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27ª edição | Abril 2013

Informativo Bellman para Difusão de Tecnologia | bellman.com.br

VACAS LEITEIRAS NO PERÍODO DE TRANSIÇÃO O Período de Transição de vacas de leite compreende entre três semanas anteriores e três posteriores ao parto. Durante esse período a vaca é acometida por mudanças hormonais muito intensas em decorrência do final da gestação, proximidade do parto e início da produção de colostro e posteriormente de leite pela glândula mamária. Além das alterações hormonais, nas semanas que antecedem o parto ocorre um aumento das exigências nutricionais da vaca devido ao maior crescimento do bezerro e início de produção de colostro. Entretanto, no mesmo período, ocorre uma diminuição da capacidade de Ingestão de Matéria Seca (IMS) que resulta no Balanço Energético Negativo (BEN), isto é, as exigências nutricionais, principalmente de energia e cálcio, são maiores que a quantidade de nutrientes ingerida pelas vacas.

Para alcançar esses objetivos deve-se estabelecer um programa nutricional adequado para o período. Uma das práticas simples para avaliar se o manejo nutricional do rebanho está adequado é monitorar o Escore de Condição Corporal (ECC), numa escala de 1 a 5 (magra a obesa, ver Figura 2).

Figura 2. Escore de Condição Corporal (ECC), método Wildman et al., (1982). Manter as vacas com o ECC entre 3 e 4 ao parto, além de proporcionar conforto e acesso contínuo de alimentos de boa qualidade podem reduzir a incidência de distúrbios metabólicos no pós-parto. Existem dados estatísticos que evidenciam uma porcentagem de 25 a 40% de descarte de animais nos primeiros 60 dias após o parto. A maior parte desses animais deixa o rebanho devido a distúrbios metabólicos como: hipocalcemia (febre do leite), deslocamento de abomaso, retenção de placenta, prolapso uterino, cetose, metrites, mastites e laminites. As perdas econômicas estimadas podem ser observadas na Tabela 1.

Figura 1. Ingestão de matéria seca (IMS) de vacas no período de transição Os animais em balanço energético negativo mobilizam gordura corporal na tentativa de suprir a demanda por energia, entretanto, o excesso de gordura pode se acumular no fígado. Vacas com fígado gorduroso ao parto apresentam redução da imunidade e maior predisposição a quadros de cetose (acúmulo de corpos cetônicos no sangue) no início da lactação. Normalmente vacas obesas ao parto são mais propensas à cetose devido a redução da capacidade de ingestão de alimento após o parto sendo uma das consequências a menor produção de leite no início da lactação.

Distúrbios (média de incidência)

Perdas Diárias (% produção/ vaca)

Perdas (L) (25L/vaca/30 dias)

Perdas (R$ 0,85/ Litro)

Febre do leite (6%)

4,7

212

R$ 180,20

Desloc. abomaso (3%)

16

360

R$ 306,00

Retenção placenta (8%)

4,1

246

R$ 209,10

Cetose (5%)

7,6

285

R$ 242,25

Metrite (8%)

3,8

228

R$ 193,80

1331 L

R$ 1131,35

Total / mês

Adaptado: National Health Monitoring System, 1996

Na prática, os objetivos para o Período de Transição são: Maximizar a ingestão de matéria seca Estimular a função ruminal Minimizar o Balanço Energético Negativo

Tabela 1. Distúrbios metabólicos e as perdas econômicas considerando um rebanho de 100 vacas com média de 25 L de leite / vaca /dia.

Prevenir a hipocalcemia e cetose Reduzir o estresse

Adaptado: National Health Monitoring System, 1996


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No início da lactação a mobilização de elevado fluxo de cálcio para a glândula mamária reduz a concentração de cálcio no sangue, predispondo as vacas, principalmente de alta produção, à hipocalcemia (febre do leite). O baixo teor de cálcio no sangue também diminui a capacidade de contração da musculatura lisa, consequentemente, aumenta a incidência de retenções de placenta e deslocamentos de abomaso. A incidência desses distúrbios metabólicos está relacionada às negligências no manejo dos animais durante o período de transição, principalmente, no que se refere à baixa ingestão de matéria seca, estresse, balanço energético negativo e vacas obesas ao parto. Além das perdas econômicas diretas pela diminuição da produção e tratamento veterinário dos animais, não podemos esquecer as consequências negativas na reprodução, aumentando o intervalo entre partos, demora no retorno ao cio e menor taxa de prenhez. Um programa nutricional bem definido e aplicado nas semanas que antecedem o parto deverá preparar os animais para mudanças metabólicas de forma saudável e adaptá-los à dieta pós-parto. Para compensar a menor IMS, a sugestão é aumentar a densidade energética da dieta no pré-parto, aumentando, por exemplo, a relação concentrado: volumoso. Dessa forma, os animais se adaptam às dietas mais ricas em energia (amido) e resulta em melhor desenvolvimento das papilas ruminais, bem como em menor incidência de fígado gorduroso e cetose. A utilização de dietas aniônicas é também uma alternativa para reduzir a incidência de hipocalcemia no pós-parto. Esta estratégia consiste no fornecimento de sais aniônicos que promovem um balanço cátion-aniônico negativo, resultando na diminuição do pH sanguíneo, criando uma condição de leve acidose metabólica. Este mecanismo favorece a ação de alguns hormônios que liberam cálcio dos ossos e aumentam a absorção intestinal e renal. Uma dieta formulada corretamente deve apresentar um Balanço cátion-aniônico da dieta (BCAD) de -100 a -150 mEq/kg MS.

Onde: BCAD = (Na+ + K+) – (Cl– + SO4–2). A suplementação com cobre, zinco, selênio e vitamina E melhora a imunidade dos animais no pré-parto, reduzindo a incidência de retenção de placenta, mastites e metrites, além de melhorar a eficiência reprodutiva. A utilização ionóforos (monensina), biotina e probióticos, como Saccharomyces cerevisiae (Levedura viva), também são alternativas importantes, pois atuam no metabolismo da glicose reduzindo a mobilização corporal de gordura, além de melhorar a eficiência da fermentação ruminal. Observar os teores de proteína e de sódio na dieta aniônica também merece atenção especial para evitar sobrecarga de fígado e rins, respectivamente, e quadros clínicos de edema de úbere. Durante o pré-parto é importante avaliar a qualidade e o tipo de volumoso oferecido aos animais. O uso de cana-de-açúcar picada e pastagens, de modo geral, apresentam altos teores de potássio que pode influenciar o BCAD e diminuir a eficiência da dieta aniônica. Considerações Finais O conjunto de estratégias nutricionais pode auxiliar na melhoria da eficiência alimentar e produtiva do rebanho no pré-parto, além de reduzir a incidência dos distúrbios metabólicos no pós-parto. Entretanto, fica evidente que o manejo alimentar adequado funciona como estratégia de prevenção e pode fazer a diferença quando os assuntos são: a saúde do rebanho e a viabilidade econômica da atividade leiteira. A Bellman possui um portfólio completo de produtos para a nutrição adequada do seu rebanho leiteiro! Dr. Marco Aurélio de Felicio Porcionato Gerente Técnico Bellman Nutrição Animal

Indíce Bellman de Custo de Produção - Recria e Engorda

SP

MT

27ª edição | Abril 2013

Indíce Bellman de Custo de Produção - Cria

Sistema de produção

REBT

REMT

REAT

Sistema de produção

CST

Produtividade (@/ha área útil)

5,58

12,07

36,79

Estação de monta

Não

Sim

Taxa de desfrute

40,0%

50,0%

85,7%

Indíce de prenhez

71,4%

84,1%

CCT

Custo da @ engordada

R$ 99,80

R$ 86,29

R$ 88,77

Produtividade (@/há de área útil)

4,47

4,97

Lucro por ha/ano (R$)

R$ 4,20

R$ 120,31

R$ 489,17

Taxa de desfrute

29,4%

31,2%

Lucratividade (%)

1,19%

13,27%

10,01%

Peso desmama (@)

Rentabilidade (%)

0,07%

1,45%

2,78%

Custo da @ engordada

R$ 94,87

R$ 82,04

R$ 84,52

Lucro por ha/ano (R$)

(R$ 13,51)

R$ 72,51

R$ 271,22

Lucratividade(%)

-4,25%

8,84%

6,09%

Rentabilidade (%)

-0,48%

1,68%

REBT: Recria e Engorda com Baixa Tecnologia REMT: Recria e Engorda com Média Tecnologia REAT: Recria e Engorda com Alta Tecnologia Onde: Estes cálculos não consideram juros sobre os ativos e patrimônio liquido Lucratividade: Lucro sobre Receita Rentabilidade: Lucro sobre Patrimônio Líquido Estes cálculos não consideram juros sobre os ativos e patrimônio liquido

SP

2,59%

MT

6,00

7,00

Custo de produção do bezerro

R$ 663,06

R$ 665,25

Lucro médio por bezerros desmamados

R$ 133,31

R$ 263,84

Lucratividade (%)

23,71%

30,34%

Rentabilidade (%)

0,80%

1,14%

Custo de produção do bezerro

R$ 641,36

R$ 646,54

Lucro médio por bezerros desmamados

R$ 100,46

R$ 218,9

Lucratividade (%)

19,47%

26,27%

Rentabilidade (%)

1,30%

1,98%

CST: Cria Sem Tecnologia CCT: Cria Com Tecnologia

Departamento de P&D Bellman Nutrição Animal

Dc 27 vacas leiteiras no período de transição