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Ano 4 • Número 154

R$ 2,00 São Paulo • De 9 a 15 de fevereiro de 2006

Ministro faz o jogo da Rede Globo Daniel Cassol

Hélio Costa, das Comunicações, defende TV digital antidemocrática; sociedade civil quer aprofundar debate

Em São Gabriel (RS), povos indígenas e trabalhadores rurais comemoram os 250 anos do martírio do líder guarani Sepé Tiaraju

E

Um milhão nas ruas em apoio a Hugo Chávez

Namas

Sepé Tiaraju, símbolo de resistência

mbora o debate sobre a implementação do sistema de TV digital no país tenha sido incipiente, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, não só já fez sua escolha como tenta impô-la ao restante da sociedade. Essa é a opinião de vários especialistas envolvidos na discussão. Gustavo Gindre, coordenador do Instituto de Estudos e Projetos em Comunicação e Cultura, avalia que Costa atropela e reduz o tema para apressar a escolha pelo modelo japonês e favorecer os interesses da maior rede de televisão do país: a TV Globo. O deputado federal Walter Pinheiro (PTBA) afirma que o debate sobre a TV digital é, antes de tudo, político, e sua essência está na possibilidade de se efetivar políticas de democratização dos meios de comunicação no país. Gindre acredita que a estratégia é sensibilizar a sociedade para a importância da questão e buscar apoio de parlamentares para “puxar o freio de mão e fazer o debate”. Pág. 3

Em São Gabriel (RS), de 4 a 7, cerca de quatro mil indígenas, jovens e trabalhadores do campo e da cidade comemoram os 250 anos do martírio de Sepé Tiaraju e de 1.550 guarani assassinados em Sete Povos das Missões. Eles resgatam o exemplo de Sepé como símbolo de resistência popular e denunciam a invasão do agronegócio nas terras indígenas e quilombolas, a falta de reforma agrária e o aumento do desemprego entre os jovens. Pág. 8

Mais de um milhão de pessoas marcharam, no dia 4, por Caracas, Venezuela. Foi a comemoração dos 16 anos da levante militar comandado pelo presidente Hugo Chávez. Pouco antes da manifestação, um militar estadunidense foi expulso do país acusado de espionagem. “Os EUA fomentam clima de instabilidade para ver se, em algum momento, organismos internacionais possam intervir no país”, analisa Vladimir Acosta, sociólogo venezuelano. Pág. 9

Juiz criminaliza camponeses que lutam por terra

A nova forma zapatista de fazer política

O “crime” dos cinco sem-terra que tiveram prisão decretada, em Pernambuco, foi participar, em 2005, de manifestação pela desapropriação da Usina Estreliana, avaliada como improdutiva, e protestar contra o cancelamento da imissão de posse da terra. Pág. 4

Mais diálogo com todo o povo mexicano – não só os indígenas – e formação de uma frente anticapitalista de esquerda. Esses são os eixos da Outra Campanha, proposta defendida pelos zapatistas, que percorrem o México para construir a nova articulação. Pág. 11

ECONOMIA – Estudo do Dieese desmente argumentos usados pela mídia comercial, por analistas do mercado financeiro e pela equipe econômica do governo para barrar a correção do salário mínimo. Pág. 7 FÓRUM – Em reunião com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, movimentos sociais discutem alianças para aprofundar integração da América Latina. Pág. 10

Câmara aprova mais recursos para educação Um primeiro passo para se garantir mais recursos para a educação foi dado no dia 2, com a aprovação, pela Câmara dos Deputados, da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que cria o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Apesar de envolver mais recursos e abranger todo o ensino básico, o projeto recebe críticas por representar avanços tímidos. A PEC do Fundeb será agora avaliada e votada no Senado. Pág. 5

Marcio Baraldi

E mais:

Dia 4, em Caracas, mais de um milhão de venezuelanos marcham para comemorar os sete anos da revolução bolivariana

Projeto de lei ameaça cooperativas Pág. 6

No Congo, massacre de 4 milhões Pág. 13

A revolução e a estética na arte cubana Pág. 16


Ministro faz o jogo da Rede Globo