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Especial: Festival de Cordas Nathan Schwartzman 9ª edição

Um Jornal do bairro Fundinho . Uberlândia . MG . Brasil

confira tudo que respira conspira

Paulo Leminski

OUTUBRO 2013 - Nº 28 - ANO XI

Lilia Alphonse uma jamaicana descobre o bairro Fundinho Salvador Ianicelli "Um colecionador apaixonado pela música"


Carinho

Chico Xavier

Editorial

HOMENAGEM A MEU PAI

A preocupação olha em volta, a tristeza olha para trás, a fé olha para cima.

Fundinho Cultural 28 Outubro Música e Dança

06 de agosto. Meu pai, GERALDO GONÇALVES DA SILVA faria cem anos.

Mês de músicas, danças e cores, outubro é a exaltação ao folclore na cidade de Uberlândia. As congadas trazem de volta o vibrante som de tambores e as vozes de velhos ancestrais a relembrar o passado. Contagiante, a euforia de seus pares sai de seus bairros distantes e percorre as ruas do Fundinho e do centro da cidade com ritmo e beleza. É hora da exaltação da raça! A mais remota tradição, evocação de lamentos em vozes fortes ao som dos tambores que perpetuam costumes e lendas e nos contemplam com esfuziante e inigualável performance. Outubro é também o mês da realização de um dos maiores espetáculos que a cidade oferece à população, o tradicional Festival de Cordas, este ano, em sua 9ª edição. O Festival de Cordas é uma criação e realização da maestrina e professora de música, Cora Pavan Capparelli, um ícone da música, uma personalidade uberlandense. As crianças, os jovens e as pessoas apaixonadas pela música, através do Festival de Cordas, tem oportunidade única de desenvolver o aprendizado ou aperfeiçoamento no manuseio dos instrumentos de corda. São criativas oficinas musicais, masterclasses, concertos e apresentações diversas em teatros, praças, e inusitados espaços da cidade, celebrando o culto à música. A divina música, em sua viagem pelo repertório de compositores clássicos e populares apresentada por aprendizes da música, mestres e celebridades musicais.

Foto: Jorge H. Paul

Fotos da capa: Acervo Cora Capparelli e Jorge H. Paul

Inúmeros fatos e mudanças o mundo viu neste século e eu, que sobrevivi e sobrevivo a meu pai, vi e estou vendo: guerras, costumes, artes, tecnologias, descobertas, a própria natureza. Mudanças e fatos, muitos dos quais ele vislumbrou, mas não viu pois partiu tão precocemente. Meu pai está vivo. Nas lembranças: esmaecidas... nítidas...fragmentadas...tênues... inconscientes... Nas histórias: completas... incompletas... aumentadas... resumidas....inventadas... Meu pai está vivo. Neste chão: meu primeiro espaço no vasto mundo, onde plantei meus primeiros sonhos, enraizei minhas primeiras certezas, fixei minhas primeiras esperanças, dei os primeiros passos na direção do futuro. Vivenciei minha fé. Nesta casa: meu primeiro ninho, toca, abrigo, palácio, proteção. Na sua herança: valores: amor ao trabalho, religiosidade, honradez, brio, amor à verdade, generosidade, mesa farta, AFETO. Meu pai está vivo. No rosto do meu irmão, da minha irmã, sobrinho, sobrinha: o jeito de olhar ... a cor dos olhos ...o andar ...o formato das mãos ... o timbre da voz ... o gosto de cantar... o gênio... a criatividade... a inteligência... a qualidade... o defeito... o riso ...a seriedade. Meu pai está vivo. Na neve dos cabelos de minha mãe. Na sua presença e amor por mim. No carinho, tempo e cuidados que a ela dedico. Meu pai está vivo. No felino incrustado no meu sobrenome: forte, ágil, valoroso, bonito. No amor delicado que lhe devoto, lampejo de claridade, numa prece. Na vontade que experimento de ver como seria hoje seu rosto; de saber o que ele pensaria de tudo o que acontece no mundo e no universo familiar que ele fundou. Na certeza que tenho de que lá, onde ele estiver, está velando por mim. Meu pai está vivo. EM MIM. Neuza, Zilda, Sebastião, Almir, Valdir, Arnaldo, Marilda, Elza,Vera, Edson, Aldo GONÇALVES.

Poesia

Neuza Gonçalves Travaglia. 04/08/2013.

NOITE

Teresinka Pereira

Começo a viver cada noite, esperando olvidar as tormentas do dia. Em alguma parte do mundo sei que alguém traspassa o tempo com um vendaval igual ao meu. Eu só queria dar-lhe minha mão companheira nesta hora em que as sombras ameaçam o próprio verso. Mas escrevo.

IDADES

Ane Walsh

Sim, minha opção é a velhice. Quero envelhecer, pois embora a outra opção que existe, que é morrer jovem, tenha me atraído, não aconteceu, e agora, do alto dos meus 60 anos, declaro a quem interessar possa, que quero envelhecer. Envelhecer sem envilescer, como diz Yumah Ilma Fontes. Como um haicai safado que compuz quando me achava poeta: Quero envelhecer como maracujá - por dentro um suco! By Ane Walsh . Cambuquira MG

Ano XI – nº 28 - OUTUBRO 2013 - Editor: Hélvio Lima - Assessoria: Adélia Lima - Diagramação: Niron Fernandes - 3087-4148 Impressão: Gráfica Scanner-3212-4342 - Fotos internas: Acervos particulares, Isabela Lima, Jorge H. Paul Tiragem: 5.000 exemplares - End. para correspondência: Rua Felisberto Carrejo, 204 – Fundinho Fone: (34) 3234-1369 – Cep. 38400-204 – Uberlândia-MG “Os artigos assinados são de inteira responsabilidade hl.artes@yahoo.com.br - Facebook fundinhocultural de seus autores e não refletem a opinião do jornal”

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JULHO

2013

- ANO - Nº 27

XI

Depoimento

SALVADOR IANICELLI, Um colecionador apaixonado pela música Uma bela tarde especial para ouvir múltiplas histórias de paixão pela vida, entremeadas de poesia. Flashes da incrível memória deste paulistanoaraguarino-uberlandense, gentil e diplomático senhor e seu amplo círculo de amigos. Rua Bernardo Guimarães, 4º andar. Porcelanas, cristais, relógios carrilhões importados, de várias gerações, forram as paredes do apartamento, e povoam o ambiente, de diferentes sons e memórias.

O nome Salvador Ianicelli “O meu nome tem uma particularidade que eu não sabia, e que descobri, sentado na mesa número 1, ao lado do cônego Afonso, no Villa Verde (quando ainda era do Navarro), ali na Floriano Peixoto. Eu conhecia e admirava o Cônego Afonso porque ele era uma sumidade, uma pessoa muito culta. Então, começamos a conversar sobre música, sobre Bach, que compôs muita música sacra, e ele perguntou o meu nome. Eu falei que me chamava Salvador e que o meu sobrenome, Ianicelli, é do italiano porque papai, Afonso Ianicelli, veio de Nápoles em 1893. Ele chegou com cinco meses, com meu avô e a família, e o seu passaporte, de número 50. Foram os primeiros italianos que vieram para São Paulo a pedido do conde Matarazzo que começou a trazer gente da Itália para o Brasil porque aqui era um Oasis para ganhar dinheiro. O meu pai era marceneiro,

formou-se no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Ele não fazia móveis se utilizando de pregos, ele fazia móveis com encaixes. Do meu sobrenome Ianicelli, eu sabia que Celli significava céu, mas Iani eu não sabia. O cônego Afonso, que era muito culto, disse que Iani, em latim, significava porta. Então eu disse: -Posso fazer o que eu quiser que eu não vou para o inferno com o meu nome Salvador porta do céu! Eu sou de 1926, então eu falo que eu sou um paulistano falsificado, porque nasci no Brás, mas, com 4 anos, em 1930, papai veio para Araguari, gerenciar uma oficina do senhor Ferreira da Silva, que tinha uma serralheria e uma marcenaria, mas papai não se deu muito bem porque ali, nesse tempo se faziam móveis com pregos e papai não sabia a técnica. Papai foi discípulo do pai do Arnaldo Contursi que fora um dos seus mestres no Liceu

de Artes e Ofícios de São Paulo. Eu me considero muito falsificado como paulistano porque nunca mais morei em São Paulo, fiquei entre Araguari e Uberlândia, nas idas e vindas de meu pai entre as duas cidades. Em Uberlândia estudei no Grupo Bueno Brandão, na Praça Tubal Vilela. Na adolescência fui funcionário da rádio PRJ3 de Araguari de 1938 a 1941. Neste período, aprendi também, o ofício de relojoeiro. Mas, em 1940/41 o papai voltou para Uberlândia. Trabalhei, neste período na Relojoaria Londres que era do senhor Renato Santos, de uma família muito importante de Araguari. Trabalhei 71 anos na profissão de relojoeiro e presenteei recentemente a um amigo com as minhas ferramentas de trabalho. Ainda conservo comigo um torno porque sou torneiro relojoeiro, faço peças para relógios.”

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Arquivo Eu sou um historiador. Conheço as famílias mais antigas de Uberlândia Morei no Fundinho, na rua General Osório que neste tempo tinha poucas casas. Papai morava numa casa alugada do senhor Morum Simão. O curioso é que o meu irmão Spártaco e alguns amigos, entre eles o Morum Simão, foram de bicicleta para o Rio de Janeiro visitar o presidente Getúlio Vargas e ele os recebeu. Naquele tempo, a estrada não tinha nem asfalto! Eu sou muito saudosista e me lembro muito bem dos amigos pescadores de meu pai, o João Murat, o João Mota, que era barbeiro, tinha muitos filhos e morava na General Osório. Dos meus vizinhos que moravam abaixo de nossa casa, lembro-me do senhor Pafume que tinha uma chacrinha, e do senhor Naghetini que também possuia ali uma chacrinha, onde a gente ia comprar verdura. Lembro-me da família Bino, uma família tradicional aqui de Uberlândia. Nós somos 4 irmãos, Salvador, Spartaco, Walter e Vilma, os três homens nascidos em São Paulo e a menina nasceu aqui. Minha mãe chamava-se Maria Pazzianotto Ianicelli e era prima primeira de Almir Pazzianotto que foi ministro do trabalho. Em 1947 fui para Anápolis trabalhar numa relojoaria, lá não tinha 1 palmo de calçamento. De Anápolis voltei para Uberlândia, em 1951, porque não quis ficar em Araguari por causa de uma paixão que deixara naquela cidade. Fiz parte da boemia de Uberlândia, tenho fotos em jornais com a minha participação em serenatas e seresteiros. Sou do signo de Leão e tenho dois filhos, Ricardo e Marta, do primeiro

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eu adoro, Brailowsky(considerado na sua época, o maior pianista do mundo) Quando o pianista Arthur Moreira Lima se apresentou na Praça Clarimundo Carneiro levei para ele 3 discos de vinil com as suas apresentações na A música, capítulo Polônia, (terra de Chopin), mas, ele abraçou-me, e educadamente, viu especial em minha vida que eu era um profundo conhecedor de sua carreira, agradeceu-me e disTenho uma ligação muito grande com se que já tinha aqueles discos. a música. Até fazia umas posições Gosto muito da nossa música pono violão. Tive um violão de recita- pular brasileira, principalmente a lista, muito significativo, feito no Rio música de seresta. Pixinguinha, de Janeiro no “Ao Bandolim de Ouro”. Ary Barroso, Francisco Alves, Nelson Gonçalves e Carlos Galhardo, um dos homens mais assediados pelas mulheres/ fãs. E Carlos Galhardo foi fiel à sua companheira até o fim de sua vida. Quando fui controle de som na rádio de Araguari, quase todos aqueles famosos artistas do Rio de Janeiro fizeram seus shows na cidade e iam na rádio onde eu trabalhava. Entre as cantoras, para mim, a principal é Ângela Maria, mas gostava também da Linda e da Dircinha Batista. Tenho um acervo de mais de seisO reconhecimento a Salvador centos vinis, O braço do violão era de ébano. a maior parte de música erudita, óperas completas. Uma frase que costumo recitar Tenho também uma coleção de entre os meus amigos: mais de 1000 peças de porcelanas “Minh’alma é como um deserto das Indias e cristais importados, por onde o romeiro incerto procu- peças raras e valiosas, condiciora uma sombra em vão!” nadas em caixas, que gostaria de vendê-las porque no apartamento A música erudita é a minha música já não tenho espaço para guardápredileta. Os meus compositores pre- las. feridos: Bethowen, Bach, Chopin, que Dezenas de relógios carrilhões imcasamento que durou 54 anos com Maria Rosa Cordeiro Ianicelli, goiana de Vianópolis. Depois de onze anos da morte de minha primeira esposa, casei-me com Dalila Borges de Paula, de Frutal.

portados, de várias gerações, forram as paredes do apartamento, e povoam o ambiente, de diferentes sons e histórias. Morei muitos anos numa casa na Praça Ladário Teixeira, no Fundinho e hoje moro num apartamento da Rua Bernardo Guimarães, mas não me acostumei ainda com o trânsito da rua e o barulho. Leio muito e tenho coleções inteiras do Lima Barreto, do Guerra Juqueiro, do Graciliano Ramos, do Oscar Wilde, do maravilhoso Julio Verne e do fabuloso Edgard Allan Poe. Um soneto que eu gosto muito: TU - Humberto de Campos Quando alguém, por ventura, me pergunta Quem me faz, de outros tempos, diferente Pensas tu que o teu nome se murmura Que o exponho à ânsia voraz de toda gente ? Não, digo apenas o seguinte: Ela é pura, casta, simples e meiga Uma dolente cauta rola de tímida candura Flor que menos se vê do que se sente E neste ponto de súbito me calo Sem dizer seu nome todo mundo fica logo sabendo de quem falo

O carinho dos artistas para

Salvador,

Pessoas verdadeiras Oliveiros foi um grande amigo/irmão. Pessoa honestíssima, uma amizade que durou até pouco tempo atrás, com o seu falecimento, aos 91 anos. Morava numa chácara que tinha o nome de sua mãe, no centro de Araguari.

Tenho imenso carinho pela pianista uberlandense Nininha Rocha, esta maravilhosa artista de renome internacional. Eu a considero como uma grande amiga/ irmã. Guardo um artigo sobre mim, escrito carinhosamente por ela, publicado no jornal Correio de Uberlândia.

Apresentou-se em Uberlândia, certa ocasião, o violonista José Rastelli, trazido por dona Cora Capparelli. O Conservatório de Música, dirigido por ela, ainda era ali na Santos Dumont. O T o q u i n h o , grande professor de violão ainda era vivo, quando na noite de apresentação de Rastelli, dona Cora disse a ele: -“Pega um carro de praça e vai buscar o Salvador para ele ouvir o José Rastelli tocar violão. Já eram nove horas da noite, eu morava ali na Rua Lúcia Matos, e minha esposa e eu fomos ouvir aquela maravilhosa apresentação. Foi a primeira vez que eu ouvi uma Ave Maria solada e acompanhada ao mesmo tempo, pelo excelente José Rastelli. Foi uma coisa maravilhosa. Depois disso me tornei um grande fã deste artista, adquirindo os cinco vinis que ele lançou. Os recitais de dona Cora trazem refinada plateia atraída pelo seu carisma. Tenho imenso carinho pela Dona Cora Capparelli, uma das pessoas mais encantadoras que conheci na minha vida, precursora da cultura musical em Uberlândia. Presenteei à Dona Cora com um banco destes de piano e um violão. lembranças...

para viajar basta existir 

Fernando Pessoa

RUAS DA CIDADE ADALBERTO DE ALBUQUERQUE PAJUABA É uma rua pequena que fica no bairro Planalto. Vai da avenida Imbaúba a Indaiá. Adalberto Pajuaba, como era mais conhecido, nasceu no Rio de Janeiro em 1896. Tinha uma alma artística e fez muita amizade nesse ambiente. Trabalhava nos Correios e Telégrafos como telegrafista habilidoso que conseguia expedir telegramas com uma mão e receber com a outra. Talvez por isso tenha sido também um bom violonista. Foi ainda enfermeiro e, aqui em Uberlândia, trabalhou na Santa Casa, onde ajudou a cuidar do pai do Paulo Torido Leite. Trabalhou também no hospital do dr. Diógenes Magalhães que era onde está o Hospital São Francisco. Foi também teatrólogo e jornalista. Foi ainda contabilista e escritor e se notabilizou por uma série de crônicas publicadas em jornais por onde passava, sob o título “Pense um minuto em mim”. Nesse trabalho destacava as profissões humildes. Era muito culto, inteligente, falava diversas línguas. Foi redator chefe de jornais por onde passou e trabalhou em emissoras de rádio de Uberaba e Ribeirão Preto. Era homem de muitas atividades. Criou uma oficina de teatro em Uberlândia. Casou-se no Rio com Maria Dolores Marques e acabou se descasando porque ele queria filhos e a esposa não conseguia gerar. Casou-se com Maria Gomes Pajuaba que lhe deu um monte de meninos: Geraldo, Terezinha, Adelaide, Luiz Carlos, Adroaldo e Alicio. Montou um oficina de teatro em Uberabinha e trouxe muitos artistas de fora, conhecidos seus, para apresentarem-se aqui. Na profissão que exercia, rodou o país, transferido para aqui e para ali. Passou por Ribeirão Preto onde teve como auxiliar nos seus trabalhos radiofônicos na PRE-7 o menino Sérgio Martinelli. Depois foi para Uberaba onde encaminhou o ator Urbano Lóes. Rodou por esse Triângulo Mineiro. Chegou a Uberabinha em 1929. Além de trabalhar nos Correios, Adalberto dedicava-se com grande ardor à arte da representação. Inquieto e dinâmico, onde estava envolvia-se com a maçonaria tendo, em algumas cidades, sido presidente de loja, e formava grupos teatrais que se apresentavam regularmente pelo menos enquanto ele estivesse no lugar. O jornalista e escritor Marçal Costa dizia que ele era o “pai do teatro de Uberlândia”, talvez por sua intensa dedicação e constantes representações. O teatro já existia na velha Uberabinha desde a virada do século XIX com trabalhos do Pedro Salazar (pai), do Honório Guimarães e outros. Pajuaba ficou por aqui uns três ou quatro anos apenas. Aqui, casou-se com a mãe de seus filhos. Fonte: jornais, Luiz Carlos Pajuaba Antônio Pereira . historiador

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Destaque

TEMPO... TEMPO... TEMPO A Diretora foi pessoalmente até a sala de aula pedir licença ao professor para que um determinado aluno a acompanhasse até a diretoria. O aluno, um tanto assustado, a acompanhou. Sentado na beiradinha da cadeira, lançava, para ela, um olhar indagativo. Diretora. - Tudo bem com você? - Sim. - Você mora aqui perto da escola? - Não - Costuma vir a pé? -Não. O meu tio sempre me trás. Só hoje foi diferente, vim com o meu pai. - Ele não costuma trazer você? - Não. Ele vai muito cedo para o trabalho. Gosta de aguardar a chegada dos funcionários para cumprimentar um por um desejando-lhes um Bom Dia. - Hummm! Que atitude legal a de seu pai, mas hoje... -É, por ser o dia do meu aniversário ele quis me trazer. - Conversaram no caminho? - Muito. O meu pai é um grande amigo que eu tenho. (nesse momento o aluno se acomoda com mais conforto na cadeira). Mesmo agora que já estou com 16 anos, ele ainda vai ao quarto dos filhos para abençoá-los e desejarlhes uma Boa Noite. Costumo achar isso tão bom que, sugestão ou não, acabo dormindo melhor! -Como é bom ter um pai assim tão legal, não é? - É. Mas não é só isso. Aos domingos, ele prepara o café da manhã com todo carinho e espera todos se levantarem para se reunir em torno da mesa. - E, quanto aos seus estudos, ele tem alguma expectativa? - Tem. O seu sonho é ver os seus filhos dando prosseguimento à sua empresa. Hoje mesmo, no trajeto para a escola, ele disse do amor que tem pelos filhos e, no meu caso, o desejo de que eu curse Administração de Empresa. Percebo que ele espera muito de mim. - Mas, esse sonho não é apenas do seu pai, você certamente pretende prosseguir nos estudos, fazer um curso superior, não é? - Sim. Mas, para isso preciso melhorar o meu desempenho em Química. - Vermelho? - Quase. Bem, mas a senhora não me explicou por que me chamou até aqui... fiz alguma coisa errada? - Na verdade, não. Você apenas mostrou-me, com essa nossa conversa, um bonito retrato da sua vida familiar. - Então? -Bem, na verdade, o seu tio veio buscá-lo e caberá a ele dar-lhe uma notícia não muito agradável. Mas, pela conversa que tivemos, estou segura de que você será forte o suficiente para suportar e entender tudo o que ele tem

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a lhe dizer. Eu o acompanho até lá. Feito isso, permaneceu ao lado do aluno, o tempo que julgou necessário. Vinte e cinco anos depois A Diretora, agora aposentada, lê num jornal um anúncio que lhe chamou a atenção: Uma empresa atacadista de grande porte estava abrindo vagas para candidatos que preenchessem as seguintes exigências: - Curso superior em Administração de Empresas; - Fluência em Inglês e Espanhol; - Trabalhos publicados ou teses concluídas ou em andamento; - Solteiro com disponibilidade para viagens. A Diretora não teve dúvidas: foi até a empresa, dirigiu-se o Departamento de Pessoal para checar se tal anúncio procedia e se já havia candidatos inscritos. Gostou de tudo o que pode constatar. Agradecida pelas informações, despediu-se prometendo remeter ao Departamento toda a documentação exigida. Mas, antes de se retirar, a atendente disse que o Presidente da Empresa desejava lhe falar. Como? Perguntou. - É de praxe, senhora. O Presidente faz questão de conhecer e conversar com todas as pessoas que visitam a empresa. -Mas, indagou a Diretora: como pode? numa empresa de tal envergadura o Presidente se dispor a conversar pessoalmente com o vasto público que, conforme imagino, a procuram? - A moça respondeu: - É de praxe. Acompanhe-me. O Presidente era jovem ainda. Aparentava pouco mais de quarenta anos de idade. Bonito, simpático, gentil. Estendeu-lhe a mão, convidou-a para sentar-se e pediu que ela falasse alguma coisa sobre o seu filho e ficou sabendo que ele, além de preencher todas as exigências do cargo, já havia concluído na Inglaterra, o seu doutoramento. Conversaram um bom tempo. Ela estava encantada com o rapaz. Despediu-se com o coração aos pulos pensando: o meu filho vai conquistar esta vaga! Após alguns dias, ela recebeu uma carta da Empresa convidando-a para uma reunião com o Presidente. Claro que ela se assustou, e muito, com a tal carta. No dia marcado, compareceu à empresa para falar com o Presidente. A conversa começou de modo bem informal. O Presidente comunicava que o seu filho tinha sido escolhido para iniciar o trabalho na empresa. Ela sem compreender bem perguntou: Mas, se ele ainda não voltou da Inglaterra e nem passou por nenhuma entrevista, como pode já ter sido escolhido? O Presidente respondeu: Eu tenho uma dívida com a senhora. Há muitos anos

Mariú Cerchi Borges desejava encontrá-la e sabia que um dia isso aconteceria. Talvez a senhora não tenha gravado os meus traços, mas eu não me esqueci dos seus. Há muitos anos atrás, quando eu era ainda um garoto, a senhora foi pessoalmente até a sala de aula, e convidoume para um “papo” na diretoria. Isso poderia ter sido feito pelo servente do turno, mas a senhora sentiu que era difícil a sua incumbência naquele momento e, soube, como ninguém, respeitar a dor pela qual eu passaria. Só Deus sabe o quanto o gesto me fortaleceu. Nesse momento da conversa a Diretora começou a vasculhar, na memória, os traços do rapaz. Como se assistisse a um filme antigo, ela percorreu os escaninhos da memória... e, em fração de segundos, foram se delineando todos os rostos dos alunos que passaram pela sua vida. Lembrou- se, então, quando o garoto disse que o seu pai não podia levá-lo ao colégio porque gostava de esperar pela entrada dos funcionários na empresa, para cumprimentá-los um por um. Incrível, mas foi essa a conduta que a atendente disse ser comum ao Presidente. Tudo começava a se encaixar e fazer sentido. Os dois se olhavam fixamente. Emocionada, prestes a chorar, ela volta a olhar atentamente para o rapaz. Não havia mais nenhuma dúvida. Num gesto incontido, atira-se nos seus braços e começa a chorar. Ele também chora. Finalmente, chegara o momento do grande resgate que a vida lhe proporcionava: retribuir a gratidão que devia àquela modesta, humilde e simples professora. Ah! os mistérios da semente. Quando cai em terra fértil, não morre jamais. É neste misterioso silêncio, que repousa o segredo da semente.

Chamas que nos consomem Lembranças que não se apagam Saudades sem fim.

MA TRIOCHK A MATRIOCHK TRIOCHKA

Terezinha Maria Moreira Suvenir original: linda bonequinha russa. Às vezes, saltam, de seu interior, várias outras – na aparência, idênticas; diferentes no tamanho. Nasce uma reflexão: quantas “matrioscas” convivem (e, não raro, conflitam) no íntimo de cada pessoa? A generosa e a egoísta, a tímida e a ousada, a sonhadora e a realista, a submissa e a autoritária, a contida e a expansiva, a tranquila e a explosiva, a imprudente e a cautelosa? Ora uma se entremostra,

A sacralidade da natureza Naquele dia, Ellen despertou com a alvorada dos pássaros. Foi até o pomar e se encantou com as flores e os frutos de framboesa, salpicados de orvalho da noite. E agradeceu, olhando para o alto, em direção ao sol nascente. Uma voz, lá de dentro, quase um sussurro, murmurou em seus ouvidos: - onde está o Sagrado? Como reconhecê-Lo? E um lindo diálogo se estabeleceu: - Ele está ali, nas flores, nos espinhos, nos frutos, no orvalho, na luz do sol. Ele está em tudo. Está dentro de mim e fora de mim. Basta viver a imanência, como vivem os irmãos dos outros reinos...e assim, o elo será revelado, e como um passe de mágica você contemplará a divindade. E a voz continuou, agora com mais clareza, porque Ellen estava entregue a um êxtase, mesmo acordada: - Veja, as plantas se entregam ao ar por inteiro, e entoam a música das esferas em louvor ao Sagrado. O murmúrio das águas, noite e dia, também fazem parte do cântico dos cânticos. O que dizer do gorjeio dos pássaros nas profundezas da floresta? E do uivo solitário de um lobo desgarrado da alcatéia, clamando por companhia?Certamente, o elo com o Sagrado é o que lhe dá, nesse momento, o único sentido de vida... E quanto mais adentrava na floresta, ela se deparava com respostas, mesmo antes de formulá-las. Viu um índio em seu santuário sagrado, em perfeita harmonia, reverenciando a terra como seu berço e seu sepulcro. E neste enlevo, as horas se passaram, o dia se foi com o sol, e Ellen buscou seu repouso, mergulhada numa experiência impar. E em sonhos, viu-se debaixo da Arvore da Vida, saboreando o seu leite e o seu mel. Tudo era lindo, o verde da relva, as flores do campo, as arvores frutíferas, os animais acasalados, a água pura, o céu azul...Os raios do sol desenhavam no céu o mais lindo quadro, nunca visto, porque era vivo, e ia se transformando com o passar das nuvens...e os pássaros emolduravam o quadro, com suas cores e coreografias, sempre em movimento. Mas como existem pesadelos, o sonho se transformou numa nuvem negra envenenando as plantas e prejudicando a saúde os animais. A terra se abria em crateras, via-se erosão, e os campos perdiam sua fertilidade. As nascentes iam secando... a agua ia se tornando escassa...a semente encontrava dificuldade para germinar. Havia fome entre os animais da floresta... tambem os humanos estavam famintos. De repente, uma mão generosa começava a lançar sementes sobre a terra, reflorestando-a. Ellen sentiu o calor da semente em suas mãos. E uniuse ao mutirão de semeadores, milhares deles, tomando conta da terra. Viu a relva, as flores, os bosques, a Arvore da Vida. Tudo como antes. Na floresta, reinava um silêncio, quase absoluto. Ellen conseguia ouvir os sons da natureza que se misturavam às batidas de seu coração. Sua consciência ganhou outra dimensão e percorreu todas as eras, plena de sabedoria, percebendo toda a trajetória da humanidade, seus caminhos, seus descaminhos... Sentiu-se UNA com o todo, habitante de uma mesma casa. E a voz do silencio, mais uma vez, falava em seu coração; - esta casa é herança de meu Pai que deverá ser repassada para os meus filhos e para os filhos dos meus filhos, sucessivamente. Vivo o infinito, algo que não teve inicio e não terá fim... que sempre foi, é e será. E perplexa, ouviu a voz de sua consciência: -eu preciso saber cuidar desta casa, de suas riquezas, de seu jardim. Eu preciso ser guardiã de sua semente original, para que germine de geração em geração, sem transgenia. Os primeiros raios de sol entraram pelas frestas da janela, trazendo a luz de mais um dia e mais uma alvorada dos pássaros. Ellen se contorceu numa posição quase fetal, como se estivesse no útero da Mãe Terra, fazendo o caminho de volta para a casa, numa religação com a fonte da vida. Isabel Divina de Queiroz - Martinésia

ora outra aflora. Misteriosa, enigmática, insondável é a alma do ser humano! Versos & foto

Rita Peripato

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9º Festival de Cordas Nathan Schwartzman Espaço para novos jovens talentos Deverá ter início no dia 13 de outubro de 2013, a Nona Edição do Festival de Cordas – movimento cultural que se realiza em Uberlândia – voltado para o cultivo da música através dos instrumentos de Corda a Arco, quais sejam: violino, viola acústica, violoncelo e contrabaixo acústico. Trata-se de um trabalho para dar amplitude ao ensino e ao cultivo do repertório musical para esses instrumentos, principalmente idealizado para despertar o gosto pelas pequenas formações camerísticas e ainda chegando ao trabalho orquestral. Neste ano, a grande solenidade de abertura se dará às 18 horas do dia 13, no Salão Nobre da CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas). Haverá recitais com professores e alunos durante a semana, no Teatro Rondon Pacheco e Catedral Santa Terezinha, sempre às 20 horas. O encerramento será memorável, com a grande orquestra que se formará e cuja apresentação conclui o Festival. Local do Concerto: Center Convention do Center Shopping de Uberlândia, às 18 horas do dia 20 de outubro. Haverá ingressos gratuitos para todos esses eventos. Quanto às atividades de ensino-aprendizagem, como aulas, oficinas, entre outras, são destinadas aos participantes que se inscreverem através de seus professores e convidados. Os respectivos horários serão informados aos inscritos, com a devida antecedência. Movimento apoiado por importantes empresas, através de leis de incentivo à cultura, o Festival é a realização de um projeto que visa a dar meios de aprendizagem e profissionalização para a juventude que busca um futuro promissor, através da vivência musical. Além disso, torna-se uma oportunidade de divulgação da música erudita em nossa cidade. CRONOGRAMA · Festival se realizará de 13 à 20 de outubro de 2013 · Concerto de Abertura acontecerá no Centro de Convenções do CDL - Uberlândia dia 13 de outubro às 18hs. Endereço: Av. Belo Horizonte nº 1290 · Oficinas acontecerão no Conservatório Estadual de Música Cora Pavan Capparelli das 08 às 18hs de 14 a 18 de outubro. Endereço: Av. Afonso Pena nº 3060 · Concerto no Teatro Rondon Pacheco - dia 14 de outubro as 20h. Endereço: Rua Santos Dumont - 517 Centro · Concerto na Catedral Santa Terezinha - dia 15 de outubro as 20h. Endereço: Pça Tubal Vilela - s/n · Concerto na Catedral Santa Terezinha - dia 16 de outubro as 20h. Endereço: Pça Tubal Vilela - s/n · Concerto no Teatro Rondon Pacheco - dia 17 de outubro as 20h. Endereço: Rua Santos Dumont - 517 Centro · Concerto no Teatro Rondon Pacheco - dia 18 de outubro as 20h. Endereço: Rua Santos Dumont - 517 Centro · Concerto de Encerramento acontecerá no Center Convention do Center Shopping de Uberlândia dia 20 de outubro às 18hs. Endereço: Av. João Naves de Avila nº 1331

PROFESSORES DO FESTIVAL

MABIO DUARTE - Violino FAGNER MAGRINELLI ROCHA - Violino MARIANNA RENNÓ JELEN - Viola KAYAMI SATOMI - Violoncelo LUIZA PROHMANN - Contrabaixo LUIZA VOLPINI - Professora Pré-Orquestra

REGENTES CASSIO MARTINS - Violino MARCOS PETRONIO - Violino Direção Artística e Coordenação Pedagógica FREDI GERLING

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ARTISTAS CONVIDADOS KIRSTEN YON - University of Houston - USA - Violino ANNIE BOYLE - University of Texas Tech - USA SUSAN DUBOIS - North Texas University - USA KATRIN MEIDELL - Ball State University - Muncie Indiana USA - Viola DARCY DREXLER - University of UWN - USA - Pedagogia do Violino NATHA COOK - Canada - Violoncelo DAPHNE GERLING - USA - Viola

Pró-Música A Associação Pró-Música de Uberlândia foi idealizada durante longo tempo por pessoas que desejavam ver a cidade de Uberlândia como pólo de música erudita no hinterland brasileiro. Foi fundada com a participação de trinta e quatro sócio-fundadores, para promover a música erudita, tornando-a acessível a todos os segmentos da sociedade e desmistificando o conceito de que se trata de uma arte elitista. Anualmente a Pró-Música tem dois projetos em andamento, Pró-Música em Concerto e Festival de Cordas Nathan Schwartzman, tendo como proponente a Sra. Cora Pavan de Oliveira Capparelli. Pela sua atuação e práxis em ação cultural e produção artística, Cora Pavan Capparelli é um dos elementos mais importantes e atuantes nas atividades culturais de Uberlândia, sendo um dos alicerces fundantes da atuação sobre arte e cultura na cidade; pela sua experiência de vanguarda nesta área empenha-se em qualificar e desenvolver uma ação multidisciplinar numa visão cultural mais recente.

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Personalidades OS PRIMEIROS ROMANCES BRASILEIROS Dr. Vitório Capparelli e Cora Pavan Capparelli Guido Bilharinho

O Dr. Vitório Capparelli e Dona Cora Pavan Capparelli, são significativas personalidades de Uberlândia. Cora, um ícone da cultura local, a maior referência musical da cidade. Parabéns do Jornal Fundinho Cultural ao Dr. Vitório, ilustre médico, antenado com os novos tempos que acabou de completar 98 anos de inteligência e lucidez. CONCERTOS INESQUECÍVEIS

MÚSICA SUBLIME MÚSICA Rua Santos Dumont, 387 - Uberlândia - MG

FONE: 3234-2779

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Além do prazer da leitura, que é o fundamental, o conhecimento do romance de um país ou mesmo de determinada tendência, pressupõe, preferentemente, quando não basicamente, leitura orientada pelo critério cronológico. Essa prática permite o acompanhamento da evolução nacional do gênero ou da tendência, ao se detectar disparidades, conquistas, retrocessos, influências de umas obras sobre outras, facilitando, ainda, a comparação entre elas e a constatação, mais nítida, de diferenças qualitativas, temáticas e estilísticas. Da leitura cronológica ou sequencial resulta, pois, visão sistêmica e abrangente, incomparavelmente mais eficaz da que decorre do conhecimento acronológico e anárquico, sempre aleatório e fragmentário, por isso quase sempre imperfeito e insuficiente. A ficção brasileira, como a própria estruturação do país, é fenômeno recente, surgido, de fato, somente na década de 20 do século XIX, com a novela Statira, [sic] e Zoroastes (1826), de Lucas José de Alvarenga, desencadeando-se, daí para frente, já na década seguinte, com Uma Paixão de Artista (1838), O Aniversário de D. Miguel em 1828 (1839), Jerônimo Corte Real (1839) e Religião, Amor e Pátria (1839), todos de J. M. Pereira da Silva, e Os Assassínios Misteriosos ou A Paixão dos Diamantes (1839), de Justiniano José da Rocha. Anteriores, portanto, aos romances de Varnhagen (notabilizado como historiador), Joaquim Norberto, Teixeira e Sousa e Joaquim Manuel de Macedo, que estreiam, respectivamente, em 1840, 41, 43 e 44, e indicados por alguns como os iniciadores do gênero no país. Isso, se não se considerar, como pretendem outros, antecedentes isolados, como A História do Predestinado Peregrino e de Seu Irmão Precito (1682), de Alexandre de Gusmão, o Compêndio Narrativo do Peregrino da América (1728), de Nuno Marques Pereira, ou se se abstrair a obra europeia e europeizante, Aventuras de Diófanes - editada sob pseudônimo, em Portugal, em 1752 - de autoria da brasileira Teresa Margarida da Silva e Orta, irmã de Matias Aires, famoso autor das Reflexões Sobre a Vaidade dos Homens, também publicado no mencionado ano. De todos eles, o livro de Teresa Margarida é o que possui maior número de defensores como precursor do romance bra-

sileiro, tendo, até 1818, nada menos de quatro ou cinco edições (havendo divergência quanto a esse número), caindo daí em diante em completo esquecimento, somente sendo reeditado mais de um século depois, em 1945, pelo Instituto Nacional do Livro, com prefácio e estudo bibliográfico de Rui Bloem. Antes disso, porém, são publicados a seu respeito pelo menos quatro artigos e ensaios, por Ernesto Enes (Jornal do Comércio, Rio, junho 1938, e Revista do Instituto Histórico e Geográfico de S. Paulo, dezembro 1938), Rui Bloem (Revista do Arquivo Municipal, S. Paulo, outubro 1938), e Tristão de Ataíde, em 1941, artigo posteriormente reproduzido em O Romance Brasileiro (de 1752 a 1930), obra coletiva coordenada por Aurélio Buarque de Holanda (Rio de Janeiro, edições O Cruzeiro, 1952). Sobre o assunto existem, ainda, ao que se sabe, o ensaio do mesmo Aurélio na obra citada e o de Heron de Alencar em A Literatura no Brasil, vol. I, tomo 2, dirigida por Afrânio Coutinho (Rio de Janeiro, editorial Sul Americana, 1955). No desenvolvimento do romance nacional, livros de variado matiz, conquanto frágeis, proliferaram, pontilhados ou alternados, aqui e ali, por algumas obras-primas, a exemplo de Memórias de Um Sargento de Milícias (1854/1855), de Manuel Antônio de Almeida, de cunho picaresco; O Ateneu (1888), de Raul Pompeia, sensível exemplo da ficção impressionista; O Cortiço (1890), de Aluísio Azevedo, vigoroso paradigma da tendência realista-naturalista; Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1891) e D. Casmurro (1900), de Machado de Assis, modelos maiores do realismo-psicológico; Triste Fim de Policarpo Quaresma (1916), obra-prima, de talhe moderno, de Lima Barreto; São Bernardo (1934) e Vidas Secas (1938), de Graciliano Ramos, de igual naipe; A Menina Morta (1954), de Cornélio Pena, e Grande Sertão: Veredas (1956), de Guimarães Rosa, ambas de estatura universal, conquanto apresentando abismais diferenças de tendência e realização. (do livro, Romances Brasileiros – Uma Leitura Direcionada, Uberaba, Instituto Triangulino de Cultura, 1998-). _____________________ Guido Bilharinho é advogado atuante em Uberaba e editor da revista internacional de poesia Dimensão de 1980 a 2000, sendo ainda autor de livros de literatura, cinema e história regional e nacional. (Publicação autorizada pelo autor)

Mulher destaque

Lilia Maria Heloise Alphonse de Francis, uma ilustre habitante do Fundinho Lilia Maria e suas origens

Lilia: Minha famíia é do Panamá, na América Central. Minha mãe se chamava Philiberta Alphonse e meu pai, Efraim Alphonse. Meu pai era pastor da igreja Metodista ligada à igreja Metodista da Inglaterra e um dos locais onde ele trabalhou foi na Jamaica, então, nós fomos para a Jamaica onde eu nasci, mas a família toda é do Panamá. Éramos 11 irmãos, 6 mulheres e 5 homens, e hoje, infelizmente somos somente 5 irmãos. Tenho uma única irmã que mora no Panamá e os outros 3 moram nos Estados Unidos.

O esposo David, o casamento e a família Lilia: Conheci o meu marido, David Francis, quando estava concluindo o curso de graduação em Letras, línguas estrangeiras, nos Estados Unidos. Os estudantes, nos Estados Unidos, costumam trabalhar no verão, de junho a agosto. E no ano de 1964, antes de ir para o mestrado, fui trabalhar numa igreja metodista em Nova Yorque. O David, que também era metodista trabalhava naquela igreja. Minha função era conduzir os adolescentes para conhecer Nova Iorque. Certa ocasião, com uma turma de 25 jovens, conclui que sozinha não daria conta do grupo. Coloquei um aviso na igreja buscando um auxiliar e o David foi me assessorar. Nos tornamos amigos, depois namoramos e nos casamos. Já somos casados há 48 anos. Chegamos ao Brasil com 2 filhos, em 1974. Temos 3 filhos, o Juan, o Daniel e a Beth. Temos 4 netos que moram nos Estados Unidos. Andamos bastante, primeiramente, moramos em Brasília por pouco tempo, depois viemos para Uberlândia. O David é sociólogo e também agrônomo, sempre foi professor, e veio ao Brasil para trazer seus alunos para fazer pesquisas. Ele gostou muito do Brasil e me convidou para que viéssemos conhecer melhor o país. Viemos para Uberlândia em 1982 e o meu filho mais velho estava prestes a entrar no segundo grau, hoje o ensino médio. Uma amiga nossa nos falou da referência e qualidade do ensino na Escola Messias Pedreiro e nós o matriculamos lá. Prestamos concurso para professores na Universidade Federal de Uberlândia e passamos, eu no departamento de Letras e o David na área de Ciências Sociais.

O momento presente na vida de Lilian Lilia: No momento, já há alguns anos aposentada, faço voluntariado na Biblioteca Municipal de Uberlândia dando aulas de inglês. Estou participando de um pequeno grupo de leitura no Casaréu, mulheres que se encontram mensalmente para estudar livros de literatura e filosofia. No

O Brasil, Uberlândia, o Fundinho, nos passos desta jamaicana de pais panamenses, e vivências em Nova Iorque. A força de uma mulher valorosa, intelectual e sensível com uma palavra de evidente fluidez e coerência com o seu próprio tempo. Uma professora de línguas, uma pianista, uma artista e seu lúcido recado. Uma mulher de agora.

recente encontro estávamos lendo e estudando o livro O nome da rosa, de Humberto Eco e tivemos a participação do padre Gregório que falou sobre as mudanças que estavam ocorrendo na época em que o livro foi idealizado.

Na literatura as suas predileções Lilia: O meus autores preferidos são os africanos Zora Neale Hurston e Janne Austen e o meu livro predileto é So long a letter, de Mariama Ba, uma carta que ela escreve para a filha falando a respeito das dificuldades que ela enfrentou ao longo de sua experiência de vida. Eu estudo desenho com a artista Lucimar Bello. Eu gosto de música, minha mãe era pianista e eu fiz com ela os primeiros estudos de piano. Continuo estudando no Conservatório Estadual de Música, apesar de ter terminado os cursos de canto e de piano. É uma forma de adquirir mais conhecimentos e manter a mente ativa.

O Fundinho, a cidade e as mudanças Lilia: Há 32 anos moro no Fundinho, neste mesmo endereço da Rua José Aiube. Percebemos as mudanças que ocorreram ao longo destes 32 anos que moramos aqui. Logo que chegamos a gente via passar mais carroças do que carros, agora é muito diferente. Os meus filhos, na época, brincavam livremente nas ruas, saiam com os colegas e jogavam bola na rua. Minha filha, criancinha, ia sozinha para a escola e nós não precisávamos nos preocupar. Ao longo dos anos vimos as mudanças, porque o tempo passou logicamente para todos. As mudanças que ocorrem no mundo estão ocorrendo em Uberlândia. A gente vê empresárias aqui assumindo papel relevante e isto é muito importante para a evolução da cidade. Nós, mulheres, constituímos 50 por cento ou mais da população, então, se desprezarmos estes 50 por cento fica deficiente a colaboração para o desenvolvimento do país. Creio que é importante para as mulheres continuar estudando e desenvolvendo as suas capacidades, as suas habilidades para o país inteiro ter este crescimento junto, não só em termos econômicos, mas também em termos de relacionamento com as pessoas, com os familiares e com a comunidade. Estamos vivendo um momento de transição. Não só as famílias estão passando por mudanças mas a sociedade também está mudando. Mesmo com tantas transformações temos que ter otimismo para enfrentarmos o futuro que virá. Eu acho isto muito importante.

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Viver

Destaque

Tomadas de força

José Francelino Neto

Partindo da certeza de que toda atitude é suscetível de ser imitada, compreendamos que o contágio da violência, em muitos casos, pode ser evitado, se não lhe oferecermos determinados pontos de ligação. Os pontos a que nos referimos são de caracteres diversos, tais quais sejam: Gritos inúteis. Brincadeiras de mau gosto. Reclamações agressivas. Idéias de ódio. Intolerância em casa. Descortesias na rua. Gestos de vingança. Comentários infelizes. Respostas deprimentes. Perguntas sem necessidade. Críticas. Palavrões. Ironias. Azedume. Cólera.Impaciência. Observemos que a energia elétrica, quase sempre, se aplica através de tomadas e convençamo-nos de que a força mental funciona, também assim. Francisco Cândido Xavier/Emmanuel

Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira. Cargo muito pesado pra mulher, esta espécie ainda envergonhada. Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir. Não sou feia que não possa casar, acho o Rio de Janeiro uma beleza e ora sim, ora não, creio em parto sem dor. Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina. Inauguro linhagens, fundo reinos ? dor não é amargura. Minha tristeza não tem pedigree, já a minha vontade de alegria, sua raiz vai ao meu mil avô. Vai ser coxo na vida é maldição pra homem, Mulher é desdobrável. Eu sou.

Outubro / Novembro de 2013 IVONE VEBBER www.vone333.no.comunidades.net ÁRIES: tempo de transformações, desapegos, deixe ir o que não serve mais. cor: castanho claro nº sorte: 9 apoio: câncer, familiares TOURO: tempo de união,parcerias, estética, prestação de serviços,... cor: verde claro nº sorte: 6 apoio: gêmeos, irmão, colegas ou parentes GÊMEOS: tempo de limpeza, análise, escolhas,discrição,realismo, consertos cor: azul nº sorte: 5 apoio: capricórnio, pais ou mais velhos e experientes CÂNCER: tempo de lazer, brilho social, poder, criatividade, cor: laranja nº sorte: 1 apoio: sagitário, justiça, estrangeiros LEÃO: tempo de cuidar da família, bens de raíz, nutrição, lembranças, cor: branco nº sorte: 2 apoio: escorpião, chefes,

O volutário da Praça Tubal Vilela Há 33 anos, o senhor José Francelino Neto nasceu na Rua Felisberto Carrejo, no Bairro Patrimônio. Adotou a praça Tubal Vilela ao realizar um trabalho voluntário da maior importância: limpar todos os dias, os bancos da praça. Aos 66 anos, solteiro, aposentado, este cidadão é morador da Rua dos Pereiras, onde reside com a sua irmã. Idealista, ele oferece gratuitamente este trabalho altruístico à população. Autor de muitas ideias na área da engenharia civil, ele estudou engenharia agrônoma e tem particular interesse pelas plantas atuando muitos anos nesta área, em fazendas, na cidade de Redenção, no Pará.

Ana Cristina Gonçalves de Freitas, Uma exemplar leitora do Fundinho Cultural

VIRGEM: tempo de intermediações, comunicação oral ou escrita, agilidade, cor: amarelo nº sorte: 5 apoio: libra, cônjuge ou s[ócios LIBRA: tempo de economizar, prudência, estética, contato com natureza, cor: verde nº sorte: 6 apoio: virgem, tios, colegas,subalternos, ESCORPIÃO: tempo de renovação, decisões, iniciativas, liderança, cor: vermelho claro nºsorte: 9 apoio: leão, filho, crianças, SAGITÁRIO: tempo de reflexão, recolhimento, intuição, sensibilidade, cor: azul marinho nºsorte: 7 apoio: câncer, pais, antepassados CAPRICÓRNIO: tempo de curtir amigos, comunidade, liberdade,originalidade cor: azul índigo nº sorte: 4 apoio: gêmeos, irmão, parentes,colegas AQUÁRIO: tempo de trabalho, maturidade, prestígio,sucesso, colheita do que plantou cor: bege nº sorte: 8 apoio: touro, sistema financeiro, PEIXES: tempo de expansão ou viagens, verdade,justiça, otimismo, cor: azul celeste nº sorte: 3 apoio: áries, lideres PARA TER SAÚDE E SOSSEGO, LEIA o LIVRO UNIVERSO EM DESENCANTO:, AQUI É SÓ CHORO E DESPREZO, VOLTE PARA O SEU CANTO FELIZ E SANTO......

Viver

Arquivo

A dor de cabeça socorro ao derrame A dor de cabeça é uma sensação desconfortável e às vezes nenhum remédio pode resolver. Muitas pessoas sofrem a dor de cabeça através de décadas. Vamos mostrar aqui um método que elimina a dor de cabeça em menos de 1 minuto: Procura-se o último osso ocipital, situado na parte mais alta do corpo, atrás da orelha. Pressiona-se com a dobra do dedo indicador por 15 segundos e a dor desaparece. Se a dor não for eliminada totalmente pode-se repetir mais uma vez e isto ocorre quando não fizer a aplicação correta. Este ponto, no osso ocipital, esconde ainda mais segredos, para curar as dores nos olhos, nariz, língua, dente, zumbido nos ouvidos, enxaqueca e tonturas. Este ponto é muito importante. Quando aprendermos bem esta técnica, poderemos até ensinar às pessoas, para que elas possam ajudar àqueles que querem livrar-se das dores de cabeça. No caso do derrame, além de fazer a massagem no mesmo ponto para curar a dor de cabeça tem que se aplicar a massagem nas margens do ocipital e do pescoço, e na região do tórax. É melhor massagear ainda, totalmente, as regiões nos lados da vértebra, do cervical até o sacro. E não se esqueça de manter o ambiente quentinho e oferecer água ou chá de gengibre quente ao paciente.

TRIBUTO A UM IRMÃO Há 20 anos, mais ou menos, escrevi um poema, pensando em Arnaldinho, meu irmão, falecido em agosto deste ano. Este poema que está registrado no meu primeiro livro “50 Gotas de Óleo para minha Candeia,” editado em 2002_um choro poético que me lavou um dia, muitos dias, muitos anos, ensinando-me no rio da vida... Adeus, Arnaldinho, meu querido irmão!Obrigada pelo que me ensinou e à nossa família com sua dor na tentativa de entender seu mundo esquisofrênico. Fico com sua gargalhada gostosa dos últimos tempos...Ofereçolhe como homenagem a ressurreição diária da alegria, buscando-a no amor que tive por você.

Iº CHORO Cadê o seu olhar Que não olhou? Cadê os seus braços Que não acharam outros braços? Cadê o seu corpo Que você não encontrou?

Cadê o seu nome Que só o abandono chamou?

Cadê o seu futuro Que não veio? Cadê a sua dor Que o amor não sentiu?

Os muros não deixaram... Os muros não deixaram... Os muros não deixaram... Os muros não deixaram...

São São Francisco Francisco

Som 100 Anos de Vinícius de Moraes

www.amazon.com 10 Músicas entre tantas tão lindas em parceria com Tom Jobim 1-Por toda a minha vida 2-Modinha 3-O que tinha de ser 4- A felicidade 5-Brigas,nunca mais 6-Insensatez 7-É preciso dizer adeus 8-Soneto de separação 9-Chora, coração 10-Chega de saudade

Pesquisa: Lourdinha Barbosa

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Os muros não deixaram...

Lourdinha Barbosa, escritora, poeta, terapeuta floral.

Dr. Wang Min Hsiung

Lupin

Os muros não deixaram...

Os muros não deixaram...

Cadê o seu choro Que você abortou?

Cadê o seu filho Que não nasceu?

Os muros não deixaram....

Os muros não deixaram...

Cadê a sua palavra Que ninguém ouviu?

Hélvio Lima

Poesia

Adélia Prado

Horóscopo

Vinícius de Moraes

Lá vai São Francisco Pelo caminho De pé descalço Tão pobrezinho Dormindo à noite Junto ao moinho Bebendo a água Do ribeirinho Lá vai São Francisco De pé no chão Levando nada No seu surrão Dizendo ao vento Bom dia, amigo Dizendo ao fogo Saúde, irmão Lá vai São Francisco Pelo caminho Levando ao colo Jesus Cristinho Fazendo festa No menininho Contando histórias Pros passarinhos

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Histórias

As Praças do Fundinho

Arte Maquete

Luz e Caridade – Seu nome anterior era “14 de Março”, data da posse, em 1891, da Intendência Municipal e da instalação da Vila de São Pedro de Uberabinha. “Luz e Caridade” foi homenagem à Loja Maçônica Luz e Caridade pelo seu centenário ocorrido em 31 de agosto de 1989. Adolfo Fonseca – Membro de ilustre e tradicional família uberabinhense, foi homem ligado ao comércio, como empregado e proprietário de farmácia. Formou-se após estabelecer-se. Foi ligado ao futebol desde o pioneiro Rio Branco Futebol Clube, passando pela Associação Esportiva Uberabinha e, por fim, pelo Uberlândia Esporte Clube. Foi líder “cocão”. Foi presidente do Partido Progressista, desativado pelo Estado Novo. Ao transferir-se para Belo Horizonte, continuou lutando junto ao governo pelos interesses de Uberlândia. Clarimundo Carneiro – Essa praça chamava-se da Liberdade, depois virou Antônio Carlos, presidente do Estado, de 1926 a 1930 e, por fim, Clarimundo Carneiro, filho do lendário Tenente Coronel José Theóphilo Carneiro. Iniciou suas atividades empresariais no comércio com a firma Carneiro & Irmãos que só vendia a vista. Depois transformou-se num pioneiro industrial. Em 1909, com seu pai e seus irmãos, fundou a Cia Força e Luz de Uberabinha, Outras atividades industriais: fábrica de calçados e derivados de couro, fábrica de cola, Indústrias Reunidas Sol Nascente (fubá, torrefação e moagem de café, refinação de açúcar e fábrica de macarrão). Anexou uma fábrica de gelo e, depois, uma fábrica de sorvetes e picolés, comprou o curtume do Giocondo Zanotto etc. Fez várias doações de terrenos em benefício e em estímulo ao desenvolvimento, furou poços artesianos. Coronel Carneiro – Antes, era o Largo da Independência e, antes ainda, Largo das Cavalhadas. Figura lendária da história do município. Foi um dos signatários do memorial entregue ao deputado Augusto César para pleitear a emancipação do Município. Participou da Intendência Municipal e fez parte da primeira Câ-

Praça Clarimundo Carneiro Ronaldo Davi França Execução: Batuira Quirino da Silva

Cultura

Jeremias Brasileiro

Foto da década de 50 da Praça Adolfo Fonseca mara. Foi o mentor da instalação da energia elétrica na cidade através da firma de seus filhos. Instalou cinema, montou banda de música, foi líder político coió, batalhou pela construção da ponte Afonso Pena e pela passagem da Mogiana pelo município. Foi ele quem conseguiu mudar o nome da cidade de Uberabinha para Uberlândia, embora quisesse outro nome. Dr. Duarte - Chamou-se, antes, Largo do Rosário porque aí se construiu a primeira igreja do Rosário. Depois, Largo do Comércio por causa das grandes casas comerciais instaladas nele (Rezende Costa, Fonseca, Arlindo Teixeira). Foi o primeiro magistrado do município. Instalou a comarca e permaneceu à frente da Justiça por mais de 30 anos. Recusou promoção para ser removido e permaneceu até à morte na cidade. Ladário Teixeira – Músico. Excepcional saxofonista conhecido internacionalmente. Conseguia tirar os sons mais estranhos do seu instrumento. Realizou concertos nas principais capitais do mundo. Era cego de nascença. Filho de José Teixeira de Sant’Anna e d. Chiquinha do Bem. Cícero Macedo – Antes foi o Largo da Matriz porque a igreja ficava numa de suas extremidades. Cícero Macedo foi farmacêutico de profissão, mas além de formado em Farmácia era-o também em Agronomia e Direito. Em 1935, foi aclamado presidente do Praia Clube. O primeiro. Em 1936, foi eleito vereador e presidente da Câmara. Foi presidente da comissão que construiu a catedral de Santa Terezinha e participou, com outros, da comissão que demoliu a velha igreja do Rosário na praça Ruy Barbosa e construiu outra no mesmo local. Antônio Pereira . historiador

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Não só de aspectos físicos se constitui a cultura de um povo. Há muito mais contido nas tradições, no folclore, nos saberes, nas línguas nas festas e em diversos outros aspectos e manifestações, transmitidos oral ou gestualmente, recriados coletivamente e modificados ao longo do tempo. A essa proporção intangível da herança cultural dos povos, dá-se o nome de patrimônio cultural imaterial. Evidenciar nosso patrimônio imaterial através de ações que valorizam a Festa do Congado de Uberlândia, nos faz dar conta das nossas origens, da nossa história e da nossa força cultural. Ao divulgarmos a riqueza, a dimensão, a complexidade e a diversidade do nosso patrimônio cultural imaterial, estaremos promovendo a importância de se reconhecer a beleza, a força, o valor e as pessoas que preservam a tradição dessa expressiva manifestação cultural do Município.”

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Uma praça em Uberlândia

Poeta em Destaque

Aricy Curvello

Quem visitar hoje Uberlândia, a pujante cidade do Triângulo Mineiro, terá mais um logradouro público a conhecer. A antiga Praça Minas Gerais, presentemente Cícero Macedo, tornou-se referência Manoel Hygino para a poesia. Ali, foram construídos, pela Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, marcos sobre os quais se afixaram trechos de poemas de grandes poetas brasileiros. Dentre eles, Aricy Curvelo, natural da própria Uberlândia, e hoje reconhecido, premiado e traduzido. Num dos pilares em cimento armado, proteção em acrílico, imprimiu-se uma flor e versos: “Sementes só florescem / Se apodrecem”. Fatos e personagens, porém, se encaixam na crônica cotidiana. O local sediou a primeira igreja matriz no século 19. Foi demolida no século 20 por fragilidade na construção. Sucedeu-lhe um sobrado, que abriga hoje a Biblioteca Municipal. Sempre uma destinação nobre, num recanto aprazível da cidade moderna. Já o Fundinho, onde o poeta Aricy nasceu e passou a infância, esplende como bairro histórico, berço de Uberlândia, há 124 anos. Nos pilares, há também versos de Cecília Meireles e Mário Quintana, excelentes companhias, sem dúvida. O gaúcho adverte: “O que mata um jardim/ não é o abandono/O que mata um jardim/é esse olhar de quem /por ele passa indiferente”. No fundo, protegendo-se a praça, acolhendo os pássaros e as flores, defende-se a poesia, que nela existe, mas que deveria existir em todo humano coração. A razão maior da onda de criminalidade, de crueldade, de nossa época – e o Brasil não está alheio – parece residir na falta de poesia, de beleza no sentimento dos homens, de amor. Sobre o tema, perene, expressou-se também uma poeta, mineira que veio à luz na fazenda da Boa Esperança do arraial de Bom Jesus da Cachoeira Alegre, distrito de Muriaé: Maria Braga Horta, cujo centenário ora se comemora. Esposa do advogado e poeta Anderson de Araújo Braga e mãe do celebrado Anderson Braga Horta, viveu em poesia e poderia ter versos também no jardim da praça de Uberlândia: “Embora inútil, tempo de poesia é toda a vida”. “A alma de cada poeta é um sensível compasso”. “Seu destino, na vida, é um dilema fatal:/ ama a terra e ama o céu e / em seus versos traduz/ a ambição de ser Deus e a dor de ser mortal”.

E-mail: sideraluberlandia@bol.com.br Manoel Hygino mhygino@hojeemdia.com.br

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Arte e Poesia na Praça

Em projeto de revitalização, espaços públicos ganham cores, formas e poemas

Pablo Pacheco Repórter - Jornal Correio de Uberlân- para decorar o espaço. “Eu sugeri para o secretário de Serviços Urbanos de colocar arte e poesia nas praças e, quando dia . 22 de setembro de 2013 . caderno Revista ele me convidou, eu chamei os amigos”, afirmou Lima. Segundo Marlene Spini, a praça ganhou cor e, por meio do Doze colunas de concreto da praça Cícero Macedo, no bairro Fundinho, foram repaginadas, no início do segundo projeto, criou-se um ambiente especial no Fundinho. “Arte é semestre deste ano, com decorações feitas por artistas vida, alegria e tenho alegria em fazer arte”, disse a artista. plásticos moradores do bairro, situado no setor central de Para Lima, assim como foi feito na praça Cícero Macedo, o Uberlândia. Hélvio Lima, Zilda Rocha, Luiz Fernando Mer- projeto da administração municipal precisa ter continuidade cadante e Marlene Spini dividiram as colunas entre eles em outros espaços públicos da cidade, com a colocação de por temas e, conforme o talento de cada um, deram asas trabalhos de artistas uberlandenses. à imaginação. A nova decoração da praça Cícero Macedo integra o projeto de revitalização das praças uberlanden- Praças no projeto de revitalização ses promovido pelas secretarias municipais de Meio Ambi- Adolfo Fonseca (Centro) Cícero Macedo (Fundinho) Clariente e de Serviços Urbanos, com apoio das secretarias de mundo Carneiro (Centro) Cultura e de Educação. Coronel Carneiro (Fundinho) Doutor Duarte (Centro) LaSituada próxima à Biblioteca Municipal, a praça do Fun- dário Teixeira (Tabajaras) dinho, onde está o marco zero de Uberlândia, recebeu, Luis de Freitas Costa (Centro) Luz e Caridade (Centro) além de tintas, pincéis e o talento dos artistas, poemas Nossa Senhora Aparecida (Aparecida) Rui Barbosa/Bicota dos uberlandenses Lourdinha Barbosa e Aricy Curvello. Lima (Centro) Sérgio Pacheco (Centro) Tubal Vilela (Centro) disse que os artistas aproveitaram uma tarde de sábado

Chorinho no Coreto O Chorinho no Coreto é um projeto de extensão da UFU, via Diretoria de Cultura/PROEX , que objetiva proporcionar o contato da população uberlandense com o Choro, música genuinamente brasileira. Poesia na Calçada é um projeto mensal, com o Chorinho no Coreto, que apresenta escritores uberlandenses lendo ou interpretando suas obras.

A alegria não está nas coisas, está em nós. Johann Goethe


Fundinho Cultural Ed. 28