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“A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa” George Orwell

DEZEMBRO 2013 - Nº 29 - ANO XI

Chão de Estrelas - Orestes Barbosa

A porta do barraco era sem trinco mas a lua, furando o nosso zinco salpicava de estrelas nosso chão

Um Jornal do bairro Fundinho Uberlândia . MG . Brasil

Entrevista

Marlene Goulart

“Nós somos o que fazemos, mas, somos principalmente o que fazemos para melhorar o que somos.” Eduardo Galeano


Longa avenida, a João Naves se esparrama em várias direções anunciando múltiplos centros da cidade. Vista do alto, Uberlândia se multifaceta em vários planos que anunciam claro futuro. O Bairro Fundinho, e o seu memorial histórico/sentimental, já ficou lá embaixo, no burburinho da cidade tradicional, que, segundo os coronéis dos velhos tempos, não podia passar dali: Fundinho/Patrimônio/Rio Uberabinha... A vida, o progresso, a velocidade das horas sugerem amplidão e as lentes do fotógrafo Léo Figueiredo registram novos ângulos da cidade moderna em movimento.

Marília Cunha

O minuto seguinte Se me perguntassem, há algum tempo, qual o momento mais impor-

tante de minha vida, eu diria - aquele que estamos vivendo -. Talvez porque ainda não tivesse passado por mudanças drásticas ou dolorosas. Talvez porque vivesse tão em função do presente. Ou porque sempre tenha achado o presente - um “presente de Deus”. Continuo achando, mas aprendi a valorizar o minuto seguinte como um amigo consolador. Ele é aquele que vem falar que o futuro é esperança e mostra na sua proximidade que nossa capacidade de continuar é latente e renovadora em cada um deles que passa. Somos o resultado de infinitos minutos e cada um faz seu papel na nossa transformação evolutiva. Daí, dessa reflexão , aprendi a apreciar meu proximo minuto. Conto com ele para me lembrar sempre que toda dor vai se acalmando com sua chegada, e que só com ele a vida pode me trazer uma nova oportunidade de ser feliz.

Poesia

Vera Bernardino

Uberlândia anoitece.

Reflexão

Capa Aqui, a torre Eiffel, um clone no alto do prédio, ilumina a cidade. A lua diferente anuncia meras passagens do tempo que resvala entre os dedos. Impressões, divagações persistem enquanto a estrada existe e é sempre um convite a partir. (hl)

Foto: Leo Figueiredo

CARTA AMANHECIDA Tenho aqui Carta amanhecida (Foi escrita ontem) Vou depressa Ao correio Antes Que fique velha E estrague O recheio Zélia Guardiano

Ano XI – nº 29 - DEZEMBRO 2013 - Editor: Hélvio Lima - Assessoria: Adélia Lima - Diagramação: Niron Fernandes - 3087-4148 Impressão: Gráfica Scanner-3212-4342 - Fotos internas: Acervos particulares, Isabela Lima, Léo Figueiredo e Paulo Augusto Tiragem: 5.000 exemplares - End. para correspondência: Rua Felisberto Carrejo, 204 – Fundinho Fone: (34) 3234-1369 – Cep. 38400-204 – Uberlândia-MG “Os artigos assinados são de inteira responsabilidade hl.artes@yahoo.com.br - Facebook fundinhocultural de seus autores e não refletem a opinião do jornal”

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29 - AN O XI 20 13 - Nº DEZEMBRO

"A lua anda devagar mas atravessa o mundo!"

Perfil

PRIMEIRA PERDA...

Foto: Léo Figueiredo

Editorial

Mia Couto

Mesmo que a gente não se anime muito com o Natal ele vai chegando devagarinho, com seus laços, músicas e desvios, cutucando lembranças que achávamos perdidas na memória. Muitos se passaram, desde a minha infância, alguns difíceis de recordar, porque dolorosos e impróprios para crianças e em desalinho com as festividades reinantes. Outros até engraçados e despropositados, como despropositada era a minha família. Alguns até felizes, se podemos dizer de felicidade o olhar brilhante de uma menina que ganhou um presente há muito desejado e esperado. Certa vez pedi uma bicicleta. A espera ansiosa foi detonada por uma sapato e uma lata daquelas de doce “4em1” (três eram bons, um era horrível)... De outra feita ganhamos, eu e meus irmãos, um chicotinho de couro, vindo com a intenção de castigar artes infantis. Que eu me lembre, nunca foi usado. Havia Natal de mesa farta, castanhas variadas, frutas diferentes, queijos importados, tudo vindo de São Paulo, pois na terrinha não havia muito o que explorar. De repente aparecia um Natal abortado, mesa vazia, semblantes tristes, obrigação de acompanhar os pais à casa de pessoas amigas, onde a grama estava mais verde... Um Natal dos mais felizes da minha vida aconteceu quando eu tinha uns oito anos. E veio em forma de uma boneca, exatamente aquela que eu vira na vitrine e sonhara ter por dias seguidos. Com emoção abri a caixa. Lá estava ela, a Bete (assim mesmo, abrasileirado) como a chamaria. Veio peladinha, com duas fraldinhas para troca, uma mamadeira, uma chupeta e, maravilha das maravilhas, um peniquinho. A Bete mamava e fazia xixi, uma coisa de louco. Tornouse o meu encanto, minha paixão. Porque paixão é assim, seja qual for o seu objeto, nos arrebata, toma de assalto, seduz e escraviza. Era grande o compromisso que me prendia à boneca. Dava banho, fazia roupinhas de retalhos, alimentação de hora marcada, passeios, efusão de beijos e abraços quando eu ia para a escola e retornava, morta de saudades... Assim foi a vidinha de Bete, a menina de borracha que um coração maternal abrigara como filha. De repente a família resolveu viajar e decidiu ser impossível levar a Bete. O taxi era pequeno para tamanha lotação e uma caixa de boneca seria demais. Cedi, talvez pelo receio das maldades que os primos levados da breca poderiam impingir à boneca. Foram férias de saudades, saudades da Bete. E alegria enorme ao voltar para casa, rever meu tesouro. Corri para o quarto, subi em uma cadeira, tirei a caixa de cima do guarda- roupa. Decepção e dor. Não era mais a Bete que estava ali. O sol traiçoeiro que batia direto no móvel destruira a boneca. Morreu assim, entre lágrimas quentes e emocionadas de uma garota que amava muito e apaixonava-se com coração de gente grande. Era minha primeira grande perda. Um sonho esfacelado, sem culpas e desculpas. Lembro-me de Saramago, quando reflito a força dos meus sentimentos: “Se tens coração de ferro, bom proveito. O meu fizeram-no de carne e sangra todos os dias”. Marília Alves cunha mariliacunha16@hotmail.com

Marlene Bernardes de Freitas Goulart Uma mulher moderna antenada com os novos tempos O recado especial de uma mulher contemporânea, Marlene Bernardes de Freitas Goulart, natural de Uberlândia, Minas Gerais. Uma colecionadora e amiga que através dos anos permanece em nossas vidas com sua terna presença. As lembranças da filha amorosa, da dedicada esposa, e da mãe, avó e bisavó, exemplar. Da nova moradia, no 13º andar, ela contempla a paisagem, o Fundinho e a cidade que ela ama com zelo. De presente para o Fundinho Cultural, a sinceridade, a arte e a cultura desta querida amiga. Hélvio Lima

“Nós somos o que fazemos, mas somos principalmente o que fazemos para melhorar o que somos.” Eduardo Galeano Uberlândia, a cidade onde nasci “-Nasci na Rua Alexandre Marquez, no Bairro Martins, mas comemorei meu primeiro aniversário na rua Tenente Virmondes, entre as avenidas João Pinheiro e Afonso Pena. Morei neste endereço até me casar. Nesta casa,

à rua Tenente Virmondes, hoje se situa o Edifício Ubaldina Naves de Freitas, que é o nome de minha avó. Quando me casei morei em Araxá, durante 1 ano, depois voltei a Uberlândia. Em Belo Horizonte permaneci durante 3 anos, acompanhando meu marido Luiz Ricardo Goulart, o Cadinho, naquela aventura política, quando ele foi Secretário de Indústria e Comércio do Estado de Minas Gerais e presidente da Cemig. Cadinho era também violinista, companheiro de Nicolau Sulzbeck. Doei para o Conservatório de Música Cora Pavan Capparelli, 6 pastas de partituras de música e métodos de exercícios de Cadinho. Ele era um excelente violinista, um artista nato. Guardo comigo o seu violino, uma peça de arte, que é registrada no Lutier, em São Paulo. Gostaria que algum neto meu tivesse vocação para a música. Tenho 6 filhos, Rita Maria, Maria Inez, Isabela Maria, Maria Cristina, Luiz Ricardo Filho e Cirino Alberto. Tenho 12 netos e 2 bisnetos, uma família maravilhosa que na hora que nos reunimos enche a casa de alegria. Aos 75 anos, eu costumo dizer para os amigos mais chegados que de ma-

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Marília Cunha nhã eu sou quase 100%, à tarde já deu uma caidinha, sou uns 45%, e à noite, se não tenho alguma coisa estimulante, uma visita, algo que eu precise fazer, não chego nem a 10%.(rsrsrs) Aprendi com minha mãe a deitar-me e levantar-me muito cedo. Quando me casei, o Cadinho era notívago e eu custei a adaptar-me. Depois, você tem filhos, passa noites sem dormir e a gente adapta-se de novo. Aos poucos, volto ao costume antigo, dormindo com os bichos e acordando com os bichos... O bairro Fundinho em meu caminho

Eu estava procurando um apartamento para comprar e vim conhecer este apartamento onde moro. Cheguei aqui, achei o is a sp inho e o d a C , apartamento e n rle ente Ma Adolesc bom, mas muito estragado, e fiquei um pouco desanimada. Mas, assim que saí na portaria do prédio, vi o colégio onde estudei e estudaram meus filhos e netos, a igreja para a qual ajudei a fazer campanhas, a Casa da Cultura, a Biblioteca, a minha irmã Darci que mora aqui perto, a praça... pensei: “Estou em casa!” Voltei para um passado muito gostoso e aí comprei o apartamento. Meus filhos dizem que eu comprei o ponto e acho que foi isto mesmo!!! E a vida está ótima aqui no Fundinho. Já sei que será uma ótima estada! Amo a literatura! Gosto muito de ler. Sou uma ávida leitora. Leio tudo, leio autores estrangeiros e nacionais. Ultimamente muito me interessam os autores novos. A Patrícia Melo escreveu “Elogio à mentira”, que já está traduzido em vinte países. O Ednei Silvestre que escreveu “Se eu fechar os olhos agora” já será traduzido em seis países. O Graciliano Ramos e o Guimarães Rosa, para mim, são os melhores. Vidas Secas é ontológico. O livro “São Bernardo”, a história de uma fazenda e uma mulher, Teresa, me impressionou muito. Já li quase todos os livros destes dois autores, mas

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um livro que eu releio sempre é “O Grande Sertão-Veredas”, cada vez que eu leio descubro coisas novas. Tenho lido escritores estrangeiros, como Ken Follet que escreveu “Mundo sem Fim” e faz romances históricos. Eu acho este autor fantástico, estou lendo-o e descobrindo. É preciso fé! Eu acho que tudo vai melhorar, ponho fé nisto! Em todas as épocas tem coisas muito difíceis, tem as promessas, mas a gente tem que fazer para isto acontecer, não é só esperar. Tem um pensamento do Eduardo Galeano que eu trabalhei para minha vida, que vale para a vida de todas as pessoas e eu gosto demais: “Nós somos o que fazemos, mas somos principalmente o que fazemos para melhorar o que somos.” “Seja o que Deus quiser!”, é sempre ou quase sempre a melhor decisão que a gente toma e é uma solução fantástica. Uma pessoa inesquecível Eu tenho que citar os meus pais, Alberto Bernardes de Assis e Guiomar de Freitas Bernardes. Eles são exemplo para mim porque são pessoas que nunca ficaram à margem de si mesmas. Pessoas coerentes, simples. Eu até Marlene fotogra fad pela ne invejo a simta Camil a a plicidade que eles conseguiram na vida. Minha mãe era uma mulher que fazia tudo com as mãos, aprendia e transformava tudo, tinha curiosidade sem fim para descobrir sempre novas técnicas de artesanato e adorava cantar, não posso ouvir até hoje algumas músicas que ela cantava, e ela fazia uma vozinha de falsete nos agudos. Meu pai era um artista nato, tocava todos os instrumentos, principalmente o bandolim, o acordeon, a flauta e a gaita. Ele adorava a música e insistia para a gente aprender. Dançava o Charleston e sabia sapatear. Imitava perfeitamente o Carlitos. O meu pai era também um esportista, na minha casa tinha barras paralelas no quintal... São muitos os tipos inesquecíveis em minha vida mas tenho que escolher os dois, meu pai e minha mãe, que se foram juntos em 1978.“

Este texto de Marlene Bernardes de Freitas Goulart é um relato do engajamento de Marlene Bernardes de Freitas Goulart e Luiz Ricardo Goulart, nas diversas ações pastorais da Igreja Católica, entre 1964 a 1980, no Movimento Familiar Cristão, com casais, noivos e jovens.

Comunidade de URU Em 1965, Cadinho e eu, fomos convocados por um padre salesiano para iniciarmos um trabalho com jovens interessados em aprofundar a fé cristã. Rapazes e moças, alguns já universitários, a maioria no colegial, com preocupações e anseios incomuns para a idade, nos motivaram para a tarefa de aprendermos juntos. Foi um tempo inigualável de conquistas em todos os sentidos. Nossa casa se tornou uma sucursal da diocese. Com o aprofundamento dos estudos de textos bíblicos, documentos do Concílio Vaticano II e de uma visão crítica da realidade um grupo de uns doze jovens se destacou, passando a desejar uma experiência de vida mais radical, como dos primeiros cristãos. E então nasceu a Comunidade de URU, palavra de origem tupi que designa uma ave ou um cesto de palha de carnaúba. Por que URU? No final de 1970, um amigo doou ao grupo um pequeno pedaço de terra perto da antiga parada de trem da Mogiana chamada URU, lá na saída para Uberaba ou Araxá e, com a ajuda de outros amigos, foi construida uma sede para a comunidade nascente. Alguns jovens já estavam formados, casados, profissionalmente estabelecidos e decidiram colocar tudo em comum, impulsionados para um testemunho aberto e corajoso da fé em Jesus Cristo. A novidade despertou muitos conflitos. Talvez por causa da época da ditadura, que não via com bons olhos experiências comunitárias. Mas até mesmo dentro da própria igreja católica foram observadas reações adversas, porque essa vivência coletiva chocava contra os princípios sociais vigentes. Numa sociedade corroída pelo interesse e egoísmos, qualquer proposta alternativa mais fraterna, só podia provocar reações e conflitos. Por fim, problemas também econômicos fizeram com que a experiência chegasse ao fim em 1975. Não paro de louvar a Deus por ter me permitido participar daqueles riquíssimos momentos. Espero que alguns dos outrora jovens de URU, hoje avós, vivendo aqui em Uberlândia, em Goiás e no Rio de Janeiro, ainda se disponham a relatar a experiência tão inusitada e pioneira para a região na época. Seria um grande exemplo para a geração atual, porque por trás daquela iniciativa havia anseios e sentimentos profundos e, mais importante, jovens corajosos e decididos a mudar o mundo.

Crônica de Natal

Ontem fui com uma amiga a uma instituição para idosos e idosas, onde estava sendo realizado um lanche promovido por pessoas da comunidade. Eles eram por volta de 30 internos e internas. O mais idoso, um senhor magrinho de cabelos muito brancos, tinha 92 anos e a mais nova, uma senhora bonita e bem falante, tinha 64. Nenhum deles apresentava sinais de incapacidade severa. Alguns andavam com certa dificuldade, apoiados em andadores, ou no braço de pessoas que lá estavam para festejar ou para ajudar; uns poucos tinham deficiência visual ou auditiva, outros apresentavam leves sinais de demência senil: esquecidos, meio ausentes, repetitivos. Algo porém me chamou a atenção e comecei a conversar com eles. No início tímidos e reservados, começaram depois a contar sua história de vida. Nada de rocambolesco, heróico ou excepcional: o comum para todos os que hoje têm essa idade: muito trabalho, dificuldades de várias ordens enfrentadas para educar os filhos, ajuda aos filhos e filhas nos momentos difíceis, bela convivência nos “bons tempos”, sempre agradecendo a Deus pela proteção e bênçãos vida afora. Interessante: nenhum deles se auto proclamou “guerreiro” como é moda se dizer hoje. Os filhos e netos, em geral bem sucedidos, muitos até com diploma universitário, são empresários, funcionários públicos, profissionais liberais, trabalham nos mais diversos setores da sociedade. Alguns moram no exterior, outros em cidades ou estados fora; a maioria, porém, mora por lá mesmo, até pertinho do “abrigo”. Em todos os idosos uma dor: a do abandono. Durante o longo ano, as visitas são raras, apressadas ou inexistentes. Um telefonema rápido, talvez. A mais visitada, uma senhora de 71 anos, recebe duas vezes por semana a neta de 20. A grande maioria relatou não poder contar com os filhos e netos para nada, pois todos são muito ocupados, têm seus compromissos, ou são muito importantes. Ficam cansados, justificam. “E a senhora sabe, a gente nessa idade sempre atrapalha...” Porém os olhos, mais do que a voz, revelam um profundo pesar, mágoa, decepção por se sentirem rejeitados, esquecidos, privados da convivência com as pessoas que mais amaram e amam na vida. Então chega dezembro, tempo de Natal e tudo muda: presentes inumeráveis: uma avalanche de chocolates, panetones, cremes, perfumes, sabonetes; camisolas, pijamas... E alguns dias antes do dia de Natal, a festa: que festa! Todos presentes, nenhuma ausência! Quanta comida, música, quantos abraços, beijos, manifestações ensaiadas, estereotipadas, de carinho; cartões, cartazes com protestos e juras de amor e gratidão, frases melosas, preces, prantos, justificativas; fotos, fotos e mais fotos para as mais diversas formas de comunicação social: “olha vozinha, a senhora vai para o Face, que chique!” E a pobre avó, que nem sabe o que é isso, dá um sorriso agradecido de incompreensão. Desfile de roupas bonitas, exibição, competição mesmo de talentos e habilidades dos netos e bisnetinhos, cantoria, até em inglês, vejam! E a narrativa de histórias, de fatos, festas, viagens maravilhosas de que os avós nem sonharam em participar. Algumas queixas também: dores, doenças, dificuldades financeiras, mil justificativas; culpas lançadas aos outros pela grande ausência no dia a dia durante o ano inteiro. E o idoso recebe tudo isso sorridente, sem cobranças ou queixas, às vezes sem entender direito. E a festa continua... Terminada a comemoração (de quê, mesmo?) todos se vão, empanturrados, satisfeitos do dever cumprido, aliviados, com a caridade anual em dia, a consciência apaziguada, prontos para comemorarem o NATAL. (Esta história é apenas uma obra de ficção. Qualquer semelhança com fatos ou pessoas da vida real, terá sido mera coincidência.)

História

Uberlândia – Capital O coronel Carneiro dizia: “Isto aqui vai ser capital!” – Não foi, mas pensaram nisso. Por indicação de Floriano Peixoto, inseriram na primeira constituição republicana que a capital do país seria construída no planalto central, ali pelas alturas da cidade de Formoso, Goiás. Se era apenas sonho, em 1911, cogitou-se realmente dessa transferência para o miolo do sertão. O coronel Carneiro gastou pena e tinta de tanto escrever para os correligionários sugerindo que a escolha recaísse sobre a sua Uberabinha. Não recaiu em lugar nenhum. Depois o senador estadual, Camilo Chaves, pelos fins dos anos 1920, pleiteou a capital federal para o pontal do Triângulo. A constituição do ditador Getúlio Vargas esqueceu-se disso, mas o sonho voltou com força na restauração da democracia. Aí a coisa pegou fogo. Na Constituinte, o deputado mineiro Artur Bernardes sugeriu que, em vez de no planalto central, a capital ficasse no Brasil central. O que ele quis foi estender a área de localização da capital. Outro mineiro, o Benedito Valadares, restringiu a área, mas deslocou-a do planalto central para o Triângulo. Vem outro mineiro e restringe mais a área: que seja no Triângulo, sim, mas no pontal, como queria o Camilo Chaves. Aqui, e possivelmente em outros municípios triangulinos, os jornais lamentavam não ter nenhuma representação na Constituinte para brigar com unhas e dentes pela localização da capital no Triângulo. Eleito e empossado, Dutra nomeou uma comissão para escolher um lugar para a construção da capital. Parecia que ele estava com vontade. Diante da nova abertura, os municípios se expõem, cada um melhor que o outro, animados com a possibilidade de serem escolhidos. Uns apontam para cá, outros para lá, o jornal “O Diário”, de Belo Horizonte, em 1946, sugere que a nova capital seja colocada em Uberlândia. Faz uma descrição rápida da cidade, indica as vantagens que a mesma já possui e as possibilidades que ela carrega por sua localização, por sua estrutura urbana, por suas condições topográficas. Nossos políticos, nossos líderes vão atrás. E pedem aqui e justificam ali. Nossos jornais dão cobertura ao sonho da nossa gente e chegam ao cúmulo da confiança nas nossas qualidades quando acham bom que outras cidades se candidatem para sofrerem a comparação. Como Uberlândia, não tinha outra. No fim das contas, os constituintes repetem a primeira constituição: a capital iria para o planalto central mesmo. E o Dutra não construiu a sede do país. Vieram outras eleições. Getúlio, durante a campanha, chega a dizer num de seus comícios que construirá a nova capital. Onde? Em Uberlândia! Novamente os sonhos se alvoroçam. Mas o governo do Getúlio foi conturbado e acabou do jeito que acabou. Veio o Juscelino com vontade mesmo. Alguém soprou-lhe ao ouvido o nome de Uberlândia e isso chegou a mexer com as suas disposições. Mas não aconteceu nada. A capital ficou onde queria o Floriano lá em 1889. Jornais da época - Antônio Pereira da Silva

Neuza Gonçalves Travaglia - Dezembro de ... 2010, 2011, 2012 ...?

Marília Cunha

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Crônica de dezembro

Lupin

JEAN-PAUL MESTAS Com grande pesar, registro nossa despedida a um grande amigo pessoal, um grande amigo da poesia e sobretudo do Brasil, nosso país que ele tanto amou. Jean-Paul Mestas nasceu em Paris em 15 de novembro de 1925, onde veio a falecer em 24 de novembro de 2013. Viveu em Nancy e Vichy, voltando a Paris em 2010. Graduou-se em Letras e em Ciências Políticas. Foi professor de Literatura Romena, na Sorbonne, até aposentar-se. Em 1949 iniciou a publicação de sua poesia na revista Janus. A partir dos anos cinquenta, procurou conhecer a poesia latino-americana, sobretudo a do Brasil e Uruguai, dos países do Leste europeu e da Ásia, além daquela de Portugal e da Grécia. Publicou ensaios sobre a obra de vários autores, franceses como Charles Péguy , e de outros países, como Yannis Ritsos, Nichita Stanescù, Mara Guimarães, Marguerite Grépon. Em 1977, com a pintora Christiane Mestas, fundou os cadernos de poesia “Jalons”, os quais se encerraram em 2009, com o número 95, em cuja coleção traduziu

e publicou mais de 50 poetas brasileiros. Mestas é autor de quase uma centena de obras publicadas em sete países, sobretudo de poesia e ensaios, com poemas seus traduzidos em mais de vinte idiomas. Foi com grande surpresa que recebi, em 2004, do grande ensaísta português Joaquim de Montezuma de Carvalho uma cópia do ensaio do poeta luso Cristino Cortes, publicado no suplemento do grande diário “O Primeiro de Janeiro”, da cidade do Porto [Povos e Poemas, um assombro de informação e gosto ! ... Suplem. Das Artes Das Letras, 1º mar. 2004, pp. 16-17] em que o autor dá notícia de seu levantamento das antologias (livros e livretos) organizadas por Mestas, em que o poeta brasileiro mais incluído e mais traduzido é o Aricy Curvello. Não bastasse isso, Mestas organizou um livro bilíngue (Port./Francês) com meu poema mais longo “O Acampamento”, ensaios do grande crítico Fábio Lucas e dos escritores Nicodemos Sena e Dilermando Rocha, lançado por Les Presses Littéraires em 2006.

Serra, 8 de Agosto de 2006 Caro Jean-Paul, Estimo que você e Chris estejam bem de saúde e em paz. Recebi sua carta em que acusa haver chegado a suas mãos os 2 exemplares do jornal “Vaia”, comemorando o 1º centenário de nascimento do poeta gaúcho Mário Quintana (1906-2006). Fiquei sabendo que ele e o senhor seu pai, Mestas, nasceram no mesmo ano. Espero que tenha gostado de meu texto sobre o poeta, “As torturas lentas da expressão”. Hoje, envio-lhe o recorte da coluna “Diversos Caminhos”, do Zanoto, do diário “Correio do Sul”, da cidade de Varginha (Minas Gerais), de 15 e 16 de julho de 2006, 1º caderno, página 4. Eu havia remetido a ele um exemplar de “Um Mundo no Coração/ Um Monde au Coeur” e agora ele publicou uma simpática nota, mencionando você e incluindo a foto da capa do livro, bem como transcreveu o meu poema “Fluir”. Para os seus arquivos. Rosani Abou Adal fez-me uma excelente surpresa. Estampou na capa do “Linguagem Viva” um bom artigo do escritor Dilermando Rocha a respeito de “O Acampamento”, com minha foto, na sua edição de Julho deste ano. Aqui segue um exemplar. Também segue um exemplar da bela revista “O Escritor” nº 112, de São Paulo, março de 2006 , da União Brasileira de Escritores, trazendo nas páginas 90 e 91 o mesmo artigo do Dilermando Rocha (ex-professor do Centro de Estúdios Brasileños e da Universidad El Salvador, de Buenos Aires, e residindo no Brasil hoje). A foto da capa do livro editado por Presses Littéraires permite claramente ver o seu nome, Jean-Paul. Como uma lembrança para você e Chris, deste seu amigo, remeto-lhes quatro postais que foram agora editados com fotos de telas do artista plástico Hélvio Lima, que compôs toda uma série delas (“O Chão que a gente pisa”), 11 ao todo, aplicando sobre cada uma versos de minha autoria. As 3 primeiras telas receberam o 1º lugar (Medalha de Ouro) no Salão Internacional de Brasília, do Proyecto Cultural Sur, em 2001. Com a estima e a admiração do Aricy Curvello

Viagem Ane Walsh

Buyukada uma das ilhas dos Príncipes, no Bósforo, onde parece que o tempo parou no século XIX porque não transitam carros aí.

Mesquita Azul

Todo mundo brinca de domingar O dia é azul E pensa que é cinza Fugi atrás do verde. E descobri que é dia primeiro. É hora de comemorar tudo como se o próximo ano exigisse: só chega, se criarmos um clima, um estado de encerramento de etapas, conquistas ou derrotas, de ciclos buscados, mexidos ou caídos em nossa vida. Ainda não fiz minha árvore, nem meu presépio. Estou atrasada? -Como eleger este estado comemorativo dentro de mim? Resolvi, mais um ano, fazer uma reflexão. E olha o que veio: - O que foi pensar em grupo? - O que foi agir em grupo? Insisto:- o que é consciência grupal? Vi que o outro era outros e que cada um é um e eu tinha de ser muitas para minha busca acontecer, caminhar e virar um corpo. Aprender mais ainda que tudo pode ter várias faces, vários olhares, muitas possibilidades de ser, e vir a ser... Quantas vezes esperar o tempo do outro, ceder para o outro, lembrarme da justiça na hora do discernimento, ter firmeza na hora da atitude! Reconhecer que o outro oferece também-aquilo que tem e percebe. Foram tentativas de um aprendizado que me vêm visitando a consciência com flores, lágrimas e alegria! E olha o que veio no fim da tarde com uma leitura meditativa no livro “A eterna busca do homem de Paramahansa Yogananda: “Um pouquinho de tristeza, um pouquinho de prazer, um pouquinho de paz não podem criar qualquer tumulto no oceano da bem aventurança, sempre nova que inunda minha alma”. E veio mais: um sentimento de gratidão. É para continuar aprendendo... O Natal vem no dia 25, trazendo um nascimento de esperança para outros projetos, vida diferente, uma viagem, um filho, um emprego, um amor, um diploma, um sucesso, poder comprar uma casa, uma aposentadoria, uma cirurgia esperada, um outro curso, mais um objeto de consumo, um desejo qualquer, uma sonhada paz, um pouco, talvez, de tempo...

Literatura Fundinho Cultural traz versos de Manoel de Barros extraídos dos seus livros:

LIVRO SOBRE O NADA e O LIVRO DAS IGNORÃÇAS “No Tratado das Grandezas do Infinito estava escrito: Poesia é quando a tarde está competente para dálias É quando Ao lado de um pardal o dia dorme antes. Quando o homem faz sua primeira lagartixa É quando um trevo assume a noite E um sapo engole as auroras.” “Passa um galho de pau movido a borboletas Com elas celebro meu órgão de ver Inclino a fala para uma oração Tem um cheiro de malva esta manhã.” “A ciência pode classificar e nomear os órgãos de um sabiá mas não pode medir seus encantos. A ciência não pode calcular quantos cavalos de força existem nos encantos de um sabiá. “A lua faz silêncio para os pássaros, _eu escuto este escãndalo! Um perfume vermelho me pensou. (E u contamino a luz do anoitecer?)” Lourdinha Barbosa, escritora, poeta, terapeuta floral

Gente do Fundinho

Ação de Graças Pelo esplendor do sol, pela suavidade da lua, pela preciosidade das estrelas, pelas nuvens, geradoras da chuva, pela fertilidade da terra, pelas riquezas dos oceanos e rios, pela pureza do ar, pela utilidade do fogo, pela beleza do reino mineral, pela existência dos animais, pelo verde das plantações e florestas, pela inteligência do ser humano, pela perfeição do universo, pelo dom da vida, obrigada, Senhor!

Foto: Thalyson Christian

tributo

Terezinha Maria Moreira

Então, Feliz Natal nos nossos corações,

Feliz Encontro com 2014! Lourdinha Barbosa - Escritora Poeta e Terapeuta Floral

Ana Luiza Borges 16, aluna do Colégio Estadual de Uberlândia, filha de Fernando e Zilda, neta do Badeco e Maria Aparecida Oliveira

Grécia

Grécia

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Farmácia Viva Em setembro assisti a uma palestra do cirurgião buco-maxilar Ricardo F. Murta que atende no SUS de Betim. Saí impressionado com sua apresentação. Durante quase duas horas o competente dentista de um modesto centro odontológico mostrou os casos tratados por ele recentemente, desde a entrada da vítima no hospital até a cura, dias ou semanas depois. Fotos coloridas da região atingida ilustraram a apresentação daqueles traumas chocantes, oriundos de quedas, atropelamentos, doenças ou outras causas. Com paciência e didática, o palestrante explicou os procedimentos adotados em cada caso, nos fez viajar com ele pelo processo de cura de cada paciente, geralmente crianças que, ainda indefesas, são mais propensas a machucar a boca. E o mais marcante, todo o tratamento foi feito à base de extratos de plantas medicinais, nada dos antibióticos ou anti-inflamatórios comerciais. Uma verdadeira revolução para os atuais padrões de tratamento praticados no Brasil. Para não falar da economia feita com a compra de medicamentos. Acostumados que estamos com remédios alopáticos, é difícil acreditar que as prateleiras da farmácia do SUS de Betim contenham também frascos bem embalados com extratos de quinze plantas medicinais. Tanchagem, romã, calêndula, arnica, barbatimão, cavalinha, melissa, capim limão, maracujá, guaco, alecrim, alho, camomila, espinheira santa e boldo são usados no tratamento de diferentes males como amidalite, faringite, gengivite, estomatite, aftas, queimaduras, contusões, uretrites, crises nervosas, melancolia, histerismo, flatulência, ansiedade, tosse, bronquite, asma, rouquidão, hipertensão, gastrite, cólicas hepáticas, distúrbios digestivos, hipercolesterolemia, arterosclerose, etc. No pós-operatório de cirurgias bucais, barbatimão e calêndula se destacam como excelentes antiinflamatórios e cicatrizantes da mucosa orofaríngea. De alguns traumas tratados com eles nem marcas restaram, um verdadeiro milagre! Pensando bem, eu não deveria ter ficado tão deslumbrado assim, até certo ponto vivi essa realidade da medicina baseada em plantas medicinais quando criança. Meu pai tinha a bíblia sobre o assunto: A Flora Nacional na Medicina Doméstica, de Alfons Balbach. Suas receitas eram utilizadas quando necessário. Nos quintais daquela época, ao lado das verduras, havia sempre algumas plantinhas medicinais. Os vizinhos socorriam uns aos outros na carência de alguma delas. Que me lembre, até minha adolescência só tomei antibiótico uma única vez, a temida injeção de penicilina, para combater uma febre que não cedia com o passar dos dias. No entanto, diuturnamente, era com chás e unguentos à base de plantas medicinais que se tratavam as doenças. Detestava chá de arruda, mas tinha que tomar quando era atacado pelas lombrigas. O caso de Betim não é único, desde 2010 o SUS tem prestigiado oficialmente a medicina baseada em fitoterápicos do programa Farmácia Viva. Esta é uma boa notícia e mereceria ser divulgada com destaque pela grande mídia, que insiste em transmitir preferentemente notícias ruins e violentas, as quais, definitivamente, não despertam os valores mais nobres do ser humano. A Farmácia Viva é um programa completo que vai desde o plantio de plantas medicinais até a distribuição do extrato na rede pública credenciada. Cada etapa do processo conta com a supervisão de um especialista da área. O governo federal apoia, vários estados também, e, em Minas, cento e trinta e cinco prefeituras já aderiram, Uberlândia inclusive. Adesão significa financiamento e assistência técnica. A Farmácia Viva não pretende substituir os medicamentos alopáticos, ela se insere dentro das Práticas Integrativas Complementares do Ministério da Saúde, ao lado da acupuntura e outros tratamentos. Isso é muito saudável, o brasileiro tem tomado remédios alopáticos em excesso, sem se preocupar com os nefastos efeitos colaterais, que vão além da saúde, atingem também o bolso. Não devemos nos desanimar e deixar de lutar por um mundo melhor do que este que está aí. A indústria farmacêutica é poderosa, movimenta quase cinquenta bilhões de reais ao ano no Brasil, certamente seus donos não gostam de ouvir falar de extratos de plantas medicinais e farão tudo para evitar que se popularizem como antigamente. Será em vão, um mundo alternativo já está em construção, as pessoas mais conscientes têm atuado em todas as frentes para construir uma sociedade melhor. O trabalho é ciclópico e lento, pois envolve mudança cultural, mas a cada ano que passa novos contingentes da população abraçam as boas causas. O novo já se vislumbra no horizonte. Evandro Afonso do Nascimento Grupo de Produtos Naturais - Instituto de Química - UFU

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Momento

O sabor de esperar “Foi um prazer te conhecer”

É tão prático sair do supermercado e largar o carrinho na vaga do carro ao lado, como se ninguém fosse chegar para estacionar ali. E basta um carrinho atrapalhando para que os demais clientes imitem, mesmo que a distância entre o carro e o lugar onde o carrinho não atrapalhe (de preferência o lugar certo), seja de cinco passos. Vagas para pessoas com necessidades especiais ou idosos são tão respeitadas quanto não falar ao celular dirigindo. Ou seja, adesão zero. E a faixa de pedestre? Quem respeita? Outro dia meu filho, que está tirando carteira de motorista, comentou que mesmo se o pedestre atravessar fora da faixa ou no sinal vermelho, a prioridade é dele. Ao que respondi: “claro, pois o contrário disso é o atropelamento”. Coisa mais pavorosa do mundo deve ser atropelar um pedestre, um ciclista, um motociclista. Pior que isso, só ser atropelado. Numa tarde de domingo parei antes da faixa de pedestre para esperar uma galera de skate atravessar. Vários garotos, com idades entre 12, 15 anos. Eles pareceram tão surpresos por serem vistos e ganharem a prioridade, que quase todos me agradeceram. Esperei até o último, que ainda estava longe, mas que apressou o passo e passou sorrindo e acenando. Eles, assim como nós, não estão acostumados com o respeito ao pedestre. Mas gostaram. Eu também não estou acostumada com garotos rebeldes andando em bando e se portando com toda educação. Mas gentileza gera gentileza. Por ser mais velha que eles, vejo os adolescentes de nossa cidade um pouco como filhos. E acho que a cidade deveria ser como o quintal de todas as casas. Um lugar agradável, seguro, onde cada um cuidasse da limpeza, dos animais, das plantas e pessoas que nela circulam. Pessoas de boa educação proporcionam paz, segurança, alegria. Uma vez uma velhinha, ao atravessar a faixa de pedestre, sorriu e me jogou um beijo. Quase saí do carro pra retribuir o carinho. Em uma viagem recente, ao passar pelo detector de metais do aeroporto de Belo Horizonte, cumprimentei uma mulher da segurança que estava a postos, porém invisível para 99% dos passageiros: bom dia, quer dizer, boa tarde, não sei se já passou do meio dia, disse eu. E ela, num sorriso imenso, respondeu: tanto faz a hora, o mais importante foi seu gesto de atenção e eu agradeço por isso. Não sou candidata à miss boas maneiras, sou bem impaciente e fluente em palavrões. Mas fui educada para respeitar e, consequentemente, ser respeitada. Mas as relações interpessoais, andam tão mal encaminhadas, que nos colocam em situações de risco, como esta que me vem à lembrança. Depois de esperar uma brecha para poder trafegar numa avenida da cidade, fui surpreendida pela buzina de um carro que chegou bem depois de mim, e que tinha espaço de sobra para continuar sua rota. Levei um tremendo susto, e também buzinei de volta, sem nem imaginar quem era o motorista. O rapaz tinha vinte e poucos anos, e passou a me perseguir, buzinando, xingando e, detalhe: arremessando diversas vezes o carro dele sobre o meu. O que mais me impressionou foi ver que aquele garoto tem idade para ser meu filho, portanto também tem uma mãe da minha idade. Estaria ele reproduzindo comigo os (maus) tratos que dá a ela? E se eu fosse um rapaz? Teria apanhado ou fugido? Aturdida enquanto ele emparelhava o carro com o meu novamente, para continuar os insultos, eu olhei praquele rosto transtornado e falei com firmeza: “foi um prazer te conhecer”. Parece que nessa hora a ficha dele caiu. Que papel horrível estava fazendo para se impor. Então ele parou a perseguição e fez o retorno para continuar seu caminho. Só então eu notei que ele havia saído da sua rota apenas para brigar – e com uma mulher. É claro que essa não terá sido a última briga de trânsito da vida dele, nem da minha. Mas se a lembrança dele ficou para mim como o auge da falta de respeito, espero que para ele a minha lembrança traga vergonha. A falta de educação leva ao ódio e, com ele, a violência – essa doença brasileira. Para suavizar esse clima que acabou pesando, termino agradecendo sua companhia por essas linhas. E vamos passar no teste de respeito aos pedestres e às vagas de supermercado! Stela Masson Jornalista, assessora de marketing

Às vezes a gente é surpreendido por pensamentos-borboletas... Esses que pousam na cabeça de vez em quando, depois vão embora. Estava pensando em como tudo se tornou instantâneo. Você aí, eu aqui, e a gente pode se falar com um simples e-mail que chega numa fração de segundo, não? Um clic no mouse e pronto. O mundo ganhou velocidade... sim, mas acho que perdeu alguma coisa. Lembra do tempo das cartas? Cada pessoa tinha o seu jeito de escrever, uma letra que era só dela, era uma marca, uma identidade. E que delícia era receber aquela carta e reconhecer a letra de quem a gente gosta, com direito a rabisquinhos e desenhos. Dobrar o papel, colar o envelope, levar ao correio... e esperar... esperar... esperar... às vezes duas semanas para receber a carta-resposta. Perdíamos tempo? acho que não. Ganhávamos expectativa, emoção, imaginação, sonho... e o sabor de esperar. A gente tá vivendo um tempo em que tudo é rápido demais, instantâneo demais. Então perdemos a capacidade de observar o movimento da vida em sua harmonia plena e em sua beleza singular. E pra tirar fotos com aquelas máquinas analógicas... a gente comprava um filme de 12, 24 ou 36 poses (aqueles rolinhos pretos). Tinha de escolher bem o que fotografar, clicar com cuidado pra não perder a foto. Quando terminava o filme, era preciso rebobinar e levar pra revelar. Buscava só no dia seguinte. Escolhia as melhores fotos pra colocar no álbum. E quem faz álbum hoje? Uma máquina digital nos permite tirar mais de mil fotos com um chip. Descarregamos tudo no computador e depois tiramos outras mil fotos. Fotografamos então qualquer coisa. O que não ficou bom é só deletar. Fácil, não? O problema é que ficamos tão encantados com esse novo verbo, que saímos por aí deletando tudo: as coisas e as pessoas. Certa vez fizemos uma viagem de trem (irmãos, amigos...). Ele, o trem, saiu das montanhas de Minas em direção ao mar. Foram 18 horas serpenteando o Vale do Rio Doce - janelas abertas para os arvoredos, para o pôr-do-sol e para o revoar das garças sobre as várzeas. Não sei se essa linha ainda leva gente; me disseram que só passeiam coisas: minério de ferro, carvão, combustível, coisas assim. Afinal (devem pensar), pra que ficar balançando por 18 horas sobre os trilhos se um avião nos leva para o mesmo lugar em apenas uma hora? A questão é que hoje importa chegar, não viajar. Acontece que para nós, mineiros, amantes dos velhos trens, o mar acaba perdendo um pouco do sal quando nele se chega sem viajar, não é verdade? Definitivamente: ganhamos velocidade para tudo, mas perdemos o encanto de ver as coisas acontecerem devagar, como o lento abrir de uma rosa, o erguer silencioso da lua pela noite escura, ou ainda o cuidadoso entrelaçar dos gravetos de um ninho. Não temos mais olhos para nenhuma coisa pequena, nem paciência para o que demora. Na hora do almoço, engolimos a comida em 15 minutos com a TV ligada e ainda pensando na agenda da tarde. Esquecemos de como se faz uma coisa de cada vez e de estar inteiro em cada coisa que fazemos. Perdemos o paladar, perdemos diariamente a chance de apreciar o sabor de cada alimento que nos fortalece o corpo. E... que pena, já estamos perdendo também aquilo que nos ensinaram quando pequenininhos e que nunca deveríamos ter esquecido... nunca: agradecer ao Papai-do-Céu por tudo. Enfim, já não sabemos mais como é o sabor de esperar: esperar a revelação do filme... a resposta da carta... o encontro com o mar. Ganhamos tempo?... Não, não creio. Nós o perdemos. Perdemos o tempo, o trem e a poesia. (Alexandre Heilbuth)

Foto: Léo Figueiredo

Foto: Léo Figueiredo

e imprensa

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Pesquisa

Café de origem: Sabores e Sentidos

O Pequeno Príncipe e o bairro Fundinho A história estuda a vida do homem ao longo do tempo. Ela serve para analisar o que os indivíduos fizeram, pensaram ou sentiram enquanto sujeitos sociais. Essa prática não busca apenas reconhecer a diversidade de olhares possíveis sobre o passado, mas quer entender mais a respeito de tudo em uma determinada época. Um dia desses, enquanto eu e minha filha, Pamella Sophia, passeávamos pelo bairro Fundinho tive a sensação de que, ao contemplar as antigas residências agregadas nesta região, voltei ao passado quando era uma menina de dez anos que ia e vinha circulando por esses lugares com a infindável curiosidade sobre as pessoas e os contextos de cada edificação histórica do lugar, uma indiscrição análoga a de um conhecido personagem do livro escrito por Antoine Saint-Exupéry: “O Pequeno Príncipe”. Disso, minha querida (e tão mais curiosa que eu) Pamella sorriu e disse que eu estava “viajando acordada, sonhando com os velhos tempos”. Mas, na verdade, comecei a relacionar de maneira quase metódica o contexto da obra de Saint-Exupéry com o cenário histórico do Fundinho. O que isso significa? Bom, o principezinho sou eu e todas as pessoas que amam o Fundinho ou já tiveram alguma relação de vivência com este lugar. Esse espaço é igual ao planetinha do Pequeno Príncipe, algo somente dele, ou seja, subjetivo como o mundo que cada um cria para si. O Fundinho possui essa perspectiva na vida de quem mora lá, trabalha, estuda ou simplesmente passa por ele. Contudo, a cada casa, edifício ou praça que vai-se percorrendo o sentimento é único para cada um. Ao longo da história de Uberlândia, esse bairro representado através de pessoas e movimentos políticos, culturais, entre outros, criou uma personalidade autêntica. O personagem do livro não é nada mais que a personificação da infância do próprio escritor e que busca mostrar como é importante manter um pouco de inocência e curiosidade ao direcionar o olhar a lugares tão especiais como os que se localizam no Fundinho. Dessa forma, o garotinho da história faz amizades facilmente com vários personagens de perfis bastante peculiares durante sua viagem, assim como quem passa pelo Fundinho tem a oportunidade de interagir com os protagonistas de diversas personalidades, estereótipos e ocupações, peças fundamentais que compõem o cenário autêntico desse lugar. Portanto, conforme a sabedoria expressa pelo Pequeno Príncipe em um dos trechos do livro: “O essencial é invisível aos olhos”, a produção de histórias do bairro Fundinho semelhantes ou não às da obra de Antoine Saint-Exupéry são construídas constantemente há mais de cem anos por múltiplas vozes e perspectivas, variados suportes e documentos, e isso contribui com a criação do conhecimento histórico, principalmente, no âmbito da sociedade de maneira geral e com isso, marca a identidade deste local. Janaína Naves - Jornalista.

3214-4603

Av. Afrânio Rodrigue da Cunha, 586 Pertinho do Praia Clube

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A cena gastronômica, propulsora da boa mesa e boa bebida, tem difundido e incentivado a procura pelos cafés de qualidade. São consumidores atentos e interessados na degustaçãode cafés. A mídia, por sua vez, tem trazido à baila o assunto, explorando o tema. Na última década, ocorreu um período dinâmico para o mercado dos cafés no Brasil. Vimos surgir as aconchegantes cafeterias cada vez mais especializadas,bem como algumas novas profissões aliadas ao segmento, tais como os Baristas,“CoffeesHunters”,“Q.Graders”, dentre outras . O crescente interesse do público por cafés finos, especiais, gourmet revela aquecimento do setor. Acompanhando esse novo cenário, os Cafeicultores e Produtores brasileiros lutam, dia a dia, pela aquisição das Certificações de Excelência em busca de práticas corretas do solo, de políticas sócio ambientais da ética e do comércio justo. Por fim, a busca por selos que atestem o percurso do café do plantio à xícara passando pelo rigoroso processo de beneficiamento. Em meio a tantos fatores, existe um que, atualmente, é destaque nos cenários nacional e internacional: a origem do café. A qualidade e características sensoriais dos cafeeiros (plantações) se baseiam, notadamente nos seus terroirs, vocábulo hoje muito utilizado nos meios e ambientes de cafés, objetivando associação do produto à sua origem. Terroir costuma ser definido pelos especialistas como sendo um território onde a geografia, a geologia e o clima interagem favoravelmente com a genética de determinada planta, resultando num produto de qualidade excepcional. Os produtores de vinho, no mundo inteiro, já usam tal conceito há milênios e, hoje, tomamos emprestada a terminologia para atribuir a outros produtos agrícolas, como chá, chocolate e azeite. O que é produzido em um terroir ganha direito de ter uma Denominação de Origem (DO) o que valoriza sua qualidade e preço. O terroir influencia as características de sabores. Alguns cafés ganham predominância de acidez alta ou moderada. Outros, de sabores amendoados, de florais ou, marcadamente frutados, caramelizados, achocolatados. É, portanto, essa espécie de “carimbo”, de marca que atesta sua qualidade e que está vinculada à cultura e a história do local que a detém. Felizmente, o Brasil acordou para a busca e valorização dos cafés de alta qualidade e sabores singulares. Em se tratando do setor cafeeiro, a primeira Indicação de Procedência (IP) obtida no Brasil foi a região do Cerrado Mineiro, conquistada em 2005, após dez anos de árduo trabalho. Assim, a conquista tornou-se um marco na história da cafeicultura nacional e referência para as demais regiões brasileiras que, atualmente, lutam por suas Indicações Geográficas (Igs). O registro ajuda a reconhecer a importância de nossa microrregião e a protegê-la. Outros benefícios conquistados referem-se à promoção de desenvolvimento sustentável e transformação conceitual e qualitativa da região. A do Cerrado ganhou distinção e notoriedade. Houve aumento das exportações em 50% de ágio no mercado americano, europeu, japonês e australiano. No aspecto social, a obtenção da Indicação de Procedência, do Café do Cerrado Mineiro, promoveu e promove a cadeia produtiva do café, estimula a fixação do homem na terra,contribuindo com acrescente e ambiciosa qualidade da bebida. Então? Que taldegustar a singularidade de nosso café com mais entusiasmo e orgulho? Caprice Cerchi Borges- Apreciadora de Cafés, Q. Grader pela SpecialtyCoffeeAssociationofAmerica ( SCAA), Torrefadora.

FONE/FAX: (34) 3217-0590 Endereço: Av. Juscelino Kubitschek, 1385 B. Dona Zulmira - Uberlândia - MG e-mail: marmomax@megaobra.com.br

Miniconto Djanira Pio Mirava-me no espelho com imenso prazer: éramos cúmplices. Ele devolvia a imagem que eu tinha de mim, nos respeitávamos. Depois ele foi se estragando. Limpei-o com álcool, tratei-o com desvelo, mas não pensei muito nele. Foram muitos os chamados e o tempo foi fazendo sua vez. Um dia suspirei e voltei a ele. Lá estava meu antigo espelhinho, maltratado e quase desnecessário, eu trazia na memória a minha imagem. Ao mirar-me nele houve um incidente: o espelho refletiu desdenhosamente uma outra pessoa. Estranha e inexata. Afasteime e voltei. A mesma coisa se deu. Lá estava aquela estranha usando meu lugar no espelho. Ele trocara o meu afeto de maneira silenciosa. Então atirei nele o único presente que ganhara em toda a vida: uma escova de cabelos. Ao ser atingida, a estranha fez mil caretas dolorosas e o espelho traidor se estilhaçou. Eu não preciso dele mesmo, já me conheço. Eis-me aqui, sem nenhuma necessidade de espelhos traidores, aceitando o que for necessário aceitar. Do livro de minicontos O Tamanho da Vida Djanira Pio

O Tamanho das Pessoas... Os Tamanhos variam conforme o grau de envolvimento... Uma pessoa é enorme para ti, quando fala do que leu e viveu, quando te trata com carinho e respeito, quando te olha nos olhos e sorri. É pequena para ti quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade, o carinho, o respeito, o zelo e até mesmo o amor Uma pessoa é gigante para ti quando se interessa pela tua vida, quando procura alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto contigo. E pequena quando se desvia do assunto. Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma. Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos da moda. Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas. Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande. Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo. É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. O nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de acções e reacções, de expectativas e frustrações. Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente torna-se mais uma. O egoísmo unifica os insignificantes. Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande... é a sua sensibilidade, sem tamanho... William Shakespeare . Suami Portinhal - facebook

Gente do Fundinho

Nisa Morais Macedo

Nisa Morais Macedo é natural de Santa Rita do Paranaíba, hoje Itumbiara, no Estado de Goiás. Veio morar em Uberlândia, e no Bairro Fundinho, na Rua Coronel Manoel Alves construiu sua casa e se instalou com o seu esposo Joaquim Custódio Macedo, o Quinzote, que faleceu há quinze anos. No Bairro Fundinho criou os seus filhos em feliz convivência com os amigos e vizinhos, estabelecendo uma relação de amor com o Bairro. Alegre e bem humorada, dona Nisa, taurina, de 9 de maio, com uma voz notável, adora cantar e dançar. Já fez parte do coral da capela Nossa Senhora, acredita que vale a pena ser otimista sempre, e a felicidade é viver de bem com a vida. "-O meu marido tinha uma fazenda em Itumbiara, uma loja de secos e molhados, que a gente chamava de “venda” de gêneros alimentícios e outras mercadorias. Depois vendemos tudo lá e nos transferimos para cá. Os meus pais também vieram de mudança para cá e moraram nesta mesma rua onde viveram muitos anos. Estudei interna no colégio Nossa Senhora das Lágrimas em Araguari, de onde só saí para casar-me. No cinema, em Itumbiara, conheci o namorado que se tornou meu marido, o Quinzote. Em vez de continuar os meus estudos minha mãe orientoume a fazer meu enxoval. Tenho três filhos que são uns amores. Elizabeth, que é esposa do Reginaldo Guimarães, mora em São Paulo e é uma artista plástica. Bernadete que também é artista plástica, mora aqui em Uberlândia e é esposa do Ari de Souza. As minhas filhas são muito habilidosas em tudo o que fazem. O Francisco, meu caçula formou-se em engenharia, mora em São Paulo e é casado com a Heloísa. Não podemos mais nos reunirmos aqui em casa porque a família está muito grande e todo mundo tem os seus afazeres. Mas os meus filhos sempre vêm aqui e se hospedam comigo. Sempre morei no Bairro Fundinho e amo morar aqui, onde tenho ótimas amizades. Sou vizinha da Valdomira que é prima do Quinzote, somos ótimas amigas de gritar prá lá e prá cá contando as novidades. Ela também já não tem mais o Hélio, como eu que já estou viúva faz algum tempo. Gosto muito da decoradora Moabe, minha

vizinha e amiga. Acho que o Fundinho se desenvolveu muito! Quantas coisas não existiam no bairro e que hoje existem! Hoje há um grande movimento por aqui, mas todos os vizinhos sempre foram muito bons conosco. Éramos muito amigos do senhor Juca Ribeiro e dona Nídia, primos do Quinzote, que moravam na esquina da Rua Bernardo Guimarães com a Rua Cel. Manoel Alves. O senhor Juca Ribeiro doou o terreno para a construção do antigo estádio de futebol. A Berenice Carneiro é uma ótima amiga que eu tenho e que já não mora mais aqui no Fundinho e hoje mora em Caldas Novas. A Helena Marquez e a dona Duquinha são também queridas amigas. Cantei no coral da igreja junto com a Sônia, a Bernadete e a Terezinha. Graças a Deus tenho sido feliz e tudo foi muito bom para mim. As coisas sempre correu muito bem em meu caminho. Nunca me faltou nada, tive aquilo que pude, sou controlada diante da vida com os meus ótimos filhos e inúmeros netos e bisnetos, que fazem a minha vida ser cada dia mais feliz. Gosto muito de ler. Estou terminando de ler “Conversando com Nostradamus” e o próximo livro é “Emoções do divã”, de Eduardo Mascarenhas. O livro que mais gostei foi “O melhor de Aghata Christie”. Dos autores brasileiros o que mais gosto é Machado de Assis. Adoro poesia e declamava no colégio. Tenho um caderno onde escrevi as poesias que mais gosto."

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Destaque - Marciano Vasques

Teatro

Valores da Literatura Infantil são Universais Valores universais estão presentes numa literatura que fala de utopias, de virtuosas vidas, dos mais profundos sentimentos da alma, como a vaidade, e das contradições da personalidade. Deixando para as gerações os povos que não morrem e as travessias de vidas grandiosas como modelos do espírito generoso da imaginação e da fantasia. Uma literatura muito antiga. Feita de lobos, meninas, gatos espertos, soldadinhos, sapos, princesas... Escrito a partir de diversas fontes da antiguidade, e tendo como fundo a oralidade camponesa, em 1023 surgiu na Europa um conto latino intitulado: Fecunda Ratis, escrito por um Egbert of Lièges. Que fala de uma menina com um capuz vermelho, levada por um lobo para alimentar os filhotes. A menina e o lobo permaneceram no imaginário das pessoas, em povoados e vilarejos através dos tempos. E o conto reaparece em nova versão, de Charles Perrault, publicada em 1697 numa coletânea, e em torno de um século depois, pelos Grimm, também modificada em alguns aspectos. Com os irmãos pesquisadores ele ressurge numa das versões mais conhecidas pelas crianças, na qual o estômago do lobo é preenchido com pedras, como acontece no mito grego do devorador. Várias versões da Menina do capuz vermelho nos chegam através dos tempos. No século XX, Guimarães Rosa aparece com “Fita Verde no Cabelo”. Uma jovem caminha pela floresta e encontra lenhadores. A poética de Guimarães se expressa com intensa força nesse texto. Chico Buarque traz uma menina que de tanto pronunciar a palavra lobo acaba invertendo-a para bolo e assim perde o medo. O medo é uma das forças desse conto mítico que surgiu nos primórdios para orientar as meninas. Mas, por que em plena era tecnológica essas histórias exercem tanto fascínio? Por que uma menina com a capa vermelha sempre encantou as crianças? E continua exercendo o mesmo misterioso fascínio hoje, ainda quando uma indústria milionária diz que “Deu a Louca na Chapeuzinho”? Um dos contos clássicos mais ricos é O Gato de Botas. No original, distante da versão cinematográfica. O gato estufa a alma do feiticeiro com elogios. São tantos que o mágico não resiste. A força dos elogios é medonha. Um descaso para consigo, um descuido, e o feiticeiro é vencido. O ardiloso gato pede para que ele se transforme num rato. Totalmente dominado pela paixão dos elogios, o feiticeiro é engolido pelo sagaz felino. A lição? A vaidade. Zele por ela! Não se deixe dominar. Não se permita inflar pelo excesso de elogios. Esse mesmo tema da vaidade aparece em fábulas como a da raposa e o corvo: “O grande, o maior cantor da floresta, o da mais bela voz de todos os tempos”. O sapo príncipe: Um dos mais extraordinários contos para crianças. “Se você me deixar dormir na sua caminha, eu pego a

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bola pra você! Tem que me prometer que poderei comer da sua comidinha”. A princesa, no desespero, faz o que o ser humano costuma fazer: promete o que não poderá cumprir. O mesmo acontece com a mãe da Rapunzel na noite dos rabanetes. Prometeu, tem que cumprir! A bruxa retornará para exigir o cumprimento. O belo conto do sapo ensina esse valor universal. O valor da palavra. Ela tem que ter a força de um Cartwright (Antigo seriado Bonanza, no final da década de 50). O rei é o pai. E o pai diz assim: “Minha filha, você prometeu. Agora tem que cumprir. Deixe o sapo entrar. Você deu a sua palavra.” Palavra não é coisa que se pode dar em vão. É preciosidade. Inestimável tesouro. A princesa aprende. O soldadinho de chumbo. Que maior e mais trágico amor pode haver do que o seu pela bailarina de papel? Nem Tristão e Isolda. Nada se aproxima da grandeza desse amor. E a persistência? É isso que nos ensina esse bravo soldadinho. Com sua ética impressionante: ele se nega a pagar o imposto injusto cobrado pelo ratão do esgoto. Dá-lhe! Um inesgotável manancial de valores universais. Assim é a Literatura Infantil. E não poderia faltar o príncipe. Ele é necessário sim. Trata-se de utopia. A literatura infantil em sua trajetória nos fala de utopias. E uma delas nos traz o príncipe e a princesa. O príncipe é sempre virtuoso. Não importa que na vida real não o seja. E quase nunca o é. Mas nos contos ele é virtuoso, pois é o referencial para a criança, é mais do que isso. É a utopia de povos que sofrem. O príncipe nos resgatará. Por isso se apresenta em virtude, na vida em retidão. Isso é o príncipe. E a princesa é também isso, uma utopia. Quem não quer ter a sua princesa? Cada qual com a sua. A princesa é necessária como um norte, um símbolo, e ao se lutar por ela, estamos diante de um sonho, um ideal, que é então algo diferente de utopia. Ela pode ser, por exemplo, a Literatura, na vida de alguém. O sonho de se tornar poeta. O sonho da Poesia. Disse uma professora: Quem não quer ter o seu príncipe? Sim, isso não significa ficar esperando passivamente pela sua chegada. Mas ter a crença de que ele virá. Alguém virtuoso. Só a vida em virtude vale a pena. Esse é o referencial principal, e principal vem de príncipe. Nossas contemporâneas crianças, às vezes, por conta das circunstâncias, se apegam com referenciais nada elegantes nem promissores. Referenciais da truculência, da força bruta, até. A utopia está presente num conto alemão, recolhido da oralidade dos vilarejos pelos irmãos Grimm. O clássico João e Maria. Sim, crianças eram abandonadas na floresta por seus pais que não podiam sustentá-las. É assim com os dois irmãos. E onde entra a utopia? Eles encontram na floresta a casa coberta de doces e caramelos. É a mesma utopia que surge nos momentos de grandes aflições e sofrimen-

tos, como na terra prometida onde jorra coentro, ou nos caudalosos rios de vinho ou nas salsichas que caem das árvores. Alemanha, e tantos outros países e épocas. Quantas vezes a utopia se fez necessária, para a própria sobrevivência! Princesas loiras! Reclamam intelectuais e acadêmicos. Sim, pois são europeias. Só por isso. Se fossem africanas ou asiáticas, não seriam loiras. Mas são princesas. E esse ideal maravilhoso da utopia na Literatura Infantil nada tem a ver com a vida real. Não são princesas de um mundo real. São símbolos de um mundo encantado. E dizem: as princesas ficam sempre esperando pelo príncipe. Ocorre que pela princesa o príncipe atravessa os continentes. A literatura de todos os tempos está repleta de exemplos nos quais príncipes enfrentam mundos, como no caso de Tristão e Isolda. Por causa da dona de um fio de cabelo, Tristão travou gigantescas batalhas. É sempre assim. Essa é a vida que nos chama, e que a literatura, todas elas, e principalmente a infantil, nos acena, nos pisca, nos indica de forma tão gentil e caudalosa. O “Foram felizes para sempre”. Algo que nada tem a ver com o sentido ocidental cristão de “Para sempre”. Não é dessa eternidade que falam os contos clássicos. Esse “para sempre” seria o momento vivido, e esse momento que passa e que se vive é eterno. De forma simplificada podemos entender que esse “Para sempre” será eterno no momento da felicidade. A eternidade tal como costuma ser entendida, seria tão enfadonha quanto o paraíso. Por isso os contos clássicos nos falam de travessias. A jornada do príncipe para encontrar a sua princesa é sempre uma travessia. Ele atravessará por todas as dificuldades até romper a cerca de espinhos que protege a sua bela adormecida, tal como os espinhos protegem como soldados a formosura da rosa, chamada de rainha das flores, que necessita de um exército para a preservação da beleza. É a Literatura Infantil clássica necessária para as crianças em nossos dias? Mais do que nunca. Tão necessária como as cantigas, também por muitos, acusadas de politicamente incorretas. Ora, tem muita violência nos contos clássicos infantis, diriam. Onde já se viu abrir a barriga do lobo ou uma bruxa dançar descalça na brasa até morrer? Ou as duas crianças assarem a bruxa viva no forno? Esses contos sofreram suas transformações através dos tempos. Muitos originalmente foram escritos para adultos. Hoje são infantis. São ainda a melhor opção para a criança, vítima da insensatez que atinge seu universo, através de letras musicais imbecis, e outras tantas desfaçatezes. Uma das melhores formas de proteger a criança da mediocridade é entregar em suas mãos um livro clássico de Literatura Infantil. Marciano Vasques - É autor de “O Voo de Pégaso” e outros livros. Formado em Filosofia, Pedagogia e com Pós em Literatura Infantil.

Horóscopo 2014 ÁRIES: Favorece viagens,expansões em todos setores, exageros, busca da verdade.....cor: azul celeste nº sorte: 3 apoio: leão, libra, parcerias

Azul-poesia

TOURO: Favorece sucesso, prestígio, transformações, perdas necessárias, cor: verde nº sorte: 1 apoio: virgem, capricórnio, parentes GÊMEOS: Favorece convivência social, comunicação,intermediações, solidariedade, cor: azul anil nº sorte: 7 apoio: libra, leão, família CÂNCER: Favorece equilíbrio entre sonho e praticidade, empatia,artes, trabalho, cor: grená nº sorte: 5 apoio: escorpião, virgem,parentes LEÃO: Favorece trabalho, iniciativas, decisões, perfeccionismo, liderança, cor: vermelho rubi n sorte: 9 apoio: touro, gêmeos, parentes VIRGEM: Favorece finanças, bens materiais, heranças, assuntos de familia, cor: branco nº sorte: 2 apoio: virgem,touro, escorpião,familiares LIBRA: Favorece intermediações, comunicação, agilidade mental e física, cor: amarelo nº sorte: 5 apoio: aquário, áries, amigos ESCORPIÃO: Favorece vida caseira, finanças, heranças, emotividade, prudência, cor: verde nº sorte: 6 apoio: virgem, capricórnio,parentes SAGITÁRIO: Favorece brilho social, poder, liderança, iniciativas, renovação de energias, cor: laranja nº sorte: 1 apoio: gêmeos, llibra, amigos CAPRICÓRNIO: Favorece equilíbrio entre praticidade e fantasia, detalhes e visão ampla, cor: grená nº sorte: 7 apoio: capricórnio, virgem, parentes AQUÁRIO: Favorece convívio social,parcerias,solidariedade, originalidade, cor: rosa nº sorte: 4 apoio: gêmeos, sagitário, parentes PEIXES: Favorece transformações, perdas necessárias, prestígio, paixão, cor: castanho nº sorte: 9 apoio: touro, virgem, escorpião, parentes O milho, sem transgênicos, é bom alimento, de proteína....repleto; diminui o sofrimento de seu corpo e aura, por completo IVONE VEBBER http://vone333.no.comunidades.net

Pense

Pedro Paulo Rangel e Eva Wilma em Azul Resplendor

Uberlândia vive um novo e interessante capítulo de sua história cultural. Não que todas as dificuldades históricas de se fazer cultura tenham desaparecido de uma hora para outra, definitivamente não. Entretanto, o pleno funcionamento do Teatro Municipal nos mostra que um capítulo iluminado está sendo escrito a todo vapor e sua ambição maior é deixar marcado de uma vez por todas, o nome de nossa cidade no circuito nacional das artes cênicas. A última emoção deste capítulo ainda em construção refere-se ao espetáculo “Azul Resplendor”, texto do dramaturgo peruano Eduardo Adrianzén, direção de Renato Borghi, grande nome do teatro brasileiro, e Elcio Nogueira Seixas. O palco do Teatro Municipal recebeu Eva Wilma, Pedro Paulo Rangel, Dalton Vigh, Luciana Borghi, Luciana Brites e Felipe Guerra para uma noite de homenagem aos 80 anos de vida e 60 de carreira de Eva Wilma. A escolha do texto partiu da pesquisa sobre o teatro latino-americano realizada pelos diretores, que visitaram nossos vizinhos e colheram um riquíssimo material sobre a dramaturgia dos países e suas peculiaridades, o que vem se desdobrando em projetos, como a montagem de “Azul Resplendor”, e outros que ainda serão lançados. Homenagear Eva Wilma e sua carreira brilhante é acima de tudo também reverenciar o teatro, essa proposta norteia toda a encenação, se desenvolve como uma metalinguagem sofisticada, pois encontra nos atores, principalmente nos mais experientes, a sustentação necessária para a verossimilhança dos acontecimentos que envolvem os personagens e a realidade nua e crua dos profissionais de teatro e da cultura em geral. A metalinguagem é ainda mais poderosa quando se torna uma metáfora da vida em si, a chama de um fósforo que começa com a mágica da luz,

avança para o fogo intenso, potente, até que, aos poucos, o calor se desvanece, e quando menos se espera, surge um azul semelhante ao usado para anoitecer os palcos, para assim chegar ao fim inevitável, seja do espetáculo ou de uma existência. Esta imagem poética é impactante pela simplicidade, está colocada no início e no fim do espetáculo. O ofício do teatro é a própria metalinguagem da vida, isto porque, fazer teatro, estudar teatro, ver teatro nos liga diretamente com a efemeridade da vida e somos convidados a buscar em nós a melhor maneira de lidarmos com isso. O conflito de gerações entre os personagens Blanca Estela Ramirez (Eva Wilma), Tito Tápia (Pedro Paulo Rangel) e os demais jovens atores, também é um tema bem exposto pela encenação, nos faz refletir como esse embate acontece no dia a dia em todos os setores da vida humana. O velho que é facilmente descartado para dar lugar ao novo, ao dito revolucionário, e muitas vezes sem nenhum embasamento que o qualifique, apenas a falsa pretensão da jovialidade de tudo querer modificar sem a sábia visão do amanhã. Acredito ser importante deixar registrados momentos como este vivido por todos que estiveram presentes nas apresentações de “Azul Resplendor”, pois vai além de apenas ter a oportunidade de conhecer pessoalmente o trabalho de atores consagrados e que costumamos ver pela televisão. É uma experiência mais profunda quando temos a real noção de que aquele momento da encenação não volta, mas suscitou em nós espectadores, questionamentos, dúvidas, lembranças, vitórias, fracassos e como o tempo vai nos auxiliando a colocar tudo em seu devido lugar. Eduardo Humberto Ferreira Ator, graduado em Teatro (UFU) eduardohumbertof@yahoo.com

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Memória Mandela e o mundo

Saúde familiar Helena Ortiz

Pelo tempo que existo, é natural que tenha hoje guardados em mim mais mortos do que vivos. E dos ídolos, foi-se agora o penúltimo. Nelson Mandela, última representação da esperança de paz e de entendimento entre os homens. É possível que muitos tenham o mesmo desejo ou crença, mas não um como Mandela, que veio com papel definido, como nascem os grandes. Chegam com a força de espírito que tudo suporta e consola, e ainda oferece à causa 27 anos da própria existência. Ainda ontem, quando soube de sua morte, quando ouvi na televisão as palavras de conciliação que a mídia editou, também ouvi os gritos em Soweto, perseguidos pelas armas e ódio brancos. Mandela, no entanto existia. Preso, incomunicável, era também um silêncio de coragem. E essa coragem lhe era retribuída pela resistência do povo segregado. Há tempos ele vinha sendo o líder na busca da liberdade. Já havia mostrado que sua luta era um destino assinalado. A trajetória se assemelha à de Gandhi, no que se refere à busca do entendimento. Os inimigos - os mesmos. Sempre os brancos, com sua sede de dominação e superioridade. Há pouco tempo os índios tentaram entrar no Palácio em Brasília e foram rechaçados. Por que esse descaso com os índios? Significa dizer com a natureza, com a ciência, com a saúde, com a cultura. Os índios hoje são tão poucos que tudo se resolveria a contento se alguém quisesse corrigir o erro, alguém que pensasse sinceramente no bem desses brasileiros que, afinal, já estavam aqui quando Cabral chegou. Foi a primeira mentira inventada para a nossa história. Quem pode descobrir o que já está povoado? Cada país vive as suas mentiras. A nossa é dizer que o País não é racista, mesmo tendo à frente a crueldade com os índios e as estatísticas do sistema prisional quanto à escandalosa maioria negra. O que não temos mesmo é alguém que se faça ídolo, tão grande e justo que não pairem jamais dúvidas sobre seus objetivos. Alguém que honre a própria história e a história do mundo. Não temos. O que temos é muitas montanhas a escalar. Oportuna Crônica da notável escritora Helena Ortiz poeta (Blog Integrada e Maginal) para lembrar Nelson Mandela este grande home recém desaparecido.

Foto: Isabela Lima

Gente do bem

“De minha parte, eu não sei nada com certeza, mas a visão das estrelas me faz sonhar!” Vincent Van Gogh

Terapia de ponto de origem Para curar doenças e aliviar dores SACO DE FEIJÃO QUENTE O feijão, além de não deixar o brasileiro passar fome, ainda pode curar doenças e aliviar as dores no corpo. Simplesmente, ensacar qualquer tipo de feijão cru e esquentar no micro-ondas. Para 1 quilo de feijão precisamos de 3 minutos para esquentar, 1 quilo e meio, quatro minutos. Costurar o feijão em várias divisões para distribuir por uma área maior. Pode-se fazer vários tamanhos com maior quantidade de feijão para se usar em diferentes áreas do corpo e em diversas situações. Para 1 quilo e meio de feijão ensacar em 20 divisões de duas fileiras de 25 por 45 centímetros. Este formato pode cobrir o pescoço, os ombros, a vértebra e os quadris. Quem utiliza esta técnica do “saco de feijão quente”, que é muito reconfortante, utiliza-a frequentemente, e vai querer utilizá-la sempre. A função do feijão é passar o calor de micro-ondas para o nosso corpo. Todos precisam do calor extra, especialmente, os idosos, as pessoas com câncer, os bebês e os prematuros. Quando chega o inverno acontecem mais infartos, derrames, e morrem mais pessoas idosas pela ausência da energia corporal. Colocar um saco de feijão quente na região lombar e nos quadris pode aliviar e curar as cólicas menstruais, as dores na barriga, a diarreia, a dor nos joelhos, nas pernas e em outros locais do corpo. Colocar o saco de feijão quente na região torácica pode aliviar asma, a dor no peito e na panturrilha. Dormir, aplicando o saco de feijão quente no corpo tira a insônia e reduz a frequência de idas ao banheiro, de quem precisa levantar-se várias vezes para urinar durante a noite. O secador de cabelos pode também servir como fonte de calor. Qualquer coisa que pode fornecer calor de imediato pode ser utilizada. Dr. Wang Min Hsiung

Foto Arte

Velhos tempos

Fundinho 2013 Paulo Augusto

Realmente esse Armazém Lisboa ficava na esquina da Rua Benjamin Constant com a Av. Cesário Alvim. Atrás do armazém, ficava a máquina de arroz do Sr. Rafael Felice (meu tio). O bambuzal que se vê à frente era onde hoje se situa a Delta Imóveis, onde também foi a choperia Chopão. A linha de trem é hoje uma das pistas da João Naves, sendo que a outra pista era anteriormente a Rua Buenos Aires. César Augusto Campos A rua à direita era a antiga Uberaba e a da esquerda, esquina da Cesário Alvim e Benjamim Constant. João Naves de Ávila foi construida depois da retirada dos trilhos da E.F. Mogiana. Durval Teixeira

Concertos Inesquecíveis Em 2014 o

X Festival de Cordas Nathan Schwartzman, A realização musical de Uberlândia

Rua Santos Dumont, 387 - Fone: 3234-2779 - Uberlândia - MG

Memória

JEAN-PAUL MESTAS EM TRÊS POEMAS

Livro

Seleção dos poemas: Selmo Vasconcelos

Sobressalto Ana Luiza, Maria Teresinha e Maria Luiza

Maria Teresinha de Jesus Lima,

natural de Uberlândia-MG, bairro Martins, é Assistente Social, aposentada de sua função no INSS, foi brilhante aluna do Colégio Estadual de Uberlândia (Musel). Efetiva colaboradora e incentivadora do Jornal Fundinho Cultural, Maria Teresinha é pianista, divulgadora da cultura, e sempre fez parte deste projeto com sua credibilidade e palavras de incentivo à preservação da memória da cidade. Ligada ao Movimento Espírita de Uberlândia exercita diariamente a fraternidade e o amor ao próximo.

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Agora podemos ir Christiane Mestas, Selmo Vasconcelos e Jean-Paul ao encontro do amanhecer com os farrapos das nossas noites. Os prazeres esperam-nos Florestas tão jovens como no começo quando lhes oferecíamos um rosto As florestas são de vidro. poupado pelas rugas. Ouvimo-las tocar E o amanhã vestiu já quando a tarde solicita as folhas o seu fato de primavera. conduzindo a noite aos lobos. Acontece que vindo de outros Poema do silêncio prolongado tempos um enforcado estica um pé Foi isto que aconteceu: e espreguiça-se como um outono Antes precisamente de morrer ainda na defensiva. os homens partiram. Então as fontes animam-se. E a terra permaneceu cansada indiferente.

Mestas

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Crônica Por praças e caminhos da minha cidade...

Gosto de caminhar pela cidade. É minha atividade preferida do domingo. É quando não há tantos carros, tanta pressa, tanta preocupação perambulando por calçadas e mentes. Há um pouco sossego e um pedido para percorrer quarteirões do centro e de bairros distantes. Começo pelos cantos do bairro Fundinho. Ruas estreitas, casas antigas que resistem outras nem tanto. Vejo árvores que me acompanham desde a infância, outras desapareceram. Sem explicação foram arrancadas de onde haviam criado raízes. Nessa mistura de nostalgia e observação aguçada chego às praças. A Clarimundo Carneiro com seus bancos que vão além do descanso, convidam para a prosa, namoro ou simplesmente para a contemplação. Do coreto à imponência do museu ao ipê que sempre surpreende quem vai passa por ali. Desço até a Coronel Carneiro com gente caminhando com seus bichinhos de estimação, crianças em suas bicicletas ou jogando bola com o pai, a banca de revistas tão

necessária ao cenário assim como a Casa da Cultura e o colégio, arquitetura presente independentemente dos anos que avançam. Volto e subindo um pouco mais atravesso a praça da Museu, Escola Estadual de Uberlândia, onde estive menina e adolescente. Local de encontro dos colegas que vinham de outras escolas para ver amigos, paquerar. Era bom. Tinha certa inocência. Mais à frente ela se revela. A praça Tubal Vilela. Transformada em alguns pontos, intacta em outros. Praça da fonte, da concha, dos taxistas e de um senhor que marcou minha infância. Ele ficava na rua Olegário Maciel com seu carrinho de pipoca e algodão doce. Me lembro do aroma, das cores e dele, homem trabalhador, de bochechas rosadas, cabelos brancos. Para mim, um encantador de crianças. Encanto que carrego quando ainda observo a gente da cidade. Que para lá e para cá, mesmo no domingo, tem tanto a contar. Conto em outra oportunidade! Mônica Cunha . Escritora . Apresentadora do programa de TV Bem Viver Uberlândia MG . Radialista na Rádio Cultura HD

Minha praça tão querida - Praça Adolfo Fonseca Mudei para a Praça Adolfo Fonseca aos oito anos de idade e só saí de lá quando me casei, em 1968. Tenho saudades! Já era linda, mas passou por muitas reformas: até seu nome foi mudado; era antes D. Pedro II. Me lembro bem da vizinhança: Sr. Aparecido do Grande Hotel Central (local do atual Bretas), familia Koss, Sr Vadico, diretor do Museu (Colégio Estadual de Uberlândia), família Jorge Labeca, Família Naves, Oscar Miranda (sua loja, entre a praça e a Rua Goiás) e outros mais. Uma grande marca da praça é a Sibipiruna, frondosa árvore que deu nome ao restaurante-bar atual. Lá passei grande parte de minha infância: meus irmãos e amigos vizinhos, todas as manhãs de domingo nela brincávamos até a hora do almoço. Lindos tempos, doces dias, saudosa etapa tão feliz de nossas vidas. Terezinha Guerreiro


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