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>> CAPACITAÇÃO

POR DÉBORA CARVALHO

Como manter a escola de pé Especialista em projetos pedagógicos fala sobre os caminhos para que gestores e professores mantenham os alunos interessados em frequentar a escola através da formação para a inovação.

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estores e professores modernos precisam estimular a criatividade e a busca de novas atividades dentro da escola, diante do novo perfil de alunos. Para que isso aconteça, a pedagoga Ana Paula Barros de Paiva, da Planeta Educação, especialista em projetos educativos, afirma que os professores precisam acreditar na necessidade de determinada mudança. “Isso passa pela gestão competente de qualquer equipe de diretoria”. A sociedade e o mundo cresceram de forma tão rápida que a Educação, infelizmente, não conseguiu acompanhar na mesma velocidade. Ainda hoje vemos escolas tentando se “proteger” em metodologias passadas. “Uma coisa é certa: para a escola continuar em pé, a formação de gestores é indispensável. O mundo e a sociedade mudaram, e nossos alunos também já não são mais os mesmos”, destaca a orientadora. “Todos terão que entender e aceitar a transformação que as informações vêm sofrendo ao longo do tempo”. Ana Paula destaca que diante do fácil acesso a diferentes fontes de informação, projetos de formação de gestores e professores ajudam na conscientização de critérios de credibilidade das fontes. “Crianças e jovens aprendem em qualquer hora

e lugar. Nesse novo contexto, eles estão praticamente dando “O grito de socorro”, para que urgentemente a educação seja repensada. Tudo isso abre espaço à formação, à inovação com novas metodologias e à entrada integral das Novas Tecnologias, estas que proporcionam grandes possibilidades ao professor”, afirma.

NOVA DEMANDA DE ALUNOS Trabalhar sempre do mesmo jeito significa deixar de atender a nova demanda de alunos. “É fato comprovado que eles estão cada vez mais críticos e ativos dentro de nossas salas de aula”, aponta. Para a pedagoga, os gestores precisam adquirir mais habilidades e formas de apoiar o trabalho do professor. Cabe aos professores receber as ideias e dedicar-se a melhorar o trabalho com os alunos. “Uma boa formação poderá ajudá-los nesse processo tão importante para a credibilidade da escola diante de seus alunos”, indica Ana Paula. “Quando o professor se coloca no lugar dos alunos, e estes, por sua vez, o tratam com o devido respeito, num relacionamento de reciprocidade, ambas as partes identificam pontos que necessitam de mudança, o que pode impactar a todos da escola no processo de ensino-aprendizagem”.

ESQUEÇA PASSADO E FUTURO “Veja a sua sala de aula hoje, com os alunos de agora. Essa nova geração chega a todo o “vapor” e a escola não pode se mostrar resistente e enfraquecida. Por isso, mesmo que sua escola não tenha grandes recursos tecnológicos, busque alternativas para utilizar melhor os materiais que hoje você tem em mãos, pois reclamar que não tem isso ou aquilo não resolverá problema algum. Lembre-se que, primeiro, é importante saber trabalhar com o que se tem, para então dar valor ao que se virá a ter.” Muitas escolas ainda acreditam que as tecnologias são somente os computadores, notebooks, tablets e kinects. “Não, a escola que quer realmente “socorrer” seus alunos e atendê-los em suas atuais necessidades pode ver suas metodologias serem otimizadas a partir do uso pedagógico de uma simples televisão com um DVD, por exemplo”, explica a especialista em projetos pedagógicos. “A partir de uma boa formação de gestores e professores pode-se ter o início da tão almejada e urgente inovação da escola, que reconhece a importância de motivar seus alunos ao aprendizado com características afinadas à sua realidade”, conclui.

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>> ENTREVISTA

POR DÉBORA CARVALHO

A educação e a realidade dos filhos de empresários Compreenda os estímulos empreendedores e saiba desenvolver a capacidade de observação e trabalho destes estímulos em função da educação.

ue postura os pais de negócios devem adotar para desenvolver o empreendedorismo também nos filhos? Para esta edição da Supra Ensino, conversamos com o terapeuta de empreendedores Luiz Fernando Garcia, coordenador do projeto de Educação Empreendedora no ensino médio, do MEC, e um dos quatro consultores certificados pela ONU para coordenar os seminários do Empretec/Sebrae. Garcia criou também a Escola de Pais, um projeto que trabalha Educação de Pais e Filhos para Líderes e Empresários e ajuda a conhecer as características da mente empreendedora, suas qualidades e dificuldades no ambiente familiar. Muitas vezes, a mãe empresária chega em casa muito cansada e não tem disponibilidade afetiva para ajudar a desenvolver a confiança e o senso de reparação - o que desenvolve a noção de recomeço, que o estrago feito pode ser consertado. “Confiança é fundamental até os 2 anos de idade, e é responsabilidade da mãe”, explica o administrador. Por isso, os cuidadores da criança devem ser orientados a jamais mentir que a mãe voltará logo quando ela vai demorar. O adulto, lá na frente, vai ter confiança que quando algo não sai como deveria, existe a possibilidade de recomeçar, de consertar as coisas - aponta.

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Também é bom saber que excesso de mimos, falta de limites e ausência de obrigações, bem como repressão exagerada, falta de carinho e excesso de controle são assassinos do comportamento empreendedor. É preciso encontrar o ponto de equilíbrio entre liberdade e controle, diversão e responsabilidade. Só assim, a criança irá crescer segura o suficiente para saber se posicionar de maneira coerente e realista diante das adversidades e prazeres da vida, com autonomia, inovação e visão para achar a saída.

JANELAS DE DESENVOLVIMENTO Garcia explica que existem janelas de desenvolvimento na educação em diferentes fases até a adolescência. Para cada janela dessa existem competências a serem desenvolvidas. Até os 2 anos a criança tem que ter a atenção da mãe o tempo todo. Depois, até os 7 anos, acontece a castração. “A célula tem que ser quebrada por uma figura masculina, ou uma lei, qualquer coisa que desafete a mãe da criança. O olhar da mãe se volta para outro objeto, algo que divida com a criança. Nesse momento a estratégia dos homens começam a entrar pelo olhar da mãe. A mãe valoriza o objeto masculino e a criança cria modelos de objeto masculino. Isso vai fazer diferença na capacidade estratégica.

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e realização.

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LUIZ FERNANDO GARCIA

Obras do autor: • Empresários no Divã: Como Freud, Jung e Lacan podem ajudar sua empresa a deslanchar, Editora Gente; • O Inconsciente na sua Vida Profissional: A Psicodinâmica nas Relações de Trabalho, Editora Gente; • Pessoas de Resultado: O perfil de quem se destaca sempre, Editora Gente; • Gente que Faz: Manual prático para quem quer aprender os segredos dos grandes realizadores, Editora Gente.


COMPETÊNCIAS:

>> 0 a 2 anos: Confiança e senso de reparação é responsabilidade da mãe e dos cuidadores. >> 3 a 7 anos: Iniciativa, estratégia, visão. Começa com a castração da mãe. O olhar de credibilidade da mãe para o pai gera o modelo masculino. A presença masculina é estratégica e aumenta a capacidade de visualização da criança. O pai deve “roubar” a criança da mãe para fazer coisas como ir à padaria ou ao posto de gasolina, dar banho, colocar o tênis. Nessa fase, muito falar não adianta. É preciso ensinar pelo exemplo. Vale destacar que os limites - isso pode, isso não pode - devem ser impostos na fase da formação de valores, como retidão, e isso vai até os 3,5 anos apenas. Mãe e pai devem fazer o jogo da mãe controladora e ajudadora, sempre aliada ao pai que sabe dizer não. >> Adolescência: É hora de testar a confiança ad-

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MÃES CONTROLADORAS, FILHOS EMPREENDEDORES Que alívio, não? Mas esse controle mais exagerado deve ser aplicado apenas até os 7 anos de idade, de maneira consciente. Nessa fase, é importante que a mãe deixe claro para a criança que tem outras coisas para fazer, que ela não pertence apenas ao filho. Ao mesmo tempo, ela continua valorizando tudo o que a criança faz, exceto o que é errado, e está sempre disposta a ajudar em tudo. Essa mesma mãe olha para o pai com admiração e valoriza a figura masculina. O pai também deve valorizar a mãe e dar menos pronta atenção. É hora de levar o filho para passear e fazer coisas sozinhos, como ir à padaria, lavar o carro ou dar banho na criança. Nesse jogo, pai e mãe (figura masculina e feminina juntos) geram os primeiros traços de desafio, iniciativa e visão. A figura feminina fortalece a autoestima ao mesmo tempo que o muito controle faz a criança querer escapar e fazer coisas com mais autonomia, explica Luiz Fernando. Gradativamente, a busca por auto-

quirida nos primeiros 2 anos de vida, ao estragar os pais e criticá-los. É o luto dos pais da infância, e hora de fortalecer a independência. Os pais devem permitir e não agir com tirania e rejeição. É hora de dar apoio e deixar tomar decisões autônomas.

nomia deve ser recompensada, conforme a criança ganha maturidade, gerando o senso de responsabilidade e realização. Mas é na entrada da puberdade e adolescência que acontecem os três lutos que ajudam no empreendedorismo. 1º) Luto dos pais da infância: Para fortalecer sua independência, o adolescente precisa estragar os pais, debochar, criticar. É preciso que os pais permitam e não ajam com tirania. Dar risada, pedir pro filho ensinar a fazer certo aquilo que criticou. É quando o filho começa a testar a confiança criada nos primeiros 2 anos de vida. 2º) Luto do corpo infantil: A produção de dopamina (hormônio do prazer) cai pela metade. Nasce a imaturidade afetiva, inconstância do humor e os exageros. O que é pra ser engraçado é engraçado demais, o que é triste é muito triste. É uma ótima oportunidade para os pais e cuidadores reforçarem o senso de reparação e estratégia. Quais são as alternativas pra gente vencer esse desafio? Esse é o momento que os pais fortalecem a capacidade de desafiar e a autonomia

na capacidade de soluções, é quando ele aprende a visualizar saídas. 3º) O luto da infância: Reclusão e voltar a ser criança são comuns. Os pais devem ajudar nessa passagem e incentivar o filho a ir às festas, sair com os amigos, se virar sozinho. A busca por vocações começam a se formar em festas - é a singularidade desse indivíduo. Os pais devem incentivar a manifestação e propiciar experiências. A ordem é: seja autosuficiente quando estiver longe da gente. Famílias que tentam manter o filho muito próximo inibem o desenvolvimento do empreendedorismo. É preciso assoprar e fortalecer qualquer sinal de autonomia nessa fase. Tem que deixar sair. Tomar decisões. “Eu quero ir...” - tem que ver um jeito pra ir. Os pais tem que dar apoio, sempre sabendo com quem está, onde está e o que está fazendo. É fundamental que o casal esteja alinhado para não gerar duplo vínculo, um deixa e o outro não. É hora de substituir controle por obrigação e responsabilidade - gradativamente, numa troca enriquecedora.

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>> GESTÃO

POR DÉBORA CARVALHO

Caso de sucesso: Gestão Integrada faz a diferença Gestão Escolar deve ser alinhada com o Plano Político Pedagógico

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az parte de uma boa gestão planejar, amplamente, suas ações. Para administrar os recursos financeiros da escola de forma alinhada com o Plano Político Pedagógico, a diretora da Escola Santi (fundada em 1969 - atende Educação Infantil e Ensino Fundamental no Paraíso, São Paulo), Adriana Cury, recorre à aproximação e parceria entre os profissionais responsáveis pelas áreas financeira e pedagógica. “Ter as duas equipes alinhadas em relação aos objetivos estratégicos da escola faz com que o planejamento financeiro esteja de acordo com os focos estabelecidos para o ano”, explica Adriana, “sejam eles relacionados ao projeto pedagógico, à gestão de pessoas, a melhorias na infraestrutura ou outras prioridades”. RECURSOS Para Adriana Cury, o planejamento deve ser feito no âmbito estratégico, tático e operacional. “Realizamos o planejamento estratégico, no máximo a cada cinco anos. Em 2009, quando realizamos o último ciclo de planejamento, envolvemos toda a equipe – limpeza, administração, auxiliares, professores, coordenadores e diretores. Hoje te-

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mos um conjunto de planos de ação sendo realizados, compartilhados com toda equipe”, relata.

EQUIPE “Não podemos cometer o erro de acreditar que os processos de gestão cabem à área administrativa e os processos pedagógicos à área pedagógica. Acreditamos na integração das áreas e trabalhamos assim desde 1980. Hoje estamos colhendo os frutos”, conta. Envolver a equipe nos processos decisórios do planejamento estratégico contribui para a formação e alinhamento das equipes, afirma Adriana. Os objetivos e estratégias de cada área e série são transformados em planejamentos diários com as ações que acontecem na sala de aula - e ficam acessíveis a toda a equipe pedagógica. Com a coordenação, encontros quinzenais ajudam a refletir sobre questões estratégicas e tomar decisões em conjunto. O colégio realiza formação específica em liderança com profissionais especializados. A equipe de direção está, constantemente, em acompanhamento com consultores na área de gestão. “Acreditamos que é preciso ter pessoas alinhadas e preparadas para

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cuidar de pessoas”.

FEEDBACK “Sem feedback não há respeito. Precisamos saber se os planejamentos estão gerando os resultados esperados e saber se os funcionários estão felizes”. Na Santi, além dos momentos “informais” de conversa, semestralmente são aplicadas avaliações de desempenho, com instrumentos para cada função, nas duas vias: gestor-funcionário e funcionário-gestor.

NA PRÁTICA Para saber como a escola pratica a gestão, os pais podem fazer algumas perguntas óbvias, por exemplo: Como a escola compartilha sua missão e valores com a equipe e certifica-se de que são colocados em prática? A escola é uma empresa saudável? É devedora? Cumpre todas as obrigações legais? Como está o nível salarial da equipe em relação ao mercado? A escola dá benefícios aos funcionários? Investe na formação da equipe? Tudo isso influencia nos resultados pedagógicos, mas poucos se preocupam efetivamente com a questão, conclui Adriana Cury.


SUPRA ENSINO, JANEIRO/2013