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s números são impressionantes. Estima-se que mundialmente 1,5 bilhão de pessoas sofram diariamente com dor crônica. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que 30% da população do planeta padeça deste mal. Os Estados Unidos contabilizam um prejuízo anual de 550 milhões de dias de trabalhos perdidos provocados pela dor. As autoridades de saúde do país já consideram essa a década da dor. No Brasil, o cenário não é diferente. Em algumas capitais brasileiras, pesquisas indicam que o percentual de pacientes com dor crônica é mais alto que o índice mundial. Em São Luís, capital maranhense (MA), por exemplo, ele chega a 47%, e em Salvador, na Bahia, a 41%. Entretanto, para os profissionais de saúde a grande dificuldade em lidar com a dor é que se está diante de uma queixa totalmente subjetiva, pois dificilmente há um exame complementar que demonstre a existência ou mesmo a intensidade dela. “Uma das definições mundialmente aceitas é de que dor é o que o paciente diz sentir”, afirma o neurocirurgião especialista em terapia da dor da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Alexandre Walter de Campos. Nos Estados Unidos, desde 1998 já existe uma especialidade médica dedicada ao chamado intervencionismo da dor, com mais de 5 mil profissionais atuantes no país. Aqui, a dor ainda é considerada uma área de atuação, mas não uma especialidade. Apesar disso, cresce o número de instituições de saúde investindo na capacitação de profissionais para o setor. Em cada unidade da rede, a São Camilo tem profissionais especializados – os chamados Grupos de Controle da Dor. “As equipes contam com médicos que fazem visitas diárias aos pacientes em seguimento com o grupo, uma enfermeira responsável, uma psicóloga e uma fisioterapeuta”, explica Campos. “Temos ainda um relacionamento próximo com a equipe de psiquiatria e assistência social”.

Assis, da Sobramid, defende a utilização mais ampla das técnicas intervencionistas para minimizar o sofrimento de pacientes

Foto: Divulgação

Também em São Paulo, no Hospital A.C.Camargo, referência nacional e internacional na prevenção, pesquisa e tratamento de pacientes com câncer, desde 1991 há uma Central da Dor. “Em alguma fase da doença oncológica, o paciente terá queixa de dor. Nas fases mais avançadas, isso acontece em quase 90% dos casos”, revela o responsável pela central, José Oswaldo de Oliveira Júnior. A equipe do A.C.Camargo envolve cerca de dez profissionais das mais diversas especialidades: neurocirurgiões, psicólogos, psiquiatras, neuropediatras, pediatras e fisiatras. Para o médico, a Central da Dor é vital para oferecer um melhor atendimento aos pacientes. “Dor é o sintoma que mais limita e deteriora a qualidade de vida. Muitos doentes têm um medo tão grande da finitude da vida quanto da possibilidade de sofrer de dor e a dificuldade em controlá-la”. Outro tipo de dor que tem um impacto enorme na vida da população é a crônica. (entenda mais na próxima página). “A dor aguda mal tratada pode se tornar crônica”, explica o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos para a Dor (SBED), Durval Campos Kraychete. E o maior problema, ainda segundo ele, é que a média de tempo que um paciente com dor leva até procurar um ambulatório ou serviço especializado é de oito anos. “A prevalência

ENTRE AS DORES CRÔNICAS MAIS COMUNS QUE AFETAM A POPULAÇÃO ESTÃO: • Musculoesqueléticas – fibromialgia, artrose, hérnia de disco, lesões por esforço repetitivo (LER), tendinite, bursite e a dor lombar (dor nas costas); • Neuropáticas – associadas com doenças como diabetes, lúpus, esclerose múltipla, artrite reumatoide ou a acidentes vasculares cerebrais (AVC); • Cefaleias – enxaquecas.

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Fh 215  

revista Médica

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