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2020 | Nº17 | Abril / Maio | Bimestral Continente | Directora: Ana Paula Oliveira PVP: €3,00


SUMÁRIO

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Editorial

Entrevista

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26

Presidente do IMT

40

Inovação

Volkswagen Caddy

Mercedes-Benz Actros

Actualidade

12

32

44

Novidade

Distribuição e Logística

Apresentação

Lubrificantes Wolf

Director Geral APED

17

34

48

Mercedes-Benz Vito

Lubrificantes

Actualidade

20

38

Fuchs

Diesel Technic Parts Specialists

Heróis ao Volante

Ecommerce

Vendas online

Entrevista

Tecnologia Condução Autónoma


EDITORIAL

O transporte em contexto de crise

DIRECTORA Ana Paula Oliveira REDACÇÃO Patrícia Louro FOTOGRAFIA Nuno Rodrigues

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urante a crise Covid-19, o sector do transporte e logística demostrou a sua importância no tecido industrial português e mundial, permitindo que os bens essenciais chegassem a todos em tempo útil. Por esse motivo, queremos expressar a nossa gratidão aos motoristas de camiões, profissionais de logística, gestores de frotas, técnicos das oficinas que se mantiveram em actividade para dar apoio a sectores essenciais e à sociedade durante a pandemia. Queremos também agradecer a todos aqueles que estão na linha da frente da luta contra esta pandemia como os profissionais de saúde, bombeiros e forças de segurança. Nesta edição fomos ouvir os heróis ao volante que se colocaram em perigo durante esta crise para ajudar a manter a sociedade e a economia em funcionamento. Ficamos a conhecer a realidade destes profissionais tantas vezes esquecidos, e que agora recebem a devida homenagem. No artigo sobre a distribuição, cadeia de abastecimento e logística em tempo de pandemia revelamos algumas das principais mudanças ocorridas nos hábitos de consumo e a necessária adaptação do sector à nova realidade. Relembramos que os serviços de transporte rodoviário sustentam toda a actividade económica, como base de todas as cadeias de abastecimento intermodais e redes de mobilidade. O impacto da pandemia fez-se sentir nas mais de 3,5 milhões de empresas que prestam serviços de transporte rodoviário em todo o mundo. As receitas das empresas de transporte de mercadorias caíram significativamente durante o período de confinamento. A análise dos dados de várias cidades europeias, mostrou um volume de tráfego reduzido entre 70% e 85% em países onde as medidas de confinamento estiveram em vigor.

PUBLICIDADE Feliciano Ferreira DESIGNER GRÁFICO Bernardo Batista PROPRIEDADE, EDIÇÃO E REDACÇÃO PressTrans - Editora de Publicações, Lda. Rua Evaristo Silva, nº 1- 2, Loja D 2560-374 Torres Vedras T. 916 157 360 info@pesadosemercadorias.com NIF. 514378484 Gerência Ana Paula Rodrigues Freitas Detentores com 5% Nelson Oliveira WEBSITE www.pesadosemercadorias.com IMPRESSÃO ADPRINT, Lda. 2925-777 Azeitão DISTRIBUIÇÃO VASP - Distribuidora de Publicações, SA. MLP - Quinta do Grajal Venda Seca 2739-511 Agualva Cacém

Ana Paula Oliveira Directora

DEPÓSITO LEGAL Nº430915/17 REGISTO ERC Nº 126997 TIRAGEM MÉDIA 20.000 Exemplares PERIODICIDADE Bimestral ISSN 2184-0717 Estatuto Editorial disponível na página da internet: www.pesadosemercadorias.com

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NOVIDADE

Autor: APO

Volkswagen Caddy Um comercial na linha da frente O construtor alemão apresentou a quinta geração da Caddy que se destaca pela incorporação de novas tecnologias e uma nova dinâmica de design que reforçam a vocação digital deste modelo.

E

ste furgão compacto está focado no transporte de carga ou de passageiros, que na sua nova geração estreia os mais recentes avanços da família Volkswagen em termos de design, engenharia e tecnologia. A nova Volkswagen Caddy 2020, surge com uma renovação completa, onde o primeiro factor a destacar é a adopção da plataforma Modular Transversal (MQB), a mesma que é utilizada na maioria dos compactos e SUV da Audi, Volkswagen, Skoda e Seat. A modularidade da arquitectura permite uma aplicação dirigida à utilização comercial, aumentando o volume de carga ou o espaço para passageiros. Esta plataforma permitiu que a Caddy incorpore as mais inovadoras tecnologias de segurança e conectividade, além de uma gama de motores mais eficientes. A Volkswagen conseguiu dar um salto qualitativo a este veículo comercial que conquistou, ao longo dos anos, uma notável reputação, e do qual já foram produzidas mais de três milhões de unidades. A quinta geração da Caddy chegará ao mercado nas versões comerciais Cargo

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(furgão com painéis laterais em chapa) e Kombi (com janelas laterais em vidro), e em diversas variantes de passageiros (MPVs). A nova Caddy vai chegar ao mercado no decorrer deste ano, inicialmente na Alemanha, Áustria e Polónia, a que se seguirão outros importantes mercados, casos da França, Grã-Bretanha, Espanha, Bélgica, Países Baixos, Turquia e Itália. A chegada a Portugal está prevista para o mês de Novembro.


NOVIDADE

Tecnologia de última geração Em termos de tecnologia e equipamento, o exterior da Caddy, de até sete lugares, encontra-se equipada com dispositivos de fecho eléctrico opcional das portas de correr e do portão traseiro, além de um grande tecto panorâmico com uma superfície vidrada com 1,4 m² que se prolonga aos lugares traseiros. Estreia também o sistema Keyless Access, ignição e bloqueio sem chave e o Digital Cockpit. De realçar a maior distância entre eixos da nova Caddy que se traduz em proporções mais dinâmicas. O novo design exterior também contribui para a eficiência do veículo: O valor Cx do coeficiente aerodinâmico (modelo anterior: 0,33) pode ser reduzido na nova Caddy até 0,30. A nova geração contará novamente com uma versão longa Caddy Maxi com um aumento da largura da nova porta de correr de 701 mm a 840 mm, deste modo é possível carregar uma segunda europalete. Estas podem, opcionalmente, ser carregadas centralmente em sentido transversal/traseiro ou em sentido transversal/traseiro longitudinal. O interior da Caddy conta mais tecnologia, tanto ao nível da segurança, como de conectividade. O painel de instrumentos foi totalmente renovado, as interfaces interactivas para o condutor e passageiro são formadas pelo novo “Digital Cockpit” (painel de instrumentos digital, em opção) e pelos sistemas de rádio e infotainment com grandes ecrãs de 6,5 e 10 polegadas. A fusão do “Digital Cockpit” e do sistema de navegação topo de gama de 10 polegadas dá lugar a um novo panorama digital dos elementos de

visualização e de comando, denominado “Innovision Cockpit”. Além da incorporação da instrumentação digital e dos novos ecrãs multimédia, o veículo dispõe de eSIM integrado, e por isso, beneficiará dos serviços conectados “Volkswagen We”. Outras novidades na Caddy são as superfícies digitais tácteis para as funções de luz, visão, áudio e menu multifunções. Dispõe de 19 sistemas de assistência à condução, dos quais fazem parte seis tecnologias novas, que incluem o Travel Assist, que surge pela primeira vez num veículo comercial Volkswagen, e permite a condução assistida numa faixa mais alargada de velocidades. Em conjunto com o Travel Assist, o novo volante multifunções da Caddy também está equipado com sensores capacitivos. Tal deve-se a motivos de ordem legal e de segurança: o condutor deve manter o controlo permanente da viatura. Também são novidade o assistente de mudança de faixa de rodagem Side Assist. Por sua vez, o Rear Traffic Alert funciona através de sensores de radar que monitorizam as áreas atrás do automóvel e o ângulo morto, e o sistema indica a presença de potenciais perigos através de um aviso óptico no espelho retrovisor exterior. Os travões são automaticamente accionados, se necessário. A nova Caddy também oferece a assistência para manobras com reboque em marcha atrás, o Trailer Assist, já conhecido da Crafter e Transporter.

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NOVIDADE

As características exteriores conferem-lhe um aspecto mais aerodinâmico, apresenta novos faróis e luzes traseiras LED, uma grelha frontal mais estreita e novas jantes de liga leve de 18 polegadas.

Motores limpos e económicos A maioria das motorizações continuam a ser diesel, mas também é disponibilizada uma versão a gasolina e outra de gás natural. Os novos motores de quatro clindros cumprem as normas de emissões Euro 6 de 2021 e estão todos equipados com filtros de partículas. Também a ser utilizados pela primeira vez em motores TDI com potências entre 75 cv (55 kW) e 122 cv (90 kW) são os dois conversores

catalíticos (SCR), de modo a reduzir de forma acentuada as emissões de óxido de azoto (NOx). Também eficiente e sustentável é um motor a gasolina turbo (TSI) que debita 116 cv (84 kW) e um motor a gás natural comprimido (TGI). O consumo de combustível estimado para a Caddy é até 12% inferior ao modelo anterior.

Novos sistemas de assistência da Caddy • Travel Assist (condução automática, nível 2) • ACC com Stop & Go (controlo automático de distância) • "Trailer Assist" (assistente para manobras com reboque) • Assistente de mudança de faixa de rodagem (integrado no sensor de radar traseiro) • Assistente de saída de parque (integrado no sensor de radar traseiro) • Emergency Assist (travagem assistida em caso de emergência)

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EU SOU IMPARÁVEL (Exceto por uma boa razão)

DRIVE THE NEW WAY. MAIS CONFORTO, MAIS CONETIVIDADE, MAIS SERVIÇOS QUE NUNCA. SINTA-SE IMPARÁVEL COM O IVECO S-WAY.

Momentos relaxantes, almoço, café, e claro, alguns belos momentos ao longo da estrada: nada mais o fará parar quando estiver na estrada. Sentimos orgulho em apresentar o IVECO S-WAY, o mais confortável e conectado camião que alguma vez desenhámos: o companheiro de viagem que o irá apoiar em todos os momentos e em todas as missões.


ENSAIO

Autor: PL

FIAT TIPO VAN Escolha acertada A Fiat Professional lançou o Tipo Van que assinala o regresso do construtor ao segmento dos comerciais de dois lugares, equipado com a motorização E6D que se destaca pelo reduzido consumo de combustível.

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Tipo Van é a resposta da Fiat Professional num segmento em que oferta no mercado nacional é escassa. Este comercial derivado do ligeiro de passageiros, o hatchback de cinco portas, apresenta-se como a escolha acertada para os profissionais que necessitam de um veículo prático e funcional. O Tipo é líder no seu segmento em Itália, encontrandose entre os 10 mais vendidos em sete países europeus. Além disso, é o segundo modelo Fiat mais global, com mais de 70% dos seus veículos vendidos fora de Itália. Em Portugal, e em apenas dois anos, o Tipo ocupa o 6.º lugar do segmento. O Tipo Van é proposto em duas versões, uma com equipamento base e outra que inclui o Pack Pro e faróis de nevoeiro, ambas com ou sem pintura metalizada. Do Pack Pro faz parte um ecrã de navegação de 5 polegadas, jantes em liga leve de 16 polegadas, cruise control e volante em pele. Encontra-se equipado com o motor 1.3 Multijet de 95 cv com S&S que cumpre a norma Euro 6d-TEMP. Destacase por ser um bloco mais limpo em termos ambientais, devido à menor emissão de óxidos de azoto (NOx). Em média, os motores diesel Euro 6d TEMP emitem menos 76% de NOx do que os Euro 6b, e menos 85% do que os Euro 5.

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É um veículo compacto para melhor se adaptar às deslocações citadinas, oferecendo um generoso compartimento de carga com 1455 mm de comprimento, um volume útil de 1,4 m³ que o tornam uma opção bastante indicada para quem necessita de um comercial versátil e ágil.


AUTOCARROS ENSAIO O interior é bastante apelativo, onde sobressai, desde logo, a ergonomia do painel de instrumentos. Está tudo ao alcance do condutor que não necessita de desviar os olhos da estrada. O conforto é garantido pelos bancos envolventes e ergonómicos, sendo o do condutor regulável em altura. O ar condidionado faz parte do equipamento de série, assim como, os espelhos retrovisores eléctricos e os vidros traseiros escurecidos. Em termos de segurança a bordo, o Tipo Van está equipado de série com alguns dos mais avançados sistema de segurança. Para além de 6 airbags e ESC (controlo de estabilidade) com Hill Holder (assistência ao arranque), dispõe de antibloqueio dos travões (ABS) com distribuição electrónica da força de travagem (EBD), faróis de nevoeiro com função “cornering” e sistema de monitorização da pressão dos pneus (TPMS).

O Tipo Van dispõe de sensores de estacionamento de série, facilitando as manobras de marcha-atrás. Na prática, melhora o consumo prometido (4,8 l/100 km), consegue combinar um rendimento muito satisfatório com uns consumos que nos diversos tipos de utilização (circuito urbano e misto), nunca foi além dos 4,1l/100 km durante o nosso teste. Está disponível com um preço desde 16.540€ + IVA (sem financiamento e sem despesas de legalização e transporte), oferece condições vantajosas e interessantes para as empresas, que usufruem de benefícios fiscais como a dedução de IVA e a isenção de Tributação Autónoma.

Encontra-se equipado com o motor 1.3 Multijet de 95 cv com S&S que cumpre a norma Euro 6d-TEMP

FICHA TÉCNICA

Tipo Van 1.3 M-jet 95

CILINDRADA 1248 cm³ 4 cilindros em linha

POTÊNCIA MÁXIMA 95 cv às 3750 rpm 200 Nm às 1500 rpm

CAPACIDADE DE CARGA

VOLUME ÚTIL 1,4 m³ 1455 mm compartimento de carga

500 kg

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APRESENTAÇÃO

Autor: APO

MERCEDES-BENZ VITO em constante evolução

Após uma série de actualizações em 2019, o novo modelo 2020 recebe um facelift do qual faz parte um novo conjunto de motores e uma lista aprimorada de equipamentos de segurança e de assistência à condução.

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esde o seu lançamento, o Mercedes-Benz Vito, produzido na fábrica de Vitória, em Espanha, tornou-se uma referência entre os furgões médios. Mais de 508 000 unidades desta terceira geração foram vendidas desde a sua introdução no outono de 2014. A nova gama Mercedes-Benz Vito apresenta importantes melhorias em termos de equipamento além de uma oferta de motorizações mais completa graças à nova família de motores diesel OM 654. Foram também efectuadas algumas mudanças a nível estético que lhe conferem um design mais moderno. A grelha frontal do radiador, que pode ser conjugada com os elementos do sistema Distronic, assistente de travagem

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activo ou para-choques pintados. A grelha do radiador com desenho cromado também está disponível como opção para todas as versões. Uma das principais novidades deste restyling do modelo é precisamente a versão eléctrica que estreia uma variante denominada eVito Tourer, vocacionada para o transporte de passageiros. O Mercedes-Benz Vito caracteriza-se pela sua elevada versatilidade, com versões para as mais diversas actividades, desde o ramo da construção, comércio, industria, empresas de serviços, shuttles de hotéis, empresas de táxis, entre outros.


APRESENTAÇÃO

Potência e eficiência Este facelift do Mercedes-Benz Vito marca a estreia da nova geração de motores turbodiesel OM 654, de quatro cilindros e 2.0 litros, mais eficientes e mais limpos que os da geração anterior, disponível para as versões de tracção traseira. Disponível nas seguintes potências: 102 cv e 270 Nm, 136 cv e 330 Nm, 163 cv e 380 Nm, 190 cv e 440 Nm, 239 cv e 500 Nm. Este novo bloco inclui sistema de recirculação de gases de escape, filtro de partículas e redução catalítica selectiva (SCR). Outra novidade da cadeia cinemática é a disponibilidade da transmissão automática 9G-Tronic, para todas as variantes do Vito com tracção traseira. O interruptor Dynamic Select permite seleccionar os modos de condução “Confort” e “Sport” e adaptar o comportamento das mudanças aos requisitos da condução.

Para as versões com tracção dianteira mantém-se o motor turbodiesel OM 622 de 1,7 litros e quatro cilindros, com caixa manual de seis velocidades. No final de 2020, a marca prevê disponibilizar a suspensão pneumática Airmatic que permite que o Vito possa adaptar-se a todo os tipos de terrenos e circular com conforto mesmo em pisos mais inconstantes. A atenuação é regulada automaticamente de forma individual para cada roda, garantindo maior estabilidade de condução.

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APRESENTAÇÃO

Segurança reforçada Conta com o assistente de travagem activo, Distronic e o espelho retrovisor interior digital que ampliam de 10 para 13 a gama de sistemas de assistência à condução e de segurança. O Vito tem-se destacado no seu segmento, sendo o primeiro furgão equipado de série com airbags e avisos do cinto de segurança tanto do lado do condutor como do passageiro. Há cinco anos introduziu o assistente de vento lateral, e o detector de sinais de fadiga no equipamento de série do Vito e estabeleceu novos padrões de segurança. O novo assistente de travagem activo alerta o condutor quando houver risco de colisão com o veículo que circula à frente, se este não reagir o assistente aplica a pressão de travagem adequada à situação. O sistema Distronic está disponível pela primeira vez no Vito. O assistente activo de regulação de distância ajuda automaticamente o condutor a manter a dis-

tância pretendida relativamente ao veículo da frente. Dispõe do inovador espelho retrovisor interior digital que funciona através de uma câmara traseira e mostra tudo o que está na traseira do veículo. Há também um novo sistema infotainment, que possui um ecrã táctil de 7,0 polegadas, Apple CarPlay, Android Auto e, finalmente, rádio DAB. O Vito está disponível em três comprimentos, duas distâncias entre eixos e três sistemas de tracção. Com uma carga útil de até 1369 kg, também é um gigante na sua classe. A grande diversidade de versões faz dele um parceiro para uma grande variedade de aplicações e actividades. O Vito Furgão preenche todos os requisitos do transporte de mercadorias. A versão Mista conjuga as vantagens do furgão com as de uma combi para o transporte de passageiros. O Vito Tourer está vocacionado para o transporte de pessoas com o máximo conforto.

Mercedes PRO As empresas estão cada vez mais atentas a factores como a eficiência, economia e monitorização da sua frota de veículos. As soluções de conectividade e gestão de frota Mercedes PRO ajudam os profissionais a reduzir os custos operativos, melhorar a disponibilidade dos veículos, aumentar a eficiência e a produtividade,

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facilitam a comunicação entre os gestores de frota, condutores e veículos. O Mercedes PRO combina as ofertas e os serviços mais relevantes numa plataforma online. Com acesso directo em www.mercedes.pro a produtos e serviços em rede que estão acima do conceito clássico de um furgão.


APRESENTAÇÃO

eVito Tourer Com o eVito em 2018 e o eSprinter em 2019, a Mercedes-Benz Vans assumiu um papel pioneiro no segmento de mercadorias sem emissões em ambiente urbano. O desempenho de condução e o alcance do agora revelado eVito Tourer definem uma nova dimensão e preenche todos os requisitos: seja para um serviço de transfer de um hotel, como táxi ou veículo MPV para serviços de viagens partilhadas. Trata-se de um veículo 100% eléctrico, zero emissões que pode ter até nove

lugares. Dispõe de um motor eléctrico de 150 kW (204 cv), e uma bateria de iões de lítio de 90 kWh. Anuncia uma autonomia de 421 quilómetros e uma velocidade máxima de 140 km/h, podendo chegar aos 160 km/h com um equipamento especial. Está disponível em dois comprimentos: versão básica, de 5140 milímetros, e a extralonga, com 5370 milímetros.

“A GAMA DE SISTEMAS DE ASSISTÊNCIA À CONDUÇÃO E DE SEGURANÇA FOI AMPLIADA DE 10 PARA 13...”

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CONDUÇÃO

Autor: APO

Renault Trafic Viajar com estilo A renovada gama de veículos comerciais ligeiros Renault apresenta uma notória evolução ao nível do design, da conectividade e do conforto para o condutor e passageiros.

A

presenta um design moderno inspirado nos modelos da gama de comerciais ligeiros da Renault com uma dianteira onde sobressam os novos faróis Full LED e uma dianteira distinta com o logotipo em destaque e novos elementos decorativos cromados conferindo-lhe um aspecto elegante. O novo Trafic, proporciona uma experiência de condução semelhante à de um carro ligeiro, cada detalhe foi concebido com intuito de oferecer maior envolvência tanto ao condutor, como aos passageiros. O Trafic caracteriza-se pela grande versatilidade, e pela capacidade de se adaptar aos mais diversos tipos de actividades e negócios, para tal, está disponível em 275 versões, em 2 alturas e 2 comprimentos, com um volume útil que varia entre os 3,2 e os 8,6 m³. Os motores de ultima geração 2.0 dCi, fazem do novo Trafic, um modelo indicado para as mais diversas actividades profissionais, justificado com um turbocompresor de geometria variável, oferece uma potência e binário elevados, até 170 cv e 380 Nm. Está em conformidade com as normas Euro 6d-temp. Permitem obter uma redução do consumo de combustível até 0,6 l/100 km (valores NEDC 2) e beneficiam das mais recentes tecnologias antipoluição, como o sistema de redução catalítica selectiva (SCR). Os sistemas de ajuda à condução (ADAS) que equipam o Novo Trafic proporcionam conforto, ergonomia e segurança, dos quais fazem parte, entre outros, o sistema “Wide View Mirror”, o sistema de ajuda ao estaciona-

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mento dianteiro/traseiro com câmara de marcha-atrás. A segurança é uma das prioridades da Renault, por essa razão, o Trafic dispõe de ABS com EBV (repartição electrónica de travagem), airbag frontal condutor e passageiro, controlo electrónico de estabilidade, extended Grip, sistema de ajuda ao arranque em subida (ESP+ASR). Apresenta um painel de bordo modernizado incluindo pormenores em cromado acetinado nos arejadores, enquadramento da consola central, comandos do ar condicionado, alavanca de velocidades e manómetros. Na opção de transporte de passageiros, que tivemos oportunidade de conduzir, destaca-se os elevados níveis de conforto que proporcionam uma óptima experiência ao condutor e passageiros, podendo ter até 9 lugares, sem perder volume de carga de bagagens com um máximo de 1,8 m³.


LUBRIFICANTES

André Castro Pinheiro *

FUCHS A influência do óleo DE MOTOR no custo de operação Se é verdade que todos temos o dever de nos manter o mais possível isolados e em casa, evitando contactos, reuniões e eventos, mesmo qualquer deslocação que não seja estritamente necessária, também é bem verdade que o País não pode parar por completo e que o setor do transporte assume uma importância vital nestes tempos difíceis.

O

setor do transporte assegura a cadeia de abastecimento dos produtos essenciais, mesmo quando a economia está ao ralenti e a maior parte das pessoas em casa. A situação atual também nos leva a compreender a nossa vulnerabilidade e a ter dúvidas sobre o que está ainda garantido e o que não. Leva-nos a refletir ainda mais sobre a sustentabilidade, a nossa pegada ambiental e a utilização responsável dos recursos naturais. O transporte, se bem que vital à nossa vida, tem um papel principal no impacto ambiental, quer pela utilização de recursos, nomeadamente o petróleo, quer pelas emissões de CO². O desenvolvimento tecnológico dos últimos anos já tem focado a sustentabilidade e deste empenho resultaram motores e componentes mais eficientes e, por isso, menos poluentes. Nesta evolução tecnológica, os lubrificantes tiveram e continuam a ter um papel principal. São um elemento-chave na procura de um setor automóvel mais ecológico. O contributo mais visível é o desenvolvimento de óleos de motor que permitem intervalos de mudança de óleo muito mais prolongados. A FUCHS, o maior especialista independente de lubrificantes no mundo, desde cedo assumiu um papel na contribuição para o desenvolvimento de motores mais eficientes e mais sustentáveis. Há dez anos que a sustentabilidade é uma prioridade para os laboratórios de I&D da FUCHS. Sempre em estreita parceria com os fabricantes automóveis da Alemanha, a FUCHS definiu novos padrões com o desenvolvimento da tecnologia XTL. Esta tecnologia reduz notavelmente os consumos de óleo – em 18 por cento – e até reduz o consumo de combustível em 1,7 por cento. Ao mesmo tempo, garante a alta performance dos veículos, já que mantém uma elevada estabilidade em longos

intervalos de mudança de óleo e proporciona excelentes propriedades no arranque a frio. A tecnologia XTL contribui de forma significativa para o sucesso do setor de transportes: A frota está sempre disponível, os custos de operação estão reduzidos a um mínimo e o impacto ambiental é claramente menor. Os resultados da tecnologia XTL no óleo TITAN CARGO MAXX XTL falam por si: A redução no combustível vai até 1,8 por cento e a redução no consumo de óleo chega até 27 por cento. Isto significa em concreto: A poupança anual de um veículo pesado que faça 150.000 quilómetros pode chegar a 1.000€. Basta multiplicar este valor pela frota para ver o efeito total.

O fascinante é que, com o óleo certo, se consegue poupar imenso ou dito de outra maneira: Com um mínimo de investimento – os lubrificantes pesam pouco nos custos de operação – consegue-se influenciar ao máximo a grande fatia destes custos – o combustível – e assim o total.

* Diretor Divisão Automóvel da FUCHS

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PNEUS

VIPAL Apresenta novo piso de tracção VT560 O novo piso de tracção Vipal VT560, é indicado para uso misto entre estradas pavimentadas e não pavimentadas.

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ara apresentar versatilidade de aplicação e boa aderência em diferentes tipos de pisos, surge com um composto optimizado para garantir óptima resistência ao desgaste por abrasão. As suas características de construção fazem deste piso o ideal para aplicações altamente severas, oferecendo grande poder de tracção e prevenindo danos ao pneu, prolongando a sua vida útil. Um dos factores de diferenciação deste piso é a exclusiva tecnologia Eye Control, um indicador de desgaste que ajuda o utilizador a identificar anomalias nos pneus, e que revela quando está na altura de retirá-lo para recauchutagem.

Tecnologia EYE CONTROL A nova tecnologia da Vipal, denominada Eye Control, servirá como auxiliador ao utilizador final, cumprindo a finalidade de ser um indicador de desgaste. O novo piso está indicado para uma utilização mista, regional e fora de estrada. Pode ser utilizado tanto em camiões ligeiros como em pesados. A Vipal Borrachas é um dos principais fabricantes mundiais de produtos para reparação e recauchutagem de penus. Tem desenvolvido uma trajectória que assenta em dois pilares fundamentais: a constante procura pela inovação e a proximidade com os clientes. A Vipal disponibiliza soluções completas, desenvolvidas com tecnologia própria, com base no investimento constante em pesquisa e inovação. Possui quatro fábricas, duas em Nova Prata (Rio Grande do Sul), uma em Feira de Santana (Bahia), ambas no Brasil, e outra na Argentina. Além de um centro de pesquisa e tecnologia, a empresa conta com o apoio de uma equipa de funcionários altamente qualificados. Actualmente, mais de 90 países têm produtos Vipal Borrachas a rodar nas suas estradas, em todos os continentes. Sulcos com escultura variável que dificulta a retenção de pedras e objetos, proporcionando autolimpeza do piso. Blocos interligados visando dar maior resistência e sustentação entre base e bloco. Blocos projetados para obter grande poder de tracção. Eye Control, indicador de desgaste.

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BERLINGO

NOTÍCIAS

COM MAIS DE 200 mil unidades vendidas

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epois do seu lançamento em setembro de 2018, a terceira geração do Citroën Berlingo totaliza já mais de 200.000 unidades vendidas (acumulado Berlingo + Berlingo Van), perto de 150 000 das quais em 2019, tornando-se no 2.º modelo Citroën mais vendido em todo o mundo, logo a seguir ao C3. O Citroën Berlingo representou, por si só, 16% do seu segmento em 2019, com a versão comercial Berlingo Van a representar dois terços das vendas, ficando o restante terço para a versão Berlingo destinada a Passageiros. O sucesso comercial da atual geração do Berlingo contribuiu, assim e fortemente, para a dinâmica da Citroën. Em Portugal, esta geração do Berlingo Van comercializou 4.673 unidades desde o lançamento: Cerca de duas em cada três unidades vendidas correspondem ao nível de equipamento que privilegia o conforto: Club;

Cerca de 76% dos modelos são equipados com cabine Extenso (3 lugares à frente); Cerca de uma em cada cinco unidades vendidas está equipada com Surround Rear Vision (vigilância do espaço exterior traseiro e lateral, do lado do passageiro, com apresentação num ecrã de 5’’ no lugar do retrovisor interior).


OFICINAS

Autor: APO

Mais serviços para oficinas em www.parts-specialists.com O novo microsite da Diesel Technic foi criado para disponibilizar total apoio técnico aos mecânicos.

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Diesel Technic, líder mundial de peças substituição para veículos comerciais através das suas marcas DT Spare Parts e SIEGEL Automotive, coloca em destaque os seus Parts Specialists mediante o lançamento de um novo website, no qual os mestres mecânicos apresentam e oferecem todos os seus serviços dedicados aos profissionais de oficinas e frotas de veículos comerciais. Neste website, é possível encontrar a compilação dos seus clássicos vídeos, onde os Parts Specialists explicam como reparar avarias e substituir determinadas peças utilizando a ampla gama de produtos da marca alemã DT Spare Parts. Com o humor alemão que os caracteriza, revelam os seus truques e conselhos para facilitar as tarefas habituais que se realizam numa oficina. Explica como chegar às numerosas instruções de montagem e como aceder e utilizar o maior mecanismo de pesquisa gratuito de peças de substituição para camiões, semi-reboques e veículos comerciais: o Partner Portal da Diesel Technic https://partnerportal.dieseltechnic.com/ com mais de dez milhões de referências cruzadas para identificar rapidamente a peça que se necessita entre mais de 41.000 que são comercializadas através de distribuidores.

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A grande novidade do website é um painel de ajuda - HelpDesk -, onde os mecânicos podem obter apoio imediato se tiverem dúvidas ou problemas. Para agilizar e personalizar a resposta, os Parts Specialists contam agora com apoio internacional dos vários escritórios do Grupo Diesel Technic em todo o mundo.


OFICINAS Jesús Pintado, especialista em qualidade da subsidiária ibérica, será quem vai dar resposta às solicitações dos profissionais das oficinas e frotas de transporte de Espanha e Portugal: “o Helpdesk servirá principalmente para trocar experiências técnicas sobre os nossos produtos e para casos muito particulares, porque a maioria das dúvidas já tem resposta na secção de Perguntas frequentes (FAQ), e a maioria das situações será resolvida como até agora pelos nossos distribuidores. Será um acréscimo ao excelente serviço já disponibilizado. A Diesel Technic está consciente de que é fundamental uma boa capacidade profissional. Com isso, evitam-se falhas, economiza-se tempo e custos e permite aumentar a oferta de serviços das oficinas aos seus clientes finais. Por esse motivo, o fornecedor alemão oferece acções de

Jesús Pintado formação para frotas e mecânicos de oficinas que permitem expandir seus conhecimentos e aproveitar ao máximo as vantagens da ampla gama das marcas DT Spare Parts e SIEGEL Automotive. Nos conteúdos dessas acções de formação, é dado grande ênfase ao conhecimento de todas as possibilidades oferecidas pela completa gama que está disponível, por exemplo, a divisão de produtos para veículos comerciais, porque esta representa uma excelente oportunidade para expandir os seus negócios a oficinas que geralmente não trabalham este tipo de veículos. Os interessados podem ​​ ficar a conhecer os cursos disponíveis e enviar as suas dúvidas e solicitações através do novo site. Essas s essões serão coordenadas com os revendedores locais de peças de substituição. Por último, importa salientar que o microsite também convida a participar n os eventos e feiras do grupo alemão; e especialmente na comunidade internacional de Parts Specialists. Graç a s ao seu programa de fidelização para oficinas, a Premium Shop, na qual milhares de mecânicos de todo o mundo se inscreveram em apenas um ano, é fácil obter prémios e viagens de todos os tipos. Apenas por se efectuar o registo e subscrever a newsletter em www.premiumshop.dt-spareparts.com, pode escolher imediatamente um prémio.

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ENTREVISTA

Autor: Ana Paula Oliveira

IMT Instituto da Mobilidade e dos transportes “Tem-se verificado uma digitalização crescente da mobilidade urbana” O Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) tem colocado em prática algumas mudanças no modo de interação com o cidadão e empresas para agilizar os procedimentos em tempo útil. Na entrevista concedida à Pesados & Mercadorias, o Presidente do IMT, Eduardo Feio abordou temas como a sustentabilidade da mobilidade urbana e a descarbonização do transporte rodoviário. - Considera que tem sido efetivamente implementada a desburocratização, desmaterialização e simplificação do relacionamento com o IMT? O IMT tem implementado medidas com vista à disponibilização de mais serviços através do IMTonline e outras formas de atendimento, privilegiando a apresentação de

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pedidos da forma mais favorável ao utilizador. No IMTonline, além de pedidos de cartas de condução, é possível hoje registar pedidos de cartões tacográficos de condutor, cartão de motorista de transporte individual e remunerado de passageiros em veículos descaracterizados a partir de plataforma eletrónica (TVDE) e vários outros pedidos. Com vista à desburocratização e desmaterialização de


ENTREVISTA

pedidos é possível ainda registar pedidos de operador de plataforma TVDE e Redução de Taxas de Portagem de Territórios de Baixa Densidade via e-mail. Esta forma de receção de pedidos permite o recurso à digitalização de documentos e partilha de informação com outros organismos da administração pública. Na maioria dos processos de condutores apresentados ao balcão, pelo próprio, o arquivo é 100% digital, dispensando a apresentação de formulários ou outros impressos. É um processo de melhoria crescente que influi no relacionamento com o utilizador, para melhor.

- Que medidas podem ser adotadas para enfrentar com eficácia o desafio da redução das emissões de gases com efeito de estufa, e o cumprimento dos acordos de descarbonização? O setor dos transportes ainda permanece um dos principais emissores de gases com efeito de estufa (GEE) quer no plano internacional, quer em Portugal, onde representa cerca de 25% das emissões nacionais. Estas emissões são maioritariamente provenientes do subsetor rodoviário, que representa 96% das emissões dos transportes. Como tal, uma parte significativa das medidas de descarbonização têm por alvo justamente o transporte rodoviário. Para alcançar as metas de descarbonização específicas para os Transportes assumidas no Plano Nacional Energia e Clima 2030 – uma redução de 40% das emissões até 2030, em relação a 2005 –, é necessário um conjunto de medidas que permitam reduzir algumas deslocações não necessárias (ou realizar as mesmas através de modos suaves), mudar essas deslocações para modos de transporte mais eficientes e para sistemas de transporte mais eficientes (adotando uma maior utilização dos serviços de transporte público em detrimento da utilização da utilização do veículo individual) e, finalmente, utilizar veículos e combustíveis mais eficientes. Afigura-se assim necessário continuar a desenvolver um sistema de transportes com uma elevada componente do transporte público e modos suaves, que disponibilize um leque abrangente de soluções de mobilidade (mobilidade partilhada, micromobilidade), e que esteja dotado de uma infraestrutura de carregamento de veículos elétricos/ híbridos e outros combustíveis alternativos que estimule uma crescente adoção de veículos limpos.

- Que politicas têm sido aplicadas com intuito de melhorar e transformar as tendências da mobilidade urbana? Previsivelmente em 2030 mais de metade da população mundial concentrar-se-á em áreas urbanas, pelo que a mobilidade urbana constitui um dos principais desafios das cidades. A mobilidade urbana não poderá continuar a assentar na utilização

predominante do transporte individual causadora de congestionamento e sinistralidade rodoviária. Neste âmbito têm sido produzidos vários documentos estratégicos adotados pela Comissão Europeia e também orientações/recomendações a nível nacional produzidos pelo IMT, as quais têm vindo a ser materializadas, pelas cidades, na adoção de um conjunto de iniciativas em prol de uma mobilidade sustentável. A mobilidade deverá ser estrategicamente planeada e assente em planos que considerem as necessidades de todos utilizadores do espaço urbano. Deverá ser inclusiva, segura, digital, inteligente, conectada, autónoma, partilhada, flexível e limpa. Já hoje se assiste à melhoria dos serviços de transporte público, à promoção dos modos ativos de deslocação, à proliferação de opções de micromobilidade, ao crescimento de serviços de mobilidade partilhadas (carsharing, ridesharing, bikesharing) aliados à crescente utilização de energias “limpas” nos veículos. Também se tem verificado uma digitalização crescente da mobilidade urbana, assente na utilização de dados que permitem conhecer as necessidades e os hábitos de deslocação das pessoas, permitindo assim uma melhor adequação dos serviços de transporte e o desenvolvimento de uma mobilidade personalizada. As cidades são cada vez mais inteligentes (Smart cities) fazendo um uso crescente de sistemas cooperativos de transportes inteligentes e promovendo a Mobilidade como um Serviço (MaaS - Mobility as a Service), contribuindo assim para a alteração do paradigma da propriedade do veículo para o da utilização do veículo.

- Têm surgido novos serviços e soluções de mobilidade multimodal que podem melhorar o paradigma a nível de futuro? O desenvolvimento de novos serviços e soluções de mobilidade multimodal continua a ser uma das principais apostas a nível europeu e um dos aspetos centrais para a concretização deste desígnio reside na digitalização do setor, que tem potencial para alavancar a normalização, simplificação e harmonização dos processos logísticos. Recordemos que a Comissão Europeia declarou 2018 como o ano da “multimodalidade” e que, nesse mesmo ano foi renovado o mandato do Digital Transport and Logistics Forum (DTLF) que reúne especialistas de transporte e logística, do setor público e privado, com o intuito de promover uma visão e um rumo comuns para o transporte e logística digitais. De resto, neste âmbito Portugal tem sido um dos Estados-Membros mais ativos, designadamente através dos projetos da Janela Única Portuária e da Janela Única Logística, que têm merecido o reconhecimento internacional e constituído uma vantagem competitiva dos portos nacionais.

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ENTREVISTA

- O conceito de mobilidade partilhada pode ser aplicado ao sector do transporte de mercadorias? O conceito de partilha no setor do transporte de mercadorias pode e deve ser estimulado. Apesar de em Portugal o mesmo não se encontrar muito desenvolvido, na Europa já existem exemplos que permitem a partilha de veículos de mercadorias urbanos, designadamente veículos comerciais ligeiros ou bicicletas de carga. O transporte partilhado de mercadorias pode dar um contributo positivo às crescentes preocupações ambientais, nomeadamente à redução das emissões de GEE e ao consumo racional de energia. Importa referir, também, o contributo para a diminuição do congestionamento. Na perspetiva da “economia circular”, o transporte partilhado de mercadorias constitui-se como uma alternativa numa lógica de racionalização de espaços de carga, de menores custos e melhores tempos na última etapa da distribuição de produtos, particularmente no meio urbano que é um espaço limitado com regras e regulamentos, designadamente definição de janelas horárias e locais de entrega. A criação de microhubs partilhados, enquanto pontos de consolidação em áreas urbanas próximos do consumidor permite uma distribuição mais racional e sustentável, com recurso a veículos de menor dimensão e energeticamente eficientes como sejam as bicicletas elétricas de carga ou pequenos veículos elétricos. Espera-se que no futuro também os veículos autónomos partilhados possam tornar-se uma alternativa sustentável no transporte de mercadorias em contexto urbano.

- De que modo é que os veículos conectados, autónomos, eléctricos e partilhados podem contribuir para o futuro da mobilidade, no sentido de a tornar mais eficiente? Os veículos conectados ao introduzirem um novo “layer” digital para partilha de dados entre veículos e entre veículos e infraestrutura irão disponibilizar mais informação ao exercício da função de condução, que sem este apoio adicional é conduzido unicamente com base nas informações que o condutor consegue percecionar diretamente através da sua visão e audição. Este aumento do volume de dados disponíveis permite uma tomada de decisão mais sustentada e eficiente, possibilitando ao condutor, por exemplo, optar entre diferentes percursos em função da informação que recebe sobre o tráfego ou sobre incidentes na via. O desenvolvimento deste “layer“ digital de informação vem, por sua vez, reforçar a importância de dispor de sistemas de apoio a uma condução autónoma, que tenham a capacidade de gerir este crescente volume de dados disponíveis, e progressivamente, proporcionar uma condução mais eficiente e segura. Por sua vez, a utilização de veículos partilhados tem o potencial para igualmente incrementar a eficiência do sistema de transportes, reduzindo a necessidade de cada

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pessoa deter uma viatura individual, que se encontra ineficientemente parada durante a maior parte do dia. Finalmente, com o progressivo aumento da utilização de veículos elétricos ou movidos a outras energias alternativas, estaremos a prosseguir o inevitável rumo da descarbonização dos transportes e simultaneamente a contribuir para a melhoria da qualidade do ar nas cidades, contribuindo para um sistema de mobilidade mais eficiente do ponto de vista ambiental.

- A logística urbana é uma realidade que tem adquirido cada vez maior importância, de que forma deverá ser desenvolvida para assegurar uma maior sustentabilidade das operações de abastecimento efetuadas em espaço urbano? A globalização do mercado, associada à exploração de novos canais de distribuição, lança desafios a toda a cadeia logística, num contexto de crescimento urbano, contribuindo para o incremento da logística urbana. A frequência de entrega e os veículos utilizados para prestar o serviço de logística urbana, induzem impactes ao nível do congestionamento, da deterioração das infraestruturas de transporte, do aumento das emissões de GEE e de poluentes atmosféricos, bem como do ruído e do agravamento das condições de segurança rodoviária nas áreas urbanas. Em várias cidades verifica-se a implementação de restrições de acessos físicos ou horários e o condicionamento ao estacionamento dos veículos de transporte de mercadorias. A materialização destas políticas é efetuada, usualmente, através do regulamento de cargas e descargas, o que não traduz na sua plenitude a importância que a logística urbana tem na economia, nem consubstancia uma política prospetiva que aborde os seus impactos. Neste contexto, o desafio moderno da logística urbana é o de desenvolver a capacidade de servir mais e melhor a sociedade e, em simultâneo, assegurar uma maior sustentabilidade das operações de abastecimento realizadas este desafio é necessário assegurar a mobilização e cooperação de todos os fatores da logística urbana, de forma a promover soluções eficazes e eficientes, baseadas em conceitos de cariz tecnológico e social. Para apoiar a resposta a este desafio, o IMT desenvolveu uma proposta de Guião Orientador sobre Logística Urbana, que enquadra o contexto das operações logísticas para a recolha e/ ou entrega de mercadorias no espaço urbano e está direcionado para as autoridades públicas, empresas, operadores logísticos e profissionais do sector, apresentando boas práticas fundamen-


ENTREVISTA

tadas na cooperação entre atores. O referido documento esteve em discussão pública até 12 de março 2020 e pode ser consultado no site do IMT.

- Que efeitos produziu o estado de emergência na área do transporte de passageiros? O transporte de passageiros tem sido objeto de um processo de adaptação constante ao momento que agora vivemos no âmbito da pandemia provocada pelo coronavírus, tendo em vista a redução do risco de contágio e, simultaneamente, a preservação dos níveis de acessibilidade da população em todo o território, nomeadamente dos profissionais que desempenham funções essenciais. Cumprindo todas as orientações da Direção Geral da Saúde, esta adaptação começou ainda antes da declaração do Estado de Emergência, através da adoção de medidas como a higienização e desinfeção de veículos e espaços de acesso público aos utentes, a suspensão das vendas de títulos a bordo, e a promoção da utilização das portas traseiras dos autocarros pelos utentes, preservando-se os motoristas de contactos não essenciais. Posteriormente, já após a declaração do Estado de Emergência, foram determinadas um conjunto de medidas adicionais tais como a redução do número máximo de passageiros por transporte para um terço do número máximo de lugares disponíveis, a restrição do acesso ao banco dianteiro no transporte em táxi e em TVDE ou a definição de procedimentos de atribuição

de financiamento e compensações aos operadores de transportes essenciais na sequência da redução de níveis de utilização. Este processo tem sido conduzido em estreita proximidade com Autoridades de Transporte, Operadores de Serviços de Transporte Público, Gestores de Concessões Rodoviárias, Associações Profissionais e um conjunto de outros stakeholders cujo contributo ativo tem sido essencial para assegurar a adequada implementação no terreno das medidas adotadas. É claro que uma parte igualmente importante de todo este processo consiste na comunicação à população das medidas adotadas, para que os utentes possam continuar a planear e utilizar os transportes públicos de acordo com as suas necessidades, e nesse sentido é possível acompanhar estas medidas quer através da plataforma do Governo em Não paramos – Estamos ON, quer pela leitura dos 23 comunicados emitidos pelo IMT, I.P. e disponíveis no nosso site sobre aspetos específicos destas e outras medidas adotadas durante o período de pandemia. Mais recentemente é igualmente possível consultar o Microsite desenvolvido pelo IMT, I.P., em https://covid19-imt-ip.hub.arcgis.com/, com informação útil para os cidadãos, empresas e condutores profissionais sobre transportes e mobilidade no âmbito das medidas extraordinárias e de caráter urgente de resposta à situação epidemiológica do novo Coronavírus-COVID 19 que inclui uma área dedicada aos motoristas profissionais, com aplicações auxiliares da sua atividade sobre: Serviços disponíveis nas áreas de Serviço e de Repouso na Rede Nacional de Autoestradas: áreas de serviço; áreas de repouso; postos de combustível e instalações sanitárias; Centros de inspeção a funcionar por marcação; Postos de fronteira terrestres abertos. Por fim, para além destas medidas de contingência no quadro atual decorrente do combate ao COVID 19, os desafios colocam ao sector da Mobilidade e dos Transportes, num futuro próximo, convocam todos a perspetivar novos instrumentos e medidas que teremos que introduzir ou aprofundar para garantir que este sector, constituindo um vetor fundamental para a economia, cada vez mais contribua para um desenvolvimento mais sustentável.

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INOVAÇÃO

Autor: APO

MERCEDES ACTROS Ainda mais eficiente O Mercedes-Benz Actros continua a apostar na eficiência e apresenta até cinco por cento menos de consumo de combustível do que o seu antecessor.

U

ma das maiores preocupações das empresas de transporte está relacionada com os custos dos combustíveis na operação das frotas. Reduzir os custos operacionais e aumentar a eficiência são factores fundamentais para tornar as empresas mais competitivas no mercado em que actuam. Este factor tem merecido a atenção da Mercedes-Benz, que procura desenvolver os produtos e as soluções adequadas para os seus clientes. O consumo de combustível do Actros tem sido constantemente reduzido nas últimas décadas. Em operações típicas de transporte de longa distância, por exemplo, foram alcançadas economias de até 15% entre 2011 e a introdução do novo Actros em 2019. O novo Actros é ainda mais económico que o seu antecessor em estrada até 3% e no tráfego entre cidades até 5%. Além do sistema optimizado de controlo de cruzeiro e do sistema Predictive Powertrain Powertrain (PPC), novas relações de eixo traseiro e melhorias aerodinâmicas na cabina do camião contribuem significativamente para essa redução no consumo. A significativa importância da aerodinâmica pode ser ilus-

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trada através do seguinte exemplo: num camião moderno com cabina sobre o motor em operações de longa distância na Europa, cerca de um terço da energia mecânica disponível é necessária para superar a resistência do ar. E isso também se reflecte no novo Actros: o sistema MirrorCam, que substitui os espelhos retrovisores tradicionais, contribui com até 1,5% para a economia geral de combustível do novo Actros. Novos deflectores côncavos na cabina também contribuem para diminuir o consumo. Essas melhorias devem-se, principalmente, a testes intensivos no túnel de vento na unidade de Untertürkheim da Daimler. Neste local, os engenheiros simularam as condições de fluxo ao redor do camião, com o objectivo de optimizar o valor de Cd para a derrapagem do vento. Especialmente no que diz respeito à MirrorCam, os testes na fábrica forneceram informações importantes. Por um lado, para o design aerodinâmico dos dois braços da câmara e, por outro, para o posicionamento dos braços da câmara nos lados direito e esquerdo da cabina. Ao contrário dos espelhos convencionais, são fixados à estrutura do tecto no novo Actros.


INOVAÇÃO O túnel de vento em Untertürkheim permite que sejam geradas velocidades de vento de até 250 quilómetros por hora. As medições aerodinâmicas são validadas durante os testes na estrada. Assim, os engenheiros beneficiam da possibilidade de terem vários métodos à sua disposição simultaneamente, que podem ser usados ​​para tornar os camiões Mercedes-Benz mais aerodinâmicos. Além de mant e r o consumo de combustível o mais baixo p o ssível, os engenheiros também se concentraram em afastar a sujidade do veículo durante os testes de túnel de vento. Especialmente para áreas relevantes para a segurança, como o pára-brisas e as janelas laterais, sem mencionar as lentes dos braços da câmara. A aerodinâmica

influencia a quantidade de sujidade levantada pelo seu próprio veículo e os veículos que seguem na frente. A aerodinâmica aprimorada de forma sustentável fornecida pela MirrorCam do novo Actros é uma das razões pelas quais o veículo foi distinguido com o título "Camião Internacional do Ano 2020". Além do aumento da eficiência, destacou-se também o desenvolvimento alcançado em sistemas de assistência e segurança, bem como em termos de conectividade.

“O NOVO ACTROS É AINDA MAIS ECONÓMICO EM ESTRADA ATÉ 3% E EM CIDADES ATÉ 5%...”

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PNEUS

GAMA MICHELIN X MULTI apresenta novas medidas Estão disponíveis os novos pneus Michelin X Multi de perfis 50 e 45, concebidos para equipar os conjuntos de camião e semi-reboque para transportar até 100 m³ de volume.

A

s medidas 355/50 R 22.5 e 315/45 R 22.5 permitem optimizar a altura de carga útil do veículo até 3 metros, e respeitar a altura máxima regulamentar do conjunto, fixada em quatro metros para o transporte standard. As novas referências agregam as mais recentes inovações tecnológicas do Grupo Michelin, de modo a permitir uma redução dos custos operacionais, garantir a máxima segurança e a mobilidade em todas as estações do ano. O transporte com veículos mega-volume representa apenas entre 1,5% e 2% do mercado global de pneus da Península Ibérica. A Michelin apresenta novas soluções para este mercado: a medida 355/50 R 22.5 X MULTI Z 156K, que permite equipar o eixo direcional da unidade tractora e os eixos do semireboque; e a medida 315/45 R 22.5 X Multi D 147/145L para o eixo motriz da unidade tractora.

A medida 315/45 R 22.5 no eixo motriz é a única que permite respeitar uma altura máxima de quatro metros do conjunto ao nível da quinta roda, e dispor de uma altura interior útil de carga de três metros. Ao permitir 100 m³ de carga, assim como empilhar 3 contentores standard de 1 metro de altura, contribui para reduzir os custos operacionais das frotas. O Michelin X Multi está preparado para uma utilização multifacetada em todo o tipo de estradas, e dispões da homologação 3PMSF, o que assegura a mobilidade em normais condições de inverno. As tecnologias Michelin Infinicoil, Regenion e Carbion atribuem aos pneus durabilidade, aderência e resistência à carga, e garantem a segurança ao longo da vida do pneu.

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“As medidas 355/50 R 22.5 e 315/45 R 22.5 permitem optImizar a altura de carga até 3 metros...”

A tecnologia Infinicoil consiste no enchimento superior com um cabo de aço enrolado em contínuo, que reforça e confere maior estabilidade à carcaça, e permite uma maior resistência à carga. A Regenion é uma escultura evolutiva que se auto-regenera. Enquanto o pneu é novo está mais fechada, para reduzir a resistência ao rolamento, com a utilização vai abrindo para manter elevados níveis de aderência. O Carbion é um composto de borracha com uma estrutura mais homogénea devido a um processo de mistura inovador. Permite melhorar a resistência à abrasão, com intuito de proporcionar uma maior durabilidade e superior duração.


INOVAÇÃO

SOLUÇÕES STRATIO TRANSPORTE DE MERCADORIAS A Stratio está a construir um futuro em que tudo chega ao seu destino atempadamente. Juntando engenharia automóvel e investigação científica, criamos modelos de inteligência artificial para automatizar a detecção de anomalias e falhas.

O

sector dos transportes é um dos principais impulsionadores do desenvolvimento humano. Já todos fomos afetados por avarias em veículos.

Tudo, desde medicamentos e alimentos aos transportes públicos, depende da fiabilidade dos veículos.

A tecnologia de inteligência artificial da stratio para operadores de frotas de transporte pesados de mercadorias A tecnologia da Stratio permite recolher uma quantidade de dados muito elevada dos veículos, com grande qualidade, e automatizar a análise desses dados. Para automatizar a análise dos dados a Stratio desenvolve modelos de inteligência artificial. O princípio é que o ser humano consegue ser excelente na sua capacidade criativa, mas os computadores são muito mais eficientes e produtivos em tarefas repetitivas. E examinar continuamente grandes volumes de dados de elevada complexidade provenientes de veículos, à procura por exemplo de padrões de avarias ou da falta deles, é uma dessas tarefas repetitivas. De uma forma simplista, a tecnologia da Stratio simula o comportamento do cérebro humano, neste caso o de um

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engenheiro automóvel, para detetar padrões e anomalias nos dados, utilizando poder computacional para processar estes dados mais rapidamente do que uma pessoa seria capaz, evitando ainda que sejam necessárias centenas de pessoas para analisar dados de centenas de veículos, o que seria inviável. A tecnologia da Stratio representa um ponto firme de apoio quer ao Gestor de Operações, quer ao Gestor de Manutenção, permitindo identificar problemas com a frota antes de estes terem um impacto significativo na operação. A mesma tecnologia permite ainda a disponibilização de várias novas funcionalidades de gestão remota da frota e de digitalização de processos com impacto na gestão de caixa das empresas de transportes, como é o caso do e-CMR.


INOVAÇÃO

PARA O FUTURO DO

Os produtos da Stratio para gestão da manutenção e das operações A Stratio disponibiliza a todos os seus clientes um conjunto de três plataformas. A plataforma de Inteligência Preditiva Stratio Foresight ™ permite a implementação de uma Manutenção Automatizada, mais eficiente e eficaz do que a manutenção tradicional baseada em quilometragem ou no tempo. Usa inteligência artificial para antecipar a detecção de anomalias, falhas e possíveis avarias, com diagnóstico remoto, alertas de códigos de erro, planos de manutenção controlados remotamente, assim como relatórios e dashboards que permitem um fácil acesso à informação disponibilizada aos utilizadores. O Stratio Pilot ™ é uma solução integrada de Gestão de Operações com funcionalidades de eco-driving, recolha remota de dados do tacógrafo, formação remota de motoristas, e vários outros desenvolvimentos essenciais para a produtividade das empresas de transporte de mercadorias.

Este produto foi desenvolvido com a colaboração de várias frotas de modo a proporcionar uma ferramenta essencial nos dias de hoje, em que as empresas de transporte de mercadorias necessitam de fazer a transição para operações controladas remotamente de modo a assegurar a continuidade dos seus negócios. O Stratio Explorer ™ é uma ferramenta de análise de informação e relatórios, que suporta as análises dos nossos clientes, e que, quando conjugada com o acompanhamento técnico prestado pela nossa equipa de engenharia e suporte, permite um grande apoio na interpretação dos dados recolhidos, e permite às frotas optimizar recursos e diminuir custos. O objectivo final é sempre oferecer visibilidade total sobre a operação para reduzir custos e otimizar recursos, sempre com o objetivo de eliminar o tempo de inatividade não planeado.

Serviço ao cliente Stratio A Stratio oferece aos clientes um serviço personalizado com a alocação de um gestor de conta para todos os clientes, independentemente do seu tamanho. As pessoas por detrás dos nossos departamentos de Onboarding e Customer Success são especializadas em engenharia automóvel. O apoio começa no início de cada projecto e cobre o planeamento dos recursos, a avaliação da aplicabilidade do produto, e a definição de requisitos técnicos.

Após a implementação e configuração do sistema no cliente, oferecemos formação técnica para os produtos e serviços, um suporte personalizado e proativo, e também consultoria para as operações de frota. Este processo é adaptado às necessidades de cada cliente e às características da sua frota, e beneficia continuamente com as melhorias e atualizações constantes nas plataformas da Stratio.

Conclusão Neste momento de crise, mais do que nunca, as empresas de transporte de mercadorias devem ser apoiadas para poderem continuar a prestar os seus serviços críticos de apoio à população. Sem os serviços das empresas de

transporte a economia não abranda, ela para. Esta é a nossa missão e estamos orgulhosos de estar, neste momento crítico, lado a lado com nossos clientes, a acelerar a sua transição para operações controladas remotamente.

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LUBRIFICANTES

WOLF

LUBRIFICANTES Novos lubrificantes para motores pesados CK-4 e FA-4 A Wolf Lubricantes, uma marca da Wolf Oil Corporation, que possui mais de 60 anos de experiência em lubrificantes tecnológicos. A colaboração exclusiva com determinados parceiros permite ter acesso directo às mais recentes tecnologias e formulações.

C

onta com uma equipa dedicada de pesquisa e desenvolvimento, com rigoroso controlo laboratorial de qualidade em todo o processo de produção, proporcionando uma forte vantagem competitiva. A Wolf Lubricantes está 100% dedicada aos lubrificantes o que a torna uma marca de alta qualidade, oferecendo uma ampla gama de produtos em todos os principais

sectores da indústria que cumprem e geralmente excedem as mais recentes especificações do OEM. Actualmente, o portfólio para serviços pesados ​​em estrada inclui: óleos de motor, óleos de transmissão, hidráulicos, travões, direcção e nivelamento de fluidos, anticongelantes e refrigerantes e massas.

Motores modernos de pesados ​​exigem mais dos lubrificantes Os modernos motores de pesados podem ser benéficos para o meio ambiente e para os proprietários de frotas, reduzindo as emissões e melhorando a economia de combustível, respectivamente, mas isso, por sua vez, pressionou ainda mais os lubrificantes de motores, que devem manter seu desempenho em motores cada vez mais exigentes.

chamado cisalhamento de óleo. As brechas estreitas e os altos níveis de pressão encontrados nos projectos modernos de motores aumentam muito a taxa de cisalhamento dos óleos de motor.

Os lubrificantes modernos para motores pesados ​​enfrentam os seguintes desafios: Maior oxidação: os motores modernos operam sob pressão e calor extremamente altos. Os óleos de motor expostos a essas condições adversas oxidam e transformam-se em moléculas menos confiáveis, que incluem alguns resíduos; isso reduz o desempenho geral do óleo do motor. Maior ventilação: os motores modernos geram mais bolhas devido às temperaturas operacionais mais altas, pressão e velocidade do fluxo de óleo. Isso pode resultar em menor dispersão de calor, que por sua vez pode causar danos extensos ao motor. Aumento do cisalhamento: altos níveis de stress mecânico desgastam a estrutura das moléculas de óleo do motor, causando severa degradação do óleo. Esse fenómeno é

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OFFICIALTECH 10W30 MS EXTRA API CK-4 - ACEA E9-16 -MB 228.31 - RN RLD-4 VOLVO VDS-4.5 - CATERPILLAR ECF-3


LUBRIFICANTES

Novas especificações API CK-4 e FA-4 Em 1 de dezembro de 2016, o American Petroleum Institute (API) lançou as novas especificações API CK-4 e FA-4 para óleos de motores diesel. Eles substituem a API CJ-4 e fornecem melhor estabilidade ao cisalhamento, resistência à oxidação e controle de ventilação. As novas especificações são uma resposta à procura do mercado por motores com menor consumo de combustível e a diferenciação adicional no design do motor pelos OEMs. Os óleos API CK-4 podem ser usados ​​em motores que utilizavam anteriormente óleos CJ-4. Essa compatibilidade com versões anteriores amplia bastante a aplicabilidade dos óleos, tornando-os soluções perfeitas para motores pesados ​​novos e mais antigos. A API FA-4 não é compatível com versões anteriores. As formulações altamente inovadoras só podem ser usadas em motores projetados para operar especificamente com os avançados óleos de motor FA-4. Esses motores beneficiarão muito do aumento da economia de combustível e da excelente protecção descrita pela especificação API FA-4.

OFFICIALTECH 15W40 MS EXTRA API CK-4 - ACEA E9-16 MB 228.31 - Cummins CES 20086 - VOLVO VDS-4.5 - CATERPILLAR ECF-3 -

Adequado para uma ampla gama de aplicações Os óleos CK-4 e FA-4 foram projectados para utilização numa ampla gama de veículos: • Motores a diesel de alto desempenho equipados com EGR, SCR, DPF e / ou DOCs; • Motores a diesel naturalmente aspirados e turboalimentados; • Camiões ligeiros e pesados;

OFFICIALTECH 5W30 UHPD EXTRA S API CK-4 - ACEA E6-16 - MB 228.51 - RN RLD-4 - MAN M3677 - SCANIA LDF-4 - VOLVO VDS-4.5 VOLVO VDS-4 - CAT ECF-3 - DEUTZ DQC IV-10 L

• Indústrias como mineração, construção, pedreiras e agricultura. Técnicos e consumidores precisam verificar no manual dos fabricantes de motores para determinar qual o óleo adequado para o veículo. Consumo reduzido de combustível, emissões reduzidas, intervalos de mudança prolongados e custos operacionais mais baixos são apenas alguns dos muitos benefícios que os produtos Wolf Lubricants têm para oferecer. A nova linha de lubrificantes CK-4 e FA-4 da Wolf para frotas é constituída pelos seguintes produtos: • OFFICIALTECH 10W30 MS EXTRA • OFFICIALTECH 15W40 MS EXTRA

OFFICIALTECH 5W30 UHPD EXTRA FE

• OFFICIALTECH 5W30 UHPD EXTRA S

API FA-4 - MB 228.61 - DETROIT DIESEL DFS 93K223 - JASO DH-2-17 - JASO DL-0-17 Cummins CES 20087

• OFFICIALTECH 5W30 UHPD EXTRA FE

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A pandemia Covid-19 fez voltar as atenções para o transporte rodoviário mostrando mais uma vez o papel indispensável que as empresas de transporte rodoviário e os seus trabalhadores desempenham na movimentação de bens essenciais. A grave crise que estamos a viver, não tem precedentes nas últimas décadas e será, na opinião dos economistas, a mais grave desde a Segunda Guerra Mundial. Os motoristas têm arriscado a sua saúde para manter as cadeias de abastecimento em movimento transportando alimentos e medicamentos, entre outros bens de consumo. Ao assegurarem serviços essenciais e a mobilidade estão a ajudar toda a sociedade nesta época de pandemia. Expressamos a nossa gratidão aos motoristas e a todos os trabalhadores do transporte rodoviário. A revista Pesados & Mercadorias foi conhecer as circunstâncias, as alterações e as dificuldades que os motoristas portugueses têm encontrado nestes tempos difíceis marcados pela pandemia Covid-19, deixando aqui os seus importantes testemunhos. Pedro Martins, tem 40 anos e trabalha como motorista de transporte nacional e refere que “desde a primeira hora tentei tomar todas as precauções ao meu alcance, tendo tido todo o apoio da empresa onde presto serviço, que prontamente se disponibilizou a fornecer máscaras, desinfetantes e luvas. O medo tem sido constante por estar a enfrentar algo que não se vê e não saber se as medidas tomadas são as correctas e suficientes para minha protecção e dos que me rodeiam”. Com 58 anos, Carlos Fortunato faz transporte internacional numa empresa de

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transporte de mercadorias perecíveis (fruta e legumes) com serviços a prestar em quase toda a União Europeia, “e embora seja uma época forte para nós, dá-me a sensação que o serviço até aumentou. O ter de mudar de hábitos de socialização, de higienização e de protocolos de atendimento; inicialmente foi um choque, claro! Mas como sou bastante adaptável e de rotinas pré-estabelecidas, pouco a pouco, lá me adaptei. A parte familiar é a mais constrangedora.


ACTUALIDADE

Júlio Lima de 40 anos, exerce a actividade de motorista e conduz um veículo ligeiro de mercadorias no transporte nacional. Uma das principais alterações que observou foi “em termos de distribuição de medicamentos, verifiquei várias alterações, principalmente na forma como os hospitais e as farmácias se adaptaram à actual situação. Em distribuição de carga geral, não vi grandes diferenças, a não ser a obrigatoriedade do distanciamento social, por

vezes exagerado, mas noutros casos também demasiado libertino, chegando a ter de ser eu a relembrar a necessidade desse distanciamento”.

Principais dificuldades Os motoristas profissionais dinamizam a economia dos países, garantindo o funcionamento do mercado e da vida social. Apesar disso, debatem-se por vezes, com condições de trabalho desadequadas ao exercício da sua actividade. Neste período de restrições provocadas pela pandemia, tiveram que enfrentar problemas acrescidos e inesperados. Para Pedro Martins, a maior dificuldade com que se deparou, logo no início, foi o fecho repentino da restauração e áreas de serviço. “Depois já houve adaptação de alguns restaurantes para serviço take away, o que ajuda bastante no dia a dia. Também existe o problema de algumas empresas adotarem medidas drásticas, onde os motoristas nem sequer têm autorização de sair de dentro do camião para utilização de uma casa de banho. Já noutras, acontece o oposto, onde não há o mínimo de medidas de prevenção.

No serviço de transporte internacional os transtornos são semelhantes, conforme explica Carlos Fortunato: “inicialmente o que mais me afectou foi a falta de serviços sanitários em áreas de serviço, especialmente o duche. Embora muitas áreas já tivessem os serviços de WC, planeados para um “serviço noturno”, os duches na sua grande maioria, não

o estavam. O encerramento dos serviços de restaurante e snack-bar também foi um choque. Pois como motorista de longo curso, cujo serviço me obriga a estar na “estrada” entre 21 a 26 dias, é complicado levar mantimentos para tanto tempo. Consegue-se, mas há sempre qualquer coisa que falta. Nem que seja aquele “luxo” de ir almoçar fora, beber um café ou até comer um bolo”. Júlio Lima também se debateu com problemas a nível da higiene e com a alimentação, lembrando que “na distribuição não temos as condições de confecção de refeições que no longo curso as viaturas permitem fazer, pelo que estamos dependentes de restaurantes ou de levar comida feita de casa, sem termos sequer condições para a aquecer, numa altura em que as autoridades sanitárias nos recomendam a estar devidamente alimentados. É certo que os restaurantes servem em take away, mas muitos deles têm possibilidades físicas de poder laborar normalmente de forma a corresponder ao distanciamento social, com as condições de higiene às quais são obrigados durante todo o ano, independentemente da situação actual. Quanto à higiene, faltam-nos por vezes condições de acesso a uma simples casa de banho, o que, no caso da limpeza das mãos até se consegue contornar minimamente com um recipiente de água e com detergente para ir lavando as mãos durante o dia, aliado ao uso do álcool gel, mas levanta sempre um problema relativo às necessidades fisiológicas”.

Melhorias que são necessárias Existem uma série de medidas que deveriam ser tomadas pelas autoridades competentes, no intuito de proporcionar condições mais adequadas ao exercício da profissão neste contexto de pandemia. Na opinião de Pedro Martins, “seria urgente existirem diretrizes de segurança impostas a todas as empresas, de forma a que não haja situações extremas. Deveria de ser simplificado o sistema de cargas e descargas, assim como, ser adoptado o sistema de chamada do motorista por via telefónica e não presencial, de modo a evitar a aproximação física”. Entre as principais prioridades para Carlos Fortunato está a higiene. “Portanto falta criar/adaptar mais WC, à situação actual. Especialmente na parte do duche. Na parte da restauração, timidamente, lá foram aparecendo os “takeaway”. Mas de todas as formas, faz-me uma certa confusão a “higienização” dos alimentos e dos funcionários. Portanto, penso que devem permitir mais serviços deste tipo, mas com apertado controle sanitário. Já no aspecto da despistagem do vírus, considero urgente e extremamente necessário, testes imediatos e até prioritários, para aqueles que como nós estão na chamada “linha da frente”. Pois como disse anteriormente, é constrangedor e até aterrorizador,

chegar a casa e não saber se estou ou não contaminado”. Júlio Lima fala da urgência de haver “uma revisão da legislação acerca dos restaurantes que poderiam servir diárias, de forma a que adaptassem as suas instalações de modo a poderem trabalhar de forma sanitariamente segura, uma vez que neste tipo de serviço,

nem sempre é possível encontrar um local para ter uma refeição em condições de saúde ou até mesmo do mínimo de comodidade, a não ser comer sentado num banco de uma carrinha ou camião, regra geral numa posição desconfortável e não ergonómica. Seria necessário também haver uma maior consciencialização principalmente das estações de serviço para fornecer acesso às suas instalações sanitárias, que muitas vezes têm acesso externo, mas estão fechadas à chave e essa chave tem de se pedir ao balcão, o que se torna moroso, tendo em conta as filas que se formam com a limitação de utentes nos estabelecimentos e respectivas distâncias de segurança”.

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Filipe Pinheiro “Passamos a trabalhar para uma comunidade para lá dos associados” O Presidente da Associação Profissionais ao Volante (APV), faz uma análise desta situação de excepção e do actual momento do transporte rodoviário. - Como é que a APV tem lidado com esta situação de pandemia, nomeadamente no apoio a associados? Nesta situação de pandemia, e perante um cenário que exige a todos colaboração, a APV passou a trabalhar para uma comunidade para lá dos associados. Era fundamental, devido ao trabalho profundo na informação e formação, a APV dar o seu contributo nesta área. Sendo fulcral a publicação de informação fidedigna e que responda a todas as dúvidas pertinentes, reforçamos a nossa equipa de forma a dar resposta a esta necessidade. Temos apoio jurídico, apoio a nível de dúvidas laborais e apoio psicológico permanente e gratuito. Inevitavelmente, além do que é elaborado por iniciativa nossa, a APV disponibilizou-se para tudo o que necessário na colaboração com as outras instituições do sector.

- Que conselhos têm transmitido aos motoristas para enfrentarem com segurança os desafios desta situação sanitária? É claramente um desafio incessante. Estamos a falar de profissionais que por consequência da actividade estão sozinhos na prática da profissão. Frequentam diversas localidades, países e enfrentam inúmeras situações incomparáveis. É muito complicado fazer acreditar que as práticas sanitárias individuais são suficientes. É ainda mais difícil garantir, sem testes clínicos, que o motorista pode, sem problemas, voltar a casa e permanecer lá até novo serviço sem consequências na família. Resta-nos, incansavelmente informar, manter o motorista a par de tudo que possa beneficiar ou prejudicar a inevitável actividade.

- Quais as principais dificuldades reportadas pelos vossos associados durante o exercício da função? É público o encerramento de muitas instalações de des-

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canso e instalações sanitárias, prejudicando uma vida minimamente normal de um motorista. Os restaurantes pela Europa fora que fechavam as portas fora de horas aos motoristas, que não tem horário prédefinido, passaram a ver os motoristas como únicos clientes possíveis.  O motorista, por muitos, é visto não como alguém que continua o seu trabalho de forma exemplar, garantindo o fornecimento de todos os bens essenciais, mas sim como um corredor de transmissão do vírus.  Adicionalmente, não está previsto pela DGS, nenhum regime de excepção para um motorista que entra em Portugal após correr a Europa, para confirmar o seu estado de saúde perante o vírus.

- No vosso entender as medidas que têm vindo a público encaixam nos desafios do transporte profissional de mercadorias? Todas as questões que levantei antes, são questões pertinentes, num Estado de Emergência, que vivemos pela primeira vez, e que, inevitavelmente, tem várias falácias. No global as medidas foram adequadas e é complicado solicitar regimes de excepção numa altura crítica. Contudo, a questão futura, penso que está a ser gerida de ânimo leve. A subsistência de muitas empresas do sector dos transportes está em causa. Não sabemos quanto tempo irá demorar a recuperar a normalidade da economia. Mais importante, não sabemos como a economia nacional vai responder às necessidades básicas de todas as empresas nacionais, sendo os transportes o elo de ligação e que subsiste de um equilíbrio económico que não me parece de todo uma visão real num futuro próximo.


ECOMMERCE

Autor: Vera Maia *

Crescimento das vendas online será exponencial

VERA MAIA *

Assim que o estado de emergência foi decretado, a compra de produtos e serviços online diminuiu, estando esta diminuição diretamente relacionada com o medo que se instalou. Os consumidores focaram-se em garantir os bens essenciais e em proteger as suas famílias. O mesmo aconteceu com as empresas que tiveram de suspender produções, enviar funcionários para casa ou implementar novas metodologias de trabalho, como o teletrabalho, ou trabalho remoto.

N

o entanto, após a primeira semana de isolamento, notou-se claramente uma mudança nos consumidores e até nos nossos clientes de formação e consultoria. O acesso à internet em Portugal aumentou cerca de 40%. Percebemos que os pais que estão em casa com os filhos passaram a ter outras necessidades: roupa confortável para estarem em casa e roupa interior para as crianças; os adultos em teletrabalho precisam de novos dispositivos eletrónicos para trabalharem a partir de casa (monitores, ratos, colunas, phones, etc.) e aproveitam para aprender algo novo durante este período ligado às novas tecnologias e ao mundo digital. Este é um momento-chave para o ecommerce e marketing digital e algumas marcas já se aperceberam disso. Basta analisarmos o número de lives diários no Instagram, webinars, cursos online, o número de vídeos com atividades de desporto e fitness em livestream e os conteúdos, muitos conteúdos de interesse para quem está “isolado” em casa. Por outro lado, os custos da publicidade online desceram, o que é uma oportunidade para quem ainda tem stock para vender (e não tem a sua supply chain parada, seja porque a matéria-prima não esteja a ser fabricada ou porque o fornecedor da China não está a fazer envios). Este é o momento ideal para estas marcas investirem nas suas campanhas de anúncios em Google e no Facebook/ Instagram. Por fim, muitas empresas estão a aproveitar este momento para reverem as suas estratégias digitais. Temos ouvido bastante nos últimos dias, por parte dos gestores e empreendedores, que deveriam ter investido mais cedo nas vendas online. Mas os que estão agora a começar ainda vão a tempo de desenvolverem os seus projetos. Acreditamos que muitas das mudanças de hábitos de agora vão influenciar as nossas decisões no futuro enquanto consumidores, mas a experiência de compra agora tem de ser positiva, caso contrário, os clientes não repetirão a compra por

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conta destas experiências menos positivas. Por exemplo, quem nunca tinha experimentado comprar mercearia online, teve agora a sua primeira oportunidade. No entanto, as listas de espera são intermináveis, os sites não dão resposta e têm fila de espera e as entregas acontecem apenas um mês depois da compra. Isto, muito provavelmente, levará a que, assim que seja possível, os consumidores voltem aos hábitos antigos e comprem presencialmente nos hipermercados.


ECOMMERCE Esta poderá ser uma oportunidade de ouro para a evolução do ecommerce português, e é ainda uma oportunidade para a Internacionalização dos negócios. Existem alguns mercados mais afetados por esta crise do que outros. E nos mercados em que os hábitos de consumo já passavam pelo online, esta crise surge como uma oportunidade para aumentar ainda mais as vendas online. A Amazon anunciou o recrutamento de 100.000 novos funcionários nos EUA para fazer face às necessidades de recursos humanos que esta pandemia criou. O único problema poderá ser o tempo necessário para implementar uma marca recente junto dos consumidores. Pela análise que fazemos dos resultados dos nossos clientes, existem duas estratégias que estão a ter maior resultado: • Campanhas promocionais de desconto direto na compra - principalmente em marcas de baixa notoriedade; • Campanhas focadas na fidelização de clientes - em marcas com elevada notoriedade e base de dados de clientes. Neste momento, o foco dos clientes, está nas marcas em que mais confiam. Estas terão crescimento garantido. As marcas que estão agora a dar os seus primeiros passos, conseguirão posicionar-se junto do target mas devem focar-se na criação de uma relação com os potenciais consumidores. Se puderem recorrer a campanhas promocionais para aumentar a sua capacidade financeira, tanto melhor, mas o foco deve estar em aumentar a notoriedade da marca, criar um relacionamento e estabelecer confiança.

Várias empresas e marcas a operar em Portugal reforçaram as suas equipas e cadeias logísticas com recursos humanos, para dar resposta ao crescimento das encomendas online. Poderá ser um movimento para ter continuidade, dependendo do serviço prestado e do produto. Por exemplo, a corrida ao papel higiénico não significa que o aumento das vendas vai se manter. Foi um pico e agora os consumidores têm pilhas de rolos armazenados em casa, por isso, não vão comprar este produto nos próximos tempos. Por outro lado, se o serviço prestado não cumprir com as expectativas, os clientes não voltarão a comprar no futuro. Felizmente as transportadoras e os CTT continuam a prestar o serviço de entrega de encomendas - pela minha experiência tem corrido bastante bem - , mas as empresas podem não ter capacidade de expedir as encomendas nem receber o stock antecipadamente dos fornecedores. Não sabemos durante quanto tempo esta epidemia irá durar, mas sabemos que as repercussões económicas serão de uma dimensão nunca sentida pelas novas gerações. Estamos numa era em que, obrigatoriamente, o digital ocupará o lugar do físico. Não por uma evolução geracional, mas por uma necessidade de saúde pública. Por este motivo, acreditamos que o crescimento das vendas online será exponencial, principalmente nos mercados emergentes como o Sul da Europa. Prevemos que o ecommerce termine este ano a subir pelo menos 30%. Com repetição nos anos seguintes. É necessário que as estruturas logísticas e de transportes acompanhem esta evolução, para que o serviço aos clientes não seja colocado em causa.

“ESTE É UM MOMENTO-CHAVE PARA O ECOMMERCE E MARKETING DIGITAL E ALGUMAS MARCAS JÁ SE APERCEBERAM DISSO...”

Image: Freepick.com

* CEO & Founder na TSE Commerce

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ACTUALIDADE

Autor: Ana Paula Oliveira

DISTRIBUIÇÃO cadeia de abastecimento e logística

em tempo de pandemia O avanço do coranavirus deu origem a diversas mudanças nos hábitos de consumo, e teve como consequência uma disrupção em alguns segmentos da distribuição, lançando novos desafios à cadeia de abastecimento.

E

m todo o mundo, milhões de pessoas estão a adaptarse ao teletrabalho à medida que a pandemia do Covid-19 se foi disseminando e afectando o quotidiano. Na Europa Ocidental o tráfego da Internet aumentou cerca de 70%. O comércio digital adquiriu uma importância exponencial e veio colocar desafios às empresas, a quem compete reformular operações, estratégias de marketing e cadeias de logística. As empresas de distribuição tiveram de investir em capacidade tecnológica, em recursos humanos, em capital e na logística. Toda esta situação que estamos a viver, obriga retalhistas e fabricantes a fazer ajustamentos significativos às prioridades do negócio, com impactos ao longo de toda a cadeia. Na impossibilidade de cessar a actividade, as empresas do sector de transporte e logística estão a adotar medidas de segurança e serviços excepcionais, no intuito de garantir de circulação de bens essenciais no País, durante o surto do Covid-19.  Os CTT tiveram que adoptar diversas medidas para prosseguirem com a sua operação, indispensável para a população. “Os CTT estão focados em continuar a prestar um

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serviço com qualidade ao cliente, em segurança e respeitando as indicações da DGS. No que diz respeito à distribuição de encomendas verificámos um aumento em alguns produtos e uma redução noutros, mas temos capacidade para responder ao que está a ser encomendado e podemos aumentar a capacidade se for necessário, porque adaptaremos a operação a esse aumento. Desta forma, e para além das medidas de mitigação muito importantes os CTT não sentiram necessidade de adoptar outras medidas para fazer face à procura”, salienta Miguel Salema Garção, Director de Comunicação e Sustentabilidade dos CTT. Verificou-se um crescimento na distribuição e entrega durante este período em que houve uma alteração dos hábitos de consumo, no que diz respeito ao volume de tráfego, “os CTT registam comportamentos distintos nos diversos sectores. Há um forte crescimento nos produtos essenciais (higiene, saúde e alimentação) e em consumíveis, material informático e livros, muito alavancado pela oferta de e-commerce já existente. Por outro lado, verifica-se uma redução no retalho, devido ao encerramento das lojas, e no sector automóvel, pela diminuição da procura”.


ACTUALIDADE

Novas tendências de consumo Numa época como esta, é necessário implementar novas formas de actuação para corresponder aos novos desígnios do mercado. No caso dos CTT, “a empresa tem capacidade para responder ao volume de tráfego actual e caso se venha a verificar um aumento desse mesmo tráfego, os CTT ajustarão a sua capacidade operacional em conformidade. Estão a ser cumpridos os níveis de serviço ao cliente e estamos em permanente avaliação da nossa rede, no que diz respeito à “última milha”, uma vez que existem alterações nos pontos de recolha, devido ao encerramento de estabelecimentos comerciais no âmbito do estado de emergência”, refere Miguel Salema Garção, Director de Comunicação e Sustentabilidade dos CTT. A empresa de transporte e logística Santos e Vale adoptou a flexibilidade e capacidade necessárias para fazer face ao pico existente. “Esta é uma situação que está a acontecer fora de época normal mas que já existe, pelo menos duas

vezes por ano, em novembro/dezembro e em junho/julho. A nossa rede de distribuição tem a capacidade de se adaptar a estes picos de actividade com relativa facilidade, daí estarmos a garantir a normalidade dos nossos serviços com total segurança para os nossos clientes”, explica Joaquim Vale, Admisnistrador da Santos e Vale. As maiores alterações estiveram relacionadas com as medidas de segurança e “preocupação com a saúde dos nossos colaboradores. São eles que, para além de serem a cara da Santos e Vale todos os dias, estão neste momento sujeitos aos maiores riscos de saúde pública, pelo que, tomamos várias medidas, incluídas no plano de contingência geral da empresa, para que possam desenvolver as suas funções com a maior segurança possível e prestar o melhor serviço ao cliente”, afirma o Administrador da Santos e Vale.

A Greenyard Logistics Portugal está especializada na logística e transporte de produtos alimentares perecíveis. “Trabalhamos com produtos tão diversos como pescado fresco, bacalhau seco, frutas e verduras, charcutaria, carne fresca, lacticínios, toda a gama de produtos congelados, produtos secos, etc. A pandemia mundial que estamos a atravessar representa um desafio a nível global e os seus efeitos são transversais a todas as áreas de actividade. No seguimento desta situação, estabelecemos planos específicos que obedeceram a 3 princípios fundamentais: 1) garantir a segurança de todos os colaboradores; 2) garantir a manutenção ininterrupta da cadeia de abastecimento dos clientes; 3) garantir a estabilidade económica e financeira da empresa”, assegura Vitor Figueiredo, General Manager da Greenyard Logistics Portugal. A Mercadona reforçou o seu compromisso de fazer o que for necessário para que os bens essenciais não faltem nas suas superfícies comerciais. “Registámos um aumento das vendas, na semana em que foram anunciados os encerramentos das escolas devido à pandemia de Covid-19, mas estas entretanto estabilizaram. Apesar desse aumento, a implementação das medidas de saúde e segurança dos nossos clientes e colaboradores

implicaram um esforço financeiro considerável. Ainda assim, são medidas essenciais para garantir a protecção do Cliente, Colaborador, Fornecedor e Sociedade, isto é, são essenciais para darmos continuidade ao nosso compromisso com o nosso modelo de gestão (o Modelo de Qualidade Total)”, afirma Elena Aldana, Directora-Geral Internacional Relações Externas da Mercadona. Acrescentando, “trabalhamos com mais de 300 fornecedores portugueses, além dos de serviços e de transportes, que nos têm ajudado a garantir que todos os dias os produtos chegam às lojas e os clientes podem fazer as suas compras habituais”.

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ACTUALIDADE

O papel das novas tecnologias O surto de Covid-19 tem levado as empresas a acelerar ao máximo o processo de transição digital. Nas palavras de Joaquim Vale, Administrador da Santos e Vale, isto está a acontecer a um ritmo nunca visto. “Fruto desta pandemia o mercado teve que se adaptar às condicionantes e reagir de forma a que o contacto físico seja diminuído ao mínimo na cadeia de abastecimento. A utilização das novas tecnologias já é uma realidade na Santos e Vale há vários anos - temos vindo a implementar novas ferramentas de gestão e otimização de rotas, assim como, de reporte através do nosso sistema mobilidade on time. Existe “uma nova Ordem”, esta nova realidade tem pressionado a procura de novos canais de venda, novos processos de trabalho e novas formas de relacionamento com todos os intervenientes da cadeia, o que obriga as empresas a se reinventar todos os dias…” Vitor Figueiredo, General Manager da Greenyard Logistics Portugal, afirma que houve um “visível de incremento da importância das novas tecnologias na forma como nos relacionamos a nível pessoal e profissional, não só a nível

da realização das transações comerciais, mas também da comunicação com os clientes. Sendo quase obrigatórias as relações à distância, mas mantendo o contacto próximo. O canal online recebeu também um grande impulso tendo tido crescimentos muito acima do que se esperava e acima da capacidade instalada. Estas são tendências irreversíveis e que se manterão, mesmo depois do fim da pandemia”. A Mercadona, por sua vez, abriu “um Call Center interno para atendimento médico, um serviço personalizado e adicional. Este Call Center funciona 24 horas durante sete dias da semana e, conseguimos transmitir tranquilidade aos nossos colaboradores, assim como contribuir para não sobrecarregar os serviços médicos públicos. Acrescentando, “queremos também salientar a importância de toda a cadeia agroalimentar, desde o setor primário, a indústria, os operadores logísticos e os distribuidores, de todo o país, têm sido incansáveis na garantia de bens essenciais à população. A união entre todos estes elos tem sido bastante visível”, conclui Elena Aldana, Diretora-Geral Internacional Relações Externas da Mercadona.

Gestão da movimentação de cargas Face ao aumento da procura de determinados bens, foi necessário um reforço dos meios existentes nos armazéns e nas plataformas logísticas, designadamente, para a movimentação de cargas. Alexandra Gomes, Marketing e Comunicação da Linde Portugal salienta: “Na Linde Material Handling estamos comprometidos com a saúde dos nossos funcionários, clientes e fornecedores. Implementamos todas as medidas necessárias para garantir o bem-estar dos nossos colaboradores e um serviço ininterrupto aos nossos clientes. Porém, como fornecedor de soluções completas de movimentação estamos mais do que nunca comprometidos em garantir que os nossos clientes, sobretudo

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os dos setores básicos, mantenham o seu fluxo logístico em tempos tão conturbados”. Mark Wender, Managing Director da Jungheinrich Portugal assegura que a marca definiu as seguintes prioridades: proteção da saúde dos nossos trabalhadores, clientes e fornecedores; continuidade da nossa atividade de forma a continuarmos a ser um parceiro fiável dos nossos clientes. Assim, criámos localmente e centralmente diferentes Task Forces para adaptar os nossos processos de trabalho (exemplo home-office com total disponibilidade / trabalho por turnos), garantir capacidades de produção e a supply chain para a entrega de equipamentos e peças.


ACTUALIDADE

A Jungheinrich está empenhada em fazer parte da solução para colmatar as necessidades mais urgentes, nomeadamente fazer face aos novos desafios impostos pela crise atual”. Perante os novos desafios que se colocam às empresas, as soluções tecnológicas adquiriram maior importância. Sobre este tópico, Alexandra Gomes, Marketing e Comunicação da Linde Portugal afirma “a tecnologia é responsável por equipamentos altamente evoluídos que procuram excelência na produtividade e na rentabilidade das operações. O setor continua a passar por grandes transformações tecnológicas. Na Linde Material Handling as inovações não se ficam pela robótica ou telemática, mas também passam pelos vários sistemas energéticos e todos os acessórios de

segurança como a mais recente proposta o “Colete de Segurança Interativo”. Dispomos de uma oferta bastante ampla de produtos e soluções o que permite dar resposta a solicitações muito específicas por parte dos clientes. Acompanhamos as necessidades das cadeias de abastecimento com a certeza que apresentamos a solução mais adequada a cada situação e/ou cliente”. Para Mark Wender, Managing Director da Jungheinrich Portugal, "a Jungheinrich sempre deu muita importância à digitalização, tanto ao nível interno como no desenvolvimento de novas tecnologias. Por isso, os nossos técnicos estão preparados para trabalharem de forma totalmente digital junto dos nossos clientes, assim como todos os colaboradores estão preparados para trabalharem a 100% à distância. Para uma rápida e fácil comunicação entre o cliente e a Jungheinrich, nomeadamente no que se refere ao serviço pós-venda, contamos com aplicações como o Call4Service, que permite aos clientes entrarem em contacto connosco 24 horas/dia, 7 dias/semana. Outro exemplo, foi a feira virtual que promovemos recentemente, em resposta ao cancelamento da Logimat, feira de Intralogística que decorre em Hannover”.


DISTRIBUIÇÃO

Autor: Ana Paula Oliveira

APED ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA de Empresas de Distribuição “Tivemos de ajustar as operações em toda a linha de abastecimento” Os acontecimentos inesperados resultantes da pandemia Covid-19 tiveram consequências imediatas nas tendências de consumo em Portugal e nas estratégias das cadeias de grande distribuição que enfrentaram desafios inéditos durante este período. Gonçalo Lobo Xavier, Diretor-Geral da APED (Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição), em entrevista à Pesados & Mercadorias falou da resposta das empresas de distribuição e das tendências que perspetiva no consumo e nas cadeias logísticas em Portugal a partir do impacto coronavírus. - Registou-se um aumento acentuado da procura dos serviços de distribuição? Verificámos, de facto, um aumento inusitado da procura no retalho alimentar (tanto em loja como nos canais online) nas primeiras semanas deste período, o que exigiu o reforço de processos e procedimentos. Estamos não só a falar do empenho dos colaboradores – que responderam

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aos desafios com grande espírito de missão -, mas também na aposta em processos ainda mais eficientes em toda a cadeia de abastecimento, da produção e indústria aos transportes e logística, para poder corresponder às exigências dos consumidores e assegurar a proteção dos colaboradores e clientes. E claro que não poderíamos fazer isto sem a pronta colaboração e resposta das empresas de transporte e dos motoristas.


DISTRIBUIÇÃO - Qual foi o crescimento registado na distribuição e entrega durante este período da pandemia? De acordo com os dados da Nielsen, entre 9 e 15 de março, as vendas nos híper e supermercados aumentaram de 65% comparativamente ao mesmo período de 2019. No entanto, já durante o período de estado de emergência, assistimos a uma estabilização da procura com os consumidores a retomarem o padrão dos seus normais hábitos de compra e em alguns retalhistas, com valores bastante mais baixos face ao mesmo período do ano passado.

Já durante o período de estado de emergência, assistimos a uma estabilização da procura com os consumidores a retomarem o padrão dos seus normais hábitos de compra.

- Quais foram as principais mudanças que ocorreram durante esta fase? No que diz respeito à distribuição de bens essenciais, de forma a que pudesse funcionar com normalidade, tivemos de ajustar as operações em toda a linha de abastecimento, tendo sido muito importante a colaboração entre todos os intervenientes. E, nesse sentido, estamos a trabalhar em conjunto com o Governo no âmbito do Grupo de Acompanhamento e Avaliação das Condições de Abastecimento e do Retalho em Portugal. Por outro lado, se falarmos da face mais visível do setor – as lojas – foram também implementadas mudanças por forma a cuidarmos dos nossos colaboradores e dos consumidores. Por exemplo, os horários dos estabelecimentos foram reduzidos e as regras de acesso condicionadas; reforçamos as regras de higiene e segurança; adaptámos as regras de atendimento prioritário que abrangeram também profissionais de saúde, elementos das forças e serviços de segurança, de proteção e socorro, pessoal das forças armadas e de prestação de serviços de apoio social. Quanto ao retalho não alimentar especializado, notese que existiram muitas áreas de negócio que tiveram de encerrar as suas operações nesta fase, mas essa foi uma decisão incontornável para que pudesse ser salvaguardada a saúde pública e surge no seguimento das indicações das autoridades. Os segmentos que se mantiveram ativos ajustaram as suas operações à realidade de um consumo diferente, agora muito focadas no canal online, sem deixar de responder aos desafios desta nova fase. O retalho especializado também se reinventou e tem sido notável a sua resposta. Era importante que pudéssemos voltar rapidamente a uma normalidade em segurança que permite alargar as operações do não alimentar.

Por outro lado, se falarmos da face mais visível do setor – as lojas – foram também implementadas mudanças por forma a cuidarmos dos nossos colaboradores e dos consumidores.

- As novas tecnologias estão a ganhar maior protagonismo mediante estes acontecimentos? As novas tecnologias têm permitido avançarmos muito na eficácia e eficiência do setor e acreditamos que estes desenvolvimentos nos vão trazer vantagens para o futuro. O exemplo mais claro disso é canal online. Neste período, devido às alterações no quotidiano o consumidor aderiu a práticas de consumo por esta via, decorrendo num crescimento deste canal e provocando uma onda de eficiência e inovação como não se poderia esperar há alguns meses. Por exemplo, de acordo com dados da SIBS, na semana entre 30 de março e 5 de abril houve um aumento significativo das compras online”, nomeadamente em categorias como entretenimento e cultura (+64%) e comércio alimentar & retalho (+45%). Mas os investimentos necessários não são apenas no “software”. As dificuldades de acesso às diversas plataformas, com o aumento de tráfego, mostraram algumas debilidades e foi preciso investir em sistemas mais robustos e fiáveis. Mas se virmos que os gigantes AMAZON ou TESCO tiveram exactamente o mesmo problema, vemos que a questão foi global e que todos temos uma aprendizagem a fazer.

“DE ACORDO COM DADOS DA SIBS, NA SEMANA ENTRE 30 DE MARÇO E 5 DE ABRIL HOUVE UM AUMENTO SIGNIFICATIVO DAS COMPRAS ONLINE...”

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SEMI-REBOQUES

Kässbohrer Aposta em soluções eficientes Os veículos refrigerados K.SRI e K.SRI F da Kässbohrer foram concebidos para fornecer o melhor desempenho em termos de isolamento, especialmente em condições climatéricas com temperaturas elevadas, de modo a corresponder às necessidades dos seus clientes.

O

s veículos refrigerados da Kässbohrer fazem a diferença devido ao isolamento que melhor se adapta às diferenças climáticas e permite um consumo de combustível menor; bem como pela robustez que permite maior vida útil do veículo e melhor Custo Total de Propriedade (TCO). O K.SRI é oferecido com uma altura interna de 2.650 mm e uma largura interna de 2.460 mm. O porta-flores K.SRI F é fornecido com uma altura interna de 2.700 mm e uma largura interna de 2.500 mm para oferecer capacidade de carga máxima. Permitindo uma eficiência operacional assinalável, o veículo refrigerado K.SRI e o porta-flores K.SRI F podem transportar até 33 europaletes. Equipado com plataforma dupla como opção, o K.SRI pode transportar até 66 europaletes em dois níveis. Equipados com divisórias fáceis de usar, os dois veículos permitem o transporte multi-temperatura de diferentes produtos refrigerados. A Kässbohrer cuida das necessidades de transporte de produtos frescos, congelados e farmacêuticos através do semi-reboque com refrigeração, K.SRI. Com a tecnologia de painel sanduíche GRP especialmente seleccionada, o K.SRI permite o transporte em várias temperaturas para manter as mercadorias frescas. Além disso, o valor "K" do veículo oferece forte isolamento em várias zonas de temperatura e optimiza o custo total de propriedade. Em conformidade com as certificações FRC, HACCP e Pharma e projectado de acordo com as necessidades do cliente e as diferentes condições geográficas, o K.SRI oferece benefícios operacionais para os clientes. O chassi do K.SRI C é fabricado em aço S700MC de alta resistência e a estrutura do veículo é resistente à carga de 7200 kg por eixo. Com a tecnologia KTL, o K.SRI tem uma garantia de 10 anos anti-corrosão. Com essa tecnologia, a Kässbohrer oferece uma longa vida útil do veículo e custo total de propriedade optimizado. Para aumentar a robustez do veículo, evitar danos na caixa durante as operações e prolongar a vida útil do veículo, o Kässbohrer Reefer (refrigerado) é fornecido com uma porta traseira robusta e isolada, equipada com um amortecedor de borracha traseiro e borracha de protecção da dobradiça tampões instalados verticalmente na altura total da estrutura traseira. O semi-reboques porta-flores K.SRI F da Kässbohrer está pronto para ser a primeira escolha para o transporte de cargas leves e volumétricas, como flores, produtos delicados, produtos perecíveis e materiais farmacêuticos. Além disso, os porta-flores são fornecidos com portas robustas e isoladas, de largura total com pára-choques de borracha e roletes de borracha, os amortecedores ​​q ue protegem as dobradiças em toda a altura da estrutura trasei r a. A protecção eficaz das dobradiças

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permanece em conformidade com os requisitos alfandegários e protege contra roubo de mercadorias. Outras características desta série são os rails de fixação de carga para garantir maior protecção e estabilidade durante as operações e cumprir com os requisitos da EN 12642 XL para garantir o transporte mais seguro de mercadorias sensíveis. Além disso, o K.SRI F cumpre aos requisitos do certificado FRC para produtos perecíveis e do certificado Pharma para produtos farmacêuticos.


SEMI-REBOQUES

Amplo serviço pós-venda da Kässbohrer A equipa da Kässbohrer está totalmente disponível para oferecer apoio e suporte aos clientes sempre que eles precisarem. As operações de peças de reposição são realizadas de maneira diligente e controlada nas instalações de Ulm e Goch, Alemanha e Lyon (França). A Kässbohrer oferece serviços pós-venda aos seus clien-

tes através das suas 560 localizações em todo o mundo. Para continuar as suas operações, recentemente, a Kässbohrer atualizou seu site com as horas de trabalho em tempo real da sua rede de serviços. A Kässbohrer Roadside Assistance para serviços de emergência, está acessível através de uma linha directa de número único, disponível em 23 idiomas, 27 países, cobrindo 12 000 locais de serviço, está constantemente aberta para ajudar os clientes. A Kässbohrer oferece pacotes de serviços K-Advance Care e programas de garantia ampliada de 2 a 4 anos - sem limites de quilometragem para garantir que os clientes cuidem dos seus investimentos de todas as formas. Esses acordos estão sempre disponíveis para os clientes, caso necessitem deles agora ou no futuro. O K-Finance também está em funcionamento. Com as principais instituições de leasing, a Kässbohrer está a apoiar os seus clientes durante todo o processo de vendas.

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TECNOLOGIAS

Condução autónoma nos veículos pesados Há motivos para os condutores ficarem preocupados?

ROBERTO DE SOUZA *

Muitos veículos já comercializados, especialmente nos segmentos médio-alto, possuem um nível 2 de automação na condução.

Os 5 níveis de automação dos veículos Não podemos falar em tecnologias de automação sem conhecer como a indústria compreende as necessárias interações de muitos agentes que estão envolvidos com o novo paradigma, que são os veículos sem condutores. Porque, como já demos conta, é necessários clarificar o papel do condutor (humano); antecipar cenários relacionados com as politicas e regulamentos legais (o código da

estrada – e dotar o legislador de informação qualificada que permita adaptar o quadro legal onde tais veiculos irão (ou poderão) circular; condições das infraestruturas (estradas, sinais de tráfego, velocidades, intersecções, etc) e, bem assim, o tempo suficiente com o qual todos os demais intervenientes no “processo de condução” são partes igualmente atuantes.

A Responsabilidade Legal, ou a legislação que configure todos os aspetos essenciais da autonomia potencial e possível dos veículos em circulação é um tema crítico. Atualmente, muitos países já estudam normas para regular a evolução tecnológica na indústria automóvel, e o impacto daí resultante. Algumas comunicações do Parlamento Europeu, relacionadas com a Condução Autónoma nos Transportes Europeus, antecipam os vários cenários conducentes à

necessidadede juntar todos os atores do vasto sistema de transportes, que não se esgotam nos construtores automóveis, extendendo-se pelos operadores de telecomunicações, sistemas tecnológicos de geo-referenciação, regulação da mobilidade e tráfego, proteção de dados, agentes de autoridade, seguradoras, e todas as infraestruturas onde circularão e deverão conviver veículos autónomos e veículos não-autónomos.

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TECNOLOGIAS

As tecnologias para a condução autónoma que mitigarão os acidentes rodoviários Os sensores do veículo são, juntamente com as câmaras e o radar, os sistemas fundamentais da condução autónoma. Estudos demonstram que o erro humano contribui para 90% dos acidentes rodoviários, enquanto que os veículos autónomos reduzirão este mesmo índice em 90%, ao mesmo tempo que outros riscos, de cariz tecnológico, são introduzidos numa equação que não sabemos estimar: ∙ Falhas de hardware e software: os sistemas electrónicos são complexos e podem falhar – um sinal de transmissão distorcido ou erro momentâneo – podem resultar em acidentes fatais. É previsível, por isso, que os veículos autónomos também falhem e causem acidentes; a questão que desconhecemos é qual a

dimensão, quando comparada com os condutores humanos. ∙ Hacking: os sistemas electrónicos e sensores dos veículos, porque continuamente conectados a uma rede de comunicações, pode ser alvo de manipulação ou crime. ∙ Incremento das deslocações: ao se promover a conveniência e o conforto dos veículos autónomos poderão ser gerados aumentos significativos das viagens e deslocação, consequentemente a exposição a acidentes rodoviários. ∙ Riscos adicionais aos utilizadores não-motorizados: os veículos autónomos poderão ter dificuldade de interpretar, e tomar as melhores decisões, em contexto de movimentos de pedestres, ciclistas ou outros veículos de duas rodas.

Afinal, quando teremos veículos autónomos e quais os impactos na vida dos condutores profissionais e das empresas de transportes? A indústria caminha a passos largos para adotar os veículos inteligentes. No entanto, os caminhos de futuro estão, em minha opinião, muito distantes. De entre os riscos e os benefícios, entre os prós e contras para a adoção de veículos totalmente autónomos, no caso particular dos camiões parece-me que temos um tempo ainda maior. Fabricantes como a Volvo e a Daimler já iniciaram pilotos-demonstradores com a panóplia tecnológica que, no conjunto, poderão tornar a condução do veículo pesado autónomo. Os defensores da autonomia dos veiculos de transportes anunciam que estes veículos tornarão uma viagem mais segura e o frete mais económico. Um artigo recente do jornal norte-americano “Los Angeles Times” descreveu que mais de 1,7 milhões de condutores profissionais poderão ser ter os seus lugares de trabalho eliminados com a automação do sistema de transportes, já na próxima década. Em Portugal há mais de 18 mil condutores profissionais certificados, refere as estatísticas do IMT. No universo tecnológico que me rodeio, acompanho o aperfeiçoamento de todos os sistemas que mencionei antes, mas também verifico que o estágio para a sua utilização em ambiente real e intensificado carece de muitas, muitíssimas evoluções. As variáveis no contexto de uma condução isenta da intervenção humana está ainda distante de ser simulada em laboratório. Até porque algumas destas dificilmente poderão ser simuladas, sem que o legislador e comunidade sejam envolvidas num debate alargado. Quando um condutor pisa o travão para evitar atropelar um pedestre, está tomando uma decisão moral que transfere o risco do pedestre para as pessoas no carro. Os carros autónomos podem, em breve, ter de fazer tais julgamentos éticos por conta própria - mas estabelecer um código moral universal para os veículos pode ser uma tarefa espinhosa, sugere uma pesquisa com 2,3 milhões de pessoas de todo o mundo. A maior pesquisa já realizada sobre ética em máquinas, publicado em outubro de 2018 na Revista Nature, constata que muitos dos princípios morais que orientam as decisões de um condutor variam de país para país. Por exemplo, em um cenário em que a combinação de pedestres e passageiros morrerá em uma colisão, pessoas de

países relativamente prósperos, com instituições fortes, têm menos probabilidade de poupar um pedestre que entra no trânsito ilegalmente. "As pessoas que pensam em ética das máquinas, fazem crêr que serão criados um conjunto perfeito de regras para os autómatos, e o que demonstramos, com os dados que recolhemos, é que não existem regras universais", refere Iyad Rahwan, do Massachusetts Institute of Technology em Cambridge e coautor do referido estudo. A pesquisa, designada “Moral Machine”, expôs 13 cenários em que a morte de alguém era inevitável. Os entrevistados foram convidados a escolher quem poupar em situações que envolviam uma combinação de variáveis: jovens ou idosos, ricos ou pobres, mais pessoas ou menos pessoas. As pessoas raramente encontram dilemas morais tão severos, e alguns críticos questionam se os cenários apresentados no questionário são relevantes para as questões éticas e práticas que envolvem carros sem condutor. Mas os autores do estudo dizem que os cenários substituem as subtis decisões morais que os motoristas tomam todos os dias. Eles argumentam que as descobertas revelam nuances culturais que governos e fabricantes de carros autónomos devem levar em consideração, se pretenderem que os veículos obtenham aceitação do público em geral. Então, quanto tempo? Os principais fabricantes anunciam que já no final do ano de 2020 alcançarão o nível 4 (automação elevada), apesar de não existir legislação que permita a circulação destes veículos, excepção em algumas (poucas) redes e eixos viários fora dos centros urbanos das cidades, aos quais algumas cidades de alguns poucos países decidiram eleger para testes e ensaios. No caso específico dos veículos pesados, parece-me que a dificuldade para legislar será maior, e a tecnologia a embarcar nos camiões e autocarros dificilmente será totalmente isenta da intervenção do condutor: as condições de circulação de um veículo pesado, as suas manobras e tarefas específicas que são realizadas pelo conjunto “veículo-operador” irão despender mais tempo para a sua adoção, num futuro tão próximo, como alguns otimistas protagonizam.

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TECNOLOGIAS

Conduzir um veículo pesado requer competências e intuição Quem já teve a experiência de conduzir um camião de transportes compreende o desafio por detrás do volante. Poderá um autómato imitar as complexas manobras que os motoristas de camião devem fazer para entrar num porto movimentado, ou fazer uma carga e/ou descarga numa doca de carregamento? A condução em estradas também exige manobras e movimentos decisórios interessantes: áreas obstruídas, passagens estreitas, estradas cortadas, alterações atmosféricas adversas? Quando existe um rebentamento de um pneu, com o veículo em movi-

mento, os condutores são naturalmente capazes de avaliar, intuitivamente, a melhor situação e resposta. Os computadores e as linhas de código – a inteligência artificial – deverão ter todas estas variáveis adequadamente programadas. Haverá um momento em que os sistemas de interface homem-máquina estarão plenamente programadas e com um “stock” de dados de eventos suficientes, e terão “aprendido” a lidar com tantas variáveis, mas isso irá levar algum tempo, muito tempo.

Os veículos pesados autónomos deverão manter um condutor na cabine Tem sido a opinião de especialistas que o nível de automação para veículos pesados ​​terá um descompasso em relação aos ligeiros, e tomará mais tempo. Uma vez que os camiões executam tarefas, manobras e uma condução genericamente, por comparação com os veículos ligeiros,

muitíssimo mais complexa, exigirão a manutenção do condutor, ainda que com menor incidência. A viabilidade comercial de um veículo pesado, num contexto de autonomia integral está longe de ser viável.

Os sistemas avançados de assistência à condução, a antecâmara da autonomia Muito antes de os sistemas robóticos inteligentes assumirem todas as tarefas de condução, a tecnologia e sistemas autónomos já estão a ser incorporados, e tomam a forma de sistemas avançados de assistência à condução. Sistemas que evitam colisões, mantem a rota do veículo ou alertam saídas de faixa de rodagem deverão tornar a condução destes veículos mais segura e eficiente. Por analogia com o papel desempenhado pelos pilotos de aeronaves, em que decide os percursos de “piloto-automático” e percursos em que assume o comando, tipicamente em situações complexas. Para ajudar na gestão das expectativas sobre o futuro que nos aguarda, relativamente aos veículos autónomos, ligeiros e pesados, uma pesquisa conduzida junto da indústria automóvel pela “J.D. Power” refere que os desafios no aperfeiçoamento tecnológico para que os veículos efectivamente autónomos circulem vai tomar mais algum tempo. "Vai demorar mais ou menos uma década para que seja uma opção para os consumidores comprarem um veículo autónomo", refere Kristin Kolodge, no estudo da J.D. Power, publicado em Junho de 2019.

O estudo abrangeu a auscultação dos especialistas da indústria e também dos consumidores. Os resultados são interessantes: • Em geral, os consumidores acreditam que levará mais de uma década para que os veículos autónomos estejam disponíveis no mercado; • Os especialistas do setor preveem que levará pelo menos 12 anos para que veículos totalmente autónomos sejam comercializados a compradores particulares; • Os especialistas da indústria automóvel acreditam que a robótica não estará pronta para uso público generalizado até 2025; • Até 2034, os veículos autónomos representarão apenas 10% de todos os veículos comprados e vendidos, concluem os especialistas auscultados no referido Estudo. Para concluir, as tecnologias existem, e se aprimoram a cada dia. No entanto, parece-me que, no caso particular dos veículos pesados, a presença plena da autonomia ainda levará alguns anos para atingir a sua maturidade e substituir em pleno o actual parque automóvel circulante.

*CFO | Head of Business Strategy & Development Cardio ID Technologies

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Agora de série* no novo Actros: o Active Brake Assist 5. Uns falam, outros passam à ação. O novo Actros. Mais informações em www.mercedes-benz-trucks.com *Equipamento de série para veículos para os quais é legalmente exigido um assistente de travagem de emergência.

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REVISTA PESADOS&MERCADORIAS 17  

ABRIL/MAIO 2020 • Mercedes Vito em constante evolução • Volkswagen Caddy na linha da frente • Distribuição em tempo de crise • Parts Special...

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