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AGRADECIMENTOS
Uma compilação de textos, mesmo que pequenina como esta, só foi possível devido à conjugação de esforços e boa vontade de todos os intervenientes. Não pode, assim, a equipa da biblioteca escolar da Escola Secundária c/3º Ciclo do Entroncamento deixar de agradecer muito reconhecidamente às professoras de Português, Helena Duarte e Teresa Fernandes, aos alunos do 10ºA CT, 10ºB LH e 10ºA CSE envolvidos no projeto, à Equipa Técnica e aos utentes do Centro de Convívio do Entroncamento pelo empenho, dedicação e disponibilidade que demonstraram em todas as etapas deste projeto.
A Coordenadora das Bibliotecas Escolares Elsa Barreiros
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ÍNDICE
A descoberta…………………………………………………………………….4 A maldiçao de Morgana…………………………………………………….6 A promessa………………………………………………………………………8 Castigo abençoado………………………………………………………….10 Encontro inesperado………………………………………………………12 O destino………………………………………………………………………..14 Os dois amores……………………………………………………………….16 O regresso………………………………………………………………………18
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A descoberta Estávamos no ano de 1935. Era o dia 2 de novembro, a data em que nasceu o nosso grande herói – Fred. Naquela aldeia de montanha, todos eram pobres e ninguém tinha dinheiro, mas todos viviam felizes ao lado da família. Fred integrava este grupo de aldeãos. O pai era um ferroviário maquinista da CP que tinha conseguido o feito de ser o primeiro maquinista a chegar com o comboio a Duas Igrejas, em Miranda do Douro, em 1938. Mas um acontecimento veio alterar radicalmente a vida de Fred e dos irmãos. A morte do pai em 1944 foi um desastre. Fred tinha apenas 9 anos e tudo mudou, perderam tudo o que possuíam, incluindo a casa. Como apenas 2 irmãos trabalhavam, Fred e a sua família tiveram de partir para Freixo de Espada à Cinta, onde um dos irmãos trabalhava como praticante de estação. Foi aí que tudo aconteceu… Ia Fred a caminho de São Mamede de Ribatua, onde o irmão trabalhava numa pedreira quando, de repente, ouviu um estrondo
enorme,
seguido
de
outros
mais
pequenos,
igualmente
ensurdecedores. O animal em que seguia assustou-se, relinchou e levantou as patas dianteiras, o que fez com que o nosso herói - Fred - caísse estatelado no chão e o animal fugisse. Fred, com uma perna ferida, desceu a encosta e foi lavar a ferida no rio que corria no vale. Fê-lo com tremendo esforço. Ao aproximar-se da água, ”naquela terra de ninguém”, onde não existia vivalma, sentou-se numa pedra e chorou. Chorou de dor, de tristeza e de solidão. Que iria fazer? Como sairia dali? Passaria alguém naquele carreiro? Era verão e o calor escaldava o seu corpo e a sua alma. Coxeando, procurou uma sombra num buraco de uma grande pedra. De dentro da rocha vinha uma brisa muito fresca. Estranhou, mas teve curiosidade e entrou. Pareceu-lhe ouvir um som oriundo daquele buraco. Roído de curiosidade, caminhou ainda mais guiado pela fraca chama do seu isqueiro. O som aproximava-se. Agora podia perceber que era água a correr em cascata. Os seus olhos nem podiam acreditar no que avistavam! Naquela gruta, com uma pequena abertura, por onde entravam raios de sol – Ouro! Ouro! Tanto ouro! A correr em pedacinhos naquelas águas cristalinas que discorriam do cimo dos rochedos. Fred tinha que avisar o irmão. Seriam ricos! 4
Arrastando a perna, subiu a ladeira e dirigiu-se ao carreiro onde caíra. Ao longe avistou o animal que tranquilamente comia palha seca. Foi em sua direção e apanhou a corda. Montou com dificuldade, mas o entusiasmo da notícia fazia-o esquecer a dor. O percurso foi para ele uma eternidade. Mas quando chegou já era de noite. A notícia provocou uma imensa alegria no irmão que estava habituado ao duro trabalho das pedreiras. Sem revelarem o seu segredo, todas as tardes iam abastecer-se do ouro que viria a ser o sustento para toda aquela família. Até hoje, o segredo nunca fora revelado. Apenas se sabe que o irmão viaja muitas vezes para Angola. Porque será?
Autores: 5
Ana Rafael André Freire Inês Rafael Rita Pedro
A maldiçao de Morgana Maria Pereira vivia com as suas primas e com o seu avô na aldeia do Chibo. Viviam numa casa isolada onde, à volta, só havia flores, árvores e um pequeno lago que atravessava a fonte da casa. Nas traseiras havia uma pequena quinta e uma cerca onde estava uma mula. Todos os dias o avô de Maria Pereira ia para a cidade onde punha a mula à nora e vendia legumes e frutas que cultivava e colhia na sua quinta. Enquanto punha a mula à nora, Maria Pereira e as suas primas eram encarregues de ir vender os produtos, mas, ao invés disso, iam para o tanque da casa de Morgana, a bruxa da cidade. Morgana vivia numa grande casa, com um portão preto e sinistro e com um muro alto, mas que não impedia as raparigas de o saltarem. Todos os dias o ritual era o mesmo, no entanto Morgana nunca tinha apanhado as raparigas, embora soubesse o que faziam. Certo dia decidira ficar à espreita do seu salão. As raparigas saltaram as grades afiadas do muro e correram até ao tanque, deixando as roupas para trás. - Suas cabras! - Gritou descendo as escadas que davam acesso ao quintal. - Malditas! Que Lucifer vos amaldiçoe! As raparigas saíram do tanque a correr, saltando o muro e deixando as roupas no quintal. Morgana saiu de casa a correr e perseguiu as raparigas. - Escondam-se aqui! - Chamou uma voz vinda de uma esquina. Flor, a prima mais velha, perguntou à voz que as chamou: - Quem és tu? - Sou o João, o meu pai é um burguês daqui. - Temos de voltar para perto do nosso avô - disse Isabel. - Eu empresto-vos roupas. – Propôs o João. Depois de se vestirem, quando se iam a despedir, o João puxou a Maria: - Como te chamas? - Maria. Ele sorriu. - Amanhã vens à cidade? - Vou todos os dias. 6
- Espero ver-te lá.- Disse o João quando já se estava a afastar para regressar à cidade. O João tinha 17 anos. Passado algum tempo e depois de alguns encontros furtivos, o João e a Maria apaixonaram-se. Quando tudo parecia correr bem, o João num encontro no jardim segredou-lhe ao ouvido: - Vou para a Marinha. Ela olhou-o de soslaio timidamente e não acrescentou nem uma única palavra. - Parto daqui a duas semanas. Ela ficou cabisbaixa e ele estendeu-lhe um pequeno embrulho. Abriu-o lentamente enquanto o João falava: - Devo ficar um ano fora, quando voltar…. Maria abriu o embrulho, era um anel de noivado. Levou as mãos à cara lavada em lágrimas e ele abraçou-a com ternura. - Aceitas? Maria abanou a cabeça num gesto de consentimento. O tempo passou, foram trocando cartas até ao dia em que João regressou. Marcaram o casamento para o dia 10 de julho de 1983 e foi ele quem pagou todas as despesas. No dia do casamento, ela dirigiu-se para a igreja. Quando o pai dele chegou à igreja com o chapéu preto debaixo do braço, aproximou-se com um olhar vazio e pediu ao padre o cancelamento do casamento. A noiva olhou desconfiada, pois não estava a perceber o que se estava a passar. O sofrimento era evidente no rosto daquele pai que sem demora anunciou, num tom melancólico: - O João não veio e nunca mais irá a lado algum, ele já não está connosco. Maria deixou o ramo de flores caído no altar e saiu a correr pela igreja fora. No fundo da igreja, numa zona mais resguardada, a sombra da maldição, Morgana, reaparece com um sorriso sinistro e maquiavélico.
Autores: Gonçalo Leitão Mauro Bernardino Nelson Aleixo Rodrigo Santos Yohan Sousa 7
A promessa Era uma vez uma menina chamada Maria. Os seus pais eram muito protetores e não a deixavam por um pé fora de casa. Certo dia, anunciaram uma grande festa em que o príncipe iria escolher uma donzela para sua noiva e futura rainha. Maria implorou insistentemente junto dos pais para que lhe dessem permissão para ir à festa, mas eles não hesitaram nem um segundo e responderam logo que não. Todas as suas amigas iam, incluindo a sua irmã mais velha, Joana. A pobre moça ficou destroçada e de coração partido. -Porque é que eles a deixam ir e a mim não? – Suspirava ela de tristeza. A noite da festa aproximava-se e Maria realizava todas as tarefas que lhe davam com o intuito de persuadir os seus pais a mudarem de opinião, mas nem assim ela teve a tão desejada permissão. Maria passou horas a pensar no que ia fazer, até que se lembrou de um pormenor. O baile seria na noite seguinte e restava-lhe uma última oportunidade. O sol nasceu e Maria foi a primeira a levantar-se. Dirigiu-se até ao quarto da sua irmã para verificar se ela ainda estava a dormir. Os pais tinham saído para trabalhar, o que significava que podia falar à vontade com a irmã e pôr em prática o seu plano. -Joana! - Gritou Maria. – O teu pequeno-almoço está pronto! Joana, ainda meio ensonada, foi ter com a irmã. -O que se passa? – Perguntou Joana. -Como sabes, vai haver um baile em que o príncipe vai escolher a sua princesa e como tu já namoras penso que não tens interesse em ir, por isso, por favor, deixa-me ir no teu lugar. -Sabes que os pais nunca irão consentir… - respondeu Joana. - Ajuda-me por favor! Eu tenho um plano. Maria explicou então o seu plano à irmã. - Antes de nos irmos deitar, tu vais para o meu quarto e eu para o teu e assim os pais nunca irão desconfiar. Vão partir do princípio que eu já estarei a dormir, mas serás tu que vais estar no meu lugar. Apesar de desconfiada com a solução encontrada, Joana concordou. As oito badaladas soaram e Maria estava pronta. Tinha arranjado um vestido novo, azul da cor do céu, e uns sapatos a combinar. 8
Saiu então de casa e foi em direção ao palácio, na esperança de poder viver o seu próprio conto de fadas. Quando lá chegou, passou despercebida no meio da multidão. Aberto o baile, Maria dirigiu-se para a pista de dança, dançou durante toda a noite e só regressou a casa quando a festa terminou. O príncipe não escolheu nenhuma donzela para se casar. Porém, apesar de triste, Maria não perdeu a esperança, pois ela acreditava que o seu destino estava traçado e que um dia esse seu sonho haveria de se concretizar.
Autores: Cláudia Azevedo Lina Marques Raquel Lopes
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Castigo abençoado Era uma vez uma menina chamada Rosete que vivia numa aldeia próxima de Riachos. Era pobre e tinha de pedir esmola para a família a seguir à saída da escola. O pão escasseava e a fome apertava. Na escola, a falta de concentração era grande para fazer as redações ou as contas. Em alguns dias depois da saída, era preciso ir para a horta com a sua mãe e as suas irmãs. Naquele tempo, a vida era de pobreza para todas as famílias. Devido às más condições de vida e escassez de dinheiro a mãe também era rigorosa para com Rosete. Começara a trabalhar aos 9 anos de idade. O seu primeiro castigo severo tinha sido ordenado pelo seu pai, por ter ido à festa da vila pedir comida a pedido da sua mãe. Quando o pai lhe perguntou a razão de ter ido à festa, ela mentiu-lhe e disse que não tinha nada a ver com ela. Uns anos mais tarde, ainda criança, teve um padrasto, que foi o melhor que lhe podia ter acontecido. Quando completou 18 anos, engravidou e casouse com Manuel, com quem viveu 80 anos. Com aquela gravidez vieram as consequências, os seus pais expulsaram-na de casa e deixou de ter o apoio da família. Foi viver com a sogra que também era muito dura com ela, mas assim que pode mudou de casa. O filho que teve foi a maior felicidade da sua vida, chamava-se Vítor, era forte, bonito e tinha uns olhos acastanhados. Em pequeno era muito reguila e fora castigado por ter posto uma malagueta na boca de uma colega de escola, o que lhe valeu um grande castigo. Mal sabia o que lhe iria acontecer… Tudo se passou quando andava na 2ª classe. O Vítor era roubado frequentemente por um colega e o furto recaía no lanche. As sacolas ficavam num bengaleiro situado atrás do quadro, num vão da escada. Por vezes, os alunos pediam para ir buscar à sacola a garrafa da água. Numa destas idas, o menino Abílio abriu a sacola do lanche do Vítor e retirou uma banana que escondeu no bolso. Saiu-se bem e a partir daí o gesto repetiu-se muitas vezes. Todos os dias a fruta desaparecia, especialmente as bananas. Cansado de tudo isto, o Vítor pediu para mudar de lugar na sala de aula. Do lugar escolhido conseguia, agora, ver o recanto onde permaneciam as sacolas e assim descobriu o autor do roubo das bananas - o Abílio.
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Para apanhar o amigo em flagrante, colocou uma malagueta esmagada na apetecida fruta. Ora, no intervalo o espetáculo foi para todos hilariante. O Abílio, após a primeira trinca gulosa na banana, deu saltos e urros medonhos e teve de ir de táxi para o hospital. Certo é que o médico deu os parabéns ao menino Vítor por ter dado a malagueta ao Abilinho, pois ele sofria de um problema grave de aftas e com a ingestão da malagueta acabou por ficar bem naquele dia. Nos dias seguintes, via-se a mãe do Abílio a levar sandes de malaguetas ao menino-prodígio. Rosete e o filho raramente se divertiam, apenas iam, às vezes, às piscinas. O marido nunca fora flor que se cheirasse, no entanto sabia-se que se preocupava com ela, até mesmo quando se deitava ao lado de outras mulheres e as tratava mal, mas com ela lá se ia preocupando. A vida de Rosete foi sempre muito atribulada, mas o filho ajudou-a a ultrapassar todos os sacrifícios. Ele foi uma bênção e hoje os netos e bisnetos são a luz que ilumina a sua vida.
Autores:
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Carolina Silva Diana Rodrigues Iveta Maria Paula Gonçalves Pedro Sousa Rita Ferreira
Encontro inesperado Estávamos nos anos 70. Portugal vivia um clima de opressão e falta de liberdade de expressão. Os jovens eram obrigados a cumprir serviço militar nas províncias ultramarinas. O jovem Mário Lourenço de 20 anos de idade não foi exceção. Ao chegar a Angola, tudo era diferente da sua aldeia natal: o clima era quente, as paisagens de longa e espessa vegetação, os animais de grande porte e as pessoas de tez morena. Estranhou, inicialmente, o contraste no modo de vida da população angolana. Enquanto uns viviam em grandes quintas, rodeados de todo o luxo e ostentação, outros tinham de trabalhar de sol a sol para terem alimento para si e para os seus. Era necessário começar a organizar a sua vida naquele diferente e afável país, ao lado da sua jovem esposa. Com a ajuda do seu irmão Francisco, Mário trabalhou numa pequena mercearia que por lá se chamava “cantina”. No início com algumas dificuldades, mas mais tarde o negócio foi caminhando. Certo dia, entraram na taberna três homens de pele negra e um branco e pediram várias “bazucas”. Quando a despesa já ia em 280 escudos, Mário avisou que o estabelecimento tinha de fechar às 21 horas, caso contrário tinham de pagar uma multa de 918 escudos. Um dos homens de pele negra esboçou um largo sorriso e disse que pagaria o que fosse preciso, pois dinheiro não lhe faltava, mas queria mais “bazucas”. Mário estava deveras enervado. Resolveu dar um prazo de 15 minutos para deixarem o estabelecimento. No fim do prazo dado, os três homens procuraram nas carteiras e não tinham dinheiro que chegasse para pagar a despesa. Mário afastou-se e silenciosamente ligou para a polícia. Conseguiu mantê-los ali durante mais uns minutos até à chegada da polícia. Os três homens insistiram em ir buscar o dinheiro ao carro, mas Mário não deixou com medo que eles fugissem. Foi preciso “sacar da pistola” para os obrigar a ficarem ali.
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Entretanto pára um carro no exterior e Mário suspira de alívio, pois era a polícia. Quando entraram, o espanto dos três polícias era enorme. Estavam pálidos e boquiabertos, sem conseguirem pronunciar uma palavra. Até que Mário perguntou: -O que se passa, senhores polícias? Apontando para os três homens negros e para o branco disseram ao mesmo tempo: -É o presidente angolano José Eduardo dos Santos, o seu “capanga” e José Sócrates. -“Que bêbedos que estão!” - Comentaram em voz baixa. A polícia deixou sair o presidente angolano que se dirigiu ao seu carro e de lá trouxe uma mala de viagem carregada de notas que deixou ao comerciante Mário Lourenço.
Autores: • Diogo Gomes • Diogo Machado • João Pedro Periquito • Nuno Gonçalves
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O destino Em 1953 vivia-se em Portugal a ditadura salazarista. Não havia liberdade de expressão, o povo era ignorante e o governo achava que ser culto era um crime. As pessoas não podiam ter as suas ideias e os jovens eram obrigados a combater em África. Nesse mesmo ano, Fernando Marques Mário foi para Moçambique cumprir o serviço Militar. A saída dele e dos outros jovens da mesma idade foi dolorosa. Naquele barco cheio de militares sentia-se a tristeza da despedida das mães e dos familiares próximos. Esta imagem marcou para sempre Fernando Mário. A chegada àquele país africano foi uma surpresa. O clima era ameno, as paisagens deslumbrantes e as savanas proporcionavam imagens indescritíveis. O jovem Fernando, fascinado com o novo país, rapidamente esqueceu a pátria. Terminado o tempo militar, investiu as suas fracas economias numa pequena loja de mercadorias e objetos utilitários. Um dia, estava ele atrás do balcão, conheceu aquela que iria ser a sua primeira esposa e com quem iria casar dois anos mais tarde. Maria era uma jovem trasmontana, loira, muito bonita e culta. Tinha qualidades que fascinavam o jovem Fernando. Várias vezes recebeu a visita de Maria que viria a ser professora primária daquela aldeia e que gostava muito de conversar com ele. Nasceu uma grande paixão entre eles e acabaram por casar cinco anos mais tarde e ter dois filhos que eram a alegria do casal. Tudo correu bem até ao dia 25 de abril de 1974, ela como professora e ele como pequeno empresário. A partir daí as dificuldades começaram a surgir e os conflitos familiares eram cada vez mais frequentes. Certo dia, antes de regressar, uma mulher de pele negra entrou no seu estabelecimento com búzios brancos e prontificou-se a ler-lhe o futuro. Em troca de algumas moedas, revelou-lhe as suas previsões. Um dia iria encontrar uma jovem atraente, num comboio, e ter três crianças. Ele riu-se destes agoiros. A guerra instalou-se. Era preciso regressar a Portugal. Maria voltou para Trás-os-Montes e Fernando para Moncorvo. Havia que começar tudo de novo. A vida parecia não ter paradeiro. Decidiu viajar e numa dessas viagens de
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comboio passou pela estação do Entroncamento e acabou por ficar por estas paragens. Era o destino! Num jardim em frente à estação, aparentemente sem rumo, estava uma jovem sentada a reflectir sobre a vida. Encontraram-se ao acaso e desabafaram sobre as suas vidas. Daí em diante passaram a encontrar-se mais vezes até que, dois anos mais tarde, casaram e tiveram três filhos. Porém, o destino havia de os separar. Ela faleceu e a ele restam-lhe as memórias dos dias em que foram muito felizes.
Autores:
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Ana Imaginário
António pestana
Joana Santos
Renato Silva
Os dois amores Era uma vez um arqueólogo chamado José Moutinho que vivia numa aldeia, no concelho do Fundão. Era uma aldeia pequena, muito florida na primavera e com muita neve no
inverno.
As
pessoas
de
lá
eram
simpáticas
e
dedicavam-se
maioritariamente à agricultura. José viveu nessa aldeia até completar o seu vigésimo aniversário. Nessa altura, o seu irmão que estava em Angola pediu-lhe para ele ir até lá para efetuar estudos geológicos de pontes. Em Angola conheceu uma rapariga chamada Inácia. Ele não se sentia à vontade para falar com ela, pois era filha do seu superior. Era um senhor rico, tinha três fazendas e uma casa em Sá da Bandeira. Como a rapariga era rica e José era pobre, pensou que nunca iria conseguir falar com ela. Então decidiu escrever-lhe uma carta de cinco páginas a dizer que gostava dela e pediu-a em namoro. Para escrever a carta, José empenhou-se bastante, até comprou um dicionário para aprender palavras caras. Para sua grande desilusão, Inácia não lhe respondeu. Como ficou com o coração destroçado e não suportava vê-la, decidiu voltar para Portugal, mas sempre com a esperança de um dia vir a receber uma carta de resposta. Já em Portugal, foi convidado para jogar na equipa de futebol dos seus amigos de infância, onde ocupou o lugar de defesa central. Após uma vitória da equipa, José e os seus amigos decidiram combinar encontrar-se no baile de domingo para festejarem. No baile, convidou uma rapariga que estava sozinha para dançar tango. Não estava apaixonado pela rapariga, pois o seu grande amor foi Inácia, mas achou-a bastante bonita. Enquanto dançavam, começaram a falar e acabaram por descobrir que tinham bastante em comum. Chamava-se Jovita, era professora, tinha os cabelos longos e castanhos, os olhos cor de mel e era alta. Era uma rapariga tímida, mas tinha bastante jeito para dançar. No final da noite, José estava tão encantado com Jovita que a pediu em namoro e ela aceitou com bastante entusiasmo. Combinaram encontrar-se no dia seguinte por volta das duas horas, no jardim da aldeia. 16
Na manhã seguinte, quando ele se estava a preparar para o encontro, lembrou-se que tinha pedido Inácia em namoro e que ainda não tinha obtido resposta. Caso Inácia aceitasse o pedido, iria José ficar com duas namoradas? Na dúvida, resolveu pedir conselhos ao seu ajudante, Rodrigo. Este aconselhou-o a seguir os seus sentimentos. José refletiu bastante e mais tarde optou por voltar para Angola e lutar pelo seu verdadeiro amor, por Inácia. Na verdade, ainda hoje se questiona. Será que Jovita foi ao encontro e terá esperado por ele?
Autores: Carlota Duarte Carlota Farto Carolina Teixeira Inês Hipólito Mariana Ferreira
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O regresso Numa típica aldeia do Ribatejo nasceu uma criança a quem os pais deram o nome de Joselina. A menina foi crescendo e brincando alegremente pelas ruas da pequena aldeia com os irmãos e os primos. Mas o que a deixava mais feliz era poder acompanhar a mãe quando ia lavar roupa ao rio. Nos dias em que a mãe a autorizava a chapinhar na água, até o sol parecia sorrir-lhe. Porém, as bonecas de trapos e muitas vezes as pedras roliças do rio eram as suas brincadeiras. Joselina foi crescendo e tornou-se numa bonita jovem, alegre e divertida, pois gostava muito de dançar a tarde toda nos bailes da aldeia. Um dos seus primos era o seu par preferido. Certo dia, enquanto a música do baile envolvia aquele jovem par, ela sentiu que estava rodopiando nos braços do seu futuro marido. Passado algum tempo, decidiram casar-se. Vieram os filhos e a vida complicou-se. Era necessário pensar no futuro das crianças e por cá o dinheiro que se ganhava não dava para nada. Como ela e o marido eram aventureiros, decidiram emigrar para Moçambique, um país de grandes oportunidades, segundo se dizia. Não foi fácil a adaptação. O clima e a saudade da família custavam a superar. Trabalharam bastante. Abriram um negócio e durante doze anos foram amealhando algum património, mas de nada lhes valeu. A dada altura tudo parecia desmoronar-se. Joselina, juntamente com a sua família, viu-se obrigada a regressar à pátria com apenas 100 contos nos bolsos e era necessário recomeçar a vida. Escolheram o Entroncamento para viver. Mais uma vez, decidiram abrir uma loja e, daí em diante, viveram uma nova aventura. Foram tempos difíceis, mas estavam habituados ao trabalho - dizia ela ao marido, quando as forças lhes pareciam faltar. O tempo foi passando e, apesar de todos os contratempos, conseguiram fazer aquilo que mais desejavam que era dar uma boa educação aos seus dois filhos. Autores: 18
Afonso Teigas João Dias Rodrigo Maia Rafael Fernandes
Agrupamento de escolas Cidade do Entroncamento Escola Secundária c/3º Ciclo do Entroncamento
Professores responsaveis
Prof.ª Bibliotecária:
Prof.ª de Português:
Helena Duarte
Prof.ª de Português:
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Elsa Barreiros
Teresa Fernandes