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Na década de 60 Portugal vivia numa situação difícil. A falta de emprego era uma realidade, muita gente trabalhava no campo e grande parte das pessoas recebia salários muito baixos. As difíceis condições de vida da maior parte da população contribuíram para a fuga de muitos portugueses para outros países. Esta emigração teve vários fatores: a crise do setor agrícola, a

total

incapacidade

dos

outros

setores económicos absorverem a população rural que abandonava os campos, a falta de mão-de-obra em muitos países da Europa, a fuga à Guerra Colonial e à repressão política. Ao levar para fora de Portugal a mão-de-obra, sobretudo oriunda do mundo rural, a emigração agravou ainda mais a crise no país, mas também permitiu a entrada de riqueza devido às remessas dos emigrantes. A minha avó paterna foi confrontada com esse êxodo. Neste pequeno texto vou retratar um pouco a sua história. No início dos anos sessenta o meu avô paterno trabalhava numa serração em Amares mas o salário era muito baixo e as condições de trabalho precárias. Era difícil ter uma vida digna. Em 1965, o meu avô conseguiu um contrato de trabalho para um emprego em Paris, não hesitou deixar a mulher e sua filha pois a esperança de ter um trabalho melhor para sustentar a sua família era maior que a saudade que levava com ele. A minha avó era analfabeta. Não conseguiu arranjar emprego por isso trabalhava no campo gratuitamente de modo a não pagar alojamento. Foram anos difíceis, porque nem sempre tinha novidades do meu avô. Os meios de comunicação infelizmente não eram como hoje. Nem sempre o meu avô conseguia vir a Portugal pois as viagens eram caras e longas.

EMIGRAÇÃO

José Diogo Martins Vieira 6ºD nº16


Em 1974 o meu avô levou para a França a minha avó e os seus três filhos que tinham 10, 8 e 5 anos de idade. Foram de comboio e demoraram um dia e meio a chegar a Marselha, grande cidade do sul da França. O início das suas novas vidas foi difícil, pois a minha avó e os seus filhos não sabiam falar francês, mas em pouco meses o meu pai e meus tios habituaram-se rapidamente à língua e aos costumes franceses. A minha avó que em Portugal trabalhava no campo, em França conseguiu arranjar trabalho como senhora de limpeza. Apesar da barreira que constituía a língua a vida começou a correr-lhe bem, mas Portugal era o seu país e sentia sempre saudade da sua terra. Tenho uma grande admiração pelos meus avós, porque não tiveram receio de deixar a sua terra e família para procurar uma vida melhor e um futuro mais risonho para os seus filhos. Trabalharam muito, lutaram muito para dar aos seus filhos uma educação que eles não tiveram. Não cheguei a conhecer o meu avô pois faleceu antes de eu nascer mas sei que foi um grande homem, lutador, um verdadeiro pai para os seus filhos. Ele tinha um sonho para ele e sua família: construir a sua casa na sua terra. Esse sonho foi alcançado apesar das dificuldades. A vida da minha avó, cheia de sofrimento e de sacrifício é um grande testemunho para a minha geração. Nada se adquire sem esforço e trabalho. Também devemos ter um pouco deste espírito aventureiro e de sacrifício, e não podemos esquecer que esses emigrantes que um dia lutaram para ter uma vida melhor, muito contribuíram para a modificação do nosso país.

EMIGRAÇÃO

José Diogo Martins Vieira 6ºD nº16

josé diogo  

trabalho de historia