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Debate aberto ao público com Paulo Knauss, Sheila Cabo, Ivair Reinaldim e os artistas da exposição, dia 20 de outubro, sexta feira, as 16 horas, Museu Histórico Nacional, Centro, Rio de Janeiro, RJ


HISTÓRIAS FORA DA ORDEM é uma expo-

absorvermos nossas contradições inerentes, fa-

sição de arte contemporânea que se põe em diá-

zermos aflorar no presente o passado recalcado.

logo com o acervo do Império no Museu Históri-

Desse modo, não podemos de forma alguma fur-

co Nacional (MHN), Rio de Janeiro, apresentado

tar-nos de encarar os traumas pelos quais passa-

nos módulos da exposição “A Construção do Es-

mos ao longo de todos esses anos. Neste sentido, a

tado”, no segundo andar, e da “Galeria de Carru-

história, mais do que arranjo narrativo ou interpreta-

agens”, no térreo. O escopo temático das salas

ções dos fatos é uma prática diária de autoanálise.

evidencia o processo de construção do Estado

Tecendo relações entre o passado e o pre-

nacional brasileiro no século XIX e a consequen-

sente, Histórias fora da ordem pretende lançar

te definição do modelo de regime político e social que o acarretou. A narrativa que se oferece ao visitante, seguindo uma ordem cronológica e bem assentada sobre os fatos históricos já consolidados em nossos livros escolares, começa com os eventos que culminaram com a proclamação da independência na segunda década do século XIX, por Pedro I, e segue até ao adeus definitivo à monarquia, pontuada na grande tela O último baile do império, de Aurélio de Figueiredo, que teve lugar no palacete da Ilha Fiscal. Pondo um ponto final a essa história, o ataque iconoclasta à figura emblemática do Imperador Pedro II, cujo retrato foi brutalmente dilacerado a golpes de espada, nos dá seu testemunho dramático. Arthur Danto, ao argumentar sua tese sobre o fim da arte, alega que uma narrativa de longa duração, contando o passado, tem consequentes desdobramentos sobre o futuro. Se o autor está certo, cabe a nós, cidadãos, perguntarmo-nos se o que nos contam, nos abraça e nos acolhe em nossa diversidade e amplitude de desejos. Neste momento oportuno, em que tateamos na experiência democrática, numa escalada de avanços e re-

um olhar crítico sobre a nossa realidade, desalinhando os discursos e inserindo outros sujeitos e outros objetos, nem sempre heroicos, nem sempre vistosos. De outro modo, a intrusão pontual de novas peças criadas especialmente para dialogar com o acervo ocasiona outros níveis imprevistos de leitura que autorizam interpretações heterodoxas e plurais de nosso passado e atualidade. Neste sentido, a autoimagem que construímos para nos representar faz parte daquilo que pretendemos ser tal como a realidade que forjamos para viver. Assim a arte não está isenta de responsabilidade social e contribui para a construção dialética de nossas identidades. A exposição reúne 13 artistas, professores e estudantes de Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF), e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O projeto é uma iniciativa dos grupos de pesquisa A arte, a história e o museu em processo (CNPq), liderado pela prof.ª Dr.ª Beatriz Pimenta Velloso (EBA- UFRJ), e Prática artística e experiência cotidiana (CNPq), liderado pelo prof. Dr. Luciano Vinhosa (UFF), que juntos realizaram a curadoria da exposição.

trocessos sucessivos, é necessário repensarmos aquilo que nos tem feito ser o que somos para, ao

Luciano Vinhosa


ALBERTO HARRES Itinerário etimológico, 2017 Caixas de som e sensor de presença. Instalação sonora feita a partir de chamadas à diferentes localidades da cidade do Rio de Janeiro, realizadas nas ruas por trocadores de Vans.


ANALU CUNHA Intenções e gestos, 2017 Vídeo de 1:46 minutos Fotografia de Carlos Fernando Macedo Mãos do artista Matheus Passareli refazendo os gestos presentes na pintura Combate Naval do Riachuelo, 1882-1883, de Vitor Meireles de Lima. https://vimeo.com/251028943


BEATRIZ PIMENTA Entre hinos, sinos e tiros, 2017 Vídeo de 5:36 minutos Instalação que desloca os bustos de generais da Guerra do Paraguai em direção à tevê, que exibe imagens do canhão El Cristiano (forjado com bronze de sinos provenientes de igrejas destruídas), combinadas com fotografias da Guerra e trechos do filme Andrei Rublev, de Tarkovsky (em episódio que narra o processo de construção de um sino na Rússia do séc. 15). https://vimeo.com/259378820


CAMILLA BRAGA Leite com peras, 2017 vídeo de 15 minutos. A vídeoperformance, gravada em uma das banheiras da fonte localizada no pátio dos canhões, apresenta a artista se banhando em leite com peras. https://vimeo.com/268800796


DENISE ADAMS Recusa, 2017 Livros Os livros RECUSA I, RECUSA II e RECUSA III propõem um diálogo com três obras do acervo que em alguma medida, durante o processo, foram rejeitadas: Coroação de D. Pedro II, Estudo 6.400 Réis, Peça da Coroação e Hino da Abdicação.


ELISA DE MAGALHÃES Pretitude, 2017 Vídeo de 15 minutos O vídeo apresenta homens e mulheres negros vagando como fantasmas pelas galerias do MHN, ora em grupo, ora sozinhos, ora conversando, ora calados. https://vimeo.com/233065118


FILIPE BRITTO Sem título, 2017 Gelatina vermelha O artista usa a cor vermelha em material luz para estabelecer uma conexão visual e conceitual entre a produção de riquezas e o poder.


HELIO CARVALHO Estilhaços, 2017 Fragmentos e cacos de cerâmica Acumulação de fragmentos e cacos de cerâmica branca amontoados sobre o chão formam uma pilha da qual emerge um braço negro.


ISABEL CARNEIRO e LARISSA SILVA Rota vozes de mulheres, 2017 iPod, fone de ouvido e qr code. Através de fones de ouvido e qr code ouve-se histórias contadas por quatro obras do acervo pelo viés das teorias feministas (relatos verídicos misturados a ficcionais). Caneta da lei áurea https://www.youtube.com/watch?v=E_JvWiJLYdg

Sessão do conselho de Estado https://www.youtube.com/watch?v=Rp8dFS5xoEk&t=19s

Figura de proa https://www.youtube.com/watch?v=BExuY-eK73c

Bonheur de jour https://www.youtube.com/watch?v=tr_urQ9LKYo&t=1s


LIVIA FLORES Bandeira, 2017 Vídeo de 5:56 minutos Clóvis Aparecido dos Santos, artista do Ateliê Gaia (Museu Bispo do Rosário, Rio de Janeiro), canta canção de sua autoria em seu local de trabalho. Nela mesclam-se memórias de um cotidiano de trabalho rural a acontecimentos imaginários, fazendo ressoar vozes e fantasmas de um passado sem representação. Câmera e edição de João Wladimir, registro realizado em novembro de 2016. Duração: 5’56’’ https://vimeo.com/211218861


LUCIANO VINHOSA Entre o passado e o futuro, 2017 Fotografia e papel rasgado em caixas de acrílico Em diálogo com a pintura do Baile da Ilha Fiscal, representando a despedida do Império e a chegada da República, fotografias da bandeira brasileira ladeiam uma caixa contendo a Constituição de 1988 rasgada.


MÔNICA COSTER Jogo de mesa, 2017 Cerâmica Prato de cerâmica, com marcas de garfo, revelando a cor vermelha da cerâmica sob o esmalte branco.

Museu Histórico Nacional - Histórias fora da ordem  

Catálogo de intervenções realizadas na Galeria do Império do MHN do Rio de Janeiro

Museu Histórico Nacional - Histórias fora da ordem  

Catálogo de intervenções realizadas na Galeria do Império do MHN do Rio de Janeiro

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