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OSCAR NIEMEYER

DEZEMBRO 2012 - Nº 25 - ANO X

Um Jornal do bairro Fundinho . Uberlândia . MG . Brasil

“A Humanidade precisa de sonhos para suportar a miséria; nem que seja por um instante”

Ione Mercedes Miranda Vieira:

"O Fundinho está na minha alma, em todos os recantos, em todos os espaços!"


Perfil Ione Mercedes Miranda Vieira

O FUNDINHO, uma alma que palpita no movimento das ruas! A memória de preciosos fatos que marcam a história cultural de Uberlândia. No amplo registro, franco e poético, a multiplicidade dos fatos e a riqueza dos detalhes compõem um testemunho vivo, que muito contribui para a história da cidade. Ione Mercedes Miranda Vieira e o relato de uma eminente professora de português e escritora, apaixonada pelo bairro onde sempre residiu. A erudição de uma personalidade inteligente e culta. Brotam fatos que estão vivos em sua memória e constroem uma história de vida e amor pelo lugar onde mora, o Fundinho. O Fundinho para mim é a minha circulação!

Estranho, as pessoas implicarem com este nome Fundinho! Então, alguém cisma com o nome Fundinho. As pessoas precisam parar com esta mania de trocar nomes dos lugares e ruas. Eu vi uma crônica muito bonita uma vez sobre São Paulo, falando sobre isto. Quem foi Angélica? A rua lá de São Paulo. Quem foi Rafael Rinaldi, quem foi Vasconcelos Costa? Aqui é uma trocação de nomes, a Praça Adolfo Fonseca chamava-se Dom Pedro II e as pessoas justificavam a troca de nome com a conversa: -Tem que mudar mesmo, Dom Pedro II não fez nada por Uberlândia!!! É aqui que Uberlândia existe. Até corrigi um trabalho acadêmico propondo um corredor de bonde no Fundinho para minimizar o trânsito e para as pessoas virem conhecer o bairro. Eu acho estranho isto das pessoas implicarem com o nome Fundinho. Este nome é um charme. Se as pessoas que não conhecem o bairro viessem aqui, teriam uma surpresa e veriam o que é o Fundinho! O progresso chega não para subtrair, mas para somar.

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-O Fundinho está na minha alma, em todos os recantos, em todos os espaços. A lojinha do Badeco ainda está aí. Ainda está lá o prédio daquele armazém grande do senhor Oscar Mendes, hoje o Muna. Pontos que são referência na cidade e que muita gente não sabe. A Padaria Mecânica na rua Tiradentes vive em nossa memória. E tinha vida, esta vida foi mudando, mas ela está presente. As pessoas batem papo nos botecos, as crianças brincam na praça. Nós ainda temos as mesmas tamareiras na Praça Coronel Carneiro. A prefeitura elaborou um plano de arrancar as tamareiras, e fazer naquela praça um grande terminal. Nesse dia me aprontei e fui lá na prefeitura brigar. Então eu tomo as dores por certas coisas. E onde se situa a biblioteca, naquela praça, uma porção de ingazeiros servia à criançada, e eles cortaram. O Fundinho tem uma alma que palpita no movimento das ruas, na beleza das lojas, hoje uma mistura do moderno com o antigo. O Fundinho é bonito e concretiza todo o pensamento do que é Uberlândia. Aqui nasceu e espraiou. Papai sempre contava que o Coronel Carneiro era muito amoroso pela cidade, que ele chegava e dizia assim: -Mas, Uberabinha está tão bonita! E quando quiseram mudar o nome da cidade, e resolveram colocar Maravilha, não convenceram, porque Maravilha era nome de vaca! O Fundinho não é simplesmente um lugar de passeio. Outro dia estive na Casa da Cultura e me lembrei, que eu brinquei tanto naqueles corredores... Mas era tão grande aquela casa, possuia baia para os cavalos, campo de

tênis, um quintal imenso... Tio Laerte comprou aquele espaço e transformou em casa de saúde. A cidade tem história. E o Fundinho é a síntese desta história. -Nos anos quarenta, em Uberlândia, as crianças eram livres e soltas. Brincar de pique na praça, andar atrás da banda. Os colégios faziam festas, havia as olimpíadas, as reuniões. As praças cheias de gente, tempo das serenatas. As escolas faziam muitos espetáculos musicais, as chamadas sessões cívicas, em que as pessoas declamavam. Tínhamos aulas de canto coral com Dona Alfredina, lá no Colégio Estadual de Uberlândia. As aulas de desenho eram ministradas pelo professor Eurico Silva. Ele fazia todos os anos as exposições dos melhores trabalhos dos alunos. Muita gente nasceu para as artes com este estímulo. Havia espaço de alegria. Na inauguração do Uberlândia Clube em 1958, houve um baile belíssimo com a animação da orquestra Cassino de Sevilha. Havia esta mágica em Uberlândia. Nos bailes de carnaval dos anos cinquenta, as pessoas se fantasiavam... e, nos caminhos para o flerte as pessoas recorriam ao lança perfume. Mercedes, uma personagem do livro O Conde de Monte Cristo, e uma homenagem à minha avó Nasci em Belo Horizonte, Ione Mercedes Miranda, mas vim bebezinho para cá. Minhas filhas, Cristiane Alves Vieira e Léa Alves Vieira. Meus netos, Sérgio, Eleonora e Isadora. Eu me chamo Mercedes, porque meu bisavô leu muito o Conde de Monte Cristo, que 

tinha uma personagem Mercedes. E minha avó Mercedes era pessoa tão boa, tão boa, que ela teve 7 netas com o nome Mercedes. Todo mundo queria homenageá-la. Meu pai, Oswaldo Vieira Gonçalves, e minha mãe, Demiltildes Miranda Vieira, Dona Tilinha. Meus irmãos, Ivan Miranda Vieira, Isa Vieira Garcia e Sônia Borges Miranda Vieira. Meu pai foi nomeado diretor do Colégio Estadual de Uberlândia em 1940. Naquela época, os diretores moravam nas próprias escolas. Nossa residência era na parte superior do prédio, onde também existiam os dormitórios para os internos. No começo, quando papai chegou, o colégio estava tão decadente, caindo aos pedaços, abandonado. Ele deu uma organizada, em pouco tempo o colégio caiu nos trilhos e conseguiu até implantar o curso colegial, que não existia na época. Meu pai era um homem de grande conhecimento e cultura. Muito cedo, ele nos incentivou à leitura. Tinha muito respeito pelo direito alheio. Ajudava demais o próximo. Era um intelectual, lia muito, escrevia poesias, e escreveu um livro sobre a influência do árabe na língua portuguesa. Com a sua Romiseta, viajava por diversas cidades. O seu hobby era fotografar e revelar suas fotos. O seu companheiro, na arte da fotografia, foi o Dr. Mario Terra. Eles saiam pela cidade, a fotografar cenas do cotidiano. Aos 87 anos, meu pai recebeu um grande impacto em sua vida. Ao chegar na universidade para pegar seu horário de aulas, recebeu a notificação de que tinha sido compulsoriamente aposentado de seu cargo, sem aviso nem nada. Ele sofreu demais por isso. O Colégio Estadual era um centro sócio-cultural À tarde, o pessoal ia para a escola jogar pingue- pongue e dançar. O Colégio Estadual era um centro sóciocultural. Nos finais de semana, a vida cultural acontecia nas escolas. Nós tínhamos o nosso conjunto, chamado “Os Demônios do CEU”. A Sônia, minha irmã, tocava piano, outro tocava violão, eu cantava e o Moacir Franco tocava recoreco. Quem estudava lá na-

quela época era o médico Adib Jatene, o ator Mauro Mendonça, que era de Araguari e estudava aqui. As festas de São João nós ensaiávamos o semestre inteirinho. Quem ensaiava a quadrilha francesa, já bem velhinho, todas as quartas feiras, era o senhor Luizote de Freitas. Quantos médicos e engenheiros deram aulas no colégio! Naquele tempo, não tinha tanta gente formada com licenciatura. Alguns professores que podemos destacar daquela época, o Dr. Luiz Rocha e Silva, Dr. Moysés de Freitas, Dr. Fausto de Freitas, o professor Castilho, que era espanhol, o professor Gunther, que era alemão, e veio para cá depois da guerra. Fiz o curso clássico, que na época tinha o inglês, francês, espanhol e o latim. A gente aprendia mesmo. O monsenhor Eduardo ensinava o latim. Fiz o curso de letras em 1981. Quando se faz um curso superior mais velho é muito melhor.

Uma pessoa marcante na década de cinquenta, foi o senhor Geraldo Motta Batista, o Geraldo Ladeira, que tocava muito bem o piano, e era proprietário da Radio Difusora de Uberlândia, a PRC6. A gente fazia muitos programas naquela rádio. O Liceu de Uberlândia formou um conjunto musical, que chegou a tocar na Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Havia uma interessante vivência nas escolas, o que foi enfraquecendo na década de sessenta e se modificando por ambição política e ganância pelo poder. Os tempos antigos e os tempos modernos Recentemente, corrigi um trabalho

que falava sobre a vida noturna de Uberlândia dos tempos antigos. O trabalho sobre a vida noturna de Uberlândia fazia um relato dos lugares, ruas onde haviam os prostíbulos, onde as moças direitas não podiam passar. São coisas que fizeram parte da nossa história. Entre os assuntos do trabalho, havia um relato sobre o cabaroupa, que era um clube situado na rua Rafael Rinaldi, no Bairro Martins, destinado aos negros, onde os politiqueiros gostavam de se fazer presentes para conquistar eleitores. Sei até o hino do Cabaroupa, que recebeu este nome por causa dos bancos de cimento que existiam lá. Vamos, vamos, minha gente, Lá pro salão José do Patrocínio, Ele é o protetor da turma do batente Que tem sangue diferente E que do samba tem patente. São coisas que fizeram parte da nossa história. Minha avó Marieta, mãe de meu pai, por exemplo, que morava na avenida Afonso Pena, em frente à Livraria Kosmos, costurava muito e de vez em quando fazia roupas para aquelas mulheres dos prostibulos próximos, situados bem no centro da cidade. E as expressões daquele tempo: “Ele fez mal para aquela moça”, “Tirou a fulana!”, ”Fulana ficou falada!” Isto fazia parte dos preconceitos da época. Mas as pessoas namoravam muito naquela época. Hoje é o ficar, o ficante! E passa assim de uma forma, até nos meios de comunicação, de uma naturalidade, mas não aparecem muito as consequências posteriores, o desgaste emocional. Na poesia de Gonçalves Dias, “Se se morre de amor”, a poesia tem cento e cinquenta anos e mostra que já se “ficava”... Uma vida dedicada á Lingua Portuguesa Dei aulas 52 anos. Comecei em 1953. Dei aulas no curso primário do Colégio Estadual e lecionei em aulas particulares durante muito tempo. Dei aulas no curso supletivo e no Colégio Objetivo. Leio muito, mas os trabalhos de revisão de livros e dissertação de mestrados me ocupam todo o tempo. Re

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Clark Gable

Vivien Leigh

te para mim é “O vento levou”, com Vivien Leigh e Clark Gable, um filme que não envelheceu. O importante é que fizeram uma maquiagem no filme em tecnicolor e ela venceu o tempo. Tentaram fazer uma sequência dele mas não teve aquele peso daqueles artistas do filme original. Eram lindos também os clássicos de Grace Kelly. A música de hoje, não sei por onde anda. Nas décadas de quarenta e cinquenta, no final do ano, as chanchadas lançavam todas aquelas músicas de carnaval. E quando chegava o carnaval, todos já estavam cantando aquelas músicas da Emilinha, Eliana, Adelaide Chioso. Um dia assisti a uma entrevista com a “Ternurinha”, Vanderléa, diante da afirmativa de que o público esquece os seus ídolos, ela disse o seguinte: “-A gente passa! Então, a gente tem que entender que tem que ceder espaço ao outro novo que chega”. Certa vez fui ao Museu Paul Getty, em Los Angeles e havia um andar com a exposição das nenúfares de Monet. Mas, como são lindos os trabalhos dos impressionistas, os primeiros artistas que saíram dos seus estúdios para pintar fora do atelier! Gosto de todos os tipos de arte, clássicos, modernos ou vanguardas.

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Nº24 FUNDINHO CULTURAL

cebo muitos trabalhos de fora de Uberlândia para fazer revisão. O meu escritor preferido é Machado de Assis e o livro Dom Casmurro, um dos grandes mistérios da nossa literatura. Capitu traiu Bentinho ou não traiu? Bentinho era muito ciumento e esperou todo mundo que era testemunha morrer para contar a história. Gosto muito de poesia, e J.G de Araújo Jorge, que foi deputado federal e o considero bem moderno, o meu poeta preferido. Gosto também do Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e Olavo Bilac. Tive uma professora na universidade que condenava quem só ficava lendo livros estrangeiros, mas como deixar de ler os escritores estrangeiros como Morris West? Ando muito atarefada, mas estou com livros na cabeceira, um, inclusive que fala sobre os meninos índigos, fenômeno novo na psicologia, e outro que fala do mistério científico da Virgem de Guadalupe. Adoro cinema e o filme mais marcan-

Editorial

Capa: O jovem e talentoso fotógrafo uberlandense Leonardo Fonseca Figueiredo, com maestria, capta imagens noturnas do Coreto e do Museu Municipal de Uberlândia, tradicionais morumentos históricos da cidade.

Poesia

O FUNDINHO CULTURAL nasceu há 10 anos atrás no Bairro Fundinho e descobriu tanta gente de valor, em destaque nas entrevistas, artigos especiais e maravilhosas enquetes. Por onde anda o jornal, olha o bairro Fundinho aí gente, reconhecido em tantos lugares! O carinho dirigido ao Fundinho Cultural, ao bairro Fundinho, em terras estrangeiras... O carimbo da marca que nos identifica com muita honra: Somos do Fundinho, NO CORAÇÃO DE UBERLÂNDIA!

O Fundinho é aqui

Maresia Quando a poesia lamenta o fim mundo cão gato gelado biblioteca vazia livro sem texto silêncio mar cansado roubaram seus peixes. Almandrade

Animais no zoológico, nada lógico. Selmo Vasconcelos

Para refletir

”Os artistas são as pessoas mais motivadas e corajosas sobre a face da terra. Lidam com mais rejeição num ano do que a maioria das pessoas encara durante toda uma vida. Todos os dias, artistas enfrentam o desafio financeiro de viver um estilo de vida independente, o desrespeito de pessoas que acham que eles deviam ter um emprego a sério e o seu próprio medo de nunca mais ter trabalho. Todos os dias, têm de ignorar a possibilidade de que a visão à qual têm dedicado suas vidas seja apenas um sonho. Com cada obra ou papel, empurram os seus limites, emocionais e físicos, arriscando a crítica e o julgamento, muitos deles a ver outras pessoas da sua idade a alcançar os marcos previsíveis da vida normal - o carro, a família, a casa, o pé-de-meia. Por quê? Porque os artistas estão dispostos a dar a sua vida inteira por um momento - para que aquele verso, aquele riso, aquele gesto, agite a alma do público. Artistas são seres que provaram o néctar da vida naquele momento de cristal quando derramaram o seu espírito criativo e tocaram no coração do outro. Nesse instante, eles estão mais próximos da magia, de Deus e da perfeição do que qualquer um poderia estar. E nos seus corações, sabem que dedicar-se a esse momento vale mil vidas “ (David Ackert) Enviado pela artista plástica e poetamiga Denise Mora ao Selmo Vasconcelos

Ano X – nº 25 DEZEMBRO 2012 Editor: Hélvio Lima Assessoria: Adélia Lima Isabela Lima Diagramação: Niron Fernandes DEZEMBRO 2012 - Nº 25 - ANO X Impressão: Gráfica Scanner-3212-4342 Fotos internas: Acervos particulares Isabela Lima, Jorge H. Paul, Leo Figueiredo e Margareth Colantoni

Tiragem: 5.000 exemplares End. para correspondência: Rua Felisberto Carrejo, 204 – Fundinho – Fone: (34) 32341369 – Cep. 38400-204 – Uberlândia-MG

hl.artes@yahoo.com.br “Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião do jornal”

Crônica

PAZ

A vida nos presenteia com flagrantes maravilhosos que em meio à violência e desordem dos dias atuais, alimentam em nós pensamentos bons e o desejo grande de não desanimar, na tentativa de construir um mundo onde a beleza de viver se mostre em toda sua plenitude. Recebi há pouco um destes flagrantes, um vídeo que trazia uma mensagem de paz e confiança. Contava a história de um beija- flor pequeno e frágil, derrubado do ninho por força de grande ventania. A mãe, toda cuidados e amor, não abandonou o filhote. Apesar das dificuldades voltava sempre para alimentálo. O pequeno acostumou-se ao dono da casa e pousava em sua mão. E, maravilha de confiança e harmonia: o beija- flor alimentava o filhote na mão de quem os ajudava. Os pássaros pousados, em perfeita paz, na mão do homem. PAZ – palavra que soa bem aos ouvidos e que é tão doce ao ser pronunciada. PAZ – concórdia, ausência de conflitos, entendimento. PAZ – tão necessária a nossa vida, forma única de viver integralmente, usufruindo as maravilhas do Criador em toda sua plenitude. A sua construção começa no interior das famílias. Onde há amor, respeito e confiança florescerão mil coisas boas, mil virtudes. E florescerão também em escolas, que cuidem das relações humanas, que fortaleçam os sentimentos de solidariedade amizade, generosidade. Florescerão no meio social onde pontifiquem os bons exemplos e no qual o sentimento de coletividade sufoque o individualismo exacerbado. Onde imperem a justiça, o respeito ao próximo e o senso de cumprimento do dever. Estamos chegando ao final do ano. O Natal já acende suas luzes e 2012 começa a acenar um adeus, vislumbrando a chegada do ano Novo. Vamos festejar, sim! E trocar presentes, se possível. E aproveitemos os bons ventos desta época para compartilhar afeto, para abraços e beijos, para palavras e gestos que ficaram calados, aprisionados pela dureza do cotidiano e da rotina. Precisamos destes oásis de tranqüilidade em meio à conturbação. E vamos também dar um tempinho à reflexão: a paz não existe por si. Há de ser construída por nós. Temos uma linda Pátria, somos um povo altivo que luta com garra para realizar seus sonhos. Não podemos fechar os olhos à realidade e viver a nossa vida, pensando que os problemas pertencem aos outros. Tudo que diz respeito a esta nação é problema nosso. Com a nossa atenção, com a nossa vigilância, com a vontade firme de viver melhor e de legar um mundo mais humano às novas gerações, poderemos mudar as circunstâncias e sentir com todo vigor o mesmo que imperou naquele vídeo e que uniu os beija flores e o homem: PAZ – HARMONIA – CONFIANÇA.

PRAÇA RUY BARBOSA É bem possível que esta praça não existisse nos começos do século XX. Não sei de nada que indicasse a sua existência. Até os finais do século XIX, não havia qualquer planejamento urbanístico acima da rua Barão de Camargos e da praça da Liberdade (hoje Clarimundo Carneiro) que eram os limites da velha São Pedro de Uberabinha. Havia uma Igreja do Rosário no Largo do Comércio (dr. Duarte). Segundo a memória oral, não havendo qualquer prova disso, o empresário Arlindo Teixeira que residia nesse Largo, sentiase incomodado com aquela igreja de negros defronte à sua casa com sua barulheira dos congados e moçambiques. Como era pessoa de prestígio político e social, conseguiu a sua transferência para um trecho vazio da rua Barão de Camargos. A nova igreja do Rosário foi construída naquele mesmo lugar onde está hoje, só que um pouco mais para baixo e com a frente voltada para a rua Barão de Camargos. Essa mudança de lugar deu-se antes do fim do século e não havia ainda um logradouro abrigando-a. Era um igreja solta num terreno baldio. Por essa época um profundo rego d’água cortava a praça, ou largo, ou apenas o espaço vazio. Quando foi em 1906, o mesmo Arlindo Teixeira que teria transferido a igrejinha, contratou o engenheiro da Mogiana, James Mellor, para levantar uma planta urbanizadora da parte alta da cidade que ainda era puro cerrado. O engenheiro traçou um tabuleiro de xadrez e riscou as avenidas que subiam do Fundinho até a estação da Mogiana. Eram as avenidas, da Cesario Alvim até a Cypriano del Favero, que tinham outros nomes. O povo chamava

Arquivo Antonio PPereira ereira da Silva

a João Pinheiro de Estrada da Estação, a Afonso Pena era a Estrada do Sobradinho e a Cesário Alvim era o Picadão. O engenheiro aproveitou a existência de uma igreja naquele lugar, embora com a frente voltada para a rua, e separou uma área para lazer do povo. Era a praça Ruy Barbosa. Algum tempo depois, mudaram a frente da igreja para o centro da praça, tudo indicando que, novamente, agiu o preconceito contra o ajuntamento de ne-

gros na rua, que era uma rua de residências nobres. A nova construção terminou em 1931. A nova igreja tinha a frente voltada para o centro da praça e era afastada muitos metros da rua. É exatamente como está hoje. Daí para frente, a praça foi lentamente urbanizando-se devendo-se considerar que na década de 40 e 50, abrigou vários prostíbulos.

O CORAL DA FACULDADE CATÓLICA O Coral da Católica iniciou suas atividades em setembro de 2008, com o objetivo de desenvolver as habilidades musicais através da atividade de Canto Coral como prática cultural aos alunos, funcionários da Faculdade Católica de Uberlândia e à comunidade externa. A atividade do Coral da Faculdade Católica é ministrada por Hosana da Mata, preparadora vocal, graduada pela Universidade Federal de Uberlândia, com experiência em corais adultos, infantis e infanto-juvenis; e Daniela Carrijo, pianista, graduada pela Universidade Federal de Uberlândia, com experiência em acompanhamentos vocais e instrumentais. É uma atividade de extensão gratuita e está com as inscrições abertas a todos os interessados. O repertório é eclético, contando com músicas populares e músicas sacras. Os ensaios acontecem segunda-feira, quarta-feira e sexta-feira das 18h às 19h30 na Faculdade Católica de Uberlândia. Nesses 04 anos de experiência, vem se apresentando em eventos acadêmicos, casamentos, festas, eventos científicos e artísticos. Em 2011 gravou seu 1º CD, intitulado “Aquarela” e está aberto a convites para novas apresentações. Contatos: nanaflauta@yahoo.com.br – Hosana da Mata (Regente) danifranco@hotmail.com - Daniela Carrijo – (Pianista) Foto: Isabela Lima

Marília Alves Cunha Email – mariliacunha16@hotmail.com

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A ORALIDADE DE UM MESTRE

Fundinho Cultural recomenda Livro

Joaquim Branco São célebres as conferências pronunciadas por Jorge Luis Borges em universidades europeias, na América e em outros continentes. Reunidas, algumas delas foram publicadas no Brasil, nos anos 80, pela editora Max Limonad de São Paulo sob o título Sete noites. Este livro, em termos de criatividade e qualidade textual, nada fica a dever às obras de ficção e de poesia do mestre argentino. Ali Borges aborda temas como: o pesadelo, a cabala, a cegueira, o budismo, entre outros. Após a publicação, a partir de 1999, de suas Obras completas pela Editora Globo, em excelente trabalho editorial em quatro volumes encadernados, não pensei que teria mais oportunidade de ‘ouvir’ outros de seus textos ditos ‘orais’. Mas eis que, por vias enigmáticas (borgianas, por certo), descobrem-se seis palestras perdidas, que haviam sido proferidas em inglês na Universidade de Harvard, em 1967-68, que a Companhia das Letras leva ao público com o título de Esse ofício do verso, organizadas por Calin-Andrei Mihailescu, em tradução de José Marcos Macedo. Novos temas no mínimo diferentes: a metáfora; o narrar uma história; o credo de um poeta etc. O mesmo Borges – concentrado e livre; simples e erudito; poético e com uma memória prodigiosa ao citar trechos de livros sem recorrer a apontamentos, e já vitimado pela cegueira. No capítulo “O credo de um poeta”, faz comentários sobre a literatura, em especial a poesia: “[...] muitas coisas aconteceram comigo, como a todos os homens. Tirei prazer de muitas coisas – de nadar, de escrever, de contemplar um nascer do sol ou um crepúscu-

lo, de estar apaixonado e assim por diante. Mas, de algum modo, o fato central de minha vida foi a existência das palavras e a possibilidade de tecê-las em poesia.” (p. 106) Sobre a preocupação com o leitor, no mesmo capítulo, pode-se anotar: “Quando escrevo não penso no leitor (porque o leitor é um personagem imaginário) e não penso em mim mesmo (talvez eu também seja um personagem imaginário), mas penso no que tento transmitir e faço de tudo para não estragá-lo. Quando eu era jovem acreditava na expressão. [...] não acredito mais na expressão: acredito somente na alusão. Afinal de contas, o que são as palavras? As palavras são símbolos para memórias partilhadas. Se uso uma palavra, então vocês devem ter alguma experiência do que essa palavra representa. Senão a palavra não significa nada para vocês. Acho que podemos apenas aludir, podemos apenas tentar fazer o leitor imaginar.” (p. 121-2) Se neste livro mais uma vez o leitor terá contato com uma literatura de alta expressividade (e – por que não dizer? – de inúmeras alusões), característica dos grandes escritores, poderá igualmente usufruir de um conhecimento mais profundo das coisas do mundo que se sintetiza numa só palavra: sabedoria. Que Borges sempre soube distribuir fartamente a todos que o leram e leem.

. A história do amor de Fernando e Isaura- Ariano Suassuna- José Olímpio Editora (romance) . Adriel- Elza Teixeira de FreitasAline Editora e Artes gráficas (poesia) . A Eterna Busca do HomemParamahansa Yogananda -Self Realization Fellowship Editora( ensaios e palestras) . A festa de Maria- Rubem AlvesPapirus Editora(crônicas) . Quando fui outro- Fernando Pessoa Editora Objetiva Ltda (poesia)

Música . Mais puro- Cícero Mota . Luz negra- Fernanda Takai Gravadora Deckdisc . As aparências enganam- Ney Matogrosso Poligram . Amigos em Cy - Quarteto em Cy Sonopress . Sementes do Amanhã-Projeto Cariúna Karmin-Produções Lourdinha Barbosa

Basta Um Dia Chico Buarque Pra mim basta um dia Não mais que um dia Um meio dia Me dá só um dia E eu faço desatar A minha fantasia Só um belo dia Pois se jura, se esconjura Se ama e se tortura Se tritura, se atura e se cura A dor na orgia Da luz do dia É só o que eu pedia Um dia pra aplacar Minha agonia Toda a sangria Todo o veneno De um pequeno dia

*JB – Poeta, professor de literatura na FIC - Faculdades Integradas de Cataguases, doutor em literatura pela UERJ. Autor, entre outros livros, de Passagem para a modernidade (ensaio) e O menino que procurava o reino da poesia (ficção infanto-juvenil). Foto: Margareth Colantoni

História

Só um Santo dia Pois se beija, se maltrata Se come e se mata Se arremata, se acata e se trata A dor Na orgia Da luz do dia É só O que eu pedia, viu Um dia pra aplacar Minha agonia Toda a sangria Todo o veneno De um pequeno dia

Ponto de Charretes Uma argola no passeio da rua Joaquim Cordeiro, antiga Travessa Dom Barreto, esquina com Felisberto Carrejo é a marca dos velhos tempos no Fundinho. Servia para amarrar os cavalos que puxavam as charretes que estacionavam ali. Com a proximidade da Estação Rodoviária da cidade, a praça Cícero Macedo tinha um ponto de taxi de um lado e um ponto de charretes do outro. Isto aconteceu até a década de setenta. O transporte coletivo na cidade ainda bem deficiente na época e as charretes eram muito solicitadas. Margareth Colantoni

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Crônica

Especial

Encontros ao acaso

Era mais uma tarde de muito calor. Caminhava pela calçada, distraída, tentando me livrar de uma mágoa insistente, que ainda não foi embora. Seguia pelo caminho de cabeça baixa, indignada e chateada quando alguém gritou meu nome. Ele me parou, interrompeu meus pensamentos e a liberação de cortisol no meu organismo. A principio me assustei, mas depois agradeci. Foi um anjo que apareceu para me dispersar a raiva, o ressentimento. Conversamos por pouco tempo, uns cinco minutos. Tempo em que percebi que há seres humanos de verdade. Pessoas que se importam e f a z e m

questão de deixar isso claro mesmo que não saibam tanto sobre a sua vida, seus tropeços ou sua incoerência. Simplesmente gosta, sem julgar, sem criticar. O nome dele é Fábio. Após esse encontro rápido, ele beijou minha mão delicadamente e se foi, deixando um rastro de luz. Um pouco de leveza invadiu as horas que ainda faltavam para o dia acabar. Conversei silenciosamente com Deus e percebi que foi Ele quem cruzou nossos caminhos para que tanto um como o outro ficassem em paz. De fato. E no outro dia mais um fato. Uma situação inesperada, inusitada. Sentada à minha mesa, concentrada. De repente, uma das pessoas que visitavam a redação da TV saiu do camarim, me viu e perguntou para a minha colega de trabalho, a Ângela: -Posso matar uma curiosidade? Ela respondeu: -Claro que sim! -Posso tocar nessa moça (no caso eu!) para ver se ela é de verdade?” Na mesma hora sorrimos e, claro abri os braços para ela. No abraço, ela chorou. Me comoveu. Tanto que a acompanhei até o estúdio, fiquei perto e pude sentir uma pessoa de coração puro, de sensibilidade extrema e cheirosa! Cheiro de gente boa, de ser humano. Luciene é o nome dela, uma pessoa que deixou marcas em mim... Preste atenção em quem, por acaso, esbarra em você!! Mônica Cunha

Foto: Jorge H. Paul

Uberlândia

Uberlândia e Nova York um breve paralelo Resguardada à devida proporção é possível traçar um paralelo entre Nova York e Uberlândia. Todos que aqui chegam, trazem consigo sonhos e desejos ainda não realizados. Sonho de realizar um curso, ter um emprego melhor, ter um marco na sua vida, simplesmente por morar em NY e fazer algo diferente do que poderia fazer no seu local de origem. Percebo que assim também acontece com quem chega à Uberlândia, vindo de tantas regiões do Brasil, sonhando com uma vida melhor, mais completa, mais feliz, mais repleta de oportunidades. Em Nova York, a diversidade cultural é um característica da cidade, é possível encontrar pessoas com origens tão diferentes, mas com algo em comum: aproveitar ao máximo o que este novo lugar, o que esta oportunidade de viver em um lugar diferente pode te oferecer. Uberlândia também tem sido eleita a cidade dos sonhos de muitas pessoas, que diferentemente do que acontece em NY, vieram de um mesmo país, das 5 regiões que misturam ali seus traços culturais, seus hábitos, seus gostos e acabam influenciando em um novo jeito de ser e de se viver nesta cidade. A proporção de nova-iorquinos X imigrantes assim como a de uberlandenses X uberlandinos, reflete o quanto estas cidades são o alvo de muitas pessoas que buscam realizar os seus sonhos, impulsionadas e motivadas pelo leque de opções e oportunidades. Em Nova York, 36% da população é de imigrantes, enquanto em Uberlândia, 48,5% dos moradores da cidade vieram de outras localidades e nos dois casos, esta mudança pode ter sido motivada pelos estudos, pelas oportunidades no mercado de trabalho, opções de lazer e estilo de vida. Nova York

Apesar de estar morando aqui há pouco mais de 2 meses, pude conhecer alguns bairros que retratam bem a história de Nova York tanto quanto o Fundinho retrata as origens de Uberlândia. Há lugares que traduzem melhor o jeito de ser e viver do nova iorquino, já que aqui não é tão fácil perceber isto imediatamente em função da grande quantidade de imigrantes que acabam por remodelar os hábitos de vida dos que aqui vivem. Como uma grande metrópole, NY está aberta para receber o novo sempre, mas preservando incondicionalmente a sua história. Em alguns bairros é possível perceber bem a influência destas novas culturas que acabam inevitavelmente recriando novos ares em um cidade que sabe bem acolher esta diversidade que coopera para o seu desenvolvimento e crescimento. E este é um outro ponto comum entre imigrantes aqui em NY e uberlandinos em Uberlândia, em busca dos seus sonhos e projetos de vida, todos cooperam para o crescimento e desenvolvimento da cidade. Enviado de Nova York : pela colunista

Marina Cavalcante Monteiro Mendes

"As palavras que você fala se tornam a casa onde você mora." Hafiz

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Cinema

O Cinema de Gláuber Rocha TERRA EM TRANSE Política e PPoesia oesia Guido Bilharinho

Fenômeno recorrente é o artista dar a lume no início da carreira a alguma obraprima. Sua responsabilidade daí em diante é grande, pesando-lhe muitas vezes como um fardo. Isso não ocorre quando o autor ou cineasta vai pouco a pouco galgando os degraus da qualidade, a exemplo, entre outros, de Machado de Assis, Graciliano Ramos e Guimarães Rosa no romance brasileiro ou Humberto Mauro no cinema. Todavia, para inúmeros outros, a obraprima inicial ou surgida logo nos princípios da carreira mais funciona como estigma do que como estímulo, já que posteriormente é necessário (ou todos esperam e até exigem) algo no mínimo equivalente. Por isso, não devem ter sido fáceis os caminhos de Mário Peixoto (que após Limite, de 1930, aos vinte e dois anos, nada mais fez), de Eisenstein (cujo segundo filme é O Encouraçado Potemkin, de 1925), de Orson Welles, estreando com Cidadão Kane, de 1941, ou Norman Mailer, iniciando sua carreira literária com o romance Os Nus e os Mortos (1948). Igualar-se ou superar-se a si próprio quando se atinge tão alto nível é tarefa mais difícil do que a elaboração dessas obras. Com Gláuber Rocha ocorre o mesmo fenômeno. Logo seu segundo filme, Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) torna-se inexcedível. E aí? Fazer o quê? Claro, continuar, porque o borbulhar (conforme designação de Castro Alves) ou estuar do gênio normalmente é impetuoso e irrefreável. Mas, o comprometimento e o peso continuam. Assim, pouco depois do golpe militar de 1º de abril de 1964, Gláuber realiza Terra em Transe (1967). Nele, desvia-se o cineasta de sua ardente preocupação com a saga (e a sina) nordestina para expor drama geral do país. A pretensão (e a onipresente responsabilidade) de realizar obra consistente o leva a enfrentar a tragédia dos países subdesenvolvidos, nos quais as carências populares avultam na proporção da rapacidade das classes dominantes, nacionais e estrangeiras. São amplas e abrangentes tais carências, estando sempre presentes e reivindicantes, porque são imensas, inatendidas, não solucionadas. Gláuber reúne e lida com tais elementos no filme, aduzindo o papel que intelectuais de esquerda desempenham em tal conjuntura. Na realidade, o cerne ou o núcleo do filme é esse desempenho dilematicamente vivido pelo protagonista, jornalista e poeta. A estruturação fílmica, no entanto, padece de esquematismo. A figura do protagonista não se resolve com autenticidade. A ação flui bastante intelectualizada, revelando a cada passo os andaimes que lhe serviram de apoio. São atos, gestos, monólogos e diálogos literários, alguns belíssimos, como quando a secretária (Glauce Rocha) do governador (José

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Lewgoy), diz para o protagonista que “um homem não pode se dividir assim. A política e a poesia são demais para um só homem”, ou quando o governador afirma que “eu recuei várias vezes, adiando problemas do presente para pensar no futuro. Mas, se eu transfiro o presente para o futuro encontrarei apenas um futuro acumulado de maiores tragédias. Por isso é necessário enfrentar agora os inimigos”. Contudo, de tão elaborada, maior se torna a impressão de artificialidade da contextualização empreendida pelo cineasta, já de si, desde a sequência inicial, forçadamente construída. A maneira de se relacionarem as personagens, excetuada a ocorrente entre a secretária e o protagonista, balizada pelo amor, é, sempre, impositiva, determinada de fora para dentro e não surgida e processada com espontaneidade e naturalidade. A imperiosa necessidade de não incidir em convencionalismos e banalidades impõe ao cineasta procurar e montar cenas insólitas e verdadeiramente espasmódicas. Assim, a extrema artificialidade das intervenções eleitorais do candidato Diaz e a cena final, em que o protagonista de personagem transforma-se em figura de outdoor quando a intenção é outra, muito diversa. Contudo, o filme possui predicados. Não poucos nem irrisórios. O maior deles é de evitar a mesmice do kitsh e do trivial. A beleza da imagem e a criatividade e elaboração das angulações e enquadramentos de cenas percorrem toda a película, salientado-se como seu maior atributo, não correspondido, como se viu, no conteúdo temático e na articulação convivencial das personagens. Por sua vez, as cenas das festinhas dos políticos são das melhores do gênero no cinema ou, no mínimo, no cinema brasileiro. Enfim e em suma, um grande filme não realizado, mas, cujos estilhaços sobreviverão pela garra de sua composição e força de sua impulsão. Se não era o desejado, o esperado e nem o suficiente, pelo menos é, e sempre, instigante, polêmico e exuberante como a inteligência, a concepção e a visão do autor. (do livro Seis Cineastas Brasileiros editado pelo Instituto Triangulino de Cultura em 2012. www.institutotriangulino.wordpress.com)

DONA CORA Iniciei meus estudos de piano, ainda criança, com as professoras Arita Balieiro e Líbia Balieiro. Ambas se mudaram de Uberlândia, quando passei a estudar com a Profª Amanda Carneiro Teixeira. Por orientação de D. Amanda, matriculei-me no então recém criado Conservatório Musical de Uberlândia, onde fui aluna de D. Cora, sua fundadora. Hoje, o Conservatório Estadual de Música leva o seu nome :Cora Pavan Capparelli. Grandes homenagens lhe foram prestadas este ano, nas comemorações do aniversário de fundação. D. Cora fez de Uberlândia, uma cidade musical. Através dela, tivemos os primeiros contatos com os grandes nomes do cenário artístico do país, até então, longe dos nossos palcos : Maestro Camargo Guarnieri, Violinista Nathan Schartzmann, concertistas Izabel Mourão e Magdalena Tagliaferro e tantos outros, ainda nas décadas de 60 e 70. Pelo Conservatório e pela Faculdade de Artes, sob sua direção, foram revelados grandes talentos, e só para citar alguns: Iramar Eustáquio Rodrigues, Osvaldo Accursi, Cristina Maria Capparelli Gerling, Cecília Maria Fernandes, Carlos Alberto Storti, Calimério Augusto Soares Netto, Maria do Rosário Braga Pereira, Sandra Santos Ribeiro, Maria Aparecida Garcia, Flávio Arciole, Maximiliano Daniel de Brito, Leila Muchail Furlani. Hoje, do Conservatório Estadual e do Curso de Música da Universidade Federal de Uberlândia, frutos de seu trabalho, continuam despontando grandes artistas, que nos honram em suas apresentações no país e no exterior. Em um de seus mais recentes livros, editado em 2011 , pelo Studium Generale Marcianum – Marcianum Press - Venezi: “Lodate Dio con arte – Sul canto e la musica”, o Papa Bento XVI , magistralmente, trata da música, primordialmente em seu aspecto sacro , comenta grandes obras, além de apresentar a sua trajetória pessoal de encantamento com a música. Em um dos capítulos, ele escreve: “ Quando, na nossa igreja paroquial de Trunstei ressoava, nos dias festivos, uma Missa de Mozart, para mim, jovenzinho vindo do campo, era como se o céu se abrisse”. E quantas crianças se encantam, hoje, com a música, graças ao trabalho que D. Cora realiza em vários bairros de Uberlândia. Quantas crianças abrem o seu coração e os seus ouvidos para a grande novidade que lhes é comunicada.Dar às crianças oportunidade de aprendizado em um instrumento ou de fazer parte de um coral, é colocá-las, verdadeiramente, em contato com o outro, com aspectos de solidariedade, de escuta e de partilha, enfim, em contato com o belo, com o Criador. Muitas delas se dirigem ao Conservatório, para iniciarem seu aprendizado , naquela que Beethoven chamou de “Uma revelação superior a toda sabedoria e filosofia”. Através do “Pro-Música, com apresentações de músicos de várias nacionalidades, que nos encantam nos períodos de concerto, realizados no Teatro Rondon Pacheco e do Festival de Cordas Nathan Schwartzman, D. Cora nos proporciona um contínuo contato com a arte. . Na Catedral de Santa Teresinha, nas missas das 7 horas , aos domingos, é incansável, soa o teclado e rege o coral, no canto que louva a Deus , que faz parte da liturgia e que completa a nossa oração. Falar, pois, de D. Cora, é falar de MÚSICA, dom que ela recebeu de Deus e que o transmite a todos, sem exceção. Ao homenageá-la, nesta pequena crônica, faço-o em nome de todos os seus ex-alunos, que dela sempre receberam grande incentivo, grande amizade e conhecimentos seguros na arte musical. D. Cora pode, tranquilamente, dizer como Clarice Lispector:” Minha alma tem o peso da luz, tem o peso da música...” Aparecida Portilho Salazar portilhosalazar@reito.ufu.br

A QUESTÃO DA LINGUAGEM NA POESIA DE ARICY CURVELLO Cleber Pacheco (*)

“O homem é homem graças à linguagem” Otávio Paz

A seleção de poemas feita por Aricy Curvello para o livro “50 Poemas Escolhidos pelo Autor” consegue manter uma impecável coerência,destacando como ponto central de sua temática,a questão da linguagem como fundamento da identidade do homem enquanto tal, possibilitando-nos analisar sua obra por um novo viés. Durante a leitura podemos perceber que o poeta busca a fundamentação da identidade do humano.Ele aborda a necessidade de criação,de construção,o instinto de vida que nos impulsiona a fazer,refazer,recomeçar e recuperar aquilo que parece inacessível ou perdido devido tanto ao caos inicial e ao desconhecido,quanto a inexorável passagem do tempo. Esta busca pela identidade se dá por meio da palavra. Graças a ela lidamos com o insondável Mistério,com o Desconhecido,o Caos,o Pré-Histórico,podemos lidar com os mundos interno e externo,buscamos a nossa pátria,tanto no sentido literal quanto no de um lugar que serve de referência para nós seres humanos. O autor abre o livro abordando diretamente a questão da linguagem e das palavras,por meio do substantivo,verbo e advérbio,tratando também a respeito da arte e da realidade.A linguagem está relacionada tanto ao existir quanto ao viver.A palavra é rio,fio,possibilidade,som,canção.É eco,mar e universo.No binômio palavra-realidade está presente também o medo do desconhecido.A palavra é ainda imagem que desafia o escuro,o vazio,o disperso tentando dar-lhes alguma coerência e ordem,lidando sempre com o limite. Diz Umberto Eco (l986,p. 73) “a linguagem é o próprio fundamento da cultura”. O poeta torna-se,então,o discursador,pois ele nomeia o que some,o fugaz.Ele preenche um importante papel,pois não há heróis ou intérpretes.O poeta situa-se entre o calar e o falar.Ele e a linguagem elaboram o fundamento,a construção do humano e do real.É preciso ultrapassar o silêncio e o interdito,vencer a paralisia,a ditadura, a burocracia, o imperialismo,a imobilidade e refazer,como um operário,a casa ou,como um soldado,o caminho.É fundamental recomeçar,passando sempre pelo processo morrerrenascer,renovando a história,fazendo-a avançar.A vida é um terno recomeçar No poema O Acampamento,o poeta trata a respeito do provisório,da necessidade de destruir para construir,dos opostos natureza x civilização,do princípio do mundo: Nós nos alimentamos do que morre. Há uma esperança e,ao mesmo tempo,uma teimosia ao tentar refazer os antigos caminhos.O apodrecimento comprova a necessidade do recomeço.Entre aceitar e resistir,o instinto da vida busca sobrepujar o desgaste de tudo e há uma tentativa,tanto em âmbito humano quanto da própria existência,de recuperar o perdido.Para que isso possa acontecer,o autor coloca uma questão crucial,segundo o seu ponto de vista:o Eu. Este é,simbolicamente,nossa primeira casa,moradia,cidade.Há novamente uma dualidade,a saber, Eu x Mundo e uma semelhança entre os opostos:ambos são únicos e múltiplos.A busca da identidade dá-se pela palavra.Então Aricy nos remete ao poeta Fernando Pessoa,utilizando ainda a expressão outrônimos, criando imagens como a máscara,o sem-rosto.A identidade,portanto,é algo extremamente complexo.É fundamental,mas ilusória.O Eu é misto de sombra,luz e escuridão.É um produto mental,mas a mente não é apenas racional,está repleta de diferentes vozes,próxima,não raro,da loucura,oscilando entre o são e o insano,sempre no limite de um e outro. A loucura leva ao contato com o pré-histórico,o monstruoso,a vertigem,o insondável mistério, remetendo o homem à questão morte e vida.Todavia,o poeta,mais do que a morte,questiona a vida.Assim também faz o artista,mais especificamente o pintor.Os poemas a respeito de Cézanne e Van Gogh tratam a respeito do processo de criação e da busca por Algo,pelo absoluto,bem como a respeito da dicotomia coisas X aparências. Como diria Alfredo Bosi (1983, p. 21),”O fenômeno verbal é uma conquista na história dos modos de franquear o intervalo que medeia entre corpo e objeto”. Neste ponto,Aricy adota um novo posicionamento,aprofundando ainda mais a questão ao ir demonstrando a necessidade de destruir a ilusão do eu, pois há uma necessidade de despertar e compreender que os mundos interno e externo são apenas aparência.Ou seja,todo o trajeto anteriormente percorrido de construir uma identidade tem de ser necessariamente desfeito ao nos depararmos com o problema saber X não-saber,conhecido X desconhecido.Saber e medo se confrontam,gerando a DÚVIDA. Saber resume-se a nomes de palavras,o resto é fórmula,álgebra,mágica.Ocorre assim um retorno ao caos e ao inevitável movimento do incessante reinventar: nenhum homem conhece o real Afinal de contas,conhecimento é só linguagem.O movimento,o efêmero nos move.É preciso compreender que é breve a busca do lugar-pátria. É a linguagem que nos vive Os dicionários e enciclopédias são os alicerces. Afirma Otávio Paz (1982,p.37) “ A palavra é o próprio homem.Somos feitos de palavras”. Daí a busca pelo efêmero,pelo instante e pelo movimento,próprios da poética aricyana.A poesia é mais que os nomes do nada e menos que os nomes de tudo. (*) Cleber Pacheco escritor e crítico, é Mestre em Literatura Brasileira Federal do Rio Grande do Sul.

pela Universidade

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Guido Bilharinho é advogado atuante em Uberaba/Brasil e editor da revista internacional de poesia Dimensão de 1980 a 2000, sendo ainda autor de livros de literatura, cinema e história regional e nacional. (Publicação autorizada pelo autor)

“Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser Feliz" Frei Betto

BOSI,Alfredo.O ser e o tempo da poesia. São Paulo : Cultrix,1983. CURVELLO, Aricy. 50 Poemas Escolhidos pelo Autor. Rio de Janeiro: Edições Galo Branco, 2007. Coleção 50 Poemas Escolhidos pelo Autor volume 25. ECO,Umberto.Obra aberta. São Paulo: Perspetiva, 1986. PAZ,Otávio.O arco e a lira. Tradução de Olga Savary. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira,1982, 2ª edição.

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Carinho

A inesquecível Odélcia Leão Carneiro Para você Odélcia Década de setenta, o auditório da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras está repleto de alunos. Mais um ciclo de conferências se inicia. A plateia, em silêncio, observa a sutil trajetória da palestrante, ilustre professora de literatura francesa, perfilando entre as poltronas. Segura nas mãos, uma pequena gaiola dourada com um pássaro artificial, emitindo suave canto. Percorre lentamente o auditório, com o olhar sério e penetrante de quem investiga nossa atenção. Os alunos, perplexos, ouvem o mecânico canto do pássaro. A partir desta performance artística a conferência se desenvolverá e a prova mensal da professora Odélcia Leão Carneiro já sugere o tema. Quem foi capaz de transcender o gesto carregado de intensidade dramática da mestra, e lembrou-se daquela fase literária ou poeta francês em estudo, se saiu bem e garantiu sua nota. Uma frase, uma palavra, um poema, um desenho sutil, um perfume, a música do momento, um ponto de giz na lousa, toda ênfase criativa era bem vinda. Aulas inesquecíveis, que investigavam nossas possibilidades e despertavam o aprendizado com criatividade. Para você, que me fez acreditar cada vez mais na literatura, na arte e na vida, o canto de um pássaro para alegrar seu infinito.

Oh! Odélcia Frágil e forte, mulher Em tempos plúmbeos de porões e ante-salas de espera fria e sem-fim: Tempos de resistência! Tempos de incertezas! Encontrei-te, professora, recém-chegada da Sorbonne. Anos sessenta, Faculdade de Filosofia... Praça Clarimundo Carneiro, casarão de Julieta Cupertino, minha morada, sem número de memória. Praça silenciosa dos ditos e não-ditos numa gramática de risco. Tuas lições são marca indelével, viagens literárias: Proust, Baudelaire, Verlaine, fui adquirindo outras linguagens, mais luz em dias e noites sombrios, em madrugadas de falso silêncio dos cala-fala! Teu saber tocou-me, sofisticado, talvez não me fez mais culta, fez-me, porém, mais humana. “Les sanglots songes” são também por ti, Oh! Odélcia! Teonila

Hélvio Lima.artista plástico

Irmã Odélcia, Falar de você é falar do “Pequeno Príncipe”, é falar de AMIZADE. Você hoje “tem estrelas como ninguém nunca as teve” ! E nós, quando olhamos o céu, sabemos que você habita uma delas e de lá está rindo para nós, porque você continua “indispensável no nosso meio”!

Ilar Garotti

Fui aluna da Irmã Odélcia na Faculdade. Meus colegas e eu ficávamos, em nossos vinte e poucos anos, embasbacados com suas aulas geniais sempre mantidas no patamar da excelência. Hoje ao olhar a minha história, vejo também que ela, ao ter a percepção do meu potencial - o dom de ensinar que recebi ao nascer , estimulou a emergência da minha vocação e me ajudou a alinhar a vida com esse chamado específico portador do meu destino. Ela enfatizava, a qualquer tempo, a função civilizatória da cultura e das artes”. Nilza Alves.

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MINHA PROFESSORA IRMÃ ODÉLCIA

Odélcia, poetisa, transitando com intimidade pelos caminhos da Literatura, soube despertar nos alunos de Letras o amor aos escritores, poetas e pensadores. Uma característica a distinguia: a capacidade de VER. Falava com entusiasmo da importância da observação: esta faculdade de perceber com todos os sentidos. Muitas vezes nos perguntava: “O que vocês viram, ouviram, sentiram hoje?” E nos fazíamos mil interrogações... Então ela nos chamava a atenção para detalhes que fogem à sensibilidade dos distraídos: um sabor especial numa refeição, uma frase musical no meio de uma sinfonia ou do barulho da cidade, a expressão do olhar de um transeunte, um verso ou uma palavra num poema. “É isto que faz a poesia, é desse material que se servem os grandes escritores”, dizia. Tínhamos que estudar muito, com a acuidade do intelecto e a sensibilidade do coração, pois ela jamais nos cobrava o óbvio. “De que adianta saber de cor uma poesia, se você não percebe a alma da poesia?” E o amor à Literatura nos fazia viver de olhos, ouvidos e demais sentidos prontos a captar o mais recôndito da realidade. Sinestesias... saudade.

Eu quero que estas poucas linhas façam jus à memória de uma das pessoas mais interessantes que já conheci. Ir. Odélcia era sensacional. Tenho duas memórias dela: a de aluna de Letras e a de colega, na UFU. Quando eu era aluna, Ir. Odélcia era intelectual, culta e misteriosa e, por que não, chic. O que dizer de alguém que falava francês e mais algumas línguas, era íntima de literatos e filósofos e fazia poesias pensativas e reticentes? Nada de sua vida pessoal, vestidos chemisier, casaquinhos de cashmere e delicado perfume francês? Rigorosíssima nas notas, tinha livros e dicionários que ninguém tinha. Que freira era essa de passos rápidos, elegante e de língua afiada? Era a sensação, o encanto. O saber é que eleva, parecia ser a sua pregação. As aulas começavam, quase sempre, com algo provocativo, quase um brainstorming. E lá íamos nós, os sonhadores, em direção ao futuro. Como colega, pude entender, mais tarde, a mais brilhante qualidade dela, como professora. Tinha uma capacidade cotidiana de provocar nas pessoas o entusiasmo, a autoestima, a curiosidade intelectual, o orgulho pela profissão. E, até se aposentar, as mesmas qualidades carregava consigo. Que pessoa!

Neuza Gonçalves Travaglia

EDNA BARBOSA

Falar sobre Irmã Odélcia, é falar sobre eficiência no magistério, dedicação aos familiares, companheirismo e compaixão para com o próximo. Falar sobre Irmã Odélcia, é falar de espiritualidade de uma alma profunda e que procurava o essencial. Este breve poema que escreveu retrata sua busca pela verdade! Chácara Eldorado “...é preciso sentir o cheiro da terra, para se ver o brilho das estrelas! E na escuridão da noite, procuro e busco a minha estrela! Paro, ouço uma voz... sua Estrela está dentro do seu coração. Acenda a chama do Amor e ela brilhará eternamente. Amém.”

Professora Irmã Odélcia Leão Carneiro

Odélcia, Ilar e Rosário

ODÉLCIA LEÃO CARNEIRO A inesquecível IRMÃ ODÉLCIA Pessoa predestinada ao especial! Ela foi “ÚNICA”! Uma estrela com luz própria e brilho particular, que iluminou a todos que precisaram de sua luz. Um “Pequeno Príncipe”que viajou por vários planetas, várias estradas de sucesso e pelo universo de todas as pessoas com as quais de relacionou. Um ser humano incrível... Uma pessoa de reflexões valiosas e de sentimentos profundos: fé, vontade, perseverança e desejo de se superar. Mas, foi, sobretudo, o senso de responsabilidade, solidariedade e humanismo que esteve sempre no centro de suas mensagens. Amiga e companheira. Estivemos juntas na minha caminhada mágica de descoberta de uma nova realidade: a de professora universitária. Tive a bênção de viver a seu lado, tive a honra de ser sua aluna, sua monitora e sua colega, participando do seu trabalho e podendo compartilhar sua filosofia de vida. Ela foi para mim muito mais que apenas mestre. Ela foi a “Mestre do fazer”! Ela foi, “a um só tempo, temporária e atemporal, passageira e condutora, história e fato.” (Ribeiro, Nuno Cobra. A Semente da Vitória, 2001) Sua imagem foi muito mais abrangente do que qualquer palavra que se ouse utilizar. Ela foi o arquétipo do amor! E o protótipo do encantamento com a vida. Neila Soares Faria . novembro 2012

“ Reconhecer é mais do que qualquer outra ação, dar a conhecer e, neste caso, dou a conhecer o meu profundo agradecimento pela presença de Irmã Odelcia na minha vida e nos destinos que tomei ao longo das inúmeras caminhadas empreendidas. Seu olhar generoso e desafiante trouxe-me a convivência com o saber e com uma paixão-profissão. Foram inúmeros os incentivos, os conselhos e as portas por ela abertas, de modo a investir na consolidação de um trabalho e um modo de olhar que só poderiam resultar da experiência humanizada de Ir. Odélcia. Carinho, respeito,seriedade e competência são atributos que acompanham, sempre, sua lembrança entre nós. Agradecimento e saudade são traços de sua lembrança em mim. Pelo privilégio da convivência e sabedoria, obrigada !!” Betina

Profa. Margaret Abdulmassih Wood da Silva - Habitante do Fundinho, em Uberlândia-MG.

Livro

Memórias de um historiador

JERÔNIMO ARANTES O livro Polêmicas em defesa do patrimônio histórico de Uberlândia, escrito pelo historiador, educador e poeta, Jerônimo Arantes,18921983, e doado ao seu neto, o arquiteto Paulo Carrara, é um legado da maior importância para Uberlândia. A EDUFU, Editora da Universidade Federal de Uberlândia, fez um belo trabalho em 2012, ao registrar a originalidade da obra concebida por seu autor. Variada temática em torno da vida e dos personagens que fizeram história nos primeiros anos do século vinte compõem esta fascinante obra, indispensável nas bibliotecas dos que amam Uberlândia e os seus personagens. Publicamos aqui interessantes recortes sobre o cinema e os primeiros divulgadores da sétima arte na cidade. Sr. Urias Rodrigues da Cunha Nascimento: 15/8/1870 Falecimento: 6/5/1941

Ouvindo as estrelas A escuta da Palavra e a conversa do Senhor, eu ouvi a Tua Voz na escuridão da noite, coração! queriam falar comigo e eu permanecia muda e no caminho das estrelas!... percebi então, que elas me acenavam... e surda às suas vozes... continuava o meu caminho... sem rumo, sem destino e sem perceber que o sucesso das estrelas na noite escura era o sorriso de Deus que me dizia... que me acenava para uma estrada dura e forte, como duro e forte deveria ser meu coração! Odelcia Leão Carneiro Enquete sobre Irmã Odélcia realizada por Terezinha Maria Moreira autora do Livro A VOCÊ, poemas em 5 idiomas.

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Horóscopo

SEMENTE DE MOSTARDA Em 1996, o então Cardeal Joseph Ratzinger, quando ocupava a função de Prefeito da Congregação para Assuntos da Fé, concedeu uma entrevista ao jornalista americano Peter Seewald, entrevista essa que acabou por se transformar em um livro intitulado: “O Sal da Terra”. Nesta entrevista, ele fala de uma Igreja futura, cujo crescimento se processaria de modo diferente de como tem sido até então. Diz ele: “Talvez tenhamos de nos despedir das idéias existentes de uma Igreja de massas. Estamos possivelmente perante uma época diferente e nova da história da Igreja. Nela o cristianismo voltará a estar sob o signo do grão de mostarda, em pequenos grupos, aparentemente sem importância, mas que vivem intensamente contra o mal e trazem o bem para o mundo; que deixam Deus entrar”. Percebo, na fala do então Cardeal, uma visão profética desse caminhar silencioso da nossa Igreja realizando-se hoje, distante, sim, das conversões em massa, mas fincando os seus alicerces nas ações de pequenos grupos que, fortalecidos pela fé, se colocam a serviço. Nessa mesma direção, encontrei, no folheto Deus Conosco, a seguinte citação: Quando os apóstolos pedem a Jesus que lhes aumente a fé, Ele lhes apresenta o exemplo da minúscula semente de mostarda cuja destinação é transformar-se em um grande arbusto. O que vemos acontecer hoje é o emergir de uma Igreja Doméstica, animada por um espírito missionário, cristão e de perseverante escuta à Palavra de Deus, que vai abrindo caminhos. “Eu não vos deixarei órfãos”, disse Jesus –Jo 14.18 e essa Sua promessa está a se cumprir em cada pequena Igreja Doméstica que surge nos mais distantes recantos desse nosso imenso universo. Movidos por uma força que, aos

HORÓSCOPO DEZEMBRO 2012 PREVISÕES 2013 ÁRIES favorece justiça, viagem ou expansão, otimismo, cor: azul n: 3 em 2013: terá colheita do que plantou, sucesso, maturidade, TOURO favorece transformações, intensidade, sucesso, cor: verde n: 8 em 2013, terá expansão, viagens, mudanças, aventuras, intensidade, GÊMEOS favorece convívio social, parcerias, comunicação, solidariedade, cor: verde n:6 em 2013, muita sensibilidade, transformações, intuição, desprendimento, CÃNCER favorece equilibrio entre sonho e realismo, intelecto e intuição, cor: azul n: 5 em 2013: equilíbrio entre ação e reflexão, entre isolamento e convívio social,

olhos humanos, não se explica, esses grupos começam a tecer os seus sonhos em modestas reuniões domésticas. Um desejo forte e transcendente faz pulsar, de dentro de cada um, toda a espiritualidade que anseia emergir de sua profundeza. Em pouco tempo, vão crescendo e se fortalecendo em trabalho e ações concretas organizando quermesses, festas juninas, galinhada aos domingos, bingos, bazares. Devagarinho, com persistência, o milagre começa a acontecer. Então, essas pequenas comunidades, passam a se reunir, não mais em suas casas, mas nas modestas capelas e nos barracões erguidos para abrigar a Palavra e o povo de Deus E, ali, sob a luz tênue do Sacrário, o milagre da Semente de Mostarda começa a se transformar em grandes arbustos. E, assim, sob a luz do Espírito Santo, como Sementes de Mostarda, o povo de Deus vai enfrentando as transformações do mundo. Com os olhos voltados para o horizonte, esse povo, sem perder a identidade essencial de filhos de Deus, tal como Abraão em busca da terra prometida, segue em frente, confiante e seguro, em direção Àquele que é a razão se ser de nossas vidas - Jesus.

LEÃO favorece brilho social, criatividade, liderança, lazer, iniciativas, cor: laranja n:1em 2013: pés no chão, detalhismo, prudência, simplicidade, bons negócios, VIRGEM favorece sensibilidade, prudência, estética, popularidade, cor: branco n: 2 em 2013: brilho, comunicação, contato com irmãos, lazer, criatividade, LIBRA favorece comunicação, intermediação, contato com parentes, intelecto teórico, cor: amarelo n:5 em 2013: sensibilidade, popularidade, raízes, prudência, heranças ou vida familiar, ESCORPIÃO favorece esforços pragmaticos, ganhos, prudencia, popularidade, raízes, cor:verde, branco n:6 em 2013: comunicação, intelecto teórico, intermediações, bons negocios, lazer, liderança, SAGITÁRIO favorece: decisões, liderança, brilho social, lazer, criatividade, cor: vermelho n:9 em 2013: realismo, perfecionismo, simplicidade, análise, esforço pragmatico, CAPRICÓRNIO favorece: equilibrio entre sonho e realismo, entre síntese e detalhismo, cor: azul n: 7 e5 em 2013: equilíbrio entre ação e reflexão, entre egoísmo e doação, isolamento e convivio social AQUÁRIO favorece amizades, solidariedade, convívio social, parceria, estética, cor: azul n:4 em 2013: intuição, intensidade, desprendimento, transformações, legados,dotes, PEIXES favorece realização de objetivos, sucesso, transformações, intensidade, desprendimento, cor:verde, n:8 em 2013:novas amizades, expansão, convivio social, viagens, benevolência, IVONE VEBBER http://www.blog.clickgratis.com.br/almanaquecultural

Mariú Cerchi Borges

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Arquivo

“Museu”: memórias, contos e tradições de um patrimônio do Fundinho

colegial nessa escola, sem ser reprovado, Um lugar que para muitos uberlandenses e uberlandinos remete às boas lempassaria em qualquer vestibular. O rigor com a disciplina era também um branças da infância e da adolescência, já ponto forte de destaque do “Museu”. Em que, além do ensino, a Escola Estadual uma ocasião, a nossa turma foi penalizada de Uberlândia, o famoso “Museu” sempor incentivar e promover “uma guerrinha pre foi sinônimo de rigor na disciplina e de água dos bebedouros” na hora do relocal histórico para a cidade e personagens creio, fato que acabava por ocasionar a que passaram por lá de alguma forma. chegada de alunos, do recreio, com os uniO querido “Museu”, escola que estudei formes completamente molhados. O resulda 5ª série ao 3º colegial, é um edifício e um monumento integrante de um dos bairtado já era esperado, porém a represália foi planejada de forma que a classe teria ros mais culturais de Uberlândia, o Fundique ficar em fila indiana esperando a pronho. Localiza-se na praça Adolfo Fonseca, nº 141, e é uma edificação datada de 1915, fessora buscar para levar à sala de aula. Dessa vez, a turma antecipou-se no quesique abrigava a instituição particular Gináto surpresa e formou a fila, porém com sio de Uberabinha. Segundo William Douglas Guilherme, no início dos anos de 1929, todos os colegas fantasiados de bebês, ou seja, havia gente com mamadeira na mão, o prédio foi doado ao Estado de Minas Gevestindo fralda, rais para a inssegurando chotalação do Gymcalho e até banásio Mineiro de Foto aéria dos anos 40 do Colégio lão. Foi divertido Uberabinha. Estadual de Uberlândia. e a professora Desde então, teve que se cona escola foi paltrolar para tamco de momentos históricos e bém não sucumbir ao clima de políticos da cidescontração e dade, como na dar boas gargaR e v o l u ç ã o lhadas. ConstitucionaNão existia lista, que foi falta de respeito transformado com os profesem quartel gesores, apenas neral das Forças éramos uma turRevolucionárias ma de estudantes que gostavam de se dido Triângulo Mineiro. Além de ter sido vertir, sem atitudes violentas como, infemarcado pela presença de importantes filizmente, observamos nos dias de hoje. guras uberlandenses, como o professor Afinal, naquela época, chegar em casa com Eurico Silva, Carmo Giffone, Clarimundo advertência ou suspensão era motivo para Carneiro, Custódio Pereira, Severiano Romuito tempo de castigo e vergonha junto drigues da Cunha, Luiz Rocha e Silva e aos colegas e professores. Osvaldo Vieira Gonçalves, que foi reitor do Além disso, mesmo a professora mais colégio. temida era sempre homenageada no dia Mas, essa história muitos conhecem. do aniversário pela turma, essa relação Contudo, o “Museu” da minha história de saudável, com respeito e responsabilidavida, poucos sabem. Entrei para estudar de, é que se perdeu em boa parte das esnessa escola após ter conseguido passar colas nos ditos novos tempos. num processo seletivo que, na época, era Entretanto, a postura austera era deipreciso fazê-lo para poder matricular-se, xada de lado em certos momentos, pois já que a demanda de vagas era muito granexistiam as famosas tradições do “Museu”, de. O conhecido “exame de seleção” fazia como o inesquecível “banho no laguinho”. muita gente chorar, afinal, quem não clasTodo aniversariante era jogado no lago que sificava tinha que esperar o outro ano para fica em frente do colégio, na praça Adolfo tentar novamente. Fonseca. Poucos faltavam no dia do aniEm 1987, ano em que comecei a estuversário, para a maioria, a festa era essa: dar no “Museu”, haviam diversos mitos que os colegas e amigos, ao final do dia de aula, eram divulgados através da história oral carregavam o aniversariante para ser ardos estudantes, professores e funcionáriremessado ou empurrado no lago. os do colégio, como a afirmação que se Coisas de uma época que não volta mais, conseguisse fazer o ensino fundamental e

porém tornaram-se boas lembranças de momentos que permanecem nas memórias de todos que estudaram no “Museu”. Hoje em dia, a escola continua atendendo os estudantes da rede estadual proporcionando a oportunidade de aprender e ensinar. O querido “Museu”, tombado como patrimônio histórico municipal em 13/06/ 2005, através do Decreto nº 9.904, ainda encanta não somente pela sua história e imponência, mas como palco da cultura do Fundinho com o evento de Natal “Janelas Encantadas”, realizado em dezembro. Esse evento é um momento único para mim que, ao levar as minhas filhas para assistir, sei que as histórias que eu as conto do “Museu” para elas, também, serão passadas de geração a geração por muitos outros. Janaína Naves

Gente do Fundinho

uma das morado Aos 104 anos, Fundinho, o irr ba do as ras mais antig Orvina é exemplo a meiga senhora e. ad de fé e carid

Poesia não pisem na memória uma placa de linotipo cimentada no chão por onde pisam pessoasque sabem o que é ou o que foi me dói na pele da memória na fibra nervosa dos ossos e não posso me calar diante disso se assumi o compromisso de ser parte dessa história Artur Gomes

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Arte

LA CHAMBRE DE VINCENT

Poesia

CAMILA CAMILA MOREIRA MOREIRA EE RAPHAËL RAPHAËL LARRE LARRE

TAPERA Tapera tristonha, de beira de estrada, tapera sofrida, bebendo a poeira, paredes caindo, e tanta goteira, que os anos abriram, em sua carreira. Tapera perdida, de beira de estrada, tapera tristonha, tapera escorada, por restos de sonhos, por restos de nada.

Exposição e performance realizada no mês de setembro 2012 na Galeria Alternativa da Casa da Cultura, Uberlândia-MG

Curiosidade

“Mrs. Bidet...”

Defecô, limpô com papel e acabô! Nada daquelas duchinhas maravilhosas ou, melhores ainda, confortáveis bidês que nos deixam inteiramente à vontade e atacam diretamente o alvo. Como poderia imaginar que os americanos, cidadãos da maior potência da terra, andassem prá lá e prá cá com a bunda suja? Que aquelas mulheres bem vestidas, aqueles senhores elegantes, em carros deslumbrantes e residências suntuosas, estariam com o traseiro em dívida com o departamento de limpeza? Nunca! De fato, é difícil acreditar que uma sociedade tão rica e bem organizada como aquela não disponha em seus banheiros de um dispositivo tão simples, barato e eficiente como uma duchinha. Meu primeiro dia na América, na casa de minha filha, foi um incômodo só, andava desconfiado, não tinha coragem de encarar as pessoas diretamente, olhava pro chão, sentia-me com o nome sujo na praça. No dia seguinte levantei-me disposto a acabar de vez com aquele pesadelo e fui ao “Home Depot”, gigantesca loja de material de construção que dispõe de tudo ou quase tudo. No caminho segui com divagações a respeito do tema. Fui criado em casas modestas, mas de quintais grandes, só depois dos oito ou nove anos acostumei-me com a privada, defecava nos quintais, limpava a bunda com folhas ou gravetos. Folha lisa não servia, espalhava mais a porcaria; espinhenta, nem pensar; o tempo ensinou quais as mais indicadas. Como é importante a mudança cultural, tão logo conheci práticas mais avançadas de higiene, a elas me adequei e sem elas sinto-me mal. Quem me viu e quem me vê! E como seria fácil mudar a cabeça das pessoas com a introdução de hábitos mais avançados, com a educação, etc. Pensei também em coisas fantásticas. Talvez Sadan Hussein pudesse ter evitado a queda do Iraque com recursos bem modestos e não violentos. Bastaria encher todo o país com “outdoors” do tipo: Vão embora americanos bundas sujas! Envergonhados, os americanos poderiam ter voltado prá casa sem concretizar aquele hediondo ataque de “precisão cirúrgica” que provocou milhares de mortes de civis inocentes e desencadeou uma violência que segue até hoje. Continuei imaginando coisas até chegar ao “Home Depot”! Grande decepção! Os dedicados atendentes não conheciam nenhum dispositivo para o asseio do nosso precioso traseiro e acharam estranha minha preocupação em querer limpar uma parte de corpo que por natureza é suja. Não tentei convencê-lo de nada, nem teria conseguido, um americano nunca aceitaria

Isa Vieira Garcia

conselhos de boas maneiras de um latino. Voltei prá casa concentrado na solução do problema, estava acostumado a resolver problemas relativamente complexos de química, esse não poderia me derrotar. Aconselhado por uma vizinha que mudara para Nova Iorque e que havia solucionado o mesmo problema estendendo a ducha do chuveiro até a privada, saímos, eu e meu genro, dispostos a montar uma gambiarra que resolvesse a situação. Passamos por várias lojas do ramo, montamos um “Frankstein” de mangueiras, juntas e conexões compatíveis com a tubulação existente, mas apareceu uma junta de dupla saída de 3/8 de polegada que não encontrávamos em nenhum lugar. Aconselhados por um consultor, fomos a “Lowes”, outra loja imensa de material de construção. Buscamos um assistente de cabeça branca, queríamos gente mais experiente. Perguntou-nos para que era toda aquela montagem. “Mas para que tanta confusão? No “Home Depot” há um kit que inclui tudo isso e até o suporte. Sai bem mais barato! Perguntem a um funcionário realmente entendido por “Mrs. Bidet”, com ela vão poder lavar seu “asshole” delicadamente, esta ducha que escolheram é muito forte, pode provocar estragos!” E deu uma boa risada. O gringo era bem humorado. Incrível, o kit existia! Mais ainda, era feito nos Estados Unidos e não na China! E já tinha sido até patenteado por americanos! Tivemos azar em haver perguntado a vendedores inexperientes do “Home Dipot” logo no primeiro dia de busca. A patente americana da duchinha soa estranha para povos que têm costume de lavar as partes íntimas há séculos. Segundo a Wikipédia, a palavra “bidet” tem origem na França, na entrada do século XVIII, e designa o vaso sanitário para higiene da genitália, porém, não está presente em todas as casas deste país, mas sim nas residências do mundo árabe, assim como em países do sul da Europa (Espanha, Portugal, Itália, Grécia, Eslovênia e Croácia), algumas partes da Ásia (Japão, Índia e Coreia do Sul), Marrocos e Egito na África e, na América Latina, normalmente no Brasil, Cuba, Argentina e Uruguai. “Mrs. Bidet” foi instalada sem nenhuma dificuldade e rapidamente tornou-se o xodó da família e amigos brasileiros. Evandro Afonso do Nascimento Escritor, colaborador do Fundinho Cultural e suas reflexões sobre a diária vida nos Estados Unidos e Europa, por onde tem andado nos últimos meses O bidê e irmão gêmeo do Vaso Sanitário. Primo do bode, a diferença do bidê é o jato d’água lançado por uma válvula hidráulica no fundo do mesmo. Desciclopédia

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Crônica Que paz é essa que queremos ter? Circulam nos olhos brilhos de desejo de um encontro dentro de nós: um espaço, onde haja uma pretendida compreensão da vida com seus acertos, conflitos e fracassos. Ou, pelo menos, onde sejamos observadores e viventes mais atentos ao transitarmos pelos fatos cotidianos. E este brilho, me parece, vai esbarrar em nossos ossos, em nossos órgãos, em nossas articulações, em nosso sangue, em nossos tecidos; vai abastecerse ou “desabastecer-se” de energia, pode oscilar entre o ódio e o amor, a saúde e a doença, o movimento e a inércia. Pode até engraxar um mundo de sentimentos e atitudes para estar no caminho... Muitas vezes, vamos atrás de um mestre, um guru para orientar este desejo. Podemos querer a clareza de pensamento, a experiência do amor divino no nosso ser, um discernimento, uma cura, um coração inteligente, uma força cósmica, um chamado à liberdade. E, na bagagem, nossas raízes, nossos instintos, nossos questionamentos,

NATAL PEDE REFLEXÃO querendo se entregarem a uma tal paz: -ela poderá nos trazer segurança?! -ela poderá nos dar sentido à vida?! -ela poderá nos oferecer o que é verdadeiro?! O mestre poderá nos colocar em contato com o nosso sonho, lembrandonos que a consciência está bem alidentro de nós. -Não seria a hora de fecundá-la?! Atravessar os desertos, sim...também. Mas acolher o amor.

E o que mais o mestre poderá nos sussurrar para a paz nos tocar? -Orar, meditar, ouvir o silêncio... O escritor, psicólogo, filósofo Jean Yves Leloup citou em uma de suas palestras que “ir em direção à luz é a metade do caminho, a outra- deixar, permitir a luz chegar até nós (ao nosso peso, à nossa gravidade).A matéria que assumimos é para ser habitada, é o nosso caminho.O objetivo a atingir não é nem o baixo, nem o alto; é a ligação, o centro. Habita na totalidade. O centro é o antropos (homem); o ser humano capitula o céu e a terra dentro de nós. Somos seres humanos convidados a nos tornarmos seres humanos abertos para a transcendência” A paz não poderia ser ,então, o equilíbrio dentro de nós?! Subamos e desçamos a escada, querendo e amando a nossa parte humana que nos cabe.E ela pode ser repartida, ainda, com a humanidade.Em direção à LUZ. Celebremos a PAZ com CONSCIÊNCIA! A LUZ pode estar a caminho! FELIZ NATAL! Lourdinha Barbosa - Escritora

JULIETA ABRAÃO, a simpatia e o carisma de uma querida presença “O trabalho é maravilhoso, enobrece o ser humano!” Quem na cidade de Uberlândia, não ouviu falar deste nome: Julieta Abraão? Simpaticíssima figura, esta notável mulher de largo sorriso e presença ímpar, é indispensável referência na cidade que adotou há quase sessenta anos atrás. Com seu refinado gosto, a princípio, no comércio de tapetes orientais, perfumaria e itens de decoração, Julieta Abraão conseguiu conquistar seleta freguesia, com simpatia e carisma, na excelência do atendimento ao público. Nas centenas de residências da cidade, as peças de arte, os utensílios decorativos, escolhidos pelos clientes na loja de Julieta, contam a história do trabalho desta arrojada mulher e seu senso estético. Julieta Abraão Freitas Macedo nasceu em Jardinópolis, SP. O seu pai, Abud Abraão Miguel e sua mãe Nacime Raci Abraão vieram com os filhos para Uberlândia em 1954, onde já residia sua irmã Nélida, que se casou e veio morar aqui.”

“Moramos na Avenida Cipriano Del Fávero, próximos à residência da família Andraus, depois nos mudamos para a Rua Quintino Bocaiuva, sempre no centro da cidade” O senhor Abud montou uma loja de tecidos finos e rendas, a Casa Botafogo, na Avenida Floriano Peixoto. O nome da loja “Botafogo”, foi escolhido pelo irmão Oswaldo, que é médico e torcedor deste time carioca. Os seus irmãos, o mais velho, Oswaldo Abraão, mora em Anápolis. Nélida, casada com Jorge Cecílio, já falecidos. Ivone, casada com Hanna Hanna. Márua, casada com Ronaldo, que hoje tem sua loja, também de nome Botafogo. Ana Lúcia casada com José Luis, mora em Angra dos Reis. Julieta Abraão, casada com Paulo Murilo de Freitas Macedo, filho do senhor Gentil de Freitas Macedo e dona Bete de Freitas Macedo, tradicional família uberlandense. Tem 2 filhos, o Roberto que é solteiro e o Luciano casado com Ana Paula e lhe deu 1 neto, Pedro Paulo. Moradora do centro da cidade, Julieta estudou no Colégio das Irmãs, onde concluiu a 4ª série e fez o curso normal. Lecionou durante 3 anos, depois trabalhou, junto com Márua, sua irmã, no comércio de seu pai. Habitante do Fundinho há 25 anos, desde a inauguração do Edifício Largo da Matriz, na Praça Cícero Macedo, gosta muito de morar no bairro histórico da cidade. A

Perfil

loja Julieta Presentes, instalada a princípio na Rua Goiás e depois no Uber Shopping, foi posteriormente para o Center Shopping de Uberlândia, onde permaneceu cerca de 25 anos, e conquistou seleta freguesia. “Toda manhã, percorria a pé o trajeto de ida ao trabalho, no Shopping.” Há mais de 1 ano, com o encerramento das suas atividades na loja, Julieta curte junto com seu esposo, merecido descanso. No aconchego de seu amplo apartamento, entre obras de arte, decorado pelo arquiteto Paulo Carrara, Julieta acalenta seus filhos e o neto Pedro Paulo. Sente falta do trabalho na loja, mas preenche seu tempo dedicando-se à prática de esportes. Caminha e faz hidroginástica todas as manhãs no Praia Clube de Uberlândia. Várias vezes ao ano ama passar férias marítimas em Angra dos Reis e Parati, onde reside sua irmã. “Há muitos anos tenho compartilhado sincera amizade com a atriz global Carolina Ferraz e sua mãe Giselda, que sempre me hospedam com o maior carinho.”

"Quase sempre, foi uma minoria criativa e dedicada que fez o mundo melhor." Martin Luther King Jr.

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Gente do Fundinho

NEIDE SIL SILVV A MAMEDE Neide Silva Mamede, filha de Francisco Paulo Mamede e Augusta Silva Mamede, e irmã de Vilma Mamede Pelizer, mora na mesma casa da Rua Felisberto Carrijo, há 71 anos. Nesta região do Bairro Fundinho tradicional, onde mora Neide, se concentra uma população de legítimos uberlandenses. Vizinhos que se tornaram amigos e formaram um círculo familiar, solidários, uns com os outros em seu dia a dia. O seu pai, foi o proprietário, durante mais de quarenta anos, do extinto “Boteco do Chico”, conhecido por toda a cidade, na Rua Quinze de Novembro, ao lado da Farmácia do Álvaro. O senhor Chico manteve este comércio até 1970 e em 1972 ele faleceu.

"O Fundinho do passado era livre, não tinha os perigos que tem hoje. Eu brincava à vontade com meus amigos, aqui neste pedaço e não tinha problema nenhum de violência. Os portões e as portas viviam abertas, hoje tudo mudou. Mas, tenho amizades antigas que conservo até hoje, entre elas, a Enoia Garcia Parreira e seu esposo Valteir, a Maria Maia, sobrinha do Totó, personagem típico do Fundinho de antigamente. Vinte e nove anos trabalhei no caixa da Oficina Santa Helena, de propriedade do meu cunhado Gino Pelizer. Sobre a mudança de nome do bairro, sou totalmente contrária a esta ideia. Eu adoro este nome, para mim ele é muito importante. Todo mundo conhece este nome Fundinho."

Parabéns, Dona

MARIA IZOLETA!

Teresinka Pereira

Foto Arte

O Fundinho no olhar de LÉO FIGUEIREDO

Texto enviado pela escritora Teresinka Pereira, presidente da IWA - Associação Internacional de Escritores e Artistas, Estados Unidos, em homenagem à senhora Maria Isoleta pela comemoração de seus 100 anos. A Senhora Maria Isoleta foi a personalidade em destaque do Fundinho nº 22


Fundinho Cultural 25