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A varanda da Primavera A varanda do Ludovino parecia-lhe tão triste... Mas ele descobriu a maneira de a transformar de uma forma alegre: pediu dinheiro à mãe e foi à loja da dona Rita comprar vasinhos de barro e sementes de flores. No quintal, encheu todos os vasinhos com terra negra. Armindo Reis Na Cadeira Mágica da Avó Lisboa, Plátano Editora, 2006

O pai tinha-lhe explicado que a terra quanto mais escura fosse, melhor seria para semear as plantas. Depois, enterrou as sementinhas de flores e nunca se esqueceu de as regar.


Um dia, o Sol ficou mais dourado e aqueceu, aqueceu aquela terra fofinha. O Ludovino foi espreitar, como costumava fazer todas as manhãs. E, em cada vasinho, havia uma plantinha muito verde, muito verdinha, a brotar daquela terra macia. Numa bela manhã de Março, estava o céu mais azul do que nunca, o Sol ainda mais brilhante, passou por ali uma andorinha de penas luzidias que pareciam de cetim, esvoaçou no ar, dançou como uma bailarina por cima daquela varanda, acabando por pousar no beiral da casa do Ludovino. Fascinada olhou. De repente, levantou voo e foi chamar as outras andorinhas: — Meninas, meninas, venham depressa!... As outras andorinhas, admiradas, seguiram-na até à varanda. Pousaram e com brilho no olhar exclamaram: — Oh!...É a Primavera!!!... Contentes, numa roda viva, chilrearam, chilrearam... Ouvindo aquela alegre sinfonia, o Ludovino abriu a porta para ver o que se passava. Cada plantinha estava cheia

de flores: amarelas, vermelhas, branquinhas, de todas as cores. — Oh! Parece a Primavera! — disse ele encantado. Era mesmo. A Primavera tinha chegado aos seus vasinhos de flores. As andorinhas gostaram tanto, tanto daquela varanda que fizeram os seus ninhos com lama, ali mesmo por cima, no beiral da casa do Ludovino.


A varanda da Primavera