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― Não tenha medo! ― responde. Então, o meu dono saúda-nos e sai. O meu coração dá pulos de alegria; sinto vontade de saltar. Está prometido: não abandonarei nunca Maria, José e o pequeno Jesus. Vou tornar-me bom e doce, porque encontrei alguém que me ama!

O Natal do burrinho cinzento Sou um pequeno burro, cinzento e coxo. O meu dono nunca gostou de mim, por isso me fui tornando triste e, por vezes, mau. Com ele peno pelas ruas da Judeia. Esta noite, fatigados e cheios de pó, chegámos a uma vila chamada Belém. O meu dono instalou-se no último quarto Laurence Batz ; Quentin Gréban (ill.) Le Noël du petit âne gris In 24 histoires merveilleuses pour attendre Noël Paris, Ed. Fleurus, 2008 (Tradução e adaptação)

livre da hospedaria. E eu fiquei num pequeno estábulo tranquilo onde já dorme um boi.


De repente, a porta abre-se. ― Isto é um sítio pobre, Maria ― murmura um homem. ― Não te preocupes, José, ficamos bem. É tão doce esta voz que, pela primeira vez na minha vida, sinto alegria no meu coração. Será que foi um anjo que entrou?

aquecer aquela criança aconchegada no colo da mãe. Estou orgulhoso por poder fazer isto, eu que não passo de um pequeno burro mal-amado. Uma estranha claridade invade agora o estábulo. No céu, irrompe o canto de uma multidão de anjos e, no meio de um alegre burburinho, o povo chega, trazido pelos pastores. Nessa noite tudo se passa como se fosse um sonho. Mas, de manhã, chega o momento que tanto receava.

Levanto-me e vejo uma encantadora

O meu dono abre a porta e deposita diante da criança um

jovem com um belo ventre redondo. O seu olhar brilha sob um

pequeno saco com moedas de ouro; em seguida, faz-me sinal

véu bordado, os seus olhos imensos parecem reflectir todas as

para o seguir. Não me mexo; o meu coração estremece.

estrelas do céu. Olha-me e sorri com bondade. Volto a deitar-

― Vamos, ― grita ― avança!

-me a bocejar.

Olho para Maria com ar suplicante… Ela diz com doçura:

Já dormito quando o grito de uma criança ecoa. É tão forte

― Agradeço-lhe o saco de ouro que ofereceu ao meu filho

que parece celebrar a alegria do seu próprio nascimento!

Jesus, mas o seu burro ser-nos-ia bem mais útil, porque temos

Levanto-me com o coração aos pulos. Maria, maravilhada,

ainda um longo caminho a percorrer.

veste o recém-nascido. José inquieta-se:

O meu dono hesita:

― Não terá frio?

― Este burro, por vezes, não é nada manso…

Timidamente, aproximo-me e, com o meu bafo, procuro

Maria sorri para mim, confiante:


O Natal do burrinho cinzento  

conto de Natal para a infância e juventude

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