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"Eduquem-se as crianças e não será preciso castigar os homens". (Pitágoras)

Um Jornal do bairro Fundinho . Uberlândia . MG . Brasil

JULHO 2013 - Nº 27 - ANO XI

Mr. Robert Aubrey Paul, ilustre presença um cidadão inglês no Fundinho!


Crônica Crianças e passarinhos

Fé é o pássaro que sente a luz e canta quando a madrugada é ainda escura.

Rabindranath Tagore

Editorial

7 2 l a r u t l u C o h n i Fund Meu mestre deu a partida É hora, vamos embora Pros rumos do litoral Vamos embora Na volta eu venho ligeiro Vamos embora Corrida de Jangada - Edu Lobo

As nossas saudações! Na capa do Jornal Fundinho Cultural a foto da janela do edificio alto, de onde o renomado fotógrafo Beto Oliveira contempla a placidez do Fundinho. São ruas calmas, revitalizadas praças, novos coloridos que inspiram esferas de arte e poesia ao redor... Novidades para acalentar os moradores de um dos bairros mais antigos e sofisticados de Uberlândia, o Fundinho. E pelas páginas do Fundinho Cultural, o retrato deste aconchego que continua graças a estas presenças especiais que não ignoram a validade deste projeto. É preciso sempre muita paciência, empenho e dedicação. Agradecemos a credibilidade de quem nos estimula a acreditar no idealismo de preservação da cultura. E enquanto houver tempo e lugar aqui estaremos. O nosso respeito sincero aos que compõem mais esta edição, partilhando deste nosso ideal. Hélvio Lima - editor

Poesia

Foto: Beto Oliveira

PRAZOS

Reflexão

Antes, chá nenhum esfriava nem ponteiros se moviam. Tinha pressa e não devia. Pairava cega no vasto prazo onde esferas, onde estrelas. Agora, estou no tempo dos insetos. e até se me quedo imóvel vôo. Astrid Cabral

É

Perto, distante...

interessante o quanto a tecnologia pode aproximar pessoas que se encontram em espaços tão longínquos. Basta ligar o computador ou pegar o telefone e, segundos depois, estamos nos comunicando com pessoas que não encontramos há horas, dias meses e até mesmo anos. Não vemos a pessoa, mas ela está ali, bem pertinho. Diante disso, dá uma vontade de pegar o celular ou, até mesmo, usar a internet para estabelecer contato com a pessoa que está, fisicamente, bem pertinho, mas ao mesmo tempo tão d i s t a n t e.

Wagner Machado

Ano XI – nº 27 - JULHO 2013 - Editor: Hélvio Lima - Assessoria: Adélia Lima - Diagramação: Niron Fernandes - 3087-4148 Impressão: Gráfica Scanner-3212-4342 - Fotos internas: Acervos particulares, Isabela Lima, Jorge H. Paul, Beto Oliveira, Léo Figueiredo Tiragem: 5.000 exemplares - End. para correspondência: Rua Felisberto Carrejo, 204 – Fundinho Fone: (34) 3234-1369 – Cep. 38400-204 – Uberlândia-MG “Os artigos assinados são de inteira responsabilidade hl.artes@yahoo.com.br - Facebook fundinhocultural de seus autores e não refletem a opinião do jornal”

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JULHO

2013 -

Nº 27 -

ANO X

I

As crianças correm pelo quintal em ruidosa agitação. Corpos inquietos, energia a supitar pelos poros, carinhas manchadas de rouge pelo calor da excitação. Um bando de periquitos corta os ares em revoada barulhenta, asas batendo vigorosas, massa verde tingindo o céu de agosto. As crianças agitam-se mais, gritam,correm, alçam os braços como se quisessem também voar, alcançar as alturas, atingir com um abraço quente as criaturas do alto. Crianças e pássaros se parecem nos seus arrulhos, na sua ânsia de liberdade, na agitação que de repente se põe em calmaria. Asas e braços se fecham, o alarido do dia dá lugar ao silêncio do entardecer.  Alguns pássaros constroem ninhos engenhosos. O beija flor, por exemplo. Maravilha de técnica e engenharia. Outros são um tanto quanto relapsos na construção da morada. Aproveitam-se de material de fácil acesso e não têm grandes preocupações com a segurança do lar. E foi um destes casaizinhos tranqüilos que se ajeitou num arbusto na casa do meu filho. O amor frutificou em adoráveis filhotinhos. Resultante de péssima edificação do abrigo, construído sem capricho, deu no que deu: um dos filhotes caiu do ninho, em cima da grama do jardim. Meus netos apavorados correram a gritar: “Papai, venha depressa! O passarinho caiu do ninho, corre papai!” O pai, com sua habitual calma, pegou delicadamente o filhote frágil e trêmulo e o colocou de volta. As crianças deram pulos de alegria, vibraram de felicidade. O salvador foi o herói do dia. Nos pequenos e sensíveis gestos se fazem heróis e marcam na memória instantes magníficos de amor e compaixão.  Reparem os pássaros nas preliminares do acasalamento. Exercício puro de sedução! A fêmea mostra-se tímida, como mocinha indecisa entre o pudor e o desejo, relutante em entregar-se por inteiro ao apelo do sexo. O macho se expande em sexualidade, voa em torno, bica (ou beija?), tenta prendê-la a si, como se não fosse mais possível deixá-la. Aos poucos a dama cede excitada aos avanços do pássaro, aceita, aquieta-se junto ao amado. Ele infla orgulhoso. Conquistou, apossou-se por inteiro do coração da donzela. Final feliz terá a história de amor, do jeitinho que as crianças gostam. História coroada por lindos filhotinhos e tudo mais que a natureza e o ser humano lhes permitir.  Dia desses assisti na TV um ambientalista otimista bendizendo o sumiço dos estilingues e arapucas, creditando o fato ao alvorecer de uma nova consciência. Assim espero. Que o planeta seja um lugar tranqüilo e verdejante para os pássaros. E que as crianças sejam felizes, plenas de liberdade e não percam nunca o ar curioso, o sorriso fácil e a beleza da inocência. Em meio ao agito da vida, que mantenham um olhar atento e límpido, apto a perceber e admirar os espetáculos que a natureza oferece. Digam amém os anjos! Marília Alves Cunha Email – mariliacunha16@hotmail.com

Tributo Memórias de Jorge Henrique Paul

Um nobre inglês no Fundinho Mr. ROBERT AUBREY PAUL “Meu avô, Captain ROBERT HENRY PAUL, pertencia à Royal Navy, e viajava pelo mundo inteiro em missões comerciais da Inglaterra, principalmente pela África e pela India, países colonizados pelos ingleses. Ele morava em uma propriedade grande que se chamava “The Highlands”, que ficava próxima à cidade de Banbury, localizada no condado de Oxfordshire entre os então vilarejos de Tadmarton e Bloxham... Cultivava o seu hobby favorito, a criação de cavalos e a caça às raposas. Meu filho Ronny mostrou-me, pelo Google maps, que este imóvel ainda está lá até hoje, preservado, com o paisagismo original de antes, sendo hoje um condomínio de residências. Meu pai, Mr. Robert Aubrey Paul, foi estudar em Oxford, a pedido do meu avô, iniciou o curso de engenharia, mas o seu sonho era medicina. Na Inglaterra, quem servia às armas, por tradição, continuava servindo às armas, ao exército ou à marinha. Meu pai não podia servir às armas por causa de uma hérnia, um problema de nascença, ao abandonar os seus estudos na universidade, decidiu viajar para os Estados Unidos e para o Canadá. No Canadá, trabalhava juntamente com um Retratos do meu pai, da sócio na venminha avó e do meu avô da de carvão (Pinturas) Acervo particular mineral, para aquecer as lareiras das casas durante o inverno, uma atividade comercial relativamente boa, o que propiciou a eles comprar uma pequena mina. Quando eles foram efetuar esta aquisição, embarcaram em um trem de ferro para realizar o negócio. Deu tudo certo, a compra efetuada, porém, na viagem de retorno, ele e o seu amigo se atrasaram e quase perderam o trem. Na correria, ao passar pela porta do vagão, o meu pai foi empurrado para fora devido ao movimento giratório da porta, ele caiu, e o trem passou em cima de seu braço, esmagando-o. Ao sofrer este acidente no Canadá meu pai perdeu o seu braço esquerdo.

Minha avó quase embarcou no Titanic! Um ano depois do acidente que fez meu pai perder o braço, é que ele avisou para minha avó, na Inglaterra. Ela, preocupada, comprou uma passagem no navio Titanic, para visitar o filho. Quando ela chegou ao porto para fazer o embarque, viu uma senhora chorando... O filho dela morrera nos Estados Unidos e não havia mais passagens para a viagem no navio. Minha avó, comovida com a história daquela mulher, disse a ela: - O meu filho perdeu um braço, há um ano, mas eu posso ir vê-lo daqui a uns meses, na próxima viagem do navio... e a senhora perdeu seu filho, então eu cedo minha passagem à senhora! E aconteceu aquela terrível tragédia com o navio Titanic.

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Meu pai veio para o Brasil Naquela época na Inglaterra havia o costume de fazer jantares solenes, onde os convidados vestiam roupas de gala. Num destes jantares, com meu pai já de volta à Inglaterra, estava presente o proprietário do Frigorífico Anglo/Swift, um frigorífico muito grande naquela época. Durante o jantar meu avô brincou com o convidado se ele não tinha um trabalho para o meu pai em suas empresas aqui no Brasil. O convidado perguntou para o meu pai: -Você dá conta de montar uma serraria e uma usina elétrica movidas a carvão lá na minha fazenda no Brasil? Meu pai respondeu que sim. Aí veio então para o Brasil, trabalhar na fazenda Pirapitinga, propriedade dos Ingleses, em Canápolis, Minas Gerais. Terminados esses primeiros trabalhos meu pai não quis voltar para a Inglaterra porque gostou muito do Brasil. Ele se tornou o guarda livros, contador da fazenda, no Brasil. Mais tarde numa viagem à Inglaterra pediu ao pai um adiantamento da herança para comprar uma fazenda no Brasil. E comprou uma fazenda em Itumbiara, Goiás, mas continuou trabalhando no antigo emprego. Todo o dinheiro que o meu pai recebeu da antecipada herança, ele empregou na compra da fazenda, portanto, não tinha dinheiro suficiente para investir na sua fazenda. Isto ocorreu lá pelos idos de 1920/ 30. Ele ia a cavalo para sua fazenda distante. Saia de Canápolis, atravessava o rio Paranaíba a nado. Jogava o cavalo na água e segurava no rabo do animal, assim, fazendo a extensa travessia do rio Paranaíba. Mais tarde, meu pai construiu nesta fazenda em Itumbiara, perto de Cachoeira Dourada, a casa que sempre sonhou, bem no estilo inglês. Com pé direito alto, cômodos grandes, varandas e alpendres, uma adega subterrânea enorme, lareira, papel de parede como revestimento e um importante acervo de obras de arte. Mr. Robert adorava o bairro Fundinho! Quando meu pai veio para Uberlândia, a cidade que ficava relativamente próxima de sua fazenda, escolheu o bairro Fundinho para morar. E, na rua Felisberto Carrejo fixou moradia. Ele achava uma delícia morar aqui no Fundinho. Vindo da fazenda com minha família, de mudança para Uberlândia, adquiri um imóvel vizinho à residência de meu pai, aqui na Felisberto Carrejo. Efetuei a compra da casa de propriedade da família do escritor Durval Teixeira, com a negociação feita pelo Sr. João Lau, No meu coração, guardo o carinho e a dedicação com que este cidadão inglês nos dedicou a mim e à minha irmã Roberta. A firmeza de caráter, os rígidos princípios morais e o amor à natureza e ao próximo são heranças que nos direcionam até hoje pela vida, definitivo aprendizado recebido do Mr. Robert Aubrey Paul, meu pai e meu personagem inesquecível!"

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Crônica

Perfil

Reflexões sobre gratidão e ingratidão

OLGA RIBEIRO HUBAIDE,

Neuza Gonçalves Travaglia

Quando fizeres algo de bom para alguém, não esperes de todos gratidão ou reconhecimento. Como já dissera Esopo, “só os espíritos nobres têm capacidade de gratidão e reconhecimento”. Espíritos medíocres não sabem ser gratos. Mendigos tendem a morder e não a beijar a mão que lhes oferece algo. Mas atenção: ser mendigo não é uma condição: é um estado de espírito. Para Samuel Johnson, “a gratidão é um fruto de grande cultura; não se encontra entre gente vulgar”. Por esta razão Chico Xavier aconselha a “não cobrar de ninguém tributos de gratidão”. Cada um tende a receber aquilo de que se julga merecedor. Se se percebe merecedor de presentes, é o que de fato recebe. Se pensa ser merecedor de esmolas, é o que efetivamente recebe. Quem recebe presentes, é grato, alegre, luminoso, livre, reconhecido às pessoas e à vida. Aquele que considera os dons como esmolas é ressentido, invejoso, dependente, egoísta; seu interior é sombrio e lúgubre. “Os infelizes são ingratos; isto faz parte da infelicidade deles”. (Victor Hugo) A nobreza de espírito não depende da riqueza ou pobreza materiais. Há mendigos e nobres espiritualmente ricos ou pobres. Todos os seres humanos, porém, têm algo a dar e a receber. Nobres sempre oferecem algo de bom e quando recebem são gratos; mendigos espirituais, não. Não te entristeças quando fores alvo de ingratidão, ou quando vires o vinho que deste convertido em vinagre. Machado de Assis adverte, bem humorado, a “não se irritar quando alguém pagar um benefício com o mal, pois é melhor cair das nuvens do que do terceiro andar”. Não és responsável pela ingratidão alheia; não te é possível determinar o como alguém recebe um dom. Não tentes explicações, não lutes contra isto. Nietzsche diz que “aquele que luta contra monstros deve acautelar-se para não se tornar um deles”. Cultiva, pois, a serenidade. O esquecimento dos bens recebidos é uma falácia. Não há esquecimento: este é um manto para encobrir o monstro da mesquinhez e da inveja. Flaubert já observara: “aos incapazes de gratidão, nunca faltam pretextos para não demonstrá-la”. Não te iludas: quem recebe tem memória mais aguda do que quem dá. Para Balzac “a ingratidão provém, com certeza, da impossibilidade de pagamento da dívida”. “A gratidão é a maior medida do caráter de uma pessoa. Uma pessoa grata é fiel, não te abandona, está sempre contigo. Nela tu podes confiar sempre”. (Augusto Branco). A gratidão é o “tesouro dos humildes” (Shakespeare), a “memória do coração” (Antístenes), “o ponto mais alto da moral” (Sêneca). “Não há no mundo exagero mais belo que a gratidão”. (Jean de La Bruyère). “Portanto, não te inquietes: mesmo na tua imperfeição e fragilidade, distribui as dádivas que quiseres distribuir e recebe com amor as que te forem oferecidas. Sê generoso(a), distribui: sorrisos, palavras, carinho, ideias, presentes, alimentos, flores, dinheiro, serviços... Dar com alegria e receber com gratidão multiplicam a felicidade”.

Livro: O Conto do Galileu Fiquei agradavelmente surpresa ao receber num Be Lo dia, um presente: o livro O Conto do Galileu, de Onaicul Oleb. Comecei a ler e foi difícil fazer as interrupções exigidas pelo dia a dia. Criatividade no modo de escrever e de brincar com as palavras, humor inteligente e no ponto certo, informações interessantes e valiosas, descrições precisas, como a da renda de bilro, referências históricas, referências a logradouros que, se ainda existem, deveriam ser preservados. Pratos e receitas, hoje proibidíssimos pelos Mé Di Cus, porém deliciosos ao paladar e principalmente ao coração e à memória afetiva... Viagens, mudanças, trabalho, o casamento com sua querida Maia, a chegada de cada filho na sua “nau”, os reveses e vitórias da vida, tudo isso num estilo leve, cativante, sim, gostoso de ler. De vez em quando, no meio de um relato, o narrador puxa uma cordinha que abre uma gaveta de onde sai uma história, ou mais uma lembrança. É um passeio emocionante para o leitor de qualquer idade. Não faltam poemas e, ao longo do livro, reflexões filosóficas transitam sem pretensão, como a que podemos ler na página 209: “Só sabemos o dia da partida, o destino é para onde o vento soprar”. Sem medo de exagerar, podemos dizer que “Chapadão do Bugre” e “Sagarana” ganharam um companheiro e tanto. Neuza Gonçalves Travaglia

veio da Bahia para encontrar o amor Ela é uma pessoa de bem com a vida, de hábitos simples e sempre pro alto. Uma capricorniana que encara a vida com alegria. Veio da Bahia para viver e trabalhar em Uberlândia e encontrou aqui o grande amor de sua vida, o araguarino Anisio Jorge Hubaide, o popular Baía, que fez importante trabalho cultural em Uberlândia. Aos 85 anos, relata para o Fundinho Cultural a sua história em Uberlândia, onde vive desde a década de cinquenta. OLGA RIBEIRO HUBAIDE: "-Capricorniana, nasci em Salvador, na Bahia, há 85 anos e há mais de cinquenta anos resido em Uberlândia, para onde vim trabalhar no comércio, numa loja de roupas infantis, “A Gurilândia”. Vim para cá, ainda criança, com toda a minha famíla. Trabalhei na firma de Carlos Zacharias quando era costureira. Em 1958 me casei com Anísio Jorge Hubaide, o popular Baía, e tivemos duas filhas, a Heloísa e a Helena, e 3 netas, a Aline, a Marina e a Isabela; e um neto, o Augusto. Eu conheci o meu marido, quando trabalhava numa loja na Rua Santos Dumont. Eu o via passando sempre por ali em seu carrinho Ford. Era solteiro, dono de um salão de cabeleireiro defronte à minha loja e nos tornamos amigos, depois namoramos, e num período de três anos nos casamos. Uberlândia, quando cheguei aqui, tinha a sua principal praça, a Tubal Vilela, toda cercada de bambus. Não havia nenhum prédio aqui. O primeiro prédio que se ergueu em Uberlândia foi ali na Afonso Pena, onde, no térreo, se instalou a Drogasil. Logo a seguir foi erguido o Edifício Tubal Vilela, o Edifício Sandoval Guimarães veio muito depois. A vida em Uberlândia de antigamente era muito boa. Não tinha supermercados, faculdade nenhuma, mas era muito bom e os bons partidos de antigamente eram os bancários que trabalhavam no Banco do Brasil, na Caixa e em outros bancos. Quando eu conheci o meu marido, o Baía, ele já era muito interessado em cinema e fazia uns filmes de publicidade. Ele tinha um carrinho e uma autorização da companhia Prada para exibir os seus filmes nos bairros, patrocinado pelas publicidades que fazia na rua com alto falantes. Ele era uma pessoa simples, filho da cidade de Araguari, os seus pais vieram da Síria junto com outros imigrantes sírios, num navio, em Santos. Os pais do Baia depois que chegaram ao Brasil, em Campinas, trabalharam com plantações de café mas quando o café levou muita gente à bancarrota, eles perderam tudo e vieram com 9 filhos para Araguari. O pai dele virou mascate e saía, até no lombo de um burro, para vender roupas e outras mercadorias. Meu marido era autônomo, gostava de trabalhar, sabia ganhar e guardar por isso nos deixou os recursos para nossa sobrevivência, com segurança. Meu marido se dizia comunista, tinha ideias, gostava daquela doutrina, mas não era fichado em nada que pudesse comprometê-lo. O meu marido é que colocou nele este apelido, Baía. Ele tinha loucura para conhecer a Bahia. Ele dizia na propaganda: “-Você quer falar com o Baía, o Baía sou eu!” Gosto de música, cheguei a aprender violão e piano. Tenho um piano, mas ultimamente não toco nada. Minhas filhas é que tocam porque aprenderam. Para a nossa saúde e o nosso bem estar precisamos sempre fazer ginástica e há muitos anos faço musculação e unibiótica. Eu era bordadeira e fazia enxovais para recém nascidos. Faço parte de um grupo beneficente. O tempo de hoje, moderno, é bem melhor em muitos aspectos, nos tempos antigos o fogão era à lenha, não havia esta comodidade dos banheiros, estas cozinhas de hoje... este conforto que nós desfrutamos hoje em dia. A gente não conhecia nada disto e era feliz. Minhas filhas me deram um celular, mas computador não tenho não, só minha família., Eu acho que o mundo seria muito melhor se as pessoas fossem mais amigas umas das outras e não houvesse tanta ambição como tem hoje. As pessoas hoje, não tem amor por ninguém. A televisão afastou muito o povo. Eu vim morar nesta rua aqui, nós sentávamos na porta com os vizinhos, a televisão tirou tudo isto e agora o computador. Era raro antigamente a pessoa que sabia o nome do presidente, do governador, hoje você tem condição de saber tudo até de outros países, conhece eles, a televisão mostra tudo isto, muito coisa moderna . Naquela época, dos tempos antigos o que perseguia os jovens era a bebida, hoje tem outras coisas."

"o Baia sou eu" Sobre o esposo de dona Olga Ribeiro Hubaide, o senhor Anísio Jorge Hubaide, a EDUFU, editora da Universidade de Uberlândia, com a organização da professora Jane de Fátima Silva Rodrigues, lançou em 2007 o livro O BAÍA – Uberlândia em crônicas “Baía, um menino do Sertão da Farinha Podre, tornou-se cidadão uberlandense por escolha própria, pois, mais do que ninguém, amava essa cidade nela viveu sua mocidade e maturidade. Todavia foi também cidadão do Brasil e do mundo. Compartilhava cada uma de suas viagens, suas aventuras e seu deslumbramento com as outras culturas por meio de suas crônicas. Homem dos “sete instrumentos”, foi comerciante, cronista, boêmio, divulgador de cultura, crítico mordaz da política conservadora e turista apaixonado. O seu livro , além de uma homenagem da EDUFU a este personagem tão especial, é também fonte de pesquisa para os estudiosos da história local. Fica aqui o convite para desfrutar de um passado cujas marcas permitem re/encontrar nas memórias deste homem, a identidade presente que viveu-se em tempos idos”

O cineminha do Baía Isto se passou lá pelos anos cinquenta, faz tanto tempo.... Mas eu me lembro muito bem da festa que era a presença do cineminha do Baía, lá na minha rua de terra, no Bairro Martins, na Travessa Centralina com a Bueno Brandão. O carro de propaganda passava antes e avisava o povo. E à noite estava todo mundo lá, esperando ansiosamente, o Baía ligar os aparelhos e projetar os filmes numa tela grande, que não era tão grande assim, mas, para nosso olhar de criança, era enorme... O cineminha de rua do Baia começava mais uma sessão. Às vezes, no melhor da festa rebentava a fita, mas, ninguém vaiava, gente humilde, ainda achava tudo aquilo de primeira, muito bom. As comédias ingênuas, os filmes nacionais, as chanchadas da Atlântida, os seriados de cowboys, muitas histórias que começavam e às vezes não chegavam ao fim. Mas a gente sempre dava um jeito de imaginar um fim para aquilo tudo. E tudo era lindo. Um sonho proporcionado pelo Baía, ao povo, e principalmente às crianças. No meio da simplicidade uma noite feliz no mágico espetáculo do cineminha do Baía. E nos créditos finais, a alegria do povo que assistia de graça, o que nos cinemas da cidade custava caro e não dava prá gente pagar... Hélvio Lima

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Crônica

Destaque

POESIA SEMPRE

UM RETRATO DE MINAS Manoel Hygino dos Santos (*) Foi lançado o número 36 da revista “Poesia Sempre”, da Biblioteca Nacional, do Rio de Janeiro. Em quase duas dúzias de anos, a publicação conquistou mais do que leitores, por pleno reconhecimento pelo significativo papel que exerce nas letras do país. Um detalhe: as edições anteriores foram dedicadas à poesia de alguns países estrangeiros, embora abrigando eventualmente poetas brasileiros. Nas páginas dos 35 números anteriores surgiram os nomes mais importantes da poesia da Alemanha, França, Itália, Espanha, Israel, GrãBretanha, Rússia, Japão, Suécia, China, Peru, Sérvia, Irã e outras nações. Na edição que agora circula, porém, há apenas Minas Gerais, como homenagem aos conterrâneos que se devotaram à nobre arte da palavra. Começa-se com um ensaio de Letícia Malard sobre o tema, seguido da produção de poetas clássicos mineiros, de poetas modernistas e, finalmente, com os poetas do pós-modernismo até a atualidade. Entrevista feita por Afonso Henriques Neto, editor, com Affonso Rommanno de Sant’Anna. Ainda, três traduções do poema “Le bâteau ivre”, “O barco bêbado”, de Rimbaud; resenhas por

Cláudio Willer e artigo de Floriano Martins. Entre os clássicos, Santa Rita Durão, Cláudio Manuel da Costa, Basílio da Gama, Tomás Antônio Gonzaga, Silva Alvaarenga, Bernardo Guimarães, Augusto de Lima, Alphonsus de Guimaraens, Severiano de Resende e Archangellus Guimaraens. Modernistas: Austen Amaro, João Alphonsus, Carlos Drummond de Andrade, Emílio Moura, Pedro Nava, Ascânio Lopes, Francisco Inácio Peixoto e Rosário Fusco. Do pós-modernismo mineiro até a

atualidade estão representados Henriqueta Lisboa, Abgar Renault, Bueno de Rivera, Lúcio Cardoso, Dantas Motta, Alphonsus de Guimaraens Filho, Paulo Mendes Campos, Hélio Pellegrino, Yeda Prates Bernis, Affonso Ávila, Laís Corrêa de Araújo, Lina Tâmega Peixoto, Adélia Prado, Affonso Rommanno, Sebastião Nunes, Danilo Gomes, Ronaldo Werneck, Aricy Curvello, Adão Ventura, Ronald Claver, Eustáquio Gorgone de Oliveira, Paulinho Assunção, Sílvia Rubião, Affonso Barreto, Donizete Galvão, Ricardo Aleixo, Edimilson de Almeida Pereira. Evidentemente, são expoentes da poesia em nosso tempo, de que há resumos biográficos. Claro que muitos merecem a distinção, e nela eu incluiria alguns outros excelentes poetas mineiros. De todo modo, uma publicação esplêndida e com bela iconografia. (* Membro da Academia Mineira de Letras, considerado o melhor cronista de Minas Gerais.) [Texto publicado no grande diário “Hoje em Dia”, Belo Horizonte-MG, 13 abril 2013, página 2. Reproduzido pelo jornal literário “Linguagem Viva” Ano XXIII n.284, São Paulo, abril 2013, p. 5.]

REVISTA POESIA SEMPRE É DEDICADA A POETAS MINEIROS A Fundação Biblioteca Nacional lançou a edição nº 36, da revista Poesia Sempre, a primeira de 2013, que reúne 25 poetas mineiros consagrados e traz as escolas e movimentos em ordem cronológica: Arcadismo, Romantismo, Simbolismo, Parnasianismo, Modernismo e Pós-Modernismo, nos estilos clássicos, moderno e tontemporâneo. A revista, editada por Afonso Henriques Neto, inclui uma entrevista com Affonso Rommanno de Sant’Anna, ex-presidente da FBN e criador da revista, e abriga o ensaio Minas Gerais e sua poesia, de Letícia Malard. A sessão Resenhas traz co-

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mentários analíticos sobre os livros “Espelho dos Melodramas” e “Folias do Ornitorrinco”, de Rodrigo de Haro, por Cláudio Willer, e “Teares de um Canto-livre”, de Viviane de Santana Paulo, por Floriano Martins. Também tem uma sessão dedicada a tradutores brasileiros. A edição reúne os poetas clássicos Cláudio Manoel da Costa e Silva Alvarenga. Modernistas : Carlos Drummond

de Andrade e Pedro Nava. Contemporâneos : Adão Ventura, Adélia Prado, Affonso Ávila, Affonso Rommanno de Sant’Anna, Aricy Curvello, Henriqueta Lisboa, Ricardo Aleixo, Ronaldo Werneck, Yeda Prates Bernis, entre outros. A revista Poesia Sempre – Minas Gerais pode ser adquirida na Loja do Livro da Biblioteca Nacional www.bn.br/lojadolivro . Informações: Tel. (021) 22201309. E-mail: lojadolivro@bn.br. [Texto publicado pelo jornal literário “Linguagem Viva” Ano XXIII n.283, São Paulo, março 2013, p.5]

COMENTÁRIOS PELO BRASIL AFORA LIVROS + RESENHAS + DICAS POESIA SEMPRE n. 36 Ano 18. Edição de Afonso Henriques Neto, com conselho editorial formado por nomes de peso e comissão executiva da Fundação Biblioteca Nacional, que tem como presidente Galeno Amorim... Entre os grandes poetas nacionais, Aricy Curvello, mineiro (1945), residente no Espírito Santo. (Vide poema “Sob a relva”...)Ilma Fontes, In O Capital- Jornal de Resistência ao Ordinário Ano XXII n. 226, Aracaju (SE), abril 2013, p. 10. COMUNICAR-TE / LIVROS Diversos autores. Poesia Sempre, Revista da Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, RJ, 2012...Registramos, para efeito de ilustração, alguns nomes e as respectivas cidades do interior, os quais emprestam seus nomes a “Poesia Sempre”: Henriqueta Lisboa (Lambari); Dantas Motta (Aiuruoca); Eustáquio Gorgone de Oliveira (Caxambu); ... Aricy Curvello (Uberlândia); Adélia Prado (Divinópolis), além de outros nomes cuja mostra de poemas dá a exata dimensão do que produziram e produzem ao longo dos anos. Vale a publicação pelo registrodo momento. Vale, uma vez que todos têm o mérito de de contribuir para a cultura regional. - Hugo Pontes, in Jornal da Cidade, Poços de Caldas (MG), 19 abril 2013, p. 8. AUTORES & LIVROS Aricy Curvello é um dos grandes nomes da Poesia Contemporânea do Brasil. A prova está aí, no número 36 da revista “Poesia Sempre, da Fundação Biblioteca Nacional, do Ministério da Culltura : poema seu está à página 153. Nem por isso ele deixa de ser um sujeito cotidiano, compreensivo de gentes e amigo de livros.... – Nelson Hoffmann, In “O Nheçuano” Ano 4 Nº 17, Roque Gonzales (RS), abril/maio 2013, p. 10.

Era uma vez Sentada no cimento, lagarto ao sol, a menina olhava o céu. Não sei por que a fascinação pelo azul era tão forte, talvez sua amplidão. Mas seus olhos se prendiam às nuvens e se perdiam em reflexões profundas ditadas pela voz da avó. Avó que tinha, em sua cabeça branca, um manancial nunca esgotado de histórias que iam povoando os cantos ainda vazios das cabeças dos netos ansiosos. Olhando o azul, a menina se confundia com a cor, sentia-se absolutamente dona do mundo e percorria castelos, viajando por lugares que só ela mesma conhecia. Descalça, quase sempre, e com o vestido meio dependurado ao corpo, o que lhe valeu de um velho e querido professor o apelido de “Espandongada”, corria pelos pátios do colégio à cata de alguma flor ou de uma borboleta mais fugidia. Ah! Que grande privilégio, crescer dentro de um colégio onde o pai era diretor! Sua vida confundia-se com a de milhares de outras que um dia esquentaram as carteiras do imponente prédio, cada uma deixando-lhe guardada uma lembrança nítida na memória de criança. Porém era no fim do ano que, no peito da menina, insopitadas, explodiam as emoções. O dia de Santa Luzia, nada de agulhas, nada de ler, só plantar o arroz nas latinhas de sardinha previamente preparadas, assim, no natal, o presépio já teria o seu capim. O dia de levantar cedo e correr para os sapatos e descobrir o que lhe havia chegado, misteriosamente, no meio da noite. Dia de roupa nova na missa solene do nascimento de Cristo, engomada, rendada, impecável. Fim de ano, chegada do irmão que estudava lá longe, trazendo consigo uma dose de humor que sempre o distinguia de todos. E havia o cheiro. Cheiro forte de terra molhada e mato cortado. Cheiro de coisa boa que exalava do grande fogão de lenha, sempre ocupado pelas mãos negras e mágicas da risonha cozinheira. E as galinhas? Montes delas, mania do pai. Pintinhos na chocadeira, aflorando emboladinhos dos ovos, festa para a meninada. Havia gatos enormes, médios, vagabundos, catados, quase sempre, nalguma rua vazia sob o olhar complacente da mãe de coração largo. Dias tão curtos para caber tanta coisa. Brincar de casinha com a irmã, bonecas de pano, comidinha no fogãozinho de trempe, retalhos, montanhas deles, se transformavam em mil roupinhas. A guerra, um assunto distante, mas constante. Campanha do ferro velho, da borracha, canção do Expedicionário... A menina sabia que alguma coisa tremenda, horrível, envolvia o mundo dos adultos, mas o seu ficava fechado numa campânula azul. Flutuava sobre tudo e não percebia o olhar aflito da irmã que temia convocação do namorado. A menina corria seus anos rolando nessa colcha de retalhos coloridos e brilhantes e um dia viu-se adulta, num mundo estranho. Que ricos foram aqueles dias, os melhores da vida. Vida quente, prenhe de amor, guardada no escaninho mais secreto da cabeça já muito conturbada. Resta o azul, este, sim, continua muito azul, só que não há tempo para namorá-lo lagarteando o sol. Ione Mercedes Miranda Vieira

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Crônica

Perfil

Uma visão da modernidade

ALCIDES MELLO um artista multimídia

A modernidade exibida nas mídias e extravasada nas pessoas representa um segmento importante (não o mais) do mundo atual, que na verdade não é moderno nem antigo, senão o somatório de todos os tempos, cada um deles com seus usos, costumes e crenças, tudo ainda em vigor. Os focos de resistência ao modernismo acelerado são a própria vastidão do mundo multicultural, que aos poucos vai se rendendo aos apelos bem engendrados das mídias, autênticas representantes desta modernidade. Quem ainda não se associou a nenhuma rede social ou, pior ainda, não aderiu ao computador e nem mesmo ao telefone celular, é exemplo desta resistência, o que não deve ser objeto de grande preocupação. A felicidade, nossa busca essencial, não passa necessariamente por aí. Ela tem caminhos próprios e atemporais. Enquanto a tela cintilante da TV, os tablets, os jornais e revistas propagam a modernidade para que esta avance e conquiste cada vez mais adeptos, o resto do mundo – vale dizer, a maior parte dele – permanece primitivo e fiel a cada cultura. Isto pode ser constatado pontualmente da janela de um veículo, se você estiver viajando por uma estrada qualquer. Alguém acabou de me relatar um cenário campestre em que o gado caipira pasta sonolento no capinzal verde e úmido, enquanto a família, detentora (ou não) dos direitos daquele sítio, tece o antigamente na casinhola ao lado. Este primitivismo de pureza e despojamento também subsiste na periferia das cidades, onde crianças ainda empinam pipas e se agrupam nas brincadeiras de época. Enquanto isso, a modernidade avança, ameaçando as pipas e tudo o mais. O mundo moderno de que estamos falando é em parte real e em parte editado, ou seja, é manipulado tecnologicamente para se apresentar a nós, seres urbanos, como um fluxo de acontecimentos vazados em imagens e textos noticiosos, tudo sucedendo em alta velocidade. O tempo presente é movimento sucessivo e mutante de curtíssima duração, feito, sim, para informar, mas também para captar consumidores de banalidades. Em resumo, o binômio imagem-notícia é moldado mais para causar espanto passageiro do que para ser objeto de reflexão. O dicionário explica que reflexão é juízo, é pensamento sério. É também meditação; reflexão é o ato em virtude do qual o pensamento se volta sobre si mesmo para examinar seus elementos e combinações. Reflexão parece, pois, estar em desacordo com o mundo moderno e veloz. É como se houvesse uma ordem superior: “Não pense, apenas aprecie e passe à cena seguinte, pois o tempo urge!”. É evidente que a reflexão não morreu, só está meio fora de moda. Ao pio de um passarinho, desviei o olhar de toda essa modernidade e pus atenção sobre minha estante de livros e afins. Foi o quanto bastou para que me lembrasse da liberdade, ou poder, que sempre esteve ao meu alcance. E está ao seu alcance também. O que vai entrar em nossa mente, e frutificar, e o que deixamos passar de largo é decisão inteiramente nossa. Ao menos em princípio, estamos no controle do processo para escolher e rejeitar informações dentre aquelas que nos são oferecidas aos borbotões. Podemos, portanto, dosar o fluxo de modernidade sobre nós, deixando espaço para rever velhos livros, retomar aquela ideia que andava meio esquecida ou, simplesmente, apreciar o que se passa no entorno, entendendo por isso a família, os amigos, os cantinhos da casa e a paisagem vislumbrada da janela. Deixemos a modernidade jorrar o seu fluxo de acontecimentos. Nós somos depositários de todos os tempos e podemos (re)editar qualquer um deles segundo nossa vontade soberana, ainda mais agora, com toda essa modernidade a nosso favor.

“Poemas guardados, enterrados entre placas de concreto, germinam um dia a procura do ar, da água, do sol, do pensamento e da inspiração de quem os fez. Como ervas daninhas, inquietos rompem as amarras e o cimento e brotam a procura do nada, anos e anos depois de trancafiados, conservando a poeira, o mofo, a tinta da caneta bic e o estado sutil de quem os escreveram. Será?”

José Carlos da Silva www.jogralqualquerlua.com.br

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ALCIDES MELLO é músico, compositor, cordelista, produtor cultural, artista gráfico, escritor de livros eletrônicos, radialista, produtor e apresentador do programa de rádio “Canta Nordeste”, sobre a cultura nordestina, na rádio Universitária, da Universidade Federal de Uberlândia. Enfim, um artista multimídia que há alguns anos reside em Uberlândia e trouxe a sua contribuição para a cultura da cidade. Atualmente trabalha na Assessoria Pedagógica do Ensino Fundamental da Secretaria Municipal de Educação e coordena os programas Mais Educação e Mais Cultura nas Escolas. Qual a sua cidade de origem e há quanto tempo você reside em Uberlândia? Sou de Aracaju, Sergipe e há trinta anos resido em Uberlândia. Aqui fui muito bem acolhido e tenho por essa cidade enorme gratidão.

além de ser uma cidade relativamente nova, sessenta por cento de sua população é constituída por migrantes, que por aqui ficam, passam, contribuindo de certa forma para uma tradição cultural um tanto volátil, tendo como base diversas matizes. Assim como diz o poeta “Minas são muitas”, o município também tem suas peculiaridades. É visível uma tradição muito forte nas manifestações populares envolvendo o congado, o samba carnavalesco, a folia de reis, a música sertaneja. Mas, ao mesmo tempo, tem inúmeros coletivos de arte e cultura independentes, fazendo e discutindo as novas tendências para o teatro, a dança, a música, o audiovisual, a literatura, entende? Em seus cento e vinte quatro anos de existência, penso que a produção cultural local circulou muito em torno de si pró-

Entre a música, as artes gráficas, a literatura e o rádio, qual o caminho que mais lhe atrai? A linguagem musical. Por ser universal e ter a capacidade extraordinária de transportar as pessoas, aflorar a sensibilidade. Ela é magnífica e tem um poder de interação muito grande.

Como aconteceu a sua vinda para Uberlândia? Na primeira administração do Prefeito Zaire Rezende, em abril de 1983, aqui cheguei para trabalhar na Prefeitura. De lá para cá sempre estive envolvido com a cidade, com a mobilidade urbana, com os movimentos sociais, com a política e com a cultura. Uberlândia me propiciou muitas experiências. Por isso sou muito grato a ela. Tenho um filho mineiro e sou uberlandino de coração.

já se considera um sergipano mineiro? Sim. Porque aqui é onde resido, estabeleço minhas relações sociais, profissionais e, consequentemente, relações afetivas. Trinta anos é muito tempo. Passei mais tempo da minha existência aqui do que em minha terra natal. Evidente que sinto falta do “cariri” nordestino, que alimenta a minha inspiração, dá corda à minha imaginação artística. Aqui, a inspiração fica a reboque do trabalho. A cidade se desenvolve numa rapidez muito grande e, queira ou não queira, a gente acaba se envolvendo diretamente neste processo. Por isso a cidade é o que é hoje, uma das grandes cidades brasileiras, com uma qualidade de vida muito boa. vê a arte e a cultura em Uberlândia? Estamos saindo de uma Conferência Municipal de Cultura para traçarmos o destino da arte e da cultura no município, para aos próximos dez anos. Assim exige o Plano Nacional de Cultura. Uberlândia tem uma característica muito diferenciada:

TEREZINHA MARIA MOREIRA Queria oferecer-lhe um floco de nuvem, um raio de luar, o marulho das ondas, a “fímbria do horizonte”, o ouro do pôr do sol, uma ponta do arco-íris, uma estrela bem brilhante, a poesia do entardecer, uma nesga de céu azul... Lamentavelmente, nada disso é possível. Que pena! Ofereço-lhe toda a ternura de meu coração... Poema que deu origem ao título do livro lançado, em outubro último, por TEREZINHA MARIA MOREIRA. 3 poemas desta obra foram utilizados na seção FOCO da revista “CARAS”, edições de 17/01/2013, 29/03/2013 e 18/05/2013.

Qual

o artista que mais o inspirou, desde a infância? Jackson do Pandeiro

Você

Como

Quando sentiu que a arte em seus múltiplos aspectos seria o seu verdadeiro caminho? A contemporaneidade exige do artista, do fazedor de arte e cultura, sensibilidade e, sobretudo, novas habilidades, até mesmo para que sua obra sobreviva e interaja com o mundo atual e com as pessoas. Nós não podemos nos encerrar em um mundo individual e desconectado da realidade, impedindo, desse modo, que o conhecimento e novas habilidades passem de forma despercebida e até mesmo indiferente. O artista, enquanto sujeito atento às questões de percepção e sensibilidade deve captar tudo e a todos em volta de si mesmo e do universo no qual está inserido. Até mesmo ao clamor das ruas. Então, faz parte do aprimoramento do verdadeiro artista, estudar e estar sempre aberto a tudo que está acontecendo a sua volta. Faz parte.

A VOCÊ

pria, ou seja, muito aqui dentro. É bem verdade que muita gente boa saiu e projetou artisticamente a cidade lá fora, sobretudo na dança, nas artes plásticas, no teatro, na música raiz, entre outros segmentos. Agora há uma necessidade premente de o país tomar mais conhecimento, com mais regularidade, do que aqui está sendo produzido. Em outras palavras, sou a favor que saiamos mais para mostrar para o mundo, de forma coletiva, as nossas produções artísticas, que são muitas e de boa qualidade. Defendo a opinião de que o poder público tem um papel fundamental nisso tudo: facilitar esse processo em todos os sentidos, principalmente no que diz respeito às propostas de dar visibilidade ao que é produzido artística e culturalmente em nosso município.

Um mito: Jesus. Um revolucionário! Um livro: o Baghavad Gita, um dos textos mais antigos da história da humanidade. Uma música: Carinhoso, de Pixinguinha, o maior dos chorões! Um filme: O artista, Um cantor: Lenine Uma cantora: Gal Costa. Afinadíssima! Um compositor: Villa Lobos. Brasilidade! Uma filosofia de vida: A vida é curta e usa calças curtas! O presente: continuar acreditando e alimentando minhas convicções. O futuro: a crença em um mundo possível, sustentável e com menos violência. A vida: oportunidade divina e, por isso mesmo, deve ser vivida de maneira que possamos dizer para nossos filhos e netos que “vale a pena”! (acesso a produção de infogravuras e livros eletrônicos): www.facebook.com/livrudigitau www.myebook.com/alcides_mello www.livrudigitau.blogspot.com

O livro “A VOCÊ” continua sendo vendido, com sucesso, nas livrarias: - ITACOLOMY - LEITURA Uberlândia Shopping - PRÓ SÉCULO - RAINHA DA PAZ

Clics George Thomas O poeta Observa e absorve Pra alguma coisa Ele serve: Pra fazer verter Os versos Que fervem Sua verve adversa E divertem

Quando quero mudar o mundo, fico surdo e mudo.

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Poesia

Crônica

Impressões da Flórida, Estados Unidos Vida de avós aposentados é imprevisível. Estávamos planejando uma viagem à Turquia para maio-junho deste ano, incluindo Capadócia, quando recebemos o convite de nossa filha para acompanhar sua família numas férias pela costa leste da Flórida, de Fort Lauderdale até Saint Augustine, ao norte, passando por Orlando, e voltando para Weston, mais a noroeste de Miami. Achei uma delícia, primeiro porque teríamos ótima companhia, segundo, porque acho a Flórida o retrato de um Brasil que deu certo e, terceiro, me livrei da Capadócia, onde Nízia certamente iria querer subir num balão para apreciar a paisagem de cima, mesmo sabendo que no início do ano havia caído um lá no Egito. Não me agrada voar num veículo que depende do bom humor do vento para se deslocar e que não pode ser dirigido. O balão que caiu justamente na Capadócia em maio passado mostrou que minhas preocupações eram procedentes. Nossa viagem já começou bem pelo preço, quinze mil e duzentos reais para cobrir o gasto de cinco adultos e duas crianças com alojamento de onze dias em dois apartamentos conjugados, totalmente equipados, cozinha e lavanderia inclusas, em hotéis de primeira, três dias numa casa igualmente bem equipada, uma Toyota Sienna de sete lugares à disposição, mais passagens de ida e volta! Imaginem quanto seria isso no Brasil. Aliás, com a melhor distribuição de renda ocorrida nos últimos anos, os preços dispararam, principalmente nas cidades grandes. Não entendo por que o povo não boicota tamanha ganância. Fort Lauderdale está logo acima de Miami e é um brinco. Reúne tudo de bom de uma cidade grande numa área relativamente pequena e uma população de aproximadamente cento e setenta mil habitantes. Ficamos num hotel na Beach Boulevard, frente à praia, linda, limpa, cheia de coqueiros, mar caribenho de águas cristalinas e com duchas de água doce potável a cada cinquenta metros. Embora muito frequentada, na praia não havia nenhum vendedor ambulante, não se ouvia nenhuma música alta assim como não se sentia entre os presentes qualquer preocupação com os pertences. Dá prazer frequentar uma praia assim num clima tropical! A ida a Orlando foi, em princípio, para agradar aos netos, mas depois percebi que

os pais dos netos ficaram também muito empolgados, principalmente com o parque da Universal. No fim do ano passado estivemos com eles no Neuschwanstein, perto de Munique, palácio em que se inspirou Walt Disney para construir o castelo da Cinderela. Na Alemanha fazia um frio dos diabos e as crianças não puderam apreciar devidamente a bela obra do Rei Ludwig. Gostaram mais da imitação da Disneylândia, que é também muito bonita e, fundamentalmente, pelos atrativos que estão ao seu redor, que reúnem passado e presente de uma forma muito inteligente. Não é à toa que milhares de pessoas do mundo inteiro visitam Disneyworld diariamente, pagando uma entrada de noventa dólares, com direito a todos os brinquedos e passeios. A área do parque é enorme, inclui muitas atrações além do parque temático, como ótimos restaurantes, shows artísticos, etc. e até hotéis onde se hospedam turistas que querem curtir o local por alguns dias. Inicialmente o projeto de Walt Disney na Flórida tão pantanosa foi considerado uma loucura, hoje é um sucesso total, como os três maravilhosos palácios construídos pelo Rei Ludwig, conhecido como Rei Louco. Duramente criticados na época, atualmente esses castelos estão entre os locais turísticos mais visitados da Alemanha e rendem milhões de euros aos cofres públicos. A vida é surpreendente. O parque da Universal oferece atrações mais radicais, só foram Rodrigo e Mariana. Eu recusei o convite prontamente, nunca fui de entrar em brinquedos que mexem muito com o líquido do labirinto. Passei muito mal nas poucas vezes que contrariei meus instintos naturais. Finalmente, após uma queda livre numa montanha russa, decidi nunca mais me sacrificar. Agora só carrossel de cavalinhos e coisas semelhantes. Pelo que escutei, o parque da Universal é mais apreciado que a Disneylândia pelos adultos. Saint Augustine é uma cidadezinha de 12 mil habitantes à beira mar, foi a primeira colônia permanente em território continental dos Estados Unidos. Sua fundação remonta ao ano de 1565 e durante uns dois séculos foi capital da Flórida espanhola, que em 1763 passou ao domínio inglês e, vinte anos depois, voltou ao domínio espanhol. Em 1821 a Flórida foi definitivamente incorporada aos Estados Unidos. Saint Augustine guarda toda essa história e muito

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Evandro Afonso do Nascimento, junho de 2013.

Pela casa há sinais da paixão Na estante da sala. Num cantinho improvisado do quarto com prateleiras que também guardam outros pertences de um senhor que já passou dos 80 anos e descobriu há pouco a leitura. Foi em 2006. Um conselho da companheira de tantos anos, dona Solimar. E que ganhou o coro da família. De lá para cá ele já catalogados em um caderno mais de 160 obras. A estratégia de anotar cada título é para não correr o risco de repetir. Abrir as páginas e entregar-se a uma boa história é rotina na vida do senhor Adolpho Calegari. Um dos que mais marcaram foi o Diário de uma Paixão, de Nicholas Sparks. Até arriscou uma crítica e escreveu: “este livro que se lê em uma noite ‘Sparke’ cria força emocional autêntica. Se você está precisando chorar um pouco, o Diário de Uma Paixão é, sem dúvida o livro certo.” E continua: “O Diário de uma Paixão vai abrir um buraco no seu coração. Quem não se debulhar em lágrimas da primeira à última página tem um coração de pedra!” Ele divide os horários de leitura. Acorda meia hora mais cedo, antes do almoço e consegue ler à noite porque após uma cirurgia nos olhos ficou bem melhor. Sr Adolpho tem o então segundo ano primário. Tantas páginas acumuladas ao longo de sete anos mudaram a vida desse aposentado que trabalhou durante anos como mecânico. Além de viajar pelas mãos de tantos autores, ele aprendeu um pouco mais de geografia. Estudou quando cada estado brasileiro foi criado, quais países têm como idioma a língua portuguesa e um bocadinho de matemática. Sr Adolpho calculou a quantidade de folhas leu. Bom de prosa, me confessa que melhorou o português! “Meu português era péssimo. Antes eu falava muié (risos), hoje falo mulher,” orgulha-se! O hábito aproximou ainda mais das duas filhas e dos três netos. A mesa na cozinha é espaço para debates, conclusões e considerações filosóficas. Um conhecimento que ele não se importa de emprestar, mas registra quem leva para casa o objeto! E como ouvir os mais velhos sempre vale a pena, pergunto ao Sr Adolpho uma mensagem para aqueles que resistem, têm preguiça de deixar os olhos correrem por um amontoado de palavras e personagens. Assertivo, o novo leitor diz: ‘deve experimentar, forçar um pouquinho que vai gostar!” Mesmo que seja um calhamaço de páginas? “Para mim quanto mais páginas, melhor! A história fica completa!” E ás gargalhadas vamos tomar um café! Mônica Cunha

LÁPIS, PAPEL E... Por Alessandra Leles Rocha O que seria da alma se não fossem as palavras para tão bem dissecá-la? Como dar asas aos sentimentos, as emoções, muito além do próprio corpo? A resposta é simples: ESCREVER. Instrumentalizado pelo lápis e o papel, assim o ser humano inicia a fantástica viagem pelo universo desconhecido de si mesmo. Assim que somos alfabetizados o mundo de fato se abre diante de nossos olhos internos e externos. Não se trata de subir um degrau, mas se lançar em queda livre, de braços abertos e alma desnuda, na imensidão que costumam chamar de cultura e conhecimento. A partir desse momento inesquecível seremos capazes de galgar por conta própria os caminhos da vida e alcançar o gigantismo que nos arrebata a análise, a reflexão, as considerações sobre o que se passa dentro e fora de nossa existência, com o grande presente que é podermos fazer nossos próprios registros. A escrita é sempre o grande trunfo do vivente! Um trunfo contra as perdas graduais da memória, a contestação impertinente de terceiros, os desvarios e abusos dos que pensam se vestir de poder, as tristezas e abatimentos, a solidão, as investidas da paralisia mental – seja ela voluntária ou não -,... Na beleza da caligrafia desenhada sobre o papel, ou mesmo o rabisco no instante de raiva, cada palavra oculta em si um poder inestimável. Ainda que se faça mais comum nos instantes de silêncio e na companhia de si mesmo, o ato de escrever em nada se reveste de isolamento ou melancolia. Entre o escritor e o papel há uma forte parceria, um convívio emocionado e envolvente, uma cumplicidade indubitável, como se ambos fossem complemento um do outro. Da mesma forma que nas relações sociais, escritor e escrita se veem subjugados a estreitar cada vez mais os laços, a despender cada vez mais horas em suas “conversas” cotidianas, deixando transparecer até mesmo um ar de dependência boa, aquela que traz paz e restaura o equilíbrio. Embora minhas palavras pareçam traduzir um fenômeno quase natural e comum a grande maioria da população, escrever ainda é um obstáculo praticamente intransponível para o ser humano. Seja uma lista de supermercado, ou um cartão de aniversário, ou os compromissos na agenda, para milhares de pessoas isso representa uma verdadeira “tortura”. O receio de registrar os próprios pensamentos, ideias, cotidiano, ao invés de lhes trazer o benefício de uma liberdade pacificadora exerce uma função totalmente oposta. Dizem que não são bons com as palavras, que não sabem se expressar, que não gostam da própria letra, que não dominam adequadamente a gramática,... Tudo para se esquivarem de um confronto direto com o papel em branco. É! Talvez por isso tantos estejam tão doentes! Escrever antes de ser necessidade, arte, expressão da sensibilidade e da razão, é terapia! A grande oportunidade de desfrutar de si mesmo, de conhecer os recantos mais escondidos da sua existência, e traduzir em poucas, ou muitas, palavras às diversas impressões. Gozando do direito absoluto da individualidade, dar conhecimento público ou não dessa prática é uma decisão que só compete ao escritor. Anônimos ou famosos apreciadores dessa miraculosa expressão humana, nem tudo que sai de suas penas corre ao sabor do vento. Algumas folhas são guardadas a sete chaves como pequenos segredos de estado (estado da alma, é claro!). Outras permanecem no aguardo do momento que surgirá oportuno para se revelarem. Haverá aquelas produzidas em momentos difíceis que passado a fúria intempestiva são submetidas às lixeiras para o silêncio eterno. No fim, muito além do trunfo, escrever é o refúgio do ser humano; quando ele se abriga em si mesmo para vencer as adversidades inerentes à vida. Quer melhor afago do que este! Não há maior segurança do que na fortaleza do próprio espírito! No momento em que a “frágil” criatura humana extravasa sem pudores as suas entranhas num mero pedaço de papel surge pelas palavras o individuo forte e capaz de lidar com as flores e os espinhos do mundo. Publicado em http://www.paralerepensar.com.br/paralerepensar/ texto.php?id_publicacao=19894

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mais. No século 19 pertenceu à elite da arquitetura americana, possui o primeiro edifício de concreto armado do país, um hotel luxuoso para a época cuja diária alcançava dois mil dólares. Mais recentemente, na década de 1960 do século passado, essa bela cidade foi palco de grandes eventos ligados à luta pelos direitos civis dos negros. Ficamos pouco tempo lá, o suficiente para um city tour e almoço. Queríamos ficar mais, mas o roteiro já estava definido e pago. Fica para a próxima vez. Dali nos dirigimos ao sul, para Weston, situada a meia hora de carro a oeste de Fort Lauderdale. Weston é a cidade de melhor IDH da Flórida. Sua vegetação, ordenada num paisagismo requintado, envolve casas, ruas, avenidas, lojas comerciais, todas as edificações. A cidade é um verdadeiro jardim, tudo está no seu devido lugar, não se vê sequer um toco de cigarro nas ruas. Minha filha morou num condomínio às margens da Weston Road, senti quando decidiu retornar ao Brasil. Os amigos latinos e brasileiros que lá vivem tampouco entenderam essa decisão, um retrocesso enorme. O Brasil vai demorar talvez séculos para alcançar tal desenvolvimento econômico e social, se não forem tomadas medidas radicais para melhorar a educação pública. A metade da população da cidade é latina, latinos e americanos compartilham a administração da cidade, todos com o espírito de servir à comunidade em primeiro lugar. Chama a atenção que Weston, com toda sua beleza e funcionalidade, tem somente cinco vereadores para auxiliar o prefeito na administração. Quase tudo é terceirizado e muito bem fiscalizado. E a população participa ativamente na manutenção da limpeza de suas casas e da cidade. Se não, seria impossível manter a cidade limpa. Neste momento em que milhares de brasileiros manifestam seu profundo descontentamento com a má gestão pública, nossos governantes deveriam ter o bom senso de se informar como se administram municípios, estados e união federativa nos países do primeiríssimo mundo. Mas será que a maioria dos políticos brasileiros tem essa preocupação?

Um café com o Sr Adolpho Calegari

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História

A Praça D. Pedro II, hoje Adolfo Fonseca

Horóscopo

HORÓSCOPO Agosto / Setembro DE 2013 ÁRIES: Tempo de alegria, lazer, passeios, paqueras, criatividade,poder, cor: laranja nº sorte: 1 Sorte com sagitário ou viagens, justiça, ética, verdade, TOURO: Tempo de curtir a família, lembranças, raízes, emoções, popularidade, cor: branco nº sorte: 2 Sorte com escorpião ou mudanças, desapegos, controle,chefia, GEMEOS: Tempo de estudar, buscar conhecimentos, comunicação, agilidade cor: amarelo nº sorte: 5 Sorte com libra ou parcerias, união, artes, serviços, doação, CÂNCER: Tempo de se concentrar nas finanças e ganhar dinheiro,prudência, cor: verde nº sorte :6 Sorte com virgem ou nas escolhas, rotina, limpeza, trabalho, LEÃO: Tempo de renovação, iniciativa, pioneirismo, liderança, cor: vermelho claro nº sorte: 9 Sorte com leão ou com paqueras, amor, lazer, criatividade,liderança, VIRGEM: Tempo de reflexão, isolamento, intuição, proteja-se de falsidades,.. cor: grená nº sorte: 7 Sorte com câncer ou familiares, origens, museus, líquidos, emoções, LIBRA: Tempo de cultivar amizades, originalidade, liberdade, solidariedade, cor: azul celeste nº sorte: 4 Sorte com gêmeos ou comunicação, escritos, intermediações, viagens, ESCORPIÃO: Tempo de colheita, sucesso,prestígio, popularidade, maturidade, cor: bege nº sorte: 8 Sorte com touro ou com finanças, investimentos, habilidades, trabalho, SAGITÁRIO: Tempo de viajar ou expandir-se, faça um curso ou intercâmbio, cor: azul claro nº sorte: 3 Sorte com áries ou com liderança, iniciativas, pioneirismo, decisões, CAPRICÓRNIO: Tempo de transformações, renascimentos, desapegos, intensidades.. cor: castanho claro nº sorte: 9 Sorte com peixes ou com intuição, reflexões, doação, observações, AQUÁRIO: Tempo de buscar parcerias, união, prestação de serviços, beleza e estética, cor: rosado nº sorte: 6 Sorte com aquário ou com amigos, proteções, comunidades, solidariedades, PEIXES: Tempo de faxina, trabalho, cuidar da rotina, subalternos, detalhes, análises, cor: azul claro nº sorte: 5 Sorte com capricórnio ou com mais velhos, experientes ou de prestigio, Ivone vebber www.vone333.no.comunidades.net

Oscar Virgílio Pereira Extraído do Livro "Das Sesmarias ao Polo Urbano

3235-6299 Rua Santos Dumont, 629 - Centro Uberlândia - MG

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Quem maltrata faz o mal para quem tanto nos ama e Deus está no animal, na planta,no céu, na lama...

Arquivo

Conto

ELITE MAGAZINE

O vento dá voltas A Volta do Vento tem pelo menos 10 curvas desde a travessia da linha do trem, perto da estação, até a fábrica. Ela contorna a montanha serpenteando com uma pista estreita, beirando uma ribanceira medonha, e é impossível passar por ali sem sentir algo mais do que somente o caminho. Mãos no volante, só se pode seguir atento às curvas sem ver bem o que vai à direita de quem sobe ou à esquerda de quem desce. Entre-vistas, entre o tudo-épossível e o asfalto, entre o enorme barranco e o precipício, o chão debaixo das rodas divide a atenção com os trechos das histórias contadas sobre o lugar. Lá embaixo, na descontinuidade dos olhos feita de curvas, a depender de se estar subindo ou descendo, a esquerda ou a direita, nada se mostra realmente. A cada tangência um ângulo diferente mistura tempo, espaço e significados. A alma da gente prende a respiração até que se chegue do outro lado. Os olhos atentos tentam e não tentam fugir da atração do imenso abismo onde nada se revela. Só as montanhas dão essa sensação de impotência na gente. Nem o mar é capaz dessa vibração medonha. O mar tem som! Mas ali, ali entre o cume e o fundo do abismo, no caminho pendurado, os olhos ficam entre as imensas protuberâncias da terra monstruosamente erguida de um lado e as vagas profundas de outro. No vago, como nas funduras dos corpos, está guardado o úmido, o mistério, o (quase) irresistível, um misto de ameaças e promessas. Sempre duvidei que alguém conhecesse realmente o abismo da Volta do Vento. Nem mesmo os suicidas! Pode ser que lá embaixo habite a loucura e a morte, pode ser que uma grande população de almas penadas passeie nas margens daquele riacho feinho que se deixa entrever no entrecortado dos olhos que buscam, sem sucesso, a paisagem completa naquelas curvas. Ou talvez os fantasmas brinquem na linha do trem sem ter mesmo muito mais o que fazer. Pode ser também que gostem de assombrar as casas audaciosas que teimam em continuar surgindo sob todas as ameaças do desbarrancar, seguindo as margens dos trilhos duros e do riachinho frio, sem medo do inferno lá do fundo. Ou pode ser que não haja nada disso e que o inferno sejam os passantes lá de cima. Talvez ele esteja nos olhos daqueles que tentam se segurar no eixo do mundo de si mesmos naquelas curvas em três dimensões. Quem sabe lá no fundo do abismo ainda esteja brigando o casal daquele carro. Dizem uns que foi ele, outros que

foi ela a segurar a direção, quem sabe em busca do silêncio confundido com paz. Talvez lá ainda esteja o moço arrependido sem saber que a mulher que ele feriu sobreviveu, embora com sequelas. Quem sabe a professora ainda se lembre dos pequenos alunos que ficaram quando ela pulou ou caiu dizem que de costas e falando ao telefone com o moço que não queria mais ser seu namorado. Será que lá no fundo tem mesmo uma grávida que deixou os chinelos pra pular? E será que o homem cansado de procurar a si mesmo nas drogas encontrou lá na escuridão a emoção perdida? Estarão lá os arrependidos, os que odiavam e falavam em amor, os sem esperança, os desesperados? Melhor não ter a resposta. A Volta do Vento é a maravilha dramática de velha cidade; a representação do medo e do desejo que não estar vivo. Aquele trecho de estrada é o retrato da confusão de toda alma humana e posso senti-la em mim a cada vez que passo ali, metro a metro sob as rodas do meu carro. Mas como muda o mundo, tudo muda e eu, no meio dele, a Volta do Vento começou a mudar com uma nova história que ouvi outro dia e que vou contar. Já na porção final do caminho de quem sobe, quase perto da fábrica, sempre observei sinais de vida em contradição com a morte inobservável, mas presente no restante do trajeto. Penduradas na montanha abaixo da estrada marcada, ali, por sinais de civilização nos fios emaranhados suspensos em pequenos postezinhos, há algumas casas onde se parece poder chegar por uma pequena entrada aberta em terra. Duas, três? Quantas seriam? Não sei. Mas elas se escondem entre as curvas que se repetem e como em todo o resto, ali também a vista não pode se firmar muito. Ai, outro dia eu vi essa mulher, a que ali morou quando criança. E embora não tenha prestado muito atenção nela – porque só soube de sua história depois que ela se foi - sua infância mudou os ventos daquela volta pra mim. Filha do operário, a menina que morava no penhasco tinha um balanço pendurado na árvore ao lado da casa. Na boa árvore, na íngreme montanha, a corda mole pendia a tábua e sobre ela a criança podia, por pura mágica, oscilar entre o abismo e a terra firme, morrendo e revivendo, de novo e de novo e de novo... Sandra Augusta de Melo É psicóloga e professora universitária. Mora em Ouro Preto desde 2008, depois de ter vivido por 32 anos em Uberlândia.

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Um espelho da vida artística, social, econômica e intelectual de Uberlândia na década de cinquenta Uma preciosa coleção de revistas foi gentilmente doada à redação do jornal Fundinho Cultural. A gentil doadora, uma personalidade uberlandense, que em 2013 completou 100 anos de idade, a senhora Maura Rodrigues. Uma mulher autêntica e inteligente, de prodigiosa memória, que brindou-nos recentemente com um depoimento de valioso conteúdo em sua entrevista para o Fundinho Cultural. Leitora exemplar, incentivadora do Fundinho Cultural, filha do intelectual, jornalista e escritor Licydio Paes, enriqueceu nossa biblioteca com mais de uma dezena de exemplares de ELITE MAGAZINE, revista que traça um retrato sutil da década de cinquenta. Perfis da sociedade, notícias de cunho político da época, um panorama pelas lides do comércio, crônicas bem humoradas e poesias de autores uberlandenses da época.

ELITE MAGAZINE – Revista periódica ilustrada - circulou pela primeira vez em Uberlândia, em novembro de 1957 e o seu diretor proprietário era o senhor Clóvis César, igualmente cronista e poeta. As ilustrações do primeiro número estiveram a cargo do desenhista Osmar Castanheira e a impressão da Tipografia São José, de Araguari – Minas Gerais. Os números seguintes tiveram ilustrações da artista plástica Neusa Barbosa Netto e do desenhista Hélvio Felix. Os colaboradores: Daniel Antunes Junior, Ivan Fagundes, Tasso de Abreu, Ruth de Assis, Eurico Silva, Lycidio Paes, Domingos Coimbra, Evandro Péricles Goulart, Wilson Ribeiro da Silva, Jairo Bernardes, entre outros. A revista foi impressa também na Tipografia Pavan, de propriedade do senhor Angelino Pavan e na Tipografia Brasil Ltda.


Antônio, entre Tubalina e o Fundinho

O Carnaval dos anos 30 O carnaval dos anos 30 acontece na avenida Afonso Pena, nas salas de residências, nos cinemas e, a partir de 1938, luxuosamente, no Uberlândia Clube. Os cinemas que arredavam suas cadeiras para a folia eram o Brasil, o Avenida e o Uberlândia. Foi década exuberante com muita alegria espalhada por todo canto. Na década anterior, Joanico, o grande prefeito, calçou um trecho da avenida Afonso Pena onde os festejos se concentraram. Com a criação do rádio em 1922, e o desenvolvimento da fonografia, a música carnavalesca chegou e estimulou nossos compositores: Antônio Savastano, Innocêncio Rocha, Alyrio França, Devanir Santos, Goianinho, Ary Machado, Miguel Archanjo, Narciso e outros. Os jornais publicavam as letras das marchinhas e dos sambas dessa gente. O desenvolvimento do transporte aumentou a frota dos automóveis que animaram o corso durante toda a década, só decaindo em 1939. O corso era um desfile de automóveis incrementados pela avenida, conduzindo famílias e moças bonitas armadas de lança perfume e serpentinas. Os jornais inventavam cordões fictícios para abusarem das figuras proeminentes da cidade. Por exemplo, o “Cordão do Cobre” seria formado por Clarimundo Carneiro, Joaquim Fonseca, José Carneiro, coronel Virgílio, Arlindo Teixeira, Custódio Pereira e outros. “Cobre”, significava “dinheiro”. E o “Cordão da Meia-Noite” formado pelos boêmios: Cury, Carata, Marra, Hovanes, Calábria, Almeida e outros. A partir de meados da década começam a pontuar na avenida as figuras típicas do reinado: o rei Momo, a rainha Diná, o Sancho Pança (Bobo da Corte). Infelizmente não se identificou nenhum deles. Senhoras que gostavam de se fantasiar e ganhavam concursos: Odete Costa, Catarina Netto, Lygia Carneiro e outras. A partir de 1935, os negros organizam os primeiros ranchos. Começa com a Sociedade Carnavalesca Negra que bota seu rancho na avenida e acaba com a discriminação. Porque, mesmo no Carnaval, os brancos brincavam de um lado e os negros do outro. No ano seguinte, a Sociedade se desdobra e surgem os Tenentes Negro (liderados pelo Dengo do Cabarropa e os Turunas da Mauricéia Carnavalesca (do Bené, da rua da Chapada). Nos anos seguintes, surgem mais ranchos de negros. Naquele tempo, os foliões se fantasiavam e iam para a avenida. Não havia clube. Só em 1938 surge o Uberlânida Clube, no prédio construído por José Abdulmassih, na esquina da Afonso Pena, com a praça Benedito Valadares (TV). Formam-se blocos que saracoteiam na avenida: Granadeiros da Nobreza (jovens da elite: Gerson Braga, José Cupertino Filho, Antônio Savastano), Bloco da Morte, Tio Sam, Tenentes do Diabo, Az de Ouro, Os Laranjas, Egipcianos, Interrogações, Mama na Burra, Volantes do Amor (motoristas), Picapaus, Bloco das Gaivotas. Piratas, Legionários da Alegria, Bloco da Tesoura (alfaiates). As fantasias mais usadas: Arlequim, Colombina, Pierrot, Zé Pereira, Sancho Pança, Turuna, Valete, Tirolesa, Branca de Neve, Popeye, Tarzan, Frankstein. Aparecem as primeiras figuras da nobreza carnavalesca, que vão recrudescer nos anos 40: os condes de Monte Cristo, de Santa Cecília, do Poxoréu, de Xapetuba e do Pau Furado. Com a inauguração do Uberlândia Clube, as fantasias mais vistosas somem da avenida assim como os blocos mais luxuosos. O presidente do clube é o dr. Luiz Rocha. Nos fins da década, os cabarés da Santos Dumont e redondezas, o Gato Preto, Globo, Monte Carlo, Oriental, Danúbio, dão bailes carnavalescos. A famosa Flausina distribuía confetes e serpentinas à porta do seu bordel. Tudo isso, e mais algumas coisas, estão pormenorizadas no meu livro “História do Carnaval de Uberlândia” que mostra os detalhes de festa num século inteiro: de 1900 a 2000. Antônio Pereira . Historiador

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Recordações

Ele é natural de Patos de Minas, reside no bairro Tubalina, mas adora o Fundinho, onde é proprietário de uma banca de bolsas e utilidades, na Praça Adolfo Fonseca há 22 anos. Aos 63 anos, o senhor Antônio Alves de Oliveira, casado, sem filhos, de fácil comunicação, mantém extenso círculo de amizades com os seus clientes e pessoas que transitam na praça, em torno dos pontos de parada dos ônibus. Ao realizar um atendimento gentil junto à freguesia, Antônio conquista o progresso para o seu comércio. Uma pessoa do bem, ele mostra que o importante é ser feliz naquilo que se faz com alegria e motivação.

Pedro, um expert em plantas

Arte

A vida dói profundamente na alma desta artista e a arte ajuda a sanar a dor Magdalena Carmen Frieda Kahlo y Calderón, Frida Kahlo, foi uma importante pintora mexicana, considerada uma das maiores artistas do século vinte. Ela nasceu na cidade de Coyacán (México) em 6 de julho de 1907 e morreu na mesma cidade onde nasceu, em 13 de julho de 1954, e hoje tem sua obra mundialmente reconhecida pela crítica e pelo público. Além das inúmeras doenças que sofreu na infância, com 18 anos de idade foi vítima de um grave acidente de ônibus. A partir deste acidente, e durante todo o resto de sua vida,sofreu inúmeras cirurgias, e para ocupar suas horas, durante a recuperação, fez seus autoretratos, nas pinturas, desenhos e textos, num magistral registro de sua dor.Durante grande parte de sua vida necessitou usar um dolorido colete de gesso por causa de suas sequelas. Sua mãe dependurou um espelho em sua cama para auxiliá-la a retratar-se em suas obras. A dor foi sua companheira mais íntima. Apaixonou-se perdidamente pelo pintor mexicano Diego Rivera com quem teve um casamento tumultuado e instável. Morou nos Estados Unidos com Diego Rivera e divorciou-se dele em 1939. Entre idas e voltas, e muitos outros amores, apesar do divórcio, continuou se encontrando também com Rivera nos anos seguintes. “Eu nunca pinto sonhos ou pesadelos. Pinto a minha própria realidade.”

Gente do Fundinho

Histórias

Lupin

O L H A K A D I FR

“Eu pinto autoretratos porque estou muitas vezes sozinha e porque eu sou a pessoa que eu conheço melhor.” O sofrimento sempre marcou a sua vida e a sua vida foi o seu próprio tema. FRIDA KAHLO, uma grande e controvertida personalidade artística, uma mulher forte que hoje tem resgatada sua história, sendo objeto de estudos, pesquisas, temas de livros, peças teatrais e filmes.

Viagem

Os 85 anos do senhor Pedro Carrasque, natural de Itápolis-SP, pai de três filhos, não impedem que ele esteja em seu comércio todos os dias de manhã. Há 12 anos, instalou-se próximo à Praça Adolfo Fonseca, no Fundinho, entre azaleias, madressilvas, orquídeas, violetas e plantas do pomar. No exercício da jardinagem há duas décadas, ele é oriundo de uma família de agricultores, cujos avós vieram da Alemanha. O senhor Pedro Carrasque faz um diferenciado trabalho junto à sua clientela, conquistada graças à sua experiência no trato com as plantas e as suas minúcias.

“Para que preciso de pés quando tenho asas para voar?”

Ane Walsh, da Inglaterra ao Marrocos

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Gente do Fundinho

Poesia

HWANG, de Taiwan para o Fundinho, um solidário cidadão

“Uma palavra que eu gosto: Compaixão!” Todo ZEN, orientado por princípios budistas, circula entre nós, oferecendo massagens terapêuticas gratuitas para aliviar a dor das pessoas que passam pelas ruas, o amigo de todos, Hwang Min Hsiung, o popular Ruan, que nasceu em Taitung, em 1941, no Taiwan. Pacífico e solidário, este médico veterinário, morador do bairro Fundinho, desde 1986, é formado na National Taiwan University, e curso revalidado na USP entre 1971 a 1975. Foi o responsável pela montagem do laboratório de controle sanitário especializado em microbiologia e virologia da Granja Resende. “Se todo mundo deixar de ser egoísta, só pensar no outro, trará muita paz para a sociedade. Só tirar vantagem nunca é uma vantagem para o ser humano.”

Foto Arte

Casado com a médica veterinária, Célia Vidana Hwang, tem os filhos Gisele Regina, engenheira elétrica; Henri Fong, engenheiro mecânico; Eliane, cirurgiã plástica e Susane, ginecologista. Proprietário de um comércio tradicional de presentes e utilidades, há mais de trinta anos, situado no centro de Uberlândia, na avenida Afonso Pena. Direcionado ao bem do semelhante, ele distribui às pessoas que cruzam o seu caminho, um pouco do que assimilou dos princípios budistas em que acredita. Nos ideogramas que ornam as paredes de seu espaço terapêutico, estão descritas as suas convicções religiosas, ligadas às evocações de Buda. As coisas do coração, a compaixão, o prazer em doar, a realização deste cidadão exemplar.

Viva São João! Léo Figueiredo


Fundinho Cultural Ed. 27