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OPINIÃO

ESPECIAL 15 DE MARÇO, DIA DA ESCOLA

Desenvolvimento integral Presidente da Liga do Desporto, Jean Gaspar, fala sobre a prática do esporte para o desenvolvimento de aspectos afetivos.

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epois da família, a escola é a principal instituição na formação humana. Por sua importância social, o dia 15 de março foi instituído como o Dia da Escola. A passagem da data comemorativa configura-se, portanto, como um momento oportuno para resgatarmos o sentido dessa instituição e ampliá-lo para além do conceito a que estamos habituados - introduz Gaspar. “Tradicionalmente, a escola é fonte de conhecimento e educação, tanto formal como informal. É neste ambiente que as crianças aprendem a interagir com as pessoas e a respeitar o próximo, bem como a desenvolver suas próprias aptidões”, afirma. Gaspar destaca a diferença entre os dois prismas fundamentais da escola: educar e instruir. “Educar é socializar, ensinar as boas maneiras e as regras de civilidade, ética e convivência. Já instruir significa transmitir saberes e desenvolver competências. Juntos, educação e instrução, formam o cidadão lúcido, crítico, responsável e autônomo, pronto a se socializar e a participar do processo de construção da sociedade”. Mas, para além de ser o espaço da educação e da instrução, “a escola deve ser também o espaço para expressão da afetividade”, alerta Gaspar. Por isso, é papel da escola transmitir afeto para os educandos e estimular a sua manifestação, pois por meio da troca se desenvolve o sentido da amizade, do carinho, do companheirismo, da paixão pela vida e da alegria pelas conquistas e rea-

lizações. “E pode ajudar a lidar com os sentimentos e emoções negativas, que atrapalham o convívio social e trazem infelicidade”. “A escola é um espaço não apenas para o desenvolvimento da mente e do cérebro, mas também de formação integral do ser humano, onde o indivíduo se forma holisticamente, integrando razão e emoção, corpo e alma.”

ESPORTE COMBINA COM AFETO “É nesse sentido que a prática desportiva se insere no contexto escolar. Não como mero culto ao corpo e à competição individualista, mas sim como uma oportunidade para também desenvolver aspectos afetivos.” Como exemplo inspirador, Jean Gaspar cita o programa de educação esportiva Toque de Letra, voltado para estudantes de 6 a 11 anos de idade. São duas aulas semanais (de basquetebol, futsal, voleibol e handebol), fora do período escolar, ministradas por educadores físicos, em escolas públicas. Desde 2009, o Toque de Letra vem sendo um sucesso crescente. Em 2012, foram mais de 8 mil crianças em 68 polos de atendimento. “Neste ano, já são mais de 13 mil crianças inscritas, que estão praticando o exercício da cidadania ao invés de estarem nas ruas desacompanhadas e vulneráveis, ou imobilizadas na frente da televisão ou do computador, enquanto seus pais trabalham”, destaca Gaspar. Para que um projeto desse tipo

tenha sucesso, é funtamental o caráter pedagógico, que visa estimular, por meio do esporte, a ampliação do acervo motor, o desenvolvimento educacional, social, afetivo e cognitivo dos participantes, além da prática esportiva propriamente dita. Dentre os diferenciais que o Toque de Letra oferece estão os princípios da inclusão e o respeito à diversidade humana. Desde a sua concepção, o Toque de Letra é para todos. “Nosso objetivo não é formar atletas de alto rendimento, mas sim estimular a capacidade de aprendizado e o desenvolvimento de atitudes humanas essenciais como cooperação, cordialidade, ética, liderança, respeito, disciplina e autoconfiança.” Fica a dica para a gestão pedagógica da sua escola. Pode valer a pena investir numa logística que permita atividades além da sala de aula.

“A ESCOLA É UM ESPAÇO PARA A FORMAÇÃO HOLÍSTICA DO SER HUMANO, INTEGRANDO RAZÃO E EMOÇÃO, CORPO E ALMA.”

JEAN GASPAR Presidente da Liga do Desporto

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CAMPANHA

POR DÉBORA CARVALHO

Combate à obesidade infantil Pior do que os traumas por rejeição são os males à saúde; a escola pode ajudar os pais nessa empreitada.

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obesidade infantil continua em debate em 2013, devido ao crescimento no número de crianças com excesso de peso nos últimos anos. Esse aumento deve-se ao consumo elevado de alimentos ricos em carboidratos, refinados e gordurosos. “Refeições em fast-foods apresentam pouco valor nutricional, prejudicando o metabolismo. A diminuição na frequência das atividades físicas também contribui para o aumento dessa disfunção”, afirma Flávia Morais, coordenadora da área de nutrição da rede Mundo Verde. O ideal é substituir alimentos muito calóricos pelo de baixa calorias e alto valor nutricional. Oferecer alfarroba, chocolate amargo (70%) ou barras de cereais ao invés do chocolate ao leite. Preferir cereais integrais sem açúcar ou frutas liofilizadas aos salgadinhos, bolacha integrais às recheadas e oferecer muffins zero açúcar no lugar dos excessivamente açucarados, são algumas dicas benéficas para manter

CONFIRA OUTRAS DICAS DA REDE MUNDO VERDE PARA EVITAR A OBESIDADE INFANTIL 2

em dia a nutrição infantil. Verduras, frutas e legumes não podem faltar no cardápio. A saúde deve pautar a educação alimentar desde os primeiros anos de vida. O papel da família é fundamental desde a gestação. Especialistas recomendam que a gestante tenha

uma alimentação balanceada. “Nada de comer tudo que dá vontade na quantidade que desejar”, recomenda o doutor Gideão de Oliveira, médico obstetra, ao alertar para o risco de obesidade do feto. Durante a amamentação, a mãe deve ingerir diferentes tipos de alimento para acostumar a criança com

· O leite materno é o melhor alimento para o bebê nos primeiros seis meses; · Após o período de amamentação, é fundamental acostumar a criança a comer produtos naturais, como frutas ou sucos, de preferência orgânicos e não adoçados, legumes e verduras; · O cardápio deve ser diversificado e equilibrado. Uma dica importante para os casos de rejeição é criar pratos criativos e de boa aceitação com o alimento, como cremes, sopas, suflês, tortas e bolos. Chamar as crianças para prepará-los também pode ser um estímulo; · A rotina alimentar também é fundamental. A criança deve ter horários bem definidos e comer com calma, em um lugar tranquilo, arejado e limpo. Comer muito rápido, em ambiente barulhento e em frente à televisão, pode contribuir para o consumo exagerado de comida, sem a mastigação correta e de maneira pouco prazerosa; · O exemplo da família também é importante. A reeducação alimentar deve envolver a família toda. Não adianta os pais insistirem que

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a diversidade de sabores. Diferente do leite especial industrializado, que tem sempre o mesmo sabor, o leite materno incorpora, sutilmente, sabor e textura do que a mãe come. A escola deve liderar campanhas educativas que envolvam toda a comunidade escolar. Os conteúdos de língua portuguesa, educação artística, ciências, biologia, língua estrangeira e até informática podem ser utilizados para conectar informações relevantes e criativas. Uma pesquisa apresentada na mídia na segunda semana de março,

aponta que as crianças ignoram os alimentos saudáveis. Isso significa uma falha muito grande tanto nos hábitos familiares quanto no papel educativo da escola. Segundo a nutricionista Daysiellen Cabral, que durante sua pesquisa de Pós-graduação realizou um trabalho numa grande rede de escolas particulares, as crianças aprendem fácil e mudam os hábitos. O famoso chef Jamie Oliver provou que é possível a escola ajudar a família nessa empreitada. Em escolas da Inglaterra ele conseguiu

mudar os hábitos alimentares das crianças. Na primeira semana, a comida saudável foi para o lixo. Na segunda, comeram metade. Na terceira, comeram tudo. Na quarta semana as crianças estavam calmas, sem irritação e estresse, sem brigas constantes entre colegas. A única colaboração dos pais foi parar de enviar refrigerante, bolacha rechada e guloseimas na lancheira das crianças. No documentário, Oliver e as merendeiras se emocionaram quando as crianças começaram a pedir frutas. Basta oferecer!

MEDIDA URGENTE:

REPENSAR O PAPEL DA CANTINA ESCOLAR DIANTE DE SUA RESPONSABILIDADE EDUCATIVA EM DETRIMENTO DA FUNÇÃO DE FONTE DE RECEITA EXTRA COM GULOSEIMAS QUE PREJUDICAM A SAÚDE DOS ESTUDANTES E ENFRAQUECEM AS ORDENS DA FAMÍLIA.

os filhos se alimentem de maneira saudável, sendo que eles próprios comem comidas de pouco valor nutricional na frente das crianças; · A escola também tem a obrigação e o dever de oferecer merendas saudáveis, fortalecendo a atitude de proibição da venda de produtos prejudiciais nas suas cantinas. Converse com a direção da instituição onde seu filho estuda; · Na hora de preparar a lancheira, opte sempre por biscoitos integrais, frutas secas e barras de cereais;

· Guloseimas, salgadinhos, bolachas e doces, são ainda considerados o carro chefe da alimentação infantil. As quantidades exageradas de calorias, somadas à ingestão de poucos nutrientes e substâncias químicas prejudiciais, geram uma combinação extremamente nociva. Não precisa proibir o consumo, apenas evite a compra regular desse tipo de alimento. É permitido, por exemplo, comer um chocolate como sobremesa, mas, no dia seguinte, deve-se sempre optar pela fruta. Converse com a criança e proponha esse “acordo”; · Estimular atividades físicas também é importante, desde que se respeite o gosto da criança. Descubra o esporte preferido de seu filho e o incentive a praticá-lo. Participe se for necessário e possível.

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TECNOLOGIA

POR SÉRGIO MARTINS*

A TECNOLOGIA

COM PÉS NO CHÃO

Especialista em mídia fala sobre importância de relacionamentos

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m um contexto de transformações tão intensas, ficam no ar algumas grandes tendências que permeiam a educação neste ano. Com uma enorme margem de incertezas, podemos tentar traçar alguns caminhos. Certamente a tecnologia será um deles. “Que novidade!”, mas, depois de muito tempo de um evidente descompasso entre tecnologias que avançam desconectadas das necessidades reais dos professores e de escolas que resistem cegamente, há um movimento concreto de aproximação. A tecnologia coloca os pés no chão, com respostas mais diretas aos problemas reais da educação. Ao mesmo tempo, a difusão de tablets e smartphones acaba por impor às escolas uma nova adaptação aos recursos existentes. Vivemos essa realidade no nosso sistema de ensino, que criou plataformas de educação digital, as quais são agora avidamente

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procuradas e usadas por nossos parceiros. Sim, há novidades, e precisamos estar de olhos e ouvidos bem abertos. No entanto, a tecnologia não muda nada sozinha. A educação, como um todo, movimenta-se dentro do turbilhão da contemporaneidade. Nós, gestores, coordenadores e professores, estamos sentindo isso na pele. A escola não pode mais ser como sempre foi. A intenção de formar cidadãos plenos permanece, mas é preciso caminhar na direção de um ensino mais significativo, contextualizado e inovador, ligado aos problemas que vivemos no dia a dia. A utilização do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, como forma de acesso à universidade, é uma realidade para quem gosta e para quem não gosta da avaliação e terá um papel indutor cada vez mais claro para as práticas pedagógicas do ensino médio. BULLYNG É SINTOMA Há outra questão que se mostra cada vez mais urgente: a atenção que nós, educadores, damos à qualidade do convívio. Alguns preferem focar no bullying, que, realmente, é um tema em evidência. Mas os episódios de violência, sofrimento e humilha-

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ção na escola que caracterizam o bullying são sintoma, não o mal em si. A doença é o resultado da pouca eficácia com que os colégios vêm enfrentando as questões ligadas à convivência. Esse é um trabalho que precisa sair rapidamente do campo da retórica e entrar na veia da educação. Formar cidadãos exige novas posturas dos gestores e dos professores. A educação para a convivência é, sim, uma prioridade que deve ser levada em conta, pois tem a ver - direta ou indiretamente - com os dois pontos já aventados: escolas atentas ao interesse e à nova cultura dos jovens, que estimulam a participação, a colaboração e o diálogo, criam vacinas naturais contra o que se chama indistintamente de “indisciplina”. Esses três pontos destacados são recorrentes quando se fala em educação. E um dos pontos comuns entre eles é o investimento na formação dos professores, que deve ser cada vez maior, com propostas realistas, aplicadas e contemporâneas. Essa é a chave para 2013. É tempo de “sacudir a poeira” e olhar para o futuro, que já se encontra no presente de todos nós. *Antônio S érgio Martins de Castro é Gerente de Mídias Digitais do Ético Sistema de Ensino, da Editora Saraiva

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Supra Ensino - março/2013  

Matérias da edição de março, revista para gestores da educação

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