Issuu on Google+

30ª edição |Setembro 2013

Informativo Bellman para Difusão de Tecnologia | bellman.com.br

SUPLEMENTAÇÃO ESTRATÉGICA NOS PERÍODOS DE TRANSIÇÃO A principal característica do sistema de produção pecuária brasileira é ter a maioria de seu rebanho criado a pasto, conferindo seguramente em uma alternativa bastante competitiva na oferta de alimento para bovinos. Uma vez que as pastagens constituem a base da alimentação de rebanhos nas regiões tropicais, é fundamental a compreensão dos conceitos relacionados com o ambiente de pastagens, assim como sua composição bromatológica e disgestibilidade para possibilitar a estimativa do desempenho animal. No Brasil, a grande maioria das áreas de pastagens é constituída por plantas forrageiras tropicais, dentre as quais se destacam as do gênero Pennisetum, Panicum, Brachiaria e Cynodon. Essas plantas são caracterizadas por apresentarem altas taxas de crescimento e amadurecimento, aumentando rapidamente a proporção de parede celular. Por outro lado, quando comparadas a forragens de clima temperado, os teores proteicos das primeiras são menores. A produção e qualidade de forragem no Brasil Ceeirantral estão sujeitas a grandes variações estacionais durante o ano em função principalmente de temperatura, umidade e luminosidade. São vários os fatores climáticos que ocorrem conjuntamente influenciando o crescimento e composição química das plantas. As taxas de crescimento são maiores nos meses de verão, intermediárias nos meses de primavera e outono e baixas nos meses de inverno. Desta forma, o ciclo de produção anual de forragens tropicais pode ser distribuído em quatro épocas distintas: a época das águas, da seca e as transições entre estas. O conhecimento das variações climáticas e dos seus efeitos sobre a produção das forrageiras, e consequentemente sobre a produção animal, permite ao produtor elaborar estratégias para minimizar os seus efeitos, possibilitando a obtenção de maior produtividade na atividade. As transições podem ser definidas como períodos que antecedem as duas principais estações do ano. Nos períodos de transição as características climáticas que irão caracterizar os períodos de seca e de águas começam a entrar em cena. Nestes períodos, assim como as mudanças climáticas, ocorrem alterações na qualidade e estrutura da forragem, conferindo certos desequilíbrios nutricionais aos animais em pastejo, com consequências que incluem perda de peso, diarreias e queda de desempenho zootécnico, reduzindo mais uma vez as margens de lucro da atividade pecuária.

TRANSIÇÃO ÁGUAS/SECA:

Figura 1. Pasto de Brachiaria brizantha típico do período de transição Águas/Seca com plantas já florescidas.

Durante o período de transição águas/seca, caracterizado pelo inicio da redução do volume de chuvas, temperaturas mais amenas e redução do foto-período, a planta tem seu desenvolvimento acelerado com o amadurecimento e amarelamento. Neste período ocorrem modificações estruturais nas plantas forrageiras e os teores de alguns nutrientes reduzem abruptamente, grande parte destas alterações ocorrem devido ao efeito do florescimento que é acompanhado pelo alongamento das hastes, com a substancial elevação na relação caule/folha e queda de produção. Do inicio do florescimento ao florescimento pleno, ocorre diminuição no teor proteico, redução da digestibilidade dos carboidratos estruturais bem como a redução dos teores de alguns minerais como fósforo, sódio, potássio, cobalto dentre outros. Avaliando essas deficiências nutricionais que acometem animais em sistema de pastejo recomenda-se a suplementação mineral protéica de transição feita com o Lambisk VS. O Lambisk VS é um produto formulado para atender as exigências nutricionais dos animais em função das alterações das características da forragem. O produto possui em sua formulação proteína verdadeira que complemente a proteína fornecida via forragem, nitrogênio não protéico (uréia) para atender as exigências de NNP dos microorganismos ruminais na síntese de proteína microbiana, fontes energéticas para complementar o fornecimento de energia ao processo de digestão, além de macro e microminerais e monensina. O fornecimento de 1 a 2 gramas por Kg de peso corporal


tem por objetivo complementar o fornecimento de nutrientes que começam a ficar prejudicado nessa fase de transição de um pasto de águas para um pasto de seca, mantendo o desempenho dos animais.

TRANSIÇÃO SECA/ÁGUAS:

A estratégia de suplementação recomendada para esse período com o Lambisk SA, busca atender as deficiências principalmente de proteína verdadeira já que a forragem de transição tem alto teor de fração proteica A (NNP). O produto Lambisk SA, foi formulado para ajustar a PB da dieta, de acordo com a composição das forragens para este período do ano, neste momento faz-se necessário suspender o fornecimento de ureia e fornecer minerais de qualidade e corretamente balanceados. O fornecimento deste produto deve ser de 1 a 2 gramas por Kg de peso corporal.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Figura 2. Pasto de Brachiaria brizantha típico do período de transição Seca/Águas com plantas no início da rebrota, baixa oferta de massa mesmo que de boa qualidade.

O início da transição seca/águas caracteriza-se com as chuvas de primavera, quando é registrado o aumento na temperatura ambiente e no foto-período. Estas alterações climáticas irão influenciar o desenvolvimento da planta, promovendo a elevação nos teores de açúcares solúveis, aminoácidos e ácidos orgânicos, ocorrendo paralelamente diminuição no conteúdo de parede celular, pois as plantas estão rebrotando, portanto são plantas jovens. Os brotos são aquosos, tenros, ricos em nitrogênio não protéico (NNP) e com baixa matéria seca.

Em conclusão, animais criados em sistema de pastejo, a grande maioria em países tropicais, estão sujeitos as grandes variações de oferta e qualidade de alimento devido a sazonalidade de produção forrageira determinada basicamente pelo clima. Desta forma, são válidas a recomendações de utilização de ferramentas técnicas como programas nutricionais para atender as necessidades específicas dos animais de acordo com o que está sendo oferecido via forragem, assim consegue-se balancear a dieta e garantir o bom desempenho independente da época do ano, com aumento da produtividade.

Alexandre Teixeira Supervisor Técnico Regional – MG Bellman Nutrição Animal – A Nutreco Company IBCP Índice Bellman de Custo de Produção - Recria e Engorda

O período de transição seca/águas também é uma fase de desafio para os animais mantidos em pastagens, pois após um período de baixa oferta de alimentos e de baixo valor nutricional e consequentemente baixo desempenho, os bovinos passarão agora por uma súbita alteração na composição do alimento ingerido. O alimento passa de seco e fibroso para plantas jovens com baixos teores de fibras e alto teor de NNP compondo a proteína bruta em um curto período de tempo, sem tempo para uma adaptação a nova dieta. Nesse período pode ocorrer perda de peso pelos animais acompanhado de diarreia devido a alteração na dieta.

Sistema de produção

REBT

REMT

REAT

Produtividade (@/ha área útil)

5,58

12,07

36,79

Taxa de desfrute

40,0%

50,0%

85,7%

Custo da @ engordada

R$ 103,98

R$ 90,00

R$ 98,56

Lucro por ha/ano (R$)

R$ 13,82

R$ 86,53

R$ 170,51

Lucratividade (%)

3,67%

9,55%

3,37%

Rentabilidade (%)

0,23%

1,03%

0,94%

Custo da @ engordada

R$ 99,74

R$ 86,45

R$ 92,00

Lucro por ha/ano (R$)

(R$ 9,55)

R$ 32,34

(R$ 74,47)

Lucratividade (%)

-2,82%

3,94%

-1,66%

Rentabilidade (%)

-0,33%

0,73%

-0,67%

Nesta fase, apesar do pasto estar rebrotando, a oferta de massa de forragem ainda não é suficiente para atender as exigências de consumo de matéria seca dos bovinos. Por essa baixa oferta, os nutrientes exigidos não podem ser atendidos unicamente via forragem, fazendo-se necessária a suplementação de transição seca-águas com o Lambisk SA, o que permitirá a manutenção do desempenho dos animais. O período de transição seca/ águas pode ser ainda mais crítico se não foi feito nenhum tipo de suplementação no período da seca, oferecendo o mínimo necessário para os animais se manterem.

Sistema de produção Estação de monta Índice de prenhez Produtividade (@/há de área útil) Taxa de desfrute Peso desmama (@) Custo de produção do bezerro Lucro médio por bezerros desmamados SP Lucratividade (%) Rentabilidade (%) Custo de produção do bezerro Lucro médio por bezerros desmamados MT Lucratividade (%) Rentabilidade (%)

SP

MG

Índice Bellman de Custo de Produção - Cria CST Não 70,5% 3,43 20,9% 6,00 R$ 641,57 R$ 138,31 20,65% 0,54% R$ 616,42 R$ 112,22 16,15% 0,84%

CCT Sim 84,1% 4,24 23,0% 7,00 R$ 724,06 R$ 185,80 23,84% 0,79% R$ 703,16 R$ 146,92 18,50% 1,22%

Departamento de P&D Bellman Nutrição Animal


Direto do Campo 30