nunca conseguiu sair”, conclui. O SENTIMENTO DE UMA GRANDE FAMÍLIA As memórias da Experimental aparecem por todos os lados. E algumas figuras são históricas até hoje, como senhor Evilásio Correia da Silva, que há 42 anos faz o transporte de muitas crianças que estudam na escola e moram em bairros próximos. “Tinha 29 anos quando comecei este trabalho e ainda hoje, aos 72 anos, transporto os filhos de muitas famílias, algumas até os filhos dos filhos”, confessa o motorista escolar, que conseguiu a dica do trabalho na época pelo marido de Amabília. Sr. Evilásio conta que em todos esses anos viu muita gente famosa passar pela escola e fez o transporte dos filhos de governadores, senadores, prefeitos, deputados e cientistas políticos. “Quem sempre manda lembrança

“Quem passou por uma experiência dentro da Experimental deve fazer muita diferença no mundo.” 53


Equipe de funcionários da Experimental

pra mim é o Vladimir Brichta. Muitos me reconhecem depois de tanto tempo. Também recebo presentes e guardo todos até hoje”, comenta Silva, que diz nunca ter se afastado do trabalho nem por um dia. “Gosto de criança, elas me renovam. Tanto que continuo jovem aos 72 anos. Gosto de ver as crianças sorrindo e absorver essa energia boa pra ir seguindo a vida”, completa. Entre as muitas famílias especiais que têm uma forte conexão com a Escola Experimental está a de Mariflor Silva da Mota. Ela, sua filha, a tia, a sobrinha e até a irmã trabalharam na instituição, que também considera parte da família. Mariflor começou a trabalhar na Experimental em 1986. Da primeira vez, ficou até 2007. Fazia de tudo um pouco, dava apoio na sala de aula, nas atividades de Artes e no serviço de rua. Depois trabalhou no turno integral até 2009 fazendo refeições para as crianças e em outro período para os funcionários. “Tenho muitas lembranças boas. Das festas, dos relacionamentos com os funcionários, a direção… Trabalhei com Dona Amabília e também com Bisa. Foram muitas conversas e aprendi bastante nesses anos todos lá dentro. Minha irmã Marilene já se aposentou como auxiliar de sala da escola e agora minha sobrinha Eliane ocupa a mesma função. Já minha filha ficou por dois anos na cantina. Todo esse tempo na Experimental foi maravilhoso e muito gratificante. E tenho muita satisfação de viver mais aqui do que em casa. Pra mim estou em família aqui”, argumenta. QUESTIONANDO E REPENSANDO SEMPRE

“Cada projeto novo era uma gestação para saberes mais significativos que levava todos para um conhecimento muito mais profundo sobre si mesmo, sobre o outro e sobre a prática”

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A década de 70 foi uma época de questionar para repensar tudo. Foi quando a educadora Ana Gusmão Paiva terminou seu curso de Magistério e se tornou professora da Escola Experimental ensinando crianças de três a cinco anos. “Depois entrei no curso de Pedagogia buscando um aprofundamento e acabei recebendo o convite de Amabília para coordenar os grupos de Educação Infantil e vivi 41 anos sob o teto deste espaço democrático, onde as pessoas trabalham ativamente com mudanças para melhor, e num clima de alto-astral”, revela Ana Paiva. Para ela, o grande diferencial da Experimental é o trabalho pautado na autonomia

do aluno, onde as crianças desenvolvem habilidades para autogovernar suas ações, pensamentos e sentimentos nos três âmbitos: intelectual, moral e social, por meio da educação para a compreensão. Tudo isso marcou muito sua trajetória. “Destaco o idealismo e a tenacidade da minha grande mestra Amabília; o feedback das crianças e dos pais em relação ao trabalho desenvolvido; os eventos, como as exposições de Arte, musicais, peças teatrais, São João, feiras de conhecimento, encerramento dos anos letivos e a Fazenda Candeal; as viagens para congressos e os seminários organizados por toda a equipe docente; além do reconhecimento profissional e o incentivo de Amabília, Bisa, Zete, Thais, da equipe que eu liderava e dos demais colegas de trabalho. Também lembro das presenças tranquilas dos Drs. Luis Contreiras e Luigo nas reformas da escola, quanta luta e correria para ficar tudo pronto para receber as crianças a cada início de ano letivo. Com tantas memórias sofri para conseguir me desligar profissionalmente, porque sinto que a escola também é um pouco minha”, compartilha. Quem também conta que se redescobriu na Experimental foi a professora Maria Iris Santos. “Cada projeto novo era uma gestação para saberes mais significativos que levava todos para um conhecimento muito mais profundo sobre si mesmo, sobre o outro e sobre a prática”, relata, frisando que sente uma forte carga afetiva ao costurar todas as experiências vibrantes que viveu ao longo dos anos em que atuou no colégio após substituir a Pró Vilma com um grupo afetuoso e encantador. “Era cada dia mais gostoso estar naquele grupo. Nossos combinados tinham o cumprimento garantido e acontecia algo muito especial nas nossas relações: éramos muito amigos”, comenta a professora, que guarda muitas histórias na memória. “Foram muitos anos de convivência na escola junto de Amabília, Conceição, Bisa, Aninha Angélica, Aninha Paiva, Vitório, Zene, Gisa, Meire, Paula… Elas deixaram muito em minha história, assim como as professoras Vilma, Emilia, Eleine, Licia, Hilda Nascimento, Hilda Moreira, Carmosina e Bernadete, parceiras de propósitos comuns para o bom desenvolvimento da proposta que propunha preparar melhor as crianças para uma convivência mais saudável consigo mesma, 55


Amabília vestida de palhaço em festa no Clube Fantoches

como o outro e, principalmente, com a vida do planeta. Foram anos muito marcantes e de um convívio muito doce, como com Zete, uma pessoa respeitosa com todos”, ressalta. Para ela, cada criança era como um poema novo criado para tecer aprendizados sólidos e duradouros, com a ajuda de Amabília. “Ela estava sempre cheia de energia e perspicácia, trazendo um um misto de ordem com transcendência. Uma visionária muito astuta! Sábia mulher!”, completa. A lembrança dos alunos também marcou sua trajetória, todos encantadores e apaixonantes, que se desabrocharam em muitos talentos. “Uma dessas crianças foi Vladimir Brichta. Nunca escrevia um texto. Porém, na época da campanha para presidência onde Tancredo Neves era candidato, organizei o grupo para fazermos um júri sobre as eleições. Mas Tancredo morreu. Quando cheguei na escola, Vladi me disse: - ‘Pró Iris, hoje eu vou escrever tudo o que o Brasil já perdeu com a morte de Tancredo’. Incrível! Naquela manhã ele escreveu quatro laudas do papel pautado que tinha na pasta. Nunca me esqueci da mu56

dança que observei nos seus registros a partir do trabalho que fizemos sobre as eleições daquele ano”, relata, emocionada.

democracia, onde o trabalho é cooperativo, o ponto de vista dos outros são ouvidos, respeitados e analisados criticamente. “Há mais de trinta anos a Escola Experimental investe na formação continuada de professores e de todos os funcionários da instituição, garantindo espaço para que reflitam sobre a melhor forma de oportunizar situações de aprendizagem no cotidiano escolar. Faço parte dessa história há 20 anos, mas parece que se passou somente um ano, porque tudo aqui é inovador, transformador, sempre à frente daquilo que comumente se busca, daquilo que meus olhos se acostumaram a enxergar. Que descoberta fantástica! Passei por uma linda metamorfose! E essa busca continua, a trajetória também, dentro e fora da escola”, reflete Catarina. A professora Juliana Costa iniciou seu trabalho na escola neste ano de 2015. Mesmo assim, já define que ser professor na Experimental é estar em contato direto com a construção. “É desconstruir para reconstruir, observar a criança como um todo e tratá-la com respeito, carinho e dedicação. Desta forma, percebemos transformações na sala de aula em que as crianças criam formas de resolver seus conflitos através da reflexão pessoal, sendo capazes de se colocar no lugar do outro numa troca de respeito, partindo de dentro para fora. Ser

Experimental é ser um educador completo!”, diz, empolgada. “Vim de estudos dentro da filosofia desenvolvida por Maria Montessori, onde a aprendizagem é vivenciada através de materiais concretos e o professor é um observador. Cheguei à Experimental em dezembro de 2014, escola que me recebeu de braços abertos desde o primeiro contato com o porteiro, Sr. Luiz, até nossa querida diretora Thais Almeida. Tudo na escola me encantou, foi amor à primeira vista! A maneira com que todos se relacionavam, como fui recebida, enfim, cheguei à Experimental cheia de novas expectativas. Hoje, ser Experimental é ser versátil, ser amiga, é fazer com que a criança entenda até mesmo seu olhar. Realmente está sendo algo que mexe, instiga, que dá sempre vontade de ir além”, comemora. O mesmo sentimento toma conta da professora e coordenadora Sandra Cerqueira, que há 20 anos integra essa grande família, sendo uma das figuras centrais da Escola Experimental. Junto com a Consultoria da Avante, ela ressalta alguns encontros memoráveis, como os que levantaram temas como “Ensinar para a compreensão” e “As cem linguagens da criança”. “Abriram o meu olhar sobre a Arte e a criança. Assim como os seminários ‘A cultura

FORTES RELAÇÕES DE AMIZADE E CONFIANÇA Outro sentimento que une as pessoas à Escola Experimental é a confiança. A educadora Catarina Embiruçu, que trabalha na Experimental há 20 anos, afirma que ser professor Experimental significa “acreditar numa proposta de Educação onde as diferenças são acolhidas, respeitadas e valoradas. Onde a aprendizagem acontece de forma significativa porque o aluno é o autor deste processo e os professores aqueles que cuidam desse movimento de aprender”. Para ela, é importante construir uma relação de amizade e confiança com os alunos. “Por meio de uma troca de igual para igual, como dizia Paulo Freire. O resultado? Aprendemos muito com eles, porque eles têm muito a nos ensinar!”, confessa. Catarina também considera que ser professor na Experimental cria a possibilidade de usufruir um ambiente alicerçado na

Zete (diretora) e equipe de educadoras da Educação infantil

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do pensar na sala de aula’, ‘Assembleia escolar’ e ‘Inteligências múltiplas’. Não me esqueço do friozinho na barriga na hora de apresentar… Tudo em prol de buscar a melhor forma de ensinar”, defende Sandra. A pedagoga lembra ainda de quando foi escolhida, juntamente com Andrea, outra professora da escola, para representar a Experimental no evento ‘Trocando em Miúdos’, no ano 2000, com o tema “Roda Viva”. “Fomos avaliadas pelo Projeto Spectro da Universidade de Harvard. Quanta emoção e quanta responsabilidade. Sucesso, reconhecimento, lindo trabalho de equipe”, festeja, com a maturidade de quem sabe transformar a existência diária numa fonte de satisfação e realização. A professora Cristiane Oliveira é outra entusiasta bastante dedicada ao trabalho da Experimental. Ela ressalta que fazer parte da história de 50 anos de uma escola que surgiu da vontade de uma mulher, nordestina, professora, que acreditou ser possível construir, por meio da Educação, uma sociedade melhor, é motivo de alegria. Para Cristiane “as especificidades do projeto da Experimental, a forma como é concebido, cuidado e operacionalizado fazem com que a escola seja um espaço extremamente gratificante para atuar. Aqui cabe destacar a forma inovadora como lida com a proposta da inclusão, como atuamos na busca da construção de uma sociedade mais democrática e acessível a todos os sujeitos a partir da formação de cidadãos que aprendem, no dia a dia da escola, a conviver com pessoas diferentes, amadurecer nos aspectos sociais, cognitivos e emocionais, a compartilhar conhecimentos, ser ouvido, respeitar as limitações do outro, sorrir, ter amigos e, acima de tudo, desenvolver a possibilidade de ser feliz.”

Equipe de educadoras do Grupo 05 ao 5ºano 58

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TUTORIA FAVORECE A FORMAÇÃO ÉTICA DOS ALUNOS DA EXPERIMENTAL Um dos eixos mais fortes do trabalho da Experimental é o foco no desenvolvimento moral dos alunos, que pode ser facilmente exemplificado pela prática de tutoria, ministrada pela psicóloga Jamile Souza, voltada para alunos do 3º ao 5º anos. Os estagiários e acompanhantes escolares também recebem o apoio da psicóloga, voltado para a valorização da Ética das crianças. “A Escola Experimental sempre valorizou a formação pessoal de seus alunos, além da pedagógica. Tanto que as aulas de tutoria são uma rotina nas turmas, que vivenciam temas como diversidade, respeito, resolução de conflitos, lidar com emoções e sentimentos, sempre com a finalidade de buscar uma melhor convivência com o outro, independente de sua cor, raça, peso, altura, idade, sexo ou configuração familiar, respeitando todas as particularidades e valorizando o diferente como forma de crescimento”, explica a psicóloga escolar. Ela utiliza diversos recursos e dinâmicas de grupo durante os encontros de 45 minutos com cada turma; desde data show, aplicação de atividades escritas e construção de murais até discussões coletivas, no intuito de proporcionar a escuta de diferentes pontos de vista, ouvir cada opinião, valorizar os relatos

das crianças e construir, em conjunto, novas possibilidades de ações para com o outro no seu cotidiano. Segundo Jamile, neste ano de 2015, o destaque tem sido a exploração do conceito de respeito, a pluralidade da convivência e a passagem para o estágio do Ensino Fundamental II, no caso do 5º ano, ampliando a possibilidade de amadurecimento e percepções dos estudantes, especialmente acerca do que é diferente, um dos princípios norteadores da filosofia de trabalho da Escola Experimental. O referencial teórico vem da educadora Telma Vinha, a partir das suas contribuições no livro O educador e a moralidade infantil, que trata de temas relacionados com os objetivos da tutoria, a exemplo de reciprocidade, respeito mútuo, solidariedade e resolução de conflitos. “Assuntos que incentivam o educador a incluir em sua rotina de trabalho ações que promovam a melhor convivência entre as crianças”, comenta Jamile Souza, que cita a educadora Tognetta (2009), em seu livro A formação da personalidade ética, para valorizar as relações de uma vida boa para e com o outro, sendo necessário propostas em sala de aula com a finalidade de conhecer a si e ao outro.

“Já em seu livro A construção da solidariedade e a educação do sentimento na escola, a mesma autora disse que as crianças devem experimentar situações de troca, de descentração de seus próprios pontos de vista, de expressão e reconhecimento de seus sentimentos e conhecimento dos sentimentos dos outros em contraposição com os seus para chegarem à construção do autocontrole e do gostar de si”, completa a psicóloga. Acreditando na Educação escolar como oportunidade para formar sujeitos e não apenas alunos dotados de conhecimentos pedagógicos, a Escola Experimental está atenta a todas as transformações vividas pelas crianças, que se tornam mais preparadas para receber colegas portadores de necessidades especiais em suas turmas. “Elas se tornam mais criativas, possuem maior autocontrole diante de situações conflituosas, apresentam posturas de maior encorajamento quando necessitam expor suas opiniões e ficam mais preparadas para enfrentar a vida e seus desafios constantes”, esclarece Jamile. Para isso, torna-se fundamental o trabalho de atendimento familiar, com o objetivo de

acolher, orientar e encaminhar casos específicos, o que inclui a realização de reuniões com profissionais que acompanham crianças fora do contexto escolar para trocar informações, discutir as demandas e traçar metas importantes para o desenvolvimento da criança. Tudo acompanhado semanalmente com a direção e a coordenação pedagógica, uma vez que as demandas escolares vão influenciar no planejamento e na organização geral das atividades propostas, cujas práticas devem ser orientadas visando contribuir para o processo de ensino-aprendizagem das crianças. O trabalho de tutoria passa ainda por reuniões periódicas com professores e acompanhantes escolares, com a finalidade de escutar cada demanda em particular e pensar, em conjunto, estratégias de intervenções que favoreçam o desenvolvimento dos alunos por meio da melhor condução de situações específicas ou mediação de situações de conflitos. “Dessa forma, busca-se contribuir para a melhoria das relações interpessoais no trabalho, favorecendo ainda a formação pessoal, social e moral das crianças”, conclui Jamile Souza.

“A Escola Experimental sempre valorizou a formação pessoal de seus alunos, além da pedagógica. 60

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BRINCANDO E APRENDENDO

BRINCANDO E APRENDENDO POR MEIO DE MÚLTIPLAS LINGUAGENS

A valorização das múltiplas linguagens na Escola Experimental é mais um diferencial da instituição em prol do desenvolvimento cognitivo e social dos alunos. Um dos destaques é o incentivo ao esporte, à cultura e à arte, por meio de atividades curriculares como Educação Física, música, teatro e artes visuais, além de optativas como capoeira, futsal e robótica. 62

entre aluno/ator e aluno/espectador costura a estrutura de aprendizagem em teatro, fazendo da observação um dos pilares na formação social e cognitiva do educando”, explica. Um fato marcante vivenciado por ela na Experimental foi a construção da Mostra de Teatro de 2014, que uniu as linguagens teatral e musical. “Um desafio imenso, que foi completamente abraçado pelas crianças e educadoras”, comenta. O colega professor Danilo Ramos, compositor e responsável pelas aulas de música na Experimental desde 2014, concorda que o diferencial da escola está na possibilidade de desafiar, construir e provocar uma nova forma de pensar, agir e interagir com muito amor a educação. Assim como a professora de tecnologia da informação e comunicação, Osimara Barros, acredita que a ação educativa, permeada por toda essa pluralidade no cenário contemporâneo, é de extrema relevância. Só que o destaque para ela é a cultura digital, em que todos estão imersos. “As multimídias e tecnologias de informação e comunicação têm marcado

o cenário sociocultural que estamos imersos, trazendo diversas possibilidades de autoria, criação, construção das situações de ensino-aprendizagem com base em novas linguagens”, enfatiza. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), diz ela, a linguagem é “a capacidade humana de articular significados coletivos e compartilhá-los em sistemas arbitrários de representação” (2002: 124). “Assim, compreende-se que as diversas linguagens quando utilizadas na Educação têm a possibilidade de desenvolver as diferentes inteligências da criança, potencializando as capacidades cognitivas. Dessa forma, integra-se a linguagem digital à prática educativa da Escola Experimental, visando ampliar aprendizagem significativa dos educandos”, comenta. Osimara explica, ainda, que as tecnologias digitais de informação e comunicação são chamadas por teóricos da cibercultura como tecnologias da inteligência, pois potencializam as capacidades cognitivas dos sujeitos. “Estão presentes e têm alterado significativamente os modos de ser e pensar da humanidade”.

A atriz e também professora de teatro da escola, Taiana Lemos, participa desse processo desde 2013. Ela confirma que a linguagem teatral favorece a formação autônoma do educando através das capacidades sensoriais estimuladas nas práticas teatrais, além de estimular a relação com a coletividade e a construção dos aspectos interpessoais. “A relação 63


Articular tecnologias de informação e comunicação às práticas educativas potencializa as ações pedagógicas, instigando um fazer baseado na dialogicidade e autonomia, ampliando a leitura de mundo preconizada por Paulo Freire. “A prática dialógica reconhece o sujeito da aprendizagem como autor, permitindo-lhe a autoconstrução. Esse ponto converge com a forma de ensinar e aprender proposta pela Escola Experimental, que estimula as crianças ao criar, ao fazer e ao experimentar”, revela a professora. Agregando valor aos processos de ensino, as tecnologias de informação e comunicação (TICs) ajudam também a ampliar as possibilidades de aprendizagens, construções e socialização dos saberes nos diversos espaços midiáticos, inovando no ensino e potencializando a autonomia criativa da criança. “A lógica pedagógica da escola é inovadora no sentido de fazer a Educação dialogicamente, propiciando aos sujeitos o desenvolvimento da autonomia e permitindo que a autoria se constitua basilar de todo fazer pedagógico”, continua a educadora. Osimara também ressalta o fato de a escola exibir em suas paredes todas as criações dos alunos, estimulando a valorização do ato criativo e fortalecendo a autoestima. “Percebo que as TICs podem conduzir essa criação para o mundo através das diversas possibilidades de socialização, apresentando ao mundo que é possível ensinar e aprender colaborativamente respeitando a autoria de cada um”, analisa. Na Escola Experimental é assim. Todos defendem uma prática educacional inovadora, que rompe com a lógica da repetição e memorização, utilizada desde o século passado pela maioria das instituições de ensino. “Apesar de ter 50 anos de história, a escola está fundamentada numa lógica de experimentação, criação e do respeito ao sujeito, privilegiando o diálogo como base na formação de pequenos pensadores”, finaliza. INSPIRAÇÃO PARA OS PROCESSOS DE APRENDIZAGEM Para a professora de Artes Visuais, Ana Luiza Lopes Brito, que atua na Experimental desde 2009, o sentimento de liberdade tão característico da escola também inspira os processos 64

de aprendizagem, onde a comunidade, a cultura e a vida diária alimentam o saber. “Desde a arquitetura da escola, que, com os seus corredores aparentes, favorece uma dinâmica de ir e vir sem perder o contato frequente com a comunidade externa e invade as salas com essa liberdade de pensar, falar e fazer, dentro de uma construção coletiva e democrática acerca do respeito à diversidade, que faz com que esse espaço de aprender se construa a cada dia diferente, curioso e desafiador”, comenta Ana Luiza, que baseia as aulas de Artes Visuais no tripé formativo que envolve a apreciação de imagens diversas, a produção plástica e a reflexão acerca do processo vivido. As aulas são planejadas a fim de proporcionar um contato com as criações de artistas diversos, fazendo um caminho pela história da Arte, aproximando outras culturas. “A partir desse contato, as crianças fazem relações com os conhecimentos prévios, constroem novos conceitos e percebem que para se fazer Arte tem que ver Arte”, completa. Cada um é desafiado a planejar, escolher e fazer; é o exercício de um processo criador onde acontece a exploração dos diferentes elementos da linguagem visual (ponto, linha, cor, forma, espaço, textura, entre outros) e a exploração de variados materiais para o seu fazer plástico. “Assim, cada um percebe que é preciso ter uma intenção para transformar ideias em imagens e objetos, reconhecendo os desafios do fazer”, arremata a professora, que também se preocupa em dialogar com os demais projetos e disciplinas escolares. “Nesses momentos temos a preocupação de mostrar que a Arte não é apenas um elemento decorativo para as outras disciplinas, mas sim uma linguagem com conteúdos próprios que somam conhecimento acerca de inúmeras temáticas. Também podemos exercitar a autonomia dos alunos, que selecionam os materiais até o planejamento da criação, a partir da reflexão e discussão em sala”, explica. Luiza afirma ainda que a abertura para o desenvolvimento desse processo de aprendizagem, pautado na liberdade e autonomia, dentro de um campo discursivo, permite que as aulas de Arte façam parte de um processo de reflexão, onde cada criança exercita o olhar, faz relações, busca referências, cria com desejo e faz Arte sem preconceito. 65


De fato, o brincar e o aprender por meio de múltiplas linguagens é muito valorizado pela coordenação pedagógica da Experimental, que tem à frente da Educação Infantil a psicopedagoga Patrícia Andréa Veiga Monteiro. Ela tem 23 anos de experiência no setor da primeira infância e, ao longo dessas duas décadas, percebeu os novos conceitos que rompem paradigmas e revelam caminhos contemporâneos, como as linguagens diversificadas, repletas de códigos e tecnologias avançadas, além das transformações históricas e sociais. Diante desse contexto, questiona-se como envolver e acompanhar cada criança que chega com suas diferentes demandas. “A escola precisa repensar seu papel diante desse universo tão diversificado, decidindo por abrir-se para um mundo que questiona, convoca às reflexões constantes, estimula o pensar, influencia o potencial da escuta sensível, tanto do que diz respeito às diferenças quanto ao processo avaliativo, representando um espaço de valorização da infância”, pontua Patrícia Monteiro. De acordo com a coordenadora pedagógica, em tempos que exigem cada vez mais sujeitos criativos e pensantes, construir um repertório diversificado, usando as múltiplas linguagens possibilita aos estudantes responderem a questões usando linguagens artísticas e inovadoras, como a corporal, musical, literária, visual, tecnológica e simbólica, para representar suas ideias de forma original e sensível. “A linguagem reveste-se de um caráter comunicativo que auxilia a expressão do pensamento de forma criativa”, explica, ressaltando que o brincar possui uma parceria constante com as múltiplas linguagens. “Esta é uma das principais ferramentas de aprendizagem utilizada pelos educadores que transitam nesse contexto infantil. Nos momentos lúdicos, a criança representa situações vivenciadas (ou que gostaria de vivenciar) e, assim, se relaciona com seus pares. É também nessa hora que ela pode se comportar de maneira mais avançada em relação à sua idade. Aprende a desempenhar papéis, a reproduzir gestos e falas de pessoas ou de personagens de histórias e a inventar roteiros por meio das linguagens corporal, musical e verbal”, avalia Patrícia. 66

Na Escola Experimental, os diferentes espaços da Educação Infantil - Parque de Areia, Parque de Grama e Cantos Diversificados -, associados aos demais ambientes de cada sala de aula, possibilitam às crianças espaços de diálogos, representações simbólicas e de ludicidade, fundamentais para o desenvolvimento infantil. “Na Educação Infantil, por exemplo, meninos e meninas passam uma boa parte do seu tempo explorando os Cantos Diversificados, que são espaços organizados por temas, com materiais apropriados para leitura, conceitos de Matemática, construção de Artes Visuais e jogos simbólicos, que ajudam a potencializar a autonomia das crianças, através das vivências que lhes proporcionam diferentes situações de aprendizagem, como escolhas de acordo com sua preferência e motivação para gerenciar e organizar o tempo”, esclarece a coordenadora. Ao educador cabe fazer intervenções que estimulem, instiguem e promovam ricas descobertas por meio de uma dinâmica que fomente a convivência social a cada instante. Assim, brincando, a criança aprende a elaborar e resolver situações de conflito usando capacidades como observação, imitação e imaginação, sendo capaz de reconstruir aquilo que observa naqueles que estão por perto. “Tudo é usado no cotidiano de nossa escola para proporcionar momentos de experiência sensível, deleite e descoberta deste potente universo. A Hora do Conto, a Ciranda Literária, a Sacola Literária, a Feira de Livros, a Mostra de Teatro, os Recitais de Poesia, entre outras iniciativas, são atividades desenvolvidas para proporcionar momentos de prazer, descobertas, estímulo à criatividade e sensibilidade estética, em ricas situações de aprendizagens”, define. Na Experimental, ajudar as crianças a desenvolver o seu potencial rumo à construção de uma cidadania plena, que traga felicidade e alegria, passa por uma Educação baseada em valores que auxiliam os alunos a se preparar para atuar no mundo da diversidade cultural. “Essa emoção me impulsiona a caminhar aprendendo e respeitando os limites e a singularidade de cada um, sempre encantada pelo poder transformador da Educação. Assim, modifico a mim mesma, ao tempo em que tento motivar e influenciar os que estão neste caminho, cheio de surpresas e paixão!”, conclui Patrícia Monteiro. 67


CONHECIMENTO AO ALCANCE DE TODOS A Escola Experimental possui um rico acervo na sua biblioteca ao alcance de todos. São obras de referência, livros e multimeios, disponibilizados com o objetivo de incentivar e disseminar o gosto pela leitura junto à comunidade escolar, oferecendo suporte informacional aos programas de ensino e pesquisa. Assim, atende especialmente os alunos leitores, visando torná-los capazes de reconhecer o valor da informação e aptos a utilizá-la.

A pedagoga Flavia Mendes, especialista em alfabetização infantil e letramento e formação de professores, também ocupa na escola a função de coordenadora pedagógica do Grupo 5 aos 1º e 2º anos do Ensino Fundamental I, desde o ano de 2010, se valendo sempre de todo conteúdo e as multiplataformas disponíveis. “O acervo da biblioteca é composto de obras de diversos gêneros literários - literatura infantil, contos, crônicas…, títulos para fins

de pesquisas nas diversas áreas do conhecimento, além de periódicos - jornais, revistas e outros materiais, que auxiliam as pesquisas de professores e alunos, buscando atender às necessidades educativas e lúdicas do público da escola”, explica a educadora, que diz ter ampliado o seu olhar na Experimental em relação à Educação e diversidade, refletindo, planejando e ajudando a colocar em prática ações pedagógicas que respeitam as singularidades dos sujeitos que fazem parte desta instituição. “O incentivo do gosto pela leitura faz parte da rotina de todos os grupos da Escola Experimental. A formação nesta área tem o objetivo de desenvolver a capacidade interpretativa, formando sujeitos críticos. Essa capacidade é construída ao longo do processo educativo, a partir de situações onde as crianças podem experimentar esse universo motivadas por meio de Leituras Compartilhadas, Ciranda de Livros, Sacola Literária, visitas à biblioteca e outras práticas relacionadas às situações comunicativas dos projetos de Língua Portuguesa”, revela. 68

Segundo Flávia, a escola está sempre aberta a trocar experiências e compartilhar sua prática com a comunidade escolar e outras instituições através de relatos de suas práticas, seminários, grupos de estudos e fazendo parcerias com instituições de Ensino Superior para estágios. “Acreditamos que dessa forma ampliamos nossos conhecimentos exercitando uma postura reflexiva que nos desloca a buscar novas possibilidades para enriquecer nossa práxis. Paulo Freire (1996) já dizia: ‘Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo, educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade (p.32)’. Esse movimento de reflexão e pesquisa é imprescindível para o ato educativo, pois, a partir da problematização de suas práticas, o professor elabora novas mediações no seu fazer pedagógico, ressignificando-as e construindo novas estratégias que tenham sentido para o aluno. Nesse processo contínuo de ensinar e aprender, todos são beneficiados”, ensina Flavia Mendes. 69


Já a coordenadora pedagógica do 3º ao 5º anos do Ensino Fundamental, Graciane Reis Oliveira, acredita no trabalho de incentivo à leitura como estímulo ao uso da linguagem oral e da escrita como objeto social, instrumento vivo e vital, dinâmico e presente em situações reais da comunicação. Formando leitores críticos, capazes de ler o que está implícito, a educadora explica que é possível estabelecer relações entre o texto que se lê e outros já lidos, assumindo uma posição diante das obras dando significado aos textos. “O trabalho realizado na Escola Experimental leva em consideração o conhecimento prévio da criança que, mesmo sem iniciar a vida escolar, já possui informações sobre o código escrito. Algumas ações objetivam propiciar aos alunos atividades que estimulem o prazer e o interesse pela leitura, desenvolvendo a criatividade e a criticidade, e ampliando gradativamente seu repertório linguístico”, defende Graciane, que é especialista em Coordenação Pedagógica e Comunicação Social. A pedagoga Arlete Barreto Rodrigues também concorda que o professor. Experimental precisa ser flexível, observador e não ter medo de arriscar para ampliar o olhar diante da necessidade de enxergar o outro como ser único, capaz de ter uma escuta sensível e, acima de tudo, reconhecer a importância do respeito às diferenças. “O professor da Experimental precisa ser pesquisador, ter coragem de enfrentar os desafios que vão além da prática da sala de aula, ser desbravador, criativo e jamais se acomodar”, finaliza.

Algumas ações objetivam propiciar aos alunos atividades que estimulem o prazer e o interesse pela leitura, desenvolvendo a criatividade e a criticidade e ampliando gradativamente seu repertório linguístico” 70

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FICHA TÉCNICA FUNDADORA DA EXPERIMENTAL: AMABÍLIA ALMEIDA DIRETORA ENSINO FUNDAMENTAL I E GRUPO 05 THAIS ALMEIDA COSTA DIRETORA ADMINISTRATIVA EDUCAÇÃO INFANTIL GISETE ALMEIDA DIRETORA PEDAGÓGICA EDUCAÇÃO INFANTIL BISA ALMEIDA COORDENADORAS PEDAGÓGICAS: PATRÍCIA MONTEIRO, FLÁVIA MENDES, GRACIANE REIS JORNALISTA ADRIANA NOGUEIRA FOTÓGRAFO FESTA 50 ANOS PABLO DE SOUZA FOTÓGRAFO FOTOS INSTITUCIONAIS PAULO LIMA FOTOS ANTIGAS DOS ARQUIVOS DA COMUNIDADE EXPERIMENTAL. DIAGRAMAÇÃO E PROJETO VISUAL: P55 COMUNICAÇÃO IMPRESSÃO E ACABAMENTO GRASB

VENHA CONHECER NOSSA PROPOSTA E FAÇA PARTE DA COMUNIDADE EXPERIMENTAL EDUCAÇÃO INFANTIL RUA RAUL LEITE, 89, VILA LAURA, SALVADOR-BA FONE: (71) 3244-8066

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50 Anos Escola Experimental  

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