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Tradição Espaços no Fundinho se transformam Espaços se transformam com o decorrer dos tempos. Ganham outros donos, olhares, outros públicos, outras cores nas paredes. Alguns espaços continuam no mesmo lugar e às vezes conservam os mesmos traços arquitetônicos, pelo menos em suas faces externas. Situado no Fundinho, na esquina da Rua Coronel Manoel Alves com a Rua Quinze de Novembro, o espaço originalmente ocupado pelo comércio de secos e molhados do senhor Oscar Mendes, passou a ser o Bar e Restaurante Saara. Super movimentado, o Saara, durante muitos anos, teve grande público devido ao trânsito dos passageiros, na Estação Rodoviária de Uberlândia ali em frente.

O teatro de rua faz história no bairro Fundinho O sol vibrante e o frio surpresa foram os ingredientes de uma tarde mágica na Praça Clarimundo Carneiro, dentro da programação do Festival Latino Americano de Teatro Ruínas Circulares – 4ª Edição, o bairro Fundinho foi o palco de um dia histórico para o teatro na cidade e toda a região. O Grupo Tá Na Rua (RJ), um dos mais importantes e tradicionais do país no que diz respeito ao teatro de rua e referência também no exterior, presenteou a comunidade uberlandense com a apresentação do espetáculo “A Revolta de São Jorge Contra Os Invasores da Lua”, que ocorreu após um Cortejo Teatral no centro da cidade, findando-se na Praça Clarimundo Carneiro. Seus mais de 20 atores contaram a história da chegada do homem à lua e como São Jorge reagiu a esta invasão em seu território, com muita música e guiados pelo diretor/narrador Amir Haddad, grande nome das artes cênicas no Brasil, os atores encenaram a fábula com alegorias, muita expressividade, contato direto com o público e entusiasmo contagiante. O Festival Latino Americano de Teatro Ruínas Circulares é uma realização da Universidade Federal de Uberlândia, e em sua quarta edição trouxe o tema: O Teatro e a Rua. Foi também um mo-

Teatro

Crédito fotográfico: Simone Guaratto e Eduardo Humbertto

mento de prestar homenagens a personalidades do teatro brasileiro: a atriz Ana Carneiro (Professora do Curso de Teatro/UFU) e ao ator e diretor Amir Haddad, ambos são membros fundadores do Grupo Tá Na Rua há 32 anos. As atividades do festival foram espalhadas pela cidade dando possibilidade de acesso para grande parte da população, e claro, o bairro Fundinho mais uma vez foi protagonista de momentos que só a memória tem a capacidade de recriar e guardar para a posteridade. Por Eduardo Humbertto Graduado em Teatro pela Universidade Federal de Uberlândia

Destaque para o Fundinho Cultural A Estação Rodoviária mudou-se para o bairro Martins, o Saara fechou e o espaço foi ocupado pelo senhor Edgard Mendes de Lima e o seu depósito de vasos cerâmicos, de cimento e xaxim. O senhor Edgard, esposo de Eponina, irmão de Oscar e de Gerson , uma querida família entre os uberlandenses, era de origem baiana e teve uma única filha, Valéria. Simpático, carismático com sua freguesia, fixou-se muitos anos naquele local. Um dia quando o senhor Edgard se foi, aquele espaço da Rua Coronel Manoel Alves ganhou cores claras, teve respeitada a fachada externa e se transformou num reduto das artes plásticas. Hoje, o MUNA, Museu Universitário de Artes, situado naquela mesma esquina do Fundinho, com a intervenção de uma equipe de arquitetos, internamente ganhou novo visual. Galeria de artes com várias salas para exposições, auditório e salas multimídia, implantadas naquele espaço, busca atender a uma outra clientela com poéticos olhares.

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Uberlândia,

Terezinka Pereira - USA

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Crônica

Crônica

Poesia

Os fantasmas de Maria

À SENHORA DA ABADIA

Parecia ser uma segunda-feira qualquer. Maria subiu o Morro da Rua Nova, como de costume, às dezessete horas para visitar o Cemitério do Rosário e rezar para as almas ali sepultadas. Parentes, amigos, conhecidos recebiam seu terço, suas flores semanalmente. Haviam lhe contado que segunda-feira era o dia das almas. Ia de túmulo em túmulo, observando as fotos, os epitáfios, as plantas. Tinha até preferência por alguns. Ia em direção a eles, primeiramente, onde ficava a ler os versos, as despedidas, os salmos, as passagens bíblicas de novo.É quando parava a Ave-Maria, o Pai-Nosso para as suas interlocuções com os dizeres e com os mortos. Deparou-se com este epitáfio: “Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo... Enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!” Fernando Pessoa Maria fixou-se na data da estrela: nascido em dois de junho de mil novecentos e dois e na da cruz: faleceu em doze de setembro de mil novecentos e cinquenta e cinco.. Não havia nome do falecido, só o pedido do epitáfio e a identificação do poeta. Será que o fulano do morto havia construído a última casa do seu corpo, antes de morrer? Até podia ser... lembrou-se de sua tia Lúcia que havia feito um jardinzinho no seu lote já com um jazigo, neste mesmo cemitério, e às vezes a chamava para ir lá, com ela, com a finalidade de molhar e cuidar da futura residência de seu corpo. Maria quis sair dali o mais rápido possível e não conseguia. Suas pernas grudaram-se naquele chão. Seus olhos, na lápide amedrontadora...e o Silêncio chegou ao fim. Uma voz se manifesta: _Não quero mais ficar só! Faça-me mais um pouco de companhia. Já se passaram quinze anos. Maria começou a tremer, a sua voz sumiu e a outra voz continuou: _ Sempre falo na hora que é para ser falada a fala que falta. “A vida é breve, a alma é vasta” Puxa, esse cara foi e é vidrado no Fernando Pessoa, pensou Maria. Estava louca para ir embora, as pernas ainda inertes e a voz volta: ”Quem era? Ora, era quem eu via Todos os dias o via. Estou Agora sem essa monotonia. Desde ontem a cidade mudou.” De novo, versos do Fernando Pessoa??!!!... Saiu um grito de Maria a implorar: - Tenho que ir embora, querido defunto desconhecido!!! Me solte!!Até a próxima segunda-feira!!! E a voz ressoa mais um texto do poeta Pessoa: “Não se deve falar demasiado... A vida nos espreita sempre.” E a morte também...!!! pronunciou Maria em soluços, com medo,e dúvidas: -será que Fernando Pessoa era um epitafista ou o era o morto desta cova? Ela conseguiu sair dali, tropeçando por alguns sepulcros e por onde passava e ouviu mais estas palavras do poeta: “Fui, como ervas e não me arrancaram”. Quando Maria me contou o dia assombrado que vivera, combinamos de voltarmos lá juntas, mas até hoje não tivemos coragem, as almas estão ganhando orações à distância... Lourdinha Barbosa, escritora

Eis que chega, enfim, a festa da Assunção de Maria. O povo se manifesta à Senhora da Abadia. Movimentam-se as estradas... São romeiros andarilhos, de nossa Mãe e Senhora, amados, diletos filhos. São centenas, são milhares de devotos peregrinos em direção ao santuário, atendendo à voz dos sinos. Em silêncio, todos oram, contritos ante o andor. Cumprem votos. Muitos choram... E cantam hinos de Amor. Igreja e praça repletas de fiéis em oração. A homenagem se completa: da Virgem, a coroação! Abençoa-nos, Maria! Possamos daqui levar no coração a alegria de sempre te anunciar! Terezinha Maria Moreira

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Um pouco de Fernando Pessoa Vira e mexe – e estou de novo às voltas com o poeta Fernando Pessoa. Demorei um bocado para descobrir esse homem múltiplo e sua poesia (im)pertinente. Mais do que Pessoa, descobri o movimento modernista. Para tanto, não tive um empurrãozinho sequer de nenhuma escola porque passei. De forma não intencional, elas esconderam de mim ‘a grande novidade’. Em outras palavras, os velhos e dedicados professores do ginásio e do colégio desdenhavam do ruidoso movimento artístico europeu em curso, ou não queriam (ou não sabiam como) se desgrudar dos movimentos anteriores por aqui fincados desde séculos atrás. Melhor seria que esses velhos e dedicados mestres tivessem, senão abraçado, ao menos deixado passar a nós meninos (e meninas) as novas concepções da língua, da literatura e das artes que agitavam o mundo do pós-guerra. Mas não o fizeram. Eu o fiz por conta própria – e por acaso – e me salvei das túnicas apertadas de antanho. Foi assim que descobri Pessoa e o resto. Nem por isso abandonei de todo o que veio anteriormente. Não me entendam mal. Estou me referindo às escolas do interior brasileiro, onde os ventos continentais dos grandes acontecimentos chegavam desfalecidos, uma leve brisa apenas, incapaz de mostrar que uma revolução estética estava a ocorrer no mundo ocidental. Sorte de curioso. Devo ter aberto o livro certo no momento certo e lá estava ele, o poeta dos heterônimos. Por falha de memória, jamais resgatarei o momento em que meus olhos leram o primeiro verso seu. Não sei quando foi esse encontro nem o que permeou ali, mas quero que tenha sido no mínimo um trecho d’O Guardador de Rebanhos, em presença de Alberto Caeiro. Se não foi, que tenha sido Tabacaria, sob o olhar plácido de Álvaro de Campos. Ou, então, que tenha sido qualquer outra coisa, pois tudo é o mesmo e o múltiplo Fernando Pessoa. Não fosse o modernista português, talvez não teria eu chegado, por exemplo, a Carlos Drummond de Andrade e, a partir daí, descoberto o poder dos versos sem regras. Esbaldei-me neles, produzi os meus próprios e segui descobrindo poetas atrás de poetas até constatar, por minha conta e risco, que a poesia pode ser entendida como um tecido único, saído continuamente do tear da humanidade, desde a primeira fala poética até o verso mais recente. Tudo, claro, depurado no crivo implacável do senso crítico de quem lê, ouve e vê. Passado um longo tempo e estando eu na maturidade ‘avançada’, vejo que os movimentos culturais são uma grande conquista humana, porque tudo foi preservado e é agora oferecido sem cerimônia aos interessados – via internet. Neste universo digital convivem em perfeita harmonia: os clássicos, os barrocos, os parnasianos, os românticos, os simbolistas e as correntes modernistas que avançaram sobre o século XX. É muito bom ter todo esse acervo cultural à nossa disposição. Ao mesmo tempo, pode causar certo desânimo, encarar em sua totalidade tamanha produção da inteligência humana. Por isso, acabo me restringindo a alguns poucos. Escolhi dentre esses Fernando Pessoa, o que já é muito, se considerarmos tudo o que escreveu de grandioso o poeta de Ficções do Interlúdio. Encerro com uma sentença sua, magnífica: “Só uma grande intuição pode ser bússola nos descampados da alma”. José Carlos da Silva jkarllos@uol.com.br

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Poesia

Música

Crônica

Chorinho no Coreto

Falar de amor “Ah! Beija-me com os beijos de tua boca! Porque os teus amores são mais deliciosos que o vinho! e suave é a fragrância de teus perfumes!”

Automóvel

Foto: Isabela Lima

versus

Carro de Boi

“ No mundo non me sei parelha Mentre me for’ como me vai Ca ja moiro por vos - e ái Mia senhor branca e vermelha” “O amor é fogo que arde sem se ver É ferida que dói e não se sente É um contentamento descontente É dor que desatina sem doer.” “ Tu és, divina e graciosa, estátua majestosa Do amor, por Deus esculturada ... Depois de remir meus desejos em nuvens de beijos hei de te envolver Até meu padecer de todo fenecer.” “Se o azul do céu escurecer Se a alegria na terra fenecer Não importa, querido Viverei do nosso amor... Um punhado de estrelas no infinito irei buscar E a teus pés esparramar...” “E foram tantos beijos loucos, Tantos gritos roucos, como não se ouviam mais E o mundo compreendeu E o dia amanheceu em paz...” “Qualquer maneira de amor vale a pena Qualquer maneira de amor vale amar...” “É o amor, que mexe com a minha cabeça e me deixa assim...” “Ai, se eu te pego... delícia!” Ninguém jamais foi capaz de definir perfeita e completamente o amor, o desejo pela pessoa amada, o encantamento da presença, a dor da ausência. Nem os mais exaustivos trabalhos de semântica, de literatura, de interpretação de textos, poemas, romances. Em todos os tempos lá está ele: o amor: na Bíblia Sagrada, na mais incipiente e remota forma de todas as línguas, na literatura, na música; isto para não mencionar sua presença em estudos de religião, psicologia, sociologia, antropologia, filosofia .. . Profetas, poetas, escritores, cantores, tentaram definir, expressar, fazer jorrar do coração ou do cérebro alguma forma de esclarecer, de mostrar a essência desse sentimento, o que ele é, mas a tarefa continua a ser um desafio e continuará a ser assim para sempre. Em expressões e declarações sutis, delicadas, elaboradas, metafóricas; ou explícitas, claras, desbragadas, bregas, a intenção é a mesma: definir, mostrar, expressar o amor. Que diferença essencial há, por exemplo, nos versos: “Depois de remir meus desejos, em nuvens de beijos/ hei de te envolver até meu padecer de todo fenecer” e “Aí se eu te pego... delícia” ? Afinal, o que os amantes, os apaixonados querem? Num primeiro momento, pode-se pensar que é apenas fruir o prazer físico. Poemas e principalmente músicas e músicas e mais músicas se limitam muitas vezes a expressar essa faceta do amor. A observação atenta da história e a vivência porém, mostram que não se trata apenas do prazer físico. Sacrifícios, entregas, alegrias, arroubos; atos heróicos, tresloucados, ou simples e obscuros expressam o amor nas suas mais diversas formas. Os que se amam e os amantes em todos os tempos e lugares querem ficar juntos para sempre e sofrem quando isso não acontece. Querem partilhar a vida mesmo depois de o desejo e outras motivações não existirem mais. Querem amar e sentir-se amados num palácio ou num casebre.

Apesar da memória musical do Choro ser ampla e rica, ela tem perdido o seu espaço no que diz respeito a sua divulgação, pois a grande mídia não tem feito muito bem o seu papel, e, os músicos que se dedicam ao prazer de tocar essa boa musica encontram poucos aliados para manterem viva a nossa tradição musical. Em Uberlândia, alguns grupos persistem, criando repertório e levando a boa música brasileira para eventos de recepção, congressos acadêmicos, projetos ligados ao grande público, casas noturnas, restaurantes e em inúmeros locais, resgatando suas raízes mais tradicionais, mas também regravando e inovando nas melodias de Choro mais conhecidas. O projeto “Chorinho no coreto” tem como objetivo, promover, o encontro de grupos e músicos que se dedicam ao estudo e a execução desse gênero musical, realizando uma Roda de Choro mensal na Praça Clarimundo Carneiro, paralela ao evento “Feira do Coreto” da cidade de Uberlândia, possibilitando assim o contato de um público diversificado, formado por pessoas de diferentes faixas etárias e classes sociais.

Alcides Buss Sinto tanta pena dos cachorros

“ A arte é o espelho da pátria. O pais que não preserva seus valores culturais jamais verá a imagem de sua própria alma.” Chopín Tradução de Teresinka Pereira

www.amazon.com . Extraido do Livro: Das Sesmarias ao Polo Urbano, do Escritor Oscar Virgílio Pereira

NEGÓCIOS & NEGÓCIOS

O que importa é que as mais sofisticadas declarações de amor bem como as mais rasteiras, sempre deixam entrever esse mistério, essa centelha indefinível, esse pedacinho de eternidade existente dentro de cada ser humano. Que importa se é o profeta bíblico, o escritor clássico, o compositor moderno, ou o garoto das baladas que busca definir o amor? Sua existência em nossas vidas é o que é fundamental, imprescindível, vital. “Hoje vemos como por um espelho, confusamente, mas um dia o veremos face a face, totalmente”. Neuza Gonçalves Travaglia

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gumentos passaram às ofensas, das ofensas passaram aos palavrões. Irritados e ofendidos, os contendores deixaram a rinha sem resolverem o problema do “se”. No dia seguinte, o“Tribuna” publicou violento artigo contra o comerciante. Isso gerou uma antipatia recíproca que, por pouco, não durou a vida toda. Não conversaram mais, nem se cumprimentaram, nem se olharam. Um dia, João Rodrigues resolveu mudar-se para o Bom Jardim do Prata e lá continuou com seu negócio de vender tecidos e armarinhos exclusivamente a vista. Lá iam trinta anos da briga por causa do“se”. Tá lá o João, atrás do balcão, o umbigo ralando o seu tampo de madeira quando, de repente, entra aquela figura conhecida e repudiada: o Agenor Paes. Entrou tímido, cabisbaixo, com feições arrependidas. Aproximou-se, ergueu os olhos e estendeu a mão. Vinha reconciliarse:“Que besteira, meu Deus! por causa de uma coisa tão pequena se perde uma amizade... Trinta anos, João... Quanto tempo de convívio sadio e culto nós perdemos. Me dá lá um abraço!” E se abraçaram, os olhos umedeceram e ficaram muito tempo enlaçados, quem sabe com medo de que um visse as lágrimas do outro. Desenlaçados, suspiraram, e o Agenor logo se ajustou num tamboretezinho que sempre existia do lado de fora dos balcões dos comércios que se prezavam. Agenor coçou a costeleta e, com olhar maroto, fixou o amigo recuperado e indagou: “mas, meu caro João, nesses trinta anos você deve ter tido muito tempo pra pensar e aceitar que eu tinha razão. Porque o pronome “se”... Parou subitamente. Coçou de novo a costeleta. Se olharam longamente e, de repente, caíram numa profunda gargalhada que não durou trinta anos, mas varreu para o resto de suas vidas suas diferenças sobre concordância pronominal... O que que é isso mesmo? Fontes: João Rodrigues da Silva Filho e Correio de Uberlândia. Autor: Antônio Pereira da Silva

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O sensível mundo de Magda

Foto: Isabela Lima

Você já deve ter ouvido por aí alguém dizer “eu se fiz por si próprio”, ou, então, “Nós se preparamos, mas não adiantou.” “Se” e “que” são as partículas mais encrencadas da língua portuguesa. Se hoje, nossos big brothers, nossos atletas e até alguns... - bom, deixa pra lá - , usam o reflexivo da terceira pessoa para qualquer outra e ninguém morre por isso, nos velhos tempos não era assim, não. Sujeito pegava em armas para provar, na porrada, qual a concordância exata. Hoje, se alguém for admoestado por falar “eu fico fora de si” responderá com desdém: “você entendeu?” Naqueles mil e novecentos e pouco, quando a maior cultura que a cidade podia oferecer ao cidadão uberabinhense era o quarto ano primário do Grupo Escolar Bueno Brandão, inaugurado em 1915, os nossos intelectuais se engalfinhavam, do lado de fora dos balcões de farmácias e varejos de secos e molhados, para demonstrar suas posições concordanciais ou regenciais diante de determinadas expressões. Foi, sentados em tamboretes da Casa Carneiro, na antiga praça da Liberdade, que o comerciante João Rodrigues da Silva, dono da“Casa Amarela” e o jornalista Agenor Paes, proprietário do jornal“Tribuna”, se agarraram numa discussão sem fim em torno do pronome“se”. Discutiam, pitavam e bebericavam do café sempre quentinho que ficava em cima do balcão à disposição dos amigos que, todas as tardes, iam lá bater papo, e dos clientes. Era uma bela cafeteira, de quase três palmos de altura, feita de resistente folha de flandres, com belos relevos florais metálicos, marca FFF, do competente folheiro, Florêncio Felix Fraga, talvez a melhor que já se fez neste país. Para conservar o café quente por mais tempo, essas cafeteiras tinham um depósito de meio palmo no fundo que o fabricante enchia de areia. Naquele tempo, havia costumes práticos, eficazes que, se a gente não pinça um aqui, outro ali, e registra, se perdem. Por acaso você sabia que areia no fundo da cafeteira ajuda a manter por mais tempo a quentura do café? Os dois, citando Camões, Vieira, João Ribeiro, Cândido de Figueiredo, e todos os escritores clássicos da língua e todos os gramáticos malucos do vernáculo, dos ar-

Gente do Fundinho

Horóscopo

Memória POR CAUSA DO “SE”

"O exercício da arte é o maior projeto político que um cidadão pode desenvolver!" Artur Gomes

Um desenho leve contorna o destino da artista Magda Caparelli Marçal, buscando revelar sua criatividade, entre formas e cores, papéis, lápis de cor, telas e tintas. Nascida na região central de Uberlândia, veio residir no Fundinho há 30 anos, no edifício concebido por seu professor, o reconhecido arquiteto Arlen Simão. Pianista, formada pelo Conservatório Estadual de Música de Uberlândia, foi professora naquele estabelecimento até a sua aposentadoria. Fez parte da primeira turma dos formandos da Faculdade de Artes de Uberlândia e já participou de várias exposições de artes plásticas. Nos tempos de faculdade, integrou um grupo de alunas/artistas que conquistaram importante premiação no I Salão Global de Artes, em Belo Horizonte, na década de setenta. Oriunda de uma família de 4 irmãos, Magda, Marisa Helena, Maria Alice e Carlos Alberto. Filha de eméritas personalidades da sociedade local: Francisco Caparelli e Sebastiana Caparelli. Herdou dos seus pais, uma tradicional família que muito acrescenta à história de Uberlândia, o natural refinamento, o gosto estético e o imenso amor pela cidade onde nasceu. Estudou no Colégio Sacre Coeur de Marie, no Rio de Janeiro, formando ali sua bagagem para a vida e o seu interesse pelas lides culturais. Depois da aposentadoria no ensino das artes e da música, Magda Caparelli Marçal tem se dedicado à pintura e ao desenho. Desde sempre leitora exemplar, faz da viagem aos livros um prazeroso hobby. De suas memórias reteve a beleza e o perfume das flores do jardim em sua casa de infância e juventude, distante no tempo, mas presente em gratas recordações. Flocos, margaridas e rosas cultivadas por sua mãe, a artesã e artista Sebastiana, transformaram-se em temas florais que ela desenvolve com arte e sensibilidade em suas telas. Acalentada pelo amor e companheirismo de seu esposo Moacir, e dos seus filhos, Isa, Roberto e Cláudia ela é testemunha ocular da história e do movimento cultural de Uberlândia e do Fundinho, bairro que ela escolheu para morar.

Personalidades do bairro Fundinho No Fundinho sempre residiram pessoas ímpares, marcantes em sua trajetória. No bairro histórico de Uberlândia, nos primeiros tempos, se fixaram os fundadores da cidade, pessoas que trouxeram ao município, ideais de humanidade e progresso. Hoje o bairro abriga novos criadores de uma outra história. Os contemporâneos habitantes do bairro Fundinho são personalidades que representam com brilhantismo os segmentos da modernidade e acrescentam visões de futuro à biografia da cidade. É o caso da presença de um brilhante casal, ilustres moradores da rua Coronel Manoel Alves, a psicóloga Marina Cavalcanti Monteiro Mendes e o professor de economia da UFU, Germano Mendes de Paula, casados há 22 anos, e suas filhas Beatriz e Melissa. Marina, nascida em Uberlândia, psicóloga, formada pela UFU em 1991, atua há mais de 20 anos na área de desenvolvimento de pessoas. Trabalhou 6 anos no Grupo Martins e 16 anos no Grupo Algar. Co-

ach de executivos, é especialista em design de programas e soluções educacionais para executivos. Além de ocupar-se nos cuidados com a família, Marina se dedicará aos estudos e atualizações em sua área, neste segundo semestre de 2012 e no ano de 2013, que fixará residência em Nova Yorque na companhia de seu esposo e filhas. Germano, nascido em Uberlândia,

ções: 8 livros, dois na condição de co-organizador. O mais recente foi lançado em junho de 2012, em São Paulo, sob o título: “Latin American Steel: a retrospective in 101 essays”, publicado pela editora britânica “Quartz Business Media”. Editou 19 capítulos de livros. Germano Mendes de Paula prepara-se para cursar o segundo pósdoutorado em Economia na Colum-

é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Uberlândia e professor do Instituto de Economia desde 1990. Fez mestrado e doutorado em Economia Industrial e da Tecnologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Fez pós-doutorado em Economia pela University of Oxford (Inglaterra) em 1998-1999. Suas principais publica-

bia University. A sua área de especialização: estudos econômicos sobre siderurgia e mineração. Sinais dos novos tempos, mostra a leitura dos caminhos destes dois uberlandenses, moradores do bairro Fundinho, Marina Cavalcanti Monteiro Mendes e Germano Mendes de Paula, inteligências e sua trajetória de sucesso.

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Marília Cunha Crianças e passarinhos As crianças correm pelo quintal em ruidosa agitação. Corpos inquietos, energia a supitar pelos poros, carinhas manchadas de rouge pelo calor da excitação. Um bando de periquitos corta os ares em revoada barulhenta, asas batendo vigorosas, massa verde tingindo o céu de agosto. As crianças agitam-se mais, gritam,correm, alçam os braços como se quisessem também voar, alcançar as alturas, atingir com um abraço quente as criaturas do alto. Crianças e pássaros se parecem nos seus arrulhos, na sua ânsia de liberdade, na agitação que de repente se põe em calmaria. Asas e braços se fecham, o alarido do dia dá lugar ao silêncio do entardecer.

Reparem os pássaros nas preliminares do acasalamento. Exercício puro de sedução! A fêmea mostra-se tímida, como mocinha indecisa entre o pudor e o desejo, relutante em entregar-se por inteiro ao apelo do sexo. O macho se expande em sexualidade, voa em torno, bica (ou beija?), tenta prendê-la a si, como se não fosse mais possível deixá-la. Aos poucos a dama cede excitada aos avanços do pássaro, aceita, aquieta-se junto ao amado. Ele infla orgulhoso. Conquistou, apossou-se por inteiro do coração da donzela. Final feliz terá a história de amor, do jeitinho que as crianças gostam. História coroada por lindos filhotinhos e tudo mais que a natureza e o ser humano lhes permitir.

Alguns pássaros constroem ninhos engenhosos. O beija flor, por exemplo. Maravilha de técnica e engenharia. Outros são um tanto quanto relapsos na construção da morada. Aproveitam-se de material de fácil acesso e não têm grandes preocupações com a segurança do lar. E foi um destes casaizinhos tranqüilos que se ajeitou num arbusto na casa do meu filho. O amor frutificou em adoráveis filhotinhos. Resultante de péssima edificação do abrigo, construído sem capricho, deu no que deu: um dos filhotes caiu do ninho, em cima da grama do jardim. Meus netos apavorados correram a gritar: “Papai, venha depressa! O passarinho caiu do ninho, corre papai!” O pai, com sua habitual calma, pegou delicadamente o filhote frágil e trêmulo e o colocou de volta. As crianças deram pulos de alegria, vibraram de felicidade. O salvador foi o herói do dia. Nos pequenos e sensíveis gestos se fazem heróis e marcam na memória instantes magníficos de amor e compaixão.

Dia desses assisti na TV um ambientalista otimista bendizendo o sumiço dos estilingues e arapucas, creditando o fato ao alvorecer de uma nova consciência. Assim espero. Que o planeta seja um lugar tranqüilo e verdejante para os pássaros. E que as crianças sejam felizes, plenas de liberdade e não percam nunca o ar curioso, o sorriso fácil e a beleza da inocência. Em meio ao agito da vida, que mantenham um olhar atento e límpido, apto a perceber e admirar os espetáculos que a natureza oferece. Digam amém os anjos! Email – mariliacunha16@hotmail.com

Foto: Isabela Lima

Foto Arte Imagens da ruralidade captadas pela lente magistral do artista fotógrafo Jorge Henrique Paul.

Fundinho Cultural - 23º edição (parte 2)  

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