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Nº4 | ABRIL |2018

Perfil aluno do saída à colaridda esobriga ade querertória:

poder? é


Não precisa de ter uma letra bonita para escrever!

Esta revista é um projeto criativo de escrita e imagem, que se destina a toda a comunidade escolar do agrupamento de escolas Morgado de Mateus (alunos, professores, assistentes técnicos, assistentes operacionais e encarregados de educação). A voz de cada um contribui para o todo que somos. Envie os seus artigos destinados ao nº 5 da revista para becre.esmm@gmail.com

Escreva! Leia! Divulgue!


Editorial

Carla Marina Teixeira,

Diretora do Agrupamento de Escolas Morgado de Mateus

Caros(as) leitores(as)

das essenciais para os jovens deste milénio: criativi-

No dia 15 de janeiro, o Ministério da Educação,

dade, pensamento crítico, resolução de problemas,

em colaboração com a Federação Nacional de Asso-

tomada de decisão, comunicação, colaboração, literacia

ciações

e

no uso e acesso à informação, investigação e pesquisa,

Secundário, desafiou todas as escolas a participarem

literacia mediática, cidadania digital, operações e

num amplo debate nacional com o objetivo de refletir

conceitos em TIC, flexibilidade e adaptabilidade,

sobre como organizar a escola e o ensino, com vista à

iniciativa e auto-orientação, produtividade, liderança e

concretização do Perfil dos Alunos no Final da Esco-

responsabilidade.

de

Estudantes

dos

Ensinos

Básico

laridade Obrigatória.

Obviamente que será também necessário que seja

O Agrupamento Morgado de Mateus abraçou este

dada importância aos valores, pois num mundo em

desafio e recebeu dos alunos do 4º ao 12º ano exce-

rápida e constante mudança, os valores funcionam

lentes sugestões de trabalho, algumas delas publicadas

como âncoras que terão de ser mais resilientes que o

no facebook do Agrupamento. Foi também realizada

conhecimento ou as competências adquiridas.

uma sessão aberta ao público, com o apoio do Município de Vila Real, com a presença de alunos, pais,

No próximo ano letivo iniciaremos esta nova

docentes e autarquia, moderada pelo Sr. Deputado

etapa que será uma viragem necessária para a formação

Francisco Rocha, onde foram discutidas as diferentes

dos jovens do século XXI.

visões dos participantes. O Perfil dos Alunos pretende a aplicação e o reforço de aptidões e competências que são considera-

Bom trabalho e que todos sejam resilientes nesta mudança!

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Índice P05 | Personalidades | Carvalho Araújo | Soldado Aníbal Augusto Milhais. P07| Projetos/atividades | Concurso Nacional de Leitura 2018: presentes! | O mundo mágico | Ida ao teatro | O meu autorretrato – visão de outras realidades | Exposição/Feira de Fósseis e Minerais | DE UMA VARANDA PARA O MUNDO | EXPOSIÇÃO “ESPAÇO: DO UNIVERSO AO NOSSO SISTEMA SOLAR” |

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NATAL NA ALEMANHA A VISITAR TAMBÉM SE APRENDE OPERAÇÃO BIODIVERSIDADE DO SÍTIO ALVÃO/ MARÃO VISITA DE ESTUDO: PLANETÁRIO DO PORTO E PLANETÁRIO DO CENTRO DE ESPINHO VISITA DE ESTUDO “INL - LABORATÓRIO IBÉRICO INTERNACIONAL DE NANOTECNOLOGIA” | VISITA DE ESTUDO DO 1ºA -EXPLORATÓRIO E ICNAS Semana mundial do aleitamento materno : Importância da alimentação COLABORAÇÃO DO DEPARTAMENTO DE FÍSICA DA UTAD NAS AULAS DE FÍSICA DE 11ºANO: MEDIÇÃO DA VELOCIDADE DO SOM NO AR UM OLHAR DE LER E SABER MATILDE FIGUEIREDO, DO AEMM , 3º LUGAR NO CORTA MATO CLDE VILA REAL E DOURO «VIVER NO ESPAÇO… MAS AQUI NA TERRA» SESSÃO NOBEL

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P24 | Ensino/Educação | Perfil do aluno à Saída da Escolaridade Obrigatória | Conferência Nacional -Perfil do aluno à Saída da Escolaridade Obrigatória | A Dimensão Europeia da Educação | Qualificações Desenhadas em Resultados de Aprendizagem Técnico em Animação de Turismo – uma aventura? | Quanto aprendem os alunos na Escola? P31 | Artes | Literatura - O que andamos a ler?A Selva | Literatura - O que andamos a ler?

As Ilhas Desconhecidas | Literatura - O que andamos a ler?As Viagens de Gulliver | Reportagem - Arte na mão e fé no coração.

P35| reflexões | O que é o amor? | Céu de inferno | A importância do bem falar em público | Liberdade e poder paternal | A razão aos olhos dos humanos | Direitos Humanos. P35| Nós, os criativos | A Vida | Memorial Do Pres(id)ente | À maneira dos trovadores medievais | Informações, para

recordar | Lugar à imaginação… Sem vocês o Natal estaria perdido | Lugar à imaginação… Entrevistas fictícias! Entrevista à Dona Gagá, a rocha gnaisse | Lugar à imaginação… Entrevistas fictícias! Entrevista Meu querido Pai Natal | Refletido no Douro. P46|Sabias que? | A tua cidade - Vila Real | Gallicismes | Passe-temps | Le français dans le monde . Informações ES Morgado de Mateus (sede) Morada: Agrupamento de Escolas Morgado de Mateus Rua Dr. Sebastião Augusto Ribeiro 5004-011 Vila Real Telefone: 259 325 632 Fax: 2593 325 939 Página Web: http://www.aemm.pt email: diretora@aemm.pt Coordenadas de localização do agrupamento Latitude: 41º 17´ 68´´ - Norte Longitude: 7º 43´ 29´´ Oeste

Outras escolas do agrupamento EB 2/3 Monsenhor Jerónimo Amaral (tel. 259325052) EB Vila Real nº7 (tel. 259327284) EB Abade de Mouçós (tel. 259356547) EB do Douro (tel. 259321441) JI de Ponte (tel. 259374397) JI de Mateus (tel. 259325689) JI de Torneiros (tel. 259374691) JI de Vila Meã (tel. 259929172) Horário dos serviços administrativos (escola sede) Das 8.00h às 18.00H

Ficha técnica Diretora editorial: Maria Manuel Carvalhais Editoras: Manuela Leal e Maria Manuel Carvalhais Design: José Armando Ferreira

AGRUPAMENTO

DE ESCOLAS

MORGADO

DE MATEUS Vila Real

Publicação financiada:

Apoio


Germano Rocha Em 1914, iniciada a Grande Guerra, Portugal enviou tropas para as suas colónias de Angola e Moçambique, alvo da cobiça dos alemães. A declaração de guerra a Portugal pela Alemanha surge apenas a 9 de março de 1916. Rapidamente, em poucos meses, foi criado e treinado o Corpo Expedicionário Português (CEP) do qual fazia também parte o R I 13 (Regimento de Infantaria 13 – Vila Real) que em palco de guerra entre 1917 e 1918 participou em vários combates, sofrendo dolorosas perdas, sobretudo na batalha de La Lys, na Flandres, a 9 de abril de 1918, e em França. Foi nosso propósito, privilegiar a história local, centrada em duas personalidades marcantes da Grande Guerra, naturais ou com ascendência no distrito de Vila Real: o tenente da marinha - Carvalho Araújo e o soldado raso – Aníbal Augusto Milhais.

Castilho, onde viria a falecer em combate. Augusto de Castilho recebeu a missão de escoltar o paquete S. Miguel em viagem para os Açores. No trânsito da Madeira para os Açores, no dia 14 de outubro de 1918, foi avistado o submarino alemão U-139. Ao detetar o submarino inimigo, o comandante do Augusto de Castilho não teve a menor dúvida em dar combate ao mesmo, protegendo deste modo o paquete. A sua missão era escoltar o S. Miguel. Para tal, Carvalho Araújo decidiu interpor-se entre este e o submarino alemão. Durante mais de duas horas travou intenso combate artilheiro contra o submarino, possibilitando a fuga do paquete. Quando o submarino conseguiu colocar o Augusto de Castilho fora de combate, já o S. Miguel se encontrava suficientemente afastado para ser impossível ao submarino alemão alcançá-lo. No combate perderam a vida, além do comandante, o Aspirante de Marinha, Elói de Freitas, e mais quatro praças. O número de feridos foi também bastante elevado, contando-se entre estes o imediato: Guarda-marinha Armando Ferraz. Quando cessou o fogo, os feridos receberam tratamento ministrado pelo médico do navio alemão, tendo o respetivo comandante enaltecido a bravura dos marinheiros portugueses, que com um navio tão pequeno, tanto trabalho lhes tinham dado. Os sobreviventes navegaram em duas embarcações salva-vidas até aos Açores. Em honra deste herói que sucumbiu na Grande Guerra, foi-lhe prestada homenagem póstuma, com a construção de uma estátua inaugurada em 1931, que se encontra no centro de Vila Real, na avenida com o seu nome.

Personalidades Carvalho Araújo

Biografia

José Botelho de Carvalho Araújo nasceu no Porto, em 1880, mas passou a infância em Vila Real de onde eram naturais os seus pais. Frequentou a Academia Politécnica do Porto, onde realizou os Preparatórios que lhe permitiram ingressar, em 12 de outubro de 1899, na Escola Naval. Fez duas comissões em África, e quando regressou prestou serviço na esquadrilha de patrulhas de defesa do porto de Lisboa, foi comandante do caçaminas Manuel de Azevedo Gomes, entregando o comando quando passou para o Ministério das Colónias, a fim de ir desempenhar o cargo de governador de Inhambane. Após o seu regresso deste cargo, voltou a integrar a mencionada esquadrilha, tendo recebido o comando do caça-minas Augusto de

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Germano Rocha Biografia

Aníbal Augusto Milhais, nasceu na aldeia de Valongo, no concelho de Murça, em 1895. Em La Lys fazia parte da 2ª divisão portuguesa que foi dizimada pelos tanques e soldados alemães. À ordem de retirada, Milhais preferiu ficar na trincheira e enfrentar as colunas alemãs a ser morto pelas costas, como o próprio contou à sua filha mais nova, que em 1968 o gravou: "foi então que abri fogo, essa invasão caiu toda. Passado uma hora, ou isso, veio-me outra igual. Fiz-lhe fogo quando chegaram ao mesmo sítio dos outros, com

Personalidades Soldado Aníbal Augusto Milhais

a metralhadora fazia muito fogo. Mais tarde veio outra, outra invasão, já não era tamanha, cortei-a também". Sozinho, na sua trincheira, durante quatro dias, enfrentou os alemães, o que permitiu a retirada de muitos soldados portugueses e escoceses para as posições defensivas da retaguarda, de tal forma que os alemães pensaram estar a enfrentar uma unidade militar inimiga. Milhais foi, meses mais tarde, condecorado. Foi nessa noite que o comandante lhe mudou o nome de Milhais para Milhões: “nessa noite num jantar disse-me o meu comandante Ferreira do Amaral, eu disse-lhe que era Aníbal Augusto Milhais e ele disse: és Milhais mas vales milhões". De volta a Portugal e depois de conhecidos os seus feitos, o governo português mandou alterar o nome da sua aldeia natal de Valongo para Valongo de Milhais. Milhões, era uma alcunha que depois passou a ser nome. Fica perpetuada a memória do único soldado raso que em 100 anos recebeu a mais alta condecoração nacional, a Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito. Milhais ou Milhões, o herói, morreu em 1970, como nasceu e sempre viveu. Agricultor e pobre. Está sepultado no cemitério da sua aldeia, Valongo de Milhais. Tanto Carvalho Araújo como Aníbal Milhais ou Milhões, protagonizaram, à sua maneira, atos de denodo e valentia, que enaltecem a nossa região e nos enchem de orgulho, por terem existido. http://www.diariodetrasosmo ntes.com/sites/default/files/styles/ful l-node-860x615/public/soldado_mil hoes.jpg?itok=7FQuLq9Q

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Projetos | Concursos Atividades Concurso Nacional de Leitura 2018: presentes!

Maria Manuel Carvalhais Ler faz bem! Assim o creem estes nossos entusiastas da leitura que, no dia 6 de fevereiro de 2018, na escola Secundária Morgado Mateus, marcaram

da leitura, alunos leitores do 1º ao 12º ano de escolari-

presença na prova escolar do Concurso Nacional de

dade. São centenas de livros que se dão a conhecer,

Leitura (CNL).

diferentes títulos e autores nacionais e estrangeiros,

O Plano Nacional de Leitura 2027, a Rede de Bibliotecas Escolares, a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, o Camões - Instituto da

sobre os quais se realizam as diversas provas do concurso. Este é o oitavo ano consecutivo em que a nossa

Cooperação e da Língua, a DGAE/ DSEEPE e a RTP

escola participa no concurso e o facto, só por si, enche-

realizam, há vários anos, um concurso nacional cujo

nos de satisfação e orgulho. O Agrupamento já esteve

objetivo central é estimular hábitos de leitura e pôr à

presente três vezes na fase nacional, representado pelas

prova competências de expressão escrita e oral. Esse

alunas Cátia Inês Costa – atualmente a estudar na

concurso começa nas escolas e acaba numa sessão

Universidade de Coimbra – e Maria Rita Azevedo –,

nacional, depois de ter passado por uma fase de provas

aluna do 8º ano que, em 2017, venceu o CNL, na catego-

disputadas a nível regional.

ria do 3ºCiclo.

De novembro a junho, esta iniciativa movi-

O que esperamos? Vencer de novo, natural-

menta milhares de pessoas em todo o país – profes-

mente, se possível em mais categorias. Mas, mais do que

sores, bibliotecários municipais, autarcas, represen-

isso, esperamos que este entusiasmo pela leitura se

tantes

alastre e que para o próximo ano mais alunos respon-

dos

organismos

envolvidos,

animadores

culturais… e, claro, os protagonistas desta grande festa

dam afirmativamente a este fantástico desafio!

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O mundo mágico

Projetos | Encontros Atividades seus livros, tendo sempre presente a MÃE NATUREZA.

Elisa Ferreira

Foi contagiante, a alegria, o empenho e a paixão com que

Foi com muito gosto e

este, agora nosso Amigo, se

entusiasmo que recebemos, no dia

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de

biblioteca

da

novembro, Escola

entregou à tarefa de "sonhar" em

na

conjunto com as crianças, que

Básica

nem num só momento despre-

Abade de Mouçós - O MUNDO

gavam o seu olhar dos desenhos que iam

MÁGICO - o Escritor e Ilustrador Pedro Seromenho. Foi

"nascendo".

com muito à-vontade que comunicou com as crianças e

-- Wow!!!!!

com elas percorreu todo o universo das suas histórias.

Um bem haja Pedro Seromenho !

Mostrou como parece fácil desenhar, pois com

Guardaremos para sempre estes momentos,

a combinação de traços obteve as mais fantásticas

acompanhados de um sorriso que permanece no nosso

ilustrações, os diálogos acerca dos personagens dos

rosto ao revisitarmos os personagens por si criados!

Projetos | Teatro Atividades

IDA AO TEATRO Polete Carvalho

Desenvolvida no âmbito da disciplina de Português, esta atividade visou a motivação dos alunos para o estudo desta obra, que é de leitura obrigatória no programa do Secundário. A acompanhar os alunos, cujo entusiasmo foi bem evidente, estiveram as docentes

No dia 24 de janeiro de 2018, os alunos do 1ºA do Curso

Teresa Capela (de Português), Polete Carvalho (de

Profissional Técnico Auxiliar de Saúde, do Agrupamento

Cuidados Gerais em Saúde) e Margarida Brito (de

de Escolas Morgado de Mateus, deslocaram-se ao Teatro

Educação Especial).

de Vila Real para assistirem à representação da Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente, encenada pela companhia Filandorra – Teatro do Nordeste.

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Ilustração: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/97/Imagem15 8_Gil_Vicente%2C_escrevendo._Sepia.jpg/1200px-Imagem158_Gil_Vicente %2C_escrevendo._Sepia.jpg


Projetos | Exposições Atividades

O meu autorretrato – visão de outras realidades José Armando Ferreira

resultaram da resolução de uma proposta de trabalho no contexto do

Os alunos do 1º ano do Curso de Multimédia,

módulo 1 - comunicação e multimédia. O autorretrato

realizaram uma exposição no âmbito da Disciplina

foi um pretexto para aplicar os elementos básicos de

Design e Comunicação intitulada: O meu autorretrato –

comunicação visual e operar com ferramentas de trata-

visão de outras realidades. Os trabalhos apresentados

mento de imagem digital.

Exposição/Feira de Fósseis e Minerais Polete Carvalho Nos dias 21, 22, 23 e 24 de novembro de 2017, a equipa do Clube Ciência Viva do Agrupamento levou a cabo a “III Exposição/Feira de Fósseis e Minerais”, que decorreu nas escolas Monsenhor Jerónimo Amaral e Morgado de Mateus. Toda a comunidade escolar teve oportunidade de visitar a feira e adquirir, a preços simbólicos, os materiais expostos. Pretendeu-se, com esta atividade, promover a interatividade entre a comunidade escolar e o meio envolvente, contemplando uma vertente didática, cultural e lúdica.

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Projetos | Exposições Atividades DE UMA VARANDA PARA O MUNDO

Anabela Quelhas O Espaço Miguel Torga, localizado em São Martinho de Anta, tem sido um parceiro que permite ao nosso agrupamento tornar público uma parte do trabalho realizado regularmente dentro do mesmo, como resultado do processo de ensino aprendizagem, por vezes desconhecido na comunidade. Naquele espaço já ocorreram duas grandes exposições de trabalhos artísticos, que nos enchem de orgulho e que já fazem parte da identidade deste agrupamento – “Afinal quem foi Miró?”(1) e “A bilha da Bila”(2). Este ano, pela segunda vez, o grupo de Educação Visual lança o desafio à comunidade escolar para tratar de um tema interligado com o património arquitetónico, assinalando esplendorosamente o ano 2018, Ano Europeu do Património Cultural. Todos podem participar, alunos, professores, funcionários e pais, individualmente ou em grupo - a criatividade será o limite. O tema desta atividade potencia a articulação

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vertical e horizontal, tem tonalidades poéticas, geográficas, históricas e oníricas, o que certamente irá gerar boas surpresas, potenciando trabalho multidisciplinar com qualidade. Como motivação, a biblioteca escolar preparou uma exposição temática e um e-book, constituídos principalmente por fotografias de varandas da região, que poderão ser trabalhadas por cada um dos participantes. Deste trabalho de recolha de imagens poderse-á constatar que parte da história da arquitetura passa por este elemento, localizado em todas as áreas habitacionais por onde passamos, sem o ver e sem lhe atribuir valor. O cartaz foi concebido pelo professor José Armando Ferreira e a exposição será exibida de 4 a 30 de abril de 2018. No dia 14 de abril de 2018 haverá uma apresentação formal de todo o trabalho desenvolvido onde se espera que compareçam alguns elementos da comunidade escolar. Encontra-se em construção o repositório de toda esta atividade (3). (1) Atividade da Biblioteca Escolar: https://www.youtube.com/watch?v=12hIzG1dA5Y&feature=youtu.be (2) Repositório on line “A Bila Da Bila” http://abilhadabila.blogspot.pt/ (3) Repositório on line “De uma varanda para o mundo”: https://varandasvilareal.blogspot.pt/


EXPOSIÇÃO “ESPAÇO: DO UNIRVERSO AO NOSSO SISTEMA SOLAR” Docentes de Ciências Físico-Químicas do sétimo ano Nas primeiras semanas de janeiro, decorreu na biblioteca da Escola Monsenhor Jerónimo do Amaral a exposição designada “ESPAÇO: DO UNIVERSO AO NOSSO SISTEMA SOLAR”, que consistiu na apresentação à Comunidade Escolar de trabalhos realizados pelos alunos dos sétimos anos, no âmbito da disciplina de Ciências FísicoQuímicas. Os trabalhos consistiram em elaborar maquetes de instrumentos, tais como o Sistema Solar, telescópios, foguetões e relógios estelares, bem como cartazes relacionados com o tema. Os alunos destas turmas estão de parabéns, pois demonstraram recetividade, muito interesse e empenho na realização dos trabalhos e muito entusiasmo pelo facto de estes serem dados a conhecer à Comunidade Escolar.

Weihnachten in Deutschland NATAL NA ALEMANHA Alunos do 10ºC No final do primeiro período, realizou-se uma exposição no átrio da biblioteca da escola Morgado de Mateus. As turmas de Alemão elaboraram trabalhos no âmbito do tema “Natal na Alemanha”, desde postais a calendários de advento. Todos os alunos participaram com empenho, tendo aprendido muito sobre esta festividade alemã. No dia 6 de dezembro, dia de São Nicolau, foram distribuídos doces aos visitantes da exposição. Tratou-se de uma atividade importante para descobrirmos uma outra cultura e língua.

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Projetos | Visitas Atividades Visitas

Alberto Moura, Lia Pinto, Polete Carvalho e Ricardo Montes

A VISITAR TAMBÉM SE APRENDE

Uma ida ao museu de anatomia humana.

Ricardo Montes.

Semana da Ciência e Tecnologia 2017 No dia 10 de novembro de 2017, os alunos do 1º e do 3º ano do Curso Profissional Técnico Auxiliar de Saúde visitaram o Museu de Anatomia Humana do Instituto Abel Salazar da Universidade do Porto. A visita foi acompanhada e orientada (com explicação/formação) por um técnico do Instituto. Os alunos visualizaram órgãos e partes constituintes do corpo humano preservadas. A atividade foi promovida no âmbito das disciplinas de Cuidados Gerais em Saúde, Anatomia, Fisiologia e Saúde Geral, para o 1º ano, e Saúde e Higiene Segurança e Cuidados Gerais, para os alunos do 3º ano. Os alunos foram acompanhados pelos docentes Alberto Moura, Lia Pinto, Polete Carvalho e

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Nos dias 22 e 23 de novembro os alunos do 1º e 3ºA do Curso Profissional Técnico Auxiliar de Saúde, do Agrupamento Morgado de Mateus, participaram nas atividades da Semana da Ciência e Tecnologia 2017 que decorreram na UTAD. Os alunos assistiram a formações cujos temas foram “Acidentes em meio escolar – como atuar?” e “E se o teu coração parar de bater?”. As atividades foram promovidas no âmbito das disciplinas de Cuidados Gerais em Saúde, Anatomia, Fisiologia e Saúde Geral, para o 1º ano, e Saúde e Higiene Segurança e Cuidados Gerais, para os alunos do 3º ano. Os alunos foram acompanhados pelos docentes Alberto Moura, Lia Pinto, Polete Carvalho e Ricardo Montes.


Polete Carvalho A proteção da biodiversidade assume-se hoje como uma emergência mundial. O desaparecimento de inúmeras espécies e a redução significativa de áreas naturais, registados nas últimas décadas, coloca sérios e graves problemas na manutenção de uma riqueza biológica e patrimonial, processo que em muitos casos é irreversível. Neste sentido, o Agrupamento Morgado de Mateus, em parceria com o Centro de Ciência de Vila Real, dá continuidade ao projeto “Operação Biodiversidade do Sítio Alvão/Marão”, dedicado à preservação e valorização do seu património natural. Assim, no dia 7 de novembro, a docente de Ciências Naturais, Polete Carvalho, e os investigadores do Centro de Ciência Viva de Vila Real, André Brito, Nélia Brigas, Sílvia Morais e Joaquim Beteriano, acompanharam alunos de 9ºano numa saída de campo, a oitava que realizam. Desta vez, foi uma saída noturna, no parque Corgo, onde os alunos tiveram a oportunidade de ver e ouvir várias espécies de morcegos com recurso a material específico, como detetores de ultrassons. No dia 16 de novembro, os alunos acima referidos realizarem a sua nona saída de campo, rumo ao Marão. Os alunos colocaram câmaras de fotoarmadilhagem em vários pontos estratégicos (árvores),

OPERAÇÃO BIODIVERSIDADE DO SÍTIO ALVÃO/ MARÃO para filmarem animais, fizeram o registo fotográfico, em papel e GPS do local das câmaras e de indícios de mamíferos. No âmbito do mesmo programa e parceria, no dia 14 de dezembro, a referida docente, conjuntamente com elementos da turma 9ºC, deslocou-se ao Centro de Ciência Viva. Os investigadores André Brito, Nélia Brigas, Sílvia Morais e Joaquim Beteriano proporcionaram, mais uma vez, momentos únicos. Os alunos puderam observar os vídeos recolhidos através das câmaras de fotoarmadilhagem no Marão, que os próprios haviam colocado, e identificaram as espécies presentes através de um guia prático de identificação de mamíferos (corso, gineta, teixugo, lebre, javali, raposa, fuinha e esquilo). Observaram uma toupeira e um musaranho num frasco, conservados em formol. Por fim, com auxílio de uma lupa eletrónica ligada a um plasma, analisaram egagrópilas (restos de alimentos não digeridos que regurgitam algumas aves rapinas) tais como crânios de roedores e insetívoros.

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VISITA DE ESTUDO: PLANETÁRIO DO PORTO E PLANETÁRIO DO CENTRO DE ESPINHO

Projetos Projetos || Atividades Atividades Visitas Docentes de Ciências Físico-Químicas do sétimo ano No dia vinte seis de janeiro, foi realizada uma visita de estudo ao Planetário do Porto e ao Planetário do Centro Multimeios de Espinho com os alunos das turmas de sétimo ano, no âmbito da disciplina de Ciências Físico-Químicas, em que as atividades planeadas se relacionaram com os conteúdos lecionados no programa da disciplina. No Planetário do Porto, os alunos tiveram oportunidade de usufruir de dois momentos distintos: um, na cúpula do Planetário, onde visualizaram diferentes documentários, e outro, num laboratório, onde observaram o Sol com um telescópio do Centro de Astrofísica e realizaram uma atividade abordando o tema “peso e massa”. No Planetário do Centro Multimeios de Espinho, os alunos tiveram a experiência de ver um filme imersivo a 360º, denominado “Terra no Espaço”, acompanhada por um astrónomo que em simultâneo ia explicando o que os alunos estavam a observar.

VISITA DE ESTUDO “INL - LABORATÓRIO IBÉRICO INTERNACIONAL DE NANOTECNOLOGIA” Anabela Videira No dia dois de fevereiro foi realizada uma visita de estudo ao “INL – Instituto Ibérico Internacional de Nanotecnologia”, em Braga, com os alunos do décimo segundo ano de Química. O Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia é uma organização intergovernamental criada para fomentar a investigação interdisciplinar em Nanotecnologia e Nanociência. Os alunos tiveram a oportunidade de visitar os laboratórios onde se faz investigação sobre desafios em nanomedicina, nanotecnologia aplicada à nanoeletrónica ambiental e de controlo alimentar, nanomáquinas e manipulação molecular em nanoescala.

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Projetos | Atividades VISITA DE ESTUDO DO 1ºA - EXPLORATÓRIO E ICNAS No período da manhã a visita iniciou-se pela exposição «EM FORMA COM A SAÚDE», exposição permanente no EXPLORATÓRIO, centro de ciência Viva de Coimbra. Partindo de uma “praça central” onde se localiza o Cérebro, a exposição divide-se por sete alamedas com vários módulos que retratam os vários sistemas do corpo humano, as suas funções e morfologias. Foi um desafio partir à descoberta do corpo humano através de várias experiências participativas, num total de mais de 100 módulos a descobrir. No EXPLORATÓRIO ainda houve lugar ao visionamento de um filme na ala designada por HEMISPHERIUM, sendo que a projeção é literalmente hemisférica, ou seja, os filmes são projetados a 360º num teto em formato de cúpula, e pudemos vê-lo deitados ou sentados. O filme foi sobre Darwin, «Seleção Natural», e explicou a sua mais controversa obra sobre a origem e evolução das espécies. No período da tarde visitámos o Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS), com visita guiada por um professor de Física da Universidade de Coimbra, professor Francisco Alves, que nos permitiu perceber o trabalho singular e pioneiro que ali é desenvolvido: o que são radiofármacos, como e onde são produzidos (visitámos a ‘caverna’ onde se encontra o ciclotrão!), a aplicabilidade e importância destes estudos no domínio médico e de diagnóstico.

Anabela Coelho

Ficámos a saber que o ICNAS possui valências que vão da medicina e biologia à engenharia, matemática, física, química e informática, entre outras.

No dia 12 de janeiro de 2018, o 1ºano do

Realiza exames médicos especializados em neurologia,

curso profissional Técnico Auxiliar de Saúde usufruiu

cardiologia e oncologia. Também vimos algumas

de uma visita de estudo a Coimbra.

atividades do ICNAS, nomeadamente a utilização de

Os locais visitados foram escolhidos pela sua

novos traçadores e o apoio ao estudo e desenvolvi-

relação direta com os conteúdos da disciplina de

mento de novas terapias e métodos de diagnóstico

Física e Química e sua aplicabilidade no campo da

para a doença do Alzheimer. Foi uma visita muito grati-

biologia humana.

ficante e de muitas aprendizagens para todos.

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Projetos | Workshop Atividades

Montes.

Polete Carvalho, Alberto Moura, Lia Pinto e Ricardo No dia 7 de outubro de 2017, os alunos do 1ºA

e do 3º A do Curso Profissional Técnico Auxiliar de Saúde participaram nas atividades da “Semana Mundial do Aleitamento Materno 2017” que decorreram no Centro Comercial “Nosso Shopping”, em Vila Real. Os alunos assistiram a dois Workshop: “Mitos e crenças na amamentação” e “Vínculo afetivo e amamentação: a biologia do amor”.

Semana mundial do aleitamento materno : Importãncia da alimentação

A atividade foi promovida no âmbito das disciplinas de Cuidados Gerais em Saúde, Anatomia, Fisiologia e Saúde Geral, para os alunos do 1º ano, e Saúde e Higiene Segurança e Cuidados Gerais, para os alunos do 3º ano. Os alunos foram acompanhados pelos docentes das referidas disciplinas, Polete Carvalho, Alberto Moura, Lia Pinto e Ricardo Montes.

Anabela Coelho No sentido de fomentar o intercâmbio entre instituições e graus de ensino diferentes, permitindo colmatar deficiências de material na escola e permitir novas abordagens dos conceitos, realizou-se, no dia 17 de janeiro de 2018, a atividade MEDIÇÃO DA VELOCIDADE DO SOM NO AR, inserida no currículo de 11ºano de FQA. O professor Dr. Norberto Gonçalves, do departamento de Física da UTAD, trouxe o material na íntegra, elaborou o respetivo protocolo experimental e dinamizou a atividade na sala de aula em conjunto com a docente da disciplina, tendo cada aluno feito medições das grandezas envolvidas. Os resultados foram muito bons, os alunos manifestaram muita motivação e interesse, tendo participado ativamente e fazendo uma avaliação muito positiva da atividade.

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COLABORAÇÃO DO DEPARTAMENTO DE FÍSICA DA UTAD NAS AULAS DE FÍSICA DE 11ºANO: MEDIÇÃO DA VELOCIDADE DO SOM NO AR


NUM OLHAR DE LER E SABER Valente.

Projetos | Literacias Atividades

Anabela Quelhas e alunos da professora Salete A biblioteca escolar lançou uma nova atividade

para ser desenvolvida no nosso agrupamento, que pretende promover a literacia da imagem e favorecer a verbalização, especialmente dos alunos com mais dificuldades na expressão oral ou mais tímidos. A sua exploração é abrangente, pode ser executada em todas

Nesta imagem, observo uma mulher com uma

as áreas do saber, com a utilização ou não das novas

criança ao colo. Parece indiana. As suas roupas não são

tecnologias de informação e comunicação e desen-

adequadas para o tempo chuvoso. Isto mostra-nos as

volve, seguramente, o espírito crítico dos alunos. A

necessidades, o desespero de tantas mães que lutam

descodificação das imagens integra também a interpre-

para dar de comer aos seus filhos. A criança tem um

tação expressiva dos afetos e dos valores, numa perspe-

olhar de tristeza, desconfiado e intimidado. A mãe bate

tiva formativa de cidadania.

ao vidro de um carro, talvez a pedir esmola. Esta imagem mostra a necessidade de muitas famílias.

Foram já realizadas diversas experiências e os

Rosa Nunes, 7º E

resultados foram positivos e até muito satisfatórios. Apresentam-se aqui algumas imagens e respetiva apreciação.

Nesta imagem vejo pessoas que olham o horizonte, tristes, perdidas, sem saberem, talvez, o que Na imagem, observo uma menina de origem afegã a

vão fazer depois de desembarcarem rumo a uma vida

olhar fixamente para alguém. A beleza fenomenal dos

nova. Elas estão cobertas com umas capas térmicas

seus olhos contrasta com o seu olhar sério e assustado,

prateadas que combinam com a sua cor e com o

cheio de medo. Tem um lenço roto a cobrir a cabeça e

cenário negro das suas vidas. Estas capas protegem-nas

por baixo deste, um vestido verde, talvez a combinar

do frio.

com a beleza dos seus olhos verdes.

Francisco Teixeira, 7º E

Maria Manuel, 7º C

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outros do seu país, parece estar feliz. Atrás de si, vemos um barril que serve de banco, uma mesa toda lascada e um barraco de madeira que deve ser a sua casa. O chão está todo negro, sujo, e o menino pode magoar-se com um vidro, por exemplo. Atrás de si, a secar, está roupa pendurada num cordel. Ainda que haja crianças que Esta imagem mostra meninos a escrever num quadro preto, como se estivessem na sala de aula, mas

têm vidas difíceis, isso não as impede de serem felizes. David Lourenço, 7º E

estão na rua. Este retrato fez-me refletir na triste realidade em que vivem algumas crianças que, apesar da força de vontade para aprender, não têm condições. Não têm um professor para os ensinar, nem brinquedos para se divertirem. Algumas crianças, como eu, têm tudo o que se pode desejar: amor, casa, comida, brinquedos, roupa, escola e, ainda assim, nunca estamos satisfeitos, estamos sempre a reclamar e queremos sempre mais. Ao olhar este quadro, pensei na sorte que tenho e percebi a importância que tenho em ter uma escola e em aprender. Há crianças que davam tudo para ter um lápis e um papel, para saberem escrever, e nós, as crianças sem problemas desta natureza, detestamos a

Na imagem vemos uma jovem debruçada

escola, detestamos o conhecimento e o ensino. Esta

sobre uma pia, com uma tristeza comovente e contagi-

imagem fez-me perceber a importância da mudança

ante. Ao seu lado, um cão a observar a menina, também

dos valores da sociedade, pois esta está cega e eu

ele com um olhar triste. A imagem é reveladora das

própria tenho de mudar e ajudar as pessoas mais caren-

condições difíceis de certas crianças e da falta de espe-

ciadas e, assim, estas vão ficar, com certeza, muito mais

rança de muitas delas. O olhar da jovem parece perdido,

felizes.

pensativo e isso fez-me pensar que, afinal, sou um rapaz

Filipa Pereira, 7º E

com sorte, pois sou feliz. Gabriel Martins, 7º C

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Nesta imagem vemos um menino a posar para

Na imagem vê-se uma criança em três ângulos

a fotografia, com uma expressão feliz, apesar de viver na

que correspondem a três expressões diferentes. O

pobreza. Sujo, descalço, sentado numas escadas de

retrato mostra uma menina bonita, de olhos azuis e

cimento sem proteção, este menino pobre, como tantos

cabelo castanho, talvez seja árabe, por causa do lenço


na cabeça. No primeiro quadro, à esquerda, ela tem um

feita de terra batida. Destaca-se neste retrato a dife-

olhar desconfiado. O mesmo não se passa no segundo,

rença entre o espaço pobre, abandonado, e a beleza

onde a criança expressa um ligeiro e apagado sorriso.

estonteante, típica de uma modelo. Esta imagem

Parece que vai chorar. O quadro à direita, mostra-nos

transmite-nos calma, tranquilidade, uma beleza

uma menina que parece estar zangada. Os três retratos

invejável. De raízes africanas, o que mais me impres-

têm em comum a beleza de uma criança, de olhos azuis

siona nesta imagem é a jovem rapariga, de vestido

como o mar, os lábios carnudos, o rosto perfeito, mas

amarelo, o seu penteado, típico de África e a sua pose

com um olhar de infelicidade, o que não deveria acon-

sensual. O seu olhar está virado para o horizonte.

tecer porque as crianças deveriam ser todas felizes.

Lara Azevedo, 7º C

Maria Clara, 7º C

Na imagem vejo uma criança com um olhar Nesta imagem está representado um bairro

assustado e preocupado. A sua mãe tenta protegê-la,

pobre, com uma jovem debruçada num parapeito de

cobrindo-a com uma manta, o que revela que podem

uma janela. No bairro, pode ver-se prédios degradados,

estar em perigo. Isso demonstra o que todos os dias

jardins sem beleza com lixo amontoado pelo chão. A

vemos acontecer: pessoas a fugir da guerra até

criança está descalça, despenteada, num local perigoso,

conseguirem chegar a lugares seguros, onde possam

o que demonstra o perigo e as condições em que certas

viver as suas vidas, sem preocupações.

crianças vivem. Na cara da criança, podemos ler a

Esta imagem deixa-me triste, pois esta

tristeza, a desilusão de tantas crianças!!.

realidade não se passou há cem anos atrás, ela é real e

Francisca Martins, 7º C

atual. Cristiana Azevedo, 7º E

Nesta imagem vê-se uma jovem africana no

Neste retrato vejo uma cidade destruída, em

meio da savana, junto a uma casa coberta de palha e

que pessoas desesperadas salvam crianças de uma

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estúpida guerra criada por pessoas egoístas, ávidas pelo poder. Estas imagens reais fazem-me sentir triste

Projetos | Desporto Atividades

por não conseguir fazer nada para as ajudar. Sinto-me impotente, tal como tantos outros se sentem ou sentiriam se vissem estas imagens de destruição. Talvez eu e outras pessoas pudéssemos fazer algo, mas a falta de coragem, o medo, impedem, com receio de morrer. Tanto dinheiro gasto em luxos que poderia ser aplicado na construção das cidades destruídas, no salvamento de inocentes que nascem ao som das balas e dos mísseis da guerra, na construção ou reconstrução de hospitais destruídos… Que retrato horrendo!!! Maria Helena, 7º E

MATILDE FIGUEIREDO, DO AEMM , 3º LUGAR NO CORTA MATO CLDE VILA REAL E DOURO A imagem mostra a pobreza e a falta de

Elsa Alves

alimento que há no mundo. Nós, seres humanos, desperdiçamos comida, quando certas pessoas sofrem, padecem, sem roupa, sem comida. Um menino muito

No dia 23 de janeiro realizou-se o Corta Mato

pequeno, esquelético, está à beira da morte, sem roupa,

Fase Distrital (CLDE Vila Real e Douro), tendo a aluna

no chão árido e agreste. Um abutre atento e ameaçador

Matilde Figueiredo, do 7ºF, alcançado o terceiro lugar

espera o momento certo para apanhar a sua ”presa”.

no escalão de Infantis B Feminino. O Agrupamento de

Estre retrato leva-nos a refletir sobre a fome no mundo.

Escolas Morgado de Mateus estará, desta forma, repre-

O que nós desperdiçamos poderia fazer felizes tantas

sentado nos nacionais de Corta Mato do Desporto

crianças e fazer a diferença na vida de tantas pessoas!

Escolar que decorrerá nas Açoteias, nos dias 23 e 24 de

Senti-me

fevereiro.

envergonhado,

egoísta,

injusto,

mal-agradecido e um jovem de sorte, quando vi este

O Agrupamento foi ainda agraciado com um

retrato que envergonha o ser humano!

honroso terceiro lugar por equipa, no escalão de Infan-

Diogo Ribeiro, 7º C

tis A Masculino, com os alunos Duarte Pereira, do 5ºB, Miguel Ferreira, do 5ºE, Martim Domingues, do 5ºD, André Duarte, do 5ºB, João Sousa, do 5º E, e José Morais do 5º D. PARABÉNS, PELO EXCELENTE DESEMPENHO

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Projetos | Projetos Atividades MAIS UNS POZINHOS DE FANTASIA...

Anabela Coelho Pelo segundo ano letivo consecutivo, o projeto EUREKA! está a decorrer em todas as turmas do pré-escolar e do 1ºciclo do nosso Agrupamento, num total de 255 crianças envolvidas, dos jardins de infância (13 turmas) e 525 alunos de 23 turmas dos 1º ao 4º anos. São mais de 700 crianças envolvidas que desta forma podem contactar com a ciência apresentada numa perspetiva diferente da habitual! À semelhança do ano letivo anterior, o projeto é levado às escolas e jardins de infância pelos professores do grupo de Física e Química que, numa perspetiva de articulação vertical e muita boa vontade, empenho e dedicação, já que abraçaram desde a primeira hora este projeto, se deslocam aos estabelecimentos escolares para promoverem atividades experimentais motivadoras, enriquecedoras e , sobretudo, propiciadoras de entusiasmo e

curiosidade dos nossos alunos mais novos. Este ano contamos com a enorme ajuda e dedicação de dois professores do grupo de Biologia e Geologia para conseguirmos ir mais vezes às escolas: graças a isso todas as turmas vão poder usufruir de duas sessões EUREKA! Para além disto, é extremamente enriquecedor aliar atividades das ciências Físicas e Químicas com as das ciências Naturais, cujas atividades tanto deliciam todos os envolvidos. A recetividade tem sido extraordinária quer por parte das crianças quer por parte dos docentes daqueles dois ciclos que nos recebem sempre calorosamente e com muito entusiasmo! Podem acompanhar as atividades do EUREKA! no nosso blogue: https://eurekaaemm.blogspot.pt/

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Projetos | Palestras Atividades

«VIVER NO ESPAÇO… MAS AQUI NA TERRA» Docentes de Físico-Químicas do 7º ano Os professores que lecionam o 7ºano da disciplina de Físico-Químicas, pretendendo dinamizar para os seus alunos uma atividade no âmbito da Semana do Espaço, aceitaram o repto da ESERO portuguesa (European Space Education Resource Office - programa educativo da Agência Espacial Europeia (ESA) que usa o Espaço como contexto inspirador para a aprendizagem das ciências, tecnologias e matemática) que nos propôs uma palestra com um jovem investigador, Nuno Loureiro, com um currículo invejável ao serviço das agências espaciais europeia, ESA e norteamericana, NASA . O investigador e engenheiro físico deslocou-se então, no dia 3 de novembro de 2017, no período da tarde, ao auditório da Escola Monsenhor Jerónimo do Amaral, para nos presentear com duas palestras para as turmas de 7ºano com o título: «Viver no Espaço… a partir da Terra». Nuno Loureiro a todos maravilhou com as suas

trar no espaço, nomeadamente no planeta Marte.

experiência em ensaios que testam as condições do

Atualmente Nuno Loureiro encontra-se a

espaço… ,mas aqui na Terra! Da sua já vastíssima

desenvolver trabalhos na fundação Champalimaud, na

experiência ele explicou todo o trabalho em que tem

área do controlo da mente e do uso da atividade

estado envolvido, e o que fazem estes investigadores

cerebral para dar ordens a aparelhos.

que permanecem, por exemplo, horas em tanques de

O jovem investigador brindou-nos, pois, com

flutuação neutra para recriarem ambientes similares aos

uma brilhante comunicação que cativou por completo

encontrados na Estação Espacial Internacional ou

as duas plateias cheias! O nosso agradecimento ao

fazendo voos parabólicos, para simular a ausência de

Nuno Loureiro pela bela lição viva que deu aos nossos

gravidade ou, então, participando numa experiência

jovens e a nós professores! E um agradecimento espe-

como aquela em que esteve ultimamente envolvido, no

cial à equipa da ESERO, particularmente à Dra. Adelina

deserto do Utah, para simular como seria viver no

Machado, que tudo fez para que pudéssemos ter este

planeta Marte ( e parece que há intenções reais de

privilégio! Bem hajam!

colocar em Marte uma colónia de humanos!). Nuno Loureiro fez parte dessa equipa de 6 investigadores,

Para saber mais:

MDRS 148, que esteve em condições muito exigentes

https://dailygeekshow.com/simulation-voyage-mars-3/

para sobreviver num ambiente marciano! Embora ele não seja astronauta, Nuno Loureiro, deixou claro que a importância deste trabalho é permitir que, em Terra, se contornem os problemas que os astronautas vão encon-

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http://gizmodo.uol.com.br/laboratorio-flutuacao-neutra-nasa/ https://mdrscrew148.wordpress.com/crew/nuno-loureiro/ https://www.dn.pt/sociedade/interior/projeto-de-neurociencianacional-do-laboratorio-para-a-web-summit-5472054.html https://www.dn.pt/sociedade/interior/mindreach-ou-como-voare-muito-mais-so-com-o--pensamento-8738528.html


SESSÃO NOBEL

Anabela Coelho No dia 6 de dezembro de 2017, pelas 14h30, decorreu no Auditório da Escola Morgado de Mateus a sessão de divulgação dos prémios Nobel 2017, apresentação essa que ficou a cargo de alunos do 11º e 12ºanos, sob orientação dos seus professores. No caso do Nobel da Física, a apresentação foi feita pelo Miguel Peixoto do 11ºB e para o Nobel da Química a apresentação ficou a cargo da Joana Mesquita e do António Nunes, ambos do 11ºA, supervisionados pelas docentes de Física e Química. O repto foi lançado pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, sob a orientação do Departamento de Física, e a iniciativa Nobel foi uma maneira de divulgar e ilustrar as ideias, as obras e descobertas distinguidas pela academia sueca, em 2017. O prémio Nobel da Física foi atribuído a Rainer Weiss, Barry Barish e Kip Thorne e galardoou investigadores que provaram a existência de ondas gravitacio-

nais, algo já previsto por Albert Einstein, cerca de um século antes. O prémio Nobel da Química foi atribuído a Dubochet, Frank e Henderson pelo desenvolvimento da técnica de criomicroscopia eletrónica, que permite observar moléculas biológicas quase à escala atómica. A sessão contou ainda com apresentações dos outros quatro prémios Nobel (literatura, economia, paz, medicina), por alunos de outras turmas. Foi uma sessão muito frutuosa para todos pelo ecletismo dos temas tratados e pelo envolvimento dos alunos que se apropriaram dos assuntos, os estudaram para os poderem transmitir aos seus colegas.

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Ensino/Educação

Maria Manuel Carvalhais A Conferência Nacional realizada no Dia do Perfil do Aluno gerou algum alvoroço na escola. Não é para admirar: o pedido dirigido aos professores para que proporcionassem aos alunos, na manhã de 15 de janeiro, a possibilidade de assistirem em direto ao debate realizado na Fundação Champalimaud chegou com pouca antecedência, via e-mail, e nem todos se aperceberam dele atempadamente ou puderam alterar a sua programação das aulas dessa manhã. Essa divulgação e pedido em cima do acontecimento, as conhecidas dificuldades técnicas que muitas vezes enfrentamos – velocidade reduzida do serviço de internet, falta de nitidez dos projetores e telas –, bem como a possibilidade antevista de alguma agitação por parte dos alunos, levaram alguns docentes a nem tentaram responder afirmativamente à solicitação. Para os que procuraram ir ao encontro da proposta ministerial, de facto, a experiência não foi nada fácil. A forma como nos chegou parte do conteúdo da discussão transmitida em direto foi, até, em certa medida, o contraponto de ideais expressos pelos conferencistas. Explicando melhor, enquanto um ilustre convidado para o debate reforçava a necessidade de se aproveitarem mais e melhor, nas escolas, as novas tecnologias e a internet, na minha sala de aula, por exemplo, na tela escura, o seu vulto indistinto debitava palavras entrecortadas, num discurso frequentemente interrompido pelo pequeno círculo indicativo do carregamento do filme em curso… Isto para já não falar de que foi necessário recorrer ao serviço de internet móvel de uma aluna para conseguir assistir a uma parte do debate! Ainda assim, o “Dia do Perfil”, a conferência

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nacional e o convite dirigido às escolas tiveram uma virtude: a de aproximar os interessados – alunos, professores, alguns pais, responsáveis ministeriais da educação – de um documento que precisa de ser conhecido, que pode e deve ser um guia e uma meta, um elemento fundamental na condução e congregação do trabalho de todos: o documento “Perfil do aluno à saída da escolaridade obrigatória”. Com este documento, que esteve na base da troca de ideias de dia 15 de janeiro, estabelece-se o que se pretende para a educação. Mas, evidentemente, não basta querer e muito haverá ainda a fazer para que a escola possa sentir, com verdade, que possui e proporciona aos seus atores principais as condições de trabalho capazes de “construírem” alunos com as características desejadas e nesse documento plasmadas. A conferência andou muito à volta do tema da “necessária formação dos professores” e, nesse aspeto, deixou-me algum ceticismo. Não porque essa formação não seja precisa e benéfica, mas porque, atrevo-me a dizêlo, muita formação têm os professores realizado sobre novas, mais interessantes e, porventura, mais eficazes maneiras de serem professores, sem encontrarem, depois, possibilidade de a aplicarem quotidianamente nas escolas. Enquanto a realidade continuar a ser a de ensino em salas de aula tradicionais, disciplinas “estanques”, currículos e cargas horárias pré-definidos, programas curriculares impostos e sujeitos a exames nacionais que avaliam, apenas, parte das competências dos alunos, justificação de resultados da avaliação pelos docentes – nomeadamente no que respeita ao desvio de classificações internas e externas (exames) – turmas grandes, salas desconfortáveis e, algumas vezes, mal apetrechadas, enquanto, enfim, as escolas forem as escolas do passado, não se esperem formas de ensinar com futuro, porque a mudança não vinga se estiver só no conhecimento e na vontade do professor e porque, muito naturalmente, essa mesma vontade esmorece quando esbarra com todas dificuldades que tem que enfrentar. O projeto de autonomia e flexibilidade curricular dos ensinos básico e secundário, a dar os primeiros passos, reconhece que “o exercício efetivo de autonomia em educação só é plenamente garantido se o objeto dessa autonomia for o currículo” . Assim, talvez com a sua implementação se consiga, de facto, ir introduzindo, progressivamente e conjunturalmente, mudanças que conduzam à melhoria e contribuam para formar, durante a escolaridade obrigatória, jovens com um perfil de competências de nível elevado. Era bom, porque a insatisfação existente em relação à escola que hoje temos não é exclusiva dos alunos, dos pais, dos responsáveis do ME, dos professores, das universidades ou dos empregadores… é de todos!

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Algumas opiniões do 10ºA Esta conferência foi importante, na medida em que pôs toda a comunidade a questionar-se sobre o ensino. Percebi que muitas das ideias que os convidados da conferência gostavam de implementar, como os trabalhos de grupo e as apresentações, já estão em prática na nossa escola e que, as que não estão, os alunos já tinham pensado nelas. João Barbosa

fazer sobre a vida escolar do aluno, percebemos que, para os alunos estarem mais preparados para o futuro, era preciso haver várias alterações no sistema educativo. Bruna Cibrão

Espero que, com este debate, o Senhor Ministro da Educação possa criar medidas que favoreçam a concreti-

Sobre a conferência nacional, acho que todos estiveram muito bem, embora o Miguel Coimbra estivesse melhor, pois tem uma mente mais aberta e jovem. Bárbara Oliveira

Acho o “Perfil do Aluno” algo de bom, que irá ajudar todos, tanto os diretores de escola, como os professores e os alunos, com o objetivo de melhorar tudo na educação em Portugal. Magda Fraga

Considero que não é preciso só dar ideias para melhorar a educação, mas também fazer esforço para conseguir pôr essas ideias em prática na realidade. Sofia Ferreira

Com esta conferência vimos que várias pessoas têm críticas construtivas a

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Ensino/Educação Conferência Nacional


zação deste “Perfil do Aluno”, por forma a criar escolas mais dinâmicas, mais interessantes, e, assim, facilitar o ensino em Portugal. José Veiga

Apesar desta conferência, continuamos a pensar que as ideias e objetivos debatidos não serão cumpridos num futuro próximo, mas apenas a médio ou longo prazo. Patrícia Costa e Lídia Carvalho

A diminuição da carga horária das aulas e a proposta de termos a oportunidade de visitar estabelecimentos públicos e até privados, para termos noção do que é cada profissão e nos ajudar na escolha de um curso na universidade, foram os aspetos que me chamaram mais à atenção na conferência. Ana Sousa

Esta conferência pôs Portugal a falar sobre o ensino.Embora a minha escola não esteja completamente “à deriva”, acho que ainda tem muito a melhorar (internet, por exemplo). João Gonçalves

Achei esta conferência muito importante, pois ouvirem as ideias de alunos e de pessoas de fora pode tornar o ensino muito melhor. Floor Weustink

Sou a favor destes eventos se, e só se, o Ministério da Educação der ouvidos às propostas, uma vez que queremos todos o mesmo: o melhor futuro para Portugal. Lara Fitas

Esta conferência serviu para sensibilizar alunos, pais, professores, para a questão das características de um aluno bem sucedido e para as competências que deve desenvolver, ao longo dos seus doze anos de escolaridade. Inês Fernandes

Eu concordo com esta iniciativa, pois pode ajudar muitos alunos, no país todo, a terem um melhor futuro, com mais oportunidades. Guilherme Cruz

As cinco pessoas que estiveram a debater o “Perfil do Aluno” disseram que o Ministério da Educação queria implantar novas tecnologias nas aulas, só que isso não é possível porque as escolas não têm condições. Pedro Barros

A meu ver, esta conferência foi vantajosa, ou seja, é importante defender as ideias e propostas dos estudantes, pois são eles que constituem a maioria da comunidade escolar. Nicole Moura

Esta conferência foi importante pois foi a primeira vez que os alunos puderam expor a sua opinião ao Ministério da Educação! Espero que sejam realizadas mais conferências deste género, para que se consiga melhorar a aprendizagem na escola. André Teixeira

Acho que foi importante os alunos verem isto. Inês Amaral

Considero bastante importante realizarem este tipo de eventos, pois contribuem para um melhor futuro do país, quando tomadas as medidas certas. Filipe Peixoto

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Luísa Costa

Ensino/Educação

A Dimensão Europeia da Educação é uma das temáticas previstas no documento “Linhas Orientadoras da Educação para a Cidadania” e procura contribuir para o conhecimento e envolvimento dos alunos no projeto de construção europeia, incentivar a sua participação e promover uma identificação com os valores europeus. Esta temática tem vindo a ser cada vez mais valorizada pelas instituições europeias que assim têm reforçado as medidas de incentivo à implementação de projetos que reforcem a dimensão europeia nas escolas da União. O nosso agrupamento tem neste âmbito uma longa experiência, com um Clube Europeu em atividade contínua há quase duas décadas e a participação numa primeira parceria europeia no ano de 1998-99, tendo participado em muitos outros projetos europeus, quer enquanto escola parceira quer como instituição coordenadora, como acontece neste momento no projeto “Arco-íris Europeu: Guia de Educação para a Cidadania Europeia”, em que temos como parceiras seis escolas de diferentes países: Bulgária, Eslováquia, Grécia, Itália, Lituânia e Polónia. No momento em que nos preparamos para a implementação do Projeto de Autonomia e Flexibilidade Curricular, torna-se relevante e oportuno incluir o desenvolvimento de projetos e iniciativas que reforcem a Dimensão Europeia da Educação no nosso agrupamento. E é neste sentido que apresentamos este ano mais duas candidaturas ao Programa Erasmus+, com dois projetos diferentes, sendo que um deles reúne, pela primeira vez, numa parceria, os dois agrupamentos da cidade e a Câmara Municipal, com o objetivo de contribuírem em

conjunto para a promoção da cidadania democrática junto da população escolar. O outro, caso venha a ser aprovado, permitirá que um número alargado de professores receba formação no estrangeiro, no âmbito das novas metodologias e ferramentas educativas para o século XXI. No mesmo sentido vai a iniciativa de organizar um intercâmbio de alunos com uma escola italiana de Avezzano, no qual participam alunos do 9º, 11º e 12º anos. Com este intercâmbio pretendemos celebrar o Ano Europeu para o Património Cultural, promovendo um encontro de culturas e a divulgação do nosso património junto dos jovens italianos, bem como o conhecimento do património cultural e da cultura italiana por parte dos nossos alunos. Estas e outras iniciativas, como a atividade regular do Clube Europeu, que acaba de receber mais um prémio nacional pelo seu projeto de 2016/17, contribuem de forma decisiva para o reforço da dimensão Europeia da Educação e possibilitam às crianças e aos jovens não só a aprendizagem de um conjunto de conteúdos associados às temáticas da construção e da identidade europeia, no contexto de uma formação para a cidadania global, como o desenvolvimento de atitudes e valores que levarão à tomada de consciência da riqueza e da diversidade cultural da Europa. A vivência de diversos quotidianos em países europeus, reconhecendo também as identidades locais e regionais, e as relações de amizade que os intercâmbios e projetos europeus proporcionam, contribuem decisivamente para o conhecimento e para a valorização das múltiplas identidades, das instituições e dos modos de vida dos cidadãos europeus, ao mesmo tempo que reforçam o sentido de pertença e identidade, ao nível regional, nacional, europeu e universal.

A Dimensão Europeia da Educação

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Qualificações Desenhadas em Resultados de Aprendizagem Técnico em Animação de Turismo – uma aventura? Cesário Matos Até 2020 pretende-se que 50% dos alunos do ensino secundário frequentem percursos de dupla certificação referenciados às qualificações inseridas no Catálogo Nacional de Qualificações (CNQ). Apesar das melhorias verificadas nos níveis de qualificação escolar e profissional dos jovens, continua a ser premente prosseguir, de modo faseado, com o processo de referenciação dos Cursos Profissionais no CNQ nos termos da metodologia e condições que se seguem: •Na Componente de Formação Sociocultural e Componente de Formação Científica, as disciplinas que as integram mantêm as designações, as cargas horárias e os programas atualmente em vigor, conforme a indicação constante no referencial de formação de cada qualificação; •A Componente de Formação Técnica deve ser constituída pelas Unidades de Formação de Curta Duração (UFCD) da componente de formação tecnológica dos referenciais de formação do CNQ, organizadas, pelas escolas, em 3 ou 4 disciplinas de natureza tecnológica, técnica e prática, estruturantes da qualificação profissional visada; •Integra, ainda, a formação em contexto de trabalho. A abertura do curso profissional de Técnico em Animação de Turismo no nosso agrupamento, no ano letivo anterior, 2016´2017, assenta nestes pressupostos. Houve todo um trabalho de preparação curricular elaborado com cuidado e assertividade. Desde formação inicial de docentes, constituição de disciplinas a partir de famílias de UFCD, até à replicação da formação inicial pelos docentes da escola, houve um esforço conjunto bem orientado que permitiu a operacionalização deste projeto.

Quanto aprendem os alunos na Escola? Manuela Leal A escola ensina, a escola educa! Sei que esta visão não é consensual e que muitos dividem estas duas funções, como

A aplicação desta nova metodologia de ensino, Qualificações Desenhadas em Resultados de Aprendizagem, não sendo radicalmente diferente da anterior, é libertadora. Porquê? Porque a Componente de Formação Técnica ao ter sido disseminada em UFCD contribuiu para que os docentes vocacionados para cada família de formação necessitassem de partilhar mecanismos de aprendizagem, métodos didáticos e pedagógicos, bem como reforçar o trabalho de equipa e a entreajuda. A matriz curricular agora implementada implicou uma estratégia de ensino-aprendizagem sustentada num projeto abrangente e agregador, onde realizações profissionais resultassem em evidências de aprendizagem, sempre contextualizadas em critérios de desempenho/avaliação. Os conhecimentos, aptidões e atitudes dos alunos revelam-se aqui como um tridente potenciador da aprendizagem, sendo o expoente de todo o processo de avaliação até atingir as competências desejadas. Com o sucesso atingido na organização das “Jornadas Pedagógicas 2017” do Agrupamento de Escolas Morgado de Mateus, a equipa pedagógica e os alunos comprometeram-se, durante este ano letivo de 2017’2018, a enveredar pelo desenvolvimento de vários projetos em simultâneo. Esta estratégia de grande risco careceu de muita preparação na procura de parcerias. Para além de oito projetos que estão a preparar, distribuídos pelo Museu da Vila Velha, Câmara Municipal de Vila Real, Loja Interativa de Turismo de Vila Real, NaturWaterPark, os alunos já implementaram desde o início do ano letivo “O Dia Internacional do Turismo” (em 2017 com a temática “Turismo Sustentável”), “Apanha de Maçã Solidária” (em parceria com a Greengrape), “Halloween da Morgado 2017”, “Jogos Populares e Tradicionais” (para celebrar o S. Martinho na escola) e a “Entrega Solene dos Diplomas de Mérito” do agrupamento (atividade realizada na Aula Magna da UTAD). E, para não fugir à pergunta inicial, considero que esta experiência de lecionar com a turma do curso profissional Técnico em Animação de Turismo tem sido realmente uma aventura.

se tal fosse possível, em dois mundos mais ou menos estanques, entendendo que à escola cabe a ensinança e à família a educação. Não me surge como inteligível a ideia de que a escola não eduque, nem tão pouco que esta subtraia a família desta equação, não obstante creio que é neste espaço educativo por excelência que muito se pode e deve fazer pela educação. É na escola que se deve educar para o presente, com uma visão de (continua)

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futuro.

Ensino/Educação

Ser professor é, pois, ser educador, é ser criador, é ser formador para o mundo, para a vida, para os valores. Ser professor é tudo isso e muito mais, como sublinhava Platão, na sua obra A República, alertando para a importância do seu papel na formação dos cidadãos. Ora, definir o professor como “ aquele que ensina uma arte, uma ciência, uma língua, etc.; aquele que transmite conhecimentos ou ensinamentos a outrem”, pareceme redutor e, atrevo-me a dizer, castrador do papel social do professor, pelo menos do meu, tal como o entendo e operacionalizo. Ser professor não é ser um debitador, um expositor de conhecimentos, de saberes perfeitos e inquestionáveis, para seres passivos e amorfos. Não é este o cidadão de que o mundo precisa, não é de máquinas que falamos, mas de pessoas concretas, situadas num espaço-tempo, pelo que no seu processo de formação tem que ser proporcionado a este sujeito uma “mistura complexa”, um “mix” que combine conhecimento com paixão, saber com afetos, razão com emoção, liberdade com respeito, poder da palavra com poder de escuta. O professoreducador reconhece ser insuficiente o domínio científico das matérias, ele sabe que precisa dominar a inteligência emocional. A relação professor-aluno quer-se, então, dialógica, feita do confronto de ideias, de debates organizados, de aprendizagens que comprometam e envolvam os aprendizados. Hoje, mais do que nunca, numa era em que tudo corre veloz, onde o tempo parece fugir de nós, onde os homens vivem mais de desencontros do que de encontros, onde falta tempo para nos escutarmos a nós mesmos, a superficialidade da realidade impõe-se-nos como se fosse a essência do ser e do fazer. É, portanto, urgente uma escola atenta, uma escola que não marginalize o essencial, uma escola e professores que formem para a cidadania, que eduquem para os valores, e isto é mais uma questão estratégica do que metodológica. Não há ensino sem educação nem educação sem ensino. O professor ensina, o professor educa. Ensina e educa na sala de aula, ensina e educa nos corredores da escola, ensina e educa na cantina, no bar, na biblioteca, mas ensina e educa também fora das paredes da escola. O professor não é o que é só no interior do recinto escolar; o professor é o sujeito que eu conheço cuja função mais se aproxima da do missionário, no que isso tem de positivo e de negativo, de atraente e de desgastante. Mas se nos recentrarmos no outro elo da questão, no aluno, também ele aprende o saber e aprende a ser e a fazer não só na escola, mas também fora da escola. Alguns chamam a este processo educação informal, eu chamo-lhe educação contínua, porque é disso que se trata, duma educação que se faz

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de forma continuada nos diferentes contextos em que nos movimentamos. É esta problemática que constitui o cerne da minha reflexão e que passa por saber: Quanto aprendem os alunos nas visitas de estudo? Alguns professores, os mais céticos, dirão “nada” ou então ficar-se-ão pelo “muito pouco”; outros considerarão que ainda que aprendam alguma coisa, isso afeta o cumprimento dos programas, ouvindo-se, não raras vezes, “vou perder x aulas com essa visita de estudo…”, o que não deixa de ser preocupante pelo poder atribuído por uns e consentido por outros a uma ideologia de examocracia, sufocadora da criatividade e de aprendizagens para a vida. Alguns encarregados de educação abordam as visitas de estudo como uma recompensa ou uma punição, normalmente associada aos resultados académicos objetivos dos seus educandos. Ora, tal posição é entendível quando esta emana de encarregados de educação que só esperam isso da escola, contudo é discutível porque nem sempre os seus autores são os que cobrem eficazmente o outro lado da moeda, ou seja, a educação, entendida numa versão alargada de educar para ser e para fazer em todos os tempos, mas, particularmente, no século XXI. Regozija-me o facto de ainda haver uns quantos pais e, sobretudo, uns quantos professores que têm uma visão mais aberta e esclarecida desta matéria e que reconhecem as visitas de estudo como espaços de formação e de educação, percebendo e aceitando posições divergentes e a pertinência da sua razão de ser. Sou daquelas que entendem as visitas de estudo como tempos de aprendizagens explícitas e implícitas, como momentos informais de formação e como uma mais-valia para a construção de sujeitos críticos e de espírito aberto à diversidade. É por isso que desde sempre promovi, ajudei a promover, organizei e ajudei a organizar visitas de estudo, pensadas para os alunos e, quase sempre, esquecendo-me de mim e das minhas circunstâncias. É que organizar uma visita de estudo requer trabalho, ocupa muito tempo, implica sair da escola, sair do nosso espaço de conforto, deixar de estar com a família, abdicar de fins de semana, ter a nosso cargo, enquanto promotores duma visita, a responsabilidade por todo um grupo de alunos, significa dormir mal pela preocupação com o amanhã, pela acentuação dos “se…”! São horas, muitas horas…., retiradas de onde? Da componente letiva? Da componente não letiva? A resposta é, inexplicavelmente, de nenhuma delas...!!!


A Selva

Artes Literatura

O que andamos a ler? Inês Taveira, 10ºC

A Selva

“A Selva” é uma obra autobiográfica de Ferreira de Castro. Agustina Bessa-Luís e Albert Camus descrevem este romance, respetivamente, como “obra-prima” e de “estilo sinuoso e sugestivo, com uma vegetação exuberante de termos estranhos e maravilhosos. Livro inesquecível.” José Maria Ferreira de Castro nasceu a 24 de maio de 1898, em Oliveira de Azeméis. Aos 12 anos emigrou para o Brasil, onde chegou a viver em plena selva amazónica. Em 1919, acaba por regressar a Portugal. Dedicou-se ao jornalismo e à escrita. Faleceu a 29 de junho de 1974. Ferreira de Castro é considerado uma das maiores figuras da literatura portuguesa, tendo sido diversas vezes proposto para o prémio Nobel. O autor tem os seus livros editados em mais de dez línguas. “A Selva” tem como personagem central Alberto, embora a Amazónia acabe por ser a figura principal, pois está constantemente a ser referida pelo autor, é nela que se desenrola a ação principal e dá nome ao livro. Alberto é um jovem monárquico que se vê obrigado a emigrar para o Brasil. Em Belém do Pará, Alberto fica sem emprego devido à crise que atravessa a exploração da borracha. O seu tio Macedo, aparentemente seu protetor, não o quis sustentar. Então, falou com o senhor Balbino que arranjou um emprego a Alberto no Seringal Paraíso. O jovem aceita, por orgulho, a solução e ao chegar, fica estupefacto com a beleza da Amazónia. Porém, é aqui que as dificuldades vão aumentar devido à falta de recursos. E é no Seringal que a personagem principal se apercebe de qual é o sentido da vida, é aqui também que Alberto se apaixona pela Dona Yáyá, mulher do patrão, com a qual mantém uma proibida relação amorosa. Em 2003, esta obra foi adaptada para o cinema por Leonel Vieira. Eu gostei imenso do livro, pela forma como retrata a escravatura e o desrespeito pelos direitos humanos, que são temas que despertam bastante o meu interesse. Apreciei também o facto de o autor escrever este romance com uma grande pormenorização. É, sem dúvida, um livro cativante. Recomendo-o vivamente!

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A Selva Artes Literatura

O que andamos a ler?

As Ilhas Desconhecidas Gonçalo Peixoto, 10ºC

O livro é baseado, tal como o subtítulo aponta, em notas tiradas aquando da viagem de Raul Brandão aos Açores e à Madeira. Antes de mais, gostaria de partilhar convosco a “nota prefacial” do autor e que esclarece, de forma concisa, o conteúdo desta obra. “Este livro é feito com notas de viagem, quase sem retoques. Apenas ampliei um ou outro quadro, procurando sempre não tirar a frescura às primeiras impressões. Tinha ouvido a um oficial de marinha que a paisagem do arquipélago valia a do Japão. E talvez valha… Não poder eu pintar com palavras alguns dos sítios mias pitorescos das ilhas, despertando nos leitores o desejo de os verem com os seus próprios olhos!... 1926, R.B.” Esta viagem aos arquipélagos dos Açores e da Madeira ocorre em 1924, a bordo do navio “São Miguel”, e a publicação do livro dá-se dois anos mais tarde, em 1926, tornando-se num dos mais importantes e belos livros de viagem da literatura portuguesa e, ainda hoje, constitui a mais completa homenagem aos arquipélagos atlânticos. Posição crítica Foi a primeira leitura que fiz deste autor e este livro constituiu uma verdadeira surpresa, uma vez que pelo título “Ilhas Desconhecidas” antevia tratar-se de algum pedaço de terra rodeado de água por todos os lados e que descrevesse algo de um mundo fantasmagórico, narrando aventuras alucinantes e, portanto, irreais. Porém, não poderia ter ficado mais surpreendido, uma vez que a obra transportou-me por viagens reais, dando-me a conhecer o arquipélago dos Açores e o da Madeira que, onde nunca estive, mas que me pareceu estar realmente “a ver”. Na realidade, Raul Brandão consegue, através da escrita e das suas descrições, levar-nos para esse espaço em concreto; é como se estivéssemos a percorrer, ao seu lado, esses caminhos, conseguindo ver todas as paisagens magníficas, ouvir as falas das pessoas ou o ruído circundante e cheirar as mesmas flores, a vegetação... Todavia, Raul Brandão é também um escritor

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humanista e, como tal, não deixa aqui de retratar as difíceis condições de vida tanto do povo açoreano, como madeirense. De repente, o autor deixa as suas descrições líricas, de uma beleza indescritível, para dar lugar a descrições cruéis, tal como acontece no capítulo “A Pesca da Baleia”, com cenas de autêntica carnificina. Concluindo, este livro, onde o autor, utilizando uma linguagem acessível mas cuidada, nos deslumbra com descrições belíssimas, obriga-nos, em simultâneo, a refletir nas condições de vida dos habitantes destas ilhas, que lutavam diariamente pela sobrevivência. Ora, esta posição crítica e reflexiva vai ao encontro daquilo que deve ser uma tomada de posição de um aluno do secundário.


Artes Literatura

O que andamos a ler?

Diana Soares, 10ºC

Li recentemente um livro, o qual achei muito interessante: “As Viagens de Gulliver”, de Jonathan Swift. Este livro teve a sua primeira edição em 1726. Inicialmente, foi escrito para crianças, mas, com era muito satírico, os adultos começaram a lê-lo e tornou-se um sucesso mundial, não só para crianças, como para os mais crescidos. Jonathan Swift nasceu em 1667 e morreu em 1745, deixando uma coleção maravilhosa de obras como, por exemplo, “Uma proposta moderna”. O escritor tem um género muito particular, usando a sátira para criticar o homem em geral e a sociedade, e vários autores admiram-no e vão inspirar-se nele, considerando-o, até, o “pai do humor negro”. Este livro é um romance satírico e fantasista e, do meu ponto de vista, é um livro que continua atual, visto que Jonathan Swift era uma pessoa muito “à frente” para a sua época e conseguimos encontrar nesta sua obra muitos problemas que continuam a existir. É um livro que apresenta uma linguagem um pouco difícil de entender, visto que foi escrito há muitos anos, e certas palavras já não são usadas atualmente. O livro inicia com uma pequena apresentação de Gulliver, do seu trabalho e como começou as suas viagens. Na primeira viagem (viagem a Lilliput), Gulliver sofre um naufrágio e quando dá à costa depara-se com um país de criaturas minúsculas em que ele, relativamente a esses seres pequeninos, é um gigante. Acontecem uma série de peripécias em que Gulliver defende e protege os lilliputianos, sendo uma das mais engraçadas o facto de ele ter defendido o país de um ataque de inimigos, ter ocorrido um incêndio no palácio e a personagem tê-lo combatido urinando lá para dentro! Depois de algum tempo de vida em Lilliput, Gulliver pediu autorização ao Rei e voltou para casa, mas não tardou a aventurar-se de novo. Na segunda viagem (viagem a Brobdingnag) o protagonista descobriu um país de gigantes em que ele, comparado com os habitantes, era mais pequeno que um anão. Neste país Gulliver é apanhado por um trabalhador que o leva para sua casa e cuja filha lhe ensina tudo sobre aquele país (o idioma, os costumes…). Um dia, Gulliver é levado a visitar a Rainha e o Rei e estes encantam-se com ele, pagam uma avultada quantia para o poderem conservar na sua companhia, exploram-no, obrigando-o a entreter as pessoas. Só passados dois anos é que Gulliver consegue fugir daquele país, perdendo-se no mar e sendo resgatado por um barco que ia a passar.

As Viagens de Gulliver Na terceira viagem (viagem a Laputa, Balnibarbi, Glubbdubdrib, Luggnagg e ao Japão) Gulliver desembarca num país de matemáticos, músicos e astrónomos, que estavam sempre tão concentrados com os estudos dessas ciências, que se esqueciam das coisas básicas como, por exemplo, de falar. Nestes países tem encontros com cientistas, com fantasmas e com imortais. Gulliver volta então para casa jurando não voltar ao mar. Mas não cumpre a sua promessa e faz uma quarta e última viagem. Nesta última aventura (viagem ao país dos Houyhnhnms) a personagem depara-se com um país onde quem governa são os Houyhnhnms, uma raça de cavalos falantes, e quem o habita são os Yahoos. Neste país, Gulliver começa a imitar o estilo de vida dos habitantes locais, mas é expulso, sendo resgatado por um navio português de volta para casa. Terminam, assim, as viagens de Gulliver. Na minha opinião este livro é muito interessante. Notei o recorrente recurso à sátira para criticar o homem e a sociedade e destaco uma passagem bem ilustrativa deste facto: “…só posso chegar a uma conclusão: a gente da tua raça constitui, no seu conjunto, a espécie mais maligna de odiosos e pequenos insectos que a natureza criou na Terra”. Falando diretamente para o narratário/leitor, o narrador de “As Viagens de Gulliver” afirma ”não quero incomodar o leitor com pormenores”, isto depois de já ter “incomodado” e encantado! Gostava de destacar o facto de este livro já ter sido transposto para o cinema, mas o filme oculta muito do verdadeiro conteúdo do livro, apresentando só a primeira viagem e com poucos pormenores. Termino com uma nota: para se perceber a verdadeira intenção do autor ao escrever este livro, é preciso ter muito espírito de abstração, para conseguir “desvendar” toda a história e descobrir a crítica subjacente ao enredo. Recomendo a todos a leitura deste livro.

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A Selva Artes Reportagem

Arte na mão e fé no coração Gonçalo Martins, 10ºB Octogenário de Cicouro, um talento escondido no ofício da carpintaria, procura na fé o conforto para continuar a arte que José ensinou a Jesus. Cicouro é uma pequena aldeia raiana do concelho de Miranda do Douro. Com cerca de uma centena de habitantes, durante décadas teve na produção de trigo e na criação de bovinos de raça mirandesa a base do sustento para mais de 500 habitantes. Em meados do século passado, a emigração levou mais de metade da população que, até aos dias de hoje, não parou de decrescer. Hoje é uma aldeia envelhecida, como quase todas no interior do país, mas conserva alguns tesouros nas mãos de quem trabalha os ofícios e na fé que ultrapassa todas as barreiras.

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Moisés João é dos poucos resistentes. Aos 82 anos já não pensa sair da pequena aldeia mirandesa, onde nasceu, cresceu e viveu grande parte da vida. Emigrado em França, na década de 1970, regressou à terra natal para continuar o ofício que aprendeu na infância. Recorda que – “Quando andava na escola já tinha paixão pela carpintaria. Certo dia, um pastor da aldeia pediu ao meu pai para eu lhe fazer uma porta. Eu fiz-lhe a porta e o homem ficou muito contente. A partir daí encomendou-me tudo o que precisava: caniças para a palha, carros de vacas e arados. O pastor pagava poucas vezes, mas era um homem justo, era primo do meu avô. Um dia, próximo da romaria da Senhora da Luz, veio pagar-me os trabalhos que já lhe tinha feito. Deu-me 50$00. Ora, naquele


tempo, há setenta anos, 50$00 era muito dinheiro. A partir dessa altura, as pessoas perceberam que eu trabalhava bem a madeira e começaram a pedirme para fazer trabalhos”. O trabalho de carpinteiro não é, agora, uma necessidade de sobrevivência, é uma paixão que realiza os seus sonhos. Sonhar aos 82 anos parece impossível, mas quando nos fala, com orgulho, das obras de arte realizadas, avança, imediatamente, para as que tem em dívida com os seus sonhos, com a sua fé e com Deus: “Já fiz a Última Ceia, Jesus Cristo, a Sagrada Família e agora quero fazer um Presépio”. Quando lhe perguntámos porque razão faz tantas peças religiosas, respondeu: “Deus quando apareceu a Moisés deu-lhe os Dez Mandamentos e recomendou-lhe que não os esquecesse. Então eu para não me esquecer de Deus faço peças religiosas. Para mim, ter a imagem de Deus é como ter a imagem dos meus falecidos pais ou da minha falecida esposa que tanto amo. Tenho razões para ter muita fé em Deus”. Confessa a sua fé com as lágrimas nos olhos e contounos como a fé em Deus o ajudou a curar um cancro na próstata, quando, há dez anos, os médicos lhe tinham dito que, em jeito de despedida, restava-lhe rezar. “Passei a rezar ainda com mais força”. Moisés vê na arte de trabalhar a madeira, com técnicas antigas, um dom que Deus lhe deu. Por isso, sente-se na obrigação de fazer trabalhos para as igrejas sem compensação financeira: “Há uns anos o padre Marques pediu-me para fazer uma coluna para um círio pascal, aí para a Póvoa (aldeia do concelho de Miranda do Douro). Os da Póvoa quando viram a obra gostaram muito e queriam-me pagar, mas eu não quis dinheiro e respondi-lhes: Deus deu-me esta graça, este dom, sem eu lhe pedir, então para Deus faço o trabalho quando eu quiser. Outra vez, os de Pena Branca (aldeia do concelho de Miranda do Douro), precisavam de um ambão para uma capela, mas não tinham dinheiro. Eu fiz-lhes o ambão. Quiseram agradecer-me, mas eu disse-lhes: não precisais de agradecer, eu só quero o agradecimento de Deus.” A arte e a fé, escondidas na pequena aldeia de Cicouro, amparam a caminhada do Bispo de Bragança D. José Cordeiro que deixou na caixa o seu báculo tão pesado quanto caro, para passar a usar o báculo que Moisés lhe fez, mais uma vez a pedido do padre Marques: (…) “fiz o báculo do D. José Cordeiro, o que tinha era muito pesado e eu fiz-lhe um de choupo, mais leve, para ele andar mais à vontade. Um dia fui à missa a Miranda do Douro e ele agradeceu-me perante toda a gente que estava na missa.” Moisés não aprendeu apenas a arte de trabalhar

a madeira na perfeição. Também aprendeu a escrever. Há 70 anos os filhos dos lavradores pobres não seguiam a carreira das letras, no entanto, até hoje, preza muito a caligrafia que aprendeu com a professora primária, e mantém o gosto pela escrita: “Naquela altura os professores preocupavam-se muito com a caligrafia dos alunos. Quando a professora ditava a lição, depois corrigia os erros e via quem tinha melhor caligrafia. Eu tinha boa caligrafia e quase não dava erros”. Moisés João continua, com uma fé inabalável, a lavrar a madeira com a graça e o dom que Deus lhe deu. Quantos altares, santos, portas com e sem postigo, carros de vacas e de mulas … Um dia, Moisés irá partir na esperança de realizar o seu último sonho, reencontrar-se com os seus pais, com a sua esposa que tanto ama e com Deus que o acompanha todos os dias na sua arte. Caniças: regionalismo que se refere às vedações de madeira que se colocavam nos carros de vacas e de mulas para segurar a palha. Postigo: Janela pequena.

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Reflexões

O que é o amor? Maria Rita Azevedo, 8ºE

É difícil descrever algo que tem tantos significados, que abrange tanta coisa! Diria que é o amor que guia tudo, quer seja amor pelo poder, quer pelo dinheiro ou da pessoa por si mesma. O amor tem sempre influência nas nossas vidas. Mas o que é, em concreto? Amor é o que sentimos por “aquele alguém” especial. Amor é falar com as plantas para que elas cresçam. É acordar sem energia mas mesmo assim ir à luta para pôr comida na mesa para a família. É chegar a casa, depois de um dia cansativo, e ter a refeição preferida já pronta. É olhar ao espelho e sorrir. Amor é fazer festas ao animal de estimação. É ensinar os netos a ler. São as caras sorridentes dos amigos. Amor é sacrificar-se por algo ou alguém maior que nós. O Amor é a cura do Mundo. O Amor, somos nós. Texto realizado no âmbito da disciplina de EMRC,

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Céu de inferno Ana Beatriz Alves, 12ºC Hoje acordo e só vejo negro. Vejo um céu refletor de desgraça, vejo um céu que reflete injustiça, vejo um céu sem sol, sem lua, sem estrelas, vejo um céu sem esperança no futuro, um céu feito de lágrimas, um céu refletor de horror, de tormento, de morte. Acordo, mas não quero olhar para o que tenho de ver. Acordo e não quero acreditar no que está acontecer. Acordo e quero voltar a adormecer. Olho para o inferno, olho para o fim do mundo, olho para a arrogância, para o desespero, para o ódio, olho para a tristeza, para a destruição, para o fumo negro que cheira a morte. Quero fazer algo, quero fazer o fumo desaparecer, quero devolver a esperança, quero ajudar, quero pôr o mundo a rir mas por dentro estou a chorar. Talvez chore porque sou fraca ou apenas porque tenho sentimentos. “Enterram-se os mortos e tratam-se os vivos”; o que eles não sabem é que os vivos vivem na presença e na memória dos mortos, porque não era suposto partirem, não assim, não desta maneira, não agora. O fogo foi a salvação de muitos homens, foi a sua primeira criação e foi e é ferramenta de guerra, de cozinha, de aquecimento, de proteção…,mas agora, agora quero que não haja fogo, agora só quero que ele vá para outro universo, que se transforme em água, que vá para o inferno, porque agora, agora é sinal de destruição.


Liberdade e A importância do bem falar em poder paternal público Rafaela Pardal, 11ºA É tão importante ter uma opinião própria como dar-lhe voz e saber exprimi-la. Para ser um bom orador, para além das certezas acerca do assunto que se irá desenvolver, é também necessário existir interação com o público no sentido de captar a sua atenção. Nos dias de hoje, somos todos cidadãos do mundo e devemos, por isso, ser uma voz ativa na sociedade. Nesse sentido, é necessário saber falar para um grupo de pessoas, uma turma, uma plateia, um auditório. Para o discurso ser ouvido, interiorizado, percebido, e para que cumpra o seu objetivo, é necessário ser proferido de uma forma correta e confiante. Muitas vezes a palavra muda completamente uma mentalidade ou uma ideia, daí ser importante dar-lhe um bom uso. Visto que nas sociedades os discursos voltados para grandes auditórios têm sempre elevada importância e destaque, é nessas situações que é mais visível a importância do bem falar. Concluindo, saber falar e causar impacto nas pessoas e nos seus pensamentos muda o mundo, a palavra é o motor da humanidade.

Bruna Xavier, 11ºA

Atualmente, a submissão total é menos vulgar do que antigamente. No entanto, há regras que os filhos têm de cumprir e que põem em causa a sua liberdade. O poder paternal deve existir, pois, por um lado, é sinal de preocupação e carinho por parte dos pais, mas não deve, de maneira nenhuma, interferir com as atitudes, liberdades, ideias e opiniões dos filhos, como no caso de Teresa de Albuquerque, personagem da novela camiliana Amor de Perdição. Os tempos mudaram, agora os casamentos encomendados são raros e existe uma liberdade quase garantida, no nosso país, na procura de um parceiro, dado que todos os seres têm os mesmos direitos. Existem muitos países onde a luta pela igualdade de género, opinião, raça ou cor é constante e onde, principalmente as mulheres, ainda são vítimas de discriminação. Na minha opinião, o direito à liberdade deve ser universal, no entanto, deve ser uma liberdade moderada, de modo a evitar que cada pessoa ache que pode fazer tudo o que lhe apeteça. Deve existir igualdade entre todos, mas, acima disso, deve existir respeito por quem nos rodeia e pelos seus sentimentos.

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Reflexões

FALTA FOTO ALUNO

A razão aos olhos dos humanos Fábio Dinis, 11ºA

Dentro de todas as características de uma pessoa, a razão merece claramente o título de guia da consciência humana. Graças a ela, a nossa civilização conheceu progressos inquestionáveis. Contudo, dependendo do uso que dela se fizer, também pode criar muitos problemas. Quando trabalhada devidamente desde a infância, a razão ajuda-nos a crescer e a tomar as melhores decisões ao logo da nossa vida, mostrando-nos o certo e o errado, aquilo que devemos fazer e evitar, construindo assim o caminho para a realização dos nossos sonhos. Porém, a razão também pode ser usada como uma arma de destruição. Um exemplo bem elucidativo do seu mau uso é o terrorismo. As grandes estratégias de ataques terroristas baseiam-se no facto de os chamados “terroristas” estarem a fazer o que para eles é o mais correto, ou seja, estarem a cumprir aquilo que lhes foi transmitido e “implantado” desde a infância. Deste modo, podemos concluir que a razão é o fio de ligação que controla a vida de cada pessoa individualmente, bem como o próprio futuro da humanidade, e que, se for usada com base naquilo que é certo, ou seja, o respeito pela dignidade do ser humano, só conduzirá ao desenvolvimento e à prosperidade.

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Direitos Humanos Miguel Carvalho, 11ºA

Nas últimas décadas, a mentalidade humana tem evoluído muito no que toca ao respeito por todas as pessoas, independentemente da sua raça, religião, opinião política, origem e fortuna, tendo-se verificado uma considerável diminuição no extermínio de pequenos grupos pertencentes a outras raças ou religiões e nos casos registados de racismo. No entanto, a humanidade ainda está muito longe de atingir o respeito total por todas as pessoas e de salvaguardar os Direitos Humanos de mais de 7,5 mil milhões de pessoas. Na minha opinião, estes direitos têm que ser salvaguardados para todas as pessoas o mais rapidamente possível, e, para isso, os povos vítimas de brutais extermínios devem recusar qualquer tipo de submissão, revoltando-se, lutando para derrubar governos corruptos que assistem à usurpação de direitos sem nada fazerem e, por vezes, concordando com este desrespeito ou, mesmo, promovendo-o. Acho que ninguém deve sofrer com paciência e todos devemos lutar com heroísmo, pois foi graças a “heróis” inconformados que muitas populações melhoraram as suas vidas. Concluindo, ninguém se deve submeter a outrem, caso contrário os dominadores cada vez mais desrespeitarão as populações. Todos devemos lutar por um mundo em que todos possamos viver respeitados.


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Nós, os criativos

E o povo tratado como excremento E eu lamento Que nada mudou com o tempo Que eu contemplo Um estádio Um templo Um museu E não há dinheiro para sustentar um rebento E eu lamento Que o povo corra Contra o vento E eu lamento Que o povo morra Sem tempo De expressar O que lhe vai por dentro Essa vontade Que mata em tom de cinzento

A Vida

Andreia Carvalho, 11ºA A Vida Caminhando pela relva, sentindo o vento no rosto, tentando me livrar de mais um desgosto.

Meros mortais, que vivem na luz do criador, nem sempre felizes, tentando evitar a dor.

Nós, de vida finita, que caminhamos por prazer, seres pensantes, mas errantes que não há como prender.

No fundo, há que aproveitar, a vida são dois dias, não há espaço para falhar.

Memorial Do Pres(id)ente João Pedro Faria, 12ºB

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El Rei: “Proclamo que seja inaugurado num Domingo Em que celebre os anos. Bingo! Para esses franciscanos que eu vingo Pela minha filha ao mundo ter vindo.” El Rei com tanto E o povo só com um manto Enquanto o rei vive num encanto O povo vive Rodeado de amianto E entretanto Para meu espanto Entre tanto Nada mudou portanto E no entanto Eu visto esse manto Vou para o meu recanto Viro santo E canto Hoje eu sou 7 sóis e 7 luas Que eu vejo as vossas almas nuas Essas almas cruas Que enchem de crueldade as ruas Não saques vontades que não são tuas Se achas que isto foi feito sem jeito Olha que eu fiz isto por defeito Enquanto tu vais ao faz-tudo e ao bazar Eu escrevo com a mão de Baltazar

Mortos Assados Fundidos Roubados Arrastados A Europa viu o luxo do Rei dos bastardos Mafra viu o lixo dos massacrados

Esta é a minha guerra Onde eu perdi a mão Eu ganhei um gancho E hoje deito por terra Qualquer um de D. João A D. Sancho

Empilhados como judeus Tudo porque Rei ouviu Deus E surge o convento Urge o tempo Ruge o vento

E hoje eu recorro à poesia Para expressar a minha azia Neste caderno faço magia Que hoje sinto-me mago Inspirado por Saramago.


À maneira dos trova- Informações, para recordar dores medievais João Barbosa, 10ºA

Ana Anastácio, Ana Mourão, Carolina Viamonte e Eloísa Domingues, 10ºB Delicadas flores, tenho andado a pensar por onde andará meu amigo, a navegar? Flores delicadas, tenho andado a cogitar por onde andará meu amigo, a navegar? Tenho andado a pensar, se o mar não nos vai separar por onde andará meu amigo, a navegar? Tenho andado a cogitar, se o mar não nos vai afastar por onde andará meu amigo, a navegar? Se o mar não nos vai separar, delicadas flores por onde andará meu amigo, a navegar?

A poesia trovadoresca é um tipo de poesia que era transmitida pelos trovadores e jograis. Esta poesia era normalmente acompanhada de música, isto é, era cantada. Teve o seu auge na Idade Média. A poesia trovadoresca tem três géneros: as cantigas de amigo, as cantigas de amor e as cantigas de escárnio e maldizer. Nas cantigas de amigo o sujeito poético é uma donzela que fala com a mãe, com as amigas ou com a Natureza acerca das saudades que sente pelo seu amado e no seu desejo do regresso dele. Nas cantigas de amor, pelo contrário, o sujeito poético é um cavaleiro que tenta encantar uma dama, mesmo sabendo que isso é um feito inalcançável, pois os estratos sociais, e a condição de mulher casada da “senhor”, não o permitiam. Nas cantigas de escárnio e maldizer existe uma crítica por parte do sujeito poético. A ironia é um recurso muito utilizado. Este último género é o meu favorito porque a maneira como a crítica é feita e o uso pontual do calão criam um cómico de linguagem. A poesia trovadoresca é uma das bases da nossa literatura e é tão importante estudá-la como, por exemplo, estudar a 2ª Guerra Mundial, pois ambos os casos são História. Na minha opinião, a poesia trovadoresca tem cantigas lindíssimas e é através deste estudo que esta forma de literatura é transmitida através dos tempos.

Cartaz Duarte Nunes, Gonçalo Peixoto e Iara Carreira, 10ºC

Se o mar não nos vai afastar flores delicadas por onde andará meu amigo, a navegar?

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Nós, os criativos

Lugar à imaginação… Sem vocês o natal estaria perdido

Inês Brandão Gonçalves, 7ºH Há cerca de um ano, naquela época especial que reúne a família e que nos preenche profundamente de alegria e amor, aconteceu uma coisa estranhamente invulgar. Depois de jantarmos, a minha irmã, os meus primos e eu, estávamos a ver televisão e a conversar sobre o que gostaríamos de receber, até que os nossos pais nos interromperam dizendo: - Vamos passear um bocadinho enquanto o Pai Natal não chega. Querem vir? Fizemos sinais uns para os outros e acabamos por concordar que devíamos ficar em casa, até porque nunca se sabe se o Pai Natal chega mais cedo do que o habitual. Estava uma noite fria e com muita neve, mas também muito iluminada, pois o céu estava repleto de estrelas. Os nossos pais nunca mais chegavam e começamos a ficar preocupados. - Os pais estão a demorar muito, será que está tudo bem? - perguntava a minha irmã quase em pânico. - Está tudo bem, devem estar a conversar com o Pai Natal! - dizia eu tentando entusiasmá-la, afinal era Natal! Para piorar tudo, subitamente alguém bateu à porta com tanta força que a casa estremeceu. Por momentos pensamos que fossem os nossos pais, mas lembramonos de que eles tinham chave. A minha irmã e a minha prima esconderam-se logo, o meu primo e eu, como mais velhos, fomos espreitar à janela e nem imaginam aquilo que vimos: o Pai Natal tinha-se despenhado! Corremos para ajudar no que podíamos: abrigamos as renas e demos a ceia ao Pai Natal. Felizmente não

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se tinha magoado, mas sabíamos que no fundo morria de desilusão e desespero. Para não deixar que o espírito de Natal esmorecesse, os quatro combinamos uma surpresa, enquanto a minha irmã e a minha prima tentavam animar o Pai Natal, eu e o meu primo tentávamos arranjar o trenó, que estava muito partido. Não foi fácil, mas lá conseguimos arranjar o trenó e, muito honestamente, até ficou mais giro. Prendemos as renas ao trenó, pois já tinham recuperado as forças, e pusemos uma venda nos olhos do Pai Natal, para que fosse apanhado desprevenido. Quando tiramos a venda, este quase começou a chorar de alegria e, claro, não parou de agradecer por tudo o que tínhamos feito. Estávamos muito felizes e orgulhosos, mas, antes de ir embora o Pai Natal disse algo que nos marcou muito: - Obrigado por salvarem o Natal, sem vocês crianças de todo o mundo deixariam de acreditar em mim e a época natalícia desapareceria para sempre. Muito obrigado e boas festas! - dito isto, desapareceu no céu. Pouco tempo depois, os nossos pais chegaram e repararam que estávamos mais cansados do que o habitual. Questionaram-nos sobre tudo, queriam saber cada pormenor, mas quando perguntamos porque tinham demorado tanto, disseram-nos apenas que ficaram presos na neve. Fomos dormir, pois, tivemos uma noite muito trabalhosa. No dia seguinte, mal acordamos, fomos para perto da árvore de Natal e lá estavam os presentes, mas, o que chamou realmente a atenção foi um postal vermelho e pequeno, que estava precisamente no meio do pinheiro e que com letras grandes e douradas dizia: “Sem vocês o Natal estaria perdido! Muito obrigado!” Posso assegurar que foi o Natal mais cansativo de sempre, mas também o mais especial e emocionante até hoje.


Gagá: Oh… Já tive vários trabalhos. Mas o pior de todos foi na minha infância, quando fiz de chão de casa de banho.

Lugar à imaginação… Entrevistas fictícias!

Rochas da Ciência: Chão de casa de banho?! Porque é que foi assim tão mau? Gagá: Por muitos motivos: os rapazes não tinham pontaria nenhuma, as empregadas raramente me limpavam e quando o faziam deixavam-me pior do que já estava. Enfim… uma experiência a não repetir! Rochas da Ciência: Gosta do que faz atualmente? Gagá: Sim, adoro! As crianças são o futuro da humanidade e fico muito orgulhosa em mostrar-lhes como sou.

Entrevista à Dona Gagá, a rocha gnaisse Mariana Alves e Rita Mourão, 8ºC Rochas da Ciência entrevistou Gagá, a rocha gnaisse, pela falta de conhecimento da população sobre a importância das rochas. Criada no interior da Terra, Gagá levou uma vida longa e acalorada. Na sua infância trabalhou como chão de uma casa de banho e atualmente faz apresentações nas aulas de Ciências Naturais, por várias escolas. Já foi um pequeno granito, originado em gnaisse que por um milagre veio à superfície. Rochas da Ciência: Bom dia! Como foi crescer no interior da Terra? Gagá: Bom dia! Foi no manto da Terra que eu nasci, logo, foi um pouco quente, doloroso. Rochas da Ciência: Sabemos que é descendente do Loyos, a rocha granito. Têm ambos os mesmos componentes? Gagá: Sim. Somos ambos constituídos por quartzo, feldspato e mica preta. Rochas da Ciência: Que trabalhos desempenhou ao longo da sua vida?

Rochas da Ciência: Ainda mantém contacto com os seus amigos mais antigos? Gagá: Sou sincera, tenho viajado bastante e conhecido novas rochas, deixando, por assim dizer, os meus amigos para trás. Rochas da Ciência: Tem visitado que localidades? Gagá: Já fui a Aveiro, onde conheci a minha amiga Apola, a rocha sedimentar. Fui a Lisboa visitar o Tico, uma das poucas rochas vulcânicas que eu conhecia. Entre outros locais. Rochas da Ciência: Qual é a sua opinião em relação à formação dos seres vivos? Gagá: Nunca contei isto a ninguém: eu presenciei a formação dos seres vivos e quase todas as teorias erram.

Rochas da Ciência: Conte-nos tudo! Como foi presenciar uma situação assim? Gagá: Foi fantástico! Há cerca de três milhões de anos atrás, chegou à Terra um raio luminoso vindo do nada. Depois apareceram diversos seres vivos, mas muito diferentes dos que conhecemos hoje. Rochas da Ciência: Obrigada por esta entrevista, espero que se repita! Gagá: Obrigada eu, espero voltar!

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Nós, os criativos

bom dia! Como está, Sr. Pai Natal? PN (Pai Natal ) - Estou bem, muito obrigado! DNPN - Como foi crescer rodeado de neve e frio?

Lugar à imaginação… Entrevistas fictícias! Entrevista Meu querido Pai Natal Inês Feliciano e Lara Ferreira, 8ºC Nicolau, conhecido por Pai Natal, nasceu na Finlândia, numa região chamada Lapónia. Viveu desde sempre rodeado de neve renas e muita magia. Mas, um dia que parecia ser como os outros, o feiticeiro da aldeia deu-lhe o dom da imortalidade, tornando-se, até aos dias de hoje, importante para todos nós! Nós escolhemos entrevistar o Pai Natal, por altura da época natalícia, pois esta figura fictícia sempre nos acompanhou desde a infância. Diário de Notícias do Polo Norte (DNPN) Antes de mais,

PN - Foi maravilhoso, pois desde que me lembro da minha infância, das brincadeiras na neve com os meus amigos, o frio nunca me incomodou pois, com tanta emoção, nem o sentia. DNPN - Em criança já tinha consciência do que queria fazer?

DNPN - Como é que o senhor se tornou imortal?

(...)

PN - Foi já há muito tempo, mas lembro-me desse momento como se fosse ontem. Estava eu doente e a minha mãe foi ter com o feiticeiro/curandeiro para buscar um remédio mas, sem querer, o feiticeiro deu-lhe a poção errada e foi nesse dia que me tornei imortal. DNPN - Como é que soube que se tornou imortal? PN -Já sabia que ia perguntar isso! Foi fácil de descobrir porque, após ingerir a poção, começaram a sair raios de luz da minha barriga e como nunca me tinha acontecido nada igual, fui ter com o feiticeiro e, logo aí, demos conta que tinha havido uma troca de poções e eu tinha bebido a poção errada. T i n h a bebido a poção da imortalidade!!! DNPN - Como é que resolveu esse problema? PN - No início foi complicado, porque eu não queria a imortalidade,

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mas depois de refletir sobre os seus benefícios cheguei à conclusão que queria ajudar as crianças de todo o mundo e fazê-las felizes. DNPN -Qual foi a solução que arranjou para poder ajudar todas as crianças do mundo?

Desafia a tua criatividade!

PN - Construí uma fábrica de presentes e depois, como tinha de arranjar muitos ajudantes, fui à floresta mágica procurar duendes e, como eles também gostam das pessoas, aceitaram logo a minha oferta. DNPN - Quando distribuiu o primeiro presente, como se sentiu? PN - Foi uma sensação ótima, ver a felicidade daquela criança ao receber os presentes. Não consigo explicar! Foi simplesmente incrível. DNPN - Como consegue distribuir, numa só noite, presentes a todas as crianças do mundo? PN - É muita magia junta, é sempre uma corrida enorme para chegar a tempo a todas as casas, mas no final sintome como novo, sinto-me feliz e agradecido por tudo. DNPN - Muito obrigado Pai Natal por nos ter contado a sua história!! PN - Obrigado eu! E um Feliz Natal para todos! OH!OH! OH!

Refletido no Douro João Barbosa, 10ºA O Sol põe-se. Muito devagar vai-se desligando a luz do dia para dar lugar à joia da noite. Eu observo este processo. A gigante bola de fogo a esconder-se atrás das vinhas do Douro. O Douro, este enorme rio que corta a paisagem constituída por montes “industrializados” e que, por sua vez, é cortado por grandes extensões de muros de xisto e betão. Absorvido neste fabuloso espetáculo, não presto atenção à minha mãe que me chama pela quarta vez. Está na hora de jantar.

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Sabia que?

A tua cidade - Vila Real

Otília Duarte Vila Real foi elevada à categoria de cidade em 1925. Em 1894 entrou em funcionamento, no rio Corgo, a primeira central hidroelétrica de serviço público do país. Em 1902 apareceu o primeiro carro em Vila Real. Vila Real é uma das cidades portuguesas com mais tradições no desporto automóvel. Realiza corridas desde 1931, embora com algumas interrupções. Possui um dos mais belos circuitos urbanos europeus. O barro preto de Bisalhães é Património Cultural Imaterial da Unesco desde março de 2015. A Confraria do Covilhete foi criada no dia 20 de julho de 2015. A Sogrape foi eleita a melhor produtora vinícola pela a World Association of Writers and Journalists of Wines and Spirits, em 2016. É a maior exportadora portuguesa de vinhos. Exporta para 120 países. O Palácio de Mateus a, 25 de outubro de 2017, atingiu o recorde de visitantes, 100 000. A Universidade de Trás-os,-Montes e Alto tem um papel relevante no desenvolvimento da cidade e da região.

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Nádia Lopes, 11ºB

Gallicismes Un gallicisme est un emprunt fait à la langue française par une autre langue. En portugais il y en a beaucoup. Quelques exemples :

Le français dans le monde

baguete (baguette) champanhe (champagne)

Le français est la langue étrangère la plus apprise

crepe (crêpe)

après l'anglais. Le français est langue maternelle principale-

croissant

ment en France, en Belgique, à Monaco, au Luxembourg

omelete (omelette)

(où il est l’une des trois langues officielles du pays), et en

batom (bâton)

Suisse (le français est l’une des quatre langues officielles de

chique (chic)

la Suisse). Une partie des nations utilisant cette langue est

crochê (crochet)

regroupée au sein de la «francophonie».

Passe-temps Trouver les pays francophones: France; Belgique; Suisse; Luxembourg; Monaco.

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Ilustração: http://data0.eklablog.fr/formation/perso/monde%204%20francophonie.png

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Revista PorquLê, Nº4, abril 2018  

Revista do Agrupamento de Escolas Morgado de Mateus, Vila Real, Portugal. Equipa editorial: Manuela Leal, Maria Manuel Carvalhais. Design: J...

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