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Ensaio sobre moda, revistas e fotografia

Moda, revistas e fotografia É indispensável a atuação do designer gráfico no mundo da moda, podendo este estar tanto no desenvolvimento de coleções de moda como também na produção dos ensaios e no marketing Fotografia de Edward Steichen, para a Vogue de Paris, Outubro de 1940 Isabela França Magalhães design gráfico TÓPICOS ESPECIAIS

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Moda Desde o inicio dos tempos, a vestimenta desempenha um papel fundamental na nossa sociedade, não podendo este ser resumido apenas à funcionalidade. Nos primórdios da humanidade como proteção e isolamento térmico, até os dias atuais como comunicadora, a maneira de se vestir das pessoas está intrinse-

camente ligada ao interior de cada um. A moda é uma janela da alma. Ao mesmo tempo em que a moda molda as pessoas, a sua relação com a sociedade atual não pode ser considerada como algo assimétrico e já determinado. A moda é um ref lexo social, mas que também muitas vezes o que aparece como tendência é capaz

Percebemos através da imagem ao lado, como a moda se resignifica e se apropria de outros contextos para se reinventar. Temos à esquerda uma imagem de uma mulher na década de 50, e à direita da imagem, uma mulher com o look dos dias de hoje. Como podemos perceber, ambas as mulheres possuem a roupa no mesmo corte e com a mesma divisão de informações: saia estampada e camisa lisa.

de reinventá-la. Ou seja, a moda é um constante processo de se convencionar, se modificar, resignificar e se apropriar de outros contextos.


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Revistas de Moda As revistas de moda podem ser vistas como um elo entre a mulher e a moda. A revista, em cada edição, constrói um conjunto de signos que será apresentado para a mulher, e dessa maneira criará identidades que irão existir no desejo e no imaginário de cada leitora. Há tempos atrás o desejo de consumir moda era estimulado nas pessoas através das vitrines. Com a chegada das mídias ( jornais, revistas, catálogos), nota-se um crescimento no mercado da moda, e a partir destas, surge a demanda da fotografia para moda.

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Fotografia Como é de comum consenso, a fotografia é um recurso muito utilizado para se vender produtos. Tomemos a fotografia para moda não como uma mera expositora de produtos, mas como uma construtora de valores e uma valiosa ferramenta de marketing. A fotografia de moda cria valores para o produto com a intenção do consumidor se identificar com determinada marca. E isso não acontece de maneira simplesmente direta, ou seja, o fotógrafo de moda não precisa necessariamente retratar o real estilo de vida do público para poder alcança-lo e sim associar elementos que o determinado grupo de pessoas aprecie. O designer atuando na fotografia de moda, cria um conceito por trás de cada coleção, que pode ou não ser interpretado e aceito pelo público, a seguir temos como exemplo um trabalho acadêmico de um catálogo para a marca Melissa e como tal foi dirigido para direcionar o olhar do público para o novo estilo da marca.


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Melissa Plastic Nightmare Trabalho Acadêmico

A Melissa não é um sapato, mas um objeto de design que ultrapassa forma e conteúdo chegando à verdadeira mensagem que quer transmitir: a do plástico como opção. Para Melissa, a tecnologia está a serviço das emoções humanas. Ela acredita que, com novas técnicas, dá-se um passo à frente para enxergar novos caminhos. Mas isso não sem se abastecer de inspirações. É do mundo das artes plásticas, da arquitetura, da música, da fotografia e de tantos outros mundos que ela absorve influências para se recriar em novas versões de si mesma. E é do

Brasil, país de misturas culturais e tentativas criativas, cujo povo vive eternamente de projetos e alternativas ao lugar-comum, que ela herdou sua grande característica: a de ser multidisciplinar. Afinal, Melissa é o que cada um acha dela. É feminina, sexy, pop, original, refinada, curiosa, inusitada, lúdica, otimista, bem-humorada, sedutora, indecente e inocente. O conceito para o catálogo fotográfico teve sua origem nas fotografias de David LaChapelle, renomado fotógrafo americano, que usa cores saturadas e muito erotismo nas suas fotos. Esses elementos seriam transferidos para o catálogo da Melissa para retratar a expansão do público alvo da marca. A idéia evoluiu ao estudar a revista “Plastic Dreams” recentemente lançada pela marca e brincar com algo mais bizarro e inovador. Foi assim que criou-se o conceito “Plastic Nightmare”, em que as modelos estariam revestidas por plástico, sendo ele assim sua única indumentária (criando outra alusão à marca Melissa, que utiliza esse material nos seus produtos).

A idéia foi realizar uma sessão fotográfica excêntrica que mostrasse a metamorfose de público-alvo da marca Melissa, que, a princípio, constava de adolescentes dos 14 aos 25 anos e, a partir de 2008, com a campanha “Contos de Melissa”, mudou radicalmente para mulheres jovens, com atitude e que se interessam por moda, que foi consolidada com a revista “Plastic Dreams” em 2010. O trabalho acima foi desenvolvido para a disciplina de Fotografia de Moda, por Isabela França e Bruna Ricaldoni em 2010.

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Concluindo, quebra de paradigmas no mercado da moda tem, na maioria das vezes, uma boa aceitação do público. A apresentação de um determinado conceito, pode, e deve, ser muito mais ousada do que o produto em si, que na maioria das vezes é uma releitura de algo já vivido antes. Texto e Diagramação: Isabela França


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