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Título: Poesia trovadoresca. Poetas contemporâneos

Seleção: Madalena Toscano Desenho gráfico: Isabel Bernardo Edição: Biblioteca Escolar Clara Póvoa Agrupamento de Escolas Lima-de-Faria, Cantanhede, 2018

Alunos das turmas do 10.º ano de Línguas e Humanidades e de Ciências Sociais e Económicas foram desafiados pela sua professora de Português, Madalena Toscano, a escrever poemas segundo o estilo da poesia trovadoresca nas suas diversas vertentes: cantigas de amigo, de amor, de maldizer e de escárnio.

Neste livro disponibilizados alguns dos melhores poemas produzidos pelos alunos.


Sumário: I—Cantigas de amigo

O amor que não foi esquecido

A parca da Juliana Ana Rolo, Rodrigo Azenha e Rodrigo Varanda

Bernardo Rocha, Duarte Silva, João Preguiça e João Balancho

O meu amado emigrou Érica Matias, Leonor Julião, Mariana Cruz e Matilde Teixeira

IV —Cantigas de escárnio Geração virtual João Pedro Soares, Carolina Silva e Luís Santos

II —Cantiga de amor

Ó político!

A mnha senhor

Abigail Lopo, Catarina Guímaro, Leonardo Silva

Alexander Nunes, André Rosete, Elisa Cordones e Júlia Francisco

Dona rica III—Cantigas de maldizer Donald Trump, foste à Eslovénia Ana Rocha, Ana Rita e Guilherme Amaro

Bruno Moreira, João Negrão, Samuel Sargaço


CANTIGAS DE AMIGO


O amor que não foi esquecido O adeus nunca foi dito,

É grande a saudade que sinto,

mas na minha mente, meu amigo,

e em tempos perdi a fé,

vai ficar o veredicto:

mas no coração sei o que pressinto:

este amor que foi vivido

este amor que foi vivido

não poderá ser esquecido.

não poderá ser esquecido.

Apesar da enorme distância,

Agora que te perdi, meu amigo,

estarei aqui eternamente, meu amado,

não faz sentido continuar aqui,

pois o meu amor não perdeu importância:

mas agradeço tudo o que contigo vivi:

este amor que foi vivido

este amor que foi vivido

não poderá ser esquecido.


O meu amado emigrou

O meu amado emigrou

E eu estou aqui à nora

e aqui estou eu perdida.

no meio deste areal imenso.

Ai, que saudade, minha amiga!

Ai, que saudade, minha amiga!

O meu amado foi-se embora

No meio desta praia perdida,

e eu estou aqui à nora.

tudo é escuro como a minha alma.

Ai, que saudade, minha amiga!

Ai, que saudade, minha amiga!

E aqui estou eu perdida

No meio deste areal imenso,

no meio desta praia deserta.

o mar é testemunha da minha tristeza.

Ai, que saudade, minha amiga!

Ai, que saudade, minha amiga!


CANTIGA DE AMOR


A mha senhor

A mha senhor é a mais bela e formosa,

A mha amada é inteligente e bem talhada,

mais bonita que qualquer rosa.

muito independente, porém, casada.

Desde que a vi,

É uma mulher de bem comprida,

senti que era para mim.

portanto mha preferida.

A mha senhor é trabalhadora e despachada

Para tudo isto confirmar, basta para ela

e, além disso, muito dedicada.

olhar.

A mha senhor não precisa da aprovação de

É esta a linda mulher que eu quero aqui

ninguém,

louvar.

pois sozinha passa bem.


CANTIGAS DE MALDIZER


Donald Trump, foste à Eslovénia Donald Trump, foste à Eslovénia

Andas com ela de arrastão,

e lá achaste Dona Melania,

já perdeste a paixão.

mas como parecias uma melancia,

Entretanto, ela ganhou fama

ela não te queria.

e agora já não te ama.

Mal ela viu a tua carteira,

Com tanta intriga,

acabou com a sua carreira.

até pareces um novelo.

Hoje, já não morres de amor

Cuida melhor da tua imagem,

e tweets começaste a compor.

a começar pelo cabelo.

Disseste-lhe que seria primeira dama, mas agora já está cansada de tanto drama. A Miss Obama fazia melhor papel e pelo menos era fiel.


A parva da Juliana A parva da Juliana,

Sebastião, vendo a mensagem,

apaixonou-se pelo Sebastião,

ficou muito desiludido,

mas, má pessoa como ela é,

pois não esperava tamanha traição

traiu-o com o João.

com o seu melhor amigo.

A Juliana, traidora como é,

Sebastião, sentindo-se traído,

tinha um amor por cada dedo,

com a parva da Juliana decidiu falar.

do Sebastião só queria o dinheiro,

Então, cansado daquela situação,

mantendo tudo em segredo.

O namoro decidiu acabar.

Em casa do Sebastião, a Juliana recebeu uma notificação. Era uma mensagem de alguém com o nome “Amorzão”.


CANTIGAS DE ESCÁRNIO


Geração Virtual Miúdas bastante magras,

Só pensando na Internet,

sentadas à beira de um rio,

estas miúdas andam todas a leste.

sem grandes preocupações,

Quando envelhecerem,

azeiteiras descrições metem na sua bio.

lá se vão as chamas do snapchat.

Fotos no Instagram, todas ousadas,

Geração Virtual, ancorada no narcisismo,

ostentam a sua pose.

prisioneira das redes sociais,

Depois, postam no twitter

mergulhada no sedentarismo.

que foram abusadas.

Ó presa fácil dos novos mundos virtuais!

Todo o dia com o snap muito preocupadas, com medo de perder as chamas, ficam todas transtornadas, no fundo, não passam de miúdas mimadas.


Ó político! Como outros políticos,

Numa cela dessas também eu sobrevivia,

tiraste o curso pela net, e ainda achas que contigo

não sabia que já havia prisões para gente com a mania.

ninguém se mete.

Pequeno-almoço, almoço, jantar, tudo gratuito, só te faltam umas asas que te tirem deste circuito.

No mundo da política, ninguém é bom para ti, julgas ser o melhor,

só se for a trazer o FMI. Obrigas todos os pobres a dívida do estado a pagar, quando todo o seu dinheiro

tu vais é lavar. Não tendo o que comer, o povo rouba pão, mas logo as forças da ordem prontas a intervir estão. Tu, por outro lado, roubas milhões e ainda te dão luxuosas pensões.

Pelo menos, aí, tens tempo para os teus livros escrever,

pena é que ninguém os queira ler. Para aprender contigo, só se for a roubar, pois das trapaças portuguesas já se ouve falar. Como remate final,

o povo português vai cantar e, com uma nova canção, toda a gente volta a acreditar.


Dona rica Ó dona rica, quando vês uma pessoa

Dona rica, que pensas amigas ter,

necessitada,

mas se delas vieres a precisar,

finges, em frente dos outros, ajudar,

vais ver que o dinheiro não te irá ajudar.

mas, depois, passas ao lado sem para trás olhar.

Passas pelos outros e desatas a rir,

Passas na rua e desatas a rir,

pode ser que um dia sejas tu a pedir.

pode ser que um dia sejas tu a pedir.

Ai dona rica, que tudo finges ter, finges ter amor e altruísta ser, quando, no fundo, nada tens a valer. Passas na rua e desatas a rir, pode ser que um dia sejas tu a pedir.


Poesia trovadoresca. Poetas contemporâneos  

Alunos das turmas do 10.º ano de Línguas e Humanidades e de Ciências Sociais e Económicas foram desafiados pela sua professora de Português,...

Poesia trovadoresca. Poetas contemporâneos  

Alunos das turmas do 10.º ano de Línguas e Humanidades e de Ciências Sociais e Económicas foram desafiados pela sua professora de Português,...

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