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Coordenadora Prof. Dra. Ana Maria Strohschoen

Faces da Memória Histórias de memórias contadas

1ª Série

Organizado por Lilian Alves


Faces da Memória Histórias de memórias contadas

1ª série

Organizado por LilianAlves Coordenadora Prof. Dra. Ana Maria Strohschoen


Layout da capa: Beatriz Regina Luchese Edição das histórias: Berenice Bohnen Natália Machado Diagramação interna: Beatriz Regina Luchese Berenice Bohnen Natália Machado


SUMÁRIO

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INTRODUÇÃO O Projeto pesquisa e extensão de Memória Institucional da UNISC – Universidade de Santa Cruz do Sul propõe-se trabalhar a viabilização de acervo que reforcem, junto à comunidade, a importância de salvaguarda a memória das instituições, bem como da necessidade de viabilização dos recursos materiais necessários à preservação e disseminação de informações através de históricos. Foi com base em tais considerações que organizamos o Livro “Faces da Memória: Histórias de Memória Contadas”, que congregará diversos históricos empresarias os quais foram produzidos por alunos da disciplina de metodologia da pesquisa. O Livro configurasse como espaço que oportuniza a comunidade acadêmica, bem como ao público externo com interesse sobre a temática, conhecer os trabalhos de pesquisa que vêm sendo desenvolvidos pelos alunos da Universidade.


1 - Histórico Projeto de Pesquisa e Extensão/Memória Institucional 2004 – Inicia dentro de uma disciplina de teoria da comunicação 1 através de um trabalho onde os alunos precisavam pesquisas sobre como surgiram as empresas de comunicação na região. Neste momento deparamos coma dificuldade de registros sobre este tema. 2006 - “Um estudo sobre como algumas empresas da região trabalham seu histórico: o que pode ser memória institucional no contexto destas práticas” Este artigo foi realizado pela profa. Ana Maria Strohschoen e apresentado ao Grupo de Trabalho "Políticas e Estratégias de Comunicação", do XV Encontro de Compós, da Unesp, Bauru, em junho de 2006. 2007 - Um grupo de alunos sugeriu utilizar os relatos e histórias já elaborados na disciplina e tê-los como arquivo de memória institucional para futuramente colocar num site de memória de empresas da região. Nesta proposta chamou a atenção que não bastava apenas montar o acervo, mas coloca-lo à disposição não apenas da empresa (devolver o projeto), mas da extensão criar um mecanismo para dispor este material para a comunidade. Trabalhando agora em uma perspectiva de memória institucional, pensando não no histórico de documentos, mas com produtos de memória. 2008 – Aprovado o projeto de pesquisa realizado pela profa. Ana 9


Maria Strohschoen, que busca discutir a Memória Institucional com biografias. “Possibilidades de uso da Memória Institucional na Região a partir do Projeto de Pesquisa Desenvolvido na UNISC” · Outro artigo foi elaborado a partir das atividades realizadas pelo projeto em 2007 pela profa. Ana Maria Strohschoen e apresentado no NP de Comunicação Organizacional e Relações Públicas, do XXXI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, Intercom - Sociedade Brasileira de estudos Interdisciplinares da Comunicação - Natal-RN, ocorrido entre os dias 2 e 6 de setembro de 2008 foi “Os históricos e as histórias contadas pelas empresas: mídia ou memória institucional?”. · 02 de outubro , apresentação do projeto "Possibilidades de uso da Memória Institucional na região a partir de projeto de pesquisa desenvolvido na UNISC" , no XIV Seminário de Iniciação

Científica e XIII Jornada de Ensino, Pesquisa e Extensão da UNISC. 2009 – Segundo semestre surgi o site “pesquisar é bom”, para suprir as necessidades dos alunos. ·

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Apresentação do projeto “Possibilidades de uso da memória institucional na região” coordenado pela a Professora Drª. Ana Maria Stroschöen, juntamente com os alunos de Comunicação Social da Unisc, Aline de Moura, Michele Roth, Lílian Fengler e Douglas Souza.No III Abrapcorp que


ocorreu durante os dias de 28 a 30 a abril de 2009 na Universidade de São Paulo (USP).

2010 – A entrada dos vídeos para o site verificou-se a melhoria da qualidade dos mesmos: após à referência explicita dos trabalhos com a exposição pelo site de memória criado observamos um aprendizado mais consistente e gratificante para os alunos e também para as empresas envolvidas. ·

Apresentação do trabalho de pesquisa “A Importância da História Individual para a Memória de Empresa e vice-versa”, da Professora Dra. Ana Maria Strohschoen (UNISC), juntamente com as alunas Angélica Weisse e Daiane Carpes, na categoria GT Iniciação Científica, o trabalho de pesquisa no 4º ABRAPCORP, maior congresso de comunicação organizacional que ocorrerá nos dias 20, 21 e 22 de maio na PUC-RS.

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O 1º Encontro entre Colaboradores e Alunos” realizado no dia 06 de outubro na sala 101 da UNISC

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20 de outubro 2010 bolsista Elisio Rodrigues de Freitas apresentou no XVI Seminário de Iniciação Científica, o Salão de Ensino e de Extensão, o projeto de extensão no qual está inserido: “A Memória de Empresas na Internet: um site de históricos de empresas desenvolvido pelos alunos da graduação da UNISC”, coordenado pela professora Ana Maria Strohschoen. 11


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Artigo Premiado, no Salão de Ensino e Extensão ocorrido em outubro de 2010 na UNISC. “O estudo do site de históricos de empresas desenvolvido pelos alunos da graduação da UNISC: o que pode ou não ser um produto de memória”, de autoria da profa. Ana Maria Strohschoen e do bolsista Elisio Rodrigues de Freitas.

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No dia 08 de Junho de 2010 foi entregue o Prêmio Honra ao Mérito aos autores dos artigos que foram destaque no Salão de Ensino e Extensão 2010, onde o acadêmico Elisio Rodrigues de Freitas (aluno do curso de Comunicação Social/Publicidade e Propaganda da UNISC) e a Dra. Ana Maria Strohschoen (Professora do curso de Comunicação Social da UNISC), foram premiados.

2011 - A Profa. Ana Maria Strohschoen e o bolsista Elisio Rodrigues de Freitas participaram do XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – INTERCOM, que ocorreu entre os dias 2 e 6 de setembro de 2011 na Universidade Católica de Pernambuco, Recife – PE. · Laçou na ocasião, o livro “Integração entre Ensino e Extensão: Aprendizagem e Conhecimento” PUBLICOM no DT: Relações Públicas e Comunicação Organizacional. ·

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Participação do bolsista Elisio Rodrigues de Freitas no INTERCOM Junior (VI Jornada de Iniciação Científica em Comunicação), com a apresentação de sua monografia, cujo


título é “Memória Institucional: Estudo de Caso a partir do Encarte da AFUBRA (Associação dos Fumicultores do Brasil) 55 anos veiculado no Jornal Gazeta do Sul”. ·

09 de abril 2011, foi a apresentação do Projeto de Extensão "A Memória de Empresas na Internet: um site de históricos de empresas desenvolvido pelos alunos da graduação da UNISC", onde os Bolsistas Elisio Rodrigues de Freitas e Luiza Amanda Scherer fizeram a apresentação, coordenados pela Profa. Dra. Ana Maria Strohschoen, no 1º Encontro Gaúcho de Ensino de Jornalismo e 1º Fórum SulBrasileiro de Professores de Jornalismo, na categoria GT Relatos de Extensão, realizado na UNISC - Universidade de Santa Cruz do Sul.

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O 2º Encontro entre Colaboradores e Alunos” realizado no dia 17 de outubro na ADUNISC da UNISC

2004 Percebia-se a falta de registros sobre a origem das empresas na Região.

2006 Apresentação do artigo da Prof. Ana Maria Strohschoen “Políticas e Estratégias de Comunicação”, XV Encontro de Compós, da Unesp..

2009 Nasce o site ‘Pesquisas é bom’

2008 Aprovação do projeto de pesquisa referente a Memória Institucional, da Profª Ana Maria Strohschoen

2009 O projeto ganha amplitude com a participação da Profª Ana Maria Strohschoen em Congressos e Eventos da Comunicação Social.

2010 Melhorias multimídia no site com a produção de vídeos referente a memória institucional das empresas. Diversas premiações com o projeto.

2012 O desenvolvimento da 1ª Edição do Livro ‘Faces da Memória’ coordenado pela acadêmica Lilian Alves e orientado pela Profª Ana Maria Strohschoen

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2 - Metalurgica Mor Em 10 de agosto de 1962 nasce, em Santa Cruz do Sul, a Agro Industrial Mohr Ltda, hoje Metalúrgica Mor S.A. A empresa surge pelas mãos de Guilherme e seu filho Ruby Mohr e dos irmãos Cláudio e Luiz Backes. Acho que os momentos mais marcantes foram vários né, começo do trabalho da empresa em fevereiro de 77, apesar de já ter trabalhado em duas empresas é uma coisa que marcou muito por ter começado a participar do dia-a-dia da empresa que foi um processo de sucessão do meu pai e em 83 o falecimento dele, 15 de março, que foi uma data marcante, porque criou um divisor de águas dentro da empresa, que até o momento era uma empresa familiar, eram duas famílias que participavam do dia-a-dia da empresa, a MOHR e a BACKES, acho que essa foi uma data muito marcante.Depois a saída da família MOHR que foi no mês de março de 85, quase um ano após o falecimento do meu pai, meu pai morreu em março e eles saíram 31 de janeiro de 85, mais ou menos 1 ano e 9 meses depois, então foi outra data marcante. (André Luiz Backes)

Ainda na década de 80, assume a direção da empresa o atual presidente, André Luiz Backes, filho de Cláudio Backes, que falece em 1983. A família adquire as ações de Guilherme e Ruby Mohr, assumindo o controle acionário da empresa, e a razão social Metalúrgica Mohr S.A. tem uma pequena alteração, com o Mor 14


sendo redigido sem a letra “h”, como a marca é hoje conhecida. De acordo com André Luiz Backes, atual presidente da empresa, um dos primeiros momentos marcantes evidenciados na mesma, foi o falecimento de seu pai, no ano de 1983. E, 1 ano e 9 meses depois a dissociação, com a saída da família Mohr, criando assim um divisor de águas dentro da metalúrgica, que até o momento era uma empresa familiar. André considera que estes, 1984, 1985 foram anos muito difíceis, a empresa estava sem crédito, sem credibilidade, com muitas dívidas. A saída de uma das famílias (Mohr) acarretou dificuldades, antes dividas entre ambas. Os cargos e as responsabilidades preenchidas por esta família, tiveram de ser supridas e preenchidas pela família Backes, que adquiriu a administração e propriedade da empresa. Novas instalações são adquiridas, em 1985, para incrementar a produção de cadeiras de praia. A Mor instala um escritório de vendas em São Paulo e, assim, amplia sua atuação nos mercados do centro do país. O Departamento de Exportação é criado é em 1991, organizando as vendas para o mercado externo que aconteciam de forma tímida e isolada. Desde 91. Foi quando eu voltei lá dos Estados Unidos e isso foi final de julho, inicio de agosto e ai eles, o André me deu o setor. Só que não tinha nada né, eu sempre falo pras gurias que trabalham comigo. Não tinha fatura comercial, não tinha pekliss, não tinha certificado de origem, hoje casualmente eu trouxe um

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livro que sábado eu fiz um seqüestro lá em casa, um livro que eu comprei na época para poder me guiar um pouco. Hoje é tudo mais fácil, você vai na internet, você coloca lá no google, modelo de invoice, e tá ali né, e isso na época nós não tínhamos, então era bem, como é que eu vou dizer assim, olhando pra trás eu vejo assim ó, a gente eu, no meu caso, eu trabalhei com muita paixão, eu acho que essa paixão que me fez acreditar sempre que a Mor tinha condições de ser uma empresa para exportar, mas o meu grande sonho, se, vamos em falar em sonho, seria ver a Mor exportando volumes grandes pra Europa e Estados Unidos. Apesar que seu André sempre diz, o dólar que tu ganha da Bolívia e do Paraguai é o mesmo dólar que um americano e um europeu te pagam né, então o dólar é o mesmo. (Lialice Schmitt)

A vinda para o Distrito Industrial, há 11 anos, foi um segundo grande momento vivido pela metalúrgica, citado pelo presidente Backes e pelo diretor financeiro Luiz Eduardo, onde houve grande investimento em uma fábrica com extensão maior que a planejada. As despesas ocasionadas no começo desta nova fase acarretaram em uma grande crise no ano de 2005. O momento mais marcante na empresa acho que foi a virada de sair do centro da cidade, fazer todo o investimento que a gente tem aqui no distrito industrial, e começar uma nova fase. E em um segundo momento, foi em 2005, quando a gente fez umas mudanças

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drásticas na empresa e começou a evoluir como um todo. (Luiz Eduardo)

E a vinda pro distrito industrial, fazem 11 anos, outra data marcante. Acho que outra data que marcou muito foi final dos anos 2005, foi quando a empresa fez um processo de reestruturação muito pesado, um enxugamento no nosso quadro de pessoas e tal, a partir daí a empresa voltou a contratar um numero muito mais expressivo de pessoas do que tinha aqui dentro, acho que foi também outra data marcante. (André Luiz Backes)

Nesta ano, a empresa teve um processo de reestruturação e modificação no quadro de funcionários. Investia mais do que faturava. Para Cairu Alexandrino a empresa teve de “arregaçar as mangas, e fazer as coisas acontecerem, para virar o jogo”, esta crise foi superada e segundo André, com muita facilidade, mas que se torna marcante devido a proximidade “fazem só 6 anos”. Entre 1997 e 1999, a Metalúrgica Mor desenvolve um ousado projeto de re localização, expansão e modernização. São investidos R$ 13,8 milhões em edificações e tecnologia, a maioria importada dos Estados Unidos, Alemanha e Itália. Novos produtos são incorporados a empresa. Mesas de passar roupas, varais e escadas domésticas colocam a Mor no segmento de utilidades domésticas. Em 2001, a empresa adquire a empresa paulista Alutron e passa a fabricar também utensílios domésticos com antiaderente, como 17


panelas e leiteiras. Novas medidas tiveram de ser adotadas, a empresa passou a contratar um numero mais expressivo de pessoas, havendo uma maior integração entre seus membros, diferente de outras crises. A Mor começou a evoluir como um todo. Trabalhando a parte de gestão, obteve bons percentuais de crescimento nos anos seguintes, em evolução constante conforme o tempo. Comprou uma concorrente, além de evoluir nos serviços já prestados. Bom acho que ruim, que depois não tão ruim, em 2005 quando teve, que , eu entrei em 2004 então em 2005 ainda era muito nova, mas era um empresa que eu ,logo quando eu entrei logo acreditei, essa empresa tem potencial. Em 2005 teve um, dezembro teve uma demissão de muita gente, depois da reestruturação a empresa não tinha lucro suficiente e tava empacando , aí fizeram uma avaliação de todos os cargos então muita gente foi embora , ã, foi uma época de muita, muito corte, corte de pessoas, corte de material de economia, gritante, então, muita gente que gostava, tava no teu lado foi embora e saia chorando, daí a gente não sabia quem era, quem era, o que era melhor ter ido embora ou era ter ficado , porque o clima fico muito, muito de medo de, de quem é o próximo, né e … e na cidade perguntavam : mor vai falir? A mor vai falir? A gente dizia, não mas eu sentia que o grupo, quem fico, a gente montou o grupo especial que é hoje os

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supervisores né então é um grupo que tinha muita certeza assim de vamos fazer junto, e isso eu sinto até hoje, até quando as coisas estão boas, eu fico pensando, começo de lá. Talvez quem chegue agora na or diga há que beleza a empresa tá crescendo e tal, mas então, não cresceu sem dor. Foi uma coisa que muito ruim na época, mas era uma coisa que foi necessária, então quem tava lá aquela época tem muito presente que, o que a gente avançou hoje não é em vão, eu sei que, muito, a geração Y que eu até me sinto um pouco parte da geração é muito ansiosa, e vamos fazer a coisa agora, mas as coisas tem seu tempo de acontecer, então a gente tem que acreditar, e tipo na época não me impressiono se ia dar certo ou não, tinha uma convicção, não, isso vai dar certo, é aqui que eu gostei de trabalhar e tem potencial, e eu acho que esse meu sentimento é o sentimento geral assim, ninguém … Era um ajudando o outro, enfim,como que a gente vai, vamos usar papel das duas folhas, tipo ocupar um clips, a pessoa que tava pra comprar um clips tinha que pensar duas vezes, pra compra assim tinha que fazer as coisas da forma mais barata, o nosso departamento mesmo, a gente corto as cor das piscinas, que cor assim, não é um design bonito a gente vez com pra baixar o preço, a gente tiro as arara da piscina pra baixar o preço, pra trabalha com o competitivo, pra que a gente conseguisse vender e tal. E foi um ano muito difícil, foi muito... Mas daí logo

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naquele ano, daí a gente reverteu completamente o quadro que veio um presente sem tamanho. Então me marcou assim, não sei dizer hoje se foi positivo ou negativo, talvez se não tivesse acontecido aquilo da forma que foi, não, não, hoje mesmo não teríamos esse cenário que agente tem hoje, então, han, acho que o pessoal novo que vem é bom saber o que que aconteceu sabe? Daí tu sabe, “é só oba oba” tu nunca vai muda, ou tipo né, a gente pode deixar o barco, a la, a la vontade, assim, acho que foi isso. (Patricia Louise Rosa)

Hoje a MOR conta com 3 empresas. Marcio Bandeira conta que a metalúrgica, inicialmente era de pequeno porte, passando por médio, e neste ano chegando a grande porte. É a segunda maior empresa em arrecadação de Santa Cruz do Sul, perdendo somente para a Philip Morris. E relata que conquistas como o ISO 9000, a renovação da empresa, o aumento no seu quadro de funcionários de 400 para 1400, 1500, variando conforme o período são marcantes dentro da empresa. Entre as realizações pessoais, aliadas ao seu trabalho na empresa, os entrevistados fizeram algumas citações. Para Luiz Eduardo, em seus 15 anos de MOR, seu casamento, o nascimento do filho, dentre muitas coisas que ocorreram em sua vida, evoluções profissional e pessoal, foram acompanhadas das muitas pessoas que conheceu em seu ambiente de trabalho. Marcio Bandeira,citou sua promoção a supervisor, mostrando seu crescimento profissional 20


e comparando a realização de um sonho. Cairu Alexandrino, citou o crescimento da empresa, e o fato de ter acompanhado isto desde sua entrada, até os dias atuais. Pra mim, para minha carreira foi quando fui promovido a supervisão, este foi o momento mais marcante, porque é todo...todo aquele sonho que a gente tenta realizar, alguma coisa neste sentido. Chegar, começar embaixo como auxiliar de produção, vai começando devagarzinho (gestos apontando subida gradativa de degraus) isso para mim foi o que mais me marcou na minha carreira. (Marcio Bandeira)

Na minha vida pessoal foi, nos 15 anos que eu tenho de MOR, eu casei, nasceu o meu filho, então, em um tempo bem grande, muitas coisas aconteceram na minha vida. Minha evolução profissional e pessoal foram acompanhadas de muitas pessoas que conheci aqui. (Luiz Eduardo)

André Luiz Backes diz que foram vários, seus momentos marcantes. Destacando seus 33 anos de Metalúrgica Mor, completados em fevereiro deste ano. O seu começo de trabalho na empresa e sua participação no dia a dia desta empresa, foram marcantes. O presidente cita também outra data marcante, em 2012, quando a empresa completará seus 50 anos. Nestes 49 anos, a Metalúrgica Mor fabricou suprimentos para 21


a agricultura e apicultura, mudou seu foco, ampliou suas linhas, conquistando novos mercados que acompanharam as transformações globais. Conquistou não só o mercado brasileiro, como também o mercado internacional. Hoje, a empresa exporta para os 5 continentes, principalmente para os países do Mercosul. Nos mercados onde atua, seus produtos são reconhecidos por sua qualidade, inovação e conforto. São fabricados por profissionais especializados e equipamentos de última geração. No próximo ano, a Mor completa 50 anos de atuação, tendo sua origem na cidade de Santa Cruz do Sul. A satisfação de seus funcionários é evidenciada nas entrevistas e nos relatos dos mesmos, mostrando que suas visões, missões e valores são cumpridas no cotidiano.

1962 Nasce a Agro Industrial Mohr Ltda, em Santa Cruz do Sul.

1997/1999 Expansão e modernização da empresa.

1983 O atual presidente da empresa, André Luiz Backes, assume a direção da empresa/ A razão social sofre alterações dando origem ao nome ‘Mor’.

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2005 A empresa enfrenta crise.

2012 Comemoração de 50 anos Mor


3 - Hospital Santa Bárbara O segredo deste hospital, estar completando 75 anos, segundo seus colaboradores, é a recompensa de tantos esforços não somente de quem está trabalhando hoje, mas também daqueles que se por essa empresa, em outras épocas, e que hoje seguem outros rumos. Uma das primeiras funcionárias que entrou aqui no hospital fui eu. Quando elas se mudaram para cá, em seguida, inaugurei esse hospital aqui (...) o hospital tinha só um corredor, era bem piquininho, e ali nós fazia, cirurgia parto, tudo era ali naquele corredor. Quando eu comecei a trabalhar, já comecei em tudo, como parteira como enfermeira (...) Tinha uma irmã dos Estados Unidos, muito boa, professora, ela que nos dava aula (...) tudo nós fazia nós ia aprendendo já de tudo (Lia Fagundes da Silva Carvalho)

Naquela época não tinha atendente de enfermagem então meu cargo era servente.O que eu fazia auxiliava os trabalhos, os pacientes: banhos, carregava e conduzia pacientes na cadeira de rodas (...) trabalhava também na recepção. Na época não tinha um sistema como se tem hoje, mas a gente tinha que atender, na época se chamava serviço de portaria, atendia, conduzia o visitante, aquela coisa toda.” (Marionone Lopes de Moura).

Agente fazia higienização, agente medicava (...)

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aprendia se trabalhando(...) Naquela época só se tinha a sala de parto, que era aqui num quarto (...) e o posto clínico que tinha lá, a sala cirúrgica era aqui onde é o raio x (...) Evoluiu muito daquele tempo pra cá, e eu tenho certeza que eu contribuí. (Odete Escouto)

Na humildade destas pessoas, pude perceber que a felicidade pode habitar os lugares menos prováveis. Pessoas simples, com serviços simples, são tão felizes quanto, ao até mais, que aqueles que ostentam grandes cargos e salários. Esta humildade, os levou à caminhos que pareciam impossíveis, conquistaram oportunidades de crescimento, por darem valor ao que iam adquirindo. Valorização do funcionário, e oportunidades de crescimento para seus colaboradores, sempre foi uma marca do Hospital. Em 85, a irmã me chamou pra me oferecer um serviço na área de radiologia onde eu entrei como auxiliar dela na câmara escura, revelava, o processo todo sabe (...) consegui fazer o técnico em radiologia, é uma função que eu desempenho hoje (...) Uma coisa boa de frisar é que nesses 28 anos eu nunca tive um atraso no meu salário, o pagamento sempre foi em dia isso é uma coisa muito importante pra uma empresa. É uma empresa organizada, que não toma nenhuma decisão em falso sempre toma uma decisão com os pés no chão, isso faz com que a empresa cresça. (Marionone Lopes de Moura).

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Depois de atendente veio o curso de auxiliar de enfermagem, daí agente fez o curso, com o auxílio da irmã Neusa, tá, daí eu fiz o auxiliar, fiquei um tempo como auxiliar, hoje eu já sou técnica, fiz o curso de técnico, agente conseguiu evoluir. (Odete Escouto)

O Hospital, também, sempre investiu na ampliação de suas instalações e melhores condições de atendimento aos pacientes. Quando eu comecei a trabalhar aqui tinha vinte funcionários, hoje tem um quadro de sessenta e dois (...) a luz era só da CEEE, quando faltava luz era um dilema, uma correria, acender líquido aquela coisa toda, a gente conseguiu um gerador que foi um avanço muito bom, para o hospital e para comunidade (...) logo em seguida a gente conseguiu um laboratório de análises clínicas junto ao hospital que não se tinha, tinha só fora do hospital (...) Outra coisa boa que aconteceu foi a conclusão da obra, que teve mais de 20 anos parada, que é do segundo piso, também foi adquirido com recursos do hospital e recursos do governo, foi se lutando aqui e ali se conseguiu concluir e isso ajudou também no desenvolvimento do hospital. (...) O hospital adquiriu também um mamógrafo para fazer as mamografias, antes a gente tinha que fazer em outro lugar, hoje são feitas aqui inclusive vem gente de outras regiões, vem fazer aqui na nossa cidade(...) A direção atual conseguiu uma usina de oxigênio, antes a gente conseguiu tinha que comprar, vinha um

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caminhão de 30 em 30 dias, as vezes nem isso, pra trazer os cilindros do oxigênio.Hoje o hospital produz o seu próprio oxigênio, é um investimento que foi feito e que tá trazendo bastante recurso pra cá. (...) As coisas, tudo acontecem não é por acaso, acontece tudo planejado, é uma decisão que se toma, toma com os pés no chão, ele é muito bem administrado. (Marionone Lopes de Moura).

Os funcionários não vêem o hospital apenas como empresa, eles tem um carinho muito grande por ele, por situações diversas já vivenciadas. Eu sou filha do hospital, eu nasci aqui fui pra casa, com dezessete dias voltei pra internar, desenganada pelos médicos, uma criança fraca com problemas respiratórios, não haveriam chance nenhuma de sobrevivência de acordo com o médio (...) e em função do trabalho das irmãs, da irmã Cacimira que trabalhava aqui na época (...) ela olhou o bebezinho e decidiu que não iria morrer, então ela velou o meu berço, dias e dias a fio, até que eu tivesse em condições de ser transferida daqui, para receber um tratamento mais adequado (...) esse é o milagre do trabalho, é o milagre da fé da força e da dedicação (...) que o bebezinho podia sobreviver e trabalhou para isso, então não é o milagre, como agente imagina, que desce dos céus e acontece, é o milagre do trabalho e da dedicação. (Débora Silveira)

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(...), uma das coisas mais importantes que eu acho que aconteceu dentro do hospital, na minha vida, foi o nascimento dos meus três filhos, Diego, Matias, a Clarissa, Cacá que é a caçula da turma. Foi um momento de muita felicidade, porque a mãe deles ganhou aqui. Nós fomos muito bem atendidos, isso ficou marcante dentro da minha vida do hospital. (Marionone Lopes de Moura).

Sistemas e diferenciais na Administração desta empresa: Se teve várias direções de irmãs, o hospital sempre foi coordenado pelas irmãs, elas são donas. A cada seis anos ou até menos são trocadas, pra isso tem uma votação entre elas... lá..., elas escolhem a coordenadora, diretora do hospital (...) Antes a gente não tinha administrador era apenas coordenado pelas irmãs depois de passado um período começou a surgir à parte administrativa e foi contratado o administrador, hoje tem administrador, hoje tem os colaboradores, os chefes de equipe, então, hoje, as coisas são muito mais organizadas. (Marionone Lopes de Moura).

Eu acho aqui incrível, maravilhoso, porque quando agente tá lá fora, agente não pode imaginar o que tem aqui dentro, aqui tudo se faz tudo se fabrica, aqui tem de tudo né, aqui tem comida tem roupa tem tudo feito aqui dentro. (Graciane Costa de Vargas)

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A emoção ao falar sobre como é trabalhar no hospital esteve presente em todos os depoimentos. Cada pessoa que entra aqui dentro, parece que agente acolhe no coração da gente né. O lugar aqui é um encanto, apesar de ser um hospital, de ser um lugar que tem muita doença, agente graças a Deus, agente que trabalha aqui é contente é feliz. (Graciane Costa de Vargas)

Histórias emocionantes de pessoas que dão a vida por essa empresa. Que consideram o trabalho e os colegas como um segundo lar, uma segunda família. Tem uma gratidão muito grande da família com todo o trabalho que foi feito (...) eu cresci muito vinculada ao hospital né, (...) foi uma coisa maravilhosa quando eu tive a oportunidade de retornar e trabalhar aqui (...) tenho um pouco de sentimento de gratidão de dar em troca um pouco do que eu recebi. (Débora Silveira)

Eu sei que é um egoísmo meu, pensar qui, se eu pudesse escolher uma profissão para o meu filho, eu queria que ele trabalhasse nessa área, queria que ele fosse enfermeiro, médico, o que ele quisesse, desde que ele ficasse aqui dentro, ai eu acho incrível, maravilhoso mesmo! Eu acho que é um dos melhores

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lugares pra agente trabalhar e aprender, aii, o que agente aprende de coisas aqui (...)Eu acho que o gostar, faz com que o trabalho seja maravilhoso, e eu gosto, eu coloco amor no meu trabalho, aqui é um lugar que realmente eu gosto muito. (Graciane Costa de Vargas)

Esse vinte e quatro anos, que eu estive aqui, eu consegui levar, pra cá com que a minha filha se envolvesse (...) minha filha hoje faz o curso de técnico em enfermagem, pretende fazer o curso de enfermagem mais tarde, e vai continuar no ramo. (Odete Escouto)

Agente sabe que perto de outras empresas que tem uma visão focada no lucro, aqui nós temos uma visão focada nas pessoas, eu tive também experiências foras, e sei bem a diferença. (Débora Silveira)

Esta empresa prima pela qualidade do bom atendimento ao seu paciente. Por se tratar de saúde, o compromisso é ainda maior. Essa qualidade se dá, pela motivação que recebem de seus superiores, e pelo carinho e companheiros dos colegas de trabalho. Eu gosto muito de cantar, e eu não tenho vergonha de dizer que as vezes eu to limpando um vazo

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e to cantando, e quanto mais eu limpo mais eu canto, e mais vontade eu tenho de limpar, é porque não é feio né, agente sabe, é o trabalho da gente né, agente limpa, assim bem limpinho e pensa, que daqui a pouco vai chegar uma pessoa, e vai determinar determinado ambiente e vai ta bem limpinho. (Graciane Costa de Vargas)

Cada paciente meu representa como se fosse meu familiar. Eu trato cada um com muito carinho, sinto que cada uma daquelas pessoas poderia ser minha mãe, eu cuido todos com muito carinho. (Odete Escouto)

Eu acho assim, lidar com a saúde incrível, porque as vezes agente acha que não tem o suficiente, e vê pessoas assim, lutando pela vida sabe, lutando por um fiozinho de vida né. (Graciane Costa de Vargas)

Grande parte dos funcionários, iniciou suas atividades profissionais dentro desta empresa, e nela estiveram até se aposentarem: Eu me aposentei e continuei, imagina quanto tempo eu trabalhei, também tem gente velha ai que eu fiz o parto(...) esse dias mesmo, vi um com cinqüenta e quatro anos, e eu fiz o parto (...) parei, as

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irmãs não queriam que eu saísse, mas foi porque eu quebrei um braço e daí tive que ir pra Porto Alegre, e não tinha outra parteira. (Lia Fagundes da Silva Carvalho)

Histórias e relatos ouvi, e com isso pude trazer para minha vida profissional e pessoal, grades lições de carinho, amor e dedicação pela empresa que aprenderam a amar.

Dentro do contexto geral, assim sabe, o hospital Santa Bárbara faz parte da minha vida eu pretendo continuar até que eu tenha força, tudo que eu consegui, tudo que eu tenho hoje é graças ao hospital, o hospital tá gravado no meu coração, o hospital vai continua comigo, eu vou continuar com ele eu não sei viver sem o hospital. Na minha folga eu não consigo fica sem dar uma passadinha pra ver como é que estão as coisas. Nossa maior satisfação é atender bem o nosso paciente. (Marionone Lopes de Moura).

Eu gosta muito da minha profissão, mas muito, eu nunca me senti mal, assim de dizer, ai eu não quero mais trabalhar aqui. (Lia Fagundes da Silva Carvalho)

É uma honra muito grande poder trabalhar aqui, e eu espero poder continuar com o trabalho e auxiliar na

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missão do hospital que é dedicação total. (Débora Silveira)

Foi aqui que eu cresci que eu aprendi, alguma coisa na vida (...) só tenho a agradecer a Deus por ter me dado essa oportunidade, na vida né. (Odete Escouto)

Aiii desejo que este hospital dure por muitos e muitos setenta e cinco anos, que sempre seja bom como ele é, que sempre tenha esse calor humano que tem aqui dentro, esse amor que tem aqui dentro, que acolhe as pessoas sabe, que nunca termine, que sempre, esteja aqui e que, que cresça que cresça e que possa abrigar muito mais pessoas. (Graciane Costa de Vargas)

Tenho certeza que esta experiência, de pesquisa, ficará gravada na memória de cada um destes funcionários que se dispôs a colaborar. Muitas histórias puderam ser relembradas a partir desta iniciativa, muitos ao irem para suas casas, rememoraram fatos que até o no momento, não se recordavam, mas que assim continuaram contribuindo para o resgate dessas memórias. Tentou com este trabalho, escrever capítulos, que são de extrema importaância nas vidas e nas histórias destas pessoas.

Linha do tempo Hospital Santa Bárbara

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4 - Bistex Através da análise da página da Bistex pelo Web Archive, entidade que reúne o arquivo da Internet através dos anos, percebese que o site da empresa passou por poucas mudanças desde que entrou no ar, em 2001. Um detalhe interessante que o grupo percebeu é que o histórico da empresa aparecia de forma mais proeminente e completa nas versões mais primárias da página, e chegou a desaparecer por completo do site por volta de 2004, somente para ser retomado – com menos detalhes – em 2005, com a mesma redação da versão no ar em 2009.

A Bistex Alimentos Ltda. pertence ao casal Geni João Marquetto e Elaine Marquetto. Entretanto, o casal só entrou na sociedade em 1988. Antes disso, a empresa tinha outros donos. Porém, apesar das pesquisas e das tentativas, não conseguimos descobrir os nomes de todos os antigos donos. Apesar de um de nossos entrevistados dizer o contrário, descobrimos em pesquisas que um dos antigos sócios era Arildo Bennech de Oliveira, hoje, dono da Superpan. Em 1988, Geni Marquetto tornou-se sócio da empresa.

A Bistex teve sua fundação no ano de 1986. Na época, seu nome ainda era Indústria de Produtos Alimentícios Biscopan. Biscopan justamente porque produzia basicamente biscoitos e pães. E a marca do salgadinho produzido era Bistex. Foi apenas quando Geni Marquetto, atual sócio majoritário, entrou para a empresa que foi fundada a Bistex. Em 1997, quando a empresa 33


mudou suas instalações para a atual sede, a Biscopan foi incorporada pela Bistex. A escolha foi feita pela razão de “Bistex” ser um nome mais forte e mais conhecido na região do que “Biscopan”. “Então a Biscopan que iniciou. Iniciou trabalhando... por que que o nome era Biscopan? Justamente “biscoito e pão”, né. Então o irmão do cara da Superpan era o sócio aqui, né. Aqui não, na outra empresa. E eles começaram fabricando salgadinhos e a razão social da empresa era Indústria de Produtos Alimentícios Biscopan. E a marca do salgadinho era Bistex” (Plínio Diehl – Gerente Industrial da Bistex).

Durante seus 6 primeiros meses de trabalho, a empresa Biscopan apenas produzia para outra empresa, de São Paulo. Após esses 6 meses, começou a comercializar na região, já com a marca Bistex. Em 1988, fundou-se a Bistex, em Ramiz Galvão. Mas nesse início, a Biscopan ficava no centro da cidade enquanto a Bistex ficava em Ramiz Galvão. A sede do centro da cidade funcionava como um escritório da empresa, enquanto àquela localizada em Ramiz Galvão era a indústria que produzia os alimentos. Mas foi apenas em 1998 quando inaugurou a atual sede que as duas empresas firmaram-se em um mesmo local, e após, transformaramse em uma só. “Depois que a gente veio pra cá, o que aconteceu, deram baixa na empresa Biscopan e ficou só a Bistex, que era bem mais conhecida, né. Era mais

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forte. Nós instalamos aqui em 97, mais ou menos. Então, desde 97, a Biscopan deixou de existir. Então, inclusive no contrato social da empresa, tudo consta que a Bistex incorporou a Biscopan. Deixou de existir, né. Pegou o passivo dela toda e... foi o que aconteceu” (Plínio Diehl – Gerente Industrial da Bistex).

Em seu início, a Biscopan tinha cerca de 10 funcionários. Hoje, a empresa conta com mais de 170 colaboradores. Mas a empresa já contou com cerca de 300 empregados. Nessa época, a empresa produzia cerca de 700 toneladas/mês e exportava para diversos países. Sua preocupação era produzir em larga escala. Hoje a preocupação é com a qualidade. Por isso, a produção está em torno de 300 a 400 toneladas/mês. São feitos produtos diferenciados, preocupando-se com a imagem da empresa. A preocupação devese principalmente ao fato de a empresa ter certificado ISO de qualidade. Dessa forma, há uma elitização dos produtos. A preocupação com a imagem é refletida no investimento em embalagens atrativas. Ao mesmo tempo, há uma preocupação com o atendimento ao cliente. Os motoristas da Bistex são todos uniformizados e treinados para relacionar-se com o cliente da melhor forma possível. São pequenos detalhes que diferenciam o produto tornando seu sabor único e inconfundível.

“Nessa época aqui, a gente tinha muitos funcionários, porque a gente exportava, mandava pra Cuba, países fora. Só o que que aconteceu,

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produzimos em larga escala, a nossa preocupação era produzir. Hoje não. Hoje a nossa preocupação é qualidade. Então a gente tá produzindo produtos diferenciados, se tu olhar o mix de produtos, a gente se preocupa com a imagem da empresa, porque a gente tem a ISO, né. Hoje a gente trabalha tudo com embalagem interna. Tem embalagem hoje que brilha um pouco na prateleira, são embalagens caras, né. Então, em toda nossa linha, tamo mudando o tipo de embalagem. Isso faz com que o produto agregue um pouco mais de valor também. Começa a elitizar um pouco mais o teu consumidor. Mas isso é uma política que a empresa adotou, né” (Plínio Diehl – Gerente Industrial da Bistex).

Mas essa qualificação e diferenciação do produto só ocorrem devido ao treinamento da equipe da empresa. Desde seu início, a Bistex sempre buscou a qualificação de seus profissionais para aprimoramento na indústria alimentícia. Todos os sábados há treinamento da equipe. Uma vez por mês reúnem-se os motoristas da empresa para falar sobre atendimento ao cliente. Além disso, a Análise dos Pontos Críticos de Controle (APCC) foi implantada na indústria. Dessa forma, cada processo da fábrica é analisado criticamente por um comitê que avalia a produção da empresa, determinando pontos positivos e negativos. A preocupação com a qualidade pode ser percebida principalmente durante a produção. Tanto treinamento deve-se ao 36


fato de que, o produto feito no período da manhã deve ter a mesma qualidade daquele produzido de tarde e a mesma do produzido durante a noite. Para isso, treinamento e experiência são fundamentais. Dessa forma, cada setor tem funcionários-chave com muita experiência e muito conhecimento, que permitem manter a qualidade dos produtos e que procuram repassar seu conhecimento para os funcionários mais novos e menos experientes. Dessa forma percebemos que a qualidade, seja do produto, do atendimento, ou principalmente dos colaboradores, adquire uma importância fundamental para a empresa. Como a própria Bistex destaca em seu site, a Bistex Alimentos Ltda, deu um passo importante para qualificar ainda mais seus produtos, depois de passar por uma série de mutações dentro de seus processos, pois implantou um sistema de gestão da qualidade baseado na NBR Iso 9001:2000, que é uma norma internacional de requisitos da qualidade, e tem como objetivo prevenção de falhas, e padronização em todos os processos. Esta é a norma mais completa da família 9000, uma vez que trabalha com todas as fases do processo, inclusive higiene e segurança alimentar.

Dessa forma, além de se preocupar com a legislação e suas normas de higiene e qualidade mínimos, a empresa está introduzida em um rigoroso programa de qualidade que ajuda a elevar o nível de seus produtos, tornando-a referência estadual em sua área de atuação. 37


No início do ano de 2009 a empresa realizou pela primeira vez a Semana da Qualidade e Segurança Alimentar. O objetivo era aprimorar os conhecimentos dos diversos processos de organização. Para isso, palestras, cursos e treinamentos foram realizados sobre diversos temas. Nessa semana, uma curiosidade foi um mural em que foram colocadas fotos antigas e novas de funcionários e ex-funcionários. Uma forma de relembrar o passado e preservar a história da empresa, com imagens daqueles que fizeram a ainda fazem parte de uma vida de cheiros, gostos e lembranças. Uma forma de saborear o presente sem esquecer do passado, e pensando em um futuro de qualidade e sucesso.

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5 - Rádio Venâncio João Paulo Heck possui 30 anos de experiência na Rádio RVA. Sua carreira na empresa começou como sonoplasta. Ele é o funcionário mais “antigo” e acompanhou o desenvolvimento da RVA. “Foi fortuito porque eu trabalhava na prefeitura de Venâncio, antes eu trabalhei em fumageira, trabalhei como menor estagiário no banco do Brasil, e aí uma passagem aqui pela rádio Venâncio Aires, pela frente da rádio. Eu tinha um amigo meu, Luís Carlos Heinze, que trabalhava aqui e me convidou pra ser sonoplasta, atuar na técnica da emissora, né, e topei a parada, gostei do serviço, me encontrei e inclusive fazia Universidade na ocasião, né, era uma forma também de sustentação dos meus estudos, né . Então acomodou uma série de fatores, porque a rádio, com o horário que era a rádio naquela ocasião, viabilizava que eu estudasse e tivesse mais tempo pra preparação. Então naquela oportunidade assim, a porta de entrada foi também isso, o horário de rádio, né, mas depois teve uma configuração bem diferente isso aí e a gente vê que rádio não é cinco ou seis horas por dia, como a técnica possibilitava naquela ocasião.”(Jão Paulo Heck, em anexo transcrição completa da entrevista, 2010)

Muitas mudanças aconteceram desde o início da rádio, principalmente as alterações na programação. Moacir Emílio Alberto Eisermann participou da construção do jornalismo da empresa e possui percepção de quem iniciou em 1991. 39


“Bom, falando do horário da tarde, a gente tinha, antes, o Clube da Amizade. Eu trabalhava de operador, né, e a gente notava que era um programa feito diferenciado, no sentido de atender cartas, apenas. Eram anúncios e pedidos de música. Se fazia a leitura de 10, 15 pedidos de música, e tocava três músicas na sequencia. E voltava pro comercial, voltava o locutor, fazia uma abertura, dava recado... Se trabalhava muito a questão do atendimento do pedido musical. Rádio AM, naquela oportunidade. Houve essa inversão pra um lado de se trabalhar mais a busca de... se trabalhar com a comunidade, em busca de, hã, oportunidades de se arranjar emprego, de se fazer pedidos de cadeiras de rodas, de se atender a pessoas que eram vítimas de sinistros, de incêndio... o que acabou caindo de agrado porque muita gente precisa desse tipo de serviço e a rádio tem uma força muito grande, e justamente casou as ideias, né.” (Moacir Alberto Eisermann, em anexo transcrição completa da entrevista, 2010)

A passagem O pouco suporte oferecido na época fez com que a passagem da programação meramente musical para a de jornalismo fosse lenta. Tanto na estrutura, quanto da adaptação dos profissionais, como a de João Paulo Heck. “Bom, antes da ida pro jornalismo eu atuei também no setor de discos da Rádio Venâncio, porque eu cheguei esses dias, eu encontrei com os completamente

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estragados, capas rasgadas, discos atirados, o pessoal não cuidava, né, então eu tinha por natureza já um apreço por música um gosto pela capa também, pelo trabalho inteiro. E eu propus também pro diretor da rádio de arrumar estes discos e criamos todo um, uma discoteca organizada, né, e aquilo não era organizado, tinha mais ou menos uma divisão alfabética assim, mas feita, né, e de improviso mesmo, e aí eu organizei toda a discoteca da rádio, né. Os compactos, mandamos fazer capas de compactos e a partir dali se criou uma relação porque o pessoal do jornalismo trabalhava muitas vezes dentro da nossa sala e eu ia pra sala deles né, então eu já criei uma afinidade com redação, logo depois eu criei o Estampa Nativa, né, que também foi, tudo meio junto, né, no começo, né.” ( João Paulo Heck, em anexo transcrição completa da entrevista, 2010)

Moacir Eisermann também relata a transição. “Como a maioria dos funcionários, assim, que vai pra área de locução, inicia, como, sempre, a gente fala aqui de uma maneira geral, na mesa, de operador técnico. A gente começou na central, por cerca de um ano, um ano e meio, assumiu junto a gravação, que faria, naquela época então o horário da manhã, junto a gravação, voltava pra casa, fazia o horário do almoço e retornava, pra tarde, aí pra novamente a central. E com o tempo, fazendo a central de futebol, você, entra naquele ritmo, que é o ritmo de funcionário de rádio, é 24 horas. Então você fazia de

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manhã, fazia a tarde, finais de semana, as vezes sábado e domingo, e até muitas vezes, né, no sábado e domingo. E a questão da, da, locução, né, ela surgiu com aquela questão de você estar sempre na rádio. Daqui a pouco pintou a oportunidade de uma leitura de uma nota, de um pedido, não se tinha o locutor disponível na emissora e a gente vai pro ar e acaba lendo aquela nota. E aí é uma questão de esperar uma oportunidade. A minha chegou em 1997, quando a emissora ficou, a tarde, sem uma locução. Depois de um longo período em busca de um locutor para fazer o horário, a gente teve a ideia de colocar um programa no ar, naquela oportunidade ainda sem um nome definido. Demos três sugestões de nomes pra direção, com vários quadros, que seria o típico programa de AM, com, hã, utilidade pública, novelas, horóscopos, agendas... e a direção entendeu que era a oportunidade de trabalhar naquela função muito de utilidade pública, de trabalhar pela comunidade. E ali que o programa se desenvolveu, a gente conseguiu depois definir um nome, que seria Cidade Viva, com o slogan que seria O programa que mais liga pra você, que direcionava justamente naquilo que a direção buscava, né, que era a questão de auxiliar a comunidade. Seria um programa que auxilia a comunidade.” (Moacir Eisermann, em anexo transcrição completa da entrevista, 2010).

Histórias que marcam Toda história é marcada por lembranças, estas viram 42


histórias que marcam a vida. Moacir Eisermann relata uma delas. “Aí teve várias. A gente fez, hã, praticamente nesses 19 anos, toda a virada de ano, hã, no caso, chegada do dia 1º, né, de cada dia novo do ano, a virada a gente fazia as 24 horas aqui, chegada de Ano Novo. Então a gente passava distribuindo vários produtos, hã, no caso carvão, champagne, nas vilas e bairros, e a gente tinha uma curiosidade: deixava sempre a vila hã, mais, pobre, vamos dizer assim, o local mais carente, por último. E a gente entrava no caminhão carregado com carvão, com salsichão, com champagne. E aí a gente não conseguia parar o caminhão. Porque se a gente parasse o caminhão, seríamos saqueados! Mas a gente já sabia do que era, hã, então o caminhão tinha que entrar numa velocidade bem maior do que o normal nas outras ruas, porque senão ficava tudo na primeira quadra, né. O pessoal descarregava. E a gente tinha a dificuldade de poder inclusive alcançar. As vezes jogávamos o salsichão, jogávamos o pacote de carvão, até pra afastar as pessoas do caminhão, né. Era, de certa maneira, hã, um jeito de atender aquela, aquela área carente, mas, a única que se tinha. Porque se você parasse o caminhão pra atender e tentar conversar, aí você ficava ali. O caminhão seria saqueado. Infelizmente era assim. Mas a gente fazia isso com questão, fizemos vários anos, hã, eu acho que cerca de 10 anos, e sempre o local mais carente, mesmo sabendo como seria, a gente deixava pra visitar.” (Moacri

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Eisermann, , em anexo transcrição completa da entrevista, 2010)

Ieda Biguelini relata histórias que marcaram sua trajetória na RVA. Assim, oh: nós antigamente trabalhávamos no interior com uma Variant velha. Então, num dia de trabalho no interior, nós descemos o morro e na hora de voltar, bah... nós perdemos a bobina, a bobina da Variant. (risos) Então é todo um transtorno que, que tu tens assim, que tem que chamar um socorro, mas assim, de história engraçada foi uma delas, mas nós nunca ficamos empenhados assim de dizer 'não, agora ficamos três horas na rua'. Não. Tu conhece todo mundo, as pessoas te socorrem logo, tu logo é bem visto pelas pessoas... assim, de colegas engraçados, muitas histórias. Olha, histórias de jantas que a gente fazia na época da rádio, a gente diz rádio velha, no prédio antigo. Nós fazíamos no fundo da rádio, não tinha lona, não tinha nada. A gente fazia embaixo de umas árvores de laranjeira. Mas, muito legal assim, muitas boas lembranças, que são as que mais marcam, né. (Ieda Bigueline, em anexo transcrição completa da entrevista, 2010)

Linha do tempo - Rádio Venâncio

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6 - Mago Web A Magoweb Marketing Digital é um projeto que surgiu dentro da ITUNISC (Incubadora Tecnológica da UNISC) através da Agência Web, que trabalhava na época na área de internet em Santa Cruz do Sul. A Incubadora Tecnológica da Unisc, que surgiu em torno de 2005 , surgiu a ideia de incubar um projeto, então surgiu o projeto da magoweb, este projeto foi todo desenvolvido dentro da incubadora, onde teve todo o apoio da Unisc. (Thiago Genehr)

Segundo Liane, coordenadora da ITUNISC na época da Magoweb, o projeto é muito importante para pequenas empresas da região. A incubadora da UNISC é um projeto focado pra pequenas empresas, apoio a elas, a gente sabe quando uma empresa vai nasce ela precisa de auxilio e a Unisc em 2005 ela criou a incubadora tecnológica, naquela época eram salas no campus da Unisc, ela oferece vários apoios aos pequenos empresários, desde cursos, como fazer um plano de negócios, empresas terem com base na inovação, mestres e doutores ficam a disposição desses empresários para que ele façam seu planos de negócio de um forma correta,na parte da gestão, ela iniciou pequena, com empresa muitas interessantes. (Prof Liane Kipper)

Após esta transformação da Agência Web para Magoweb, a nova empresa que surgia tinha o foco em atuar com o sistema de 45


franquia dentro da área de marketing digital, como comenta Atila Genehr, o proprietário: Esse projeto transformou no que hoje, um rede de franquia, onde atua em 13 estados e no Brasil inteiro, e somos especialistas em marketing digital. Aonde a gente vai e trazer retorno financeiro, e vários resultados para pequenas e medias empresas em marketing digital, essas e nossa missão.

Como lembra Eduardo Rathke, ex-funcionário da empresa, antes da transformação em Magoweb, a então Agência Web, também trabalhou em parceria com a System Haus durante algum tempo: Em 2003 a agência era duas sociedades era Agência Web e System House, dai eu fui contratado na época como estagiário, aprendi muita coisa, desenvolvimento básico de sites. As empresa romperam a sociedade e eu fiquei com a Agência Web, eu fiquei prestando serviços pra eles, como não queria mudar para Novo Hamburgo, eu voltei a ser funcionário da magoweb em 2003 e em 2007 continuei como programação coordenando uma equipe de 13 pessoas.

Linha do tempo - Magoweb Marketing Digital

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Faces da Memória Histórias de memórias contadas

Projeto de Pesquisa em Memória Institucional tem por finalidade resgatar a memória de empresas regionais. Com a coordenação da Prof. Dra. Ana Maria Strohschoen, desde 2004, os alunos do Curso de Comunicação Social da Universidade de Santa Cruz do Sul, através da disciplina de Metodologia da Pesquisa em Comunicação vem desenvolvendo esse projeto. Várias empresas da região não tem nenhum tipo de acervo histórico e o objetivo dos alunos é ajudá-las, através de métodos e técnicas de pesquisas, a resgatar, organizar e arquivar suas memórias.

Faces da Memória  

Livro - Faces da Memória - Histórias de Memórias Contadas