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Jornal Escolar do Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha—161123— Fundão Ano 1 Número 3 - Distribuição Gratuita - Junho de 2010

N E S TA EDIÇÃO • G ARDITORIAL •N OTÍCIAS

-2

-2-3

•LUSOFONIA( S)

- 4-5

•PRÉ- ESCOLAR

- 6-7

•1º

CICLO - 8-11

•TERTÚLIAS

- 12

•C OMENIUS

-12

• SAÚDE E QUALIDADE DE

VI D A . . .

Mafalda Moutinho * Lançamento de Livro * Moagem * 29 de Abril

• M AFALDA

- 13

MOUTINHO- 1 4

•C ENTENÁRIO DA REPÚBLICA - 15-19 • E N TR EV I S TA A J O S É J O R G E

L ETRIA -

16-17

• E N TR EV I S TA A A N T O N I ET A

GARCIA -

18-19

•PROJECTOS-

20-21

• D E P A R TA M EN TO S - 2 2 • C O N C U R S O LI TE RÁ RI O J U N TOS NA

D I F ER EN ÇA

- 23

• A D I M EN S Ã O S Ó C I O A F E C T I V A D A LEI TU RA

- 24

• A R TI G O S D E O P I N I Ã O - 2 5 - 2 7 •M URAL

-28

Exposição

Viva a República * Peça de Teatro - alunos do 6º B * Debate com José Jorge Letria e Antonieta Garcia * Moagem * 29 de Maio

Está patente ao público,

até

dia

28

de

Junho, na Moagem Cidade do Engenho e das Artes, Exposição de

Ilustração,

com

cerca de cem obras, que

representam

interpretação,

a por

mais de trinta artistas portuguesas de várias gerações de ilustradoras, de um mesmo tex-

Lusofonia(s) * Conferência de imprensa * Divulgação do Programa Comemorativo (de 9 a 18 de Junho) * BECRE * 31 de Maio

to literário, o conto russo “A mulher mais bela do mundo”.

Uma Comunidade de Aprendizagens: da partilha à construção!


Letras da Gardunha

2

EDITORIAL

Ficha Técnica

Tiragem 1000 Exemplares

Periodicidade Trimestral

Junho 2010 Impressão: Jornal Reconquista

Directora: Maria Cândida Marques Brito

Coordenação Editorial e Revisão Maria Celeste Nunes

Redacção Equipa do Jornal - Alice Marçalo; Esperança Dias; Isabel Monteiro; Isabel Teixeira; Luís Sousa; Celeste Nunes; Odete Martins; Pedro Rafael; Raquel do Carmo; Rafael Lourenço; Susana Carvalho; Teresa Gertrudes; Alunos Clube de Jornalismo

Composição Gráfica Pedro Rafael Neto Gomes

Colaboradores Toda a comunidade Escolar

Colaboradores Agostinho Craveiro; José Valente Lopes; João valente, Vânia Capelas; Telma Afonso, João Paulo Brás

Mail do Jornal: letrasdagardunha@gmail.com

Grupo da Equipa http://groups.google.pt/group/jornal-aesg

www.aesg.edu.pt/portal Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha - Fundão Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos Serra da Gardunha Bairro Stª Isabel 6234-909 FUNDÃO Telf. 275 772 928 Fax: 275 751 909

Concurso Escola Alerta MENÇÃO HONROSA

Categoria 1 atribuída à Escola Serra da Gardunha

A

pós a conquista do 1º Prémio Distrital – categoria 1, mais uma vez as turmas do 6º B e 6º C da Escola Básica Serra da Gardunha estão de parabéns pela qualidade do seu trabalho, que foi reconhecido e distinguido pelo Júri Nacional do Concurso Escola Alerta 2009-2010, com a atribuição de uma Menção Honrosa. Assim, os alunos das referidas turmas, acompanhados pelos professores colaboradores e orientadores do projecto, pela Directora do Agrupamento de Escolas, professora Cândida Brito, e pela Vereadora do Pelouro da Educação, Dr.ª Alcina Cerdeira, deslocar-seão, no próximo dia 08 de Junho, a Gondomar, para receberem a merecida Menção Honrosa. Parabéns a todos e todas os que participaram, de forma tão empenhada, neste projecto!

NOTA

G A R D I TO R I A L

Letras da Gardunha

F

inalmente, e depois de meses de fastidiosos ventos, fortes chuvadas e frios rigorosos, o bom tempo voltou. Faz-se acompanhar de alguns sinais incómodos – espirros, olhos inchados, nariz a pingar, alergias diversas –, mas também de outros retemperadores – sol, luminosidade, roupas leves e claras e, acima de tudo, a perspectiva cada vez mais próxima de um merecido e apetecido descanso. O fim de ano aproxima-se a passos largos e, se não podemos deixar de lamentar a forma olímpica como o tempo corre nas nossas vidas, também vislumbramos com ansiedade a aproximação dos ventos quentes de verão, das esplanadas repletas de pessoas, das praias refrescantes do final da tarde, dos livros que não se teve tempo de abrir e agora se vão devorar, das viagens tão sonhadas. Como dizia o poeta “Pelo sonho é que vamos…”. Antes disso, porém, é tempo

de balanço: balanço de um ano lectivo que, presentemente, se conclui, com notas finais a atribuir – muitos sucessos alcançados mas também alguns insucessos a lamentar -; exames a vigiar, preparar ou corrigir; relatórios a entregar e um novo ano lectivo a planificar, mas também balanço de um projecto que agora chega ao seu término – o projecto EducMédia, Educação pelos Média na região de Castelo Branco – e que nos permitiu, em três edições de formato em papel convencional, e em colaboração e com o apoio do jornal regional A Reconquista, realizar o sonho de elaboração de um jornal escolar com publicação regular. É verdade, ao longo deste ano que agora se conclui, alcançámos mais uma etapa de concretização do nosso projecto educativo e de dinamização da nossa Biblioteca Escolar. O Letras da Gardunha nasceu, cresceu e foi-se se desenvolvendo, com algumas quedas e atrapalhações pelo meio, pelas quais pedimos desculpas a todos os que se sentiram, de alguma forma, lesados, como é apanágio dos processos de desenvolvimento. No entanto, foi possível através da sua edição captar alguns dos momentos vividos pelo Agrupamento ao longo deste ano lectivo –

Mais Uma Semana Europeia

N

o âmbito das comemorações da Semana da Europa, que decorreu entre 6 e 12 de Maio, o Grupo Disciplinar de Geografia, em articulação com o Clube Europeu, Departamento de Línguas (Língua Estrangeira II – F r a n c ê s / Espanhol), BE/ CRE e o Centro de Informação Europeia Jacques Delors, organizou várias actividades com o objectivo de promover a cidadania europeia. Entre as actividades realizadas destacam-se o “Momento Gastronómico da Europa”, em que os alunos do Curso de Educação e Formação – Serviço de Mesa confeccionaram e serviram algumas delícias aos colegas e professores; a actividade denominada “Estrelas da Europa”, em que participaram todas as turmas da escola e que teve como objectivo essencial promover o espírito de pertença à União Europeia, o conhecimento

Jornal Escolar do Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha — Fundão

do espaço europeu e a reflexão sobre a importância dos laços que unem os países europeus; e a exposição sobre a União Europeia. As actividades da Semana da Europa culminaram com a vinda do Dr. Armando Anacleto – Formador do Centro Jacques Delors e Coordenador do Clube Europeu da E s c o l a Secundária com 3º Ciclo do Fundão, que apresentou aos alunos uma visão pormenorizada acerca da construção europeia, dos valores europeus e da importância do dia 9 de Maio – Dia da Europa.

festas, comemorações, leituras, experiências, momentos especiais, projectos, iniciativas, e tantos outros eventos que foram, nas suas três edições, marcados para um dia mais tarde se poder construir a memória deste ainda jovem centro escolar. É verdade que nem todas as vivências e opiniões puderam ser aqui retratadas, por falta de espaço ou de oportunidade, mas muitas foram aquelas que se inscreveram, de facto, no Letras, com a colaboração especial de numerosos alunos, docentes, pais e encarregados de educação e parceiros educativos a quem dirigimos os nossos agradecimentos. 2010 – 2011 anuncia-se já e, com ele, também actividades que se foram preparando ao longo deste ano lectivo e culminarão, em 2010, com a sua apresentação final - uma especial nota, neste âmbito, para as comemorações do Centenário da República, que, por razões óbvias, terminarão no dia 5 de Outubro de 2010. Quanto ao Letras da Gardunha, esperamos que volte, cheio de vida e de novas notícias para partilhar, ainda que noutro formato que não este. Até lá, boas férias a todos e a todas! •Professora Bibliotecária •Maria Celeste Nunes

DA

REDACÇÃO

E

stimados leitores, em nome da Redacção do Letras da Gardunha, cabe-me rectificar pequenos erros ocorridos na edição nº 2, de Março de 2010. Na página 6, no artigo “Experiência: Afunda ou Flutua”, não ficou publicado a totalidade do artigo. Na página 7, no artigo “O importante é motivar…”, por lapso, o artigo está assinado por EB 1 Telhado, devendo estar Jardim-deInfância do Telhado. E, por último, na página 9, no artigo “O Carnaval no Telhado” igualmente por erro, está assinado por EB 1 Aldeia nova do Cabo, devendo estar EB1 Telhado. Desde já as nossa desculpas. Continuaremos a contar com as vossas observações a fim de melhorar o Jornal do nosso Agrupamento, ou seja, o jornal de todos nós. Desejamos boas férias e ânimo reforçado para o próximo ano lectivo. •Professor Bibliotecário, Coordenador da BECRE/ PNL •Pedro Rafael N. Gomes

C ALEIDOSCÓPIOS – S M 2

E

steve patente na BECRE uma pequena exposição de caleidoscópios, construídos pela turma de 2º ano de Serviço de Mesa, no âmbito da disciplina de Matemática. Para construir um caleidoscópio é necessário o seguinte

material: - rolo de papel de cozinho; - 3 espelhos rectangulares; - cola, fita cola e papel de acetato; - papel de embrulho para forrar. Para determinar as dimensões dos espelhos, procede do seguinte modo: desenha, numa folha de papel, a circunferência, que é a base do rolo de papel de cozinha. Usando régua e compasso, determina o seu centro. A largura dos espelhos é o comprimento dos lados do triângulo equilátero inscrito nessa circunferência e o comprimento deve ser ligeiramente menor (3 ou 4 cm) do que o comprimento do rolo de papel de cozinha. Professora Paula Alves

Professora Sílvia Rodrigues

Felicidade A felicidade humana traduz-se… Não só pelos bons momentos momentos de sorte… que acontecem raramente, mas pelas pequenas vantagens, que conseguimos a cada dia… Saber perdoar, sim, É um dos caminhos… Para o amor incondicional e para a felicidade. A felicidade é difícil de atingir, pois só a atingimos tornando felizes quem amamos. A felicidade ou a infelicidade de um homem, não depende da quantidade de propriedades ou ouro que ele possui. A felicidade ou a miséria… A escolha reside na alma de cada um. Diogo Brito, nº6, SM1 http://www.aesg.edu.pt

Ano 1—Nº3


Letras da Gardunha

3

ACTUALIDADE — NOTICIAS

Visita ao Lugar dos Afectos

O Tempo

A

proxima-se o fim de mais um ano lectivo. Inevitável será, para além de todo o trabalho formal e institucional de avaliação, pensar no que preencheu os nossos dias, como se do balanço de mais um ano de vida se tratasse, num qualquer dia 31 de Dezembro. Releio o nosso Projecto Educativo, o poema de Malaguzzi que o “inspira”, a Introdução… Detenhome nas frases finais dessa Introdução: “E se o Projecto veicula uma concepção do ser humano que se inscreve numa perspectiva de mudança e de futuro, pressupondo uma atitude reflexiva fundamental para a mudança e inovação, pressupõe também, como Dewey defendeu, abertura mental, responsabilidade e o ser todo coração. É nesta interacção entre o cognitivo e o afectivo que fundamentamos o nosso Projecto, esperando que este, tal como o desenho do artista, “atinja a sua forma quando representado no quadro.” (adapt. de Mendonça, 2002).” E na minha primeira retrospectiva do trabalho deste ano lectivo, feita mais de sentir do que de instrumentos de avaliação, reconheço que a comunidade escolar se empenhou, no primeiro ano do Projecto Educativo para 2009/2013, com responsabilidade, espírito de inovação, abertura mental e coração! Só assim seria possível atingir os objectivos previstos no Plano Anual de Actividades e que se materializaram em resultados que nos dignificam, expressos em participações de qualidade a nível local, regional e nacional, em prémios conseguidos pelas equipas de alunos e docentes, na melhoria das aprendizagens e do trabalho cooperativo. Não vou referir os prémios, as participações, os resultados. As edições do “Letras da Gardunha” dão conta desse trabalho. Vou deixar, aqui, bem expresso o meu sincero agradecimento a todos os que vivem, sentem e constroem este Agrupamento, ajudando o “desenho do artista” a atingir “ a sua forma, quando representado no quadro.”: Alunos, Docentes, Técnicos Superiores, Assistentes Operacionais e Assistentes Técnicos, Pais e Encarregados de Educação, Instituições que connosco colaboram, equipa de docentes que me acompanha na Direcção. Tal como afirmei no Sarau de fim de ano dos alunos de 9º ano, que saibamos viver o tempo presente do nosso Projecto de Vida, com a tranquilidade e a sabedoria dos clássicos, expressas no verso de Horácio, e sem medo do futuro: “Carpe diem!”. •Maria Cândida M. Brito

•Directora do Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha

N

o passado dia 23 de Março, as turmas 7º B e 8º A realizaram uma visita ao Lugar dos Afectos, em Aveiro. A saída do Fundão ocorreu por volta das 8:30 horas e o regresso às 20 horas. A visita de estudo teve como objectivo aprofundar os nossos conhecimentos relativamente aos afectos e a sua importância na nossa vida. Depois do almoço, que se realizou numa escola de Aveiro, dirigimo-nos para o Lugar dos Afectos. Ao entrar por aquela porta mágica, azul, percebi que tinha entrado noutro mundo. Era tudo muito diferente do que estávamos habituados a ver, tudo cheio de cores, cheiros, histórias e sentimentos. Recebidos pela guia, fomos até um anfiteatro em forma de espiral, onde esta nos apresentou a filosofia que levou à construção daquele espaço. Depois, dividiram o grupo em dois, sendo cada um acompanhado por uma guia da quinta. O grupo do qual eu fazia parte dirigiu-se a uma casa azul e bege em que estivemos a fazer um jogo, muito diferente de todos os outros que eu já tinha jogado. Entre as palavras de explicação a nossa guia disse uma frase que me marcou: “Nós, no Lugar dos Afectos, somos estrelas…”. Depois de todas as actividades realizadas, pude concluir que toda a quinta tem uma grande carga simbólica relacionada com os afectos e com a variedade de relações positivas criadas entre as pessoas. Eu já conhecia parte da obra da escritora Graça Gonçalves, como livros e jogos, mas esta visita ultrapassou todas as minhas expectativas. Senti-me parte da grande obra desta autora! João Ramos Nº 13 Turma B -7º ano

O

Lugar dos Afectos é um sítio onde se podem aprender muitas coisas e uma delas é aprender a não ter medo de expressar os sentimentos. O Lugar dos Afectos foi construído a partir de um livro e faz-nos lembrar como é ser criança e como é bom sonhar. As casas do Lugar dos Afectos não são lisas; têm altos e baixos; como a vida. Quando estive no Lugar dos Afectos, senti que estava num sonho e que tinha voltado a ser criança. Acho que tiveram uma óptima ideia quando pensaram em construir um sítio como este. Com esta visita de estudo, aprendi que, por as pessoas já não serem crianças, ainda podem sonhar, apesar de algumas acharem que é um pouco infantil. Natacha Barreto, nº 20, 7º B CAMPEÃO NACIONAL

OLIMPÍADAS DA QUÍMICA JÚNIOR FASE NACIONAL

A

pós terem conquistado o 1º lugar na semifinal das Olimpíadas da Química Júnior realizadas na Universidade da Beira Interior, no dia 17 de Abril de 2010, as alunas Filipa Catarro, do 8º D, Inês Vieira e Vanessa Santos, ambas do 9º A da Escola sede Serra da Gardunha, ficaram apuradas para a fase final que se realizou na Universidade de Coimbra. Ficaram ainda seleccionadas as alunas Ana Rita Henriques, do 9º C, Ana Honório e Laura Gomes, ambas do 8º B, que tinham alcançado o 2º lugar na semifinal, na fase distrital das Olimpíadas decorridas na Covilhã. Assim, no dia 8 de Maio de 2010, as seis alunas apuradas partiram para Coimbra com o intuito de participar na final do evento. À semelhança da competição distrital, as provas eram constituídas por uma parte teórica e por uma parte prática, com a única diferença de que, em Coimbra, as alunas tiveram opor-

tunidade de manusear os instrumentos de laboratório e de realizar algumas experiências. Nas nacionais, participaram 14 equipas provenientes de todo o país. As equipas da Escola Serra da Gardunha prestaram provas do seu saber científico, adquirido nas aulas de Ciências Físico-

Químicas, conseguindo assim conquistar o 4º lugar. O Letras da Gardunha foi ouvir algumas das concorrentes e regista aqui opiniões formuladas: “Na nossa opinião, a participação nas Olimpíadas permitiunos aperfeiçoar os nossos conhecimentos da disciplina e estimular o nosso gosto pela Química, visto que, no futuro, pensamos

enveredar por esta área.”, comentaram as alunas Vanessa Santos e Inês Vieira. "Foi completamente inesperado quando ganhámos o segundo lugar na Covilhã. Também gostei muito de ir à final, em Coimbra. Nunca pensei que conseguiríamos ir tão longe.", disse Ana Honório. "Quando a nossa professora de C.F.Q. me disse que ia às Olimpíadas de Química Júnior, achei que seria interessante, divertido e enriquecedor... E foi! Porém, quando fomos chamadas para receber o 2º prémio nas fases distritais ficamos radiantes! Depois, nas provas nacionais fizemos o nosso melhor... Mas não chegou para alcançar o pódio. Mas, mesmo assim, acho que foi um orgulho estar entre as cerca de 20 melhores equipas de Portugal!", declarou, entusiasticamente, Laura Ramos. Segundo as alunas, o prémio conseguido só foi possível graças ao esforço e dedicação demonstrado por parte dos professores da disciplina de C.F.Q. Inês Vieira Martins – 9º A Vanessa Santos – 9º A Junho de 2010

1º LUGAR - II CAMPEONATO SUPERTMATIK QUIZ

N

HISTÓRIA DE PORTUGAL

a semana de 12 a 17 de Abril de 2010, realizou-se, na BECRE, a final on-line do II Campeonato SuperTmatik QUIZ HISTÓRIA DE PORTUGAL, promovido pela Eudactica e organizado pelo Departamento de Ciências Sociais e Humanas. O aluno Pedro Miguel Moutinho da Silva, nº 22, da turma B, do 6º ano de escolaridade, campeão do 6º ano do nosso Agrupamento de Escolas, classificou-se no 1º Lugar, a nível nacional, no referido campeonato. O Departamento de Ciências Sociais e Humanas congratula-se com os resultados obtidos e parabeniza o excelente desempenho do aluno.

A Coordenadora do Departamento de Ciências Sociais e Humanas Anabela Maria dos Santos Niza

Campeão Nacional do SuperTmatik Quiz História Pedro Silva


4

Letras da Gardunha

PROJECTO LUSOFONIA(S)

Projecto Lusofonia(s) Aconteceu...Dia Mundial do Livro

A Divulgar...Conferência de Imprensa

O

Lusofonia(s) está mesmo a abrir as portas ao público! De 9 a 18 de Junho, a escola vestirá as cores dos oito países que, ao longo do ano, foram visitados por todos os alunos que se envolveram directamente nesta viagem lusófona. Uma viagem bastante produtiva, que levou a um conhecimento essencial, se se quiser construir uma sociedade mais fraterna e contribuir para um Mundo mais justo. Agora que todos regressámos ao nosso país, vamos expor os trabalhos resultantes desta caminhada, os quais permitirão divulgar a riqueza e diversidade da lusofonia, bem como a sua cultura, gastronomia, literatura, música, dança e vestuário, não esquecendo também a habitação e a fauna e flora. O Programa do projecto é bastante diversificado, tanto quanto os países que correspondem à Lusofonia! Daí que se tenha procurado encontrar pontos de contacto com instituições, Organizações Não Governamentais, gente da sociedade civil, escritores, gente da gastronomia, da música, da dança, do canto, do desporto, …, para que pudessem falar na primeira pessoa sobre o trabalho que é feito em Portugal e além fronteiras, unindo-os um factor: a língua portuguesa. Há, então, um conjunto de parceiros, vitais para a concretização desta semana: Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD); Instituto Marquês Valle Flor (IMVF); Vida; OIKOS; Engenho & Obra, Fundação Calouste Gulbenkian. Todos estes organismos aceitaram, desde a primeira hora, o desafio uma vez que a Escola deverá ser um dos pontos nevrál-

gicos para a tomada de consciência da diversidade de povos, de gentes, de problemas sociais, educacionais, ambientais, que urge resolver, nuns casos, e conhecer, noutros. Só assim será possível trabalhar-se em prol da concretização dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM). Convém relembrar que, em Setembro de 2000, a Declaração

2015 no que diz respeito ao combate à pobreza e ao desenvolvimento sustentável. Por conseguinte, o Dia da Cooperação, e as diferentes exposições e conversas com responsáveis por estas instituições em Portugal, será uma excelente forma de promover a consciência crítica dos alunos do Concelho do Fundão e, em particular, aqueles que frequentam o Agru-

do Milénio, adoptada por todos os 189 Estados Membros da Assembleia Geral das Nações Unidas, veio lançar um processo decisivo de cooperação global no século XXI. Os dirigentes mundiais, reunidos na Cimeira do Milénio, reafirmaram as suas obrigações comuns para com todas as pessoas do mundo, especialmente as mais vulneráveis e, em particular, as crianças do mundo a quem pertence o futuro. Comprometeram-se então a atingir um conjunto de objectivos específicos, os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, que guiarão os seus esforços até

pamento de Escolas Serra da Gardunha e Academia de Música e Dança do Fundão. Para além disso, terminar-se-á o projecto com a exibição do documentário lançado a público no final de 2009, intitulado “Viver ao Sul”, da responsabilidade da Engenho & Obra – Associação para o Desenvolvimento e Cooperação, ONGD. Esta será uma via para deixar no ar a necessidade de desenvolver acções concertadas com vista à mudança da imagem do nosso Mundo, uma vez que, com este documentário, se pretende promover a participação da população portuguesa na cons-

Jornal Escolar do Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha — Fundão

http://www.aesg.edu.pt

trução de sociedades mais abertas, reflexivas e capacitadas para intervir conscientemente em prol de causas promotoras de Desenvolvimento Sustentável. Igualmente importante na harmonização dos povos, em especial destes que constituem o espaço lusófono, será a música e a preservação dos sons ancestrais de cada um destes povos. Isto será tanto mais enriquecedor quanto conseguirmos juntar-lhes o poder da palavra. Por isso, uma vez que a Área de Projecto neste Agrupamento surge ligada ao Plano Nacional de Leitura, não pudemos esquecer esta dupla: música e poesia. Haverá, por isso, um conjunto de iniciativas em que estas duas linguagens estarão lado a lado: recital de Poesia com ritmos santomenses, com a escritora Olinda Beja; espectáculo de poesia e percussão, por alunos do Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha – Pedra Angular –; leitura encenada das peças “Mãe Preta” e “O Filho da dona Anastácia”, de Nuno Pinto Custódio, pela mão da ESTE Estação Teatral da Beira Interior -; recital de piano e música brasileira com a pianista Cristina Margotto e Florence Lobo. O auge destes espectáculos acontecerá aquando do concerto final com todos os coros e orquestras da Academia de Música e Dança do Fundão, que levarão ao palco da última noite um espectáculo inteiramente produzido para mostrar como a riqueza dos povos desvendados pelos portugueses a partir do Século XV se

pode reencontrar nesta nova viagem por “mares nunca dantes navegados”. Relevante será também a Feira do Livro da Lusofonia, em parceria com a Biblioteca Municipal do Fundão, onde haverá exclusivamente produção literária dos oito países que dão corpo a este projecto. Uma iniciativa, tal como todas as outras, aberta à comunidade local. Paralelamente haverá conversas com escritores do espaço lusófono, que virão falar das suas incursões literárias pelos seus países e o que de rico aí recolheram para divulgar através da escrita. Autores já confirmados: Augusto Carlos (Moçambique), Luís Cardoso e Prof. Luís Costa (Timor Leste). Como a gastronomia é riquíssima em todos os países por onde viajámos ao longo do ano, haverá, durante a semana, no refeitório da escola, ementas dos diferentes países e, ainda, um jantar gastronómico com sabores genuínos de Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe, numa estreita parceria com a Escola Profissional do Fundão. Finalmente, e não querendo ser exaustivos, a semana das Lusofonia(s) contemplará ainda áreas como o desporto, a fauna e a flora, bem como a habitação dos países do sul – a palhota (construída no recinto escolar, como marca que ficará, para já, no final deste projecto, para lembrar aos alunos que nem todos têm as mesmas condições de habitabilidade no Século XXI). Esta mistura justifica-se na medida em que se trata de formas complementares de divulgar o quotidiano destes países, muitos considerados subdesenvolvidos, porém riquíssimos em tradições ancestrais. Professora Ana Relvas Ano 1—Nº3


Letras da Gardunha

5

PROJECTO LUSOFONIA(S)

- Um Som, a União na Diversidade A acontecer...Programa de 9 a 18 de Junho Horário

9 de Junho 

11 de Junho 

14 de Junho 

15 de Junho 

16 de Junho 

17 de Junho 

18 de Junho 

4.ª feira

6.ª feira

2.ª feira

3.ª feira

4.ª feira

5.ª feira

6.ª feira

Actividade

Espaço

Actividade

Espaço

Actividade

Espaço

Actividade

Espaço

Actividade

Espaço

Actividade

Espaço

 

Dia da Coo-

BE/CRE 

(H)á conversa

BE/CRE 

Documentário

Jogos Tradi-

Campos

 

peração 

 

com… 

 

“Stórias de

cionais da

exteriores

 

 

 

Escritor

 

Midjeris” 

Lusofonia 

da escola

 

(H)á conversa

 

Augusto

 

 

 

com… 

 

Carlos 

 

(H)á conversa

(H)á conversa

Dr. Carmelo

 

 

 

com… 

com… atletas

Rosa – Direc-

 

 

 

Instituto Mar-

dos países

tor do Serviço

 

 

 

quês de Valle

lusófonos

de Educação

 

 

 

Flor 

e Bolsas da

 

 

Bufete

 

Fundação

 

Apresentação

dos

VIDA –

Calouste

 

do CD – “Os

alunos

Voluntariado

Gulbenkian 

 

Sons do

Internacional

Dr. Augusto

 

Brasil na

para o Desen-

Manuel

nossa voz” 

volvimento

Nogueira G.

 

Africano 

9.30  *  12.30 

Correia–

BE/CRE

Actividade

Espaço

 

Presidente do IPAD  Prof. Arnaldo Saraiva  Moderador: Fernando Paulouro    Feira do Livro    Exposição –

Biblioteca Municipal

Painéis do IPAD

14.30  *  17.00 

Sessão de

BE/CRE 

(H)á conver-

Biblioteca

Exposição –

Piso 1 da

(H)á conversa

BE/CRE 

Sessão de

Auditório

Uma escapa-

Biblioteca

14.30 h - (H)

BE/CRE 

Abertura

 

sa… em

Municipal 

Brinquedos

Escola 

com… Pedro

 

apresenta-

da

dinha… o

Municipal 

á conversa

 

Inauguração

 

Tétum 

 

de Portugal 

 

Lindeza –

 

ção do

Escola

turismo em

 

com… Luís

 

da Exposição

 

Prof. Luís

 

 

 

Missão

 

“Projecto

Profissio-

Timor Leste 

 

Cardoso –

 

Central

 

Costa 

 

Exposição de

Piso 1 da

Humanitária

 

FINICIA” -

nal

 

 

Escritor timo-

 

(trabalhos de

 

 

 

Brinquedos

Escola 

na Guiné 

 

IPJ

 

 

 

AP produzi-

 

 

de Moçambi-

 

 

 

Campeonatos

Bufete dos

rense  

dos pelos

Exterior

 

que 

 

Exposição

 

de: 

alunos e

 

alunos)   

da

 

 

Bufete

fotográfica –

Bufete dos

Ouri 

átrio junto à

 

Bufete dos

Espectáculo

dos

Rostos da

alunos

Matraquilhos 

papelaria

alunos

de Teatro – “A

Alunos

Guiné 

Estendal da Poesia    Exposição –

Escola    Piso 1 da Escola   

  Exposição – Artesanato de Timor    Exposição – Timor Leste 

Menina do

 

Mar” (5.º A)

Espectáculo

 

(Cabo Verde) 

de Teatro –

  Bufete

Documentário

dos

“Viver ao Sul”

alunos 

– Associação

 

para o Desen-

 

volvimento e

 

Cooperação,

 

20 anos de

 

Espectáculo

trabalho da

Piso 1 da

Musical ACBI/

Oikos 

Escola –

AESG 

 

Junto da

ONGD –

 

Exposição –

BE/CRE 

Engenho &

 

Insectos de

 

Obra 

Moçambique 

Espaço

 

 

Exterior

 

Visitas: 

da

 

*Palhota 

Escola

Recepção das

8.º A

*Herbários 

entidades

*Estufa

19.00 

  15.30 h -

oficiais Espaço

Jantar 

Refeitório

Moagem

 

da

Brasil –

 

Escola 

Espaço

Pianista

Concerto

 

de Poesia e

exterior da

Cristina

Final

Espaço

Percussão 

Escola

21.00 h –

Pavilhão

Recital de

Espaço

Jantar Gastro-

Refeitório

Concerto: 

Concerto

Multiusos

Poesia de S.

Moagem

nómico 

da Escola 

Música do

Tomé – Olin-

 

 

da

Espectáculo

Beja+Músicos santomenses

AEC’s

Moagem

DocGardunha

Margotto e

exterior

Leitura ence-

cantora

da

nada das

Florence

Escola

peças “Mãe

Lobo

Preta” e “O Filho da dona Anastácia”, de Nuno Pinto Custódio  - ESTE

Junho de 2010


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Letras da Gardunha

O PRÉ-ESCOLAR NAS LETRAS DA GARDUNHA

PROJECTO: APRENDER COM ENERGIA (S) V IVÊNCIAS NO JARDIM- DE- INFÂNCIA DO TELHADO

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Projecto “Artes na Física”, desenvolvido sobre o tema das Energias Renováveis, permitiu-nos explorar conceitos como: energia solar, placas solares fotovoltaicas, energia eólica, alterações climáticas e, ainda, o que é renovável e não poluente. Todas despertaram o nosso

Point, elaborado pela Equipa Coordenadora do Projecto, assim como a histórias e sites da Internet. A professora Mónica, através do Projecto “Ciências sobre Rodas”, veio visitar-nos e mostrou-nos maquetas e brinquedos construídos com materiais reciclados, movidos a energia solar e e ó l i ca. Com o recurso

funcionam, a pequena escala, estas energias. Na sala de aula, fizemos um logótipo para o projecto; uma maqueta

so de fotografia Energias, ligado ao tema. O Projecto do PréEscolar, do Agrupamento Serra da Gardunha, Aprender com Energia (s) - Renovar é Aprender, concorrente do 1.º escalão à oitava edição do Prémio Ilídio Pinho, Artes na Física. Foi para nós uma mais valia, uma vez que nos proporcionou muitas descobertas e consciencializou os alunos para a Preservação ambiental.

Jardim de Infância do Telhado

interesse os alunos ficaram, desta forma, mais conscientes da necessidade de proteger o nosso Planeta da poluição ambiente, assim como da necessidade de se apostar em energias não poluentes e que não se esgotam. Para isso, recorremos a um Power-

a Kits educacionais, a utilização de placas solares e turbinas eólicas aplicados aos protótipos, exemplificou como

do Projecto; um carro solar; um avião solar e um balão de ar quente. Fizemos, ainda, um filme sobre as nossas experiências.

Ateliê ConTapetes - Ensino Pré-Escolar

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a sequência da divulgação do Ateliê dos Tapetes Contadores de histórias, que decorreu na Escola Sede do Agrupamento Serra da Gardunha, no ano lectivo transacto, aceitámos o amável convite que nos foi dirigido pelos colegas Educadores/ Coordenadores e Bibliotecários dos Agrupamentos de Escolas das Terras do Xisto e de S. Vicente da Beira para levar a efeito uma Acção de Sensibilização aos ConTapetes com base no ConTapete Todos no Sofá, de Luísa Ducla Soares, e do ilustrador Pedro Leitão, nos dias 20 de Abril e 6 de Maio, respectivamente. Estiveram presentes Professores, Educadores, bibliotecários e, ainda, Assistentes Operacionais de várias escolas e Jardins-de-Infância dos Agrupamentos que, com relevado interesse, acompanharam a fundamentação teórica do projecto, através da visualização de um PowerPoint, e a apresentação do ConTapete, como instrumento mediador de leitura, com opção de manuseamento e leitura da obra. No final, todos os participantes tiveram oportunidade de contactar de perto com o ConTapete e conhecer em pormenor a técnica e materiais utilizados na sua execução manual. A divulgação e a partilha de saberes foram os aspectos fundamentais que queremos fazer ressaltar destas actividades e, por isso, estamos abertos a novas partilhas de interesses e novas experiências. Desejamos, sobretudo, que se tornem mais frequentes estas trocas de experiências, pelo enriquecimento da qualidade na educação e da didáctica de ensino nesta etapa educativa. Aos Agrupamentos de Escolas das Terras do Xisto e de S. Vicente, o nosso obrigado pela oportunidade e pelo acolhimento. Aos nossos colegas que participaram e tornaram possível esta iniciativa, um agradecimento especial. Maria Alice Freire ( Coordenação do projecto) Isabel Santareno ( Coordenadora do Pré – Escolar) Jornal Escolar do Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha — Fundão

http://www.aesg.edu.pt

As crianças adoraram estas experiências e descobertas, proporcionadas por esta temática. Alguns pais também participaram no concur-

JARDIM DE INFÂNCIA DA SOALHEIRA N A B I B L I O T E C A M U N I C I PA L

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o dia 24 de Maio de 2010, fomos à Biblioteca Municipal para participar na "Hora do Conto", sob o título: O Computador da Bruxa Mimi. Esta actividade captou o envolvimento total dos alunos. Foi também um

prazer participar neste evento e viajar conjuntamente, no autocarro do Externato Capitão Santiago de Alpedrinha, com o 1º Ciclo e Educação PréEscolar das Atalaias. A todos o nosso agradecimento!

PA S S A G E M D E M O D E L O S N O C A S T E L E J O

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om a chegada da primavera, um grupo de meninas do 3º ano resolveu fazer uns lindos colares com as flores que começavam a surgir. Uma vez que os colares ficaram muito bonitos e elegantes, nada melhor do que apresentá-los aos colegas numa passagem de modelos. Assim, e durante o intervalo, os meninos do Jardim-de-Infância e do 1º Ciclo do Ensino Básico reuniram-se no pátio da escola para assistir ao espectáculo. Como modelos desfilaram alguns meninos e meninas de ambos os ciclos de ensino. No final, as estilistas foram muito aplaudidas e o resultado final muito colorido. Afinal, depois do longo e chuvoso inverno, nada melhor que a beleza das flores, transformadas em adereços de moda, para dar as boas vindas à primavera. Jardim-de-Infância do Castelejo Ano 1—Nº3


Letras da Gardunha

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O PRÉ-ESCOLAR NAS LETRAS DA GARDUNHA

C OMEMORAÇÕES DO C ENTENÁRIO DA REPÚBLICA

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CASTELEJO NO CIÊNCIAS SOBRE RODAS

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o âmbito do Projecto:

“Comemorações do Centenário da República”, o qual tem vindo a ser desenvolvido e trabalhado com grande interesse pelas crianças deste Jardim-de Infância, resultaram trabalhos muito interessantes. Fizemos diversos painéis colectivos sobre a República; a Monarquia; a evolução da bandeira nacional; os acontecimentos que levaram à República; brinquedos de há 100 anos; transportes de há 100 anos; escolas de há 100 anos e, ainda, o vestuário de há 100 anos. Aprendemos também o hino e fizemos Bandeiras do nosso País com diversos materiais. Todos estes trabalhos só foram possíveis porque as crianças se mostraram muito curiosas em relação ao tema e muito interessadas, querendo sempre saber mais. No final, as crianças enriqueceram e alargaram as suas aprendizagens

JARDIM DE INFÂNCIA E 1º CICLO DO

o âmbito do Projecto/ P r é m i o Ciência na Escola - Artes na Física, da Fundação Ilídio Pinho, Aprender com Energia(s) Renovar é Aprender, o Jardim-de-Infância e o 1º Ciclo do Ensino Básico do Castelejo construíram uma maqueta da Serra do Açor e das suas torres eólicas, como culminar de todo um ano de aprendizagens. A maqueta foi toda construída com materiais de desperdício. O resultado final agradou a todos e foi com muito prazer que a construímos. e eu também aprendi coisas novas e recordei outras que já tinha esquecido. Jardim-de-Infância de Orca

UMA TARDE COM OS MAIS PEQUENOS

D E S P E RTA R

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INTERESSE CIENTÍFICO

a partir da curiosidade e do espanto que o interesse científico nasce na criança. É a possibilidade de compreensão de fenómenos do dia-a-dia que deslumbram e cativam as crianças para o espectacular mundo da ciência. Foi com esse intuito que as crianças do Jardim-de-Infância de Aldeia de Joanes visitaram a 4ª Mostra das Ciência no Pavilhão Multiusos do Fundão. Os mais pequenos puderam realizar uma série de experiências que lhes proporcionaram uma aproximação ao mundo científico e as levaram a perceber de uma forma divertida e aliciante alguns fenómenos que os rodeiam. E ainda puderam desfrutar de mais um momento de leitura diferente do habitual. Cabe ao meio escolar detectar os momentos certos para despertar a interrogação ou o júbilo a fim de os explorar, e uma Mostra de Ciência constitui uma óptima oportunidade para isso mesmo.

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Jardim-de-Infância de Aldeia de Joanes

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o âmbito do projecto “CRESCER DE MÃOS DADAS”, no dia 21 de Maio, as crianças do Jardimde-infância de Vale de Prazeres participaram nas actividades realizadas pelos meninos e meninas da turma do 1º e 2º Anos da EB1 de Vale de Prazeres. Fomos recebidos com um lindo poema recitado pelos nossos amigos e que nós gostaríamos de partilhar com vocês:

Os meninos do Jardim nós queremos saudar, visto que, nesta tarde, juntos vamos trabalhar.

A curiosidade! O interesse científico!

Umas coisas simples vamos apresentar: esperamos com elas, bons momentos passar. Um pequeno poema vamos recitar, e também uma história vos vamos contar. Para terminar, pequenos trabalhos vamos realizar. Pouco a pouco e com atenção, passaremos a tarde com satisfação. No final, todos recebemos um certificado de participação. Obrigada à Professora Fernanda e aos seus meninos pela tarde divertida… e a todos um ATÉ BREVE…

A descoberta! Jardim-de-Infância de Vale de Prazeres

O interesse científico! Junho de 2010


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Letras da Gardunha

O PRIMEIRO CICLO TEM A PALAVRA

A NOSSA VISITA DE ESTUDO

A NOSSA VISITA DE ESTUDO

CASTELO

VISIONARIUM

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a quinta-feira, dia 27 de Maio, fomos a Santa Maria da Feira. Quando fomos ao castelo, eu vi seteiras nas paredes. Depois fomos pelo adarve ou caminho de ronda. Percorremos o castelo todo e eu tirei fotografias giras. Vimos troneiras e a barbacã. A torre mais alta do castelo é a torre de menagem, que é para onde fugiam quando não se podiam defender. A torre de menagem é onde se guardava o tesouro ou as riquezas do castelo. A sua porta estava sempre a grande altura para os inimigos não conseguirem lá chegar, por isso tinham uma escada de madeira. Enquanto visitávamos o castelo, alguns figurantes com roupa da época simulavam combates. Foi muito fixe!

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epois de visitarmos o castelo fomos almoçar mesmo junto ao Visionarium, onde havia um regato com pedras muito lindas. Entrámos para o Visionarium e vimos um filme a explicar coisas de ciência e sobre os átomos. Depois fomos visitar três salas: uma chamava-se Odisseia da Vida, outra chamava-se Odisseia dos Sentidos e a última Odisseia do Universo. A que eu mais gostei foi a Odisseia do Universo. Havia uma balança em que nos pesávamos e dava também para ver quanto pesamos noutros planetas. Na Lua pesava 5 Kg, em Plutão pesava 2 Kg e em Saturno pesava 26 Kg. Com uma roldana consegui levantar 150 Kg. Nessa sala havia um lançamento de foguetão. Foi mesmo muito fixe! .

EB1 - Aldeia de Joanes. Texto: Diogo Cardona - 4.º ano

EB1 - Aldeia de Joanes Texto: Pedro Soares 4.º ano

O S O VO S D E P E R I Q U I TO

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Bola de Neve, que é uma periquita muito bonita, vive na nossa sala desde o Carnaval. Sentia-se muito só e o Arco-Íris, que é verde, amarelo e azul, veio viver para ao pé da Bola de Neve. Ela ficou

feliz! Ele gosta muito dela e ela dele. Hoje tivemos uma surpresa: no ninho já estão ovos pequeninos! Agora vemos poucas vezes a fêmea, pois está a dar calor aos ovos. Ficamos à espera que os pequenotes nasçam. Depois avisamos. EB1 - Aldeia de Joanes Texto colectivo – 1º ano

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V I S I TA A O PA R Q U E E Ó L I C O D A G A R D U N H A

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a manhã de terça-feira, dia 11 de Maio, os alunos do 4.º ano foram visitar o parque eólico da Serra da Gardunha. Na verdade, era na Serra da Maunça, mas pertence à Serra da Gardunha. Fomos ver e ouvir sobre as eólicas, os enormes monstros que podem atingir 120 metros de altura, o equivalente a um prédio de 40 andares. Mas essas são raras. As que lá vimos medem 78 metros de altura. As pás, ou seja, aquilo que parece as asas de um avião, medem de comprimento cerca de 40 metros e as três juntas (sim porque os aerogeradores têm três pás) medem 120 metros. Podem medir mais que um campo de futebol. Uma eólica pode pesar 215 toneladas. Espantoso! Um simples aerogerador abastece mais de 1000 casas. No parque, existem 57 aerogeradores e cada um custou 2 milhões de euros. Uma fortuna! Eu aprendi muito com esta visita de estudo. Adorei! . EB1 Aldeia de Joanes Texto: Carlos António - 4.º ano

Visita de Estudo à “Feira de Ciência e Tecnologia”, em Proença-a-Nova

EU, ROBOT… ão, não é um extra-terrestre! Este robot nasceu no lugar mais criativo do mundo: o "Planeta Imaginação". Foi tomando forma, cor e identidade nas mãos dos nossos alunos, que são os seus verdadeiros

criadores. Como eles dizem, o TECNÓIDE é um especialista em matemática, excelente conhecedor das tabuadas da multiplicação (que canta de cor e salteado), mas também é um protótipo exemplar no que respeita ao tipo de energia que utiliza. Pois é! A sua "inteligência" funciona graças à energia solar. Utilizando como fonte de alimento uma energia renovável, não poluente e amiga do meio ambiente, o TECNÓIDE está apto a permanecer no nosso planeta e representará assim a mascote da nossa escola! Esperamos que, com todo o carinho que tem recebido dos nossos alunos, seja um robot que, mesmo sem "coração", consiga chamar à razão o coração dos Homens para que alterem o seu comportamento no sentido de fazerem uso maioritário das energias renováveis! Alunos da EB1 Aldeia de Joanes

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o dia 14 de Maio de 2010, nós, os alunos da EB1 de Aldeia Nova do Cabo, visitámos a “Feira de Ciência e Tecnologia”, em Proença-a-Nova. Desta vez não fomos sozinhos; os nossos colegas do 3º e 4º ano da EB1 de Castelejo também participaram nesta fantástica visita. Saímos da nossa aldeia às 9h 30m e chegámos a Proença-a-Nova por volta das 11h. Já no recinto da feira, deslocámo-nos à tenda do “Centro da Ciência Viva de Constância”. Aí, espreitámos através de binóculos e de telescópios; construímos um relógio solar em papel e vimos vários brinquedos solares: aviões, rádio solar, mini MP3 solar, mini eólica… Por volta das 12h 15m, já cheios de fome, fomos almoçar para o parque das merendas. Sem perder muito tempo, dirigimo-nos à exposição “DinoExpo: Dinos em Viagem”, mas infelizmente encontrava-se encerrada. De seguida, fomos ao carrinho da “Ciência fresquinha” e assistimos a uma experiência com isqueiros “crocodilo”. Já na tenda principal da feira, realizámos várias experiências; vimos um cão robô e máquinas telecomandadas; observámos o corpo de uma mosca através de um microscópio e descobrimos o ADN de um morango. No final desta visita, alguns alunos da nossa escola compraram pequenas lembranças. Regressámos à nossa aldeia por volta das 14h 45, com imensa pena, pois não nos foi possível realizar todas as actividades existentes na feira. Esta visita de estudo, realizada no âmbito do projecto pedagógico “Eco-Escolas”, foi muito interessante e enriquecedora. Pudemos experimentar, tocar, ouvir, olhar, cheirar e saborear alguma da Ciência e Tecnologia que se faz em Portugal. Foi, sem dúvida, um dia muito bem passado!

Composição colectiva dos alunos

da EB1 de Aldeia Nova do Cabo Jornal Escolar do Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha — Fundão

http://www.aesg.edu.pt

Ano 1—Nº3


Letras da Gardunha

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O PRIMEIRO CICLO TEM A PALAVRA

I N T E R C Â M B I O E S C O L A R - C . E . P. " C E RVA N T E S " M O R A L E J A ( E S PA N H A ) E E B 1 T Í L I A S - F U N D Ã O ( P O RT U G A L )

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ia 27 de Abril, deslocaram-se à nossa escola/ cidade alunos do Colégio de Cervantes. Vieram

das (Escola; Museu Arqueológico; Câmara Municipal; Biblioteca Eugénio de Andrade e Moagem), mostraram-se animados e com vontade de dar continuidade ao projecto.

Nós, professores, pensamos que tudo correu muito bem e os nossos alunos também partilham da mesma opinião, como pudemos constatar pelos seus depoimentos.

SEGURANÇA RODOVIÁRIA

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ia 18 de Maio, fomos à Escola Serra da Gardunha andar de bicicleta e treinar os sinais de trânsito. Eu gostei de andar de bicicleta. EB1 Tílias

conhecer novos amigos e contactar com a realidade escolar de outros meninos e de outro país. O objectivo era estabelecerem uma ligação de amizade e de convívio, dando a conhecer a nossa cidade e alguns espaços culturais nela existentes. Para facilitar, cada par de alunos portugueses recebeu um colega espanhol e serviu-lhe de guia durante todo o dia. Os alunos interagiram muito bem. Durante as visitas efectua-

DIA MUNDIAL DA BIODIVERSIDADE -

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EB1 TÍLIAS

ara comemorar o Dia Mundial da Biodiversidade, os alunos da EB1 Tílias, nos dias 18 e 19 de Maio, deslocaramse à Serra da Gardunha para conhecerem e contactar com a fauna e flora aí existentes. Ficaram a conhecer espécies que são únicas em todo o mundo.

Dia Nacional da Energia

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dia 29 de Maio é o dia Nacional da Energia. Para nos falarem sobre este assunto, deslocaramse à nossa escola, na sexta-feira dia 28, as técnicas do Centro de Informação Ambiental da Câmara Municipal do Fundão. Vimos um pequeno filme relacionado com o tema e explicaram-nos a diferença entre energias renováveis e energias não renováveis. Observámos vários exemplos destes dois tipos de energia (renováveis e não renováveis) e o motivo pelo qual estão a ser cada vez mais usadas, as energias renováveis. Hoje em dia estão a ser aproveitadas a luz do sol e a força do vento para produção de energia e muitas casas têm já placas solares para aquecimento de águas. No final, concluímos que usar as energias renováveis só traz vantagens pois, para além de serem mais económicas, não são poluidoras do ambiente. Também gostámos muito de fazer a actividade prática (o moinho de vento). EB1- Nossa Sr.ª da Conceição Turma: 48 Junho de 2010

ESCOLA SEGURA

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s senhores agentes da GNR, cabos Cerdeira e Martins, destacados na secção da ESCOLA SEGURA, proporcionaram-nos, nos dias 11 e 12 de Maio, uma actividade muito diferente e interessante. Logo pela manhã fomos para a escola sede do Agrupamento de Escolas serra da Gardunha. Quando chegámos, os dois senhores guardas explicaram--nos algumas das regras básicas para andarmos na via pública, enquanto peões ou como ciclistas. De seguida, fomos pôr em prática os conhecimentos adquiridos num circuito previamente desenhado, num dos campos da escola. Parecia uma estrada a sério, com rotundas, passadeiras, sinais, etc. Uns andavam de bicicleta enquanto os outros faziam de peões a atravessar as passadeiras ou a andar ao longo da estrada. No entanto, todos nós cumpríamos escrupulosamente as regras de trânsito adequadas a cada situação: parar no STOP, dar prioridade nas rotundas, deixar passar os peões nas passadeiras, olhar para os dois lados antes de atravessar na passadeira… Foi um dia muito divertido e proveitoso. Agradecemos aos senhores guardas da Escola Segura, aos nossos professores e às senhoras auxiliares esta manhã tão divertida, assim como a preocupação que demonstraram pela nossa segurança. EB1- Nossa Senhora da Conceição Turma: 49


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Letras da Gardunha

1º CICLO TEM A PALAVRA

O MISTÉRIO DO BALÃO AZUL

uma linda manhã de Sol, estava eu olhando da janela do meu quarto. Algo me chamou a atenção…uma bola azul, ovalada, subia no céu, com movimentos suaves… muito lentamente…O que seria? Uma brisa fresca fez aproximar aquela bola misteriosa do lugar onde me encontrava e… ficou presa na minha cerejeira preferida!... No meio daqueles ramos floridos brilhava a bola azul! Saí imediatamente e… fui ver melhor. Apenas se encontravam no chão pequenos pedaços de plástico azuis. Naquela terra acastanhada, escura, nada mais se via! Passaram duas semanas e, para meu espanto, debaixo da cerejeira estava um bonito tapete esverdeado. À superfície, dezenas de plantinhas tinham brotado… com pés finos, delicados, duas orelhinhas presas nas extremidades … Teriam alguma coisa a ver com a bola azul? Aquelas duas orelhinhas presas nas extremidades causavamme curiosidade, por isso todos os dias espreitava cuidadosamente aquelas estranhas plantinhas que cresciam no meu jardim. Alguns dias depois, olhei para debaixo da cerejeira e, para meu espanto, as plantas estavam enormes, o que me pareceu estranho. Pus-me a pensar: “Ou é magia ou este milagre tem a ver com a bola azul!”. Quando a minha mãe limpou o sujo da bola azul, notou que

algo estava mal… cada pedacinho tinha um bocadinho de algumas frases ou palavras! Hoje, eu (como guardei o sujo da bola azul) vou começar a “montar” aquele puzzle gigante. Com muita delicadeza, comecei a “montar”. Quando acabei, reparei que dizia assim: -“Olá amiguinhos terráqueos!! Nós somos os Marcianos de Marte e vamos destruir o vosso Planeta… por isso, mandámos a nossa melhor bola azul, com um líquido verde por dentro, que faz crescer plantas tóxicas! Ah! Ah! Ah!” Fiquei tão assustada que pensei logo em pedir ajuda. Como era pequena demais para o fazer sozinha, pedi à minha mãe para me levar até à base espacial (NASA). Andámos, andámos… até que … finalmente encontrámos a base espacial… -Vamos depressa. A nave está quase a partir. Vamos, vamos… Dirigi-me ao comandante e pedi ajuda. Então, ele disse-me: -Vai com o nosso 2.º Comandante. Voem como o vento! Nós tratamos das plantas tóxicas! Adeus!!! Eu estava tão emocionada! Finalmente no espaço infinito! Lá, na Terra, tinham posto a Vaca Comedora, que comia qualquer tipo de planta, a comer as do meu quintal. Conseguimos aterrar em Marte!!! Quando aterrámos, vimos outra base, que já não pertencia à NASA mas pertencia à EEME (Estação Espacial de Marcianos

Espertos). Entrámos e ouvimos o chefe a falar: -Nós temos de conseguir chegar à Terra, se não ficamos só com este planeta para reinar e os terráqueos têm mais um, chamado Lua, um satélite maravilhoso que só eles podem governar! Graças ao tradutor de Marcianês do meu amigo, conseguimos perceber tudo. E, enquanto era tempo, entrámos pela porta e gritámos a dizer que eles não o podiam fazer! Insistimos, insistimos e o Marciano afirmou confiante: -Eu sou o melhor e vocês não valem nada, seus terráqueos intrometidos!! Ataquem-nos!! Então lutámos, lutámos, mas eles perderam e abandonaram a batalha, tendo-nos dado o Planeta. De regresso à Terra, passámos pelos diferentes planetas do Sistema Solar, e cada um tinha uma bola de uma cor diferente. Então, eu percebi a razão por que é que aquela que tinha ficado presa na minha cerejeira era azul. -Viva! Viva! – Gritámos nós cheios de alegria, quando chegámos à Terra. Fui para casa, já à noitinha; olhei para as estrelas e afirmei: -Há vários mundos em redor, mas o meu preferido é sempre a Terra!!!

História Inter-Turmas produzida pelos alunos do 4.º Ano, turmas nºs 61 e 62

C IÊNCIAS - E NERGIAS RENOVÁVEIS ECO - NO CAMPO E S PA N TA PA S S A R I N H O S Se o seu jardim ou a sua horta é invadida por passarinhos comilões, experimente afastá-los sem destruir ou poluir a Natureza, fazendo um “Espanta Passarinhos”. Vai precisar apenas de reutilizar: MATERIAIS - 1 garrafa de plástico (1,5l vazia); - 2 frascos de plástico pequenos vazios (de álcool, por exemplo); -1 suporte de ferro ou madeira; -1 frasco de cola para plástico; -1 base de madeira, ou o próprio espaço - terra.

PROCEDIMENTOS Lave os objectos. Corte os 2 frascos ao meio (na vertical). Faça um buraco no fundo da garrafa, bem no centro (pode utilizar a haste aquecida). Cole as 3 metades do frasco na garrafa, lateralmente, de forma a ficarem equilibradas. Coloque a garrafa no eixo. Fixe-a na base. Se quiser, coloque o engenho na horta, o eixo só terá que ser mais alto. O QUE ACONTECE O engenho, como é leve, gira por acção do vento (energia eólica) e produz sons graves. Os passarinhos afastam-se, com receio da agitação e do barulho. Nota: Este tipo de objecto já foi testado e deu bons resultados. Não provoca poluição sonora Não interfere com a Biodiversidade. Eis algumas fotos das produções dos alunos do 4º ano da turma 61:

V A M O S E X P E R I M E N TA R ? FLUTUA OU AFUNDA?

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ara realizares esta experiência vais precisar dos seguintes materiais/objectos: um recipiente largo, com cerca de 15cm de altura onde vais deitar 1.5l de água da torneira; uma folha pequena de esferovite; uma moeda de 10cent.; um ovo; uma barra de esferovite; um círculo de cortiça; um prego de ferro; uma batata; uma maçã; uma grelha de registo. Como deves proceder. Começa por cortar um garrafão de plástico. Para isso, deves pedir a ajuda de um adulto. Deita a água lá para dentro, com muito cuidado. Agora, faz a tua previsão de “afunda” ou “flutua” na grelha de registo, explicando o porquê. Está pronta? Então vai colocando os objectos um a um dentro do recipiente, sem te esqueceres de ir retirando um para colocar o outro. Vai agora registando na tua grelha o resultado do que vai acontecendo a cada objecto. És capaz de ter algumas surpresas! Finalmente, tenta responder à pergunta: “Porque é que há objectos que flutuam e outros que afundam?” Se não conseguires, pergunta a um adulto ou faz uma pesquisa! Nota: Para retirares os objectos da água utiliza uma espátula ou uma colher; coloca sobre a mesa onde vais fazer a experiência um pano ou papel absorvente. 4º Ano Turma 62

Jornal Escolar do Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha — Fundão

http://www.aesg.edu.pt

Ano 1—Nº3


Letras da Gardunha

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1º CICLO TEM A PALAVRA

Visita de Estudo à Resiestrela

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os dias 24 e 25 de Maio de 2010, os alunos da

Escola Nossa Senhora da Conceição, acompanhados pelos respectivos professores e as assistentes operacionais, realizaram uma visita de estudo ao Centro de Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos – Resiestrela. Fomos no autocarro cedido pela Câmara Municipal e, quando chegámos, estava um técnico da empresa à nossa espera. Começou por nos explicar o que é a recolha selectiva e onde se devem depositar os diferentes

resíduos no ecoponto. Depois, fomos levados à central de triagem na qual os produtos são separados de acordo com as suas principais características (plástico, papel e cartão, electrodomésticos, aço). Depois de

separados os materiais são prensados, para ocuparem menos espaço, enfardados e enviados

para as indústrias recicladoras. Completa-se assim o ciclo da reciclagem, em que materiais usados são utilizados para fabricar novos produtos que chegam de novo a nossas casas. Para finalizar a nossa visita, e já no autocarro, fomos ver o aterro para onde são levados todos os resíduos não recicláveis e o futuro aterro que se encontra em construção. Nós gostámos muito de fazer esta visita. Ficámos a compreender os processos de tratamento e valorização de resíduos sólidos urbanos e a importância que a reutilização desses materiais tem na nossa vida e do meio ambiente. Aqui fica o nosso apelo “Vamos todos reciclar para o mundo melhorar”. EB1- Nossa Sr.ª da Conceição Turma: 46

CIÊNCIAS SOBRE RODAS - EB1 ATALAIAS

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EB1 das Atalaias aderiu com entusiasmo ao Projecto CSR – Ilídio Pinho “Aprendendo - Energias com Arte” e pôs mãos à obra. Surgiram duas mascotes muito coloridas e uma ambulância para os casos mais urgentes das localidades, que compõem a EB1 das Atalaias. Os alunos sentiram-se verdadeiros artistas na execução destes trabalhos, que, além de envolverem uma componente lúdica, proporcionaram o desenvolvimento de competências na área do saber. A importância deste projecto reside também no facto de estarem envolvidos nestes trabalhos não só os alunos mas também alguns Encarregados de Educação que se disponibilizaram a deslocar-se à escola a fim de darem um contributo muito valioso na montagem destes trabalhos. A aprendizagem conseguida no âmbito das energias renováveis foi consolidada com a experimentação e manuseamento dos mate-

riais que esta actividade proporcionou. O entusiasmo revelado ao longo das várias etapas de construção das mascotes e maquetas ia aumentando à medida que os trabalhos iam tomando forma. No final, o sentimento revelado por todos os envolvidos era de verdadeiro orgulho: tinham conseguido construir verdadeiras “obras de arte”.

C E N T E N Á R I O D A R E P Ú B L I C A N A E B 1 D A S A TA L A I A S

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o âmbito do Projecto “Comemorações do Centenário da República”, a EB1 das Atalaias desenvolveu algumas actividades, das quais destaca a elaboração de um trabalho relacionado com os projectos da Bandeira Nacional. O trabalho foi executado com a técnica do papel amachucado. A escolha deste trabalho residiu no facto de considerarmos pertinente dar a conhecer aos nossos alunos que a escolha da nossa Bandeira Nacional da República não foi fácil, perante tantas propostas apresentadas. O resultado final desta actividade é revelador do entusiasmo vivido pelos alunos na execução das bandeiras, traduzindo-se num trabalho colorido e muito atractivo.

Professoras: Filomena Afonso e Dina Domingos

Projecto”À Descoberta das 4 Cidades” Visita de Estudo a Montemor-o-Novo

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s alunos, professoras e assistentes operacionais da E.B.1 de Atalaia do Campo e da E.B.1 da Póvoa de Atalaia foram a Montemor-o-Novo nos dias 15 e 16 de Abril, no âmbito do Projecto “À Descoberta das 4 Cidades”. A Câmara Municipal recebeu os seus convidados com grande simpatia e não se poupou a esforços para oferecer aos seus visitantes o melhor que esta cidade podia dar. As actividades planificadas foram organizadas com grande rigor e excederam as expectativas de todos os participantes. O primeiro dia de actividades proporcionou aos nossos alunos o conhecimento do Centro Interpretativo, no Castelo de Montemor-o-Novo, e a Oficina da Criança. Nesta “oficina”, cada criança deu largas à sua imaginação e fez uma pintura em azulejo que servirá como recordação desta paragem em Montemor, além de muitas brincadeiras que ainda puderam desenvol-

ver aí. Para encerrar o dia da melhor maneira, e depois de um saboroso jantar, servido numa cantina escolar com a colaboração dos encarregados de educação daquele estabelecimento de ensino, os alunos, professores e assistentes operacionais foram presenteados com uma ida ao “Musicafé” de Montemor, reservado exclusivamente para animar o grupo do 2º ano do projecto. A visita a esta cidade prosseguiu no dia seguinJunho de 2010

te, com a ida ao Monte Selvagem. Esta foi a actividade que mais entusiasmou os nossos alunos e será recordada para toda a vida, uma vez que lhes proporcionou vivências únicas, de grande interesse educativo, além do carácter lúdico que também ofereceu, pela grande variedade de brincadeiras de que o parque dispõe para aos seus visitantes. A visita ao Fluviário de Mora fechou com “chave de ouro” esta viagem educativa. No Fluviário, os nossos alunos tiveram a oportunidade de conhecer ao vivo e a cores espécies raras e em vias de extinção, dos rios nacionais e de outras zonas do globo terrestre; serviu também para conhecerem curiosidades relacionadas com as espécies que aqui residem. Esta viagem permitiu consolidar competências relacionadas com as áreas curriculares leccionadas no 1º ciclo, de uma forma mais motivadora. Participar neste projecto é, sem dúvida, uma mais valia para o enriquecimento de vivências, traduzidas em conhecimento da realidade, não só local mas também nacional. Este conhecimento vai para além do que os manuais transmitem e ficam sem dúvida retidos na memória por muito mais tempo, uma vez que também levam à compreensão. Professoras: Filomena Afonso e Dina Domingos


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Letras da Gardunha

CONVÍVIO - PARTILHA DE SABERES E DE SABORES

TERTÚLIAS DA GARDUNHA

o mês de Março, professores e funcionários do Agrupamento confraternizaram no restaurante “O Nicolau”, petiscando e conversando sobre o tema “Livros e Viagens”. A conversa, animada, ficou-se apenas pelas viagens, as quais, pela sua variedade e densidade de vivências, de algum modo, expressam um tanto ou quanto a vida da sociedade portuguesa. Viagens de emigração, na aventura clandestina do “ir a salto”, viagens em África, no contacto / intercâmbio com as populações indígenas, viagens até ao Outro “Muçulmano”, seja na Turquia ou em Marrocos, com as limitações impostas pelas populações e suas

polícias, viagens ao encontro das planuras lusitanas, na procura de espaços de abertura e de paz, viagens até ao mar, visionando-o colado ao céu libertador, viagens de turismo, via-

gens de núpcias e, sobretudo, no fundo, a englobar ou a pontificar no interior de todas as viagens, a viagem da vida de cada ser na procura da sua felicidade, na procura da presença do seu ser a si próprio e aos outros… Em Julho continuará a tertúlia, com as inúmeras viagens que ficaram por contar mais os livros que ficaram em branco, tudo, talvez, acompanhado com sardinhas assadas, ao ar livre, em plena Gardunha, face à Estrela.

Professor José Valente

N

a mais livre expressão do pensamento e do conhecimento, realizaram-se duas tertúlias abertas à comunidade educativa. A primeira versou sobre livros e viagens, onde as correntes ideológicas e os roteiros de eleição marcaram o tema da conversa; a segunda abarcou um naipe temático variado, desde a história da educação em Portugal, a educação e o ambiente, a avaliação – dos processos aos resultados, estudo sobre a realidade de algumas escolas do 1º ciclo do nosso Agrupamento. Em espaços gastronómicos do meio local, os tertulianos puderam partilhar saberes e sabores da vida pessoal e comunitária. A liberdade da palavra ganhou vida, aberta à livre interpretação de quem a dizia e escutava. Tornou-se arte, como meio facilitador e descodificador da viagem interna dos sentidos à explicitação das experiências e sensibilidades.

Num tempo comunicacional codificado por signos da robótica, input-output, a que cada mensagem corresponde uma sinalética

própria; à brevidade e abreviatura da sua simbologia: isso, tipo, fixe, ya, a palavra encolheu na sua expressão e significação e, conse-

quentemente, como meio de acção e de criação humana. Resultado dos novos tempos, sem tempo para a demora, para o êxtase lúdico, para o brilho intrínseco da criação de mundos, a palavra corre o grave risco de se tornar meramente funcional, pragmática, utilitarista, assaltada por interesses práticos de créditos, escalões, progressões, pura mensurabilidade da sua eficácia. Neste contexto, as tertúlias pretenderam devolver o sentido primeiro e desinteressado da sua expressão, como arte de pôr em comum, característica primigénia e essencial da relação humana. Para os presentes, ficou claro que não há machado que corte a raiz ao pensamento. A palavra, sinónimo de criação, base estruturante da presença do homem no mundo, da intersubjectividade colectiva, no dizer de Habermas. Quem as escuta? Quem as recolhe, assim, cruéis, desfeitas, nas suas conchas puras? Professor Manuel Abelho

Projecto Comenius - Visita à Turquia - Balikesir

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a semana de 16 a 23 de Abrıl, um grupo de professores, Maria Cruz Gavinho, Maria José Rebordão, António Supico, Anabela Niza e Fernanda Batista, representando diferentes níveıs de ensino do Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha, deslocou-se a uma escola privada, Ozel Balikesir Firat Ilkogretim Okulu, em Balikesir, na Turquia, no âmbito do Projecto Johnny’s Seven Frıends Programa Aprendızagem ao Longo da Vıda - Comenius 1. Este projecto foi desenvolvıdo ao longo de dois anos, tendo tido a participação de escolas de diferentes países, nomeadamente Estónıa, Lituânıa, Itálıa, Islândıa, Turquıa e Portugal. Este encontro foi o últımo dos quatro realizados entre os várıos parceiros ao longo do projecto, tendo como objectivo a recolha, divulgação e intercâmbio de aspectos culturaıs de cada país, com a participação de alunos e professores de diferentes níveıs de ensino. Surpreendentemente, fomos recebidos na Turquia por um povo civilizado, simpático e

hospitaleiro, que valoriza a religião, de uma forma tão própria que nos parece peculiar, e cujos valores se prendem por deveres de cidadania. Estas características reflectem-se no

comportamento dos alunos da escola visitada, que se apresentou apropriado à situação, revelando autonomia e liberdade nas atitudes das crianças sem que essas se mostrassem desordeiras. As crianças em idade préescolar, que transparecem felicidade, frequentam o jardim de Infância, com capacidade para 120 alunos, num edifício de 3 andares separado da escola principal por um pátio exterior.

Jornal Escolar do Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha — Fundão

As salas são de dimensões reduzidas, contendo apenas o material n ecessário para actividades orientadas e de concentração. As turmas (8) não têm mais de 15 crianças, entre os 4 e os 7 anos, idade com que ingressam no 1º a n o d a escolaridade obrigatória, são s e m p r e acompanhadas por 2 adultos. No último andar

existem 3 salas, com as mesmas dimensões das salas de actividades, com material diversificado e orientado para actividades livres. Nos corredores estão http://www.aesg.edu.pt

expostos alguns trabalhos de expressão plástica, que mostram algum do trabalho realizado nas salas de aula. Pode-se concluir que é muito semelhante ao que se faz em Portugal. O 1º e 2º ciclos funcionam no mesmo edificio com três andares, na escola sede, frequentada por cerca de 480 alunos. As turmas são constituidas por 20 alunos de ambos os géneros. As aulas têm início às 9h. e terminam às 16h., tendo a duração de 45 minutos. Os alunos deslocam-se para as salas de aulas, que são relativamente pequenas, de forma disciplinada, não existendo funcionários. Os alunos que frequentam o 6º, 7º e 8º anos são submitidos a exames nacionais todos os anos. Os resultados destes irão influenciar a sua progressão para o ensino secundário. Indisciplina é um vocábulo desconhecido, pois os alunos cumprem a s r e g r a s d e d i s c ip l i n a estabelecidas pela escola. Os encarregados de educação são convidados a comparecer todos os meses à escola para melhor acompanhar os seus educandos. O ano lectivo está organizado

em dois períodos: o primeiro tem início em meados de Setembro e vai até à terceira semana de Janeiro; o segundo período começa na segunda semana de Fevereiro e prolonga-se até meados de Junho. Ao longo de cada período, os alunos realizam três fichas de avaliação. Os alunos usam um uniforme: saia azul escura e um polo laranja para as meninas; para os meninos, calça azul e polo laranja. Os professores, por sua vez, andam de fato e gravata, enquanto que as professoras usam uma bata branca. Apesar de alguns constrangimentos relacionados com a erupção do vulcão na Islândıa, que impediram, neste encontro, a presença de todos os parceiros envolvidos no referido projecto, foi gratificante para este grupo não só a experiência e a partilha vividas, bem como a forma amistosa e cordial com que foi recebido e intregado na comunidade educatıva local. Maria Cruz Gavinho, Maria José Rebordão, António Supico, Anabela Niza e Fernanda Batista

Ano 1—Nº3


Letras da Gardunha

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ARTIGOS DE OPINIÃO

SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA NA TERCEIRA IDADE: RESPONSABILIDADE E PROXIMIDADE SOCIAL DA ESCOLA

Envolvimento Actual da Actividade Física Professores João Valente e Vânia Capelas

A

3.ª Idade pode ser vista como uma fase com potencial para crescimento, à semelhança das demais fases do decurso da vida, o que faz com que as fron-

teiras do envelhecimento sejam modificadas em relação à realidade actual. A perspectiva sobre o envelhecimento tem sido lentamente modificada. Pode ser um tempo para novas liberdades, explorações pessoais estimulantes, crescimento psíquico e prazer de viver. Esta fase está, assim, associada a inúmeras alterações com repercussões na funcionalidade, mobilidade, autonomia e saúde da população. Em suma, na sua qualidade de vida. No entanto, se, por um lado, a longevidade tem vindo a aumentar, esse amento da esperança média de vida nem sempre é acompanhado por uma vida digna e saudável. É de extrema importância melhorar a qualidade de vida dos nossos idosos no que diz respeito à sua saúde, mas não menos importante é a autonomia dos mesmos, o facto de continuarem a ter capacidade de realizar as suas tarefas diárias sem grandes esforços. Uma ferramenta extremamente importante para essa qualidade de vida nos idosos é a prática de actividade física. Esta encerra vários objectivos aos níveis psicológico, físico, fisiológico e social, que se resumem num objectivo principal que é a melhoria do bem-estar e da qualidade de vida do sujeito idoso. Do ponto de vista do idoso, a sua qualidade de vida é fundamentalmente julgada pelo seu grau de funcionalidade, saúde e pela capacidade de permanecer independente dos outros para a realização das tarefas do dia-a-dia. No campo psicológico, é, pois, de esperar que os indivíduos idosos com uma actividade regular aumentem os seus níveis de aptidão física, atenuem os efeitos do envelhecimento no que concerne à funcionalidade e independência, conheçam os seus limites e os do seu corpo, e, por tudo isso, evidenciem maiores índices de auto-estima e auto eficácia.

A nível físico e fisiológico, são objectivos o aumentar a aptidão física através do desenvolvimento das diferentes capacidades físicas, tais como a força, a resistência, a flexibilidade, a coordenação e o equilíbrio, no sentido de ultrapassar os “desafios” das actividades quotidianas com

eficácia e sem fadiga, assim como diminuir a probabilidade de desenvolvimento de patologias crónicas degenerativas, tais como as patologias do aparelho locomotor e cardiovascular, que se sabe serem hoje dos maiores riscos de incapacidade e mortalidade. Em suma, um programa de actividade física nos idosos constitui um excelente meio de reduzir de forma significativa o declínio funcional associado ao envelhecimento. A nível social, pretende-se que o idoso encontre na actividade física um bom meio de integração social, um salutar convívio, melhorando a sua relação com os outros, superando ou diminuindo a solidão e o isolamento. Esta é benéfica, não apenas pela cultura física de que se reveste, mas também pelo seu papel no aumento dos contactos sociais, podendo também tornar-se um substituto do trabalho nos aspectos de regularidade, esforço, disciplina, rigor, criatividade e organização, tornando-se num novo leque de interesses. Função Social da Escola É impossível colocar à parte escola, família e sociedade, pois, se o indivíduo é aluno, filho e cidadão ao mesmo tempo, a tarefa de ensinar não deve ser restringida à escola, porque o indivíduo aprende também através da família, dos amigos, das pessoas que ele considera significativas, dos meios de comunicação, do quotidiano. Sendo assim, é preciso que professores, família e comunidade tenham clara noção que a escola precisa de contar com o envolvimento de todos. É necessário que família e escola se envolvam como parceiras de caminhada, pois ambas são responsáveis pelo que produzem, podendo reforçar ou contrariar a influência uma da outra na comunidade em que se inserem. Família e escola precisam de criar, através da educação, uma força para superar dificuldades comuns, construindo

uma identidade própria e colectiva, actuando juntas como agentes facilitadores do desenvolvimento educativo ao longo de todas as fases da vida. Alguns objectivos do Projecto Educativo do Agrupamento passam por proporcionar o desenvolvimento físico e motor, valorizar as actividades de envolvimento prático, de modo a sensibilizar para as diversas formas de expressão, detectando e

estimulando aptidões nesses domínios, proporcionando aos visados, experiências que apostam na continuidade do fomento cívico e sócioafectivo, criando atitudes e hábitos positivos de relação e de cooperação, quer no plano dos seus vínculos de família, quer no da intervenção consciente e responsável na comunidade. Paralelamente, a Academia Sénior do Fundão pretende promover o envelhecimento activo, sendo este "o processo de optimização de oportunidades para a saúde, participação e segurança, no sentido de aumentar a qualidade de vida durante o envelhecimento" (OMS, 2002). Desta forma, o envelhecimento activo visa a manutenção da autonomia e da independência, quer ao nível das actividades básicas de vida diária, quer ao nível das actividades instrumentais de vida diária, a valorização de competências e o aumento da qualidade de vida e da saúde. Parcerias de Proximidade Em função da responsabilidade social que o Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha assume na comunidade, apostando na proximidade com a mesma, o Grupo de Educação Física, fazendo-se representar pelos professores Vânia Capelas e João Valente dos Santos, têm vindo a desenvolver um trabalho de voluntariado na Academia Sénior do Fundão, em prol do acesso indiscriminado à actividade física. Alinhavou-se, para isso, um plano de actividades a desenvolver, que procurou ser o mais variado possível, tendo sempre em atenção as características inter -individuais do grupo de idosos. Desde então, desenvolveu-se, nas aulas, actividades de reconhecimento do esquema corporal, actividades para manter e desenvolver a condição física / qualidades físicas, actividades rítmicas e expressivas e actividades ao ar livre, respeitando a ideologia inicial de diversificar as actividades desenvolvidas ao longo das

Junho de 2010

aulas, para conquistarmos idosos felizes e saudáveis. O exercício físico tem vindo a ser entendido por esta população como uma actividade que faz parte da sua vida diária, sendo esta adequada, motivante e uma fonte de prazer quotidiana. Orientações Tipológicas de um Programa de Actividade Física A qualidade de exercício necessária para conseguir efeitos positivos através do treino das qualidades físicas é menor nos idosos que n o s jovens, pelo que as melhoras são vistas a curto prazo, fazendo com que a actividade física seja mais motivadora para os idosos. Quando prescrevemos um programa de actividade física para idosos, devemos ter em atenção que estes apresentam um largo número de restrições causadas pela idade ou doença e que um grupo de idosos raramente é homogéneo, devido às diferenças individuais causadas pelo processo de envelhecimento, estado de saúde ou nível de actividade física. Desta forma, para prescrever um programa de exercícios para a tercei-

ra idade, é necessário adequar os princípios de prescrição de exercícios, sendo eles: - A frequência, recomenda-se 2 a 3 sessões semanais para manutenção e/ou melhoria a médio ou a longo prazo; - A duração e intensidade de uma sessão e de cada uma das suas fases pode variar consoante o nível físico dos idosos em questão e dos objectivos principais da mesma. No entanto, o tempo médio recomendado é de 50 minutos, distribuídos da seguinte forma: 10 a 15 minutos para o aquecimento; 30 a 40 minutos para a parte principal da aula e 10 a 15 minutos para o retorno à calma, existindo várias formas de medir a intensidade da sessão. Sempre que possível, devem ser utilizadas em simultâneo a frequência cardíaca e a frequência cardíaca em repouso, entre outras. Reflexão Conclusiva A Actividade Física é benéfica para homem e mulher, jovem e idoso, doente ou não-doente, sempre e quando ela seja adequadamente prescrita e mantida regularmente. De preferência, deve ser iniciada em fases precoces da vida, com um papel de presença contínua nas diferentes fases da mesma. A Escola, enquanto principal agente de formação contínua, munida de profissionais com formação adequada, com um papel de responsabilidade e proximidade à comunidade onde se insere, dispõe de todos os meios para promover o envelhecimento activo e, assim, promover a continuidade do potencial de crescimento escamoteado na 3.ª Idade.


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Letras da Gardunha

BECRE— BIBLIOTECA ESCOLAR E CENTRO DE RECURSOS EDUCATIVOS

Mafalda Moutinho nas Letras da Gardunha “ E N Q U A N TO

VO C Ê S C O N T I N U A R E M A L E R L I V R O S , E U C O N T I N U A R E I A E S C R E V Ê - L O S . . . ” Mafalda Moutinho

A

escritora Mafalda Moutinho esteve, uma vez mais, no dia 29 de Abril de 2010, no Fundão, desta vez para apresentar o seu mais recente livro, O diamante das ilhas Caraíbas. O Letras da Gardunha foi entrevistá-la. Mafalda Moutinho nasceu em Lisboa, a 14 de Fevereiro de 1973, e aí se licenciou em Relações Internacionais. Mudou-se para Londres em 1996, onde concluiu um mestrado em International Relations and European Studies, no London Centre of International Relations da Universidade de Kent, e, em 1997, começou a trabalhar como Consultora de Gestão para uma grande empresa de consultoria multinacional, a Accenture. Desde 2003, vive em Milão. Criou a colecção de literatura juvenil Os Primos, para a qual já escreveu oito títulos: O segredo do mapa egípcio, O mistério das catacumbas romanas, O enigma do castelo templário, O caso do último dinossauro, O segredo de Craven Street, O tesouro do veleiro espanhol, O oráculo do velho Mandarim e, agora, O diamante das ilhas Caraíbas.

M.M. -Tem muito a ver com os sítios que eu visito. Às vezes, vou fazer as visitas de propósito para fazer a descrição; outras vezes, já lá estive. Le mb ro- me, por exemplo, o do Egipto não foi de propósito, pois, naquela altura, nem sequer sabia que ia escrever um livro. O de Roma também: já tinha estado em Roma antes. Outras vezes, por exemplo, o da China foi com uma bolsa de estudo da Fundação Oriente. Eu fui lá de propósito fazer investigação: fui a Pequim, Hong-Kong e Macau. Portanto, depende. O da Lourinhã também foi de propósito; o de Castelo Novo também vim cá de propósito para fazer investigação para o livro. Enfim, depende. L.G. A Família Torres existe? E os Primos? M.M. Eles são um misto de pessoas que existem e de pessoas que eu inventei. Cada um deles tem qualquer coisa de alguém que existe, mas não é uma pessoa. A única personagem real, mas enfim, de qualquer forma, não é exactamente o caso porque eu também não a conheço, é a tal Leti de que falei há pouco. Só a vou conhecer no sábado. Mas é uma pessoa muito especial que, como eu disse na dedicatória, merece tudo e dar tudo bem. L.G. - A Mafalda, escritora, está presente em alguma das personagens que cria?

L.G. -Nas diversas entrevistas que já deu, afirma que houve um momento bem específico em que a vontade de escrever um livro surgiu. Que momento foi esse? M.M.- Foi um dia em que fui ver o Shrek. Aliás, eu vou repetir. Eu comecei a querer escrever numa altura em que precisava de fazer uma pausa na minha vida, porque tive um mau ano, vivia num país que tinha pouco sol, enfim. Nessa altura, então, decidi fazer uma pausa. O facto de eu ter decidido escrever para crianças foi por ter ido ver um filme do Shrek, que eu sei que tinha imenso a ver com aquilo que eu gostava de fazer mas não teve nada a ver com o primeiro livro que decidi escrever. Mas

M.M.- Eu acho que estou presente em todas, mesmo homens e rapazes: o André, a Maria. Eu acho que, talvez, a personagem que tem mais a ver comigo é a Maria, mas todas elas têm um bocadinho de mim pelo meio. L.G. Para se inspirar, recorre a experiências pessoais ou é tudo fruto da sua imaginação? M.M. - Eu acho que isso é talvez a razão, uma das razões, para o sucesso da colecção. É o facto de as pessoas perceberem que aquilo não é inventado por qualquer pessoa que se lembrou de uma coisa sem ir ver. E os sítios onde eu estive, não estive lá só de passagem. A maior parte deles, estive lá a viver. No Cairo, estive quase um ano inteiro a viver. Portanto, acho que isso acaba por ficar

Jornal Escolar do Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha — Fundão

L.G. Sendo uma colecção em que os protagonistas são “Os Primos”, verificamos que se encontram referências, em cada livro, a aventuras anteriores. Qual é o objectivo? M.M. - Os livros dos “Os Primos” não têm uma sequência fixa. Existe uma sequência lógica mas não é obrigatória. Isto quer dizer o quê: uma pessoa que compre o último livro não vai dizer: “Ah, eu não estou a perceber nada da história porque não li o primeiro ou o segundo ou o terceiro!”. Portanto, o facto de existirem referências é só para dizer aos leitores que existem outros livros e que algumas das coisas podem ter ligação. Põe exemplo, agora, neste último livro, refiro que há uma personagem que não é uma nova personagem, que é um velho, amigo d’ “Os Primos”, mas não vou dizer quem é. Portanto, o facto de haver referências é só para dizer que está ali uma ligação, mas não quer dizer que a história não se vá perceber sem se ter lido toda a colecção. L.G. - Como funciona a ligação com o seu ilustrador? É a Mafalda que escolhe o que quer na ilustração? Fica ao critério do Ilustrador? M.M. - É uma excelente pergunta. Muita gente não me pergunta isso e eu acho que é uma pergunta muito inteligente e também tem uma história. Eu, quando comecei a trabalhar com o Humberto Stagni, que é de Bolonha, em Itália, não o conhecia. Portanto, comecei a trabalhar com ele pelo telefone e pela Internet. Só depois de ele já ter feito várias ilustrações para vários livros é que o conheci pessoalmente. Fui ter com ele a Bolonha e, quando tenho mais tempo para trabalhar com as suas ilustrações, vou ter com ele; quando não tenho, que foi o caso, por exemplo, do último livro, tenho que fazer tudo por skype, Internet, webcam, que é uma das coisas que eu passei a colocar no site. Eu tenho de lhe dizer muitas vezes algumas coisas. Por exemplo, a capa. Eu digo-lhe: “Eu gostava que cinco elementos estivessem contidos na capa: sol, praia, mar, verde…” e ele, depois, é que desenha sozinho. Outras coisas, às vezes, eu digo-lhe uma cena específica, como vocês verão depois no site, em que a fotografia já existe e eu só quero que ele lhe dê alguns retoques. É um bocado entre ambas as coisas. L.G. Gostaria de ver passada a sua obra para televisão, tal como aconteceu com a colecção Uma aventura? Porquê? M.M. - A primeira razão é porque os leitores andam sempre a pedir isso, há não sei quanto tempo, e, portanto, eu tenho a certeza que isso vai acontecer mais tarde ou mais cedo. Se calhar, mais cedo que mais tarde. Mas uma das razões porque ainda não tinha acontecido, e não aconteceu até agora, é porque, para

http://www.aesg.edu.pt

se fazer isso, é preciso haver um certo número de livros à venda e, portanto, como ainda havia poucos, é um bocado aborrecido fazer-se um filme e depois não haver material para se continuar a fazer. Depois, os

um dos melhores escritores que nós temos, dos contemporâneos. L.G. - Que mensagem final gostaria de nos deixar? M. M. - A mensagem que vos quero deixar é que vocês escolham os vossos próprios livros, que não se deixem influenciar, porque, às vezes, alguém vos pode dizer: “este livro é muito bom!” e vocês não gostam dele. Ponham de lado, sejam vocês a escolher os vossos próprios livros e encontrem o livro que vos vai levar a ler para o resto da vida, porque, se vocês conseguirem isso, nunca vão querer deixar de o fazer.

leitores ficam ali, à espera, ou as pessoas que vão ao cinema querem ver o resto e não conseguem porque ainda não há e, face à espera para se escrever mais um livro, é complicado. Portanto, era necessário que houvesse um número de livros já à frente. L. G. - Como têm reagido os seus leitores? Quem são eles, na sua maioria? M. M. - Na sua maioria, são obviamente jovens da vossa idade. Aliás, não é só da vossa idade. Vão a partir dos dez anos e depois vão até à idade adulta. Há muitos adultos que lêem as minhas histórias e têm reagido muito bem, pelo menos por aquilo que vejo nas mensagens que me enviam e muitas delas são publicadas no site. Enquanto você continuarem a ler livros, eu continuarei a escrevê-los. L. G. Já algum dos seus livros se encontra traduzido? Em que língua? M. M. Sim, há um que está traduzido em inglês, mas ainda não está publicado. L.G. - Os alunos da nossa escola gostam mais, de uma forma geral, de aventuras decorridas em Portugal. Planeia escrever mais alguma? M. M. - Sim, e não vos vou dizer qual, mas vou. E não é só uma, tenho tantas ideias para escrever os livros. Enfim, está planeado. L.G. - Tem alguns escritores favoritos? Quais são? M. M. - Tenho muitos escritores favoritos. Portugueses, tenho Eça de Queirós, que foi um escritor que adorei e, de cada vez que leio alguma coisa, ou releio aliás, adoro. Tenho Gabriel Garcia Marques; tenho, sei lá, tanta gente, Agatha Christie. Muita, muita gente! Eu costumo dizer que eu tenho muito pouco tempo, aliás a minha vida é muito curta para ler todos os livros que eu quero ler e coisa boa é encontrar um bom livro e um bom autor para depois ler a obra toda. Por exemplo, Zafón, sou completamente doida por Carlos Zafón. É

7 perguntas rápidas para 7 respostas curtas - Cor favorita? Porquê?  - Encarnado. Não faço ideia porquê, mas acho que faz sentido. - Palavra preferida? Porquê?  - “Sol”, porque eu, sem sol, não consigo viver. - Número favorito? Porquê?  - 3, porque desde o princípio da história de “Os Primos”, o 3 tem sempre estado envolvido numa série de coisas: o facto de o primeiro livro, que foi “O mapa egípcio”, ter o número 33, que fazia parte da “Minoria absoluta”; havia 33 exemplares dentro das caixas. O “Enigma do castelo templário” tem muito a ver com o 3. Enfim, eu deixei a minha empresa no dia em que a Editora me enviou um mail, no dia 3 de Março de 2003, a dizer que queria que eu começasse a escrever para eles. Tudo isto tem a ver com o número 3. - País que mais gosta? Porquê?  -Portugal, porque é o meu país e porque tem tudo, embora tenha muitos problemas. Mas é um país fenomenal. - Nome preferido? Porquê?  - Mafalda, porque eu sempre adorei os livros da Mafaldinha. - Livro de eleição? Porquê?  - “Cem anos de solidão”, de Gabriel Garcia Marques, porque acho que foi um dos melhores livros que já houve na história. -Sonho? Porquê?  -O meu sonho? Eu tenho tantos sonhos. Não sei. Escrever para um público mais amplo, que seja também um público de adultos, que não seja só um público de jovens. Mafalda Moutinho é uma jovem escritora, muito simpática e jovial, com a qual foi um prazer conversar. Temos a certeza de que muitos jovens poderão encontrar, nas páginas dos seus “enigmas”, “segredos” e “mistérios”, os livros das suas vidas e assim descobrir o verdadeiro “prazer da leitura” ou, quem sabe, o da escrita também. Vanessa Santos – 9º A Beatriz Soares – 8º D Prof. Celeste Nunes Prof. Pedro Rafael

Ano 1—Nº3

P A RT I L H A R S A B E R E S - C O N S T R U I R L E I T U R A S

L.G. - Como escolhe os temas?

reflectido nas histórias e nos livros.

LEMA DA BECRE 2009/2010:

foi por causa disso. Foi nesse momento que eu decidi que iria escrever um livro para jovens e não para adultos.


Letras da Gardunha

COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DA REPÚBLICA - DCSH - PNL

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P R O J E C TO C O M E M O R A Ç Õ E S D O C E N T E N Á R I O D A R E P Ú B L I C A D E PA RTA M E N TO D E C I Ê N C I A S S O C I A I S E H U M A N A S

Professora Anabela Niza Coordenadora do Projecto

A

s Comemorações do Centenário da República foram assinaladas, no Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha, ao longo do presente ano lectivo, tendo como objectivos a divulgação da informação histórica, a reflexão e o debate dos ideais republicanos, em diferentes níveis de ensino, envolvendo toda a comunidade educativa - alunos, professores, assistentes operativos, pessoal administrativo, pais/ encarregados de educação. O projecto, que foi proposto e dinamizado pelo Departamento de Ciências Sociais e Humanas, em articulação com outros departamentos/estruturas, fomentou a articulação inter-ciclos – Préescolar, 1º, 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico, envolveu, com as actividades dinamizadas, toda a comunidade educativa e teve a parceria da Câmara Municipal do Fundão. Ao longo do ano lectivo foram sendo desenvolvidas diferentes actividades: - Realização de exposições com trabalhos e pesquisas elaboradas pelos alunos; Concurso Escolar – sobre questões relacionadas com o período da 1ª República - destinado aos alunos dos 4º, 6º e 9º anos de escolaridade e aos Adultos – Pais/ Encarregados de Educação, Professores e Assistentes Operacionais. O Concurso Escolar dos alunos foi desenvolvido em três fases, tendo sido realizada a final, de forma presencial, em sala de aula e ou na BECRE, na última semana de Maio. O Concurso Escolar destinado aos adultos foi realizado, numa única fase e decorreu no dia 25 de Maio. Os resultados dos vencedores do Concurso Escolar – alunos e adultos - serão divulgados oportunamente, no Portal do Agrupamento e no Blog do Centenário. A entrega dos prémios será realizada em Outubro de 2010.

- Criação do blog   “Centenário da República AESGardunha”; - Plantação das Árvores do Centenário – castanheiros – na Escola sede e nas Escolas do 1º Ciclo e Jardins de Infância do Agrupamento; - Dramatização – “Viva a República”, pelos alunos da Turma B, do 6º ano de escolaridade, da Escola Básica Serra da Gardunha, com base na adaptação da obra A Minha Primeira República, do autor José Jorge Letria, que foi seguida de um Colóquio / debate sobre a República com a participação do autor e da Prof.ª Doutora Antonieta Garcia. A presença destas duas conhecidas e destacas figuras no panorama literário e cultural português teve como objectivos; -Fomentar o gosto pela aprendizagem/ conhecimento da História de Portugal; - Sensibilizar os alunos, dos três ciclos do Ensino Básico, e restante comunidade educativa para a importância dos ideais republicanos; - Desenvolver o conhecimento sobre a República, nomeadamente sobre aconteci-

expressão oral aliadas a uma melhor compreensão dos conteúdos, bem como a promoção da socialização, da autonomia, da criatividade, da memorização e da responsabilidade. Fomentou entre os professores, para além da articulação inter-departamental e da interdisciplinaridade, a partilha de saberes, a entre-ajuda e as relações interpessoais. A adaptação da obra A Minha Primeira República para

mentos e figuras relevantes. A dramatização realizada na Área Curricular Não Disciplinar – Área de Projecto/Plano Nacional de Leitura, em articulação com as Áreas Curriculares de História e Geografia de Portugal e Educação Visual e Tecnológica - permitiu o desenvolvimento de competências de leitura e escrita, bem como a dinamização das potencialidades da dramatização como instrumento pedagógico. Proporcionou, ainda, aos alunos, uma forma de interacção social e cultural, possibilitou; o desenvolvimento de competências de

texto dramático, o longo processo da encenação e da produção dos cenários, bem como a selecção e produção do guarda-roupa e dos efeitos cénicos foram realizados pelas professoras Anabela Niza (História e Geografia de Portugal e Área de Projecto / Plano Nacional de Leitura), Mar ia Ode te Martins (Educação Visual e Tecnológico e Área de Projecto / Plano Nacional de Leitura) e Maria Cristina Pio (Educação Visual e Tecnológica). O auditório da Moagem – Junho de 2010

Cidade do Engenho e das Artes foi o palco escolhido para a dramatização “Viva a República”, no dia 29 de Maio (sábado). Muito antes da hora marcada para o início, já pais, alunos, professores e convidados enchiam a entrada do auditório para assistirem à dramatização e ao colóquio /debate. Foi um trabalho que resultou da conjugação de esforços entre alunos, professores, encarregados de educação, assistentes operacionais e de toda a comunidade

educativa. A dramatização “Viva a República” superou as expectativas, tendo os nossos alunos da turma 6º B – aprendizes de actores e actrizes – demonstrado um grande sentido de responsabilidade, aliado a um empenho extraordinário, que resultaram num excelente desempenho, realçado pelos oradores presentes, pelos convidados, pelos professores e encarregados de educação, bem como pelo e público em geral. O Departamento de Ciências Sociais e Humanas agradece: 3 a todos os que quiseram honrar-nos com a sua presença neste evento cultural; 3 aos nossos convidados, Dr. José Jorge Letria e Profª Doutora Antonieta Garcia; 3 à Câmara Municipal do Fundão; 3 ao Órgão de Direcção do Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha; 3 aos Professores do Departamento de Ciências Sociais e Humanas, que acreditaram no projecto e que nele se envolveram activa e entusiasticamente, não esquecendo a professora Maria José Miranda, que, apesar das ausências motivadas por questões de saúde, de todos conhecidas, nunca deixou de colaborar neste projecto; 3 aos Professores de outros Departamentos e Estruturas que connosco colaboraram; 3 à Equipa PTE - Plano tecnológico de Educação; 3 aos nossos Assistentes Operacionais e ao Pessoal Administrativo; 3 a todos os nossos Alunos e Alunas que se envolveram no Projecto; 3 aos Pais e Encarregados de Educação; 3 à Comunidade Educativa, e, em particular à relação Escola/ Família, a qual foi, frequentemente, solicitada; 3 aos responsáveis e funcionários da Moagem.


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Letras da Gardunha

PLANO NACIONAL DE LEITURA - DCSH— CENTENÁRIO DA REPÚBLICA

“Quant enfrentaremos o futuro e me

Entrevista com José Jorge Letria

J

ornalista, poeta, drama-

turgo, ficcionista e autor de uma vasta obra para crianças e jovens, José Jorge Letria nasceu em Cascais, em l951. Estudou Direito, História e História de Arte, na Universidade de Lisboa, sendo pós-graduado em Jornalismo Internacional e Mestre em Estudos da Paz e da Guerra nas Novas Relações Internacionais, pela Universidade Autónoma de Lisboa. Foi redactor e editor de jornais como o “Diário de Lisboa”, “ R e p ú b l i c a ” , “Musicalíssimo”,“Diário de Notícias” e “Jornal de Letras”. É, desde Setembro de 2003, vice-presidente e administrador da Sociedade Portuguesa de Autores e, desde Setembro de 2007, o seu administradordelegado. Publicou, recentemente, a obra A minha primeira República, que foi reescrita e dramatizada pelos alunos do 6º B da nossa escola. Foi nessa dupla qualidade, de autor para crianças e jovens e de cidadão preocupado com a transmissão de determinados valores cívicos, que o Letras da Gardunha o foi entrevistar, aquando da palestra que se realizou na Moagem – Cidade do Engenho e das Artes, no dia 29 de Maio do corrente ano lectivo, com o objectivo de se relembrar e comemorar os 100 anos da República portuguesa. Vanessa Santos – Conforme se pode ler na sua biografia, ao longo dos anos tem vindo a desempenhar variadas actividades profissionais. Já foi jornalista, cantor de intervenção, professor, autarca, poeta, escritor. De entre todas elas, qual a que prefere ou preferiu exercer? José Jorge Letria – Aquilo que verdadeiramente marcou a minha vida ao longo destes anos todos foram duas coisas. Foi ter sido jornalista, 25 anos, e ser escritor há quase 37. Embora tenha desempenhado outras funções, como autarca a tempo inteiro, e, actualmente, sou Presidente do Conselho de Administração da Sociedade Portuguesa de Autores, aquilo que verdadeiramente me marca neste percurso já de muitos anos, cerca de 40 anos, tem sido, por um lado, o jornalismo e, por outro lado, a escrita literária. VS – Quais os motivos? JJL – O jornalismo, em primeiro lugar, porque foi uma opção de vida e uma opção profissional que eu fiz, que me permitiu, por um lado, assegurar a minha subsistência e a minha família; em segundo lugar, ganhar uma disciplina de escrita que foi também muito útil na produção dos livros todos que fiz. Por outro lado, porque é uma actividade de escrita que nos dá uma visão crítica do mundo e uma atenção, embora eu, hoje, seja bastante crítico em relação ao jornalismo que se faz em Portugal. Mas em relação à literatura, porque, realmente, embora eu nunca tenha, pelo menos na infância ou na juventude,

pensado em ser escritor a tempo inteiro, coisa que não sou – de facto, tenho tentado não ser, para não depender, também materialmente, da literatura e valorizar sobretudo o prazer de escrever –, é porque a literatura é realmente o meio que eu tenho de comunicar com os outros e de transmitir e partilhar ideias. VS – Neste contexto, como é que surgiu a sua produção enquanto escritor para a Infância e Juventude? O que o levou a escolher esse público em particular? JJL – Vários factores. Em primeiro lugar, a idade e o crescimento dos meus filhos. Quando eu

publiquei o primeiro livro, em 99, tinha um filho com 6 anos e tinha outro com 4. Depois, o facto de eu ter sido, durante vários anos, também cantor de canções para crianças, com o José Barata Moura e com outros. E, depois, o facto de ter percebido que, do ponto de vista da minha produção literária, este era um mercado que existia e onde eu tinha condições para publicar mais, ter mais livros editados e criar um público. Sobretudo ter um público onde eu podia lançar um bocado a semente do prazer e da paixão pela leitura. “Eu acho que, neste momento, nós temos os melhores ilustradores da Europa e penso que, do ponto de vista da escrita e das temáticas da escrita, se pode evoluir mais.”

VS – O que acha do panorama português actual ao nível da Literatura Infanto-Juvenil? JJL – Acho que não está mau. Embora o que mais tem evoluído nos últimos anos tenha sido sobretudo o trabalho dos ilustradores e menos o trabalho dos escritores. Eu acho que, neste momento, nós temos os melhores ilustradores da Europa e penso que, do ponto de vista da escrita e das temáticas da escrita, se pode evoluir mais. Embora estejam a aparecer novos autores, com propostas interessantes, mas acho que se pode evoluir

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bastante. VS – É mais fácil escrever para crianças/jovens ou para adultos? JJL – Eu acho que, em relação à escrita para os mais novos, há uma ideia só aparente e enganadora de facilidade. Escrever para crianças é tão difícil como escrever para adultos. Aliás, há uma escritora, a Cecília Meireles, a quem um dia perguntaram como era escrever para crianças. Com alguma ironia, ela disse: “É o mesmo que escrever para adultos, só que melhor”. E realmente é isso. É preciso ser uma escrita cuidada, que, por detrás da aparência de facilidade e de simplicidade, contenha rigor gramatical, qualidade de escrita, ideias e também alguma carga poética, imaginação, o maravilhoso, tudo isso. É sobretudo preciso pensar que, quando se escreve para crianças, se está a escrever para o futuro. Mesmo que seja lido no presente, está-se a escrever para o futuro. Quem lê hoje o que eu escrevo vai ficar marcado, bem ou mal, por aquilo que escrevi. Portanto é sempre um investimento. VS – O que prefere a nível pessoal, escrever para crianças ou para adultos? JJL – Eu gosto é de escrever. Uns dias apetece-me escrever para crianças, outros dias apeteceme escrever para adultos; uns dias apetece-me escrever poesia, outros dias apetece-me escrever em prosa… Embora muitas vezes a poesia tenha a forma da prosa, é possível fazer isso, como acontece no livro O Principezinho, de Saint-Exupéry. Mas o que eu tenho escrito mais, de facto, nos últimos anos, é para crianças. VS – Para se inspirar, recorre usualmente a experiências pessoais e verdadeiras ou é tudo fruto da sua imaginação? Onde vai buscar inspiração para escrever? JJL – São as duas coisas. Eu acho que nós vamos buscar ideias a conversas que ouvimos, a coisas que observamos, a viagens que fazemos, a situações mais ou menos complicadas por que passámos, umas alegres, outras não. E também à pura imaginação, mas fazer despoletar a imaginação é uma coisa que parte sempre da nossa experiência pessoal. Nada nasce do nada. E, portanto, um escritor verdadeiramente escreve melhor sobre aquilo que conhece. Eu estar a descrever os sentimentos e as emoções de um homem, por exemplo, da Roma antiga, ou do Egipto antigo, é muito mais difícil do que estar a escrever sobre um homem do século XX. Porque um homem do século XX e do século XXI pertence ao mesmo quadro de referências que eu tenho, conhece as mesmas coihttp://www.aesg.edu.pt

sas, viveu coisas parecidas às que eu vivi. Portanto é sempre mais fácil escrever sobre o que conhecemos e, por isso, aquilo que escrevemos tem sempre uma nota autobiográfica. Por exemplo, muitas das personagens que tenho criado nos contos e livros para crianças são inspiradas em coisas que eu vivi e em coisas que eu senti. VS – Considera que existe sempre, mesmo na sua produção ficcional, uma preocupação didáctica? JJL – Pedagógica sim, didáctica não. Acho que didáctico é o manual escolar, o livro escolar. Pedagógico é o que ensina, sem ter a preocupação de ensinar. É o que, no fundo, forma. Forma para os valores, para as ideias, para a sensibilidade, para o gosto, sem estar a dizer “deves funcionar desta maneira, destes aprender isto, deves estudar aquilo”. Eu isso nunca digo. Mesmo em livros que escrevi, que têm um carácter formativo, na área de jornalismo, por exemplo, eu nunca sou imperativo naquilo que digo. Ou impositivo. Portanto, eu acho que pedagógico tenho sido na transmissão de valores, etc., mas nunca didáctico. O didactismo é muito perigoso para a literatura. VS – O que o levou a escrever livros como A minha primeira República ou O Vermelho e o Verde? JJL – Sobretudo uma grande preocupação que tenho tido com a valorização da memória histórica. A ideia de que a história é um valor dinâmico, é uma realidade que está sempre em transformação. Quanto melhor conhecermos o passado, melhor enfrentaremos o futuro e melhor resolveremos as questões do presente. Portanto, quando abor-

do temas como A minha primeira República e O Vermelho e o Verde, que são dois livros sobre a República, um para crianças, outro para adultos, eu tenho realmente a preocupação clara de pegar numa memória histórica que me é grata e contá-la à minha maneira, para que outros possam partilhar a maneira como eu vi as coisas. E são livros, acrescento, para vários públicos; são livros escritos por alguém que se assume claramente como um

republicano. “ E u t e n h o u m a atracção muito grande pelas revoluções, pelos momentos de rotura histórica, os momentos em que os homens e as mulheres mudam a vida e a história.”

VS – Quem é o Manuel Francisco? JJL – O Manuel Francisco é um menino de Lisboa, que completaria 10 anos no dia 5 de Outubro de 1910. E que poderia ter-se chamado José Jorge se eu tivesse vivido naquela altura. Portanto, é o menino que eu poderia ter sido, se tivesse 10 anos em 1910. Ou, pelo menos, o menino que eu quereria ter sido. Eu tenho uma atracção muito grande pelas revoluções, pelos momentos de rotura histórica, os momentos em que os homens e as mulheres mudam a vida e a história. E, por isso, lamento não ter vivido a revolução de 5 de Outubro de 1910. Se calhar tinha morrido, se calhar tinha sido ferido, mas gostava de ter estado na Rotunda naquela altura e, já que não estive, conto a história como acho que a teria vivido se lá tivesse estado. VS – Sabemos que trabalha com o seu filho, o ilustrador André Letria. Como funciona essa parceria? JJL – Eu tenho trabalhado, nos últimos 17, 18 anos, com o André. O André é, hoje, um ilustrador consagrado em termos nacionais e internacionais. É premiado em vários lados e, normalmente, quando fazemos um livro (ainda agora fizemos um), eu mando-lhe o texto; ele, depois, manda-me as primeiras propostas de ilustração; eu digolhe se concordo ou não… (normalmente concordo). Eu acho que ele é um ilustrador de grande nível e portanto trabalhamos, quer dizer, estou muito mais próximo dele do que de outros ilustradores. Quando fazemos um livro juntos, o nosso diálogo é muito maior do que, por exemplo, com o Afonso Cruz ou com a Carla Nazaré, que são ilustradores que estão mais distantes de mim. E, portanto, é uma relação de um escritor com um ilustrador, mas é também uma relação de um pai com um filho. VS – Como vê o papel do ilustrador nos livros para a Infância e Juventude? JJL – É um papel fundamental. O ilustrador é quem dá o rosto ao livro. O escritor é fundamental. É quem inventa a história, quem escreve o poema, quem escreve o texto, quem escreve a peça de teaAno 1—Nº3


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o melhor conhecermos o passado, melhor elhor resolveremos as questões do presentro. Mas o ilustrador é quem o representa do ponto de vista gráfico. E um livro pode ser muito bom a nível do texto, mas, se não for bem tratado graficamente e bem ilustrado, pode morrer. Pode acabar sem ter êxito nenhum. E, por isso, o ilustrador é cada vez mais importante, mas não deve ter a ilusão de que pode substituir o escritor. Ou “...dos prémios que mais me estimularam e não têm a ver com Literatura, foi ter recebido, em 1997, o Ordem da Liberdade…”

seja, eu tenho a preocupação de dizer a ilustradores como o André: “Eu nunca ilustrarei e vocês não se devem pôr a escrever, porque é entrar em terrenos que não são próprios”. O André até escreve bem, mas tem a consciência de que não é um escritor. E eu também não ilustro livros, não tenho jeito nenhum para desenhar. Cada um… Cada macaco no seu galho. VS – Os prémios são uma forma de reconhecimento público e já recebeu muitos ao longo da sua carreira, como pudemos verificar. Até que ponto eles têm influenciado o seu percurso? JJL – Bastante! Não no sentido de eu viver para eles ou de trabalhar em função deles, mas naturalmente que o prémio é sempre um estímulo. É um estímulo às vezes material, quando o prémio tem um valor pecuniário. E tenho recebido prémios importantes. Recebi o Prémio Internacional UNESCO, dez mil dólares, em 93. Foi muito bom! Recebi o Prémio Aula de Poesia, de Barcelona, que não teve nenhum valor material, mas que permitiu ter um livro de poesia (para já, é um grande prémio europeu) traduzido em cinco países, desde a Roménia até à Itália. E, depois, há prémios…. Já ganhei dois grandes prémios da Associação Portuguesa de Escritores; ganhei prémios em França, no México…. Portanto, cada vez que um prémio vem, e dado por júris muito diferentes, é uma maneira de alguém me dizer: “Isto é bom. Valeu a pena! Foste melhor do que os outros!” E isso é bom. Mas, dos prémios que mais me estimularam e não têm a ver com Literatura, foi ter recebido, em 1997, o Ordem da Liberdade, porque foi o reconhecimento do Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio na altura, daquilo que eu fiz sendo muito jovem, tendo a idade que tem o protagonista de O Vermelho e o Verde, na luta pela Democracia e pela liberdade em Portugal, quando eu tinha 20, 21, 22 anos. Quando me perguntam sobre os prémios, eu digo que há prémios literários que foram muito importantes e este é o que me toca profundamente. Ainda hoje, a esta distância, se me pedirem para eu dizer aos meus netos qual foi a distinção que mais me tocou, eu, que não tenho um apreço especial por condecorações, esta, para mim, a mim, diz-me tudo, porque é uma condecoração que tem um título

“Eu sou optimista; eu acredito que o livro vai continuar como nós o conhecemos: em papel, com capa, com tudo isso, porque há uma relação física com o livro que nada vai substituir.”

acaso, o Pinóquio li cedo, mas não me influenciou assim tanto. Agora, o Peter Pan é um livro fantástico sobre o que é ser e continuar a ser criança, mesmo num mundo que não nos aceita como crianças.

que resume o essencial da minha vida: a palavra liberdade.

VS – Que conselhos quer deixar aos jovens que sentem já em si o “bichinho da escrita”? JJL – É sempre difícil dar conselhos, porque os conselhos representam o nosso pensamento sobre as coisas e nem sempre o nosso pensamento está correcto ou se aplica àqueles que queremos aconselhar. Mas o primeiro conselho é ler, ler, ler sempre, primeira coisa. Segunda coisa: ler, ler, ler, ainda mais. A terceira coisa é escrever até se encontrar uma voz própria, porque há muita gente a escrever mas, até nós encontrarmos, na poesia, no romance ou outra coisa, uma voz (quando digo “voz” é a escrita) que dizemos “Isto sou eu; isto ninguém escreve como eu”, leva muito tempo. Pode ser uma vida inteira até se escrever um poema em que se diz:

VS – Que avaliação faz da relação que os jovens mantêm hoje com a leitura e com a cultura? JJL – É uma relação complicada. Os jovens, hoje, cada vez têm menos tempo para ler, porque têm muitos jogos de computador, muita coisa para pesquisar na net, para os seus trabalhos, porque têm uma carga escolar grande, porque têm actividades extracurriculares que os sobrecarregam muito e, no entanto, cada vez se compram mais livros e se vendem mais livros para as crianças. Mas isso não é só o mérito dos pais das crianças, e dos avós, e dos tios, e das Câmaras Municipais. É o resultado também da essência do Plano Nacional de Leitura, por um lado, que orienta, que encaminha para o gosto pela leitura e para um número significativo de livros e de autores e é também o resultado da ideia de que as novas tecnologias não excluem nem matam o prazer de ler. Eu sou optimista; eu acredito que o livro vai continuar como nós o conhecemos: em papel, com capa, com tudo isso, porque há uma relação física com o livro que nada vai substituir. VS – O que é necessário fazer para os motivar para a leitura ou até para a escrita? JJL – Em primeiro lugar, fazer com que eles sejam leitores; fazer com que eles nunca deixem de ser leitores; fazer com que eles criem o gosto pela relação com o livro e com a leitura, porque nenhum escritor, nenhum jovem escritor, de qualquer idade, pode deixar de ser, antes de qualquer outra coisa, um grande leitor. A motivação para a leitura passa pela presença do livro no caminho diário do jovem, a casa, a escola, a Biblioteca Escolar, a Biblioteca Municipal, e, sobretudo, a ideia, que se deve transmitir ao jovem, de que grande parte daquilo que pode ser dito, e deve ser dito, já está dito em livros e que eles, indo aos livros, encontram grande parte do que pode ser dito. VS – O que pensa do PNL (Plano Nacional de Leitura) e da sua implementação nas escolas? E na sociedade portuguesa em geral? JJL – Eu acho que é globalmente muito positivo. É uma iniciativa muito positiva, que eu espero que continue bem, porque fornece

às escolas, e aos professores e educadores, uma orientação quanto a títulos e a temas e também aos

escalões etários a que os livros se destinam. Não quer dizer que seja um plano perfeito; nenhum plano é perfeito. O Plano Nacional de Leitura tem muitas deficiências, tem escolhas erradas, mas, num leque de escolhas tão vasto, é difícil acertar sempre. Portanto, o importante é indicar títulos, indicar autores, indicar escalões etários, indicar temas para se organizar e disciplinar também a forma como a leitura é conduzida e orientada nas escolas. Portanto, é globalmente muito positivo. VS – Geralmente há sempre um livro que motiva para a leitura. Uma criança que não gostava de ler, pode passar a gostar devido à leitura de um livro. Aconteceulhe o mesmo? JJL – Aconteceu sim, aconteceu. Eu cito três livros, ou quatro, que foram importantíssimos. Um deles, que é talvez o livro que eu mais indico quando falo da minha adolescência, da minha puberdade, é O Principezinho, de SaintExupéry, um livro que me veio demonstrar que é possível escrever um grande poema em prosa, com personagens, com diálogos, com isso tudo. Depois, o outro livro que me marcou muito e que me ajudou a caminhar no sentido da cidadania foi O diário de Anne Frank. Foi um livro que me marcou muito e, depois, eu acabei por lhe dar continuidade escrevendo um livro chamado Mouschi, o gato de Anne Frank. Depois, os Contos de Andersen, que eu li quando era muito miúdo e que me ajudaram muito, até às vezes pela carga dramática, emotiva, que têm. E o Peter Pan, que eu li relativamente cedo e que acho que é um livro lindíssimo. Só mais tarde é que li Alice no país das Maravilhas e o Pinóquio. Por

Junho de 2010

“Isto não é Fernando Pessoa, nem é Jorge de Sena, nem é Sophia de Mello Breyner, nem é Alexandre O’Neill.” Leva muito tempo; dá muito trabalho. Portanto, não ter ambições excessivas, ser humilde, ser modesto e trabalhar muito. Eu acho que qualquer coisa que é bem feita na vida dá muito trabalho, dá uma trabalheira monumental. Ser atleta de alta competição, ser um bom jogador de basquete, ser um bom pintor, um bom aviador: nada do que é bem feito dispensa um grande trabalho, um grande esforço, um grande treino, uma grande dedicação. E é isso que eu faço. E qual é a minha maneira de fazer isso: é continuar a ler, aproveitar o tempo que tenho para ler, porque tenho cada vez menos tempo, e aproveitar o tempo que tenho para escrever. E tenho sempre novos projectos que não consigo concretizar, muitas vezes porque não tenho tempo. VS – Que livro da literatura portuguesa

ou universal aconselharia aos jovens? Porquê? JJL – Para os jovens não é fácil porque a juventude vai mudando de gosto à medida que o tempo passa. Mas há algumas peças de Shakespeare, por exemplo, Romeu e Julieta. Embora seja uma peça com um fim trágico, acho que é um grande livro, que os jovens devem ler. É uma peça extraordinária. Depois, há adaptações de Charles Lamb, das peças, e comédias, e tragédias, de Shakespeare, contadas aos jovens do século XVIII, XIX. Depois, livros que eu acho que são fantásticos são, por exemplo, os Contos, de Andersen. Eu acho que se devem ler sempre, que são grandes momentos da literatura, que, sendo destinados a crianças, se lêem em qualquer época, em qualquer idade. Depois, há livros que, não sendo directamente para jovens, são livros que eu, por exemplo, li quando tinha 14, 15, 16 anos. Se calhar, li cedo de mais, mas eu acho que são importantes ler. O Livro, de Cesário Verde, é um livro que tem poemas extraordinários sobre Lisboa, o que é a vida de Lisboa, a cor de Lisboa. É quase um filme sobre a cidade de Lisboa. É extraordinário! Para se entrar na temática amorosa, por exemplo, os sonetos de Florbela Espanca. Quem quiser perceber como se pode, num livro, colocar a imagem de um país deve ler dois livros: Os pescadores e As ilhas encantadas, de Raul Brandão, que são livros extraordinários, que nos ajudam a gostar de Portugal, a geografia, os hábitos, os costumes, as pessoas. São livros absolutamente extraordinários. E, depois, um livro que eu posso sugerir, português, é As aventuras de João Sem Medo, de José Gomes Ferreira. E, citando dois que já citei há bocado: o Diário de Anne Frank e O Principezinho. Terminámos esta entrevista a José Jorge Letria com a sensação de estar perante um homem de imensa cultura histórica e literária. No final, o autor, poeta e jornalista ainda nos presenteou com rasgados elogios sobre o Fundão, terra onde já se deslocou frequentes vezes, o seu Jornal e as suas gentes. Obrigada, José Jorge Letria!

Entrevista realizada por: Vanessa Santos nº 20 9º A Com a colaboração dos professores:

Maria Celeste Nunes Pedro Rafael Gomes


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Entrevista com Maria Antonieta Garcia

Estamos a pa

M

aria Antonieta Garcia nasceu no Fundão e estudou na Guarda. Licenciou-se em Filologia Românica, na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, e é Mestre em Literatura e Cultura Portuguesas e Doutorada em Sociologia/ Sociologia da Cultura, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Nutre uma paixão pelo Judaísmo, tendo já publicado várias obras sobre essa religião e cultura, e lançou, em 2009, a obra Carolina Beatriz Ângelo – Guarda(dora) da liberdade, que retrata a luta pela emancipação da mulher associada à luta pela implantação da República. Num colóquio/debate, promovido pelo Departamento de Ciências Sociais e Humanas e que decorreu, no dia 29 de Maio, na Moagem – Cidade do Engenho e das Artes, a propósito das Comemorações do Centenário da República portuguesa, o Letras da Gardunha foi entrevistar a autora e, com ela, abordou assuntos diversos, que passaram pela literatura, cidadania e Plano Nacional de Leitura. Cristiano – Antes de mais, uma muito boa tarde. Maria Antonieta Garcia – Boa tarde! C. – Conforme se pode ler na sua biografia, ao longo da sua vida tem vindo a desempenhar variadas actividades profissionais, todas elas relacionadas com a educação e a cultura. De entre elas, qual prefere ou preferiu exercer? Porquê? MAG – Ser professora, porque me permitiu uma coisa que eu acho ser extremamente importante: estar continuamente em contacto com gente nova. Gosto muito de jovens. Estamos sempre despertos para o mundo quando temos à nossa frente gente muito nova. Eu gosto muito que me interpelem e que me contradigam, porque acho que isso é um desafio. Ensinar, para mim, sempre foi um desafio e, por isso, foi o que mais gostei de fazer: ensinar. C. – Nesse contexto, como surgiu a sua produção enquanto escritora? MAG – Olha, foi muito engraçado. O primeiro livro que escrevi chama-se Os Gatos e é sobre o 25 de Abril. Também porque tinha filhos pequenos e tinha que lhes contar histórias, já muitas vezes inventadas. Depois, fui dar aulas para uma terra chamada Belmonte e conheci uma

comunidade de judeus. Vivi lá, na terra. Foi uma experiência muito boa. Quis saber como eram, o que tinham eles de diferente em relação às pessoas que não eram judias. Estudei bastante. Quis conhecêlos e à cultura deles. Foi por aí que eu comecei a escrever. C. – Tendo em conta a admirável contadora de histórias que é, já pensou em escrever também para crianças? MAG – Eu tenho um livro. Chama-se Os Gatos, mas tem mais do que uma história. É mesmo sobre o 25 de Abril. E tenho outro de personagens rurais. Na altura em que era professora, havia muita carência de livros que tivessem miúdos de vidas rurais como personagens, como protagonistas de livros. Então, nessa altura, fiz diversos contos como: “Manuel Luís Esparguete”, “O Esparguete é um Lagarto”, “Manuel e os Amigos”. Manuel é o nome do meu neto (risos). Decidi então fazer histórias em que os miúdos da zona rural fossem os protagonistas. Houve também, depois, uma quantidade de lendas que eu alterei um pouco e que foram recolhidas, aqui, na nossa zona, a nossa Beira. São então dois livros que a gente mais nova pode ler. C. – Enquanto estudiosa da comunidade judaica, e tendo já publicado algumas obras neste contexto, não se aventuraria a dirigir alguma obra relacionada com esta temática para os mais novos? MAG – Nunca pensei nisso. Estás a ver porque é q u e e u digo que a gente mais nova f a z semp r e desafios? A í está u m belo desafio! Nunca pensei nisso! Mas, naturalmente, seria interessante. Por exemplo, em Belmonte, seria muito engraçado. Os jovens que não são judeus entendem-se com os amigos que estão do outro lado, os colegas. Porque é que eles são diferentes? O que é que,

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afinal, os aproxima e o que os tornas diferentes uns dos outros?

MAG – Podem ser sempre. Aliás, aquilo que me agrada na literatura, devo dizer-te, é exacta-

“Porque as palavras são lúdicas e, quando elas se juntam, aqui, na boca, e se põem a brincar é um momento de enorme prazer.” C. – O que acha do panorama português em relação à literatura infanto-juvenil? MAG – Tem belíssimos escritores; é mais rica do que sempre foi. Nunca houve uma época tão rica nesse campo como agora. Portanto, há muita produção e muito boa. C.– Onde vai buscar a inspiração para escrever? MAG – Olha, eu gosto de escrever, é uma coisa que me dá muito gosto. Mas, normalmente, é o contacto com gente nova, como tu, nas escolas, com os meus netos também. Acaba por ser um pouco esta vivência. Lá está a importância da gente nova; também a minha experiência de vida, tudo aquilo que já vivi. Tudo isto são momentos, memórias, que acabam por se reflectir nos livros que escrevo. C. – No seu último livro, Carolina Beatriz Ângelo – Guarda(dora) da Liberdade, faz

uma pequena brincadeira entre a Guarda, cidade onde esta nasceu, e a notável defensora da liberdade que era Carolina Beatriz Ângelo. Acha que as palavras podem ser uma forma de brincadeira entre os mais novos? http://www.aesg.edu.pt

mente essa possibilidade que nós temos de brincarmos com as palavras. Porque as palavras são

lúdicas e, quando elas se juntam, aqui, na boca, e se põem a brincar, é um momento de enorme prazer. Diz lá, não é? É isso! (Risos) C.– Carolina Beatriz Ângelo foi uma pioneira na luta pela dignificação da mulher, quer em Portugal quer a nível internacional. O que acha disso? MAG – Sem dúvida nenhuma. Tivemos a sorte. Tenho muito orgulho em ser portuguesa, mas gosto também muito da Beira, que é um canto de Portugal que é sempre muito esquecido. Carolina Beatriz Ângelo nasceu aqui. Formou-se aqui. Aprendeu a ser gente aqui. Esse exemplo de mulher, que não olhou a conveniências, viveu muito rapidamente, com muita intensidade, o tempo dela para trazer para as mulheres o papel mais adequado para a sua dimensão humana. E isto, realmente, ficamos a dever a Carolina Beatriz Ângelo. Até o conhecimento do que era o movimento feminista em Portugal passou por aquilo que ela transmitiu a outras senhoras, de França, da Europa, de uma forma genérica. Ela foi um exemplo a nível europeu. C. – Acha que, depois de todos estes anos passados desde a implementação da República, em Portugal se atingiu finalmente uma igualdade entre homens e mulheres?

MAG – Neste momento, a lei que nós temos, a legislação que existe, dá iguais possibilidades a homens e a mulheres. Não tenho dúvida nenhuma. Agora, uma coisa é a lei, aquilo que realmente é legislado, e outra é a prática. E, na prática, foram produzidas ultimamente algumas leis que são muito importantes para que a mulher possa desempenhar essas funções. Por exemplo, o caso da lei da parentalidade e também

das quotas, dando-lhes possibilidade de fazerem parte das listas para as autarquias, o Parlamento. Isso foi muito importante. C. – Acha que, internacionalmente, a mulher vê os seus direitos satisfeitos? MAG – A nível europeu sim. Sem dúvida alguma. O problema reside nas mulheres de alguns países, de determinados tipos de religião, que têm para com as mulheres uma violência tremenda, em que as mulheres continuam sem poder tirar a carta de condução, sem poder ir à escola, sem poder sair à rua, sem poder mostrar a cara. Há um conjunto de países que ainda precisam de alguém que os faça perceber que, em certos pontos, a mulher é como o homem, que fazem ambos parte da humanidade e que ambos podem tornar o mundo melhor. C. – Acha que, tendo em conta estes factos, deveria continuar a haver uma tolerância religiosa entre diferentes povos? MAG – É muito interessante a pergunta que me fazes, porque aquilo que tu me estás a perguntar é se nós podemos ser tolerantes com os intolerantes. Porque eles são intolerantes! Temos um conjunto de factores que os tornam intolerantes, como a utilização da burqa, o véu integral que cobre todo o corpo da mulher, e Ano 1—Nº3


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“Quando nós votamos, decidimos. articipar numa decisão muito importante.” também outras práticas mais graves que vão contra aquilo que é a dignidade da mulher. Realmente, não se pode ser tolerante para com eles. Deve haver mesmo uma acção a nível mundial, de homens e de mulheres conscientes em relação aquilo que é uma prática que nos magoa e “atropela” os direitos humanos. C. – Porém, continua a haver uma tentativa de tolerância religiosa que não é aceite e muito menos aplicada. MAG – Falas de uma intolerância religiosa, que é lida por alguns homens e algumas mulheres nos livros sagrados. Se tu fores ler o livro do Alcorão, tu não vês lá a introdução dessas práticas. São leituras posteriores, feitas por alguns religiosos, que nada têm a ver com o livro sagrado que, no fundo, acabam por redundar nessas práticas violentas contra a mulher. C. – Não sei se sabe, mas existe uma passagem na Bíblia que diz que a mulher não deve usar máscaras. Há uns tempos, a minha professora de Geografia contou-me uma história que dizia que uma senhora tinha encontrado uma mulher no supermercado e gritou com ela por ela estar pintada, porque a Bíblia diz: “A mulher não deve usar máscaras!” A própria senhora respondeu dizendo que a Bíblia não o diz nesse sentido, mas sim com o objectivo de dizer que a mulher não deve ser falsa, deve demonstrar aquilo que é? MAG – Uma falsidade, exactamente. Mas tu sabes que, no tempo de Salazar, não era permitido às professoras primárias irem de lábios pintados para a escola. Quando a mulher começou a usar outros trajes, toda a gente dizia que não, que não podia ser assim. As mulheres deveriam usar saias compridas, chapéus enormes e até havia mesmo cores que devia usar, que devia ser silenciosa, falar pouco nas assembleias. Há todo um conjunto de coisas que nós vimos e que são leituras que não são dos textos sagrados; são leituras que os homens fazem dos textos sagrados. C. – Carolina Beatriz Ângelo foi a primeira mulher a votar, em Portugal. Porém, nos dias de hoje as enormes per-

centagens de abstenção são conhecidas. O que acha disso? MAG – Há um desencanto, porque, tal como há pouco falávamos disso, a democracia poderia ser bastante melhorada. Esse desencanto das pessoas em relação à forma como as coisas funcionam resulta muitas das vezes na sua demissão do seu direito de voto. Digo-te: eu que lutei durante 29 anos para poder votar, sinto -me incapaz de não praticar esse meu direito, porque é tão importante nós votarmos, manifestarmo-nos, não legarmos a outros aquilo que é a nossa ideia. Também admito, também percebo que o desencanto possa levar à “demissão”. Mas é esse esforço que nós temos de fazer de não deixarmos que sejam, às vezes até aqueles que pensam menos bem, que sejam eles a decidirem por nós. Quando nós votamos, decidimos. Estamos a participar numa decisão muito importante.

Igualdade e Fraternidade”. Era o lema. C. – O que acha que é preciso fazer para motivar os jovens para a leitura e para a escrita? MAG – Só o que vocês hoje aqui fizeram, eu acho que é de

cozinha e tivéssemos a receita, a coisa corria melhor, mas não temos. Temos que ir por tentativas e acho que esta tentativa do Plano Nacional de Leitura foi importante, não achas? C. – Não. Eu acho que, com a obrigatoriedade do PNL, os

tencia a uma loja de senhoras, aderiu à Maçonaria. Talvez seja secreta por muitos dos seguidores serem anónimos. É uma instituição que teve muita força a partir do séc. XVIII em Portugal. Tem muita força durante a Primeira República. Os grandes chefes do partido republicano e as mulheres que participaram mais activamente no movimento republicano estiveram ligados à Maçonaria, que era a “Liberdade,

C. - Mas aí, noutra dimensão, vamos ter um problema da democracia: nós não podemos escolher. MAG – Tu podes, naturalmente, ser consultado porque já leste muito, mas há colegas teus que nunca leram nada. Qual seria a opinião de pessoas que nunca leram? C. – Poderia haver uma lista de livros onde nós escolheríamos. MAG – Então, teriam de eleger os alunos que já leram para poderem escolher. Porque, se tu pusesses alunos que nunca leram uma linha para lá do manual escolar, qual seria a validade da opinião deles? Seria válida? Iam lá pela cor do texto, pelo título. Depois, às tantas, afinal nem gostavam.

C. – Não acha que os portugueses estão um pouco fartos de promessas não cumpridas? MAG – É o desencanto. Sem dúvida. C. – Carolina Beatriz Ângelo fez parte da Maçonaria. É uma organização secreta? MAG – Penso que não! Embora muitos dos seguidores da Maçonaria fossem anónimos, isso não quer dizer que fosse uma organização secreta. Ninguém era obrigado a revelar que pertencia à Maçonaria. Apesar de, um dia, um jornalista lhe ter perguntado se ela pertencia à Maçonaria e ela ter dito que per-

outros que não o são. Aquilo que se pretende com os obrigatórios é entusiasmar para a leitura de outros.

topo de gama. Porque se lê, se interpreta, se pensa sobre as coisas e, depois, porque se mostra aos outros aquilo que nós pensamos. Depois, também acho que é a própria escola que deve proporcionar esse prazer, brincar com a palavra, a leitura, mas uma leitura que dê prazer, não obrigatória. Essa, depois, acaba por maçar. A pessoa começar a perceber que a leitura e a escrita dão um prazer enorme. C. – O que acha do Plano Nacional de Leitura? O que acha que este pode incutir na sociedade portuguesa em geral? MAG – Acho que foi muito bom, pois os objectivos que eles definiram estão todos muito correctos. Pode uma ou outra obra, enfim, ser possível de ser mais contestada. Mas, repara, foi extremamente importante definir-se este Plano porque pôs de certeza muito mais gente a ler. E os objectivos estavam correctos. O problema é quem põe estas coisas em prática são os homens, é a humanidade. E os homens não são Santos e, às vezes, erram; às vezes, têm que voltar atrás e voltar a fazer a mesma coisa. Se fosse como na Junho de 2010

alunos não vão passar a gostar mais de ler. Acho que deviam ler obras de seu interesse, não obras que foram incutidas pelo Governo e que este acha importantes. MAG – Mas ouve uma coisa. Quando não havia nada, era pior. O que é que o governo tenta quando lança o PNL? Tenta oferecer um conjunto muito alargado de obras, de modo a disponibilizar uma temática de diversas obras para tu poderes pensar: “Gostei deste livro; vou buscar mais livros relacionados”. Depois, intervêm aí os professores, dizendo: “Tens este, este e mais este”, porque, obviamente, não se podem ler os livros todos. Aliás, eles até dão a possibilidade de ser cada escola a escolher. Não é a receita que cura o mal. Mas ajuda. (risos) C. – Com certeza. Mas continua a haver casos em que os alunos continuam a não gostar de ler. Porque aqui, no Fundão, eles são obrigados a fazer essas mesmas leituras. MAG – Não sei se esses alunos, que não gostam de ler, reagiriam de forma diferente, mas a verdade é que, por vezes, a culpa é dos próprios escritores. Eles sabem disso e, assim que vêem os seus livros como leitura obrigatória, reagem, pois, quando um livro é obrigatório, perde logo grande parte do interesse. Por isso, há os obrigatórios e os

C. – E agora, para terminar, que livro aconselharia aos jovens? MAG – São muitos. Felizmente, agora vejo-me aflita para ver que livro aconselhar, mas naturalmente há um conjunto de livros que são importantes. Mas aconselharia o Diário de Anne Frank. C. – Já o li. É muito bom. Aliás, existem variados outros livros, como O Rapaz do pijama às riscas, de John Boyle, que são livros relacionados. MAG – Exactamente, exactamente, mostram a realidade da vida. C. – Muito obrigado pelo tempo disponibilizado e muito boa sorte na sua carreira. MAG – Obrigada eu. Adorei conversar contigo! Foi uma conversa muito animada e partilhada que o Letras da Gardunha manteve com uma figura essencial no desenvolvimento e retrato da cultura beirã. E, uma vez mais, só nos resta agradecer estas oportunidades ímpares que se vão colocando no nosso caminho e que nos formam como cidadãos.

Entrevista realizada por: Cristiano Gaspar – 8º D Com a colaboração dos professores:

Maria Celeste Nunes Pedro Rafael Gomes


Letras da Gardunha

20

PROJECTOS

SESSÃO NACIONAL 2009-2010

N

orientado por alguém especializado na área, com os objectivos de informar e clarificar dúvidas, efectuar rastreios e distribuir contraceptivos;

os dias 24 e 25 de Maio, os deputados da nossa Escola, eleitos na Sessão Distrital, Cristiano Gaspar (porta-voz do Distrito) e Miguel Lambelho, representaram com grande dignidade e espírito entusiasta o Distrito de Castelo Branco, na Sessão Nacional, na Assembleia da República. O tema em debate foi a Educação Sexual, tendo-se destacado o grande espírito de camaradagem e companheirismo entre todos os deputados do Distrito, no sentido de todos participarem na Comissão em que foram incluídos juntamente com outros Distritos. Estes deputados representavam as Escolas João Roiz, de Castelo Branco, e Frei Heitor Pinto, da Covilhã. Como Coordenadora do Projecto na Escola, agradeço a todos aqueles que, directa ou indirectamente, participaram, dando o seu contributo decisivo para o sucesso desta iniciativa. A Recomendação à Assembleia da República foi aprovada na Sessão Plenária

da na Sessão Plenária em 25 de Maio de 2010. Deste modo, os deputados à Sessão Nacional do Parlamento dos Jovens/Básico recomendam à Assembleia da República a adopção das seguintes medidas:

2. Funcionamento de um gabinete multidisciplinar de apoio ao aluno, constituído por um grupo organizador e coordenador de um plano promotor de educação sexual constituído por Professores, Coordenador(a) da Educação

1. Existência de um gabinete fixo ou móvel de atendimento aos jovens,

PROJECTO “CRESCER COM SAÚDE”

4. Sugestão de criação de ateliers/oficina (já existentes) mas com o tema “a educação sexual”, que dinamizem múltiplas actividades, entre as quais: organização de campanhas de sensibilização; promoção de espectáculos sobre o tema; palestras orientadas por especialistas nesta área; visitas de estudo a centros de saúde e acolhimento; criação de blogs e artigos para o jornal da escola;

U M D E S EN VO L VI M E N T O S A U D Á VE L

6. Garante ao direito de cada aluno em aceitar ou recusar a educação sexual apresentada pelas escolas; 7. Intercâmbio entre escolas para partilha de experiências/ informações, incluindo debates e um concurso intitulado “Sexualidade Segura”, com espectáculos de expressão corporal, sendo o prémio a gravação de um anúncio com uma figura pública, apelando a uma sexualidade consciente e saudável; 8. Implementação de um programa regional subordinado à temática Adolescência/ Sexualidade, envolvendo sessões de esclarecimento para pais/ encarregados de educação e filhos/educandos; 9. Implementação do Dia Nacional da Sexualidade Juvenil, com o objectivo de interagir com a sociedade, alertando e sensibilizando jovens e adultos para esta questão. Para o efeito, criaríamos um encontro de jovens a nível regional, no qual existiriam bancas, workshops e palestras. O Dia seria o mesmo a nível nacional, mas num dia diferente do dia de combate à SIDA, 1 de Dezembro. A Coordenadora do Projecto Maria Eugénia de Sousa

PROGRAMA ECO-ESCOLAS A ESCOLA BÁSICA SERRA DA GARDUNHA COM O

Meio Escolar e Alimentação Saudável, respectivamente. Os alunos do 9º Ano, turmas B, C e D, participaram no Concurso “Pensar nos Afectos, Viver em Igualdade”, promovido pela DGIDC. No dia 15 e 16 de Abril, desenvolveu-se uma acção sobre Consumo de Substâncias Psicoactivas (tabaco, álcool e droga), que decorreu na BECRE da Escola e se destinou aos alunos do 3º Ciclo. Esta foi dinamizada pela Drª Maciomira Silva e Drª Eugénia Calvário dos Centros de Saúde do Fundão e da Covilhã. Ainda nesse âmbito, no dia 27 de Maio, decorreu uma acção de Sensibilização sobre “Consumo de Substâncias Psicoactivas – Álcool, que se destinou aos alunos do 6º Ano, turma E, e Serviço de Mesa 1. A acção foi apresentada pela Associação dos Alcoólicos Recuperados da Cova da Beira, no âmbito das Comemorações dos 10 anos da Instituição. Tendo em conta uma outra área que o projecto tem procurado incrementar, adopção de hábitos de vida saudáveis, realizou-se, no dia 28 de Maio, um Passeio Pedestre pela Serra da Gardunha, integrado na actividade “Vive a Floresta, Caminha pelo Coração!” Finalmente, nos dias 28 e 29 de Maio, participou-se na IV Mostra de Ciência da Escola Secundária com 3º Ciclo no Fundão, que decorreu no Pavilhão Multiusos do Fundão.

NÃO ESQUEÇA! SAUDÁVEL!

sidades dos jovens;

GANHA PRÉMIO A NÍVEL NACIONAL

C U I D A R D A S A Ú D E É F U N D A M E N TA L P A R A P R O P O R C I O N A R

O

3. Organização de palestras e actividades ao longo do ano lectivo, para a promoção da saúde, de modo a mudar mentalidades, não só de alunos mas também dos intervenientes na sua educação (pais, professores, etc.), com a sua formação;

5. Abordagem pedagógica de temas da sexualidade humana, feita em contextos curriculares, mas em áreas não disciplinares (Área de Projecto e Formação Cívica), rotativas (a nível do ano lectivo), privilegiando o espaço turma e as diferentes neces-

PROMOÇÃO E EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE” NA ESCOLA

projecto continuou a ser desenvolvido ao longo dos 2º e 3º períodos, tendo sido realizadas diversas actividades relacionadas com a Promoção da Saúde. Deste modo, foram efectuadas exposições e Palestras/Acções de Sensibilização, orientadas por entidades exteriores ao Agrupamento, aproveitando-se assim diferentes recursos para promover a Saúde e o Bem - Estar da Comunidade Escolar. Com a colaboração dos alunos fez-se regularmente a dinamização do placard da Saúde, que se encontra no átrio da Escola. Assim, no dia 4 de Fevereiro (quinta-feira), a turma C do 9º Ano construiu um cartaz alusivo ao Dia do Cancro da Mama, alertando para os sinais e sintomas da doença. No passado dia 13 de Fevereiro (sextafeira), decorreu a comemoração do Dia dos Namorados, o qual foi lembrado, na Escola, com a realização de uma exposição de trabalhos elaborados pelos alunos. Esta exposição foi feita utilizando materiais diversificados e só foi possível devido à colaboração das disciplinas de Língua Portuguesa, Inglês, Espanhol, Educação Visual, Educação Visual e Tecnológica, EMRC e da BE/CRE. Uma área que o projecto tem procurado incrementar é a área da sensibilização. Assim, durante o mês de Janeiro, foram realizadas deslocações ao Centro de Saúde do Fundão, abrangendo as turmas de 9º Ano, no âmbito da Consulta de Adolescentes/Métodos contraceptivos. Foram realizadas, em contexto de sala de aula, diferentes Palestras Informativas dinamizadas pelas Enfermeiras, Psicólogo e Nutricionista do Centro de Saúde do Fundão, relacionadas com a área da Sexualidade, Violência em

para a Saúde, Psicólogo(a), de acordo com a especificidade de cada situação;

P R O J E C TO E S C O L A E L E C T R Ã O

A

nossa escola participou pela segunda vez no Projecto Escola Electrão e todos aderiram com entusiasmo a mais uma recolha de “velharias” que temos por hábito guardar em casa. O ano passado tínhamos conseguido juntar 13 300Kg de REEEs e parecia-nos que, este ano, seria difícil superar este valor. Mas, apesar da chuva que teimou em cair durante o nosso período de recolha, todos meteram mãos à obra e, no final, o resultado foi muito positivo: 15 690Kg de REEEs. Por este facto, foi-nos atribuído o 2º lugar no grupo dos Grandes Prémios Per Capita do Grupo B, num total de 208 escolas e 131359 alunos que estiveram envolvidos no projecto a nível nacional. No dia 2 de Junho, realizou-se a cerimónia de entrega dos prémios no Centro de Congressos, em Lisboa, e lá estivemos - 30 alunos dos 2º e 3º Ciclos, que colaboraram com a entrega de resíduos e 3 professores - a recebê-lo em nome de todos os que contribuíram para o sucesso desta iniciativa. Este ano, a equipa do Programa Eco-Escolas que dinamizou o projecto apostou na sensibilização, não só da comunidade educativa da escola sede e da cidade do Fundão, mas também da população das freguesias e das escolas do 1º Ciclo da nossa área do Agrupamento, para a qual tivemos a colaboração das respectivas Juntas de Freguesia, do Núcleo de Escola Segura da GNR e da empresa Lurec para a recolha dos resíduos. Estamos muito contentes! Ajudámos a comunidade a “limpar as casas”, a comunidade ajudou-nos a ganhar o prémio e todos ajudámos o planeta Terra a ficar mais bonito, menos poluído e com melhores condições de vida para TODOS OS SERES VIVOS, neste ano em que se comemora o Ano Internacional da Biodiversidade.

A responsável pelo Projecto Escola Electrão Cristina Pio

SEJA

A Coordenadora do Projecto Dulce Simões

Jornal Escolar do Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha — Fundão

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Ano 1—Nº3


Letras da Gardunha

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PROJECTOS -

Ciência sobre Rodas Um sonho que se vai tornando realidade…

O

Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha tem vindo, desde há cinco anos, e em parceria com a Universidade de Aveiro e a Câmara Municipal do Fundão, a implementar o projecto “Ciência sobre Rodas”.

No presente ano lectivo, o projecto “Ciência sobre Rodas” aceitou mais um desafio ao concorrer a Prémio Fundação Ilídio Pinho, com o Projecto Ciência na Palma da Mão. Este projecto desenvolveu-se a partir de duas componentes estruturantes – uma móvel, de itinerância que percorre todas as escolas do Agrupamento (vinte e seis escolas: 12 Jardins de Infância, 17 do 1º Ciclo, num total de 234 e 633 alunos respectivamente) e que conta com um laboratório instalado numa viatura disponibilizada pelo Município do Fundão, e outra imóvel (Centro de Recursos), instalada na sede do Agrupamento. Seguindo esta lógica de inte-

racção, e aproveitando este espaço de construção de saber, lançou -se o Projecto Ciência na Palma da Mão, apresentado a alunos e professores como uma mais-valia para continuar este trabalho de cariz científico. Afinal, é desde tenra idade que se promove e deve potencializar o espírito crítico aliado à curiosid a d e próprios d e s s a idade e que a escola, muitas vezes, aniquila com a formatação inerente aos curricula. A partir desse momento, todos os intervenientes começaram a interagir numa perspectiva transdisciplinar e estão a colaborar na execução do mesmo. Trabalha-se, por conseguinte, neste projecto numa perspectiva de abrangência capaz de se estender a disciplinas que, a priori, nada teriam em comum com as ciências. Falamos, por exemplo, das línguas, das artes ou das ciências humanas, as quais conseguiram encontrar pontes para ligar a disciplina ao projecto em questão. É, portanto, nesta lógica, fonte de motivação e partilha de experiências entre professores, de cada nível de ensino e numa lógica de progressão dos níveis

de ensino, que se promove uma troca de experiências e práticas pedagógicas entre professores de diferentes níveis de ensino, resultando na formação contínua, permanente e informal dos docentes. O trabalho experimental é encarado como recurso através da normalização de procedimentos científicos que passaram a integrar a prática lectiva diária, desde os três anos de idade (no filme de divulgação do trabalho realizado são apresentadas evidências claras dos relatórios do trabalho experimental feitos pelos alunos dos Jardins de Infância e do Primeiro Ciclo). Este trabalho precoce tem repercussões inevitáveis em domínios que muitas vezes descuramos: o impacto na comunidade em que os alunos estão inseridos, pela motivação que os acompanha e os leva a demonstrá-la àqueles

que com eles coabitam, para além de ter efeitos directos também junto dos Encarregados de Educação e familiares que com eles privam, os quais contactam

Ciência na Palma da Mão

D

esde que apareceram no Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha alguns projectos ligados às ciências experimentais, entre os quais o “Ciência na Palma da Mão”, os alunos das várias escolas do 1.º Ciclo começaram a ter acesso a descobertas até aí circunscritas a aprendizagens teóricas, rotineiras, e que facilmente caíam no esquecimento. De repente começaram a manipular materiais, a comprovar hipóteses, a registar procedimentos. E, ainda por cima, gostavam. O Projecto “Ciência na Palma da Mão”, para além da vertente pedagógica no desenvolvimento da experimentação, trouxe até junto dos alunos preocupações de grande relevância para o mundo que os rodeia, como é o caso das energias renováveis. Aperceberam-se, com outra pertinência, dos inconvenientes dos combustíveis fósseis, abraçando com convicção a causa das novas energias. Para alguns foi mesmo o despoletar do sonho, empreendendo viagens a partir dos protótipos criados na sequência das actividades do projecto.

- Sr. Professor, eu queria construir um carro a energia solar. Não me arranja um painel? Sonhar, planificar, experimentar, construir… Com o “Ciência na Palma da Mão” foi-se semeando a convicção de ter o mundo ao nosso alcance, a possibilidade de nele participar de forma empenhada e inovadora. E, ao observarmos a adesão dos alunos, facilmente sentimos que o sonho anda por ali na palma da mão. Ainda bem. Professor Agostinho Craveiro

Junho de 2010

com a “Ciência” dentro de casa. O trabalho desenvolvido no presente ano lectivo foi divulgado à comunidade na mostra de

Ciência da Escola Secundária com Terceiro Ciclo do Fundão, onde os alunos continuaram a desenvolver os seus trabalhos mostrando que, apesar de estar terminado o trabalho a apresentar ao Júri de Selecção dos Melhores Projectos, os alunos persistem, de molde a corroborar o princípio do desenvolvimento do nível de literacia científica, dando a conhecer, à Comunidade Educativa a importância que tem este projecto na sua formação. Foram atingidas as metas de sucesso pedagógico e formativo a que o Clube Ciências Sobre Rodas se propôs: • Oferecer aos nossos alunos um contacto privilegiado com a Cultura Científica; • Promover, nos nossos alunos, a Literacia Científica;

Despoletar acções para promoção da Cultura Científica no Agrupamento e na comunidade; • Proporcionar formação informal e contínua de docentes para o desenvolvimento das actividades científicas; • Implementar acções de divulgação/sensibilização na Comunidade Educativa sobre a importância do trabalho experimental como prática pedagógica.

Indubitavelmente, o Interior continua a ser uma região onde ainda não é imediato o acesso por parte dos nossos alunos à ciência enquanto área de saber fulcral para o crescimento enquanto cidadãos activos e interventivos, no futuro que se pretende sustentável. Todavia, o projecto não termina aqui. É agora que ele começa. No período de vigência e desenvolvimento foram atingidas metas de sucesso pedagógico e formativo difíceis de concretizar com o funcionamento tradicional das escolas, que, neste momento, estão postos em causa se não forem, a curto prazo, tomadas medidas de apoio direccionadas para o projecto. Podemos afirmar que o “Ciência na Palma da Mão” é um sonho que continua.

Equipa de trabalho do Projecto Ciência Sobre Rodas: As coordenadoras: Maria João Ramos e Mónica Duarte

CIÊNCIA NA PALMA DA MÃO

C

omo Directora de Turma, professora de Língua Portuguesa e também Coordenadora dos Directores de Turma do 2º Ciclo, venho apresentar o meu testemunho no que diz respeito ao funcionamento deste Clube Ciência Sobre Rodas. Com efeito, o Clube Ciência Sobre Rodas veio criar uma dinâmica, em termos de aprendizagem teórica e prática das ciências, e tem beneficiado bastante o Agrupamento, nestas duas vertentes. O Clube tem sabido desenvolver, de forma criativa e também motivadora, e tem sabido envolver os alunos nas actividades propostas, sendo o Prémio Fundação Ilídio Pinho mais um exemplo destas boas práticas. Os alunos aderem com facilidade e empenho às actividades, de uma forma descontraída mas igualmente responsável. No Clube, participam alunos com várias motivações para a ciência, sobretudo para a experimentação. Temos alunos que gostam de saber fazer ou de aprender como se faz. Por outro lado, temos alunos com alguns problemas de integração no espaço escolar, mas motivados para a vertente prática que o Clu-

be lhes pode proporcionar. Para todos estes alunos, o horário em que o Clube funciona passou a ser algo pelo qual todas as semanas esperam com muita ansiedade. A componente da Língua Portuguesa, enquanto disciplina, também está presente no Clube, uma vez que alguns trabalhos requerem a sua participação, tais como a elaboração de relatórios ou a escrita de pequenas histórias que envolvem algumas actividades. A colaboração da disciplina, neste Clube vem mostrar que a articulação também é possível e igualmente desejada. Para terminar, penso que o Clube Ciências Sobre Rodas é um clube que caminha com alunos motivados e segue o rumo de uma Escola com sentido, vontade de guiar quem tiver força de aprender, ultrapassar quaisquer obstáculos que venham a enfrentar. A estrada vai-se alargando até ao horizonte sem limites. Faço votos que esta viagem continue e que os passageiros sejam cada vez mais e melhores. Professora Cristina Silva


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Letras da Gardunha

DEPARTAMENTOS

WORDSEARCH

QUIZ ABOUT THE STORY “The Jewels Of The Night” 1- What did the oil seller borrow from the banker? a-A bag of money b-A golden watch c-A small amount of money 2- Why did the oil seller leave the town? a - To visit his relatives b -To get married c-To run away from the banker 3- Were did he go? a - To a motel b - To an island c - To a mountain 4- Where did the demons take the oil seller? a- To an island b- To a park. c - To a farm. 5-Were did he sleep? a - On a armchair b - At the top of a tree c - In a tent 6- What did the oil seller take from that place? a- Flowers. b - Fruit. c – Diamonds 7- What kind of precious stone did he find? a- A ruby. b -A diamond. c- An emerald 8- Why did the oil seller sold the precious stones? a - To pay a debt. b - To become rich. c - To buy a new a new car. 9- Who did the banker sold the diamonds? a - To the Chief Wazir. b - To the Queen of England. c - To Bill Gates.

FIND THE FOLLOWING WORDS related to: “Jewels

of the Night”

Oil; Animals; Banker; Tree; Rajah; Star; India; Lamps; Rupees; Demons U O I L A P A Q Y L A M P S U W Q S D B

A F G A S T Y H V H G L G T I P A D K A

W N H F D U L I L J W D P A K I H E G N

D D I G F I W N B K P E O J G V B L A K

S R K M G M Q D N L I M I A R F N O O E

T T L R A Y V I D Q E O H T A I M P Y R

A Y X E H L N A X E K N J G J Y Q I U Y

R U C J J N S R M Y J S X N A M W I O T

S I V N V H U H B H W O L Y H T E R Q E

H O B M T R E E B A D G P R U P E E S Y

Enigma! Quem é quem? Advinha quem são as personagens e envia o resultado para o mail do jornal (ver ficha técnica). Deves usar o teu mail do Agrupamento. Os primeiros 5 alunos que adivinharem quem são as 3 figuras, terão um prémio oferecido pela BECRE. (Passatempo apenas para alunos. As personagens são docentes da escola)

Trabalho realizado por: Daniel Santos nº 9 e Miguel Gonçalves nº 18 do 8º B 1- C; 2- C; 3- B ; 4-A; 5- B ; 6- B; 7- B ; 8- A; 9-A

Solutions

Dar@Língua na Gardunha

P

“Fruit Tree Island” Find the way from the Ship to the Island.

articiparam no concurso Dar@Língua, que decorreu no dia 28 de Abril, na Universidade de Aveiro, treze equipas do 3º ciclo da Escola Serra da Gardunha. Pela 1ª vez a Escola participou neste concurso. Os alunos tinham que responder a questões relacionadas com a disciplina de Língua Portuguesa, onde o factor tempo era determinante para a pontuação. A Escola obteve o 6º lugar a nível nacional; a nível de equipas, os alunos Nuno Fontes e Mariana Fernandes, ambos do 8º A, alcançaram um 4º lugar. Os “Gardunhas” até gostam de Dar@Língua! A Professora Fátima Garcia

Jornal Escolar do Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha — Fundão

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Ano 1—Nº3


Letras da Gardunha

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CONCURSO LITERÁRIO

C O N C U R S O L I T E R Á R I O « J U N TO S N A D I F E R E N Ç A » T E X TO S P R E M I A D O S

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forte adesão ao concurso literário, organizado pelos Grupos de Educação Especial e Língua Portuguesa, culminou em várias produções literárias revestidas de imaginação e sensibilidade. É com satisfação que apresentamos, agora, os textos vencedores do concurso com a certeza de que, em anos futuros, os nossos alunos continuarão a dar asas à sua imaginação e a brindar-nos com produções de qualidade como as que a seguir apresentamos. E, porque escrever é colocar no papel o que nos vai na alma, agradecemos, mais uma vez, aos nossos alunos e a todos os que com eles colaboraram. Professora Manuela Monteiro

Escalão A - Jardim de Infância de Aldeia de Joanes.

Juntos na Diferença

Todos diferentes e todos iguais! Todos nós estamos juntos, juntos em amizade e amor! Não importa sermos ricos ou pobres, amarelos ou negros, magros ou obesos, pessoas com deficiências – coxos, cegos ou surdos isso não interessa; o que importa é que somos todos crianças e amigas, todos iguais e com os mesmos sentimentos; as mesmas emoções, os mesmos ou diferentes pensamentos; todos merecemos carinho, amor, um nome, uma nacionalidade, uma casa, tudo o que precisemos. Percebem agora? Por isso, é que nada de defeitos físicos ou outras diferenças interessam! E todos devemos ajudar as crianças necessitadas, sermos amigos delas, nem pensar em gozar! ... pode-nos acontecer o mesmo; e, depois, ninguém nos quer ajudar. Então não se esqueçam: TODOS SOMOS DIFERENTES E TODOS SOMOS IGUAIS! Lídia Faustino Rebelo- Turma 61 - 4º ano Texto premiado - 1º prémio - Escalão B

Olá! Eu sou um compasso e o meu nome é Giravolta. Neste momento estou a viver numa caixa, dentro da capa da minha dona. Adoro o meu trabalho, principalmente porque tenho a sorte de ter uma dona que me sabe utilizar bem. Só não gosto e sinto-me mal quando ela, sem querer, se pica na minha ponta seca. Certo dia, durante uma aula aconteceu algo horrível!... Enquanto a Maria fazia uma circunferência partiu uma das minhas pernas. A Maria tentou consertar-me, mas não foi possível fazer nada. Maria passou a colocar-me dentro de uma caixa destinada a tudo o que se estragava. Existem imensas coisas na caixa! Neste lugar, éramos todos iguais porque estávamos estragados, mas lá fora éramos todos diferentes… No mundo, para além da caixa discriminavam-nos, olhavamnos de lado e as outras pessoas tinham vergonha de andar com alguém que tem características anormais e tinham medo de serem gozados. Mas antes de agirem não pensavam que podiam estar a magoar alguém que nem sequer tinha culpa de ser como é. Toda a gente tem os mesmos direitos! Viver com a diferença é um acto corajoso… Mariana Paulico Texto premiado - 1º prémio - Escalão C 6º Ano - Turma A

Olhamos, mas ignoramos…

“Juntos na Diferença” Nasci assim! Tenho vinte e três anos e não tenho namorado. Não estou chateada, não. É um facto da minha vida. Tenho uma rotina normal: acordo, visto-me, lavo a cara e penteio-me. A seguir, tomo o pequeno-almoço: torradas e café com leite. Não me posso esquecer de tomar aqueles comprimidinhos redondos a que chamo “sorrisos da manhã” e que me fazem ver o mundo pintado de cor-de-rosa. Saio de casa e tento evitar as calçadas da rua (pesadelo urbano para qualquer pessoa como eu). Também cumprimento a D. Rosa. A caminho da paragem de autocarro, paro no meu café preferido, pequeno, cheio de movimento e a respirar vida cosmopolita. Peço um café com adoçante e um pauzinho de canela (este sabor quente lembra-me a Índia e a África, que nunca visitei, mas que imagino como paragens únicas, coloridas com uma gama de vermelhos…). Já no autocarro, sou a última a entrar. Vinte pessoas entraram calmamente, a vigésima primeira sou eu. Estava já a meio da rampa quando apareceu um atrasado que me atirou rapidamente para o chão. O esforço volta novamente e, dois minutos depois, valido o meu passe. As minhas noites, ao fim de um dia de trabalho exaustivo, são muito calmas, com excepção das noites de festas na discoteca do Ricardo onde, ao contrário das outras pessoas, consigo ter um espaço considerável para me mexer…. Sou paraplégica. Qual é a diferença?

Catarina Silva - 9ºAno - Turma A Texto premiado - 1º prémio Ex quo- Escalão D

Preferimos não ver, Preferimos esquecer! Olhamos, mas ignoramos Aqueles olhares de quem sofre; Olhamos, mas ignoramos Os gritos de silêncio Daqueles que não têm voz. Olhamos, mas ignoramos Esta realidade. E tudo porque é mais fácil Fingir que não se vê; Fingir que não existem; Fingir que não estão ali! Fingir, fingir, fingir, Fingir para não sofrer; Fingir para não lembrar. Preferimos não ver! Preferimos esquecer! Inês Fernandes Paulos- 8º Ano - Turma D Texto premiado - 1º prémio Ex quo- Escalão D

Para jogadores especiais, um público especial

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ara jogadores especiais, um público especial. Os alunos da Educação Especial do Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha puderam vivenciar o treino da Selecção Nacional. No passado dia 21 de Maio, no complexo desportivo da Covilhã, as estrelas brilharam na terra, no céu e na mente dos nossos alunos. Foi com entusiasmo que receberam jogadores como Cristiano Ronaldo, Liedson ou Fábio Coentrão, reconhecendo-os como modelos e ídolos das suas vidas. Com transporte cedido pela Câmara Municipal do Fundão e pelo Abrigo de S. José, os alunos observaram ao vivo as lendas do futebol português. Entusiasmados com os pontapés de bicicleta do Ronaldo ou com o golo do Nani, revelam que o seu sonho é treinar com estes jogadores. Estamos seguros de que a experiência lhes deixou marca no seu ser, essa marca invisível que talha a personalidade e a vida futura. Professoras Raquel e Susana Junho de 2010


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Letras da Gardunha

OS NOSSOS PARCEIROS

A D I M E N S Ã O S Ó C I O - A F E C T I VA D A L E I T U R A I N S T R U M E N TO S E E S T R AT É G I A S PA R A U M A P E D A G O G I A D O G O S TO . ensino, muitas vezes em interacção com a oralidade e a escrita. Contudo, a reflexividade a partir das práticas de diálogo com o escrito implica uma atitude potenciadora da criação de novos sentidos que induzem à construção de outras variantes. Em nossa opinião, é na transposição dos actos escritos e verbais para uma produção individual de leitura e de escrita que a escola tem de actuar, com vista à formação cidadãos de sucesso, capazes de enfrentar o desafio do futuro. Carla Fernandes – Direcção Regional de Educação do Centro – DSAPOE - Projectos e Inovação (técnica responsável pelo sector de Bibliotecas Escolares)

A

Leitura, como fenómeno provedor da aquisição de competências de âmbito cognitivo e afectivo-atitudinal estruturantes na formação do indivíduo, constitui uma vertente nodal da Educação que merece ser ponderada. Esta premissa põe em evidência a relevância desta temática para o contexto educativo e impele-nos o desejo de contribuir para encontrar outras formas de abordagem pedagógica que motivem o gosto pela leitura. A propósito do desenvolvimento da dimensão sócio-afectiva da leitura, salientam-se algumas ideias e que poderão ter impacto na construção do aclamado jardim das delícias da leitura, concebido este não como uma utopia, mas antes como um desafio tangível, através de um processo concreto de intervenção:

O contacto precoce com o livro e com a literatura. As populações ágrafas reconheceram naturalmente esta importância no uso de canções de embalar, de jogos de rimas, da narração de histórias tradicionais, formando sem dificuldade um cenário de identidade cultural e de coesão social marcado pela preservação simbólica deste património. Mudaram-se os tempos, mas a essência da criança continua ávida de um imaginário que exercite a sua capacidade interpretativa. A ideia de que se aprende a ler quando se entra para a escola (1º CEB) deve ser desmistificada. A vantagem da relação precoce da criança com o livro e a leitura é reconhecida como fundamental para a aquisição de competências póstumas, por isso enfatizamos o papel da família, da creche e do jardim de infância para a criação de condições favoráveis à leitura. Os pressupostos linguísticos que dispõem e facilitam a aprendizagem da leitura são imprescindíveis na formação da criança do pré-escolar, assim como a dinamização de estratégias que familiarizem a criança com o livro e a leitura. Ao longo da escolaridade desenvolvem-se as competências inerentes à decifração e compreensão dos textos que são estruturantes na aprendizagem da leitura e, por isso, constam dos conteúdos programáticos de Língua Portuguesa dos diferentes ciclos de

A formação dos docentes para novas abordagens na aprendizagem da leitura Para que a escola deixe apenas de ensinar a ler e passe a criar leitores é necessário repensar o papel dos mediadores de leitura, despertando nos docentes a consciência desta necessidade de motivação para o prazer de ler. A formação do leitor na/com a escola exige tempo, metodologias incisivas, aturadas e progressivas que o mediador (educador/ professor) deve entender como úteis para o desenvolvimento das aprendizagens e para a diminuição do analfabetismo funcional demonstrado nos testes de literacia efectuados à população escolar portuguesa. Posto que, atendendo aos actuais paradigmas educativos, assim como às modernas correntes de crítica literária (teoria da recepção, intertextualidade ou semiótica), o ensino da literatura tem sido ministrado num formato demasiado tradicional, o que hoje necessitamos, mais do que ensinar literatura é de ensinar a apreciar a literatura, ou seja, pôr os alunos na disposição de poder degustá-la e valorizá-la. Por esta razão a transposição didáctica da literatura exige uma mudança de estratégias […]. O discurso literário exige uma competência específica para a sua descodificação, a que chamamos de competência literária, dado que usa uma linguagem especial, de índole conotativa e autonomia semântica (Cerrillo, 2002: 74)1. Entendemos pois ser possível concretizar um projecto global de fomento da leitura, substanciado em diferentes campos, tendo em conta as diversas fases de desenvolvimento e o percurso individual dos sujeitos. O ensino da leitura tem de ser algo mais que um adestramento, embora também o seja (a leitura sem esforço é o primeiro requisito para a consolidação do hábito leitor); também não podemos relegar as estratégias de leitura a mais um acto pedagógico, porque estamos perante um dos mais importantes actos em pedagogia. Por isso, quando a criança decifra com algum esforço a letra impressa, acção celebrada na escola ou na família, dá o primeiro passo para entrar num mundo de iniciados, o mundo da cultura (Equipo Peonza: 2001). Se a escola, através das suas práticas tradicionais e redutoras coarctou durante muito tempo a dimensão lúdica da leitura, pela abordagem seca da estrutura de superfície dos textos, então será agora o momento de ela própria

escolarizar a leitura, visto que é “a única estrutura social onde estão reunidas - por obrigação escolar – todas as crianças leitoras e não leitoras” (Poslaniec, 2005: 167). Numa análise das práticas de leitura na escola, Poslaniec (2005) constata o facto de a escola ter privilegiado “o saber ler em detrimento do querer ler”, escolarizando as actividades em torno dos livros. Contudo, entende o mesmo autor que a solução não está na descolarização da leitura. Pelo contrário, à leitura deve ser dado um estatuto de primazia que esteve latente e não presente nos currículos e na sala de aula. Na sua óptica nenhuma outra instituição poderá agir sobre os nãoleitores como a escola, uma vez que estes “não frequentam os novos locais de leitura, nem os espaços em que se dá à leitura um cariz não utilitário (Poslaniec, 2005). A escolarização da leitura é essencial para a mudança dos comportamentos junto do público docente e discente. As estratégias pedagógicas de enamoramento para a leitura estão ainda arredadas do campo educacional, quer no que diz respeito à organização e gestão do tempo a dedicar a esta matéria, quer na aplicação de práticas lectivas diferenciado, com uso de materiais pedagógicos específicos e com aproveitamento pleno dos recursos que a escola o f e r e c e

Família

e do gosto pela leitura. Sabemos, com firmada certeza, que, nos diferentes contextos de abordagem da leitura (familiar, escolar e social), a variância desta oblação condiciona a praxis de acesso ao acto de ler. Ora, se o encontro da criança com o livro em ambiente familiar envolve circunstâncias particulares de análise, compostas por factores de ordem social, económica e cultural, já os locais de acesso livre à leitura em contexto escolar e social podem, e devem, ser gerados e potenciados com o intuito de colmatar desigualdades, favorecer motivações e ajudar a construir padrões sócio-culturais mais elevados. Os desafios da sociedade actual, do conhecimento e da informação, exigem instituições comprometidas com a formação integral das crianças e dos jovens, com desenvolvimento de valores e competências que lhes permitam, mais tarde, integração plena na vida activa, como cidadãos implicados no seu tempo e cultura e conscientemente envolvidos nos desígnios da comunidade (Gimeno, 2003). Colocar à disposição do adulto e da criança, desde tenra idade, o livro, considerado como factor de

Para uma Pedagogia do Gosto

Escola

do sucesso educativo, na biblioteca concentram-se os recursos fundamentais para a acção do mosaico humano que compõe a escola. A implementação do Programa Rede de Bibliotecas Escolares do Ministério da Educação integra-se numa perspectiva que concebe as instituições educativas como terreno fértil onde os docentes actuam como agentes de cultura, entendendo esta como legado de saberes, formas de sentir, de pensar e de expressar; como rede de conhecimentos, de relações e de informações. A Biblioteca Escolar, nas relações de parceria com as estruturas pedagógicas da escola e com as entidades externas à escola, designadamente com os Serviços de Apoio às Bibliotecas Escolares (SABE), dependentes da Biblioteca Pública, completa um círculo de acção que muito poderá favorecer a gestação do estímulo para a leitura. No entanto, pensamos que esta oferta de apoio à leitura resultará na justa medida em que exista empenho da parte institucional, nomeadamente no planeamento das interacções a desenvolver a nível local, e da parte dos principais mediadores de leitura que poderão surgir no seio familiar e se ampliam nos contextos social e escolar. A formação dos recursos humanos para a mediação da leitura é fundamental para que não se dê o passo errado nas diferentes fases de crescimento do leitor.

Sociedade

◦ “leitura de colo”

◦ orientações programáticas

◦ infra-estruturas

◦ oferta de objectos de leitura

◦ infra-estruturas

◦ planeamento de acções de âmbito cultural e recreativo

◦ formação de docentes ◦ Interacção com a escola

(nomeadamente a biblioteca escolar). A Associação de Professores de Português (APP) publicou, em 2001, um relatório sobre o ensino e a aprendizagem do Português, onde os próprios docentes constatam a dificuldade em gerir o tempo, organizar as actividades de leitura, muitas vezes repetitivas, explicitando a necessidade de formação neste domínio e referindo as lacunas dos cursos de formação inicial que frequentaram. Esta questão, consensual entre os investigadores e os agentes educativos promotores do sucesso, deve ser entendida como um desafio a cumprir. Para tal será necessário munir os educadores/professores da qualificação profissional desejável para o aperfeiçoamento das realidades do ensino da leitura. Seria importante que as instituições que formam professores colocassem no seu plano de acção um quadro conteudístico que consigne o ensino pleno da leitura.

A oferta de recursos de apoio à leitura A oferta de recursos é, sem dúvida, uma condição sine qua non para o desenvolvimento do interesse

Fig. 1 – Esquema de representação dos factores de sucesso para uma pedagogia do gosto.

A figura sintetiza os factores de sucesso para prossecução de uma pedagogia do gosto, passível de suscitar a elevação dos hábitos de leitura. Nas linhas previstas, coloca-se em evidência uma perspectiva dos contextos que, em trabalho de rede, podem vir a dar lugar a acções que concretizem o enunciado no plano teórico em elementos factuais. Conscientes do quão essencial é a leitura, pretendemos alargar uma linha de reflexão que faculte lieficuladeslinha de reflextorno deste fen, do Outro e do Mundo, nela positiva no que diz respeito ao gosto pela leitura a Ea compreensão das dificuldades diagnosticadas no âmbito da aquisição de hábitos de leitura e dos níveis performativos de leitura e literacia. O fomento da prática leitora é, pois, essencial, num tempo em que ao indivíduo se apela para a aquisição de saberes múltiplos, dotados de constante transformação, e concomitantemente a uma capacidade inventiva que lhe permita agir perante a mudança. A leitura, raiz do crescimento de múltiplas aptidões cognitivas e afectivo-atitudinais, carece de uma pedagogia do gosto, aquela que faz despertar o acto voluntário de ler, sugando o tutano das palavras em busca do seu saber e do seu sabor.

◦ Interacção com a escola

democratização social e linguística, permite alargar conhecimentos, estimular a sensibilidade e exercitar a reflexão que, como vimos, cimentam os hábitos de leitura e o prazer de ler. A actuação de bibliotecários e de animadores culturais nas bibliotecas públicas, organizando experiências satisfatórias de leitura, numa perspectiva consciente de mediação, pode influenciar muitos percursos leitores. Encontramos, assim, o actual conceito de Biblioteca Pública em íntima relação com a animação e a promoção da leitura, num papel de dinamização social que chega à porta da escola. A relação mutualista e interdependente da biblioteca pública com a escolar é hoje mais do que nunca uma evidência porque uma alimenta a outra, consoante as motivações que consegue fazer eclodir. desafioobal. Porto: Asa Editores.so educativo, na bilbioteca formas de sentir, de pensar e d No quarto capítulo desta dissertação ficou demonstrado que as Bibliotecas Escolares são parte integrante e nodal da estrutura educativa que é a escola. Meio privilegiado de formação e de aprendizagem, de promoção da qualidade do acto pedagógico, que, mediado pela cultura, se perspectiva na procura

1

Comunicação apresentada no âmbito do III Encontro Nacional de Investigadores em Leitura, Literatura Infantil e Ilustração, que decorreu nas instalações da Universidade do Minho, nos dias 19 e 20 de Novembro de 2001. Fernandes, Carla (2008). A leitura como Jardim das Delícias: contributo para uma pedagogia do gosto. Dissertação de Mestrado em Ciências da Educação, área de especialização em Supervisão Pedagógica e Formação de Formadores, apresentada à Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Jornal Escolar do Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha — Fundão

http://www.aesg.edu.pt

Ano 1—Nº3


Letras da Gardunha

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ARTIGOS DE OPINIÃO ESCOLA COMO INSTITUIÇÃO FORMADORA DE INDIVÍDUOS SOCIALMENTE ACTIVOS

Desenvolvimento e envolvimento da sociedade civil

Professores: João Valente dos Santos e Vânia Capelas

P

ode ser entendido por Voluntário o cidadão que, motivado por valores de participação e solidariedade, doa seu tempo, trabalho e talento, de maneira espontânea e não remunerada, para causas de interesse social e comunitário. Afastando-se da noção de gesto assistencialista isolado, o conceito de voluntário tem-se aproximado do sentido de solidariedade e responsabilidade social, resultando num trabalho de qualidade, feito com prazer. A origem histórica do trabalho voluntário está intimamente ligada à formação de uma consciência comunitária, impulsionada ou por razões sociais, ou por razões religiosas, e tem uma forte componente assistencial. Com o passar dos tempos, a diversificação da base de actividades em que se verifica o trabalho voluntário resultou em larga medida do aparecimento de uma consciência crítica e activista, cobrindo, nomeadamente, o combate à pobreza e às diferentes formas de discriminação social, o acesso à educação, à saúde e à cultura ou a intervenção no plano ambiental (ibidem). Tal evolução conduziu igualmente a uma crescente organização do voluntariado, quer no domínio institucional, quer ao nível do enquadramento legal e operacional. Com as comemorações, em 2001, do Ano Internacional dos Voluntários, por recomendação da ONU, promoveu-se uma ampla reflexão sobre o valor da solidariedade e da vida em comunidade e a sua relevância na construção de um mundo melhor, procurando obter um maior reconhecimento, por parte dos governos e autoridades, e incentivar o voluntariado. Mais recentemente, o voluntariado assumiu uma outra forma com peso igualmente relevante e com iniciativas cada vez mais diversificadas e criativas. Associado à progressiva consciencialização de responsabilidade social por parte de

empresas e instituições, públicas e privadas, estas passaram a ser responsáveis pela promoção de um leque alargado de projectos no domínio do voluntariado. Em Portugal, os modelos adoptados têm recolhido inspiração nos EUA e nos países nórdicos onde o envolvimento social faz parte integrante da actividade regular de parte significativa da população. Crianças e Jovens – Potencial de Intervenção e Transformação Social Existem inúmeros motivos para olharmos para os mais jovens como uma força transformadora e fragmento social decisivo na procura de soluções. A juventude deve deixar de ser vista apenas como um estado de transição para a fase adulta, para ser considerada como uma etapa importante de formação. Se olharmos com atenção para a presença destes em acções voluntárias, em eventuais manifestações políticas e culturais, percebemos que são muitos os que não querem ser vistos como parte do problema, mas sim como parte da solução. Pelo simples facto de promover o questionamento de valores e posturas pessoais, as acções voluntárias propiciam ganhos fundamentais na adolescência e juventude. O voluntariado requer competência e capacidade de solucionar problemas, quase sempre com poucos recursos. Requer eficácia e compromisso com pessoas e o seu decurso de vida. Pode-se dizer que, de forma geral, o voluntariado induz à formação de cidadãos conscientes da realidade social em que vivem; capazes de agir com autonomia e criatividade; críticos em relação às informações que recebem; pró-activos, dotados de iniciativa; solidários, ao aprender a reconhecerse no outro, e também competentes. Para as crianças e jovens, o voluntariado pode constituir uma oportunidade real de intervenção e de participação activa na comunidade onde se insere. Escola como Instituição Socializadora Depois da família, a Escola é a mais importante instituição socializadora, participando cada vez mais cedo da vida das crianças e trabalhando com crescente ênfase na for-

mação de valores. Para as crianças e jovens, a Escola propicia vivências que orientam para o presente e para o futuro. A escola é o lugar onde se adquirem conteúdos fundamentais, mas também é um espaço de relações humanas, de construção de modelos, de reflexão e de experiência. A escola tornou-se na parceira mais adequada para um trabalho de vivências cidadãs, de altruísmo, de generosidade, de solidariedade. O trabalho voluntário pode reforçar o papel da Escola como um centro de cidadania, cultura e como local em que se exercita a convivência democrática. O voluntariado, de diferentes formas, pode encerrar alguns dos maiores ideais das escolas, como a orientação para experiências de aprendizagem que se aproximem à vida real; a formação de lideranças, de espíritos críticos, auto confiantes, autónomos, criadores, responsáveis; a interacção com a comunidade, a família, os amigos, as instituições ou o ideal de um conhecimento vivo e voltado para a vida. Voluntariado na Escola É verdade que muitas Escolas desenvolvem os seus próprios projectos de voluntariado mas, para que os aperfeiçoem ou iniciem novos, devem ser tidos em conta premissas de base, como o informar, integrar alunos, professores, assistentes operacionais, famílias, membros da comunidade, ou outras pessoas que poderão participar do projecto. É imprescindível conhecer as necessidades e prioridades da comunidade, analisar as suas causas e consequências, definir o resultado pretendido e examinar a sua viabilidade, em função dos recursos disponíveis. Também faz parte desse diagnóstico a identificação de factores como o interesse dos jovens, as necessidades da comunidade e da escola, a história de experiências anteriores e as competências de professores e alunos que podem ser aplicadas em benefício de outros. A partir do diagnóstico, elabora-se um plano de acção realista, que preveja eventuais dificuldades e formas de gestão, com prazos, metas e critérios para avaliar o sucesso da iniciativa. A acção deve ser acompanhada e, em caso de necessidade, redireccionada. É fundamental que a acção seja sempre sucedida por uma avaliação, uma

Viagens na nossa terra Professor António Melo

O

Paulo, chamemos-lhe assim, é um dos miúdos de cinco anos que frequenta uma escola fora da sua terra de origem; está à porta de casa bem cedo, pelas sete e meia da manhã, à espera da carrinha que o há-de trazer montanha abaixo até à escola. Pelo caminho, a carrinha vai enchendo de gente pequenina e

traquina e, consequentemente, de sons: de conversas a risos, de assobios a pequenas interjeições, o tom vai aumentando à medida que se aproximam do destino. A condutora já os conhece bem e compreende-os; apenas uns reparos quando algum “pisa o risco”, subindo o tom de voz ou infringindo alguma medida de segurança. Chegados à escola, esperaos a auxiliar que, em tempo de Inverno, os aconchega no calor da sala e, nos dias quentes, os vigia nas brincadeiras até que sejam horas de entrada. O nosso Paulo é um dos maiores brincalhões. É um miú-

do de rua, no bom sentido da palavra: é daqueles a que ainda é permitido, no pouco tempo que passa na aldeia, calcorrear as ruas, a floresta, a ribeira, falar com as poucas pessoas que encontra. É um rapazinho alegre, vivo, “esperto”, ladino, reflexo das suas liberdades. Na escola, o Paulo acaba de frequentar o seu 1.º ano de escolaridade. Os resultados não são os melhores; mostra pouca preparação para esta tarefa, pouca apetência pelas letras, números e outros que tal; não consegue ainda ler, apenas pequenas palavrinhas, e escrever ainda pior. Cansa-se da Matemática, Junho de 2010

reflexão conjunta sobre seus resultados e o impacto provocado nos envolvidos. Também é muito importante para os envolvidos directamente no trabalho voluntário que haja registo e reconhecimento da acção realizada. Procedimentos como os referidos anteriormente são muito importantes para estimular a multiplicação de resultados e o início de novos projectos. Possíveis Acções e Projectos – Educação e Voluntariado Acções Internas Iniciar um círculo de leitura para pais e alunos; abrir a Escola como espaço comunitário; convidar grupos sem fins lucrativos para fazer reuniões e eventos na escola; organizar um programa de aproximação entre os alunos dos primeiros e dos últimos anos e acompanhar o desempenho escolar das crianças mais jovens, sob orientação dos professores; aprender elementos básicos de língua gestual para comunicar com alunos portadores de deficiência auditiva; criar um programa para evitar o vandalismo e reforçar a auto estima escolar; ornamentar as dependências da escola; recolher o lixo; plantar flores e árvores; levantar fundos, planear e ajudar a construir equipamentos de lazer e programar actividades para a integração; criar no jornal interno uma coluna voltada para as preocupações da comunidade escolar e para divulgar as acções de voluntariado. Acções de saúde Pesquisar e divulgar o melhor aproveitamento dos alimentos; angariar roupas e brinquedos para crianças hospitalizadas provenientes de estatutos socioeconómicos mais baixos; desenvolver e ministrar aulas sobre prevenção de acidentes com crianças e jovens; identificar os locais onde acontecem acidentes com mais frequência; participar da organização de campanhas de consciencialização e prevenção do uso de drogas e consumo de álcool. Acções contra a pobreza e a fome Organizar uma campanha de aquisição de roupas, sapatos e outros itens de primeira necessidade para famílias com baixos rendimentos;

aborrece-se com as regras da escola, ultrapassa-as; depois, quando pode estar a sós com a professora, vai pedir-lhe desculpa. E fica radiante quando, no final do dia, pode ir colocar a bolinha verde no mapa do comportamento. Quando não pode fica triste, não revoltado, pois compreende. O Paulo é realmente um menino traquinas, com pouco sucesso, mas que tem as suas manifestações de “esperteza” em assuntos que nem são para o seu grupo, que não trabalhou ainda na sua aprendizagem: “Olha! Casa tem dois “a”! Não sabes?” O Paulo tem apoio educativo. Num dos primeiros dias do ano lectivo, pelas nove e meia da manhã, já o rapazinho bocejava sem parar. O professor perguntou-lhe:

Criar locais para recolher alimentos e encaminhá-los para uma organização social; preparar kits, como materiais necessários aos cuidados de recém-nascidos para mães com baixos rendimentos; organizar doações de alimentos para o Banco Alimentar local ou programas que distribuem refeições gratuitas; organizar um evento beneficente e doar os fundos arrecadados para uma organização social; estabelecer uma relação duradoura com uma organização que atenda pessoas que vivem na pobreza; ser voluntário nos seus programas. Acções ambientais Plantar árvores ou flores num parque local ou mesmo no jardim da escola; promover os programas de reciclagem de lixo na escola ou comunidade; organizar uma campanha de limpeza da escola; limpar um parque ou área natural; organizar um fórum comunitário sobre assuntos ambientais; criar um site para apontar problemas e irregularidades ambientais; evitar a destruição desnecessária de áreas de importância ecológica, através de campanhas comunitárias ou da mobilização de empresários e autoridades. Acções entre gerações Fazer companhia, visitas, correspondência, pequenos presentes, artesanato, decorações natalícias, telefonemas; “adoptar um idoso” – jovens e idosos caminham juntos, pela companhia e pelo exercício; convidar idosos para a sala de aula, a fim de enriquecerem as aulas de história, geografia e outras; ajudar a cuidar do jardim de uma casa de repouso, centro para a terceira idade ou asilo; recolher mantimentos, roupas e materiais para um abrigo que cuide de idosos; produzir folhetos informativos em conjunto com os idosos, para um centro ou lar da terceira idade.

“A educação sozinha não faz grandes mudanças, mas nenhuma grande mudança se faz sem educação.” Bernardo Toro (Filósofo e Físico)

- Então, tens sono? Deitastete a que horas, sabes? - Deitei-me depois de jantar, a minha mãe nem me deixa ver televisão! - Então e sabes a que horas te levantaste? - A minha mãe disse que já passava das sete horas e a carrinha passava dai a pouco. - Olha, e que comeste ao pequeno-almoço? - Ainda não tinha fome… umas bolachitas… - Ah! Não tens sono… - Não! Eu posso ir comer? O Paulo foi comer a sua merenda. Nos dias seguintes, houve que ajustar o seu horário, deixando-o comer à entrada da escola. Continua feliz, traquina, malandro, menino de rua, mas mais crescido, a caminho da sua construção de saber académico.


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Letras da Gardunha

ARTIGOS DE OPINIÃO E CRIAÇÃO LITERÁRIA

Terramoto do Chile provoca alterações no Planeta Terra

A PROFISSÃO E O MERCADO DE TRABALHO Professora Telma Afonso

Professor João Paulo Brás Inquérito realizado pelos alunos do Curso de Educação e Formação de Serviço de Mesa (2.º ano)

Escolaridade dos inquiridos 30 25 20 15 10

%

5

μs

ficou mais curto 1,26 (micro segundos). Um microsegundo corresponde à milionésima parte do segundo. Esta não é a primeira vez que se detectam mudanças provocadas por um terramoto. Em 2004, o sismo na Indonésia mudou em sete centímetros o eixo de rotação da Terra.

Explicação Física: Aplica-se a lei da conservação do momento angular, L1 = L2 (L = I x o produto entre o momento de inércia (I) e a velocidade angular

ω

ω

ω

). Por outras palavras, é constante

. Se aumentar o valor do momento de

Ens. Superior

Ens. Secundário

3.º Ciclo

1.º Ciclo concluído

2.º Ciclo

0

1.º Ciclo não concluído

O Chile está situado numa das zonas de actividade sísmica mais intensas do mundo, sobre o ponto de convergência de duas grandes placas tectónicas, o que provoca terramotos de 8 graus de magnitude a cada dez anos, aproximadamente. A superfície da Terra é dividida em placas tectónicas, que se movimentam e vão de encontro umas às outras. Em várias regiões costeiras, as placas oceânicas deslizam sobre as placas continentais, configurando o que os sismólogos chamam de zona de subducção. A intensa actividade sísmica do Chile é resultado da convergência muito rápida da placa de Nazca, que varia entre sete e oito centímetros por ano, e de sua subducção sob a costa oeste do continente SulAmericano, que pode ser marcada pela linha da cordilheira dos Andes. O terramoto mais forte da história ocorreu justamente no Chile, em 22 de Abril de 1960: um tremor de 9,5 graus na escala Richter, na região de Valdívia. Este gigantesco sismo rompeu mais de 1.000 km de contacto entre duas placas activas, a oceânica, chamada de Nazca, e a da América do Sul. O terramoto provocou um tsunami cujos efeitos devastadores foram sentidos em todo o Pacífico. O último sismo no Chile alterou a inclinação do eixo de rotação da Terra e encurtou a duração dos dias na Terra. Cálculos efectuados pela NASA mostram que houve uma alteração de 8 centímetros no eixo do planeta. O dia

Não frequentou escola

erramoto do Chile provoca alteração da duração do dia e da inclinação do eixo imaginário de rotação da Terra

Fig. 1 – Escolaridade dos inquiridos.

A maior parte dos inquiridos possui o ensino secundário ou o terceiro ciclo. Quando questionados se gostavam ou não da sua profissão, 97% dos inquiridos afirmaram que sim e foram apenas 32% aqueles que afirmaram que, se pudessem, escolheriam outra profissão. Foi ainda questionado aos inquiridos o motivo pelo qual escolheram a profissão que desempenham. Os resultados podem observar-se no gráfico da figura 2:

Motivo da escolha profissional

inércia (I), diminui o valor de e vice-versa, ou seja, se diminuir o momento de inércia (I) a velocidade angular aumenta. Estas duas grandezas são inversamente proporcionais.

60

ω

50

L = momento angular (L = I x ) I = momento de inércia (medida da alteração ao movimento de rotação)

40 30

ω

= Velocidade angular (associada ao movimento de rotação) Na situação 1, a bailarina roda em torno de si própria, de

10

ω aumenta a sua velocidade angular (

) (movimento de rotação). No caso do sismo do Chile, o que aconteceu foi que a placa de Nazca se afundou aproximando-se do eixo imaginário de rotação da Terra, provocando a diminuição do momento de inércia da Terra (I) e, consequente-

ω

mente, o aumento da velocidade de rotação (velocidade angular ). Diminui, deste modo o período de rotação da Terra, ou seja, a duração do dia. A diferença na inclinação do eixo explica-se facilmente pelo movimento de grande quantidade de matéria de um local para outro. Fonte das ilustrações: http://www.apolo11.com http://www.wikipedia.org http://www.cepa.if.usp.br http://www.aesg.edu.pt

Outro

Seguir família

Gosto

Salário

ω1

Não teve alternativa

0

braços esticados, com uma velocidade angular . Na situação 2, a bailarina encolhe os braços diminuindo o seu momento de inércia (I). Quanto mais próxima do eixo de rotação estiver concentrada a massa menor é o momento de inércia de um corpo. Consequentemente

Jornal Escolar do Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha — Fundão

%

20

Prestígio

T

N

o âmbito das disciplinas de Língua Portuguesa e de Cidadania e Mundo Actual e da abordagem à temática da Empregabilidade – mudanças profissionais e mercado de trabalho, os alunos do 2.º ano do Curso de Educação e Formação de Serviço de Mesa realizaram um questionário na cidade do Fundão a um total 155 inquiridos, incluindo os respectivos encarregados de educação. De seguida, apresentam-se alguns dos resultados obtidos pela realização do referido questionário. Do total de inquiridos, 51% eram do sexo feminino e 49% do sexo masculino. Quanto à idade dos inquiridos, 26% tinham menos de 30 anos, 42% tinham entre 31 e 49 anos e os restantes 32% tinham 50 anos ou mais. No que diz respeito à escolaridade dos inquiridos, os resultados podem observar-se no gráfico seguinte (Fig.1):

Fig. 2 – Motivo que levou o inquirido a escolher a sua profissão. A grande maioria dos inquiridos afirmou ter escolhido a sua profissão por gosto. Os alunos quiseram ainda averiguar quais as profissões que os inquiridos consideram ter mais futuro e porquê. Deste modo, as profissões que mais inquiridos apontaram como sendo profissões de futuro foram as ligadas às áreas da medicina, das energias renováveis, da informática, da geriatria e da hotelaria. A maioria dos inquiridos apontou o facto de haver muita procura no mercado como justificação para estas opções. Estas poderão então ser uma boa opção de percurso futuro para os alunos da nossa escola.

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Letras da Gardunha

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ARTIGOS DE OPINIÃO E CRIAÇÃO LITERÁRIA

O Bilhete Professor Agostinho Craveiro

J

oaquim olhava pela janela. Em frente, na Pastelaria Arco-Íris, algumas pessoas tomavam a bica ao balcão a olhar para o relógio. Lá fora, na esplanada, indiferente à pressa geral, um casalinho gozava os raios de sol de um Verão tardio, enquanto deitava uns grãos de trigo a meia dúzia de pombos. Mais à direita, no jardim, viam-se alguns velhos, de sorriso apagado, a olhar para nenhures, como se as pessoas que por ali passavam, qual enxame de abelhas apressadas, nada lhes dissesse. Andavam quase todos na casa dos setenta e tais, oitenta, e já pouco mais faziam que olhar para o escoar do tempo. Às vezes Joaquim abeiravase deles e, com a sua presença, o pulsar do grupo alterava-se. Contava uma história engraçada de outros tempos, dizia duas ou três larachas, e o efeito era garantido: os sorrisos voltavam, por momentos, a introduzir-se naquela solidão mortiça.

Joana, a filha, fora visitá-lo um dia destes à hora do almoço, cinco minutos roubados ao seu correrio diário, antes de ir preparar a comida que ela e o marido iriam engolir num ápice. Perguntou-lhe como é que se sentia, se tinha tomado os medicamentos, se precisava de alguma coisa. Depois, a propósito de nada, começou a falar do Sousa, amigo de sempre do pai, que estava há u n s te m p o s n o lar. - Sabe com quem estive? Com a Dora, a filha do seu amigo Sousa. Está a viver no lar, e parece que o tratam lá muito bem. Nem ele sabia outra coisa! Há dias, em conversa de banco de jardim, o João Pires falara-lhe do destino do Sousa. A notícia tocara-o profundamente e, sem dizer nada a ninguém, fora visitar o seu velho amigo ao lar. Quando o viu, arrependeu-se logo de lá ter ido. Estava sentado na varanda, sozinho, completamente alheado de tudo o que o rodeava. Ainda lhe puxou pelo sorriso com uma ou outra graçola, mas o Sousa, que nos seus tempos de homem activo distribuíra entusiasmo a rodos, mostrava-se indiferente a tudo. Parecia que apenas aguardava que chegasse a sua hora. Joana estava, nitidamente, pouco à vontade a aflorar o assunto, e tentou dissimulá-lo começando a lavar a pouca loiça do pequeno-

almoço. Nem reparou que o pai já a tinha lavado, deixando-a apenas a escorrer no lava-loiças. Então disse-lhe que estava preocupada com ele, que não gostava de o ver sozinho. E se lhe acontecesse alguma coisa, quem o socorria? Gostaria muito de o levar para o andar onde vivia, mas as três assoalhadas já eram acanhadas para ela, o marido e os filhos. Na semana passada fora tirar umas informações da Casa de Repouso do Pinheiro, e gostara do que tinha apurado. Era um lugar onde tratavam as pessoas com toda a dignidade, o sítio ideal para ele. Joaquim não disse nada, apenas balbuciou um "está bem" quando a filha, à saída, o lembrou do almoço de domingo em casa dela. A conversa de Joana, no fundo, não o surpreendia, pois sabia que ela não tinha condições para o receber. Ela e o marido matavam-se a trabalhar, com um horário cada vez mais exigente, e o que recebiam mal dava para pagarem a prestação da casa. Houve uma altura em que pensou que talvez lhe arranjassem um cantito na sala para dormir, mas era ele a iludir-se com a possibilidade de acompanhar o crescimento dos netos, de os sentar nos joelhos enquanto os maravilhava com as aventuras do João Pequeno, história que o seu avô lhe contara vezes sem conta na sua

LIVROS DE IDEIAS, LIVROS GUIAS DE VIDA…

Professor José Valente

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omeçámos pelas palavras vividas (1º artigo), passámos pelos livros de vidas (2º artigo) e hoje (3º artigo) chegamos aos livros de ideias, aos livros guias de vida, tendo sempre muito presente, em todos os artigos, a ideia da liberdade, sem a qual não será possível chegarmos a nós próprios e aos outros. Bíblia, Alcorão e Torah, grandes guias espirituais de centenas de milhões de pessoas, são dos livros mais lidos, repetidos, meditados e reflectidos do Mundo. As suas palavras divinas são palavras poderosas, capazes de remover o Mundo e de iluminar os caminhos, ajudando muitos a encontrar alguma esperança, felicidade e paz seguindo a fé, a crença numa verdade dêusica. Por essas palavras adoram, consagram as suas vidas, fazem delas a sua liberdade, construindo os seus destinos sem “prisões mentais” numa floresta de liber-

dade. Mas também pode acontecer que o livro sagrado seja um sol iluminante tão avassalador que a sua imensa claridade se torna de tal maneira ofuscante, fazendo que muitas pessoas ceguem e pouco ou nada consigam ver à volta. Caem nos fundamentalismos. Entregam-se às palavras reveladas, caminhando apenas pelas palavras com a ausência dos seres que as habitam. Por elas, por essas palavras tão dominadoras da vida, aqueles que se acham imbuídos delas e das verdades absolutas que veiculam, acabam por matar os seres que habitam dentro de si e à volta. Neste caso, já não caminhamos por nós com a ajuda necessária das palavras / ideias, caminhamos apenas pelas palavras com a ausência dos seres que nos habitam. Neste sentido, assim alienados do nosso ser, entregues apenas às palavras divinas do “Grande Exterior”, acabamos por ser a ausência de nós próprios, somos “corpos sem espírito” à mercê fácil dos outros, à mercê do que nos é exterior e que assim está dentro de cada um de nós a dirigir-nos. Neste processo, perdemos o espírito, a divindade que também nos habita…, perdemos a liberdade, a possibilidade de

forjarmos a nossa vida, o nosso destino… Sem pretender ser absoluto nas razões apresentadas, diria que à semelhança da mensagem revolucionária veiculada, por exemplo, pelos Evangelhos, (Amar o outro como a nós mesmos. Somos todos irmãos), também a mensagem marxista de uma sociedade comunista foi atraiçoada por se ter caído no fundamentalismo das ideias, por se ter feito das suas ideias verdades absolutas, retirando-lhes a dialéctica, a vida, o humano, o contraditório, a liberdade da sociedade e de cada ser. As palavras, as ideias expressas na obra de Karl Marx tiveram e ainda têm uma grande capacidade de iluminação, tendo atraído milhões de pessoas no sentido de serem elas a fazerem a sociedade radiosa de todos, mas depressa cristalizaram num qualquer espaço da área cultural (livros, jornais, propaganda…), sendo seguidas mecanicamente como orações - guias de esperança, de fé, de futuros paraísos terrenos. Termino este artigo à semelhança do anterior, repito “Que cada um de nós tente seguir a sua liberdade”, mas acrescentando-lhe a ideia: para a construção da liberdade de todos. Junho de 2010

meninice. Mas os tempos tinham mudado. Ao que sabia, os pequenos passavam o dia fechados no infantário, no meio de dezenas de outros reclusos, e só lhes concediam uma precária quando os pais os iam buscar no fim do trabalho. Mas pouco aproveitavam do seu quinhão de liberdade. Quando chegavam a casa, os pais colocavam-nos em frente da televisão enquanto faziam o jantar. Depois comiam e, passado pouco tempo, toca a deitar, que amanhã é preciso levantar cedo. E no dia seguinte, num ritual sempre igual, lá iam todos para o mesmo ramerrame. Tinha pena deles, mas que poderia fazer? Raio de tempos, estes! Depois da filha sair Joaquim ficou mergulhado num turbilhão de pensamentos inconsequentes. As suas palavras, embora não o apanhassem desprevenido, tocaram-no como nunca pensara. Começou a dar voltas à casa, tentando ordenar ideias, mas a sensação de aperto não saía do seu peito. Foi então que tomou uma decisão. Ainda pegou numas roupas para colocar na mala que guardava no roupeiro, mas abandonou a ideia. Dirigiu-se para a cómoda e, com todo o cuidado, retirou um estojo do fundo de uma das gavetas. Abriu-o, delicadamente, e olhou para o colar que em tempos tinha comprado

para Maria, a sua mulher, pequeno luxo a que se permitira para presentear a companheira de muitas vicissitudes e alegrias. Mas ela morrera, em penoso sofrimento, uns dias antes do aniversário, vítima de um cancro de mama tardiamente diagnosticado, e o colar para ali ficara guardado como uma relíquia. Tomou banho, perfumou-se e vestiu o seu melhor fato. Depois, delicadamente, pegou no estojo, guardou-o no bolso interior do casaco e saiu de casa. Desceu a avenida muito direito e compenetrado, como se estivesse a escolher os movimentos certos para não engelhar o fato. Mas, ao chegar junto da estação ferroviária, algo o fez vacilar. Parou, por instantes, e ensaiou um olhar para trás. Mas foi coisa de poucos segundos. Recompôs-se rapidamente e, de forma resoluta, abeirou-se da bilheteira: - Um bilhete para longe, para muito longe! Quando entrou na carruagem tirou o casaco e sentou-se. Enquanto o ajeitava, cuidadosamente, sobre as pernas, levou a mão mais uma vez ao estojo, como se para se certificar que continuava no mesmo lugar. Maria aguardava-o, e não queria fazê-la esperar mais.

CAMINHO

P R I M AV E R A

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orjara os sonhos em olhares, sensações e desejos, temperados com muito afecto. Tinha a convicção dos eleitos, e nada parecia esmorecer tamanha determinação. Às vezes choramingava, é verdade, mas depressa fazia das fraquezas forças. O que mais a tocava era a incompreensão dos que a tentavam magoar, talvez porque ousasse percorrer as veredas da verdade, a sua verdade, que respirasse coragem onde os outros baixavam os olhos. Mas prosseguia o seu caminho, sorrindo, semeando poesia em réstias de luz. Sentia que quanto mais avançava mais se afastava dos outros, mas tinha a plena convicção, vinda do mais fundo de si mesma, de que era aquele o caminho. Gostava deles, mas tinha que se afastar. Talvez um dia compreendessem. Ou talvez não. Aquele era o seu rumo, a construção do seu sonho, e estava disposta a tudo para o continuar a trilhar. As cumplicidades, ainda que poucas, foram reforçando o alento. O calor da mão aberta, um olhar de mil palavras, um mergulho em águas claras... Passou por mim há pouco, e o olhar não iludia. Maria dos olhos claros, poesia em movimento, o respirar como destino. Professor Agostinho Craveiro

Éramos jovens potros Imunes ao receio E a primavera de Vivaldi Em harmonia vibrante Era o primoroso retrato Do nosso entusiasmo No galopar sem freio. A seara ondulava, sensual E viajávamos no sonho Embalados no rumor da aragem Que escrevia Nas folhas dos freixos Sinfonias à nossa passagem. A paixão das cigarras Morava dentro de nós E a linha do horizonte Meta por conquistar Era a tela Dos planos traçados Dum mundo por desbravar. Adormecia nos teus braços Em nocturno de Chopin Terna e doce vassalagem E só o romper da aurora Rebate do mundo lá fora Quebrava o feitiço da viagem.

Professor Agostinho Craveiro

Sorteio da Rifas As rifas da BECRE foram sorteadas esta semana e os resultados são os seguintes: - Primeiro Prémio: Leonel Saldanha - Segundo Prémio: Lourenço Bandeiras - Terceiro Prémio: Carlos Duarte

Os prémios poderão ser levantados na BECRE, junto de um dos funcionários ou dos Professores Bibliotecários, em dia útil.


Letras da Gardunha

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MURAL

E S C O L A S E R R A D A G A R D U N H A M A R C A U M A V E Z M A I S P R E S E N Ç A N A FA S E NACIONAL DO

CONCURSO NACIONAL DE LEITURA

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atarina Silva, do 9º A, representou a Escola Serra da Gardunha na fase final do Concurso Nacional de Leitura, que decorreu no dia 29 de Maio de 2010, nas instalações do Grande Auditório da Reitoria da Universidade Nova, em Lisboa. A aluna, que fora previamente seleccionada durante a fase escolar, juntamente com as suas colegas Vanessa Santos, também do 9º A, e Filipa Catarro, do 8º D, foi primeiramente apurada na fase distrital do concurso, este ano organizada pela Biblioteca Municipal de Vila de Rei, no dia 21 de Abril de 2010. Sujeita a uma prova de leitura acerca das obras Fernão Capelo Gaivota, de Richard Bach, e “Singularidades de uma rapariga loura”, de Eça de Queirós, a um inesperado peddypaper sobre Vila de Rei e, ainda, a uma prova de leitura expressiva, Catarina acabou por ser escolhida como um dos dois melhores leitores do distrito de Castelo Branco, área geográfica essa que lhe coube representar, num fresco dia de Primavera, em Lisboa. Para se preparar para essa prova, que reuniu os 36 melhores concorrentes dos diversos distritos de Portugal continental, a aluna ainda teve de ler três das grandes obras que marcaram a literatura mundial: As aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain,

O meu pé de laranja lima, de José Mauro de Vasconcelos, e O grande labirinto, de Fernando Savater, tudo no prazo de apenas um mês. Ainda assim, e apesar do pouco tempo disponível, a Catarina, que prima pelo seu carácter recto, rigoroso e exigente consigo mesmo, conseguiu um desempenho assinalável e que ultrapassou largamente todos os objectivos a que se tinha inicialmente proposto, colocando a escola na sua melhor posição de sempre neste concurso, o qual, relembramos, é organizado numa parceria entre o Plano Nacional de Leitura, a DGLB/ Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas, a RBE/Rede de Bibliotecas Escolares, a Mandala e a RTP. Dessa forma, ao longo do dia 29 de Maio, a Catarina submeteu-se a provas diversas – questionário “verdadeiro ou falso” acerca das obras lidas; leitura expressiva e escrita criativa – que a classificaram em 6º lugar nacional ex-aequo. Esta situação levoua a uma última prova de desempate, em que, apesar do raciocínio lógico, objectivo e organizado que demonstrou, não conseguiu convencer o júri presente, coordenado por Fernando Pinto do Amaral, que preferiu a emotividade e o espírito extrovertido da segunda concorrente. No fim, ficou um dia cheio de emoções com tonalidades diversas, contactos com outros competidores e outros mundos, mesclado com algum cansaço também. Em suma, foi uma aventura. Parabéns, Catarina Silva! Foste brilhante! Professora Celeste Nunes

Comemorações do Dia Mundial da Criança O Dia da Criança (1 de Junho) É um dia em que cabem todos os dias do ano e as coisas mais bonitas que não podem causar dano: os sonhos e os brinquedos, as festas, as guloseimas, a sombra de alguns medos, a casmurrice das teimas e também, com fartura, o afecto e o carinho com que se faz a ternura, para mostrar ao mundo que a guerra é uma loucura e que o gosto de ser menino é o nosso eterno destino. José Jorge Letria (in O Livro dos Dias)

Este poema que hoje lemos, porventura relemos, declamamos e, principalmente, sentimos como nosso, é tal qual como a nossa infância e como o palpitar da Infância de qualquer criança. Não é só porque é o dia Mundial da Criança e porque, neste dia, todos somos solidários, crentes no futuro e amantes da infância, mas porque Infância é, também, a atitude dos adultos que a ela assistem, intervenientes activos ou passivos. Essa é a nossa escolha. Teremos que dar conta dela ao mundo.

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o dia 1 de Junho, pelas dezoito horas, foi inaugurado o Parque Infantil do Souto da Casa, de forma a assinalar o Dia Mundial da Criança. Estiveram presentes várias entidades, com especial destaque para a Sr.ª Vereadora da Educação, Dr.ª Alcina Cerdeira, a Directora do Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha, Dr.ª Cândida Brito, e os Coordenadores do Departamento Pré- escolar e 1º Ciclo, Isabel Santareno e António Melo, respectivamente. Este espaço infantil, para além das diversões que oferece aos mais pequenos, está mimoseado com um mural pintado pela comunidade escolar da EB1 e Jardim de Infância, cujos protagonistas foram as crianças. As pinturas que aí podem ser admiradas versam sobre temas alusivos à localidade: castanheiros, castanhas, rota das azenhas… As professoras tentaram assim aliar a expressão plástica ao meio envolvente porque, no património cultural de cada um, está a essência daquilo que somos. Alice Freire; Ivone Figueiredo

Isabel Santareno Coordenadora do Ensino Pré-escolar

1 Junho Alpedrinha

Moldura Humana feita pelos alunos do 1º Ciclo, no Centro Cívico do Fundão, com o Símbolo da CPCJ - Comissão de Protecção de Crianças e Jovens Jornal Escolar do Agrupamento de Escolas Serra da Gardunha — Fundão

http://www.aesg.edu.pt

Ano 1—Nº3


Letras da Gardunha nº3