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internacional

D.B.

Noventa e nove contra um Mais de mil manifestantes acamparam no Parque Zuccotti, no coração financeiro de Nova York

ESTADOS UNIDOS Ainda sem uma linha política muito bem definida, ocupação em Wall Street ganha cada vez mais adeptos contra o sistema financeiro e as corporações Eduardo Campos Lima e Hugo Fanton de Nova York (EUA)

“ESTE É O PRIMEIRO comunicado dos 99%. Estamos ocupando Wall Street”. No dia 17 de setembro, mais de mil manifestantes acamparam no Parque Zuccotti, no coração financeiro de Nova York. A declaração, feita no sítio que o grupo criou na internet (www.occupywallst.org), lembrava que o parque havia sido rebatizado como Praça Liberdade. É lá que, desde então, estão reunidas milhares de pessoas de diversas idades, origens e classes sociais, expressando-se em uma só voz – a voz de uma multidão correspondente aos 99% de cidadãos estadunidenses mais pobres, contra 1% de multimilionários e corporações transnacionais. Tudo começou em julho, quando uma organização canadense de luta contra o consumismo, a Adbusters, lançou uma convocação, pelas redes sociais da internet, para que se preparasse uma ocupação em Wall Street em setembro, inspirada nos protestos do Egito, Espanha e Oaxaca (México) e com duração de pelo menos dois meses. “Uma porção de militantes, artistas e estudantes nova-iorquinos que havia organizado uma assembleia geral em Nova York e conduzido uma ocupação próxima à prefeitura para combater os cortes orçamentários municipais começou a planejar uma ocupação seguinte em Wall Street”, conta Jeremy Brecher, historiador e autor de diversos livros sobre movimentos sociais e lutas operárias. A meta inicial era que até 90 mil pessoas comparecessem ao protesto; como menos de dois mil manifestantes apareceram no primeiro dia, o movimento foi considerado um fracasso por muitos de seus opositores. Entretanto, dia após dia, novos participantes surgiam, o que fez com que a ocupação ganhasse cada vez mais força.

Dia após dia, novos participantes surgiam, o que fez com que a ocupação ganhasse cada vez mais força Economia

O protesto nasceu como uma resposta à crise financeira internacional deflagrada em 2008, cujos efeitos têm sido cada vez mais sentidos pela classe trabalhadora estadunidense. “A ocupação foi deflagrada pela recessão duradoura nos EUA, onde o desemprego já está perto dos 20%”, lembra David, professor em Nova York que tem acompanhado os protestos e milita em movimentos sociais desde os anos de 1960. “O movimento também é, essencialmente, uma resposta à indignação generalizada diante dos presentes que o go-

verno tem dado à indústria financeira, à aparente cumplicidade da administração Obama com tudo isso e ao fracasso das respostas da política convencional a esses problemas”, detalha Brecher. Na Declaração da Ocupação da Cidade de Nova York, carta de princípios e objetivos publicada pelos participantes, destaca-se o caráter econômico das motivações. O texto ataca prioritariamente as grandes corporações, que “colocam o lucro acima das pessoas, interesses próprios acima da justiça e opressão acima da igualdade”. Segue-se uma extensa lista de “crimes” praticados pelos grandes conglomerados econômicos, que inclui, entre outros tópicos, a execução de hipotecas por meio de processos judiciais ilegais, o que fez milhares de estadunidenses perderem suas casas; o grande endividamento de jovens estudantes de universidades; a terceirização da produção, com consequente desemprego e perda de direitos sociais; e a perpetuação de políticas colonialistas em todo o mundo, com participação direta em torturas e assassinatos. Tendo como alvo a pequena minoria que detém boa parte do poderio econômico e que, mesmo em um mundo em crise, continua lucrando e obtendo benefícios ilimitados junto ao governo, os manifestantes voltam-se contra o capital de maneira geral. “A ideia de que 99% do país detém uma riqueza reduzida e que 1% possui aproximadamente 40% de toda a riqueza é obviamente um desafio ao capitalismo”, define David.

“Essa é a resposta para a questão da relação entre manifestantes e classe trabalhadora. Quando os sindicatos participam, são cruciais” Política

O destinatário da carta de princípios é “o povo do mundo” – já que a atuação das grandes corporações não conhece limites nacionais. Com um inimigo que se estende por todo o globo e o sujeito da ação definido genericamente como “povo do mundo” – ou, em outro trecho da declaração, “todas as comunidades que tomem atitudes e formem grupos no espírito da democracia direta” – a ocupação nova-iorquina demonstra que sua agenda, neste momento, é abrangente demais para se constituir como um programa político mais claro. “De maneira geral, comunga-se com a tendência de defender formas ‘horizontais’ de organização. A instância de deliberação é uma assembleia geral formada por qualquer pessoa que queira participar e há numerosos comitês formados por voluntários”, explica Brecher. Segundo o professor David, pode-se definir o movimento, em termos políticos, como radical, em oposição ao termo “esquerdista”. Ele afirma que a participação de socialistas e comunistas tem sido irregular, mas está aumentando gradativamente. “Um dos problemas é que o Ocupe Wall Street é bem grande, com 5 mil pessoas durante o dia, talvez, mas a esquerda organizada é bem pequena. Contudo, a esquerda, fraca como está, é, acredito, o único grupo capaz de apontar

A ocupação em Wall Street já se espalhou por

1.868 cidades no mundo inteiro

a direção da classe trabalhadora para as ocupações”, analisa. Com objetivos amplos e sem uma estratégia muito bem definida, o momento atual ainda é “pré-político”, na opinião de David. Um dos indícios são as críticas morais ao capital que embasam o discurso da manifestação – no qual se repetem ataques à “ganância do setor financeiro” e à “corrupção dos mais ricos”. “Essas críticas são definitivamente morais, no sentido de que são distintas de críticas políticas”, argumenta. Sindicatos

Para Paul Buhle, professor aposentado da Universidade Brown e ativista de movimentos sociais desde os anos 1960, o movimento é tão espontâneo que nenhuma organização em nível nacional é provável, ou mesmo desejável, no atual estágio. “Há um diálogo nacional entre os manifestantes e, por meio do Facebook, um senso de organização. Talvez nada, além disso, seja possível para o momento”. Presente a uma assembleia recente da ocupação, Buhle conta que a discussão que acompanhou se dava em torno de assuntos relacionados à logística e à organização prática das coisas, não havendo nenhum debate propriamente ideológico. “Por ora, isso parece bem adequado”. David e Buhle lembram, entretanto, que a evolução dos acontecimentos, nos últimos dias, pode apontar para possíveis soluções. Michael Bloomberg, o bilionário prefeito republicano de Nova York, havia ordenado uma retirada “temporária” dos ocupantes da Praça Liberdade para que a área fosse limpa. “Na verdade, o lugar está razoavelmente limpo. Entretanto – e isso é crucial –, a AFL-CIO [American Federation of Labor- Congress of Industrial Organizations, ou Federação Estadunidense do Trabalho-Congresso de Organizações Industriais, coligação das duas maiores centrais sindicais estadunidenses] chamou seus membros para defender o local e evitar a expulsão”, relata David. “Foi um passo incrivelmente importante e representa um salto qualitativo. Uma porção do setor organizado da classe trabalhadora tomou a responsabilidade de defender a área”, avalia. Na opinião de Paul Buhle, o apoio dos trabalhadores organizados certamente evitou o ataque da polícia. “Essa é a resposta para a questão da relação entre manifestantes e classe trabalhadora. Quando os sindicatos participam, são cruciais”, conclui.

História

A ocupação em Wall Street, constituída, desde o início, com um caráter internacionalista, já se espalhou por 1.868 cidades no mundo inteiro (de acordo com

último acompanhamento, feito em 17 de outubro). As movimentações foram registradas em todos os continentes e continuam em expansão. A quantidade de pessoas envolvidas já é o suficiente para colocar a atual onda de protestos entre as mais importantes dos EUA desde os anos 1960 e 1970. Ao lado das passeatas e concentrações ocorridas em Madison (estado de Wisconsin), no primeiro semestre de 2011 (onde o movimento continua em curso), as ocupações demonstram um vigor militante comparável ao da Nova Esquerda e ao da luta pelos direitos civis de então. “Não se vê algo assim nos Estados Unidos, provavelmente, desde os anos 1930”, acredita o professor David. O clima da ocupação lembra muito o dos protestos dos anos 1960, de acordo com o relato de militantes que viveram os dois momentos. “A própria ocupação me lembra, ao vê-la da parte de fora, dos protestos May Day em Washington, em 1971 [quando ocorreram séries de atos contra a Guerra do Vietnã na capital estadunidense]. Há uma desordem premeditada e alegre”, compara David.

Os sindicatos, de maneira geral, têm procurado ampliar sua base de colaboração para além dos seus círculos de apoio tradicionais A natureza das demandas e motivações do movimento e a recente aliança com sindicatos, entretanto, são sinais de que há a possibilidade de grandes avanços. “Embora as ocupações tenham sido organizadas por elementos da pequena burguesia, elas receberam amplo apoio da classe trabalhadora organizada. Diferentemente dos anos de 1960, a rebelião daquilo que os estadunidenses gostam de chamar de ‘classe média’ corresponde a uma crise na classe trabalhadora, o que torna bem maior o potencial de ação para a esquerda”, pondera o professor. Junta-se a isso o fato de que os sindicatos, de maneira geral, têm procurado ampliar sua base de colaboração para além dos seus círculos de apoio tradicionais, conforme lembra Paul Buhle. “Ainda não se pode tentar prever a significância histórica do atual movimento em longo prazo. O que se pode dizer é que a situação imediata nos EUA foi significativamente transformada por ele. Até agora, os EUA viveram décadas de uma luta de classes unilateral. O movimento de Madison e o Ocupe Wall Street representam o começo da transformação da luta em uma questão com dois lados envolvidos”, define Brecher. Com o lema “Somos os 99%”, os ocupantes de Wall Street (e de tantas outras ruas e praças do mundo todo) têm conseguido tirar milhares de pessoas da apatia política, direcionando diferentes necessidades e desejos para uma luta contra o capitalismo. “Apesar da ausência de declarações formalmente ideológicas, um ponto fica claro em todo lugar: trata-se de 99% contra 1%, todo mundo contra os capitalistas ricos”, define Buhle.


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Bob Jagendorf/CC

Estadunidenses em Wall Street: crises do sistema financeiro e do próprio capitalismo impulsionam a luta popular

“Neste exato momento, há muito barulho. E esse barulho é bom” ENTREVISTA Sociólogo estadunidense aponta os desafios do movimento “Ocupe Wall Street” Eduardo Sales de Lima da Redação

“OCUPE WALL STREET” (OWS) completou um mês em 17 de outubro. De 5 a 20 mil pessoas já chegaram a ocupar uma praça a 300 metros do coração financeiro estadunidense – e mundial –, a Praça da Liberdade. Alimentos, cobertores, sacos de dormir, suprimentos de higiene. A população que não participa diretamente da ocupação contribui com doações. Até óculos de natação para proteger os manifestantes de ataques com spray de pimenta da polícia apareceram. O estadunidense viu-se forçado a enfrentar a nova realidade do desemprego e da falta de perspectiva. As crises do sistema financeiro e do próprio capitalismo também servem de mote para a luta popular que surge não apenas em Nova York, mas em cidades como Washington, Boston, São Francisco, Filadélfia e Chicago. O sociólogo Asher Dupuy-Spencer, ativista estadunidense envolvido diretamente no Ocupe Wall Street (OWS), nos dá seu testemunho e opinião acerca das últimas manifestações populares. “Neste exato momento, há muito barulho. E esse barulho é bom. Ele está atraindo atenção e novos participantes. O objetivo, entretanto, é que isso ganhe um caráter político” aponta Asher, que também faz parte de um movimento para repensar a esquerda estadunidense no âmbito da crise financeira mundial.

Brasil de Fato – As manifestações em outras cidades dos Estados Unidos seguem a mesma linha que a “Ocupe Wall Street”? Asher Dupuy-Spencer – Agora, nesta etapa do movimento, o resto dos Estados Unidos – e com isso eu quero dizer todas as outras cidades que começaram suas próprias ocupações – parece seguir as pegadas do OWS. Isso coloca o movimento de Nova York numa posição especial com relação à situação política em outras partes do país. Ao passo que os protestos crescem e as ações se sucedem, temos razões para acreditar que as pessoas de todo o país serão influenciadas por isso e, com toda a probabilidade, seguirão o exemplo. Por outro lado, elementos progressistas e organizações como moveon.org parecem estar desempenhando um papel muito maior nessas outras cidades. O sucesso do movimen-

to como um todo dependerá de sua habilidade para forjar um caminho independente em relação à ala esquerda do Partido Democrata. Cooptar seria muito mais difícil, eu ouso dizer impossível, em Nova York. No geral, os protestos emergem contra a dominação das grandes corporações e do sistema financeiro sobre a política? É importante entender como esse movimento emergiu se nós quisermos entendê-lo, porque ainda não existem demandas claras. É um movimento social que surgiu não por causa de uma disciplinada agitação de grupos políticos ou organizadores, mas a partir de um descontentamento básico. Poderíamos dizer que o movimento emergiu organicamente a partir de condições objetivas das vidas das pessoas: alto índice de desemprego, rendas estagnadas, falta de qualquer tipo de segurança no emprego e um senso de que a distribuição da renda e ativos não é justa.

“O sucesso do movimento como um todo dependerá de sua habilidade para forjar um caminho independente em relação à ala esquerda do Partido Democrata” Esse conjunto de queixas pode prestarse bem à consciência social democrata e a um movimento de reformas. Entretanto, a maior parte das pessoas envolvidas no movimento tem pouca fé que os Estados Unidos (pelo menos dentro de sua formação governamental atual) tenha o poder ou o desejo de negociar a pauta das queixas mencionadas. Isso tem gerado uma posição bastante radical dentro do OWS. Enquanto não há estrutura organizacional no OWS capaz de auxiliar no foco político, há uma crença geral de que existe “poder” simplesmente no ato de reunir-se e discutir questões, de que existe poder real quando se está apto a ocupar os espaços. Essas ideias podem ter seus próprios limites, mas, no momento, elas são mais radicais do que as maiores agendas de reformas que eu consigo imaginar e são uma boa opção para o OWS, que está só no seu começo. As manifestações do OWS podem ser consideradas como a mais importante insurreição popular contra o capitalismo em sua fase neoliberal, se é que se pode falar nesses termos? Essa é uma questão difícil de responder. Quando os Estados Unidos espirra, todo o mundo pega um resfriado. Como hegemonia atual, o significado

desse movimento não deve ser subestimado. Eu acho que qualquer avaliação de sua relativa importância terá de ser feita muito mais para frente. Qual o peso da insatisfação popular em relação ao governo de Barack Obama? Eu diria que há uma desilusão generalizada com Obama, ou pelo menos com sua capacidade para gerar mudança. Pouquíssimas pessoas têm alguma fé nele. Não digo com isso que a vasta maioria das pessoas que participam do OWS não votaria nele, mas isso se dará muito mais em função do fato de a direita parecer bastante assustadora. Os candidatos estão competindo essencialmente para ver quem gerará a mais severa austeridade.

“Poderíamos dizer que o movimento emergiu organicamente a partir de condições objetivas das vidas das pessoas” O sistema financeiro criou uma lógica incompreensível para o cidadão comum. Mas quando a crise atingiu os direitos sociais, tal situação forçou o questionamento? Certamente os complexos instrumentos de dívida e as intrincadas relações entre as instituições financeiras estão além da compreensão do cidadão médio. O fato de que as altas finanças ocupem uma posição especial em nossa economia e que tenham sido capazes de garantir sua parte no crescimento econômico da última década passada se insere totalmente dentro da compreensão de todos os manifestantes e qualquer estadunidense. Surgiu, a partir desse fato, uma compreensão intuitiva de injustiça e o sentimento de que desejávamos e precisávamos lutar contra um sistema que tão claramente não estava gerando nada que se aproximasse de uma vida decente que as pessoas sentem que merecem.

“Qualquer um com quem você converse na rua sabe que o sistema opera em prol de uma pequena minoria” As pessoas não são tolas, embora, às vezes, possam ser enganadas. Qualquer um com quem você converse na rua sabe que o sistema opera em prol de uma pequena minoria e eles sabem que a segurança do emprego já está bem difícil de passar por aqui. Muitos veem isso simplesmente como se fosse culpa da

má administração financeira ou política. Entretanto, dentro do movimento aumenta a compreensão de que é o capitalismo que deve ser o culpado pelos altos níveis de desigualdade e pela quebra da estabilidade do emprego. Por fim, se esse movimento gerar sucesso, precisará criar uma análise que aborde a estrutura do próprio sistema capitalista. Essa análise não existe ainda dentro do OWS. O que esse movimento herdou de outras experiências de manifestações populares do século passado? O que há de novidade? Esse movimento parece com a Nova Esquerda dos anos 1960 e 1970 por sua inspiração. Ele também se parece com o movimento antiglobalização. A diferença é que a Nova Esquerda tinha uma educação política herdada da velha esquerda marxista. Os radicais de 1960-70 não eram capazes, ou não estavam dispostos, de trabalhar para trazer o movimento operário. Hoje nós vemos um movimento operário em declínio mas que está querendo jogar seu peso na luta. O Parque Zuccoti está cheio de diversos tipos de trabalhadores de várias organizações de Nova York. E o OWS tem se lançado ao trabalho da luta também. Recentemente, ativistas do OWS interromperam leilões [de arte] do Sothebys em apoio aos sindicalistas do Teamsters [Union], que estavam trancados do lado de fora. Há também fortes relações se desenvolvendo entre ativistas da OWS e militantes de dentro da MTA (trabalhadores do trânsito, metrôs).

“Não há partidos ou organizações que parecem ser capazes de unificar o movimento e dar a ele uma voz política mais uníssona”

Não há partidos ou organizações que parecem ser capazes de unificar o movimento e dar a ele uma voz política mais uníssona. Sua força permite manter-se em crescimento. Mas o movimento precisará institucionalizar-se de alguma forma se quiser reproduzir-se mais além de projetar sua força coerentemente. A habilidade do OWS de obter sucesso a qualquer medida dependerá de como se organiza. Neste exato momento, há muito barulho. E esse barulho é bom. Ele está atraindo atenção e novos participantes. O objetivo, entretanto, é que isso ganhe um caráter político. O papel dos militantes dentro do movimento, aqueles que têm experiência política e organizacional, é pegar esse barulho e fazer disso, política. Logo, nós precisaremos começar a pensar sobre qual tipo de mundo nós queremos e que tipo de demanda pode nos levar até lá. Pelo momento, só podemos nos certificar que ele [OWS] ainda ocorrerá amanhã.


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