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Rua Âmbar

Eloí Bocheco Ilustrações Márcia Cardeal


Rua Âmbar Eloí Bocheco

Ilustrações Márcia Cardeal


CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ B647r Bocheco, Eloí Elisabete, 1955Rua Âmbar / Eloí Bocheco; ilustração Márcia Cardeal. - 1. ed. - São Paulo: Formato, 2013. 56 p. : il. ; 27 cm ISBN 978-85-7208-848-0 ISBN 978-85-7208-849-7 (professor) 1. Ficção infantojuvenil brasileira. I. Cardeal, Márcia, 1960-. II. Título. 13-02099

CDD: 028.5 CDU: 087.5

Rua Âmbar Copyright © Eloí Bocheco, 2012 Ilustrações © Márcia Cardeal, 2013 Gerente editorial: Rogério Carlos Gastaldo de Oliveira Editora-assistente: Andreia Pereira Auxiliares de serviços editoriais: Flávia Zambon e Laura Vecchioli Estagiária: Gabriela Damico Zarantonello Revisão: Pedro Cunha Jr. e Lilian Semenichin (coords.) / Tatiana Malheiro Capa: Márcia Cardeal Direitos reservados à SARAIVA S.A. LIVREIROS EDITORES PABX: (0xx11) 3613-3000 Fax vendas: (0xx11) 3611-3268 www.editorasaraiva.com.br Proibida a reprodução total ou parcial desta obra sem o consentimento por escrito da editora. 1ª tiragem, 2013 Visite nosso site: www.formatoeditorial.com.br falecom@formatoeditorial.com.br


Para Rosenilde Lohn


1 Em Mariscal frente das casas, calçamento, veículos e outras normalidades.

estrada, na beira de uma mata, onde dá para andar de bicicleta, ou jogar bola, sem medo dos carros. Quando não está na escola, na Rua Âmbar, ou ajudando o pai a limpar os peixes

embaixo da cama dele. -

caçarolas, bules, jarros, canecas, armários, cadeiras, baldes, malas de viagem, barcos, canoas e mais peixes e estrelas-do-mar. Além de tantas outras coisas.

jeito para invenções e pediu a ele algumas peças para enfeitar o guarda-louça.

por exemplo?

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o tempo passar. Gastava horas para acertar a tampa de uma panela de pressão, o cabo de uma caçarola, o bico de um bule, a alça de uma chaleira.

Miro ainda mostrou as miniaturas para mais algumas pessoas, além do pai, da

bule para pôr na estante.

ler.

guia ler. Pedia socorro para a mãe e para o pai, mas eles também não sabiam ler direito.

nas feirinhas da rua da praia. Fora da temporada, viaja para vender em outros lugares. -

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2 , Miro tira as peças da caixa e espalha pelo assoalho em diferentes ordens. Ora mistura, ora arruma em pares, tipo vaso com vaso, panela com

um parente. Quando cansa de brincar com a ordem das peças, mistura todas, separa de novo e as coloca a falar umas com as outras:

ao mar de novo. Ficou com a mão no ar, assim, ó, me atirando, mas aí, pensou: o Miro


Na Rua Âmbar acontecem tantas coisas...

– Já fui mala de um capturador de palavras. – De palavras? – Sim. A vida dele era capturar palavras e era eu quem as carregava. – Para onde? sabendo que num determinado lugar estavam faltando palavras como ‘eu te amo!’, ele enchia a mala de ‘eu te amo!’ e derramava nesse lugar. Se ouvia contar que em outro lugar havia poucas palavras do tipo ‘me conte uma história bonita’, ‘me dê cá um abraço’, ‘viva nossa amizade!’, era pra já que ele enchia a mala (eu, no caso) com essas palavras e levava para lá. – E o que acontecia com as palavras? – Primeiro elas procuravam um lugar para descansar da viagem e, depois, voavam para o telhado das casas, caíam nos ninhos dos pássaros,

... e as palavras voam em forma de poesia para dentro dos nossos corações.

e em tantos outros lugares apropriados.

Trecho do livro RUA ÂMBAR, de Eloí Bocheco  

Rua Âmbar (Formato, 2013) Ilustrações de Márcia Cardeal Um livro de pertencimento e memória

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