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Amor, eterno amor

Terminar namoro via internet ou SMS, lavar ‘roupa suja’ em rede social, promover casamentos que se transformam em megaproduções e terminam no dia seguinte já não são novidade na sociedade atual. Será que a correria dos dias modernos, a ausência de diálogo e de compromisso tornaram o ato de “amar” uma meta difícil demais, e brindar o amor virou atitude reservada apenas aos dias de namorados e datas comerciais? Ou aquele sentimento duradouro, perene, maduro e forte capaz de unir duas pessoas ainda perdura? Neste mês dos namorados, fomos conversar com pessoas que vivem o amor, que já viveram o amor, e especialistas em comportamento humano, que podem ajudar a cultivar e fazer crescer de forma saudável esse sentimento. “As pessoas mudam, mas a essência permanece. Nunca se esqueça da pessoa por quem você se apaixonou. Aos 60 anos, ela não terá mais o mesmo rosto, nem a mesma disposição, mas se você realmente a ama, irá olhar para ela e ver aquela menina por quem se apaixonou, as sua ideias, a sua força, os seus sonhos”. A declaração é do engenheiro Eduardo Augusto de Oliveira, 39 anos, casado há dois anos. Para ele, o amor é um sentimento construído em etapas, como degraus de um relacionamento onde o namoro

Especialista em Psicologia Clínica, Adriana Cândido da Silva, da Clínica Livon, em Joinville, fala sobre alguns desafios da vida a dois. Como manter o romantismo, a paixão e o encanto mesmo após décadas de relacionamento são perguntas cujas respostas boa parte dos apaixonados gostaria de conhecer. Confira:

é apenas o primeiro passo, uma espécie de fase preparatória. “Se neste momento você sentir que está no caminho certo, siga em frente rumo ao casamento, mas consciente de que há ainda um longo caminho a percorrer, um caminho diário, um exercício contínuo”, afirma. E é este exercício diário que acaba atormentando muitos casais. Pequenos desentendimentos que se transformam em brigas, que se transformam em mágoas, que se transformam em distanciamento são capazes de minar a relação. Então, como evita-los? Selma da Costa, 91 anos, viúva há três anos, viveu um casamento que durou mais de seis décadas e, segundo ela, deixou boas recordações. Hoje, revela que seu segredo foi nunca discutir por “bobagens”, por coisas do dia a dia. “Espere um pouco, saia de perto, deixe aquele sentimento de revolta passar. Você verá que após alguns minutos, tudo fica menor, aí poderá conversar”, completa. Segundo ela, a vida é muito curta, e não vale a pena perder tempo brigando, principalmente quando você sabe do seu amor pela outra pessoa e tem certeza que dentro em breve estará junto dela outra vez. “Então, para que brigar, se ofender, ficar de mal?”, questiona, ensinando que o tempo é o melhor ajudante dos apaixonados.

Após o casamento, muitos casais deixam o romantismo morrer e a rotina tomar conta da vida a dois. O que é importante cuidar na relação para mantê-la com encanto e romantismo ao longo dos anos? Adriana: É fundamental sempre resgatar o “namoro” dentro do casamento, isto é, não abandonar certas práticas que antes eram feitas na fase da conquista, como um presente fora de hora, uma ligação ou mensagem no meio da tarde, um cinema durante a semana ou um jantar especial. Com o passar o tempo, os casais vão direcionando suas energias, que antes eram investidas no parceiro, para o trabalho ou outras atividades, e isto vai fazendo com que o casal se distancie, e que cada um começe a investir sua energia psíquica em coisas particulares, perdendo o “nós” e investindo no “eu”. Além disso, é importante que o casal sempre tenha metas e objetivos em comum, pois assim facilita que invistam juntos em coisas comuns a ambos, provocando uma aproximação.

O mesmo, citado acima, também pode-se dizer da vida sexual no casamento. Casais com 20, 30 anos de relacionamento reclamam já não ter mais interesse em manter relações sexuais com seu parceiro. Como manter a chama da paixão sempre acesa? Adriana: É importante que a questão sexual não seja um tabu para o casal, isto é, que o diálogo sobre esse assunto esteja sempre aberto para que o parceiro saiba o que de fato agrada o outro ou não na hora do sexo. Quando não há comunicação ou quando esse assunto é evitado, muitas vezes o parceiro faz algo pressupondo que o outro

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Bem estar edicao 60 issu  

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