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MOBILIÁRIO URBANO

NOVAS ABORDAGENS PARA O ESPAÇO PÚBLICO CONTEMPORÂNEO TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO ESCOLA DA CIDADE 2012

Aluna: Isabel Villares Law Orientadora: Isabel Abascal


Ilustração da capa: Cidade Para as Pessoas - Juliana Russo


ÍNDICE

INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 8 | 1 | fragmentação x integração ....................................................................................... 10 | 2 | individual x coletivo ................................................................................................. 16 | 3 | microescala x macroescala ....................................................................................... 24 | 4 | objeto x contexto ..................................................................................................... 30 | 5 | o projeto ................................................................................................................. 40 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................ 80 BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................. 82


“Por mobiliário urbano se entende todo o conjunto de elementos relativos ao equipamento dos espaços e vias públicas, e portanto é um tema que apresenta uma forte dimensão visual que se identifica com a imagem da paisagem urbana. Pode ser conceituado ainda como equipamento de uso e utilidade pública localizado em logradouro e áreas públicas em geral, destinado a funções diversas de intteresse da coletividade, proporcionando maior funcionalidade e qualificação dos espaços e do ambiente urbano. A importância do mobiliário urbano se prende principalmente ao número e localização de cada um de seus elementos, tema que sem dúvida, não é analisado com suficiente seriedade, na nossa cidade, e os elementos são localizados de maneira desintegrada do contexto urbano. A presença do mobiliário urbano não pode ser tratada como elementos isolados, que se localizam onde existe sua necessidade, mas sim como um sistema integrado que não pode ser dissociado do tratamento que se dá à utilização dos espaços públicos.”

Comissão de estudos do Mobiliário Urbano da Câmara Municipal de São Paulo - Junho de 2002


INTRODUÇÃO O processo de escolha de um objeto de pesquisa trás inúmeros questionamentos sobre como devemos encarar os desafios que são colocados pelo nosso tempo. Ao longo da formação do arquiteto muitas vezes nos deparamos com a enorme responsabilidade que envolve a concepção de um projeto, seja ele na escala macro, planejando cidades inteiras, ou desenhando uma simples cadeira. Todo processo de pesquisa gera um enorme envolvimento com questões ainda maiores que quase sempre extrapolam o universo da arquitetura, porém é inevitável que não as levemos em consideração em maior ou menor proporção. Desde o início do desenvolvimento do trabalho ficou bastante visível que ao colocar em questão o projeto do mobiliário urbano, estaria necessariamente entrando em um universo muito mais amplo de questões que envolvem projetar o espaço público. Porém, logo de cara foi preciso entender a importância de saber direcionar as pesquisas acerca de um tema tão amplo para que o trabalho não perdesse de vista seu objetivo final. Sendo assim, na medida em que foram surgindo a partir das leituras as diversas manei-

ras de abordar o assunto ficou bastante claro que este projeto se desenvolveria trazendo mutuamente questões bastante específicas da análise na escala dos objetos que mobíliam a cidade e questões mais complexas relativas às diversas teorias e estratégias para se pensar o espaço público urbano. Da mesma maneira como iniciar uma análise sobre um assunto já traz em si premissas de projeto, o desenvolvimento do trabalho faz uma ponte entre questionamentos teóricos e propostas práticas, tentando ao máximo se aproximar de uma metodologia de projeto que esteja apta a atender necessidades reais da cidade. Acredito que o papel do arquiteto é justamente ter a sensibilidade de trazer abordagens que combinem o seu conhecimento técnico e teórico para assuntos cotidianos, gerando novas estratégias para trabalhar com um campo cada vez mais complexo e diverso que são as cidades contemporâneas. Alguns questionamentos iniciais lideraram o rumo das pesquisas e a estruturação do trabalho em torno da questão das relações humanas no espaço público. A cidade que vivemos se demonstra cada vez mais fragmentada espacialmente, seja na


tecidos urbanos de cidades ao redor do mundo

no próprio tecido urbano e de diversas maneiras esta fragmentação gera uma forte influência nas relações humanas. Talvez pelo fato de estarmos cada vez mais conectados por um mundo virtual, se vê uma grande perda da interatividade nos espaços da cidade real. Analisando esta questão iniciou-se uma pesquisa sobre como os objetos urbanos inseridos nas calçadas e nos espaços públicos da cidade teriam um importante papel em serem repensados contribuindo para uma maior harmonia com o espaço físico e social, inserindo-se de maneira a compor relações com a paisagem da cidade e reaproximar as diversas possibilidades de uso do espaço público e gerando oportunidades para projetos de microurbanismo que tornariam a cidade mais fluída e aberta para a participação de todos na transformação do seu habitat.


1 | “A cidade é algo essencialmente não definitivo; não pode ser analisada como um fenômeno pronto e acabado, pois as formas que a cidade assume ganham dinamismo ao longo do processo histórico. A cidade tem uma história.” A importância da maneira como são organizados os objetos do mobiliário urbano nas calçadas e espaços livres da cidade é uma questão que acompanha o processo de metropolização da cidade, ou seja, da necessidade moderna de trazer serviços e informações rápidas ao cidadão que passa a circular pela cidade com maior intensidade, criando novas interfaces com os elementos no espaço público. O mobiliário urbano sempre esteve presente nas cidades como uma complementação do processo urbanização e alguns desses elementos remanescentes hoje nos passam informações sobre aspectos característicos da cidade ou de determinada época. O entendimento de como o mobiliário urbano foi desenhado, implantado e alterado no espaço urbano ao longo da transformação das cidades pode contribuir para que estes objetos sejam tratados no contexto da paisagem urbana, considerando aspectos formais, históricos e culturais e tornando-se uma referência visual. A partir do final do século XIX a cidade começou a sentir a necessidade de adotar posturas mais rígidas em relação à organização funcional da paisagem urbana, pois até então não haviam

regras ou legislações claras e de fato respeitadas pela população. Com o imenso salto populacional que a cidade sofreu entre 1890 e 1930 de 65.000 para 900.000 habitantes, iniciou-se um intenso processo de urbanização para abrigar todo este contingente populacional e ao mesmo tempo reformular o caráter do tecido urbano constituído essencialmente de chácaras e loteamentos dispersos. Iniciam-se então as grandes obras de infra-estrutura que transformam a paisagem das ruas e calçadas, redefinindo os limites entre os pedestres e automóveis e reconfigurando os antigos largos e várzeas. O mobiliário do século XIX é concebido em uma época em que o tempo de observação e contemplação dos monumentos pela população ressaltava sua importância como elementos de animação do espaço público. Até as primeiras décadas do século XX, o mobiliário possuía um caráter decorativo e um apelo estético elevado, já que se tratava de um objeto que deveria simbolizar a “modernidade” daquele período decorando a cidade, embelezando-a e servindo aos propósitos elitistas da classe dominante de então. Houve um período, durante o momento de


— Kevin Lynch em “A imagem da cidade”

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Mobiliário urbano histórico de São Paulo (1) projeto para um carrinho de ambulante e (2) modelo de cadeira de engraxate da empresa inglesa Morris N. Kohn, de 1890. (3) desenho ilustrativo da primeira linha de tramways, da The São Paulo Railway, Light and Power Co. Ltd. por volta de 1900. (4) relógio, (5) banca e (6) quiosque na Pça. Antônio Prado são exemplares do mobiliário do início do séc. XX preservados até hoje. (7) Luminárias da década de 30 preservadas no triângulo histórico.

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maior prosperidade da economia cafeeira, em que a preocupação estética com a ordenação paisagística era um dos principais fatores considerados nos planos de readequação dos espaços públicos da cidade. No entanto, percebia-se um certo distanciamento entre as preferências estéticas de inspiração européia adotadas pelos urbanistas de então no desenho do espaço público e a autêntica maneira de apropriação popular das ruas e calçadas, que definia lugares de encontro efêmero, mas que criavam no imaginário coletivo pontos importantes para o espetáculo da vida cotidiana. Cria-se então um certo distanciamento do que seria a memória da formação desta paisagem cultural em relação a forma que é dada à cidade tomada pelo lema do progresso a qualquer custo. Por outro lado, o status de metrópole trás para a cidade um outro perfil de usuário, os intelectuais e bohêmios que traziam intensa atividade para a vida noturna da do centro da cidade, transformando o caráter essencialmente provinciano que a cidade levava até então. Neste período, a partir da década de 20 a cidade viu florescer um momento de intensa atividade cultural, de afirmação da cultura brasileira

perante os standards internacionais, trazendo consigo grande vitalidade para as ruas do centro com o surgimento de importantes equipamentos culturais e espaços de lazer que movimentaram a vida noturna do centro da cidade, tendo seu auge nas décadas de 40 e 50. Porém os padrões de consumo mudaram rapidamente e os costumes foram cada vez mais se moldando em uma lógica separatista entre os espaços públicos e privados e acabaram por criar limitações e distâncias cada vez maiores nas relações estabelecidas no espaço público. A partir da década de 70 a cidade aparentemente perde o controle de si mesma e o poder público não consegue manter minimamente a qualidade espacial que a cidade tinha até então. Ocorre um intenso processo de privatização das obras de infra-estrura urbana e isso reflete em uma perda da proximidade com a população nas discussões de interesse coletivo. A partir daí se vê intensificar a recusa ao espaço público e a perda da memória coletiva do meio urbano. Nas décadas que se seguiram, o mobiliário urbano passou a ser muito mais que um elemento de decoração e começou a ser visto como um


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Transformações na paisagem e no cotidiano da cidade (1) década de 20: paisagismo de inspiração européia, a exemplo da arquitetura e do urbanismo de então. (2) década de 30: vida noturna intensa nas ruas do centro em uma época memorável pela fervilhação cultural e artística acessível à todos. (3) década de 40: do antigo belvedere do trianon é possível comtemplar o início do processo de verticalização da paisagem da cidade. (4) funcionários da Light fazem manutenção nos postes de luz na década de 30. (5) biblioteca circulante em 1937, projeto de Mário de Andrade enquanto diretor do Departamento de Cultura de São Paulo. (6) vendedor ambulante de frutas na Ladeira Porto Geral, década de 40, foto de Hildegard Rosenthal.

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elemento integrador e funcional. O surgimento de novas tecnologias de fabricação e novos materiais ao longo dos anos contribuiu muito com o desenvolvimento do desenho desses objetos. Inicialmente com o surgimento do ferro e a aplicação do concreto armado, depois com o uso do o alumínio, aço e o plástico. Esses materiais permitiram maior variedade de formas e estruturas. A demanda por mobiliário urbano nas cidades contemporâneas é, muitas vezes, excessiva, e a implantação desses elementos deve ser cuidadosamente analisada considerando a real utilidade dos objetos. Do contrário, pode-se comprometer o conforto e a funcionalidade dos espaços públicos pela implantação de mobiliário urbano que não é utilizado pelas pessoas.

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Saturação e modernização dos serviços da cidade (1) vendedores ambulantes nos calçadões do centro em 1955. (2) parada de bonde na Av. São João em 1963, cinco anos antes da desativação de todas as linhas da cidade. (3) extinção dos bondes e domínio do ônibus, final da década de 60. (4) fila para pegar o ônibus, imagem de Cristiano Mascaro, 1974. (5) mobiliário urbano da Av. Paulista nos anos 70, projeto dos arquite-


2 | “O urbanismo contemporâneo na sua vertente democrática aponta como boa prática não só o princípio da inclusão como também o da gestão compartilhada dos espaços públicos. A cidade capitalista é em essência excludente.” Historicamente as cidades sempre foram lugares onde a troca de bens e idéias entre seus cidadãos trouxe consigo o desenvolvimento da cultura, do comércio e da riqueza. Nesse sentido, os espaços públicos e livres tiveram um papel fundamental em definir as redes sociais. Praças, parques e ruas são um ponto de encontro, lugares onde a vida cotidiana acontece e onde as comemorações são celebradas. Também são parte de uma paisagem cultural, um símbolo do desenvolvimento, uma evidência da vitalidade de uma sociedade ou então um sinal alarmante da sua decadência. Mais do que qualquer outro indicador, os espaços públicos revelam o estado de saúde da sua cidade. Tendo em vista como esses espaços serão futuramente, na perspectiva de uma sociedade contemporânea cada vez mais fechada em espaços privados e se relacionando por meios virtuais é necessário redefinir a maneira como será tratado o espaço público e trazer novas funções e abordagens tendo em mente esta nova realidade. Dentro deste extenso universo de atuação chamado espaço público se vêem latentes inúmeras crises e desafios a serem discutidos dentro do campo

da arquitetura e do urbanismo. Basta sair caminhando pela cidade – o que já se tornou uma atividade bastante rara, dada a visível preferência do paulistano pelo transporte motorizado – para se deparar com praças desertas, calçadas mal-cuidadas, mobiliários urbanos degradados. Este é um cenário bastante comum na cidade, tão comum a ponto de parecer que as pessoas até se acostumaram, pois não se vê quase nenhuma mobilização ou tentativa de reivindicar melhorias para os espaços públicos da cidade. Não por acaso, é comum ouvirmos de quem visita a cidade pela primeira vez que São Paulo é a cidade do trabalho, da correria, da confusão. Uma cidade que se destrói e reconstrói com imensa facilidade, aonde prevalecem os interesses do grande capital, da geração de renda e degeneração da vida em comunidade. São Paulo é uma cidade global e seus bairros e praças pagam um preço alto por isso, pois os diversos planos e ciclos de crescimento da cidade só souberam atropelar as pré existências e ignorar importância dos espaços de convivência. O automóvel teve seu lugar de destaque e em pouquíssimas décadas transformou profundamente


— Nadia Somekh em “Caminhos para o Centro: estratégias de desenvolvimento para a região central de São Paulo”

Antes e depois: grandes obras rodoviárias e o domínio do transporte motorizado (1) Av. São João (2) Av. Tiradentes (3) Parque Dom Pedro II

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a relação das pessoas com a cidade, a ponto delas muitas vezes esquecerem que elas mesmas são pedestres e que também precisam dar valor às redes de mobilidade alternativas que não sejam sobre quatro rodas. São Paulo é hoje a maior metrópole da América Latina, não por acaso, pois teve na sua história momentos de altíssima prosperidade, se solidificando como um enorme pólo de investimentos – mesmo que o Poder Público em muitas ocasiões tenha se omitido em direcionar de maneira justa e equilibrada toda essa riqueza para os seus cidadãos. Ocorre que o momento que vivemos hoje tendo atingido tamanha importância dentre as cidades globais explicita um enorme paradoxo quanto a verdadeira motivação do ser humano em viver em comunidade, ou melhor, da formação de uma sociedade em tal nível de complexidade a ponto de perder o controle da sua expansão sobre o território. Uma metrópole do tamanho de São Paulo acaba por gerar conflitos sociais tão amplos que o distanciamento físico e econômico característicos da cidade refletem uma postura talvez herdada da própria formação da sociedade brasileira em deixar bem claros os limites

entre o público e o privado. A cidade responde a essa rejeição recíproca entre as classes sociais e o poder público, exibindo uma paisagem fragmentada e desorganizada: espaços privados fortemente defendidos e espaços públicos abandonados e deteriorados. Por essas e outras razões percebemos o quanto o espaço de uso coletivo acaba perdendo força dentro das prioridades de investimentos, refletindo na falta de qualidade espacial da cidade, uma vez que as fronteiras cada vez mais definidas entre os espaços públicos e privados acabam por transformar as nossas praças em “terra de ninguém” e geram um distanciamento das pessoas por muitas vezes optarem por equipamentos de lazer privados. É muito evidente a maneira como muitos condomínios de apartamentos reservam uma área enorme para atividades de lazer exclusiva para os moradores os quais muitas vezes sequer têm tempo para usufruíla. Se pararmos para calcular a metragem total desses espaços ficaríamos em choque com a quantidade de área “desperdiçada”, cercada e vigiada constantemente, que poderia ser revertida em espaços verdes e públicos para a cidade.


Cidade dos muros: Os espaços privados se mostram cada vez mais intimidantes e excludentes enquanto muitas praças se vêem vazias e mal cuidadas - seja nos bairros mais periféricos, nos bairros nobres ou no centro da cidade.


A preferência por espaços de lazer e consumo fechados, como os shopping centers, leva o cidadão a gradativamente e inconscientemente ir perdendo a sua sensibilidade aos diversos estímulos que fazem parte de caminhar a céu aberto, ao mesmo tempo criando preconceitos e uma predisposição a rejeitar programas ao ar livre. Os shopping centers são como caixas hermeticamente fechadas aonde não se respira ar puro, não se sente cheiros e aonde há um excessivo apelo ao consumo diante de vitrines ofuscantes que disputam o olhar dos transeuntes. Todavia é compreensível que haja preferência por circular em um lugar mais seguro e confortável do que a rua em diversos sentidos, afinal de contas é realmente lastimável o estado em que se encontram muitos dos nossos espaços públicos. No entanto, os espaços de lazer privados são uma opção que não está ao alcance da maioria e na verdade deveriam ser uma alternativa àqueles que talvez achem mais prático e tenham condições de pagar mais caro por toda essa comodidade. Esta preferência é na verdade um reflexo da falta de alternativas que possam tornar os espaços públicos

Ou seja, faltam espaços mais democráticos: livres, compartilhados, gratuitos. Para estimular a cidade a se tornar mais democrática é preciso dissolver as barreiras físicas e sociais que geram situações intimidantes, que incentivam a população a se fechar em guetos, acentuando a segregação espacial, mesmo nas áreas centrais aonde a cidade deveria ser mais homogênea. A atual situação de esvaziamento econômico e descaracterização do centro por conta de imensas obras viárias que priorizaram o transporte motorizado é mais uma demonstração de uma atitude individualista que existe em relação ao acesso democrático à espaços urbanos de qualidade. Criar estratégias que subvertam os conflitos descritos acima em torno do espaço público significa trabalhar com possibilidades de reciclagem de usos que estejam sincronizados com as necessidades do cotidiano do cidadão. Acima de tudo, é preciso estar atento à intervenções pontuais e precisas que tragam consigo a capacidade de transformação do seu entorno imediato, utilizando-se do conceito de “acupuntura urbana”, no sentido em que estamos lidando com uma cidade com estado de saúde crítico


e os sintomas maiores dizem respeito à um longo processo de degeneração causado pela falta de uma maior generosidade não só por parte do Poder Público mas por todas as partes que compõe a população em tomar atitudes para o bem comum e ter uma postura mais responsável em relação à própria cidade. Suscitar esse sentimento de pertencimento nos cidadãos envolve resgatar valores, identidades e características marcantes dos recintos urbanos preciosos para a reestruturação dos espaços livres. Providenciar espaço para o encontro e para as relações de convivência demanda uma reinterpretação para superar estigmas criados pelo histórico de degradação e vandalismo. Nesse sentido, é preciso combater a tendência à cidade genérica e globalizada por meio da construção do lugar, ou seja, criar referências para o imaginário coletivo que possam servir como uma estratégia para resgatar laços afetivos e vínculos duradouros para que o cidadão passe a perceber que é também do seu interesse agir em coletividade e zelar pelos espaços públicos.

Parques municipais: 56 Shopping centers: 73 (fonte: Infocidade Prefeitura de São Paulo - 2008)


Análise do microcosmo da paisagem urbana

casos interessantes de microurbanismo e reciclagem de usos em São Paulo

cinema ao ar livre no minhocão

feira da madrugada no brás

projeto bicicloteca itinerante

aulas de tai chi chuan no trianon


projeto street pianos

praรงa victor civita

virada cultural

circo no beco do projeto aprendiz


3 | “Na calçada realiza-se o universal, o encontro do outro, do diferente cujo ser dá sentido à democracia, por isso mesmo nosso desafio cotidiano.”

Talvez por falta de intervenções por parte do Poder Público que estejam mais atentas às sutilezas das ações na micro-escala, a própria cidade se encarrega de inventar soluções e apropriações improvisadas que supram a falta de alternativas para se habitar os espaços públicos. Em alguns casos fica evidente que de fato não existem políticas de valorização do espaço público por meio de equipamentos de qualidade, muito pelo contrário, o que se vê é justamente a negação das questões que envolvem o tema. É muito provável que ainda persista a mentalidade de que colocar bancos em praças é um atrativo para moradores de rua, que banheiros públicos só incentivariam o aumento da população de mendicantes e que o comércio ambulante deveria ser simplesmente eliminado das calçadas. No entanto, esta mentalidade não passa de mais um sintoma claro de que há uma tendência em ignorar o assunto e perpetuar atitudes que geram certos preconceitos dos cidadãos em relação à própria cidade e de uma maneira ou de outra a cidade tende a responder se tornando mais agressiva e intolerante, formando um ciclo que vem se sedimentando à décadas, sem propostas reais e novas

formas de encarar o assunto. Por que não pensar diferente? Por que não acreditar que o cidadão paulistano é sim capaz de transformar seu olhar sobre a cidade que vive e começar a tomar atitudes mais generosas com o espaço público? Com certeza ninguém gosta de caminhar por calçadas com sacos de lixo revirados, de esperar o ônibus debaixo de chuva, de sentir medo ao passar por uma rua escura. Projetar o mobiliário urbano envolve uma série de níveis de atuação que podem iniciar com a própria reorganização e unificação dos elementos básicos que constituem as necessidades primordiais da cidade até pensar numa possível expansão das funções que os elementos colocados no espaço urbano poderiam ter. Acima de tudo, projetar o mobiliário urbano é trabalhar diretamente na escala do usuário, portanto é extremamente necessário que se leve em consideração à dimensão corpórea do individuo, analisando o modo de vida contemporâneo e dando respostas que humanizem a cidade e contribuam na formação da cidadania e da democratização do espaço. Entender a pequena escala daqueles que


— Eduardo Yázigi em “O Mundo das Calçadas”

rua santa ifigênia à noite

sacos de lixo revirados próximos ao Parque da Luz

rua 25 de março à noite


habitam a cidade cotidiana é fundamental para pensar espaços suficientemente flexíveis que possam ser manipulados por seus usuários e assumam a temporalidade, a singularidade e a dinâmica como premissas de projeto. Buscar nas ações que surgem de forma espontânea pela cidade maneiras de trazer novas concepções para o mobiliário urbano é uma estratégia para propor novas ferramentas capazes de lidar com a nossa realidade. É importante identificar os pontos de contato que resistem à desertificação de espaços coletivos de qualidade, como circuitos de resistência que organizam microambientes na cidade, acentuando as especificidades de cada parte. A microarquitetura em muitos casos têm a capacidade de se sobrepor à estruturas modernas monofuncionais anexando a elas as complexidades capazes de aproximar e humanizar as relações pessoais. A transformação do entorno imediato através de um elemento referencial estético e funcional, cuja finalidade também é a interação social, tem um grande impacto não só enquanto objeto físico, mas também como espaço coletivo. Se encararmos a cidade real como a soma de

decisões políticas, projetos e vontades coletivas e pessoais veremos que nela existe enorme potencial para reorganização, rearticulação e resignificação, por isso é crucial identificar novos campos de abertura e capacidade para receber novos objetos que estimulem relações e tragam novas virtudes para a transformação do lugar.

Wendy Macnaughton - San Francisco Neighborhoods, 2010 A cidade de São Francisco (EUA) no imaginário da ilustradora


Usos improvisados e aproprições espontâneas do espaço público


4 | “Elementos da cidade dispostos de maneira a exercer um impacto emocional sobre as pessoas: contrastes e diferenças estimulam a percepção humana e dão um sentido mais profundo para o meio urbano.” Observadas as virtudes desejadas para as relações que se imagina incentivar com a inserção de novos elementos no espaço público, vem a tona a questão de pensar quais são as valores que se quer trazer para o desenho desses objetos. A partir destes questionamentos iniciou-se uma série de recorridos pelas ruas e espaços públicos com o intuito de registrar quais são os elementos, suas relações com o espaço e com as pessoas a fim de obter na cidade real respostas mais claras sobre como encarar o projeto do mobiliário urbano. A princípio a pesquisa iniciou-se com uma análise diretamente em torno do próprio objeto, identificando os principais conflitos que envolvem os diversos elementos e posteriormente a pesquisa foi em busca de definir campos de atuação que pudessem ser suporte para a implantação como exemplos-chave para elucidar de que maneiras projeto do mobiliário teria então a capacidade de trazer melhorias para o seu entorno. A análise dos objetos está diretamente associada à uma análise dos diversos usos e funções em torno do espaço público. É interessante observar que o modo de vida contemporâneo traz uma

diversificação das atividades realizadas no espaço publico, uma vez que as dinâmicas da cidade fazem com que as pessoas realizem tarefas múltiplas ao longo do dia. Isso demonstra que existe um enorme potencial em criar suportes flexíveis para essas atividades efêmeras. O espaço público tem a virtude de poder abrigar uma variedade enorme de acontecimentos simultâneos e criar elementos que incentivem esses usos seria uma estratégia para criar maiores vínculos com o espaços de uso coletivo para que ele não seja somente lugar de passagem. Além disso, é interessante trazer para o espaço público programas que tragam segurança e estimulem a multifuncionalidade como uma tática para gradativamente subverter o mau uso e o vandalismo com os objetos que mobíliam o espaço público, como as lixeiras, telefones públicos, bancos, postes de iluminação, entre outros. Porém, os principais conflitos observados em torno das questões de insegurança, falta de manutenção e limpeza muitas vezes vão além da capacidade de intervenção ou projetos específicos do mobiliário e dependem muito de uma melhor articulação entre os diversos agentes e empresas


— Gordon Cullen em “Paisagem Urbana”

Praça Metrô Armênia

Parque da Luz

Alto de Pinheiros

Av. Paulista

Pacaembu

Jardins

Av. Rebouças

Bom Retiro


responsáveis pela zeladoria urbana: como a coleta de lixo, varrição e manutenção das calçadas, etc. A partir da observação dos diferentes fatores que influenciam na dinâmica dos espaços públicos foi constatado que seria interessante para o trabalho focar na diversificação das atividades de troca e convivência no espaço publico a fim de abranger os múltiplos grupos sociais e perfis de usuários como uma maneira de trazer uma maior pluralidade para o projeto do mobiliário urbano, ao mesmo tempo unificando-o esteticamente ao tomar como partido um sistema construtivo modular que tenha a virtude de se adaptar com agilidade às diferentes situações urbanas. Pensar estes elementos na escala da microarquitetura seria uma maneira de propor uma melhor adaptação à escala das calçadas e praças para que estes não se tornem barreiras ou obstáculos para os pedestres, como acontece hoje em muitos dos casos analisados. A maneira desordenada como estes equipamentos são dispostos hoje é o resultado, mais uma vez, de decisões individuais das entidades privadas (empresas de serviços de táxi, concessionárias de transporte público, donos de bancas de jor-

nal) e pela falta de interface com o Poder Público, ocupando o meio urbano sem nenhuma diretriz de unificação da linguagem destes objetos.

O programa zeladores de praça da Prefeitura de São Paulo é uma iniciativa de capacitar a população para a contribuição coletiva na manutencão dos espaços públicos da cidade.


exemplos de casos em que o mobiliário urbano se torna um obstáculo fisíco ou visual na paisagem.


Análise dos principais conflitos existentes em relação aos três elementos de microarquitetura mais freqüentes na paisagem da cidade: bancas de jornal, abrigos de ônibus e pontos de taxi

SUPERDIMENSIONAMENTO bancas com dimensões exageradas acabam estrangulando a circulação de pedestres em calçadas estreitas ou atrapalhando a visão do motorista quando implantadas muito próximas às esquinas.


FALTA DE UNIDADE VISUAL algumas empresas fabricantes de mobiliário urbano oferecem os mesmos modelos porém estes não têm nenhuma unidade visual, contribuindo para a falta de identidade e poluicão da paisagem urbana.


DESCONFORTO muitos abrigos de ônibus e pontos de taxi não têm o mínimo de conforto, como um lugar para as pessoas sentarem enquanto esperam.

FALTA DE RELAÇÃO COM O ENTORNO muitas bancas de jornal, quando implantadas em praças, acabam priorizando a frente para a calçada e dando as costas para o espaço da praça, criando um “empena cega” para o espaço público.


O Decreto Nº 45.904, de 19 de maio de 2005 traz um conjunto de itens que demonstram os quais t ser os cuidados com a implantação do mobiliário urbano na cidade de São Paulo: Capítulo VIII, seção II, artigo 52 “Os mobiliários urbanos dentro da via pública, serão instalados respeitando as seguintes condições, de acordo com o Anexo III integrante deste decreto”: I - preservação da visibilidade entre motoristas e pedestres. II - nenhum mobiliário deverá ser instalado nas esquinas, exceto sinalização viária, placas com nomes de logradouros, postes de fiação e hidrantes. III - deverão ser instalados em locais em que não intervenham na travessia de pedestres] IV - os equipamentos de pequeno porte, como telefones públicos, caixas de correio e lixeiras deverão ser instalados à distância mínima de 5m (cinco metros) do bordo do alinhamento da via transversal. V - “os equipamentos de grande porte, tais como abrigos de ônibus, bancas de jornal e quiosques deverão ser implantados à, no mínimo, 15m (quinze metros) de distância do bordo do alinhamento da via transversal”.


As empresas envolvidas com a produção destes mobiliários, por serem voltadas à venda de espaços publicitários, desenvolveram os mesmos com o intuito de obter planos visíveis tanto para os usuários destes objetos como para os transeuntes. Estes planos são utilizados para divulgação dos produtos dos seus clientes e, por isso mesmo, os modelos desenvolvidos freqüentemente apresentam a mesma configuração, baseada na organização destes planos. Muitas vezes, pela própria rigidez do desenho e pelas próprias necessidades, este mobiliário é instalado de maneira a desconsiderar seu contexto urbano. Este processo se repete por todos os cantos da cidade, não importa se estamos falando de bairros centrais ou periféricos, de baixa ou alta renda, de uso misto ou exclusivo, na maioria dos padrões urbanísticos de São Paulo a questão do mobiliário urbano deixa a desejar em diversos aspectos. Por toda a cidade se encontra uma grande quantidade de mobiliário com soluções construtivas diversificadas, improvisos, variações na utilização dos materiais, cores, estruturas e se constata uma enorme ausência de critério na implantação em relação ao

espaço público. Essas alterações acontecem por que a decisão de como implantar estes equipamentos foi tomada pelos próprios proprietários que não recebem qualquer orientação das entidades públicas neste sentido. Quando estes objetos têm aparências despadronizadas a paisagem urbana se torna mais fragmentada e isso dificulta a identificação das funções e a organização do conjunto de elementos. Foi observado que estes elementos acabam por gerar conflitos paradoxais com o espaço urbano uma vez que, quando implantados na calçada são muitas vezes colocados como obstáculos e tem dimensões exageradas e, contraditoriamente, quando implantados em praças e espaços mais amplos, geram pouquíssimas relações com o entorno por privilegiarem só uma frente de interação com os pedestres e muitas vezes darem as costas à outros importantes elementos da paisagem. Outro grande conflito observado foi em relação ao desrespeito às normas de ocupação das calçadas e à falta de integração com os demais elementos do universo do mobiliário urbano, criando empecilhos à circulação de pedestres e contribuindo para a poluição visual da cidade.


Diagramas de relações humanas e espaciais

fechado x aberto

reunir x dispersar

distante x perto abrir-se x fechar-se

rápido x lento

convidar x afastar em pisos x em nível

de costas x de frente Imagens retiradas do livro Life Between Buildings, de Jan Gehl.

integrar x segregar


5 | “Depois de muitos anos de domínio da racionalidade (...) acontece uma nova demanda por espaços urbanos de qualidade, mais íntimos, mais próximos e vivos.”

O projeto de um novo modelo de mobiliário urbano para a cidade de São Paulo é o resultado de uma extensa análise realizada ao longo do ano sobre os principais conflitos e carências que hoje refletem na falta de qualidade urbana da cidade. Esta análise percorre diferentes escalas a partir do momento em que leva em consideração não só uma necessária reformulação dos elementos que compõem o espaço urbano como também das atividades que giram em torno dos mesmos. As funções urbanas devem estar próximas da escala do ser humano e para isso é necessário trabalhar com pequenos porém astutos suportes que explorem e convidem novas relações ao espaço urbano, levando em consideração as dinâmicas já existentes na cidade. Em primeiro lugar, foi preciso ter uma compreensão dos personagens e das ações cotidianas que levam vida ao espaço público. Muitas delas são baseadas no improviso, o que de alguma maneira demonstra uma certa resistência na vivacidade do meio urbano. Os improvisos se dão a partir do momento em que a cidade não oferece suportes ou apoios para as atividades e momentos de estar no espaço público. Observá-los é uma impor-

tante ferramenta de pesquisa pois eles revelam de maneira mais precisa as verdadeiras necessidades daqueles que habitam o espaço público. A começar por alguns personagens que por excelência estão diariamente circulando pelos espaços livres da cidade: comerciantes ambulantes, entregadores, carroceiros, etc. Estes personagens têm em comum o fato de trabalharem em constante movimento e levarem consigo – ou serem levados por – veículos não motorizados sobre rodas e muitas vezes enfrentarem a dificuldade de locomoção pela acidentada topografia das ruas e calçadas. Estes trabalhadores têm de arcar com a ausência de equipamentos de apoio básicos, como um banheiro público, que serve à também toda à população e que é um equipamento bastante escasso na cidade de São Paulo. Outra importante função cotidiana que carece de suportes para se realizar no espaço público é o ato de comer. Muito embora existam centenas de ambulantes vendendo comida pela cidade, os quais muitas vezes têm a perspicácia de se colocarem logo em frente à saída das estações de metrô e ao lado dos pontos e terminais de ônibus nas horas


— Juan Luis Mascaró em “Infra-estrutura da paisagem” — Juan Luis Mascaró em “Infra-estrutura da paisagem”

de pico pois sabem que é nesse momento do dia que as pessoas estão como aquela vontade de beliscar algo, estas quase sempre o fazem andando ou apoiados desconfortavelmente sobre uma mureta ou grade pois não têm aonde se sentar. Outro importante momento do dia é a própria hora do almoço, quando muitos trabalhadores poderiam aproveitar para esticar as pernas e sentarem em uma praça para almoçarem a marmita trazida de casa, desfrutando de um ambiente bem mais agradável e confortável do que a copa dos funcionários ou o bandejão da esquina. Outro grupo de personagens observado inclui as crianças e jovens. Este grupo é especialmente considerado pois são importante usufruidores do espaço público, por terem mais tempo livre e mais energia e disposição, por isso necessitam explorar espaços amplos ao ar livre aonde possam praticar atividades físicas e brincar. A prática de atividades físicas em si é um tema que na verdade engloba todas as faixas etárias e a manutenção dos espaços públicos enquanto suporte para essas atividades pode ser uma maneira de incentivar que mais pessoas optem por incluí-las no

seu dia-a-dia. Neste ponto, é importante ressaltar o aumento do número de pessoas que se utilizam da bicicleta como meio de transporte diário na cidade. A bicicleta vem se mostrando uma excelente alternativa para aqueles que têm a possibilidade e a disposição de se locomoverem de casa para o trabalho diariamente e reflete um desejo de cidade que funciona de maneira mais inteligente quando proporciona uma homogeneidade na oferta de empregos e habitação, facilitando o deslocamento de seus habitantes. Os ciclistas urbanos também são importantes personagens nessa retomada da vida no espaço público pois representam uma nova atitude frente à cidade tomada pelo egoísmo do transporte motorizado particular. Para todos esses personagens que por opção ou por determinação de sua função cotidiana dependem da vida sobre duas rodas, existe a possibilidade, num futuro não muito distante, de incorporarem a bicicleta elétrica ao seu dia-a-dia. Os veículos movidos à energia elétrica ainda são pouco difundidos no Brasil, mas é só uma questão de tempo para que eles sejam popularizados e o seu custo de produção e manutenção se torne acessível a todos.


O PROGRAMA Projetar para uma cidade que deseja ter um futuro saudável é pensar em novas funções urbanas que se utilizem de fontes de energia renovável e em sistemas inteligentes que estejam diretamente conectados à infra-estrutura urbana. A maior característica da vida nas metrópoles é a velocidade e o volume de informações que circulam por nós diariamente, além da portabilidade tecnológica que nos permite estar conectados em toda e qualquer circunstância. O espaço público tem a possibilidade de explorar a conexão entre as pessoas tanto no âmbito pessoal quanto virtual, fornecendo dispositivos de conexão à internet wi-fi gratuita que facilitariam a troca de informações e o funcionamento da cidade de maneira mais ágil e prática, além de serem um elemento convidativo para um uso mais permanente do espaço e não somente como lugar de passagem. Tendo então como eixo central este elemento de conexão à infra-estrutura, os programas propostos explorarão o uso desta para proporcionarem equipamentos auto-suficientes, por meio da geração de energia solar, implantados de acordo com a necessidade de cada espaço. Os módulos serão

base para a criação de uma linguagem a partir dos elementos construtivos e da simbologia da energia elétrica como geradora de atividade humana e agregadora de funções diversas, trazendo maior conforto visual e segurança para a cidade pois permite que os espaços possam também ser utilizados à noite. A partir desta leitura dos personagens e funções que atuam diariamente no espaço público, foram definidos os programas que melhor traduziriam as necessidades cotidianas: circular, estar, esperar, comer, descansar, ler, conversar, comprar e vender, trocar, reciclar, encontrar, conectar, informar, comunicar, entre outras inúmeras apropriações espontâneas, sejam elas permanentes ou efêmeras, no espaço público. Os programas escolhidos são em parte elementos que já fazem parte do cotidiano paulistano, como as bancas e os abrigos de ônibus e taxi, mas que poderiam ser repensados dentro da lógica de um sistema integrador que permita um acesso mais democrático ao espaço público e recrie vínculos com o imaginário do cidadão, conectandoo social, espacial e virtualmente com o seu entorno.


• bicicletário + estação de recarga e manutenção • espaços para comer • barracas para feiras livres • bancas de comércio e serviços • pontos de ônibus e taxi • pontos de conexão à energia e à rede de internet sem fio • ecopontos (lixeiras) para coleta seletiva • suporte para usos diversos: tótem informativo, telefone público, etc.


OS MÓDULOS Projetar na escala do mobiliário significa trabalhar com a vantagem de poder manipular com maior facilidade os elementos, gerando configurações diversas que possam se adaptar da melhor maneira à função dada e ao espaço que estão inseridos. A primeira premissa é tomar partido de um novo sistema construtivo que seja constituído por módulos que criem estruturas básicas de tamanhos variáveis dentro de um padrão e que funcionem como sub-divisões entre os elementos do mobiliário urbano para que estes se adaptem às diferenças encontradas na largura da calçada onde serão implantados. Da mesma forma, pretende-se explorar novas configurações multifacetadas que se insiram melhor nos espaços abertos como largos, praças, parques, marquises, etc. A Lei Municipal determina que a faixa de serviço é a parcela da calçada destinada à colocação de todo e qualquer mobiliário que venha a ser necessário. É sempre a faixa que fica na extremidade adjacente à guia, destinada também à instalação de outros elementos existentes nos passeios, tais como tampas de inspeção e grelhas de exaustão e

de drenagem das concessionárias de infra-estrutura. Pensando nesta dimensão mínima, o novo sistema construtivo proposto terá módulos de tamanhos variáveis que conjugadas entre si podem se expandir de acordo com a largura total da calçada que permitirá o aumento da faixa de manutenção. Além de contribuir para a desobstrução do espaço de circulação dos pedestres, a concentração do mobiliário na faixa de serviço e o agrupamento dos elementos permitem reduzir os custos de implantação e de manutenção, já que são utilizados menos suportes para os objetos. Partir de um sistema modular será uma estratégia para explorar as múltiplas configurações possíveis para abrigar os mais diversos programas. A associação entre os elementos propocionará a criação de pequenas estações multi-uso conectadas à energia, inserindo-as na cidade de maneira que estejam de acordo com o perfil de seus usuários. O processo contrutivo em módulos permite que as peças pré-fabricadas já cheguem montadas ao local aonde serão implantadas e a partir de um projeto prévio para cada recinto, sendo associadas entre si para desenhar o espaço em que estão inseridas.


O novo conjunto de módulos se divide em duas partes: elementos compostos para abrigar atividades diversas e elementos simples de estar para desenhar o espaço livre. Os dois grupos de elementos partem da mesma lógica construtiva com base em módulos de dimensões pré-definidas que servem de maneira ergonômica às diversas funções. Ao trabalhar com as dimensões mínimas necessárias para cada elemento, foi criado um sistema que se adapta às diversas situações em que poderiam ser implantados. A compatibilidade formal, a transparência dos materiais utilizados e o pouco contraste entre os elementos e as edificações de entorno tendem a ser mais satisfatórios aos usuários. Além disso é necessário considerar o uso de materiais leves que permitam maior portabilidade e facilidade de montagem, porém ao mesmo tempo resistentes para agüentar às intempéries por estar implantado à céu aberto. Os módulos são estruturados por perfis metálicos retangulares que armazenam entre os painéis que fazem o seu acabamento externo toda a infraestrutura de instalações elétricas e hidráulicas

- como a conexão com o painél solar e escoamento da água pluvial - e têm em sua base um espaço destinado ao armazenamento da bateria e do roteador de internet sem fio. A bateria armazena a energia solar coletada durante o dia para alimentar a iluminação com LEDs durante à noite. O acabamento dos módulos pode ser em madeira laminada (compensado naval), em chapas de acrílico ou chapas metálicas perfuradas. Os elementos agregados - mesas, balcões, prateleiras, bicicletários - são fixados no seu devido suporte e podem se repetir quantas vezes for necessário, dependendo da dimensão e da necessidade do espaço em que serão implantados. Prentende-se, com esse sistema, expandir as possibilidades de combinação entre os diversos tamanhos de módulos e programas de maneira que estes tragam uma nova habitabilidade para os espaços públicos da cidade de São Paulo. Nas páginas seguintes estão os desenhos técnicos dos módulos projetados e os detalhes contrutivos desenvolvidos. Em seguida, são exemplificadas algumas configurações espaciais que estes módulos permitem explorar.


DETALHES CONSTRUTIVOS | 1:5


DETALHES CONSTRUTIVOS | 1:5


CORTES ESQUEMATICOS | SEM ESCALA


OS MATERIAIS A materialidade deste novo equipamento deve demonstrar a transparência e o conforto, não só físico mas também visual para aqueles que circulam e desfrutam dos espaços públicos. Para isso serão explorados diferentes acabamentos que estejam de acordo com o nível de transparência ou opacidade que se deseja para cada programa. Os módulos serão suporte para placas solares que alimentarão os programas e certificarão que o ambiente possa também ser utilizado à noite, pois todos os elementos terão luz própria. A conexão com a energia é fundamental para o funcionamento dos equipamentos mas também servirá como um acesso democrático à todos os cidadãos que necessitarem utilizá-la através de tomadas públicas instaladas nos módulos. Além disso, a luz ajudará na identificação de cada programa pelo transeunte ao mesmo tempo unificando e criando uma identidade para o mobiliário urbano. Os painéis solares fotovoltáicos são capazes de converter a energia da luz do Sol em energia elétrica. Eles são compostos por células solares que podem ter dimensões variáveis. Estas células são, chamadas de células fotovoltaicas, ou seja, criam

criam uma diferença de potencial elétrico por ação da luz. Os painéis que estarão fixados na cobertura dos módulos serão capazes de gerar uma potência de 25W (módulos menores) a 200W (módulos maiores), senda assim capazes de alimentar o sistema de LED e gerar energia para as tomadas públicas e para os roteadores de internet. O sistema de energia solar é bastante eficiente mesmo nos dias nublados pois a energia gerada poderá ser armazenada em uma bateria que estará alojada, junto com o roteador, na base do módulo. Os painéis são protegidos por uma película anti-refletora para absorção de maior quantidade de luz possível e instalados em uma moldura de alumínio que garante a impermeabilização de todo o sistema. A inclinação do painél contribui para melhor captação da luz e também já resolve a questão do escoamento das águas pluviais, que são recolhidas por uma canaleta e despejadas pelo cano de PVC embutido na estrutura do módulo. Também os eletrodutos que transportam a fiação das tomadas e roteadores estão alojados no interior do módulo, devidamente protegidos das interpéries.


A IMPLANTAÇÃO O mobiliário urbano projetado segundo um sistema de unificação visual e estética pode ser melhor inserido na paisagem urbana como um elemento que evidencie a continuidade dos fluxos e eixos de importância, como o sistema de corredores verdes, fortalecendo as ligações entre os espaços verdes da cidade ou mesmo a rede de ciclorrotas, ciclovias e ciclofaixas, incentivando o uso da bicicleta com bases de apoio, bicicletários, abrigos, etc. Tendo esta compreensão como norteadora do trabalho, imaginou-se tomar como exemplo de implantação um percurso pela cidade que traduziria este desejo de criar uma conexão visual entre os divesos espaços. O trecho escolhido foi a conexão entre o Largo Santa Cecília e a Praça do Patriarca. Esta escolha se justifica pelo fato de ser uma trecho que já exibe uma certa continuidade pela conexão que faz entre uma série de áreas verdes e ruas arborizadas e também por ser um caminho bastante agradável ao pedestre por quase não haver variações na topografia. Este caminho representa também a multiplicidade de atividades que envolvem o cotidiano dos

paulistanos, pois faz a transição entre um bairo predominantemente residencial, Santa Cecília, com o chamado centro novo, a República, e o centro antigo, no bairro da Sé. Ao longo do percurso é possível se deparar com tipos do espaço público de caráteres diversos, entre eles, saídas do metrô, marquises, feiras, praças secas, largos, canteiros centrais e calçadas de tamanhos diversos. Assim, foi feita uma proposta esquemática na escala urbana de como se daria a distribuição do mobiliário urbano ao longo do trecho. imaginando as mais diversas possibilidades de implantação. É importante ressaltar que este trajeto prevê a reabilitação de uma extensa área verde que hoje se encontra cercada e fechada para o acesso ao público, sendo utilizada somente como estacionamento dos funcionários do Metrô Santa Cecilia. A reabertura da praça simboliza esta vontade do trabalho de recuperar e incentivar novos usos aos espaços públicos da cidade, reconectando usos potenciais do entorno, como o acesso à infraestrutura de tranporte público (metrô e terminal de ônibus) e o acesso ao próprio elevado nos períodos em que


este funciona como um equipamento de lazer, além de poder abrigar, por exemplo, a feira livre que hoje acontece na Rua Sebastião Pereira, e proporcionar espaços de estar que sirvam de apoio para as atividades do entorno. A retirada das grades que hoje cercam a praça e a inserção de elementos que trariam novas atividades para a praça simboliza uma atitude de reconquista e valorização do espaço público urbano. É um exemplo possível que poderia se repetir pelos inúmeros não-lugares que hoje contribuem para a fragmentação do tecido urbano. O mobiliário tem a capacidade de estimular uma maior interatividade com o espaço, tornando-o mais acolhedor para as relações humanas se concretizarem da maneira mais plural possível. Esta implantação “experimental” busca ressaltar situações comuns por toda a cidade, ilustrando como se daria a relação espaço-objeto e principalmente imaginando uma maior integração e conexão estética com a paisagem construída e com as inúmeras paisagens culturais que tanto enriquecem o cenário cotidiano da cidade de São Paulo.


EXEMPLOS DE IMPLANTAÇÃO AO LONGO DO PERCURSO

LARGO SANTA CECILIA


EXEMPLOS DE IMPLANTAÇÃO AO LONGO DO PERCURSO

PRAÇA SANTA CECILIA


EXEMPLOS DE IMPLANTAÇÃO AO LONGO DO PERCURSO

LARGO DO AROUCHE


EXEMPLOS DE IMPLANTAÇÃO AO LONGO DO PERCURSO

AV. VIEIRA DE CARVALHO


EXEMPLOS DE IMPLANTAÇÃO AO LONGO DO PERCURSO

PRAÇA DA REPÚBLICA


EXEMPLOS DE IMPLANTAÇÃO AO LONGO DO PERCURSO

RUA BARÃO DE ITAPETININGA


EXEMPLOS DE IMPLANTAÇÃO AO LONGO DO PERCURSO

VIADUTO DO CHÁ


EXEMPLOS DE IMPLANTAÇÃO AO LONGO DO PERCURSO

PRAÇA DO PATRIARCA


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Trabalhar com o espaço público é imaginar possibilidades para tornar a cidade mais convidativa ao pedestre, reaproximar as pessoas de seu entorno cotidiano e incentivá-las a reconquistar a cidade em que vivem. O uso ostensivo do automóvel individual na cidade de São Paulo reflete na maneira como o dia a dia de seus habitantes se restringe cada vez mais ao âmbito privado e individualista, resultando na pobre qualidade espacial dos espaços públicos e das relações humanas que neles se dão. Ao longo do processo de pesquisa sobre o tema do mobiliário urbanos ficou evidente que a cidade contemporânea exige uma nova concepção sobre o tema, afinal a cidade de hoje é muito mais complexa e tem demandas mais específicas em relação ao tratamento que é dado ao espaço público. Inclusive analisando as legislações existentes sobre o tema, percebe-se que há uma categorização dos tipos de mobiliário que já não condiz com a cidade real. Parece ser utilizada praticamente a mesma definição do início do século passado, quando considerava-se o mobiliário urbano essencialmente como um elemento paisagístico, um pano de fundo,

com pouca ou nenhuma interação com o público. A interação maior se vê justamente nos elementos da microarquitetura que estão ligadas à atividades que promovem o encontro, como os quiosques, os coretos, os pontos de ônibus. Porém na cidade contemporâneo estes elementos passam a abrigar cada vez mais funções e podem ser melhor reformulados para associarem usos que definam uma identidade mais clara ao espaço urbano, gerando um maior magnetismo no contexto em que está inserido. Diante das leituras feitas sobre as virtudes e carências do espaço público, foi possível perceber que o projeto do mobiliário urbano deveria tomar como base as características que melhor se inserem no funcionamento da cidade, considerando que se pode pensar em uma maior versatilidade do mobiliário para que este possa facilmente se adaptar ao uso que for necessário. Reconstituir as relações na espaço público com a inserção de elementos que estimulem novas atividades e apropriações, sintonizadas com as demandas da cidade contemporânea. Ao analisar as premissas de projeto de mobiliário urbano encontradas nas situações mapeadas


o trabalho se aprofundou na criação de uma linguagem e de uma metodologia para desenhar um sistema integrado de objetos com funções múltiplas e facilmente adaptáveis as pré-existências e condições de cada recinto.


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Mobiliário Urbano  

Novas Abordagens Para o Espaço Público Contemporâneo | Trabalho Final de Graduação | Escola da Cidade 2012 | Isabel Villares

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