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A MULHER NO MUNDO

Em numerosas regiões do mundo, as mulheres estão presentes e agem concretamente em todos os sectores da vida – social, económico, cultural, religioso e político – oferecendo assim uma contribuição indispensável para o lançamento de estruturas cada vez mais dignas da humanidade. Por intermédio da perspicácia que lhes é própria, as mulheres enriquecem a compreensão do mundo e ajudam a fazer com que as relações entre as pessoas e os povos se tornem mais honestas e genuínas. As mulheres fazem isto à custa dos maiores sacrifícios. Tais sacrifícios exigem uma igualdade autêntica em todos os sectores: pagamento equitativo para um trabalho equitativo, protecção às mães que trabalham, justiça nas evoluções profissionais, igual tratamento aos cônjuges em relação aos direitos familiares, e o reconhecimento de tudo aquilo que faz parte dos direitos e dos deveres de todos no seio de uma sociedade democrática. Trata-se de uma questão de justiça e de necessidade.


A MULHER OCIDENTAL O papel da mulher na sociedade começou a mudar a partir da Revolução Francesa (1789), quando as mulheres passaram actuar de forma significativa na sociedade. Exploração e limitação de direitos marcaram essa participação feminina e aos poucos foram surgindo movimentos pela melhoria das condições de vida e trabalho, a participação política, o fim da prostituição, o acesso à instrução e a igualdade de direitos entre os sexos. Na segunda metade do século XVIII, com a Revolução Industrial a absorção do trabalho feminino pelas indústrias, como forma de baratear os salários, inseriu definitivamente a mulher na produção. Ela passou a ser obrigada a cumprir jornadas de até 17 horas de trabalho em condições insalubres e submetidas a espancamentos e humilhações, além de receber salários até 60% menores que os dos homens. As manifestações operárias surgiram na Europa e nos Estados Unidos, tendo como principal reivindicação a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias. Em 1819, depois de um frente a frente em que a polícia atirou contra os trabalhadores, a Inglaterra aprovou a lei que reduzia para 12 horas o trabalho das mulheres e dos menores entre 9 e 16 anos. Foi também a Inglaterra o primeiro país a reconhecer, legalmente, o direito de organização dos trabalhadores, com a aprovação, em 1824, do direito de livre associação e os sindicatos se organizaram em todo o país. Com as mulheres engajadas nessas causas, muitas conquistas vieram e, pouco a pouco, a classe feminina foi conquistando mais espaço, provando competência e força de trabalho. A cada geração as mulheres ficam mais independentes e, mesmo sem grupos organizados, as conquistas continuam. Mais do que uma luta pessoal, as mulheres com consciência do poder da classe - também estão representadas junto às causas sociais, emitindo opiniões e reivindicando mudanças nos problemas das minorias.


A MULHER AFRICANA Desde há longos anos que a mulher africana tem sabido enfrentar com amor e coragem uma luta gigantesca provocada por diversos motivos. Lutou contra a opressão colonial, contra a fome, a miséria, teve que se deslocar de uma terra para outra à procura de sobrevivência e por causa das guerras civis em muitos dos países Africanos. As Mulheres Africanas têm lutado incansavelmente para conseguir modificar os errados conceitos da sociedade em relação aos direitos das mulheres. Têm demonstrado uma coragem impressionante e apesar das imensas dificuldades que lhes têm sido apresentadas não perderam a alegria e demonstram uma força inquebrantável para conseguirem alcançar o seu objectivo principal: direitos iguais e uma sociedade mais justa. Apesar dos passos dados resta ainda um longo caminho a percorrer. É grande o número de mulheres vítimas de conceitos condenáveis (excisão – mutilação genital feminina – violação, apedrejamento, tráfico de mulheres, lapidação), da exclusão social, da violência familiar e cultural, dos Direitos Humanos fundamentais negados (acesso à instrução, interdição ao direito de voto e de propriedade)... Mas a coragem e a capacidade de resistência das Mulheres lhes darão a esperança de caminhar rumo a um futuro de mais Dignidade, Justiça e Paz. A luta pela igualdade e pelo desenvolvimento continua, sabendo que até a vitoria final haverá entretanto necessidade de instruir milhões e milhões de mulheres e de crianças, e sobretudo os homens necessitados até progredirem as sociedades actuais.


A MULHER MUÇULMANA A mulher ocupa uma posição de inferioridade na sociedade muçulmana. Quando falamos na mulher muçulmana, dois símbolos logo nos ocorrem: o harém e o véu. Estes sinais distintivos das mulheres muçulmanas sugerem a sua subordinação ao homem, apesar da igualdade espiritual das mulheres estar expressa no Corão. A subordinação da mulher é demonstrada e justificada pela lei, costumes e tradições da Civilização Muçulmana, dizendo mesmo que há apenas um reconhecimento dos diferentes papéis dos dois sexos e não uma inferioridade efectiva. Assim, as marcas jurídicas da inferioridade da mulher são as seguintes: - a mulher só pode ter um marido, ao contrário do homem, que pode ter quatro mulheres ao mesmo tempo; - a mulher só pode casar com um muçulmano, ao contrário do homem, que pode casar com uma mulher de outra religião; - a mulher apenas pode pedir o divórcio em casos extremos, ficando a custódia dos seus filhos para o pai, e o testemunho do homem tem o dobro do valor do da mulher; - a herança da mulher é duas vezes inferior à do homem. - A maioria das mulheres vive na reclusão, poucas foram as que tiveram papéis activos em questões públicas, embora actualmente haja uma crescente liberalização do papel das mulheres fora de casa que começou sob a influência ocidental. Em alguns países, porém, verifica-se um retrocesso aos valores islâmicos, através do fundamentalismo islâmico." A mulher árabe tem uma prática de vida completamente diferente da mulher ocidental, tendo de obedecer a regras muito estritas. No entanto, a forma de viver das mulheres não é igual em todo o mundo árabe. Em alguns países árabes as mulheres vivem enjauladas e maltratadas e noutros alcançaram a sua emancipação.

A MULHER ORIENTAL


Neste momento a China torna-se, novamente, o espelho distante do ocidente: a sociedade chinesa, no curso da sua história, tem atitudes variadas em relação à questão da mulher. Ora apresentada numa condição de subserviência e inferioridade humilhante, ora apresentada como um ser divinal e necessário à existência da humanidade. Assim, as mulheres tinham que enfrentar, muitas vezes, o casamento arranjado; ao marido era permitido uma poligamia relativa (a primeira esposa era considerada principal e as outras concubinas); ao passar de uma família para outra, viravam filhas dos sogros, e a eles deviam servir; por fim, sua mobilidade social sofria várias restrições. No entanto, estas mesmas mulheres tinham o direito de recusar pretendentes; herdavam os bens do marido, e podiam se separar dele - o divórcio é conhecido e aceito na China, embora não fosse muito bem visto - e continuavam a ser objecto de culto em diversos rituais religiosos populares. As mulheres podiam, inclusive, participar de vários rituais e sacrifícios familiares e imperiais, função considerada sagrada na manutenção da ordem social e cósmica. Na dinastia Song surge a revelação trágica do infanticídio, praticado principalmente por famílias pobres e envolvendo, na maior parte dos casos, meninas indesejáveis. Populariza-se também a estética do enfaixamento dos pés, resultado da inevitável busca pela beleza. As iniciativas do governo comunista visavam inserir a mulher numa visão moderna do mundo do trabalho. Isso significou um amplo quadro de avanços, mas também de adaptações. Algumas delas marcam nitidamente as diferenças de visões dos chineses em relação ao resto do mundo. Por exemplo: dada à importância da questão do planeamento familiar, o governo foi obrigado a legislar sobre o número de filhos que um casal pode ter, evitando assim o fenómeno da super população; por outro lado, o aborto e o uso de contraceptivos foram amplamente liberados, mas recentemente proibiu-se o uso de exames que possam indicar o sexo da criança - muitos casais abortavam as meninas, posto que preferiam ter filhos homens.


Mulher no mundo