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REVISTA DIGITAL

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EDUCA AO E CULTURA ITINERÂNCIAS DE MEMÓRIAS E ARTE DA FAVELA - 8 ICOM / CAMOC - 10

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ARTICULA AO E SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL MUSEU DE FAVELA E RIO GERAÇÃO CONSCIENTE - 14 PONTO DE LEITURA ITINERANTE - 16 MUF PARTICIPA DE I FÓRUM DE VILAS E FAVELAS NO MUQUIFU - 17

MEMORIA E ACERVO REDES CRIATIVAS - 20 REFLEXÃO E PAPO RET O - 22


Equipe do MUF

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Museu de Favela é considerado o primeiro museu vivo de território sobre memórias e patrimônio cultural de favela do mundo. Seu acervo é composto por cerca de 20 mil moradores, com seus modos de vida e narrativas, sendo peça importante e desconhecida da história da Cidade do Rio de Janeiro. O MUF desenvolve ações pela valorização da memória cultural coletiva quando uma pessoa reconhece suas próprias memórias ao ouvi-las através do outro. De história em história o MUF monta exposições itinerantes por outros museus. Ele adquire, assim, mais obras de arte contemporâneas e grafites que são instalados nas Casas Tela, uma das galerias de exposições permanentes a céu aberto na favela. Atua, ainda, pelo fortalecimento do bom caráter comunitário e pela realização de uma visão de futuro transformadora das condições de vida da comunidade. O território-museu está localizado no morro do Cantagalo, Pavão e Pavãozinho, entre os bairros de Ipanema, Copacabana e Lagoa, na zona sul da Cidade do Rio de Janeiro. No Caminho do Alto, que ainda está em fase de desenvolvimento, a futura segunda galeria de visitação vai reunir memórias da relação desses locais com a Mata Atlântica e as vistas panorâmicas notáveis dentre as mais exuberantes paisagens patrimoniais da Cidade Maravilhosa.

Antônia Soares – Curadora de Ações Educativas antonia@museudefavela.org

Débora Soares – Mediadora Cultural Débora@museudefavela.org

Rita Santos – Curadora de Memória e Acervo ritasantos@museudefavela.org

Maximilian de Oliveira– Videoteca Max@museudefavela.org

Kátia Loureiro – Administrativa Financeira Kátia@museudefavela.org

Vanessa Andrade– GT Voluntariado Vanessa@museudefavela.org

Sidney Tartaruga– Captação de Recursos sidneytartaruga@museudefavela.org

Virgílio Garbayo– Redes e tecnologia Virgilio@museudefavela.org

Flávio Feitosa – Administração flaviofeitosa@museudefavela.org

João Ferreira- Zeladoria

Fabiana Simão – Auxiliar administrativo fabianasimao@museudefavela.org APOIO

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ECO-UFRJ

Valquíria Cabral – Coordenadora do CIVISMUF valquiriacabral@museudefavela.org

Talita de Castro – Museóloga Talita@museudefavela.org Rafaela Feliciano – Gestora do Núcleo de Comunicação do MUF – MUFALA rafaela@museudefavela.org

Rita Chagas – Auxiliar do CIVISMUF ritachagas@museudefavela.org

O Museu de Favela agradece a todos os colaboradores e parceiros pelo apoio na Revista Digital. Projeto Gráfico e diagramação LUPA – Laboratório Universitário de Publicidade Aplicada Apoio

Lupa

ECO-UFRJ


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Educa ao e Cultura


A L E V A F A D E T R A E S IA R O IT IN E R a N C IA S D E M E M

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3ª Galeria Cultural do Solar Meninos de Luz/2009 4ª Museu Solar dos Mellos – Macaé/2011

O tema da primeira versão do projeto foi sobre memórias de velhos ilustres da favela, que deram seus depoimentos de vida em entrevistas à equipe do MUF.

TEMA

1ª Quadra da Escola de Samba Alegria da Zona Sul/2009 2ª Espaço Criança Esperança – Cantagalo/2009

projeto de Itinerâncias do Museu de Favela teve início em 2009 e já realizou oito exposições, levando as histórias de vida dos moradores em processos itinerantes dentro e fora do território dos museus, espaços educativos e culturais e de cidades do Rio de Janeiro.

Memórias de Velhos Ilustres e depoimentos com mensagens de visitantes para a favela

5ª Museu do Forte Defensor Perpétuo – Paraty/2011

Em 2012 foram realizadas três itinerâncias, uma no Museu da República, no Catete, outra no Museu do Palácio Rio Negro, em Petrópolis e a última no Museu do Ingá, em Niterói. E, neste ano, elas continuam, porém com temática baseada nas histórias de vida das Mulheres Guerreiras do Cantagalo, Pavão e Pavãozinho, realizando uma exposição no último museu. Todas as ações foram feitas com o patrocínio do edital da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro adquirido pelo Museu de Favela. Este é mais um projeto que segue valorizando a cultura da comunidade em cada ação que realiza. A memória da favela é parte importante da memória da Cidade. Durante as exposições o MUF

EXPOSIcoES / LOCAl / ANO

6ª Museu de Arte Religiosa e Tradicional – Cabo Frio/2011 7ª Teatro Solar Meninos de Luz, durante o Concerto de Harpas de Claire Jones/Rio Harp Festival/2011 também colhe depoimentos de visitantes, inspirando novos olhares sobre a realidade da favela e levando artigos e oficinas de artesanato e arte do local, juntamente com suas histórias de vida.

8ª Museu da República – Rio de Janeiro/2012 9ª Museu Palácio Rio Negro – Petrópolis/2012 10ª Museu do Ingá – Niterói/2012

Memórias das Mulheres Guerreiras do Museu de Favela


ICOM / CAMOC por Maria Ignez Montovani - Presidente do ICOM Brasil

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23ª Conferência Geral do ICOM será uma experiência de compartilhamento de vivências museológicas entre profissionais de museus de diferentes continentes. O Brasil, ao se candidatar para sediar o evento, propôs um tema que transmite e irradia a importância e a maturidade de nossa museologia social. Museu (memória + criatividade) = transformação social. O desenvolvimento desse projeto nos motivou a buscar formas de compartilhamento entre os Comitês temáticos do próprio ICOM e os museus brasileiros, notadamente os situados no estado do Rio de Janeiro.

Assim nasceu um dos mais virtuosos programas da Conferência: a Expedição Interdisciplinar, que unirá o MUF, o CAMOC – Comitê de Museus de Cidade, e o MINOM – Movimento para a Nova Museologia. Tratase de uma experiência que envolverá os habitantes da Favela Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, em seus saberes e afazeres; os “expedicionários” brasileiros e estrangeiros gestores do MUF e dos Museus de Favela do Rio; além de equipes de apoio e de registro de imagens e depoimentos. Um dia inteiro de intensa programação conjunta garantirá a todos momentos de convívio, observação, fruição e compartilhamento de ideias e experiências.

Considerando que vivemos no século das cidades, o objetivo deste encontro é compartilhar diferentes formas de “musealizar” complexos e desafiantes territórios das metrópoles mundiais.


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Articula ao e Sustentabilidade Institucional


e t n e i c s n o C o a c a r e G o i R e a l e v a F Museu de

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Curso de Comunicação oferecido em 2012-2013 pelo Projeto Rio Geração Consciente/ Secretaria Especial de Desenvolvimento Econômico e Social – SEDES/PMRJ, em parceria com o Museu de Favela e realizado aqui no MUF, ofereceu atividades socioculturais e artísticas. Os equipamentos fornecidos pelo projeto apoiaram exibição de filmes, preparação de vídeos, fotos e outros materiais de mídia, produzidos pelos próprios alunos.

Desde a conclusão dessa importante parceria com a SEDES, o MUF vem adotando medidas para sustentar os resultados alcançados. O mês de janeiro deu início a implementação de um amplo projeto de desenvolvimento institucional do museu, patrocinado pela Secretaria de Estado da Cultura/RJ onde se insere a profissionalização do MUFALA - núcleo de comunicação do MUF, pois comunicar ações de valorização de cultura e memórias dentro da favela e, a partir disto, transbordá-las para a cidade é fundamental.

Para avançar na profissionalização do MUFALA, o Museu de Favela vem se aproximando das universidades, já tendo conquistado parcerias institucionais com a PUC (formação do Grupo de Escutadoras de Memórias do MUF, entre outras ações parceiras), com a UNIRIO (formação em turismo de base comunitária e inventário de atrativos e apoio da escola de museologia em laudos e conservação de acervos a céu aberto) e com a UFRJ, para o desenvolvimento da política de comunicação do museu e um programa anual de campanhas de divulgação. Todas essas ações de parceria com outras instituições têm por requisito intensa aprendizagem e mútuas transferências de conhecimentos, o protagonismo do morador da favela e a perspectiva de enraizar caminhos mais promissores de paz e inclusão social. Parte deste processo foi estimulada por meio da atuação conjunta com o Projeto Rio Geração Consciente. Com a finalização do curso, os exalunos poderão dar continuidade ao que aprenderam, contribuindo com o Museu de Favela, em ações na comunidade do PavãoPavãozinho e Cantagalo.


P O N T O D E L E IT U R A IT IN E R A N T E

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Ponto de Leitura Itinerante Museu de Favela é realizado com o apoio da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro e é um projeto que realiza, semanalmente, oficinas de leitura e produção escrita e ilustrada no território do Cantagalo e Pavão – Pavãozinho. O principal objetivo desta atividade é resgatar a história local e a memória da favela através de conto, poema e ilustração. Ao final desta atividade, todo o resultado servirá como conteúdo para a revista Ponto de Leitura do MUF.

de nossos ta si vi a r e b ce re a ir e u q Caso território basta u se m e ra u it le e d s te n age um e-mail r a vi n e u o , 4 7 3 -6 7 6 2 2 r liga la.org para info@museudefave

o n , s a l e v a F e s a l i V e d m u or f 1 s o a d n a a b p i r c U i t s r a l a p e v a F MUF e o b m o l i u oQ d u e s u M U MUQUIF

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I Fórum de Vilas e Favelas aconteceu durante a 11ª Semana Nacional de Museus 2013 em Belo Horizonte/MG, onde Antônia Soares, Diretora da Rede de Negócios Criativos do MUF, representou o Museu de Favela nas mesas de debates nos dias 14 e 15 de maio, contando a trajetória do MUF e conversando sobre a Museologia Social desenvolvida por ele. Participaram também deste evento representantes de diversos seguimentos institucionais, sociais e educacionais. Após as apresentações das mesas houve debates com o público local, formado por pessoas da favela e acadêmicos, onde muitos conhecimentos foram adquiridos e trocados. “Me senti muito à vontade, em casa mesmo. Todos foram muito acolhedores e demonstraram alegria e agradecimento com a minha presença. Ficaram felizes e empolgados com a experiência do Museu de Favela. Muitas pessoas mostraram interesse em conhecer pessoalmente nosso museu territorial e em adquirir o livro Circuito das Casas Tela, caminhos de vida no Museu de Favela”. Palavras de Antônia Soares, diretora da Rede de Negócios Criativos do MUF. Essa foi a primeira de doze palestras que o MUF vai realizar, divulgando sua atuação como uma prática importante da museologia social fluminense. A ação integra o Plano Estratégico e de Desenvolvimento Institucional do Museu de Favela – PEDIMUF, e tem o patrocínio da Secretaria de Estado da Cultura do Rio de Janeiro/Superintendência de Museus.


Memoria e Acervo


A REFLEXA O E O PAPO RETO RE DE S CR IA TI VA S

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Rede MUF é um dos núcleos do Museu de Favela, que tem por objetivo reunir e organizar em uma rede de negócios, moradores do Complexo Pavão/Pavãozinho e Cantagalo – PPG, que sozinhos, em grupos ou entidades produzam ou confeccionem trabalhos de arte, artesanato e culinária, ou possuam estabelecimentos de comércio e/ou serviços. A proposta deste projeto é colocar no mercado produtos ecologicamente corretos, produzidos a partir de material reciclável, como papel, papelão, material de papelaria, restos de tecidos e aviamentos de costura, que nas mãos de nossos artistas e artesãos viram lindas peças de acessórios pessoais, moda, objetos de decoração, artigos de escritório, entre tantos outros. Tudo o que for produzido será vendido na Lojinha do MUF, ou em outro espaço criado para estimular o desenvolvimento da REDEMUF e fomentar a inclusão produtiva da economia viva de seu território através de redes solidárias, necessariamente instaladas nas localidades do Museu de Favela.

Flavio Feitosa Administrador do Museu de Favela Morador de Pavaozinho

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uando aceitei o convite dos diretores do Museu de Favela para colaborar na concepção da trilha do Caminho do Alto e depois integrar a equipe administrativa do MUF, eu estava vivendo um momento de reflexão, pensando em como atuar de forma mais consistente no desenvolvimento da comunidade. Vi aí uma grande oportunidade de aprendizado e uma maneira de incentivar os moradores a se qualificarem e aproveitarem o máximo que o local tem a oferecer. Quando falo em qualificação penso em processo educacional. Quando era mais novo tive o sonho de cursar uma universidade. Realizei esse sonho e não parei. Fiz Pós-Graduação, MBA, cursos de extensão, palestras e, além disso, meu mestrado está cada vez mais perto. Meu desejo por qualificação é grande. Mas onde aprendi e aprendo mesmo é com a vivência dentro do território e com as pessoas com quem tenho o

prazer de compartilhar e trocar saberes. Isso fez e faz uma diferença enorme em minha vida e na de minha família. Meus primos, prima, esposa, sogra, todos cursaram ou estão a um passo de ingressar na faculdade. E a todo o momento se mostram interessados por assuntos que antes nem passavam por suas cabeças. Como diz aquela propaganda “ISSO NÃO TEM PREÇO”. Quando vejo a possibilidade de um projeto ser desenvolvido, as expectativas das pessoas do território, de aprender e trocar experiências, eu enxergo uma luz no fim do túnel. Participei com a equipe do MUF de um processo de “imersão”, onde ficamos dois dias em Saquarema “debatendo e planejando o futuro” do Museu de Favela. E tive a oportunidade de participar de um processo de construção sem igual. O que me marcou, além do fortalecimento do grupo, foi o amplo e riquíssimo debate que fizemos sobre o turismo do local. A comunidade quer que turistas fiquem circu-


lando dentro da favela? Os moradores foram consultados? Como fica a questão da privacidade? Saímos de lá fortalecidos com o compromisso de estudar bem esse tema. Esse debate foi importantíssimo para todos que estiveram presentes. A grande maioria das pessoas que dirigem o MUF e que vem sendo treinada por ele para gestão dos processos do museu é uma moradora do território de Cantagalo, Pavão e Pavãozinho. Entendi a diferença entre “gestão participativa” onde o morador atua de fato e “gestão engana trouxa”, onde tiram fotos para dizer que fizeram. Quando ele de fato é convidado a participar, acaba sempre por responder com aquela disposição: “Vamos fazer! Será quando?” Várias ideias vão surgindo e, assim, vou conhecendo pessoas humildes e solidárias.

Tenho que desabafar! Ainda bem que nasci e vivo no território, pois cada vez mais tenho a certeza de que não quero perder nunca a humildade e a solidariedade. Tento passar isso de diversas formas para o meu filho de seis anos. Conviver com pessoas que possuam esses valores me fortalece e é extraordinário viver a possibilidade de desenvolver algo que vai permanecer para a comunidade. Há pouco tempo estava fazendo um curso voltado para o desenvolvimento de liderança comunitária, oferecido pelo Canteiro Social (juntamente com aquele monte de logos nos folhetos) em parceria com a UNIPAZ. Durante o período do curso a mediadora dizia que vivemos em uma economia falida e que chegará um tempo em que deveremos dividir o que temos para sobreviver. Resumindo: reforçar o valor da empatia e da solidariedade dentro de nós, em busca do direito de existir, e o início disso tudo seria nas comunidades, através dos valores que as pessoas que ali residem possuem. Fiquei pensando sobre o assunto e confesso que a HUMILDADE e a SOLIDARIEDADE tem tudo a ver com isso. Sempre que tenho oportunidade cito as diferenças entre Pavão/Pavãozinho e Cantagalo, no intuito de mostrar a diversidade cultural e de conhecimen-

tos entre as pessoas. Por exemplo, Bezerra no Cantagalo é o presidente da Associação de Moradores, no Pavão/Pavãozinho, Bezerra é o irmão de Nil, o cabeludo que mora no prédio e escuta o som alto na janela. Outro exemplo: O falecido seu Bidon era dono de uma famosa birosca na segunda estação do bondinho e passava grande parte do dia jogando dama com a sua esposa D. Osca. Todos do Pavão/ Pavãozinho os conheciam, eram os pais do Dedé e da Margarida. No Cantagalo nem conhecem a sua história. Então, pela cultura e pelas memórias coletivas, o MUF tem muito trabalho pela frente. Terminei há pouco tempo de ler um livro interessante sobre o Futuro da Administração. O livro aborda a importância da inovação nas organizações, mas para isso as empresas teriam que inventar um novo modelo de gestão para substituir esse que todos usam desde o início do século passado. Segundo o autor, a mudança é fundamental para que as instituições consigam sobreviver neste século e que as grandes ideias inovadoras partem de qualquer um que esteja envolvido no processo, desde o faxineiro até o CEO, mas para isso precisam ser motivados. Essa abordagem serve não somente para empresa, mas para um território que precisa “sobreviver”. Um


E extraordinario viver a possibilidade de desenvolver algo que vai permanecer para a comunidade. exercício interessante seria pensarmos na comunidade do Pavão/Pavãozinho e Cantagalo. Com isso surgem na minha cabeça os seguintes questionamentos: As pessoas do local estão sendo motivadas a serem inovadoras? Os agentes internos (ONGs, lideranças e outros) e os externos (UPP Social, Secretaria disso e daquilo, PAC e outros) estão trabalhando para incentivar o desenvolvimento da crítica e consequentemente da inovação? Esses programas de fora para dentro na comunidade e o dinheiro investido nestes projetos produzem alguma inovação? São muitas perguntas que poderíamos desdobrar. Pelo que acompanho ninguém faz isso dentro do território! Espero que eu, ainda em vida, consiga ver e atuar por algum resultado que valha a pena BATER PALMAS DE PÉ.

Revista Digital MUF n2  
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