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Ano 6 - Edição 12 Junho

REAJUSTE SALARIAL ELEVA CUSTO OPERACIONAL EFETIVO DA CAFEICULTURA EM 6,31% O Custo Operacional Efetivo (COE) da cafeicultura (Arábica e Conilon) aumentou 6,31%, entre janeiro e fevereiro de 2012. Em média, 6,12% deste aumento estão atrelados aos reajustes salariais, ocasionados pelo aumento de 14,13% do salário mínimo. O COE de produção do café Arábica aumentou 5,98%, dos quais 5,95% se devem à elevação do salário mínimo. A maior variação verificou-se em Manhumirim, Minas Gerais, onde o COE subiu 9,39%, influenciado pelo aumento de 8,77% nos custos com mão-de-obra. A menor variação, de 2,61%, ocorreu em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, em decorrência da intensa utilização de maquinários no processo produtivo. Para o café Conilon, a maior variação ocorreu em Cacoal, em Rondônia. O COE subiu 9,15%, dos quais 7,77% se devem ao grupo de custos com mão-de-obra. Em Itabela, na Bahia, o aumento salarial elevou os custos em 6,72%, e em Jaguaré, no Espírito

Santo, 6,35%. Em média, a produção desta espécie teve um aumento de 7,45% em seu COE, em fevereiro deste ano, sendo que os custos com mão-de-obra responderam por 6,70% do total. O aumento acumulado no COE (Arábica e Conilon) chegou a 8,11% entre

outubro de 2011 e fevereiro de 2012. Em propriedades onde o manejo é considerado manual, o COE subiu 9,55%, impulsionado pela mão-de-obra, enquanto nas propriedades de produção mecanizada, o aumento foi de 5,19%. Desta forma, a diferença entre sistemas de cultivo manuais e mecanizados foi de 4,36%. jan/12 a fev/12

Município

Variação do COE (%)

Variação causada apenas pelos salários (%)

Abatiá/PR

8,81

8,15

Brejetuba/ES

8,25

8,25

Capelinha/MG

4,78

4,63

Franca/SP

6,24

6,42

Guaxupé/MG

8,98

8,48

Luis Eduardo Magalhães/BA

2,61

2,82

Manhumirim/MG

9,39

8,77

Patrocínio/MG

3,85

4,02

Santa Rita do Sapucaí/MG

6,74

7,16

Variação Ponderada Arábica

5,98

5,95

Cacoal/RO

9,15

7,77

Itabela/BA

7,88

6,72

Jaguaré/ES

6,88

6,35

Variação Ponderada Conilon

7,45

6,70


PRODUÇÃO DE NIVELAMENTO DO CAFÉ CONILON É FAVORÁVEL MESMO COM CUSTOS OPERACIONAIS MAIS ALTOS Impulsionado pela variação nos salários e pelo aumento de 14,23% do grupo de custos com fertilizantes, o Custo Operacional Efetivo (COE) na produção de Conilon subiu 10,16%, entre outubro de 2011 e março de 2012. Em Cacoal, em Rondônia, o COE chegou a R$ 180,03/saca, uma alta de R$ 15,71 frente a outubro do ano passado. Em Jaguaré, no Espírito Santo, que apresentou a maior variação, o COE passou de R$ 139,88/saca, em outubro de 2011, para R$ 155,48/saca, em março de 2012, com alta de 11,15%. O único município que apresentou redução, de -0,29%, foi Itabela, na Bahia, resultando em um COE de R$ 141,40/ saca. A queda nesta região refletiu a diminuição dos custos com corretivos e fertilizantes entre fevereiro e março de 2012. A avaliação da Produção de Nivelamento (PN) que, neste caso, representa a produção mínima para cobrir os Custos Operacionais (COE e Custo Operacional Total - COT), em outubro do ano passado, mostra que seriam

necessários 65,08% da produção, em média, para cobrir o COE. Em março deste ano, a parcela da produção destinada a pagar o COE chegou a 68,00%, enquanto para pagar o COT seriam necessários 76,76%.

43,60 sacas/ha, enquanto a do COT chegou a 50,37 sacas/ha. Estes valores estão 4,6% menores aos verificados em outubro de 2011, em função do aumento de R$10,00/saca no preço de venda.

Em Cacoal (RO), foram necessárias 3,06 sacas/ha, em março de 2012, para pagar os custos com insumos agrícolas. Mão-de-obra, colheita e pós colheita consumiram 13,36 sacas/ha. A Produção de Nivelamento do COE, neste mês, foi de 18,75 sacas/ha e a do COT foi de 21,88 sacas; quantidade 5,43% menor em relação à outubro do ano passado. O preço de venda do café, 14,28% mais alto, justifica este cenário.

Já na região de Jaguaré (ES), a Produção de Nivelamento do COE passou de 39,53 sacas/há, em outubro de 2011, para 43,00 sacas em março de 2012; o único aumento entre as regiões produtoras de Conilon. Desta quantidade, 14,18 representaram os insumos, e 24,21 gastos com mão-de-obra e colheita e pós colheita. Com um aumento no COT 7,17% superior ao aumento nos preços de venda, a Produção de Nivelamento ficou em 50,47 sacas/há, em março deste ano.

No município de Itabela (BA), onde a produtividade é de 70 sacas/ha, 12,40 sacas foram destinadas ao pagamento de insumos, em março deste ano, enquanto mão-de- obra, colheita e pós colheita consumiram 26,63 sacas/ha. Neste mês, a Produção de Nivelamento do COE foi de

Se considerada a própria produção como moeda de troca para o pagamento de bens e serviços durante o processo produtivo, esta análise demonstra claramente a importância da gestão dos custos e de riscos para a melhoria dos resultados.

PRODUÇÃO DE NIVELAMENTO (PN) DO COT EM MAR/12

Elaboração: CIM/UFLA


COE DO ARÁBICA REDUZ, MAS CUSTOS AINDA ACUMULAM ALTA ENTRE FEVEREIRO E MARÇO O aumento de 5,98% no Custo Operacional Efetivo (COE) do café Arábica entre janeiro e fevereiro deste ano, foi em parte revertido. Em março de 2012, houve redução de 2,62%, influenciada pelos preços de fertilizantes, 8,61% mais baixos. Este componente de custos participou em 22,42% do COE, correspondendo por aproximadamente R$67,00/saca. Dos municípios analisados, a maior redução verificou-se em Patrocínio, Minas Gerais, onde o COE ficou 7,37% menor. Esta redução foi influenciada pelos fertilizantes, que apresentaram custos 23,95% mais baixos. Entre os municípios que apresentaram

aumento nos custos, Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, destacou-se com +2,78%, onde ocorreu um acréscimo de 9,05% nos custos com fertilizantes, ao contrário do comportamento verificado na maioria das regiões. A variação acumulada entre outubro de 2011 e março de 2012 demonstra, entretanto, que produzir esta espécie de café está 4,04% mais caro. Em Minas Gerais, se considerados os diferentes tipos de manejo e regiões, o COE aumentou 2,85% entre outubro do ano passado e março deste ano. Mesmo com a redução em 15,87% no custo médio dos fertilizantes, o produtor pagou R$67,87/ saca pelo insumo, em março de 2012.

Entre os Estados analisados, a maior variação, entre outubro de 2011 e março de 2012, ocorreu no Paraná. No município de Abatia, a variação no COE foi de 9,18%. Em seguida, aparecem o Espírito Santo, com o COE em Brejetuba 8,81% mais alto; Bahia, com um aumento de 6,35% em Luís Eduardo Magalhães; e São Paulo, com o COE no município de Franca 4,17% maior. Vale destacar que, independentemente do Estado ou município analisado, a variação no salário mínimo nacional teve a maior influência nas variações, já que os grupos de custos de mão-de-obra e colheita e pós colheita representam, em média, mais de 45% do COE.

VARIAÇÃO ACUMULADA DO COE MÉDIA POR ESTADO (BASE 100)

Elaboração: CIM/UFLA


GRUPO DE CUSTOS COLHEITA E PÓS COLHEITA AUMENTOU 10,15% ENTRE OUTUBRO DE 2011 E MARÇO DE 2012 Os custos com colheita e pós colheita na cafeicultura brasileira aumentaram 10,15%, entre outubro de 2011 e março de 2012. Após o reajuste salarial, a participação deste grupo de custos no Custo Operacional Efetivo (COE) dos cafés Arábica e Conilon passou de 34,90% para 36,38%, em média. Em março deste ano, estas etapas do processo produtivo custaram aproximadamente R$115,45/saca para o produtor de café Arábica. Entre os municípios que realizam a colheita manualmente, Abatia, no Paraná, destacou-se com um custo de R$175,30/saca, que correspondeu a 49,17% do COE. Em seguida, aparece o município de Guaxupé,

em Minas Gerais, com R$165,69/saca, o equivalente a 41,74% do COE.

R$62,22/saca. A partir de fevereiro de 2012, este valor chegou a R$68,78/saca.

Entre as regiões de colheita mecanizada, o maior custo verificou-se em Capelinha, Minas Gerais. Nesta localidade, foram gastos R$89,72/saca, em março de 2012. O município de Patrocínio (MG), veio em seguida, com um custo de R$88,71/saca. Em média, estes valores representaram 33,24% do COE nestas regiões.

O maior custo com colheita e pós colheita, entre os produtores de Conilon, foi observado em Cacoal, em Rondônia, onde este grupo de custos consumiu R$87,52/saca, em março de 2012. Em Jaguaré, no Espírito Santo, verificou-se o menor valor neste mês, de R$56,57/ saca.

No café Conilon, este grupo de custos representou 39,62% do COE, em março deste ano. Anteriormente ao reajuste salarial, sua participação era de 37,77%, em média, que representava

Como muitos produtores já se preparam para colher seus cafés, o planejamento desta etapa produtiva deverá ser feito com muito cuidado, a fim de reduzir os custos gerados durante esta etapa produtiva.

COMPOSIÇÃO DOS GRUPOS DE CUSTOS NO COE DA CAFEICULTURA APÓS O REAJUSTE SALARIAL

Elaboração: CIM/UFLA

ATIVOS DO CAFÉ é um boletim elaborado pela Superintendência Técnica da CNA e Centro de Inteligência em Mercados (CIM) - da Universidade Federal de Lavras (UFLA). Reprodução permitida desde que citada a fonte.

SGAN - Quadra 601 - Módulo K 70.830-903 Brasília - DF Fone (61) 2109-1458 Fax (61) 2109-1490 E-mail: cna.sut@cna.org.br Site: www.canaldoprodutor.com.br

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