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INTERVENÇÕES

entre XIX e XXI

Exposição no Museu Nacional de Belas Artes . Av. Rio Branco, 199, Centro, Rio de Janeiro

12 de julho a 29 de agosto de 2016


INTERVENÇÕES entre XIX e XXI

A exposição Intervenções entre XIX e XXI integra-se às

Por intervenção entendemos aquilo que, em um pri-

comemorações dos 200 anos da Escola de Belas Artes

meiro momento, interrompe o fluxo do olhar ao se in-

da Universidade Federal do Rio de Janeiro (EBA-UFRJ).

terpor no espaço pré-definido da arquitetura e, em um

Foram convidados vinte artistas para intervir nas gale-

segundo momento, nos relatos da própria história, já

rias, na arquitetura e na fachada do Museu Nacional de

consolidados. Como alternativa de desvio, as inter-

Belas Artes do Rio de Janeiro (MNBA-RJ).

venções em vídeos, fotografias, performances e ins-

O prédio, inaugurado em 1909, foi construído originalmente para abrigar a EBA e seu acervo, composto por peças da coleção da família real portuguesa e por obras de estudantes e professores da antiga Academia Imperial de Belas Artes. Fundada a partir do núcleo de artistas da Missão Francesa, no século XIX, a Academia de Belas Artes seguia os métodos neoclássicos de ensino.

talações, entram em contexto propondo novas ordens visuais e novos sentidos possíveis. Pretende-se com isso não a negação, mas diálogos com as obras do acervo a partir de uma releitura contemporânea que leva em consideração os deslocamentos na compreensão da história do Brasil e da arte brasileira narradas na arquitetura e no acervo do Museu.

Em 1975, já transformada em Escola, foi transferida para

A exposição foi uma iniciativa do Grupo de Pesquisa A

o Campus Universitário da Ilha do Fundão e o prédio da

arte, a história e o museu em processo – CNPQ/EBA-

Av. Rio Branco foi ocupado pelo Museu. Os espaços

-UFRJ –, coordenado pela professora Beatriz Pimenta

destinados às práticas de ateliê e às aulas teóricas foram

Velloso em colaboração com o Grupo Prática artística e

transformados em galerias sem que fosse necessário,

experiências cotidianas – CNPQ/PPGCA-UFF –, coor-

para isso, alterar sua arquitetura original.

denado pelo professor Luciano Vinhosa.


INTERVENÇÕES entre XIX e XXI

The exposition Interventions between XIX and XXI is part

By Intervention we understand as that which inter-

of the 200 years celebration of the School of Fine Arts

feres in our flow of perception, in a first moment put-

(EBA) of the Federal University of Rio de Janeiro (UFRJ).

ting itself in the pre-defined architectural space, and

20 artists connect to the school were invited to propose

in a second moment, in the historic portrayals already

site-specific interventions in the galleries, architecture and

present. As an alternative to deviation, the site-spe-

facade of the National Museum of Fine Arts (MNBA-RJ).

cific works videos, photographs, installations, come to context proposing new visual orders and new pos-

The building, inaugurated in 1909, was originally designed

sible meanings. The intent of these proposals are not

to host EBA and its collection, constituted by pieces from

to deny, but to dialog with art pieces of the museum’s

the portuguese royal family collection and by works of

collection in a contemporary perspective that takes

students and teachers of the former Imperial Academy of

into consideration the multiple dislocations of Bra-

Fine Arts. Founded from the group of artists of the

zilian history and Brazilian art comprehension nar-

French Artistic Mission in Brazil, in the XIX century, the

rated by the Museum’s collection and architecture.

Academy of Fine Arts was shaped according to the neoclassical methods of art teaching. Already trans-

The exposition was an initiative of the research group

formed into a School, in 1975 EBA was transferred to

Art, history and the museum in process –CNPQ/

UFRJ’s Campus in Ilha do Fundão, and the building

EBA-UFRJ –, coordinated by professor Beatriz Pi-

at Rio Branco Avenue was then occupied by the mu-

menta Velloso, collaboration with Group Artistic

seum. The studios and classrooms were transformed

practice and everyday experiences – CNPQ/PPG-

into galleries, preserving the original architecture.

CA-UFF – , coordinated by professor Luciano Vinhosa.


Curadoria e projeto gráfico: Beatriz Pimenta

INTERVENÇÕES entre XIX e XXI

Fotos: Wilton Montenegro

1.

Alberto Harres

12.

Kika Motta

2.

Ana Miramar

13.

Marco Sampaio

3.

Beatriz Pimenta

14.

Marcella Moraes

4.

Bia Martins e Jeferson Andrade

15.

Mônica Coster

5.

Camilla Braga

16.

Olívio Neto

6.

Carlos Roberto

17.

Vênus Greluda

8.

Elisa de Magalhães

18.

Verena Kael

9.

Jandir Jr. e Antonio Amador

19.

Vinícius Ferraz

10.

Letícia Teixeira

20.

Vinícixs Davi

11.

Luciano Vinhosa

Mapa do MNBA com a localização das obras

2º andar Galeria de Esculturas

5


Alberto Harres Estudo sobre Uruçumirim Fotografia em lona vinilica e pedras portuguesas 2016

A fotografia utilizada por Helio Oiticica no trabalho “Seja marginal, seja herói”, impressa em lona vinilica dialoga com o quadro “O Último Tamoio” de Rodolfo Amoedo e as questões que o circundam. A lona estendida em frente ao quadro é fixada ao chão por pedras retiradas das calçadas da cidade do Rio de Janeiro.


Ana Miramar Colabore aqui Caixas de madeira pintadas de branco e letras adesivas, 30x25x20cm 2016

Instalação para as seis estátuas presentes no Salão do Século XIX, no MNBA. ‘’Colabore aqui’’ reflete a falta de recursos própria aos museus da contemporaneidade. As esculturas tradicionalmente feitas com o objetivo de representar a dignidade e o poder de personagens históricos, contrastam com a atual performance de atores que na rua se fazem de estátuas vivas.


Beatriz Pimenta Descanso dxs modelxs (homenagem a Márcia X)

Artistas da exposição vivem a pintura de Almeida Junior “Descanso da modelo”, trocando de roupas e papéis em movimento acelerado. Link do vídeo:

TV 32” com moldura antiga do acervo do MNBA, vídeo de 5’, participação de André Chaves, Bia Martins, Gabriel Bernardo, Jefferson Andrade e Vinicius Davi, 56x84cm, 2016.

https://vimeo.com/180777783


Bia Martins e Jeferson Andrade Republico Plataforma poética de debate, ação com música e luzes em radio de pilha 2016

à duas vozes e quatro mãos, inspirados em comportamentos dissidentes da burocracia produtivista como modelo de vida. Os artistas instigam a militância acerca dos mecanismos de voz, pensando os lugares de fala como mote central da ação. Na ocasião da exposição apresentaram uma das ações dessa plataforma, que consistiu em uma visita guiada

Republico é o título da plataforma poética de debates

pela coleção do Museu Nacional de Belas Artes, no inicio

criada pela dupla que lê e cria concomitantemente textos

da exposição das 15 as 17 horas.


Camilla Braga Obra em Obras Rede plástica, cimento e madeira 2016

Um canteiro de obras instalado no inicio da galeria de esculturas do MNBA faz alusão ao corpo funcional contemporâneo, o desejo de atualização e progresso deixa esses rastros quase permanentes na paisagem da cidade.


Carlos Roberto Bica Baldes Baldes, canos de PVC, lata de tinta, madeira e torneira 2016

Instalação na entrada da Galeria Brasileria do Século XIX, no MNBA. ‘’Bica Baldes“ reflete o retrato do cotidiano de Nilópolis como exemplar dos municípios da baixada fluminense, onde a falta de água diária se eterniza como cultura, hábito e crença.


Elisa de Magalhães Bando à margem Vídeo em tevê digital de 32 polegadas instalada sobre pedestal na Galeria de esculturas do 2º andar 2016

Vídeo em que 3 performers – uma mulher, um homem e um transexual - fazem uma corrida pelas galerias, corredores e escadarias do Museu Nacional de Belas Artes. O vídeo é baseado na cena antológica do filme de Jean Luc Godard, Bande à Part, de 1964, no qual os três jovens personagens tentam bater o recorde de tempo de visita ao Museu do Louvre. A mesma cena é repetida no filme Os Sonhadores, de 2003, de Bernardo Bertolucci.

Link para assistir o vídeo: https://vimeo.com/192450579


Amador e Jr. Segurança Patrimonial LTDA. Sem Título (Performance) 2016

O movimento da performance é uma sobreposição de

Proposta de intervenção performática a ser realizada pe-

camadas de visualidades e tensões entre as imagens e

los autores. O segurança/ monitor/indivíduo institucional

a relação do espaço do museu com o poder. A perfor-

deve ficar frente à obra que deve salvaguardar alteran-

mance foi realizada na abertura da exposição, durante

do, assim, sua visibilidade. A obra em questão, no con-

todo o período de funcionamento do MNBA (das 12 às

texto do MNBA, é “Giuventú” do pintor Eliseu Visconti,

17 horas), sendo estipulado entre os performers tempo

localizada na Galeria do Século XIX.

de revezamento para descanso.


Letícia Teixeira Hidra, dormindo sob/em mim Ossos, caixa de acrilico, áudio e fone de ouvido. 2015-2016 Texto do áudio: Em meio a uma caminhada matinal, num campo baldio da cidade de São Francisco de Itabapoana, norte do estado do Rio de Janeiro, deparo-me com inesperada cena: uma imensidão de ossos aglomerados. Choco-me com a situação, mas reflito, no entanto, não sobre a natureza sombria da cena, mas sobre a natureza sombria do ser humano. Mata e teme a morte. Veste seus ossos todos os dias sem percebê-los e vê nos mesmos a natureza que os inquieta, que tira do eixo, do sonho da vida humana perfeita e eterna. A fronteira entre a vida e a morte. Munida de luvas, sacolas e câmera, voltei ao local e registrei, além de recolher alguns maxilares de tais

animais. Procurei nos ossos não somente a sua forma, mas a memória que ele carrega, desde sua vida até a desencarnação. Uma memória que não conhecemos e que não podemos rejeitar, mas que residirá no abandono da solidão até que o tempo faça o favor de desintegrá-los lentamente pela erosão. Resgatei-os deste abandono e cuidei deles. Durante um ano dormi sobre os ossos desses animais: numa cama box baú de solteiro eu guardei-os e sobre eles deitei minha cabeça todos os dias. Fui deles sua lápide e, não somente isso, orquestrei meu bruxismo junto à sua imagem inconsciente, inconscientemente. Sou eu mesma, sou eles, sou hidra.


Luciano Vinhosa Poligonal Castelo “Morro do Castelo” pintura de Victor Meirelles, vídeo em monitor de TV, impressão sobre caixa de acrílico transparente, terra e fios de algodão, 2015. Instalação contendo mapas, desenho e vídeo reinterpretando as cercanias atuais do antigo Morro do Castelo, marco de fundação da cidade do Rio de Janeiro. A realização

A ação foi registrada em vídeo com som direto. O vídeo

de ação urbana consistiu em percorrer o perímetro do

foi originado de único plano sequência, o fio de algodão

Morro, deixando o rastro de um fio de algodão, até fechar

utilizado foi exposto dentro de caixa de acrílico transpa-

completamente a Poligonal.

rente com o formato do poligono.


Kika Motta

Inserção de sons referentes às passeatas no Rio de Ja-

Vem pra rua, vem!

presença ao meio do quadro “Batalha dos Guararapes”,

10:14 minutos de aúdio, 2 caixas de som (20x10 cm cada), sensor de presença 2015

neiro de 2014, instalação de caixas de som e sensor de de Victor Meirelles. A instalação foi feita com caixas de som (20x10 cm cada), amplificador e sensor de presença. Link para ouvir o áudio: https://vimeo.com/153496900


Marco Sampaio Todos esses meus eus Fotografia em moldura do MNBA 2012/2016

Autorretrato com objetos e indumentárias que representam profissões ou atividades que foram ou são exercidas pelo artista: psicólogo, cabelereiro, enfermeiro, monge, pintor, fotografo, artista etc.


Materiais recolhidos durante caminhadas da artista peMarcella Moraes A outra margem da praia Mesa com tampo de vidro, pedras, fotografias e fichas de papelão 2016

los locais retratados nos quadros de paisagens expostos no salão do século XIX, do MNBA. Os “objetos” estão expostos ao lado de fotografias tiradas no local onde foram encontrados em uma mesa com tampo de vidro em frente aos quadros de paisagens dos pintores Parreiras, Castagneto, Grimm, Garcia y Vasquez, Vinet, Caron e Facchinetti.


Mônica Coster

1) Entre o díptico das diferentes vistas da baía do Rio de

Sem título

Janeiro, de Nicolas Taunay,

Intervenção com fitas adesivas 2016 Inserção de fitas de não ultrapassagem, frequentemente utilizadas por museus para impedir que o público chegue perto das obras. As fitas foram fixadas no chão em espaços vazios entre quadros, na galeria do século XIX, no MNBA.

1816; 2) Entre os quadros de José Correia de Lima “Retrado do intrépido marinheiro Simão, carvoeiro do vapor Pernambucana”, 1853, e “Retrado do maestro Francisco Manuel ditando o Hino Nacional a suas enteadas”, 1850; 3) Entre os quadros de Pedro Américo “Davi e Abizag”, 1879 e “Moisés e Jocabed”, 1884; 4) No espaço onde há um aviso de obra retirada para restauração.


ORAÇÃO À VÊNUS NOSSA SENHORA IEMANJÁ: Vênus Nossa Senhora Iemanjá, ó minha deusa, eu te invoco para que sempre me acompanhes. Despertai das águas, do ar, da terra e do fogo e venha acolher seu filho(a) e orientá-lo(a). Socorrei-me, por favor, atenda a este pedido (Faça o seu pedido) Vós sois a deusa do amor celestial e terreno, do amor ideal e perfeito, materno e eterno, do amor escuro e luminoso, erótico e passional, do amor bestial e carnal. Ouvi minha súplica. Guardai-me, guiai-me, protegei-me, ó Vênus Nossa Senhora Iemanjá! __________________________________________________________ Acenda três velas (azul, amarela e vermelha) toda primeira terça-feira do mês para que a Vênus Nossa Senhora Iemanjá sempre acolha seus pedidos. __________________________________________________________ O dia da Vênus Nossa Senhora Iemanjá é comemorado no dia 03 de maio.

Olívio Neto Vênus Nossa Senhora Iemanjá 1000 santinhos de 10x7cm para distribuição ao público do MNBA, display de madeira e 3 velas LED a pilha

Instalação no Oratório de São Dominique e São Gonça-

2016

do Século XIX do MNBA.

lo do Amarante, situado na entrada da Galeria Brasileira


Verena Kael colaboração de Carlos Roberto Gênesis 9 Biblia, pedestal de madeira e prego de ferro 24x17x30cm 2016

Gênesis 9 é uma releitura do quadro “A redenção de

A crença popular de que os descendentes de Cam se-

Cam”, do pintor Modesto Brocos em 1895. Pintado sete

riam os povos de pele escura de algumas regiões da

anos após a abolição da escravidão no Brasil, o quadro

África, além das tribos que habitavam a Palestina antes

faz referência ao episódio bíblico do antigo testamento

dos hebreus, serviu por muito tempo como argumento de

no qual Noé lança uma punição sobre seu filho, Cam, e

ideólogos e mercadores para validar, durante o período

todos os seus descendentes, que passariam a ser escra-

colonial e ao longo do império, o tráfico de escravos afri-

vos de seus irmãos.

canos para as Américas.


Coletivo Vênus Greluda Dormindo em público 2016

O coletivo composto por dois artistas realiza performances dormindo em locais públicos. Em 2015, o ato de dormir em espaços do Campus da UFRJ, expressou as necessidades da escola e do funcionalismo público que se encontra em estado de sono profundo. Para o Museu Nacional de Belas Artes, os artistas propõem dormir no salão do século XIX, com pijamas, travesseiros e outros acessórios usados para dormir.


Vinícius Ferraz Genocídio

Genocídio é uma pintura feita a partir da fricção de vinte

Ursos de pelúcia, tinta acrílica, linho e tablado de

melha de diferentes tonalidades sobre tecido de linho. A

madeira 260x760cm 2015

e um ursos de pelúcia, embebidos em tinta acrílica vertextura da pelúcia impressa evoca o universo do afeto e da inocência, frequentemente, submetido a ações violentas que despertam incertezas e medo no confronto com a realidade.


Vinícixs Davi

O artista fotografou cópias da coleção do MNBA para

CTRL+MIMESIS

sobre um pedestal. A cópia, da cópia, da cópia... ecoa

Impressora, scanner, camera/celular e cópias impressas 2016

depois transportá-las para impressora/scanner instalada na reprodutibilidade técnica gerada por dispositivos tecnocráticos e servis. CTRL+C CTRL+V é a cópia da contemporaneidade.

Catalogo mnba 2016 links  
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