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Abril 2015

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Pedro Estevam de Matos, um pescador de verdade

“Pedro Estevam de Matos era filho de José Estevam de Matos e Ana Leandro do Prado, nasceu no dia 5 de agosto de 1916, na fazenda Poço Verde, localizada no bairro da Mococa em Caraguatatuba e faleceu em 2005. Ali auxiliava seu pai, o Sr. José, na lavoura de café. Aos 14 anos de idade aprendeu a arte de pescar e costumava praticar a pesca n o r i o para o consumo próprio da família. Mudou-se da fazenda do Poço Verde aos 14 anos de idade, já concluído o 3º ano escolar, pois era o que a escola da Mococa podia oferecer às crianças da localidade. Seu Pedro passou a residir no bairro Massaguaçu, onde viveu até a seu falecimento como pescador e trabalhando na lavoura. Pedro Estevam, antes de casar-se foi inspetor de quarteirão no Massaguaçu, de onde contava muitas histórias. Casou-se aos 28 anos de idade com D. Margarida Adolfo de Matos com quem teve nove filhos: Joé, Isolina (mãe de Maria), Edles, Maria, Luiz, Tereza, Izabel, Antônio, e Jucelina, hoje todos casados. D. Margarida faleceu

José Luiz Alves sempre teve a vida ligada ao mar Seu Pedro e o bisneto Vithor

em 1995, o que deixou muito triste e muito mais seu Pedro, porque éramos e continuamos sendo uma família muito feliz. Meu pai dedicou toda a sua vida à pesca e diz que quando está no mar esquece-se de toda vida terrena, é outro homem, parece estar no céu.” Fonte: Arquivo público do município de Caraguatatuba “Arino Sant’ana de Barros” – Depoimento feito pela filha de Pedro, Maria Estevam de Matos Ayres

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Da pesca artesanal para a maricultura O biólogo José Luiz Alves, 45 anos, pegou o gosto pela pesca ainda menino. “Nasci na praia de Massaguaçu, em Caraguatatuba, e desde pequeno acompanhava meu avô Pedro Estevam nas pescarias”, conta. “A praia, na época era uma pequena vila de pescadores”, acrescenta. No arrasto-de-praia pegavam tainha, robalo, corvina, betara. Ali se praticava a tradicional pesca de vigia, quando uma pessoa ficava observando os cardumes chegarem. Ao avistar o cardume, o vigia gritava e ia avisar de casa em casa, assim todos ajudavam na pesca e depois o produto era dividido. Os pescadores também praticavam a pesca com rede-de-emalhe e arrasto-de-camarão. Dos seus quatro irmãos, dois homens e duas mulheres, apenas os homens na adolescência praticaram a pesca, para depois seguir a carreira de bombeiro. O avô de Luiz morava na praia de Mococa, e a família mudou-se para Massaguaçu

quando ele tinha cerca de 15 anos. “Meu avô dividia suas atividades entre a pesca e a agricultura”, conta Luiz. A roça ficava a cerca de 1 quilômetro do sítio, e ali se plantava cana-de-açúcar, café, banana, mandioca, batata-doce e abóbora para consumo da família. Da mandioca faziam a farinha e da cana era extraída a garapa para preparar o típico café caiçara. “Na minha infância mais ou menos até os 15 anos frequentei bastante o sítio dos meus avós do lado materno e vivenciei de perto vida de roça e pesca na época”, recorda Luiz. “De pequeno, eu via minha avó, Margarida, cozinhar no fogão a lenha”, conta. Ela preparava muitos produtos do mar, como peixe frito ou ensopado com tomate e uma vez por mês o peixe azul-marinho, com banana verde, usando carapau, tainha ou garoupa. Na época não havia proibição do corte da palmeira juçara, e o palmito com arroz fazia parte do cardápio do dia a dia. Os antigos também praticavam

a caça de animais como tatu, paca, porco-do-mato e jacu. Era costume ainda, numa época em que não havia geladeira, salgar e secar o peixe ao sol, que depois podia ser preparado com batata-doce. No café da manhã, muitas vezes o peixe salgado e seco estava presente, assim como a farinha de mandioca, o beiju e a banana, e a batata-doce cozida na água. “Depois do falecimento da minha avó em 1995 foi se perdendo toda aquela cultura de roça, e a pesca mais tarde o meu avô foi diminuindo, até por causa da idade”, conta Luiz. Luiz, por sua vida em constante contato com a natureza, decidiu estudar Biologia. Depois de formado, passou a trabalhar com maricultura de mexilhões. Participou do Projeto Martim-Pescador de 1989 a 1991 e também de projeto na praia da Cocanha de 1998 a 2013. “Quando fui para a maricultura meu pai também começou a criar os mexilhões até o seu falecimento em

2006.”, afirma Luiz. “Havia 18 famílias produzindo mexilhões na praia da Cocanha em Caraguatatuba”, afirma. “Era a maior fazenda marinha do Estado de São Paulo”, acrescenta. Cada família produzia cerca de 2 a 8 toneladas anuais. Em abril de 2013, um vazamento de combustível marítimo do píer do Terminal Almirante Barroso (Tebar) em São Sebastião atingiu a criação de mexilhões, causando perda estimada de 180 toneladas do produto. Apesar dos pedidos, a indenização prometida pela Transpetro não se concretizou. A Prefeitura de Caraguatatuba durante 14 meses pagou dois salários mínimos para cada produtor, como auxílio emergencial, para amenizar as perdas. Mas Luiz não desistiu e pretende retomar a atividade em 2015. Terminando seu mestrado em Aquicultura, quer empregar os conhecimentos adquiridos na desempenho de suas funções como aquicultor, e permanecer assim ligado ao mar como seus antepassados.

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JORNAL MARTIM-PESCADOR 134  

Abril 2015 - Número 134 - Ano XI - Órgão Oficial da Federação de Pescadores do Estado de São Paulo.

JORNAL MARTIM-PESCADOR 134  

Abril 2015 - Número 134 - Ano XI - Órgão Oficial da Federação de Pescadores do Estado de São Paulo.

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